Últimas indefectivações

quarta-feira, 4 de março de 2020

O erro do modelo

"Quando o Benfica não renovou com Jorge Jesus e foi buscar Rui Vitória, o objectivo era simples: mudar o modelo de plantéis do clube. Jorge Jesus tinha desperdiçado jogadores como João Cancelo e Bernardo Silva. O Benfica não queria desperdiçar as gerações que vinham a seguir nomeadamente as geração de 97 (Rúben Dias, Renato Sanches, Ferro, João Carvalho, Diogo Gonçalves), de 99 (João Félix, Jota, Florentino e Gedson), de 2000 (Tiago Dantas, Pedro Álvaro e Nuno Tavares) e 2001/02 (Kokubo, Tomás Tavares, Rafael Brito, Paulo Bernardo, Ronaldo Camará [2003], Tiago Gouveia e Gonçalo Ramos). O modelo consiste em ter uma base de jogadores experientes (Jardel, André Almeida, Samaris, Grimaldo, Gabriel, Taarabt, Pizzi, Rafa, Seferovic) e ir lançando jovens que estão já com alguma experiência de Segunda Divisão. A ideia é boa e os resultados apareceram com ela. Desde da saída de Jorge Jesus, o Benfica ganhou três dos quatro Campeonatos. Mas há um erro particular no modelo que depois do último mês começa a ficar mais visível.
Com Rui Vitória, o Benfica não entrou em ‘full-mode Seixal’, isto é não começou a viver quase exclusivamente do Seixal, mas a verdade é que apareceram Ederson, Lindelof, Rúben Dias, Nélson Semedo, Renato Sanches e Gonçalo Guedes. Todos estes jogadores, excepto Rúben Dias e Gonçalo Guedes, foram essenciais nos dois títulos de Rui Vitória. Todos esses jogadores tinham em comum uma coisa na época que Rui Vitória não ganhou (2017/2018). Não estavam lá. Sendo que o maior problema não foi o facto de não estarem lá, mas sim o facto de nunca terem sido devidamente substituídos, excepto Lindelof que foi substituído por Rúben Dias. O Benfica vendeu Ederson em 2017 e só em 2018 foi buscar Vlachodimos. O Benfica vendeu Nélson Semedo e ainda não foi buscar um lateral direito decente para equipa principal desde então. O Benfica vendeu Renato Sanches em 2016 e só dois anos depois foi buscar Gabriel. João Félix não foi substituído. É no ano a seguir a vendemos Ederson, Lindelof, Nelson Semedo que perdemos o Campeonato para o Porto. Cada vez mais parece que é no a seguir a não substituirmos João Félix que vamos perder o Campeonato para o Porto.
O ano passado fizemos uma recuperação incrível. Mas só depois de despedir Rui Vitória e promover Ferro, Florentino e Jota. Além de começarmos a utilizar João Félix como deve ser. Este verão vendemos João Félix, uma peça fundamental do título do ano passado e acabámos por não o substituir. Ao mesmo tempo, a equipa tem tido dificuldades exactamente nas funções que João Félix fazia, que era aparecer no espaço entre linhas, criação de espaços e finalização. Bastaram as lesões de Gabriel e André Almeida, e os resultados caíram a pique. Fomos eliminados da Liga Europa, por pouco não fomos eliminados na Taça de Portugal e ainda perdemos 8 pontos em 12 possíveis no Campeonato. Tudo no espaço de pouco mais de um mês.
É aqui que o modelo do Benfica falha. O Benfica falha nas transições de época para época. Os jogadores jovens regra geral nunca estão mais de duas épocas na equipa principal e se não houver ninguém pronto a dar o salto, ou não se contrata, ou então promove-se alguém à pressa.
1. Ederson. Ederson saiu no verão de 2018. Na altura na equipa B andava Ivan Zlobin, que não oferecia grandes garantias. Não havia nenhum guarda-redes que parecesse que poderia assumir um lugar na equipa principal num futuro próximo. Era obrigatório ir buscar alguém fora do Seixal. O clube tentou contratar André Moreira e para suplente foram recuperar Bruno Varela, que tinha feito uma boa época no Setúbal. Quando o Atlético pediu 10 milhões pelo André Moreira, o Benfica devolveu o jogador, que já andava a treinar no Seixal, contratou um miúdo belga muito promissor e acabou por entregar a baliza a Bruno Varela quando o plano inicialmente era ser suplente. O substituto de Ederson só chegou em 2019 quando Vlachodimos chegou ao clube.
2. Nélson Semedo. O Tomás Tavares é um jogador com potencial. Mas antes de se estrear na equipa principal num Benfica-Leipzig, tinha três jogos na equipa B. Porque é que foi lançado já? Porque desde que o Benfica vendeu Nelson Semedo, tivemos Pedro Pereira, Douglas, Mato Milos, Corchia e Tyronne Ebuehi. Nenhum correspondeu. Tomás Tavares seria uma aposta para 2021, na melhor da hipóteses para 2020. Este era o plano inicial do Benfica. Mas acabou por ser promovido logo em 2019 a meio do verão quando a estrutura percebeu que Ebuehi não servia. Nessa altura, Tomás Tavares estava no Europeu S19. Se o Tomás Tavares fosse o plano inciial do Benfica, nem sequer tinha ido ao Europeu S19. O Benfica podia ter pedido para o jogador não ir, como fez com o Tiago Dantas e com o Nuno Tavares que fizeram a pré-época com a equipa principal. Mas não pediu porque a aposta ia ser Tyronne Ebuehi. Em vez contratar alguém por empréstimo, o Benfica optou por promover logo Tomás Tavares à pressa. O resultado está à vista.
3. Victor Lindelof. Há pouco a dizer aqui. Foi uma das poucas transições bem feitas. O Rúben Dias quando foi promovido à equipa principal já tinha 58 jogos na equipa B. Algo particularmente inédito.
4. Renato Sanches. O Renato surge no Benfica depois de Rui Vitória ter testado cinco ou seis duplas de centrocampistas no onze inicial. Testou Samaris-Talisca, André Almeida-Talisca, Samaris-André Almeida, Fejsa-Pizzi, Pizzi-Samaris e Fejsa-Samaris. Eventualmente, depois de três derrotas com o Sporting, no Cazaquistão nasce a dupla Samaris-Renato Sanches. Oito meses depois, o Renato é vendido, num verão onde o Talisca e o Gaitan também saem. Na equipa B/juniores começava a aparecer Gedson e Florentino. Mas ainda não tinham experiência suficiente. O Benfica contrata André Horta, Filipe Augusto e Guillermo Celis, mas quem acaba por substituir Renato Sanches é o Pizzi que é adaptado a médio centro e faz a época praticamente toda com Samaris e Fejsa. No ano seguinte contratámos Krovinovic, depois de vendermos Celis e emprestarmos André Horta e Filipe Augusto. Quando o Krovinovic se lesiona, voltámos às adaptações com Zivkovic a fazer a posição. Só quando Gabriel chega ao clube, dois anos depois da venda de Renato Sanches, é que voltámos a ter um grande médio centro.
5. João Félix. O Félix assumiu um lugar no 4-4-2 do Benfica como segundo avançado, depois de Bruno Lage assumir o clube e acabar com o 4-3-3 de Rui Vitória. Na altura o Benfica não tinha outro segundo avançado. Logo, ainda antes de vender João Félix, o Benfica já estava a precisar de outro segundo avançado. Contratámos Chiquinho, mas não chegou mais ninguém. Muito provavelmente por causa de Gonçalo Ramos, um miúdo de 2001, que - imagino eu - o Benfica não quis tapar contratando alguém já, que deverá ser hipótese já no início da próxima época. O resultado está à vista de todos. Andámos a época toda a jogar com jogadores adaptados a segundo avançado quando o Chiquinho estava lesionado ou numa fase menos boa.
Este é o erro do Benfica. Vendemos jogadores mais rápido do que os conseguimos formar. E quando os vendemos, ficamos à espera até formarmos alguém. Somos muito lentos a substituir os jogadores que vendemos e a equipa sente-se. As soluções para isto são óbvias:
1. Não vender passado seis meses. O Benfica podia perfeitamente ter aguentado João Félix mais uma temporada e quando o vendesse já poderia promover Gonçalo Ramos. O mesmo é válido para Renato Sanches que também nem um ano fez na equipa principal.
2. Contratar por empréstimo. Se Tomás Tavares não estava preparado já para 2019, devíamos ter contratado alguém por empréstimo. Não precisava de ser muito bom. Mas pelo menos cumprir. Ao mesmo tempo, Tomás Tavares iria crescendo na equipa B e seria aposta em 2020 ou 2021.
3. Contratar em definitivo. Quando o Ederson foi vendido, o Benfica não tinha nenhum jovem guarda-redes a aparecer. Se não íamos ter ninguém porque demorámos um ano e abdicámos de um potencial penta para ir buscar o seu substituto? Parece sempre que temos x nomes para numa lista de contratações e se não conseguirmos nenhum desses, não contratamos ninguém. Ainda neste inverno andámos o mês de Janeiro todo atrás do Bruno Guimarães. Quando não contratámos o brasileiro, acabámos por não contratar ninguém.
4. Não ter jogadores banais a ocupar espaço. Filipe Augusto ocupou um lugar que poderia ter sido de Pêpê. Caio Lucas tirou minutos que podiam ter sido de Jota. Ferro foi tapado por Lema e Conti. Alfa Semedo tapou a ascensão de Florentino. Quando há jogadores banais a ocupar lugares de jogadores de formação, corremos o risco de perder jogadores muito talentosos ou de pelo menos atrasar a sua progressão.
No fundo é tudo um erro de planificação."

Putos & Circo !!!

Gala Cosme Damião

"No âmbito das comemorações do 116.º aniversário do Sport Lisboa e Benfica, realiza-se hoje, a partir das 21 horas, no Campo Pequeno, em Lisboa, a já tradicional Gala em que se distingue e homenageia aqueles que mais se destacaram no serviço ao Clube durante o ano transacto.
Como nas edições anteriores, a Gala será uma excelente oportunidade para reunir parte da Família Benfiquista, nomeadamente os atletas, treinadores e staff de apoio das várias modalidades, os dirigentes e os profissionais dedicados que diariamente se empenham na construção de um Benfica cada vez melhor e maior.
Viver-se-ão certamente muitos momentos de exaltação do benfiquismo e serão distribuídos os Galardões Cosme Damião, entre os quais sete cuja responsabilidade de escolha dos galardoados pertenceu aos Sócios do Sport Lisboa e Benfica registados no sítio oficial, a saber: Futebolista; Treinador; Revelação futebol; Atleta de alta competição; Modalidades; Revelação modalidades; Formação. Ao todo, foram 37 os nomeados.
Será, sem dúvida alguma, uma noite recheada de emoção e benfiquismo, à semelhança da bonita e sempre emocionante cerimónia anual de entrega dos anéis de platina e emblemas de dedicação realizada no passado sábado.
Com a presença de milhares de benfiquistas no Pavilhão n.º 1, foram 3225 os sócios homenageados ao longo dessa manhã. 70 receberam o anel de platina (75 anos de filiação clubística), 155 o emblema de ouro (50 anos) e 3100 o emblema de prata (25 anos), em mais uma demonstração cabal de vitalidade associativa do maior clube português.
Temos um passado glorioso que tanto nos honra e orgulha e é com enorme optimismo que encaramos o futuro, ao constatarmos a pujança desportiva, associativa, financeira e patrimonial que caracteriza actualmente o nosso Clube.

P.S.: Parabéns à nossa equipa de Sub-19 pelo excelente triunfo obtido ante o Liverpool, por 4-1, e subsequente apuramento para os quartos de final da UEFA Youth League, constituindo-se como mais um sinal de confiança no futuro."

Benfica Podcast #356 - Crisis Mode

Benfiquismo (MCDLXI)

Vítor Silva...

Futuro risonho...


Benfica 4 - 1 Liverpool


Excelente jogo, com uma equipa 'reforçada', mas que até tem poucas rotinas, já que estes jogadores estão 'distribuídos' por quatro equipas (A, B, sub-23 e Juniores)... com um Pedro Álvaro que regressou de uma lesão longa, com o Tiago Gouveia ainda fora de forma após lesão, e ainda sem o Umaro... e com o Tomás Tavares fora por 'opção'!

É verdade que o Liverpool jogou sem alguns dos seus jogadores mais promissores, mas a diferença foi brutal, o resultado justo teria sido um 8-1... até deu para desperdiçar um penalty!!!

Nos Quartos-de-final vamos defrontar o vencedor do Bayern - Dínamo Zagreb... ambas as equipas com tradição na formação! Estamos a um jogo da Final Four da Suíça!

Estamos na Final Four da Taça de Portugal

Barreirense 70 - 108 Benfica
20-24, 16-31, 16-30, 18-23

Chuva de Triplos, com uma vitória confortável, apesar de mais uma razia de lesões: Coleman, Hollis, Micah além do Tomás!

Vitória!!!

Benfica 29 - 21 Sp. Horta
(17-12)

Mais uma vitória, mesmo com muita rotação...

Pelo Benfica

Benfica FM #103 - Shakhtar, Moreira... com o Bordalo!

Há um F a mais em Ferro e agora que há jogos à porta fechada, (...) espera que a coisa escale até ser impedido de os ver pela TV

"Vlachodimos
Se eu estou farto dos erros defensivos, imaginem o guarda-redes com a maior percentagem de remates enquadrados defendidos nas principais ligas europeias.

Tomás Tavares
Assobiar Tomás Tavares é juntar o inútil ao desagradável. Todos sabemos que o miúdo ainda não está ao nível pretendido e ninguém sabe se ele vai lá chegar, mas tenho a certeza que apupar um rapaz de 18 anos atirado aos cães não é o melhor incentivo.

Rúben Dias
Repôs a verdade após as declarações de Bruno Lage, que anunciara Samaris e mais dez, algo factualmente incorrecto. Foi Rúben, Samaris e mais dois ou três.

Ferro
Agora que os jogos à porta fechada chegaram a Itália e Espanha, tenho esperança que a coisa escale de tal forma que sejamos impedidos sequer de ver os jogos pela televisão. Seja como for, há um F a mais no nome do nosso rapaz.

Grimaldo
Hoje vi uma sondagem no Twitter em que se perguntava quem é o melhor lateral esquerdo do mundo e o nome de Grimaldo aparecia entre Marcelo, Alphonso Davies e Jordi Alba. Não sei quem se intoxicou mais nas últimas 24 horas, eu ou o tipo responsável por este tweet. Samaris Grande remate ao ângulo na flash interview quando afirmou que este empate é uma derrota. Todos sabemos que as palavras não ganham jogos, mas, se bem empregues, conquistam o coração dos adeptos. Talvez o grego possa começar a escrever uma ou outra newsletter para o clube.

Weigl
Curiosamente fez alguns passes progressivos, coisa que pouco ou nada se tem visto nele, mas o saldo continua a ser curtinho para a nossa expectativa. Eu celebro baby steps quando vejo o meu filho caminhar ou quando vejo o Tomás Tavares tirar um cruzamento, não quando vejo um alemão de 24 anos fazer aquilo para que foi pago.

Pizzi
Muito bonito o voto de confiança para que falhasse o segundo penálti da noite. Pizzi acabaria por marcar de recarga, para gáudio dos milhares de adeptos que não celebravam um golo com este entusiasmo desde o 0-2 do Porto na primeira volta.

Taarabt
#SLBMFC | 0-1 | 75' Substituição: sai Taarabt, entra Jota.


Rafa
Já treina com bola.

Vinicius
Agora somos nós que cruzamos os braços e perguntamos: então, Vini? Marcas tu ou temos que chamar o suíço para safar isto?

Jota
O momento pedia frieza, determinação, critério, paixão, inspiração e pontaria. Jota trouxe chuteiras. 

Dyego Sousa
Teve nos pítons de Rosic um penalty entregue numa bandeja mas optou por não se atirar para o chão de forma dramática, assim hipotecando qualquer possibilidade de ser o herói da noite. Fábio Veríssimo ainda perguntou a Dyego se tinha a certeza do que estava a fazer e o avançado encolheu os ombros. Não lhe resta outra opção senão marcar em todos os jogos daqui em diante e esperar que isso chegue.

Cervi
Vês, Dyego? É assim que se faz.

Dedicado ao Xico da Ladra e aos muitos amigos que continuarão a celebrar a sua memória em todas as festas de amanhã."

Tribuna de Honra - Segunda-feira...

O desporto é mais do que o desporto

"O homem desportivo não se pode reduzir ao “homo ludens”, caro a Johan Huizinga (1938), para quem o jogo era uma acção livre e elemento motivador de cultura, a Guy Jacquin (1954), acérrimo investigador dos aspectos educativos do jogo, e a Roger Caillois (1958), que lançou as bases de uma sociologia a partir dos jogos. Segundo estes autores, a categoria de “prática desportiva” seria aplicada a uma realidade universal e invariável, fundada em disposições psicológicas e partilhadas por todas as culturas, que levariam o homem a se dedicar aos jogos e aos desportos desde que as necessidades de sobrevivência estivessem satisfeitas. Norbert Elias e Eric Dunning (1986) mostraram, de forma convincente, que é falso pretender que todas as sociedades conheceram um conjunto de práticas que se poderiam qualificar de desporto e que não podemos ligar os desportos contemporâneos, que a Inglaterra do século XVIII e sobretudo do XIX viu emergir, dos ancestrais directos e nos quais mergulhavam nas suas raízes. Com a introdução do constrangimento da regra permite-se organizar competições ao nível nacional e internacional, respeitando a igualdade de condições do confronto. A necessidade de fixar e garantir a boa aplicação desta regulamentação conduz à criação de estruturas administrativas (as federações nacionais e as instâncias internacionais). A “desportização” é o processo pelo qual os jogos tradicionais foram submetidos a pressões visando-os a se transformarem em desporto. O desporto tornou-se, assim, o novo terreno de confronto, pacífico e regulado, dos Estados. É a forma mais visível de mostrar a bandeira, de existir aos olhos dos outros e de estar presente no mapa do mundo. Quando a globalização parece apagar as identidades nacionais, o desporto torna-se o meio identificável, na esperança de uma vitória ou de uma proeza, de uma amplificação variável segundo os estatutos, as experiências históricas e as expectativas relativas. O desporto é, actualmente, mais do que o desporto. É uma manifestação das emoções, do prazer, das vibrações, dos momentos de desespero, de fraternidade, de partilha, da geopolítica, etc. É também o palco de muitas manifestações de racismo e de xenofobia."

Políticas públicas, desporto e racismo: abordagens, paradoxos e riscos

"No limiar da terceira década do século XXI assistimos a um recrudescimento de manifestações de racismo, assim como de outras formas de discriminação promotoras de exclusão social na sociedade em geral. Exemplo disso foi o que sucedeu este fim de semana num jogo de futebol e o jogador Marega do F.C. Porto.
Este simples facto deve-nos alertar para o fenómeno, não o circunscrevendo a este episódio lamentável.
Estas formas de discriminação, sucedem num contexto social de globalização crescente, de pessoas, capitais e culturas, com desvanecimento das fronteiras (globais) tornando visíveis e evidentes determinados traços socioculturais que, por sua vez, promovem o ressurgimento de movimentos de reafirmação de identidades culturais, podendo conduzir a comportamento xenófobos e radicalismos que conduzem a discriminações. A responsável das Nações Unidas para os direitos humanos, Navi Pillay, manifestou-se preocupada com o aumento do extremismo e do racismo retórico na Europa, avisando que a contestação à origem dos imigrantes pode conduzir ao abuso de direitos. Estes movimentos misturam uma ideologia neoliberal utilitária, que avalia os estrangeiros em termos de «utilidade» para a «nossa sociedade», com a construção de uma narrativa que atribui a pouca sorte ou à falta de êxito dos que se encontram no escalão mais baixo da escala social à sua diferença cultural e à sua falta de vontade de se «integrarem» na sociedade «ocidental» devido ao compromisso com os ideais religiosos ou culturais.
Sendo o desporto, as organizações desportivas e as pessoas que o integram (dirigentes, árbitros, treinadores, atletas, público), um microcosmo particular do contexto social mais abrangente, é natural que também se verifiquem estes fenómenos, nada justificáveis à luz de um quadro axiológico característico de sociedades desenvolvidas e num contexto específico que é o desporto, que deve ser encarado como um instrumento para promover a inclusão pelos valores éticos que promove.
Não obstante, o desporto tem a virtualidade de ser capaz de identificar os anátemas de exclusão em determinados contextos (1), procurar corrigi-los (2); e de funcionar como agente catalisador de mudanças sociais, globais (3), pela promoção da inclusão, no estabelecimento da igualdade de oportunidades, e na prevenção e luta contra o racismo e a violência e qualquer outra forma de discriminação, através do papel das organizações desportivas na criação de redes sociais produtoras de capital social, tal como acontece noutro domínios sociais, como a família, a escola, a igreja, etc. Estas redes permitem a aquisição de sentimentos de pertença, geradores de empoderamento e participação, com potencialidade de o capital social ser transformado em capital cultural e/ou económico, reforçando as capacidades pessoais e de desenvolvimento, quando bem orientada por princípios éticos (espírito de equipa, o autocontrolo emocional, a aceitação de regras comummente partilhadas, o empenho e determinação na prossecução de objectivos, o respeito pelo outro, e a amizade).
Possibilitam, ainda, a existência real de igualdade de oportunidades no acesso e no exercício de atividades dirigentes e técnicas, constituindo boas práticas a participação de pessoas sem qualquer tipo discriminação por motivos étnicos, religiosos, deficiência, género, orientação sexual, classe social ou outros.
Todos estaremos de acordo que muito se percorreu desde que Jesse Owens afirmou: “É verdade que Hitler não me cumprimentou, mas também nunca fui convidado para almoçar na Casa Branca.” Não obstante, ainda persistem fenómenos de racismo/xenofobismo/discriminação desmedido em diferentes países e desportos, que se estendem pela generalidade dos interlocutores no desporto. 
Devem preocupar-nos os fundamentalismos bacocos que contrariam a tese central do rendimento desportivo, que é sempre o resultado e a consequência de algo, acima de tudo de uma estrutura multifatorial que engloba variáveis que o determinam: psicológicas; fisiológicas; genéticas (potencial); sociais; contextuais, etc.
A exclusão de atletas pela presença identificada de características específicas, de acordo com a estrutura do rendimento que a assiste, com vantagens competitivas evidentes, pode conduzir segregacionismos no desporto, à imagem da exclusão social existente e que se pretende combater.
A decisão recente do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) sobre a validade das regras de elegibilidade da Associação Internacional de Federações de Atletismo para atletas com diferenças de desenvolvimento sexual, contestada pela bicampeã olímpica Caster Semenya são um exemplo. Com base neste pressuposto, atletas com condições anatomofisiológicas excepcionais como Michael Phelps, ou Usain Bolt teriam de ser reclassificados pois seriam portadores de factores de segregação por anomalias genéticas excepcionais, por estes e/ou outros factores étnicos!
Com base nestas evidências empíricas, os grupos étnicos deveriam ser, também, uma categoria de reclassificação pois são evidentes as excepcionalidades atléticas de uns grupos relativamente a outros, assim como se verifica no género, enquanto identidade.
A vingar este argumento do TAD, é o ponto de partida para o estabelecimento de regras da prevalência irrestrita, na procura da salvaguarda da integridade das competições, onde prevalece o princípio de condições equitativas, que provocará a prazo a existência de tantas classes quantas as características prevalentes e condicionantes do resultado desportivo. O desporto não pode ser ele próprio indutor de regras que possam favorecer as discriminações, em face ao critério da naturalidade do resultado, e que contrariam a sua própria natureza que se baseia numa estrutura complexa. A não ser assim, poderemos estar a assistir à criação de classes desportivas que sejam identitárias de uma natureza específica e mutuamente exclusiva: competições rácicas; competições religiosas; competições de género; competições naturais; competições artificiais, etc.
Neste âmbito, não será somente a divisão “natural” de provas/competições por género (masculino e feminino) e por idades/maturação (respeitando os níveis de desenvolvimento biopsicossocial), mas passaremos para a divisão e classificação por todos os que apresentam toda e qualquer vantagem competitiva resultante de factores biológicos intrínsecos. O desporto, não obstante a preocupação com a integridade não pode e não deve privilegiar a mediania do natural ao invés da excecionalidade do antinatural (potencial atlético), que não é o mesmo que o artificial (doping) e enveredar por intervenções artificiais, essas sim antinaturais e externas de normalização eugenista, com a segregação de potenciais atléticos que conferem vantagens competitivas visíveis.
Isso seria aliás contraditório com a própria natureza da evolução/selecção filogenética que confere vantagens competitivas na sobrevivência das espécies aos mais bem-adaptados em determinados ambientes e contextos reais. É óbvio que uma nova etapa no quadro ético de valorização axiológica no desporto irá florescer. A “criação” natural, por manipulação genética de atletas cujos fenótipos sejam vencedores naturais mesmo que artificialmente escolhidos. Talvez o futuro, não muito distante será esse. A pureza e a integridade da competição passar pela valorização da participação geral sem classes nem categorias, independentemente da raça, sexo, atributo, idade, género e/ou quaisquer características que possam indiciar vantagens competitivas, estilo OPEN e a existência de categorias com classes cujos critérios estejam dependentes dos valores normativos necessários para permitir que a aleatoriedade esteja dependente não das características potenciais do atleta, mas da naturalidade do seu processo de desenvolvimento, isto é do treino.
Mas aqui outra questão ética se equaciona. A do estímulo e a do mérito. (In)dependentemente do potencial atlético, o estímulo do treino é determinante para o resultado desportivo. Mas será ético: 
1. Em termos de integridade do resultado que diferentes procedimentos de treino (leia-se estímulos de treino) de diferente origem compagináveis dentro da legalidade, possam ser usados de tal forma que o mérito esteja dependente das condições proporcionadas?
2. Que, para além dos já citados factores ambientais de estímulo de treino, os factores socioeconómicos sejam um forte agente segregador, comprovado pela participação de grupos étnicos em determinados desportos (natação e atletismo, por exemplo). À escala global os negros ainda estão, na sua maioria, em níveis de baixo rendimento e com uma certa dificuldade de acesso às aulas de natação/piscinas, tendendo a procurar desportos mais baratos, como o atletismo, para a sua prática. 
Não. Nesta óptica, a única condição que proporcionaria a integridade dos resultados desportivos seria a competição sem treino!
Estes são os paradoxos que convém evitar, pois o absurdismo leva a fundamentalismos que vão inquinar o desporto e o seu quadro axiológico de referência. Medidas são urgentes, entre as quais: 
Medidas educativas/informativas:
1. Com acções de sensibilização para a população em geral, com a promoção dos valores axiológicos associados à prática desportiva em todas as etapas do processo de formação, usando as referências como exemplo;
2. Com a obrigatoriedade de formação geral regular para renovação de cédula de treinador sobre temáticas associadas com o combate a fenómenos de exclusão social e discriminação no desporto; 
3. Com a obrigatoriedade de existência de formação dirigente regulada e tutelada, condicionadora da certificação legal das organizações desportivas, como condição necessária para a participação em competições oficiais;
4. Com formação específica para atletas/treinadores/árbitros/dirigentes sobre comportamento de racismo e outras formas de discriminação e a forma de lidar;
5. Com a divulgação de acções de exemplo com praticantes (referência nacionais e internacionais) junto de organizações antirracismo como a ECRI (european comission against racism and intolerance);
Medidas mais estruturais:
1. A existência de um contexto global positivo com projectos integradores e de inclusão social para os mais desfavorecidos, e grupos de risco de discriminação potenciadora de exclusão social (sexismo; o racismo, xenofobia, as intolerâncias religiosas; homofobismo e transexismo), aproveitando os mecanismos de financiamento europeus existentes;
2. A criação de projectos multidesportivos, com atletas de referência, em zonas de maior complexidade social, bairros multirraciais e/ou sociais para criar a necessária ligação entre o mundo real e o mundo imaginário que só possível ser visto pela TV;
3. A existência de normas reguladoras do processo de certificação de clubes para participação em competições desportivas, nas quais a existência de dirigentes certificados sejam condição necessária para este processo.
Medidas repressivas:
1. A existência de mecanismos fáceis e intuitivos de prevenção e denúncia de comportamentos inadequados, para todos os agentes desportivos, são determinantes para desencorajar a intolerância ou a discriminação e promover o que o desporto tem de bom: os seus valores!
2. A existência de mecanismos regulares de punir com consequências desportivas actos de racismo e/ou discriminação, perpetrados objectiva e inequivocamente por dirigentes e/ou adeptos de clubes. 
Duas notas finais.
1. Não podemos, nem devemos banalizar os problemas de racismo e discriminações tratando por igual o que é diferente, e vice-versa, correndo o risco de assistirmos passivamente a um processo de consequências não antecipadas, como sucedeu com o conceito de racial colour blindness, cujo contramovimento provou que a desconsideração da “raça” na selecção de pessoas para a participação em actividades ou para a alocação de serviços era prejudicial às minorias em causa. A existência de quotas pode prejudicar a própria afirmação dos pressupostos que queremos afirmar.
2. A criação de categorias de classificação desportiva em qualquer desporto, deveria estar subjacente a um critério de incapacidade que atesta uma dificuldade acrescida para a tarefa, não a critérios de potencialidade que excepcionalizam os atletas: foi assim com as mulheres relativamente aos homens; deficientes relativamente a não deficientes; idades e graus de maturação; etc."

Sísifo no monte Olimpo

"Quando alguém se convence que os deuses do Olimpo o investiram de poderes que, de modo próprio, ao estilo “magister dixit”, lhe permite cumprir o que julga ser um desígnio nacional é porque se está no domínio do absurdo. De facto, não há nada mais absurdo do que um gestor administrativo ou político que, na sua esquizofrenia e à custa do dinheiro dos contribuintes, ainda consegue levar atrás de si alguns dirigentes que, por um prato de lentilhas, não se importam de ser arrebanhados. 
Seria bom que, por esse mundo fora, os dirigentes que, para além da própria dignidade, ainda preservam alguma racionalidade social, atendessem às palavras de Camus quando nos diz que o absurdo exige revolta. E porquê? Porque estamos na presença da síndrome de Sísifo. Sísifo na mitologia grega era considerado o mais astuto de todos os mortais. Ele era verdadeiramente habilidoso na arte da malícia, da trapaça e do ódio aos outros pelo que, para os tempos futuros, ficou como aquele que, pelas suas malfeitorias, mais ofendeu os deuses. Em consequência, desencadeou a ira de Zeus. E o rei dos deuses, a fim de ajustar contas com Sísifo, ordenou a Tânatos o deus da morte para resolver a questão. Todavia, Sísifo na sua astúcia, conseguiu ludibriar Tânatos, aprisioná-lo e, assim, adiar por mais uma Olimpíada o seu destino.
Com Tânatos aprisionado e convencido do seu poder absoluto ao ponto de questionar os critérios das benfeitorias atribuídas por Zeus, Sísifo não perdeu tempo para engendrar novas e mais sofisticadas malícias. E resolveu confrontar Hades o deus da guerra. Mas como Hades, no que diz respeito à administração da morte, necessitava das competências de Tânatos, Sísifo saiu-se mal e acabou derrotado pela inexorável lei da vida que é a morte. E os deuses condenaram-no à terra dos mortos onde passou a empurrar uma enorme pedra até ao pique do monte Olimpo a fim de a largar montanha abaixo para, de seguida, iniciar tudo de novo.
Há dirigentes desportivos que já nasceram póstumos. Eles vivem na terra dos mortos sob o absurdo da síndrome de Sísifo, embalados por um esquizofrénico desígnio nacional que lhes é imposto. E repetem, ano após ano, os mesmos processos convencidos de que os resultados vão ser diferentes daqueles que sempre foram. E, na consumação do absurdo estão a destruir o desporto quando, cada quatro anos, de Ciclo Olímpico em Ciclo Olímpico, rolam penosamente a pedra monte Olimpo acima para, depois, ingloriamente, deixarem a dita rolar monte abaixo sem quaisquer consequências para além de a terem de a fazer rolar novamente monte acima.
Infelizmente, o desporto, no absurdo das políticas públicas, está transformado na mais alienante das paixões do mundo pós-moderno. Mas não é o desporto que é absurdo nem o próprio comportamento humano. O absurdo está naqueles que sendo detentores do poder e responsáveis pelas políticas públicas, ao privilegiarem o mundo do insano em detrimento de uma razoabilidade ético-deontológica, afastam o desporto do processo de desenvolvimento humano e do progresso das sociedades. Vítor Serpa expressou bem o absurdo das políticas públicas por esse mundo fora quando numa comunicação pública afirmou: “é a educação, estúpido”. (A Bola, 2015-11-06) O problema é que os estúpidos que controlam o desporto não foram capazes ou não o quiseram ouvir.
Esta situação, que hoje é vivida pelos mais diversos governos e organizações desportivas, trata-se de uma dissonância ética em que o discurso político, tanto das entidades públicas quanto privadas, consubstanciado em vários documentos (estatutos, projectos, programas, relatórios etc.) nada tem a ver com a realidade das políticas de todos os dias. Quer dizer, trata-se de uma disfunção ética profunda entre o discurso e a acção.
E, assim, na ausência de consequências verdadeiramente direccionadas para a base dos sistemas desportivos, o desporto moderno está a transformar-se num espaço de consumo do espectáculo do mais primário agonismo e a, compulsivamente, converter a sociedade num antro de leviano hedonismo. Um hedonismo sustentado na maior indolência moral como temos tido a oportunidade de verificar através do comportamento das hordas ululantes que frequentam e vegetam, real e virtualmente, à volta dos espectáculos desportivos. E, hoje, em muitas circunstâncias, os espectáculos desportivos, em primeiro lugar, estão transformados em locais de exploração económica da pessoa humana uma vez que são eles que sustentam as apostas desportivas que funcionam como impostos sobre os pobres e, em segundo lugar, como instrumentos promotores de um confrangedor vazio ideológico das pessoas, instituições e sociedades.
O que acontece é que, em matéria de desporto, tem vindo a ser instituída a morte do pensamento a fim de manter o desporto completamente arrebanhado ao serviço das oligarquias reinantes. Não existe nada de mais eficaz para ultrapassar um qualquer grave problema nacional do que um belo caso desportivo e se for da bola tanto melhor.
Em consequência, os dirigentes desportivos da generalidade das federações desportivas, tal como Sísifo, estão condenados à terra dos mortos onde, de Ciclo Olímpico em Ciclo Olímpico, no mais confrangedor silêncio crítico, vivem no absurdo de serem obrigados a transportar a enorme pedra monte Olimpo acima para, depois, a deixarem rolar monte abaixo.
Felizmente, como refere Camus, o absurdo pode ser ultrapassado com a revolta. Ora, é essa revolta epistemológica que todos aqueles que ainda acreditam na construção de um desporto melhor esperam dos dirigentes das federações desportivas que ainda acreditam ser possível construir um desporto melhor."

terça-feira, 3 de março de 2020

Nervos de aço

"Uma análise fria ao desempenho da nossa equipa ante o Moreirense leva-nos a concluir que poderíamos e deveríamos ter somado mais três pontos.
Criámos e desperdiçámos várias ocasiões de golo, vimo-nos em desvantagem contra a corrente do jogo, chegámos ao empate e, com um pouco de sorte e eficácia, a reviravolta ainda teria sido possível.
Valorizamos a postura dos nossos jogadores que, face às contrariedades com que se depararam ontem, na sequência de alguns resultados aquém das expectativas, nunca viraram a cara à luta e tudo tentaram para inverterem uma situação indesejada.
Esta equipa já deu provas da sua capacidade de recuperação e superação, basta recordar a caminhada que levou à Reconquista.
Acreditamos que a consequência maior do empate verificado ontem – a perda da liderança – pode ser perfeitamente revertida, quando ainda faltam 11 jornadas, estando 33 pontos em disputa. Em suma, como se diz na gíria, há muito campeonato.
Nunca em momento algum considerámos que o Campeonato estaria ganho, nem mesmo quando dispusemos de sete pontos de avanço. E muito menos que algo esteja decidido, quando temos apenas um ponto de atraso.
Deixámos de depender apenas de nós próprios, mas continuamos a depender muito de nós próprios para chegarmos ao fim do Campeonato e termos a oportunidade de celebrar o bicampeonato.
Na próxima jornada, em Setúbal, o foco terá de estar inteiramente direccionado para a obtenção de um triunfo. A recuperação tem de começar já no próximo jogo.
A união será fundamental. Como bem disse Bruno Lage a seguir à partida com o Moreirense, sabemos que os benfiquistas serão os primeiros a animar a equipa e esse será um importante trunfo para as nossas aspirações. Queremos muito revalidar o título de campeão nacional, ajudemos a nossa equipa técnica e os nossos jogadores a consegui-lo!
#PeloBenfica"

O flamingo que voou na tarde calma...

"O Benfica jogava em Alvalade, mas não contra o Sporting. Mandava a Taça de Portugal que disputasse a primeira mão da meia-final contra o Ferrovia de Nova Lisboa. Era a primeira vez que os encarnados jogavam para a Taça com um conjunto africano.

Não estava muito público em Alvalade para ver o Benfica. A bem dizer, havia razões para tal. Afinal, o Sporting também não estava presente. Como assim?, perguntará o leitor. Já lá vou, já lá vou. O jogo contava para a Taça de Portugal, meias-finais. As regras mandavam que duas equipas ultramarinas fizessem parte da contenda, não fosse o Império Uno e Indivisível do Minho a Timor. Corria o ano de 1958. 5 de Maio.
E assim, em Alvalade, o Benfica disputava o acesso à final com o Ferrovia de Nova Lisboa, Angola.
E assim, no Restelo, o FC Porto disputava o acesso à final com o Desportivo de Lourenço Marques, Moçambique.
Depois haveria uma segunda mão. Claro que os clubes da Metrópole, finórios, não se dispunham a grandes deslocações lá para o sul do continente africano, no caso. O Benfica recebeu o Ferrovia na Tapadinha.
Curiosamente, as primeiras páginas davam destaques às vitórias dos metropolitanos desta forma: Benfica 6 - 2 Angola; FC Porto 6 - 2 Moçambique.
Qual respeito pelo nome dos clubes, qual diacho.
Já respeito tiveram os dirigentes do Sporting Clube de Portugal fazendo questão de se apresentarem no relvado, recebendo os dois opositores com um notável cavalheirismo.
Ninguém tinha dúvidas sobre a incomensurável superioridade dos encarnados. Só para ficarem com uma ideia daquilo a que chegou, o resultado do jogo da Tapadinha ficou em 11-1. 17-3 no total. Era do quilé!
Alertavam certos jornalistas mais sabedores para gente de qualidade da equipa do Ferrovia. Já se sabia: se aparecia algum artista pelas colónias, os clubes aqui no rectângulo atlântico iam a correr buscá-los.
Palma Medeiros, Soeiro e Nascimento: avançados. Talvez Júlio Coelho, defesa. Por via das dúvidas, que ficassem atentos. Dirigentes do Benfica e público, claro está!

Atrevimento que se pagou caro
Ao contrário das suposições, os africanos atiraram-se sobre a defesa encarnada como gato ao bofe. Era preciso descaramento. E coragem. o povo não se fez rogado: aplaudiu a atitude.
Bastos não tirava os olhos da bola.
Ângelo, Pegado e Mário João deram corda aos sapatos.
Quem diria?, pensavam os que se espalhavam pelas bancadas. E puseram-se ali à coca do jogo jogado.
De repente, Águas, também ele africano, também angolano, mas do Lobito, ergue-se nas alturas com aquela sua elegância de flamingo e fez o golo. 1-0: que desilusão! A resistência dos rapazes de Nova Lisboa esfumara-se num instante, três minutos apenas. E agora? Seriam capazes de voltar à luta?
- Não. Não foram.
Minuto 11: Mendes, de fora da grande área, tem um pontapé soberbo. Os ultramarinos pareciam estonteados. Todo  o vigor posto naquele arranque da partida era contrariado, pela classe e eficácia dos benfiquistas.
E logo a seguir, José Águas outra vez: 3-0.
Valeu aos visitantes, que até jogavam em casa por via da manigância do sorteio, que os lisboetas resolveram baixar o ritmo. Tarde agradável de sol, boas movimentações e combinações entre sectores, mas cada vez mais devagarinho, à moda de um passeio, de um treino. Mesmo assim, Palmeiro soltou-se num daqueles movimentos tão típicos seus e foi por ali fora apontar o 4-0 quase à beira do intervalo.
Havia quem fizesse contas. Havia quem fizesse apostas. Até onde iria o Benfica se desse na cabeça dos seus jogadores partirem à desfilada para uma goleada das antigas?
As perguntas tiveram resposta breve. Mesmo antes do apito do árbitro para que viesse aí o merecido descanso do minuto 45, Mário João facilitou a vida a Nascimento, e golo do Ferrovia.
Uma festa! Uma alegria! Justificada, como é evidente.
Mais uma surpresa logo no início do segundo tempo. Valente faz um drible habilidoso a Ângelo e deixa o benfiquista irritado. Mas isso é que foi assobiar-lhe às botas. O angolano correu como uma gazela lá das savanas da sua terra e quando chegou à frente de Bastos fingiu que ia dar com um pé e deu com o outro.
Esta agora, heim?
4-2 para o Benfica não era bem uma goleada de encher o bandulho.
Lá se foi o passeio de domingo.
Obrigados a acelerar outra vez o jogo, os encarnados foram em busca de pôr as coisas no seu devido lugar. Centro de Palmeiro, Águas outra vez lá no alto, tão alto, cabeçada infalível. Dois minutos mais tarde, Germano, com Águas a pressioná-lo na pequena área do Ferrovia, faz um autogolo.
Faltava jogar um quarto de hora. Os africanos estão de rastos. Ainda por cima, Coelho aleija-se e não pode continuar em campo. É de novo a moleza da tarde morna que tomba sobre o Estádio de Alvalade. Uns remates de longe, aqui e ali, só para manterem Prates atento.
A pouco e pouco as pessoas foram saindo. Talvez até uma esplanada ali perto para uma cervejinha ou para um capilé. O trabalho do Benfica estava feito. Seis dias mais tarde haveria nova dose. Lá para Alcântara, na Tapadinha. Era assim, nesse tempo, a Taça de Portugal."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um desfile de Carnaval e duas Taças

"O Benfica desfilou na Avenida da Liberdade, com um carro alegórico e os seus ciclistas

Nos dias 11 e 13 de Fevereiro de 1934, realizou-se na Avenida da Liberdade um desfile carnavalesco pela Comissão Central de Assistência de Lisboa. No desfile participaram alguns clubes desportivos com os seus carros alegóricos. Em disputa - como não podia deixar de ser, quando se fala de desporto - estavam 'valiosas taças e prémios de tentar, entre os quais (...) uma magnífica bicicleta para o ciclista que apresentar a máquina mais originalmente enfeitada'. A Taça Carnaval premiaria o clube que apresentasse maior número de ciclistas com as bicicletas ornamentadas e aos segundos seria entregue a Taça Nicolau-Trindade. Para o clube que mais reunisse a simpatia do público, estava reservada a Taça Assistência.
No domingo, dia 11, o programa das festas de Carnaval levou à Avenida da Liberdade cerca de 30 mil pessoas. Por volta das 15 horas começou a formar-se o corso, com duas ou três centenas de automóveis, equipas de ciclistas, cavaleiros e centenas de crianças mascaradas.
Apesar de todo o atractivo da festa, era a participação dos clubes desportivos que mais interesse despertava no público. Quando, finalmente, começaram a surgir os seus carros alegóricos, o entusiasmo crescente instalou-se na Avenida.
'É o Benfica!«, ouvia-se, 'e era... uma representação que tinha imponência, que tinha côr, que tinha movimento... Apetecia dizer: - É bonito, não é?... O carro do Benfica, o melhor, o mais importante de todo o «corso»,constituía como que um gráfico, em que se podia avaliar o movimento associativo do club. A águia simbólica sobressaia, imponente e majestosa, dos emblemas que se erguiam dos plintos colocados sobre o carro - e os atletas, muitos atletas, completavam a representação, berrante, numerosa, impressionante...'.
Na terça-feira de Carnaval repetiu-se o corso. Apesar do tempo nublado, assistiram ao desfile alguns milhares de pessoas. O júri atribuiu a Taça Carnaval ao Barreirense e a Taça Nicolau-Trindade ao Benfica. A votação para a Taça Assistência foi feita através dos bilhetes de entrada. O Benfica foi o claro vencedor, com 7987 votos, com larga vantagem face ao segundo classificado, o Sporting, com 1581 votos.
Antes de serem entregues, todos os prémios estiveram expostos nos 'baixos do Hotel Avenida Palace', onde puderam ser apreciados pelos público.
A Taça Assistência é uma das várias taças por votos que o Benfica conquistou ao longo da sua história. Saiba mais sobre as taças por votos na área 26 - Benfica Universal do Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

A mudança que se exige

"Estava perfeitamente convencido que o mês de Fevereiro seria decisivo para determinar o vencedor deste campeonato, mas estava longe de imaginar o descalabro que nos esperava. O Benfica partia em condições de arrumar a questão caso vencesse ou, no mínimo, não perdesse no Dragão. Como todos sabemos não foi isso que aconteceu e o que se seguiu é uma consequência natural da desconfiança que se instalou no seio da equipa, treinador incluído. A derrota com Braga piorou o cenário e daí até perdermos a liderança do campeonato foi um ápice. 4 jogos, 12 pontos possíveis… fizemos 4.
Para além deste descalabro no campeonato, as restantes competições não correram muito melhor. Para a Taça livrámo-nos de um Famalicão que provavelmente jogou o melhor futebol no conjunto das duas mãos e fomos eliminados das competições da UEFA por um Shakhtar que foi sempre superior apesar de não ter competição há cerca de 2 meses.
Tudo isto aconteceu no período de um mês, mas a realidade estava à vista de todos como um abutre que circunda a vítima enquanto aguarda por um momento de fraqueza. O Benfica não faz um jogo decente há muito, muito tempo e os processos defensivos são assustadores. A juntar a isto temos também um apagão das nossas principais figuras, como Rafa e Pizzi, e nem o treinador escapa do desnorte com um conjunto de decisões, antes e durante os jogos, que não lembram ao diabo.
Creio ser pacífico dizer que será necessário implementar uma mudança radical a vários níveis para vencermos este campeonato. De qualquer modo, contrariamente ao que li um pouco por todo o lado, a mudança e de treinador e de presidente não é uma delas. Não sendo possível contratar jogadores e mudar a política desportiva, não adianta mudar a liderança do clube neste momento. A mudança de treinador também me parece inconsequente porque estamos em Março, a 11 jornadas do fim e a 1 ponto da liderança. A ideia que qualquer outro treinador viria aqui fazer um milagre e meter os jogadores a jogar o dobro com um estalar dos dedos parece-me absurda. É preciso relembrar também que Lage tem cerca de 4 anos restantes no seu contrato pelo que a rescisão custaria uma pequena fortuna.
Mas algo tem de mudar.
O treinador tem de olhar para aquilo que está à vista de todos e resolver os problemas que a equipa apresenta: os laterais não sabem defender; a equipa não consegue ter estabilidade emocional e entra em pânico muito cedo; o meio-campo não constrói nem destrói (apesar de ter melhorado com a estrutura Samaris/Weigl/Taarabt); as alterações vindas do banco raramente têm o efeito desejado e muitas vezes acabam por piorar a situação. Chega de teimosias, chega de chavões, chega de vacas sagradas que têm lugar cativo no 11 porque no passado tiveram boas prestações. É altura de meter os atletas mais experientes e com mais fibra a jogar e ganhar todos os jogos, nem que seja por 1-0. Agora nada mais interessa!
Quanto à estrutura, não me parece que seja tempo de nos debruçarmos sobre esse assunto, mas claramente algo tem de mudar. A política desportiva é absurda, ou mesmo inexistente, com contratações e vendas sem sentido, falta de investimento em posições que apresentam défice de qualidade há vários anos, porque meteram na cabeça que os defesas não merecem investimento por não darem retorno, e acima de tudo uma atitude arrogante que recusa admitir que este projecto precisa de ser repensado. O resultado está à vista de todos e arriscamo-nos a perder mais um campeonato para um clube que está completamente na miséria e mal consegue pagar as suas contas. Não se entende, não se aceita e algo tem de mudar obrigatoriamente na preparação da próxima época.
De momento apenas nos resta apoiar estes jogadores e esperar que o adversário perca pontos que nos permitam regressar ao primeiro lugar. Não vai ser fácil e desistir não é opção, mas podia não ter sido assim…"

[DE] SL Benfica - Moreirense 1:1

"Nachdem sich Benfica am vergangenen Donnerstag mit dem 3:3 gegen Schachtar Donezk aus der Europa League verabschiedet hat, konnte sich der Rekordmeister jetzt ganz auf die Titelverteidigung konzentrieren. Ein Heimsieg gegen den Tabellenzehnten Moreirense musste her, um den knappen Vorsprung auf den einzigen Verfolger FC Porto zu behaupten.
Trainer Bruno Lage ging die Sache mit der gleichen Startelf wie beim knappen Auswärtssieg vor Wochenfrist bei Gil Vicente an. Nach nur einem Sieg in den letzten sechs Pflichtspielen kamen gerade einmal 40.861 Zuschauer ins Estádio da Luz, die bislang schwächste Kulisse in dieser Saison. Wer kam, sah ein motiviertes, aber sichtlich uninspiriertes Team von Benfica, das sich im ersten Durchgang einige Chancen erarbeitete, dem aber in den entscheidenden Momenten entweder das Glück oder die nötige Klasse fehlte.
Kurz nach der Halbzeitpause scheiterte der ansonsten so sichere Strafstoßschütze Pizzi nach einem Handspiel vom Elfmeterpunkt. Spätestens jetzt lagen die Nerven blank, auf dem Rasen wie auf den Rängen. Immer lauter werdende Pfiffe trugen sicher nicht dazu bei, eine ratlos wirkende Elf zumindest ein wenig zu stabilisieren. So kam es wie es kommen musste. Einen seiner wenigen Vorstöße in die gegnerische Hälfte nutzte Moreirense nach einem Konter aus dem Lehrbuch zum Führungstreffer in der 68. Minute. Benfica warf danach alles nach vorne, kämpfte aber fast ausschließlich mit dem Mut der Verzweiflung.
Zehn Minuten vor dem Ende der regulären Spielzeit verpassten die Gäste die Chance, Benfica nach einem weiteren Konter den endgültigen K.o.-Schlag zu verpassen, Pedro Nuno schoss freistehend aus kurzer Distanz am Tor von Odysseas vorbei. Die insgesamt zehnminütige Nachspielzeit war bereits angebrochen, als Pizzi einen Foulelfmeter im Nachschuss doch noch zum Ausgleich verwerten konnte.
Was bleibt, ist die bittere Erkenntnis, dass Benfica binnen vier Spieltagen einen Vorsprung von sieben Punkten verspielt hat und jetzt einen Zähler hinter dem FC Porto steht, der sein Auswärtsspiel bei Santa Clara mit 2:0 gewinnen konnte. Noch besorgniserregender als die an sich schon erschütternde Bilanz von nur vier Punkten aus den letzten vier Begegnungen ist die Erkenntnis, dass sich die Adler in der derzeitigen Verfassung keine Hoffnung auf die Titelverteidigung machen können. Betrachtet man die Leistungen der vergangenen Monate, mutet die derzeitige Entwicklung wie die Chronik eines angekündigten Todes an.
Es bedarf eines kleinen Wunders, um die völlig überspielte und inzwischen auch restlos verunsicherte Mannschaft des Rekordmeisters zurück auf die Siegerspur zu bringen. Ob das dem zunehmend ratlos wirkenden Bruno Lage noch gelingt, werden die nächsten Wochen zeigen. Weiter geht es am kommenden Samstag mit der Auswärtspartie bei Vitória Setúbal. Spielbeginn ist dann um 19 Uhr deutscher Zeit, sportdigital überträgt live.
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SL Benfica - Moreirense FC 1:1
Liga NOS, 23. Spieltag
Montag, 2. März 2020, 20.45 Uhr 
Estádio do Sport Lisboa e Benfica, 40.861 Zuschauer
Mannschaftsaufstellung: Odysseas, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Weigl (61. Dyego Sousa), Samaris, Rafa (70. Cervi), Taarabt (74. Jota), Vinícius
Torschützen: 0:1 Fábio Abreu (68.), 1:1 Pizzi (90.+1)"

Curtas – Benfica perde liderança na luz

"Depois da queda na Liga Europa, a confirmação da queda interna. De sete pontos de vantagem, o Benfica é hoje segundo classificado em Portugal.
Primeira parte:
- Bruno Lage apostou num corredor central com um Samaris e Weigl, para permitir que os laterais se projectassem em profundidade e garantir pelos traços individuais do grego maior reactividade no equilíbrio defensivo, e com isso apostar ofensivamente num corredor central altamente denso, com Taarabt, Pizzi, Rafa e Vinicius, que procuravam combinações interiores para furar última linha adversária;
- A rota de ataque do Benfica passava pela orientação de muitos passes verticais, dentro do bloco do Moreirense que permitissem combinar logo ai, ou que abrissem para corredor lateral e voltassem dentro. A circulação encarnada encontrou caminhos de forma rápida ao longo do primeiro período, e o Benfica não chegou ao golo, porque a falta de eficácia na hora de atirar à baliza, alicerçada na grande exibição de Pasinato complicou em demasia um jogo que não se previa tão difícil;
- A equipa do Moreirense, vinha com a clara intenção de jogar no contra ataque e explorar o espaço nas costas do Benfica e no corredor lateral, utilizando Fábio Abreu como referencia tanto para lançar na profundidade, como para jogar em apoio e dar sequência ao lance. Bloco baixo que foi atrasando a progressão do Benfica em organização ofensiva – Aglomerou muitas pernas, fechou espaços interiores e estava preparado para controlar espaços aéreos em caso de possíveis cruzamentos; 
Segunda parte
- Uma entrada forte e determinada do Benfica podia ter resultado em dois golos. Contudo, a grande penalidade falhada e o golo invalidado, reforçaram a confiança do Moreirense, retiraram confiança aos encarnados e tal acabou por servir de mote para que o Benfica perdesse discernimento, e nunca mais tivesse tido critério no seu jogo – Perdeu intensidade cerebral para ganhar intensidade de deslocamento;
- As saídas de Weigl, e posteriormente de Taarabt, tiraram qualidade, criatividade, e até capacidade na transição defensiva ao Benfica. Na melhor exibição do Alemão ao serviço do Benfica, fica difícil perceber como sai num momento que o Benfica acentuava o seu domínio e não permitia saídas para contra ataque. Depois das saídas de elementos preponderantes na equipa, a equipa de Moreira de Cónegos, podia ter fechado o jogo, mas Pedro Nuno desperdiçou uma oportunidade flagrante, num momento de desespero do Benfica…
- Depois dos 60 minutos, Benfica insistiu desmesuradamente no jogo exterior, muitas vezes terminada com cruzamentos, ao invés do tradicional retorno ao espaço interno. Cruzamentos a saírem em demasia de posicionamentos demasiados atrasados, tornando fácil para a linha bastante numerosa do Moreirense – De frente para a bola – anular tais intentos.
Destaques
- Moreirense: Pasinato – defendeu quase tudo o que podia. Destaque ainda para Fábio Abreu, e Alex Soares. Fábio pelo golo, e pela capacidade de nos 90 minutos estar ligado ao jogo, e a quase todos os momentos ofensivos do Moreirense, mesmo que como apoio nas saídas rápidas, e Alex Soares, pelo numero de interceptações, e primeiros passes para saída que foi permitindo gerar um desconforto enorme à equipa de Lage – Trouxe as dúvidas na cabeça de quem por pressionado não as pode ter. 
- Benfica: Taarabt, depois da sua saída, Benfica deixou de conseguir criar em qualidade, e ainda se sujeitou a um desequilibro que podia ter sido fatal – O marroquino define variabilidade das rotas ofensivas e sem ele, tudo se torna menos ligado e mais previsível. Destaque ainda para Weigl pela capacidade que teve em ligar jogo por dentro, de forma rápida, sobretudo ao longo da primeira parte, e pela capacidade em abafar oposição no seu espaço, de forma muito rápida sempre que a equipa perdia bola."

Desta vez não houve piadinhas, os papagaios dos departamentos de comunicação perderam o pio, não houve toupeiras, cartilhas e e-mails

"A hecatombe europeia – quatro clubes dizimados em dois dias, três derrotas, duas delas em casa, um empate inglório, uma eliminação caricata em Istambul e um saldo deprimente de golos – teve a virtude de pôr conhecidos incendiários a discutir meios de prevenção e combate aos fogos. Nos últimos anos, a prestação dos clubes portugueses nas provas europeias tem sido pouco melhor do que medíocre. Por exemplo, desde que o Benfica chegou à final da Liga Europa, em 2013/14, nenhum outro clube chegou às meias-finais de qualquer competição. O melhor, ainda assim, foi conseguido pelo Porto, ao atingir os quartos-de-final da Champions, meta que, a continuarmos assim, qualquer dia dará direito a um troféu doméstico.
Porém, os resultados medíocres globais não impediram que se instituísse uma narrativa enviesada sobre a Europa como crivo da verdadeira qualidade das equipas. Objectivo: desvalorizar as conquistas internas do Benfica, como se os desempenhos dos restantes clubes lá fora tivesse sido excelente. Este ano, depois da tragédia do Krasnodar e a eliminação limpinha, limpinha com um Bayer Leverkusen que é uma boa equipa, mas não é um colosso, a narrativa do paradoxo dos resultados do Benfica deu lugar a uma reflexão profunda e séria sobre “o futebol português”, a competitividade do futebol português, o que queremos para o futebol português, quo vadis, futebol português?, num fado chorado por todas as cores.
Como foram todos corridos, sem apelo, nem agravo, pela escola de samba de Donetsk, por uns esforçados escoceses (passe o pleonasmo), por um entreposto otomano de jogadores à beira da reforma e pelo quinto classificado da Bundesliga, desta vez não houve piadinhas, os papagaios dos departamentos de comunicação perderam o pio, os comentadores dos programas de televisão tinham o ar perplexo de quem acabou de assistir à queda das Torres Gémeas e dir-se-ia que os jogos nem tiveram equipas de arbitragem em campo porque ninguém falou do talho de Björn Kuipers ou do café de Mateu Lahoz. Não houve esperas nem ameaças de adeptos excitados e tivemos até direito a uma rara e intrigante declaração de um adepto do Porto que escreve nos jornais: dizia-se satisfeito com o desempenho da equipa. (Parece óbvio que, a um ponto da liderança, depois de um atraso de sete, os adeptos não querem desestabilizar a equipa cobrando-lhes em demasia a performance nos jogos europeus).
Puseram todos a melhor cara de conselheiros de Estado – consternados e compungidos – e, em vez de toupeiras, cartilhas, e-mails e penáltis, peroraram sobre as razões das desigualdades no futebol português (se não estou em erro, acho que um até citou Thomas Piketty), os estádios vazios, os horários dos jogos, a formação, etc, etc, etc, num desfiar de desgraças que teria feito cair uma civilização, um império, quanto mais o arruinado edifício do futebol clubístico em Portugal. Digo clubístico porque é de louvar a posição da FPF, apostada em conservar uma distância higiénica em relação ao pântano dos clubes para que a sua galinha dos ovos de ouro, a selecção nacional, não seja contaminada pelos agentes patógenos que circulam livremente mesmo ali ao lado.
O que todos sabem é que este período de nojo será de curta duração. O primeiro teste à ponderação e recolhimento provocados pelo desastre europeu acontecerá já esta noite. Ao primeiro lance duvidoso dar-se-á por terminado o período de reflexão e choverão os comunicados e tweets e posts. A meridiana clareza das eliminações na Europa será substituída por um emaranhado de acusações em que se falará de relatórios e contas, vouchers e, inevitavelmente, de Inocêncio Calabote. As insuficiências das equipas – cruelmente expostas por adversários medianos – serão disfarçadas com os exercícios cosméticos do costume. A partir de agora o que interessa é garantir o acesso à Champions, numa disputa que tem tanto de desporto como a corrida de dois náufragos para se agarrarem a uma boia. É a luta pela sobrevivência e, como todas as lutas pela sobrevivência, não será um espectáculo para estômagos sensíveis.

PS: semanas atrás, todos lemos uma extraordinária declaração do jogador do Famalicão, Fábio Martins após o jogo contra o Benfica para a Taça de Portugal. Uma declaração lúcida e apaixonada de quem vive o futebol com o coração, mas sem perder a cabeça. É uma derrota para todos que não haja mais jogadores, seja por opção ou por restrições impostas pelos clubes, a falar abertamente, de forma tão corajosa e límpida como fez Fábio Martins. O problema é que, para cada Fábio Martins talvez aparecesse um Makaridze, guarda-redes do Vitória de Setúbal que, após o jogo com o Portimonense, assumiu que preferia perder todos os jogos até final do campeonato do que perder com o Benfica. É certo que seria mais grave se tivesse dito que preferia perder pontos com o Benfica e que podemos desculpar as declarações com a menor oxigenação cerebral no final do jogo e à gorada contratação do guarda-redes georgiano pelo Benfica no mercado de inverno. Mas se os jogadores se queixam, e com toda a razão, de serem por vezes os alvos fáceis de suspeitas, seria conveniente que, com o futebol português a arder, não lançassem mais “achos” para a fogueira."

Descubra as diferenças...

"Afinal cotoveladas no Dragão dão direito a vermelhos? Mas não era um arbitro da elite da UEFA ontem? Ou só o árbitro da elite UEFA, de seu nome Artur Soares Dias, é que não vê?
Ahh, e enaltecemos os paladinos do fair play, da justiça, contra manifestações de racismo e violencia, como sao os adeptos do FCP, que aplaudem o Soares, quando este saía após ter sido expulso por agressão!!!"

Benfiquismo (MCDLX)

Cabeleiras...!!!

Vermelhão: é preciso mudar o chip...!!!

Benfica 1 - 1 Moreirense


Existem jogos onde a bola simplesmente não querer 'entrar', hoje foi um deles... o problema é que este jogo, não está 'isolado', vem numa sequência de maus resultados, onde por exemplo no último jogo na Luz, com o Braga, já tinha acontecido o mesmo! Hoje, levámos os 'falhanços' ao máximo, agora até os penalty's são desperdiçados (só marcámos na recarga...)!!! Esta sequência negativa depois acaba-se por reflectir na falta de confiança, é uma daquelas histórias do ovo e da galinha!!!

É verdade que a primeira parte teve pouca intensidade, mas mesmo com as três oportunidades do Moreirense (duas delas, consequência de ressaltos...), podíamos e devíamos ter chegado ao intervalo em vantagem, talvez um 2-1 ou 3-1 fosse 'justo'!!!

Na segunda parte, tudo foi diferente, foi um massacre, nem sempre bem jogado pelo nosso lado, tomamos várias más decisões, mas o caudal ofensivo foi constante e ostensivo... O Moreirense, praticamente 'passou' duas vezes do meio-campo: na primeira ocasião marcou; na 2.ª falhou!!!

Este era o último jogo, na sequência de dois jogos por semana. Daqui para a frente, vamos jogar uma vez por semana, vamos ter praticamente os mesmos dias para preparar os jogos, do que os nossos adversários, algo que não acontece desde Janeiro!!! Talvez por isso, o Fontelas tivesse apostado tudo com Veríssimo/Vasco... O Benfica, hoje, não tinha capacidade física para fazer 90 minutos de pressão alta, em grande velocidade... Isso foi visível principalmente no final da 1.ª parte, nas transições defensivas... na 2.ª, com o reposicionamento do Taarabt e com o Moreirense em vantagem a 'recuar', não houve necessidade de muitas correrias para 'trás'... Mas este é na minha opinião o principal factor para esta fase... que depois acaba por ter consequências noutras variáveis...

Nos últimos minutos, faltou discernimento, e 'rotinas' para jogar com dois pontas-de-lança, os jogadores no ataque planeado, estão demasiados estáticos, normalmente ficámos à espera que o Taarabt crie o desequilibro...!!! Mas apesar dos nossos 'problemas' o domínio foi avassalador, e as estatísticas não enganam: 10 remates enquadrados, contra 1 !!! 27-8, no total de remates!!!
Nestes momentos negativos existe a tendência de colocar em causa o profissionalismo e o amor à camisola dos jogadores, creio que hoje independentemente das críticas, ninguém poderá colocar em causa a atitude da equipa... o Pizzi acabou o jogo de rastos emocionalmente e não foi o único... Em épocas anteriores, após eliminações Europeias, às vezes, quando se pensa que as equipas vão ficar com mais tempo para as recuperações, mentalmente, com um dos objectivos da época 'falhado', existe a tendência para alguma descompressão... mas isso, não acontece hoje.
Aparentemente as armas estão 'apontadas' ao treinador (e alguns com segundas intenções ao Presidente...!!!), hoje, critiquei de início a presença no banco do Cervi e do Chiquinho, explico: o Rafa tem feito exibições muito abaixo do normal; o Cervi com as suas limitações estava num bom momento... com o regresso do Rafa da lesão, o Cervi simplesmente voltou ao banco! Esta situação já tinha acontecido com Almeidinhos, que 'sentou' o Tomás, numa altura onde o puto estava a jogar muito bem...!!! 
Em relação à substituição do Adel, acho que os assobios foram absurdos: o Taarabt já com o Shakhtar tinha feito os últimos 20 minutos de rastos; terá sido um dos jogadores mais utilizados em Fevereiro; e estava a individualizar as soluções, numa altura onde era preciso mudanças de flanco longas, algo que ele normalmente não faz...
No Estádio fiquei com dúvidas, mas agora depois de rever as imagens, não tenho qualquer dúvida: a decisão de anular o golo ao Rafa é escandalosa! A bola não bate no braço do Pizzi, é claro. O facto do VAR ter mostrado a repetição do ângulo mais aberto, com a imagem parada, para dar a sensação que tinha existido falta, é a prova da premeditação do VAR e dos seus ajudantes... Um VAR só pode reverter uma decisão se tiver a certeza absoluta, esse é o famoso protocolo, até posso admitir que o lance é difícil de decidir, agora ninguém poderá garantir que a bola bateu na Mão do Pizzi, ninguém...!!! Como já referi, estas nomeações foram cirúrgicas, no momento potencialmente mais frágil do Benfica, até ao final da época...

No 1.º penalty, acho que não houve falta, a bola bate no braços, mas o braço está 'encostado' ao corpo! Acabou por ser o Fiscal a marcar, e o Vasquinho não teve coragem de anular... O lance de Barcelos, é muito 'mais' penalty!!!
No 2.º penalty, a falta é clara...
Depois dos 7 pontos de vantagem, estar com 1 ponto de desvantagem, é 'traumatizante' e acaba por ser normal dizer da boca para fora que já 'fomos'!!! Mas isso só é dito pelos benfiquistas, não pelo que o Benfica não está a jogar, e muito menos devido àquilo que os Corruptos também não estão a jogar!!! Esta 'sensação' só existe, porque na nossa experiência como Benfiquistas a viver no Tugão, sabemos que os Corruptos são levados ao colo praticamente em todos os jogos!!! A reversão da expulsão do Manafá hoje nos Açores, é vergonhosa... basta comparar com a expulsão do Taarabt na Luz, já esta época, onde o Adel entrou com o 'peito' do pé e depois o pé resvalou para o pé do adversário; com esta entrada do Manafá, com os pitõns 'por cima', onde raspa na bola, e depois atinge em cheio com os pitóns no adversário... Não contente, o Xistra ainda conseguiu marcar um dos penalty's mais surreais que eu alguma vez vi... acabou por ser desperdiçado, é verdade, mas marcar falta ao guarda-redes numa situação destas, é um absurdo tão grande, que é impossível ser incompetência... no Rugby, por exemplo, numa situação destas, o Otávio tinha ido para a Rua, no futebol do Xistra, é penalty para os Corruptos... para o Xistra e para o Lagartão do António Nobre, que no VAR assistiu a tudo isto com um sorriso nos lábios!!!
São estes episódios, semanalmente, que nos fazem desmorecer... Porque futebolisticamente falando, temos tudo para sermos Campeões...