Últimas indefectivações

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Presidente n'A Bola


"«O Benfica é um projecto que nunca se completa»
PERENTÓRIO, AFIRMA QUE «O FUTURO DO BENFICA ESTÁ ASSEGURADO», ANUNCIA A AMPLIAÇÃO DO CAIXA CAMPUS DO SEIXAL E PREPARA-SE, NUMA CONJUNTURA NOVA, PARA TRAVAR UMA DURA BATALHA PELA RENTABILIZAÇÃO DOS DIREITOS TELEVISIVOS. BRILHAM-LHE OS OLHOS QUANDO FALA DO MUSEU COSME DAMIÃO. EXIGE QUE AS AFIRMAÇÕES DE PROENÇA A A BOLA SEJAM INVESTIGADAS. NÃO ESQUECE O APITO DOURADO. E GARANTE QUE O BENFICA EM 2000, ESTAVA «BEM PIOR» DO QUE O SPORTING DE HOJE.
- Em plena crise, pairando o temor de que 2013 seja ainda um 'anus horribilis' qual é a situação financeira do Benfica?
- Diria da seguinte forma: o futuro do Benfica está assegurado. Temos um activo que supera o passivo e temos sobretudo um activo que, por razões de prudência não pode ser reconhecido no balanço, mas que existe e que tem a ver com o real valor dos nossos jogadores. Ou seja, o nosso activo real é bem superior ao passivo exigível e isso é o que nos garante o futuro. Tudo isto foi garantido com o trabalho e a seriedade de um grupo de pessoas competentes e comprometidas com o Benfica. A fórmula é tão simples como isto.
- O afastamento da Liga dos Campeões constituiu um revés para as finanças da SAD?
- É evidente que complica as contas, mas nada que com imaginação e trabalho não se consiga ultrapassar. Temos credibilidade e capacidade para contornar mais esse obstáculo.
- Se Witsel e Javi Garcia tivessem continuado no Benfica, teria a SAD capacidade para enfrentar esta época sem problemas financeiros?
- Não gosto de trabalhar com cenários, mas a verdade é que li muitos colegas seus, na altura, falar do descalabro e do desequilíbrio (desportivo) que aquelas vendas iriam provocar. Não aconteceu, provou-se que havia soluções dentro do plantel. O que não quer dizer que não tenha tentado tudo para evitar que eles saíssem, e se isso tivesse acontecido teríamos arranjado soluções financeiras, como sempre temos vindo a fazer.
- Disse que os dias que antecederam as saídas de ambos foram dos dias mais difíceis enquanto dirigente do Benfica...
-E efectivamente não me lembro de um período igual a nível de ofertas por jogadores nossos. É evidente que quando eu disse que eram dias difíceis referia-me a isso, o que de um outro ponto de vista é uma boa dificuldade para quem dirige um clube...
- Concorda com as medidas aprovadas pela UEFA no âmbito do fair play financeiro?
- Concordo. Entendo que os clubes e em especial o Benfica, que me diz respeito, devem ter um balanço equilibrado. Por isso, não vejo qualquer problema em que haja regulação no sentido de impedir que os clubes gastem mais do que o que conseguem receber.
- O Benfica está em condições de cumprir essas regras do fair play financeiro?
- Sem dúvida. O Benfica integrou o projecto-piloto, esteve nos grupos de trabalho da UEFA onde todo o trabalho foi desenvolvido. Uma parte significativa dos nossos custos estão associados às infra-estruturas e à nossa formação e para efeitos do fair play financeiro esses custos não são considerados. Depois, creio que com o incremento das receitas televisivas que todos esperamos, vamos poder equilibrar a nossa balança de resultados.

VÁRIAS SITUAÇÕES DO FUTEBOL DO BENFICA
-Como caracteriza o actual plantel do Benfica?
- Estou muito satisfeito. É um grupo que revela ambição, profissionalismo, que naturalmente tem muito talento, mas acima de tudo que é solidário, que o grupo conta mais que o individual e isso para mim é fundamental.
- Falando de renovações, como está o dossier de Óscar Cardozo?
- Está como deve estar. Quando houver novidades sobre essa matéria daremos conta, até lá não vale a pena andar a especular. Às vezes leio e ouço coisas que são um perfeito disparate, creio que se o governo aplicasse um imposto aos disparates que se escrevem em alguns jornais iria buscar uma boa receita suplementar...
- Se surgisse um clube a dar 20 milhões pelo Cardozo agora em Janeiro, vendia-o?
- Se houver alguém que se bateu pela permanência do Cardozo no Benfica fui eu...  e creio que não devo dizer mais nada sobre o assunto.
- Houve várias críticas pelo facto de o Benfica não ter contratado mais um lateral esquerdo no início da época. Foi um risco calculado? Eliseu revelou que o Benfica o tentou contratar e só não veio porque o treinador do Málaga não deixou...
- Falou-se durante muitos meses de vários laterais, mas a verdade é que só houve um jogador que o Benfica quis e nunca por duvidar nem do valor do Melgarejo nem da aposta que o treinador estava a fazer nele. Efectivamente, estivemos interessados em Eliseu, mas o treinador do Málaga não o quis libertar. De qualquer forma creio que toda a polémica inicial foi ultrapassada e Melgarejo já provou que é um jogador a altura do desafio.
- Aimar está em final de contracto. Pode renovar por ainda mais uma época? Há a ideia de no futuro integrar a estrutura do Benfica?
- Aimar é um grandíssimo jogador e uma pessoa extremamente séria. Ninguém mais do que ele estará triste por não ter podido ajudar a equipa nesta fase inicial, mas estou certo que nos vai ajudar muito nesta segunda metade do campeonato. Quanto a contractos, sejam eles para jogar ou para dirigir, mais uma vez são coisas que dizem respeito à direcção do Benfica e ao jogador.
- Preocupa-o o facto de Aimar estar parado há tanto tempo?
- Preocupa-me apenas o facto da equipa não poder ter beneficiado até agora das suas capacidades. Tem de estar parado o tempo suficiente de forma a garantir que quando regressar o vai fazer a cem por cento.
- Enzo Pérez tem, finalmente, a cabeça no Benfica'
- Não diria que seja normal, mas diria que é aceitável, num primeiro ano, perante uma realidade totalmente diferente e com as dificuldades que ele teve, nomeadamente uma lesão de meses e a doença da mãe, que não tenha sido a tranquilidade necessária para se adaptar. Mas sim, essa fase está ultrapassada e resolvida e o verdadeiro Enzo está a aparecer.
- Como responde a quem acusa que o Benfica tem demsiados extremos: Salvio, Gaitán, Bruno César, Ola John, Nolito...
- E ainda falta mais um... Urreta (risos) que a partir de agora vai passar a integrar o grupo de trabalho. Estamos em várias frentes e todos vão ter, como já tiveram, oportunidades.
-Gaitán está a ter a época de menor rendimento desde que chegou ao Benfica. Teme que possa desvalorizar-se?
- Quando se tem o talento que ele tem e o futebol que ele pratica e única certeza que tenho é que é um jogador que nunca se irá desvalorizar.
- Ola John foi a principal contratação desta época pelo rendimento que está a mostrar?
- Não foi a principal, foi uma das contratações desta época. Gosto sempre mais de valorizar o grupo, a equipa, do que os jogadores de forma individual, mas não deixa de ter graça que se essa pergunta fosse feita há três meses teria sido feita de outra maneira. Os jogadores precisam de tempo para conhecer e adaptarem-se a uma nova realidade. Há muito gente, mesmo dentro do futebol, que se esquece com muita frequência disto.
- Benfica recusou novo empréstimo de Kardec ao Santos por causa da venda de Danilo ao FC Porto?
- Não. O Santos negoceia com quem quer, mas se negoceia com o Benfica das duas uma, ou aceita as condições do Benfica ou então não se pode depois queixar por ter ficado sem o jogador, nada mais simples...

O BENFICA NÃO VAI ÀS COMPRAS EM JANEIRO
-Como vai ser o posicionamento do Benfica no mercado de Janeiro? Está a ser equacionada a contratação de mais um médio?
- Atento a boas oportunidades que possam surgir, mas sabendo que a equipa tem correspondido às expectativas que depositava nela e, portanto, não estou a equacionar nenhuma contratação. Se ela acontecer não será por necessidade, mas apenas por oportunidade e já a pensar no futuro. O nosso melhor reforço serão os sócios e adeptos presentes nas bancadas da Luz, mas também nos jogos fora. Esse será o nosso melhor reforço de Janeiro.
- Nolito pode sair em Janeiro por empréstimo?
- Não acredito, mas será sempre uma decisão do treinador.
- E de todos os nomes que têm saído na imprensa?
- É algo recorrente, acontece sempre que a janela de transferências se aproxima. É evidente que o nosso departamento de prospeção observa centenas de jogadores, mas isso não quer dizer que os vamos contratar. A verdade é que há sempre muita gente interessada em invocar o nome do Benfica, ou porque isso valoriza o jogador ou então porque isso pode chamar a atenção de outros clubes.
- Como reage a essa situação?
- Já houve tempos em que me irritava profundamente, hoje já me habituei a que isso faz parte do espectáculo e uma necessidade de alguns jornais e de alguns clubes para justificar algumas contratações.
- Portanto é falso o interesse em Centurion ou Fãrina?
- Nós não fizemos nenhuma proposta e não há nenhum empresário com qualquer procuração do Benfica para fazer qualquer tipo de oferta quer seja na Argentina ou na Rùssia, portanto, acompanhei, divertido, a novela que alguns jornais publicaram durante estes dias, mas efectivamente os nossos reforços já estão todos no Seixal.
- Mas houve declarações de responsáveis de um clube argentino a dizer que tinham sido contactados?
- Devem ter-se enganado no nome do clube que os contactou. Lá está, se calhar trazer o Benfica ao barulho é mais uma necessidade para alguns inflacionarem o preço e para outros clubes justificarem as contratações.
- Depois de ficar fora da Champions, o Benfica é candidato a ganhar a Liga Europa?
- O Benfica deve ter sempre a ambição de entrar em campo para ganhar qualquer jogo e qualquer competição, mas deve ter o realismo de saber que o seu principal objectivo é ganhar o campeonato.

RECORDE PRESIDENCIAL E CONFIANÇA DOS SÓCIOS
- O livro lançado recentemente e que retracta o seu percurso no Benfica tem por título «Missão Benfica». É um bom título?
- O Benfica para mim ou qualquer outro presidente tem de ser uma missão, já o disse em várias ocasiões que o lugar de presidente deste clube não pode ser remunerado, porque quando isso acontecer teremos comprometido uma parte significativa da nossa história. Quem vier para aqui tem de o fazer com sentido de missão, é isso que me move e que me trouxe até aqui. O que é que me deixa mais orgulhoso? Todo o percurso que fizemos com os sócios e adeptos.
- Acabou de ser reeleito. Ao fim de quase dez anos a presidência do Benfica é como uma segunda pele?
- Não sei se é uma segunda pele, mas sei que continua a ser um enorme desafio. Porque tudo o que já foi feito e foi muito já ficou para trás, o que nesta casa conta é o que ainda temos de fazer e nesse sentido este é um projecto que nunca se completa.
- O que lhe diz o facto de ser o presidente que há mais tempo está à frente do Benfica?
- É evidente que é motivo de orgulho e de enorme responsabilidade, primeiro porque isso corresponde à confiança e à vontade dos ´socios que sucessivamente me deram o seu voto. Em segundo lugar, porque o projecto que tinha quando aqui cheguei ainda não está concluído, já muito foi feito, mas continua sempre a haver novos desafios.
- Esperava, quando chegou ao Benfica para ajudar Manuel Vilarinho, o percurso que tem feito no clube?
- Há um ditado que diz que o caminho se faz caminhando. Efectivamente ninguém, muito menos eu, poderia naquele tempo imaginar o que seriam estes 12 anos e muito menos imaginar tudo o que faríamos neste tempo.
- Alguma vez sentiu vontade de desistir, esteve perto de desistir ou foi pressionado pela família para o fazer?
- Desistir não, mas é evidente que há sempre momentos de maior frustração, momentos em que pensamos no tempo a menos que dedicamos à família, momentos em que as dúvidas são mais que as certezas, mas isso faz parte do dia-a-dia de quem lidera um clube como este.
-Nestes anos de Benfica, qual foi o momento que mais prazer lhe deu? E o mais complicado?
- Houve momentos de enorme alegria e outros tantos muito complicados. Não vale a pena fazer a contabilidade. O que interessa saber é que temos conseguido ultrapassar os momentos mais difíceis e de cada vez que isso acontecer ficámos mais fortes.

MONIZ, PT NA SPORT TV E DIREITOS TELEVISIVOS
- Que mais-valias pode trazer José Eduardo Moniz para o Benfica?
- As mais-valias que qualquer outra pessoa com o curriculum, a capacidade e vontade dele pode trazer. Creio que é esse o caso.
- A entrada de Moniz teve também a ver com a necessidade de ter, dentro do clube, um perito em televisão?
- Não, não foi por isso que ele integrou o projecto, mas sim porque é alguém com valor para ajudar em várias áreas e não apenas nessa. Mas é evidente que as capacidades que o José Eduardo Moniz tem nessa área têm de ser aproveitadas, seríamos loucos se o não fizéssemos...
- Estamos a entrar em 2013, ano em que finda o contracto com a Olivedesportos. Já pode adiantar em que moldes o Benfica irá colocar os jogos na Luz na Benfica TV?
- A única coisa que nesta altura lhe posso dizer é que estamos a trabalhar nesse modelo e quando for oportuno diremos qual é o caminho que iremos seguir, mas nesta fase não vou adiantar nada mais do que isto.
- A entrada da PT no capital da Sport TV pode ser vista como uma 'manobra' contra a decisão do Benfica?
- Desconheço a lógica que está por detrás da decisão da PT e por isso não vou fazer qualquer juízo de intenções sobre essa matéria.
- Se a Liga insistir na centralização dos direitos televisivos, o Benfica pode ficar de fora?
- O Benfica não está contra o princípio da centralização dos direitos televisivos. Pelo contrário, até acreditamos que essa pode ser uma boa solução para o futuro do futebol nacional, desde que os critérios de distribuição de verbas sejam os mais justos e, sobretudo desde que sejam garantidos os princípios de uma livre concorrência entre candidatos a ficar com esses direitos. Naturalmente que uma Sport TV detida pelos dois principais distribuidores do sinal televisivo (Zon e Meo) limita essa concorrência.

MEDIDAS ANTI-CRISE PARA AJUDAR ADEPTOS
- Apesar da crise, sente que os adeptos continuam ainda a dar muito mais peso ao coração do que à razão, sem olhar a custos?
- Hoje ninguém pode dizer isso. Há uma crise sem precedentes em Portugal e as pessoas são obrigadas a pensar duas vezes onde vão fazer os seus investimentos. Estamos a sentir pela primeira vez uma maior dificuldade por parte de alguns sócios em pagar as suas quotas. Mas felizmente, a esmagadora maioria tem sabido tirar partido dos descontos que o seu estatuto de sócio proporciona e assim, conseguem juntar a emoção e a razão.
- Que medidas anti-crise tem previstas para manter os adeptos no estádio?
- Vamos continuar a manter os preços para sócios dentro de padrões acessíveis. Lançamos recentemente o bilhete família que proporciona um acesso a quatro pessoas a preços extremamente baratos. No estado em que o país está não podemos ficar indiferentes às dificuldades dos nossos sócios e adeptos. Mesmo aqueles que nos ajudaram a construir o estádio, aqueles que adquiriram o título «fundador» vamos ter o cuidado de não os penalizar quando o período do seu lugar terminar. No fundo vamos ter de repensar toda a política de bilhética indo de encontro às necessidades dos benfiquistas.

APOSTA NA FORMAÇÃO E AMPLIAÇÃO DO SEIXAL
- A prazo, com a aposta a virar-se para a formação e cada vez com maior dificuldade em recrutar no estrangeiro, o Benfica arrisca-se a perder competitividade?
- Não, não creio por um lado que deixemos de recrutar no estrangeiro. Devemos é fazê-lo com mais critério. Depois porque não vejo isso como uma dificuldade, mas como uma oportunidade. A nossa formação começa agora a dar, de forma sustentada, indicadores de que vamos poder recorrer ao Seixal com segurança e qualidade. Portanto, vamos continuar a estar atentos à qualidade, esteja ela onde estiver, puxando cada vez mais pela nossa formação.
- Concluídos Estádio e Centro de Estágio, o Museu é a última grande obra de que o Benfica precisa?
- Não. Vamos, por um lado, ampliar o complexo do Seixal com mais dois ou três campos e mais uma bancada no campo número um. Por outro lado, e voltando à questão da memória, vamos desenvolver uma estrutura de apoio para os nossos ex-atletas que por qualquer infelicidade tenham necessidade desse apoio. Foram esses jogadores que fizeram a história do Benfica e nos trouxeram até aqui, agora devemos ser nós a dar-lhes o apoio que alguns deles precisam. E quero que essa estrutura ou «casa» de apoio, se preferir, seja no Seixal, para eles poderem estar próximos das novas gerações de jogadores, para poderem transmitir aos novos a memória do Clube. Espero que até meados de 2013 o projecto possa dar entrada na Câmara do Seixal. Finalmente, quero dar aos sócios um espaço de convívio com todas as comodidades na estádio da Luz. Como disse atrás, o Benfica é um projecto que nunca se completa. Portanto, quem sabe se daqui a quatro anos não estaremos a falar de outra grande obra.

FPF SEM CHEQUE EM BRANCO
- Como avalia o primeiro ano de Fernando Gomes na liderança da FPF?
- Faço, essa avaliação regularmente, não a vou revelar, mas posso dizer-lhe, e o Presidente da Federação Portuguesa de Futebol sabe-o, que não dou cheques em branco e sou exigente quando está em causa a verdade e a transparência no futebol.
- Acredita que a Liga supere as dificuldades de financiamento com que se debate?
- Tenho esperança que assim aconteça e todos nós, clubes, temos de nos envolver para encontrar soluções.
- O Benfica tem uma hegemonia nacional cada vez mais vincada nas modalidades. A política seguida é para continuar?
- Nas modalidades, tal como no futebol, foi necessário recuperar tudo desde a base e a verdade é que os resultados começam a aparecer. Quero ganhar em todas as modalidades, creio que temos condições e ambição para o fazer.


«Afirmações de Proença sobre os observadores têm de ser investigadas»
AINDA A ENTREVISTA DE PEDRO PROENÇA A A BOLA E O REPTO QUE É LANÇADO À JUSTIÇA DESPORTIVA
-Esta época tem havido mais paz na arbitragem portuguesa?
- Quando os resultados não ficam ligados a erros da arbitragem é normal que assim seja. Mas fico preocupado quando numa entrevista a este jornal, Pedro Proença reconhece que há jovens árbitros que não conseguem subir devido a alguns lobbies, o que é uma afirmação grave. Mas há outra frase de igual gravidade, quando o mesmo árbitro reconheceu que há observadores que não têm qualidade. Vou citar: «Observadores? Ninguém entende que um má prestação tenha uma boa nota.» Estas afirmações - e outras feitas, na mesma entrevista, por Pedro Proença, de igual gravidade - têm de ser investigadas porque não foram feitas por nenhum dirigente, foram feitas por um árbitro internacional. E a verdade em relação aos observadores é que na temporada passada árbitros com erros gravíssimos tiveram boas notas dos respectivos observadores. Isso é normal? Claro que não! Quer um exemplo? O jogo Académica-Benfica! São estas denúncias que devem ser investigadas se queremos que o nível do futebol português suba.
- E o que sentiu quando Pedro Proença reconhece que não se fez justiça no Apito Dourado?
- Isso é aquilo que todos os portugueses sentiram, qualquer que seja a cor do clube. A inocência de alguns, declarada em alguns tribunais deste país, é a maior fraude da justiça portuguesa, mas isso é uma história que algum dia será contada. Não sei se será daqui a 5, a 10, ou a 20 anos, mas algum dia se vai saber quem foram os juízes e as verdadeiras razões que tiveram para ignorar as provas que tinham à sua frente. Infelizmente parece que o bode expiatório de tudo isto acabou por ser o Boavista, mais fácil de condenar e que serviu para tapar muita coisa...
- Tem preferência por algum árbitro para o Benfica-FC Porto?
- Tenho. Um que seja competente, que não prejudique  Benfica e que não venha depois pedir desculpa pelo erro, porque nessa altura já é demasiado tarde Creio que não é pedir muito. O último Sporting-Benfica provou que os árbitros portugueses sabem apitar.

«A actual crise do Sporting? O Benfica estava bem pior...»
O PRESIDENTE DO BENFICA LEMBRA A SITUAÇÃO DE SEU CLUBE EM 2000 QUANDO VILARINHO CHEGOU AO PODER
- A crise desportiva e financeira que está a passar o Sporting é má para a industria do futebol, no seu todo?
- O Sporting faz falta com certeza, mas as crises podem ser oportunidades, depende da vontade e da capacidade de quem enfrentar as crises. Veja o caso do Benfica quando Manuel Vilarinho aqui chegou. Esse Benfica pós Vale e Azevedo, do ano 2000, não tem comparação com este Sporting. Estava bem pior e, no entanto, conseguimos recuperar a grandeza, a credibilidade, as infra-estruturas, as finanças... Lá está, fizemos de um gravíssimo problema uma oportunidade. A solução está sempre nas mãos de quem dirige.
- Os clubes, especialmente os que têm mais adeptos, não deviam encontrar mais plataformas de entendimento, para bem de todos?
- Ficaria surpreendido se lhe dissesse a quantidade de reuniões que os representantes dos clubes, nomeadamente o Sporting, o FC Porto e o Benfica têm, de coordenação, em matérias especificas  As estruturas profissionais dos clubes, independentemente desse trabalho não chegar ao vosso conhecimento.

AS CADEIRAS ARDIDAS E O SMS DE GODINHO
- O Sporting já pagou ao Benfica o valor das cadeiras que arderam no derby da época passada?
- Lamentavelmente não e já lá vai mais de um ano. Isto sim é um problema sério que deveríamos resolver, o tempo que demora a justiça desportiva. Entre recursos para trás e para a frente e outras manobras processuais, a verdade é que aqueles que já deviam ter pago continuam sem o fazer. Isto devia ser motivo de reflexão para os responsáveis da Liga e da Federação.
-Se Godinho Lopes tivesse encontrado em contacto directo consigo, teria sido possível que o último Sporting-Benfica fosse adiado 24 horas?
- Acho que já se perdeu demasiado tempo com isso e não vou contribuir mais para esse folclore.
- Mas o Presidente do Sporting tentou falar consigo, mandou o tal SMS?
- Duas frases e depois nem mais uma palavra sobre o tema: Houve muitos intermediários durante todo o dia e a todos disse o mesmo: ele que me ligue! Não o fez e apenas enviou o SMS quando a Liga já tinha comunicado a decisão de manter o jogo para o dia e hora que estava agendado. A história resume-se a isto. Como pode ver, o Sr. Godinho Lopes nunca me ligou!


«Nunca me arrependi de ter contratado Jorge Jesus»
VIEIRA APRECIA O TRABALHO DE JESUS MAS DIZ QUE AINDA NÃO É A HORA CERTA DE FALAR DE RENOVAÇÃO
- Jorge Jesus, que está a meio da quarta época consecutiva, é o melhor treinador do Benfica desde Eriksson?
- Já ultrapassou várias marcas de Eriksson, ainda há outras por ultrapassar, mas o que interessa é que é um treinador sério e trabalhador que já nos deu muitas alegrias, que formou jogadores. Mas também é justo dizê lo que Jesus beneficiou de uma estrutura que poucos treinadores têm em Portugal e de um investimento em jogadores que nuca antes o Benfica tinha feito. Portanto, nunca ninguém ganha nada sozinho, o sucesso é sempre o fruto do trabalho de equipa.
- Jorge Jesus só renova se for campeão nacional? Ou admite que ele não fique mesmo sendo campeão?
- Este não é o tempo para analisar essa questão e não será seguramente nos jornais. O que posso dizer é que até hoje não me arrependi da decisão que tomei de o contratar.
- Um estudo recente revelou que Jesus é o 14.º treinador mais bem pago da Europa (valores em bruto). É um investimento que tem sido rentável para o Benfica'
- Um jogador ou um treinador podem ganhar pouco e serem extremamente caros e, ao contrário, podem ganhar muito e serem um bom investimento. Jorge Jesus trouxe estabilidade, fizemos boas campanhas a nível europeu, valorizou jogadores... É evidente que quando assinei esse contracto os tempos eram totalmente diferentes. Hoje estamos mergulhados numa crise tremenda que nos obriga a gerir com muita contenção e rigor e todos temos de estar conscientes disso. Os tempos mudaram radicalmente.


«Novo Museu Cosme Damião será um dos melhores do Mundo»
DENTRO DE DOIS MESES LUÍS FILIPE VIEIRA CUMPRIRÁ UMA DAS PROMESSAS QUE FEZ AOS BENFIQUISTAS
- O Museu Cosme Damião, a inaugurar no dia do 109.º aniversário do clube (28 de Fevereiro de 2013), o que representa para si?
- Em primeiro lugar significa que cumpri a palavra, uma vez que tinha prometido aos sócios que o faria. Em segundo lugar é o culminar de um processo de anos, fizemos o Centro de Documentação e o Centro de Restauro que são fundamentais para o Museu e só depois é que avançamos para o Museu.
- O que devem esperar os benfiquistas deste novo espaço?
- Mais uma vez foi um projecto estruturado e por isso é que vai ser um  dos melhores do Mundo. Vai ser um projecto que vai surpreender e que é destinado não apenas aos benfiquistas, mas a todos os portugueses.
-Qual a mensagem que pretende que o Museu passe?
- A mensagem é clara: não podemos ter futuro se não cuidarmos do passado, isso para mim sempre foi claro. Mas sabia que o Museu só poderia ser construído depois de resolver e apagar os incêndios maiores que encontramos quando aqui chegámos.
- Onde têm estado guardados os troféus do Clube?
- A verdade é que era uma dor de alma ver os nossos troféus armazenados sem quaisquer condições nas caves do estádio. Esses dias, felizmente, chegaram ao fim. Sempre quis que este clube recuperasse a sua memória. É muito importante que os benfiquistas tenham memória e o Museu vai funcionar precisamente como memória do clube.
- O Museu Cosme Damião representou um investimento importante e deverá haver por parte da Direcção algumas expectativas quanto às receitas que irá gerar...
- Quanto a receitas, creio que a principal será o reconhecimento dos nossos sócios e adeptos pelo trabalho realizado nesta obra. Essa é a receita que eu, pelo menos, mais valorizo.

«Cuidado que há fundos... e fundos»
O LÍDER ENCARNADO ENTENDE QUE A UEFA NÃO PODE COLOCAR TODOS OS FUNDOS NO MESMO SACO...
- A UEFA quer criar medidas que impeçam os clubes de ceder partes dos passes dos jogadores a terceiros (fundos). É uma medida positiva ou prejudicial para os clubes?
- Depende. Estaria de acordo em limitar os fundos que ninguém conhece e cuja a origem é muitas vezes duvidosa. Mas no nosso caso, fizemos o Benfica Stars Fund com total transparência, com a aprovação e debaixo da supervisão da CMVM.
- A UEFA sabe disso?
- Explicámos tudo isto à UEFA que não nos levantou nenhum obstáculo, excepto dizer que o dinheiro gerado pelo futebol tinha de ficar dentro da indústria do futebol. Eu pergunto: será que os juros que todos os clubes europeus pagam pelos seus empréstimos bancários ficam dentro da indústria do futebol? Ou pelo contrário alimentam a indústria bancária? Será que os dividendos distribuídos pelos clubes aos seus accionistas ficam dentro da indústria do futebol? Ou servem para remunerar adequadamente o capital investido, independentemente de onde ele vem?
- Está, pois, contra a medida da UEFA, nos termos em que tem sido anunciada?
- Não tenho dúvidas em afirmar que se trata de uma medida discriminatória, pouco sustentada, meramente política e contra os países mais pequenos e que têm conseguido dar cartas na Europa. Acho que a UEFA devia reconhecer que há Fundos e Fundos...

Rui Costa tem muitas qualidades
Há uns anos, Luís Filipe Vieira afirmou que via em Rui Costa qualidades para vir a ser, um dia presidente do Benfica...
«Continuo a dizer... que Rui Costa tem muitas qualidades, e por isso integra esta equipa, mas sei que também há outras pessoas com enormes qualidades e com vontade de servir o clube... poucos meses depois de ser reeleito este não é, nem deve ser, um tema... dependerá da avaliação pessoal que o Rui e as outras pessoas fizerem quando esse momento chegar».

Estoril antes do FC Porto
(...)
«todos os jogos são decisivos para o Campeonato, por isso é que antes do Porto temos de nos concentrar no Estoril».
Quanto à partida com os dragões...
«têm sempre uma carga emocional diferentes, mas de nada adianta ganhar esse encontro se a seguir não fizermos bem o nosso trabalho de casa. Porque todos os jogos são importantes e todos os jogos vão servir para definir o vencedor da Liga»."

Entrevista de José Manuel Delgado, a Luís Filipe Vieira, in A Bola


Voando sobre as Aves !!!


Benfica 6 - 0 Aves

O Benfica voou, e o Aves nem um pé conseguiu levantar...!!! O caminho para o Jamor continua aberto...
Bom treino para o Estoril, o jogo que realmente interessa, deu para rodar alguns jogadores com menos minutos, e até deu para testar alguns jogadores fora das suas posições...

 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

A hipótese

"Houve há dois anos uma transferência futebolística que deixou meio mundo pasmado. Refiro-me a Tiago Manuel Dias Correia, ex-jogador do Vitória de Guimarães, mais conhecido pela afectuosa alcunha de Bebé. Trata-se de um jovem avançado que, embora nunca tivesse jogado um minuto que fosse na Liga Portuguesa, foi transferido para o Manchester United, ao que se escreveu, por nove milhões de euros. Acresce que Sir Alex Ferguson tornou a operação ainda mais extravagante ao ter revelado tê-lo contratado sem nunca o ter visto jogar.
No seguimento do actual pseudo-defeso invernal, parece que finalmente Bebé vai poder jogar na Liga ao serviço do Rio Ave, depois de ter experimentado, sem êxito, o Besiktas, no meio de uma prolongada lesão e da alguma indisciplina (parece ser o fado de jogadores portugueses em terras otomanas).
Enquanto Bebé vai, muda e volta, vim lendo, recorrentemente, notícias sobre as severas dificuldades financeiras por que vem passando o clube de onde foi transferido para Inglaterra. Assim como, amiúde, leio referências à notável proficiência do seu empresário Jorge Mendes.
Tudo visto e revisto, pergunto-me? Onde está a lógica de todo este negócio? O que se passou afinal?
Nestas alturas lembro-me de uma frase que uma vez li a propósito do significado do vocábulo hipótese. Diz assim: «hipótese é uma coisa que não é, mas que a gente faz de conta que é, para ver o que seria se fosse.»
Talvez esteja aqui a explicação: na hipótese. E, como no teorema de que é parte, bom seria que tudo terminasse com a expressão latina. Quod erat demonstrandum, mais conhecida pela aportuguesada sigla CQD."

Bagão Félix, in A Bola

Patifaria feita a José Cardinal tem de ser punida

"Tal como nunca poderá cair no esquecimento aquilo (tanto!) que o famigerado processo Apito Dourado pôs a nu perante todo o país - indesmentível a visita de árbitro a casa de presidente de clube na semana em que estava nomeado para jogo desse clube!; indesmentível, e inesquecível, o que milhares ou milhões ouvimos nas célebres escutas que vieram a não ter validade judicial... -, também no impropriamente chamado caso Cardinal não poderá ser feita tábua rasa. Basta de regabofe! Os autores de tão graves actos têm de ser punidos. No tribunal. Para o julgamento da opinião pública, bem se tem visto como se estão nas tintas.
Depositar dinheiro (no caso, dois mil euros) na conta bancária de árbitro em vésperas do jogo em que ele irá actuar é... abjecto! Gravíssima manobra: por visar vir a denunciá-lo - ou pressioná-lo... - como corrupto.
O mentor de tamanho patifaria teve azar; porque José Cardinal teve a sorte de ir ao multibanco; verificando a conta acrescida por inexplicada/suspeita verba, logo informou o Conselho de Arbitragem que o substituiu no jogo em causa (Marítimo-Sporting). Se apenas depois do jogo tivesse dado pelo depósito (em dinheiro, num balcão), estaria metido no enorme sarilho pretendido por tão brutal artimanha.
Imperioso não se repetir a incompetência processual que levou ao absurdo arquivamento do Apito Dourado!
Estranhíssimo: tendo os primeiros dados apontado a manobra contra José Cardinal proveniente de alguém ligado ao Sporting (clube impoluto no Apito Dourado), por que carga de água o Sporting não se fez assistente no processo, nem de imediato nem até hoje?"

Santos Neves, in A Bola

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Mensagem Presidencial de Ano Novo (a mais importante...!!!)

"Caros benfiquistas,
O ano de 2012 foi um ano difícil, duro do ponto de vista económico, complicado do ponto de vista social e é evidente que essas dificuldades se vão agravar de forma acentuada em 2013.
Nesse sentido e tal como prometido na recente campanha eleitoral estamos a estudar algumas medidas que permitam aos nossos sócios e adeptos continuar a vir ao estádio, continuar a pagar a suas quotas, continuar a manter a sua ligação ao Clube.
O bilhete de família foi uma das primeiras medidas que já tomámos, outras serão implementadas durante o próximo ano. Uma das coisas mais importantes para o Benfica é manter a sua ligação aos sócios, é ter o estádio cheio, é manter o clube próximo das pessoas. Porque tudo isto só faz sentido desta maneira.
O desafio que hoje começa é, possivelmente, um dos maiores e mais difíceis que tive de assumir nos meus mandatos, mas também estou certo que, mais uma vez, vamos dar o exemplo e voltar a inovar, como temos feito até aqui.
As dificuldades não me intimidam. Pelo contrário estimulam-me, como já provei ao longo dos últimos 12 anos, e desta vez não será diferente.
Temos muito trabalho pela frente, mas neste primeiro dia de 2013 queria garantir a todos os benfiquistas que vamos dedicar o melhor do nosso esforço para alcançar o sucesso quer seja no futebol ou nas modalidades, quer seja na formação ou nas equipas profissionais.
Essa é a garantia que aqui posso deixar.
Quero dedicar uma palavra final para o trabalho desenvolvido pela nossa Fundação.
Centenas de crianças, de norte a sul, continuam a receber o nosso apoio, quer seja a nível académico, alimentar ou de saúde. A Fundação Benfica, desde que nasceu, assumiu um papel relevante a nível social e assim vai continuar, num tempo em que cada vez mais crianças sofrem da exclusão provocada pelas tremendas dificuldades económicas.
Termino como comecei: 2013 vai ser um ano difícil, mas apesar de tudo estou optimista nas capacidades dos portugueses e sei que todos juntos vamos conseguir superar essas dificuldades.
Um bom ano para todos os benfiquistas e para todos os portugueses."

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Voando Alto em 2013, em direcção aos títulos...


Um Glorioso e festivo ano de 2013, para todos os nossos fiéis seguidores... que os nossos desejos se tornem realidade.

A data do V. Setúbal-FC Porto: um presente de Natal?

"1. O calendário de uma competição tem um valor acrescido para o seu regular desenrolar. Num momento em que o tempo rareia para a realização de jogos, a instituição de regras quanto ao calendário revela-se fundamental e cada situação patológica deve merecer resposta precisa.
Compreende-se, com facilidade, que o Regulamento de Competições da Liga aborde este tema com profundidade e de forma minuciosa, oferecendo respostas para situações que não são normais. É que qualquer alteração à data de realização de um jogo não só afecta os intervenientes como se projecta nos outros participantes na competição e ainda nas outras competições que decorrem em paralelo.
O que não se concebe, em vista das normas que existem e dos múltiplos interesses envolvidos, é que a Liga decida marcar um jogo violando as suas próprias normas. É o que ocorre com o jogo a realizar, a 23 de Janeiro de 2013, entre o V. Setúbal e o FC Porto.
2. Como é do domínio público, o jogo encontrava-se agendado para o passado dia 14. Porém, não se veio a realizar devido às condições do estado do terreno.
Na imprensa recolheram-se alguns dados. Para os presidentes dos dois clubes, "em princípio", o jogo seria "agendado para 23 de Janeiro". Por outro lado, uma notícia na página do FC Porto dava conta de que os clubes acordaram apresentar, no dia 17, nova data.
Deste cenário é pelo menos possível duvidar que os delegados ao jogo tenham, no respectivo Boletim do Encontro, assentado, desde logo, a data de 23 de Janeiro.
3. O tempo passou e, por bem discreta informação da LPFP (de 18), constata-se que o jogo foi mesmo marcado para esse dia, o que é manifestamente irregular.
Com efeito, resulta "clarinho" que os jogos adiados no decurso da primeira volta têm de ser realizados obrigatoriamente no decurso das quatro semanas que se seguirem à data inicialmente fixada para o jogo, salvo casos de força maior devidamente comprovados e reconhecidos por deliberação da Comissão Executiva (artigo 19.º, n.º 2 do RCLPFP). Ora, não se vislumbra nenhum "caso de força maior", nem ele é invocado na decisão da Liga. O leitor chegará à conclusão de que a data de 23 de Janeiro excede o prazo referido.
4. A questão, todavia, pode não se quedar por esta irregularidade e, nesse caso, as consequências são bem gravosas. Advirta-se que vamos entrar num melindroso domínio de análise, mas que não afasta a validade das dúvidas.
5. No RCLPFP, quando ocorra uma situação como a do dia 14, existe uma regra clara: o jogo realiza-se, no mesmo estádio, dentro das 30 horas seguintes (artigo 22.º, n.º 1).
Esta regra comporta duas excepções. Uma, a da realização de um jogo das competições da UEFA na semana seguinte, que não tem aplicação no caso concreto. A outra exige que os delegados dos clubes declarem, no Boletim do Encontro, o seu acordo para a realização em outra data. Isto é, naquele momento, naquele documento oficial, tem que constar, desde logo, a data concreta, não sendo regulamentarmente possível deixar a marcação dessa data para momento posterior.
Partindo do pressuposto de que, nesse boletim, não existe nenhuma data estabelecida, a regra adquire a sua força natural.Ou seja, abreviando, o jogo em causa deveria ter sido realizado nas 30 horas seguintes.
6. Aqui chegados, as consequências para os dois clubes podem ser gravosas, sempre a analisar em procedimento disciplinar, não sendo de descurar a necessidade de examinar uma eventual falta de comparência.
7. Pois é, isto do desporto profissional, das competições profissionais, exige acrescidas cautelas e os erros podem custar caro. Muito caro."

domingo, 30 de dezembro de 2012

Mal menor...


Moreirense 1 - 1 Benfica

Não consegui ver o jogo - aqui pelas minhas bandas a Crise é uma coisa subjectiva, tal o tamanho das hordas invasoras, atrás do ouro dos tolos, para bem da minha carteira, mas impedindo-me quase de respirar!!! Mas isso são conversas para outras alturas... -, por isso só posso comentar o resultado.
Numa altura onde o Benfica tem o calendário carregado, apostar em praticamente todos os titulares, faz pressupor que o objectivo de hoje era a vitória, para assim assegurar imediatamente o 1.º lugar no grupo, para que na 3.ª jornada - na recepção à Académica -, não houvesse nada para disputar - além da honra claro -, já que no fim-de-semana seguinte, recebemos na Luz os Corruptos... Portanto, o objectivo não foi conseguido, e até tivemos alguma ajuda com o empate no Académica-Olhanense!!!
Mesmo assim estamos à frente, e o futuro nesta competição está nos nossos pés... mas é preciso ter muito cuidado no jogo com a Académica: ao nível do desgaste dos jogadores, e na folha disciplinar...!!! A prioridade é, e continua a ser o Campeonato...

O curioso é que vendo as imagens no resumo, fico com a ideia que o golo do Moreirense é em fora-de-jogo  - apesar da 'certeza' contrária do jornaleiro da TVI...!!! -, e mesmo jogando mal - acreditando nas crónicas... -, falhámos um penalty, logo no início da segunda parte, que podia ter mudado o jogo... Já agora os dois penalty's marcados a favor do Benfica são evidentes, digo mesmo demasiado evidentes... até para se fazer um pseudo-escândalo... Se alguém deve ser criticado é o jogador do Moreirense que pensava estar a jogar Futebol Americano!!!
Mas a grande notícia arbitral do dia foi o penalty marcado - evidente - contra os Corruptos!!! Uma verdadeira raridade !!! Temo pela carreira do árbitro!!! O fiscal-de-linha que marcou o penalty que deu o empate ao Benfica, também não terá um futuro promissor, penso eu de que...!!! E transportando as teorias de conspiração Madrilenas, posso especular que o Otamendi deve se estar a sentir muito discriminado neste momento: «Então o Alex Sandro joga a bola com as Mãos, o Rolando também, e eu não posso?!!! Isto deve ser discriminação contra os Argentinos!!!» 

Força Fluvial

"Nas bancadas das piscinas do Clube Fluvial Portuense, observando a descendência a deslizar pelas “águas” que (outrora noutro local) me ajudaram a formar como homem, gizava o tema para esta crónica. Eram várias as possibilidades.
1) Poderia ser a monumental propaganda da FPF à volta da alegada extinção do “problema Totonegócio” com o pagamento de 11 milhões de euros ao Fisco – ficando por elucidar como se resolverão os restantes 22 milhões em falta (sendo que quase 20 deles responsabilizam a Liga e os clubes profissionais) e a influência que o pagamento agora feito pela FPF pode ter na debilitação da posição jurídica que a Liga e os seus associados sustentam atualmente nos tribunais com a Administração Fiscal. Ou seja, fica na penumbra a estratégia da atual FPF para ter nome decisivo no obituário a prazo da Liga e dos seus associados.
2) Ficamos ainda a saber que, na próxima oportunidade em que Moutinho, Patrício ou Martins sejam punidos pelo Conselho de Disciplina, o presidente da FPF dará naturalmente o seu apoio…
3) Ainda na FPF, falta decifrar as razões do escândalo que constitui hoje o “custo” dos recursos para o Conselho de Justiça: 3.000 euros para os agentes da 1.ª Liga, 2.500 euros para a 2.ª Liga!… E, perante a grosseira debilitação da garantia de impugnação, o que faz o Estado-delegante dos poderes desportivos públicos?
4) Também me chamara a atenção uma sentença da Comissão Disciplinar da Liga francesa: um jogador do Montpellier – o campeão em título – foi suspenso por um ano, depois de ter agredido o repórter do “L’Équipe”, acreditado para o jogo com o Valenciennes, na zona mista reservada à imprensa. Pelos vistos, a altercação envolveu vários outros colegas de equipa, sendo um outro punido com 2 jogos por “intimidação”. Resultado mais grave: fratura do nariz depois de um murro na face. Reação do clube: condenação pública veemente do ato, pedido de desculpas e anúncio de consequências internas para o jogador. Não consta que alguém, em França, tenha defendido, em nome da absolvição ou da suavização do castigo do agressor, que o jornalista José Barroso deveria ser tratado como um… espectador!
Mas para quê desenvolver tudo isto quando o mais importante era o que estava à minha frente? O terceiro clube mais antigo do país – onde nós, milhares, treinámos horas e mais horas, onde a “luta contra o relógio” foi para mim uma escola de vida – caíra no estrangulamento e ressurge nas mãos da coragem e do orgulho. O “Flu” vai conseguir. E isso é muito mais importante do que tudo o resto em que pensara!"

Cuidado, Platini

"Ou «Cuidado com Platini»
Por esta altura, já todos percebemos que Platini é aquilo a que os americanos chamam um "maverick": um rebelde cujas ações e pensamentos são ditados pela sua própria consciência, em vez de pela norma ou por eventuais grupos de pressão. Acresce que se trata de um ex-jogador dos maiores que o futebol conheceu, pelo que a sua paixão pela modalidade dificilmente poderá ser posta em causa. Mas provoca-me, mesmo assim, sentimentos contraditórios.
Quando o ouço dizer que sente asco de quem investe no futebol com intuitos lucrativos, reforçando logo a seguir a urgência da proibição da partilha da propriedade de passes de jogadores ou a necessidade de agravar ainda mais as penas para os infratores do chamado "fair play financeiro", já me entusiasmo menos do que quando o ouço atacar o Olho de Falcão ou a ideia de utilizar árbitros estrangeiros em jogos das ligas nacionais. Platini pode ser um "maverick", mas não pode andar à rédea solta.
Quer moralizar a modalidade? Faz bem. Quer devolver-lhe o cariz de jogo de família, gerido por voluntários em comissão de serviço cívico? OK. Mas o futebol empenhou-se durante muitas décadas em construir o edifício sobre o qual assenta a sua sobrevivência. Mudar, tudo bem. Mas devagar. Mudar à "blitzkrieg", como os alemães chamaram à sua guerra-relâmpago, pode ser o suicídio da modalidade e será pelo menos o homicídio de muitas das suas forças motrizes. Há que dar-lhes a oportunidade de se reconverterem."

Boxing Day à Portuguesa

"História do dia 26 de Dezembro na 1.ª divisão nacional

O Boxing Day é uma invenção dos ingleses do pós-guerra, desde 1946. Em Portugal, adopta-se antes disso, em 1943. É a quinta jornada do campeonato nacional, com 30 golos em cinco jogos, entre o clássico FC Porto-Benfica (2-2, com 2-0 até aos 76 minutos).
No Lumiar, o Sporting esmaga o Salgueiros por 10-0 com hat-trick de Peyroteo, enquanto o Olhanense não lhe fica muito atrás (8-0 ao Vitória de Setúbal, com hat-trick de Cabrita). Nas Salésias, 4-1 do Belenenses ao Vitória de Guimarães e na Tapadinha (por interdição do Santa Cruz) a Académica perde 2-1 com o Atlético.
O Boxing Day só volta ao nosso calendário em 1965, com outro clássico (FC Porto-Sporting 1-1), no dia em que o Benfica empata nos Arcos depois de ter estado a perder por 4-1. Vale Eusébio, autor do 4-4 aos 87 minutos. E chegamos a 1971, ano do último Boxing Day à portuguesa.
Nesta 13.ª jornada, só Belenenses-CUF (1-1) e Benfica-Vitória de Guimarães (3-0) antecipam os jogos para antes de Natal. De resto, é tudo no dia 26: U. Tomar-Académica (2-1), Barreirense-Atlético (2-1), Boavista-Leixões (1-3) e Beira-Mar-Farense (1-1).
Deixámos de propósito os grandes para o fim. No Bonfim, um bis de José Torres na primeira parte aniquila o FC Porto (2-0). Já o Sporting despacha o Tirsense em Santo Tirso com categoria (5-3, hat-trick de Yazalde). E pronto, aqui está a história… Não, afinal não. Há mais um Boxing Day, apenas um jogo. A 26 de Dezembro de 1982, na Póvoa, prolongam a 14.ª jornada, iniciada a 3 de Outubro (Alcobaça-Marítimo, 0-0) e só concluída a 2 de Janeiro (Amora-FC Porto 2-1 e Sporting-Benfica 1-0).
Pelo meio, o Varzim-Rio Ave. Os locais adiantam-se por Valdemar (25’) e dilatam a vantagem por André (53’), que se sagraria campeão europeu e mundial no FCP. Aos vila-condenses só lhes resta o golo da consolação, pelo guineense N’Habola (87’).
Agora sim, está fechado o capítulo do Boxing Day à portuguesa. Em Inglaterra, não se pára desde 1946. Uma tradição é para se manter, certo?"

sábado, 29 de dezembro de 2012

Activos com valor sentimental

"A imprensa madridista não se cansa de alertar a 'afición' merengue para a probabilidade de Iker Casillas abandonar o Santiago Bernabéu. Como se não bastasse a tensão entre Mourinho e Casillas, veio agora a 'Marca' jurar a pés juntos que há mais de dois meses que Casillas não troca uma palavra com Silvino, o treinador dos guarda-redes.
Para o ex-director-desportivo argentino Jorge Valdano, que Mourinho não demorou a despachar quando chegou ao Madrid, o caso Casillas é fácil de explicar: o treinador português limitou-se a produzir, em benefício próprio, uma “exibição de poder com peso profundo” quando sentou Casillas no banco em Málaga. Com tantas achas na mesma fogueira, resta apenas adivinhar se o presidente do Real Madrid vai esperar pelo fim da temporada para substituir o treinador ou se, num assomo de mau humor, nem vai dar a José Mourinho a possibilidade de ganhar a Liga dos Campeões.
E como Mourinho, certamente, adoraria atirar o troféu de sonho à cara da multidão de detractores que não lhe dão descanso desde que o Barcelona começou a dilatar de modo absurdo a vantagem no topo da Liga espanhola.
Confiemos em que Mourinho sabia o que estava a fazer quando se resolveu meter com Casillas, um jogador-referência nascido e criado no clube e com uma ligação muito especial com os adeptos como acontece, por todo o mundo, com jogadores que são referências dos seus clubes.
No Sporting, por exemplo, Daniel Carriço é um desses casos. Trata-se de um produto da formação do clube que chega ao final do seu contrato no próximo Verão podendo considerar-se um jogador livre para assinar por quem quiser por incúria dos dirigentes do Sporting que não souberam acautelar os interesses do clube em tempo próprio.
Na sua edição de quinta-feira, o 'JN' dava conta do interesse do Benfica em Carriço a custo zero e, naturalmente, a notícia indispôs os adeptos do Sporting que não gostam da ideia de ver o rival levar-lhes um 'activo' de valor sentimental. Francamente, penso que não há lugar para preocupações, amigos sportinguistas. Carriço, tal como Centurión e Fariña também dados como certos no Benfica, ainda nos vão proporcionar grandes surpresas. Ou pequenas, como preferirem.

ERRAR É HUMANO
A mensagem subliminar da fruta
A agência de comunicação que trabalhava com Godinho Lopes pôs-se a milhas em prol, provavelmente, do seu bom nome profissional. É compreensível que a Cunha Vaz & Associados não se queira ver associada à imagem do presidente do Sporting em genicoso “toureiro pronto para todas as faenas” ou quando se faz fotografar como Jesus Cristo em cena pascal rodeado de apóstolos atléticos e vigorosos. 
Depreende-se que a agência de comunicação que trabalhava com o Sporting foi alheia aos últimos desvarios presidenciais. Não terá sido Cunha Vaz a inspirar Godinho Lopes no seu afã tauromáquico nem terá sido Cunha Vez o inimputável Leonardo da Vinci da “Última Ceia” com que o jornal do clube fez manchete na sua edição do Natal. Antes que os sintomas em roda-livre se agravem, a agência de comunicação desertou e ninguém lhe poderá levar a mal, conclui-se.
Ficaram, no entanto, duas questões prementes no ar: quem será a bestial luminária que consegue sentar o presidente com os apóstolos sem que ninguém de senso lhe ponha um travão? A segunda questão é esta: como é possível que a APAF, sem pronta a defender os árbitros, não se tenha insurgido contra os inenarráveis arranjos com fruta em cima da mesa pascal? Ninguém leva a sério 'este' Sporting, conclui-se também.

POSITIVO & NEGATIVO
+ Aimar de volta - O n.º 10 do Benfica está recuperado e, se não houver recaídas, poderá ser o grande reforço de Inverno para a equipa de Jorge Jesus. Pablo Aimar esteve de baixa prolongada. Regressará em alta?
+ David em cheio - David Luiz vai-se afirmando como uma referência do Chelsea. Na goleada frente ao Aston Villa, o ex-benfiquista até jogou a médio e marcou um golo espectacular na transformação de um livre directo.
- Meireles culpado - Demoraram mas apareceram as imagens de Raul Meireles cuspindo na cara do árbitro no clássico Galatasaray-Fenerbahçe. E muito tem de agradecer o internacional português a benevolência da justiça turca.

PÉROLA
“Espero que o campeão seja o FC Porto.” Marcos Rojo, jogador do Sporting
Nas redes sociais, o argentino Rojo ganhou o prémio de jogador mais completo de 2012 a actuar em Portugal. Foi-lhe atribuído por unanimidade não fosse ele o primeiro futebolista a atingir um estatuto único: joga no Sporting, marca golos (na própria baliza) pelo Benfica e torce pelo FC Porto. É obra."

A história triunfal do "Hércules do Cartaxo"


"Nicolau e Trindade, Trindade e Nicolau, os nomes entraram a par na história do Desporto português: o Benfica-Sporting das estradas e dos caminhos. José Maria Nicolau foi a figura mais emblemática que passou pelos selins e rodas pedaleiras com uma camisola vermelha vestida.

Nicolau não é uma estampa de atleta. É uma Hércules tosco: muito forte mas sem recorte escultural. Não é um espadáudo: tem antes um tronco cilíndrico, um cilindro de enorme diâmetro... Talvez pelo hábito da máquina - nos instantes de absoluto desprendimento é um nada corcunda... Um quase nada: a consequência natural da curvatura sobre o guiador. Nota dominante: um olhar firme, sereno, forte... e franco. Fala com facilidade, naturalmente. O campeão do Cartaxo é uma companhia agradável, e um homem querido na sua terra: é o Nicolau p'rá'qui, é o Nicolau p'rá'colá...
Esta era a figura mais emblemática que passou pelos selins e pelas rodas pedaleiras com uma camisola vermelha vestida: José Maria Nicolau, o émulo eterno de Trindade, de quem Carlos Silveira, o velho repórter da insquecível Stadium, traçava o retracto que publicamos em epígrafe.
Nicolau e Trindade, Trindade e Nicolau, os nomes entraram a par na história do Desporto português, parece terem-se ternado indissociáveis num sprint de gémeos que os entreteve até ao fim das vidas.
Nicolau nasceu no Cartaxo, lá pelos idos de 1919, viria a morrer em 1969, a 26 de Agosto para sermos mais exactos. Tinha uma oficina perto de um lugar chamado Retiro das Curvas e, segundo as crónicas da época, uma alegre casinha tão modesta quanto ele, como cantaria a Milú no Costa do Castelo. Não acreditam, ora leiam: «O herói do Ciclismo nacional habita uma casinha pequena, de porta e janela, muito caiada, com uma sala de visitas que é um brinquedo - e um confidente: muito realçadas, numa exposição onde a mão envaidecida de esposa amiga dispôs em estética risonha, quase todas as Taças e 67 das medalhas ganhas (...)».
Uma carreira de vitórias que se iniciou num célebre Lisboa-Cartaxo disputado a 1 de Setembro de 1929. Chegou em 5.º, mas logo aí se viu que estava fadado para ser um grande. Numa equipa benfiquista na qual se distinguem nomes como Gil Moreira, Julião Pinheiro, António Barata, Carlos Domingos Leal, Manuel Dias Afonso e Artur Dias Mais, Nicolau destacava-se pelo enorme poder físico que exibia e que lhe garantiu a primeira grande vitória, precisamente na Volta a Portugal, que teria em 1931 a sua II Edição. A festa durou semanas. E os seus conterrâneos do Cartaxo foram buscá-lo a Setil levando-o em cortejo até à porta de casa, confirmado também como rapidamente se tornara um caso raríssimo de popularidade.

Casal de bácoros no quintalinho...
São os seus anos de ouro. Entre 1931 e 1934 vence tudo o que havia para ganhar nas provas velocipédicas portuguesas: o Porto-Vigo; o Porto-Lisboa; o Campeonato de Portugal; as 12 Voltas à Gafa; o Lisboa-Bombarral-Lisboa; o Campeonato de Fundo, encerrando com nova vitória na Volta a Portugal. 1935 marca o ano do seu declínio. Assolado por mazelas, que já o tinham impedido, no ano anterior, de participar no 'raid' Lisboa-Paris, desiste a meio da Volta e a marca dos anos deixava em si o seu vinco impiedoso  O Hércules perdia a força.
Homem de vida tranquila, registavam-se-lhe os hábitos serenos. Assim como os descrevia Carlos Silveira: «Às 7.00 horas levanta-se. Toma café com muito leite e vai trabalhar até ao meio-dia. Almoça geralmente uma fornida bacalhoada com batatas e volta à lide até às 19.00 horas... Às 23.00 horas, pouco mais, pouco menos, está deitado. Na época dos treinos, dia sem dia não, faz os seus 50 quilómetros. (...) Gosta de vir a Lisboa. Chega a fazer o trajecto de ida e volta no mesmo dia... e sempre de bicicleta. Nicolau é homem caseiro. Não é modesto a fingir: mas gosta do seu quintalinho, onde há pombos brancos, coelhos, um casal bácoros... e alecrim. Há dias comprou uma motocicleta, lançando o pânico entre os seus adeptos. 'Ciclista de moto é homem ao mar'. Afinal vendeu-a logo. E estejam os admiradores sossegados: não pretende comprar outra».
Corriam desse modo os dias de glória de José Maria Nicolau. Que nunca realizou, no entanto, o sonho da Volta a França. Onde encontraria o seu ídolo, o francês Leduc, e as grandes estrelas de então, Falk Hansen, Scherens, Guerra, Pelissier... Sem sonho mas com lembrança. Que aqui fica. Mais uma..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Injusto


Benfica B 0 - 1 Freamunde

Jogo de sentido único: Benfica a atacar, e o adversário - fraco, mas com a corda na garganta... - com um aproveitamento de praticamente 100% !!! Mesmo sem jogar bem o Benfica não merecia ser derrotado. Jogou-se melhor na 1.ª parte, do que na 2.ª. Continua a notar-se as ausências de alguns jogadores, desta vez reforçada com alguns jogadores nas suas Selecções, e outros convocados para a equipa A...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A velhice do papa eterno

"Está decrépito o papa eterno. Tão decrépito como o seu colega padre da Guerra Junqueiro. Balbucia em vez de falar. Solta incompreensíveis desatinos que deveriam fazer rir mas que fazem apenas sentir pena. Ou nem isso. Poucos lamentam a velhice do papa eterno. Poucos sentem misericórdia da sua decadência. Não uma decadência moral, porque o papa eterno é amoral. Sempre foi. Nada nele obedeceu às regras da civilização e da sociedade. Pelo contrário. O papa eterno foi, ao longo da sua mais do que longa vida, um espúrio irremediável e irreversível. Dobram ao longe os sinos. A sua decadência é física, visível, palpável. Careca, desdentado, rugas fundas rasgam-lhe a fronte néscia, pelancas espalham-se-lhe pela cara hedionda que provoca desconfiança e nojo. Fede.
Não fede de podridão do corpo, embora essa podridão seja tão autêntica como a outra, a podridão dos princípios que lhe vem do berço. Ainda assim reclama um espaço largo na atenção dos vivos, mesmo que nas suas costas aqueles que se dizem seus amigos, seus seguidores, seus apóstolos, afiem as adagas curvas que rasgarão o que lhe sobra de carne e quebrarão os seus ossos frágeis.
Olhamos para a sua figura deprimente, ordinária, baixa, e não há quem sufoque uma casquinada irónica. Do homem que nunca foi resta um amontado grotesco de inconveniências. O que diz não são palavras: é baba. Há nessa baba raiva, uma raiva enlouquecida. A baba enlouquecida de um boi no curro que sabe que o seu destino se levanta na ponta de uma bandarilha cruel, ali em frente, na arena inevitável da vida. E o toureiro não terá piedade...

P.S. - O Azeiteiro-da-Cabeça-d'Unto continua a falar, a falar, a falar, a falar. Vanitas vantitatum et omnia vanitas, é a primeira frase de Eclesiastes. Vaidade das vaidades e tudo é vaidade. Uma vaidade ridícula!"

Afonso de Melo, in O Benfica

2013 com títulos (no plural)

" «Há na parte mais ocidental da Ibéria, um povo muito estranho, não se governa nem se deixa governar.» Terá sido assim que no século III a.c. um general romano de seu nome Galba se referia aos Lusitanos, nossos antepassados. Podem ter vindo mais Suevos e Visigodos, mais Muçulmanos e outros povos, mas a nossa gente permanece basicamente assim em tudo o que tem de bom e de mau.
Enquanto em Inglaterra os adeptos se deliciam com bom futebol do boxing day, por cá houve-se dislates e impropérios. Nuns casos ralham uns com os outros, noutros, como o Sporting, talham dentro da mesma casa. Nem a quadra de Natal suaviza a nossa natureza.
Esta semana devolve-nos o futebol. Domingo, o Benfica vai a Moreia de Cónegos jogar para a Taça da Liga. O Moreirense (tem cinco ataques piores, sete defesas mais batidas, e já apeou o Sporting da Taça de Portugal) é melhor que o lugar que ocupa no Campeonato.
Quarta-feira, o Desportivo das Aves, que se mantiver a posição que ocupa será de primeira divisão em cinco meses, é um obstáculo de respeito.
Este mês de Janeiro tem um calendário louco para o Benfica. Na Taça da Liga, qualificação para a meia-final. Na Taça de Portugal, Aves na Luz e Académica em Coimbra são o caminho para as meias-finais rumo a um Jamor esquecido no tempo. No campeonato, são quatro jogos, com três saídas (Estoril, Moreirense e Braga) e uma recepção ao FC Porto.
É óptimo ter tantas dificuldades e tantos objectivos, aumentam a nossa ilusão, reforçam a nossa vontade e capacidade de ganhar títulos. Mas essa ilusão, vontade e capacidade terão que ser habilmente geridas para não ficarmos à mercê de um qualquer general romano de ocasião...
2013 vai entrar com a certeza de que a época poderá terminar de forma excelente para todos os benfiquistas, com títulos... no plural."

Sílvio Cervan, in A Bola

2012, um balanço

"Chegados aos últimos dias de mais um ano, é altura de recordar aquilo que ele nos trouxe - quer de bom, quer de menos bom, quer, sobretudo, de ensinamentos úteis para o futuro.
Para o Benfica, pode dizer-se que 2012 foi genericamente positivo. É verdade que não fomos campeões nacionais de futebol - não nos deixaram sê-lo…-, mas essa foi a única lacuna num ano recheado de êxitos. Não podemos esquecer que estivemos entre os oito melhores da passada Champions League (só uma infeliz carambola de resultados nos afastou da presente edição), nem que conquistámos, uma vez mais, a Taça da Liga, nem que chegámos a esta altura da nova época invictos, na liderança do Campeonato principal, e com francas possibilidades de regressar ao Jamor.
No Verão, conseguimos realizar negócios do outro mundo, com as vendas dos passes de Javi Garcia e Witsel por valores irrecusáveis, e sem que tais ausências se reflectissem sobremaneira no rendimento colectivo da equipa (méritos ao treinador). E aí estamos nós, carregados de legítima esperança para os meses que se avizinham.
Nas modalidades conseguimos fazer história, alcançando títulos nacionais de Futsal, Basquetebol (este em circunstâncias particularmente saborosas), Hóquei em Patins (colocando ponto final num longo jejum) e Atletismo, entre muitas outras vitórias e troféus – dos quais se destaca, já na corrente temporada, uma inédita colecção de cinco (!) Supertaças.
Também no Futebol Formação alcançamos sucessos, quer por via do título de Iniciados, quer pelo elevadíssimo número de jovens benfiquistas chamados às respectivas selecções nacionais, quer, ainda, pelo surgimento de nomes como André Gomes na órbita da equipa principal.
Em termos institucionais, as eleições ocorridas em Outubro, para além de responderem afirmativamente à nossa antiga tradição democrática, trouxeram a clarificação necessária para prosseguirmos na rota do reencontro com a nossa história.
Temos hoje mais e melhor Benfica. Estamos no caminho certo. 2013 espera por nós."

Luís Fialho, in O Benfica

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Da necessidade de agradar ao patrão

"Ao fim de trinta anos de graçolas e desaforos, talvez tenha chegado a hora de embrulhar em papel de celofane os contentores de 'ironia do costume' e devolver uma graça de cada vez

JÁ lá vai o Natal, mais um. No nosso país pararam os campeonatos ficámos entregues ao Boxing Day. Para os ingleses «tempo é dinheiro» - é mesmo um provérbio deles - e não há melhor altura para os clubes fazerem muito dinheiro do que esta com as famílias reunidas, britanicamente prósperas, dirigindo-se em grupos festivos até aos campos de futebol e pagando entradas.
Nós por cá nesta época não temos nada disso. No que diz respeito à prosperidade e à bola, entenda-se. No entanto fomos, uma vez mais, bafejados pela sorte. Do Natal ao Ano Novo, sem penaltis para discutir, as agendsa informativas da imprensa deleitaram-nos com as aventuras e desventuras de um compatriota nosso, basicamente designado como um burlão de cinco estrelas, a quem não faltaram fotografias de primeira página e aberturas de telejornais neste seu corrente período de fama.
Um burlão assim, pelo Natal, era o que mais vinha a calhar para distrair as famílias e para deixar em paz outros burlões mais qualificados e perigosos para o bem público. Chega de política, vamos mas é à bola.
Sem jogos não há penaltis não há árbitros e morrem todos os assuntos. Enfim, há assuntos que nunca morrem mesmo sem haver jogos. Não morrem, pura e simplesmente, porque não os deixam morrer. Pedro Proença, por exemplo, já se disponibilizou publicamente para arbitrar o Benfica-FC Porto que vem aí. E só isso perturbou o Natal de muitas famílias benfiquistas sendo que o árbitro em causa pertence a essa mesma grande família benfiquista.
- Vamos levar com o Proença no Benfica-FC Porto? - ouvi-se com preocupação em muitas Consoadas vermelhas.
- Diz que gostava.
- Se o Setúbal-Porto não tivesse sido adiado já não levávamos com ele.
- Teorias da conspiração!
- Então nem se fala mais do assunto.
- O Zé Guilherme de Aguiar diz que estamos nervosos.
- Diz que sim.
- Já provaste as rabanadas?
- Diz que estão muito boas.
Deixemos este pobre assunto em paz e sossego e regressemos a outras políticas mais comezinhas desta época festiva. Tomemos o exemplo de Helton, o guarda-redes brasileiro do FC Porto que, convenhamos, é uma simpatia. Helton já leva muitos anos em Portugal e no FC Porto e sempre se mostrou como um tipo tranquilo, bem-disposto e baterista nas horas vagas o que só atesta em seu favor.
Nunca se ouviu Helton falar com menosprezo ou acinte de emblemas, equipas ou jogadores adversários. Agora o bom do Helton viu o seu nome envolvido num despique verbal entre os presidentes do Benfica e do FC Porto e isto porque o presidente do Benfica, chateado com os três-penalties de rajada que reverteram em benefício aparente do adversário, se lembrou de dizer que o dito adversário estava autorizado pelos árbitros a jogar com dois guarda-redes.
O presidente do FC Porto deu uma resposta distraída considerando «idiota» a ideia de se poder jogar com dois guarda-redes. Uma resposta pífia, muito longe dos fulgores da proverbial «ironia do costume». Por ser boa pessoa, sentiu-se Helton na necessidade de suprir a falhada competência do patrão e, de preferência, com substâncias que lhe pudesse agradar.
E saiu-se com esta:
- O ideal era jogarmos com três guarda-redes.
E respondeu-lhe logo o presidente do Benfica.
- Em Paris tinam dado jeito três guarda-redes - gracejo cruel que Helton foi forçado a ouvir quando ainda está bem presente na memória de todos o grande frango que o simpático guarda-redes deu no Parque dos Príncipes no jogo com o Paris-Saint Germain a contar para a Liga dos Campeões.
Recordo que há muitos anos, era Silvino o guarda-redes da selecção nacional e teve também um espectacular instante de infelicidade dando um frango de considerável proporções num jogo no Estádio da Luz não me lembro contra que adversário. Noruega? Escócia? Adiante...
Silvino era guarda-redes da selecção e era também o guarda-redes do Benfica e o seu momento aziago não escapou então à mordacidade do presidente do FC Porto que teceu um ou dois comentários jocosos sobre o assunto.
Na altura não gostei. Achei cruel fazer pouco de um azar de um jogador, para mais um jogador ao serviço da selecção nacional, a «equipa de todos nós». E isto passou-se muito antes, décadas antes, de o presidente do FC Porto ter passado a preferir a selecção da Colômbia, como sugeriu Paulo Bento, o actual seleccionador nacional.
Gozar com o guarda-redes da selecção nacional só por ser também guarda-redes do Benfica pareceu-me uma coisa tão feia e deseducada como, imagine-se, se Luís Filipe Vieira se tivesse lembrado de gozar com João Moutinho e com Bruno Alves por terem sido eles, dois jogadores ligados ao FC Porto, a falhar as grandes penalidades decisivas no desempate com a Espanha na meia-final do último Europeu.
Mas quando Pinto da Costa fez pouco de Silvino toda a gente, excepto os benfiquistas e o próprio Silvino, achou muita graça. Era a triunfante «ironia do costume» a dar os primeiros passos.
Por tudo isto também não gostei de ouvir Luís Filipe Vieira lembrar a Helton, tão publicamente, o jeito que lhe teria dado mais dois colegas de posto, preferencialmente deitados um sobre o outro em cima da linha de golo, naquele seu momento infeliz no Parque dos Príncipes.
Mas foi assim que o presidente do Benfica respondeu ao guarda-redes do FC Porto e agora já não há nada a fazer. Já ao presidente do FC Porto, respondeu o presidente do Benfica de modo diferente, mais assertivo e contundente. Gozos entre presidentes aceitam-se. São coisas entre pares. Não há empregados envolvidos. A única diferença neste último episódio é que foi o presidente do Benfica que teve direito à última palavra.
Perguntaram-lhe se queria comentar as afirmações de Pinto da Costa sobre a polémica dos dois ou três guarda-redes e Vieira surpreendeu com a resposta:
- Rainha Isabel? Não comento.
Muito bem, Luís Filipe Vieira. Foi um momento de nonsense muito britânico, uma piada surreal com a vantagem das piadas surreais: é que se torna muito difícil responder à letra.
Perante isto, só resta desejar longa vida à rainha de Inglaterra.
Curiosamente, há muitos, muitos anos, era João Santos o presidente do Benfica e os seus adversários, quer os internos quer alguns externos, tratavam-no por rainha Isabel, como quem dizia que o presidente mandava pouco e era mais uma figura de estado.
Pode ser que isso seja o início de uma nova era. Ao fim de trinta anos de graçolas, contumélias, desaforos, biscas e dichotes, talvez tenha chegado o momento de embrulhar em papel de celofane todo esse carregamento de contentores de «ironia do costume» e começar a devolver à procedência uma graça de cada vez.
Pode ser que sim. Que aconteça. De qualquer maneira, eu só acredito quando ouvir o presidente do Benfica dizer que não comenta um qualquer dito do presidente do FC Porto « por respeito aos seus cabelos branco».
Porque foi assim que, certa vez, Pinto da Costa, muito mais jovem, comentou um qualquer desabafo de João Santos, ao tempo em que este era presidente do Benfica e tinha os cabelos longe daquela brancura consentânea com a sua vetusta idade. Lá está. Isto ainda vai dar a volta.

ENTRE o Natal e o Ano Novo não foi só Helton a sentir necessidade de agradar ao patrão. Também Rojo, o argentino que chegou este Verão ao Sporting, anunciou ontem através de uma entrevista ao Jogo os seus votos para 2013:
- Espero que o campeão seja o FC Porto.
Olha, Rojo, com um bocadinho de sorte ainda consegues lugar no contentor de Inverno que vai seguir para o Dragão.
Mas será que o Sporting já acabou?"

Leonor Pinhão, in A Bola

O melhor de 2012

"Há dias, pediram-me para indicar o melhor do futebol em 2012. Exercício sempre difícil, conflituante dentro  de nós, e com a memória decrescente com o passar dos meses. Mesmo assim arrisquei as escolhas:
MELHOR JOGO DO ANO:
- Chelsea 5- Manchester United 4: um hino ao futebol com golos, emoção, perfeita simbiose entre jogo e espectáculo. Só mesmo na Inglaterra!
- D. Corunha 4 - Barcelona 5: o melhor do Barça com uma notável reacção galega.
- Benfica 3 - Porto 2 (Taça da Liga): escolhendo um jogo cá, este é o eleito: bem jogado, aberto, sem truques, belos golos.

MELHOR GOLO DO ANO:
- Z. Ibrahimovic (Suécia-Inglaterra): um chápeu notável de fora da área e de costas para a baliza (escolhi apenas este porque simboliza tudo o que gosto num golo: táctica, estética, surpresa, movimento.

MELHOR JOGADOR DO ANO:
- L. Messi: o mais completo, o mais discreto, a melhor individualidade para reforçar um quase imbatível colectivo e o recordista de golos num só ano.
- Cristiano Ronaldo: o mais fulgurante, o mais rápido, a individualidade que resolve jogos mesmo sem o colectivo.
- R. Van Persie: o mais elegante a jogar, inteligente, letal e meticuloso.

MELHOR TREINADOR DO ANO:
- Pep Guardiola: competência, discernimento elegância de trato, ideólogo de um futebol de uma completa densidade colectiva.
- Vicente Del Bosque: campeão do Mundo e da Europa. Um treinador afável, rigoroso, anti-moda. O exemplo da sabedoria integral.
- Jorge Jesus: inesgotável capacidade de transformar jogadores banais e inadaptados em jogadores brilhantes e polivalentes. A (parte positiva) da conta de resultados do SLB deve-lhe muito..."

Bagão Félix, in A Bola 

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

As remontadas encarnadas

"As estatísticas valem o que valem. Às vezes nada, outras muitas vezes muito, quase sempre algo.
Nesta temporada, verifica-se uma série muito significativa de remontadas nos jogos do Benfica. A saber: Beira-Mar (de 0-1 para 2-1), Paços de Ferreira (de o-1 para 2-1), Marítimo (de 0-1 para 4-1), Sporting (de 0-1 para 3-1), Olhanense na Taça da Liga (de 0-1 para 2-1) e ainda duas parciais, Braga (de 1-2 para 2-2) e Académica (de 1-2 para 2-2).
Ora aqui está uma constatação do que há muito não se via pelas bandas encarnadas. Com a circunstância de que o resultado é quase sempre virado na 2.ª parte.
Creio não estar errado se disser que tal tendência evidencia:
a) boa preparação física que se torna mais evidente à medida que o tempo de jogo se esgota;
b) capacidade demolidora de um ataque que vai minando as últimas forças do adversário;
c) saúde mental e psíquica de jogadores bem orientados numa base de confiança e de responsabilidade;
d) boa gestão das múltiplas componentes do treino;
e) inteligente rotação de jogadores, incluindo os da equipa B.
Aproxima-se agora a fase crucial da gestão do desgaste e das várias expressões da fadiga: jogos relevantes no campeonato à mistura com a Taça de portugal, Taça da Liga e... Bayer Leverkusen. Espero que seja a comprovação da boa saúde da equipa, ainda que nem todos os factores sejam controláveis. A propósito da Taça de Portugal, a Federação volta a insistir no infeliz modo algo de a salamizar e desvirtuar. Basta olhar para o absurdo calendário das meias-finais a duas mãos: 30 de Janeiro e (imagine-se!) 17 de Abril. E com a final ainda sem data..."

Bagão Félix, in A Bola

Caixa de conforto

"A justiça federativa sofreu esta semana novo revés muito sério, ao ser conhecida a acusação do Ministério Público ao dirigente que terá simulado, de forma bem canhestra, o suborno de um árbitro assistente.
As conclusões são devastadoras para a FPF, que tão rápida e estranhamente tinha indultado o suspeito, em contraste com outras sentenças bem pesadas, como as recentemente aplicadas a dirigentes por declarações avulsas.
Ao jeito da insólita ingerência do presidente da FPF no castigo aplicado por outra Federação a um jogador da selecção, são cada vez mais irreprimíveis as derivas discricionárias dos titulares de cargos directivos, que se precipitam em conclusões em função da importância ou afinidade com os emblemas envolvidos.
As confusões entre administração e justiça são doenças crónicas do futebol nacional, a partir de uma intrigante falta de consideração pela jurisprudência, plasmada em critérios desiguais para situações idênticas. Por exemplo, os castigos ao Boavista e ao FC Porto no processo Apito Dourado, em que o peso específico de cada um dos prevaricadores se reflectiu nos castigos, com intransigência para os pequenos e indulgência para os poderosos, de acordo com o espírito que atravessa hoje toda a sociedade portuguesa.
Também neste caso, envolto num pesado manto de silêncio, o futebol se prepara para pagar o amadorismo dos agentes disciplinares, perante a inevitabilidade de recolocar o clube do Bessa na 1.ª Liga, com graves consequências nos planos desportivo e financeiro, que talvez só um alargamento poderá resolver. Mas não é a dificuldade de obtenção de prova contra a corrupção desportiva que pode justificar a caixa de conforto em que, com toda a ligeireza, a Federação colocou o responsável pela tentativa de assassinato de carácter de um dos seus principais árbitros."

Força Nelson...

Foi só Amor !!!

O corporativismo mafioso é um dos grandes males deste País à beira-mar plantado, mesmo antes de se saber o que se passou, põe-se as mãos no fogo, pelas criaturas mais bizarras (para não dizer outra coisa...), unicamente porque são nossos conhecidos!!! Eu já assisti a este tipo de histórias tantas vezes: onde se jura a pés juntos uma coisa, para que dias depois as imagens provarem exactamente o contrário... curiosamente no futebol em Portugal, os agressores - pseudo-vitimas de cabalas monstruosas!!! -, estão sempre ligados à mesma organização criminosa... Mas também tenho a certeza que alguém irá encontrar uma qualquer explicação para os gestos e atitudes do coitadinho do Máreles, e digo mesmo, se fosse o Jorge Sousa - final da Taça da Liga no Algarve -, ou o Proença, ou mesmo o Benquerença nada se tinha passado!!! Depois de tudo o que foi dito, em defesa do Máreles, por tanta gente ilustre, o silêncio que se ouve neste momento, é assustador!!!
Créditos: Henrique Monteiro



A saída de Jesus

"Se há treinador que tem justificado reconhecimento público pelo trabalho que tem desenvolvido esta época, é Jorge Jesus. O treinador do Benfica tem sabido estar à altura das exigências do clube, e depois de ter perdido Javi García e Witsel – dois jogadores fundamentais, na última época, nas manobras do meio-campo – soube encontrar boas soluções que para já têm conduzido o vice-campeão nacional para as vitórias que lhe garante o primeiro lugar na Liga. Vitórias com goleadas, o que tem outro impacto, e com um futebol que nunca perde de vista o espectáculo  Tivesse Jorge Jesus outra forma de estar no futebol – menos fanfarrão ou mais sóbrio, se preferirem, para lá de um melhor jogo de palavras – e o seu talento seria muito mais evidente. Mas não se pode ter tudo. A vitória, esta época, na Liga portuguesa é a sua única saída para não desbaratar o seu capital.
O que mais aprecio no seu trabalho é a forma como consegue retirar o melhor rendimento da qualidade técnica de cada um dos seus jogadores. Num plantel como o do Benfica, construído por muitos e bons jogadores – afinal o segredo do futebol está aí –, uns destacam-se pela técnica (quase todos), outros vão bem de cabeça (Cardozo, essencialmente, mas também Luisão), há aqueles que rematam bem fora da área (Lima e Bruno César, é estranho a sua pouca utilização, atendendo ao seu potencial), e ainda há outros que são rápidos nos flancos (Ola John e Salvio). E é precisamente neste capítulo que Jorge Jesus é fortíssimo, ensinando a desfrutar e a tocar, a tocar a pensar no golo, a criar e a marcar. O que tem sido muito bem assimilado pela equipa, se atendermos aos 32 golos marcados na Liga em 12 jogos, o que é muito bom. 
Jorge Jesus tem tido pois muito mérito no percurso do Benfica, não só no crescimento e na venda de jogadores como essencialmente na afirmação da equipa, mas se tudo isto é muito bonito não chega se não for acompanhado pelos títulos que lhe têm faltado. Basta lembrar que Jorge Jesus só ganhou um campeonato no Benfica e esta já é a sua quarta época, e, como todos sabemos, não é possível estar na Luz três anos seguidos sem ganhar a Liga.
Assim sendo, este é o seu ano com uma margem de erro igual a zero, o mesmo é dizer, de toda a pressão, e ele sabe bem disso. Se é para continuar ou não no Benfica só no fim é que se saberá, pois o poder de qualquer treinador depende quase em exclusivo dos resultados. Se Jorge Jesus perder a Liga é preocupante, e se a perder para o FC Porto de Vítor Pereira ainda mais preocupante será se atendermos ao seu orgulho profissional. Portanto, só lhe resta ganhar ou ganhar…"

Demagogia em português

"Se os clubes nacionais têm de apostar em jogadores portugueses, os jogadores portugueses também têm de apostar nos clubes nacionais?
Joaquim Evangelista disse ontem que Jorge Jesus "fala muito e deve praticar mais", quando afirma ter mais confiança nos jovens do clube do que em jogadores como o mexicano Reyes, contratado pelo FC Porto. O presidente do Sindicato dos Jogadores foi mais longe, acrescentando que "no que diz respeito aos jogadores portugueses não bastam as palavras" e que a aposta neles "é uma obrigação de Jorge Jesus e de todos os treinadores portugueses". Ora, Joaquim Evangelista exagera. Por excesso de zelo em relação aos jogadores que representa, certamente, mas exagera desde logo porque, como é evidente, as obrigações de Jorge Jesus e dos restantes treinadores portugueses são, em primeira instância, para com as respetivas entidades patronais.
A obrigação de Jorge Jesus é ganhar jogos e títulos para o Benfica, de preferência apostando no desenvolvimento dos jovens do clube. Se eles forem portugueses, tanto melhor. Depois, se cedermos à demagogia e admitirmos que os treinadores e os clubes nacionais têm a obrigação de apostar nos jogadores portugueses, teremos de perguntar se os jogadores portugueses também têm a obrigação de apostar nos clubes portugueses. Se, por exemplo, em vez de forçarem a saída para mercados mais rentáveis, mas muitas vezes desportivamente menos ambiciosos - como Chipre, por exemplo -, têm a obrigação de aceitar ganhar menos para ficarem por cá e contribuírem para o desenvolvimento do futebol português."

Sem adesão do público futuro será sombrio

"A crise económica e financeira que tem assolado Portugal será, com toda a certeza, responsável por retirar dos estádios muitas pessoas que, em condições normais, gostariam de assistir aos embates da principal competição futebolística nacional. No entanto, essa não será a única explicação para justificar os números registados após as 12 primeiras rondas da Liga.
Como sempre, os dados são consideravelmente afetados pelo facto histórico de só termos entre nós três clubes denominados grandes e – pior que isso – por não existir uma verdadeira identificação entre as populações fora de Lisboa e Porto e os clubes das respetivas regiões. Guimarães e Braga são exceções que confirmam a regra.
Com 95 partidas já realizadas – o V. Setúbal-FCPorto da derradeira ronda foi adiado, devido às más condições atmosféricas que também contribuiriam para uma assistência residual –, a média de espectadores está abaixo dos 10 mil (9.256), um registo que quase todos os clubes das melhores ligas da Europa superam.
Aliás, olhar para as médias de Alemanha (42.109), Inglaterra (35.614), Espanha (29.869), Itália (22.007), França (19.279) ou até Holanda (18.980), chega para ter a certeza de que, em Portugal, a maioria dos emblemas se encontra numa situação que, no futuro, acabará por ter consequências. Como resistirá, por exemplo, um clube como o Nacional que, sem ter muitos associados, apresenta um total de 7.184 espectadores após 6 jogos realizados em casa, à média de 1.197? E não se pense que o caso dos insulares é único. Beira-Mar, Estoril, Moreirense e P. Ferreira também ainda não acumularam 12 mil espectadores, enquanto Rio Ave (13.957) e Olhanense (16.821) estão só ligeiramente acima.
Como tem sido normal, a visita dos grandes funciona como um autêntico balão de oxigénio para a maioria dos participantes na Liga. No entanto, esta época, a má prestação do Sporting está a constituir um problema adicional. É que vendo a equipa render pouco, muitos adeptos leoninos têm desistido de marcar presença nos jogos fora. Os números dizem-nos que em quatro das seis deslocações, os verdes e brancos jogaram em estádios com menos de 4.500 espectadores.
Feitas as contas, o Benfica é o clube com mais assistência no seu recinto e no total dos jogos realizados, enquanto o Sp. Braga é a equipa que reuniu mais pessoas na condição de visitante, muito por culpa de já ter jogado na Luz e em Alvalade. De resto, saliente-se que na última jornada cinco jogos tiveram menos de 1.500 pessoas. Assim, o futuro é sombrio..."

Recorde europeu

"Segundo relata O Jogo, alegadamente o diário mais próximo do FC Porto, o dragão «contabilizou na época 2011/12 encargos monstruosos de quase 18 milhões (17,94) com serviços de intermediação na compra, venda e renegociação de passes de jogadores - um montante superior ao de qualquer clube da Premier League»! Em vez de « monstruosos» eu diria escandalosos. Os números são extraídos do relatório dos agentes de futebol que operam nas cinco maiores Ligas europeias. De facto, se olharmos para o Chelsea de Abramovich, vemos que gastou 107 milhões em compras e pagou seis milhões de comissões; ou  para o Man. City do xeque Mansour que despendeu 62 em aquisições e desembolsou 13; ou para o PSG de emir El-Khelafi que consumiu 146 em reforços e não foi além de 14 em prémios de agenciamento. Como é que se explica, então, este recorde europeu de 18 milhões de um clube português? Será que os agentes com quem o FC Porto trabalha usam tabelas mais caras?
É finito o tempo em que os clubes formavam as suas equipas a partir dos escalões jovens. É finito o Milan de Baresi, Maldini, Costacurta, Albertini, Amobrosini... do mesmo modo é finito o Man. United de Giggs, Xcholes, Beckham, Butt e os irmãos Neville. Não tiveram sucessores porque, depois da sentença Bosman, os clubes seguiram outros caminhos. O Barcelona, pelo contrário, optou pelo rumo que havia conferido sucesso não só ao Milan e Man. United mas também ao Honved, ao Ajax, ao Real Madrid... Recentemente contra o Levante, os 11 jogadores que terminaram a partida provinham todos dos juniores. Sinal evidente de que a formação compensa e o futuro está nela."

Manuel Martins de Sá, in A Bola

Cobaia em Belém

"A facilidade com que a direcção do Belenenses alienou quase metade das acções representativas da “sua” SAD (estrangulada financeiramente) à “Codecity Sports Management”, seguida pelo lançamento de uma OPA (Oferta Pública de Aquisição) sobre as restantes acções susceptíveis de serem alienadas, traz a lume uma das matérias em que a nova lei das SAD que se anuncia deveria ter investido com mais vigor.
É verdade que algo se avança no que respeita à impossibilidade de uma “entidade dominante” de uma sociedade desportiva ter mais do que 10% do capital de outra sociedade desportiva concorrente – isto é, algo a restringir a dimensão da “pluralidade de controlo” de várias SAD pelo mesmo sujeito na mesma competição. E não se deixa de confirmar a regra actual: os accionistas em mais do que uma SAD só podem exercer os seus direitos numa dessas SAD.
Porém, faltou investir na identificação dos sócios (directos e indirectos) das sociedades que adquirem “capital” das sociedades desportivas, de maneira que se possa fiscalizar quem verdadeiramente manda nas sociedades que avançam para o domínio dos clubes-SAD. Aqui reside o instrumento para defraudar as limitações da lei, escondendo-se o “sócio controlador de facto” de várias sociedades sob a fachada de múltiplas outras sociedades em cascata.
O pior cenário é a possível concentração material do “domínio de facto” de várias sociedades desportivas, participantes nas mesmas competições, nas mesmas ou em poucas mãos. O cenário piorará quando essas mesmas sociedades ou sócios “encobertos” (fundos, nomeadamente) são titulares de “direitos económicos” sobre uma panóplia de atletas, dispersos pelos vários clubes dominados ou controlados pelo mesmo “sujeito”… Um perigo à solta!
Por outro lado, ainda, ficou por aprofundar a matéria das “incompatibilidades” e da “suspensão temporária legal” dos administradores e gerentes das SAD, nomeadamente para estabelecer a comunicação entre os comportamentos perpetrados na prova e a função de gestor. É incompreensível, por exemplo, que algumas sanções disciplinares graves infligidas a dirigentes não se repercutam no exercício do seu cargo na SAD: não deveria um administrador suspenso por período igual ou superior a 6 meses ficar inibido de exercer funções no seio da SAD; não deveria a suspensão de administrador, ainda que em diversos processos, por período igual ou superior a 12 meses, ser causa de incompatibilidade para a assunção (ou manutenção) do cargo de administrador?
Talvez na próxima se perceba que é destes assuntos que viverá a credibilidade futura das competições. Talvez…"