Últimas indefectivações

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Cá se fazem, cá se Payet

"O que se viu no Stade de France foi história a ser concretizada - uma história com três 'F' e um 'E', de Éder, o homem que deu a Portugal o seu primeiro título de campeão europeu
Esta é uma história de Futebol, Fátima e Fado. Assim, por esta ordem. Porque Portugal é um país com uma tradição futebolística imensa, especialmente quando olhamos para o número de habitantes que tem, mas, nas grandes competições, raramente chega lá. Lá, ao momento arrepiante a que chegou esta noite, no Stade de France, porque os portugueses têm muito talento, pois têm, mas jogar bem não é ganhar e nem jogando bem Portugal alguma vez conseguiu ganhar o que quer que fosse.

Vai daí, Fernando Santos puxou da fé (ou da fezada) que tem de sobra e deu a Portugal o que Portugal não tinha: muita crença - começando naquele França-Portugal de 2014 em que disse aos jogadores que iam voltar para jogar a final - e muito pragmatismo - pensando primeiro em não deixar os outros marcar e só depois sermos nós a marcar -, porque se é para jogar bem, ouvir uns elogios e perder, então mais vale jogar mal, engolir umas críticas e ganhar.
Só que isto do Fado é como uma força que ninguém pode parar. Não foi possível pará-la em 2004, quando um miúdo de 19 anos chamado Ronaldo acabou a final dos nossos sonhos a chorar, nem foi possível pará-la esta noite, quando um capitão com coração acabou a final dos sonhos dele, aos 31 anos, a chorar. Cristiano Ronaldo não merecia a entrada dura de Dimitri Payet que o deixou a coxear logo nos primeiros minutos e nós também não, porque foi impossível não chorar quando o capitão chorou, saiu, reentrou, chorou e saiu. De vez.
Aos 24 minutos, Portugal ficou sem a sua referência ofensiva e a final do Europeu ficou sem a sua estrela - até porque nem Griezmann fez a diferença pela França. Se a selecção já tinha entrado no relvado tão inconsistente quanto a música de David Guetta que abriu a final, pior ainda ficou sem o capitão. Os jogadores juntaram a desorientação ao nervosismo e mesmo com a passagem do 4-4-2 inicial para um 4-3-3 (às vezes mais 4-5-1), já com Quaresma numa ala e Renato no meio, a equipa demorou a conseguir ter a bola e a acalmar os franceses, que entraram embalados pelo apoio dos adeptos, obviamente em maioria no estádio.
Só que a França não é uma selecção que se sinta confortável a assumir o jogo - é-o mais quando joga na expectativa e parte para ataques rápidos e contra ataques, como fez com a Alemanha - e só ia criando perigo quando a força física de Sissokho se fazia sentir. Só que, nessas alturas, Portugal teve um gigante na baliza, que defendeu tudo, tanto na 1ª como na 2ª parte - e mesmo quando Rui Patrício não defendeu, no prolongamento, teve o poste a defender por ele.
É verdade que, tirando uma dupla ocasião de Nani e Quaresma, Portugal também não teve grandes oportunidades de golo antes do prolongamento, muito por culpa (da pressão?) dos passes falhados na saída para o ataque. Mas esteve sempre seguro na defesa - Pepe mais uma vez em grande - e foi aproximando-se cada vez mais da baliza oposta, especialmente depois de Fernando Santos ter posto em campo o tão criticado Éder, que foi segurando todas as bolas que pôde - até àquela última bola. Aos 108 minutos.
Raphaël já tinha enviado um livre directo à trave e já se sentia um cheiro a Portugal no ar (entre os milhares de traças que invadiram o relvado porque alguém ontem não desligou as luzes do estádio), por isso quando Éder pegou na bola e embalou para a baliza, todos nos levantámos, todos rezámos, todos gritámos "chuta,
Éder!" - até Ronaldo, que já estava no banco de um lado para o outro a fazer de adjunto de Fernando Santos. Éder chutou, a bola entrou e esta história não poderia ter um final mais épico do que este. É uma epopeia portuguesa, com certeza - que já tinha começado esta manhã com as grandes vitórias dos atletas lusos no Europeu de atletismo. Há dias assim, em que é tudo nosso. Chama-se Fado. E o nosso está a mudar."

Perguntei à noiva se podemos chamar Éderzito ao segundo filho

"Aqui se reconta o que aconteceu no França-Portugal que deu o título à equipa das quinas
Bom, tenho muito pouco tempo para vos falar sobre o que se passou hoje. Como seria de esperar, acabei de perguntar à minha futura mulher se podemos chamar Éderzito ao nosso segundo filho, colocando em risco o nosso noivado. Isso e tenho ali mais 27 minis no frigorífico que não se vão beber sozinhas. Posso vir a tornar-me um pai solteiro, mas uma coisa já ninguém me tira: A TRAÇA É NOSSA.

Sem vos roubar demasiado tempo: ainda o jogo não tinha começado e já o Stade de France tinha sido atacado por uma praga de traças e uma inundação de azeite provocada pela música de David Guetta. Temia-se o pior, e assim foi.

Num jogo até então sem grande história, com Portugal moderadamente borrado e a França a comportar-se como favorita, um filho de uma meretriz, primeiro nome Dimitri, resolve espetar um joelho no Cristiano que mais pareceu um pontapé nas partes podengas de um país inteiro, que instantes depois cairia prostrado aos pés da República Francesa: Liberté, Egalité, Payet. Ronaldo fez uma cara de chorão que já tinha feito no Euro a propósito de situações menos importantes, mas desta vez não se parecia dever a uma jogada mal interpretada por Nani.

Não. Desta vez todos chorámos com a lesão que obrigaria Ronaldo a abandonar o campo. Dirigimos mais alguns nomes às mães dos franceses entre soluços, mas estão a ver aquele tipo de soluço quando um gajo já bebeu bastante que transita involuntariamente para arroto do almoço e quase nos faz vomitar? Esse tipo de soluços. Complicado. Porém, num assomo de consciência colectiva, lembrámo-nos que teríamos de crescer com esta adversidade e que aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes. Estou a brincar. Na verdade pensámos todos que já tínhamos ido com o c”#$%&.

O jogo prossegue a ritmo acelerado, que é como quem diz, vamos lá encurtar a crónica que eu não estava a brincar em relação àquelas minis e ainda tenho de ir ao Parque Eduardo VII trepar aquela estátua do Cutileiro (isto dito assim parece uma piada extremamente sexual, e não no bom sentido). Mas dizia: entram mais alguns indivíduos em campo. Quaresma ocupa o lugar de Ronaldo, seguido por Moutinho no lugar de Adrien, até William ocupa o lugar de William, mas todos eles, por entre um ou outro lance menos bem conseguindo, foram safando como sabiam e podiam, numa obstinação que só poderia ser coroada com um empate no fim do tempo regulamentar, como se o adversário fosse mais ou menos indiferente.

Pouco para contar, então. Mais uma exibição austeritária da selecção portuguesa, que lentamente foi recuperando a sua e a nossa confiança, uma equipa de quem hoje aceitaríamos o congelamento de pensões, a extinção da ADSE, 50 horas na função pública, a corrupção total do estado, ou até Durão Barroso na Goldman Sachs, desde que isso nos garantisse uma vitória igual no mundial de 2018. O nosso antigo capitão Luís Figo disse tudo aos 43 minutos, com um bocejo de quem já só queria que chegasse o prolongamento. Só uma nota importante: ao longo de todo este entretanto, Rui Patrício foi-se mantendo entretido num divertido jogo-treino com a selecção francesa que, se aos 45 minutos já parecia destinado a coroá-lo como melhor em campo, atingiu os 90 com Rui Patrício como novo proprietário do Stade de France. Aquela merda ainda não era toda nossa, mas já era toda dele. Apenas deixou escapar uma bola, quase no final do jogo, mas Nossa Senhora faz uma excelente dobra a Pepe e desviou na direcção do poste. Tudo isto aconteceu logo após a melhor gravata realizada neste Europeu. Não se lembram? Claro que se lembram. Um pouco por todo o país indivíduos alcoolizados já treinam o nó à Quaresma nos seus amigos. Qual Windsor, qual quê. Como executar na íntegra umQuaresma knot? Simples. 1. Escolher uma pessoa. 2. Disputar um lance com essa pessoa. 3. Assim que a bola sair do seu alcance, agarrar o adversário pelo pescoço. 4. Manter a passada e apertar um pouco mais o nó. 5. Verificar níveis de incómodo do adversário. 6. Se o adversário vos parecer confortável, apertar um pouco mais. 6. Desatar o nó e dar uma palmadinha na cara do adversário como se a situação tivesse sido agradável para ambos. 7. Ser aclamado por um país inteiro.

Mais um prolongamento? A sério? Não tenho vida para isto. Será que, em caso de vitória, amanhã é feriado? Porque é que estes frappés nunca mantêm o vinho realmente fresco? Metade do país desloca-se à casa de banho a pensar nestes e em muitos outros temas, hesitando entre fazer apenas xixi ou aquele cocózinho que andava por ali a rondar desde que Sissoko fizera o primeiro sprint do jogo, até porque isto deve ir a penaltis. Acho que dá tempo. Ou será que acontece alguma coisa e não chego a tempo? Da outra vez o Abel Xavier borrou a pintura no prolongamento. Bem, pelo sim pelo não, fico-me pelo xixi e volto para a sala. Se isto correr mal digo que fomos roubados pelo árbitro e vou trocar de cuecas.

Não foi um prolongamento qualquer, na medida em que este nos roubou anos de vida e os devolveria logo depois. Raphael Guerreiro atirou uma bola à trave, os franceses continuaram a ameaçar uma repetição do que nos aconteceu em 2000. Mas o jogo já mudara há muito, designadamente ao minuto 79, com a entrada de Ibrahimovic, perdão, Éder. O nosso ponta-de-lança mal amado (uma espécie de pleonasmo) entrou em campo para fazer aquilo que geralmente se lhe pede mas nem sempre consegue executar. Hoje deixou tudo em campo, pôs a equipa a atacar novamente e veio de lá com uma taça, após um lance que, só de pensar e rever, acabou de justificar mais uma mini de pênalti. Um lance, aos 109 minutos, em que Éder não se liberta apenas dos adversários, mas também de todos os idiotas com ligação à internet que durante anos substituíram a sua cara nas fotografias por um cone. Nisto ajeita o esférico e defere um remate que ficará para a história como a mãe de todas as bofetadas de luva branca. É golo de Portugal. Faltam 10 minutos. Acabem com isto, pelo amor de Deus, Cristiano, Dolores. O jogo prossegue, festejam-se faltas cavadas no meio-campo como se fossem golos. Falta 1 minuto para terminar, já ninguém aguenta isto, vou buscar o champanhe porque isto já não foge. Enquanto isso, Quaresma faz um passe de letra porque Quaresma. 121 minutos, Pepe chuta a bola na direcção do aeroporto. Já lá vou ter.

O jogo acaba. O champanhe continua a ser uma bebida claramente sobrevalorizada, mas estava em promoção. Somos finalmente campeões europeus. Porra. Começo a sentir as mãos pegajosas porque metade não caiu no flute - por flute entenda-se o biberão do meu filho - e começo a lembrar-me, aos poucos, que ainda tenho de escrever esta crónica antes de sair de casa para só depois me perder nos festejos. Isto não foi uma boa ideia. Mas vale a pena. Pelos 23 que lá estiveram, pela equipa técnica, pelos outros milhões todos que estão na rua, e pelos muitos que, ao longo dos últimos 35 anos, me contaram histórias míticas dos jogadores que sempre honraram a nossa camisola, mas a quem faltou uma taça destas. Muitos, os contadores de histórias e os magos da bola, já não pisam o relvado ou não estão connosco. Isto é tudo para todos eles e é uma coisa muito bonita.

No final, o estádio explode de alegria com o primeiro grande título de futebol sénior que todos nós vimos e ouve-se a “A Minha Casinha” dos Xutos. Fernando Santos deve ter ficado intrigado. Merecia a mais solene interpretação de “À minha maneira.” Obrigado Engenheiro. Obrigado Mister. Obrigado Nando. Obrigado Chôr Santos. Obrigado do fundo do coração. A malta gosta de brincar e fazer pouco, mas nunca mais esqueceremos esta noite. Muito obrigado.

EPÁ, QUEM É QUE DEIXOU AS MINIS NO CONGELADOR?!"

Benfiquismo (CLVIII)

Para ti...

domingo, 10 de julho de 2016

Campeões Europeus !!!

E o improvável aconteceu mesmo!!!
A vingança de 2004 caiu em cima dos Franceses... o Éder transformou-se em Charisteas... e Portugal finalmente, vence uma grande competição de Selecções seniores: Portugal é Campeão da Europa!!!

Independentemente das outras variáveis, a grande diferença neste Campeonato, para todas as outras desilusões anteriores, foi o Fernando Santos!!!
Ousou optar por uma estratégia de jogar 'feio'... e foi este pragmatismo, que levou Portugal ao título, as individualidades apagaram-se, e a consistência defensiva, deu-nos a oportunidade de vencer os jogos...!!! Em 7 jogos, vencemos 1, nos 90 minutos... extraordinário!!!

Somos actualmente Campeões da Europa absolutos, somos Campeões Europeus de sub-17, amanhã vai começar o Europeu de sub-19 onde temos reais chances de vencer... chegámos à Final da Europeu de sub-21 o ano passado... e se os Clubes permitirem podemos lutar pelo título Olímpico no próximo mês... num País onde o campo de recrutamento é cada vez menor, temos sabido aproveitar bem o filão Luso-Africano e os jogadores filhos de emigrantes... É um trabalho, da FPF mas principalmente dos Clubes...!

Viva a Portugal... para ser mais correcto: Viva a Lusofonia, porque a festa não tem fronteiras... aliás, estes 23 são bem o espelho da Lusofonia!

Histórico !!!

Dia histórico para o Atletismo Português! Independentemente de todos os condicionalismos deste Campeonato da Europa (nas vésperas dos Jogos Olímpicos... ausência dos Russos!), não podemos desvalorizar estes resultados: 4 medalhas de Ouro e 2 de Bronze... além de outros resultados brilhantes nas Finais..

Começo por dar os Parabéns à Sara Moreira e à Patrícia Mamona pelas Medalhas de Ouro e à Jéssica Augusto pelo Bronze!

Pela primeira vez na nossa História, temos uma medalha nos lançamentos! Tsanko Arnaudov que com uma evolução tremenda no último ano, chegou ao Bronze com 20,42m logo no primeiro ensaio!
Outra evolução espectacular no último ano, foi a da Marta Pen. O 5.º lugar na Final dos 1500m deve saber a Ouro! Numa corrida muito táctica a Martinha 'alterou' a estratégia na última volta, arriscou... e 'sacou' um excelente 5.º...


5.º lugar com recorde pessoal, não se podia pedir mais a Susana Costa no Triplo, 14,34m...Temos 3 dos melhores Triplistas do Mundo, quem diria...!!!

Logo pela manhã, na Meia-Maratona feminina, além do Ouro e do Bronze individual, Portugal conseguiu o título individual, com as nossas Dulce Félix (12.ª) e Vanessa Fernandes (60.ª)... além da nossa ex Marisa Barros (46.ª).
Na Meia-Maratona masculina, as coisas correram muito mal... um espelho do actual valor do nosso Meio-fundo/Fundo masculino...! Rui Pinto (35.º), Samuel Barata (63.º) e Rui Pedro Silva (76.º).

Ontem, não me referi às estafetas por esquecimento, mas os resultados foram medianos/maus: Diogo Antunes e Arnaldo Abrantes nos 4x100m; e a  Dorothe Évora e a Rivinilda Mentai nos 4x400m com a melhor marca do ano, mas mesmo assim soube a pouco...

Nestes Campeonatos da Europa 'diferentes' por diversas razões, tenho que mais uma vez, destacar negativamente a realização televisiva!!! Como tem sido hábito, mais uma vez não tivemos os Concursos em directo!!! Esta nova filosofia de transmissões começou num Mundial na Coreia, Daegu creio, desde então tem sido uma desgraça... dão prioridade a super-slow-motion e a entrevistas cheias de banalidades em vez de mostrar as provas em directo... Hoje, o Tsanko com o Bronze, e não mostraram um único lançamento... e os saltos da Susana e da Patrícia só em diferido!!! Ridículo...


PS: E já não é novidade, mas tenho a felicidade de anunciar que o Benfica sagrou-se hoje, Campeão Nacional de Juniores, em Masculinos e em Femininos!!! Parabéns a todos os envolvidos...

De Paris a Dili

"1. Hoje, de Paris a Dili a língua que, com os seus diferentes cantares, nos aproxima vencerá a enorme distância que nunca nos afasta. E que sempre, mas sempre, nos aproxima. Em momentos tão inesperados quanto singulares. Hoje, seremos milhões de portugueses a partilhar vontade e crença. Sabendo que não há nunca vencedores antecipados! Todos acreditamos na nossa vitória. Que será bem difícil. Todos. De Lisboa ao Porto, da Meda à Ericeira, de Viseu ao Funchal, de Ponta Delgada a Sintra. Hoje, outros milhões de amantes da nossa Selecção e falantes da nossa língua estarão connosco. Na crença e também na vontade de conquista. De Luanda à Praia, de Maputo ao Príncipe, do Rio de Janeiro a Bissau, de Malaca a Macau, de Goa a Boston. Todos, todos mesmo, iremos partilhar, ao vivo, pela televisão, pelos novos meios e novas formas de comunicação ou pelas velhas mas renovadas ondas da rádio, o jogo da nossa Selecção. Se na semana passada, com convicção, aqui escrevi «até Paris» hoje aqui digo que acredito que em Paris viveremos, hoje, uma alegria imensa. E bem intensa! A nossa Selecção, com mérito, conquistou o direito de estar na final deste Europeu. Com um golo fantástico de Cristiano frente a Gales. Um golo à Air Jordan. Tal a impulsão, a força e o gesto! E hoje numa final que será vista por mais de trezentos milhões de telespectadores toda a nossa Selecção mostrará a sua personalidade e a sua maturidade, a sua inteligência e a sua experiência, a sua irreverência e também a sua criatividade. E, se for o caso, e de novo, a sua originalidade! E qualquer que seja o resultado final do jogo de hoje esta Selecção merece o nosso profundo reconhecimento e o nosso sentido agradecimento. Merecem, todos - de Fernando Gomes a Fernando Santos, de Cristiano Ronaldo a Renato Sanches, de Rui Patrício a Nani, de Eduardo a Ricardo Quaresma, de José Carlos Noronha a António Gaspar, de Tiago Craveiro a Humberto Coelho, entre todos os outros, também importantes, que integram a comitiva da Selecção - ser recebidos, amanhã em Lisboa, com intenso calor humano e com um contagiante entusiasmo. Pelo que fizeram, pelo que nos proporcionaram e pelos momentos de identidade e de felicidade que suscitaram. E que levaram tantos e tantos a tentar perceber, por uma vez, a força agregadora do futebol. E o espírito de união que saltou, numa vertigem única, da equipa para as ruas e praças do Mundo mostrou e demonstrou a força singular do futebol. Mas se, como ambicionamos e legitimamente sonhamos, vencermos, no seu estádio de referência - o Estádio de França! - a selecção anfitriã, acreditem que um enorme e apertado abraço - e verdadeiras lágrimas - juntará todos aqueles que em Paris aplaudirão os vencedores e que em Dili, já na alvorada de segunda-feira, motivará milhares de timorenses a sair para as suas ruas livres com aquela emoção que este Europeu e o percurso da nossa Selecção desencadeou e multiplicou. E ajuda a explicar um feito que também eles, de forma singular, igualmente sentem como deles. E que na minha modesta opinião deveria levar a nossa Selecção, em tempos próximos, a Timor Leste! Mas também aquele cantar liderante da jovem portuguesa ou aquelas palavras, roucas de emoção, do jovem de origem portuguesa nas proximidades do centro de estágio da nossa Seleção, são momentos únicos e irrepetíveis deste Europeu. Como o senti e partilhei, de forma evidente, na cidade de Marselha no jogo contra a Polónia. Onde também éramos bem minoritários...

2. Por mim, estarei hoje ao final da tarde a cantar, com força e verdadeira emoção, o nosso Hino naquele emblemático estádio. No meio de milhares que comigo partilham o gosto pelo futebol e o sentimento de orgulho pela proeza desta selecção. E vibrarei, acreditem, com a cautela da nossa Selecção. Sentirei o seu cuidado e a sua serenidade perante a equipa e o ambiente franceses. Perceberei se não jogarem bonito. Digo mesmo: joguem, se for preciso, feio. Joguem mesmo! Aplaudirei, com fervor, os nossos golos e, se necessário outra defesa impossível de Rui Patrício em nova decisiva grande penalidade. Como o fiz abraçando o Bruno e o Nuno em Marselha! E no final, no final mesmo, perante os medíocres da palavra, escrita ou oral, proclamarei, com elegância, que o sonho, o sacrifício, a determinação e a fé - sim também a fé! - venceram a arrogância e a superioridade. Que é sempre bem transitória... Como a história, sempre fria, objectivamente regista!

3. O que igualmente todos sabemos é que cada membro da nossa Selecção, e cada um na sua específica e competente missão, tudo fez - e fizeram! - para dignificar Portugal. O que assumimos, e recordaremos, é que cada um soube conjugar sofrimento com humildade, talento com vontade, confiança com esperança, coração com determinação. E cada gesto de partilha, de generosidade e de agradecimento da nossa Selecção foi um gesto de conquista e de entusiasmo. E houve, reciprocamente, motivação e retribuição. De dentro para fora. E também de fora para dentro! Principalmente em Marcoussis, ponto de encontro de afirmação, de ambição e da saudade! Agora que chegámos à final permitam-nos, a nós que desde o arranque não duvidámos, que o sonho nos leve hoje de Lisboa a Paris. E que regresse concretizado, em euforia controlada, de Paris a Lisboa. De manhã, na ida, ali bem perto do céu, rezarei por Portugal. Com a minha íntima fé. Com a certeza que todos na Selecção acreditam que é possível conquistar este Europeu. E acreditando nesta Selecção, estamos certos que cada jogador, mais ou menos jovem, terá mesmo naquele Estádio de França, uma «alma para além de Almeida». E, no final, as nossas lágrimas de alegria serão, também e justamente as lágrimas de Ronaldo. E de toda a Selecção! E como nos ensinou, também num momento delicado da nossa vida nacional, o nosso Padre António Vieira «o maior mérito das ações heroicas é fazê-las»! É o que importa fazer. Eu acredito! Como todos aqueles milhões que num abraço interno se juntarão em fusos horários diferentes, de Paris a Dili. E com uma intensidade impressionante neste pátrio retângulo que é a nossa âncora, a nossa lareira e o sempre o nosso aconchego!"

Fernando Seara, in A Bola

Final feliz

"Portugal está a noventa minutos de escrever uma história perfeita, com vilões, heróis e uma reviravolta inesperada no fim

Como quaisquer vizinhos que se prezem, os ingleses conhecem os franceses de trás para a frente e, sempre que não estão ocupados a invadi-los ou a ajudá-los a expulsar os alemães, costumam brincar com eles dizendo que a única forma de matar um francês é disparar cinco centímetros acima da cabeça e acertar-lhe em cheio no complexo de superioridade. Quis começar por aqui porque achei que seria reconfortante confirmarmos as suspeitas de que não somos os únicos a achar que eles têm a mania. Ora, é impossível ignorar que há qualquer coisa de literário, no sentido épico da palavra, nesta oportunidade que Portugal conquistou para si próprio de fazer os franceses engolir todos os narizes torcidos e todos os olhos revirados e todos os "dégueulasses" que passaram o último mês a despejar nas críticas sobre o futebol praticado pela Selecção. De tal maneira que o único final feliz para uma história tão bem escrita era Ronaldo pegar nessas críticas todas e usá-las como trampolim para chegar outra vez ao terceiro andar, como aconteceu no golo que marcou ao País de Gales, e ali, mais ou menos cinco centímetros acima da cabeça dos franceses, acertar-lhes em cheio onde lhes dói mais."

Jorge Maia, in O Jogo

Invasões de campo

"Durante este EURO 2016 tivemos oportunidade de visualizar, durante, antes ou depois de alguns jogos, entradas em campo por parte de adeptos para estarem perto dos seus ídolos. Seguia-se uma comunicação da UEFA advertindo da instauração de processos disciplinares às federações a que respeitam as equipas visadas pelos adeptos.
Esta situação causa alguma estranheza. Pelo simples facto de um adepto ter, por exemplo, uma camisola de determinada selecção e decidir entrar no campo, a federação é automaticamente punida? 
O Regulamento Disciplinar da UEFA é claro. No artigo 16, relativo à ordem e segurança nos jogos das competições europeias, é definido que os clubes anfitriões e associações nacionais são responsáveis pela ordem e segurança tanto dentro como em redor do estádio antes, durante e depois dos jogos. Estas entidades são responsáveis pelos incidentes que ocorram e sujeitos a medidas disciplinares, a menos que consigam provar que não foram negligentes na respectiva organização.
No entanto, existe uma espécie de responsabilidade objetiva, independente de culpa, no que toca a alguns comportamentos inadequados dos adeptos. O mesmo artigo estipula que todas as associações e clubes são responsáveis por alguns desses comportamentos e podem estar sujeitos a medidas disciplinares, mesmo que provem a ausência de qualquer negligência na organização do jogo. É o caso da invasão ou tentativa de invasão do campo de jogo, mas também do arremesso de objetos, iluminação de fogos de artifício ou quaisquer outros objetos, perturbação durante hinos nacionais, entre outros comportamentos."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Benfiquismo (CLVII)

Este golo além da vitória neste jogo,
provou,
que mesmo quando tudo parece estar contra...
... é possível triunfar !!!

sábado, 9 de julho de 2016

Aperitivo...

O Benfica venceu hoje o Cova da Piedade num treino de conjunto, realizado no CFC. Aqui fica o resumo:

Rumo ao 1, outra vez

"Quem havia de dizer que a nossa Selecção, a indisputada dona do futebol mais entediante deste Europeu, chegava à final de Paris? Pelos vistos, toda a gente. Porque não houve em Portugal nestes últimos dias frase mais dita, gritada e soluçada do que a velha máxima do 'eu sempre acreditei', o que, sendo verdade, é admirável em função das hesitações exibidas nesta caminhada. Sendo mentira, continua a ser admirável porque se a fé move montanhas, como dizem, mais difícil lhe deve ser impor-se em retroactivos à população de descrentes em geral.
Acreditassem ou não acreditassem - o que interessa isso agora? - a questão é que a Selecção portuguesa segue 'Rumo ao 1', porque em todo o seu historial (sénior) nunca conseguiu ganhar um torneio desta envergadura. O mais perto que esteve desse céu foi há 12 anos mas viria a perder, a final do Euro'2004 para a Grécia, perante o desconsolo de um país inteiro que tão depressa sempre acreditou como deixou de acreditar quando o árbitro apitou para o fim e só valeu o golo de Charisteas e o nosso embaraço.
Rumo ao 1, portanto. Portugal tem tudo para vencer. Tem uma raça de futebol capaz de adormecer até o adversário. E tem a sua velha toalha branca de volta. A toalha branca que Eusébio enrolava no braço para dar sorte sempre que a Selecção jogava foi na quarta-feira o adereço com que Pepe se apresentou na bancada. Pepe, note-se, quando joga bem é português mas quando compromete passa logo a ser brasileiro. Tal como Renato Sanches que quando joga muito tem 25 anos e quando joga pouco tem 18. É nestas coisas que temos de acreditar. Rumo ao 1, outra vez, quem diria?"

Mais uma Final...

Grande lançamento do Tsanko Arnaudov esta manhã em Amesterdão! 20,42m a 4.ª melhor marca da qualificação para a Final do Peso!

Na mesma prova o Marco Fortes, confirmou estar longe do seu melhor, com 18,64m...

Vamos fazer a festa dos portugueses

"A um dia e algumas horas de distância da final da 15.ª edição do Campeonato da Europa, sem que alguém detenha poderes mágicos para adivinhar o que nela irá passar-se, em respeito pela verdade deve sublinhar-se o desempenho espantoso da Selecção Nacional. No princípio, eram 24 países. Agora, são apenas dois, a quem cabe o privilégio de decisão do título. Portugal é hoje falado e admirado no mundo inteiro por causa do futebol. Não por ter jogado bem ou mal, ao ataque ou à defesa ou por ter marcado poucos ou muitos golos, mas tão-somente por ser um dos finalistas. Estatuto determinado pelos resultados, a única fronteira que, em concreto, separa os fracos e os fortes, os vencidos e os vencedores. Que explica também o sucesso estratégico de Fernando Santos, o qual, contra ventos e marés, foi capaz de construir a estrada que o levou tão longe, a ele e aos seus jogadores. Depois, com a franqueza e a tolerância dos homens bons, espalhou a sua mensagem e foi cativando seguidores. A discussão sobre a política competitiva definida para este Europeu, essa, vai prolongar-se e suscitar barulho imenso sem que se vislumbre uma conclusão nos anos mais próximos... No entanto, apesar da confiança do nosso seleccionador na vitória, convém destacar que, independentemente do resultado de amanhã, ninguém pode apagar o caminho que a Selecção já percorreu, sendo certo que partimos para a última final não para estragar a festa dos franceses, mas sim para fazer a festa dos portugueses.
A força de acreditar de Fernando Santos teve a virtude de revolucionar o discurso do treinador lusitano. Foi uma decisão corajosa e um salto de gigante em direcção ao futuro. Marco Silva, que representa a nova geração, já percebeu a mudança e felicitou o seleccionador por isso."

Fernando Guerra, in A Bola

Para bem!

"Que não haja dúvidas sobre um dos mais belos predicados da vida real: a misteriosa capacidade de ultrapassar os limites da imaginação ou do onírico. Na verdade, por mais fantasiosa ou épica que uma vida ideal possa parecer, ainda assim as malhas tecidas pelas concretas circunstâncias da realidade - ou seja, da única vida que, de verdade, existe mesmo - conseguem sempre surpreender pelo espanto. Cá estará o dia de amanhã como mais um exemplo de excelência para o comprovar.
A final do Europeu é, e não poderá deixar de ser, um jogo de futebol. Mas engana-se redondamente quem julgar que se trata só de um jogo de futebol. Assim como se poderá dizer com plena propriedade, parafraseando uma famosa lição, que quem só saiba de futebol nem de futebol afinal saberá, também quem ignorar o - como designá-lo? - lado lunar do futebol estará a desprezar uma dimensão nuclear da realidade.
Nunca apreciei os queixumes e lamentos ordinariamente invocados como supostas causas justificativas dos insucessos, mesmo quando estejam sustentados em factos reais, o que, aliás é raro, e não sejam apenas resultantes do delírio latente, da má fé consciente ou da cobardia escondida pela falta de vergonha. Por isso, simetricamente, não há porque aceitar a atribuição principal do êxito à sorte do jogo, à cumplicidade do sorteio ou à benevolência das arbitragens. Sem mérito ninguém chega aonde de onde amanhã vamos partir.
O mundo inteiro cabe numa bola de futebol. Aos incréus: é favor perguntar a Raphael Guerreiro, Anthony Lopes ou Adrien Silva. Ou também aos ancestrais lusos de Antoine Griezmann, para não mencionar já os de Matuidi.
Obrigado selecção nacional! Parabéns! E para bem!"

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Benfiquismo (CLVI)

Embaixador Xanana...!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Melhor da Seleção é Fernando Santos

"Pela terceira semana consecutiva escrevo que o melhor da nossa selecção é Fernando Santos. Sei que escrevo contra a corrente, mas firme na minha convicção. Quem acreditou sempre que ia a Paris foi Fernando Santos. Quem uniu o grupo foi Fernando Santos. Quem nunca perdeu um jogo oficial (14) como seleccionador foi Fernando Santos. Quem fez de um conjunto de jogadores (alguns com limitações óbvias para este nível) uma equipa foi Fernando Santos. Quem pôs Ronaldo a defender e jogar para a equipa foi Fernando Santos.
É por isso que domingo entramos orgulhosos em Paris, com Fernando Santos à frente de um grupo que ele soube inventar mesmo quando só Ronaldo voa assim e pára no ar para dar uma cabeçada no destino. Podemos perder (o mais provável) ou ganhar (era sonho) mas este foi um fantástico europeu e Fernando Santos um excelente treinador.
Os favoritos eram Bélgica, Alemanha e França (só), Portugal soube ser a grande surpresa, o intruso inesperado. Houve várias prestações acima do esperado, mas é Portugal o não favorito que está em Paris. Resta-nos agora sonhar com a Dinamarca de 92 ou a Grécia de 2004 que também só começaram como artistas convidados, e acabaram com a Europa a seus pés. Gales fez um excelente europeu, o melhor da sua história, os seus adeptos a cantar The land of my father são uma imagem inesquecível daquilo que o futebol é capaz.
As pré-épocas não ganham nada (a do último ano foi má e a época foi excelente), mas este ano a calma e assertividade do Benfica merecem registo. Carrillo fica para ser campeão e Zivkovic é aposta muito prometedora. Tudo parece fazer sentido no reforço de uma equipa campeã, digo tricampeã, que lutará sem tréguas pelo tetra.
É já na próxima quinta-feira que começam os jogos treino, onde as promessas e as certezas se distinguem e onde cada adepto pode fazer de Rui Vitória com palpites e prognósticos."

Sílvio Cervan, in A Bola

Bom dia...

As duas Benfiquistas que entraram hoje em acção no Olímpico de Amesterdão, estiveram muito bem!

Logo pela matina, a Susana Costa, garantiu a qualificação para a Final do Triplo Salto, com 13,94m a 38cm da sua melhor marca...

Na sessão da tarde, a Marta Pen voltou a fazer uma grande corrida... depois do título Universitário Norte-Americano, depois do seu recorde pessoal com qualificação Olímpica, agora vamos ter a Marta na Final do Europeu!!! O tempo hoje não interessava, e a estratégia da Marta voltou a resultar... com um ataque fulminante aos 200m...
Quando a Marta, conseguir aumentar a velocidade a 400m da meta, e mesmo assim ter a mudança de velocidade aos 200m, vai lutar pelas medalhas nas principais competições!
A experiência Norte-Americana está a fazer muito bem à Marta...

Os frustrados e os heróis

"Com tanta perseguição, maledicência, imputação de culpa a terceiros, desculpas de mau pagador, enxovalhamento, o que resta é apenas uma macroideia na sociedade, de repulsa e de medo, por fazer o que quer que seja.
Hoje em dia, qualquer voluntarista é "tolinho". É muito mais cómodo nada fazer, porque se faz e corre mal, é porque foi mal feito.
É assim que pensam os nossos Tribunais, movidos pela força de uma "imprensa" que é a dona disto tudo. Mas para quê esta conversa?
Pela selecção Portuguesa.
Não sei nem faço a mínima ideia, no momento em que escrevo este artigo, qual será o resultado do jogo entre Portugal e o País de Gales. Mas há muita coisa que sei.
O típico português actual, esconde-se, não mexe, pira-se, que é para não ter problemas. Todos sabemos que o melhor é nada fazer, porque se chutarmos para canto, ninguém nos chateia. E se nos reformarmos mais cedo, melhor ainda.
A história de João Moutinho e Cristiano Ronaldo, correu e corre meio mundo, cada vez mais com novos vídeos. O último então é demonstrador do que digo.
De um lado o típico português de 2016, esquivo, escondido, bazante e do outro o raro português de 2016, corajoso, atrevido, confiante e com os ditos no sítio.
Repare-se nisto - se o tal corajoso, atrevido, confiante falhasse, era porque era vaidoso, uma besta, um corrupto, uma vergonha, um presunçoso, enfim, estava rotulado para o resto da vida.
Em bom rigor, no início, foi isso que aconteceu. Na fase de grupos, todos a disseram mal do homem. Quando Portugal ganhou à Croácia, vi alguns jogadores virem a público dizer - critiquem-no lá agora?!
Pois bem! A coisa correu bem e o homem é um herói. Pobre fadinho Lusitano e pobrezinhos de espírito! Faz-me lembrar um certo presidente que tanto mal disse do Renato, que quando o ouvi dar o braço a torcer, apenas pude considerar que tal mudança de opinião e paradigma, apenas pode ter a ver com o seu novo aspecto esbelto e esguio, derivado da perda de substâncias tóxicas, afinal estas as responsáveis pelo que dizia!
Não me interessa se a Selecção ganhou ao País de Gales, ou perdeu, para mudar a minha opinião.
Ela, a esta distância é muito positiva e tenho orgulho de ter um herói afirmado na Selecção Portuguesa, aconteça o que acontecer.
Nunca uma Nação tão maledicente se sentiu tão orgulhosa, como agora. Mesmo que isso custe microfones dentro de lagos, lágrimas, ou o que quer que seja.
É destas pessoas que Portugal precisa, mas não se consegue arranjar pessoas destas se continuarmos dentro da nossa mediocridade, a perseguir tudo e todos, a linchar tudo e todos, a comer-nos diariamente. Há uma grande diferença de nível entre o herói e o resto da matilha. E não devia haver! 
É verdade. Gostava de sair deste canto à beira-mar plantado. Mas já não tenho idade, nem força, nem capacidade.
Só conheço uma pessoa que nunca teve medo de errar e que construiu um Império, destruído pelas chamas de Azevedo. Esse homem chama-se Luís Filipe Vieira. Outro herói.
O escudo português assenta sobre a esfera armilar. Excepto durante o reinado de Dom Afonso Henriques, está presente em cada bandeira histórica, de uma forma ou de outra. É o principal símbolo português, bem como um dos mais antigos, com os primeiros elementos do escudo actual a aparecerem durante o reinado de D. Sancho I. A evolução da bandeira portuguesa está inerentemente associada com a evolução do escudo.
Dentro de uma borda branca, cinco pequenos escudos azuis, com seus cinco besantes brancos representam as Cinco Chagas de Cristo quando crucificado e popularmente associadas com o "Milagre de Ourique".
A lenda associada com este milagre conta que antes da Batalha de Ourique (25 de Julho de 1139), o Anjo Custódio apareceu diante de Conde Afonso Henriques (futuro Afonso I de Portugal) como um mensageiro divino. Previu a vitória de Afonso Henriques e garantiu-lhe que Deus estava olhando por ele e seus pares. O Anjo aconselhou-o a afastar-se de seu acampamento, sozinho, se ouvisse o sino da capela próxima a tocar na noite seguinte. Ao fazer isso, testemunhou uma aparição de Jesus na cruz. Eufórico, ouviu Jesus prometendo vitórias para as batalhas que viessem, dizendo que Deus desejava agir através de Afonso e seus descendentes, a fim de criar um império que levaria seu nome para terras desconhecidas, escolhendo o português para realizar grandes tarefas.
Impulsionado por esta experiência espiritual, Afonso Henriques ganhou a batalha contra um inimigo poderoso. Diz a lenda que Afonso Henriques matou os cinco reis mouros das taifas de Sevilha, Badajoz, Elvas, Évora e Beja, antes de dizimar as tropas inimigas. Assim, em gratidão a Jesus Cristo, incorporou cinco escudos dispostos em forma de cruz cristã, representando a vitória divina conduzida sobre os cinco reis inimigos cada um carregando com as cinco chagas de Cristo na forma de besantes de prata. A soma de todos os besantes (sendo os besantes centrais contados duas vezes) daria trinta, simbolizando os 30 dinheiros que Judas teria recebido pela traição a Jesus Cristo.
Hoje, Cristo e a Igreja estão nas ruas da amargura pela mão da Imprensa e os traidores, estão cheios de moedas de Ouro."

Pragal Colaço, in O Benfica

O Tetra começa aqui

"O Campeonato da Europa tem dispersado as atenções, mas a nova temporada clubista está aí, e o mercado continua a girar.
No Seixal trabalha-se no duro, enquanto os adeptos se mantêm na esperança de que o plantel campeão não sofra mais mexidas. No news, good news...
Para já, ficámos sem Renato Sanches e Nico Gaitán, duas saídas inevitáveis que não serão fáceis de suprir. De entrada estão Carrillo, Cervi, Celis, André Horta, Kalaica, Benitez e, ao que parece, Zivkovic. Alguns deles de qualidade acima de suspeita.
Outros, apostas de futuro. Por agora, talvez falte apenas um substituto directo para Renato Sanches, pois tanto quanto conheço dos reforços anunciados, nenhum preenche essas características. De resto, mantendo-se a base titular, a equipa ficará muito forte, e tem tudo para enfrentar a luta pelo 36.º título com optimismo.
Na baliza não parece haver alterações. Na defesa, seria importante manter o quarteto base da temporada passada, nomeadamente a dupla de centrais rápida e forte no jogo aéreo. No centro do terreno, haverá necessariamente mudanças, devido às saídas acima mencionadas, mas homens como Fejsa, Pizzi, Samaris, Salvio ou Gonçalo Guedes serão o fio condutor capaz de enquadrar os novos recrutas. No ataque, certos que estão Mitroglou e Jimenez, seria determinante manter Jonas, pois não é fácil encontrar no mercado alguém que marque quase 70 golos em dois anos, e que assuma tanta preponderância na manobra ofensiva da equipa. Além da valia técnica dos jogadores, há que preservar o espírito que levou ao Tri. E com estes jogadores, sabemos que contamos com entrega total."

Luís Fialho, in O Benfica

Parabéns SCP

"Em Junho de 1987, aos dez anos, aprendi uma das principais diferenças entre o benfiquismo e o sportinguismo. Ao orgulho sentido pelas conquistas do Campeonato Nacional e Taça de Portugal nessa temporada, os meus amigos leoninos tentaram atingir-me com a goleada, por 7-1, sofrida em Alvalade meses antes. Nos anos seguintes, nas evocações das presenças, em 1988 e 1990, na final da TCCE, assim como dos títulos nacionais em 1989 e 1991, era sempre, por esses tais amigos, relembrada a tal goleada. Nessa altura, longe estaria eu de imaginar que, passados mais de 25 anos, a efeméride continuaria a ser celebrada em jantares de convívio.
Poderia dar-se o caso de esta ser uma iniciativa singular, no entanto é mais uma entre tantas reveladoras de um traço identitário do sportinguismo manifestado em diversas ocasiões: O anti-benfiquismo. A mais recente teve lugar na Gala do Sporting, na âmbito das comemorações do aniversário do clube. Pelas redes sociais, vimo-los de braços no ar a darem "graças a Deus não nasci lampião" e sorridentes por terem "encavado os lampiões" no Algarve (ST) e porque "foi um ai Jesus, assustámos os papões (0-3 na Luz)", num exercício de puro sportinguismo, inglório apesar do esforço, dedicação e devoção nas sucessivas tentativas de antagonismo ao Benfica, o maior e melhor clube português. Assim se entende o espaço deixado vazio na sua renovada sala de troféus, reservado para o próximo troféu de campeão nacional. Um dia será ocupado, não se sabe é quando. Seja pela via desportiva ou pelo revisionismo da história das competições, é certo e sabido que constará qualquer coisa nesse compartimento. Nem que seja o troféu Rui Santos."

João Tomaz, in O Benfica

Obrigado pela escolha e parabéns, Raphael Guerreiro

"Quis representar Portugal apesar de ter nascido e crescido em França; chega à final do Euro2016 a dois passos de casa

«O Raphael Guerreiro talvez tenha sido o que me surpreendeu mais, porque era muito desconhecido para mim. Dei comigo no primeiro treino a olhar para ele e a pensar ‘epá, que talento é este?’» 
Fernando Santos confessou o entusiasmo em relação ao esquerdino ainda em Abril, durante uma entrevista à SportTV. Por essa altura já sabia que não podia contar com Fábio Coentrão no Euro2016. 
Chegou o Campeonato da Europa, Raphael Guerreiro entrou no onze e de repente tudo parecia natural: era aquele o seu lugar. Não me limitava a cumprir, transcendia-se e era por vezes o mais entusiasmante da Selecção.
Não me recordo de um jogo mau do luso-francês pela equipa das Quinas. Neste Campeonato da Europa teve de parar por lesão mas foi dos mais regulares em campo. Sempre com nota elevada. 
Raphael, na incompleta maturidade dos seus 22 anos, assumiu riscos quando poucos denotavam à-vontade para tal e foi geralmente feliz. Frente a Gales, como se tornou hábito, foi dos melhores da Selecção. Assistiu Cristiano Ronaldo para o 1-0.
Portugal já teve mais e menos Ronaldo. Mais e menos Nani. Mais e menos Renato Sanches. Pepe subiu de produção, Fonte e Adrien vão pelo mesmo caminho, mas fica o elogio para a constante: Raphael Guerreiro.
Não é fácil conseguir o que Raphael conseguiu. Garantiu unanimidade numa posição delicada, compensando a ausência de um dos elementos mais influentes na manobra da Selecção, pela qualidade e entrega, ao longo dos últimos anos: Fábio Coentrão.
O jovem que vai trocar o Lorient pelo Borussia Dortmund não ocupa manchetes. Fala pouco, prima pela discrição fora de campo, é ainda um relativo desconhecido para o grande público. Fica o elogio, não por merecer mais que os outros, mas porque nem sempre teve o espaço que justificou.
Devemos igualmente agradecer a Raphael Adelino José Guerreiro. Podia ser, por pleno direito, candidato a sucessor de Patrice Evra na Selecção de França.
Nasceu em Le Blanc-Mesnil, filho de uma mãe francesa, e viveu sempre por ali. A ligação a Portugal faz-se pela família do pai e pela memória das férias no nosso país. Ainda assim, foi cobiçado por ambos e sempre demonstrou a sua preferência.
Quis o destino que Raphael Guerreiro brilhasse com intensidade num Europeu realizado em França e que ajudasse Portugal a chegar à final do torneio, a dois passos de sua casa.
Entre Le Blanc-Mesnil e o Stade de France, em Saint-Denis, são apenas 10 quilómetros de distância. É ali ao lado.
Raphael Guerreiro preferiu dar a volta, ir por Portugal e representar – a par de Anthony Lopes - uma imensa comunidade de luso-franceses que cresce por lá sem renegar a herança lusa. Segue-se...a França que o viu nasceu e crescer.
Obrigado Raphael.

PS: a 24 de junho, após a fase de grupos, utilizei este espaço para tecer algumas críticas ao processo da Seleção. Preferi assumir que duvidar em silêncio. Escrevi que morderia a língua se o tempo desse razão a Fernando Santos. Naturalmente, não iria assobiar para o lado. Aqui estou a morder publicamente a língua. Parabéns Engenheiro."

Vamos dar-lhes um 'Maracanazo'

"Depois de noventa minutos em que teve a sorte do jogo do seu lado, a França atingiu a final do Euro 2016, onde vai encontrar Portugal. Das 53 selecções que participaram neste Campeonato da Europa, já é certo que 51 vão situar-se abaixo de portugueses e gauleses, o que, só por si, é suficientemente elucidativo. As duas equipas conheceram percursos diferentes, os anfitriões sempre amparados pelos poderes, enquanto que Portugal fez o caminho das pedras, arrostando com a má vontade dos árbitros e de alguns especialistas que esperavam uma equipa simpática e tenrinha e acabaram por levar com a versão mais italianizada da turma das quinas de que há memória.
A final do próximo domingo pode ser vista como uma oportunidade imperdível para Portugal acertar, com os franceses, contas pendentes de 1984, 2000 e 2006; mas não me parece que esse seja o prisma mais certo para ver o jogo do Stade de France. Esta geração tem de jogar o presente, respeitando o passado, sem dúvida, mas de olhos postos no futuro. E se Portugal, de 2000 para cá disputou quatro das cinco meias-finais realizadas no Euro, por alguma razão é (só falhou a de 2008 porque perdeu nos quartos com a Alemanha). Os jogadores passam mas a consistência competitiva mantém-se. E há, neste momento, uma geração emergente no futebol português que garante a continuidade da equipa de todos nós na elite europeia.
Por isso, vamos tentar ganhar à França no domingo sem a pressão de exorcizar fantasmas do passado. Vamos tentar ganhar por todos os portugueses que acreditam na Selecção e nela encontram um vínculo com a Pátria. A equipa de Fernando Santos tem um encontro com a história e estou certo de que estará à altura da ocasião."

José Manuel Delgado, in A Bola

A viola e o ouro que era de prata

"1. Se o fado é reconhecido como a voz da nossa identidade colectiva, já a viola e a guitarra são os acordes de tal expressão. Curiosamente, um adágio popular algo temperamental manda que, em certas circunstâncias, se meta a viola no saco. Porquê a viola? E em que saco? Bem, nada disso releva agora. Basta saber o que todos os portugueses sabem. E eles sabem quando e a quem deve ser aplicada tal expressão. Ora, depois de a selecção nacional de futebol ter conseguido reservar um lugar na final agendada para o próximo domingo em Paris, é precisamente isso - meter a viola no saco - o que devem fazer, com a maior das humildades, todos aqueles, nos quais me incluo, que avaliaram com sentido cepticismo o anúncio de tal propósito feito, em devido tempo, por Fernando Santos. Suceda o que suceder na final do próximo domingo, uma coisa é agora certa: só no dia 11 a nossa gente voltará a casa. Confesso que nunca acreditei que tal fosse possível. Assim, guardo a minha viola no saco. Mas continuarei a gritar, como sempre, PORTUGAL, PORTUGAL.
2. Por capricho das insondáveis razões que regem os calendários de todos os mundos, na mesma noite em que a selecção de futebol conquistou o acesso à final, Ana Dulce Félix voltou a brilhar noutro campeonato europeu - o de atletismo. E o atletismo é, peço desculpa por voltar a dizê-lo, o rei de todos os desportos. Sim, futebol incluído. A coincidência dos dois eventos fez com que a façanha da atleta benfiquista tivesse sido parcialmente eclipsada. Mas nem por isso o seu mérito pode ser reduzido. Depois de há quatro anos ter vencido os 10000m, desta feita obteve a medalha de prata. O ouro foi para uma queniana capciosamente naturalizada turca..."

Paulo Teixeira Pinto, in A Bola

Vamos com sorte?

"A primeira condição para o sucesso desportivo é acreditar que ele é possível. Nós temos conseguido ganhar em modalidades, em competições que há uns anos pareceria impossível. A vitória da selecção portuguesa de futebol que garantiu o acesso à final deixou a maioria dos portugueses em êxtase. Não há dúvidas sobre a capacidade aglutinadora do futebol, um País em torno da sua selecção de futebol. 
Não deixo de ficar surpreendido pela capacidade do futebol português atingir resultados de referência na modalidade com maior densidade e universalidade competitiva. Não acredito que estes resultados se devam à sorte. É preciso ter sorte nas condições genéticas para a prática de determinada modalidade, ter sorte em nascer num País em que ela se pratique, ter sorte em encontrar um enquadramento técnico competente, sorte em reunir apoios que permitam a preparação, sorte em acordar bem disposto no dia da competição ou até mesmo sorte em alguns dos nossos adversários estarem num mau dia, mas não chega!
A nossa equipa de futebol não chegou à final do campeonato da Europa por sorte, a Dulce Félix não conquistou a medalha de prata nos 10.000 metros no Campeonato da Europa por sorte, a nossa jovem olímpica Tamila Holub não foi medalha de prata no Campeonato de Europa de natação na categoria de juniores por sorte!
A sorte dá muito trabalho. Com a mesma facilidade com que alguns desvalorizam o resultado pela sorte, alguns aceitam resultados menos bons por obra do azar, do destino. A desculpa do azar é a pior das estratégias para corrigir os erros no futuro. Atrás de cada momento de sorte estão horas de treino, dedicação e superação.
Acredito que o desporto em Portugal pode ser melhor em quantidade e qualidade, basta não deixar isso apenas nas mãos da sorte!"

Mário Santos, in A Bola

Benfiquismo (CLIV)

Novinho em folha...
... um dos primeiros treinos na Catedral,
em 1954 !!!

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Só falta uma final! Ainda falta uma final...

"Já lá estamos
1. Já estamos! Depois da Polónia, nas grandes penalidades, seguiu-se o País de Gales, com uma grande exibição! Agora, venha o Diabo e escolha!
Independentemente da sorte que nos tem acompanhado, Portugal era claramente favorito, frente ao País de Gales, que se estreou neste Europeu e que, por isso, já fez história.
Não querendo menosprezar as várias proezas alcançadas por Bale & C.ª neste Europeu, a verdade é que só Portugal poderia ganhar (e já nem falo nos dois jogadores fundamentais deles, que, sabia-se, não iriam jogar, por acumulação de amarelos). Até porque, como «uma andorinha não faz a primavera», também um grande jogador não faz uma equipa campeã.
Ontem ganhámos porque, para além de termos melhores jogadores, demonstramos ter, também, uma equipa coesa, respeitando sempre o adversário. Sabíamos que nos faltava apenas um jogo, para que pudéssemos estar na final, em Paris, que será - espero - o da concretização do nosso sonho.
Para além disso, numa demonstração de que não há jogadores indispensáveis, ninguém deu pela falta de Pepe (pese embora ter tido uma grande participação neste Europeu), face à grande exibição de Bruno Alves (que eu, na passada segunda-feira, tinha antecipado como podendo ser efectivo neste jogo, com a surpresa e alguma discordância de muita gente).
Foi apenas e tão só um jogo, que acabou como seria suposto acabar. Com a equipa surpresa da prova a terminar onde terminam, por tradição, todas as que assumem essa condição: nas meias-finais. Foi assim, connosco, em 66 e em 84, lembram-se?
Por nós, está na altura de nos assumirmos como uma grande selecção. Parece que nos custa reconhecer o que é óbvio: que Portugal é uma das melhores selecções do Europeu e que está frequentemente nos dez primeiros lugares do ranking da FIFA. Somos um grupo em crescimento, que tem sido capaz de lutar até ao fim, com um grande compromisso colectivo e com uma grande estratégia de comunicação. Finalmente - com essa grande mudança de paradigma - assumamos que faltando, ainda, uma final, falta, apenas, um jogo.
Agora - e porque há justiça no Olimpo do futebol - e para que, juntos, possamos dar «novos mundos ao Mundo», confiemos que estamos a 90 minutos de sermos CAMPEÕES EUROPEUS.

A inveja de uns
2. Portugal tem sido alvo de críticas, muito particularmente da imprensa francesa. Fala-se muito na «sorte» - qual «fado» ou «destino» - que temos tido, por, alegadamente, não jogarmos nada, ou muito pouco, ... e irmos passando! Fala-se, aliás, em injustiça e em milagre.
Já sabemos que a imprensa francesa não gosta da nossa selecção. Mas o respeito pela liberdade de expressão, valor e princípio supremo de qualquer estado de direito democrático, não pode por em causa o respeito por um País, por um Povo.
A imprensa francesa está a travar uma clara guerra psicológica, atacando a seleção portuguesa... talvez por «inveja» - curiosamente, a última palavra de Os Lusíadas.
A muito lusa «inveja» a que se opõe a sempre esquecida «sorte», última palavra de A Portuguesa, na sua versão completa.
De facto, Portugal não é a melhor selecção - até porque aqui ninguém é chauvinista -, mas também não é tão má quanto escrevem. Não temos feito grandes exibições, é certo, mas temos sido eficazes, pragmáticos, com uma equipa sólida e compacta, que não comete muitos erros.
E unida!
Mas independentemente disso, e de opiniões alheias, o importante é ganhar, seja como for, no tempo regulamentar, no prolongamento ou nas grandes penalidades.
Não deixa, contudo, de ser curiosa a inexistência de crítica à selecção francesa, que só agora começa a aparecer, ... sem entusiasmar!
Mas não se acanhem, continuem a provocar e a tentar humilhar ferozmente a selecção portuguesa. Depois perceberão o erro (grave) que cometeram. Lembrem-se de que a final poderá ser um Portugal-França. E lembrem-se que temos a capacidade de alcançar determinadas proezas,sobretudo quando são... Impossíveis!

E a sorte (ou lotaria) de outros
3. Até ontem, Portugal empatou todos os jogos. Ainda assim, atingiu, a esse ritmo - criticável especialmente para os franceses - as meias finais do Europeu. Para tal, bastou gerir cada jogo e ter alguma sorte, de que se fazem os campeões. E quanto aos penalties, será, apenas e só, uma questão de sorte?
Há quem defenda que sim, que se trata, efectivamente, de uma «lotaria». De um caso de sorte ou de azar. Mas não! Trata-se, antes, de grande competência na conversão (e defesa) das mesmas. Aliás, dizia-me, um dia, Humberto Coelho, numa conversa de intervalo de um qualquer jogo, na Luz, que o penalty é um gesto técnico e, como tal, se bem treinado e bem executado, é indefensável. Por vários motivos.
Como escreveu o Professor José Neto, neste jornal, seja pela própria «dinâmica do Futebol e o seu grau de exigência para o sucesso», seja pela necessidade de «obtenção de níveis elevados de rendimento». Sabendo-se, por diversos estudos realizados, que os guarda-redes têm de se antecipar à partida da bola, estes terão de se treinar física (para que estejam em boa forma) e psicologicamente (ao nível da capacidade sensitiva e da concentração, essencialmente) para isso, para além do estudo pormenorizado, nas vésperas de cada jogo, dos possíveis marcadores e da atenta observação dos mesmos, na devida altura.
Já o marcador do penalty, para além de igual capacidade de concentração, tem de ignorar os factores momentâneos de adversidade e criar confiança no êxito e de tudo o que lhe está subjacente. Tudo isso terá de ser muito trabalhado em cada treino.
E Portugal conseguiu-o!
Contra o «fado» e o destino! E até pode ser que venha a ser Campeão Europeu por causa desse mesmo treino específico. Por mim, não me importaria!

Renato Sanches
4. Exemplo desse trabalho, mas essencialmente dessas capacidades de concentração, de frieza e de classe, foi a maneira como Renato Sanches enfrentou e bateu a segunda grande penalidade, frente à Polónia, nos quartos de final.
O miúdo de 18 anos, que tem mostrado à Europa (e ao Mundo) garra e confiança nas suas capacidades e que nunca vacilou perante nada, incutindo maior intensidade ao jogo e assumindo-se como um factor de grande desequilíbrio.
Como tenho vindo sistematicamente a defender... contra o lobby anti-Benfica.
Mas o mais curioso é que há 2 meses discutia-se se devia ser convocado ou não. Muitos defenderam que não. Há 1 mês estava por favor na selecção e, por isso, não devia jogar. Há 15 dias passou a ser uma alternativa semi-válida, mas não poderia, nunca, jogar de início. Hoje, é uma referência incontornável da seleção portuguesa.
Sendo disso reconhecimento a eleição, pela UEFA, pela segunda vez consecutiva, como o melhor jogador em campo. Com o apoio de várias figuras do futebol mundial.
Van Hooijdonk fez-lhe rasgados elogios, defendendo, inclusivamente, a sua titularidade na selecção nacional e comparando-o a Seedorf, um dos ídolos de Renato Sanches, tanto pela maneira de jogar, como pela intensidade que impõe no jogo.
Já Carlo Ancelotti afirmou que Renato Sanches é o melhor jogador do europeu, tratando-se de um fenómeno.
Por isso, não vale a pena desvalorizarem... Porque - já o sabemos - maior que a vossa inveja, só a nossa GRANDEZA!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Desilusão

Não foi uma boa manhã em Amesterdão!

Nélson Évora de fora da Final do Triplo-salto, com uns desoladores 16,27m !!!
O objectivo são os Jogos, daqui a um mês, mas estes sinais não são bons... e no final da prova, ainda me pareceu ver o Nélson a coxear!!!
Creio que é claro que uma qualificação para a Final no Rio, já será uma grande vitória...

O Hélio Gomes, nos 1500m também falhou a qualificação. Já se sabia que seria muito complicado... o Hélio a este nível não tem a 'ponta final' desejada, assim tentou puxar pelo andamento... mas não deixou ninguém para trás... e acabou ultrapassado... o tempo acaba por ser insignificante!

Para a história

"Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo.

Aqueles que olhavam Fernando Santos de soslaio e se mantinham cépticos quanto ao comportamento da selecção portuguesa no Campeonato da Europa, foram convidados ontem à noite em Lyon, depois da vitória sobre o País de Gales, por Ricardo Quaresma a ir a Paris no próximo domingo quando, no final do jogo, desabafou sem papas na língua, como aliás é seu jeito.
A vitória portuguesa, que lhe garantiu o passaporte para o desafio de consagração na cidade luz, não pode ser entendida como obra do acaso.
O seleccionador nacional foi sempre peremptório ao afirmar convictamente que o seu foco apontava para 10 de Julho e que, por isso, apenas tinha em mente regressar a Lisboa no dia seguinte.
Os cépticos, e não os há apenas lá por fora, têm vindo a exigir sempre que aos bons resultados se juntem exibições de luxo, esquecendo que cada jogo tem a sua circunstância e por isso deve ser preparado metodicamente e com todo o realismo, sem esquecer que do outro lado está sempre uma equipa que também não justificou por acaso a sua presença no Euro.
E foi assim que Fernando Santos conseguiu juntar um grupo fabuloso, no qual todos têm aceitado colocar em primeiro plano a equipa em detrimento da ambição pessoal de cada um.
Olhando para o passado recente não encontramos outro seleccionador português que tenha sido capaz de atingir este desiderato.
Por tudo quanto foi conseguido até aqui no Campeonato da Europa, os portugueses estão naturalmente em festa. Uma festa que não conhece fronteiras, mas tem arraiais de grande dimensão em França, bastando ver a emoção com que ali tem sido seguida a carreira da nossa selecção.
Agora, até domingo à noite, o sonho continua.
França ou Alemanha, venha quem vier, vão ser comparsas dos bons momentos que esperamos viver nesse dia, e sejam o culminar de uma festa que quase todos os portugueses têm vivido intensamente."