Últimas indefectivações

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O jogo pedia coração e testículos, e Danilo e William proporcionaram aos tenrinhos holandeses isso mesmo: uma suruba

"Rui Patrício
Nem a posição irregular de Wijnaldum impediu Rui Patrício de fazer uma mancha que mais pareceu uma fortaleza, tal foi a área coberta. Não foi a única defesa, mas talvez tenha sido o lance em que os holandeses melhor compreenderam que a laranja ainda estava verdinha para estas andanças.

Nélson Semedo
Mais uma exibição competente que permite a Nélson Semedo vencer in extremis a Liga Portuguesa dos Laterais Direitos Em Condições de Jogar na Selecção 2018/2019.

José Fonte
Descansa em paz, Memphis.

Rúben Dias
Parecia uma daquelas máquinas de espremer laranjas. Os avançados iam aparecendo à vez e Rúben Dias enxotava-os.

Raphael Guerreiro
Muito bem a criar as condições para que Gonçalo Guedes brilhasse, nomeadamente de cada vez que este foi obrigado a correr desalmadamente para lhe fazer a dobra. Devia mudar de apelido e passar a chamar-se Raphael Medroso.

William Carvalho
Saiu-lhe na rifa um anão holandês que, segundo o hype, é o melhor passador de bolas do futebol mundial. Ai sim? O rei William começou por anular a progressão do tal Frenkie de Jong, depois mostrou-lhe como é que se progredia no terreno com bola, a seguir mostrou-lhe como é que se guardava a redondinha, depois como é que se punha o adversário na rabia, e no final ainda o ajudou a encontrar os pais na bancada, para que o rapaz voltasse a casa em segurança. Rei.

Danilo
Ocupou o lugar de Rúben Neves e toda a gente se surpreendeu, não por falta de qualidade de Danilo mas porque Rúben parece oferecer mais soluções ao jogo. Depois foi o que se viu. O jogo pedia coração e testículos para uma batalha aguerrida no meio-campo, e Danilo juntou-se a William Carvalho para, em conjunto com Bruno Fernandes, proporcionarem aos tenrinhos holandeses uma suruba de que tão cedo não se esquecerão.

Bruno Fernandes
Ainda não foi desta que enfiou um daqueles mísseis, mas pelo menos jogou na posição certa. Um dia de cada vez, amigos. Agora é aproveitar as férias e as propostas de Inglaterra.

Bernardo Silva
Percebemos que isto hoje era nosso quando o jovem Bernardo cortou as vazas a uma iniciativa cheia de classe do jovem Frenkie de Jong, que naquele instante regressou aos seus tempos de titular dos iniciados do Ajax. Se nas meias finais a vitória coube essencialmente ao extraterrestre Cristiano, desta vez dir-se-á que a vitória foi do colectivo, mas a grande verdade é que tal só aconteceu, em larga medida, devido a este pequeno génio que emancipou um conjunto de futebolistas despromovidos a trabalhadores de colarinho azul e os ajudou, a cada passe precioso, sempre no melhor interesse do país, dos colegas, enfim, dos muitos milhares que precisavam de um pretexto para continuar a beber numa noite de domingo.

Gonçalo Guedes
Nem foi preciso dizer "chuta daí car%&$%" porque já toda a gente sabia que era isso que o miúdo ia fazer com aquela bola à sua mercê, mesmo a pedir para ser violentada por aquelas magníficas orelhas de abano. Assim foi.

Cristiano Ronaldo
Desta vez não teve que se lesionar. Menos mal.

Rafa
Felizmente o árbitro apitou para o final, caso contrário Rafa teria continuado a ultrapassar holandeses como se fossem pinos. Pouco faltou para matar o último boss aka Van Dijk.

João Moutinho
Campeões de Inverno, Chupem!

Rúben Neves
Custou mas foi. Entrou mesmo a tempo de festejar o seu primeiro título no Dragão. Vá lá, não se chateiem.

Fernando Santos
Apesar do futebol chatinho que dói, venceu mais uma final e fê-lo como achava melhor. Disse que tinha uma estratégia para bater a Holanda e eu ignorei. Mexeu duas vezes na equipa - João Félix / Rúben Neves - e eu insultei. A grande verdade é que esta vitória teve o seu dedo, Portugal anulou um adversário complicado que tem alguns dos melhores futebolistas da actualidade, e, quando assim é, fica muito difícil dizer mal. Quando o mister Fernando Santos sair da selecção, lá para 2048, deixará um legado muito difícil de igualar."

A masterclass de Rúben Dias na final da Liga das Nações


"* Encostar em Transição Defensiva para impedir saídas;
* Controlar a profundidade;
* Abordagem 1×1 contra muito espaço;
* Controlo do Espaço intersectorial;
* Movimentação – Deslocamento lateral e rotação pelo ombro que permite manutenção do campo visual"

Porque o futebol me conquista uma e outra vez

"A primeira vez que me lembro de sonhar, recordo-me que o sonho era o de ser jogador de futebol. Queria jogar à bola, divertir-me dentro de quatro linhas e fazer disso vida. Brilhavam-me os olhos quando ouvia o apito inicial, fosse do jogo da minha equipa, vestida de vermelho e branco com a águia ao peito, ou daquelas que ainda nem conhecia e apenas sabia qual era qual quando uma marcava golo e via o marcador subir para um do lado de um dos emblemas. Ia para o sofá ver televisão, quando ninguém estava lá, metia em canais onde se jogava futebol e via a bola a rolar, chegando até a ver partidas em que a imagem desfocava devido à fraqueza do sinal na antena parabólica.
As primeiras lágrimas que me lembro de deixar cair – que não fossem relacionadas com birras de criança – foram pelo Simão Sabrosa, quando noticiavam uma possível despedida do glorioso ou a derrota de Portugal frente à Grécia na final do Europeu de 2004.
Orgulhosamente vestia os mantos sagrados – e não via aquelas camisolas como sagradas só pela expressão – do Benfica e da selecção nacional e passeava-os na escola com uma alegria extra que fazia o coração mais palpitante que o normal.
Jogava futebol nos intervalos das aulas, nos treinos do meu clube depois da escola e, em dias que não havia treino, juntava-me com os meus amigos para uma partida feita com uma bola e duas balizas cujos postes eram feitos de mochilas ou de camisolas que as nossas mães nos tinham obrigado a vestir por cima das t-shirts do Benfica, Sporting, FC Porto, Barcelona, Real Madrid, Manchester United, Juventus ou até de mais modestos, como o Boavista.
Esta felicidade, este modo de transe acompanhou-me, não só a mim, como a milhões de outras crianças deste mundo. Uma emoção que quase chega a ser viciante. A bola a rolar na relva, os cânticos da nossa equipa que são mais altos que os da outra, os equipamentos que são mais bonitos que no ano anterior, as botas de futebol que desejamos ter nos pés para fazer inveja aos amigos no treino – dormindo com elas nos pés, no caso de ter a sorte de as receber como prenda de aniversário –, o grande drible do nosso jogador favorito, o remate que tirou tinta ao poste, o “hino ao futebol” que o comentador diz na televisão, o “mas que perigo” que o comentador diz no FIFA, o “atenção ao livre” que avisa antes da bola ser rematada pelo jogador mais habilidoso para o fazer. E depois… depois acontece isto:
A trajectória da bola desde que sai do impulso do atleta, enquanto avanço lentamente no sofá em forma de antecipação; a bola avança lentamente em direcção à baliza, mas ainda tem de ultrapassar o guarda redes; parece que a bola está fora do seu alcance, e eu a erguer-me da cadeira a prever o desfecho; a bola a chegar à linha de baliza, passou as mãos do último homem adversário, então olho frenético para os que me acompanham; o esférico toca nas redes e tudo deixa de estar em câmara lenta; grito para a televisão, abraço os meus companheiros, ergo os braços em celebração; estou em pé, senão a saltar em euforia; fecho com firmeza os punhos e saboreio o momento que me leva de volta à minha infância.
Não há explicação para gostar deste desporto da maneira que gosto. Não há uma razão lógica que consiga dar. É belo, entusiasmante, toda a rotina, toda a festa que está envolta nesta actividade. O convívio, o espectáculo nas quatro linhas, a derrota que nos faz ferver, a vitória que nos faz sorrir. O perder que nos faz melhorar, o vencer que nos faz sentir recompensados. A magia dos que por ali andam a dançar com a bola nos pés e nos enfeitiçam por curtos 90 minutos de show de bola.
Se abriram e leram este texto à espera de que nele estivesse a resposta à pergunta que vocês próprios têm na cabeça e não conseguem responder, lamento ter-vos induzido em erro, mas não o consigo fazer. Na verdade, não encontro razão. Simplesmente adoro isto. Tal como vocês. E é algo que vos vai acompanhar até ao fim dos nossos tempos, sem nunca sabermos bem porque adoramos tanto isto. Mas adoramos, e, assim que uma época termina, estamos prontos para o adorar uma e outra vez."

Pedro Afonso Estorninho, in Bola na Rede

A maior vitória de Fernando Santos

"Duas vezes campeão de provas continentais à frente da selecção, Fernando Santos reivindica um lugar como o maior treinador da história do futebol português. Tem o reconhecimento do povo e das elites, mas falta-lhe a benção dos inteligentes que falam nas televisões ou escrevem nos jornais.
Ou seja: como treinador, Fernando Santos assegurou a imortalidade popular, mas nunca viverá com o prazer da unanimidade mediática. Agora, coloquemo-nos no lugar dos críticos, uma pequena aldeia de rezingões que não se deixa anexar pelo grande império dos Santistas e se mantém irredutível na defesa de uma matriz de inteligência, criatividade e ambição.
Sendo portugueses, nunca desejariam o insucesso da selecção, apenas como poção mágica imbatível para justificarem as suas dúvidas relativamente aos métodos, às soluções técnicas e tácticas e ao próprio discurso do seleccionador nacional. Sendo observadores do jogo há décadas, não imaginavam ser possível ganhar com mau futebol.
A história da selecção nacional era o inverso de tudo o que Fernando Santos vem conquistando desde 2014: tinha sido durante décadas a equipa das vitórias morais, do quase sucesso, do fatalismo de derrotas cruéis em meias-finais (1966, 1984, 2000, 2006, 2012) e da tragédia desportiva de perder uma final em casa perante um adversário manifestamente inferior (2004). Na realidade, tantos jogos jogando bem e perdendo…
A vitória sobre a Suíça por 3-1 na meia-final da Liga das Nações não mereceu qualquer crítica para lá de Badajoz, mas ainda foi tema de infindáveis reflexões caseiras sobre a actuação insatisfatória de algumas individualidades, com consequências no funcionamento colectivo, independentemente do resultado. Por isso, não seria de esperar que, para a final com a Holanda, o treinador fosse alterar substancialmente a composição da equipa nem a solução táctica, mantendo as convicções treinadas na semana anterior.
O que aconteceu, porém, foi precisamente o oposto: Fernando Santos “ouviu” os críticos, mudou significativamente, arrumou o que tinha de ser arrumado (Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Rúben Neves, João Félix) e alcançou a maior vitória com cunho pessoal da sua carreira na selecção. Uma vitória retumbante e inequívoca, sobre a melhor selecção europeia do último ano, uma vitória que não saiu de qualquer pontapé fortuito nem de algum momento de inspiração individual, uma vitória que consolida um caminho e marca grandes encontros com o futuro.
Com 39 triunfos em 64 jogos (60 por cento), diz ele que jogar bem é diferente de jogar bonito e que o futebol é resultado. Tem razão, desculpe, e até à próxima vez que jogar mal (mesmo que ganhe)."

Habituámo-nos a dizer que não gostamos daquele futebol, mas a verdade é que ele dá troféus

"A taça é de Fernando Santos.
A vitória da Selecção – escrevo assim porque é desta maneira que também nos tratam na imprensa internacional – deve-se, antes de mais nada ao treinador Fernando Santos. Não vale a pena lembrar os queixumes e as lamúrias que se seguiram a outros jogos, mesmo que vitoriosos, ou, nesta Liga das Nações, ao estado em que a equipa estava.
A maior parte convinha que eram muitos jogadores vagabundos dentro de campo. Ou que muitos executantes especiais não faziam uma equipa. Obviamente que estavam certos. Mas, hoje, no dia da final, os que puxam para trás, felizmente, perderam. 
Ao contrário do que sucedeu no jogo da meia-final com a Suíça ou, se quisermos ser mais exigentes, no dia em que Portugal foi eliminado do Mundial pelo Uruguai, a Selecção esteve sempre em controlo do jogo. Apesar das brilhantes exibições de todos e mais alguns, desde Rui Patrício a Rúben Dias, Danilo a Bernardo Silva, Bruno Fernandes a Cristiano Ronaldo, que soube pôr gelo sempre que foi preciso, a fatia mais honrada desta vitória cabe a Fernando Santos. Afinal, foi ele quem foi capaz de montar uma boa equipa para defrontar uma Holanda que se distinguia pela valia dos seus jogadores. 
Contra os milhões das transferências de cada um dos da equipa laranja, Portugal apresentou um sistema que não deu hipóteses: ofereceu a posse de bola, sobretudo nos primeiros minutos da primeira parte, mas foi sempre quem teve as melhores oportunidades do jogo. Deixou a posse de bola para a equipa de Ronald Koeman, mas soube defender, atacar e contra atacar com muito mais perigo. Isso não foi um episódio da primeira parte. Foi com notória satisfação que notámos, após o intervalo, que essa predisposição se mantinha.
A Selecção foi de longe a equipa que mais mereceu ganhar este jogo. E, como em qualquer jogo, até o podia ter perdido. Contudo, as substituições de Fernando Santos acabaram com qualquer veleidade da equipa holandesa. Depois do míssil de Gonçalo Guedes, o que se viu da equipa adversária foi uma tímida tentativa de apresentar resultados sem que para isso existisse substância. Até nesse período final o engenheiro venceu.
Porém, a maior vitória foi ter colocado no jogo mais importante, precisamente a final, a equipa mais capaz. E com ela ter desenhado a estratégia mais eficaz. Se o facto, comprovado logo nos primeiros minutos, de não termos bola causava calafrios, o certo é que o veneno destilado deitou a Holanda por terra. A Selecção acabou a primeira parte a esmagar e veio para o segundo tempo com a mesmíssima predisposição de vencer o jogo. É raro, mesmo em equipas de Fernando Santos.
Eu, que estive na final de Saint Dennis, sei que o golo de Gonçalo Guedes é praticamente igual ao de Eder. O empenho da equipa – e, já agora, do público presente no estádio – também.
Não tenhamos dúvidas que apesar da consistência da equipa de Portugal, estes momentos são raros. Cristiano pode reformar-se quando temos Bernardo ou Bruno, mas ganhar finais assim, não é para todos; nem mesmo para os melhores. Por isso, esta conquista deve ser completamente dedicada a Fernando Santos. Obrigado, engenheiro, este ar do mar faz bem."

Uma breve reflexão sobre o Benfica...

"Encontrei, num texto de João Bigotte Chorão, uma página autobiográfica de Almada Negreiros, onde colhi: “A pintura era, na minha infância e mocidade, primeiro que tudo o pintor e depois o quadro (…). Hoje (…) penso exactamente como em criança: para mim, em pintura, primeiro o pintor e depois o quadro” (in Brotéria, Lisboa, Março de 1994). Eu venho dizendo o mesmo, há mais de 40 anos, acerca do desporto (e do futebol, portanto). Trata-se de uma especialidade de uma ciência humana, onde necessariamente o ser humano é o fundamento da prática desportiva (e da prática do futebol, portanto). Com mão pródiga e apaixonada, foram muitos os que escreveram sobre a vitória retumbante do Benfica, no Nacional de Futebol da época de 2018/2019. Mas eu dou especial relevo às afirmações de Bruno Lage, sobre todos o que mais se mostra merecedor da minha confiança, até porque as sua palavras não me parecem simples lugares-comuns, para ludibriar a opinião-pública, designadamente o povo laborioso e humilde, que constitui grande parte da massa associativa do Benfica. Ora, julgo poder resumir a quatro os pilares onde assenta (segundo o Bruno Lage) a vitória benfiquista: Luís Filipe Vieira e a ampla e generosa massa associativa, ambos com a justa auréola de poderem considerar-se as ”causas das causas”; Jaime Graça, que eu vi jogar inúmeras vezes e (ainda segundo Bruno Lage) um “homem do futebol” de rara envergadura intelectual, na análise do jogo; os jogadores e a equipa técnica e a de saúde que, em penhorantes termos, estabeleceram, no departamento de futebol, uma constante racionalidade comunicativa e dialogante; e, para mim, “finis coronat opus”, a sabedoria de Bruno Lage, que o levou a declarar: “Sabem qual foi o segredo da nossa vitória? Fomos, em todas as circunstâncias, uma família”. Demarcando-se por temperamento, formação e gosto de qualquer assomo de narcisismo, de exibicionismo, de vaidosa intemperança verbal, são visíveis, nele, as características de uma conceptualização de sabedoria: é um profissional de indiscutível competência (dimensão que se sobrepõe à inteligência lógica ou à habilidade técnica); distingue-se por um conhecimento pragmático da vida e do futebol; superior funcionamento intelectual e pessoa de um admirável comportamento ético; a suficiente capacidade reflexiva, que lhe permite extrair lições dos erros já cometidos.
Portanto (foi o Bruno Lage a dizê-lo) um elevado sentido de pertença a uma família fez, sobre o mais, da equipa um todo indestrutível, onde palavras, intenções, ideias, sentimentos, expectativas, valores eram os mesmos em todos, queriam dizer o mesmo para todos. Trabalhei treze meses, com o treinador Jorge Jesus, no S.L. Benfica. E cheguei à conclusão seguinte: principalmente pelas paixões que o pressionam, que o condicionam, o futebol é um jogo de erros e, por isso, quem errar menos mais próximo se encontra da vitória. Só que o erro não se combate tão-só técnica e tacticamente, antes de tudo combate-se moralmente. Um jogador que faz da competição um palco das suas vaidades, do seu individualismo, do seu exibicionismo, que não obedece a um ideal colectivo de jogo, pratica erros sem conta – é um jogador pernicioso à equipa. Costuma dizer-se que, depois de Marinus Michels, de Arrigo Sachi, de Cruyff, de Guardiola, de José Mourinho, de Rafa Benitez, o futebol não é o mesmo. Nasceu, se não erro, o futebol à zona, onde a zona é da responsabilidade de vários e não de um só. Ou seja, sempre a valorização do todo, em relação às partes. Desde o guarda-redes ao extremo-esquerdo, todos atacam e todos defendem, todos se sentem responsabilizados pelo ataque e pela defesa. E aqui, no meu modesto entender, os jogos ganham-se com jogadores, superdotados, supertreinados, psicologicamente supermotivados e sabiamente moralizados. Cito de cor o Karl Marx da Introdução à Crítica da Economia Política: “O concreto é concreto, porque é a reunião de muitas determinações. É portanto a unidade da diversidade”. Luís Filipe Vieira, por ele e pelos órgãos sociais; a massa associativa e todos os que vivem o ideal benfiquista; Jaime Graça, o treinador do treinador Bruno Lage; os jogadores, a equipa técnica, os médicos, os enfermeiros, os fisioterapeutas, etc., etc.; a sabedoria de Bruno Lage – todos, solidariamente, tornaram verdadeira, concreta a vitória do Benfica, no Nacional de Futebol da época de 2018/2019. Embora o Bruno Lage tenha mostrado, na mutabilidade constante em que o futebol se movimenta, as qualidades ideais para dar expressão orgânica e eficaz ao efémero e fugaz deste espectáculo desportivo. E o Luís Filipe Vieira a sagacidade, digo mesmo: uma rara sagacidade, na escolha do treinador.
Há muitos anos já, o José Maria Pedroto, nos diálogos fraternos que me permitiu, teceu um dia algumas considerações acerca das qualidades necessárias a um treinador de futebol. E chegou a inquirir-me: “Sabe quem é, para mim, o melhor treinador de futebol?”. Não fazia ideia, de facto. E ele continuou: “O antigo jogador da linha média”. De inteligência penetrante, argumentou: “É que é na linha média que mais se pensa o jogo. Quem dominar o meio-campo tem normalmente as chaves do êxito, num jogo de futebol”. E, ao longo da nossa conversa, não tardou ele em concretizar o que pensava: “O João Alves e o Manuel José, por exemplo, têm todas as condições para triunfar, como treinadores de futebol”. E tanto João Alves, como Manuel José, são hoje dois treinadores de futebol que, diga-se em abono da justiça, muito respeito e admiração merecem, pelo trabalho que têm desenvolvido, como treinadores de futebol. A propósito das ideias de Pedroto, não escondo o meio-campo Busquets-Xavi-Iniesta do Barcelona de Guardiola. “A fórmula mágica do sistema blaugrana encontrava-se no meio-campo. Os jogadores que ocupavam esta zona e que eram formados no futebol das camadas jovens do clube tinham uma relação especial com a bola. Quando a tinham, sorriam mas, quando não a tinham, sofriam. Ficavam frustrados quando sentiam a impotência de saboreá-la” (Ricard Torquemada, A Fórmula Barça, Prime Books, p. 55). Busquets-Xavi-Iniesta, acompanhados por um falso 9 da craveira ímpar do Messi, não são as sombras de um passado morto, porque formam a melhor linha média que os meus olhos viram e que pude saudar, nos meus escritos, com palavras efusivas. Jaime Graça jogava também na linha média e era jogador internacional de múltiplos talentos. Não me surpreende tenha sido o “treinador do treinador” de Bruno Lage. E que, nas palavras e no talento de Jaime Graça, Bruno Lage tenha encontrado o caminho para um melhor clima emocional da sua equipa. Jorge Araújo sublinha, no seu livro O Treino do Treinador (TeamWork, Porto, 2016) que a Liderança pode (e deve) ser ensinada… para que se possa liderar com sabedoria! (pp. 83/84).
Há quem prefira à verdade dos princípios o oportunismo da glória fácil. E, como já vimos, numa perspectiva de totalidade, Luís Filipe Vieira é o líder de todo este processo em devir, de toda esta totalização em curso. Foi ele que deu conteúdo e anunciou a forma à historicidade constitutiva desta vitória, no Nacional de Futebol. De facto, o futebol benfiquista parece desperto e actuante e foi L. F. Vieira o primeiro a dizê-lo. Aguardemos, agora, pela historicidade do processo. Aguardemos pelo Futuro da instância prática de intervenção do presidente do Benfica. Com efeito, ainda numa perspectiva de totalidade a relação Vieira-Lage é fundamental, nas macro-decisões de Vieira, na liderança antropológica e técnica de Lage. Volto a Jorge Araújo: “O treinador precisa que os jogadores e os dirigentes assumam como seus os desafios com que a equipa se defronta, o que naturalmente exige um impacto comunicacional, que surpreenda e emocione, tal como também uma autoridade reconhecida e não imposta” (op. cit., p. 15). Michel Serres faz da fraqueza o motor da História: “Avançamos por problemas e não por vitórias, por insucessos e recuperações e não por superações” (Diálogo sobre a Ciência, a Cultura e o Tempo, I. Piaget, Lisboa, p. 251). Eu faço da consciência da fraqueza e da subsequente transcendência o “motor da história”. Numa perspectiva de totalidade, sem a transcendência, sem uma instância prática, bem humana, de intervenção, o processo histórico não acontece. Por isso, para mim, não há “periodização táctica”, mas “periodização antropológica e táctica”. Por esta razão muito simples: sem o homem, não há táctica. Na formação de um jogador de futebol, a formação moral está antes da cultura táctica. Sem aquela, esta não se concretiza com generosidade e espírito de equipa e vontade imparável de vitória. Como admiramos, em Cristiano Ronaldo (o maior jogador português que os meus olhos já contemplaram – e eu vi jogar, entre outros, o Rogério Lantres de Carvalho e o José Travassos e o Fernando Peyroteo e o Coluna e o Matateu e o Rui Costa e o Luís Figo e o João Vieira Pinto) faz sempre falta um génio a completar os talentos que o acompanham, numa equipa. E o Benfica, hoje, não tem um Ronaldo.
Já na minha tese de doutoramento eu escrevi que “a ciência alimenta-se da dúvida e vive da incerteza”. Por muitas razões e mais esta: a ciência nunca é totalmente científica, ou seja, totalmente objetiva. Nela encontramos sempre, para além de ciência, ideologia, filosofia, religião e muito mais. Por isso, no termo das suas investigações, o cientista sabe que não encontra a Verdade mas “verdades” provisórias e datadas. Cito agora Hilton Japiassu: a ciência deverá definir-se como “um processo inacabado de busca de verdades provisórias. Nesta perspectiva, a evidência só pode ser um engano ou um dogma. E a certeza só pode ser credulidade ou cegueira” (Questões Epistemológicas, p. 31). Por isso, sentindo com naturalidade a provisoriedade desta minha afirmação, adianto (embora possa enganar-me, repito) que o João Félix pode não ser o génio que o Sr. Luís Filipe Vieira procura. Talentoso é, sem sombra de dúvidas; genial não é, assim julgo. Desmistificar a genialidade do João Félix é, hoje, a melhor prova de amizade, em relação a este “menino”, dos dirigentes, dos treinadores, dos seus familiares, dos seus amigos mais próximos. O génio é o Outro, o Inesperado, o génio é a suprema Diferença, o que o João Félix não me parece ser. No entanto, porque, no ente, o seu ser é o devir, oxalá eu me engane e no João Félix , pelo seu trabalho, pela sua persistência, pela sua honestidade, ainda se veja crescer a singularidade do génio. Messi, com 17 anos, começou a jogar e a deslumbrar, na equipa do Barça. No Ajax dos nossos dias, não se vislumbram génios. Trata-se de uma equipa de talentos, informada e formada, para o ataque, de acordo com a tradição mais radical desta equipa, mas nunca uma equipa preparada, para o ataque, defendeu com tanta perfeição. Como? Não dando tempo ao adversário, para pensar o jogo! Nas dimensões integrais do campo, onde está a bola, está um jogador do Ajax. Defender não é esperar pelos jogadores da equipa rival, é tirar-lhes a bola, onde a bola se encontrar. Anarquizar o jogo dos adversários significa não deixá-los pensar. Só que o génio lança uma luz ao seu redor que o mundo não tem, sem ele. E a este já é muito mais difícil subjugar o seu futebol. No génio, descobre-se uma arqui-razão que é desconhecida para o conhecimento vulgar. Arqui-razão que eu julgo ter vislumbrado em Bruno Lage…"

O futebol feminino: publicação de relatório

"Inicia-se hoje (7 de junho) a Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019. Recentemente, a UNESCO, o “Institut de relations internationales et stratégiques” (IRIS) e a “Positive Football” (UNFP) comprometeram-se a promover o futebol feminino através de um relatório: “Quand le football s’accorde au féminin” (2019).
No passado dia 23 de maio de 2019, em Paris, o relatório foi apresentado por estas três instituições, pela ocasião de uma conferência sobre o futebol feminino, organizada pela IRIS. Os representantes saudaram esta publicação, como uma etapa importante para uma reflexão global, reiterando a vontade em fazer evoluir o olhar sobre a mulher e o futebol na sociedade.
Através de um histórico sobre a evolução do futebol feminino e uma análise de estatísticas e números disponíveis, o relatório coloca em evidência o progresso conquistado até ao presente, dando um sinal de alarme sobre o que ainda falta fazer.
É tempo de uma nova etapa no domínio da igualdade homens-mulheres e de um estatuto para as atletas, procurando lutar contra as discriminações, nomeadamente as salariais. O relatório consagra um capítulo com recomendações concretas para os organismos de investigação, meios de comunicação social, organizações nacionais e internacionais e instâncias do futebol.
A publicação (em francês) pode ser consultada e descarregada aqui: https://www.iris-france.org/wp-content/uploads/2019/06/UNESCO_Rapport_Quand-le-football-saccorde-au-féminin.pdf"

Vítor Rosa, in A Bola

Estado, Olimpismo & Sociedade

"Para Agustina “a competição é só civilizadora enquanto estímulo; como pretexto de abater a concorrência, é uma contribuição para a barbárie”. Esta metáfora tanto se deve aplicar à vida de cada um, como às mais diversas instituições incluindo as do mundo do desporto. Por isso, se do ponto de vista pessoal, como referiu João Rodrigues (presidente da Comissão de Atletas Olímpicos), na cerimónia de apresentação da Missão aos II Jogos Europeus, ao dirigir-se aos 99 atletas seleccionados, os valores olímpicos são a amizade, o respeito e a excelência, seria bom que os dirigentes políticos e desportivos também entendessem que os referidos valores devem, igualmente, orientar os seus próprios comportamentos e as escolhas políticas que fazem uma vez que são eles os primeiros responsáveis pelo desenvolvimento do desporto no País. Porque, o desporto, sob pena de poder vir a desaparecer, não deve, olimpicamente, continuar a ser um factor criador de inimizades, de ódios e de assimetrias sociais geradoras de subdesenvolvimento. Quando tal acontece, bem podem os dirigentes pedir aos deuses que envolvam os portugueses nas Missões Olímpicas porque isso nunca acontecerá enquanto o desenvolvimento do desporto não estiver clara e inequivocamente, não ao serviço de alguns privilegiados que, pelas mais diversas razões, a ele tiveram acesso, mas ao serviço da generalidade das populações independentemente do seu género, da sua condição social, do local onde habitam ou do grau de escolaridade, entre outras. Assim, parafraseando Agustina, direi que as medalhas olímpicas só serão promotoras de desenvolvimento e progresso enquanto estímulo; como criadoras de mais e novas assimetrias sociais serão sempre uma contribuição para a barbárie que, infelizmente, é para onde está a ser dirigido o desporto moderno. Neste sentido, e porque o futuro nunca surge por acaso, recordamos que, aquando da queda do muro de Berlim, entre a multidão que se manifestava, viam-se cartazes que diziam: “abaixo os privilégios dos artistas e desportistas”.
Em 2016, Vítor Serpa director d’A Bola, relativamente à desilusão que foram os resultados nos Jogos Olímpicos, cunhou a seguinte metáfora no título de um artigo publicado no jornal que dirige: “Importante não é participar … é ganhar”. A bem ver, embora, certamente, a metáfora tenha escandalizado muita gente, ela replica a ideia de uma outra utilizada por Pierre de Coubertin num artigo intitulado “Une Campagne Contre l'Athlète Spécialisé”, publicado no número de Julho de 1913 da Revue Olympique, que diz: “Para que cem se dediquem à cultura física, cinquenta têm de praticar desporto; Para que cinquenta pratiquem desporto, vinte têm de se especializar; Para que vinte se especializem, é necessário que cinco se mostrem capazes de realizar proezas extraordinárias”. Apesar desta metáfora, que ficou para a história como a Pirâmide de Coubertin, o que é facto é que o pensamento de Coubertin é, geralmente, associado a uma outra frase que, para além de não produzir o espírito do seu pensamento, também nunca foi por ele proferida. Estou-me a referir à frase que fez história: “o importante nos Jogos Olímpicos não é ganhar, mas sim participar” que, ao longo dos últimos mais de cem anos, tem sido utilizada das mais diversas maneiras, com o objectivo de fazer crer que Coubertin sobrepunha o valor da participação nos Jogos Olímpicos ao valor da superação e da vitória.
Desde a sua origem na era moderna que Coubertin sempre manifestou a ideia de que os Jogos Olímpicos deviam ser realizados com a máxima liberdade competitiva sob regulamentos perfeitamente definidos. Porém, nos Jogos da IV Olimpíada (Londres 1908), embora tenham sido considerados os que, até então, melhor foram organizados, ocorreram diversas situações de conflito entre atletas americanos e ingleses devido à falta de clareza das regras que permitiam “interpretações caseiras” por júris presididos por entidades locais. Os americanos, que estavam na disposição de “chegar, ver e vencer”, ao sentirem-se prejudicados por regulamentos que não compreendiam, protestaram ao ponto de provocarem conflitos. E foram tais os conflitos que deram origem à metáfora proferida por Ethelbert Talbot, Bispo da Pensilvânia quando, num sermão dirigido aos atletas numa cerimónia religiosa realizada na Catedral de Saint Paul, disse: “… o importante nos Jogos Olímpicos não é ganhar, mas sim participar, tal como o essencial na vida não é conquistar, mas lutar bem”. 
Muito embora a metáfora do Bispo tenha passado despercebida à maioria, como se veio a verificar pelos incidentes, entre ingleses e americanos, acontecidos, posteriormente, na corrida dos 400m barreiras e na da Maratona, o que é facto é que Coubertin não deixou de a aproveitar para, ao seu estilo e de acordo com o seu pensamento, a esclarecer. E, assim, no discurso proferido a 24 de Julho, aquando do banquete de encerramento dos Jogos, disse: “Domingo passado, durante a cerimónia organizada em São Paulo em honra dos atletas, o Bispo de Pensilvânia referiu em termos muito felizes: O importante nos Jogos Olímpicos é menos ganhar do que participar. O importante na vida não é o triunfo, mas o combate”. Coubertin aproveitou para esclarecer a situação e alterou a palavra “participação” pela palavra “combate” e expressou uma interpretação pessoal relativamente à frase proferida pelo Bispo descontextualizando-a relativamente aos Jogos Olímpicos. E disse: “L' important dans la vie, ce n'est point le triomphe mais le combat; l'essentiel, ce n'est pas d'avoir vaincu mais de s'être bien battu” / “O importante na vida não é triunfo, mas o combate; o essencial não é ter conquistado, mas ter lutado bem”. Note-se que, Coubertin nem sequer adoptou a frase do Bispo Talbot, limitou-se a aproveitar a ideia e reconstruiu-a: Em primeiro lugar não fez referência aos Jogos Olímpicos a fim de, de acordo com a ideia do Cristianismo Muscular, acentuar a problemática da luta que é a vida; Em segundo lugar, trocou a palavra participação pela palavra combate o que atribuiu à frase um sentido completamente diferente.
Nesta perspectiva, a frase de Vítor Serpa – importante não é participar … é ganhar – expressa o Citius, Fortius, Altius do lema olímpico proposto por Coubertin.
Ora, perante o tamanho da Missão Olímpica e os fraquíssimos resultados nos JO do Rio (2016), a pergunta que devia ter ocorrido aos dirigentes políticos e desportivos devia ter sido a seguinte: A quantos atletas de base devem corresponder aos 92 atletas portugueses que participaram nos JO do Rio (2016)? Ou, a mesma pergunta colocada de outra maneira: Existe alguma correspondência entre os 92 atletas olímpicos dos Jogos do Rio (2016) e a base da prática desportiva no País? Esta é a grande questão que os portugueses, sobretudo os mais desfavorecidos, excluídos da prática desportiva, devem começar a fazer aos dirigentes públicos e privados que chefiam o desporto nacional à custa do dinheiro dos contribuintes. Atentemos na seguinte analogia: Nos JO do Rio (2016) a Coreia do Norte, com uma população de 25,368,620 habitantes e um PIB per capita de US$ 506, apresentou-se com uma missão composta por 31 atletas a competirem em 9 desportos para ganhar 7 medalhas (2;3;2) e ficar na 34ª posição no ranking dos países; Portugal, com uma população de 10,374,822 habitantes e um PIB per capita de US$ 29,239, apresentou-se com uma missão composta por 92 atletas a competirem em 16 desportos para ganhar (in extremis) uma medalha de bronze e ficar em 78º lugar. Isto significa que, enquanto a Coreia do Norte obteve uma excelente taxa de sucesso de 23%, Portugal obteve uma miserável taxa de sucesso de 0.84% mesmo expurgados da contabilidade os 18 jogadores de futebol.
Nestes termos, perante a Missão portuguesa constituída por 99 atletas que vão participar nos II Jogos Europeus a realizar de 19 a 30 de Junho em Minsk capital da Bielorrússia, para além dos maviosos discursos oficiais e das promessas de uma chuva de medalhas que pouco ou nada significam para o Nível Desportivo do País, as perguntas que temos vindo a formular voltam a colocar-se: (1ª) A quantos atletas de base devem corresponder os 99 que vão competir em Minsk? (2ª) Quantos dos 99 atletas presentes em Minsk vão lá estar para participar e quantos vão lá estar para vencer?
O grande problema do modelo de desenvolvimento do desporto nacional instituído em 2004/2005 é, na sua mediocridade, ser uma espécie de “Linha Maginot”. É caro, pesado, pouco eficiente e, ainda menos, eficaz na medida em que, se, por um lado, não consegue resultados olímpicos que justifiquem os recursos humanos, materiais e financeiros disponíveis, por outro lado, também não está sustentado numa prática desportiva de base que justifique a constituição de Missões Olímpicas com cerca de cem atletas.
Nestes termos, a afirmação de Vítor Serpa – importante não é participar … é ganhar –, em 2019, volta a estar na ordem do dia. E porquê? Porque, na sua simplicidade, ela levanta questões complexas e questiona o modelo de desenvolvimento do desporto nacional instituído em 2004/2005.
À semelhança da histórica “Linha Maginot”, o actual modelo de desenvolvimento do desporto nacional pode conferir aos dirigentes políticos e desportivos um falso sentimento de eficiência e eficácia. Contudo, não passa de uma estrutura burocrática que, na realidade, não responde nem aos resultados que os recursos aplicados devem exigir às Missões Olímpicas, nem às necessidades de prática desportiva de base de que o País necessita. Em consequência, se as prestações das Missões Olímpicas têm tem vindo a piorar desde 2004, em termos de prática desportiva de base, Portugal ocupa os últimos lugares entre os países europeus.
Quanto ao rendimento, nos JO de Atenas (2004) foram conquistadas três medalhas, duas de prata e uma de bronze e a 60ª posição. Nos JO de Pequim (2008) uma medalha de ouro e uma de prata e a 47ª posição. Nos JO de Londres (2012) uma medalha de prata e a 69ª posição. Finalmente, no Rio (2016) uma medalha de bronze e a 78ª posição. Resumindo, de há quatro Ciclos Olímpicos a esta parte as prestações nos Jogos Olímpicos têm vindo a piorar.
Quanto à prática desportiva de base, segundo o Relatório “Special Eurobarometer 472 - Sport and Physical Activity – 2017/2018” da Comissão Europeia (EU28), enquanto que na Bulgária, na Grécia e em Portugal, 68% das pessoas com 15 e mais anos de idade dizem não praticar regularmente qualquer actividade física ou desportiva, na Finlândia (69%), na Suécia (67%) e na Dinamarca (63%) dizem praticar. Em Portugal 79% dizem não ter praticado nenhuma actividade física vigorosa na semana anterior. Na Finlândia (66%), na Holanda (63%) e na Suécia (62%) disseram ter realizado uma actividade física vigorosa em pelo menos um dia na semana anterior. A proporção que praticou uma actividade física vigorosa em pelo menos quatro dos últimos sete dias é a mais baixa na Itália (5%), Portugal (7%), Bulgária, Grécia e Malta (9%). Num país com pouco mais de 10 milhões de habitantes, com uma prática desportiva de base insignificante e em que só 7% da população com 15 ou mais anos de idade diz ter praticado uma actividade física vigorosa pelo menos em quatro dos últimos sete dias, ao constituírem-se Missões Olímpicas com uma centena de praticantes significa que estamos na presença de uma espécie de “linha maginot” isto é, perante um modelo de desenvolvimento do desporto que transmite uma falsa imagem de eficiência e eficácia na medida em que não produz, nem a montante (Efeito de Volume), nem a jusante (Efeito de Ídolo), resultados que justifiquem os recursos que consome. Quer dizer, o actual modelo de desenvolvimento do desporto nacional está suportado numa estrutura artificial de prática desportiva intermédia que não decorre da base do sistema nem, salvo uma ou outra excepção, origina, verdadeiramente, resultados de excelência a nível do vértice da pirâmide de desenvolvimento. Na relação massa / elite que fundamenta o conceito de Nível Desportivo, estamos perante um modelo de desenvolvimento em que, por paradoxal que possa parecer, existe Estado a mais e Sociedade a menos. Trata-se, por isso, de um modelo em que o Estado se apropriou do próprio Movimento Olímpico pelo que, em matéria de desenvolvimento do desporto, o Estado e a Sociedade “abateram a concorrência” que se devia expressar na dialéctica de mútuo controlo. Em consequência, em termos práticos, em matéria de desenvolvimento do desporto, o Estado e a Sociedade estão transformados numa mesma e única entidade, o que resulta numa espécie de Olimpismo de Estado.
O desporto, nos últimos quarenta anos, mudou radicalmente. Hoje, requer soluções que, em tempo útil, ajustem de forma sinergística a sua estrutura e a sua dinâmica: (1º) A um tempo de volatilidade porque muda de forma, com facilidade e frequentemente; (2º) A um tempo de incerteza porque desencadeia um estado de dúvida constante; (3º) A um tempo de complexidade porque as variáveis em equação não são de fácil apreensão; (4º) A um tempo de ambiguidade porque sugere caminhos opostos para a resolução dos mesmos problemas.
E, assim, voltamos ao Citius, Fortius, Altius de Coubertin, à metáfora de Agustina: “a competição é só civilizadora enquanto estímulo; como pretexto de abater a concorrência, é uma contribuição para a barbárie” e ao “importante não é participar … é ganhar” de Vítor Serpa. Assim estejam os nossos dirigentes políticos e desportivos disponíveis para o entenderem."

Benfiquismo (MCCVI)

Rodeado...!!!

Falsas acusações

"O Sport Lisboa e Benfica lamenta as acusações feitas esta noite pelo director-geral das modalidades do Sporting Clube de Portugal, Miguel Albuquerque, relativamente a alegadas tentativas de agressão de adeptos do Clube a jogadores do Sporting.
O Sport Lisboa e Benfica foi informado pela Polícia de Segurança Pública de que esta desconhece qualquer ocorrência no perímetro do Pavilhão João Rocha entre adeptos do SL Benfica e atletas do Sporting. Estas acusações são extremamente graves e não podem ficar impunes, até porque poderão incendiar o clima para o jogo 4 da final do Campeonato de futsal, ao contrário daquilo que se deseja para a modalidade.
Miguel Albuquerque escreve que “o que se tem vindo a passar desde esse primeiro jogo ultrapassa qualquer limite que julgamos ser aceitável”. Ora, o que não é aceitável é a pressão – a época anterior foi apenas um exemplo disso – exercida quando o Sporting Clube de Portugal sente que pode estar comprometida uma determinada conquista desportiva, neste caso o Campeonato Nacional de futsal. 
Tendo o próprio director-geral das modalidades já sido suspenso por ter agredido um atleta do Sport Lisboa e Benfica, é no mínimo de estranhar esta tomada de posição. Depois são referidos determinados lances ocorridos neste último dérbi, sublinhando que todo o País teve acesso aos mesmos. Fala-se em perdão de amarelos, quando o problema se calhar tem mais a ver com memória selectiva. O jogador Erick, por exemplo, teria hoje terminado o jogo?
O Sport Lisboa e Benfica tem tido uma postura exemplar na divulgação da modalidade e relembra que o jogo de hoje decorreu sem incidentes, quer para os adeptos do Sporting Clube de Portugal, quer para os jogadores e respectivo staff.
O Sport Lisboa e Benfica espera que todas as entidades envolvidas não se deixem condicionar e apela a que sejam reunidas todas as condições para que o próximo dérbi seja bem disputado como foram os anteriores, ganhando quem for melhor em campo, tal como o treinador do Sporting reconheceu no final dos jogos 2 e 3, que terminaram com a vitória encarnada."

Parabéns, Portugal

"Em nome do Sport Lisboa e Benfica, muitos parabéns à Selecção Nacional pela brilhante vitória na primeira edição da Liga das Nações.
Motivo de orgulho para todos os Portugueses e coroar do trabalho extraordinário liderado pelo presidente da FPF, Fernando Gomes, do seleccionador nacional, Fernando Santos, e sua equipa técnica e do fantástico naipe de jogadores que conquistaram este troféu para o nosso País."

6.ª Taça de Portugal

Benfica 9 - 1 CACO

Mais um pleno conseguido...

A partir de agora as coisas vão mudar: o Sporting vai entrar em competição, pelo menos duas das nossas jogadoras vão para lá... O domínio absoluto interno, será mais difícil, mas tendo em conta as notícias, parece que não vamos baixar as 'expectativas'!!!

domingo, 9 de junho de 2019

Só mais uma...

Benfica 4 - 3 Sporting

Resultado escasso, devíamos ter resolvido a partida na 1.ª parte, tal foi o nosso domínio...
Mesmo assim, voltámos a entrar bem no 2.º tempo, fizemos o 4-1 e depois tal como já tinha acontecido no jogo anterior, permitimos dois golos, que deixou o jogo, num perigoso 4-3, que conseguimos levar até ao fim...
Sofrimento totalmente desnecessário, mas acabou por ser saboroso no final!!!

Desta vez, sem o Fits, o Hemni e o Campos...

Mesmo assim a grande surpresa foi mesmo a expulsão do Dieguinho, o problema é que não devia ter sido a única, e mais uma vez tivemos jogadores do Benfica a levarem Amarelo, por terem sido agredidos!!!

Estamos a uma vitória do título, mas nada está resolvido... na Quinta-feira no Alvalixo, temos que entrar com tudo novamente, sem abébias, sem erros, sem desconcentrações defensivas... Porque creio que neste momento está claro que temos melhor equipa, mais talento e mais profundidade... e só o nosso desperdício e 'ofertas' no jogo 1, mantém esta Final aberta!!!

Iniciados - 10.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 3 Guimarães

Derrota no último jogo, numa partida que nada resolvia, mas exigia melhor da nossa parte! Acabámos por perder 5 pontos com o Guimarães, algo perfeitamente evitável...

O 3.º lugar nesta Fase Final na minha opinião é 'enganador'. Temos aqui uma geração com vários jogadores talentosos: Gomes, Martim, Prioste, Pedro Santos, Nóbrega, Neves, Hugo Félix, Bacai... mas falta claramente 'caparro' a esta equipa, só o Martim e o Moreira, se equipavam com os nossos adversários... e nestas idades, a questão física faz a diferença...

PS: Parabéns aos nossos Cadetes do Judo: Masculinos, Campeões Nacionais e Femininos, Vice-Campeões Nacionais...

A primeira Liga das Nações

"As vitrinas da Cidade do Futebol merecem receber o primeiro troféu de uma competição europeia que tem, na sua génese, um forte impulso português.

1. Hoje, num Estádio do Dragão esgotado, assistiremos à final da primeira edição da Liga das Nações. Em outros estádios da Europa disputam-se jogos da fase de grupos do acesso ao singular Europeu 2020. Singular em razão da sua realização por um conjunto de estádios de uma Europa bem alargada. Assisti, nos últimos vinte anos, a alguns confrontos entre Portugal e a Holanda. Vibrei com a nossa vitória - com um pontapé extraordinário de Maniche - no Estádio de Alvalade, no europeu de 2004. Depois em Nuremberga aplaudi nossa vitória no Mundial de 2006 e num jogo em que houve quatro vermelhos e dezasseis amarelos! E no Europeu de 2012, em Kharkiv, sofrei com a derrota por duas bolas a uma. Hoje será mais um jogo. Mas, para a equipa de Fernando Santos, será, e bem, uma outra final. Com a particularidade de as vitrinas da Cidade do Futebol merecem, pelo esforço organizativo da nossa Federação, receber o primeiro troféu de uma competição europeia que tem, na sua génese, um forte impulso português. E esta singularidade, que vai de Fernando Gomes a, por excelência, Tiago Craveiro, merecia, para além da assumida liderança de Cristiano Ronaldo e de todos os seus companheiros de Selecção, essa recompensa. Da presença permanente do troféu da primeira Liga das Nações na Cidade do nosso futebol!

2. Vamos ver hoje no Dragão os netos de Cruyff. Há bastantes anos comprei um livro deste grande Senhor do futebol europeu e mundial. Que moldou a Holanda - tal laranja mecânica - e que ajudou a construir o Barcelona de hoje. O livro tem um sugestivo título: «Me gusta el fútbol»! Termina com dez mandamentos acerca do futebol. No primeiro proclama que se deve «desfrutar o futebol para o público e também para os jogadores. O futebol é espectáculo. Se não for, não é futebol»! No quarto, avisa-nos que «a ilusão é, em geral, básica mas é-o, acima de tudo, no futebol»! E no oitavo afirma que «a entrega a cem por cento é absolutamente necessária no futebol». Lendo o livro, e algumas das suas reflexões, acomodo-o plenamente com Cristiano Ronaldo. Com ele sente-se que o futebol é espectáculo, que desfrutamos do jogo e dos golos, que sempre temos a ilusão dos instantes de sonho que ele nos proporciona e que a sua entrega a cem por cento. E sentindo tudo isto sabemos que vamos entrar no Dragão com a secreta esperança da vitória mas, acima de tudo, com serena convicção que a Selecção de Portugal tudo fará para os proporcionar, na noite deste domingo que antecipa o Dia de Portugal - e das Comunidades Portuguesas - uma alegria bem especial. Ele que frente à Suíça foi, uma vez mais, bem especial!

3. Arrancou ontem mais uma edição de um Mundial de futebol feminino. A França, em diferentes cidades - Paris e Lyon, Rennes e Nice, Montpellier e Le Havre, entre outras, acolhe, até 7 de Julho - e a final será em Lyon, cidade do campeão europeu em título - recebe as grandes senhoras do futebol mundial. Noruega e Alemanha, EUA e China, Brasil e Austrália estão entre as vinte e quatro selecções que lutam por tirar o troféu aos EUA, número um do ranking e tricampeão (campeã!) mundial. O que é interessante é que o primeiro Mundial oficial de futebol feminino só ocorreu em 1991 e realizou-se na China. Foi o primeiro organizado pela FIFA, já que anteriormente e sob o patrocínio da Federação Internacional de Futebol Feminino, criada em Itália em 1970, se disputaram dois Mundiais oficiosos, o primeiro em Itália - conquistado pela Dinamarca - e o segundo no México e no qual a Dinamarca voltou a sagrar-se campeã. E nos Jogos Olímpicos de Atlanta o futebol feminino conquista a sua natureza olímpica e em 1999, nos EUA, realiza-se o Mundial da confirmação. E a final entre os EUA e a China teve 90.18 espectadores, no Estádio Rose Bowl! Foi o passo para a UEFA ter criado, em Maio de 2001, a Liga dos Campeões em futebol feminino. Longe vão os tempos da proibição do futebol feminino numa mistura de futebol «não ser adequado para as mulheres» e «afectar a assistência do futebol masculino». O futebol feminino aí está e em força. Em Portugal a chegada do Benfica ao primeiro escalão é uma bela notícia para o futebol português, acompanhando Sporting, Sporting de Braga, Boavista ou Futebol Benfica, entre outros clubes. E o Benfica tem entre as seleccionadas do Brasil duas jogadoras, Tayla e Geyse. Ontem a Espanha venceu a África do Sul e entrou com o pé direito no Mundial. Haverá tempos, decerto bem próximos, que algum dos nossos canais televisivos nos proporcionará ver a Alemanha-China, a Noruega-Nigéria e a Espanha-África do Sul. Todos realizados ontem. E hoje um Austrália-Itália, um Brasil-Jamaica (em Grenoble) ou um Inglaterra-Escócia. E no mais apenas dar nota, por ser devida e justa, que Portugal marca presença neste Mundial. Sandra Bastos, uma das grandes árbitras do nosso futebol, está em França, tal como Tiago Martins, este último como VAR. É que, naturalmente, o VAR também marca presença numa igualdade de procedimentos que consagra a total igualdade de género.

4. Paris e o recente Congresso da FIFA terá sido, também, a cidade que lançou as bases para uma candidatura ibérica à organização do Mundial de futebol de 2030. É uma grande notícia. Mostra o arrojo do Doutor Fernando Gomes e, em conjunto com o Presidente da Real Federação Espanhola, uma clara visão estratégica de sedimentação e promoção dos futebóis de Portugal e de Espanha. Entre nós não haverá nem problemas de construção de novos estádios, nem necessidade de autoestradas - porventura já com a ferrovia resolvida... - nem da capacidade hoteleira. E claramente temos ambos os Estados em plenas condições para organizar com êxito, um Mundial de futebol. Força!

5. O Benfica conseguiu, no caso dos emails, uma primeira e saborosa vitória judicial. Como já tinha acontecido, e sem grande repercussão pública, e a este respeito, com uma igualmente bem fundamentada deliberação da ERC, a entidade reguladora da comunicação social. Como escreveu Joseph Roux «gostamos muito da justiça e pouco dos homens justos»! Mas a sentença merece ser lida com atenção, analisada com cuidado e devidamente ponderada. E, em muitos momentos, parece que relemos Vítor Hugo: «Ser bom é fácil. O difícil é ser justo»! Difícil mesmo!"

Fernando Seara, in A Bola

Listas, ganhar e perder

"'Coisas que não deves fazer quando ganhas': Pensar que o avião que traz a tarja a celebrar a vitória não vai precisar de gasolina

Agustina e a derrota
1. Agustina Bessa-Luís morreu esta semana. É uma escritora que deveria ser lida. A Sibila, o seu livro mais conhecido. Mas há muitos outros. Por exemplo Prazer e Glória.
Alguns exemplos de frases deste livro, quase sempre sarcásticas, ácidas:
Ao período da reforma o narrador chama «estado de solidão remunerada».
De uma personagem diz: «Ela é mais inteligente do que a vida que tem».
«Já não há amor, só há eficácia», eis um mote que aparece no livro.
E sobre a derrota, de que tanto se foge neste mundo, Agustina escreve: «Ela sabia que não seria livre se não perdesse. Aprender a perder fora afinal a sua escola da vida; e melhor do que essa não há».

Japão e as listas
2. Escrito entre os anos de 994 e 1001 no Japão, o Livro do Travesseiro é uma obra clássica da literatura japonesa, escrito por Sei Shônagon. Nesta obra, a autora faz listas e listas.
Aqui deixo também em baixo algumas listas, algumas sugestões. Comecemos pelos temas clássicos: ganhar e perder.

Ganhar
3. Coisas que não deves fazer quando ganhas
Levantar demasiadamente os braços perto de quem perdeu.
Não mudar nada.
Mudar tudo.
Pensar que amanhã não existe.
Pensar que os dias se repetem.
Pensar que a nuvem é um elemento fixo da paisagem.
Aumentar o volume dos festejos de modo a impedir, por completo, a possibilidade do silêncio.
Deixar de dar importância à teoria da evolução de Darwin e julgares-te mais perto dos deuses que dos chimpanzés.
Pensar que a velocidade do carro de quem vence é menos perigosa.
Fazer equilíbrio numa corda de estendal da roupa a cinco metros de altura.
Pensar que o avião que traz a tarja a celebrar a vitória não vai precisar de gasolina.

Coisas que não deves fazer quando perdes: baixares demasiado a cabeça diante de quem ganhou

Perder
4. Coisas que não deves fazer quando perdes
Baixares demasiado a cabeça diante de quem ganhou.
Não mudar nada.
Mudar tudo.
Pensar que amanhã não existe.
Pensar que os dias se repetem.
Pensar que a nuvem é um elemento fixo da paisagem.
Saíres no próprio dia da derrota para dançar e esquecer.
Não saíres no dia seguinte da derrota para dançar e esquecer.
Não entrares para um avião por saberes que ele precisa de gasolina.

Parar
5. Coisas que deves parar
De cantar se não tens voz.
De estar calado se tens uma bela voz.
O choro de miúdo que está assustado.
Uma bola que vai à baliza, se és guarda-redes.

Não parar
6. Coisas que não deves parar
Um cego que caminha na direcção certa.
Um gato que está a saltar como um louco num sofá.
De rir.
O discurso de um sábio.
O discurso de um tonto (não o deves parar, deves afastar-te - é a melhor solução).
Uma bola que vai na direcção da baliza do adversário.

Coisas que não deves fazer quando ganhas: levantar demasiadamente os braços perto de quem perdeu

Olhar
7. Coisas para onde deves olhar
Para o que é belo se o que é belo te der autorização para isso.
Para o que te dá energia.
Para aquilo que podes mudar.

Não olhar
8. Coisas para onde não deves olhar
Para as saias leves de uma mulher em dia extremo de ventania.
Para o sol directamente.
Para um búfalo directamente nos olhos.
Para aquilo que te retira energia.
Para aquilo que já passou e não podes alterar."

Gonçalo M. Tavares, in A Bola

O caso de Semenya (II)

"Já aqui demos conta do caso da atleta Caster Semenya. Recentemente, a atleta processou a IAAF (Federação Internacional de Atletismo) junto do CAS por ter aprovado um regulamento que baixa os níveis de testosterona permitidas nas provas femininas acima dos 400 e até aos 1600 metros. Este regulamento impossibilita Semenya de participar nas provas onde é mais forte, uma vez que a atleta tem uma condição genética rara que origina um aumento de testosterona no seu corpo.
O CAS, apesar de entender que o Regulamento é discriminatório, entendeu que tal discriminação é necessária razoável e proporcional para atingir o objectivo legítimo de assegurar uma concorrência leal e proteger as atletas do sexo feminino e portanto não dá provimento à pretensão da atleta.
Não satisfeita com o resultado da demanda, Semenya recorreu da decisão para o Supremo Tribunal Federal Suíço - assim vem alegado pela defesa na comunicação social. Aquele Supremo Tribunal pode rever, em alguns casos muito limitados e específicos, em sede de recurso, as decisões proferidas pelo CAS. No caso concreto, e porque estão em causa direitos fundamentais da atleta, o recurso terá sido aceite.
A IAAF confirmou no dia 4 de Junho que recebeu uma ordem provisória, determinada sem audição do Requerido, por parte do Supremo Tribunal Federal Suíço, ordenando que aquela federação suspendesse a aplicação do referido Regulamento à atleta, sendo certo que tal ordem deverá vigorar até ao dia 25 de Junho, prazo em que a IAAF deverá responder ao recurso apresentado por Semenya. Esta decisão provisória permite que a atleta continue a participar nas provas até essa data."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Os enganados !!!

"Não é só o SL Benfica a vítima. Somos todos. Há que ter consciência disso. Estamos a falar de uma estratégia clara de comunicação que truncou correspondência roubada. A justiça é clara e foi de encontro ao que nós sempre defendemos.
"Os adeptos do Porto ficaram convencidos de que as AA cometeram esses actos sem nunca terem lido, na maioria dos casos, um único email."
O melhor está para vir."

Insucessos escondidos no sucesso do 37

"Já se celebrou o que parecia impossível. Já se concretizou o milagre do trigésimo sétimo título de campeão nacional. Já se teceram loas a quem de direito, aos vários craques que foram brilhando pelos relvados e principalmente ao treinador Bruno Lage e à sua capacidade de liderança do balneário.
Este título é sem qualquer dúvida uma deliciosa conclusão da época mas também deverá ser uma valiosa lição. Lição para todos aqueles que no Verão de 2018 planearam uma época com um desfecho totalmente distinto. Uma época onde não passaríamos na Turquia, uma época onde chegaríamos a Vila do Conde a lutar pelo principal lugar de acesso à próxima Liga Europa. Na sombra do sucesso de Bruno Lage foram vários os erros que o tornaram um milagre impossível de acreditar.
O SL Benfica foi campeão apesar de. E é este “apesar de” que deve também ser exaltado neste momento de conclusão da actual e lançamento da próxima temporada.
A direcção do SL Benfica falhou essencialmente em três momentos:
– Manutenção da equipa técnica
– Reforço do plantel
– Timing da Chicotada Psicológica
O Rui Vitória sempre foi um treinador incompreendido no interior do Sport Lisboa e Benfica, SAD. Nunca souberam quais eram as suas qualidades, as suas limitações nem sequer as suas competências. Era bom porque a equipa vencia e este alinhava no discurso e política do clube. Deixou de o ser quando começou a deixar de ganhar. A altura ideal da sua saída seria em Junho de 2016. No Verão de 2017 já não deveria haver dúvidas quanto à necessidade de uma nova equipa técnica. Em Junho de 2018 este já só se mantinha à frente do futebol encarnado por total inércia da comunicação desenvolvida à sua volta. E assim foi-se mantendo até a equipa se arrastar completamente em campo e a acumulação de resultados negativamente esmagadores ser completamente inaceitável.
Contudo a má opção pela manutenção do treinador poderia ter sido em parte colmatada pelo reforço em força do plantel. O que fomos vendo ao longo dos anos foi um enfraquecimento deste, foi um plantel cada vez menos capaz de sobressair ao trabalho da equipa técnica que o liderava. Chegados ao mercado de Verão de 2018, a equipa técnica clamava por reforços de peso para a baliza, lateral direita, centro da defesa, meio-campo defensivo, meio-campo criativo e centro do ataque. O que lhe foi dada? O reforço na baliza, laterais incapazes de se afirmarem imediatamente na equipa, centrais e médio defensivo sem qualidade, um médio que o treinador não sabia utilizar, um avançado sem qualidade para o clube e outro totalmente incompreendido por aqueles que o treinavam.
Portanto uma época desenhada para o descalabro. E quando a direcção poderia emendar a mão apareceram as luzes a prolongar o sofrimento de todo um plantel, de toda uma nação de vermelho e branco. A equipa técnica foi-se arrastando pelo clube justificando todos os dias ser despedida. Acabou por o ser quando já a época tinha sido dada como perdida. Fora da Liga dos Campeões e a sete pontos da liderança do campeonato, Rui Vitória foi despedido no arranque da sequência de jogos mais complicada do calendário.
Não só a época foi desenhada para o insucesso como pareceu que a Direcção se quis certificar que tal era irremediável.
Depois vieram os pequenos equivocos, todos eles bem abafados pela competência de quem assumia à força da sua competência os destinos do futebol do Sport Lisboa e Benfica. Os disparates dito na Casa da Cristina, a cegueira à qualidade do interino que tinham em Lage, os desvarios de antecipação do sucesso quando a esperança se transformou em convicção e ainda a parceria com um canal televisivo para lavagem de imagem em plenos festejos do título.
O actual técnico do SL Benfica também não está imune às criticas. Depois da recuperação em vários momentos, a equipa tremeu e chegou até a vacilar. Mas o erros de Lage não são uma preocupação pois foram devidamente reconhecidos e analisados por este após a euforia dos merecidos festejos.
O Sport Lisboa e Benfica tem tudo para lançar um excelente 2019-20. Assim o queira a sua Direcção, assim o tenham aprendido."

Cristiano Ronaldo é todos os F’s que faltavam a Portugal

"Dos 689 golos da sua carreira, 160 foram em hat-tricks, pokers ou manitas. Impossível? Não, Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Assim mesmo. 3 vezes. Mas podiam ser 88. Como podiam ser 689 a ocupar toda a página deste jornal. Tanto já foi dito e escrito acerca desta lenda viva, que a mera repetição do seu nome até à exaustão remete-nos imediatamente para a sua grandeza. Como o cântico entoado esta semana no Dragão e por cujo eco nas bancadas ansiamos novamente na final de amanhã. Haja papel para escrever este nome até aos limites da repetitividade: Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro. Haja palavras para o eternizar, gargantas para o gritar, mentes para o guardar bem presente na memória colectiva de todos nós. Um dia vamos levantar a cabeça e olhar em redor, pedir silêncio aos jovens presentes e dizer plenos de orgulho: «Eu vivi na era do Cristiano Ronaldo, acompanhei a sua carreira do princípio ao fim, vibrei com os seus golos, chorei com ele nas suas vitórias e nas suas derrotas. Aquilo de que vocês ouvem falar? Eu estava lá! Aquilo que vocês calculam que tenha sido? Foi muito mais do que isso! Aquilo que se vê nos vídeos? É apenas uma amostra! Aquilo que os livros contam? São meras palavras que tentam descrever o indescritível! O inexplicável! O impossível!». E quando nos responderem que sim, que imaginam que tenha sido tudo épico e extraordinário, só uma resposta fará sentido: «Não, não imaginam... Só mesmo estando lá para ver...».
Cristiano Ronaldo é muito maior do que Portugal. Que sosseguem os patriotas e os fundamentalistas, que esta afirmação nada tem de depreciativa para a pátria. Ronaldo é maior do que Portugal e é maior do que qualquer outra nação. Cristiano Ronaldo é um mundo inteiro. Um planeta com gravidade própria e em torno do qual tudo gira. No país que deu ao mundo Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, José Saramago e António Lobo Antunes, Eusébio da Silva Ferreira e Luís Filipe Madeira Caeiro Figo, há uma ilha no meio do Atlântico que viu nascer há 34 anos a maior de todas as suas preciosidades. Um homem tão conhecido no mundo como o Papa Francisco. Um talento cujo rosto é reconhecido e cujo nome é pronunciado nos mais recônditos recantos do Planeta. Um astro sem paralelo no passado e sem repetição no futuro. Uma fonte inesgotável. Uma montanha inescalável. Sabem o que é o impossível? Cristiano Ronaldo é isso mesmo que imaginam quando ouvem a palavra: Cristiano Ronaldo é a definição absoluta de impossível. Os seus números, reais mas tão surreais que chegam a ser assustadores, refutam a velha máxima de que não há impossíveis. Há, sim. O impossível existe. Chama-se Cristiano Ronaldo. Tantos são os golos marcados, tantas são as conquistas, tantos são os feitos inimagináveis. Aquilo que o vimos protagonizar na passada semana frente à Suíça, três golos num só jogo ao mais alto nível do futebol mundial, é algo que a esmagadora maioria dos jogadores de topo passa uma carreira inteira sem conseguir alcançar uma única vez. Cristiano Ronaldo já marcou três ou mais golos em 53 ocasiões. Isso mesmo, leu bem. Não é engano. Só em jogos épicos de hat-tricks, pokers e manitas, Cristiano Ronaldo dos Santos Aveiro já marcou 160 golos. Dos 689 da sua carreira, 160 foram em jogos que muitos não sonham sequer protagonizar uma vez que seja na vida. Impossível? Não, Cristiano Ronaldo.
Num país que outrora foi o Portugal do ‘Fado, Futebol e Fátima’, Ronaldo é todos esses F’s e muitos mais. Ronaldo é naturalmente Futebol, é o arquétipo máximo do jogo e o pináculo da sua perfeição no relvado. É também Fado, desfecho amargo traçado para todos aqueles que se intrometem entre ele e os seus objectivos. É a Fé dos milhões que depositam em si, jogo após jogo, a esperança de renovadas alegrias em vidas tantas vezes marcadas e cicatrizadas pelas agruras de amargas existências. Mas Ronaldo é também Fantasia em cada acção por si imaginada e pelos seus pés desenhada. É Filigrana de precisa perfeição. É Família em todos os momentos, que sem família nada somos e a sua - linda e sempre disponível - é parte integrante da sua vida nas horas mais brilhantes e nos dias mais difíceis. Ronaldo é Fatídico como o destino, não falha quando as decisões apertam e não desilude quem nele acredita. Em suma, e num vernáculo que não ofende ninguém, Cristiano Ronaldo é Foda! Assim mesmo! Sem tirar nem pôr! É todos os F’s que faltavam a uma nação que parou naqueles três dos tempos bafientos do Estado Novo. É a prova de que não há limites para os sonhos nem barreiras para a ambição. É o exemplo acabado que todos - sem excepção - devemos adoptar na nossa luta diária.
Quis o destino que a terceira final internacional da Selecção Nacional - a terceira da era CR7 - seja amanhã contra a Holanda. A mesma Holanda frente à qual Ronaldo, então com 19 anos, marcou nas meias-finais do Euro 2004 e, ao festejar de tronco desnudo, tornou-se instantâneo fenómeno mundial. A mesma Holanda frente à qual Ronaldo, então com 21 anos, saiu em lágrimas e esgares de dor nos oitavos-de-final do Mundial 2006, depois de ser cobardemente agredido pelo ogre Boulahrouz que parecia ter como missão única colocar o nosso craque fora da partida ainda na primeira parte do jogo. Em ambos os jogos - históricos para Portugal - o mesmo desfecho: vitória das cores lusitanas. Que amanhã se repita o destino e Portugal possa sagrar-se vencedor da primeira edição da Liga das Nações. Com Ronaldo a liderar um grupo tão talentoso como o nosso, o céu é o limite e o impossível não existe! Não existe? Sim, existe. Chama-se Cristiano Ronaldo..."

O Benfica e os outros da Europa

"O Liverpool ganhou a Liga dos Campeões pela sexta vez na sua história. E Jürgen Kloop ganhou pela primeira vez na vida uma Liga dos Campeões. Kloop é um sujeito tão afável que não admira que quase toda a gente estivesse a torcer pelos de Anfield Road no sábado passado.
Três dias depois da final de Madrid, os reds expuseram no seu site a elaborada preparação que foi posta em marcha para o confronto com o Tottenham. E é, justamente, aqui que entra em acção a equipa B do Benfica contratada por Kloop como parceira de treinos do finalista europeu. E porquê? Porque, segundo o treinador alemão, a equipa de Renato Paiva "tem a mesma pegada do Tottenham". Terá ou não terá, pouco importa, mas a verdade é que durante uns quantos dias num resort privado em Marbella, e por entre o maior secretismo, os "bês" do Benfica representaram o papel do Tottenham numa série de treinos de conjunto com os futuros campeões da Europa.
No início da semana, à laia de curiosidade ilustrada, o Liverpool publicou no seu site o vídeo da jogada que deu origem ao penálti com que inaugurou o marcador em Madrid e o vídeo de uma jogada dos treinos com o Benfica B, uma jogada idêntica em todos os pormenores à que ocorreu em Madrid e que termina, igualmente, com uma mão na área e um penálti para o Liverpool. Pepijn Lijnders, o adjunto de Jürgen Kloop que passou pela formação do FC Porto, deu a sua opinião sobre a flagrante similitude entre o lance do treino em Marbella e o lance do jogo em Madrid: " se olharmos para ambos, podemos ter a certeza de que há muito trabalho feito antes. O jogo com o Benfica B foi um excelente exemplo disso. Treinamos para ter identidade. Quando temos identidade, os jogadores pensam de forma igual ao mesmo tempo", explicou Lijnders.
Também Renato Paiva ficou impressionado ao ver a jogada que conduziu ao primeiro golo do Liverpool. " É incrível a semelhança, não sei se alguma vez, como treinador, estarei numa final da Liga dos Campeões, por isso foi uma oportunidade para estar um pouco mais perto desse ambiente e ver como uma grande equipa se prepara para uma partida dessas", confessou o treinador português. 
Esta notícia tão amplamente documentada pelo Liverpool deixou, naturalmente, os adeptos do Benfica vaidosos por ter sido escolhida a variante B "made in Seixal" como produto de teste para a final da mais importante competição de clubes. Agora resta-nos decidir se a vitória do Liverpool conta como vitória do seu colaborador Benfica na Liga dos Campeões ou se, antes pelo contrário, o que conta para o Benfica, que "fez" de Tottenham nos treinos, é mais uma derrota numa final europeia tendo em conta que o Tottenham sucumbiu em Madrid.
Ora aqui está um tema que, bem espremido, daria para uma série acalorada de educativos programas de televisão."

Benfiquismo (MCCV)

O André a disputar uma bola imaginária...!!!
O Rafa quer ir para o duche e está com pressa... e está com medo de ir sozinho!!!
O puto está a apreciar as bandarilhas que acabou de enfiar no dito cujo!!!