Últimas indefectivações

quarta-feira, 27 de março de 2019

Competências emocionais do treinador: um duplo compromisso a assumir

"O contexto desportivo, espelho privilegiado do comportamento humano na sociedade em geral, permite observar, em interação (nem sempre harmoniosa), “actores” de diferentes gerações e, por isso mesmo, diferentes “quadros de referência” (entenda-se, formas de olhar e entender o mundo e a si próprios).
Dirigentes, treinadores, encarregados de educação e atletas nem sempre tem, por esta mesma razão, o mesmo entendimento sobre os processos e o resultado que deverá advir dos mesmos.
Sabemos já (inúmeros artigos científicos e de opinião assim o têm referenciado) que, apesar das gerações mais novas trazerem elevadas competências cognitivas e tecnológicas (quase como se fosse o seu ADN) pecam, no entanto, naquela que poderíamos considerar a sua inteligência emocional – evidenciam, por isso, grande dificuldade em fazer o reconhecimento das emoções que possam estar a sentir (confundindo muito frequentemente activação com felicidade), em gerir a frustração (ou se gerirem em contexto de frustração), em manterem o esforço face a “resultados” adversos (ou que significam como tal) ou, em gerir a sua impulsividade escolhendo, muito frequentemente, “virar costas” aos contextos onde possam experenciar emoções “negativas” (por outras palavras, vivenviadas com desconforto e desagrado).
Neste enquadramento, cabe muitas vezes ao Treinador o papel (ou função) de ser o “regulador externo” do conteúdo emocional que os atletas vivenciam.

Transfer Desporto - Vida
A prática de uma modalidade desportiva (ou de um instrumento musical, por exemplo) assume-se como, possivelmente, um dos cenários mais importantes onde um(a) jovem pode, desde cedo, aprender a desenvolver um conjunto de competências perfeitamente essenciais à Vida – Esforço, Persistência, Superação e Confiança.
Competências estas que não são, até à data, alvo de qualquer programa curricular em contexto académico, pelo que, o Desporto pode (e deve) assumir-se como um importante “veiculo” para o treino das mesmas.
Há, no entanto, que manter bem presente que (tal como na aprendizagem de um instrumento musical), o(a) jovem passará por muitos momentos de frustração nos quais deverá permanecer, mantendo (às vezes elevando) o esforço produzido, até à superação dos mesmos – apenas aqui surgirá competência, capacidade e conhecimento (do seu próprio funcionamento e da modalidade/contexto em questão).
Gerir pessoas quando tudo corre bem já não é propriamente um desafio fácil, geri-las em contexto de frustração e adversidade pode revelar-se quase uma barreira intransponível (quase... porque muitos treinadores já evidenciaram por inúmeras vezes que assim não tem que ser).
A isto poderíamos chamar, em boa verdade, aquisição de Competências de Vida (quem não esfolou joelhos a aprender andar de bicicleta ou skate?) ou, as necessárias “dores de crescimento” que temos que vivenciar para poder aceder ao “next level” deste “jogo” denominado “Vida”.

Um Duplo Compromisso
Do treinador, do professor, do encarregado de educação ou de qualquer outro tipo de “educador”... As pessoas que chamam a si a tarefa de “treino” (ou a missão de elevar um dado tipo de competências de outra pessoa para um patamar mais elevado) acabam por necessitar de competências técnicas específicas (em função da sua própria área de especialização) mas, de igual forma, e porque o “objecto” é outro ser humano, de um conjunto de competências emocionais.
Ao treinador (porque é sobre ele que esta reflexão decorre) cabe desenvolver não só as suas próprias competências de gestão emocional (ou “auto-gestão” porque dirão respeito ao seu próprio comportamento) mas também as competências emocionais dos seus atletas, no sentido de favorecer a optimização do seu desempenho, em contexto de sucesso ou insucesso.
Confuso? Nem tanto – na realidade, deverá assumir a responsabilidade da evolução do seu repertório de competências emocional, no que respeita ao seu próprio comportamento e ao comportamento dos seus atletas.
Espera-se, do treinador (esperam dirigentes, encarregados de educação e outros agentes que possam circular no “cenário” desportivo), que seja capaz de prover apoio incondicional (de preferência, a todos os atletas e de igual forma...), de gerar vínculo e compromisso emocional, de incentivar e evidenciar o caminho de superação, de persistência face à adversidade e de manutenção do esforço e dedicação a longo-termo para que uma carreira desportiva se possa vir a vislumbrar...
Como?
Pois, aqui é que reside a questão – uma questão que permanece sem soluções a curto prazo, até porque, a própria formação prevista para a carreira de treinador (prevista num conjunto de níveis que devem percorrer) contempla um número irrisório de horas naquela que é, possivelmente, uma das áreas mais importantes – o funcionamento psico-emocional em contexto de performance (logo, do treinador e do atleta).

Formação Precisa-se
As gerações mais recentes, porque mais inaptas em termos de competências emocionais, colocam um desafio mais elevado a qualquer tipo de educador.
Mas esse desafio não se coloca sobre a aquisição das competências técnicas (do português, da matemática, do remate em suspensão no andebol, da corrida para o salto de cavalo na ginástica artística, entre tantas outras...) mas antes sobre a aquisição das competências emocionais que são necessárias para que a “pratica” (entenda-se, treino) se torne mais eficiente, desafiada e, já agora, lúdica.
Aos “educadores”, cabe esse enormíssimo desafio de normalizar a adversidade, de a traduzir com naturalidade e, em boa verdade, com alguma desejabilidade, na medida em que, sem ela, não haverá evolução ou progressão.
Aos “educadores”, cabe a necessidade de elevar os seus próprios recursos emocionais para que possam, com maior facilidade, mais direcção e sistematicidade, elevar os recursos dos seus “educandos”.
Mas não basta – precisa, acima de tudo, haver valorização institucional e reconhecimento organizacional no contexto, para que possam existir ao seu dispor os meios, as condições e as ferramentas necessárias para que possam, de facto, escolher fazer este mesmo caminho imprescindível e inadiável de “upgrade” contínuo."

Benfiquismo (MCXXXII)

Mesmo no Vietname, tivemos grandes jogadores!!!

O importante e o simbólico. E Lage.

"Pondo de lado a lógica de contingência, Bruno Lage é uma das melhores surpresas de que me lembro da minha já longa vida de benfiquista.

1. O jovem jogador Fábio Mendes, de 28 anos, morreu durante um jogo da sua equipa a contar para o Campeonato Nacional da II Divisão de futsal. O atleta terá sido vítima de uma paragem cardíaca durante a partida, tendo sido transportado para o Hospital de Portimão, onde chegou já sem vida. Em nenhum das notícias na comunicação social é referido se o recinto desportivo tinha ou não um desfibrilhador. Nestas situações e na cadeia de sobrevivência que deve ser seguida, uma delas é decisiva: a da desfibrilhação precoce. Sem ela para pôr o coração a funcionar novamente, estas casos terminam sempre da pior forma. Segundo li, o desfibrilhador só terá chegado 25 minutos depois. Por cada minuto que passa a taxa de sobrevivência baixa 10%. Para que o socorro seja eficaz, impõe-se que haja um desfibrilhador à disposição no local. Sei que a Federação Portuguesa de Futebol está a fazer agora um esforçado trabalho para que estes equipamentos sejam instalados em todos os recintos desportivos, mas ainda é difícil para a maior parte da população perceber a importância destes aparelhos. Infelizmente esta situação é comum na maioria dos ginásios, pavilhões escolares e desportivos no nosso país. Enquanto não se despertar plenamente para este problema a taxa de mortalidade da paragem cardiorrespiratória extra-hospitalar irá manter-se em cerca de 97%. Infelizmente, o jovem morreu, a notícia foi fugaz e depois tudo volta ao sossego da indiferença ou, pior, à violência da palavra (e não só...) nas minudências do nosso quotidiano desportivo.

2. Gostei de assistir à Gala do meu clube, no Campo Pequeno. Por muitas e variadas razões. Primeiro, porque se trata de um momento associativo de genuíno entusiasmo, como os benfiquistas gostam de viver no seu clube do coração. Depois, porque a atribuição dos prémios anuais tem o nome do fundador do SLB, Cosme Damião, assim honrando a memória de um passado glorioso do maior clube português. Por outro lado, porque os galardões atribuídos são eclécticos, como, desde sempre, é o Benfica. Eclécticos, inovadores e acarinhados. E, ainda, porque a própria organização do evento foi uma prova de excelência, quando ao seu planeamento, organização e expressão plástica. Por fim e seja-me permitida esta nota mais pessoal - porque a minha neta Joana me acompanhou e sei o que para ela foi viver aquelas horas entre os atletas e no meio de imenso fervor clubista. Eu que transbordo de benfiquismo até ao infinito vejo nela o próprio infinito de benfiquismo. Está assim assegurada a minha eternidade benfiquista.
Foi uma festa onde houve apenas Benfica agora chegado aos 115 anos. Porque o Benfica não precisa de fabricar antagonismos de ocasião para exaltar a chama imensa. Porque o Benfica vale por si e se entrega aos seus sócios e adeptos, sem condições, sem adjacências, sem revisionismos.
Gostei da significativa homenagem ao presidente Fernando Martins, aplaudi com alegria o galardão atribuído a Minervino Pietra, que exprime o agradecimento ao clube a um grande jogador (que saudades tenho de o ver jogar!) e a um exigente profissional, e sensibilizei-me com o galardão atribuído a Mário Dias, a quem mais devemos o novo Estádio da Luz. Realço aqui, também, a maior presença de jovens do sexo feminino, que tão boa conta têm dado na sua contribuição para o sucesso desportivo encarnado, salientando em especial a entrada no futebol feminino e o reingresso noutras modalidades, como voleibol e o andebol.
Não foram surpresa os prémios para os profissionais no futebol sénior. João Félix ganhou o Prémio Revelação, curiosamente num tempo em que o jovem já passou a ser, e bem, considerado um atleta de consagração assegurada. Jonas voltou a ser o melhor jogador, creio que pela quarta vez em quatro épocas completas com a águia ao peito. Ao receber o Galardão, exprimiu a sua profunda gratidão ao Benfica que o recebeu de braços abertos, depois de relativamente ostracizado no Valência. Falou como jogador, mas, sobretudo, como homem que se emocionou genuinamente.

3. Com os seus jogadores, lá esteve Bruno Lage. Discreto e sereno, como sempre está. É, seguramente, o mais que certo vencedor do galardão para o melhor treinador no próximo ano, independentemente do desfecho das competições em que o Benfica aspira vencer esta temporada.
Para mim, Bruno Lage personifica o perfil de treinador do SLB que mais me agrada. Bem sei que a vida de treinador está sujeita a condicionalismos e imponderáveis que tornam demasiado arriscado prognosticar qualquer coisa para além de uns escassos meses. Bem sei que, tarde ou cedo, a ditadura dos resultados fabrica, só por si, a excelência ou a dispensabilidade de qualquer técnico, numa área tão errática, como danosamente emocional e de mera visão de curto-prazo. Mas, pondo de lado esta lógica de contingência, o certo é que Bruno Lage é uma das melhores surpresas de que me lembro na minha já longa vida de benfiquista. Bruno Lage é português. Não que isso seja uma condição necessária é muito menos suficiente, mas é sempre bom saber que o clube, que até teve uma longa tradição (a nível do plantel) de só ter jogadores portugueses, continue a apostar, a nível técnico, em técnicos nacionais.
Por vezes, dizia aos seus alunos que eles até podem não perceber o que um professor está a ensinar, mas pelo menos percebem se o professor percebe o que ele próprio está a explicar. Uma espécie de intuição natural e que, entre vários meios de a aferir, tem na autenticidade da relação um dos seus mais fortes sinais. Lembrei-me disto para referir que uma pessoa leiga - como é o meu caso - que de futebol e de treino percebe apenas o que extrai da observação de fora, pode plenamente ajuizar se o treinador treina bem e percebe do ofício. Dois meses e meio passados desde que chegou ao comando da equipa principal, este jovem treinador encarnado provou à saciedade que tem competência no trabalho e sabedoria na liderança.
Bruno Lage é um treinador contra a corrente. É mesmo desarmante num teatro de operações feito de chico-espertismo, de balelas, de pseudo jogos psicológicos, de rodinhas com os jogadores para adepto ver, de optimismos bacocos ou de histrionismos de cara-de-pau. Bruno Lage fala de futebol, não do que anda à volta do futebol. E se até agora quase sempre ganhou os jogos, soube sempre ser senhor nas vitórias, como o foi nas poucas derrotas e empates. Não inventa desculpas para os desaires, como não incha o ego nos sucessos. Bruno Lage é até pedagógico no modo como tudo explica relativamente ao que se passa nos jogos. Não é dos que justificam o que faz ou o que diz «porque os outros também fazem assim ou dizem assado». Não alimenta querelas estéreis, nem perde tempo com perguntas que passam ao lado do jogo jogado. Bruno Lage não faz do futebol um mistério ou uma ciência oculta, antes de concentra no valor profissional, humano e ético do trabalho. Não precisa de andar aos saldos, gesticular freneticamente ou gritar numa concorrência de decibéis. É comedido na alegria e lúcido na tristeza, não se deixando inebriar ou deprimir pelo carácter efémero de uma e de outra. É audaz no que significa de coragem e de uma certa irreverência, mas não é imprudente quando avalia as suas acções. Decide não pela fantasia da impossibilidade, mas pela probabilidade calibrada pela sabedoria dos limites. Não é um treinador instalado, nem se apresenta como um catedrático da bola. Como ele disse, são os jogadores que estão a contribuir para que ele seja hoje melhor treinador do que ontem e amanhã do que hoje.
Às vezes, as escolhas de um treinador são orientadas em nome da fama do nome, nem sempre com os melhores resultados. Desta vez, a escolha incidiu no melhor dos critérios, que não o do renome construído ou inventado. ... Em boa hora, Luís Filipe Vieira teve a segunda luz: a de escolher Bruno Lage. Afinal, a solução estava dentro de casa. Neste caso, houve uma segunda oportunidade para fazer uma excelente escolha. E digo-o sem hesitações, seja qual for o resultado final nesta luta ponto-a-ponto que Benfica e Porto vão ter na próximas e decisivas oito semanas.

Contraluz
- Selecção: No jogo contra a Ucrânia, quem imaginou que o clube mais representado no onze inicial foi o Wolverhampton: Rui Patrício, João Moutinho e Rúben Neves. Ao todo, 4 (com Jota), tal como o Benfica, como há muito tempo não se via (Rúben Dias, Pizzi, Rafa e João Félix).
- Comparação: Até agora penáltis a favor do Sporting (12!), tantos como o soma dos assinalados a favor do Benfica (5), Sp. Bragfa(4) e Porto (3). Penáltis assinalados contra o Sporting (1), em confronto com Benfica (4), Braga (3) e Porto (3). Cada um que tire as suas conclusões...
- Basquetebol: O melhor basquetebolista português de todos os tempos, Carlos Lisboa, volta a ser o treinador do Benfica, depois de muitos títulos também conquistados nestas funções. E logo com uma vitória rotunda. Fico agora mais esperançado na reconquista do título."

Bagão Félix, in A Bola

terça-feira, 26 de março de 2019

O chefe dos árbitros foi à PJ fazer o quê?

"No Moreirense - FC Porto Pinto da Costa foi à cabina do árbitro cumprimentar Jorge Sousa, que três jornadas depois foi nomeado para o clássico com o Benfica

José Fontelas Gomes, presidente do Conselho de Arbitragem da FPF, pediu para ser recebido pela Polícia Judiciária, ao que julgo saber por ter ficado incomodado por um empresário divulgar nas redes sociais, sem autorização, a nomeação do árbitro João Capela para o jogo FC Porto - Marítimo.
Como a arbitragem não consegue levar uma vida normal, preferindo movimentar-se por entre as teias do oculto, nunca se sabe em concreto, ao que vai, o que pretende e por que assim procede. Sinceramente, em relação a este caso, e se nada mais houver que possa, eventualmente, prejudicar o normal funcionamento do Conselho ou a sua necessária isenção, não vejo que situação ponderosa terá levado o presidente dos árbitros a queixar-se ou lamentar-se na PJ, a quem, por certo, não faltará trabalho.
Não vejo, nem tenho de ver, é verdade, mas recordo que também no final do Moreirense - FC Porto, Pinto da Costa e o seu director do futebol, Luís Gonçalves, tiveram a gentileza de ir à cabina do árbitro para o cumprimentar e não me constou que alguma ligação tivesse feita entre essa visita e a nomeação de Jorge Sousa para o clássico com o Benfica, no Dragão, dali a três jornadas. Não me constou a mim, nem a Fontelas Gomes, certamente. Foi uma coincidência. Que haveria de ser mais?...

Não é pessoa com quem me relacione, mas tenho a melhor das impressões de Fontelas Gomes e acredito no esforço que está a fazer no sentido de credibilizar uma arbitragem que pouco tem contribuído para isso. Pelo contrário, ao longo dos tempos, os seus representantes aprenderam a movimentar-se com indisfarçável à vontade em espaços recatados da restauração, para encontros e conversas no mínimo geradoras de desconfianças.
A arbitragem, ao optar por uma vida à parte, jamais teve um relacionamento fácil com a transparência. Escrevi há duas semanas, sente que detém o poder de influenciar resultados e classificações que lhe é dado pelo erro, um poder que está entranhado como todos bem sabem, embora assobiem para o lado.
Acredito que Fontelas Gomes esteja determinado em remar contra a maré da hipocrisia, mas duvido do sucesso da empreitada no curto prazo. A questão é cultural, criou raízes, e os que chegam, provavelmente animados de nobres intenções e que representam a esperança maior numa verdadeira mudança, sentir-se-ão controlados e desmotivados pelos longos tentáculos de gerações que beberam dos mesmos ensinamentos e que continuam a alimentar uma cadeia de influências desde antigos árbitros, analistas, comentadores, especialistas, e por aí adiante...

Impõem-se fazer uma longa travessia no deserto de maneira a fechar este ciclo e começar outro em que árbitros novos, despoluídos, firmes, competentes e fartos de jogar às escondidas, reclamam o seu lugar à mesa entre a família do futebol e imponham o respeito que lhes é devido.
O segredo decretado sobre as nomeações dos árbitros foi mais uma medida abstrusa, daqueles que em nada contribuem para a pacificação do sector, porque o problema não reside na quebra de sigilo no circuito de comunicação das nomeações, mas sim nos critérios que conduzem a essas mesmas nomeações.
Na posição de Fontelas Gomes, mais sensato do que saber quem foi o informador que furou o esquema teria sido avaliar, para memória futura, o desempenho do árbitro Capela no referido jogo. Pelo menos, foi louvado por provar à saciedade a relevância do VAR; pois, sem ele, a trapalhada teria sido muita, mas com ele, e cito a apreciação de Duarte Gomes, foi excelente o trabalho da «equipa de arbitragem» em «noite pouco feliz de João Capela».

Capela é árbitro FIFA por que merece? Quem foram os mestres que viram nele virtudes para tal distinção? Os mesmos que promoveram Tiago Martins e Fábio Veríssimo a internacionais sem carreira?
Haja calma. Tal como acontece aos clubes, a arbitragem vive uma crise de qualidade, que há de resolver-se. Acredito eu. Acreditamos todos. Talvez não seja preciso chamar a polícia. O que é preciso é que as equipas de arbitragem, com VAR incluído, estejam de olhos abertos nas oito jornadas que faltam disputar na Liga.
Benfica e FC Porto lado a lado, com o título na linha de meta, e, em baixo, sete equipas separadas por três pontos a lutarem pela manutenção. Depois da paragem devido aos compromissos da Selecção, a partir de agora vai ser sempre a abrir no Campeonato. De preferência com arbitragens serenas, escalando-se os mais aptos para os jogos que dificuldades mais complexas suscitarem: aqueles em que Capela e quejandos não devem participar, em nome de saúde desportiva da competição."

Fernando Guerra, in A Bola

Pântano


"O dia de ontem, o dia de hoje e os que brevemente virão, convocam uma banda sonora apropriada ao enquadramento do futebol português. Pode ser uma marcha trôpega, uma folia, um mano a mano, onde toda a desgraça e aberração têm lugar. É um palco de imbecilidade e de alianças improváveis. Unidos por ilusões e milhões para alguns, muito poucos, numa perspectiva proporcional. Não fora a afeição identitária que sinto pelo Benfica e o gosto pelo jogo, em si, jamais perderia tempo a ler ou tomar conhecimento sobre os feitos de personagens que estão perto da insanidade e/ou inimputabilidade, mas que envolvem e se envolvem no futebol e se prestam à encenação para gáudio de audiências e apoderadas emissoras. Tenho vergonha do que se passa em Portugal e da disponibilidade que tantos desportistas, adeptos e até profissionais revelam para serem manipulados por estímulos de elementar estupidez. Olho à volta e nos dirigentes (principalmente da FPF e Liga), líderes de opinião, magistrados, polícias, vejo cada vez mais cúmplices e menos resistentes. Reconheço que estão a ganhar, mas isto ainda não acabou. Não pode acabar assim, num pântano de criminalidade putrefacta."

Cadomblé do Vata (educativo!!!)

"O treinador de guarda redes do FC Porto foi punido com 15 dias de suspensão por agredir um adepto "à medalhada". Luis Bernardo foi suspenso por 45 dias por criticar o árbitro do Boavista - FCPorto... pessoal do SL Benfica, uma vez mais: da próxima vez que se sentirem injustiçados com uma arbitragem, não abram a boca, espanquem alguém."

Nota à comunicação social

"Durante o dia de ontem, o Sr. Vítor Catão decidiu proferir um conjunto de declarações na CMTV. Independentemente da avaliação que cada cidadão faça dessas declarações, da motivação e contexto das mesmas, elas são objectivamente falsas e gravemente atentatórias da honra e dignidade do Sport Lisboa e Benfica e do seu Presidente, que, por esse motivo, tomarão as providências adequadas à sua defesa."

É tão cinzenta a Alemanha...

"Só uma vez o Benfica jogou em Frankfurt. Outubro de 1962. O Eintracht tinha sido campeão três anos antes e atingira a final da Taça dos Campeões. Mas achou que não bastava. Jogou reforçado pelos melhores jogadores dos vizinhos de Offenbach e ganhou (2-0).

No dia 2 de Outubro de 1962, o Benfica estava em Frankfurt. Pela primeira vez, acrescenta-se. E Frankfurt-am-Mein que, na altura, os jornais lusitanos gostavam de chamar de Francoforte-sobre-o-Meno para que não se confundisse com a outra Francoforte-sobre-o-Oder, lá mais para junto da fronteira com a Polónia.
Em Outubro de 1962 o Benfica tinha uma equipa tremenda. De apavorar hipopótamos, como diria o meu querido amigo e mestre Luís Alberto Ferreira. Pudera! Duas vezes campeã da Europa, destrutora dos grandes de Espanha, Real Madrid e Barcelona, rainha de um futebol quase em estado selvagem, de ondas ofensivas de fazerem inveja às da Nazaré, que dizem ser as maiores do mundo, mas eu não tenho grande jeito para medir ondas assim a olho.
'É tão cinzenta a Alemanha...', canta o Pedro Abrunhosa naquela forma de cantar que é mais falar. O Camané ajuda.
Os encarnados andavam numa atafona.
Reparem bem: 21 de Agosto, Copenhaga; 23 de Agosto, Gotemburgo; 28 de Agosto, Malmo; 30 de Agosto, Oslo; 4 de Setembro, Estocolmo; 6 de Setembro, Milão; 9 de Setembro, Corunha; 19 de Setembro, Rio de Janeiro; 24 de Setembro, Manchester; 29 de Setembro, Hamburgo. Irra! Que férias!? Ainda se queixam de que hoje há muitos jogos por época? O Benfica não parava. Era pago a peso de ouro para andar pelo mundo a mostrar as suas estrelas cintilantes.

Inevitável cansaço
Por isso, convenhamos, meus amigos: não se podia exigir que elas cintilassem a cada minuto de cada jogo.
Em Frankfurt, não cintilaram. Ou melhor, Eusébio, que nunca perdia o brilho, apresentou-se baço.
Ah! É mesmo tão cinzenta a Alemanha.
O Eintracht Frankfurt fora campeão alemão três anos antes.
Bom, campeão da República Federal Alemã. Ou Alemanha Ocidental. No ano seguinte atingiu a final da Taça dos Campeões Europeus, apesar de ter sido espezinhado pelo Real Madrid (3-7).
Vamos e venhamos: os seus dirigentes não se sentiram capazes de defrontar o Benfica assim, como direi?, sozinhos. Fizeram um pacto. Introduziram no onze os melhores jogadores do vizinho Kickers Offenbach.
E puseram-se em campo, metidos nas suas tamanquinhas, todos encolhidos fazendo questão de não sofrerem golos de José Augusto, Santana, Torres, Eusébio ou Simões.
Tendo ganho vantagem por Gast, logo aos 4 minutos, conseguiram. Os milhares e milhares de pessoas que se reuniram nessa tarde para ver o enorme Benfica saíram contentes com o resultado mas frustrados com o espectáculo.
Loy, o guarda-redes alemão, teve o seu ponto de glória ao tirar dos pés de José Augusto uma bola que ele levara na ponta da bota, como uma cadelinha amestrada, pelo meio de cinco adversários impotentes e atónitos.
Eusébio rematava, rematava e rematava.
Ouviram-se 'ohs!' de espanto a cada remate. Mas eles teimavam em fraquejar na pontaria.
O cansaço de tantos jogos e tantas viagens e tantas horas de espera em aeroportos pesava demais nas pernas e nas cabeças dos portugueses.
O custo da celebridade costuma ser avultado.
Eliah Hinzel, um jornalista alemão, escreveu: 'No aspecto da exibição, porém, o Benfica deixou boas recordações: mostrou uma facilidade de manobra que só na zona da grande área não se prolongou. E teve alguns momentos de magnífica futebol, em especial a cargo de Simões e de Eusébio. Resumindo, a equipa portuguesa deixou cartaz, provou que sabe jogar, mas ficou a dever ao público de Frankfurt uma exibição em cheio que realmente fizesse história - e isso era o que se esperava dado o espectáculo dias antes dado em Hamburgo'.
Em Hamburgo, o Benfica ganhara de forma fantástica por 4-3 ao Hamburgo.
Em Frankfurt, perdeu 0-2 com essa espécie de selecção da paróquia.
Nunca mais os encarnados voltaram a Frankfurt.
Não tarda estarão a caminho. Para acertarem as contas? Nessa Alemanha tantas vezes cinzentas... Onde a saudade é infinitamente tamanha..."

Afonso de Melo, in O Benfica

"Os primeiros serviços" no feminino

"A primeira competição oficial de voleibol feminino em Portugal contou com a presença benfiquista

O voleibol feminino no Benfica teve a sua estreia a 15 de Junho de 1951, com a participação no I Torneio Regional Feminino. Era a primeira vez que a Associação de Voleibol de Lisboa, fundada em 1938, organizava uma competição feminina e o Benfica, 'sempre atento ao desenvolvimento do desporto, não se alheou da competição' e inscreveu uma equipa constituída em pouco mais de um mês.
O voleibol estava em franca expansão em Portugal e havia uma aceitação generalizada da sua prática no feminino. A imprensa da época refere mesmo que 'o voleibol é, na realidade, de todos os jogos desportivos de equipa, aquele que melhor se adapta a prática feminina'.
Inscreveram-se também o Sporting, o SC Oeiras e o Ginásio Feminino de Portugal. As jovens jogadoras seguiram uma 'preparação meticulosa', com treinos realizados no ginásio do Instituto Superior Técnico, onde tiveram lugar todos os desafios.
A 15 de Junho disputou-se a primeira jornada, que despertou desde logo um extraordinário interesse, 'de tal modo que se tornou necessário encerrar as portas, ficando sem poder assistir aos jogos cerca de meio milhar de espectadores'. O público atraído pelo ineditismo, compareceu em elevado número em todos os jogos, manifestando 'com ruidoso entusiasmo o seu interesse, vibração, mocidade, mas sem a menor nota chocante, com o absoluto respeito'.
O torneio terminou a 23 de Julho com a vitória do SC Oeiras e, apesar da falta de técnica das equipas, a competição 'alcançou um êxito notável no que respeita à propaganda da modalidade', pois 'não se pode exigir grande apuro técnico por parte de concorrentes, que ainda há pouco tempo não pensavam sequer praticar a modalidade'. Estávamos perante a implementação de 'mais uma modalidade desportiva ao alcance da rapariga portuguesa de fácil e rápida expansão'.
O Benfica classificou-se em 3.º lugar, com duas vitórias frente ao Ginásio Feminino de Portugal. A inexperiência e os poucos treinos das 'encarnadas' não possibilitaram uma melhor prestação. Porém, demonstraram 'progresso de jornada para jornada', evidenciaram boas qualidades, 'sobretudo a defender', e revelaram ser capazes de, 'com mais tempo de preparação, competir com as melhores'. A capitã Fernanda Rodrigues e Maria Luísa Cruz, 'com o seu forte serviço', foram as jogadoras que mais se evidenciaram na equipa benfiquista.
Estava assim dado o 'primeiro serviço', de uma equipa que ficaria conhecida como as 'Marias' e que na década seguinte se afirmaria como a melhor formação nacional.
Poderá conhecer mais sobre as grandes vitórias do voleibol feminino no Benfica na área 3 - Orgulho ecléctico do Museu Benfica - Cosme Damião."

Ana Filipa Simões, in O Benfica

Dois anos !!!

"Sei que ninguém aqui tem provavelmente conhecimento de causa para me responder a estas questões.
Mas merdas como um criminoso, horas depois de perpetrar um crime, vir em directo para a televisão acontece em países como a Roménia? Moldavia? Bielorrussia?
Merdas como aquelas que estamos a assistir há 2 anos acontecem em mais algum campeonato que esteja no top 20 do ranking da UEFA?
Ou tudo isto é exclusivo do campeonato português? Leio os comentários por aqui e alguns deles denotam já uma completa indiferença perante o que se está a suceder. E eu não censuro. Também eu vejo estas merdas e penso "mais um energumeno sem qualquer credibilidade a difamar o Benfica. Uma segunda-feira típica portanto". Mas esta merda não devia ser normal. Esta merda só é normal em Portugal. Isto atingiu níveis completos de surrealidade. Os últimos 2 anos em Portugal em termos de desporto são completamente surreais:
1) iliterado recebe titulo de mestre por instituição de ensino superior. É aberta investigação pela IGEC. Desconhecem-se passados 2 anos os resultados dessa investigação;
2) Benfica vê a sua correspondência privada violada. E-mails privados são divulgados publicamente de forma truncada e manipulada (ver parecer da ERC) por concorrente directo, o FCP. As autoridades atribuem legitimidade e veracidade ao conteúdo truncado e manipulado dos e-mails e desencadeiam uma série de processos de investigação ao Benfica. São realizadas um sem número de buscas às instalações do Benfica. O crime de violação de correspondência privada só viria a ser alvo de investigação cerca de 2 anos mais tarde. Os principais arguidos são indivíduos ligados ao FCP. A PJ não fez até ao momento quaisquer buscas às instalações do FCP;
3) Não obstante a correspondência privada ter sido obtida de forma manifestamente ilícita, um juiz, confesso adepto do FCP, permite que os e-mails truncados, manipulados e falsificados continuem a ser divulgados. Não se pronúncia quanto à ilegitimidade da forma como esses e-mails foram obtidos. Decisão viria a ser revertida em instância superior. O juiz em questão não foi questionado nem penalizado pela abjecta decisão que tomou e que rapidamente foi revertida pela instância superior;
4) No período de interrupção do jogo Estoril-FCP, adiado supostamente por "motivos de força maior" que mais tarde viriam a revelar-se injustificados, surge o pagamento no Relatório e Contas do FCP de uma divida ao Estoril no valor de 700 000 euros, divida essa que não estava contemplada em Relatorios e Contas anteriores. As justificações para o pagamento dessa dívida apresentadas pelo Diretor de Comunicação do FCP são falsas e facilmente desmontadas. O FCP encontrava-se a perder o jogo por 1-0. No reatamento do jogo, o FCP vence facilmente um adversário surpreendentemente apático. O treinador do Estoril questiona a atitude dos seus próprios jogadores. É aberta uma investigação ao jogo em questão. Desconhecem-se os resultados dessa investigação, as diligências efectuadas e, até ao dia de hoje, não se sabe sequer se o processo irá conhecer quaisquer desenvolvimentos. Contrariamente ao que sucedeu ao Benfica nos meses anteriores, a PJ decide uma vez mais que não existem motivos para a realização de buscas às instalações do FCP.
5) Um individuo decide denunciar um esquema de corrupção de jogadores de andebol e de futebol por parte do Sporting. O individuo delator tinha um papel central no esquema e prova-o com mensagens na aplicação Whatsapp. É aberta uma investigação pela PJ. Das diligências realizadas, que incluíram uma busca às instalações do SCP, é encontrado um saco azul, destinado aos pagamentos a jogadores. O director desportivo do Sporting, suposto cabecilha do esquema, é colocado sob custódia. Viria mais tarde a ser libertado. Desconhecem-se quaisquer outros desenvolvimentos relativos ao esquema de corrupção que veio a ficar conhecido por "caso Cashball".
6) Um sem número de denuncias anónimas são realizadas à PJ visando o Benfica. Não existem provas que consubstanciem as acusações efectuadas nessas denúncias anónimas, as quais fazem referência a esquemas de compra de jogadores para ganhar a concorrentes do Benfica e de jogadores para perder contra o Benfica. A PJ abre uma investigação suportada por estas denúncias. São igualmente realizadas várias denúncias anónimas à PJ, mas agora visando práticas ilícitas do FCP. A PJ não abre qualquer investigação ao FCP.
7) Na sequência das denuncias anónimas que visam os alegado subornos do Benfica a jogadores adversários, uma das principais cadeias de televisão portuguesa avança que tem informações exclusivas sobre um dos jogos em concreto, um Marítimo-Benfica de 2015/2016. A cadeia de televisão afirma que entrou directamente em contacto com os jogadores e que os entrevistou para a peça jornalistica. Mais tarde foi revelado pela cadeia televisiva que todos os intervenientes da reportagem eram actores contratados para ler um guião. A reportagem não apresenta quaisquer provas. A reportagem é facilmente desmontada e revela ser não mais que uma obra de ficção (nunca esquecer os 2 "Armandos").
8) Adeptos da claque do Sporting invadem o centro de estágios de Alcochete. Jogadores do Sporting são agredidos fisicamente. Existem fortes indícios que foram mandatados pelo Presidente do Clube, Bruno de Carvalho. Com exceção dos indivíduos apanhados em flagrante delito mais ninguém foi investigado ou preso. O autor moral deste crime está por determinar. Comunicação Social relativiza a ocorrência.
9) Sporting é alvo de um perdão de divida que ascende aos 90 milhões de euros. Ambos os bancos responsáveis pelo perdão estiveram em algum momento intervencionados pelo Estado. Um desses bancos, o Novo Banco, requereu recentemente, por interposto dos seus novos donos, novo empréstimo ao Fundo de Resolução no valor de 1,15 mil milhões de euros. Situação financeira do Sporting (dividas a clubes, fornecedores, etc e perdão de divida) é largamente desvalorizada pela Comunicação Social.
10) Até ao momento, na sequência do conjunto de investigações realizadas ao Benfica, é deduzida uma acusação, referente não a casos de corrupção desportiva mas a violação do segredo de justiça. Benfica é ilibado. O caso seguiu para recurso interposto pelo Ministérios Público. Repita-se que os casos visando o Benfica foram até ao momento os únicos que foram conhecendo desenvolvimentos. O caso Cashball e o caso do jogo do Estoril continuam "em investigação".
11) Agente de futebol que vem denunciando práticas ilícitas do FCP é agredido e coagido no interior do seu carro, supostamente sob a mira de uma arma de fogo. O delito é gravado e publicado nas redes sociais pelo próprio criminoso. Horas mais tarde o criminoso surge em direto na televisão onde confessa a autoria do crime e faz revelações gravosas. Essas revelações incluem intenção de homicídio e de ofensas à integridade física. O criminoso, com ligações ao FCP, continua em liberdade.

Isto em 2 anos. Repito, 2 anos. É surreal. Duvido que isto tudo suceda em mais país algum. E o número de coisas que deixei de fora como os desvios de dinheiro do Bruno de Carvalho (continua em liberdade), as inúmeras difamações do bom nome do Benfica, a diferença de tratamento das instâncias judicias, policiais e desportivas para com o Benfica e outros clubes.
Tudo isto apenas revela que os pilares que sustentam um Estado de Democrático de Direito, nomeadamente a Justiça, estão feridos de morte. E a normalidade com que já se aceita isso deixa-me perplexo."

Catão explicado!!!

"O Polvo das Antas sabe o que se passou entre César Boaventura e Vítor Catão, e uma vez mais vamos ter de expor a verdade dos factos, para as pessoas terem realmente noção daquilo que se passa a norte deste país. O tempo da fantochada acabou. Nós avisámos.
Aqui fica a cronologia dos factos, que Boaventura poderá confirmar se quiser:
- Boaventura inicialmente aproximou-se de Catão com um negócio de 1 milhão de euros por um terreno do S. Pedro, supostamente a ser pago com 3 cheques. Boaventura recebe mil euros para iniciar o processo, vão jantar e publicam foto juntos. Aqui: https://i.imgur.com/HqLHxWl.jpg
- Catão começa a partilhar mensagens do núcleo dos Super Dragões, pois gosta que Boaventura lhe dê importância. Boaventura vai partilhando larachas no Facebook, nomeadamente de conhecimento antecipado dos árbitros, informações essas obtidas através de quem? Catão. E onde Catão as obteve? O tal núcleo dos Super Dragões.
- A coisa fica mediatizada e o Fernando Gomes vai a correr denunciar Boaventura. Os avençados criam a teoria dos 6 árbitros bufos do Boaventura. Boaventura entrega as fontes a quem de direito.
- Terramoto nos Super Dragões. “Mas onde está o leak?” “Quem foi o chibo?” “O Catão anda amiguinho do Boaventura”. Rapidamente descobrem o rato.
- É apertado, filhos e netos, agora “desenrasca-te”.
- Catão sente necessidade de apagar o “fogo” rapidamente. Cria uma narrativa em que indicia a suposta forma de como conheceu Boaventura, a maneira de como este trabalha com pessoas ligadas ao Benfica. Manipula o audio, pelo meio mete uns cortes para manipular o mesmo e dar a entender algo que não é verdade, ameaça Boaventura e fomenta um discurso de forma a criar uma narrativa que indicie Boaventura, de forma a alimentar quem o assustou e para acalmar as hostes.
O erro de Catão foi acreditar que tinha condições para resolver sozinho o problema que ele próprio criou, ao se armar em herói e passar informações que não devia a Boaventura. Não tinha condições para isso, e queimou-se no próprio fogo. O resto já todos sabem, pois o próprio Boaventura já confirmou as ameaças e amanhã existirão novidades no que a elas dizem respeito.

Sobre o alegado audio do Catão com o LFV no Seixal, vamos então fazer um debunk do Audio : 
Ponto 1: O programa usado foi o Audacity, está aqui uma análise do audio: https://i.imgur.com/u0ooVVE.png Reparem no inicio de ambos. O inicio do audio dele é pouco natural, total ausência de som por uma fracção de segundos e os spikes foram provocados para ampliar o som naquele segmento vazio que faz um género de cliques obstrutivos audíveis.
Ponto 2: Metadata do áudio do Catão. Identificámos 2 canais de áudio diferentes: https://i.imgur.com/tcgHXRs.png Metadata do áudio gravado, só tem - como é óbvio - 1 canal: https://i.imgur.com/yTSX80I.png
Ponto 3: Existe um corte na onda dB do audio do Catão. Mesmo em audios mexidos as ondas são completamente smooths, mas existe sempre um corte completo ou vários que podem indiciar edição, como fica aqui provado: https://i.imgur.com/GBmm2ZB.png
O audio real tem 0 cortes "completos como fica aqui provado: https://i.imgur.com/ENAA9zq.png 
Conclusão: Com isto se prova, através do acesso a tecnologias de edição de som, que o audio do Catão é falso e é inserida a voz de Luís Filipe Vieira num contexto que nada tem a ver. Mesma estratégia que fizeram com os emails, manipulando a informação neles constada e retirando segmentos dos mesmos, dando a entender uma coisa que na realidade não tinha nada a ver, pois ficavam fora do contexto real. Interessava era passar a mensagem para as massas. Informação essa veemente reprovada e reconhecida como falsa pela ERC, como fica aqui provado: https://goo.gl/UdCqJC
Nós avisámos que as informações falsas, a bandalheira, as manipulações e o tempo do apito dourado tinha acabado. Estamos aqui para expor a verdadeira informação, e garantimos que estamos e estaremos sempre bem atentos às estratégias de bastidores que vão sendo montadas. O futebol português tem de ser limpo rapidamente, com o perigo de isto se tornar num país de terceiro mundo no que ao desporto diz direito.

O ciclo decisivo

"Inicia-se aqui a fase mais importante da época: nas próximas oito semanas, sem qualquer interrupção, o Benfica estará a lutar por três competições e com ambição em todas elas! Lideramos o campeonato nacional, estamos em vantagem frente ao Sporting na meia-final da Taça de Portugal e estamos prontos para o embate com o Eintracht Frankfurt nos quartos de final da Liga Europa.
O maior de todos os desafios é, como se sabe, a Reconquista do Campeonato Nacional. E esse não é apenas o objectivo do clube e da sua equipa profissional de futebol: é o objectivo de todos os Benfiquistas! Sabemos, é verdade, que ainda há muito caminho a percorrer até se chegar onde queremos. Mas também há ambição, determinação e qualidade para justificar a confiança que todos sentimos ao olhar para as oito ‘finais’ que nos esperam.
O jogo com o Tondela (sábado, às 20h30) é o único em que interessa pensar. É ali que importa colocar todo o foco e concentrar todas as energias – se possível com o Estádio da Luz cheio para ajudar a equipa a ultrapassar mais um obstáculo e a continuar, assim, na liderança do campeonato. 
Com a actual equipa técnica, o percurso do Benfica dificilmente poderia estar a ser melhor: 18 jogos, 14 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Ou seja, 77% de vitórias. Se considerarmos apenas os jogos realizados para o campeonato, então os números são ainda mais impressionantes: 11 jogos, 10 vitórias e 1 empate! 91% de vitórias!
No total, o Benfica já marcou 50 golos (!) desde a chegada de Bruno Lage. Uma média de 2,7 por jogo. Considerando apenas o campeonato, são já 41 golos. Isto é: 3,7 por jornada! Não há nenhuma equipa que apresente em 2019 um rendimento tão produtivo.
Apesar de o indiscutível mérito que existe neste percurso, a verdade é que, até agora, apenas uma Reconquista está garantida: a dos adeptos. Era a mais importante! Sem essa, aliás, nem sequer poderíamos pensar nas outras. E agora, sim, estamos prontos para as duras batalhas que faltam. Na certeza de que, todos juntos, lá chegaremos!

PS: A forma como o Benfica foi desclassificado no Nacional de Estafetas Mistas de Triatlo, no último domingo, é inaceitável. Como explicou o treinador João Mascarenhas, “nenhuma regra diz que a não utilização do dorsal dá desclassificação directa”. Ainda assim, foi isso que aconteceu ao Benfica. Que fez uma prova excepcional e que ganhou com todo o brilhantismo. João Pereira (o atleta em causa) integra a elite mundial e foi mesmo 5.º classificado nos Jogos do Rio. Vai, seguramente, continuar a lutar por vitórias no circuito internacional. Ele e os restantes atletas de topo que representam o Benfica."

Chama Imensa... Casos de Polícia!!!

Leis de jogo, as alterações que aí vêm

"A partir do dia 1 de Junho vêm aí alterações às leis de jogo e se, normalmente, o International Board é muito conservador no que às mudanças diz respeito, as que vão entrar brevemente em vigor têm algum impacto no jogo propriamente dito. Para além disso, revelam uma preocupação real em estabelecer algumas mudanças e roturas com o passado e com paradigmas estabelecidos. São 12 os pontos que vou enunciar, de forma resumida, e que já vamos poder ver aplicados, ao vivo, em Portugal, na “final four” da Liga das Nações.
1. Substituição dos jogadores: Os jogadores que vão ser substituídos passam a fazê-lo pela linha mais próxima do terreno de jogo da qual se encontram. Objectivo da alteração: Diminuir o tempo perdido com as substituições.
2. Cartões para os elementos técnicos: Os árbitros passam a exibir o cartão amarelo e vermelho aos elementos técnicos que estão sentados no banco de suplentes, deixando de só os advertir ou expulsar verbalmente. Objectivo da alteração: tornar pública a sanção disciplinar que foi dada e, com esta exposição mais mediática e visível, melhorar a conduta e o comportamento desses elementos perante a equipa de arbitragem.
3. Pontapés de baliza e pontapés livres dentro da área: A bola entra em jogo quando é chutada e se movimenta, ao contrário do que acontece actualmente, em que só é considerada em jogo quando sai da área de penálti (grande área). Objectivo da alteração: Dar mais dinamismo ao jogo.
4. Bola ao solo: Passa a ser jogada única e exclusivamente pelo jogador que tocou a bola pela última vez antes de o jogo ser interrompido - os demais jogadores têm de ficar a 4 metros de distância. Objectivo da alteração: Evitar o fair-play enganoso e conflitos na hora de devolver a bola.
5. Mão na bola: O acto deliberado (intenção) continua a ser punido, o que muda é a mão “não intencional”. Há várias mudanças neste ponto que irei abordar posteriormente, em outros artigos, mas a principal mudança é para o jogador em situação atacante - se marcar um golo com a mão ou braço, mesmo sem intenção, esse golo será anulado. Da mesma forma, se ganhar a posse de bola ou o controlo da mesma, mesmo sem intenção, e na sequência da jogada obtiver um golo ou criar uma situação de golo para a sua equipa, esse golo será anulado. Objectivo da alteração: Uniformizar o critério de jogar a bola com a mão, sobretudo quando daí resulta um golo para a equipa atacante. 
6. Marcador de penálti: Se quem cobra um penálti se lesionou, esse jogador pode ser assistido dentro do terreno de jogo e em seguida bater o penálti, não tendo de sair do terreno de jogo e ficar impedido, dessa forma, de o fazer. Objectivo da alteração: Promover a justiça para o jogador lesionado e para a sua equipa.
7. Cara ou coroa no início do jogo: O capitão de equipa que ganha o sorteio inicial pode escolher a bola ou o campo. Actualmente é obrigado a escolher o campo, sendo a saída com bola atribuída à outra equipa. Objectivo da alteração: Promover a justiça e a opção de escolha para quem ganha o sorteio.
8. Vantagem no cartão amarelo ou vermelho: Se um jogador cometer uma falta merecedora de cartão amarelo ou vermelho e a equipa adversária bater a bola rapidamente para criar uma situação clara de golo, o árbitro deve deixar o jogo seguir e só depois exibir o cartão. Objectivo da alteração: Aumentar o tempo útil de jogo, beneficiar o ataque e promover a justiça.
9. Distância dos adversários da barreira: Se uma equipa forma a barreira com três ou mais jogadores, os adversários deverão ficar a pelo menos um metro de distância da barreira. Objectivo da alteração: Evitar conflitos e confrontações nas barreiras.
10. Guarda-redes na cobrança dos penáltis: O guarda-redes, durante a defesa de um penálti, tem de ter pelo menos um dos pés sobre a linha de baliza (na relva ou no ar) ate o pontapé ser executado. Objectivo da alteração: Uniformizar o critério dos árbitros relativamente ao adiantamento dos guarda-redes.
11. Guarda-redes agarra a bola no lançamento de linha lateral ou após atraso: O guarda-redes poderá tocar a bola com as mãos se, ao tentar chutar a bola que vem do lançamento ou do atraso de um colega, falhar claramente o pontapé ou não acertar na bola. Objectivo da alteração: Promover justiça em situações de falha.
12. Cartões mantidos: Os cartões amarelos mostrados a jogadores na comemoração de um golo serão mantidos mesmo que posteriormente o golo seja anulado. Objectivo da alteração: Manter a disciplina."

Benfiquismo (MCXXXI)

1994

segunda-feira, 25 de março de 2019

A 'chicologia' como guia espiritual...

"A 'chicologia', segundo Valter Ferreira, é a «ciência do chico-esperto», uma forma de estar que continua a dominar o nosso futebol

A questão parecia pacífica. E pública. Há muito que tinha sido anunciado urbi et orbi, gerando um aparente consenso. Mesmo aqueles que não se tinham conformado com os pressupostos, acabaram nem por se rebelar contra a arquitectura jurídica da solução, nem contra os timings propostos. Quando começou a temporada de 2018/2019 toda a gente sabia que iam ser três os clubes a retroceder ao segundo escalão, por forma a abrir espaço ao Gil Vicente, que se somaria aos dois primeiros da Liga 2 na aventura da ascenção.
O processo do Gil Vicente - que povoa a imaginário do futebol português desde o tempo em que o veterano Mateus, agora no Boavista, era um jovem jogador, e que, por si só, daria para uma série televisiva de calibre de A Guerra dos Tronos - parecia estar à beira de uma merecida e pacífica reforma.
Certo? Errado!
Como estamos a falar do futebol português, onde o Chicologia continua a ser a principal fonte filosófica (Chicologia era a ciência do Chico Esperto, plasmada na doutrina do futebolês por essa figura ímpar que dava pelo nome de Valter Ferreira), era certo e sabido que alguém haveria de querer agarrar-se ao primeiro destroço que encontrasse a boiar, para não ir ao fundo. Assim, pelo que tem sido possível perceber em declarações cabalísticas e numa ou noutra citação sem citado, parece estar a formar-se uma tempestade que ameaça a homologação da presença edição da Liga e a integridade da edição que se segue.
Aquele clube que acabar a Liga de 2018/2019 na 16.ª posição, a que chamaremos o lugar do morto-vivo, irá fazer tudo e mais alguma coisa para reverter a decisão de integração do Gil Vicente no convívio com os maiores.
Do ponto de vista jurídico, sabendo-se que onde está um advogado há pelo menos duas opiniões, todos os cenários são admissíveis. Porém, numa perspectiva ética, as coisas mudam de figura. A integração do Gil Vicente foi decidida e assumida às claras, e quando se iniciou a Liga de 2018/2019 toda a gente sabia quais eram as regras do jogo, quantos subiam e quantos desciam.
Quando, por vezes, nos interrogamos por que razão ninguém, para lá do Badajoz, liga ao nosso campeonato, a resposta está na forma como quem nele participa o vê. Sem sentido de bem comum e à revelia do interesse da indústria do futebol. Uma coisa menor...

Ás
Martim Aguiar
O râguebi português, perdido no terceiro escalão europeu, luta arduamente para regressar às Seis Nações B, de onde nunca devia ter saído. No sábado, os Lobos esmagaram a República Checa por 93-0, estabelecendo um novo recorde nacional. Este resultado dá alento, mas não chega. Há que vencer o play-off com a Alemanha.

Ás
José Ribeiro
Andar no desporto de forma civilizada, em Portugal, não devia ter custos, mas tem. Que o diga o presidente do núcleo do Sporting em Castelo Branco, que cometeu a heresia de felicitar a filial albicastrense do Benfica pela passagem do 95.º aniversário! Mas, não se preocupe, está no caminho certo. Rivais sim, inimigos nunca...

Duque
LeBron James
É preciso recuar a 2004 para encontrar um play-off da NBA sem King James. A aposta nos Lakers não foi feliz porque, para além da lesão prolongada que afastou LeBron dos pavilhões, viu-se uma equipa sem cultura de vitória, a entregar-se ao destino sem dar luta. Se continuar em Los Angeles, James precisa de outro tipo de companhia.

O futebol como arma ao serviço da demagogia
«Autoridades portuguesas esmifram-se para prender Rui Pinto mas deixam à solta criminososo do gabarito de Ricardo Salgado»
Ana Gomes, Eurodeputada do PS
Ana Gomes, que está nos finalmentes de uma passagem truculenta pelo Parlamento Europeu - um caso flagrante em que pode dizer-se que saiu do MRPP há muitos anos, mas o MRPP nunca saiu dela - assumiu a causa do hacker Rui Pinto e não teve pudor em deitar mão de mais desbragada demagogia, confundindo alhos com bugalhos. Só engana quem quiser ser enganado.

Não correu bem
Portugal tem, esta noite, uma boa oportunidade de se redimir da anémica e timorata exibição que lhe custou dois pontos no jgo de abertura da defesa do título europeu, frente a uma organizada mas limitada Ucrânia. Fernando Santos, que não precisa de provar competência a ninguém, lidera um grupo talentoso, onde não faltam soluções para todos os gostos, e só precisa de acertar com a tecla, colocando mais ousadia na equação, em detrimento da previsibilidade exasperante que marcou os 90 minutos, na última sexta-feira, na Luz.

A piela a 'vinotinto' pregou à Argentina
Quando se pensa que a selecção da Argentina bateu no fundo, novo episódio vem desmentir esta ideia. O regresso de Messi à albiceleste ficou marcado por uma humilhação, em Madrid, frente à Venezuela, conhecida como Vinotinto. Salva-se a alegria de milhões de venezuelanos. Bem precisam..."

José Manuel Delgado, in A Bola

Seixal no centro do Mundo

"Os números não mentem: o futebol de formação do Benfica é, desde a época 2010/11, a principal fonte de alimentação das diversas selecções nacionais. Há quase uma década que o talento produzido no Seixal vem contribuindo de forma decisiva para os excelentes resultados dos diversos onzes de Portugal. O que representa, para nós, uma enorme satisfação.
Foi a chegada do Caixa Futebol Campus, em 2006, a marcar o início do novo paradigma: o Benfica passou a ser, em pouco tempo, o clube mais representado nas convocatórias das Selecções Nacionais, com natural impacto, já hoje, na equipa A. No total das chamadas, o nosso Clube chega, sozinho, a ter mais convocados do que os dois principais rivais em conjunto.
Os méritos do Caixa Futebol Campus – que já foi distinguido como melhor Academia do Mundo nos ‘Globe Soccer Awards’ – voltaram recentemente a merecer elogios ao mais alto nível. O ‘Fenómeno CFC’ justificou a atenção da UEFA, que através do seu magazine reconheceu a excelência do ‘laboratório’ de talentos que existe no Seixal: um exemplo no contexto do futebol mundial.
O mesmo reconhecimento foi feito na semana passada por um dos principais diários desportivos da Europa, o ‘Tuttosport’, que dedicou ao Benfica toda a sua primeira página, preenchida com fotos de Luís Filipe Vieira e João Félix. No interior, em grande entrevista, o presidente do Benfica e também o CEO do Grupo Benfica (Domingos Soares de Oliveira) explicaram o segredo do sucesso, com João Félix a ser apontado como um dos maiores talentos depois de Ronaldo.
O Seixal, como se vê, está cada vez mais no centro do Mundo. É ali que vamos continuar, todos os dias, a construir o futuro do Benfica e do futebol português.

PS: A Selecção não teve uma estreia feliz na qualificação para o Euro’2020, mas dispõe hoje de nova oportunidade para dar uma alegria a todos os portugueses. Acreditamos que esta noite, na Luz, a qualidade da nossa equipa terá o desfecho que merece. Uma palavra final para o futebol feminino e para o jogo de ontem entre o Benfica e o Sp. Braga. Independentemente do resultado da 1.ª mão da meia-final da Taça de Portugal, importa destacar que se tratou, acima de tudo, de uma excelente jornada de promoção para a modalidade. Pena foi a qualidade da arbitragem não ter estado ao nível do jogo praticado pelas duas equipas."

Gobern... e o Félix

Cadomblé do Vata (Sina...!!!)

"Eu queria-me sentir surpreendido por um jogador do SL Benfica se ter lesionado ao serviço dessa tal de “equipa da FPF”, mas não consigo. Tentei também ficar espantado por a vítima ser aquele que é apontado como a coqueluche da equipa Gloriosa, mas novamente, falhei nos meus intentos. Bem sei que falar agora é fácil, mas posso-vos garantir que se há uma semana me perguntassem “o que tem mais probabilidades de acontecer: João Félix lesionar-se nessa tal de “equipa da FPF” ou o Natal ser no dia 25 de Dezembro”, eu pensava duas vezes antes de responder e ficava muito inclinado para a primeira hipótese.
João Félix ter-se-á lesionado sozinho. Foi essa a explicação oficial e não tenho razões para dela duvidar. Fernando Santos, talvez por ter poucos anos nessa tal de “equipa da FPF”, não pareceu muito crédulo na baixa do Benfiquista. Pelo contrário, a mim todo o desenvolvimento da história bate certo com a História: ele estava bem no dia anterior, sentiu desconforto a bater uma bola e os médicos disseram que era uma inflamaçãozita. Escalar daqui para entorse, baixa para a Sérvia e dúvida para o Tondela é apenas lógico. Aliás, o seguimento da coisa deverá apontar para intervenção cirúrgica e regresso aos relvados perto do Natal. Admito que possa estar a exagerar no pessimismo, mas já sigo a carreira de Benfiquistas nessa tal de “equipa da FPF” há uns bons anos e sei que quando de lá vêm atacados por maleitas, só voltam a aparecer de colete no treino, no Dia do Pai do ano seguinte."

De onde vem então este sentimento um tanto rupestre, primitivo e tribal?

"Foi numa manhã de Agosto de 1984. A vizinha do terceiro andar entrou-nos em casa com a notícia: Carlos Lopes tinha conquistado a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. A minha avó reagiu com costumeiro desinteresse. Jogos e desportos eram coisas do diabo. Eu fiquei maravilhado. Uma medalha de ouro. O primeiro lugar. Um português.
Naquele verão, os mais velhos, inspirados pelo que acontecia em Los Angeles, organizaram provas em que nós, os mais novos, competíamos. Como recompensa recebíamos umas caricas espalmadas e cobertas com a prata dos maços de tabaco: eram as nossas medalhas olímpicas. Mas a medalha de Carlos Lopes era a sério. Não era brincadeira de crianças.
À noite, no telejornal, vi a notícia, as imagens do atleta português a cortar a meta, a subir ao pódio, a ouvir o hino, a bandeira no mastro mais alto, e chorei. Ainda hoje, quando vejo aquelas imagens, quando oiço a música de Alfredo Keil, sinto um arrepio de emoção e é como se eu próprio estivesse a subir ao pódio e a receber a primeira medalha de ouro olímpica do desporto português.
Isto para dizer que é uma grande injustiça que só os desportistas tenham direito a ouvir o hino e a ver a bandeira içada com aquela lentidão solene que embriaga até o espírito do mais cínico e universalista dos cidadãos. A professora que aguenta décadas de alunos irrequietos merecia um prémio e a bandeira a drapejar lá no alto, o polícia que prende um facínora deveria ser recebido na esquadra ao som da Portuguesa, o agente imobiliário que faz a venda de uma vida devia subir ao lugar mais alto do pódio e, com um bouquet na mão e a medalha ao pescoço, acenar aos compatriotas o contentamento pelo seu feito.
Quem nunca, no sossego doméstico, se perfilou e entoou altissonantemente a letra de Lopes Mendonça de mão no peito ao ver os jogadores da selecção a fazerem o mesmo no estádio? Eu não, mas conheço muita gente que o faz.
De onde vem então este sentimento um tanto rupestre, primitivo e tribal? Não vou agora recuperar as teorias das comunidades imaginadas e da invenção das tradições, mas admito que, para além desses sentimentos inoculados pela cultura que nos rodeia, haja uma reverberação interior, uma predisposição inata para nos diluirmos numa emoção colectiva que, anulando uma parte da nossa individualidade, nos eleva enquanto membros de um grupo.
Será esta predisposição inócua? Nem sempre. Basta pensar no aproveitamento que dela fizeram os regimes totalitários e como, mesmo em democracia, os políticos procuram retirar dividendos das nossas tendências gregárias. O mesmo acontece em grandes ajuntamentos, sejam manifestações de protesto, concertos de rock, celebrações religiosas. Todos vivem do fascínio irracional da pertença à multidão. De alguma forma sentimo-nos protegidos e integrados. As nossas emoções particulares alimentam-se das emoções dos outros que, por sua vez, se alimentam das nossas, num jogo de espelhos voyeurístico e exibicionista.
Há uns anos, aquando da participação da selecção de râguebi no campeonato do mundo, causou impacto a forma como os “Lobos” entoavam o hino, à beira da apoplexia, como se estivessem prestes a entrar num campo de batalha e, do outro lado, uma horda de guerreiros inimigos os aguardasse para os chacinar. Aquilo, dizia-se, era a demonstração de um vivo sentimento patriótico que os jogadores de futebol, demasiado profissionais e ricos, já não tinham. Era a pátria de chuteiras e calções, para usar uma expressão de Nelson Rodrigues. Aqueles homens, quase todos amadores, tinham um orgulho transcendental por representarem o país, por vestirem a camisola das quinas.
Mas será necessário esse sentimento? Não basta que se empenhem e deem o seu melhor? É preciso cantarem o hino como se a sobrevivência da nação dependesse do nível dos decibéis? Em parte, sim. Como já ninguém exige dos jogadores o mítico amor à camisola nos clubes, as selecções nacionais são o último refúgio dos românticos. Ali espera-se que os atletas, seja em que desporto for, descalcem os sapatos do profissional e calcem as sandálias humildes do patriota. Exige-se que cantem o hino com fervor e comprovem perante os concidadãos que são dignos de vestir aquela camisola. Admite-se que, nos clubes, se comportem como mercenários, mas, na selecção, não se lhes exige menos que a pureza de intenções, o espírito de sacrifício e, talvez, a disponibilidade para o martírio.
Isto para chegar à convocatória de Dyego Sousa, cidadão português nascido no Brasil há 29 anos. Sendo o sétimo jogador naturalizado a representar a selecção, o caso de Dyego Sousa nem devia ser um caso. Um seleccionador deve escolher os jogadores que considera mais aptos e que mostrem disponibilidade para representar a selecção, independentemente do lugar onde nasceram, da sua história pessoal, da ligação íntima ao país. Pode chocar os puristas (e chocará, certamente, outras categorias menos ilustres de cidadãos), mas é assim. Não cabe a um seleccionador aferir os níveis de “portugalidade” dos jogadores, nem escolher atletas em função de sentimentos ou de uma escala de orgulho que irá de um mínimo de Pichardo a um máximo de Lobos.
Isto não impede os jogadores naturalizados de se sentirem na obrigação de provar o seu amor à camisola. Aliás, é mesmo provável que, como os convertidos a qualquer religião, sintam uma maior necessidade de demonstrar publicamente o apego à nova fé. O central Pepe será o expoente dessa exuberância e, enquanto tal, o mais habilitado a validar novas adesões ao culto. Por isso, em conferência de imprensa, convidado a falar sobre Dyego Sousa, afirmou: “Ele está completamente integrado na cultura portuguesa.” Um jornal diário também adiantava, para que não subsistissem dúvidas sobre o compromisso sentimental do avançado do Braga, que “é casado com uma portuguesa e a filha também é portuguesa. Quando soube que estava convocado para a selecção nacional chorou.” Meses antes, o próprio já tinha afirmado sonhar jogar pela selecção portuguesa, pois sentia-se mais português do que brasileiro.
Também Deco, outro jogador naturalizado que representou a selecção portuguesa, explicou ao Expresso a sua decisão: “Joguei na selecção por sentimento, ainda demorei quase um ano até tomar a decisão, era uma escolha de vida, até por saber que tinha qualidade para jogar na Selecção brasileira, foi uma questão pessoal, de sentimento, não de passaporte.”
Porém, todas estas declarações demonstram que a selecção é, e talvez assim se mantenha, uma questão de passaporte. Não falo do documento com fotografia que se apresenta às autoridades alfandegárias, mas do passaporte sentimental que garante a entrada numa comunidade tão imaginária e tão real como as lágrimas e os uivos dos Lobos a cantarem o hino ou a emoção de uma criança a ver a bandeira içada no mastro mais alto no outro lado do mundo."

O desporto e a desportivização

"Entendido como sendo todas as formas de actividades físicas que, através de uma participação organizada ou não, têm por objectivo a expressão ou o melhoramento da condição física e psíquica, o desenvolvimento das relações sociais ou a obtenção de resultados na competição a todos os níveis, o desporto não está à margem do processo de globalização. O desporto adquire um importante estatuto como fenómeno de globalização e, como diria Lipovetsky (2007), de “hipermodernidade”.
Pelas paixões que suscita, pelas identidades que mobiliza, pelas estratégias que reflecte, bem como pelos interesses económicos, o desporto constitui-se como uma importante dimensão da sociedade, que, nas suas formas modernas, se procurou instituir e afirmar como uma linguagem universal e como um modelo cultural adoptado internacionalmente. Um tal modelo tornou-se, pelo seu modo de difusão, numa das formas mais “visíveis” ou um dos principais “motores” da mundialização.
O desporto é talvez a forma mais popular e universal de participação cultural, na medida em que anula barreiras culturais (a língua, a religião, o sistema político, as fronteiras geográficas, etc.). Lipovetsky (2007) não está, certamente, a exagerar quando sublinha que, num contexto de paixão pelo desporto, as competições, sobretudo as de alto nível, despertam um grande entusiasmo e fervor colectivo e que, dificilmente, se encontra noutra esfera da vida social.
O aumento dos tempos livres e a diversificação do mercado dos consumos culturais vieram produzir alterações nos estilos de vida nas sociedades mais industrializadas (Horne, 2006). O lazer, apesar de ter sempre existido de uma forma directa ou indirecta, tornou-se reconhecido como um direito por parte da população, especialmente após a Revolução Industrial e, principalmente, após a II Guerra Mundial. O desporto constitui um espaço compensatório das tendências à rotinização do quotidiano, construído pelos actores no decurso de estratégias visando a expressão de “emoções fortes” – a busca da excitação (Elias & Dunning, 1992).
A compreensão da globalização no desporto remete-nos para as origens do desporto moderno, que nasceu no século XVIII, em Inglaterra, no contexto da Revolução Industrial e de um capitalismo emergente. Para além de um passatempo dos “gentlemen-farmers”, onde a prática física não era esquecida, numa ascese de preparação de caça à raposa e de corridas a cavalos, a génese do desporto em Inglaterra desenvolve-se entre 1820 e 1860 no seio das public schools, privilegiados estabelecimentos, que agrupam os filhos da alta sociedade, assegurando uma forte homogeneidade da elite social.
O processo de “desportivização” (expressão introduzida pelo sociólogo Norbert Elias) designa a transformação das formas de organização e desenvolvimento das práticas físicas em Inglaterra, assim como a sua generalização às restantes sociedades ocidentais, tal como a “industrialização” designa idêntico processo relativamente às formas de produção e trabalho). Este processo desenvolveu-se, grosso modo, em cinco fases.
Numa primeira fase (séculos XVII e XVIII) surgiram o críquete, o golfe, as corridas de cavalos e o boxe. Numa segunda fase (século XIX) o futebol, o râguebi, o ténis e o atletismo. Uma terceira fase (finais do século XIX e princípios do século XX) engloba a disseminação das formas de desporto “inglesas” na Europa continental e nas colónias britânicas e está associada à emergência de intensas formas de nacionalismo e à institucionalização da maioria dos desportos a nível internacional. Uma quarta fase (dos anos 20 aos anos 60 do século XX) é marcada por “lutas” entre as nações ocidentais e não ocidentais para a sua afirmação no desporto. Uma quinta fase (desde finais da década de ‘60) caracteriza-se por um crescente protagonismo de nações não-ocidentais, contestando a hegemonia ocidental no desporto. A emergência e difusão das modernas formas desportivas à escala global de uma forma mais vasta com o “processo civilizacional” (Elias, 2006).
O arranque do processo de globalização no desporto está associado à terceira fase do processo de desportivização. O último quarto do século XIX testemunhou a disseminação do desporto, o estabelecimento de organizações desportivas internacionais, a aceitação mundial de regras de governo de desporto, a multiplicação de competições entre equipas nacionais e o estabelecimento de competições globais, como os Jogos Olímpicos e os campeonatos do mundo em muitos desportos. 
Nesta fase da desportivização, os ocidentais e em particular os ingleses, foram os “jogadores” dominantes. O Reino Unido era, então, o poder hegemónico e os seus desportos (futebol, críquete, atletismo) proliferaram pelo mundo, diminuindo o espaço de influência dos jogos nativos tradicionais. Mas não estiveram sozinhos. Os ginastas suecos (método Ling, 1776-1839) e dinamarqueses, o movimento do Turnverein alemão, são exemplos da fase europeísta no desenvolvimento de um desporto global (Chamerois, 2002).
A luta pela hegemonia, que começou nos anos ‘20, não ocorreu apenas entre o Ocidente e o resto do mundo, mas também dentro do próprio mundo ocidental. De uma forma crescente, o desporto norte-americano começou a disputar a supremacia inglesa. Nos anos 1920 e 1930 práticas desportivas como o basebol, o basquetebol e o voleibol foram difundidos nas partes do mundo onde era maior a influência americana – Europa, América do Sul e partes da Ásia-Pacífico.
Após a II Guerra Mundial, os EUA assumiram uma hegemonia imperial, que resultou na expansão dos desportos “americanos” no mundo. O desporto tornou-se então um idioma global entre os anos ‘20 e o final da década de ‘60. Desde os finais da década de ‘60 alteraram-se os equilíbrios do poder. Em desportos como o badminton, o críquete, o ténis de mesa, o futebol e o atletismo, cresceu a influência de asiáticos (com especial destaque para as designadas “artes marciais”: karaté, judo, aikido, kung-fu, taekwondo, etc.), sul-americanos e africanos. O controlo das organizações desportivas internacionais e do movimento olímpico começou a escapar, embora devagar, das mãos exclusivas do Ocidente."

Conteúdo e qualidade numa modalidade desportiva - que relação?

"1.ª Parte
O sucesso de uma modalidade desportiva mede-se pela capacidade de:
1 – Atrair público à instalação desportiva, isto é, levar ao consumo do evento/jogo de basquetebol (ou outra modalidade) por parte de adeptos e fans e a capacidade de os tornar promotores da marca.
Este é o verdadeiro propósito de uma marca (organização que gere a competição), que tem um produto para vender (evento/jogo), que, neste caso, é de uma modalidade desportiva, o basquetebol. 
As modalidades desportivas estão inseridas na designada indústria desportiva, a que eu gosto de juntar a palavra espectáculo, sendo que assim a expressão fica a ser indústria desportiva e do espectáculo.
2 – Atrair o interesse dos diferentes meios de comunicação social (jornais, rádios e televisão) para divulgar a informação do jogo/evento ou individualidades da modalidade desportiva junto dos seus leitores, ouvintes ou espectadores televisivos, devido ao sucesso que a modalidade evidencia, levando a pensar que o produto é capaz de gerar audiências e, como tal, permita justificar o espaço que lhe é dedicado.
3 - Apoio das marcas patrocinadoras como forma de promover os seus produtos, devido à exposição que a modalidade possui junto do público consumidor que lhes interessa (o target de cada marca), através de diferentes meios de comunicação.
4 - Um quadro competitivo interessante, dinâmico e onde o equilíbrio e a incerteza do resultado sejam uma constante de acordo com os princípios do marketing desportivo.
Assim, podemos afirmar sem hesitações que sem público (adeptos e fans) nas bancadas não é possível considerar uma modalidade desportiva como uma modalidade de sucesso.
Qual é então o problema do basquetebol para atrair público, adeptos e fans?
Tudo começa com uma análise e um diagnóstico correto e eficaz a que deverá corresponder um plano estratégico que envolva, especialmente, os dirigentes e os treinadores, unindo-os à volta de uma visão, submetendo-os a um alinhamento de procedimentos e uma finalidade na gestão das diversas áreas do basquetebol.
E estes dois agentes da modalidade porquê?
Porque são eles que estão no centro das decisões! Uns tomam as decisões referentes à área da gestão desportiva e os outros tomam decisões na área do jogo, nomeadamente na gestão do grupo de trabalho (equipa), tendo ambos grande impacto no produto final que é o jogo de basquetebol.
É por isso que precisamos de dirigentes com uma visão clara daquilo que deve ser a competição/espectáculo de basquetebol e que compreendam nitidamente aquilo que o público (adeptos e fans) querem ver. E de treinadores que compreendam e escolham modelos de jogo que promovam aquilo que o basquetebol significa: espectáculo. Ou seja, modelos de jogo que permitam captar o interesse do público (adeptos e fans), comunicação social e patrocinadores, sem descurar aquilo que todos ambicionam que é a vitória.
O basquetebol sempre foi sinónimo de espectáculo e um bom exemplo são os Harlem Globetrotter. Quantas pessoas conhecem os nomes dos seus jogadores? Eu diria que muito poucos ou quase ninguém, mas isso não impede que o público se desloque ao pavilhão para ver um espectáculo de entretimento através do jogo de basquetebol, tendo-se tornado numa marca de referência.
Podíamos colocar a mesma questão noutras áreas.
Qual a razão das pessoas verem um filme, uma série de televisão, um documentário ou um debate?
A resposta é simples. Porque o conteúdo é interessante e a comunicação à volta destes produtos desperta o interesse dos consumidores.
Nesta matéria, qual é o ponto da situação do basquetebol português?"

Benfiquismo (MCXXX)

Obras!!!!