Últimas indefectivações

domingo, 20 de abril de 2025

Lutar pelos três pontos


"O Benfica desloca-se a Guimarães para defrontar o Vitória SC (20h30). Este é o tema em destaque nesta edição da BNews.

1. Focados
O treinador do Benfica, Bruno Lage, considera: "Ambas as equipas vão querer vencer o jogo, e o nosso sentimento é de concentração absoluta, com motivação em alta, fazer um grande jogo. Temos de estar com concentração máxima no próximo jogo para vencer o Vitória."

2. Informações para os adeptos
A ter em conta pelos Benfiquistas que apoiarão a equipa em Guimarães.

3. Na frente
No primeiro jogo da final dos play-offs do Campeonato Nacional de voleibol, o Benfica venceu, por 3-1, o Sporting. Marcel Matz refere: "Ganhámos o primeiro jogo, vamos tentar ganhar o segundo. Há que trabalhar, acreditar, contar com o apoio dos adeptos."

4. Outros resultados
A equipa B venceu, por 1-3, no reduto da União de Leiria. Os Juniores ganharam, por 5-0, frente ao Académico de Viseu. Os Juvenis triunfaram, por 4-2, ante o Casa Pia.

5. Jogos do dia
Além do desafio entre Vitória SC e Benfica (20h30), hoje pode apoiar o Benfica nas seguintes partidas: a equipa feminina de futebol recebe o Valadares Gaia em jogo da 1.ª mão das meias-finais da Taça de Portugal (14h00). Em basquetebol, a equipa masculina defronta o Sporting no reduto leonino (15h00) e a feminina tem embate na casa do Quinta dos Lombos (11h45). A equipa feminina de futsal visita o Leões Porto Salvo (18h00).

6. Final arranca na segunda-feira
Na próxima segunda-feira, às 20h00, o Benfica recebe o Braga no primeiro jogo da final do Campeonato Nacional de voleibol no feminino. Angélica Malinverno faz a antevisão e pede o apoio dos Benfiquistas.

7. Protagonista
Francisco Domingues, há 15 anos no Clube e capitão da equipa B do Benfica, é o entrevistado da semana.

8. Casas Benfica de Campo Maior e de Santo Tirso
Conheça o papel social da embaixada do benfiquismo em Campo Maior. E veja como a embaixada do benfiquismo em Santo Tirso viveu o embate entre Tirsense e Benfica."

A ignorância é atrevida…


"A FIFA revelou, esta semana, a lista de árbitros nomeados (incluindo assistentes e VAR), para a primeira edição do Mundial de Clubes, a ter lugar nos Estados Unidos da América, de 14 de junho a 13 de julho próximos.
São 117 nomes, oriundos das seis confederações continentais, e correspondendo às necessidades de uma competição estruturalmente idêntica ao Mundial 2022, no Qatar, com 64 jogos durante um mês, mas com uma característica geográfica muito diversa, uma vez que o território estado-unidense obriga a deslocações aéreas frequentes e a um desgaste (até pelos quatro fusos horários existentes) muito superior.
O facto de nenhum juiz de campo português ter sido incluído na listagem final levantou, desde logo, a polémica costumeira, sobretudo nas redes sociais, onde todos são reis, valentes e imortais, a coberto, muitas vezes, de um cobarde anonimato que lhes permite escrever e publicar as mais ridículas aleivosias sob a capa de uma certeza napoleónica.
Comecemos pelo princípio: para respeitar numerus clausus continentais, a Comissão de Arbitragem da FIFA define, à partida, óbvios limites para cada uma das confederações de futebol. Essa limitação fez com que, por exemplo, Artur Soares Dias ficasse à porta do Mundial do Qatar, até porque, nesse momento, foi entendido designar também três árbitras, uma das quais europeia (a francesa Stéphanie Frappart) o que, de imediato, fechou a possibilidade de o árbitro portuense incluir a listagem final para o Mundial do Golfo Pérsico.
Com a sua despedida de fases finais no decurso do Europeu da Alemanha, o ano passado, Portugal deixou de ter representação no grupo de Elite da arbitragem da UEFA, quando, em anos recentes, havia disposto de dois lugares (para Soares Dias e para Jorge Sousa). É desse grupo, obviamente, que saem os árbitros europeus designados para as provas máximas da FIFA e, portanto, não era crível que Portugal pudesse ter algum representante no Mundial de Clubes norte-americano.
Espanta-me que alguns conceituados comentadores (até ex-árbitros) não tenham, ao longo da semana, procurado explicar a «impossibilidade prática» de nomeação de árbitros lusos para esta prova, aproveitando, ao invés, para alinhar na narrativa populista (mas absolutamente evitável) da crítica fácil, deixando nas entrelinhas a mensagem de que esta situação teria tido algo a ver com a não eleição de Pedro Proença para o Comité Executivo da UEFA, há duas semanas, em Belgrado. Nada mais falso, nada mais incorreto.
Do grupo de árbitros de Elite da União Europeia de Futebol passou a fazer parte, desde janeiro deste ano, o bracarense João Pinheiro, entretanto chamado a jogos de alguma responsabilidade e avaliado por alguns dos mais influentes elementos do colégio de observadores. Mas, tal como sucedeu com o italiano Maurizio Mariani (também ele promovido ao principal estatuto em janeiro), nunca estaria na calha para o Mundial de Clubes dos EUA. O grupo de Elite passou a contar com 30 juizes de campo, havendo nações com três árbitros (Espanha, França, Alemanha e Itália), com dois colegiados (Inglaterra e Holanda), e múltiplos países com apenas um árbitro, nos quais se inclui Portugal, com João Pinheiro.
E desses trinta, apenas onze foram apontados aos jogos da América do Norte, de nove bandeiras, uma vez que, na lista, se incluem dois ingleses (Anthony Taylor e Michael Oliver) e dois franceses (Clément Turpin e François Letexier). Diria que estão designados os onze previsíveis juizes do velho continente, e que jamais seria ponderável, neste momento e com apenas quatro meses de inclusão no grupo de Elite da UEFA, a designação de João Pinheiro.
Ora cada árbitro nomeado levará os seus dois habituais assistentes, pelo que também não era de aguardar a participação de outros nomes portugueses, como assistentes ou, sequer, como VAR (árbitros assistentes de vídeo), embora, neste domínio, Tiago Martins esteja muito bem cotado por Roberto Rosetti, o italiano que lidera a comissão de arbitragem da UEFA.
A ignorância é atrevida, todos o sabemos. E, com a voragem e a facilidade de propagação de notícias e comentários nos social media (um forte pedaço de mau caminho para quem o utiliza sem ética e sem critério…), logo se aprestaram os arautos da desgraça (tantos haverá que, provavelmente, nem fazem ideia de quantas são as Leis do Futebol!…), a esmagar, com a clareza e a firmeza das suas opiniões, a realidade da arbitragem portuguesa e da sua cotação a nível internacional, com alguns — e esses com responsabilidade acrescida na indústria, o que os penaliza — a ligarem este facto, afinal tão simples de interpretar e de explicar, à tal inexistência de representante luso no principal comité decisor e influenciador da entidade máxima do futebol europeu.
Os bons serviços prestam-se em campo e fora dele, e são normalmente acompanhados de equilíbrio, leitura das situações, alguma descrição e muita prudência nos comentários, sobretudo quando se fala de futebol e, nele, de arbitragem.
Portugal é um país de animosidade exacerbada e compete a todos os que, de algum modo, possam fazer pedagogia nesta área e nas suas implicações, não deixarem passar a oportunidade de, ao invés de atear chamas, evitá-las preventivamente.

Cartão branco I
Quando é jogado no limite, em grandes ambientes, até ao apito final, com incerteza e alternância no resultado e, neste caso, no vencedor de uma eliminatória, o futebol é extraordinário. O que se passou anteontem em Old Trafford, entre Manchester United e Lyon, para a Liga Europa, fica na memória e passa à história como um hino ao futebol mundial, ainda por cima com Ruben Amorim e Paulo Fonseca a comandarem as equipas em confronto. Que venham muitos destes jogos, e, sobretudo, que os técnicos lusos continuem a poder criar magia, com as suas equipas, pelo planeta futebol.

Cartão branco II
O Juventude Lajense nasceu na vila das Lajes, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira. Conquistou, no último fim de semana, o título de Campeão de Futebol dos Açores, ao vencer a prova que integrou dez equipas, oriundas de cinco das nove ilhas da Região Autónoma. Um título procurado pela formação terceirense há, pelo menos, duas temporadas Aqui homenageio, em todo o grupo de trabalho do Juventude Lajense, os campeões regionais, oriundos de todos os quadrantes de Portugal continental, da Madeira e dos Açores, como representantes do mais puro e transparente ecossistema do futebol português, longe de guerras palacianas e de egos narcísicos."

Amorim: a sorte dá muito trabalho


"Manchester United-Lyon entra na história por vários motivos. E vai ajudar a construir a imagem de um treinador que é realmente especial, capaz de transformar um ogre num príncipe

Reviravoltas desconcertantes há muitas, mas o que assistimos na noite de quinta-feira, em Old Trafford, vai muito além do imaginável, provando que o futebol continua a forçar os limites do razoável. O Manchester United-Lyon ficará na história por muitos motivos. Por ter sido o jogo com mais golos marcados num prolongamento em provas europeias, por nunca terem ocorrido dois golos no minuto 120 de uma partida sob a égide da UEFA ou simplesmente porque pode ter sido o momento que dará a Ruben Amorim uma imagem que transcende o treinador que percebe de táticas e estratégia – um certo ar de milagreiro, porque só por milagre é possível transformar estes jogadores numa equipa que está a duas etapas de conquistar a segunda prova de clubes mais importante da Europa.
Não há maior paradoxo do que concentrar em Harry Maguire a figura de salvador: um central que exibe erros básicos nos apoios, no um contra um defensivo e uma profunda inaptidão no entendimento da linguagem corporal dos avançados adversários. E mesmo assim foi o único com sentido de golo e sobre quem foi colocada a coroa de louro. É por desafiar a lógica que o futebol consegue ser tão belo.
Talvez só daqui a um ano, quando (e se…) tiver outro plantel e estiver noutro patamar da classificação que Ruben Amorim falará sobre esta noite como falava daquelas partidas resolvidas com as subidas do seu capitão à área adversária (Maguire foi o seu Coates): era engraçado mas configurava um sinal de desespero e impotência. Porque jogos como o United-Lyon só acontecem porque há muitos erros.
Do ponto de vista da qualidade individual e coletiva, o Lyon foi melhor, mesmo com 10 jogadores - demonstração do bom trabalho de Paulo Fonseca neste histórico do futebol francês. Mas os grandes treinadores são aqueles que em determinados momentos da carreira parecem ser tocados com a varinha. Ou no caso de Ruben Amorim, são já vários os momentos. No Sporting chamaram-lhe estrelinha, no Manchester United ainda estão a pensar num nome para isto – por enquanto fica só a alusão ao Fergie time, aquela capacidade que o United tinha em virar jogos nos últimos minutos sob o comando de Alex Ferguson. Mas também já se terá chegado à conclusão de que quando alguém tem sorte muitas vezes é porque há um trabalho sólido por detrás – fundamentalmente um trabalho mental. Uma variante que o faz ter uma aura realmente especial. Aquele abraço de Onana significa muita coisa."

Terceiro Anel: Diário...

Entrevista Matz & Casas...

Jorge Jesus tinha razão sobre Neymar?


"Era noite de festa: Neymar, com a camisa 100 e não a 10 nas costas, celebrava o 100.º jogo pelo Santos na Vila Belmiro, frente ao Atlético Mineiro, para a quarta jornada do Brasileirão. No ecrã gigante e nas bancadas, clube e adeptos, preparados para o evento, celebraram a marca com um filme especial e cânticos em homenagem ao craque.
No decorrer do jogo, a comemoração continuou: aos 24’ e aos 27’, a equipa treinada interinamente por César Sampaio, dias após a saída do português Pedro Caixinha, já vencia por 2-0, e o atacante, mesmo sem brilhar, contribuía para as jogadas ofensivas do peixe, com 71% de passes certos, uma falta sofrida — ou, pelo menos, assinalada, porque ele e a torcida queixaram-se de mais uma mão cheia delas — e um ou dois apontamentos da sua incrível qualidade.
Mas, a alegre confraternização acabou de repente, como se um curto-circuito deixasse tudo às escuras. Aos 34 minutos, Neymar levou a mão à coxa, fez um esgar de dor, chorou, caiu e saiu. O público, enlutado, calou-se. A equipa, órfã, não marcou mais nenhum golo.
No total, em nove partidas no regresso ao Santos, o internacional brasileiro só completou uma delas e esteve 42 dias ausente dos relvados por culpa da lesão na mesma coxa esquerda de que se ressentiu no 100.º jogo na Vila Belmiro. No Paris Saint-Germain falhara 212 jogos por lesão. Pelo Al-Hilal participara em sete dos 94 jogos do clube saudita no período em que lá esteve, o equivalente a 428 minutos de um total de 8460 possíveis, segundo a plataforma estatística O Gol.
Em janeiro, Jorge Jesus, treinador do clube asiático, disse que Neymar «é um jogador que não deixa dúvidas a ninguém, é de top mundial, mas a verdade é que, fisicamente, não tem conseguido acompanhar a equipa».
No Brasil, logo após os primeiros jogos, lances e rasgos do craque, a sempre apressada imprensa local caiu em cima da avaliação do português. O próprio Ney respondeu à letra: «Obviamente que fiquei muito chateado com as palavras do Jorge Jesus quando ele falou que eu não estava nas mesmas condições da equipa. Nos treinos eu demonstrava que estava, sim, apto a jogar, que eu estava, sim, nas mesmas condições dos outros atletas. Até porque quando fazíamos treino de conjunto, quem decidia era eu, quem fazia os golos era eu.»
Já não se pede a Neymar que em 2026, aos 34 anos, faça no Mundial da América do Norte o que Ronaldo Fenómeno fez, aos 26, no Mundial do Oriente — superar as lesões, decidir a prova, deixar o mundo de boca aberta e escrever um conto de fadas pelo próprio punho (ou pé).
Pede-se apenas que mostre que Jorge Jesus não tinha razão no seu diagnóstico."

sábado, 19 de abril de 2025

Primeiro grande passo...

Benfica 3 - 1 Sporting
21-25, 25-23, 25-22, 25-20

Começamos muito mal, mas na recta final do 2.º Set 'matámos' o jogo! O Sporting, sentiu a remontada, e dominámos até ao fim...

Com o Pablo e o Nivaldo ao mesmo tempo em campo, a nossa Recepção será a chave dos resultados! O Sporting vai atacar 50% das vezes com o Valencia, o Benfica tem muito mais opções ofensivas, mas o Pablo e o Nivaldo têm que ser consistentes na defesa!

Primeira vitória, mas ainda temos que vencer mais duas vezes...

Regresso às vitórias...

Leiria 1 - 3 Benfica
Melro(2), Leandro


Com um 11, mais parecido com os 'titulares', vitória justa, em Leiria, numa partida onde fomos bastante superiores...

Juniores - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 5 - 0 Ac. Viseu
Umeh, F. Silva(2), Juvenal, Jair


Apesar da goleada, o Académico, até aos 52' deu luta, mas com a expulsão, tudo ficou mais fácil, o 2-0 acabou em 5-0!

Antevisão...

BI: Antevisão - Guimarães...

Amizades!

O tema do momento são os penáltis


"AS RAZÕES DE QUEIXA DO SPORTING

Vem aí a jornada 30 e o tema dos penáltis tem dominado as discussões. Os sportinguistas acham que são historicamente prejudicados, coitados. Vejamos alguns dados.

MAIS PENÁLTIS A FAVOR NUMA SÓ ÉPOCA (neste século)
Sporting 2001-02 - 17
Porto 2019-20 - 16
Sporting 2018-19 - 15
Porto 2019-20 - 14
Sporting 2024-25 (faltam 5 jornadas) - 13

SÉRIE DE JOGOS SEGUIDOS SEM TER PENÁLTIS CONTRA
Sporting - entre 28.4.1996 E 3.12.2000 - 150 jogos
Porto - entre 5.12.1992 e 18.9.1994 - 89 jogos
Benfica - entre 21.3.2105 e 21.3.2016 - 25 jogos

ÚNICO GRANDE COM ÉPOCAS EM QUE TEVE MAIS PENÁLTIS CONTRA DO QUE A FAVOR
Benfica 2021-22 - 2 penáltis a favor e 4 penáltis contra
Benfica 2023-24 - 6 penáltis a favor e 7 penáltis contra

BENFICA DONO DISTO TUDO PENÁLTIS NO TETRA A FAVOR
Sporting - 42
Porto - 34
Benfica - 27

SALDO DE PENÁLTIS NO TETRA (a favor menos contra)
Sporting - 26
Porto - 24
Benfica 18"

Gustavo Correia está nomeado pelo Conselho de Arbitragem para o jogo Vitória-SLBenfica


"O mesmo que no Sporting - Estrela da Amadora desta época, marcou 2 penaltis a favor do Sporting, anulou 1 golo ao Estrela, expulsou dois do Estrela e ainda amarelou outros 7 jogadores do Estrela.
É o prémio CARREIRA!

P.S: sem surpresas Fábio Veríssimo irá apitar o jogo do Sporting! Quem diria...!!!?"

Tudo Bons Rapazes!!!

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Sonho ou realidade: os regressos aos grandes

Pre-Bet Show #130 - Transferências e contratações para United e Arsenal 💰

É altura de voltar a exigir qualidade às lideranças do desporto português


"O escrutínio tem de voltar a fazer parte do dia a dia do jornalista, mesmo numa altura em que órgãos e clubes têm meios para comunicar diretamente (o que querem) com o seu público

A mudança está à nossa volta, mesmo que nem todos dela se apercebam. É como aqueles sismos de escala menor, de Richter ou de Mercalli, que acordam de noite os menos sensíveis apenas o suficiente para soltarem um ou dois sons impercetíveis e se virarem para o outro lado, antes de novo adormecerem. Portugal encontra-se em fase de mudança, ainda que nem tudo se passe à superfície.
As placas tectónicas chocam já, antes de se voltarem a ajustar num novo figurino, que pode apenas estar ligeiramente desfocado daquele que existe no presente. Não o sabemos. Idealmente essa até nem seria a paisagem mais desejável, mas sim outra, renovada, que fizesse encarar o futuro de outra maneira. Mesmo que com vários epicentros em vários locais se corra o risco de libertar um tsunami que mude por completo a superfície do nosso país. Se fosse para o melhor, porque não? Ser radical, quando tudo parece estar errado, será assim tão mau?
O país vai a eleições à procura de um rumo, do mesmo, ainda que sem certezas de que saia reforçado, bem pelo contrário, ou de outro, provavelmente tão frágil ou ainda mais do que o primeiro. Entretanto, esbarramos em incompatibilidades, devoluções falhadas de IRS e percentagens e idades de reforma — quando o descabelado Trump, Putin ou Israel e a Palestina não nos forçam a mudar por completo o foco da atenção — que se juntam às dúvidas do dia a dia, mais reais e impactantes, sobre a renda da casa que pouco ou mal já não se consegue pagar ou o racionamento que é preciso fazer no combustível ou nas compras de supermercado.
Também as mais importantes instituições do desporto português, a Liga e a Federação no futebol, e o COP no olimpismo, o fizeram, aí menos limitados pelas ideologias e com maior facilidade de gerar consensos, ainda que não necessariamente aqueles que vão ao encontro da ideia de bem maior. Essa ideia não existe em Portugal há muito tempo, dificilmente terá aparecido mais do que uma ou outra vez desde o dia em que eu nasci.
Já nos clubes, o FC Porto quebrou uma liderança que parecia eterna e o Benfica se prepara para, lá para outubro, reforçar o rumo (se é que verdadeiramente existe) ou escolher um outro, falando-se já em nomes do passado, como Bernardo Silva, João Félix ou Nélson Semedo enquanto angariadores de votos ou armas de arremesso, uma vez que no campo ainda nada é certo. Entretanto, o Sporting terá mais uns anos de liderança de Frederico Varandas, se nada se estranho acontecer. No futebol não se ganha pelas ideias, mas sim pelos resultados ou, se não existirem, pela esperança de melhores dias. Clube é amor e religião, dizem.
A ligação entre política e desporto sempre existiu, umas vezes até deu em caminhos cruzados, todavia, hoje sobretudo, obriga-nos a repetir muitas vezes que o segundo é o reflexo perfeito do primeiro, enquanto nos lembra também, a cada aparição pública, o deserto de referências que este país atravessa, um pouco por todo o lado. No jornalismo também.
A precaridade, a sensação de uma crise permanente, está ao nosso lado no dia a dia. No entanto, paradoxalmente, é neste momento difícil que a missão do jornalismo é mais urgente. Centrando-nos no desporto, que é do que tratamos aqui por muito confusas que sejam quase sempre as fronteiras, não podemos passar mais um mandato que seja, um ano apenas, sem escrutínio. Não podemos deixar que vença a propaganda. Há quem lhe chame coragem, para mim é uma obrigação. No que me compete.
O novo presidente da Liga confiou que não há, para já, qualquer proposta para a centralização dos direitos televisivos, a solução mágica para resolver todos os problemas do futebol indígena de acordo com muita gente, depois de ouvirmos a anterior direção apontar para valores estratosféricos e irrealistas, antes de se escapulir para a Cidade do Futebol. Porque ninguém quer acreditar no básico: não se parte um mealheiro vazio, é preciso enchê-lo primeiro. Ou seja, fazer crescer a cultura desportiva a fim de se encher as bancadas, tornar os clubes sustentáveis, acelerar a justiça e garantir a sua eficácia, formar melhores árbitros e dirigentes, além de aproveitar o gosto muito nosso de ser treinador com cursos rápidos e abrangentes, acabar com o ruído e atrair melhores jogadores. Só assim se melhorará o produto, se criará um verdadeiro espetáculo que captará interesse. Primeiro o nosso, depois os de fora. Só o interesse fará com que as propostas apareçam. Vejam as dificuldades que França tem passado. Ou o desinteresse progressivo lá fora pelo jogos do campeonato do país de Cristiano Ronaldo.
O mesmo se passará na Federação, que para já parece mais interessada numa espécie de purga da instituição que poderá chegar em breve até ao cargo de selecionador nacional, de acordo com uma ou outra notícia que tem circulado, tendo também no gabinete da presidência um trampolim para um cargo internacional, falhada a entrada no Comité Executivo da UEFA.
Mesmo que tenha o apoio generalizado de todos os que preferem a paz podre à verdadeira mudança, alinhavado com promessas de que nenhuma rotura os irá colocar em causa no futebol profissional ou simplesmente alimentados pela crença na centralização dos direitos, Pedro Proença terá o caminho livre para a gestão tranquila da posse de bola até ao fim do seu mandato ou até conseguir a promoção que persegue. Se não cumpriu o que prometeu na Liga, porque o fará agora na Federação? Por isso, teremos de ser nós a lembrar que Portugal não pode passar mais quatro anos a ver passar navios ou arrisca-se a ficar mais perto da classe média desportiva do que da nata europeia. Da formação à Seleção, na reestruturação dos quadros competitivos e em todas as áreas abordadas antes, há muito a fazer por todos os gabinetes do jogo em Portugal.
E quem fala do futebol, tem de lembrar as outras modalidades, a lutar pela existência. E aí entra Governo, federações, COP e todos nós. Se fazem tanto com tanto pouco, garanta-se mais para que sejam ainda maiores."

A noite em que o Cubillas e o Vargas Llosa me salvaram a vida


"O Peru é uma manta de retalhos a lã de alpaca. Puno, Cuzco, Apurimac, Ayacucho, Arequipa, Moquegua, Tacna - tudo nomes que remetem os sentidos para a ancestralidade indígena e sabedoria sem sábios científicos. Muito antes de existirem laboratórios ocidentalizados à descoberta de técnicas, saberes, tecnologias ou desmames oraculares já os incas debitavam em Quechua ou Aimará revelações transcendentes sobre o mundo moderno – este mesmo onde hoje temos o prazer de sentar a nossa existência.
Alguém, um dia, avisou o ocidente da descoberta de Machu Picchu e fez uma festa muito colorida, com champanhe francês e tudo, sobre a prodigiosa aventura do encontro. O que não ficou escrito em acta planetária - e devia - foi que Machu Picchu, assim como todas as terras e baldios peruanos, estava já descoberto há muito tempo. Problemas de comunicação, talvez, visto que os Incas, mais preocupados em criar monumentais fontes e túneis de regadio e socalcos de plantação de onde pudessem tirar a barriguinha de misérias, se esqueceram inexplicavelmente de criar a internet sem fios.
Um ponto a menos para os Incas, embora não estejamos ainda certos de que essa fosse a prioritária e urgente necessidade por aquelas alturas. Entre lamas peludos e ar rarefeito, repenicando anãs de cabelos brilhantes, mantinhas coloridas e a adoração aos deuses, subjaz ainda assim, como templo antigo debaixo das pedras de catedrais espanholas, o império cerebral de um povo que, à falta de facebook e instagram, fez pela vida e inventou, sem termómetro nem microscópio, a temperatura e a lupa da ciência moderna. Incas - 1, Balão de Erlenmeyer – 0.
A primeira vez que vi o Peru, estava no meio de uma ilha no Lago Titikaka. Pareceu-me aceitável, embora esperasse mais. Tinha terra, água, árvores, pássaros e pessoas - nada que não tivesse visto já na televisão, sinceramente. Achei até um pouco mundano, quase pedestre. Mas deixei-me ficar a beber o vinho chileno enquanto sol e lua, em gestos opostos, apareciam aos meus olhos. Não sei se foi da graduação do líquido, se dos lábios ressequidos pela fermentação de humidade, mas a certa altura achei o Peru bonito, embora estivesse na Bolívia. Sempre tive este problema de achar que o peru da vizinha era mais bonito que o meu - uma insatisfação galopante que clinicamente fui tratando com formas de adulterar a sobriedade. Podia aqui perder-me em episódios sobre o meu Dakar (essa cidade profundamente sul-americana) por terras peruanas, todos entre o desvario indígena e o conhecimento do sublime, mas opto meticulosamente apenas por um para não maçar muito a audiência: a noite em que o futebol me salvou o couro.
E foi mais ou menos assim: estávamos em Tacna, cidade peruana fronteiriça com o Chile. Noite bem regada a vodka, vinho e papoilas, chovia do céu aquele longo véu das noites tranquilas e a Maíra saiu de um bar a querer beijar as poças de água que se formavam no chão. Estava decididamente na altura de ir tentar encontrar a pensão -3 estrelas onde tínhamos uma cama, meio-lavatório e um peruano mal-disposto na recepção à nossa espera. O problema colocava-se da seguinte maneira: onde é que estávamos?, assim de simples. Não fazíamos puto de ideia. Mas sabíamos que estávamos em Tacna, isso sabíamos - menos mal, portanto.
Com a Maíra por esta altura a imitar o Miguel Oliveira com os joelhos, competia-me a função de mapear a cidade, encontrar-lhe referências, reconhecer-lhe direcções. A custo, muito a custo, tacteei o solo, ouvi-lhe as entranhas de Quechua e segui orgulhoso por uma fronteira de ruelas em direcção ao sol poente - que nunca morre. Como é evidente nestas coisas da divindade, os seres supremos enganaram-me e acabei perdido num esconso beco com vista para as estrelas. Voltei atrás, enquanto carregava um peso morto pelos braços, mas era demasiado tarde: o Agustín tinha encontrado os seus turistas da noite. Vejamos: numa sociedade pobre, o parvo turista serve perfeitamente os intentos da economia nacional (não comecemos agora um longo trajecto em dissertações pueris acerca da criminalidade e do diz-que-disse e do "ali tenho medo", que isso só nos levará ao Morro do Alemão e esse é outro episódio para depois).
Agustín encontrou-nos e é só - foi mais esperto, o que, não menosprezando a sageza real do autóctone, não era de modo nenhum tão difícil assim, visto que, segundos antes de Agustín ter encontrado as suas presas, Maíra e eu cantarolávamos a dez gargantas abertas para o céu peruano músicas esquecidas do Vinicius de Moraes. Ora, se há coisa que a meliante Agustín nunca agradou foi esse período luminoso em que Vinicius fez parceria com Toquinho. Tivéssemos cantado Vinicius pré-Toquinho e muito provavelmente Agustín ter-nos-ia dado rédea solta para nos perdermos por mais umas horas na bela cidade triste de Tacna. Não foi o caso: o peruano num gesto rápido de Lucky Luke andino amarrou uma arma à costela deste que vos fala e disse: "y ahora, cabrón?", bonitas palavras que mereceram resposta à altura da brasileira: "cabrón é o caralho!". Isto comigo e uma pistola no meio.
À minha esquerda, enquanto batia com os dentes na lama, Maíra entoava lindas notas do Canto de Ossanha e insultava o peruano; à minha direita, um Agustín bêbado com uma arma na minha barriga. É nestes momentos que nos perguntamos: "não há foto? Quero meter no facebook". Não havia. E foi aí que inaugurei o meu extraordinário plano de sobrevivência: falei de bola. Que mais havia para falar? De astrologia, de finanças, do inacreditável preço da batata nas sociedades civilizadas? Vomitei tudo o que me vinha à cabeça, numa demência tal que cheguei a sentir os meus três companheiros - conte-se a arma nisto, que é de notável importância - pasmados a ouvir-me, quase sóbrios.
O problema era que, de futebol peruano, eu conhecia pouca coisa, quase nada. Mas ninguém diria se ouvisse o meu discurso eloquente naqueles minutos em que passeávamos pelas lamas de Tacna numa espécie de bailado aos solavancos, entre o medo, a eternidade e a devoção a um Deus que ainda não foi inventado. Falei do Teofilo Cubillas do Porto, do Porto do Cubillas, avancei pelo Figo, pelo Cristiano Ronaldo, pelo Eusébio, pelo Alianza Lima, pelo Teofilo Juan Cubillas Arizaga, pelo Cubillas, pelo Cubillas, pelo Porto do Cubillas, pelo Cubillas do Porto que é de Portugal e eu era português e a Maíra era brasileira e o Pelé e o Cubillas do Pelé e o Pelé do Cubillas e do Alianza Lima e do Ronaldinho Gaúcho e eles todos que eram muito amigos do Figo e do Cristiano Ronaldo e o Eusébio que era português e sempre adorou comer Cuy que é uma delícia inca que passa por degustar um lindo porquinho-da-índia e o Cubillas, Agustín, o Cubillas?
Não vamos agora estragar a noite, Agustín, larga a pistola, Agustín, há uma vida para viver, um Cubillas para comer, perdão, Agustín, um Cuy para comer e um Cubillas para celebrar, Agustín. Amanhã ainda vamos rir disto tudo e comer Bacalhau com o Figo e com o Cristiano Ronaldo e com o Ronaldinho Gaúcho e com o Pelé, ainda nos metemos num autocarro com eles todos e vamos à sede do Alianza Lima beber mais uns copos e de repente já nada disto aconteceu e ainda vamos ser todos muito felizes com o Cubillas.
Perante o esparvoamento de Agustín, que é uma palavra que inventei agora mas que pode muito bem ter existido nessa noite de estrelas no céu e na lama de Tacna, e enquanto Agustín nos deixava muito simpaticamente na nossa pensão menos três estrelas, e para que não restassem dúvidas absolutamente nenhumas do meu profundo conhecimento sobre o futebol peruano, soltei um
- Y Vargas Llosa? Que genial delantero!"

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sexta-feira, 18 de abril de 2025

Falar Benfica - Conversas #14

Uma Champions socialista e com assinatura


"A liga milionária, capitalista, vai elevar ao Olimpo trabalhos de inspiração coletiva, sem uma grande figura central, e com assinatura indelével dos respetivos treinadores

PSG, Arsenal, Inter e Barcelona são, com todo o mérito, os semifinalistas da Liga dos Campeões. Três trabalhos consolidados por Luis Enrique, Mikel Arteta e Simone Inzaghi, que acumulam alguns anos ao leme das respetivas equipas, e outro, que também inclui assinatura, do alemão, Hansi Flick, embora com menos tempo de gestação (embora nem por isso com menor impacto) num Barcelona, que antes da sua chegada até parecia reclamar um líder com ligação mais profunda a La Masia.
As quatro equipas refletem ainda um futebolista mais socialista, de visão coletiva e sem superestrelas, ainda que o conceito seja sempre relativo quando nos lembramos dos 70 milhões pagos por Kvaratskhelia, depois dos 60 e 50 milhões que custaram respetivamente João Neves e Doué; os 31 dados por Frattesi; os 55 reclamos por Olmo; ou os 87 no total que saíram dos cofres do Emirates por Calafiori e Merino. Também seria preciso retirar o rótulo de craque a Lewandowski, Lautaro, Lamal, Raphinha, Dembélé, Odegaard, Saka e outros, o que não faz sentido. No entanto, são estrelas a trabalhar sobretudo para o coletivo, preocupados tanto no momento com bola como quando alguém a perde e é necessário recuperá-la.
Dos quatro emblemas, a maior transformação foi certamente a que se verificou na Cidade-Luz. Luis Enrique, que já tinha recusado treinar os franceses quando lá coabitavam Messi, Neymar e Mbappé, aceitou o desafio quando restava o francês para hoje já nem dele precisar dar corpo à esperança da tão aguardada conquista da Liga dos Campeões. Mais, o espanhol, figura imensa para lá do treinador, mesmo com a má vontade habitual para a Imprensa, o que se poderia virar contra si, preferindo dirigir-se diretamente aos adeptos, lavou por completo a face de um clube-Estado, que continua a ser mais rico do que os outros e ganhar facilmente dentro de portas, e era certamente odiado pelos mais tradicionalistas, no mais sexy da atualidade. Bastou um homem com uma personalidade apaixonante, uma filosofia de jogo coletivo, que teve a contribuição óbvia do português Luís Campos na construção de um grupo de trabalho para hoje e amanhã, e jogar bem à bola para tamanha metamorfose.
Vêm aí duas meias-finais tremendas. Um Inter competitivo há várias épocas diante de um Barcelona jovial e empolgante, e o tal PSG sensual a enfrentar um Arsenal de grande quilate. De cinema!"

Os erros de arbitragem não nascem todos iguais


"Enquanto más decisões dos árbitros escaparem pelos pingos da chuva e ataques à integridade do jogo continuarem impunes ficará tudo na mesma

Quando Frederico Varandas, presidente do Sporting, disse, em fevereiro, que o critério da arbitragem nos jogos do Sporting era diferente do critério nos jogos dos rivais, sugerindo estar a ser prejudicado ou Benfica e FC Porto beneficiados, escrevi que não seria preciso esperar muito para outros o seguirem. Foi preciso esperar mais que o que esperava, foi preciso esperar pelo último fim de semana, ainda assim mais que o anúncio do castigo do Conselho de Disciplina, no início de abril, ao líder dos leões, que, como se sabe, no uso dos direitos dele, e bem, recorreu para o Tribunal Arbitral do Desporto. Lá para as calendas gregas, quando pouco importar, logo se conhecerá a decisão final.
O Benfica manifestou, agora, profunda preocupação por ter sido ignorado um penálti contra o Sporting e assinalado um inexistente a favor do Arouca na Luz, exigiu rigor e competência e alertou para o perigo de a verdade desportiva ser desvirtuada por más decisões de arbitragem, assinalando que existe VAR para evitar e corrigir erros grosseiros.
As discussões sobre a arbitragem não são exclusivo cá do burgo, quem tem prestado atenção sabe que aqui ao lado, em Espanha, aquilo tem sido um fandango. Mas também em Inglaterra se discutem erros, não havendo mal nisso. Até nos Estados Unidos, nas ligas de basquetebol (NBA) ou futebol americano (NFL), que fizeram mais cedo o caminho de auxiliar os árbitros com tecnologia, continua a haver erros, alguns difíceis de aceitar.
A introdução do VAR foi uma das medidas mais importantes no futebol nos últimos anos, já não há volta a dar, chegou para ficar. E em todos os jogos são eliminados erros com graves consequências. O que ninguém pode é pedir que a tecnologia do VAR ofereça o que apenas o homem, na sua imperfeição, tem para dar.
Não pode existir, posto isto, é impunidade — ou pelo menos a perceção de impunidade — de quem erra, árbitros ou videoárbitros, na mesma medida em que não pode existir impunidade de quem ultrapassa os limites da liberdade de expressão e ataca os fundamentos da integridade do jogo. O pior é que andamos neste pântano de suspeições e insinuações há tantos anos que nem damos conta da nossa sujidade. Poucos haverá, em Inglaterra ou nos Estados Unidos, que pensem que jogo esteja viciado, já por cá parece ser cada vez menos aqueles que acreditam que não está.
Porque nem todos os erros nascem iguais, ou seja, devem ser julgados pela gravidade, há uma forma de contribuir para que todos possamos olhar para decisões dos árbitros apenas por aquilo que são, boas ou más — abra-se a comunicação para todos das conversas entre árbitro e VAR (lá chegaremos), permita-se que os árbitros falem em conferência de Imprensa, preste contas quem tem responsabilidade de liderar o setor, explique-se publicamente quais são os efeitos de um erro com influência no resultado e como é feita a avaliação e a classificação dos árbitros.
Que seja tudo transparente e que nada fique por esclarecer. Vai, infelizmente, demorar. Agora ainda ficará tudo na mesma. E cá andaremos, cantando e rindo, como se tudo o que vemos e vivemos seja normal. Quem não terá perguntas para fazer ou respostas para ouvir depois de introduzido ao conceito de rasteira com a cabeça?"

O Benfica tem medo de ser feliz


"Duas vezes a águia chegou ao 1.º lugar, duas vezes só resistiu uma semana. Tem melhores condições para ser campeão, mas atrapalha-se quando chega ao topo. Já o Sporting, se for campeão, merece que se lhe tire o chapéu, tal a capacidade de resistir a tudo...

Dou por mim a ler Pessoa. «Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.» Paro de ler para mastigar as palavras, com o cerimonial dos tempos pausados e apurado sentido de degustação. Pessoa não se lê à pressa, não se lê nos transportes públicos, não se lê enquanto esperamos por uma consulta, exige que o queiramos ler e o queiramos ainda mais entender.
Ao ler Pessoa, dou por mim a pensar: quem quer ser campeão? E se a pergunta parece a despropósito - claro que Sporting e Benfica querem ser campeões - na prática o que ambas as equipas têm feito obriga a uma reflexão cuidada.
No devaneio dos pensamentos que nem sempre controlo e muito menos disciplino, dou por mim a concluir que cada campeonato tem uma moral da história para contar no fim. Assim de repente, e olhando apenas para os últimos anos, a moral do de 2004/05 é que o pragmatismo do Benfica de Trapattoni foi mais eficaz do que o futebol muito elogiado do Sporting de Peseiro, e que um jogador que até já coxeava a correr, pode ser herói: Pedro Mantorras. A moral da época de 2010/2011, é que às vezes uma equipa pode ser tão superior às outras que nem as deixa acreditar, como aconteceu com o FC Porto de Villas-Boas. A moral do campeão de 2015/2016 é que a humildade de um Benfica de Rui Vitória se pode sobrepor-se à arrogância de Jorge Jesus, então no Sporting. A moral da época 2017/2018 é que é possível a um treinador como Sérgio Conceição fazer omeletes com os ovos que o FC Porto já tinha dentro de casa, alguns até de lado para outros consumirem, usados porque não havia dinheiro para comprar ovos novos. E a moral do campeonato de 2021 se resume num «e se corre bem?», de mal a COVID que afastou os adeptos dos estádios.
Se o Benfica for campeão, a moral é que é possível corrigir rapidamente um erro que todos sabiam ser um erro: permitir que Schmidt começasse a época de forma tão fragilizada. E que se pode ser campeão trabalhando com honestidade. Sem rasgos, mas honestidade, competência e correndo de novo de trás para a frente. Mas o problema é que com Lage o Benfica assumiu duas vezes a liderança. E por duas vezes a deixou fugir na semana seguinte. No primeiro caso, o benefício de ter sido em Alvalade, agora não há grande explicação no empate com o Arouca. E quem se agarrar ao erro de arbitragem - como se noutros jogos não tivesse acontecido o inverso, é normal - está a fugir ao essencial. Tem o Benfica medo de ser feliz, tendo melhores condições para o âxito?
Se o Sporting for campeão, a moral é que se pode ser campeão resistindo a tudo. À saída inesperada de um treinador marcante; a um erro de casting, mas defensável, de um treinador numa fase em quase tudo se deitou a perder; a uma inacreditável onda de lesões que chegou a afastar oito habituais titulares no título da época passada... Se o Sporting for campeão, é porque o quer mesmo muito, num desejo superior às suas forças, não podendo tanto quanto o Benfica, que até teve margem para se reforçar, e bem, em janeiro.
Dou por mim a ler Pessoa. «Agir, eis a inteligência verdadeira. Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for. O êxito está em ter êxito, e não em ter condições de êxito.»"

De Rúben Neves a Bernardo Silva, passando por... Matheus Nunes


"FC Porto, Benfica e Sporting já prepararam, e bem, a próxima época.

Não está a correr de feição a primeira época de André Villas-Boas como presidente do FC Porto. A herança, todos o sabíamos, era bem pesada e apesar de tudo ter começado da melhor forma, com a épica conquista da Supertaça — com a inesquecível reviravolta, de 0-3 para 4-3, diante do campeão Sporting —, os problemas começaram e continuam a fazer-se sentir.
No futebol, tudo leva tempo. É dos livros. Novo presidente, mudança de treinador, plantel transfigurado. Neste contexto, dificilmente os bons resultados podem suceder-se, o que torna natural a época atribulada dos dragões. Vítor Bruno não resistiu aos primeiros desaires e acabou substituído por Martín Anselmi, que foi contratado, acredito, para começar de imediato a preparar a próxima temporada.
O mesmo será dizer que esta foi uma época perdida e que o FC Porto desbaratou o ano zero e vai começar tudo de novo. Neste momento, luta apenas para recuperar o terceiro lugar no campeonato, uma tarefa que não se afigura fácil, dado o potencial do SC Braga, e que se reveste de enorme importância, tais as consequências que pode ter a ver com a próxima campanha, até porque daqui a pouco tempo estará a participar num inédito e desgastante Mundial de Clubes.
O treinador descoberto no México, no Cruz Azul, foi uma aposta de risco e a ousada ideia de jogo do argentino não tem facilitado a tarefa. É preciso tempo — no mínimo, uma campanha iniciada com uma pré-época — e, essencialmente, jogadores de qualidade. O que, convenhamos, é o maior problema. Os dragões vivem um tempo de vacas magras e as limitações financeiras são imensas, o que desde logo condiciona as contratações. E, claro, a permanência das mais-valias.
Por aqui se explicam as transferências de Nico González e Galeno, por aqui se escancaram as portas para a saída de Diogo Costa ou se torna tarefa gigantesca segurar a joia da coroa, Rodrigo Mora, um talento extraordinário, que já me parece a mais na periférica Liga portuguesa.
Ou muito me engano ou o FC Porto vai ter de reconstruir a equipa, assim ao jeito de um novo ano zero, o que para um adepto dos dragões nunca será fácil de aceitar, tal a habituação a conquistas consecutivas durante décadas.
Para já, Villas-Boas está a começar bem, procurando o regresso de Rúben Neves, como A BOLA revelou. Um médio de enorme qualidade, com muito para dar ao futebol, pois apenas tem 28 anos, e uma referência do clube. Um jogador capaz de suportar o peso de uma reconstrução, não encarnasse ele a mística azul e branca.
É por este prisma que observo também a intenção de o Benfica fazer regressar Bernardo Silva, notícia também adiantada por A BOLA. Outro talento de indiscutível qualidade. Um craque, que irradia classe.
Já agora, se me permitem deixar um conselho para igualar as contas dos três grandes, considero que o Sporting tudo deveria tentar para fazer regressar a Alvalade… Matheus Nunes."

João Félix...



"Bem sei que as notícias recentes, levadas a cabo pelos pasquins habituais mais não visam do que tentar criar um clima de instabilidade no balneário e gerar conteúdos para os detratores que se alimentam disto.
Mas aproveitando a deixa, tenho que fazer uma comparação que para mim é inevitável...o talento é geracional, João Vieira Pinto, após a sua má experiência no estrangeiro preferiu abdicar de muitos milhões ao longo da carreira e construir uma carreira brilhante em Portugal, se hoje é por vezes um ídolo esquecido nas nossas hostes apenas se deve à sua saída, sem qualquer tipo de responsabilidade, para o nosso rival...se não fosse isso, hoje seria aplaudido vezes e vezes sem conta no nosso estádio.
Dai a minha comparação, João, olha para a carreira, olha o que ainda podes alcançar, pensa que mais vale abdicar de uns milhões agora, por algo que daqui a 30/40 anos valerá muito mas muito mais.
O Benfica não têm o poder financeiro para te garantir os salários principescos que vais usufruindo, mas terás o amor e o carinho que te vai faltando para poderes colocar em prática jogo sim, jogo sim a tua magia em campo. Sei nem que amor e carinho não pagam dividas nem, neste momento, enchem o bolso...mas daqui a 30/40 anos quando os €€ já não entrarem no bolso verás que não há nada que pague aquilo que Augusto, Águas, Eusébio, Coluna sentiam ao serem aplaudidos de pé por uma multidão que os ama incondicionalmente...podes achar que é pouco...mas nessa altura acredito que irás achar que nada no mundo paga esse reconhecimento...
Enfim...um devaneio meu..
Isto tudo apenas para dizer...volta que será bem recebido e acarinhado."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Lesão de Neymar: Ainda tem condições para continuar?

Fim de semana preenchido


"Esta edição da BNews é dedicada a vários temas da atualidade benfiquista.

1. Próximos jogos
Sexta-feira, a equipa B visita a U. Leiria às 11h00. Os Juniores e os Juvenis recebem, respetivamente, o Ac. Viseu às 15h00 e o Casa Pia às 11h00.
Às 17h30, na Luz, começa a final dos play-offs do Campeonato Nacional de voleibol entre Benfica e Sporting.

2. Agenda para sábado
O Benfica desloca-se a Guimarães para defrontar o Vitória SC (20h30). A equipa feminina de futebol recebe o Valadares Gaia em jogo da primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal (14h00). Em basquetebol, a equipa masculina defronta o Sporting no reduto leonino (15h00) e a feminina tem embate na casa do Quinta dos Lombos (11h45). A equipa feminina de futsal visita o Leões Porto Salvo (18h00).

3. Especial informação
Graves erros de arbitragem em debate na BTV.

4. Homenagem
O Bicampeão Europeu José Augusto foi celebrado no Barreiro por ocasião da apresentação do seu livro no auditório Manuel Cabanas, na Biblioteca Municipal. Clube | José Augusto celebrado na sua terra, no seu Barreiro!

5. Lendários
O regresso de Miccoli à Luz.

6. Pentacampeãs dão autógrafos
Foi muito concorrida a sessão realizada na Benfica Official Store do Estádio da Luz.

7. Prestígio
O treinador de andebol do Benfica, Jota González, passa a acumular o cargo de selecionador da Polónia.

8. Reforço
Carolina Monteiro é reforço do andebol feminino benfiquista.

9. Boa classificação
Samuel Barata terminou a maratona de Roterdão no 9.º lugar.

10. Contributo internacional
Três atletas do Benfica estiveram ao serviço da seleção nacional de râguebi na 3.ª etapa da HSBC Sevens Challenger Series.

11. Nadadores benfiquistas em destaque
Diogo Ribeiro conseguiu o ouro nos 50 metros mariposa e Miguel Nascimento a prata na mesma prova. Este último foi ainda 3.º classificado na final dos 50 metros livres no Irish Open 2025. Rafael Mimoso conseguiu um 2.º lugar no Multi Nations Júnior, e, no Meeting Internacional de Felgueiras, foram obtidas 15 medalhas.

12. Bom desempenho na ginástica
Título nacional da equipa masculina no duplo minitrampolim e quatro pódios no Nacional de Duplo Minitrampolim e Tumbling.

13. Goalkeeper experience
A primeira edição foi um sucesso.

14. Visita solidária ao museu
Uma iniciativa do futebol de formação em colaboração com a ARIFA.

15. Casas Benfica de Arouca e de Oliveira de Azeméis
Representantes desta embaixada do benfiquismo estiveram na Luz no desafio com o Arouca."

Cada vez menos diabos, cada vez mais vermelhos (de vergonha)


"Uma frase bem intencionada, e até lógica, de Ruben Amorim que pode ter leitura perversa

«Se estamos a falar de erros, podem ver o meu registo – é o pior da nossa equipa e penso que sou a pessoa certa para a treinar a equipa»
Ruben Amorim, treinador do Manchester United, na conferência de imprensa antes do jogo com o Lyon, da segunda mão dos quartos de final da UEFA Europa League

Era de esperar. Depois de ter deixado Onana de fora no fim de semana, no jogo em Newcastle, na sequência dos erros do guarda-redes em Lyon, na UEFA Europa League, e de Altay Bayindir, o substituto, também ter comprometido, Ruben Amorim passou grande parte da conferência de imprensa de quarta-feira, na antecipação do reencontro do Manchester United com a equipa de Paulo Fonseca, a falar da situação dos guarda-redes. Sem se comprometer sobre se irá tentar contratar alguém para a posição no próximo verão (acho que só se não puder), o treinador português fez a defesa possível de Onana.
O momento mais curioso foi quando lembrou que também acumula erros esta temporada e que nem por isso deixa de acreditar que é a pessoa indicada para liderar a equipa, tendo perspetiva idêntica com o guarda-redes habitualmente titular. Faz sentido, mas a forma como falou deixa outra leitura: é por cometer tantos erros que Amorim é o treinador indicado para este United, porque encaixa na perfeição...
Como é evidente, não era isso que o ex-técnico do Sporting queria dizer. Mas que os diabos vermelhos são cada vez menos diabos e que o vermelho já vem tanto do embaraço nas faces como da cor das camisolas, parece-me difícil contestar. Chegará fazer a limpeza de balneário prometida? É que o coro contra Amorim, questionando a sua competência, vai subindo de tom."

Liga, FPF, futebol português: é tempo de dar respostas


"Com a centralização dos direitos televisivos à cabeça, há temas para falar no futebl português. E não é com 'zonas mistas' fictícias que isso vai suceder

Agora que todos já votaram e todos os pelouros estão entregues e assumidos, é tempo de começar a dar respostas ao futebol português.
A primeira e fundamental, muito bem sinalizada pelo novo presidente da Liga Portugal, é a do processo de centralização dos direitos televisivos. Falta pouco mais de um ano para ter de ser entregue um plano de ação e em 2028, diz a lei portuguesa, os direitos dos jogos das ligas profissionais terão de ser vendidos em bloco. Não se sabe a quem nem por quanto. Pelo (não) andar da carruagem e pela falta de vontade de consensos demonstrada até ao momento, é até possível que o Governo português tenha de fazer uma de duas coisas: adiar o que está legislado ou assumir as rédeas do processo em 2027/2028. 
Mas há mais aspetos a merecer respostas no que respeita à Liga Portugal e à Federação Portuguesa de Futebol, cujo novo presidente acaba de mudar-se da Arena Portugal para a Cidade do Futebol.
No dia da tomada de posse do novo presidente da Liga, houve uma alegada zona mista para declarações. Para quem está menos familiarizado, a zona mista é o local onde os jornalistas são acantonados neste tipo de acontecimentos, à espera que alguém tenha a boa vontade de prestar ali umas declarações. Com todo o respeito pelo clube, o único VIP disponível para falar foi o presidente do Torreense.
Havia perguntas interessantes para fazer a Reinaldo Teixeira e Pedro Proença, por exemplo, sobre a notícia de que, em menos de dois meses, quatro dezenas de funcionários da Liga foram trabalhar para a FPF, deixando o organismo que gere o futebol profissional em défice.
Ou mesmo ouvir alguns clubes sobre este detalhe aborrecido dos direitos televisivos."

Alta pressão no futebol


"O flagelo agoniante dos condenados e a sedutora genialidade dos ganhadores

Dando continuidade ao processo que marca de forma decisiva este último período do campeonato, volto a referenciar uma reflexão que ao longo do tempo tenho dado a conhecer publicamente, neste cair de finados, dada a luta por vezes desconcertante das equipas para vencer o título, acesso à liga dos campeões, provas UEFA, manutenção ou subida de divisão.
Este foco que o ato competitivo, provocado por uma elevada expectativa na conquista de um resultado, quando não for capaz de ser ultrapassado, pode gerar nos jogadores um presságio devastador pelo risco ou receio de perder, acusando um estado de negligência emocional, sabendo-se que, como tantas vezes tenho repetido: quando o medo de perder supera a vontade de ganhar, perde-se quase sempre, vendo-se abertas as portas dos balneários e dos seus acessos, àqueles que mais se podem identificar como os prisioneiros da desgraça.
Não se pode por isso ignorar a importância e influência que os processos emocionais exercem sobre o comportamento dos jogadores e da estrutura profissional que lhes confere a sua verdadeira identidade.
Pelas atitudes verificadas em jogadores movidos por uma causalidade onde possa residir falta de confiança, os nervos e a angústia aumenta-lhes o cansaço, pensam que tudo lhes pode sair mal, individualizando em excessivo as técnicas de ação, cometendo faltas sucessivas, discutindo sobre questões para as quais não têm possibilidades de resolução (relvado, público, árbitro, chuva, vento, etc.), deixando-se envolver por um sentimento base negativo e olhando o futuro como um pesadelo, provando que a inquietação, o desespero e a derrota têm um efeito mais retumbante.
Por vezes, a obrigação absoluta de ultrapassar o adversário pode transferir para o processo emocional um acicate, quando os jogadores não são capazes de dominar este estado de pressão.
A associar nos caso típicos de equipas que, no decorrer da época, firmaram as presenças nas diversas provas internacionais, a ser objeto de larga discussão pela inerente densidade competitiva, se viram por isso destituídas de jogadores em diversas seleções, com a interrupção de rotinas presenciais nos seus clubes de origem, enquadrados noutros perfis de exigência técnica, tática, competitiva e emocional, por vezes associando viagens de longas durações, com alterações climáticas e fusos horários a ultrapassar, pela complexidade do jet lag, que nalguns casos geraram maiores manifestações de fadiga, maior dificuldade de concentração, maior irritabilidade, maior perceção de ameaça e diminuição do estado de alerta, conduzindo a situações de maior fragilidade, quantas vezes autenticadas nas lesões num tempo de prolongada recuperação.
Para contrariar este estado de sítio, terá de se definir claramente a capacidade de empenhamento dos jogadores para um rendimento desejado, permitindo sonhar com o futuro, porque fortes, convencidos e motivados. Contudo, a capacidade humana para superar adversidades é fenomenal. Há equipas e jogadores que, após o relato de fatores adversos, renovam um espírito avassalador, transformando a adversidade numa força mobilizadora e aglutinadora, capaz despertar maior empenhamento para a obtenção do sucesso.
Contemplando o que de forma repetida procuro inserir nas minhas reflexões, tendo presente algumas das minhas experiências que foram objeto de fundamentação pelo sucesso conseguido, anoto a premente necessidade de remodelação de conteúdos no que corresponde à inserção de metodologias de treino. Sendo assim, passo a equacionar algumas dessas referências:
1. Restabelecer ou incrementar um compromisso por parte de cada jogador na concretização de objetivos quer em cada treino, quer em cada jogo, construindo para o efeito um quadro de excelência onde possa colocar os seus rankings de sucesso, podendo ser validados como um elemento desafiador de conquista (passos positivos, assistências para remate e golos, desarmes com eficácia, remates e sua qualificação, etc…). Isto é, pelo estudo e regulação dum código de conduta, permitir através do esforço, disciplina e dedicação uma matriz onde se incorpora a dinâmica de sucesso de cada qual. Estaremos, assim, a ajudar a transferir para o processo de consciência este enriquecimento dum património justificadamente qualificado e substancialmente enaltecido das funções que são exigidas, quer a cada jogador na sua individualidade, quer à equipa na sua globalidade.
Sabemos que os jogadores mais capazes de obter o sucesso também são aqueles que melhor conseguem dominar os índices de pressão que se vão acumulando ao longo do jogo. Para isso, necessitam de identificar as origens deste estado crítico. Em termos somáticos identificam-se pela transpiração excessiva, garganta seca, forte transpiração, arritmias diversas, etc… Em termos cognitivos, estão mais sujeitos às crises de pensamento (não consigo, sou fraco, tenho receio de me lesionar, etc…, aparecendo na memória uma nuvem de incerteza, provocada pelas histórias negativas dos insucessos nos desempenhos registados). Chamei-lhe, num dos artigos em tempos publicado, o veneno da memória. Como consequência de tudo isto, apresentam geralmente uma qualificação técnica de miséria — passes errados, faltas sucessivas, incapacidades flagrantes no teor de finalização, problemas de ordem disciplinar, etc. Podemos construir a partir destas avaliações e reflexões os traços de personalidade dos jogadores que mais resistem e combatem ou, por outro lado, desaparecem perante os desafios que a pressão do jogo lhes impõe. 
2. Inserir na dinâmica processual de treino a técnica de visualização criativa dos gestos técnicos que estão inscritos no código do êxito participativo. É fundamental que as imagens de sucesso sejam previamente e insistentemente documentadas, exaltadas, visualizadas e experienciadas, sendo mobilizadas as fontes de convicção no desejo de se verem repetidas.
3. Outra das formas para ajudar a eliminar os estados de pressão está na aplicação metodológica do trabalho respiratório profundo, associado à técnica de relaxamento muscular progressivo com base nos exercícios de respiração/tensão/relaxamento, capazes de transmitir paz, serenidade, tranquilidade, que pode ser treinada inicialmente num gabinete, sala ou balneário para depois ser aplicada durante o jogo no momento das suas paragens (assistências médicas, substituições, etc.). Creio que esta metodologia de referência assume-se como um processo modelar que ajuda a libertar a tensão acumulada, podendo um jogador, em estado de crise momentânea, ver fortalecido o seu domínio de autoconfiança, manter ou porventura melhorar a capacidade de concentração e autocontrolo e selecionar os melhores níveis de eficácia nas tomadas de decisão.
Perante um alto estado de pressão, associando a qualquer metodologia de treino uma cultura de honestidade, autenticidade, ética, resiliência e otimismo, poderemos — com maior rigor e segurança — atestar comportamentos, ajustar desejos, invocar convicções e então sim, partir para a viagem de sonho onde poderá habilitar ao sucesso."

ESPN: Futebol no Mundo #443 - Semifinais da Champions e exclusiva com Antony

Zero: ZZ - Jornada, bilhetes para os grandes e o mercado (Félix, Bernardo Silva, Rúben Neves)

Zero: Saudade - S03E32 - «Disse ao Fernando Santos para meter o Deco a jogar no Porto: 'É um craque do carago'»

Zero: Afunda - S05E55 - Shai ou Jokic? Green ou Zubac? Reid ou Pritchard?