Últimas indefectivações

sábado, 13 de setembro de 2025

Seleção: quando ganhar ainda não chega


"Há um crescimento mental assinalável na Seleção, que se já sente como equipa grande em campo, mas ainda não recebeu de Martínez todas as armas para poder de facto sê-lo

Provavelmente, já passou, para quase todos vós, o momento para falar da Seleção. Esse período vai, religiosamente, de 1 hora antes a 1 hora depois da convocatória e, depois, da divulgação do 11 até 30 minutos após o derradeiro apito. De resto, interessa pouco, a não ser quando já se luta pelo Europeu ou Mundial. Aí, há bandeirinhas nas janelas, cachecóis em para-brisas, anúncios em série nas televisões, hinos afinados cantados a capella e gazetas acumuladas para ir ver jogos lá fora. Um aviso: se a sua companheira engravidar agora, ainda consegue garantir licença para ir para a bancada nos Estados Unidos, México e Canadá. Já se for você a abençoada, gabo-lhe a coragem. Vá — e pode fazê-lo a partir das duas semanas de vida — ou fique em casa, será sempre uma heroína.
Portugal é, reconheça-se, também vítima do próprio sucesso. Passou a ganhar mais vezes do que no passado, não só por estar mais forte, mas também por disputar qualificações acessíveis e que apuram cada vez mais seleções, o que afasta a discussão. Já eu vi Portugal cair diante de Itália e Suécia (1988), Bélgica e Checoslováquia (1990), Países Baixos (1992), Itália e Suíça (1994), e Alemanha e Ucrânia (1998). Hoje, rivais assim já só se veem lá mais para a frente. Sem haver muito a perder, o interesse também é menor, porém estou tentado a ficar-me pelo paradigma da falta de cultura desportiva, que leva a que as paragens para as seleções coincidam com a perda generalizada de interesse em campo, graças ao menor sentido de pertença. Quantos de nós não passaram pelas redes sociais e viram comentários como «A minha Seleção é o Sporting!» Ou «o Benfica». Ou «o FC Porto». Apenas sintomas.
Nas bancadas também se percebe, à exceção de uma ou outra claque arregimentada pela federação, que os adeptos, na maioria, não são os mesmos. Os que vão ver a Seleção estão ali pela festa, pela família, por Cristiano Ronaldo, por exemplo, ou outra estrela, e não tanto pelo jogo. Não é que isso tenha algo de errado, bem pelo contrário, todavia, há aqui uma fratura entre o que significa o clube e a Seleção para cada um dos portugueses, com penalização para a última. Roberto Martínez até veio de certa forma preparado, de uma Bélgica dividida política, social e culturalmente, que ainda assim se conseguia unir, no seu tempo, à volta da equipa nacional.
Mesmo que a poeira já tenha assentado e a maior parte de vós já esteja a pensar como organizar a agenda para assistir à próxima partida do mais-que-tudo, seja no estádio ou à frente do ecrã, num grupo de amigos, com cerveja, amendoins e tremoços à discrição, ou simplesmente sozinho, este texto é sobre a Seleção.
Ora, perante adversários de classe média baixa, Portugal fez o fundamental. Venceu e tem o apuramento na ponta da língua. Na Hungria, fê-lo de forma mais sofrível do que o esperado, mesmo que se reconheça a Szoboszlai e a Kerkez, sobretudo estes, grande qualidade. E a essa nota de instabilidade defensiva juntam-se mais umas quantas ideias que reúno aqui.
Dos quatro centrais, o selecionador tem uma certeza (Rúben Dias) e três dúvidas, ainda que não o admita. Gonçalo Inácio foi ainda assim titular diante da Arménia, mas com o crescer de exigência preferiu-se adaptar Rúben Neves. António Silva saltou lá para dentro na hora de defender, contudo, Renato Veiga, que a certa altura pareceu ganhar espaço, não somou um único minuto. Por isso, talvez seja importante fazermos o exercício: o que é que um médio da liga saudita, que tem boa capacidade de distribuição longa e remate de fora da área, acrescenta a um central da Liga, capaz de distribuir curto e longo com eficácia, está mais rotinado na cobertura da sua área e ainda é referência nas bolas paradas ofensivas? Deixo que respondam vocês.
No meio-campo, o selecionador está convicto de que Vitinha e João Neves, mais ou menos vezes pela direita, têm de jogar juntos, porém a verdadeira questão tem sido encaixar as demais figuras. Ainda não foi desta que Bruno Fernandes pareceu confortável em ter apenas o que sobra da dinâmica de construção transplantada de Paris, enquanto Bernardo Silva já pareceu mais ligado ao processo que o rival mancuniano, muito confortável no controlo da partida através da posse e há muito preparado para ocupar o espaço livre sem bola. Desperdiçar o talento de qualquer um dos dois parecerá criminoso, porém o processo coletivo deveria mais uma vez ser prioritário. Já sabemos que Martínez pensa doutra forma.
Não há muito a acrescentar na frente. Prefere-se a eficácia de Ronaldo na área a soluções que aproximariam o espanhol em muitos mais momentos do seu modelo, como Gonçalo Ramos. No primeiro encontro, a proximidade do agora também Al Nassr João Félix ajudou o recordista de tudo e mais alguma coisa (sem ironia), no segundo o seu isolamento forçou os colegas a cruzar demasiado, bloqueou o ataque posicional — os seus movimentos são quase sempre feitos à sua medida e não de um ponto de vista mais associativo e coletivo — e a equipa tornou-se também mais vulnerável às saídas rápidas magiares naquela pressão que só funcionará quando for verdadeiramente feita em conjunto. E era apenas a Hungria…
Quem ler pode ficar com a sensação de que muita coisa está mal, porém a ideia que deve ser retirada é que poderia estar ainda melhor. A equipa continua muito débil diante de blocos mais baixos, um momento em que Roberto Martínez sente dificuldades desde os primeiros tempos da carreira, quando começou a treinar melhores atletas, ainda que haja quem elogie aquela rotação quase estéril da maior parte dos elementos do ataque. Sublinhe-se sim o crescimento mental da Seleção no pós-Liga das Nações, que o modelo ainda não acompanha. E não esqueçamos de elogiar vontade e postura.
O espanhol continua a ser um ou dois passos em frente em relação a Fernando Santos, que as melhores línguas considerariam certamente que apenas perdeu o toque de Midas ao ser despedido do Azerbaijão, depois de Besiktas e da Polónia. Ou a Mourinho. Ou às ideias de Abel Ferreira. É que, ainda longe de ser o homem certo, Roberto Martínez é o mais certo que, para já, podemos ter."

SportTV: Até onde vamos chegar? 😱 Rescaldo do Mercado c/ Rui Amaro

Zero: Fantasy - Jornada 5 - 11 do Benfica conhecido antes da ronda estar bloqueada e dúvidas no Dragão

Mito ou realidade: no futebol, a equipa médica pode ganhar campeonatos?


"No futebol profissional moderno, a margem entre o sucesso e o fracasso é cada vez mais estreita. Pequenos detalhes, muitas vezes longe das câmaras e dos holofotes, podem decidir títulos. Se antes o foco estava centrado quase exclusivamente no talento dentro das quatro linhas, hoje o paradigma mudou: a ciência e a medicina desportiva assumiram um papel fulcral na preparação, prevenção e reabilitação dos atletas.
A equipa médica deixou de ser apenas o bombeiro que apaga incêndios quando há lesões. O trabalho começa muito antes de o jogador vestir, oficialmente, a camisola do clube. Os exames médico-desportivos de admissão servem não só para avaliar a condição física, mas também para identificar fatores de risco e orientar programas de prevenção de lesões cada vez mais personalizados. Ao longo da época, a vigilância é constante, englobando a nutrição, a fisiologia do esforço, a monitorização diária das cargas físicas e o acompanhamento psicológico. Este trabalho silencioso, profissional e científico é determinante para manter a saúde dos jogadores e maximizar o seu rendimento competitivo.
Não é por acaso que os grandes clubes europeus investem, fortemente, nesta área. No FC Barcelona, por exemplo, o trabalho liderado por Carles Bestit alterou para sempre o papel da medicina no futebol. O modelo deixou de ser puramente reativo para passar a prevenir lesões antes de estas ocorrerem, integrando exames regulares, planos nutricionais e apoio psicológico como parte da rotina. Esta nova realidade ajudou a sustentar anos de sucesso nacional e europeu.
Também em Espanha, mas em Madrid, a abordagem é de excelência. O Real Madrid TEC, sob a coordenação de Valter Di Salvo, apostou na tecnologia e na análise de dados para monitorizar cargas de treino, individualizar programas e acelerar processos de reabilitação. Jogadores como Cristiano Ronaldo ou Karim Benzema beneficiaram deste suporte médico e científico que lhes permitiu manter níveis de performance extraordinário ao longo de várias épocas.
Na Alemanha, o Bayern Munique é exemplo no uso de análise preditiva para redução de lesões. Com recurso a dados biométricos avançados, parâmetros como o ritmo cardíaco, a fadiga muscular ou a recuperação pós-jogo são monitorizados. Esta informação é utilizada para ajustar treinos e cargas de esforço, reduzindo o risco de lesões e aumentando a consistência do plantel.
Em Inglaterra, o Liverpool apostou, fortemente, na reabilitação estruturada de lesões graves. Sob a liderança de Andy Massey, foram implementados protocolos rigorosos que permitiram a jogadores como Virgil van Dijk e Joe Gomez regressarem ao mais alto nível após longos períodos de paragem. Este trabalho teve impacto direto nos títulos conquistados nos últimos anos, incluindo a UEFA Champions League de 2019 e a Premier League de 2020.
A escolha da equipa clínica é uma decisão da maior importância, que deve ser baseada em critérios curriculares de competência e prestígio com padrões internacionais. Esta filosofia tem permitido a minimização dos tempos de paragem por lesão e aumentar a disponibilidade dos jogadores, ao longo das épocas, mantendo os clubes competitivos nas provas nacionais e internacionais.
O futebol atual é um jogo de alta intensidade, onde a preparação física e mental necessita de estar no topo todos os dias. Neste contexto, a equipa médica assume um papel que vai muito além do tratamento de lesões: antecipa problemas, otimiza a recuperação, ajusta cargas de treino e garante que os atletas estão sempre prontos para competir.
Dizer que a medicina desportiva pode ganhar campeonatos já não é exagero. Pelo contrário, é uma realidade cada vez mais evidente, sustentada por dados e por taças levantadas. No fundo, a ciência também marca golos — e, muitas vezes, falha ou marca os golos decisivos…"

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Antevisão...

Treino...

BI - Antevisão - Santa Clara

BF: Tomás ou Leandro na vaga de Dedic?

Falar Benfica - Conversas Gloriosas #24 - Martim Mayer...

BolaTV: MotoGP - Grande Prémio da Catalunha

BolaTV: Lado B - S02E06 - Há sempre um mas sobre gostar do Cristiano Ronaldo

Contas...

Ousadia precisa-se


"O mercado português de transferências de jogadores de futebol profissional da Liga Portugal deste verão apresentou a maior diferença entre investimento — compra — e proveitos — venda — dos últimos três anos e um acentuado desequilíbrio entre os três primeiros classificados e o quarto, e destes para os restantes 14 clubes.
Para a época 2025/26 os clubes nacionais investiram até ao momento €337,82 M, dos quais €297,27 M referem-se aos quatro grandes — Sporting €68,8 M, Benfica €105,55 M, FC Porto €94,35 M (acrescem €17 M de metade dos direitos económicos de Samu, sendo o total final de €111,35 M) e SC Braga €28,57 M —, o FC Porto e SC Braga executaram os maiores mercados de sempre. Em 2023/24 o investimento total dos clubes foi de €283 M, em 2024/25 de €277 M, o valor da atual época superou o anterior máximo de 2023/24 em €54,98 M (+16,3%). Relativamente a proveitos esta época, até ao momento, faturou €388,60 M, com os quatro grandes a registarem €345,24 M — Sporting €128,57 M, Benfica €97 M, FC Porto €77,77 M e SC Braga €41,9M — sendo o valor mais baixo desde 2023/24 e consideravelmente menos que em 2022/23 época que faturou €670 M. Perante os atuais números o lucro relativamente às épocas anteriores caiu para €50,78 M, em 2023/24 foi de €130 M, e em 2024/25 pautou-se pelos €313 M.

A nossa interpretação e reflexão às evidências dos números permite referir:
1. Os três grandes reforçaram-se com o nítido objetivo de lutarem pela conquista do título nacional com a inerente entrada direta na Liga dos Campeões (LC), ou em consolação o acesso à terceira pré-eliminatória da LC via vice-campeão. Em complemento: (i) tentarem ultrapassar as fases de grupos das competições europeias com os imediatos benefícios do aumento dos prémios monetários; (ii) melhoria do ranking internacional para possível entrada na próxima edição do Campeonato do Mundo de clubes onde os prémios monetários são muito atrativos; e (iii) aproveitarem a montra internacional para promoverem os jogadores que pretendem transferir a curto prazo.
2. No caso do Benfica e do FC Porto, também existem fortes motivações políticas. Tanto o presidente Rui Costa como André Villas-Boas querem provar aos associados e adeptos as respetivas competências de gestão para justificarem a permanência na cadeira de sonho que ocupam. Em especial Rui Costa, que se encontra em momento eleitoral. No entanto, este intuito trouxe maior dívida financeira aos dois clubes. O saldo de mercado para o Benfica foi negativo em €8,55 M e para o FC Porto negativo em €33,59M M (inclui segunda tranche de Samu). Estes saldos agravam a dívida dos dois clubes e diminuem a capacidade de solvência e sustentabilidade financeira. O argumento de apoio ao aumento da dívida baseia-se na crença que os futuros bons resultados desportivos irão alavancar os prémios monetários europeus e o marketing para a transferência de jogadores. Uma crença de alto risco, como tal perigosa e que um dia poderá colocar em causa a viabilidade dos clubes.
3. O Sporting ao registar um saldo positivo de €59,77 M mantém-se coerente na parcimónia ao investimento, procurando desta forma a sustentabilidade financeira, económica e estrutural do clube. O investimento atual representa 54% do valor das vendas. Desde que Frederico Varandas é presidente registaram-se aproximadamente €746 M em vendas e €360 M em compras, um saldo positivo de €386 M. Independentemente da melhor venda ter sido Gyokeres (€65,76 M), o grosso das vendas no período de Francisco Varandas é referente a jogadores da formação do clube, o que é distintivo e provavelmente o melhor caminho para o Sporting manter-se competitivo. Pois, as outras receitas — direitos televisivos, patrocínios, bilheteira e merchadising — são insuficientes para manter ou aumentar o atual orçamento.

4. O SC Braga investiu 68% do dinheiro obtido nas vendas, denotando preocupação no controlo orçamental da época desportiva. Os direitos televisivos e os prémios monetários europeus do SC Braga são consideravelmente inferiores aos três grandes, o que condiciona o orçamento. Esta política racional e realista mantém o SC Braga como o quarto grande, mas, é limitadora para concretizar o ambicioso desiderato do presidente António Salvador: ser campeão nacional.
5. Os restantes 14 clubes juntos investiram €40,55 M, tendo o Famalicão investido 33% deste total, seguido do grupo que engloba V. Guimarães, Rio Ave e Arouca com 34%. Registe-se oito clubes que individualmente investiram igual ao menos de €2 M — €6,82 M ou 17% face ao total deste grupo de 14 clubes. Relativamente às vendas houve um total de €43,36 M, dos quais V. Guimarães, Arouca e Gil Vicente angariaram 53%. Sete clubes individualmente venderam igual ao menos de €2 M — 12% ou €5,18 M do grupo. O saldo final das transações dos 14 clubes foi de €2,81 M.

Estes níveis de vendas não permitem aos clubes melhorarem os seus orçamentos e consequentemente reforçarem os seus plantéis com jogadores de qualidade superior. Na realidade, investimento de baixo valor, com rara exceção, não atrai talento superlativo, o que leva a menor probabilidade de vender acima dos €15 M.
Estes números sugerem três considerações: (i) transação de baixo valor contribui pouco para o equilíbrio do orçamento operacional, o que requer músculo financeiro dos acionistas das SAD para manterem as operações; (ii) a baixa capacidade de investimento em jogadores diferenciados contraria-se simultaneamente com o desenvolvimento em quantidade e qualidade das camadas de formação, recrutamento de talentos provenientes do exterior, a utilização da Liga Portugal e das seleções nacionais jovens como montra preferencial (ex. Gustavo Sá do Famalicão e Nodar Lominadze do Estoril) e marketing para promoção da futura venda; e (iii) enquanto se aceita o nível competitivo entre os 14 clubes, perante os quatro grandes é demasiado desequilibrado o que está lentamente a esvaziar a verdade competitiva e o interesse do público (nacional e internacional) pela Liga Portugal com reflexo no valor comercial dos direitos televisivos.
As evidências do mercado de verão oferecem explicações para a competitividade do futebol profissional português, sugerindo a necessidade dos decisores da Liga Portugal — que são os clubes — tomarem decisões disruptivas a bem da causa comum. Em primeiro lugar, o modo de produção da indústria do futebol baseia-se no conhecimento e inovação — jogadores, treinadores, gestão do adepto, respetiva paixão, entre outros —, pois só estes garantem melhores espetáculos e mais público. Assim, para poder sobreviver e persistir se não revolucionar o quadro competitivo, a captação e divisão de dinheiro a Liga Portugal irá ser cada vez mais desinteressante e periférica.
Em segundo lugar, no cenário português é o saldo positivo do mercado de transferências que permite tudo funcionar. Mas, o lucro a sério que permite investimentos só aparece se as vendas forem por valores altos e os custos de produção baixos. Custos baixos só se conseguem com a aposta inequívoca na formação de jovens jogadores ou da atividade de prospeção de talentos ainda não referenciados pelos clubes mais fortes — algo que é cada vez mais difícil — e inseri-los em montras globais (ex. João Neves, Geovany Quenda e Samuel Lino). Esta é uma estratégia que permitirá a sobrevivência, condições de reprodução de novos investimentos, crescimento e sustentabilidade.
Em terceiro lugar, é evidente o fosso que existe dos três grandes para o SC Braga, e deste para os restantes 14 clubes e uma das causas é a divisão dos direitos televisivos. Assim, os decisores terão de ter o arrojo de alterar a divisão dos direitos televisivos contrariando o egoísmo de alguns e privilegiando uma maior equidade. Por último, os decisores devem equacionar uma possível alteração do quadro competitivo de forma a promover-se um aumento de competitividade e tornar a Liga Portugal mais atraente para o público e investidores.
A janela de transferência de verão da época 2025/26 evidencia a necessidade do futebol português romper com a inércia e promover alterações benéficas para todos, diminuindo a largura e profundidade do fosso financeiro e económico existente entre os clubes e tornando a Liga Portugal mais sexy. Para isso ousadia precisa-se."

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - As contas do Benfica

Observador: E o Campeão é... - Onde está a culpa do possível adiamento do FCP x Nacional?

Observador: Três Toques - Mbappé e o seu fascínio por Cristiano Ronaldo

Mata Mata - Ruben Neves a central, polémica no Estoril vs Santa Clara e foco na jornada que se aproxima! 🔥

PortugueseSoccer: Liga Portugal Match Day 5; Reviewing Seleção's International Break; Portugal vs. USA in Atlanta?

Lanças....


História Agora


João Almeida, a Bola é tua, agarra-a!


"Vingegaard encontra-se curto de forças e o português tem de acreditar de que é capaz de derrotá-lo e conquistar a Vuelta na derradeira oportunidade, sábado, na Bola do Mundo

João Almeida terá a derradeira oportunidade de vencer esta edição da Volta a Espanha no sábado, na penúltima etapa, e a final de montanha, a terminar na célebre Bola del Mundo. Nesta subida, temível pela sua dureza, o português jogará, certamente, a última cartada para a conquista da camisola vermelha. Se não o conseguir antes, como é provável, tanto no contrarrelógio de hoje - para mais, após o encurtamento deste, para menos de metade da extensão original (27,2 para 12,2 km), por motivos de segurança dos corredores devido às manifestações pró-Palestina que tem afetado a corrida - como na aparentemente inofensiva etapa de amanhã.
Depois da vitória no Angliru e de prestação consistente em La Farrapona antes do segundo dia de descanso, nas duas etapas já cumpridas na última semana da competição, quando se esperaria que João Almeida confirmasse os indicadores de crescendo de forma, em contraponto com a do rival Jonas Vingegaard, aparentando sinais de fadiga, o corredor da UAE Emirates não esteve tão impressionante. Pelo contrário, principalmente ontem, em El Morredero, onde lhe faltou a vitalidade de antes para atacar o dinamarquês e a sua liderança, a partir desta última etapa reforçada em dois segundos, para 50, graças a uma ponta final mais explosiva do que a do corredor luso.
Em vez de ter ficado mais próximo, Almeida está um pouco mais longe da vermelha. Não teve disponibilidade física necessária, mas Vingegaard também não... O primeiro classificado da Vuelta está, definitivamente, para defender a posição e menos para atacar e sentenciar a vitória. Nele, o único capaz de desafiar Tadej Pogacar no Tour, é uma prova de incapacidade. Encontra-se curto de forças e João Almeida tem de acreditar de que é capaz de derrotá-lo na Bola do Mundo.
Mas só a força do corredor português não deverá suficiente para garantir o êxito dessa difícil tarefa. Ser-lhe-á indispensável contar, de uma vez por todas, e ainda que a derradeira, com o contributo efetivo dos companheiros de equipa, principalmente os que têm mais aptidões para ajudá-lo em montanha, Juan Ayuso, Jay Vine e Marc Soler, que depois de brilharem individualmente, vencendo cinco etapas, desapareceram da corrida. Ontem, na etapa do El Morredero, nem chegaram ao sopé da subida no pelotão.
Dificilmente, o jovem espanhol se mostrará solidário com os interesses da equipa que expôs publicamente a incompatibilidade daqueles com os do seu corredor durante esta volta, num comunicado em que anunciou, à revelia, a cessação do vínculo contratual no final da temporada. No que resta do calendário de Ayuso seguem-se os Mundiais e os Europeus, em ambos a representar o seu país, e uma derradeira aparição com as cores da equipa na Volta à Lombardia, que deverá ser tudo menos certa.
No entanto, o mal-amado ciclista, desde que empenhado e no melhor do seu rendimento [de que não deverá estar distante, tendo os Mundiais a menos de três semanas], poderia ter um papel fundamental na Bola de Mundo, imprimindo um ritmo suficientemente elevado, contínuo, adequado às características de João Almeida, poupando o português ao esforço durante o mais tempo que lhe for possível na subida. E com isso expor Jonas Vingegaard à fraqueza de que o dinamarquês tem vindo a dando sinais inequívocos, deixando-o à mercê do português. João Almeida tem de agarrar a Bola... do Mundo."

E um 'prémio Beto' para Gonçalo Inácio, senhores?


"O internacional português talvez seja o ativo que o Sporting menos foi capaz de proteger nestes anos. E quem diz o Sporting diz também quem o rodeia. Já é a história de Gonçalo, e não Pedro (ou Beto), e o lobo

Nunca achei grande piada à Bola de Ouro. Sou mais ou menos como Cristiano, só que as minhas entranhas revolvem-se desde quase sempre, não apenas desde que deixei de ganhar, uma vez que nunca ganhei. Nem poderia. Ou alguma vez conseguiria. Todos os prémios, exceto os de melhor marcador — em que se conta quantas vezes a bola entrou legalmente na baliza —, são subjetivos e servem apenas para alimentar egos.
Os organizadores não são parvos e defendem-se há muito para que se mantenha viva a festa — ainda mais num salão caríssimo como aquele. Criam tendências como a de premiar quase sempre um indivíduo da equipa campeã ou que arrecadou o maior caneco da sala — e, eventualmente, deixam o melhor jovem fora do critério para desenjoar. Ou não. Já agora, sabem aquela piada da France Football ter de andar atrás do Real Madrid para acabar com a birra relativa ao ano passado? É para rir, não é?
Assim, Rui Borges foi o melhor treinador mesmo que não o tenha sido. Não só não se olha abaixo dos grandes como também não se têm em conta as dúvidas — vindas até de dentro de Alvalade — enumeradas aqui antes, sobre se é ou não o homem certo para o Sporting? O clássico devolveu as que o arranque efusivo desvanecera e a pressão voltou.
Menos desconfiança teremos sobre Gyokeres enquanto melhor jogador, sobretudo graças aos golos, porém Quenda como o melhor jovem numa temporada de estreia que acabou em quebra e em que Mora ascendeu de forma vertiginosa a melhor jogador do FC Porto pode discutir-se, mesmo neste momento menos bom.
Depois, numa ambiciosa tentativa de Pedro Proença (sim, mudou-se para a FPF, mas...) e pares de desafiar a racionalidade para manter o Bicho contente — se não acaba por te devorar — ofereceram-lhe o Prémio Melhor de Sempre. Melhor de sempre a jogar na Liga? Melhor de sempre a sair da Liga? Melhor de sempre, pronto. Entre sorrisos amarelos e outros mais genuínos, visitou-se um Hollywood dos pequeninos. Absoluta perda de tempo, quando o futebol português está parado há muitos anos. Podiam ter aproveitado o encontro para algo de útil e sairia mais barato.
Não quero ser cruel para ambos, porém, Gonçalo Inácio candidatar-se-ia, se existisse, a um prémio Beto. A comparação faz-se sobretudo ao nível de tantas capas sem fumo branco, que mais os prejudicaram do que lhes fizeram bem, tal como ao clube. Mesmo que possa ganhar aumento considerável com novo contrato."

Imaginemos que havia desporto escolar a sério em Portugal


"Portugal está a amadurecer do ponto de vista desportivo, pelo menos na representação internacional de atletas, seleções e clubes.
Com exceção do hóquei em patins e do meio-fundo e fundo, a evolução é relativamente recente, reportando a três/quatro décadas e com especial fôlego nas últimas duas.
Basquetebol, andebol, canoagem, outras especialidades do atletismo crescem a olhos vistos, assim como a capacidade de produção de atletas de elite que chegam à NBA, lutam por Vueltas ou melhoram resultados no ténis.
A cultura desportiva vai aumentando. Imagine-se, agora, que nas escolas o desporto era mesmo levado a sério e veja-se o que ainda poderia melhorar.

De chorar por mais
Luis Suárez afinou a mira, e de que maneira, no Venezuela-Colômbia. Quatro golos não se marcam todos os dias.

No ponto
Cabo Verde está mais perto que nunca de fazer história, podendo apurar-se pela primeira vez para um Mundial.

Insosso
As questões em torno das lesões de futebolistas ao serviço das seleções vai voltar a dar pano para mangas.

Incomestível
Política e desporto podem e devem misturar-se, desde que sem colocar pessoas em risco como acontece em Espanha."

Martínez tem tiques de Guardiola


"Selecionador resolveu adaptar Rúben Neves ao eixo da defesa, deixando três centrais no banco. O motivo da inovação só pode ter sido para estimular o grupo...

Aí está Portugal lançado para mais uma fase final de um Mundial. Vão ser já 26 anos consecutivos sem falhar uma grande competição de seleções. Parece coisa pouca, nomeadamente para as novas gerações, mas para outras, como, por exemplo, a minha, que já passei os 50 anos, sabemos que não é assim. Aliás, basta recordar as participações anteriores a 2000. O memorável Mundial de 1966, com Eusébio a liderar os magníficos Magriços, e depois o México-86, para sempre o do caso Saltillo. Pelo meio dois Europeus: França-84 e Inglaterra-96.
Virou o século e mudou o paradigma. Portugal é hoje uma das seleções mais fortes do Mundo e não me estou apenas a referir à conquista do Euro-2016 ou ser o atual detentor da Liga das Nações — competição que também conquistou em 2019, a primeira edição —, seja qual for a prova ou o adversário, a Seleção Nacional já nos habituou a lutar pela vitória. Se é favorita ou apenas candidata, como muitos treinadores, mais por estratégia, no meu entendimento, preferem, considero que é pouco relevante. Portugal está lá para ganhar, sem a mínima dúvida. O que acaba por ser o mais natural, dada a qualidade dos jogadores de que dispomos atualmente.
Temos primeiras escolhas de topo mundial e alternativas de luxo para todas as posições. Acredito que a maior dificuldade seja mesmo escolher. Os 23 ou 26 convocados ou mesmo o onze para cada jogo. E o último, com a Hungria, foi para mim uma grande surpresa. Não gosto muito de falar depois dos jogos, porque aí todos acertamos ou pelo menos não há forma de as nossas escolhas ou convicções serem testadas na prática. Podemos dizer o que quisermos que nunca... falhamos.
Abro aqui uma exceção para abordar o jogo em Budapeste, que até terminou com uma vitória, o que facilita sempre qualquer análise… sem segundas intenções. Por mais explicações que tenha ouvido, continuo sem perceber a adaptação de Rúben Neves ao centro da defesa, isto quando no banco ficaram três centrais: Gonçalo Inácio, António Silva e Renato Veiga.
O médio do Al Hilal pode ter muita qualidade com bola, e tem-na de facto, e até percebo que a estratégia assente cada vez mais na posse de bola, mas não haveria outro jogo para testar Rúben Neves ao lado de Rúben Dias? Ainda mais numa defesa clássica, a quatro, que expõe sempre mais os centrais? Num modelo com a defesa a três, que Roberto Martínez até já adotou — sem grandes resultados, registe-se —, até o próprio Rúben Neves se sentiria, certamente, mais confortável. Mas não, foi mesmo contra o adversário mais forte do grupo e na casa deste que o selecionador nacional resolveu inovar.
O resultado foi o que todos sabemos. Ganhámos e estamos já destacadíssimos na liderança. Carimbar o passaporte para o continente americano não vai passar de uma formalidade, mas considero que era desnecessária aquela abordagem na Hungria. Se tivesse sido na Arménia ainda me fazia algum sentido, até porque permitiria poupar algum dos centrais para o embate mais complicado, isto com os jogos separados por apenas quatro dias.
Mas não, Roberto Martínez quis mesmo inovar. Sinceramente, parece-me, por vezes, que o espanhol tem tiques do compatriota Guardiola. É tanta a qualidade à disposição que jogar da forma mais simples não tem piada nenhuma e não há nada melhor do que inovar, para não lhe chamar outra coisa, para estimular o grupo. Só pode ser esta a razão…"

Zero: Saudade - S04E01 - A «porcaria» de Queiroz num regresso com X-Files e cadernetas

Eu prefiro CR7, o meu filho prefere o 'apEX'


"Cada vez que Roberto Martínez tem uma 'epifania'... Portugal assusta-se. Vale que os jogadores são 'padeiras de Aljubarrota'. E no meio destas reflexões, as discussões em casa, do futebol ao counter-strike 2...

Se formos sinceros, todos preferimos a Padeira de Aljubarrota aos Velhos do Restelo. Por isso, tenho gostado da evolução do discurso na Seleção de futebol, do presidente da FPF, Pedro Proença, aos jogadores, passando naturalmente pelo selecionador Roberto Martínez. Discurso que mudou um pouco – dirão que apenas nuances, mas a diferença está tanta vez no detalhe - após a vitória na Liga das Nações e que passa por assumir de forma mais clara o objetivo de lutar pelo título mundial em 2026.
Fernando Santos que me perdoe – e ele sabe que, por razões pessoais, gosto muito dele - mas sempre embirrei com o «somos candidatos, mas não favoritos». Expressão adotada por outros e que se tornou numa espécie de discurso filosófico que poderíamos traduzir num mais popular «com um pé à frente e outro atrás, não vá a coisa dar para o torto». Um assumir sem se chegar mesmo à frente, uma espécie de seguro para eventuais danos.
Temos de deixar de ter medo das expressões. Não é arrogância assumir-se que a Seleção quer ser campeã do Mundo e acreditar ter qualidade para isso. É saudável, é lógico, é motivador, é até realista. Depois se verá se conseguiu ou não, mas se o não conseguir porque outros foram melhores a ambição prévia nunca se pode jogar contra o ambicioso. Mais depressa o medo do que a ousadia é uma arma de arremesso. Só os Velhos do Restelo ou os especialistas de sofá revelam a desfaçatez de cobrar a ambição demonstrada antes de uma missão que não foi atingida.
No Século XIX, José de Alencar, considerado um dos maiores expoentes do romantismo no Brasil, escreveu que «o sucesso nasce do querer, da determinação e da persistência em se chegar a um objetivo». «Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis». Não peço mais desta seleção. Mesmo que não chegue ao topo do Mundo vá fazendo coisas admiráveis.
Nesta seleção, a ambição soa legítima quando nasce da confiança tranquila de quem reconhece o próprio valor. Tão simples quanto isso, não há ponta de vaidade nem necessidade de se provar o que todos já sabemos. Que temos enormes jogadores, que temos espírito de seleção, que temos equipa desde que a deixem ser ela própria. E eis que faço a ponte para a segunda linha de reflexão.
Se formos sinceros, todos preferimos a simplicidade à complexidade. Preferimos o que faz sentido e resulta à invenção numa espécie de jogo de xadrez onde as peças se movem fora de sítio e de forma errática. Na Hungria, uma vez mais Martínez teve uma epifania e uma vez mais as coisas iamcorrendo mal. Às vezes parece até um treinador que está aborrecido: parece tudo tão fácil que decide… complicar.
Roberto Martínez, como qualquer outro treinador, tem de saber que é preciso ser-se muito assertivo quando se desafiam duas lógicas do futebol (como da vida, diga-se): cada peça rende mais na sua posição natural; é o mais fraco e não o (muito) mais forte quem tem de mudar a identidade, se for preciso, para tentar surpreender. Os 32 jogos que leva já como selecionador ajudam a provar que foi mais nas certezas das ideias bem sucedidas do que nas experiências colocadas a teste que Portugal esteve melhor.
A minha confiança num histórico Mundial de 2026 - dez anos depois do Europeu de 2016 - reside cem por cento dos jogadores. Somos uma Seleção tão boa que nos demos ao luxo de consquistar a Liga das Nações, batendo Alemanha e Espanha, e passar imenso tempo a debater algumas opções de Martínez (como João Neves a lateral direito) e o nível exibicional que poderia ter sido melhor… Incrível ao que chegámos: das vitórias morais do passado às vitórias dissecadas à lupa com motivos sempre para criticar algo... Somos, de facto, difíceis de saciar. E ainda bem. Fossem os portugueses tão exigentes com os seus políticos como são com os presidentes, treinadores e jogadores dos seus clubes e seleção.
Acreditem no que vos diz quem já andou mundo e viu de perto muita coisa: Portugal tem, em termos humanos, de comprometimento dos jogadores, sentido de família e orgulho em vestir as cores nacionais, muito provavelmente a melhor seleção do Mundo. E é esse espírito que permite superar uma ou outra epifania de Roberto Martínez. Que permite erguer a pá da Padeira de Aljubarrota. Assim o selecionador, de quem até gosto em 90 por cento das vezes - fosse sempre um Nuno Álvares Pereira, o primeiro grande treinador português.

PS – Impressionante o carisma de Cristiano Ronaldo. E não é por não ser algo de novo que vou deixar de me impressionar com o impacto que tem em todo o mundo. Ronaldo tem o dom de tornar ordinário o extraordinário, nós temos a obrigação de não perder a noção das diferenças entre uma e outra realidade. Da criança arménia à estrela húngara Szoboszlai, que anteontem cumpriu o sonho de menino de defrontar CR7, mais exemplos de carisma incomparável. É o maior da história – deixo a classificação de melhor à subjetividade de cada um. Mas porque a humildade também lhe faz bem, não é unânime, a começar nos portugueses. Para vos dar um exemplo, para o meu filho o Cristiano Ronaldo não se compara ao francês Dan ‘apEX’ Madesclaire, 32 anos, jogador profissional de Counter-Strike 2, líder da equipa Vitality. Diz que é carismático, por vezes insolente, que ferve muito. Acha-lhe muita graça. Eu defendo Cristiano Ronaldo e, do mal o menos, temos conversas giras... Até já tive de aprender o que é isso do Counter-Strike 2. O que um pai faz por um filho..."

Sempre a cultura. Sempre!


"«We all want a strong culture. We all know that it works. We just don’t know quite how it works.»

 Cultura, estratégia e pessoas. Apesar do desporto de alto rendimento ter características muito próprias em determinados momentos, especialmente pela emoção e pelo impacto imediato do resultado em várias decisões profundas, a fórmula para um sucesso robusto em clubes e federações assenta nesses três elementos.
Há quem defina primeiro a estratégia e depois a cultura que pretende para casar ambas. No entanto, no desporto, pela própria cultura do clube e da indústria desportiva, tem um peso muito maior e é bem mais difícil de alterar, sobretudo em estruturas que carecem de maturidade. Que, infelizmente, acontece em muitos casos, se estivermos atentos a determinados episódios, quer em clubes profissionais quer em dirigentes. E percebemos que a melhor solução é mudar as pessoas. Porque raramente mudam, de forma profunda, os seus valores.
O acesso a várias histórias dos clubes sobre o seu (in)sucesso mostra-nos que estão quase sempre ligadas à cultura vivida ou tentada implementar nos clubes. O Athletic Bilbao é talvez um dos melhores exemplos. Dizia-me Oskar Coca, diretor de formação: «No nosso caso, vemos a particularidade do nosso clube como uma oportunidade para ser ainda mais exigente no processo de formação, não só dos jogadores, mas de todas as pessoas que nele participam. Representamos mais do que um clube. A cultura impacta no recrutamento.»
Se este é um caso muito específico, o exemplo recente mais visível talvez tenha sido o PSG. A questão não está tanto no que se gastou (já ninguém vence a Champions com trocos), mas sim na mudança de cultura e de estratégia, gastando menos, mas mudando abruptamente o perfil. Indo ao encontro de uma ideia mais duradoura. Mais atrás, tivemos o caso da cantera do Barcelona no futebol, as seleções do hemisfério sul no râguebi, ou os míticos Chicago Bulls, Boston Celtics e LA Lakers na NBA, só para dar alguns exemplos.
Sempre o dinheiro. Sempre que um clube com grande orçamento vence uma competição, muitos justificam o triunfo com o dinheiro. Mas quantas equipas ricas não vencem nada durante anos? O orçamento não pode servir de desculpa para perder contra quem gasta mais, se o mesmo critério não serve para explicar derrotas contra quem gasta menos. Dinheiro a mais desfoca da importância de definir uma excelente estratégia.
O que constrói (ou destrói) uma cultura? Estas devem ser as prioridades constantes de quem lidera. Apesar de a cultura poder ser definida pelo líder, o (des)alinhamento sente-se em toda a organização. E os primeiros a percebê-lo são atletas e treinadores, os que mais rapidamente sofrem as consequências dos maus resultados. Por isso, filtram cada desalinhamento entre o que é exigido e o que é praticado. Desorganização, incoerência, inverdades ou comportamentos desajustados minam qualquer estratégia. No fim do dia, os exemplos valem mais do que as palavras.
Como dizia Jorge Braz, selecionador nacional de futsal, no meu último livro: «A cultura organizacional pode ter um impacto brutal no nosso trabalho, nas regras de vida coletiva, porque nos pode ajudar a elevar a fasquia daquilo que pretendemos. A própria organização, no seu dia a dia, dá-nos vários sinais de exigência constante.»
Construir uma cultura forte leva tempo. Sei que os grandes clubes precisam de vencer hoje. Mas é preferível construir uma base sólida, ainda que no início se vença menos, do que investir todos os anos como se não houvesse amanhã e acabar por vencer pouco ou nada. Outro perigo é deixar que o sucesso alimente a soberba: quando as vitórias constantes fazem baixar a exigência interna sem que as pessoas se apercebam, abrem-se portas a derrotas inesperadas, normalmente contra equipas com orçamentos muito mais baixos.
Uma boa analogia é o próprio jogo: a identidade da equipa é uma ordem implícita que molda atitudes e comportamentos de forma duradoura por parte do treinador. As normas definem o que é encorajado, desencorajado, aceite ou rejeitado. E sabemos bem o que acontece quando surgem incoerências ou mentiras: isso destrói qualquer cultura, estratégia e motivação.
Um dos papéis mais importantes de um presidente ou CEO é ter consciência da cultura existente. Os líderes mais imaturos e/ou despreparados veem a cultura como último recurso. Os melhores fazem a si próprios, todos os dias, a pergunta essencial: qual o contexto certo para que as pessoas produzam mais e melhor?
No desporto, ainda há um fenómeno curioso: treinadores ou atletas que criam microculturas capazes de gerar os comportamentos de que necessitam quando percebem que o clube não responde as suas necessidades organizacionais.
Muitas vezes, o que destrói mais rápido do que qualquer adversário é a procura da autoexposição, a sede de aparecer apenas nos bons momentos. Essa entropia consegue aniquilar as melhores vontades. As pessoas estão na génese das melhores organizações e equipas, mas também são os maiores impedimentos de estruturas com bastantes recursos de darem os passos seguintes e positivos. A liderança máxima tem de assegurar, sem que seja necessária a sua presença constante, que estas situações não ocorram.
Concluindo, culturas fortes elevam os clubes para criarem, terem e viverem para uma missão, um propósito e definem quais valores da sua identidade. Inspiram colaboradores, geram orgulho de pertença e estabelecem uma espécie de código invisível que dita o que se pode ou não fazer. No fundo, todos nós queremos culturas fortes nas nossas equipas. Todos sabemos que funcionam. Só não sabemos bem como funcionam."

Rui Lança, in A Bola

A Verdade do Tadeia #2026/06 - Porto manda em Alvalade

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

BF: Sudakov é a chave deste Benfica!

BI: Modalidades #172 - Semanada...

Benfica Podcast #566 - React - Benfica Independent J Noronha Interview

Terceiro Anel: Hungria...

O sonho Mundial


"Fomos do categórico ao sofrido, por culpa própria, no começo da qualificação da seleção para o Mundial. Sobre a fase final recaem esperanças que se vão repetindo e que decorrem, com naturalidade, do extraordinário grupo de jogadores de que atualmente dispomos. Além do muito talento existente, a mistura de idades dos convocados também dá, sem dúvida, o equilíbrio e a maturidade que se pretende para pensar nos mais altos voos.

Atrás
Nos dias de hoje, Diogo Costa e Gonçalo Inácio são as exceções entre os convocados que foram titulares, que ainda podemos ver por cá. No banco, os outros dois resistentes do nosso campeonato, curiosamente nas mesmas posições dos colegas titulares: Rui Silva e António Silva. Nas laterais, Cancelo e Mendes garantem a amplitude que qualquer ataque procura, acrescentando o seu poder ofensivo ao colega com quem dividem a ala. Numa defesa cuja segurança e qualidade é habitualmente difícil de superar, a bizarra variação tática introduzida em Budapeste por Martinez, quase punha em causa a vitória. Jogar só com um só central de raiz dificilmente é boa ideia ou dá resultado. O menos culpado é, claro está, Ruben Neves, o adaptado, que Martinez conseguiu que coubesse na equipa.

Meio
Enquanto isso, é a versatilidade dos médios de alto nível de que a seleção dispõe que permite prescindir de um médio defensivo típico. Vitinha, um portento de técnica, vem sendo normalmente a unidade central mais recuada, fazendo lembrar o italiano Pirlo, de quem alguns se lembrarão. Foi esse extra médio que revolucionou o meio campo do Milan, há já uns anos, iniciando de trás a construção atacante, com o mesmo talento que o tinha notabilizado enquanto unidade predominantemente ofensiva. Voltando aos nossos, João Neves e Bruno Fernandes completam com Vitinha um trio de referência do futebol europeu atual, que dá gosto ver jogar. Têm tudo.

Na frente
Quanto ao ataque, fala-se, claro, invariavelmente da idade e de algum individualismo de Ronaldo, cuja presença poderá, diz-se, condicionar as opções de passe dos seus colegas. Não digo que não, pese os exageros habituais dos críticos, porém, a sua eficácia continua viva e a intuição também. Quer queiram ou não, ainda está por aparecer alguém que justifique a sua substituição. Um concorrente que se afirme sem reservas e que marque golos numa boa equipa. Para já, não vejo quem. Quanto a João Félix é uma incógnita que se mantém. Dois golos para recordar, mas só isso, até ver. Os sinais exteriores parecem mostrar a mesma imaturidade que parece eterna, que receio, não queira dizer uma retoma do jogador, mas unicamente um sucesso pontual. Um ala na direita e um avançado esquerdo no lado oposto, foi o que vimos no primeiro jogo. Quis dizer, no caso, uma maior proximidade de Félix a Ronaldo. Diogo Jota era esse acrescento na área que agora teve Félix como intérprete. O jogo aéreo de Ronaldo reforçado antes por Jota e na Arménia por Félix. As outras opções para a esquerda são diferentes. Desde Leão, Conceição ou Neto, mas de diferente perfil, estes para abrir a ala e driblar.

Acomodar
Confirma-se a tendência de alguns treinadores em fazer caber nas suas equipas os melhores jogadores ou dar largas à sua criatividade. Talvez João Neves tenha protagonizado como ninguém esta teoria, pelo seu discutido encaixe como lateral direito num dos últimos compromissos da seleção nacional. O mesmo Neves, já tinha sido adaptado, ainda no Benfica, por Roger Schmidt à direita, mas então num sistema de três centrais. A humildade, o talento e também a idade do atleta, ajudam a explicar certas opções estranhas dos treinadores, que para as fazer, também consideram a natureza e disponibilidade do jogador em causa. Em Budapeste tivemos um novo exemplo deste fenómeno.

Novos tempos
Se olharmos ao último onze de Portugal, verificamos que Cancelo e Pedro Neto são dois atletas cujo trajeto mais visível se iniciou fora do país, em função da cobiça que o seu potencial cedo despertou em países de maior poder económico. Antigamente era impensável. Cancelo no Benfica e Neto no Braga, fizeram um par de jogos cada um pelos seus clubes formadores, mas deram-se a conhecer verdadeiramente aos adeptos portugueses, quando já cá não estavam. No tempo em que joguei, raro era o internacional que não jogava em Portugal. Os então chamados blocos do Benfica e FC Porto dividiam os convocados, constituindo, na verdade, um grupo mais rival que solidário. Hoje, o clubismo exagerado da altura é anulado pela realidade do mercado.

Mais perto que longe
Aquilo que aconteceu recentemente a Sudakov, a última aquisição do Benfica, e à sua família, faz-nos lembrar a infeliz realidade que se vive em vários pontos do mundo, neste caso, a invasão da Ucrânia. A guerra, pela sua duração, tende em tornar-se uma triste normalidade, com que diariamente nos confrontamos, mas que já vulgarizamos. Muita gente anónima morre, mas já quase só representa um número. O acontecido em Kiev é só mais um, mas reaproxima o conflito do nosso país, porque as vítimas desta vez têm nome. Entretanto, depois do susto sofrido, o jovem jogador do Benfica declinou a dispensa da sua seleção para jogar e esta sua personalidade acabou premiada com a obtenção do único golo da Ucrânia, no Azerbaijão. Lembrar que o jogador, já vivera há pouco a traumatizante perda do seu pai, a quem dedicou emotivamente o golo obtido. Melhores e mais felizes dias virão para este jovem talento."

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Os pontos positivos e negativos da jornada dupla de Portugal

Observador: E o Campeão é... - "De invenção em invenção...de vitória em vitória"

Observador: Três Toques - Afinal não é só Roberto Martinez o craque em português

Terceiro Anel: Entrevista Cristóvão Carvalho...

Sustentabilidade financeira


"No exercício 2024/25, a Sport Lisboa e Benfica SAD apresentou um lucro de 34,4 milhões de euros, tendo obtido o máximo histórico de rendimentos operacionais e diminuído o passivo e a dívida líquida. Este é o destaque da BNews.

1. Contas muito positivas
Em entrevista à BTV, Nuno Catarino, CFO do Clube e administrador executivo da Benfica SAD, sublinha que, "do ponto de vista económico, os resultados são muito bons". "Até mais positivo do que projetávamos inicialmente, com e sem Mundial de Clubes", afirma.

2. Lucro de 34,4 milhões de euros
O Relatório e Contas da SL Benfica, SAD relativo a 2024/25 já está disponível para consulta. Destaque para o lucro obtido, assim como para o crescimento do ativo pelo 10.º ano consecutivo, a descida do passivo e da dívida líquida, os resultados operacionais positivos, o máximo histórico de rendimentos operacionais sem direitos de atletas e os capitais próprios amplamente positivos, inclusivamente acima do capital social.

3. Contributos internacionais 
Acompanhe a atividade dos jogadores do Benfica em representação das seleções nacionais.

4. Triunfo em deslocação difícil
Em futsal, o Benfica ganhou por 1-2 no reduto do SC Braga.

5. Grupo definido
O Benfica já conhece todos os adversários na fase de grupos da EHF European League.

6. Convocatória
A mais recente convocatória da Seleção Nacional Sub-15 de futebol inclui oito atletas do Benfica.

7. Renovações
A hoquista Rita Batista e a basquetebolista Diana Baptista continuam de águia ao peito.

8. Campeão do mundo
O canoísta do Benfica Fernando Pimenta conquistou mais uma medalha de ouro no Campeonato do Mundo de Maratona ao vencer a prova de K2 (29,2 km).

9. Mais de 40 mil cartões ativos
Parceria entre o SL Benfica e o WiZink celebra 3 anos de existência.

10. Sport Castanheira de Pera e Benfica
A filial n.º 10 do Sport Lisboa e Benfica celebrou o 90.º aniversário."

3x4x3


No Princípio Era a Bola - A eficácia de Portugal que deixou o Mundial 2026 a um pequeno passo

Ainda não é matemático, mas a alegria é demasiada para ser contida... não esquecer que falta o 'quase'!

Qualquer-coisa-entre-vinte-e-trinta-milhões-não-se-sabe-muito-bem-por-que-carga-de-água


"O Benfica — ou o futebol português, vai dar ao mesmo — não passa de um entreposto de jogadores. Quanto a vocês não sei. A mim envergonha-me. E é preciso escolher. Ou bola. Ou bolsa. Os dois juntos não dá

Como passou o leitor este último defeso? Esteve atento aos negócios? Aquilo a que na gíria futebolística se chama “movimentações de mercado”? Há sempre uns padrões misteriosos. Umas coisas inexplicáveis, ou de exegese reservada a uns quantos iluminados em finanças e futebol. Bolsa e bola. Duas sombras do saber que, quando se tocam, destilam uma magia negra só ao alcance de um certo tipo, muito específico, de mediador. Meio bica, meio MBA de pacotilha: tipos talhados para vender aspiradores ou apólices, a perorar num dialecto de consultor para uma plateia que se sente na obrigação de entender. E estão autorizadíssimos a dizer o que lhes apetecer: em casa, o espectador ou faz que sim com a cabeça, ou muda de canal, ou adormece. Por vezes, as três coisas ao mesmo tempo.
O que é estranho, porque — a avaliar pelas conversas de café, as caixas de comentários ou as sempre vibrantes manchetes da especialidade — o tema é consideradíssimo. O que é natural: país pobre, tristonho, conformado com a mediocridade internacional dos seus melhores. É, por isso, mais que compreensível que o adepto, essa criatura descompensada e fiel, celebre as ocorrências do import–export desportivo como se de títulos se tratassem, segurando facturas como se fossem faixas de campeão.
Na estreita medida em que transacções financeiras são capazes de me prender o interesse, estive atento. E reparei nisto. Se, no que toca a vendas, há dez anos, vigorava o “15 milhões à Benfica”, hoje, nas compras, vigora o “qualquer-coisa-entre-vinte-e-trinta-milhões-não-se-sabe-muito-bem-por-que-carga-de-água”. Não sabemos como, mas alguém decretou que os jogadores de gama média — aqueles miúdos que há dois ou três anos custavam entre 5 e 10 milhões — passaram a valer entre 20 e 30. É um tempo muito particular este, no qual aquilo que se paga por um jogador não tem qualquer correspondência com o que ele vale enquanto atleta. Este texto não é sobre o barrete óbvio que é Richard Ríos, o colombiano que veio do futebol de salão. Ou Ivanović. Ou, dentro de três ou quatro jogos, Sudakov. O ponto é outro: andam-nos a enganar. Parece que os vejo. Numa marisqueira em Matosinhos. A toalha de papel com uns números rabiscados, entre a santola e o rodovalho.
É espantoso que os jogadores extraordinários que jogavam no Benfica há uns anos — e valiam entre 20 e 30 milhões — fossem vendidos sem dó nem piedade. Gaitán, Di María, Matić e companhia. E os que os adeptos amam verdadeiramente e querem ver jogar, os que sentem o clube e sabem o que pesa o manto sagrado são varridos como se estivessem a mais. Florentino, uma espécie de Shéu dos nossos tempos? Foi-se. Hugo Félix, craque quotidiano? Foi-se. João Rego, jogador evidente? Despromovido. Henrique Araújo, que poderia ser o novo Nené caso o deixassem? Apontem no caderno: “Seguirá dentro de momentos”.
Fica a impressão de que o Benfica serve primeiro os agentes e só depois pensa em futebol. Se, nesta janela de mercado, os principais clubes portugueses queimaram centenas de milhões de euros, a fatia de comissões não é de gente séria. E a inflação não elevou o espectáculo. Outro dia, dava o Arouca–Rio Ave na televisão do café. Contei, exactamente, 28 almas nas bancadas. Não havia mais. Vinte e oito irredutíveis dispostos a sair de casa para irem ver aquilo. Há mais gente na Cinemateca. Honra lhes seja feita.
E fala-se do “Futebol Português” como se fosse uma entidade com direito a maiúscula. Como se existisse uma roseira a florir por tudo quanto é campo pelado. Mas é o avesso. A única flor que existe chama-se Cristiano Ronaldo. Uma rosa no deserto. Um fenómeno anormal que sustenta muitas folhas salariais da indústria; o resto, sim, são sombras. Um exército delas que ninguém ousa combater.
Para nós, do Benfica, têm sido décadas obtusas de comércio tão insaciável quanto estéril. Outro dia falava com o meu amigo Lautaro Vilo. Um argentino, adepto do Boca, com quem festejámos o título de 2009/2010 enquanto fugíamos da fúria dos adeptos do Vitória de Guimarães. Dizia-me: “El Benfica es medio una franquicia de ingreso al fútbol europeo para jugadores que luego van a otro equipos. Lo escuché el otro día en la radio. Mencionaban el caso de Enzo Fernández dentro de varios.” A isto alguém um dia ousou chamar “política desportiva”. Com amplo reconhecimento internacional. Sustentada por uma estrutura exemplar. Valha-nos São Béla Guttmann...
O Benfica — ou o futebol português, vai dar ao mesmo — não passa disto. Um entreposto de jogadores. Quanto a vocês não sei. A mim envergonha-me. E é preciso escolher. Ou bola. Ou bolsa. Os dois juntos não dá."

Ninguém dorme descansado com Portugal


"Faltam quatro jogos de qualificação, mas seguramente a Seleção não vai perder quatro pontos para a Arménia e seis pontos para Hungria e Rep. da Irlanda. Simplesmente, e respeitando todos os adversários, só há uma análise possível: a seleção portuguesa é de outro calibre

Portugal não pode «dormir», mas ninguém dorme descansado connosco… A segurança do play-off, a experiência da equipa, a pressão solta pela conquista da Liga das Nações eram fatores que faziam prever uma qualificação com alguma tranquilidade da Seleção Nacional. A qualidade dos jogadores é inegável e desde a conquista na Alemanha que o lugar de Roberto Martínez ficou bem seguro.
Melhor, desde a vitória em Munique na Liga das Nações e das declarações de Cristiano Ronaldo, a elogiar o treinador catalão. O grupo estava com Martínez e assim continua, tantos são os sinais no seio de um grupo que perdeu de forma trágica um dos seus principais integrantes.
A vitória frente à Hungria permitiu a Portugal reservar passagem para o Mundial da América do Norte em 2026. Faltam quatro jogos de qualificação, mas seguramente a Seleção não vai perder quatro pontos para a Arménia e seis pontos para Hungria e Rep. da Irlanda. Simplesmente, e respeitando todos os adversários, só há uma análise possível: a seleção portuguesa é de outro calibre.
Tanto assim é que Roberto Martínez se permite mudar sistemas e jogadores de forma regular, pois essa é a capacidade que o jogador português tem, derivado da sua formação e experiência. É preciso olhar adversário e estratégias também para se perceber quando essas mudanças resultam, mas Portugal já venceu jogos com uma linha de 4 na defesa, com uma linha de 3 e na Hungria até ganhou um jogo que começou apenas com um central de raiz em campo.
Isto é uma boa qualidade, pois causa sempre dúvidas ao treinador adversário na preparação dos jogos. É verdade que por vezes os adeptos portugueses ficam surpreendidos, mas o mesmo dirão os analistas do lado oposto e, no final do dia, creio que há suficiente qualidade técnica e sobretudo tática dos nossos futebolistas para o fazer. Nesse aspeto, Portugal deve tirar algum sono aos rivais…
A Seleção Nacional vive um belo momento futebolístico, mas ainda sofre em momentos que devia ser mais expedita. Ou estar mais desperta. Portugal não pode «dormir» em momentos como aquele que levou ao segundo golo húngaro – não tinha havido já o primeiro como aviso? -, sob pena de um dia o tempo lhe fugir. Mas também é verdade isto, com estes jogadores, com esta equipa, o adversário também não pode estar descansado até ao apito final, porque se há equipa que pode marcar um golo num piscar de olhos, e virar um jogo, essa equipa é Portugal.
A meia-final com a Alemanha, disse Martínez, foi ponto de viragem. E quem vira um resultado frente a alemães, pode virar frente a qualquer um. Portugal está nesse ponto de maturidade, ao ponto de que um golo sofrido não se transforma no fim do mundo. A Hungria que o diga. Duas vezes."

Seleção: a fasquia mais alta de sempre


"Há algo no português que o leva a ambicionar mais, querer ir mais longe. Nem sempre de forma realista. Seja como for, esta Seleção carrega um peso que nenhuma outra carregou até hoje

Tem sido uma luta complicada nas fases finais das duas grandes competições de Seleções a que Portugal acede — entre as belas campanhas de 1966, 1984, 2000, 2004, 2006, 2012 e 2016, temos os fracassos de 1986, 2002 e 2014 e participações normais em 1996, 2008, 2010, 2018, 2020 (que foi 21), 2022 e 2024. E o que são participações normais? Passagem na fase de grupos e eliminação algures entre ela e as meias finais. É esta a dimensão natural de Portugal. Ultrapassá-la é um feito (sempre saudado, exceto em 2004, porque jogávamos em casa contra um ainda mais outsider Grécia), ficar aquém um insucesso, como muito bem foi considerado nas devidas alturas.
Este estatuto, para um país periférico com poucos habitantes, devia ser considerado um luxo. Mas não é. Há qualquer coisa de aventureiro e afoito no português que o faz, muitas vezes, dar o salto para lá do que seria expectável. Os exemplos são mais que muitos. A chatice é quando tomamos a exceção pela regra, decidimos por alta-recreação que somos os maiores do Mundo e depois cobramos a quem nos representa se por acaso até calhou a não bater grandes potências, equipas de países e futebóis (e outros óis) bem mais poderosos que o nosso. Somos assim, entre o 8 e 80, e pouco haverá a fazer quanto a isso.
Neste país de expectativas (ou falta delas) extremas, temos, hoje, a Seleção Nacional de futebol com a fasquia mais alta da história. Em 1966 ninguém ousaria dizer que ia ser campeã do Mundo, nem em 1984 da Europa. Nem mesmo em 2004, ou 2006 ou 2016. Podia vir a estar na luta, esteve, ganhou uma, perdeu duas.
Dizer com todas as letras que Portugal quer ser campeão do Mundo, como quem constata uma evidência em vez de falar de um sonho, é corajoso. Costumam andar por lá as multicampeãs Espanha, França, Itália, Alemanha; mais Brasil e Argentina. Estes sim, sempre candidatos.
Depois andam o Uruguai, o México, a Bélgica, a Croácia, os Países Baixos, a Inglaterra. E mais uma série de outsiders que podem sempre ser um novo Portugal ou uma nova Grécia.
Mas a fasquia vai alta: o objetivo é o título. Tendo isso em vista, convenhamos que começou bastante bem, com excelente resultado e uma exibição convincente frente a uma Arménia que já nos causou os seus dissabores...
Mas até chegar às Américas convém valorizar o que se for conseguindo vencer por aqui. Ninguém nasce apurado e muito menos candidato só porque diz sê-lo."

Jogo Pelo Jogo - S03E05 - Pausa para Seleções

Pre-Bet Show #148 - Top 5️⃣ Candidatos a vencer o Mundial 2026 🌍

Zero: Negócio Mistério - S04E21 - Coutinho no Barcelona

SportTV: Primeira Mão - Mundiais com História... e uma Mão de Deus 👑

BolaTV: F1 Debrief...

SportTV - MotoGP Catalunha...

BolaTV: Desporto À Solta #2 - Futebol Americano

Futebol Polifuncional


"Com o respeito que os grandes homens têm por seus sábios, Marcelo Bielsa pede desculpa a Menotti - que acreditava profundamente na especificidade de cada posição - ao lançar para o universo a bomba da polifuncionalidade. Coisa, aliás, que me diz muito porque é assim que eu vejo o jogo desde que comecei a jogar futebol: amplo, abrangente, sem um necessário e aprisionado lugar definido em campo.
O super-jogador deve ser aquele que pode rodar no tabuleiro e continuar a produzir grande futebol porque entende a essência de cada posição, reconhece-lhe as virtudes e defeitos, sabe-lhe os caminhos. Não significa isto que um treinador deva abdicar de especialistas ou que, se tivermos no plantel um fabuloso finalizador, o devamos desprezar por uma ideia colectiva mais apelativa. Não, estudando o que todos os jogadores podem trazer ao nosso jogo, deveremos então incorporar uma fórmula que potencie ao máximo o talento que temos. Que pode perfeitamente passar por ter 6 ou 7 jogadores polifuncionais e outros 4 ou 5 menos capazes de girar no tabuleiro mas extremamente eficazes nas funções que lhes pedimos. Acabe-se de vez com os radicalismos de um lado e de outro.
O que defende então El Loco para os escalões de formação? Ao contrário do que é recorrente, Bielsa refuta a ideia de ter um mesmo sistema de jogo em todas as equipas, desde os 10 anos ao plantel principal. A ideia é precisamente a contrária: ter em cada escalão um sistema diferente que vá mudando assim que o jogador sobe um patamar na hierarquia. Compreenda-se: é o sistema que muda, não o modelo. Este deve ser transversal em todo os escalões: como sair, que tipo de pressão, predilecção por jogo interior ou exterior, linha defensiva, transições defensiva e ofensiva, que tipo de condicionamentos ao adversário e em que zonas do campo. A alma das equipas é a mesma com esqueletos diferentes.
Porquê? Porque o jogador aprende, desde miúdo, a adaptar-se a estímulos distintos dentro do campo. A posições diferentes. A dificuldades que lhe eram estranhas um ano antes. Um médio consegue perceber melhor o movimento do lateral do seu lado se lá tiver passado no ano anterior. Sabe-lhe melhor os movimentos, antecipa facilmente um posicionamento. Torna-se mais natural em campo. Mais funcional. O jogo dos colegas fundem-se mais facilmente com o seu. Começa a existir uma simbiose mais clara e eficaz.
Este jogador, que aos 10 jogou em 442, aos 12 em 433, aos 14 em 343, aos 16 em 4231, aos 18 em 352 vai chegar à equipa principal com um conhecimento táctico absolutamente maior sem ter deixado de se ir definindo como especialista. Aliás, mais facilmente se descobre qual a melhor posição em campo para um jogador se o virmos em posições diferentes ao longo da sua formação, tendo sempre um modelo de clube claramente definido desde que começou a jogar futebol.
O jogador polifuncional chega assim aos 18 anos muito mais capaz de dar uma resposta afirmativa quando é chamado a jogar com os melhores. A sua integração - que é sempre a grande incógnita, mesmo com jovens muito talentosos - far-se-á de uma forma mais fluida, mais orgânica. O jogador não sente que chegou a um muro intransponível. Pelo contrário, recebe os mesmos estímulos criativos que sempre recebeu nos escalões inferiores. Há ali um lugar de conforto que o potencia a impor-se e a impor a sua qualidade logo que chega à equipa principal.
O tabuleiro gira sem que a qualidade se perca. Com a vantagem extraordinária de criar problemas diferentes e mais complexos ao adversário. Jogadores polifuncionais para um futebol muito mais universal. Futebol cheio, criativo, desconcertante. Futebol total."

Seleções Nacionais


"Em pleno período de pausa no calendário da FIFA para encontros das seleções nacionais, é relevante analisar o seu enquadramento jurídico. A participação competitiva das seleções nacionais nos diversos eventos desportivos, bem como a respetiva organização, reveste-se de um papel essencial na promoção do desporto, no fortalecimento da identidade nacional e no reconhecimento internacional do país. Em Portugal, esta responsabilidade é atribuída exclusivamente às federações desportivas, conforme consagrado pela legislação nacional, sendo considerada uma missão de interesse público. Tal enquadramento jurídico encontra-se plasmado tanto na Lei de Bases da Atividade Física e Desporto como no Regime Jurídico das Federações Desportivas.
De acordo com as citadas leis, cabe às federações desportivas assegurar, de forma organizada e responsável, a participação competitiva das seleções nacionais. É, portanto, reconhecido o papel das federações como agentes diretos na promoção do desporto, estabelecendo que tal atuação se insere numa missão de interesse público. O artigo 45.º da referida Lei de Bases refere mesmo: «A participação nas seleções ou em outras representações nacionais é classificada como missão de interesse público e, como tal, objeto de apoio e de garantia especial por parte do Estado.»
As federações têm, deste modo, o poder público delegado pelo Estado de planeamento e organização da atividade competitiva no plano internacional, bem como a definição das estratégias para a participação das seleções nacionais. As nossas Seleções Nacionais de futebol, pela mão da sua Federação, promovem uma lógica de excelência desportiva e um rigoroso planeamento técnico, financeiro e logístico, de forma a garantir que as equipas nacionais dispõem das condições adequadas para competir ao mais alto nível."