Últimas indefectivações

domingo, 30 de dezembro de 2018

Benfiquismo (MXLIX)

Golo...

2019!

"Dificilmente Rui Vitória reconquistará adeptos só pelos resultados. E mais dificilmente ainda os reconquistará pelo discurso

Nem mesmo um mau resultado, esta sexta-feira, na Vila das Aves, num jogo que é para a Taça da Liga, e que conta, portanto, para a parente ainda pobre das competições nacionais, tira razões aos benfiquistas para, apesar de tudo, fecharam 2018 com um sorriso bem menos amarelo do que na verdade se estava à espera. A goleada sobre o Braga foi realmente uma espécie de Pai Natal benfiquista que madrugou pela chaminé da Luz na tarde de 23 de Dezembro e levou particularmente a Rui Vitória uma consoada bem mais tranquila do que o próprio Rui Vitória estaria, provavelmente, a pensar ter, sobretudo tendo em conta o novelesco folhetim em que se viu e de algum modo quis ver-se envolvido quando, depois de levar cinco do Bayern, esteve quase, quase despedido e foi, por fim, apenas agarrado pelo presidente, num momento que facilmente ganharia no futebol o prémio confusão do ano.

O que sucedeu com o Braga foi uma goleada verdadeiramente inacreditável para quem se habituou a ver nos últimos meses o Benfica a ir delapidando o seu talento como equipa e a perder capacidade de competir a um grande nível.
O Benfica - Braga foi mesmo um jogo estranho na medida que andava mal e tudo mal a um Braga que andava bem. Fez o Benfica quase tudo ao contrário do que vinha fazendo e fez na realidade o Brava bem menos do que nos tinha mostrado na maioria das jornadas anteriores.
Já se sabe que há quase sempre dois pontos de vista em jogos com resultados desta natureza. Há os que defendem que o verdadeiro mérito foi do Benfica, porventura a maioria, mas nunca faltam os que resolvem reduzir o derrotado à menor das expressões e atribuir-lhe a total responsabilidade do resultado.
Nem oito nem oitenta. O Benfica jogou surpreendentemente bem, sim, mas apenas bem; e o Braga acabou esmagado pela tremenda eficácia dos encarnados - sempre que tentou reagir não foi capaz de equilibrar.
É bom lembrar, aliás, que podia o Braga ter feito o 1-1 por mais de uma vez; que sofreu o 0-2 quando estava mais próximo do nível do Benfica e o 3-0 logo no arranque da segunda parte, reduzindo três minutos depois para tentar reentrar no jogo e sofrendo novo golo (4-1) apenas mais três minutos decorridos. O golpe final.
Depois, em quatro minutos, o Benfica faz 5-1 e 6-1 e o Braga rende-se à inesperada evidência de ver o Benfica ser premiado com a lotaria de Natal.
Do lado dos encarnados, deu para tudo, até deu para Grimaldo fazer um golo com o pé direito e André Almeida um com o pé esquerdo, naquele que foi uma espécie de golo da noite que ninguém, no estádio, queria acreditar que fosse acontecer mesmo quando André Almeida lançou intencionalmente o pé esquerdo àquela bola que vinha, pelo ar, para a entrada da área, aliviada por um defesa do Braga, como se ninguém acreditasse que André Almeida fosse capaz, dali, de fazer um golo com o pé direito quanto mais com o esquerdo.
A verdade é que, quando se deu por ela, a bola estava dentro da baliza do Braga, após entrar rigorosamente no canto em que a trave se une com o poste. Miraculoso.

O quê? Grimaldo marcou com o direito e André Almeida com o esquerdo? E o Benfica fez pressão alta? E reagiu rápido à perda de bola? E envolveu quase sistematicamente três, quatro, cinco jogadores no ataque à baliza do Braga?
Mas o que é que deu, afinal a este Benfica para, subitamente, fazer quase tudo ao contrário do que andava a fazer?
O que se passará, afinal, para o Benfica não conseguir jogar mais vezes como jogou com o Braga? Porque não consegue ser mais constante? Falta-lhe confiança? Falta-lhe preparação? Falta-lhe mais trabalho?
Ou é só do treinador e da mão que tem, ou não tem, para organizar o jogo da equipa, construí-la e ir tomando as respectivas opções?
Pelo menos Jardel, agora o capitão, e André Almeida - que acredito que seja figura importante no balneário - quiseram mostrar afinidade com o treinador e de algum modo protegê-lo um pouco, aos olhos de quase 60 mil pessoas na Luz, de toda a pressão sofrida por Rui Vitória sobretudo nos últimos dois/três meses.
Se não quisessem mostrar que estão com o treinador não teriam Jardel e André Almeida (ainda por cima dois dos mais antigos no balneário) ido a correr para os braços de Vitória quando fizeram os seus golos.
Mas será isso, mais a defesa de Vitória feita também por jovens jogadores da casa como Rúben Dias ou Gedson, suficiente para mudar o tom das criticas que se têm abatido sobre o treinador do Benfica? Não creio. É preciso que a equipa jogue, é preciso que mostre muito mais o futebol que mostrou com o Braga, é preciso que dê muito mais do que tem dado a ideia de ser uma equipa trabalhada, coesa e consistente.
Caso contrário, saberá Rui Vitória o que o espera. Porque a ganhar mal e a perder como chegou a perder, Rui Vitória já dificilmente reconquistará adeptos só pelos resultados. E muito menos pelo discurso.
Veremos o que lhe trará 2019!"

João Bonzinho, in A Bola

Vitória nos Açores...

Terceira 64 - 101 Benfica
13-32, 13-26, 20-20, 18-23

Chegámos à 'centena' num jogo onde o Xavi parece estar a ganhar ritmo (5 desarmes de lançamento)... sem o Cantero que não saiu do banco, e ainda sem o Barroso e o Cláudio...

Emoção e incerteza até final

"Com o empate o jogo assumiu nova forma: o Aves a arriscar e o Benfica a gerir o tempo

Intensidade concentração
1. O futebol é um jogo estratégico/táctico desenvolvendo acções técnicas individuais e colectivas num ambiente psicológico e fisiológico positivo. Esta partida revelou a essência do jogo: intensidade, concentração nos objectivos, velocidade decisional e de deslocamento, pressão constante sobre a bola, adversários ou nos espaços vitais de jogo, alterações na organização das equipas, substituições, emoção e incerteza no resultado até ao final.

Modelo de jogo e de treino
2. Todos os treinadores e equipas objectivam a concretização de um modelo de jogo, denominando-o de identidade. Porém, para cada jogo, utilizam o conhecimento do adversário, congeminando alterações pontuais perante as condições que plausivelmente se irão verificar. Consequentemente, modelo de jogo e de treino são duas faces de uma mesma moeda.

Alterações nos onzes
3. Em função da densidade e do momento competitivo, os treinadores efectuam alterações, colocando jogadores que, não tendo tanto ritmo de jogo, possam contribuir para os objectivos da equipa mantendo os mesmos níveis de rendimento. Logo, tanto o Aves como o Benfica, em função das mesmas ou diferentes razões, realizaram alterações. Assim, não é de admirar a alteração dos guarda-redes (Bernardeau/Svilar), da estrutura defensiva (Jorge Fellipe/Yuri Ribeiro), média (Falcão) e ofensiva (Derley/Seferovic).

Aves melhor
4. O Aves dispõs das melhores ocasiões da 1.ª parte, usando um bloco defensivo alto, baixando quando o Benfica conseguia ultrapassar as linhas de pressão, tendo como referências Falcão, Oliveira, Gomes e Fellipe. A dinâmica ofensiva do Aves residiu na transição ofensiva com 3 referências: Amilton, Derley e Baldé. Respondeu o Benfica com um jogo ofensivo rápido, qualidade técnica, jogando à largura e à profundidade, destacando-se Zivkovic, Gedson e Pizzi.

Jonas mudou
5. Ao golo do Aves respondeu o Benfica, recorrendo a Jonas e utilizando um sistema de 4x4x2 aumentando o volume de jogo ofensivo. O Aves baixou os seus sectores, mantendo a sua transição ofensiva em profundidade. Restabelecida a igualdade, o jogo assumiu uma nova forma, com o Aves a arriscar o que era possível, enquanto o Benfica geriu o tempo e o resultado de jogo."

Jorge Castelo, in A Bola

Grunhos no futebol

"A notícia estava no JN de ontem e resume-se em poucas palavras. O líder dos "Panteras Negras" e mais quatro elementos da claque do Boavista foram acusados pelo Ministério Público por terem espancado cinco funcionários e destruído parcialmente um restaurante açoriano.

Três deles estão em prisão preventiva e as fotografias de duas mulheres agredidas não deixam dúvidas sobre a violência exercida.
Seria um assunto da esfera exclusiva da justiça, não fosse o caso de ontem, no discurso de tomada de posse, o novo presidente do clube ter optado por atacar este jornal e, mais curioso ainda, defender os agressores. "Hoje faltam-nos aqui três elementos da nossa família. Se Deus quiser e a justiça for justa dentro em breve estarão connosco", afirmou Vítor Murta, concluindo com um pedido à assistência: "Uma salva de palmas para eles".
2018 foi o ano em que o país assistiu incrédulo à invasão da Academia de Alcochete e viu os jogadores do Sporting fotografados com lesões causadas por membros da claque. E em que as agressões a árbitros não pararam de aumentar, com contornos rocambolescos como quando, no início de dezembro, uma equipa de arbitragem foi emboscada por causa de um suposto penálti não assinalado num jogo distrital de juniores em Fafe.
Quem gosta de futebol só pode condenar a violência. Defender os adeptos e a segurança do espectáculo deveria ser uma prioridade inequívoca dos dirigentes. Inacreditável é que quem se inicia à frente de um clube com a história e relevância do Boavista prefira semear ventos e odes à violência. Isso, ao contrário do que afirmou Vítor Murta, não é ser "politicamente incorrecto". É ser incendiário, inconsciente e moralmente responsável se adeptos do Boavista causarem, nos próximos tempos, idênticos danos aos que semearam em Ponta Delgada. De grunhos e criminosos, está o futebol farto."


PS: Coragem para denunciar os grunhos dos Corruptos é que é mais complicado, certo?!!!

O desporto salva-vidas

"Vivemos na era da mobilidade, mas nem sempre voluntária… a cada dois segundos, alguém tem de fazer as malas – alguns nem sequer isso – e deixar para trás o seu país sob grande ameaça. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que, dos 68,5 milhões de pessoas deslocadas à força no mundo, 25,4 milhões são refugiados, 40 milhões são deslocados internos e 3,1 milhões requerentes de asilo.
Apesar de as migrações estarem na base das sociedades como as conhecemos – a multiculturalidade sempre foi um desafio entre os povos –, só actualmente, quando os refugiados começaram a bater às nossas portas, é que despertámos para a urgência de a Europa recuperar o seu papel de liderança dos direitos humanos. Repentinamente, tivemos de nos mobilizar para salvar vidas, descobrir recursos, mobilizar vontades, envolver os cidadãos, criar redes de resposta para o acolhimento e integração de milhares de pessoas que no seu êxodo chegam até nós.
É neste cenário humanitário de enorme complexidade que acreditamos no valor social do desporto, como uma ferramenta com elevado impacto no combate às inúmeras formas de exclusão social, política, cultural e económica que marcam o panorama de conflitos e tensões do mundo global. O desporto e, em particular, o olimpismo têm um legado de solidariedade e respeito que é cada vez mais vital quando se trata de promover a coesão social e criar laços entre os diferentes membros da comunidade.
O desporto exerce uma atracção mágica nas pessoas – é uma actividade humana natural que nos envolve e nos pode integrar. É uma linguagem universal baseada no respeito pelas regras e igualdade de participação. Quando correctamente utilizado promove o fair play, a receptividade, a persistência, o desafio e a interacção. Fortalece a amizade, criando elos mais fortes, e desafia a excelência para darmos o nosso melhor no jogo, na vida, na construção de um mundo melhor e mais pacífico. 
Integrado no quadro de medidas da agenda migratória europeia, “Viver o desporto, abraçar o futuro” é o nome e a mensagem do projecto que o Comité Olímpico de Portugal desenvolve para o acolhimento de refugiados, onde o desporto é o elemento catalisador da integração de refugiados na comunidade portuguesa.
É este o desafio que temos em mãos: sermos exemplares na hospitalidade para combater a hostilidade, o medo e a violência. Para isso é necessário mobilizar a sociedade civil, envolvendo atletas, clubes, federações, escolas, autarquias para proporcionar um futuro de esperança àqueles que querem iniciar uma nova vida em Portugal.
E, porque Juntos Somos Mais Fortes, estamos todos convocados!"

sábado, 29 de dezembro de 2018

Cadomblé do Vata (Silêncios...)!!!

"Bruno Simões foi ao Estádio da Luz ver o SLB enfardar meia dúzia no SC Braga e no regresso a casa talvez ainda inebriado pelo fartote de golos, distraiu-se, levou com um paralelepípedo nos dentes em plena A1 e está agora muito mal tratado no hospital. Esta é a versão leviana, jocosa e desrespeitosa do incidente. Infelizmente é também a visão oficial das autoridades desportivas e civis do que aconteceu.
Volvida 1 semana desde que o adepto do Glorioso foi vítima do infame ataque, o silêncio das instâncias reguladoras do futebol já é épico. Imagino até que na Liga e na FPF haverá quem queira comentar, não o fazendo apenas porque o anjinho sentado no seu ombro lhe vai sussurrando ao ouvido "tu não te desgraces, carago". Pergunto-me até, onde andam esses tais arautos da verdade desportiva que tanto penam pelo bom ambiente no desporto cá do burgo, alguns deles letrados autores de impunes epopeias criminosas em estações de serviço da mesma estrada onde o pobre Bruno teve um encontro imediato com a estupidez clubística, que como tal os tornaram vozes respeitadas em seminários contra a violência no desporto.
Ninguém parece realmente interessado em abordar as causas do incidente. Preparo-me psicologicamente para aceitar a explicação de que se tratou de uma rixa rodoviária, uma prioridade não concedida pelo autocarro, uns quilómetros em que o agressor andou a levar com os máximos do pesado de passageiros no espelho retrovisor ou um dedo médio com mola a responder a uma buzinadela. Dirão que Bruno Simões foi vitima do acaso, estava no sítio errado à hora errada e o emblema do SLB que trazia ao peito do casaco ensanguentado será apenas um pormenor. Não se vai relacionar o cachecol que testemunhas viram no carro criminoso, nem se vai olhar para a coincidência de a Casa do Benfica de Barcelos ser vizinha da Casa do Benfica de Braga que anualmente bate recordes de vandalização.
A menos que a Brisa consiga demonstrar que não há grandes probabilidades de encontrar pedras na berma da A1 à noite para apedrejar 2 vezes o mesmo autocarro, e que haja o decoro de não tentar passar por normal, o hábito de transportar inertes no carro, como se de lastro de caravela se tratasse, dificilmente alguém vai admitir que a viatura que transportava os adeptos do Glorioso foi mais uma vítima de crime organizado assumido e impune. O mesmo que estraçalhou em 2010 o autocarro do Benfica à chegada ao Dragão e cujos líderes estão filmados e fotografados em rixas com uns tais de casuals no dia de um FCP - SCP, poucos anos antes de serem pagos pela FPF para irem apoiar a selecção portuguesa a França.
No fundo, o único facto que ainda está por identificar se foi propositado ou acaso, é o destino das pedras arremessadas. Será que os passageiros eram o objectivo ou foram vitimas colaterais de má pontaria de quem pretendia acertar no condutor. O silêncio das instâncias é vergonha pelo que aconteceu ter antecedentes com criação "oficial" ou alívio por não estarmos hoje a tratar de uma tragédia maior?"

Um relógio de flores

"Colva - Enquanto o estranho pato preto mergulha, para se manter debaixo de água, às vezes quase meia hora, olho as lótus brancas que se espalham pela superfície e relembro a história antiga: a lótus vermelha abre as suas pétalas de manhã cedo, quando os camponeses vão para o trabalho, e fecha-as ao meio-dia quando eles se recolhem para o almoço; a lótus branca abre as suas pétalas ao início da tarde quando o trabalho dos camponeses recomeça e fecha-as quando anoitece e eles regressam a casa. Os camponeses de Goa trabalham à medida das horas de um relógio de flores.
Agora, a lua cheia estende-se sobre a imensidão da praia e do mar. “I’m feeling so alone that I can’t believe”, canta o David Gray no roufenho aparelho de som do Boomerang Bar ao qual a gente se habituou a chamar Malibu Beach. A clientela reduz-se a aves de arribação sem poiso certo: um australiano de cabelo longo, cara marcada por cicatrizes e gestos indecisos de álcool; um inglês gordo que explica alto coisas que ninguém entende; figuras abstratas, personagens incompletos de uma história ainda por escrever. Sob as sombras estreladas dos coqueiros, duas silhuetas femininas repetem as curvas e contracurvas do ritmo da música vagarosa. Absorvem-se uma na outra e em si próprias. Traços negros que a lua destaca na areia esbranquiçada, movimentos em “slow motion” que espreitamos na certeza absoluta de que um gesto, apenas um gesto, fará desaparecer sem retorno. Há na sua timidez a suave beleza das imagens escondidas. “I’m feeling so alone that I can’t believe”. Os braços levantados sobre as cabeças, os saris disfarçando as curvas dos corpos, as mãos desenhando Esses que o requebros das ancas repetem até aos pés. “Time after Time after Time...”. Debaixo da lua cheia, sob a protecção dos coqueiros, duas silhuetas dançam a canção da Índia..."

Benfiquismo (MXLVIII)

Estória antiga...!!!

Vermelhão: a caminho de Braga...

Aves 1 -1 Benfica


Qualificação sofrida, tal como seria previsível... Se alguém estava à espera de nova goleada, não conhece o Tugão...!!!

Com um relvado irregular, e sem os nossos principais desequilibradores: Jonas... e Grimaldo (!!!), o nosso ataque tornar-se ainda mais previsível... E sem velocidade e criatividade, tornar-se complicado! E com um adversário bem mecanizado no contra-ataque (não conseguimos 'matar' os contra...), o jogo ficou perigoso...

Além disso o Aves não é o Braga!!! O Braga é 'melhor', mas tenta jogar 'à bola', a estratégia defensiva do Aves é simples: dar pancada!!! Sempre que um jogador do Benfica, ganhava qualquer tipo de vantagem, era 'bater' e 'bater' e 'bater'!!! Simples... Aliás os nossos jogos, contra este tipo de equipas estão a tornar-se repetitivos: Setúbal, Marítimo e agora Aves, só para recordar os últimos três... foram quase todos iguais!!!
Hoje, com um apitadeiro com vergonha na cara, pelo menos 3 jogadores do Aves tinham sido expulsos (Vítor Gomes, Fellipe e Fariña)... além do inacreditável penalty não assinalado sobre o André Almeida (sofre duas faltas na mesma jogada: rasteirado e empurrado)!!! O facto do Cervi e o Gedson terem terminado o jogo sem uma perna partida, é um milagre... Aos 20 segundos de jogo, já estava o Seferovic a ser varrido pela raiz!!!
E este tipo de impunidade, tem um impacto enorme na forma como as partidas decorrem... Não são só, os lances específicos, os cartões, os penalty's... etc... dá uma 'força' enorme à equipa inimputável, e intimida a equipa que quer jogar futebol!!!
Veja-se a forma como o Derley 'protegeu' a bola dezenas de vezes neste jogo, em condições 'normais' metade daquelas jogadas, seriam assinaladas faltas ofensivas...; o lance do penalty sobre o Almeida, não deu golo do Aves no contra-ataque porque os Avenses foram azelhas...!!!

Estamos na Final Four, só amanhã saberemos se o adversário será os Corruptos, ou outro... Estamos numa série de jogos muito complicada, Portimão, Rio Ave na Luz, viagem a São Miguel e logo a seguir a Guimarães, com Taça de Portugal também em Guimarães pelo meio... e depois esta Meia-final... Muitos jogos de grau de dificuldade alto... A começar, por Portimão, com um autêntico Corruptos B, e não é preciso ser profeta, para perceber que vamos ter outro jogo, onde vai valer tudo...!!!

No e-toupeira funcionaram as instituições

"Houve curiosos derrotados no e-toupeira que não sendo partes processuais se apressaram a lamentar como se deles fosse o processo. Ou será que era? Ou será que sempre foi?

A vitória sobre o SC Braga no passado domingo, pelos números e pela exibição, foi um anti-depressivo natalício para o universo benfiquista. Foram três pontos que demonstraram que o Benfica pode ser de longe a melhor equipa da Liga. Nos jogos contra Vitória, Sporting, FC Porto e SC Braga foi de longe superior e mostrou ser melhor. Mas será campeão não a melhor equipa, mas a mais regular, e por isso exige-se consistência em todos os jogos para permitir uma sólida candidatura ao 37.º título de campeão nacional.
No jogo frente ao SC Braga houve uma demolidora atitude competitiva que fez acreditar na séria possibilidade de alcançar os objectivos esta época. Contra um SC Braga de topo, que tentou jogar no campo todo, houve sempre um Benfica superior que o resultado de 6-2 mostrou esclarecedor.
Hoje jogamos na Vila das Aves contra uma equipa perigosa e motivada. Há jogos importantes e há jogos decisivos. Hoje na Aves é decisivo, não há lugar para o erro, nem segunda oportunidade, hoje temos que colocar o Benfica a 180 minutos de um título que queremos vencer. Ficar hoje a pensar em Portimão é meio caminho para não correr bem nem hoje, bem em Portimão. Pelo contrário, entrar hoje à Benfica é meio caminho para resolver hoje e vencer na quarta no Algarve um jogo cheio de ratoeiras.
O Benfica não venceu por 30-0 o processo judicial vulgarmente designado e-toupeira apenas viu as suas justas e correctas pretensões serem conferidas pelo tribunal. Funcionaram as instituições e esclareceu-se aquilo que já ninguém duvidava. Mas se o Benfica não venceu, houve curiosos derrotados, que não sendo partes processuais se apressaram a lamentar e comentar como se deles fosse o processo. Ou será que era? Ou será que sempre foi? Se como se suspeita era assim, então todos esses que fazem pouco do sistema judicial perderam por 30-0, vencidos e esmagados pelo estado de direito.
Por deformação profissional, nunca comento processos judiciais dos quais não sou mandatário, mas não resisto a comentar lastimáveis comentários terceiros que quiseram depois da decisão tomada assumir o papel de emplastro da derrota na fotografia. Fica o ar choroso de quem fazia os directos do tribunal, e fica também o ar triste dos tristes que comentaram a decisão.
No Benfica queremos ganhar campeonatos dentro dos campos e não festejar despachos nem sentenças."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Idiotas...

"É uma pena que o sucedido com o adepto Bruno Simões não esteja a ter o impacto mediático que merecia. Não me espanta. Há muito tempo que denuncio, a existência, em certos meios informativos, de uma estratégia para causar danos na reputação do Benfica e dos adeptos do Benfica. Colocá-los na pele de vítimas não é bom para o negócio e muito menos para essa estratégia de desgaste do clube e dos seus adeptos. Só assim se justifica que alguns cartilheiros que estão bem identificados tentem justificar o que se passou na A1 com um problema de moralidade, num clube que já enfrentou problemas de extrema gravidade com actos criminosos de alguns dos seus adeptos. Porém, essa gente que escreve nos jornais e devia estar obrigada a um dever se isenção esquece alguns pormenores relevantes. Primeiro, que nos casos identificados de violência de adeptos do Benfica, houve crime e castigo. É assim que deve ser num Estado de Direito. Nos vários e repetidos crimes dirigidos contra adeptos benfiquistas, a sua equipa de futebol profissional ou até o seu presidente, houve crimes...de resto, nem castigos, nem culpados, nem responsáveis. Só impunidade.
Além do mais, ao questionar a moral do Benfica para reclamar uma actuação das autoridades, quem o faz está a enviar um sinal. O de que podem agredir e até tentar matar os adeptos do Benfica, porque, no fundo, o clube deve ser responsabilizado pelos crimes dos seus adeptos. Isto não é argumento sério. É um argumento idiota e tão criminoso como o acto de atirar pedras aos autocarros onde viajam adeptos do Benfica. Infelizmente é o que temos em alguma comunicação social. Verdadeiros tarados do ódio clubístico que andam a brincar com o fogo. Não é difícil identifica-los. Porque eles andam aí e o combate à violência no desporto também passa por combatê-los e, se possível, erradicá-los."

Uma Taça para honrar

"Seguir em frente e continuar a fazer história numa competição onde, até ao momento, não tem rival à altura. É este o desafio que se coloca ao Benfica no jogo de hoje à noite na Vila das Aves.
A hegemonia do nosso clube na Taça da Liga (agora Allianz Cup) é um caso de estudo: 7 títulos conquistados em 11 edições disputadas. V. Setúbal, Sp. Braga, Moreirense e Sporting têm uma vitória cada.
Os números impressionam e atestam bem a seriedade com que o Benfica abordou a Taça da Liga desde a primeira hora: 48 jogos, 41 vitórias, cinco empates e apenas duas derrotas. Ou seja, 85% de jogos ganhos em toda a história da prova.
Nunca existem, no entanto, vitórias por antecipação. É por isso que a deslocação a Vila das Aves é encarada como mais um duro teste neste mês de dezembro – que, até ver, está a ser um sucesso absoluto: a equipa venceu os sete jogos que disputou e tem agora a oportunidade de fechar 2018 com chave de ouro. É o passo que falta para o Benfica entrar no novo ano a lutar em quatro competições. Bom 2019!

PS: Em Itália, a justiça desportiva acaba de castigar o Inter de Milão com dois jogos à porta fechada por insultos racistas dos seus adeptos contra Koulibaly, senegalês do Nápoles. Em Portugal, os autores do cântico “filhos da p... SLB” que escutamos há vários anos (sempre no mesmo estádio) continuam a rir-se dos conselheiros que se sentam na Cidade do Futebol."

Benfiquismo (MXLVII)

Mais uma...

Quando entra frio ou... sai asneira

"Falta menos de uma semana para abrir a janela do mercado de Janeiro. É uma daquelas janelas, onde raramente entra uma luz. Aliás, nestas famosas janelas de Janeiro, atendendo às circunstâncias em que clubes aflitos procuram o milagre de uma nova estrela que os guie às mais esplendorosas vitórias e em que clubes com equipas estabilizadas acabam por não resistir à tentação de trocar a segurança e a solidez de um projecto por um punhado de euros, salvo honrosas excepções, ou entra muito frio ou sai asneira.
Mesmo assim, os alegres gestores de muitos dos nossos queridos clubes (e não só) aliam-se dos contentes gestores de carreira dos jogadores e fazem do primeiro mês do ano um mercado aberto com negócios fechados. Sobram quase sempre em comissões o que acaba por faltar em lógica, em critério, em planeamento, em racionalidade. No entanto, o povo do futebol não só não lamenta os excessos e a ausência de rigor das escolhas em saldos, como até aplaude com o vigor próprio de quem se acha revigorado na esperança sem ter de depender ou chavo do seu bolso.
Não serei eu a negar, porém, o aproveitamento da oportunidade. Uma vez que ela existe, pois que se transforme num trunfo. O que eu alerto é para a exibição a céu aberto de uma prática repetida de falta de profissionalismo, quando não, mesmo, de falta de vergonha. O futebol desperta muitos interesses, o menor dos quais não é o económico. Daí que as compras e vendas de jogadores de torne um negócio apetecível e nem sempre pelas melhores razões. Nesta fase, as contratações devem ser particularmente cirúrgicas, precisas, rigorosas."

José Manuel Delgado, in A Bola

Chumbos!

"Sporting e SC Braga 'desceram à terra': muito duro e violento. Intenso brilho do Benfica (surpresa em hora H!) e de renascido Vitória

A 3 passadas do final da 1.ª volta, a anterior jornada foi muito curiosa: confrontos entre os 6 primeiros classificados (Rio Ave deixou de sê-lo). Por isso, teve extra de expectativa e importância. Não tanto o FC Porto - Rio Ave, porque no Dragão; muito especialmente em teste Benfica e SC Braga (directo despique com máxima ambição), Sporting e V. Guimarães (frente a frente potenciando definição de capacidades: um para conquista do título; o outro visando recuperar terreno, rumo ao objectivo 4.º lugar, campeão dos não grandes). Duros testes não se ficaram por meias tintas; houve rotundos chumbos e passagens com altas notas.

Chumbo n.º 1: Sporting. Pressentia-se ir ser o primeiro osso muito duro de roer no caminho do novo Sporting de Marcel Keizer. Vitaminado estava: só triunfos (8), 32 golos marcados, média de 4 por jogo! (mas também 9 sofrendo!...). No entanto, quanto a mim, fortes dúvidas se mantinham, suscitadas por passadeira verde: 5 jogos em Alvalade, e perante equipas com fraco peso (Chaves, Aves, Poltava, Nacional - ligeira excepção para Rio Ave, na Taça de Portugal). Nos 3 em casa alheia, houve peras dulcíssimas: Vildemoinhos e Qarabag... Ou seja: em 8 jogos, só o de Vila do Conde, para o campeonato, subiu no grau de dificuldade (muito bem superado). Teste perigosíssimo era o de Guimarães (vitorianos em notória escalada de rendimento: para além de terem pregado susto ao Benfica - 3-2, na Luz - e de terem ganho no Dragão - 2-3! -, 8 jornadas a fio sem derrota). Deu chumbo sportinguista - contundente, porque claríssimo! O Vitória foi sempre muito melhor equipa. Aplaudo Marcel Keizer, pela sua honestidade: não inventou desculpas, viu o jogo como todos vimos... - raridade nos nossos treinadores - e «temos de agradecer ao Renan por ser só 1-0». Cristalina verdade: mão cheia de grandes defesas, evitando goleada! Contraste: Douglas só uma vez teve de entrar em campo...
Dura descida à terra. Quiça mais preocupante que a derrota: firme bloqueio a Bruno Fernandes e a Bas Dost liquidou a linha de futebol sportinguista. Ausências de Nani e de Wendel notaram-se imenso - o que agrava ideias quanto a plantel...

Chumbo n. 2: SC Braga. Inesperadíssima goleada! Vencera Sporting e, com espectacular personalidade, exibira-se em grande nível no Dragão (derrota por tremendo azar: golo aos 90+3, depois de enviar 2 remates aos ferros). Que lhe dei frente ao Benfica?! Árdua eliminatória da Taça, triunfando em Setúbal, 4 dias antes, não justifica tal caos (Abel fez muito bem em tal não invocar). Dia péssimo acontece a muito boa gente. Imediato teste: nível de reacção e tão violento golpe. Certeza: na Luz, o SC Braga jogava tudo para manter quimera do título. Desaire - mesmo que fosse tangencial - deixa-o ultrapassado pelo Benfica e, sobretudo, a 6 pontos do FC Porto. Naturalíssimo adiamento do tão lindo quanto dificílimo sonho de António Salvador. SC Braga - bom plantel, mas não chegando aos de topo - a discutir pódio do campeonato e conquista de Taças já é muito bom!

Brilho: Benfica e V. Guimarães. Espectacular ressurgimento benfiquista, categórica confirmação de escalada vimaranense. Mau grado as facilidades que o SC Braga concedeu, muito mérito na exibição do Benfica. Veio dela substancial parte dessas facilidades. Alta qualidade, porque desta vez expressa em sistemático alto ritmo. Surpreendente, por tão conta a corrente dos últimos meses, foi! E, face ao que vinha sendo habitual, enorme contraste em matéria de eficácia! - galvanizando a equipa. Durante muito tempo, o Benfica criava inúmeras oportunidades de golo (não nos últimos jogos) e acertar na baliza era martírio. Em hora H - duelo crucial, afundando-se se não vencesse! - inspiração goleada chegou, e às catadupas! Nem tanto ao mar, nem tanto à terra... Os próximos episódios dirão.
Novo V. Guimarães está sendo excelente trabalho (mais um) de muito bom treinador: Luís Castro. Venceu no Dragão, vai agora em 9 jogos sem derrota. Pegou no Sporting, anulou-lhe os maiores trunfos, destrui-lhe organização, foi tão convincente que poderia ter goleado! Óbvia meta (difícil!): discutir especialíssimo título com eterno rival minhoto."

Santos Neves, in A Bola

Futebol

"Infelizmente o futebol internacional e português não vão por bons caminhos. O futebol precisa de estar em mãos sensatas, o futebol português tem mais jogos fora do campo do que dentro do campo. Há casos para todos os gostos e cor futebolística.
Gianni Infantino, presidente da FIFA, teve o desplante de tomar a decisão ridícula de proibir as televisões de focar mulheres belas e atraentes de forma a não tentar espectadores masculinos que estavam no estádio, no último Mundial. Nunca entendi tal atitude, o belo é para se ver, ao contrário, não viu inconveniente de focar e dar grandes planos de mulheres feias, nem de homens bonitos e feios. A Taça Libertadores teve que ser jogada fora da Argentina e jogou-se em Madrid que viveu momentos tensos, mais parecendo uma zona bélica com enormes medidas de segurança.
Em Portugal, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Gomes tem cumprido sem fazer ondas, todavia alguns presidentes de clubes deveriam era fazer as malas e darem o lugar a outros. Queixamo-nos que a justiça portuguesa não funciona na política, que é muito difícil haver culpados e responsáveis, todavia o futebol vai pelo mesmo caminho. O ónus da prova é uma miragem, eles sabem fazê-las.
Programas de futebol, em versão comentários, têm um tempo de antena, quase obsceno que vai para lá de um jogo de futebol que tem 90 minutos. O comentário desportivo passa unicamente pelo futebol, parece outro jogo para além dos 90 minutos, em que se fala de tudo e mais alguma coisa, por vezes, a discussão chega a vias de facto com ofensas, ataques pessoais, abandonos e uma verbalização que faz corar qualquer menino do coro. É inacreditável o tempo de antena de "jogadores de boca" que proliferam nos canais de televisão portugueses. Eu não tenho dúvidas que cada vez menos portugueses vêem este tipo de programas. Eu deixei de o fazer há muito tempo, para preservar a minha saúde mental.
Gosto de ver um bom jogo de futebol, faço os meus comentários, analiso, opino e discuto com o meu filho, no final acabou e a vida segue em frente.
O futebol serve-me para me distrair e passar um bom bocado de tempo.
Todavia o desinteresse do futebol tem-se vindo a agravar pelo receio de se ir aos estádios e pelo clima bélico entre adeptos de vários clubes, principalmente do Porto, Benfica e Sporting.
Não podemos ignorar também o preço dos bilhetes que favorece quem é sócio, quem esporadicamente gosta de ver um bom jogo de futebol é muito penalizado. Por exemplo, eu gostava de ir ver o Porto- Roma, mas como não sou sócio do Porto o bilhete tem um preço exorbitante. 
Vivemos numa sociedade de fidelização quem não o faz paga por isso.
Por outro lado, acho que há jogos de futebol a mais e em dias seguidos da semana. A televisão assim o impõe. Há semanas que os jogos começam numa sexta-feira e vão até segunda-feira. Quando os jogos eram ao domingo de tarde eram muito mais interessantes e toda a família poderia acompanhar, deste modo, não havia a bebedeira de futebol durante a semana, em que se houver Liga Europa e Liga dos Campeões há futebol quase todos os dias da semana.
A nível de televisão o futebol ocupa o espaço mediático quase todo, há jornais desportivos diários: Record, Bola e o Jogo.
Se for avante uma Superliga europeia os grandes jogos também vão perder o interesse.
A nível nacional temos a Liga, Taça de Portugal e Taça da Liga, mais com jogos da Liga dos Campeões e da Liga Europa, mas não nos ficamos por aqui, pois temos os jogos de apuramento para o campeonato europeu e a seguir o apuramento para o mundial, por fim, os jogos amistosos. Este ano ainda tivemos a Liga das Nações que estamos apurados para a fase final. Acho que há futebol a mais e tudo que é em demasia, perde a graça, cansa, satura e leva ao desinteresse.
O Salazar se fosse vivo, para distrair o povo não faria melhor."

Dois lances que serviram de lição

"A última jornada da I Liga trouxe para primeiro plano dois lances muito interessantes sob o ponto de vista de arbitragem. Um pelo facto de exigir uma leitura e interpretação atenta do protocolo do videoárbitro (VAR), outro porque vem evidenciar a grande diferença entre a análise em campo e na televisão em movimento normal de uma jogada, em oposição à análise frame a frame dessa mesma situação. Vamos por partes.
No jogo Vitória Guimarães-Sporting, ao minuto 53, Guedes isola-se e perante o guarda-redes Renan acaba por ser tocado. O árbitro assinala de imediato livre directo à entrada da área e mostra cartão vermelho. Por ter havido um vermelho directo o VAR em função do protocolo, foi rever o lance para ver se estava tudo correcto ou se havia alguma irregularidade e, numa primeira análise, a infracção do guarda-redes "leonino" foi dentro da área o que transformava, de imediato, o livre directo em pontapé de penálti. E como houve uma tentativa de jogar a bola, de acordo com a alteração da chamada "tripla penalização", a sanção disciplinar era apenas de amarelo.
Contudo, o árbitro, após o VAR rever o lance e recomendar uma revisão do mesmo, dirigiu-se à área de revisão para ver as imagens e acabou por decidir recomeçar o jogo com pontapé livre indirecto a favor do Sporting por fora de jogo de Guedes no início da jogada.
Em primeiro lugar, dizer que esta decisão final foi correcta e obedeceu claramente ao que está escrito em termos de protocolo. E para percebermos isso socorremo-nos do livro das leis de jogo e na página 141 o ponto 2 diz que para decisões/incidentes relacionados com golos, penálti/não penálti, e cartões vermelhos por anular uma clara oportunidade de golo, pode ser necessário rever a fase de ataque que levou directamente à decisão/incidente. Isto poderá incluir a forma como a equipa atacante ganhou a posse da bola na jogada. Ora, é aqui que se enquadra este lance, pois o início da jogada começa com um fora de jogo de Guedes e, a partir daí, tudo o que se seguiu foi anulado e toda esta situação acabou por ser "salva" pela excelente intervenção do videoárbitro.
Um caso interessante ocorreu também no FC Porto-Rio Ave ao minuto 63, quando Soares tocou com o pé esquerdo na bola mas com o joelho direito tocou e derrubou o pé esquerdo de Nadjack, tudo isto no interior da área portista.
Em movimento normal parecem simultâneos ambos os toques, quer na bola, quer no joelho, o que na perspectiva do árbitro fica a ideia de corte legal e toque no adversário em virtude da acção e do movimento de ambos os jogadores. Por ser um lance de área o VAR foi analisar o lance e das duas uma, ou considerou correcta a decisão do árbitro, ou achou que sendo eventualmente duvidoso não havia um erro claro e óbvio e daí que, de acordo com o protocolo, não fez nenhuma intervenção. 
Contudo, ao analisar o lance frame a frame vê-se que Soares toca primeiro com o joelho no seu adversário derrubando-o e só depois há corte na bola o que significa que, em termos técnicos e de acordo com a lei, no plano teórico temos uma situação de penálti.
Em conclusão este lance é o típico penálti de televisão, impossível de detectar por parte do árbitro mas possível de analisar pelo VAR, mas onde um protocolo com características diferentes poderia levar pelo menos a uma intervenção por parte do árbitro no sentido de ser ele a ver as repetições no monitor e dar uma decisão final. Ou seja, o protocolo diz: "(...) O árbitro pode iniciar uma revisão para um potencial claro e óbvio erro ou incidente grave não detectado quando o VAR recomendar uma revisão (...)".
Pessoalmente, preferia que o VAR não tivesse qualquer intervenção quando a decisão inicial do árbitro fosse clara e obviamente correcta e em todas as outras situações para os quatro momentos previstos em caso de dúvidas ou lances, no limite, o árbitro iria ao monitor para ser ele a rever e a manter ou alterar a sua própria decisão.
Por último, dizer que não há sistemas perfeitos e infalíveis mas este videoárbitro veio para ficar, vai evoluir e melhorar, mas é, efectivamente, uma ferramenta utilíssima e que resolve muitos dos erros, conferindo uma outra verdade desportiva que todos nós queremos em geral e os árbitros em particular."

Amphilóquio e as suas circunstâncias

"De cada vez que escrevo sobre Roma lembro-me do episódios da guerra das trattorias. Conto já de seguida. Salvo erro encontrei-o num dos livros de Dino Segre, ou seja, o Pitigrilli, um desses seres humanos abençoados com o dom magnífico e divino do humor. Talvez em A Loura Dolicocéfala, mas não vou jurar. Bom, havia portanto três trattorias numa das ruelas estreitas do Transtevere. Certo dia, o dono de uma delas resolveu abrir a guerra publicitária. Vai daí, colocou um cartaz à porta: «Este é o melhor restaurante do mundo!». Com ponto de exclamação e tudo. Ligeiramente irritado, o vizinho mais próximo recorreu igualmente à propaganda. Mas foi subtil. Limitou-se a uma frase de cariz assassino: «Este é o melhor restaurante da rua!».
O terceiro proprietário tinha, pelos vistos, uma noção das realidades muito mais concreta. Não virou as costas ao conflito da exposição. Lá terá pensado para com os seus botões que a escalada dos autoelogios atingira um ponto do não retorno. Então, para fugir ao ridículo, limitou-se a ser sublime. E o seu restaurante passou a exibir uma declaração simplista: «Aqui come-se».
Veio este arrazoado a propósito de Roma, para fugir aos estereótipos de Rosselini, Ana Magnani e Anita Ekberg a tomar banho na fonte de Trevi, mas eu queria era mesmo falar de Amphilóquio, o primeiro brasileiro a ser campeão do mundo de futebol, e da estranha equipa da Brazilazio. O som tem algo de familiar? Pois claro! É uma mistura entre Brasil e Lazio. Como vêem, Roma não caiu aí em cima por mero acaso, aos trambolhões do céu da imaginação.
Vou portanto até ao início da década de 1930. E à história de um rapaz brasileiro chamado Amilcar Barbury que apareceu na Lazio para tentar a sorte como jogador mas, tendo rebentado um joelho uns meses após a sua chegada, foi convidado para ocupar o lugar de treinador. Ora, este Barbury tinha sido precedido por dois outros compatriotas, filhos de emigrantes italianos do Brasil: Juan e Octavio Fantoni. Mas conhecidos por Ninão e Nininho. Convenhamos: formidável esta dupla - Ninão e Nininho. Tanto podiam ser músicos sertanejos como personagens do La Strada de Fellini. Lembram-se? Com o Anthony Quinn e a Giulietta Masina? Zampanó è Arrivato!!!.
Prossigamos na fascinante aventura do nunca mais acabar de brasileiros que começou a desaguar nas margens do Tibre nesses anos 30 em que a Itália se preparava para ser duplamente campeã do mundo de futebol. Depois de Ninão e Nininho, vindos do Palestra de Belo Horizonte, clube de italianos, claro está, atracou em Génova o vapor Conte Verde. Era o dia 22 de julho de 1931, um daqueles dias caídos no olvido mas fundamentais para a história daquele jogo inventado pelos ingleses em redor da redondez de uma bola, essa mágica senhora das paixões, como diria o Poeta da Montanha.
Viajavam nesse navio nada menos do que o tal Barbury, que viria a ser o técnico da Lazio, Pepe Rizzeti, do Palestra Itália de São Paulo, Del Debbio, um centro-campista do Corinthians, e o interior Tedesco, do Santos. No dia 6 de Agosto, é a vez do navio Duilio entrar no porto de Génova. Traz no bojo Rato Castelli, médio-centro, Demaria, ponta-esquerda, Serafini, ponta-direita, e um extremo azougado com um nome esdrúxulo: Anphilóquio Guarisi Marques, nascido em São Paulo, em 1905, de pai português e mãe italiana. No Brasil adquirira a prosaica alcunha de Filó; em Itália seria Guarisi.
Não foi preciso muito tempo para que esta escola de samba com jeito para o futebol, todos contratados pela Lazio, que chegou a ter um total de 13 italo-brasileiros ao mesmo tempo, arranjasse umas tranquibérnias lá no Brasil de onde tinham vindo. Uma reportagem feita pelo Il Littoriali, tri-semanário que funcionava como suplemento do Corriere dello Sport, trouxe a público declarações inflamadas dos recém-chegados nas quais renegavam o seu estatuto de brasileiros e afirmavam estar, agora sim, na sua verdadeira pátria. O Jornal dos Sports não os poupou: renegados, traidores, ingratos e vendidos, foram vários dos mais suaves adjectivos que encontraram para qualificar os compatriotas.
Amphilóquio, o Filó, destacara-se no Paulistano, na Portuguesa e no Corinthians, jogara ao lado do lendário Friedenreich e fora chamado por quatro vezes à selecção do Brasil. Mas não levou a bem ter ficado de fora da convocatória para o Mundial de 1930, no Uruguai. «Eras sobre eras se somem/No tempo que em eras vem», escrevia Pessoa n’A Mensagem. Filó deixou de ser Filó e passou a ser Guarisi, nome da mãe, italiana como já vimos, e adotou a nacionalidade de tal forma que Vittorio Pozzo começou a chamá-lo para a squadra azzurra. Em 1934, Filó já não Filó, fez parte da Itália que venceu o Mundial. Era reserva, só actuou num jogo. Mas, no Brasil esqueceram o vitupério e gabam-se, hoje, de o ter como primeiro brasileiro campeão do mundo. Quanto aos portugueses, nem sabem quem é o Marques, da parte do pai. Basicamente, querem que o Filó se quilhe."

Estar (ou não) em Bombaim

"Os pobres são necessários em Bombaim. Eles são as mãos e o trabalho barato. Mas a cidade não foi feita para os acomodar.

Bombaim – De há uns anos para cá começaram a chamar-lhe Mumbai. Parece que acaba de vez com a velhíssima teoria de que seria a Boa Baía dos portugueses. Virá de Mumbadevi, a Mãe, na língua do Maharastra. Muito bem. Não vou discutir. Não gosto de discutir etimologias. Saio sempre a perder. Mumbai; ou Bombaim, tanto faz.
Espreitei por todo o Mundo o cancro devastador da pobreza. Das grandes cidades de África às capitais da América Central e do Sul, passando por lugares sinistros de Portugal onde há meninos que passam as noites escondidos do frio por debaixo de folhas de cartão canelado. Mas na Índia vi a miséria. Uma miséria capaz de marcar a memória com o ferro em brasa de uma chaga que se não explica.
Dizem as estatísticas que, de há vinte anos a esta parte, entram em Bombaim mais de mil e quinhentas novas pessoas por dia. Vêm dos campos e trazem nada consigo. E em Bombaim não há espaço para eles. Os velhos blocos de apartamentos estão cheios, os arranha-céus entretanto construídos estão cheios; as barracas erguidas a torto e a direito estão cheias. Foi V.S. Naipaul, Nobel da Literatura, que escreveu: “Estar em Bombaim é estar na multidão permanente.
De dia, as ruas estão apinhadas; de noite, os pavimentos estão repletos de gente que dorme”.
Os pobres são necessários em Bombaim. Eles são as mãos e o trabalho barato. Mas a cidade não foi feita para os acomodar. As estatísticas dizem também que cerca de duzentas e cinquenta mil pessoas dormem nas ruas de Bombaim. Dormem? Mas dormir do verbo dormir? Este número parece demasiado curto, extraordinariamente curto para quem atravessa os quilómetros e quilómetros de avenidas da cidade e os vê empilhando-se em passeios, nas ombreiras das portas, nos separadores das vias rápidas. É preciso um esforço muito grande para entender a Índia. É preciso entender que a mendicidade sempre foi importante para os hindus como uma espécie de teatro religioso, uma demonstração dos trabalhos do “karma”, uma lembrança permanente das obrigações de cada um para consigo próprio e para com as suas vidas futuras. Apenas o exagero dos números foi, com o tempo, desvalorizando esta ideia.
Em Bombaim vi defeitos físicos que não pensava possíveis. Vi mutilações horrendas que aterrorizam os olhares. Muitas são, ao que me dizem, infligidas na infância pelos pais, que assim julgam garantir um futuro para os seus filhos, ou por um mendigo-chefe de uma qualquer estrutura organizada de pedintes que adquiriu a criança e pretende assim provar-lhe os pecados cometidos nas suas vidas anteriores. E os miseráveis foram corrompendo a nobreza de Bombaim. Escureceram essa cidade de edifícios vitorianos e fachadas góticas imponentes. E transformaram-se numa força política de importância primordial num processo lento de reacção comunitária perante as necessidades destes milhares e milhares de milhares de sem-abrigo. Uma força política nascida de uma nova religião cujos seguidores se consideram adstritos a um exército: o Shiv Sena, o exército de Shiva. Não o Shiva deus, mas Shivaji, o líder da guerrilha maratha no Séc. XVII que desafiou o império mongol e fez dos marathas, o povo da região de Bombaim, um dos grandes poderes da Índia durante o século que se seguiu.
Junto ao Hotel Taj Mahal, um dos mais luxuosos do Mundo, de frente para as portas da Índia, está a estátua equestre de Shivaji. Ele é o emblema do poder do Sena, do poder das colónias do pavimento, do poder dos habitantes das ruas, dos párias que demandavam a cidade e o trabalhos nas antigas fábricas de cortumes. Lá dentro, pelo corredores, fotografias de artistas, de cinema, da música, do desporto. Gosto de vir aqui. Acreditem: é barato. Para nós, que não queremos gastar mais de 25 euros num jantar e jantá-lo sentado entre o explodir das estrelas. Mas, quando saírem, saiam devagar.
Pelas vizinhas artérias de Colaba, pela largura de Cama Road, ali ao lado, espalham-se as figuras descarnadas dos seus súbditos sem cama e sem comida. Não os pisem."