Últimas indefectivações

terça-feira, 31 de outubro de 2023

Faça-nos sonhar novamente


"Este fim de semana ganhou visibilidade nas redes sociais o vídeo de uma adepta do Benfica a reagir furiosamente ao empate concedido em casa contra o Casa Pia. A senhora, apenas mais uma Benfiquista anónima entre os quase cinquenta e oito mil que se deslocaram à Luz no sábado, é abordada por um repórter e depressa se lança num monólogo em que manifesta o seu descontentamento com tudo o que acabou de ver. Já todos vimos isto muitas vezes, mas, se forem como eu, desejam que a ingenuidade recaia num adepto do Sporting ou do FC Porto furioso com um resultado menos bom. Aquele momento é um dos lugares comuns do futebol, uma armadilha bastante previsível.
O repórter está no meio dos adeptos, mas é como se fosse um tripé, ou um agente camuflado. Suspeito que naquele momento o adepto, inebriado com a má exibição da sua equipa, vê apenas um microfone, reconhece o logotipo de um canal de televisão, pensa para consigo mesmo que o país precisa de saber a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade, pergunta a cerca de zero pessoas à sua volta se é mesmo boa ideia aproximar-se daquele microfone, e é então que assume, ali e naquele exato momento, que deve verbalizar tudo o que sente para o máximo número de pessoas. Neste caso, como quase sempre acontece, o resultado foi um comício ruidoso que evidenciou uma série de ideias pouco organizadas e alguns impropérios escusados, por entre vários sentimentos legítimos. Tudo somado, o órgão de comunicação social ganhou um conteúdo muito partilhável entre adeptos de todas as cores clubísticas, e especialmente popular entre os adeptos do Benfica.
Horas depois de este vídeo surgir nas redes e inundar o meu WhatsApp, comentava com um amigo que este espectáculo não é bom para o Benfica e apenas expõe o clube, exacerba as suas fragilidades. A resposta não é fácil de desarmar. À falta de melhor oralidade, explicava este meu amigo, aquela adepta manifestou o que muitos de nós estão a sentir, aquela sensação de algo atravessado na garganta: as coisas não estão bem. E talvez aquela manifestação menos polida, de alguém que não preparou tudo o que ia dizer mas sabia exatamente o que estava a sentir, contenha uma verdade inegável. Há uma impaciência no ar, e a proverbial espera pelo próximo jogo que deveria esclarecer este equívoco e iluminar o caminho tem saído frustrada.
A cada jogo menos bom, as certezas acumulam-se acerca do desempenho da equipa. Se há uma semana defendi que a necessária fase de adaptação tinha chegado ao fim, o que dizer então dos resultados e, ainda mais importante, das exibições que se sucederam?
Há muito tempo que o Benfica parece ser uma equipa que os adversários já toparam e conhecem a léguas. Lamentavelmente, a única pessoa para quem isso não parece ser cristalino é Roger Schmidt, que continua a fazer pouco para introduzir novidade ou surpresa na abordagem aos jogos. Sejamos claros: não obstante as lesões, inadaptações e alguns já óbvios erros de casting, o plantel do Benfica continua a ter ingredientes mais do que suficientes para que se possa criar outro equilíbrio coletivo, nomeadamente através de um sistema de jogo que proteja mais a equipa nas transições defensivas. Mas não é só isso: o plantel do Benfica tem também opções suficientes para que se possa criar alguma surpresa nas dinâmicas ofensivas — de preferência surpresas que não envolvam o Aursnes numa nova posição em campo. Dessa surpresa penso que já estamos todos algo cansados.
Não resolve tudo, mas é um começo. Quando tanta coisa parece falhar nesta equipa, as palavras ajudam. Permitem compreender o que alguém pensa, porque é que fez o que fez, o que se está a passar, para onde quer ir, e se a vontade continua lá. Se a isso juntarmos o contexto — no caso, uma capacidade previamente demonstrada para comunicar com os adeptos — é fácil compreender porque é que hoje as palavras de Roger Schmidt são mais sinónimo de preocupação do que de inspiração. Admito que parte desta leitura seja intuição minha, mas não vejo em Roger Schmidt um treinador com a fome da época passada, e também não vejo os jogadores com esse apetite. Partilho um exemplo que me parece paradigmático. Sempre que assisto a uma fase de maior permissividade ou entorpecimento da equipa, lembro-me do sexto golo em Israel na época passada. Foi um dos melhores momentos do Benfica nos últimos anos, e um dos raros momentos de um jogo do Benfica em que me lembro de observar uma equipa que parecia querer mais o golo seguinte do que os próprios adeptos. Foi uma sensação estranha e entusiasmante. Queremos sempre que os que vão a jogo sofram como nós, mas é difícil ver isso refletido em cada ação da equipa. Aquela equipa sabia que tinha o jogo mais do que ganho e nem por isso deixou de acelerar, como se todos estivessem sob o efeito do mesmo princípio ativo e inebriante. Sei que muita coisa mudou desde então, mas apetece-me perguntar: onde anda esse sentimento hoje? E até que ponto somos capazes de voltar a esse lugar mental, físico e tático em que muitos destes jogadores já estiveram?
Compreendo que Roger Schmidt seja alguém que prefere basear-se na realidade e nos factos, comunicando apenas aquilo que vê, por muito fria que seja a leitura (ou deselegante para alguns jogadores, já agora). Eu percebo e não peço necessariamente a Schmidt que me tente enganar quando vai à sala de imprensa. Ele é o que é. E talvez o tempo da conversa já tenha terminado. Não tendo nada de particularmente inspirador para dizer nesses momentos, então é absolutamente fundamental, e cada vez mais urgente, que o futebol da equipa volte a falar por ele e nos faça sonhar novamente.
Chegou a hora de Roger Schmidt mostrar que a nossa história em comum ainda vai a tempo de um final feliz."

O problema é Schmidt


"Na mesma semana, sofrer a terceira derrota na Liga dos Campeões e empatar com o Casa Pia na Luz, depois de promessas de mudança por parte de Roger Schmidt, enervou associados e simples adeptos, suscitou reações de desagrado e convidou a balbúrdia a subir ao palco.
Na época de estreia do treinador alemão, o Benfica foi campeão nacional e chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões. Na presente temporada, conquistou a Supertaça, depois de, a 31 de março último, ter sido anunciada a prorrogação do seu contrato, com validade até 2026. Na altura, nenhuma voz discordante se ouviu, pelo contrário, notícias avulsas que davam conta de vários interessados nos serviços de Schmidt, inclusive a Federação alemã, terão pressionado Rui Costa a estender a ligação contratual com substancial aumento salarial.
Provavelmente, muitos dos que se insinuam junto da área presidencial e aplaudiram a decisão tomada, estarão agora na primeira linha de contestação, porque é mesmo assim, pensam e agem somente em função dos resultados.
Rui Costa não vai cair nesse erro e foi com entusiasmo que a massa adepta, principalmente a mais antiga, testemunha dos tempo gloriosos, o ouviu afirmar que não alimentar o sonho da Champions, «num clube desta dimensão e grandeza», seria uma estupidez.
É este pensamento de infinda ambição que ele pretende ressuscitar. Podem troçar os adversários com os fracassos da águia, o que é normal em ambiente de tacanhas rivalidades, mas o desafio está lançado. O Benfica tem de recuperar o seu estatuto de grande europeu, de fortalecer a sua independência, de seguir pelo caminho por si definido e de não se deixar tolher por abalos circunstanciais, tão frequentes em futebol, como o que se lhe depara, em que Schmidt passou a ser o problema.
Não conheço o medicamento para tratar as debilidades da águia, mas sei que precisa de apoio urgente ao nível de mudanças estruturais, para que «o Benfica volte a ser uma equipa, o que na realidade não é», como escreveu Vítor Serpa, no seu editorial de ontem, em A BOLA. O treinador alemão está de acordo e reconhece que é preciso jogar com mais intensidade e com «uma grande ligação entre os jogadores». Então, por que misteriosa razão isso não acontece, quando foi com base nessa solidez coletiva que residiu o segredo do sucesso na última época?
Dizer que perdeu jogadores importantes e que os que chegaram, também importantes, segundo Schmidt, ainda não estão ao nível que podem ter, nem estão enquadrados do ponto de vista tático, é uma desculpa de mau pagador porque, que se saiba, foi ele quem os escolheu, e se não foi pelo menos deu a sua concordância.
O que se sabe é que o clube foi generoso a pagar para tão fraco retorno, até agora. Preencher a lateral esquerda com dois reforços, um muito verde e outro a cair de maduro será responsabilidade de quem? E a falta de um substituto para Bah? Aursnes resolve. E resolve bem? Saiu Gonçalo Ramos, um bom negócio, mas os que estavam, mais o que chegou, não dão garantias porquê? De repente, emergiu a ideia de o Benfica ter ficado sem equipa, quando não é verdade, pelo contrário.
Perdeu Enzo Fernández, o grande comandante, e, até ver, Kokçu não passa de uma imitação barata do argentino. Eis a causa do colapso, que é preciso resolver, com recurso a outro esquema tático, porque este que Schmidt desenhou está fora de prazo. No entanto, para não dar o braço a torcer, foi astuto em inventar um caso alternativo e desviar o foco do essencial. Sacrificou Florentino com o argumento de que esta época está a ser diferente porque tem «outras opções nesta posição», sem especificar se são melhores opções. Imagino a tensão do jovem quando entrou em campo para defrontar o Casa Pia depois do atestado de desconfiança que recebeu do treinador, injustamente.
Diogo Luís, no seu espaço de opinião deste domingo, também em A BOLA, aludiu a algumas declarações de Schmidt «no mínimo estranhas», e deu como exemplo aquela em que referiu ser difícil «fazer melhor do que no último ano».
Não estou de acordo. Quem disse o que disse quando chegou ao aeroporto de Lisboa, que quem ama o futebol, ama o Benfica, prova de que preza o valor da palavra. Faz declarações que podem parecer estranhas, mas não são. Schmidt domina a técnica de comunicação. Sempre no mesmo registo, sem se expor e confortável pelo facto de ter dificuldade em expressar-se em português. Ele avisou quando chegou, prometeu fazer um esforço e nós continuamos à espera, sentados…
Rui Costa quer o melhor para o clube a que preside e a nação benfiquista acredita nele. Está preocupado, mas não tem de desculpar-se por a equipa jogar mal, nem de dar conversa às minorias organizadas que vegetam nas redes sociais e se julgam com importância.
Roger Schmidt está a desenvolver o seu trabalho com pouco brilho, mas com saldo positivo. A Liga dos Campeões já se foi, mas há ainda o desvio pela Liga Europa. A nível interno, ganhou a Supertaça e mantém intactos os restantes objetivos desde que não insista em impor um desenho tático que é um tormento para os seus jogadores e um rebuçado para os opositores."

Fernando Guerra, in A Bola

VAR, um processo em movimento


"O protocolo do VAR vai sofrer alterações, necessárias, mas ainda assim insuficientes

A introdução da tecnologia na arbitragem do futebol é um processo recente, que continua a carecer de aperfeiçoamento, não só no que respeitas aos intérpretes diretos - quem se senta na cadeira do VAR - mas também às inovações técnicas que vão permitindo metas mais ambiciosas, e, sobretudo à definição clara daquilo que se quer para termos um jogo positivo, onde cada vez mais se erradiquem erros de arbitragem que podem comprometer a verdade desportiva.
Por estarmos perante um processo em constante movimento, o IFAB acabou de nomear uma Comissão que se debruçará sobre problemas concretos, sendo plausível que algumas inovações venham a ser aplicadas já no Campeonato da Europa de 2024. O IFAB (International Football Association Board), fundado em 1886 pelas Federações de futebol do Reino Unido, só permitiu a entrada da FIFA (fundada em 1904) a partir de 1913, e só em 1956 ficaram estabelecidas as regras, que ainda hoje vigoram, no que concerne às alterações das leis do jogo. Assim, Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte têm direito a um voto cada, cabendo à FIFA quatro votos; porém as propostas de mudanças nas regras do futebol só serão validadas se obtiverem um mínimo de seis dos oito votos existentes.
Ou seja, mesmo que a FIFA pretenda ir numa determinada direção, terá de contar sempre com o apoio de pelo menos duas federações britânicas. Foi neste contexto que foi dado o salto quântico (e para muitos surpreendente, atendendo ao conservadorismo histórico do IFAB) que foi a introdução do VAR, e é nestes mesmos termos que irão seguir-se, para já, ao que parece, alguns retoques. O que está em cima da mesa da Comissão agora formada passa pelas perdas de tempo dos guarda-redes - só podem ter a bola na mão durante seis segundos, mas os árbitros não têm sido rigorosos na aplicação dessa norma - e ainda pelo comportamento cívico dos intérpretes, dentro e fora do campo, que deverá ser escrutinado com maior severidade.
Nada a opor a estas alterações, que vão no bom sentido, mas que não deixam de saber a pouco. Outras questões, como a avaliação pelo VAR dos segundos cartões amarelos, ou acelerar-se o processo, inevitável, de criar um sistema de cronometragem eletrónica, seriam, creio, de maior utilidade para o que é pretendido para o tal futebol mais positivo e mais justo do futuro."

A (in)capacidade do futebol


"Ninguém terá dúvidas de que estes são tempos desafiantes para a maioria das pessoas. Essa verdade não termina nas fronteiras com Espanha: estende-se para lá delas, atingindo os quatro cantos do globo mas de forma nem sempre transversal. O surgimento da pandemia terá sido o momento que marcou o início visível dessas dificuldades, que o impacto de conflitos armados posteriores (primeiro na Ucrânia, depois no Médio Oriente) e algumas catástrofes naturais vieram apenas agravar.
A insegurança global cresceu e até o mercado imobiliário enlouqueceu, os ordenados não acompanham a insanidade dos preços e assim é difícil que muita gente de bem consiga manter vida digna. O futebol, atividade universal e escape perfeito para muitas dessas dores, não parece ter força para evitar as consequências desta fase tão conturbada.
Claro que the show must go on e o jogo, da formação aos profissionais, dos amadores aos veteranos, continua a ser um espetáculo fantástico, jogado e treinado por pessoas competentes e acompanhado, com entusiasmo e paixão, por muitos e bons seguidores. Mas é impossível que evite totalmente a influência perversa destes tempos.
Um dos maiores exemplos tem a ver com a forma como a indústria não consegue, como sempre tentou, vedar a influência da política ou religião nas suas fronteiras: são várias as equipas com conflitos históricos (como acontece com clubes deslocados das suas cidades ou com antagonismos ideológicos entre equipas do mesmo país) e muitos os jogadores de topo chamados à atenção ou até castigados por assumirem posição em relação a temas estruturantes. Neste caso, vale a pena perguntar: até que ponto pode o futebol impedir os seus principais ativos de exercerem o seu direito à opinião? Afastar, sancionar, punir alguém por defender algo em que acredita... será legítimo? Será justo?
Este futebol, o nosso, o do politicamente correto, o que caminha lado a lado com as tendências destes dias, é o mesmo que assiste impotente a sucessivas manifestações de racismo, xenofobia e extremismo, um pouco por todo o lado. É o mesmo que se mostra incapaz de combater eficazmente atos de violência em vários locais, inclusivamente em cidades onde se disputam grandes competições internacionais. É o mesmo que testemunha atos tresloucados que vitimam adeptos que queriam só apoiar a sua seleção num país estrangeiro. É também o mesmo que não consegue impedir meia dúzia de energúmenos de agredirem à pedrada equipa que estava junto ao estádio do adversário.
Não é tudo mau, pelo contrário, mas as conclusões parecem-me evidentes: por muita força, beleza e qualidade que tenha (e tem), a indústria do futebol jamais conseguirá afastar comportamentos, gestos e atitudes provocadas por fenómenos bem maiores do que ela. O futebol é mágico mas não faz milagres.
Eu que o diga, que há uns anos valentes arbitrei um jogo (que não chegou ao fim) entre Azerbaijão e Arménia (qualificação para o Europeu de sub-19). A partida foi interrompida devido à invasão de adeptos dos dois países, que trocaram graves agressões entre si. Agressões que se estenderam aos jogadores dos dois emblemas. Um jogo disputado em campo neutro (Chipre) e cujos efeitos prolongaram-se até ao hotel onde estávamos hospedados.
É certo que não há muito que se possa fazer para impedir algumas atrocidades e respetivas ações/reações, mas há sempre qualquer coisa para tentar. O melhor é continuarmos a insistir nas boas práticas, apelar à paz, ao desportivismo, e ensinar pelo exemplo: a conduta dos agentes desportivos tem que ser sempre um modelo de referência para o melhor que se pode esperar no desporto. Nunca o contrário.
Para bélico já chega o clima exterior."

A Verdade do Tadeia #2024/62 - Aursnes, Messi e o Sporting na frente

Terceiro Anel: Diário...

Mata Mata #13 - 9ª Jornada da LP (com alguma azia à mistura), Bernardo Silva e a Bola de Ouro (do Messi), City, etc.

ESPN: Futebol no Mundo #281 - Bellingham e Haaland decidem os clássicos na Espanha e na Inglaterra

Quezada: Diário...

3x4x3, excerto...

Titulares, excerto...

João...

Objetivo...

Vale empurrar?!

Tudo normal!

Perspectivas... esverdeadas!

Mais uma vez... os beneficiados são sempre os mesmos!

Na última época, apanhou Amarelo de propósito para não jogar contra a sua equipa...

O costume...


"Até num jogo a feijões contra uma das filiais que lhes garante 6 pontos por época precisam de ser beneficiados. Um penálti por assinalar e um cartão vermelho por mostrar. E assim vão passeando, jogo após jogo, condicionando os árbitros a bel-prazer.
Hoje não há Dragão News. 🙃"

Benfica FM #251 - Casa Pia...

Visão S05E10 - Semana Terrível

RND - Carrega #31

5 minutos: Antevisão - Arouca...

Terceiro Anel: Diário...

Golaço #162 - Quelles sont les causes du cycle négatif de Benfica ?

Falsos Lentos - S04E08

Chuveirinho #47 - Schmidt tem hora limite?

O Futebol é Momento - S02E13 - Schmidt fica?

A Verdade do Tadeia #2024/61 - O momento do Benfica e a TV na Champions

A Verdade do Tadeia - Flash - FC Porto...

Benfica, urgência de ser equipa


"Alguns atacam, alguns defendem, mas nem todos jogam. É isso que Schmidt terá de resolver

Em nove jogos para o campeonato, o Benfica perdeu um, no Bessa, e empatou outro, em casa, com o Casa Pia. Marcou mais de dois golos por jogo e sofreu menos de um. Não é, propriamente, um desastre. Portanto, o que pode justificar o sentimento geral no povo benquista de que a equipa está em sério risco de não cumprir nenhum dos objectivos principais para esta época, apesar de já ter vencido o único título até agora disputado: a suportada?
Admito que para Roger Schmidt a questão seja despropositada e desproporcionada. É um treinador pragmático que tem dificuldades conhecidas na explicação filosófica e na contextualização dos problemas. Para ele, tudo é preto ou branco. O Benfica não marca golos que cheguem para ganhar os jogos porque ainda procura «o homem certo para o ataque» e porque a equipa tem de trabalhar melhor para finalizar com mais eficácia. Porém, não são essas as questões que os observadores mais atentos querem colocar.
Há um contexto global que indica este Benfica como uma equipa a anos luz de distância do Benfica da época passada. No nível exibicional, a diferença é da escuridão das noites de inverno para a luminosidade dos dias de verão. Ao nível dos resultados, a questão é ainda mais evidente se considerarmos - e não vejo como não considerar - o assinalável sucesso da época europeia do ano passado e o estrondoso fracasso que tem marcado esta época, de uma forma, aliás, traumatizante. Assim, quando os benfiquistas acenam com lenços brancos das bancadas preenchidas com quase sessenta mil adeptos em estado de apreensão coletiva, não significa que estejam a pedir a cabeça do treinador por ter uma derrota e um empate no campeonato, continuando, aliás, na linha da frente da classificação.
Os adeptos são algo irracionais, mas não tanto. Significa, sim, que na linha do que o Benfica tem produzido internacionalmente é óbvio entender-se que, sem mudanças significativas, não haverá Benfica que chegue para repetir o título da época passada. E de que mudanças falamos. De jogadores, como já justificou Schmidt? Não. As mudanças urgentes são estruturais e implicam, muito simplesmente, que o Benfica volte a ser uma equipa, o que na realidade não é. Há alguns que atacam, alguns que defendem, mas nem todos jogam."

Sobre o custo-benefício do ‘nosso’ Mundial-30 e a sensação de ingratidão


"Ana Catarina Mendes, ministra que tutela o Desporto, quando questionada no parlamento, na última semana, sobre as perspetivas custo/benefício da co-organização do campeonato do Mundo de 2030, manteve a sobriedade e o recato, e não quis alongar-se demasiado sobre a matéria, por prudência, atendendo a que faltam ainda seis anos e sete meses para o kick off, no estádio Centenário em Montevideu, palco de dez jogos, um século antes, do primeiro Mundial da história. Porém, a governante deixou duas certezas: a primeira de que não será preciso construir novos estádios; a segunda de que o evento será financeira e infraestruralmente benéfico para Portugal. Ao contrário do que sucede com Espanha, que não organiza um grande evento de futebol desde 1982, ou de Marrocos, que nunca albergou um competição planetária, o nosso País foi sede do Euro-2004 e, do ponto de vista da edificação de estádios, está bem servido.
E, por mais que se aceite que era possível ter feito o Europeu com menos estádios (se o tivéssemos sugerido, a organização teria sido entregue a Espanha, porque o maior trunfo argumentativo da candidatura portuguesa foi precisamente a renovação do parque desportivo), e ainda que em muitos casos houve uma megalomania que acabou em despesismo sem retorno (em vários estádios, nomeadamente Aveiro, Leiria, Coimbra e Algarve, era possível ter criado bancadas provisórias, como fez agora o Catar, evitando o sobredimensionamento que se tornou, ao longo das últimas duas décadas, evidente), a verdade é que organizar o Campeonato da Europa de 2004, seis anos depois da Expo-98, rasgou um País novo, mais aberto ao Mundo, e com resultados, intangíveis à altura mas que agora são mensuráveis, no boom turístico entretanto espoletado.

Custos razoáveis que são investimento
Co-organizar o Mundial de 2030, onde deveremos albergar entre 15 e 18 jogos nos estádios da Luz, Alvalade e Dragão, terá custos razoáveis, derivados, sobretudo, de novas infraestruturas para o País, exigidas pela FIFA, e constantes do caderno de encargos assumido pelo Governo, nomeadamente ao nível da ferrovia e demais transportes públicos, por estrada ou por ar, da capacidade hoteleira e da fiabilidade do sistema de saúde.
Ao contrário de Marrocos, que se prepara para gastar 500 milhões de euros num só estádio, em Casablanca e que irá desenvolver outros projetos, em várias cidades, ou de Espanha, que entretanto já viu Real Madrid, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao e agora Barcelona com novos ou remodelados estádios, mas vai investir noutras localizações, Portugal deverá centrar esforços num tipo de modernização que aproveitará a todos, sendo o Mundial apenas um pretexto para as coisas serem feitas em tempo útil (e sabe-se como, sem prazos, Santa Engrácia continuará a andar por aí, como aconteceu durante décadas com o Alqueva, ou sucede, quase desde o tempo em que Gago Coutinho e Sacadura Cabral atravessaram o Atlântico Sul, com o novo aeroporto de Lisboa).
Mais uma nota, que é relevante: haverá uma obrigatoriedade de proporcionar condições de treino às seleções que por cá vão atuar. Que já estão feitas, e são de nível mundial, em Alcochete, Seixal, Olival ou Braga, além de estádios que podem ser incorporados neste esforço, e que acarretarão despesas irrelevantes. Aliás, optar por não rentabilizar, neste contexto, as infraestruturas desportivas existentes, seria um ato, no mínimo, de gestão danosa…
Mas, apesar da prudência de Ana Catarina Mendes perante o parlamento, será possível fazer, desde já, contas ao Mundial português de 2030? Tentemos, socorrendo-nos dos números que têm sido avançados em Espanha, e procurando adaptar a realidade deles à nossa, numa escala de um para quatro, ou seja, dividimos por quatro o que nuestros hermanos projetam para o seu próprio país.

Prever Portugal através da Espanha
Esperam os espanhóis gastar (à data de hoje, e a verdade é que estas realizações acabam sempre inflacionadas, por cá e nos outros países…) 1430 milhões de euros com o Mundial. Digamos, então, que Portugal despenderá de 350 milhões para cumprir a sua parte (embora a ferrovia espanhola seja boa e a nossa não, o que nos acarretará maior investimento, e, por outro lado, que os nossos vizinhos tenham de gastar mais em estádios do que nós).
E que impacto positivo antecipa Espanha? Apenas dez mil milhões de euros, entre alojamento e gastos dos turistas do futebol. Seguindo a mesma lógica, podemos estar a falar de 2,5 mil milhões para Portugal que, segundo os números espanhóis, terá um acréscimo de 26 mil novos empregos e um aumento do PIB na ordem dos mil milhões.
Mas, e aqui voltamos à discussão de 1998 e de 2004, onde mentes de vistas curtas fizeram contas de merceeiro (com o devido respeito para a classe), não nos podemos esquecer de acrescentar os lucros intangíveis, provenientes da visibilidade acrescida de Portugal a nível planetário, e da importância que terá no futuro, em todas as áreas.
Não é por acaso que, quando há um grande evento, os candidatos se multiplicam. É que cada vez, especialmente a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles-84 e, dez anos depois, do Mundial de futebol realizado nos Estados Unidos, estes eventos passaram a ser, em boa parte por causa dos direitos televisivos, que hoje em dia transcendem em muito as plataformas tradicionais, mas também devido a uma mobilidade turística cada vez maior, fruto de fenómenos como as companhias low cost ou os Airbnb, uma árvore das patacas que todos querem abanar.
Faltará falar da importância que Fernando Gomes e a sua equipa — e de Tiago Craveiro, que continua a ser inestimável mais-valia — tiveram na negociação política de um processo que chegou a ter a Ucrânia como partner, e acabou por dar xeque-mate à concorrência com a inclusão (justificada histórica e geograficamente) de Marrocos. Não é o futebol português, ou os adeptos de futebol, que lhes devem estar gratos, é o País no seu todo, que volta a ter oportunidade para dar um salto quântico no crescimento.

Será que o Estado podia fazer melhor?
E é aqui que fica na boca um travo amargo a ingratidão do Estado face ao futebol, que é traduzido numa carga fiscal redutora, que nos deixa em desvantagem concorrencial com os nossos pares externos. Devia ser mais do que tempo para o Governo (e já não será neste Orçamento de Estado para 2024) olhar menos para o politicamente correto, ou para o que poderá sair dos residentes nalgumas capelinhas, que vivem e falam em circuito fechado, sem o impacto nacional que muitas vezes lhes é indevidamente creditado, e fazer justiça fiscal ao futebol, que, apesar de culpas próprias e comportamentos censuráveis e lamentáveis (e o futebol, nesse particular, será pior que a banca, a política ou a construção civil, ou, ao invés, apresenta os mesmos defeitos e virtudes da restante sociedade?), serve para umas coisas e não serve para outras…

Direito a um pouco de especulação
Como estará o futebol português em 2030? Terá acontecido algum milagre suscetível de parar a queda dos clubes nacionais no ranking da UEFA? Uma coisa pode ser dada como garantida, atendendo à forma como a formação é cuidada no nosso País: nos próximos anos, até ao Mundial, vão emergir novos talentos, que irão disputar um lugar no onze luso. Porém, se nos quisermos manter no âmbito dos futebolistas que já conhecemos, seria possível antecipar uma equipa assim (entre parêntesis a idade em 2030), em 4x3x3: Diogo Costa (30); Dalot (31), António Silva (26), Gonçalo Inácio (28) e Nuno Mendes (28); Florentino Luís (30), Daniel Bragança (31) e João Neves (25); João Félix (30), Gonçalo Ramos (28) e Rafael Leão (30).
E aos novos, que não antecipamos quem possa entretanto dar o salto, embora seja certo e seguro que muitos o farão, ainda podemos acrescentar jogadores quem em 2030 serão mais veteranos, mas nada que se compare com Pepe ou CR7: Rúben Dias (33), Bruno Fernandes (36), Bernardo Silva (35), João Cancelo (36), Diogo Jota (33), Pedro Neto (30) ou José Sá (37).
O futuro é já ali, e 2030 é um bom ano para agarrá-lo…"

O que pode mudar nas leis de jogo do futebol em 2024/25


"O International Board (IFAB), conhecido como o guardião das leis de jogo no futebol mundial, voltou a reunir na passada quinta-feira.
Desta vez o seu painel de aconselhamento técnico (composto maioritariamente por individualidades com conhecimentos técnicos apurados, como ex-árbitros e ex-jogadores) debruçaram-se sobre possíveis melhorias em relação a vários questões sensíveis.
Três ou quatro temas deverão merecer atenção particular na reunião geral do próximo mês de março, altura em que geralmente são aprovadas as alterações às leis para a época seguinte.
A questão do tempo útil voltou a estar em cima da mesa. As perdas de tempo deliberadas e as táticas antidesportivas geralmente utilizadas para quebrar o ritmo de jogo foram discutidas ao pormenor, por continuarem a ser um problema visível para todos.
É entendimento daquele grupo que devem ser encontradas soluções mais eficazes para tentar erradicar com esses expedientes de vez. Entre as medidas que podem ser equacionadas, estão a aplicação mais rigorosa da regra dos "seis segundos" (relativa à posse de bola dos guarda-redes), as ações a tomar em relação a atrasos ostensivos nos reinícios de jogo e ainda a gestão mais eficaz das lesões (nomeadamente na sua avaliação, entrada das equipas médicas/macas e transporte de jogadores lesionados para o exterior do terreno).
É provável que existam novidades nessa matéria para 2024/25.
Além disso, voltou-se a falar dos comportamentos de técnicos e jogadores, sobretudo em relação às palavras, gestos e atitudes antidesportivas, que aumentaram exponencialmente um pouco por todo o lado.
O painel chegou à conclusão que é necessário travar a onda crescente de manifestações de intolerância em campo (que influenciam negativamente o ambiente cá fora), dando ao árbitro mais poder para intervir e agir, em modo "tolerância zero".
Em alguns casos, poderá por exemplo ser incrementada a medida de que apenas os capitães de equipa se poderão dirigir ao juiz do encontro, sendo os únicos interlocutores da equipa. É também expetável que surjam outras opções capazes de diminuir/combater esse fenómeno.
Mas a medida que mais suscitou interesse e que foi amplamente discutida foi a criação de uma comissão para analisar o atual "Protocolo VAR" e perceber para onde deve (ou não) evoluir.
Este é um tema que o mundo do futebol discute há algum tempo, sobretudo devido aos erros de análise que continuam a ser cometidos na era pós-tecnologia e à incoerência de algumas intervenções, ora mais assíduas, ora demasiado ligeiras.
Não me parece que seja fácil criar o equilíbrio perfeito entre o apoio que a ferramenta pode dar e a manutenção da dinâmica e emoção do jogo, mas pode ser possível evoluir para um patamar em que essa ajuda possa aumentar para cada um de nós a perceção de que a verdade desportiva está efetivamente a acontecer dentro das quatro linhas.
Por esta altura, há uma coisa que me parece evidente: a intervenção do VAR em lances de pura interpretação (os chamados lances subjetivos) dará sempre mais controvérsia do que paz ao jogo.
As entradas no limite (amarelo/vermelho) ou os lances cinzentos na área (penálti/não penálti) jamais terão decisões inatacáveis que agradem a gregos e troianos. Fará sentido o recurso à tecnologia quando ela não garante, para todos, o acerto inequívoco da decisão?
Já se cingida a lances puramente factuais e indiscutíveis, o número de paragens na partida seria inferior e a discussão sobre a justiça da decisão final deixaria de existir, face à sensação de justiça que seria reposta no imediato.
Não seria interessante pensarmos nisso?
Compreendo que seja frustrante haver um instrumento de qualidade que possa corrigir outros erros menores em campo, mas se o seu uso acarretar mais paragens e ruído do que entusiasmo e aceitação... valerá mesmo a pena?
Mas nestas coisas não há verdades absolutas e o melhor mesmo é esperarmos pelos próximos capítulos.
Certo, certo é que o futebol é um espectáculo fascinante e que merece ser tratado com muito cuidado por parte de todos os que têm a responsabilidade de o tornar num espetáculo verdadeiro, apelativo e excitante."

Segundo Poste...

segunda-feira, 30 de outubro de 2023

Mais uma vitória...

Benfica 3 - 0 Esmoriz
25-14, 25-23, 25-20

Recordo que o Esmoriz é uma das melhores equipas, logo a seguir à Fonte e ao Sporting...

Ainda é cedo, o grande teste na minha opinião será na Europa (e depois nos play-off's...), mas creio que acertámos nos reforços: Banderó e Eshenko estão a acrescentar...

Empate em São Miguel...

Santa Clara 1 - 1 Benfica
Cauê


Ponto importante, fora de casa, contra um dos candidatos à subida...

Vitória sobre o Vitória!

Setúbal 20 - 34 Benfica
10-12

Ontem, no meio da azia do empate do futebol, 'esqueci-me' que no andebol, ganhámos em Setúbal!

Mais uma secção atingida pelas lesões desde do início da época, agora foi o Djordjic, que ficará fora nas próximas semanas!

Bruxedo?!


"O Sport Lisboa e Benfica esclarece a situação clínica dos seguintes jogadores da equipa de futebol profissional.

INFORMAÇÃO CLÍNICA
Bah: edema ósseo do segundo metatarsiano do pé esquerdo
Kökcü: fascite plantar do pé direito
Neres: lesão do menisco interno esquerdo
Musa: amigdalite bacteriana"

Empate com o Casa Pia


"O resultado (1-1) com o Casa Pia na Luz penaliza a ineficácia da equipa que, em situação de vantagem, não conseguiu garantir os três pontos. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Frustração
Roger Schmidt não esconde o sentimento de frustração na sequência do empate a uma bola, na Luz, com o Casa Pia: "Estou muito frustrado, porque queríamos vencer o jogo. Queríamos realizar um bom desempenho, e penso que começámos bem, praticámos bom futebol. Criámos oportunidades, mas não tivemos eficácia para marcar mais golos, e na defesa cometemos dois erros grandes. A equipa tentou tudo para marcar o segundo golo. Há que trabalhar e melhorar em termos individuais e coletivos."
O treinador do Benfica deixou uma palavra de apreço aos adeptos: "Foram fantásticos, apoiaram-nos. Estão tão frustrados como nós, porque querem ser campeões, tal como nós."

2. Desilusão
Aursnes revela o estado de espírito da equipa após o empate: "É um resultado muito desapontante. Queríamos ganhar, teríamos ficado na liderança. Devíamos ter 'matado' o jogo e não os deixar entrar na partida."

3. Casas em força na Luz
O Jogo das Casas bateu recordes de presença das embaixadas do Benfiquismo na Luz. 132 estiveram e desfilaram na Catedral.

4. Na Ronda de Elite
O Benfica está na Ronda de Elite da Liga dos Campeões de futsal. O apuramento foi obtido ao ganhar, por 1-8, ao Dobovec.
Mário Silva salienta o desempenho de acordo com o pretendido: "Conseguimos, de uma forma competente, alcançar os nossos objetivos, que passavam pelo apuramento para a Ronda de Elite em 1.º lugar no grupo."

5. Restantes resultados
Em andebol, triunfo nos masculinos na deslocação ao Vitória de Setúbal (20-34) e, nos femininos, na receção ao SIR 1.º de Maio (46-31). Em basquetebol, vitória sobre o Imortal, por 103-58. A equipa feminina de futsal ganhou na visita ao Nun’Álvares, por 1-2. No hóquei em patins (feminino), três pontos conquistados no reduto da APAC Tojal (2-5). E, no voleibol, vitória, por 0-3, no pavilhão da AA Espinho.

6. Várias partidas agendadas
A equipa B visita o Santa Clara, às 15h30 (14h30 locais). Às 17h00, embate com o Esmoriz, na Luz, em voleibol. As equipas femininas de basquetebol e voleibol também jogam na Luz, respetivamente às 15h30 e 21h00."

Tailors #15 - António Simões

Schmidt está perdido nos que 'têm de jogar'


"O empate com o Casa Pia, depois das três derrotas na Liga dos Campeões, confirma apenas os sinais negativos já identificados no modelo benfiquista, e que, se nos oferecermos um pouco mais de distanciamento para que se vislumbre todo o cenário, percebemos que virão desde o final da última época. Terão que ver, sobretudo, com a perda gradual de confiança dos jogadores no processo, que se acentuou esta temporada com a escolha perfis diferentes e uma interpretação errada por parte de Schmidt de que era momento para apontar a um registo mais ofensivo, mesmo em cima de terreno pouco firme, depois da perda de jogadores até aí sido nucleares – por escolha sua, Florentino, e não é o penálti cometido, que espelha a falta de ritmo e de confiança e, provavelmente, a necessidade de ter de voltar a mostrar-se útil, que me faz mudar de opinião; Gonçalo Ramos e Grimaldo, por questões de mercado.
É verdade que o Benfica ao atacar desequilibrado expõe-se demasiado defensivamente no momento do erro, mas também a forma como defende, sem o mesmo critério, impede que o ataque possa ser feito em qualidade e em número. Schmidt está neste momento perdido ‘nos que têm de jogar’ e as suas opções não estão a encontrar o equilíbrio, mesmo com a reentrada de Florentino. É preciso rever tudo, se é para manter a pressão alta e a contrapressão como princípios nucleares. O Benfica, neste momento, precisa de olhar para a forma como defende – que lhe dará unidades mais juntas também quando ataca – antes de dar o próximo passo.
Kokçu ‘tem de jogar’, porém Florentino, a meu ver, também. Tal como João Neves. Mas se o turco entrar não pode ser Rafa a fechar o meio, porque simplesmente não o faz. Aursnes é obrigatório, mas sobretudo no ataque: na esquerda, ajudará Jurásek na questão da largura ou combinará melhor com Bernat. No meio, tapará o corredor central, algo que o Benfica tem de privilegiar. Neves também o pode fazer, numa falsa posição 10. Ou Gonçalo Guedes, que poderá acrescentar depois a explosão que faltará ao jovem médio, ao mesmo tempo que contribui na pressão. Igualmente Di María ‘tem de jogar’, mas este Rafa indefinido terá mesmo? João Mário, por outro lado, também é importante. Já Musa é o mais parecido com Gonçalo Ramos.
Não há outra forma, Schmidt não pode continuar a fugir para a frente."

Os 7 pecados de Schmidt e Rui Costa


"É fundamental saber gerir as expetativas internas e externas, para que a pressão não se torne insuportável em momentos delicados

A época do Benfica não está a correr como o esperado. Se internamente os resultados vão disfarçando as más exibições, num contexto de maior dificuldade e equilíbrio, como a Liga dos Campeões, as fragilidades são mais expostas e a capacidade coletiva é colocada em causa. Existem alguns fatores que contribuíram para a atual situação do Benfica, e que distribuem responsabilidades, tanto pelo treinador, como pelo presidente.

1 - (Des)organização defensiva
Este é o primeiro pecado e aquele que deveria ter merecido maior atenção por parte de Roger Schmidt. No seu reinado, a equipa encarnada demonstrou sempre um ponto fraco: permite que os adversários explorem, com liberdade e tempo, o espaço existente entre a linha do meio-campo e o setor defensivo. Quando falha a primeira zona de pressão, a equipa fica muito exposta. Este é um problema que já existia na última época, mas que, este ano, está a ser exponenciado. Porquê? Porque a equipa perdeu capacidade de pressão coletiva ou organização na frente de ataque, algo que parecia estar bem rotinado no último ano. Outra justificação é que os adversários já conhecem a forma de trabalhar do Benfica e percebem como podem explorar este ponto fraco. Se os adversários percebem e exploram esta debilidade, a questão que devemos colocar é: por que motivo Schmidt não consegue melhorar o equilíbrio coletivo? Será que isto se resolve com a substituição direta de jogadores? Ou será que a equipa tem de melhorar os posicionamentos e a organização defensiva, tanto no momento de perda de bola, como em defesa posicional?

2 - Vlachodimos e expetativas
Este é outro aspeto que pode estar a ter influência na prestação do Benfica. Neste caso, não estão em causa a qualidade de Trubin ou as opções do treinador. O que está em causa é a forma como se justificou uma opção! A forma é importante, porque um balneário é composto por vários jogadores que entendem que devem jogar. A expressão nas costas dos outros vemos as nossas acaba por encaixar na perfeição. O treinador é soberano e podia ter decidido colocar Vlachodimos no banco, mas não da forma pública como o fez. Depois há ainda a gestão dos restantes jogadores. Repare-se em Morato: o Fulham ofereceu €25 M e demonstrou que o central iria ter preponderância num clube que joga numa grande liga. O Benfica recusou vendê-lo, com a justificação de que iria ser importante. A expetativa criada foi diferente do que está a acontecer e isso cria cisões. Não estou com isto a dizer que Morato deveria ser titular indiscutível, até porque António Silva e Otamendi estão bem, o que refiro é que o Benfica podia e devia ter três titulares que se pudessem revezar e evitar desgaste físico e emocional. Quanto melhores as opções, mais capacidade tem de ter o treinador para as gerir! Termino como comecei este ponto, a forma como se fazem as coisas faz toda a diferença na gestão de um balneário cheio de egos.

3 - Sucessão de Grimaldo
O Benfica já sabia que Grimaldo não ia continuar e teve tempo para ir ao mercado procurar uma boa solução. A opção recaiu em Jurásek. A expetativa é enorme, não só porque vem substituir um jogador que acrescentava muito em termos ofensivos, mas também pelo valor da transferência (€14 M). Refiro sempre que o caro ou barato depende do rendimento. Contudo, analisando as performances do jogador checo, vejo o seguinte: defensivamente não sabe fechar por dentro quando a bola está do lado contrário, tem muitos erros na abordagem de 1x1 pela forma como coloca os apoios. Ofensivamente não é um prodígio ou um jogador com uma técnica muito apurada e tem debilidades na receção de bola. Como ponto positivo, tem capacidade física para fazer todo o corredor e ainda é jovem, pelo que pode evoluir. A questão é que perante este cenário, e por €14 M, o Benfica deveria ter contratado uma solução efetiva e não um jogador que tem muito para melhorar, em vários aspetos. Aqui colocam-se as seguintes questões: perante estas características, o scouting do Benfica avalizou este jogador? Ou foi um pedido do treinador? Ou será que foi o presidente? A realidade é que Jurásek está a ser mais um problema, para todos, do que uma solução, incluindo para Roger Schmidt que não lhe tem dado a titularidade de forma regular e em jogos importantes.

4 - Saída de Gonçalo Ramos
Roger Schmidt teve o mérito de potenciar e fazer crescer Gonçalo Ramos. Apesar disso, internamente, muitos ainda desconfiavam do seu valor. A forma como o dossier foi gerido demonstra isso mesmo. Foi o único jogador de Seleção que não viu o contrato ser melhorado, mesmo tendo um enorme rendimento, o que demonstra o desejo que existia de vender o jogador. Analisando o plantel do Benfica, há três jogadores para a posição de avançado: Musa, que já estava no plantel e que demonstrou ser muito útil. Tengstedt, que custou €10 M e que nos faz questionar o motivo da sua aquisição, quando apenas teve uma época de nível interessante, no campeonato norueguês. Será que as caraterísticas que apresenta são assim tão interessantes e encaixam na forma como o Benfica pretende jogar, para ter sido feito um investimento desta dimensão? Foi o scouting, o presidente ou o treinador que identificaram este jogador? Será que vem fazer a diferença? Por último, Arthur Cabral, que custou €20 M mais €5 M em variáveis, que segundo consta são fáceis de alcançar. Para um investimento desta magnitude tem de haver uma base de avaliação que dê segurança a quem promove a contratação. As questões que se colocam são: será que eram estas as caraterísticas que o Benfica procurava? Mais uma vez, foi jogador do scouting, presidente ou treinador? Uma coisa é certa, a forma como o Benfica está a jogar não potencia as caraterísticas do jogador. Ou o treinador muda a dinâmica ofensiva ou a pressão sobre o atleta será bem maior…

5 - Comunicação
Este ano, com um contexto mais adverso, a comunicação de Roger Schmidt não tem sido tão assertiva, pelo contrário. Algumas declarações têm sido no mínimo estranhas, como aquelas em que referiu «é difícil fazer melhor que no último ano». Ora, no último ano o Benfica venceu o campeonato com dois pontos de vantagem e chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões mas, na realidade, Nélson Veríssimo tinha conseguido o mesmo no ano anterior… sem o investimento considerável que foi feito esta época! A afirmação «os jogos mais importantes são contra o FC Porto» antes de um jogo da Liga dos Campeões é algo inexplicável. Foi também muito infeliz quando, no final do jogo com o Estoril, disse a um jornalista: «Acho que a minha abordagem foi correta, mas vamos esperar pelo momento em que seja treinador para saber como decidirá.» Tudo isto demonstra desnorte. A comunicação deve ser utilizada de uma forma inteligente e estratégica, de forma a retirar algo de positivo. Por outro lado, Rui Costa, com as suas declarações, criou uma enorme expetativa nos adeptos, ao ponto de reiterar o desejo de voltar a ser campeão europeu e de apanhar a onda positiva do último ano, à qual juntou as boas contratações de Kokçu ou Di María. A realidade é que é fundamental saber gerir as expetativas internas e externas, de forma a que a pressão não se torne insuportável em momentos mais delicados!

6 - Custos operacionais
Os custos operacionais aumentaram €15 M, justificados pelo aumento dos Fornecimentos e Serviços Externos (de €67 M para €82 M)! Com o mandato de Rui Costa esperava-se inversão desta tendência e a realidade é que não só não foi invertida como ainda foi exponenciada. Se juntarmos um orçamento substancialmente superior no futebol e a saída precoce da Champions, não restará ao Benfica outra opção senão vender mais jogadores. O descontrolo faz com que a venda de um jogador, Gonçalo Ramos, já não chegue para alimentar a máquina e isso é muito preocupante e cria uma enorme pressão em todos. O rigor na gestão é fundamental para se atingirem resultados de forma consistente.

7 - Carta branca ao treinador
Depois da renovação de Roger Schmidt todos percebemos que o treinador encarnado ficou com poderes reforçados. Um clube deve confiar no seu treinador a 100 por cento. Deve criar com ele uma ligação de forma que todos unidos consigam atingir os objetivos. Contudo, num clube organizado e profissional, como é o caso do Benfica, um treinador nunca deve ter carta branca para decidir a estratégia do clube. Por dois motivos. Por um lado, o treinador está hoje mas amanhã pode não estar. Já o clube ficará sempre e tem de ter uma estrutura capaz de se manter coesa, independentemente do treinador que estiver no comando. O segundo motivo é que se as coisas correrem menos bem, em vez de contratar um treinador com um perfil definido, o clube vai procurar um salvador…

A valorizar
Evanilson: Foi eleito o jogador da semana da Liga dos Campeões. Entrou ao minuto 44 e fez três golos, dois de belo efeito. O seu regresso a 100 por cento poderá ser fundamental para o crescimento ofensivo do FC Porto.

A desvalorizar
Pochettino: Aqui se prova que um plantel com muita qualidade não é sinónimo de uma equipa competitiva. Pochettino foi contratado com a missão de devolver a glória ao Chelsea. Ao fim de 10 jogos tem apenas 12 pontos…"

Não se chama Musa, além disso não veste de vermelho!!!

Acontece!!!


"Este é o Samu Silva, jogador do Vizela e formado nas escolas do FC Porto.
Samu Silva, que no Arouca-Vizela de há 2 épocas, com o resultado já definido, a mando do seu treinador - o Zé da boina -, de tudo fez para que o árbitro Tiago ‘moedas’ Martins lhe mostrasse o cartão amarelo e, assim, atingisse uma série de cinco cartões na Liga que lhe permitissem cumprir um jogo de suspensão na jornada seguinte, quando o Vizela recebesse o FC Porto.
O árbitro, apercebendo-se de que Samu estava a forçar o cartão, acabou por não ‘ir na cantiga.
Mas Samu Silva não queria jogar. Jogou. E fez valer a pena, pois marcou um autogolo.
Hoje, teve a "infelicidade" (chamemos-lhe assim) de não conseguir concretizar este golo cantado.
Acontece aos melhores!! 😏"

Mais do mesmo

Jaime Cancella de Abreu, in O Jogo

Um Benfica em busca da identidade perdida tropeça contra o Casa Pia


"Em exibição aquém do exigido, a equipa de Schmidt não foi além do empate (1-1). João Mário, num grande golo, deu vantagem às águias e Trubin defendeu um penálti, mas os visitantes expuseram o mau momento dos campeões nacionais

Roger Schmidt começou, logo na conferência de imprensa de antevisão, a fazer do Benfica-Casa Pia uma espécie de busca pela melhor face da equipa, uma procura por aquele conjunto pressionante e agressivo de boa parte da época passada. Em 2022/23, o bom funcionamento da equipa desde o verão fez com que, durante vários meses, a coisa andasse quase por inércia, uma equipa feita de memória e sem alterações, vitórias atrás de vitórias graças a esse automatismo, engenharia alemã feito conjunto de futebol.
Agora, tudo é diferente. Pressiona-se menos e pior, muda-se mais no onze, os reforços, como diz o treinador, “não estão a nível top”. Arthur Cabral parece perdido na frente, Jurasek evidencia limitações técnicas. O público reage e assobio.
No meio deste cozinhado de problemas, apareceu o Casa Pia, da identidade conservada de Filipe Martins, o oposto da confusão reinante no Benfica, uma equipa capaz de, aos 96', levar a bola até ao seu guarda-redes e sair a jogar de forma apoiada pelos defesas. O 1-1 é o quinto jogo em 14 partidas desta temporada que as águias não vencem: no ano passado foi preciso realizar 28 encontros para que o Benfica chegasse aos cinco sem ganhar.
Neste mar de dúvidas, o silêncio da Luz após o 1-1, marcado por Larrazabal aos 81', eram uma ruidosa ausência de barulho, quase reconhecimento tácito por parte do público dos problemas da equipa. Nos últimos minutos houve uma reação, liderada por João Neves e António Silva, o Seixal ao resgate, mais aí Ricardo Batista disse presente.
Desde 1930, quando os dois clubes da capital empataram a um numa partida a contar para o Campeonato de Lisboa, que o Casa Pia não conseguia sair de casa do Benfica sem uma derrota. Apostado em fazer história, o conjunto de Filipe Martins entrou com boas intenções, pressionando alto e tentando explorar alguma intranquilidade dos campeões nacionais. Aos 20’, após cruzamento do sempre enérgico Soma, Lelo, num cabeceamento por cima, deu a primeira sensação de perigo na Luz.
Os 30’ iniciais das águias foram a continuidade emocional da derrota contra a Real Sociedad. Futebol nervoso e desligado, com perdas de bola, pouca confiança e algum desconforto vindo da bancada a cada ação menos conseguida. Exemplo disto sucedeu aos 17’: o Benfica fez o que Roger Schmidt pedira na antevisão, recuperando algo, mas depois Rafa, com espaço para criar perigo, desperdiçou o lance com um passe para as costas de João Mário.
Com o decorrer do tempo, os locais foram melhorando. A primeira oportunidade surgiu aos 25’, quando Arthur Cabral rematou para defesa de Ricardo Batista. O final de tarde do brasileiro, titular na ausência de Musa (a contas com uma amigdalite), voltou a ser complicado. Lento de movimentos, voluntarioso mas desacerto, dando ideia de ser um peixe fora de água, um corpo estranho na frente que já provoca desconfiança vinda das bancadas. Novo jogo sem marcar, acabando substituído, aos 74’, por Tengstedt, entre aplausos e assobios.
Benfica e Casa Pia estarão para sempre unidos por Cosme Damião, o fundador das águias que foi aluno da Casa Pia. Mas a exibição dos campeões nacionais esteve longe de ser uma homenagem ao homem que dá nome ao museu do clube.
Ainda assim, o melhor período dos da casa surgiu na reta final do primeiro tempo. Aos 35', após bela assistência de calcanhar de Rafa, David Neres, já em queda, permitiu a defesa de Ricardo Batista.
Quando a Luz já se transformava mais caldeirão de ansiedades do que força que empurrava a equipa, quando os maus passes se começam a acumular para desespero da bancada, veio um momento de inspiração, uma luz no meio da escuridão.
Aos 44', João Mário recebeu de Aursnes, novamente lateral-direito, ajeitou e rematou forte e colocado, numa viagem triunfal para o 1-1. Desde 16 de março que o outrora médio sem golo que lutou por ser o goleador do campeonato passado não marcava na principal competição nacional. O golo em cima do intervalo era um golpe duro nas ambições do Casa Pia, mas, em vez de dar embalo para uma segunda parte de maior nível, pareceu adormecer o Benfica.
Jajá, brasileiro de 22 anos, estreou-se a titular pelo Casa Pia. Cavalgando pelos flancos, ora pelo direito, ora pelo esquerdo, foi um foco de instabilidade para a defesa do Benfica, conduzindo, driblando, agitando.
Aos 54', Florentino, de volta ao onze, derrubou o extremo dentro da área. No entanto, na cobrança do castigo máximo, Felippe Cardoso não fez jus ao apelido que, trocando uma letra, tantas vezes foi sinónimo de golo na Luz. Trubin, com classe, repetiu o que já fizera contra o Portimonense e defendeu o remate. Há 40 anos que um guarda-redes do Benfica não parava dois penáltis na mesma edição da I Liga.
Tal como o golo de João Mário, o penálti defendido não melhorou o Benfica. As águias deixaram o encontro correr, sem rasgo ou ambição, vendo os visitantes desperdiçarem oportunidades. Jajá e Soma iam ameaçando, Felippe voltou a falhar e aos 81' chegou o esperado 1-1.
Beni Mukendi, que entrou par dar vigor renovado ao meio-campo visitante, lançou Larrazabal, basco de pulmão incansável, na profundidade. Este aproveitou a passividade de Jurasek para rematar de ângulo apertado, surpreendo Trubin, que não escondeu a frustração.
Depois de instantes de quase anestesia da Luz, houve um assalto final ao triunfo. Ali, o Benfica teve a ambição que faltou, a pressa que nunca revelou, a urgência contra-relógio. Mas não chegou.
Aos 86', Florentino cabeceou à barra, a bola bateu nas costas de Batista e parecia destinada a Tengstedt. O guardião, heróico, evitou que o avançado marcasse, como evitaria, também, golos de Rafa e de João Neves. Durante boa parte do fim de tarde não teve muito trabalho, mas sai como um dos heróis.
Já no desconto, a tal reação liderada pelo Seixal ia tendo a expressão máxima. Canto de João Neves, cabeçada de António Silva. No Estoril o jovem central resolveu, desta feita o poste negou-o, qual mapa incompleta que complicou a descoberta da identidade perdida. Schmidt terá de reforçar a busca pelo ADN do conjunto que não se reconhece a si próprio."

5 minutos: Diário...

Terceiro Anel: Casa Pia...

A Verdade do Tadeia - Flash - Braga...

A Verdade do Tadeia - Flash - Benfica...

O Benfica Somos Nós - S03E17 - Casa Pia...

Vinte e Um - Como eu vi - Casa Pia...

El Mítico #61 - Aprender con los errores

Bigodes: Casa Pia...

Águia: Casa Pia...

Terceiro Anel: Diário...

BI: Casa Pia...

5 minutos: Casa Pia...

Sempre...


"Não é nos bons momentos que se vê de onde vem a verdadeira força motriz que move esta instituição centenária. É nos maus momentos. E aqui ninguém se esconde ou atira a toalha ao chão, porque fugir é para covardes e desistir é para fracos.
Não estamos a ser Benfica e existe muito a trabalhar e corrigir. Tempo de reflexão interna, de críticas construtivas - não confundir com críticas destrutivas - entre sócios e adeptos, pois os alicerces deste grandioso clube foram construídos com base no plurarismo e associativismo ativo.
Nada estava ganho e nada está perdido, ainda assim, esta equipa tem de dar mais. Mas de si, mais pelo emblema que ergue ao peito, e mais por todos aqueles que carregam na alma o amor incondicional por este clube.
Apesar de ter ficado um penálti por assinalar sobre o Tengstedt, a verdade é que não podemos ser tão displicentes em campo e falhar tantas oportunidades para matar o jogo.
Mais unidos do que nunca, mas conscientes de que há muito a fazer para atingirmos os objetivos que ambicionamos conquistar.
E vamos conquistá-los!
Sempre contigo, Sport Lisboa e Benfica. 🔴⚪️"

BTV, pós-jogo, excerto...

RTP, pós jogo, excerto...

Hora, excerto...

Era de uns, agora é de todos


"28 anos após o sucesso de Mandela e Pienaar, ‘Springboks’ chegaram ao tetra em França...

Terminou ontem, no Stade de France (onde já fomos tão felizes...), a décima edição do Campeonato do Mundo de râguebi, a tal modalidade de que se diz ser para brutos mas é jogada por cavalheiros. Foram 50 dias de espetáculo de altíssimo nível e intensidade insuperável, onde testemunhámos uma participação histórica dos Lobos, e que teve, na final a revalidação do título pela África do Sul, após um duelo épico e equilibrado (12-11) com a Nova Zelândia. Foi a reedição da decisão de 1995, jogada em Joanesburgo, onde a cumplicidade entre Nelson Mandela e o capitão dos Springboks, François Pienaar (um dos brancos que, por boas razões, tem direito a fotografia no Museu do Apartheid, no Soweto), criou condições para que a nação do Arco-Íris fosse uma realidade.
Volvidos 28 anos, os sul-africanos já conquistaram a Taça Webb Ellis por quatro vezes, e no país de Madiba o râguebi deixou de ser a coutada de uns para ser a paixão de todos. Mas, independentemente destas considerações que misturam história, sociologia, desporto e política, o râguebi tem sido uma escola que, entre muitas outras virtudes, tem servido para explicar ao mundo como deve ser feita a boa utilização dos meios eletrónicos na arbitragem, conjugando-os com a ideia de transparência, e obtendo um resultado final que, não sendo infalível, é inspirador.
Mas o râguebi também segue tendências do futebol, o que, neste mundo globalizado, não tem nada de estranho. A FIFA, já a partir de 2026, vai acolher 48 seleções na fase final do Mundial que será disputado no México, Estados Unidos e Canadá. Há razões económicas poderosas na base desta ampliação, mas há também há a convicção de que esta é a forma mais eficaz de, rapidamente, subir o nível médio da modalidade. Dentro de quatro anos, quando a Austrália acolher o Campeonato do Mundo de râguebi, serão 24, mais quatro do que as 20 que estiveram em França, a participar na fase decisiva de um evento que em termos de audiências televisivas é dos mais fortes a nível planetário. Para Portugal, que vê as suas possibilidades de voltar a esta competição aumentadas, são boas notícias. Mas para o râguebi em geral, também. Afinal, a ideia de democratizar as participações em fases finais, que o futebol assumiu e o râguebi agora acolhe, ajudará ao crescimento de muitas seleções."