Últimas indefectivações

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O filho português de Mrs. Barnett

"Toda a gente sabe que os ingleses são essencialmente práticos, até no momento de darem nome a um cavalo de corridas

Acabado de chegar de Paris, o jornalista e poeta brasileiro Cláudio Mello e Souza soltou esta expressão meio inconveniente: «O francês é um cavalo». Instado a explicar-se melhor, viria a concluir que se deve medir sempre a vitalidade histórica de um povo pela saúde e pujança dos seus coices. Claro que isto foi no tempo dos confrontos sociais de 1968 e, hoje em dia, o francês já não é assim tão cavalar. Sinal dos tempos.
Recordam-se do sr. Sousa Neto, d’Os Maias? Numa daquelas noites em casa dos Gouvarinhos, acercou-se do Carlos, curioso. E perguntou: «Encontra-se por lá, em Inglaterra, desta literatura amena, como entre nós, folhetinistas, poetas de pulso?». E o Carlos, com um descaramento divino: «Fique V. Exa. sabendo que em Inglaterra não há literatura». O outro cerrou as pálpebras, meditabundo: «Logo vi..., logo vi... um povo essencialmente prático».
Ora bem, toda a gente sabe que em Inglaterra não há putas, se me perdoam a expressão, mas já volto à vaca fria que, neste caso é um cavalo. Escreveu, numa das sua obras, o sociólogo Arthur Sherwell: «É do conhecimento público que, pelo menos no West End, as modistas, as costureiras e as ajudantes recorrem frequentemente à rua, durante a estação morta, e retomam as suas boutiques quando a saison recomeça. Por outras palavras, a moralidade acompanha as flutuações do comércio». Como veem, tenho razão. Em Inglaterra há, quanto muito, uma enorme massa de mulheres desafortunadas. E essencialmente práticas. Cláudio Mello e Souza exclamaria triunfante: «O inglês é um cavalo». Ora era precisamente aqui que eu queria chegar.
Um cavalheiro português, bem relacionado na corte inglesa e apaixonado pelo turf, vivendo há vários anos em Inglaterra, resolveu comprar um animal com o qual pudesse participar nas corridas. Decidiu-se por uma égua thoroughbred à qual deu o nome da amante, uma viúva inglesa de ancas igualmente equinas à qual devotava uma afeição carnal e enciumada: Mrs. Barnet. Catherine Bergen Johnson de solteira.
Passa o tempo. Ao contrário da viúva, Mrs. Barnet, a égua, nunca revelou dotes físicos capazes de impressionar quem quer que fosse. O nosso cavalheiro português, que merecidamente conservarei num confortável anonimato, viu-se de repente a braços com uma Mrs. Barnet, a égua, muito pouco útil para a finalidade que inicialmente lhe estabelecera. Perante o facto, resolve entregar a outro a Mrs. Barnet de quatro patas. O feliz contemplado era um baronete das suas relações, Sir William Stirling-Maxwell of Pollock.
Sir William, não de todo insensível aos quadris da quadrúpede Mrs. Barnet, nomeou a oferta do seu amigo português como candidata ao cruzamento genético com um dos seus campeões, o também puro-sangue thoroughbred, Haphazard. Deste enlace nasceu um potro com todas as características de rei do turf.
Prossigo a historieta com a divulgação de uma desenxabida inconfidência: Mrs. Barnet, a viúva, resolveu igualmente entregar-se a outro. Por causa de um oficial da Royal Navy, o cavalheiro português viu-se despojado de ambas as Mrs. Barnet. E não aceitou o facto com bonomia. Convidado pelo seu amigo Sir William para assistir ao nascimento do jovem filho de Mrs. Barnet com Haphazard e, num gesto de generosidade próprio de um baronete, a atribuir-lhe um nome, o nosso amigo não hesitou:
- Um filho de Mrs. Barnet só pode ser um filho da puta!
Filho da Puta ficou. À portuguesa.
Tudo isto se passou sob a prodigiosa civilidade inglesa que, como sabemos, deveria ser exportada para o resto do planeta sem custos adicionais de transporte.
O filho da Mrs. Barnet cavalar (e a este momento da crónica já o leitor saberá distingui-las) tornou-se famoso por vencer, em 1815, a St. Leger Stakes, em Doncaster, a mais antiga das British Classic Races. Precisamente uma milha, 6 furlongs e 132 jardas. Se tomarmos em conta que uma milha são exactamente 5280 pés e cada pé tem 12 polegadas; que cada furlong representa um oitavo de milha e, portanto, 660 pés ou 220 jardas; e que cada jarda é igual a 0,9144 metros, chegamos à conclusão fácil de que o Filho da Puta percorreu 2.937 metros na sua galopada para a vitória. Tinha sido montado até ao retumbante triunfo pelo jockey John Jackson às ordens do treinador James Croft.
Quanto ao nosso compatriota, que oferecera Mrs. Barnett tão graciosamente ao seu amigo baronete, consta que fazia espalhar de forma liberal pela sociedade londrina de então a explicação cabal para o estranho nome do cavalo campeão, recebendo em troca amplas gargalhadas. Aprendeu em Inglaterra uma lição importante: um cavalheiro nunca se enfurece; apenas se desforra. Era essa a razão pela qual o sol nunca se punha no Império Britânico."

Santo Dio, Allegri

"Passou por mim mais de uma dezena de vezes. Em passo acelerado, devagar com as mãos nos bolsos, a gesticular ou a gritar.
Quando pelas 17:30 do dia do jogo, Martin O´Boyle, Media Officer e VOBM da UEFA, no estádio me entregou os observer seats e a estrela autocolante que dá acesso à flash interview, estava longe de imaginar que iria dividir a atenção do jogo com o espectáculo particular do treinador da Juventus, Massimiliano Allegri.
Percebi que estava num ambiente de showbiz durante a reunião com as televisões detentoras de direitos da Champions na minúscula sala de conferências de Old Trafford.
Martin mostrou-se de início um verdadeiro entretainer. Apresentou os elementos que estavam com ele na mesa como se fossem artistas, pedindo aplausos às equipas de produção e aos representantes do Manchester United e da Juventus.
Quando tocou a falar a sério disse que a UEFA e os clubes estavam ali para ajudar mas quando chegasse a hora das entrevistas rápidas não fossem pedidos jogadores expulsos ou a quem o jogo tivesse corrido mal.
Depois de ter informado que uma câmara da transmissão do jogo tinha mudado de posição e de ter saudado a presença de uma televisão da Austrália, Martin terminou a reunião com um quiz dirigido à plateia. Canetas e pins da Champions League para as respostas corretas. Tudo como se estivéssemos num programa de entretenimento na televisão.
Os observer seats colocaram-me nas primeiras filas de Old Trafford ao nível do relvado, ao lado do banco da Juventus. Passei de um entretainer na sala de imprensa para uma peça com Massimiliano Allegri no Teatro dos Sonhos.
Foi assistir a um quase monólogo em que toda a gente o via mas poucos o ouviam. Berrou com o adjunto, que gritou para o campo. Berrou com um elemento do staff, estrategicamente colocado na primeira fila, que gritou para campo.
Caixas de ressonância mesmo ao meu lado e desabafos em tempo real.
Estão 76 mil pessoas no estádio, o ruído é tanto que os jogadores não ouvem nada. Allegri subiu e desceu as escadas de acesso ao banco vezes sem conta. Sempre com os mesmos lamentos, sempre sublinhados como o mesmo sonoro desabafo. «Santo Dio»."

Jogadores e... jogadores

"Além das respectivas selecções, há jogadores que vestiram sempre a camisola do mesmo clube; e outros (muitos outros) que brilharam em campeonatos diferentes em representação de clubes distintos. Na discussão de quem foi o melhor, este vector "fidelidade" é muitas vezes determinante das escolhas feitas.
Vamos fazer uma análise alargada: a nível mundial entre as duplas que mais polémicas proporcionaram – Pelé e Maradona, Messi e Cristiano Ronaldo – sem esquecer alguns dos que, ao longo dos anos, proporcionaram os maiores espectáculos futebolísticos, Eusébio, Cruyff, Ronaldo Nazário, Ibrahimovic, Zidane, Modric, Neymar e, para aqueles que ainda os puderam ver em directo, vamos citar (apenas citar) Di Stefano, Kubala, Garrincha, Kopa, Gento, Platini, Van Basten ou Puskas, entre tantos outros; e, a nível nacional, os que consideramos terem sido os maiores nas suas épocas, José Travaços, Eusébio, Figo e Cristiano Ronaldo.
Certamente já repararam que, entre tantos nomes, não surge nenhum guarda-redes (os golos marcados contam mais que os sofridos...), nem aqueles que, apesar de ainda muito jovens (Mbappé, Dybala, Hazard, Pogba, Bernardo Silva), há muito que deixaram de ser promessas mas não é justo ficarem, por ora, a perder na comparação com as gerações dos que podiam ter sido seus pais ou avós. 
Comecemos pelos maiores rivais de sempre.
Pelé nasceu em 1940 e praticamente só jogou no Santos ou pelo Brasil (três vezes campeão do Mundo); enquanto Maradona (1960) foi campeão do Mundo pela Argentina (também de juniores), brilhou em Espanha (Barcelona) e, principalmente, em Itália, onde fez bicampeão o modesto Nápoles.
Já Cristiano Ronaldo (1985) começou no Sporting e brilhou no Manchester United e no Real Madrid (onde conquistou tudo, interna e internacionalmente) e prepara-se para fazer o mesmo em Itália depois de ter levado Portugal a campeão europeu; enquanto Messi (1987) chegou ao Barcelona com 13 anos, onde sempre jogou e também ganhou tudo e, na selecção argentina, ficou-se por um título olímpico e outro mundial de Sub-20.
As performances individuais são impressionantes: Maradona disputou 588 jogos e marcou 446 golos (91 e 34, respectivamente, na selecção argentina); Pelé marcou bem mais de mil golos, embora nos registos oficiais se fique pelos 757 em 812 jogos (92-77 pelo Brasil); até agora Messi regista 648 jogos e 565 golos (128-65 pela selecção); Cristiano Ronaldo, respectivamente 773-580 (154-85 pela selecção).
E não nos alongamos na pormenorização dos títulos colectivos e prémios individuais que todos conquistaram, deixando aos nossos leitores a escolha daquele que acharam ter sido o melhor.
Outros nomes – escolha nossa, naturalmente discutível.
Zlatan Ibrahimovic (nascido em 1981), para nós um dos expoentes máximos, jogou na Suécia, Holanda (onde marcou, aos 19 anos, no Ajax, o que foi considerado o 2.º melhor golo de sempre), Itália (3 equipas), Espanha, França, Inglaterra, 756 jogos, 446 golos (116-62 na selecção sueca), campeão e melhor artilheiro em vários países, tendo gerado negócios superiores a 170 milhões de Euros nas várias transferências.
Johann Cruyff (1947-2016), jogou no Ajax e no Barcelona, 4 títulos de campeão europeu (3+1), 660 jogos, 514 golos (48-33 na selecção).
Ronaldo Nazário (1976, "Fenómeno"), jogou no Cruzeiro, PSV, Barcelona, Inter, Real Madrid, Milan e Corinthians, 518 jogos, 352 golos (105-67 pelo Brasil), campeão e melhor marcador em vários países e mundial, pelo Brasil, em 2002.
Zinedine Zidane (1972), Cannes, Bordéus, Juventus e Real Madrid, 724 jogos, 154 golos (108-31 pela França), campeão em Itália e Espanha, campeão do mundo.
E que dizer de Ronaldinho Gaúcho (outro "globetrotter"), Bale (a transferência mais cara de então), Neymar (a mais cara de sempre), Modric, Salah e tantos mais?
E a nível interno: José Travaços (1926-2002, o "Zé da Europa"), o melhor da sua geração e o mais internacional até então (35 vezes), 8 campeonatos nacionais, 2 taças de Portugal, 457 jogos e 172 golos marcados, jogou sempre no Sporting.
Eusébio (1942-2014), penalizado na apreciação internacional por ter jogado sempre no Benfica, 718 jogos e 727 golos (64-41 pela selecção), 10 campeonatos nacionais, 5 taças de Portugal, 1 taça dos campeões europeus, 1 "bola de ouro" (1965), 2 botas de ouro e 7 de prata, considerado em várias eleições um dos 10 melhores jogadores do Séc. XX.
Luís Figo (1972), começou no Sporting (1 taça de Portugal) e foi campeão no Barcelona (4), Real Madrid (4) e Inter, 789 jogos e 173 golos (127-32 pela selecção); vencedor da Liga dos Campeões, Taça das Taças, Supertaça europeia e Copa Internacional; "ballon d’or" 2000, melhor jogador FIFA 2001, 2.º em 2002.
Cristiano Ronaldo (1985), 4 vezes campeão do mundo de clubes, 5 ligas dos campeões UEFA, 2 supertaças UEFA, 3 campeonatos de Inglaterra, 2 campeonatos de Espanha, 8 taças e supertaças (4+4), campeão da Europa (selecção, 2016), torneio de Toulon (esperanças, 2003), 10 prémios individuais do melhor da FIFA e 8 prémios individuais da UEFA.
Qual o melhor português de sempre? Escolha o leitor..."

Lanças... Douradinhos !!!

Benfiquismo (CMXCVI)

Romaria...

Discurso dos 15 anos...

Haja paciência! ou não?

"Não ficaria bem comigo próprio se me limitasse ao conformismo e passividade, perorando sobre o azar, a contingência, o dia não

1. Nunca percebi a charada das conferências de imprensa no futebol por tudo e por nada. Não me refiro tanto às que se seguem aos jogos, pois aí até há matéria para perguntar e para responder. Foco-me sobretudo nessas pasteladas aborrecidas e sem conteúdo que precedem os jogos, com direito a longos e sonolentos directos de 3 canais temáticos (Bola TV, Sport TV e canal do clube) e - imagine-se - de mais 4 canais noticiosos, ainda que cada vez mais se deva pôr a palavra noticiosos entre aspas (RTP 3, SIC N, TVI 24 e CMTV). Uma fartura para um zero de interesse. Do lado das perguntas, há-as de dois tipos: as absolutamente dispensáveis e sem qualquer sentido jornalístico e umas poucas que até poderiam ter interesse informativo (a equipa, as lesões, a táctica, etc.). Do lado das respostas, às primeiras responde-se na mesma moeda de coisa nenhuma num conjunto entediante de frases feitas, tautologias gastas e ligares-comuns. Às segundas, a resposta - evidentemente - é a expectável, ou seja, de nada revelar, como, aliás, o próprio perguntador já sabe de antemão.
Destas sessões o que, no fim, é noticiado e comentado é uma de três situações: picardia entre técnicos sempre sugerida e estimulada até o titular da conferência cair que nem um patinho; um lapso ou uma gafe que, ao virar da esquina de palavras sobre palavras, se cometa; o estilo mais grandiloquente de tontos mind games de quem já sabe que se disser isto ou aquilo tem parangona assegurada, que faz 'escola'.
Não creio que faça parte de contrato dos treinadores a obrigação de fazerem tais ditas conferências de imprensa a toda a hora, com mais tempo de antena e direito a fartas repetições que nenhum outro poder de outra qualquer natureza alguma vez atinge.
Ora, no passado fim-de-semana, e no caso do Benfica, que é o que verdadeiramente me interessa, Rui Vitória - como ele e os outros quase sempre - falou, falou, falou e pouco ou nada disse. Mas, no meio do deserto da temática da antecipação de um jogo, mordeu o isco lançado por jornalistas e lá foi ele falar, outra vez, do jogo de Amesterdão, reagindo algo enervado. Rui Vitória resolveu recorreu aos rácios para dizer que era ele quem tinha o melhor registo a nível europeu, não sei se por sua alta recreação, ou por informação de alguém da 'estrutura'. Além de não soar bem para quem se lembre ainda da campanha totalmente desastrosa da época passada, pôs-se a jeito para ser desmentido pelos media. Foi fatal: no dia seguinte, o do jogo de que supostamente foi falar, a comunicação social não largou mais a afirmação precipitada do técnico benfiquista. E, por arrasto, o minuto 92 da Arena Johan Cruyff voltou à cabeça da equipa e a derrota europeia (injusta, é certo) entrou no Estádio Nacional, no meio da ventania e da chuva.
Que diabo! Não será possível acabar com esta fantochada das conferências antes dos jogos? Não creio que sejam obrigatórias, como acontece com as flash interview depois das partidas. Bem sei que há aquelas imagens por trás com a publicidade à qual importa dar retorno, embora seja previsível que quem vê tais longos minutos não se lembre de nenhum desses logótipos ou coisas parecidas.

2. O jogo contra o Belenenses SAD foi ingloriamente desperdiçado. Os azuis do Restelo, perdão do Jamor, não tiveram culpa nenhuma. Jogaram com todas as suas armas possíveis, tiveram um guarda-redes com uma exibição soberba, e até não fizeram nenhum anti-jogo. Conseguiram o feito de derrotar o SLB 11 anos depois em jogo realizado em casa. Em casa, é um modo de dizer. Fora, verdadeiramente tanto ou mais do que para o Benfica, no Estádio Nacional onde só quase havia benfiquistas.
Uma derrota comprometedora e nada expectável. Poderia escrever quanto lamentei o desperdício e a falta de eficácia na primeira parte. Poderia falar do segundo golo do Belenenses precedido de uma falta clara nas barbas do árbitro e facilmente analisável pelo VAR. Poderia desculpar mais um penálti falhado que, se tivesse sido convertido, ditaria quase certamente uma vitória folgada do Benfica.
No jogo na Holanda, a equipa até teve uma boa primeira parte, desinibida, mas, uma vez mais, a desperdiçar golos de uma maneira algo amadora, acabando por perder pela oitava vez nos nove últimos jogos da frase de grupos europeia. E não esqueçamos que, nos principais jogos europeus desta época, contra o Bayern, o AEK e o Ajax, o melhor jogador foi sempre o guarda-redes Vlachodimos.
O certo é que nos dois últimos jogos - Ajax e Belenenses - não se podem desperdiçar tantas ocasiões de golo cantado. Uma equipa com jogadores, alguns deles pagos a peso de outro, tem de ser competente. De que servem boas jogadas e oportunidades (e até penáltis) se dão em nada. Se no futebol o resultado é o que vale e o que fica registado, a verdadeira medida da competência é meter a bola lá dentro. O resto são cantigas...

3. Procuro ser fiel a ma regra: a de apoiar os treinadores que o meu clube tem, procurando não contribuir para situações de precariedade e de deterioração das suas posições e não perdendo de vista que, no futebol, há contingências que a acção humana não controla.
Sei que sou apenas um mero e curioso 'treinador de bancada' que, apesar de tudo, procura não perder lucidez e o discernimento num momento de desalento e irritação por uma derrota como a de sábado passado. Mas, não ficaria bem comigo próprio, se hoje e aqui me limitasse ao conformismo e passividade, perorando sobre o azar, a contingência, o dia não, o poder-estar-dez-horas-a jogar-que-a bola-não-entraria-etc.
Até poderia ser que nada de diferente tivesse acontecido, com outras formas de abordar o jogo. Mas não compreendo que, com quatro pontas de lança (cuja folha mensal de salários excede largamente a folha anual de todo o plantel do Belenenses!), se vá para este jogo apenas com um deles, num 4-3-3 timorato, para não dizer medroso, tal como contra o... Sertanense. Não compreendo que Zivkovic não tenha entrado na última meia-hora em Amesterdão quando começou a faltar bola nos pés da equipa e a recorrente distância entre linhas se alargou. Não compreendo como um menino como João Félix nem sequer para o banco de suplentes tenha ido nestes dois jogos. Não compreendo como, a perder por 2-0, se tira um flanqueador em vez de um lateral. Não compreendo o motivo por que se faz uma substituição aos 84 minutos (!) num jogo já perdido, à espera não sei de quê. Não compreendo como se tirar Pizzi para fazer entrar mais tosco calmeirão para a grande área, assim deixando de se jogar pelos dois flancos e nem se quer se passar a fazer jogo directo. Não compreendo a razão por que não entrou Cervi com o resultado em 2-0 e mantivemos os dois laterais sempre em jogo. Assim sendo, o Benfica que tem sempre jogado com um só ponta-de-lança acabou com uma fartura de três (até parece que só não entrou Ferreyra porque não estava no banco), só que sem jogo e jogadores (à excepção de Rafa) para lhes fazer chegar a bola em melhores condições. Custa-me também compreender que, com um plantel tão rico, não haja ninguém que chute fora da área, hoje uma das maneiras mais eficazes de fazer golos em determinadas circunstâncias das partidas.
Talvez esteja errado. Talvez renha sido só um pesadelo meu. Na próxima sexta-feira haverá mais uma conferência de imprensa, excitante como sempre. Já adivinho o remédio para o meu pesadelo: dir-se-á, então, que o jogo contra o Belenenses já está esquecido, que estamos focados na vitória, que entraremos no nosso Estádio com toda a vontade para retomar o caminho das vitórias, que não pensaremos no jogo seguinte contra o Ajax, mais blá, blá, blá e, como de costume em todos os nossos técnicos, que o clube oponente da ocasião pratica bom futebol, que não vai ser um jogo fácil, que estamos de sobreaviso, etc., etc.,seja contra o Bayern, o Barcelona, o Moreirense, o Sertanense ou o Carcavelinhos.
Vai-me custar a 'engolir' esta derrota e a incapacidade para ficarmos isolados na liderança. O que vale é que, nesta paixão do futebol, resiste dentro de mim o sonho do mistério e a esperança do crente.

4. Uma última nota, referente às transmissões televisivas que nos 'oferecem' para ver o Benfica. Há cinco 'ofertantes': a BTV, para os jogos da Liga na Luz; a RTP em jogos da Taça de Portugal; a TVI em jogos da Taça da Liga (e alguns da Champions); a Sport TV nos jogos da Liga fora de casa e a Eleven na Champions. Se o Benfica passar para a Lig Europa, temos um sexto interveniente: a SIC. Imaginemos, então, a factura de um fervoroso sócio que não quer perder nenhum jogo: paga a quota do clube, para o lugar do Red Pass, paga para ver a BTV, para para ver a Sport TV e paga se quiser ver todos os jogos do SLB na Liga dos Campeões! Uma verdadeira fartura! Ainda dizem que o futebol é o desporto do povo!"

Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Onde esbarra o sonho Europeu português

"Por diversas vezes nos últimos anos, e sobretudo referente ao Benfica, ouvimos falar de um sonho Europeu, e de como a retenção dos jovens talentos poderá viabilizar tal desiderato.
É comum vermos os adeptos a formar 11’s com um sem número de jogadores de nível fabuloso, garantindo que se ainda permanecessem, no caso, no Benfica, haveria possibilidades para sonhar com uma conquista Europeia.
O que poucos parecem perceber, é que as próprias possibilidades de desenvolvimento individual dos jogadores, ficam coarctadas se por Portugal permanecerem. Não adianta crer que com Bernardo Silva seria possível ao Benfica ser campeão europeu, porque Bernardo Silva, nunca seria Bernardo Silva se não tivesse emigrado e experimentado contextos muito mais valorosos, e que contribuem e contribuíram de sobremaneira para o seu desenvolvimento.
Da mesma forma que no momento actual, a formação do Benfica trabalha com uma qualidade incrível, e potencia ao máximo as capacidades dos seus jogadores, pelas condições que lhes proporciona, pela qualidade dos seus treinadores, e pela forma como pensa o processo, nomeadamente o contexto competitivo em que insere os seus jogadores, garantindo sempre um estímulo elevado, que lhes permite um desenvolvimento próximo do óptimo, a chegada ao futebol sénior e à Liga NOS dos mais talentosos, só será um estímulo adequado ao seu desenvolvimento nos seus primeiros anos na competição.
Posteriormente, o ritmo lento com que as situações se sucedem, a falta de qualidade comparativamente com o nível alto europeu, quer de colegas, mas sobretudo até dos adversários, inibe uma evolução mais efectiva.
Em Portugal continuarão a formar-se jogadores de qualidade fabulosa. Porém, estes só atingirão o patamar dos melhores num contexto Europeu, se para lá se mudarem. Porque a própria evolução do jogador relaciona-se com o nível que enfrenta.
De uma forma simplista, se a Liga Portuguesa é um 6 em 10. Os melhores não passarão do 7. O suficiente para terem sucesso no contexto em que competem.
O sonho Europeu seja de Benfica, Porto ou Sporting, passa antes de tudo o mais por ter uma Liga com adversários muito fortes. E não parece que alguém se esteja a preocupar com tal premissa…"

Erradique-se a incompetência

"O VAR representa a possibilidade de diminuir substancialmente o número de erros de arbitragem no futebol. Munidos de meios tecnológicos, os árbitros deixam de padecer dos males da decisão instantânea e ficam habilitados a não falhar nas questões meramente factuais, nomeadamente na validação de golos, no local exacto onde foi cometida uma infracção ou na aferição da posição dos jogadores para fins de aplicação da lei do fira de jogo. Nesta altura, mais de um ano depois do corajoso arranque rumo ao futuro, patrocinado pela FPF, há coisas que não são entendíveis, muito menos explicáveis, aos olhos do adepto que conhece as leis e quer acreditar no que vê dentro das quatro linhas. Por isso, novamente o Conselho de Arbitragem deve vir a terreiro dar satisfações sobre o que aconteceu no Estádio do Dragão no primeiro golo do FC Porto contra o Feirense. Para benefício da discussão, esqueça-se quem estava frente a frente e foquemo-nos apenas no lance. Como foi possível o VAR insistir na reversão de uma decisão certa, e, a seguir, o árbitro, que tem a última palavra, voltar atrás depois do visionamento das imagens? Estamos perante uma situação muito grave, que põe em xeque a qualidade técnica do VAR (e que ninguém queira convencer-me que um mau árbitro, que percebe e interpreta mal o jogo, pode dar um bom VAR...) e a personalidade (para dizer o mínimo) do árbitro, e lança dúvidas sobre a pertinência do sistema implantado. Sejamos absolutamente claros: a tecnologia funciona, e o método é comprovadamente eficaz. Porém, se não cuidarmos, enfrentando o problema sem tibiezas, da qualidade técnica da componente humana, estaremos condenados ao fracasso."

José Manuel Delgado, in A Bola

Alvorada... do Guerra

Justiça em causa na escuta a Vieira

"Foi ontem revelada uma conversa telefónica entre o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, e o empresário César Boaventura que tratava, em finais do ano passado, da negociação do treinador do Benfica, Rui Vitória, para o Everton. O próprio empresário confirmou ontem à noite tratar-se de uma conversa verdadeira, embora, segundo ele, descontextualizada e manipulada.
O tema, sobretudo nesta fase em que o treinador do Benfica tem sido muito criticado por adeptos do clube, insatisfeitos com recentes resultados e exibições, ganhou, desde logo, contornos de escândalo. Afinal, para o presidente do Benfica, não apenas Rui Vitória era negociável em plena época em que o Benfica lutava pela penta, como dispensável.
A conversa acontecer depois de o Benfica ter sido eliminado da Champions, numa campanha desportivamente desastrosa e numa altura em que o treinador tinha a sua imagem fragilizada, mas conhecendo-se melhor o contexto e a data em que ocorreu, apesar de ser reveladora de uma abertura para negociar o seu treinador, não se pode dizer que a posição de Vieira fosse criticável.
Mais questionável e preocupante é a revelação em si mesma. Se não foi Vieira, nem Boaventura quem divulgou a conversa, quem foi? Com que intuito? Pior: com que obscuros interesses? Fará parte, como aventado, de uma peça processual, da qual foi extraída parte que a terceiros interessava publicar? Será que o sistema judicial pode, mesmo, estar tão grosseiramente infiltrado pelo crime organizado no futebol português? Grave de mais para que se mantenha a dúvida."

Vítor Serpa, in A Bola

A nova PGR, as toupeiras e as doninhas

"Paulo Gonçalves e a Benfica SAD estão indiciados pela prática de não sei quantos crimes no caso designado como e-toupeira, por terem alegadamente aliciado funcionários judiciais a darem-lhes acesso a um conjunto de informações sobre processos em curso na justiça.
Acontece que desse próprio processo em que Paulo Gonçalves e a Benfica SAD são arguidos ficaram este fim de semana a conhecer-se peças integrais - como o “Apenso F” - através de um dos blogues que andou meses a fio a pôr no ar emails do clube da Luz e de seus dirigentes e funcionários. Ora, aqui é que a porca torce o rabo: então Paulo Gonçalves e a Benfica SAD estão a responder por alegados crimes e depois são vítimas de crimes iguais e, neste caso como noutros, perante o flagrante delito, nada nem ninguém ousa fazer coisa nenhuma?
Não se compreende.
Se as chamadas toupeiras de Paulo Gonçalves ou do Benfica, segundo a acusação, prestavam informações a troco de bilhetes para os jogos no Estádio da Luz, acesso às chamadas zonas VIP e ainda camisolas assinadas por jogadores, o que será que darão em troca tais blogues, ou quem estará por trás deles, às doninhas que lhes libertam estes documentos?
Ou não há toupeiras nem doninhas e há para aí hackers que, além de violarem os emails do Benfica, pelos vistos agora também conseguem aceder à base de dados do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP)?
E, já agora, como vem a público uma escuta em que o presidente do Benfica surge a falar com um empresário sobre a eventual disponibilidade do clube para receber uma proposta pelos serviços do treinador Rui Vitória?
A justiça desportiva sempre esteve sob suspeição popular por ser, de um modo ou de outro, associada aos interesses dos chamados três grandes, com maior predominância de um ou de outro, dependendo das épocas.
Ora, seja pelo “sistema” ou por simples clubite, a verdade é que a justiça civil parece estar também, e cada vez mais, contaminada pelo mesmo mal.
Assim não sendo, já há muito que estes blogues anónimos teriam rostos e responsáveis. Porque, como diz o povo, ou há moral ou comem todos.
Daí que, perante estes novos desenvolvimentos, seja estranha a inacção do Ministério Público e o silêncio da nova procuradora-geral da República, Lucília Gago. Não é, de facto, um bom prenúncio para o mandato que ainda agora está a começar."

Boaventura na SIC...

Cadomblé do Vata (especial prosa...)

"Continuam a suceder-se a velocidade galopante os episódios embaraçosos envolvendo o Benfica, que colocam em causa toda a transparência e legalidade das competições futebolísticas nacionais. O mais recente capítulo desta demanda encarnada pela viciação de resultados, foi revelada esta semana, quando se ficou a saber que em Dezembro do ano passado, Luis Filipe Vieira descontente com a prestação de Rui Vitória ao comando da equipa principal de futebol do clube, terá mandatado um agente desportivo para tentar arranjar colocação para o treinador no melhor campeonato do Planeta, em vez de despedir sumariamente o ribatejano, deixando a cargo dos tribunais a decisão de definir uma eventual indemnização.
O que poderia ser já o ponto alto da infâmia, é apenas o início. Não conseguindo um clube interessado em receber o técnico, LFV olhou para o contrato em vigor e (cuidado que o que vou escrever a seguir pode ser susceptível de impressionar as mentes mais sensíveis) em vez de proceder à rescisão natalícia, respeitou-o, dando-se ao desplante de o renovar, sem que esta vergonha tenha custado ao clube a perda de 6 pontos, como por exemplo aconteceu ao FC Porto, devido a situações muito menos gravosas, envolvendo visitas ao economato a altas horas da noite, que é quando dá aquela larica que provoca insónia.
Perante o desprezo benfiquista pela instituição do "chuto no cú", causa estranheza o silêncio da FPF, da LPFP e especialmente da ANTF, cujo presidente sempre solícito quando estão em causa outros clubes, está a deixar cair nas malhas do esquecimento o inenarrável respeito que o Sport Lisboa e Benfica exibe por um membro de uma classe profissional, bem habituada a ser o parente pobre da tabela classificativa. Mais grave ainda é que este caso é apenas mais um sintoma do psicótico comportamento do Glorioso para com a classe técnica futebolística. Se mais dúvidas houvessem, basta ver que nos últimos 10 anos apenas 3 treinadores passaram pelo SLB, muito diferente dos casos dos seus rivais que contaram 10 personalidades no banco, no caso do FCP e 14 génios tácticos no que diz respeito aos de Alvalade. A "partilha" é um valor que nos ensinam desde crianças, mas quando o tema é o cargo de treinador, no Benfica faz-se tábua rasa dos mais básicos princípios da vida em sociedade.
No Clube da Luz, o monopolismo do banco tornou-se lei, numa prática que muito envergonha os apaniguados dos encarnados e brancos. Qual conglomerado industrial e multinacional, na Luz não se deixa o estofo do banco disponível para qualquer nádega, açambarcando centenas de jogos em apenas 3 exemplares de traseiros. Felizmente vivemos num estado de direito onde a correspondência e o diálogo privado não têm lugar. O colectivismo intelectual do país obriga à partilha de informação para que todos saibamos de todos. O grito de Morte aos Xibos dos Peste & Sida não vingou e cabe-nos demonstrar gratidão à xibaria, por tornar este e outros casos dignos de constrangimento glorioso, em revelações ilegais, legalizadas pela capota do "interesse público"."

Cadomblé do Vata (especial meio da semana!!!)

"1. Foi divulgada uma escuta telefónica, onde LFV pede 10 milhões ao Everton, para libertar Rui Vitória... as finanças do SLB andam tão mal que o mínimo exigido para formados no clube já baixou a barreira dos 15 milhões de euros.
2. Continuam os protestos por Rui Vitória não ter substituído Almeida ao intervalo, colocando Sálvio na lateral direita... ninguém entendeu ainda que o treinador do SLB poupou o internacional argentino a uma lesão no menisco, caso o André sentisse o seu lugar ameaçado pelo 18 Glorioso?
3. Trofense 0-2 fora em 2009; Arouca 2-2 na Luz em 2013; Jamor SAD 0-2 em 2018... desconte-se o Tondela e o histórico de estreia do SLB contra equipas que disputam a 1ª Liga pela primeira vez, não é nada agradável.
4. O primeiro golo do FCP contra o Feirense daria uma excelente publicidade para a ciência da pedicure... "se o Tiago Mesquita tivesse cortado as unhas, o Feirense hoje só tinha 4 golos sofridos no campeonato".
5. Domingos Soares Oliveira diz que daqui a 15 anos o SLB será um dos 10 melhores clubes europeus... já não bastava o Rui Vitória dizer que temos que saber lidar com o insucesso, agora vem este avisar que nos devemos preparar para cair 9 lugares na lista dos melhores clubes europeus em apenas dezena e meia de anos."

Halloween Luz !!!

A venda da justiça

"Por favor, doutora.
Por favor. É um homem a implorar.
A doutora é uma magistrada. Juíza, procuradora, não sabemos; nem o seu nome. Já o do homem, sim. É suspeito de homicídio.
Desde 2013, o Código de Processo Penal decreta que o interrogatório dos arguidos deve ser gravado em áudio ou vídeo. Neste não houve vídeo. Houvesse, e teríamos também, além da voz, a imagem deste homem divulgada às oito da noite, na abertura de um bloco dito noticioso de um canal de TV. 
Porque é num canal de TV que ouvimos a voz deste homem a implorar. Num canal de TV, no início de um bloco de notícias.
Mas não, não há notícia nenhuma.
Só voyeurismo. Só comprazimento nesta humilhação. Só o deleite de ter acesso a algo que não era suposto ser conhecido, cuja divulgação é proibida. Um "exclusivo", diz o pivô.
Só a destruição da dignidade de uma pessoa e da sua presunção de inocência.
Sim, eu sei: este conceito, o da presunção de inocência, não é popular. O que é popular é acusar, é exibir, é usar os processos judiciais e as suas peças processuais reservadas, cuja divulgação é interdita, como fonte de audiências, de cliques, de vendas. O que é popular é arrastar pessoas pela lama, já que já não - ou ainda não - podemos desmembrá-las no Terreiro do Paço.
O que é popular é dizer "temos o direito de saber tudo, de ver tudo, de vender tudo".
Porque o que vende é pôr a justiça à venda.
Corromper os seus princípios, usá-la como instrumento de perseguição e linchamento. Fazer da justiça exactamente o contrário do que ela é suposta ser.
Usar os seus recursos ao serviço de interesses privados, de lucros privados. E os seus intervenientes como actores de novela - uns com gosto, certamente, outros como coisas.
Não há nenhuma diferença entre esta indignidade - a da divulgação da voz deste homem que implora - e a da célebre fotografia dos foragidos do Porto tirada por um polícia e posta a circular como troféu. O abuso de poder é igual, o propósito de humilhação idêntico. E tudo ilegal.
No caso da fotografia tivemos a imediata reacção do ministro que tutela as polícias. Reputou de inaceitável a divulgação e ordenou um inquérito para descobrir os culpados. Tivemos o Presidente a fazer coro com o ministro. Tivemos a certificação de que há Estado de Direito em Portugal e de que abusos de poder não podem ficar impunes.
Sobre a divulgação dos áudios, porém, nem um 'ai'. Nem da ministra da Justiça, nem do PR. Nem sequer da Procuradoria-Geral da República, que, além de ser a detentora da acção penal em nome do Estado, é também a detentora - a dona, portanto - do processo de onde vieram aqueles áudios.
Temos, pois, de concluir que o que é inaceitável nas polícias aceita-se, bico calado, olhando para outro lado, na justiça.
Ou seja, na justiça o inaceitável torna-se aceitável.
Talvez devêssemos então dar-lhe outro nome. Justiça é que não pode ser."

The Olympic Performance: formação e intervenção com treinadores e atletas em psicologia do desporto

"Traduzindo-se o Programa “The Olympic Performance” num conjunto de acções de formação especializada lançado pelo Comité Olímpico de Portugal (COP), nas mais diferentes áreas que suportam o desempenho desportivo de excelência (como sejam a Medicina Desportiva, a Psicologia do Desporto, a Nutrição, entre outras), iniciou-se na passada sexta-feira, nas instalações do mesmo, o primeiro módulo de formação em Psicologia do Desporto, sob o tema “Saúde e Bem Estar como pilares de um Rendimento Desportivo de Excelência”.
Por ser um passo importante, no que respeita ao suporte que passa a ser dado a atletas e treinadores que representam Portugal nas mais diferentes competições internacionais, entende-se como oportuno fazer a sua caracterização de forma mais alargada, para que os todos os interessados possam, de alguma forma, aceder ao mesmo.

Análise de necessidades
Com a preocupação de dotar os diferentes agentes desportivos (treinadores, atletas, dirigentes, equipas médicas, árbitros, encarregados de educação, entre outros) com conhecimento específico nas áreas da Psicologia do Desporto e Comportamento Humano, entendeu o COP lançar, de forma sustentada, a área da Psicologia de Desporto, integrada no âmbito da Direcção de Medicina Desportiva (sob responsabilidade do Dr. José Gomes Pereira).
Mediante informação recolhida junto das Federações (via questionário, contacto telefónico e reuniões presenciais), conseguiu-se caracterizar, de facto, uma realidade que revelou estar aquém do esperado para um contexto de alta performance (a realidade olímpica), onde uma série de disciplinas científicas se devem cruzar (e onde é suposto ver-se encontrada a área da Psicologia do Desporto) com o intuito de suportar o desempenho dos nossos atletas.
Em traços gerais, apenas cerca de 33% das Federações tinham esta especialidade instalada, cerca de 10% tinham o apoio pontual de profissionais de especialização diversa, permanecendo o remanescente sem qualquer apoio.
Entendeu, por isso, o COP, lançar um conjunto de medidas estruturais com o intuito de se assumir não só como um canal de intervenção directa com os diferentes agentes desportivos, mas acima de tudo, como uma activa parceria na ligação com as Federações, suportando e enquadrando ajuda especializada em diferentes vectores.

Medidas de intervenção
1. Suporte à Contratação e Qualificação do Serviço prestado:
- Definição de um Perfil de Especialista em “Psicologia do Desporto”, ancorado no trabalho já desenvolvido pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, mas avançando, desde logo, uma proposta de enquadramento, mediante os níveis de especialização e experiência (propondo uma série de categorias);
- Apoio ao Recrutamento, suportando entrevistas finais de possíveis candidatos à função de Psicólogo(a) do Desporto nas Federações, emitindo pareceres de análise curricular;
- Disponibilização de um Grupo de Supervisão de Prática Profissional, instalado no COP, com o intuito não só de ajudar a encontrar modelos de intervenção ajustados às especificidades das Federações, mas também elevar a qualidade do serviço prestado.
2. Formação – introdução à Especialidade:
- No âmbito da promoção da difusão do conhecimento acerca dos contributos da especialidade da Psicologia do Desporto para a optimização do rendimento desportivo, associou-se o COP, através do Programa “The Olympic Performance – Psicologia”, às Federações que, entendendo ser útil, queiram integrar formação especializada junto dos seus Treinadores, nos cursos já existentes para os mesmos. 
3. Formação Especializada – Psicologia do Desporto
* Tendo em mente o ciclo olímpico que agora decorre, e com o intuito de poder abranger o maior número de interessados, foi delineado um conjunto de acções de formação para públicos distintos: Treinadores, Atletas e Equipas Médicas.
* O planeamento das acções a ministrar, resultou de uma análise cuidada que pudesse reflectir as preocupações emergentes na realidade nacional e internacional, mas também a dotação de um nível de competências inicial, no que respeita aos “Mental Skills” necessários à exibição de desempenhos de nível superior, de forma consistente e sustentada. A saber:
* Saúde Mental e Bem-Estar como Pilares de Rendimento Desportivo de Excelência
* Competências Psicológicas e Impacto no Rendimento Desportivo: O que são e como treinar/potenciar?
* Gestão de Stress e Regulação Emocional: Transformar a Adversidade em Desafio
* Optimização de Competência Comunicacional para Atletas/Treinadores: Impactos directos e indirectos no Rendimento Desportivo

Propósito global
O intuito deste conjunto de acções e do próprio Programa “The Olympic Performance” (onde se encontram integradas outras áreas de especialidade) prende-se desta forma, não só com a difusão de conhecimento especializado mas, acima de tudo, com a necessidade de gerar proximidade e parceria com aqueles que, dedicando horas de trabalho invisível para o grande público, fazem da sua actividade principal a representação de Portugal nos grandes palcos desportivos mundiais."

Benfiquismo (CMXCV)

Luta... com os Spurs !!!

Leonor & José Nuno... Traquibérnias !!!

Entrevista do Presidente, na TVI

"Telefonema esclarecido
“Vender Rui Vitória [em dezembro de 2017]? Não. Normalmente quando fazemos um contrato com um treinador é para cumprir. Primeiro do que tudo dizer que é de estranhar como aparece uma conversa destas [com um empresário] na Comunicação Social. Disseram-me quais eram as condições e o Benfica disse qual era a cláusula de rescisão, e tudo o que seja para melhorar a vida do nosso treinador… Rui Vitória conhecia a proposta [do Everton], era muito superior à do Benfica. Manifestou-me que não queria sair e que queria levar o projecto até ao fim. Havia um conhecimento do processo através do seu empresário. Clarificámos um com o outro, está mais do que clarificado. Pelas condições que me disseram que ele iria fazer o contrato, não era eu que lhe iria cortar as pernas, nunca o fiz. A diferença de vencimentos era oito vezes mais.”

Rui Vitória 'é o homem certo'
“Há hoje uma grande injustiça em relação a Rui Vitória... Nos dois primeiros anos de Benfica, conquista seis títulos; é campeão com o recorde de pontos: 88; vai aos oitavos e quartos de final da Liga dos Campeões. Tem feito um trabalho fantástico, consegue ter equipas competitivas, lançando sempre jogadores da formação. É o homem certo para o projecto que o Benfica quer. Por minha vontade, será o treinador do Benfica até ao final do contrato. Tem havido um tipo de crítica a Rui Vitória que ele não merece. O Benfica vive pelos seus meios e não quer ser amarrado financeiramente. Continua a investir no Caixa Futebol Campus, porque ali produzem-se verdadeiros campeões. Rui Vitória é o treinador mais indicado para continuarmos a desenvolver este projecto. Além dos jogadores lançados, temos previstos mais três ou quatro para a próxima época. O Benfica não pode andar aos ziguezagues, ao sabor dos resultados. O Benfica está a preparar-se para dominar o futebol português. Queremos ganhar e é com Rui Vitória que vamos ganhar.”

Presente e futuro passam pelo Seixal
“Todo o nosso projecto assenta no Seixal. As pessoas têm de entender que o Benfica não deverá fazer o que fez no passado. Temos de ganhar com os talentos e já provámos que podemos ganhar com eles. Nesta altura estamos a reter os talentos. Não saem a não ser pela cláusula de rescisão. Imagine que tínhamos conseguido reter os outros talentos que saíram... Já temos a base da Selecção Nacional. Se tivermos ofertas de 20/25 milhões de euros, não deixamos. Tivemos ofertas de 40 milhões e 35 milhões nesta época e não vendemos. Qualquer jogador que entre na primeira equipa do Benfica é logo blindado com cláusulas de rescisão elevadas. Gedson renovou e João Félix também vai renovar. Se tivéssemos ganho ao FC Porto… Não ganhámos por um detalhe, mas fomos competitivos, estivemos na luta até ao fim. Quando um jogador recebe uma proposta 2,5 milhões de euros limpos [por ano], como é que se retém este jogador? A única hipótese de sonhar com uma conquista europeia é retendo talento. Há jogadores com 10, 11 e 12 anos de Benfica e podem ficar mais dois ou três anos para irem ao encontro à ambição do Benfica, que é fazer um determinado trajecto na Europa. Depois, poderão sair.”

Momento desportivo
“Compreendo que as pessoas ficassem frustradas com o jogo que perdemos com o Belenenses. Lenços? O que mais me aborreceu foi ver pessoas a sair ao intervalo. Espero que continuem a apoiar como têm apoiado. Ainda no jogo com o Ajax estavam lá 3000. Na hora da derrota temos de estar juntos, porque só juntos ganhamos. Foi sempre assim. São os Sócios que contagiam e arrastam para os êxitos. Num momento negativo não se pode pôr tudo em causa, porque aquilo que se fez até hoje custou muito a fazer. Há 17 anos, o Benfica partiu com um endividamento de 365 ou 370 milhões de euros. Hoje tem 150 milhões de euros de dívida pelos empréstimos obrigacionistas. É autossuficiente há quatro anos. A grande maioria dos Benfiquistas reconhece o trabalho feito e que estamos a fazer. O Benfica está a recuperar os seus capitais próprios e há de continuar a fazê-lo. Temos uma equipa supercompetitiva para o futebol português e a Europa está em aberto. Só peço às pessoas que acreditem e nos apoiem.”

Casos e reputação
“Os nossos principais parceiros têm renovado contrato connosco. A Emirates renovou, outro vai renovar, porque as pessoas sabem a gestão que fazemos e acreditam.” PARCERIAS “Vamos ser uma realidade na China, nos Estados Unidos e noutros países. Perguntaram ao Benfica se estaria disponível para gerir um clube em Inglaterra. Estamos a estudar isso. Hoje há uma procura muito grande, as pessoas querem falar com o Benfica porque, na realidade, somos um sucesso na Europa. Dentro de pouco tempo vamos ter uma boa notícia para os Benfiquistas, uma bomba...”

Paulo Gonçalves
“Em relação ao que se passou num primeiro momento, nada sabíamos. A juíza não decretou medidas de coação. O Paulo Gonçalves não queria continuar na SAD do Benfica. Eu e a Direcção reunimos e, por unanimidade, decidimos que deveria ficar. Num segundo momento, constituído arguido, o Paulo Gonçalves foi ter connosco, disse que não tinha condições para continuar no Benfica e que queria dedicar-se à sua defesa. O que é mau para o Benfica é que o Clube perdeu um grande profissional na área dele. Tudo o que o Benfica ganhou foi dentro de campo com o seu suor.”

Vitórias dentro de campo
“Se se provar que o Benfica ao longo destes 15 anos cometeu actos menos lícitos que levassem à corrupção, eu demito-me imediatamente. Estive sempre na primeira linha pela defesa da verdade desportiva, mas estamos num País em que há muitas denúncias anónimas. Não digo mais nada sobre os processos que estão em segredo de Justiça. Ganhámos sempre dentro do campo, com muito suor, com os nossos jogadores, treinadores e adeptos. Reforçámos a nossa equipa de advogados para que eu e o Domingos Soares de Oliveira não nos envolvêssemos mais nisto. Os Benfiquistas não estão preocupados, sabem quem está à frente do Clube.”

E-Mails
“Receber e-mails a pedir bilhetes? A isso respondo 'OK'. Acha que tenho tempo para ver os e-mails com calma? Eu não trabalho nas bilheteiras do Benfica. Eu tenho outras responsabilidades e preocupações. O Clube tem profissionais que são elogiados na Europa. O que se deve condenar é o roubo de correspondência de dez anos do Benfica. Espionagem industrial? Revolta-me falar nisto. Obviamente alguém entrou na correspondência privada do Benfica, expondo as vidas dos funcionários. Não há lá ofertas a ninguém, dinheiro a prostitutas, almoços com árbitros, nada.”

Até às últimas consequências
“A história dos e-mails marcou-nos, não estávamos preparados para lidar com o crime organizado. Os hackers e os bloggers têm de ser penalizados. Iremos até às últimas consequências. Fizeram muito mal ao Benfica. FC Porto e Sporting por detrás disto? Isso é com a Justiça. Vamos aguardar pela chegada de notícias, e acredito que em breve haverá novidades. A verdade tem de aparecer. Quem pagou, por que pagou... O Benfica tem de pedir altas indemnizações pelos estragos que nos fizeram. Parece que há uma Justiça para uns e uma Justiça para outros. O futebol português é uma indústria que gera milhões e milhões de euros e tem sido maltratada.”

Luisão
“Tem 15 anos de Benfica, é um grande capitão do Benfica, é o meu companheiro de viagem, o único que conhece a desgraça que havia e a fartura, no bom sentido, que hoje existe no Benfica, onde nada falta. Pela influência que tem, eu tinha de lhe renovar o contrato. Um dia falámos os dois, falámos com o treinador, rescindiu e fica no Benfica a trabalhar de outra maneira, com outras funções. Gostamos de tratar bem todos os atletas e Luisão merecia uma atenção especial. Como não estava a jogar, não se sentia bem. Problema com Rui Vitória? É difícil que haja um problema dentro da nossa casa. Duvido que tenha havido. São vizinhos, falam muito um com o outro. Disse-me que estava na hora de pendurar as chuteiras. A princípio não estava a acreditar, mas quando vi que era a sério perguntei-lhe como é que ia ser a festa de despedida.”

Caso António Simões
“Quem me conhece sabe que nunca fiz censura no Benfica, praticamente nem vou ao canal [BTV]. Não vou falar muito de António Simões por respeito ao Benfica. O senhor António Simões mentiu! Quando quiser ficar clarificado de vez, vai falar comigo. O Benfica respeita-o e ele tem de respeitar o Benfica. Eusébio só há um! Não admito que venha dizer que é o Benfica. Devo ter sido o único presidente do Clube que apoiou os antigos jogadores. Ninguém pode imitar Eusébio. Não posso receber lições de António Simões. Se alguém está perto e ajuda sou eu. O senhor António Simões não tem o direito de fazer o que fez publicamente, manchando grandes profissionais da nossa casa. Não foi ele que ligou para mim, fui eu que liguei para ele, porque sabia de conversas dele e do Malheiro na rua. A conversa que tive com ele não vou divulgá-la. Se ele tem algum problema com o Benfica que o resolva dentro do Clube. Veja-se o que ele fez com o Calado. Simões esqueceu-se de quem o ajudou no passado. Não há um comentador nas televisões que leve um recado meu.”

15 anos de Presidência
“O Benfica era um Clube falido, nem as pedras da calçada eram nossas. Investimos na construção do estádio. Fizemos um centro de estágio que é considerado um dos melhores da Europa. Vamos continuar a aumentar a capacidade do Caixa Futebol Campus porque é por ali que passa o nosso projecto. Temos uma aposta firme na Formação. Vamos ser a primeira SAD a ter os capitais próprios recuperados. Não dependemos de nenhum banco, temos uma estrutura profissional que é reconhecida internacionalmente. Há clubes de renome que vêm ter connosco para saber como é que o Benfica tem sucesso e recuperou financeiramente tão depressa. Isto só foi possível pela estabilidade das Direcções que tenho comandado. Posso já dizer que sou candidato às próximas eleições.”

15 anos de Estádio da Luz
“O melhor momento foi na inauguração. Foi uma sensação muito esquisita, a forma como foi construído, o envolvimento no projecto… Não foi fácil e só foi possível por causa do Mário Dias. O dia da maior tristeza foi o do adeus ao Eusébio. Foi um dia que marcou muito os Benfiquistas. As pessoas sabem como sou.”

Jorge Mendes e renovação de João Félix
“A Gestifute, empresa de Jorge Mendes, é parceira do Benfica. Ainda ontem acordámos a renovação de João Félix. Não é fácil facturar 100 milhões de euros em vendas de jogadores. Tem de haver uma parceria.”

A renovação de Salvio
“A vontade do Benfica é que renove. Depois de amanhã vou estar com o empresário dele. Temos toda a vontade de que fique. E Salvio tem toda a vontade de ficar. Samaris? É um activo do Benfica.” 

Mercado de Inverno
“Temos um plantel com 28 jogadores e poderemos encurtar um pouco.”

Jonas
“O Benfica sempre manifestou vontade de renovar contrato com Jonas. Acho que houve uma fase em que ele esteve inclinado em sair, mas, depois de falar com a família, disse-me que não queria sair. É o jogador mais caro do Benfica, não interessa quanto ganha.”

Candidato nas próximas eleições
"Se alguma coisa me move são os Sócios do Benfica. Faltam-me dois anos para terminar o mandato. E vou ser novamente candidato a presidente do Benfica. E se tiver de fazer outro, faço. A oposição vai sempre existir. Quando houver unanimidade é muito mau. Os Sócios é que vão decidir. Até agora têm-me escolhido. Pelo trabalho que desenvolvi, acredito que a grande maioria vai votar em mim. Temos projectado fazer o Colégio, em três fases, estamos a negociar mais um terreno, vamos ter direito de superfície de 50 a 75 anos para mais seis campos e um polo hoteleiro. O Seixal fica blindado. Estamos a fazer o projecto do Centro de Alto Rendimento para arrancar. Outra coisa que queremos fazer em termos estatutários é limitar o endividamento. Não temos hipotecas, zero! Todo o património é do Sport Lisboa e Benfica. Quero entregar o Benfica aos Benfiquistas."

Grupos organizados de adeptos
“Aquilo que chamam de claques, mas não são claques. E assim vou manter este assunto. São Sócios do Sport Lisboa e Benfica, pagam as suas quotas, têm as mesmas regalias que eu tenho, têm RED PASS. Tenho de os respeitar como Sócios do Clube.”

Arbitragem condicionada
“Artur Soares Dias não desistiu da queixa [da invasão ao Centro de Treinos da Maia]. Onde é que ela está? Se calhar o Conselho de Arbitragem não tem protegido os árbitros. Estou à vontade, nunca almocei com árbitros, nunca estive em túneis a criticá-los, a ameaçá-los... A arbitragem está condicionada, mas não somos nós. Nós não condicionamos ninguém! Eu não estou contra a arbitragem em si. Não voltámos ao tempo do Apito Dourado, atenção. Erram com todos [os clubes] e vão errar. Se até o VAR erra...”

Relação com os rivais
“Conheci e lidei de perto com cinco presidentes do Sporting. Quando se preocupavam só com o Sporting, ganhavam alguma coisa, alguns títulos. Os que, para unir as tropas, tiveram de falar no Benfica, ficaram pelo caminho. O senhor Frederico Varandas, se vem com o mesmo propósito, também não deve lá ficar muito tempo. Se se preocupar só com o Sporting, pode ser que tenha sucesso. Se se preocupar com o vizinho do lado, nunca mais lá vai chegar, porque o vizinho do lado já vai com grande andamento. Não tenho problema nenhum em sentar-me com os outros presidentes. Isso aconteceu para resolvermos problemas da Liga. Uma coisa que acordámos [Luís Filipe Vieira e Pinto da Costa] é que nem o Benfica nem o FC Porto podiam ter pessoas nos órgãos da Liga, e assim vai continuar.”

Reconquista, Champions e Formação nas Modalidades
“A Reconquista é um objectivo que temos. Estruturámos uma equipa para ganhar o Campeonato e para estarmos na Europa. Nas modalidades a mesma coisa, tendo equipas competitivas sem nunca nos desviarmos da Formação. No próximo ano, qualquer plantel das modalidades tem de ter pelo menos 25% de jogadores saídos da Formação. Se é assim no futebol, também tem de ser nas modalidades. O futuro passa por aqui e não me vou desviar. Champions? Não é impossível o Benfica ir aos oitavos de final. A derrota na Holanda [com o Ajax] foi uma injustiça. Mas temos de recuperar e é já na próxima terça-feira [segundo jogo com o Ajax, agora no Estádio da Luz] que temos de ganhar.”"



105x68... 15 anos, Formação, Jamor, Modalidades... desVAR !!!

Foi você que tirou a bola a este senhor no recreio da escola?

"Quatro meses.
O Real Madrid teve mais de sessenta dias para avaliar, pensar, reflectir, pensar novamente e escolher o treinador certo para o projecto da equipa principal. Depois de ter feito tudo isso, acredita-se, optou por Julen Lopetegui e não perdeu tempo em segurá-lo: assinou até poucos dias antes do início de um Mundial. O que colocou em cheque o carácter do treinador e agitou a selecção espanhola.
No fim de contas, o resultado de tanta avaliação, pensamento, reflexão e mais pensamento, durou quatro meses. Um dos quais nem sequer teve competição.
Bastaram pouco mais de noventa dias para o Real Madrid rasgar um acordo que devia ter sido feito em consciência. Com ponderação, equilíbrio e sensatez.
Num comunicado que lava as mãos e tapa os olhos, Florentino Perez pôs aquela cara do não olhem para mim, só estava a passar por aqui, eu nem sequer sou o responsável por isto e tão pouco estou de acordo, mas sou uma pessoa educada e não posso permitir esta traição.
Pôs enfim uma cara de anjo e vestiu um par de asas.
A verdade é que a esmagadora maioria dos dirigentes de futebol parece ter sido excluída dos jogos quando era criança e tenta recuperar o tempo perdido em adulto. Não é bem uma vingança, é um acerto de contas com algum tipo de caso mal resolvido na personalidade.
Comportam-se, enfim, como se estivessem no recreio da escola e desta vez fossem eles a mandar. 
Põem e dispõem, mandam entrar e sair, proíbem, castigam, promovem e despromovem, contratam e dispensam. Sem um critério, sem uma ideia, sem um fundamento.
No fundo para nós, simples mortais que tivemos uma infância normal, que brincámos ao pisa o pé e à macaca, à apanhada e ao bota fora, que jogámos à bola até ser hora de jantar, dirigir um clube devia ser uma coisa feita com método e preceito, seguindo princípios bem definidos e um conceito superior de caminho para o sucesso. Uma coisa séria, portanto, que não se regesse por impulsos.
O Real Madrid acabou de nos mostrar que muitas vezes não é assim.
Mas quem fala em Real Madrid pode falar de qualquer outro clube. Em Portugal, por exemplo, as chicotadas psicológicas tornaram-se rotineiras, por vezes um clube tem até três treinadores numa época. Neste preciso momento, aliás, José Peseiro e Rui Vitória estão com a corda na garganta.
Um dia qualquer haverá um treinador despedido e um dirigente a lavar as mãos.
Como se também ele não fosse culpado, como se também ele não tivesse falhado, como se também ele não fosse responsável pelo fracasso que a equipa poderá estar a viver.
Gil y Gil dizia que, para ele, despedir um treinador era como beber uma cerveja. «Posso despedir vinte. Posso até despedir cem treinadores, se for preciso.»
O que no fundo é lapidar. É assim que funciona um dirigente num país latino.
Sem um critério, sem um desígnio, sem um projecto. Será assim tão difícil fazer as coisas bem feitas?
Quatro meses, meus senhores..."

Vitória nos Barreiros...

Marítimo 0 - 1 Benfica
Guga


Tem havido muito rotação: Juniores, jogadores da B, algumas lesões importantes, e até o treinador principal já foi trocado, talvez por isso os 'automatismos' desta equipa não sejam melhores! E somos de longe a equipa com média de idades mais baixa...
Hoje foi uma vitória no suor, jogámos pouco, principalmente no ataque...

Destaque para o Tomás Domingos, que fez o seu segundo jogo a titular no Benfica, e voltou a jogar bem, temos mais um lateral direito de qualidade...

Ainda acabámos com  9 jogadores, depois de 2 expulsões!!! Não discuto o critério das expulsões, mas é de facto muito fácil expulsar jogadores do Benfica... Agora, ficou por marcar um penalty descarado a favor do Benfica, um autêntico atropelamento...!!!

Manual de sobrevivência de um benfiquista crédulo para a época em curso…

"1. Não deixes contaminar a tua superior dimensão de adepto Benfiquista com a de consumidor, subordinado a um contexto empresarial de eficiências líquidas garantidas. Nem uma estrutura de platina me convenceria a trocar o símbolo do Benfica, a nossa identidade, por uma valiosa marca. Primeiro o Benfica, depois as decorrências.
2. Quando fores confrontado por apóstolos de diferentes interpretações, age como São Tomé. Não acredites em nada que não vejas ou oiças directamente. Senão, és alvo fácil de manipulação cruzada. Os votos e os euros são teus, o resto é conversa.
3. O melhor Benfiquista que conheces és tu. Acredita que há milhões de outros Benfiquistas, mas nenhum é melhor, mais autorizado, ou garantido, que tu. Só assim se mantém o “nosso lema”.
4. Desconfia da imprensa escrita e dos diversos produtos e subprodutos audiovisuais sobre o futebol português, difundidos por grupos de comunicação locais, nomeadamente os falidos ou em pré-falência . Eles não são mediadores entre a verdade e o público. São muito mais que isso. Aprende a viver sem eles. Reconforta-te com a ideia que eles não vivem sem ti.
5. Encara o futebol português como algo intencionalmente embrutecido para que o mérito e a história se diluam na corrupção generalizada.
6. Olha para a FPF e Liga de Clubes como inevitabilidades políticas, como a carga fiscal, que nunca te darão o que exiges. Arbitragem, disciplina, órgãos, deliberações, comunicados são todos conceitos sinónimos de uma economia circular, em torno da adulteração da verdade desportiva.
7. Reafirma o teu carácter com a permanente denúncia dos indícios de corrupção que observas. As redes sociais servem para isso e para perceberes que não és um extraterrestre isolado numa cápsula. Digam eles o que disserem…
8. Prepara-te para os encontrares – corruptos e/ou corruptores - num campo de futebol, num balneário, num gabinete de polícia, numa sala de audiências. Se é verdade que em todo o lado há adeptos como tu, também podes ter a certeza que nem todos têm os teus limites. Enfrenta com naturalidade os limites dos outros, como enfrentas a lei da gravidade quando comemoras um golo do Benfica.
9. Está para nascer o treinador que ganha sozinho. Ainda não foi inventada a fórmula de sucesso para o Presidente/Treinador/Jogador/Adepto. A última experiência tentada pode acabar pior do que alguma vez imaginaste ser possível.
10. Exige, exige sempre. Não há profissionalismo e resultados sem real exigência. Doa a quem doer. Relativiza as desculpas, acentua a exigência fundamentada. Foi ela que nos conduziu ao sucesso recente; é ela que nos pode livrar da difamação, da calúnia, do abuso de poder, da intimidação, da violência e da humilhação de sermos prostrados por um uma tralha de criminosos de periferia."

Olho da Águia

"Belenenses - 2 x 0 - SL Benfica
Árbitro-Artur Soares Dias (Internacional)
VAR-Vítor Ferreira (ascendeu esta época à 1.Liga)

27m – O defesa do Belenenses Reinildo, atinge com o pé direito, Sálvio na sua perna esquerda, no interior da grande área da equipa da casa. Em lance corrido é muito difícil, descortinar esta infracção. Mas é para este tipo de jogadas, que se pede a intervenção do VAR. Vítor Ferreira, descortinou a infracção e aconselhou Artur Soares Dias a consultar o monitor que se encontra junto ao terreno de jogo. Depois da consulta no monitor, o árbitro assinalou penalti a favor da equipa do Benfica e exibiu cartão amarelo ao defensor do Belenenses. Decisão correta, tanto na vertente técnica como disciplinar. O jogador Sálvio ficaria isolado perante o guarda redes, mas o infractor não deve ser expulso, para não sofrer a chamada Tripla punição.
Aproveito esta oportunidade para explicar o porquê do cartão amarelo, neste tipo de lance, já que oiço e leio muita confusão em relação a jogadas deste tipo.
O Internacional Board, por entender que era um castigo muito duro, deu indicações para terminar a Tripla punição. Esta regra começou a ser aplicada no Euro 2016.
O que é a Tripla punição ?
- marcação de penalti (punição máxima em termos técnicos).
- cartão vermelho (punição máxima em termos disciplinares).
- suspensão do infractor no jogo seguinte.
É Só Isto…não “inventem”, para não criar dúvidas…
O que é necessário para que o árbitro apenas exiba o cartão amarelo e não o vermelho, mesmo que o adversário se dirija para a baliza com muitas possibilidades de obter golo ?
Desde que o jogador defensor, tenha apenas a Intenção de jogar a bola, mas chega um pouco tarde ao lance e derruba o seu adversário, o árbitro deve exibir apenas o cartão amarelo.

33m – 1º caso grave do jogo ! Keita jogador do Belenenses em disputa de bola com Rúben Dias, atinge de forma violenta com o cotovelo, a face do jogador do Benfica. O árbitro exibiu o cartão amarelo. Decisão incorrecta. É lance para cartão vermelho. Este jogador deveria ter sido expulso e vai marcar o 2º golo do Belenenses aos 47m de jogo.

35m – Numa jogada de ataque do Belenenses dentro da grande área do Benfica, Licá é derrubado pelo guarda-redes do Benfica, Vlachodimos, que vem a deslizar e tenta jogar a bola com as mãos, chega atrasado e derruba o jogador adversário. Pontapé de penalti e não foi punido em termos disciplinares. Muito bem o árbitro, já que o jogador do Belenenses, entrou na grande área, mas pela zona lateral e assim não estava isolado perante o guarda-redes.
Antes da alteração da lei, que se iniciou no Euro 2016, o guarda redes teria que ser advertido (cartão amarelo). Mas com a “nova lei” é como se “descesse” um “degrau” em termos de punição disciplinar.
O que era vermelho passou a amarelo.
O que era amarelo passou a “nada”.
Entendido ? Espero que sim.

42m – 2º caso grave do jogo ! No inicio da jogada, Lucca jogador do Belenenses, SEM estar a disputar a bola, derruba Pizzi, jogador do Benfica e impede-o de continuar a disputar o lance. No seguimento desta jogada, Keita que deveria estar expulso, desde o minuto 33, vai marcar o 2º golo do Belenenses. Admite-se que o árbitro em lance corrido não tenha detectado a infração. Mas não se admite que o VAR, com as indicações que tem para rever toda a jogada que deu origem a um golo, não tenha informado o seu colega da irregularidade.
Muito mal o VAR !

45m – Jardel defensor do Benfica, entra de forma dura a um adversário. O árbitro exibiu o cartão amarelo. Correta a decisão.

79m – Fejsa jogador do Benfica agarrou Fredy jogador do Belenenses e cortou uma jogada de contra-ataque. Cartão amarelo. Correta a decisão.

Não podemos dar uma nota positiva tanto a Artur Soares Dias, como ao VAR (Vítor Ferreira). Se o VAR tivesse informado o árbitro principal do encontro nas duas situações graves, descritas neste artigo, seria de certeza uma arbitragem muito positiva.
Continuamos à espera de desempenhos de Artur Soares Dias na nossa Liga de acordo com as excelentes exibições que efectua quando é nomeado para jogos internacionais. Nem parece o mesmo árbitro !"