"Por mais rotação que faça, o rendimento do Benfica não tem flutuações. Os encarnados deram mais uma prova da profundidade do plantel em Chipre e alcançaram frente ao Omonia a terceira vitória em três jogos na Liga Europa (4-1).
Claudio Echeverri foi o 28º jogador titular com Marco Silva e Anísio Cabral tornou-se o 33º utilizado pelo técnico
Claudio Echeverri tornou-se o 28º jogador diferente a ser titular no Benfica esta época. A tamanha democratização do acesso ao onze é uma prática pouco generalizada. Para efeitos de comparação, o Sporting e o FC Porto deram acesso à equipa inicial a apenas a 21 e 20 jogadores, respetivamente. De Miguel Figueiredo a Tomás Araújo, têm existido oportunidades espalhadas pelo balneário para que todos as possam encontrar.
Nem todas as peças têm encaixes universais para se unirem àquilo que têm ao lado. A beneficência de Marco Silva para com o plantel poderia romper ligações e comprometer a homogeneidade dos desempenhos, mas o Benfica tem a coordenação de uma orquestra. Com todos ao mesmo ritmo, os encarnados já ultrapassaram a fase da assimilação de uma ideia de jogo e estão agora a desenvolver alternativas. As sete mudanças introduzidas contra o Omonia em nada dificultaram o acesso à terceira vitória na fase principal da competição.
Mesmo com uma fórmula inédita, o meio-campo do Benfica foi um laboratório de química. Na elaboração do golo inaugural, os três elementos mostraram um notável entendimento dos espaços. Fredrik Aursnes caiu sobre a direita e foi lançado por Manu Silva, mais posicional. O cruzamento teve a intromissão de Echeverri, embora os créditos por ter colocado a bola dentro da baliza tenham recaído em Loïc Nego, defesa do Omonia.
Os cipriotas, que sofreram pela primeira vez na prova, são uma equipa impertinente e capaz de reduzir o volume atacante do adversário. Em vantagem, o Benfica foi paciente na procura de agredir novamente o conjunto comandado pelo norueguês Henning Berg. Os remates de longa distância eram a única maneira de o Omonia assombrar Trubin.
Um momento de supressão do rigor defensivo perturbou os encarnados, que contavam chegar na frente ao intervalo e não foram capazes de o fazer. A ousadia do setor recuado do Benfica expôs Alexander Bah à entrada de rompante de Jaden Montnor nas suas costas. O extremo livrou-se do dinamarquês e, com toda a última linha das águias ainda a reorganizar-se, premiou o surgimento de Andronikos Kakoulis na zona que devia ser vigiada por Souffian El Karouani.
Claudio El Diablito Echeverri adotou uma postura intrépida e foi imaginando apenas as consequências positivas dos seus riscos. O desamarrado jovem argentino alavancou o Benfica com a ânsia de causar uma boa impressão na estreia a titular. Quando decidiu flutuar do associativismo para um estilo mais direto, tirou um cruzamento que deixou três companheiros na cara do guarda-redes. Vangelis Pavlidis foi o mais lesto a bater Fabiano, ex-FC Porto.
O Omonia exigia uma certa atenção com as transições. Quando Aursnes também faturou, percebeu-se o motivo para os campeões de Chipre serem tão económicos na quantidade de passes. Uma ambiciosa tentativa de sair a jogar dentro da grande área permitiu a recuperação ao médio, que não desperdiçou a oportunidade.
A ponta final do jogo do Benfica foi uma demonstração da profundidade que tem vindo a evidenciar. As contas de um jogo já decidido foram fechadas por Gianluca Prestianni, após trabalho de Dodi Lukebakio. O banco de onde ambos saltaram rendeu o 4-1. Além disso, Anísio Cabral somou minutos pela primeira vez com Marco Silva ao substituir Pavlidis, que ainda atirou ao poste. Foi o 33º jogador utilizado pelo técnico esta época. Os recursos parecem não ter fim."

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