Últimas indefectivações

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O Benfica-Sporting? Ainda faltam mais de... 2 semanas!

"Nunca poderemos entrar no jogo de quem sendo 'pequenino', precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...

Lições da política que não devemos esquecer no futebol
1. Há lições da política que não devemos esquecer no futebol! Porque, à imagem daquela, também este é um campo de confronto.
Não de um confronto de ideias mas, antes, de um confronto de resultados. Esta é a especificidade do futebol, onde - por mais que existam valores, ética, princípios, capacidade, inteligência, estratégia ou conhecimento - tudo cede perante o resultado (ou, como diria José Mourinho, «o resultado é que faz o espectáculo»).
Onde se pode fazer tudo bem e perder, sendo-se um perdedor... ou fazer tudo mal e ganhar, sendo-se neste caso, um verdadeiro vencedor. De facto, a vitória - como sabemos da história dos últimos 30 anos do futebol português - fez jus a esse princípio maquiavélico, onde os fins (os títulos) justificaram, muito especialmente para quem os ganhou, a forma (os meios) como foram conquistados, de que o processo Apito Dourado é o expoente máximo!
O problema, hoje, é alguém querer repetir soluções de poder que germinaram e tiveram a sua época há 30 anos, como se o mundo não tivesse evoluído.
Ou não perceberem que, para além do tempo em que essas formas de poder foram desenhadas e concretizadas, contaram com a conivência de muitos silêncios, bem como com a colaboração activa e empenhada de muitos agentes políticos e judiciais, que, como o escrutínio e a vigilância actuais, não podem mais existir.
Ou seja: repetir o Porto, dos anos 80, em Lisboa, neste nosso tempo, só lembra a um «aprendiz de feiticeiro»!

O radicalismo como forma de evitar a marginalização
2. Os novos líderes hoje emocionam-nos, interagem,... e até erram.
Não se apresentam como seres superiores que não se enganam, sempre prontos a atirarem para os seus fiéis lacaios a culpa de alguma coisa que possa não ter corrido bem.
E não dará para desconfiar saber que - com tanta asneira feita - nem uma pode ser assacada ao líder do projecto?
Se até, na Igreja, se vai questionando o dogma da infalibilidade do Papa, será que estarão dispostos, numa qualquer agremiação, onde a esperança na vitória se vai assemelhando a uma miragem... do além, a não questionar a responsabilidade por tanto erro?
Diziam os antigos romanos que, se não tiveres um amigo que te corrija, paga a um inimigo. Eu sei que, por aquelas bandas, inimigos é o que há mais. Inimigos, até, entre os antecessores, numa limpeza geral de destruição de tudo o que possa representar perigo de derrota num próximo ato eleitoral.
Melhor do que ganhar nas urnas é impedi-los de concorrer.
Mas o que mais me entusiasma, nesta fuga desesperada para a frente é o recurso ao radicalismo como forma de evitar a marginalização.
É uma prática comum, entre pequenos partidos, quase todos com projectos caudilhistas de poder, como o será entre clubes pequenos ou médios, acossados e com projectos de sobrevivência pessoal. Recorrem, assim, ao messianismo, à comparação entre o antes e depois, numa atitude maniqueísta, de forma a poderem legitimar-se... para todo o sempre.
Sabemos, por experiência, que o todo o sempre acaba, quase sempre,... ao virar da esquina. E melhor seja que acabe, para quem gosta da instituição em causa, por que... se demorar um pouco mais, quando virarem a esquina, apenas depararão com o que restará desse clube (e será muito pouco),... como outros sabem de saber feito!
Como sempre (como em Nuremberga, por exemplo), os fiéis de sempre tentarão desculpar-se de forma a que o mal seja apenas da responsabilidade de um só.
Como estarão, então, enganados e... arrependidos!

Um líder arrogante evita discutir ideias
3. Sabemos, também, que um líder arrogante e que gosta de se armar em militante de base faz as delícias dos... militantes de base.
Evitando discutir as suas ideias (talvez porque não as tenha), nem que para isso tenha de só falar das ideias dos outros.
Como o Presidente de um clube agradará aos seus consócios se for básico, se enquistar e destilar ódio pelo emblema mais odiado desses mesmos sócios (por muito que os do outro lado já não lhes liguem nada, porque o tempo é implacável).
Aqueles agradecer-lhe-ão penhorados, mas esse mesmo chefe perderá toda a relevância junto dos líderes de opinião, daqueles que farão e formarão ideias sobre o seu futuro e sobre o futuro da instituição a que preside.
A que se juntará a falta de bom senso, de estabilidade e de visão para inventarem um futuro que não seja o da maledicência!
Pode, até, aumentar o número dos respectivos adeptos e simpatizantes em 50% e reduzir o número de adeptos e simpatizantes dos outros, também em 50% (um critério uniforme, há que reconhecê-lo)! Mas isso não trará nem mais um voto - quando eles forem precisos...
Sabemos que... «a fama e tranquilidade não coexistem».
Mas daí a aceitar como lei o princípio de que «quem não é por mim, é contra mim» vai uma grande distância.
Outros clubes - nunca nos cansámos de o repetir - enveredaram, em momentos concretos da sua história, por experiências parecidas.
Pois nem assim perceberão como acabam?
Pelo meio, encarregarão alguém de reescrever a história com elogios e hossanas ao novo poder e de morte ao antigo regime.
Sabemos como começa e - hoje, também - sabe-se como acaba... Acabando, de vez, com quem a quis reescrever.

Ganha quem merece, não quem faz mais barulho
4. Se é verdade que a obstinação leva à ditadura (sendo o poder absoluto uma das causas da decadência dos povos peninsulares, no dizer de Antero de Quental...), então teremos de deixar a falar sozinho quem opta pela conflitualidade gratuita, para, em bicos de pés, se tentar parecer com os Homens.
Já lá vai o tempo em que os jovens infantes se tentavam libertar das garras da adolescência desafiando os maiores, os senhores para torneios, primeiro,... duelos, depois,... rixas, já nos nossos tempos...
Tentando a afirmação - num mundo onde poucos lhe ligam - apenas e só pela criação de conflitos!
Tenho (para mim) que nunca se deve responder a mentiras de uma só fonte, de uma só origem, criadas em laboratório unipessoal, porque apenas estaremos a servir de câmara de eco a tanta asneira e a fazer o jogo de quem as lança...
Nunca devemos responder a provocações gratuitas!
Nunca poderemos entrar no jogo de quem, sendo pequenino, precisa de muito barulho para se colocar ao nosso nível...
Não devemos, por isso, transformar uma vontade inconsciente de vingança (que poderia ter passado pela cabeça de todos e de cada um de nós) numa guerra declarada.
Com a calma que eles não têm - a pretensa juventude faz com a insensatez, a má criação e a impreparação passem por voluntarismo - haveremos de construir a nossa vitória.
Dizia Albert Einstein que «só os loucos é que, continuando a fazer as mesmas coisas, querem ter resultados diferentes»!
Pois alguém achará que os loucos querem fazer as coisas de outro modo?
Ou que... deixaram de ser loucos?
Sendo assim,... ganharão os mesmos dos últimos anos!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

A pouca sorte de Rui Vitória

"Fez ontem uma semana que o Benfica venceu em Madrid e há uma conclusão que se pode tirar: Rui Vitória não é um homem com muita sorte. Os ecos do brilhante triunfo no Vicente Calderón duraram apenas 24 horas, porque daí para cá o espaço mediático tem sido ocupado, basicamente, por três assuntos - Football Leaks, o nevoeiro da Choupana e a ida de Bruno de Carvalho ao 'Prolongamento', da TVI24.
Um dos maiores feitos internacionais nos últimos 30 anos do Benfica desapareceu, assim, enquanto ardeu um fósforo. Uma vitória em casa do Atlético Madrid será apenas comparável nos tempos modernos, a outras que os encarnados conseguiram nos terrenos de Liverpool (2006, com Koeman), Arsenal (1991, Eriksson) e Roma (1983, Eriksson). Para encontrar melhor ou igual já será preciso recuar à década de 60. 
Rui Vitória também não tem aquilo a que se chama 'boa imprensa'. Se vencessem o Atlético - em Madrid e num jogo da Liga dos Campeões - outros treinadores estariam ainda a esta hora a nadar em elogios. E até faria sentido, neste caso, onde os números falam por si. Em 67 jogos de equipas portuguesas em Espanha, apenas 11 vitórias. No caso do Benfica, foi a segunda em toda a história dos encarnados. Antes, apenas Eriksson, em 1983, no terreno do Bétis. E depois há esse 'pormenor' de ter sido esta a primeira derrota na Champions de Diego Simeone no Vicente Calderón desde que chegou ao clube, em 2011. Por fim, a lembrança de que em 2015, que está a caminhar para o fim, apenas duas equipas venceram naquele estádio: Barcelona e Benfica. Rui Vitória é, ou não um homem com pouca sorte?"

Ninguém para Portugal: será rotura?

"Como espero que, hoje, Portugal fique apurado para o Europeu, tenho um pretexto para voltar ao Acordo Ortográfico (AO).
Amanhã, a manchete de um jornal poderia ser 'Ninguém para Portugal', de acordo com as novas regras. Imagine-se um completo leigo nestes assuntos de futebol a ler na banca este título de primeira página. Teria ficado no mínimo admirado. Então ninguém vem para Portugal? Será que os turistas já não gostam do nosso País? Ou será que quem emigrou jamais regressará? Ou não iremos receber a nossa quota de refugiados do Médio Oriente? Uma outra pessoa mais atenta ao desporto, ali ao lado deste simpático leitor de títulos na banca matinal, tê-lo-á descansado: o que está escrito, meu caro senhor, é que ninguém pára Portugal chegado à fase final do Europeu! O nosso distraído da bola, ficou aliviado. Mas, como igualmente não dominava o AO, logo retorquiu que faltava um acento agudo no primeiro 'a' da palavra 'para'. O outro, mais 'acordista', disse que não: deixou de ter acento e teremos que ler de acordo com o contexto. O diálogo continuou: Sim, mas se houver mais do que um contexto ou não se souber do contexto? Terá que adivinhar, concluiu o interlocutor.
A confusão do AO é, também, geradora e multiplicadora de erros. Por exemplo, há quem tire o 'c' a facto como se nós lêssemos 'fato'. Ou, como na capa de domingo de A BOLA, onde li que há rotura total entre Carrilho e o SCP. Ou seja transformou-se a ruptura (rutura, versão AO) de negociações numa qualquer rotura de ligamentos. Ter-se-á instaurado um processo disciplinar ao peruano por causa de uma rotura muscular?"

Bagão Félix, in A Bola

Mundial de râguebi

"Enquanto no futebol planetário se transaccionam influências, se vem conhecendo a ponta do iceberg da corrupção e pouco se avança na adaptação das regras aos novos tempos, temos podido ver o que se passa, de bem diferente, em redor do Mundial de râguebi.
Confesso que não conheço todas as regras deste desporto, mas mesmo assim dá para perceber a emoção do espectáculo. Um torneio jogado com tanto entusiasmo, como de suficiente lealdade desportiva. Num desporto duro e intenso, de constante contacto físico, as quezílias e querelas à volta do jogo são incomparavelmente menores do que noutros desportos.
Disputado na tradicionalista Grã-Bretanha, os estádios estão sempre cheios, sem claques estúpidas e violentas, onde não há lugares reservados para os apoiantes dos contendores, antes pelo contrário todos se misturam na alegria do jogo. Neste Mundial, os estádios estão cheios e bateu-se até o recorde de espectadores (89.019) no jogo inaugural entre a Nova Zelândia e  a Argentina.
Haverá algum desporto colectivo onde o que o árbitro diz durante o tempo de jogo é ouvido e escrutinado por todos? E que dizer de recorrência às imagens para esclarecer dúvidas legítimas deste decisor? E alguém vê discussões estéreis e inconsequentes dos atletas e técnicos sobre as decisões tomadas?
A superabundância do dinheiro (para poucos) e a apoplexia de passivos (para quase todos) que constatamos no futebol não residem neste desporto que, apesar do primado monetário, ainda guarda algumas interessantes características amadoras, no melhor sentido da palavra."

Bagão Félix, in A Bola

Normal

Corruptos 30 - 25 Benfica
(16-14)

Acabou por ser um resultado normal, agora tal como ficou provado nos confrontos directos do ano passado, a diferença não é tão grande como parece: com 3 Livres de 7 metros falhados, imumeros erros nossos aos 6 metros... bastava estas duas variáveis serem positivas para o nosso lado, e o equilibro seria outro, mesmo com o Gilberto e o Quintana... aqueles que verdadeiramente fazem a diferença.

Mundial de atletismo

"Acompanhei, a par e passo, o Mundial de atletismo que teve por palco o imponente estádio de Pequim. Ninho de grandes proezas e que parece ter um significado especial para Nelson Évora. Por lá protagonizou feitos inesquecíveis e terá sentido de forma muito especial a medalha de bronze que trouxe na bagagem e que, juntamente com o ouro do Europeu recente, vieram confirmar o que do nosso atleta se pensa e que já foi dissecado, analisado, louvado e glorificado por quem teve a obrigação ou a necessidade de o fazer, em cima dos acontecimentos.
Mas não foi só o homem do Benfica a emocionar-me. O fair play, de que falamos nestas colunas em nome do CNID e do Plano Nacional da Ética Desportiva, foi esmagador nesta competição, eventualmente único na história do desporto. As serenas celebrações dos vencedores, a camaradagem e os sorrisos nos lábios de quem ganhou e de quem perdeu tiveram a naturalidade... das coisas naturais.
E as comparações são inevitáveis. Especialmente com o futebol, o do nosso Portugal arrebatado e emotivo que parece caprichar em escrever torto por linhas direitas, as dos recintos de jogos. Arbitragem, treinadores. dirigentes. alguns jogadores e alguns jornalistas, felizmente poucos, travam uma 'luta' diária para que as coisas sejam cada vez piores. 'Apoiados' pelos comentadores quase profissionais que, para defenderem as suas cores, não hesitam em pôr todos contra todos.
Olhem para o atletismo e, já agora, para muitas outras modalidades que capricham em dignificar os princípios sagrados do Desporto."

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Náufragos à deriva num mar branco e furioso

"Dias antes de se estrear na Taça dos Campeões Europeus, o Benfica recebeu o Barcelona no Restelo e realizou uma das mais brilhantes exibições da sua história destruindo por completo o adversário, marcando quatro golos e chutando por duas vezes aos postes.

As conversas são como as cerejas, diz-se. Talvez as crónicas sejam como as ginjas: recordação arrasta recordação e cada história traz consigo, presa pelo mesmo espigão, outras histórias.
Hoje recordo um episódio curioso dos primórdios do grande Benfica europeu. E, para isso, recuo até 1957. Setembro de 1957. Estavam os 'encarnados' à beirinha de se deslocar a Sevilha para o seu primeiro jogo da Taça dos Campeões que, como todos sabemos correu mal, com uma derrota por 1-3 que os deixou logo de fora na primeira eliminatória.
Não esqueçamos no entanto que já havia taças da Europa há muitos e muitos anos, que esta coisa de reduzir tudo ao que a UEFA regula e manda só serve para enganar pacóvios, o Futebol já existia organizado muito antes de surgirem os mostrengos que hoje em dia o lideram com mão de ferro e nem sempre muito limpa.
Um dia falaremos aqui da Challenge Cup (que punha em confronto desde 1987/88 os campeões dos países que compunham o Império Austro-Húngaro) ou da Copa Mitropa (iniciada em 1927 e que englobava os grandes clubes das federações centro-europeias), tal como por várias vezes já falámos da Taça Latina.
Pois em 1957, já o Benfica conquistara a Taça Latina (1950) e perdera no mês de Junho uma final da mesma prova em Chamartín, face ao Real Madrid.
Agora, no dia 5 de Setembro, defrontava o Barcelona, no Restelo.
O Barcelona já vencera a Taça Latina por duas vezes (1947, batendo o Sporting na final, e 1952), sonhando com a Taça dos Campeões Europeus conquistada até aí duas vezes pelos rivais do Real.
Ah! havia gente fantástica nessa equipa catalã: Ramallets, Gensana, Segarra, Seguer, Bosch, Luisito Suarez, Vergés, Basora, Sampedro, Tejada, Ramon Villverde, Ladislao Kubala.
Kubala, o grande húngaro, não veio a Lisboa...
Sorte dele.

Rezando à Nossa Senhora dos Afogados
Entre o público que se deslocou ao Restelo, estava Guilherme Espírito Santo que uns anos antes, precisamente em Barcelona, tinha levantado as bancadas do Les Corts graças à sua técnica maravilhosa.
Ele viu. E todos os outros foram testemunhos.
O Benfica destruiu o Barcelona! Não há forma de o descrever sem ser assim. Foi uma destruição pura e dura de uma equipa que toda a imprensa considerava muito superior.
Por falar em imprensa: Tavares da Silva esteve presente.
Ainda bem para nós, que gostamos da prosa escorreita e clara.
Tavares da Silva: já o tenho trazido aqui por diversas vezes.
João Joaquim Tavares da Silva: formado em Direito, jornalista de «A Bola» (não esta, uma que existiu entre 1932 e 1934), da «Standium», do «Diário de Lisboa», do «Norte Desportivo»; treinador da Académica, do Belenenses, do Lusitano de Évora, do Sporting; seleccionador nacional; o homem que inventou a expressão «Cinco Violinos».
Tavares da Silva nunca escondeu que o seu clube do coração era o Sporting. Por que haveria de fazê-lo? Faria dele mais sério, mais profissional?
Julgue o leitor por si próprio: «Arrasam-se-nos de lágrimas os olhos ainda hoje ao relembrar-mos aquele deslocação a Barcelona (N. do A. - 1940, derrota do Benfica por 2-4) que tão intensamente vivemos, nós, sportinguistas de gema, e por isso mesmo nos sentimos ontem à noite irmanados com Guilherme Espírito Santo no mesma luz, uma alegria superior à média dos benfiquenses».
Isso mesmo, benfiquenses como era uso à época.
Isso mesmo, é ao relato de Tavares da Silva que vamos recorrer para falar da impressionante vitória do Benfica sobre o Barcelona: 4-0!
«Ao começo, ainda os barceloneses deram uma imagem ou um apontamento de mérito, mas à medida que o tempo se gastava as operações do Barcelona diminuíam e as do Benfica cresciam de forma assustadora. Quando os lisboetas, que na época passada se cobriram de glória não só em território nacional mas também em terras de Espanha (N. do A. - Taça Latina), chegaram aos 4-0 (havia somente 49 minutos de jogo), o encontro findou... O adversário estava por terra, já não tinha velocidade, sentia-se diminuido e acabrunhado, estava completamente desfeito o seu poder de reacção e o Benfica tinha perdido, logicamente, a raiva do jogo. (...) O Barcelona era, verdadeiramente, uma imagem de Futebol esfrangalhado, impotente, com vários sectores desligados, e as suas unidades mantinham-se em campo só para cumprir a obrigação. Apenas aos 90 minutos do jogo acabou a tortura dos espanhóis. Uma única equipa vivia em campo; a outra estava morta».
Dificilmente haverá maior eloquência de uma superioridade. O Benfica havia transformado o seu adversário numa equipa banal e sem fogo.
Aos 35 minutos, Palmeiro tenta um remate distante: a bola sai alta, atrapalhando Ramallets que soca para a frente; Coluna vem na passada e é fulminante como um raio - o pontapé é tremendo, o golo magnífico.
Como estupenda foi a cabeçada de José Águas para o 2-0 em cima do intervalo.
O Benfica atacava com seis, às vezes sete e oito jogadores. Fernando Caiado e Coluna dominavam por completo as respostas do meio-campo do Barcelona. Cavém faz o 3-0 e Águas o 4-0 sobre o minuto 50, novamente de cabeça.
Os catalães podem agradecer à sorte. Vêem Coluna e Salvador estarem à beira do quinto golo; assistem à forma como Águas desperdiça um «penalty» chutando ao poste e como Calado faz a recarga à trave.
Envoltos num mar branco e encapelado (o Benfica jogava todo de branco) são náufragos à deriva, rezando à Nossa Senhora dos Afogados para que o tempo passe depressa e possam regressar a casa.
Só voltarão a defrontar o Benfica dentro de quase quatro anos: em Berna. Para conhecerem de novo o amargo da derrota."

Afonso de Melo, in O Benfica

Sobre Gaitán

"Escritor notável, Nobel da Literatura, referência ética de uma Europa a colapsar e guarda-redes de futebol no Racing de Argel, Albert Camus foi tudo isto e, certamente por isso, disse um dia que "depois de muitos anos, nos quais vi muitas coisas, o que sei de mais seguro sobre moralidade e os deveres do homem, devo-o ao desporto e aprendi-o no Racing de Argel". A citação surge amiúde e vive de forma autónoma, contudo só recentemente apreendi o seu verdadeiro sentido.
Recorro a Eduardo Galeano, que cita ainda Camus, que nos revela ensinamentos dos anos de guarda-redes: "Aprendi que a bola nunca vem ter connosco por onde esperamos que venha. Isso ajudou-me muito na vida, sobretudo nas grandes cidades, onde as pessoas não são, como se usa dizer, rectas."
Moralidades à parte, o que Camus também identificou com precisão foi a magia singular do futebol. Uma coreografia assente em regras, disciplina táctica, movimentos previsíveis, mas que acaba por ruir porque, por mais que procuremos antecipar o que vai acontecer, "a bola nunca vem ter connosco por onde esperamos". 
Hoje o futebol pode parecer uma exibição de organizações quase espartanas, com pouco espaço para a afirmação individual. Nada de mais errado. O futebol persiste grandioso porque no meio da organização burocrática, do modelo de jogo ensaiado, há sempre uma nesga de criatividade que leva a bola por caminhos inesperados. Sem o rasgo irresponsável de um par de mágicos que resistem às amarras, o futebol poderia existir, mas não nos ensinaria nada sobre moralidade."

União está a mais na Liga

"Não se chama Sebastião, nem sequer é rei, mas mostra habilidade na oratória este presidente do União que, num fim de tarde de nevoeiro, se aproveitou do espaço de antena que lhe foi dispensado para verberar o adiamento do jogo com o Benfica que minutos antes havia sido decidido por quem detinha poderes para tal, como se tivesse sido praticado pecado sem perdão. Em primeiro lugar, o referido presidente, porventura deslumbrado por tamanha deferência mediática, entendeu espalhar críticas em várias direcções, começando, é bom que se assinale, por rotular de parvos quantos naquele instante seguiam a transmissão da Sport TV, os quais, com o mínimo de atenção, puderam verificar que em termos de condições climatéricas as imagens foram mais fortes do que as palavras, contrariando o que o dirigente ousou afirmar sobre a matéria. É claro que o jogo poderia ter-se iniciado naquele intervalo que jornalista e comentador da estação assinalaram com oportuno sentido de reportagem mas apenas isso. Tratou-se apenas de uma aberta que depressa se diluiu na espessa neblina que, por informações recolhidas, assentou arraiais desde manhã e não mais de lá saiu.
À parte o farrapo de argumentação utilizada com o suposto objectivo de, no essencial, dar uma bicada na posição assumida pelo Benfica, o presidente unionista endereçou bizarros reparos aos que contribuíram para dar uma «má imagem da região, de um clima que não é o seu»... Além de um rol de queixas, ao considerar o União «altamente prejudicado» e, entre outros arremessos, sugerir ao actual Governo Regional que fiscalize o contrato de cedência ao Marítimo do Estádio dos Barreiros.
O presidente unionista falou muito, mas esqueceu-se, ou talvez não, de abordar a questão que verdadeiramente interessa e que se prende com o facto de três clubes da mesma cidade (Funchal) competirem na principal Liga profissional (Marítimo, Nacional e União), o que só encontra paralelo na capital do país (Benfica, Sporting e Belenenses), aconselhando o bom senso, no entanto, que não se estabeleçam comparações entre as duas realidades por serem incomparáveis... A introdução do União na Primeira Liga é, pois, a expressão de mais uma exuberância futebolística made in Madeira. Exuberância essa que vai gerar custos elevados que terão de ser pagos.
Já que se mostrou tão empenhado na proclamação de alguns valores, podia o presidente da SAD unionista ter aproveitado a ocasião de estar em rede de grande audiência para informar quanto recebe o seu clube do Governo da Região. Não se lembrou ou tal manifestação de transparência não coube no alinhamento da sua demorada intervenção. Não é segredo, mas, mesmo assim, ter-lhe-ia ficado bem essa declaração, em nome da verdade. Pois é... talvez não interesse despertar esse sentimento de concorrência desleal em relação aos clubes continentais, principalmente aos de menor dimensão, porque se todos pudessem beneficiar dos mesmos apoios financeiros, provavelmente, esta situação nem se colocaria...
Com todo o respeito pela história de um emblema centenário, carece de sentido a presença do União na Liga portuguesa. Pode não gostar-se dos estilos dos respectivos presidentes (Carlos Pereira e Rui Alves), mas é inquestionável que, cada qual com a sua linha de orientação, Marítimo e Nacional são notáveis representantes da Região, além de apresentarem obra.
O União depara-se-nos, pois, sobre a onda de um capricho político-social que os contribuintes não têm obrigação de continuar a suportar..."

Fernando Guerra, in A Bola

Pecados mortais

"A propósito de alguns fenómenos desportivos anómalos, reveladores da condição humana, relembro os 'pecados mortais' e aproveito para renovar as críticas pela forma como alguns clubes têm vindo a coagir os seus jogadores para que aceitem a cessação ou renovação do contrato de trabalho.
Orgulho. Quer na pré-época quer no decurso das competições desportivas têm sido recorrentes as práticas abusivas infligidas a jogadores, colocados a treinar à margem do 'grupo normal de trabalho', ou na 'equipa B', para que abandonem o clube ou renovem o vínculo.
Avareza. Embora os clubes estejam mais conscientes do papel que devem desempenhar as equipas B, nalguns casos estas continuam a funcionar como espaços de punição e desvalorização de jogadores. 
Luxúria. Prosseguem também os casos de jogadores com indicação por parte dos clubes para aguardar pela sua chamada, sendo depois confrontados com processos de despedimento por abandono do trabalho. 
Inveja. Para além de violarem as garantias laborais essenciais, as práticas descritas têm fomentado a celebração de acordos de revogação desfavoráveis aos interesses dos jogadores, comprometendo o progresso da sua carreira desportiva.
Gula. Reitero que os jogadores devem poder treinar com o seu 'grupo normal de trabalho'. Qualquer diferenciação de tratamento que não seja justificada por razões disciplinares e aplicada proporcionalmente constitui uma forma de discriminação ilegal violadora das obrigações a que os clubes, enquanto entidades empregadoras, estão sujeitos.
Preguiça. As sanções disciplinares aplicadas pelos clubes devem resultar de um processo devidamente instruído que permita a apresentação de meios de defesa.
Defeitos e virtudes. Os jogadores envolvidos nas práticas enunciadas devem estar conscientes de que não estão sozinhos e procurar ajuda junto do Sindicato. Dando o primeiro passo terão um parceiro de diálogo com os clubes que pautará a sua actuação pelo respeito, integridade e facilitação das vias de comunicação. O nosso compromisso é claro, o de apoiar os jogadores, com o máximo respeito pelos clubes que representam, em prol da dignidade do futebol!"

"Um pombo à cabeça e um cão ao ombro..."

"A história do jogador de futebol que era columbófilo e que vivia numa casa que mais parecia a Arca de Noé.

José Torres (1938-2010) teve uma longa carreira como jogador, somando 23 anos de carreira no futebol profissional. Nunca é demais relembrar que o avançado esteve ao serviço do Sport Lisboa e Benfica durante 12 épocas, ao longo das quais auxiliou o Clube na conquista de 16 títulos.
Os seus feitos desportivos, tal como a sua inconfundível figura - alta, esguia, de rosto estreito e sobrolho carregado  - são já bem conhecidos. O que muitos desconhecem é que José Torres tinha uma paixão para além do relvado: a columbofilia. Em sua casa tinha cerca de uma centena de pombos que ele próprio treinava mas, de todas aquelas aves, uma era especial: o Menino.
O Menino, ao contrário dos restantes, não era um pombo-correio e não vivia no pombal. O Menino circulava livremente entre a casa e o quintal, onde brincava com José Augusto, Francisco José, Maria da Nazaré e Ana Maria, os filhos do jogador, mas sobretudo com o Pitó, o cão.
Quem nos dá a conhecer a curiosa histórica do Menino e do Pitó é o jornalista Carlos Pinhão que, ao serviço do jornal A Bola, se deslocou juntamente com o fotógrafo Nuno Ferrari a casa do jogador. O objectivo inicial era, como seria de supor, fazer uma reportagem sobre futebol mas, sendo recebidos entusiasticamente pelos dois bichos, logo a temática foi alterada.
Sentaram-se para dar início à entrevista e, de repente, o jornalista tinha 'um pombo à cabeça e um cão ao ombro...', um momento que descreve como 'verdadeiramente inesperado'.
'-São amigos' - começou Torres a explicar.
'-Quem?
-O cão chama-se «Pitó» e o borracho é o «Menino». São muito amigos um do outro, andam sempre na brincadeira.'
E assim, o pombo e o cão ganhavam o papel de protagonistas na entrevista. Na página d'A Bola, Pinhão continuava:
'É giro ver o cão a correr e o pombo a acompanhá-lo, voando. (...) diz-nos Torres que brincadeiras assim se estendem às galinhas, aos patos, aos gatos...'. 'Mas isto é uma casa ou a Arca de Noé?', perguntou  o jornalista.
O fotógrafo, 'a rir-se às escâncaras', disparava continuamente. Torres limitou-se a responder:
'-Ainda bem que vocês vieram cá a casa (...) é que ninguém acredita, (...) agora é diferente, vendo as fotografias do Nuno...'.
No Museu Benfica - Cosme Damião, são vários os locais onde Torres é recordado, entre eles a área 23. Inesquecíveis."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Lixívia 7 (Benfica -1 jogo)

Tabela Anti-Lixívia:
Sporting.............17 (0) = 17
Benfica............ 12 (-4) = 16
Corruptos....... 17 (+2) = 15

Os dois jogos disputados, não tiveram casos graves, alguns foras-de-jogo mal decididos em Alvalixo, mas sem influência no jogo... A expulsão do jogador do Guimarães foi justa.

O 'caso' da jornada foi mesmo o adiamento do União-Benfica. Construir um Estádio de futebol, num local propício a Nevoeiro dá nisto...
Agora, a questão mais importante parece ser o regulamento!!! É engraçado, já que em Portugal, os regulamentos foram feitos para não serem respeitados...!!! Então no Tugão, é prática corrente, abrir-se excepções... mas aparentemente, existe uma vontade justiceira, em fazer respeitar do regulamento deste vez, principalmente na parte onde é dito, que a partida adiada, seja disputada nas 4 semanas seguintes...!!!
Noutra parte do regulamento de competições, também diz que todas as equipas têm direito a 72 horas de descanso entre jogos, mas esse pormenor, parece que não é muito importante...!!!
Vejamos: nas próximas 4 semanas o Benfica, não tem nenhum 'buraco' de 72 horas, para encaixar o jogo do União. O Tondela-Benfica, já está marcado para Sexta-feira (já que na Terça-feira seguinte, jogamos com o Galatasaray na Luz), portanto na Quarta-feira anterior não dá... E após o jogo no Cazaquistão, vamos jogar a Braga numa Segunda-feira, logo nessa Quarta-feira também não dá...
Sendo assim, o mais fácil e lógico seria adiar o jogo para Dezembro, após o fim dos jogos da fase de grupos da Champions...
A única solução, para evitar o adiamento tão prolongado, seria marcar o União-Benfica para um fim-de-semana de Taça de Portugal. A 3.ª eliminatória da Taça de Portugal já foi sorteada, e já tem os jogos marcados, além disso disputa-se dentro de pouco tempo... e além do Vianense-Benfica, tinha-se que adiar o União-Rio Ave.
Agora, seria possível marcar o União-Benfica para o fim-de-semana da 4.ª eliminatória da Taça de Portugal, como ainda não foi sorteada (nem se sabe se as duas equipas se vão qualificar) seria mais fácil, 'encaixar' o jogo... mas como as competições são organizadas por instituições diferentes, duvido que isso aconteça...
Qualquer outra solução, que implique o Benfica, por em causa o nosso futuro na Champions, e no Campeonato, é inaceitável...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0, Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
Épocas anteriores:

O que vai mudar com o 'Football Leaks'?

"Além do 'voyeurismo' associado ao 'Football Leaks', há duas dimensões mais: a do caminho do dinheiro e a de eventuais ilegalidades.

O fenómeno do Football Leaks está a marcar o futebol português e a suscitar a atenção da Europa. Em Espanha, por exemplo, aquilo que mais interessaria, segundo a comunicação social, era conhecer os termos exactos do contrato de Iker Casillas...
Há três vertentes, neste caso, que devem ser identificadas e separadas: uma dimensão voyeurista, que resulta da curiosidade em saber os detalhes de operações normalmente vedadas aos olhos da opinião pública; uma outra que pode resultar da eventual ilegalidade de alguns passos dados nas operações contratuais; e uma terceira, que dotará os comuns mortais de instrumentos capazes de tornar perceptíveis os caminhos do dinheiro nos negócios do futebol. Seja como for, estamos perante matéria de interesse, capaz de fazer luz sobre matérias sensíveis e normalmente reservadas. Quando o fenómeno Wikileaks incendiou as relações internacionais, os principais jornais do mundo decidiram que os factos trazidos à luz eram mais importantes do que a forma como tinham sido obtidos. E, segundo esse princípio, e contrariando a vontade especialmente do Governo dos Estados Unidos, foram publicados muitos segredos embaraçosos. Com que consequências? Houve debate alargado em relação a algumas práticas erradas e vários comportamentos acabaram por ser alterados. Esse foi o mérito da Wikileaks e, mutatis mutandis, esse poderá ser, também (excluindo o voyeurismo, de que o contrato de Jorge Jesus é outro exemplo) o benefício a colher do Football Leaks.
Futebol e eleições
Em dia de eleições, ao contrário do que vinha sendo norma, houve jogos de futebol dos principais clubes portugueses, a contar para o Campeonato Nacional. A resposta à contestação a esta decisão, feita em muitos casos através de uma indignação histérica e plena de demagogia, foi dada pela redução da abstenção. Afinal, o futebol não foi uma força contra a participação democrática, ninguém terá deixado de votar pelo facto de haver jogos. Já o tinha escrito, perante a calendarização das competições europeias e das datas FIFA, não haveria alternativa a esta solução de se jogar a 4 de outubro. E, como ficou à vista de todos, os jogos não foram nem intrusivos da consciência democrática nem dissuasores do voto.

Crónica de um prejuízo anunciado
«A Sporting SAD está agora convencida de que o projecto com o qual o jogador (Carrillo) se encontra comprometido não é o nosso.»
Comunicado Sporting Clube de Portugal
Acabou mal a novela André Carrillo. Acabou mal para o jogador, que não deverá jogar mais no Sporting e acabou ainda pior para o clube, que perdeu a mais-valia desportiva que o peruano representa e não terá nenhum benefício financeiro quando este partir. Os leões optaram por seguir uma linha dura, de antes quebrar que torcer. Resta saber o que ganharam com isso. Se calhar, nada.

(...)
Problema sério
A irresponsabilidade criminosa, em Madrid, de um punhado de idiotas da claque do Benfica vai custar caro ao clube da Luz. E não valerá a pena dizerem, os encarnados, que não reconhecem as claques. O mal está feito (como tem sido feito, em forma de petardos e tochas, ao longo dos últimos anos) e há que encontrar, com carácter de urgência, uma solução que inviabilize a entrada nos estádios destes marginais que nada acrescentam ao espectáculo. A situação não é fácil, mas carece de uma resposta enérgica e corajosa. Mais de Madrid é que não!"

Maldade galesa na hora da humilhação
Inglaterra fora do (seu) Mundial de râguebi, País de Gales e Austrália a caminho dos quartos-de-final e a rivalidade a tornar-se evidente no gozo com que o 'Wales on Sunday' carregou na humilhação da selecção da rosa. 'You Beauties!' foi a formula encontrada pelo jornal de Cardiff para elogiar os australianos...

José Manuel Delgado, in A Bola

Os arruaceiros

"Não há bela sem senão. Ao derrotar o A. Madrid, que perdeu a segunda partida europeia, no Calderón, nos últimos 28 jogos, o Benfica não pôde regressar a Lisboa sem uma mágoa: a causada pelo comportamento daqueles energúmenos que sempre se juntam às claques de futebol não para assistirem aos jogos mas para promoverem as arruaças que sentem dificuldade em concretizar noutras circunstâncias.
Uma criança ferida, atingida por material pirotécnico, é o balanço mais negro da postura dos anormais, que o Benfica vai ter de pagar com língua de palmo. E muito por dois motivos que ultrapassam a responsabilidade dos criminosos. O primeiro tem a ver com a Liga, com a Federação e com todos os agentes com poder para minimizar o mal incluindo as forças policiais, que não identificam e não punem os baderneiros. Nos estádios portugueses, basta atentar na benignidade com que se revistam os espectadores 'problemáticos' e no 'nevoeiro' que se instala sobre os relvados no início de alguns desafios, para se confirmar que brincamos com o fogo. Felizmente, a UEFA não.
O segundo motivo é o da tolerância do próprio Benfica à acção dos crónicos autores dos desacatos. Ao clube, seria fácil identificá-los e barrar-lhes o acesso aos recintos, o que só não faz porque se acha absurdamente, que um emblema que reclama ter 6 milhões de adeptos não pode perder duas ou três dezenas de doentes mentais. Foi bom ouvir Luís Filipe Vieira aplicar a "essa gente" a designação que bem lhes assenta: a de "arruaceiros". Mas melhor será que, perante o peso das consequências, o Benfica acorde de vez para o flagelo e o destrua."

Alexandre Pais, in Record

domingo, 4 de outubro de 2015

O Sebastião ainda não apareceu!!!

E do nevoeiro não apareceu o D. Sebastião, apareceu mais um Palhaço, já tínhamos que aturar vários, mas aparentemente o Presidente do União também tem jeito para a graçola... Aliás começo a pensar, que para ser Presidente de um Clube da I Liga, ser Palhaço, faz parte dos requisitos!!!

Pois bem, o União, para ganhar mais dinheiro à custa dos Benfiquistas, muda o jogo para a Choupana, local recorrentemente afectado pelo Nevoeiro, que já obrigou ao adiamento de vários jogos, isto porque o outro Estádio de jeito, nas redondezas, apesar de ser construído e remodelado com dinheiros públicos, é propriedade privada, e o Marítimo está de relações 'cortadas' com o União...!!!
Como já era previsível, à hora do jogo, a visibilidade era nula, esperou-se uma hora, e nada, jogo adiado... As estradas de acesso ao Estádio, tiveram encerradas durante grande parte do dia, tais eram as condições de visibilidade...
Em condições normais, o jogo seria disputado no dia seguinte, mas o Benfica tem 10 jogadores convocados para as suas respectivas Selecções, sendo que 6 são titulares, e outros 2 são os primeiros a saltar do banco, e as regras internacionais não permitem que os jogadores disputem jogos na Segunda-feira... E qual é a conclusão do Palhaço do União?!
 "Não percebo porque o Benfica não quis o jogo na segunda-feira."!!!
Não sei se as declarações foram feitas como Presidente do União, sócio dos Corruptos, ou membro do Sindicato dos Palhaços, mas teve graça...!!!

Não vai ser fácil encontrar uma data, entre a Liga, a Champions, a Taça de Portugal e as Selecções, as datas disponíveis são poucas ou nenhumas...Vamos aguardar...

Nélson Semedo

"Acredito que o Nelsinho, com a sua humildade e a sua dedicação ao trabalho, vai ser um dos grande defesas-direitos da Europa

1. O dia de hoje é um dia singular. É dia de eleições legislativas e todos os grandes do futebol português realizam os seus jogos. Pela primeira vez, desde a entrada em vigor da actual Constituição da República, e, logo, da democracia representativa em Portugal, os principais clubes do nosso país jogam no dia das eleições. Sabemos que a combinação entre o calendário interno e o internacional assim o possibilita. Mas, em rigor, nem determina, nem exige. Parece que também o futebol está sujeito a 'vinculações externas'. Mas importa votar. Já que, de verdade, o voto é a 'arma do povo'. A minha geração ganhou a maioridade cívica antes da maioridade jurídica. Votei em 1975 para a Assembleia Constituinte sendo menor em termos de lei civil. E nunca deixei de exercer este direito conquistado. Em todas as eleições. Todas mesmo. É o que farei hoje. Adaptando o horário do voto com o horário dos jogos. E sabendo que a noite eleitoral apagará totalmente o respaldo dos jogos da Liga. E que o voto é mesmo a 'arma do povo'. Hoje como há quarenta anos.
2. Na quarta-feira passada, vivi um dia bem especial em Madrid. Foi, de verdade, um dia com imenso prazer. Mas, sou sincero, com instantes de dor. Aqueles incidentes com as tochas não são nem toleráveis, nem admissíveis. A palavra tristeza tomou conta de nós como bem expressou, ainda no estádio, o Presidente do Benfica. Vamos ao prazer. Na realidade, ao duplo prazer. Ao princípio da tarde, vibrei com a vitória dos nossos jovens no jogo da segunda jornada da Youth League. Foi uma vitória sofrida e merecida. E alguns deles mostraram a qualidade para, a curto prazo, serem uma opção séria para a equipa principal. Renato Sanches, Diogo Gonçalves ou João Carvalho, entre outros - como o Hildeberto Pereira ou o João Lima -, são a 'prova provada' que a formação 'vale a pena' e merece efectivas oportunidades. A equipa técnica liderada por João Tralhão sabe bem que esta liga jovem já é uma montra europeia. Bem o percebi na cidade desportiva de Madrid ao ver - e aí ser questionado! - por alguns olheiros de clubes de referência do futebol europeu. Este foi o prazer do princípio da tarde. Uma vitória por 2-1! E como sonho que à noite, no Vicente Calderón, se repetisse o resultado!
3. E o sonho concretizou-se. Um Benfica personalizado venceu o forte Atlético de Madrid. Foi uma noite de prazer e de orgulho benfiquista. Foi uma noite em que houve instantes de dificuldades e momentos de inspiração. Foi uma noite em que os mais 'velhos' mostraram aos 'mais novos' que, com personalidade e fé, se ultrapassam todos os obstáculos. Foi uma noite em que Júlio César guardou e Gaitán brilhou. Foi uma noite em que Jonas saudou, uma vez mais, o talento de Gonçalo Guedes. Foi uma noite em que o 'eu' e o 'tu' suscitaram o 'nós'. Foi uma noite de parceria perfeita entre Rui Vitória e a equipa. Foi uma noite bem preparada e, a partir dela, queremos acreditar que é possível conquistar os três pontos em cada jogo. Interno e externo. Ou seja, em todas as competições. Como já hoje, no emprestado Estádio da Choupana, frente ao União da Madeira. Seria uma semana de sonho e de muito, mas muito, prazer!
4. Para Nélson Semedo foi uma semana de sonho. Para recordar na sua história pessoal. Há cerca de quatro anos, o Meu Bom Amigo, Victor Coelho, então Presidente do Sintrense, um grande ortopedista, desafiou-me para ir ver um jogo do clube e para analisar, em pormenor, dois jovens jogadores que estavam a ser observados por clubes europeus e, em particular, o Benfica. Gostei de um deles. E voltei a ver jogos do Sintrense que era, na altura, bem comandado por Luís Loureiro. E voltei a gostar do Nélson, do Nélsinho! O Benfica antecipou-se e contratou-o. Em boa hora. Acaba de ser convocado para a nossa principal selecção. E acredito que, com a sua humildade e a sua dedicação ao trabalho, vai ser um dos grandes defesas direitos da Europa. Rui Vitória acreditou nele e deu-lhe a oportunidade na Supertaça. Agarrou-a. O talento já se sentia em Sintra. O que mostra que há talento que a observação técnica nacional não detecta. Nélson Semedo chega à selecção principal sem qualquer convocatória em selecções jovens. Rui Vitória e Fernando Santos são dois treinadores marcantes para aquele jovem que fez toda a sua formação no Sintrense. E, agora, já tem muita gente do futebol europeu a olhar para ele. De Sintra ao Mundo é um instante. Sorte e trabalho. Talento e humildade. Parabéns, Nélson Semedo!
5. O Football Leaks está a provocar um abalo 'sísmico' no futebol português. E a suscitar as atenções do mundo desportivo. Basta olharmos para os principais jornais europeus, generalistas e desportivos, para percebermos que os documentos confidenciais revelados vão determinar alterações a alguns relatórios e contas de alguns clubes. Acredito que algumas Ligas, com mais poderes de controlo que a nossa, vão ler os documentos com muita atenção. E acredito que a nossa Comissão de Mercados de Valores Mobiliários vai confrontar informações prestadas com as informações agora 'chegadas'. Que a divulgação embaraça é indiscutível. A sorte, neste momento, é que agenda mediática está concentrada, e bem, nas eleições legislativas de hoje! É a política a 'defender' o futebol!
6. Há quarenta anos, o primeiro jogo, após as importantes eleições para a Assembleia Constituinte, foi no velho Estádio José Alvalade. Um Sporting-Benfica. Terminou com um empate, com os golos de Fraguito e Diamantino! É, tão só, uma recordação. De uma época desportiva em que ambos os clubes tinham reatado relações! Mas bem sabemos que o mundo é feito de mudanças."

Fernando Seara, in A Bola

Em nome do jogo

"Uma semana rica, a desfiar em interrogações. Que são nada mais nada menos do que reflexões.
1. Até quando permanecerá esta vontade de os 'adeptos' (??!!)se fazerem notar pelas piores razões num estádio de futebol e prejudicarem a reputação (e o interesse e, eventualmente, o percurso desportivos) dos clubes que 'apoiam'? Até quando se conservará o laxismo na regulamentação desportiva, que tornou cada vez mais difícil (tornando ilícitos de perigo em ilícitos de resultado) a censura jusdisciplinar para as hipóteses mais graves? Até quando é possível adiar um 'plano de erradicação' da violência (à inglesa), ao invés de se gastar tanto dinheiro em missões de 'acompanhamento' de claques absolutamente alheias à ordem pública e à preservação da integridade física? Esta semana Benfica e Belenenses já sofreram, nas competições europeias, com este alastrar que não pára. Veremos o que ainda vão sofrer.
2. Até quando se conservará esta descoberta diária de informação sobre contratos, transferências, cláusulas, arquitecturas financeiras, negociações, intervenção de 'empresários', incumprimentos e auditorias (e o mais que haverá) através do Football Leaks (alojado na Rússia)? Até quando será esta intolerável revelação de matérias reservadas para que se obriguem as (várias) autoridades a, para além de averiguar até ao limite a autoria, sindicar a veracidade e a legalidade das operações jurídicas e das comunicações oficiais feitas no mundo do futebol? Até quando é possível postergar o ajustamento dos procedimentos de regulação e supervisão da actuação dos administradores/colaboradores dos clubes/sociedades, dos 'agentes' e dos 'comissionistas' ?
3. Até quando se manterá a ignorância sobre a necessidade de regular na lei estatal e nos instrumentos desportivos o processo negocial de contratação (e renovação contratual) dos atletas e treinadores, nomeadamente para adequar as exigências de actuação leal e conforme à boa-fé às especificidades desse processo negocial?
4. Até quando se preserva esta espécie de paz podre e guerra encapotada entre os clubes nacionais e os dirigentes de topo da Federação Portuguesa de Futebol, mesmo quando há mecanismos para sanar, corrigir e sancionar os comportamentos ocorridos nos corredores e nos estádios? Talvez até ao momento em que todo este edifício caia como um castelo de cartas, em prejuízo daquilo que é a base de tudo o resto: a paixão pelo jogo. Demasiado tarde."

As receitas das apostas desportivas on line

"1. A Portaria n.º 314/2015 de 30 de Setembro, fixou o modo de repartição do montante de 37,5 % do imposto especial de jogo online, ou seja, a parte que é receita do desporto.
2. Os destinatários dessa receita são determinados a partir do tipo de competição desportiva objecto das apostas. Em todas as competições ou provas desportivas que não tenham a resposta específica, a regra é: 85 % para os clubes ou sociedades desportivas ou, quando aplicável, para os praticantes que não pertençam a qualquer destes, e 15% para a correspondente federação desportiva, para promoção da modalidade.
3. Quando as apostas incidirem sobre as competições e provas desportivas da liga profissional ou sobre as competições e provas às quais as sociedades desportivas e os praticantes possam ter acesso por via daquelas, a repartição é a seguinte: 85 % para as sociedades ou, quando não existam, para os praticantes, participantes em competições e provas organizadas pela Liga e 15% para a Liga, para promoção da modalidade.
4. Por outro lado, se forem sobre todas as competições ou provas em que participem as selecções, a receita é atribuída, na íntegra, à correspondente federação para promoção da modalidade.
5. Se as apostas forem efectuadas sobre as competições multidesportivas em que possam participar missões portuguesas da responsabilidade do Comité Olímpico de Portugal, do Comité Paralímpico de Portugal ou da Confederação do Desporto, o montante é atribuído na íntegra à respectiva entidade responsável, para a organização, despesas das missões e programas de preparação."

José Manuel Meirim, in A Bola

sábado, 3 de outubro de 2015

13.ª Supertaça

Benfica 79 - 42 Barcelos
30-7, 15-12, 19-11, 15-12

Já era esperado um jogo fácil, o Barcelos sem o Nuno Oliveira e o Lonkovic será sempre muito mais fraco.
O Benfica entrou concentrado, e sem relaxar, assim se explica a diferença brutal logo de entrada... Deu até para gerir os minutos de todos os jogadores.
Duas notas: os 0 pontos do Mário Fernandes em 20 minutos, com 2 lançamentos tentados. O Mário às vezes exagera no 'passe'...; e as faltas 'sacadas' pelo Nuno Oliveira nas penetrações... era bom que o Cook, perceba que também deve fazer movimentos parecidos.

13.ª Supertaça, 4.ª consecutiva, 11.º título consecutivo!!! É esta a história recente do Basket do Benfica... e que seja para continuar.


6.ª Supertaça

Sp. Espinho 0 - 3 Benfica
23-25, 17-25, 14-25

Sexta Supertaça, quinta consecutiva. Esta estatística ilustra bem o domínio do Benfica da modalidade nas últimas épocas. Mesmo com muitas alterações no plantel em relação à época anterior, o Benfica voltou a vencer...
Isto apesar da boa replica do Espinho no 1.º Set. Parece-me mais forte o plantel do Sp. Espinho desta época, em relação ao último ano.

O Dr. Gaspar voltou a fazer um grande jogo, o Renan está melhor jogador (em relação à primeira passagem pela Luz), e o João Oliveira está a evoluir...