Últimas indefectivações

terça-feira, 25 de agosto de 2020

O encanto revolucionário de Mr. McLvanney

"Em Edimburgo, no dia 29 de Setembro de 1960, o Benfica conquistava a primeira vitória na Taça dos Campeões, batendo o Hearts por 2-1. Um dia extraordinário. Que iria ser o primeiro passo para a conquista do troféu mais ambicionado da Europa...

Momento lindo da história do Benfica: dia 29 de Setembro de 1960. Numa cidade encantadora: Edimburgo. Diria até mais: fascinante. Quando se fala do futebol escocês, Glasgow é o centro indiscutível. Tem o Celtic e o Rangers, claro, os dois monstros de um grupo de clubes com histórias antiquíssimas e presentes sem destaque. Mas nunca desprezemos a história! É um erro grave. Gravíssimo!
O Heart os Midlothian nasceu em 1874. Como não respeitar uma instituição com 146 anos, não me dizem? O clube mais antigo da capital escocesa.
E, por outro lado, sabem qual o último ano em que o Hearts, como é conhecido, ganhou o campeonato escocês? 1959. Exactamente. Por isso, ficou apurado para a Taça dos Campeões Europeus da época seguinte. Coube-lhe, por sorteio, defrontar o Benfica. É então que surge o tal momento bonito da vida das águias.
Tynecastle Park. Um fulano chamado Tommy Walker construíra, ao longo de dez anos, uma equipa de resistência formidável, embora não abundasse em talento. Era esse o adversário do Benfica na primeira eliminatória. Primeira mão na Escócia.
43 mil pessoas juntaram-se em redor das quatro linhas. Ultrapassaram largamente o número de assentos e, teimosamente, conservam-se em pé durante noventa minutos. Importante mesmo era não perder pitada que fosse do encontro. Pescoços esticavam-se uns por cima dos outros.
O repórter do The Scotsman, Hugh McLvanney, ficou atarantado com o classe de dois jogadores: um na defesa, Germano; outro no ataque, José Águas. Escreveu que achava o futebol benfiquista 'verdadeiramente revolucionário'. Eis uma expressão que poderia merecer a censura daqueles canalhas que andavam de página com um lápis azul em riste a impedir que os estimados leitores lessem coisas incomodativas para o regime em vigor. Mas que se colou ao que viria a acontecer até ao fim dessa edição da Taça dos Campeões. A antítese que Germano demonstrava perante o estilo bruto de Alexander Young, Bobby Blackwood, Jimmy Murrray ou Willie Bauld, avançados abana-pinheiros de meter os pés, alegrou de sobremaneira o jornalista. O central benfiquista desarmava adversários e saía com a bola dominada da sua zona defensiva com uma classe e um estilo apaixonante. E alimentava movimentos de ataque com passes primorosos...

A exigência de Guttmann
O Benfica conseguiu, em Edimburgo, a sua primeira vitória na Taça dos Campeões. Na única vez que tinha participado na prova, empatara e perdera com o Sevilha. Aproveitou esse triunfo para ir por ái fora até à final e bater o Barcelona, em Berna. Mas isso foi um bocado depois. Por hoje, fico-me pela Escócia e pelos golos de José Águas (36m) e José Augusto (74m) que resistiram ao golo de Young (80m). Momento lindo e inesquecível, ainda por cima agora que o Estádio da Luz vai receber novamente a final da Liga dos Campeões. Umas coisas ligam-se às outras.
O treinador húngaro dos lisboetas, Béla Guttmann, O Mago, não estava satisfeito de todo. A sua exigência era grande: 'A nossa táctica baseava-se na vontade de fazer com que o Hearts concedesse um empate. Aconteceu que conseguimos alguma superioridade e ganhámos. Toda a equipa cumpriu as indicações que recebeu e penso que voltaremos a jogar assim, com esta qualidade, no jogo da segunda mão. Ainda assim, poderíamos ter feito mais qualquer coisa para dilatar o resultado'.
Coluna e Cavém eram outros dos elogiados. Num meio-campo buliçoso, de trabalho contínuo, combate sem quartel perante opositores fisicamente poderosos, foram de uma resistência a toda a prova. 'Os portugueses, mesmo nos momentos eufóricos em que se lançaram ao ataque, nunca perderam de visita que mais importante do que ganhar era não perder', escrevia o diligente jornalista de The Scotsman. 'A defesa do resultado esteve presente no zero-zero inicial e apareceu, claramente, depois da marcação do primeiro golo. A seguir ao 2-0, em vez de tentar o golpe mortal, acomodou-se a um resultado que já julgava definitivo. mais golo, menos golos, pouco importava aos campeões portugueses'.
A eliminatória fico desde logo decidida e outra coisa não seria de esperar. Concluía o escriba: 'Apesar de possuir uma boa equipa, o Benfica não tem o nível do Real Madrid...' Pois... Mas a concepção foi precipitada. Ao fim de cinco vitórias consecutivas em finais da Taça dos Campeões, o Real ficaria desta vez pelo caminho, eliminado pelo Barcelona que chegou a Berna como grande favorito. E de Berna saiu derrotado por 2-3. A equipa que Hugh McLvanney considerava inferior ao grande Real Madrid, iria substituir os madrilenos no topo do futebol da Europa. Uma no mais tarde, em Amesterdão, confirmou que era bem superior ao Real, vencendo a final por 5-3. E tudo começara numa final de tarde em Edimburgo. Um dia muito, muito bonito para a história do Benfica."

Afonso de Melo, in O Benfica

Um quotidiano 'forçado' entre o civil e o selvagem

"No final de uma digressão, a comitiva benfiquista experimentou a vida natural e urbana, em Moçambique

Em 1962, passavam 12 anos que o Benfica não ia a Moçambique, levando 'os laurentinos a perderem a cabeça' e a 'formarem bichas desde cedo, na ânsia de conseguirem um bilhete' para assistir ao jogo. Alguns portugueses da África do Sul viajaram mais de 500 quilómetros para ver a partida!
A equipa, que a 1 de Julho conquistara a Taça de Portugal ao Vitória de Setúbal, ingressou nesta digressão que decorreu entre 4 e 7 desse mês. Subordinado ao tema 'Rota da Saudade, Rota do Coração', o objectivo era defrontar as selecções de Luanda e Lourenço Marques, que acabaram derrotadas.
Dois dias depois do jogo em Lourenço Marques, a equipa benfiquista devia ter aterrado em Lisboa, na tarde de 9 de Julho de 1962. Porém, foram obrigados a manterem-se por mais tempo na capital moçambicana porque 'o avião ficou retido em Kano'.
Na cidade, 'três dirigentes e um jornalista', ficaram hospedados no Hotel Polana e os 'restantes componentes da embaixada benfiquista', no Hotel Tivoli.
Os três elementos da direcção, Manuel da Luz Afonso, Rui Guedes e Francisco Campas, e o jornalista Alberto da Maia decidiram dar um passeio 'à boa maneira africana' no rio Incomati, um longo rio que nasce no coração da África do Sul e vai desaguar no Índico, junto à cidade laurentina, num bonito delta, 'lugar paradisíaco, a convidar a férias de repouso'. Os jogadores, no entanto, não deram oportunidade de serem convidados. Rendidos 'à eterna «febre» das compras', não foi possível reuni-los, sendo que já tinham saído do Tivoli, andando 'uns por aqui, outros por acolá'.
Por trás da 'vegetação cerrada', no rio, os quatro aventureiros entraram numa 'barcaça ligeira', onde conseguiram ver dois grandes crocodilos, 'dos «dos filmes» (...) numa das margens, barriguinha ao sol'. Pouco depois, passaram no 'meio de nutrida família de hipopótamos'. Estes, ao contrário dos crocodilos, que 'mergulharam mal nos pressentiram', 'deixaram-se admirar de todos os ângulos' e até fizeram umas gracinhas'!
Já de regresso, motivados pelo iminente pôr do sol, foram surpreendidos pela '«deita» das aves, a empoleirarem-se num ou noutro arbusto a meio do rio', prontas para aí passarem a noite.
No dia seguinte, 11 de Julho, seguiram no avião que os levou a Lisboa, onde foram recebidos com um jantar oferecido pela AFL, num restaurante no Castelo de São Jorge, em virtude da conquista do bicampeonato europeu.
Costa Pereira, Coluna e Eusébio não regressaram à metrópole com o resto da equipa. Os jogadores, de origem moçambicana, continuaram a matar saudades da sua terra natal, enchendo o coração.
Poderá saber mais sobre digressões do Clube na área 26 - Benfica Universal, no Museu Benfica - Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

Cadomblé do Vata (avançados)

"Os nomes apontados pela imprensa, como alternativas a Cavani:
1. Darwin Nuñez - "vocês entenderam mal... nós nunca quisemos o Cavani... o objectivo sempre foi o Novo Cavani". Seria um excelente argumento se no domingo o Rui Costa não tivesse dito que "fizemos uma proposta ao Cavani e aguardamos resposta " 3 vezes seguidas, cada uma a tentar desmentir a outra. 
2. Bruno Henrique - rápido e tecnicista foi um dos destaques do Flamengo do Jorge Jesus. Após a saída do treinador para o SLB, baixou muito o rendimento e os adeptos do Fla até já dizem que anda a "dar mole" de propósito. Ia-se adaptar lindamente aos novos colegas encarnados.
3. Mariano Diaz - ohh não, outro avançado hispano-dominicano formado no Real Madrid... disse Pedro Proença antes de correr todos os super e hiper mercados da Grande Lisboa para garantir que desta vez, nenhum reforço caribenho do SLB o vai deixar à míngua de brilhantina.
4. Carlos Fernández - nunca vi tal génio jogar à bola, mas aparentemente fazia parte da mesma lista de reforços pedida por JJ aos dirigentes rubro-negros, que incluía Gilberto. Está portanto muito perto de ser oficializado. Como vem do Granada, tem tudo para ser um reforço bomba (badum tss).
5. Diego Costa - não posso dizer que não gosto deste rapaz, porque a verdade é que o odeio. Tem tanto de Benfica como João Félix de Atlético de Madrid. Passar de "ahh catano, vamos contratar o Cavani" para "tomem lá o Diego Costa", é como prometer um animal de estimação aos filhos de manhã e à tarde oferecer um tamagochi a cada um.

PS - nem considero Batshuay alternativa. Já o quisemos há uns anos e preferiu o Marselha, para além que o SLB não deve contratar jogadores com nomes inspirados na letra das Dunas dos GNR."

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

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Seixal em Italiano!!!

Oliveira, Clube de Fãs

"Hoje somos todos Oliveira.

Quer dizer, somos fãs, imaginamo-nos um clube, mas nada de oficial. De coração, apenas. De muitos corações. Hoje, naquela última curva em Spielberg estivemos todos, não tocámos nem no Pol nem no Miller, fomos apenas voando, livres e sonhadores, nas mãos de um menino chamado Miguel. Oliveira, somos todos Oliveira, Falcão, 88 e Miguel, não esquecemos a cada 15 dias mais ou menos, porque o calendário tem ressaltos, não esquecemos de guardar as manhãs de sexta, sábado e domingo para estarmos ali em frente às tabelas dos tempos, empurrando mentalmente o nosso guerreiro para cima, buscando o conjunto azul-marinho e laranja que nos inquieta, nos excita, nos aquieta e acalma, e é assim mesmo esta coisa paradoxal e apaixonante de se ser MO88 em casa, na rua, em qualquer lugar do mundo, e é mesmo nesses sítios todos que vibra gente assim.
E se, há três corridas atrás, a P6 soube a pouco, se, na semana passada, o chega--para-lá que derrubou Miguel nos derrubou a todos também, nós, o Clube Não Oficial Mas de Coração do Miguel Oliveira, então, hoje, a coisa foi cerebral, predadora, cirúrgica, foi guardada para a última nesga de asfalto o salto acrobático de um menino português para o topo mundial numa modalidade tantas mas tantas vezes esquecida e ignorada cá pelo burgo.
Hoje somos todos Oliveira. Não oficiais, que disso trata, e bem, uma estrutura que tão bem soube erguer-se. Somos todos Falcões portugueses, ceamos em conjunto da lauta e faustosa ceia da vitória. Seria pedir muito que todos nos mantivéssemos assim?"

Você, meu constante amigo

"Luiz Felipe Scolari estava sentado no banco do Brasil. Sentado é uma forma de expressão que rima com banco: ele esteve quase sempre em pé. Ao vê-lo, lá da bancada de imprensa, não era capaz de adivinhar que viria a ser o próximo seleccionador de Portugal. Era algo inatingível.

Na noite do dia 30 de Junho estava em Yokohama. Da estação de comboios de Shibuya, em Tóquio, a Sakuragi-chõ é pouco mais do que meia hora. Trinta e cinco minutos de bairros contínuos, periferias maçadoras, vias rápidas que se cruzam umas sobre as outras como teias de betão de uma aranha gigante enlouquecida. Fiz trinta e cinco minutos de comboio para ver noventa minutos de futebol. A final do Campeonato do Mundo. Brasil-Alemanha: um jogo para lá do jogo. Um confronto de ideias, de filosofias, de formas de estar na vida. Um confronto até de Continentes. Quando o talento defronta a força, fico geralmente do lado do talento. O Brasil tinha talento; a Alemanha não.
Luiz Felipe Scolari estava sentado no banco do Brasil. Sentado é uma forma de expressão que rima com banco: ele esteve quase sempre em pé. Ao vê-lo, lá da bancada de imprensa, não era capaz de adivinhar que viria a ser o próximo seleccionador de Portugal. Era algo inatingível. Ainda por cima para uma selecção que se despedira do Mundial pela porta do cavalo, derrotada pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul.
Em Yokohama, depois da vitória do Brasil sobre a Alemanha por 2-0, com dois golos de Ronaldo – Ronaldo-Ronaldinho-Ronaldo, eis como um nome se repetiu na carreira de Scolari entre o Brasil e Portugal -, choveram cisnes coloridos de papel sobre a multidão que enchia o estádio Kokusai Sõgõ Kyõgi-jõ, mais de 72 mil espectadores encantados com a magia japonesa do origami.
O fim da festa: para onde voam os cisnes?
“Foi suado, sofrido, dramático”, escrevia Júlio Gomes Filho no jornal Esporte. E continuava, colocando o dedo na ferida cicratizada: “O Brasil que foi muito criticado antes do Mundial e chegou desacreditado, conquistou o penta-campeonato de maneira brilhante. A equipe ganhou os seus sete jogos e ainda teve o melhor ataque do torneio com 18 gol”.
Depois da tristeza de 1998, em França, a “Canarinha” recuperava a alegria amarela e verde.
Um nome era consensual: Luiz Felipe Scolari.
Não tardaria a chegar a Lisboa e a Cascais onde viveu virado para o mar. O Chico Buarque sempre disse que as festas murcham. E o Toquinho: “Uma amizade infinita de irmão mais velho/Você, constante amigo/Meu distante companheiro/Você que o tempo inteiro/Não tem medo do perigo, não”. 
Quanto muito, para nós sobraram os lírios brancos de cemitérios calados."

Guarda-Redes | O lugar que ninguém e muitos querem

"A chegada de Jorge Jesus para o comando técnico encarnado significa, a título imediato, em mudanças no plantel do Sport Lisboa e Benfica, nomeadamente no posto de guarda-redes. Ora, se nas últimas semanas surgiram reforços como Waldschmidt, Everton, Gilberto, Vertonghen, Pedrinho e, finalmente, Helton Leite.
Pois bem, é deste último, ou melhor da posição em que o mesmo actua, que nos vamos focar neste artigo. Actualmente o Benfica tem quatro opções para a baliza no seu plantel, no entanto, a posição de guarda-redes é, provavelmente, a que menos é rodada a temporada toda.
Na equipa principal estão o titular Odysseas Vlachodimos, Helton Leite, Mile Svilar e, para acrescentar a esta lista, Leo Kokubo, guardião da equipa de sub-23 das águias, tem estado em grande plano.
Assim, são quatro as opções de Jorge Jesus para uma posição em que apenas três terão permanência, pelo menos é o expectado. Pois bem, se ninguém gosta de ser terceira opção, não deixa de ser verdade que há uma luta entre dois destes guardiões pela última vaga terceiro guarda-redes.
Creio que em circunstâncias normais, Vlachodimos manterá a sua titularidade assegurada e com a chegada de Helton Leite, este deverá ser a segunda opção, no entanto fica a dúvida de quem ocupará a terceira vaga no plantel encarnado.
Svilar já teve a sua oportunidade na equipa principal, mas alguns erros da sua parte acabaram por danificar a sua imagem perante os adeptos, que não o consideram um guarda-redes seguro e capaz de defender as redes encarnadas. Resta ainda referir Kokubo que tem melhorado a olhos vistos, sendo até o escolhido para defender a baliza encarnada na UEFA Youth League.
Analisando as duas opções para ocupar a última vaga reservada a guarda-redes, Svilar é o mais experiente. Ainda que tenha apenas 20 anos, o guardião belga, que fez a sua formação no Anderlecht, onde até chegou a vencer a Liga e Supertaça pela equipa principal, ainda não convenceu nos seus três anos de SL Benfica.
Quanto a Leo Kokubo, o mais novo dos três atletas em discussão (19 anos), parece-me um pouco “verde” para subir à equipa A dos encarnados. Ainda que venha a melhorar significativamente, penso que a melhor opção para Kokubo seria rodar pela equipa B e pelos sub-23 por mais uma temporada e aguardar pela sua oportunidade no plantel principal para não arriscar sair com a sua imagem prejudicada como aconteceu com Svilar. 
Assim, julgo que Mile Svilar deverá ser o terceiro guarda-redes do conjunto de Jorge Jesus e que Kokubo será o preterido desta lista, devendo ficar à espreita de um lugar no plantel. Será no seu quarto ano de Sport Lisboa e Benfica que Svilar convence os adeptos da sua aptidão? Ou será “apenas” o terceiro guarda-redes que ninguém espera nada?
Julgo que saberemos no decorrer da temporada."

sábado, 22 de agosto de 2020

Dominadores...

Benfica 3 - 0 Ajax


Sem reparos, domínio total, do princípio ao fim, só faltaram mais alguns golinhos e uns cartões vermelhos aos jovens do Ajax!!!
Temos o melhor plantel de sempre nesta competição, com opções para todas as posições (excepto defesa esquerdo, a lesão do Sandro Cruz complicou...!!!), e hoje, mesmo com algumas ausências de peso, ninguém as notou... A ausência do Bernardo na final, na minha opinião será 'resolvida' com alguma 'facilidade'!

Será que à 3.ª será de vez?! Vi o jogo do Real, e parece que temos mesmo melhor equipa, pelo menos mais madura... e que está a saber jogar sem bola!

Vermelhão: Estreia...

Benfica 4 - 1 Estoril


Primeiro jogo-treino da época, no Seixal, contra o Estoril, numa partida com poucas informações...
Vai ser uma pré-atpica em todos os sentidos, inclusive nos jogos «à porta-fechada», com equipas pouco competitivas. Será complicado ganhar ritmo competitivo antes dos jogos a doer!!!
Almeida, Grimaldo, Gabriel e Pedrinho estiveram indisponíveis...

Mercado diferente ou talvez não

"Flamengo só ganhava porque tinha grande equipa, perdeu Jesus e começou a perder como nunca em vez de ganhar como sempre

quem espere por dinheiro para poder comprar, há quem compre à espera de dinheiro para poder pagar e há quem tenha dinheiro e espere para comprar. Estilos e posições de clubes em situação diferente em termos financeiros e económicos.
Com constrangimentos tão fortes e uma situação tão débil, o Sporting está a encarar o mercado com rigor e acerto, mas isso não interessa nada para parte significativa dos seus adeptos, que, especializados em guerras civil, querem apenas destruir o pouco que ainda lhes resta. Protestam mesmo quando conseguem jogadores de valor, protestam quando desviam talentos dos rivais. Protestam porque, alguns, até nem sabem fazer mais nada. Sorri e agradece a concorrência. Exemplo para outras paragens, nunca sportinguizar. Mas dia 20 de Setembro todos começam com zero pontos e têm 34 jornadas para vencer.
Regra geral, quem tem melhores argumentos tem mais hipóteses de vencer, que o digam Bayern e PSG na final da Liga dos Campeões.
A melhor contratação do Benfica, e já chegou muita qualidade, foi Jorge Jesus. Nas mãos dele, muito do que existe e do que ainda vem valerá muito mais.
O Flamengo também só ganhava porque tinha grande equipa, perdeu Jorge Jesus e começou a perder como nunca em vez de ganhar como sempre.
Chegue quem chegar, a diferença maior será o treinador. Ainda estou a festejar a chegada do mister. Jorge Jesus não acerta sempre, mas acerta muito mais que os outros.
Discordo completamente daqueles que defendem que a aquisição de um central não anima nenhum adepto. Talvez porque acredito que o melhor ataque ganha jogos e a melhor defesa ganha campeonatos, Vertonghen foi a contratação que mais me alegrou sem discutir todos os outros talentos.
O Benfica venceu nos quartos de final da Youth League em um Dínamo de Zagreb que entrou no jogo como se não houvesse amanhã e acabou mais morto que um Benfica muito cansado. Falta ritmo e competição, mas há muita qualidade neste Benfica, que voltou a colocar a sua formação em destaque na Europa. Equipa onde Gonçalo Ramos mostra estar num degrau acima e onde a lesão de Pedro Álvaro preocupa. Amanhã, contra o Ajax, jogam duas das melhores escolas de formação do Mundo por um lugar na final.
Boa sorte."

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Cá vamos

"Tem sido divertido o folhetim Cavani. Se calhar, quando o caro leitor ler esta crónica (note que os colunistas enviam os textos para a redacção até terça-feira), o uruguaio já é nosso jogador ou optou por outro clube. Ou talvez nada tenha acontecido, sabendo-se de antemão, neste último caso, que várias coisas, os seus contrários e inúmeras variantes destes terão sido avançadas pelo comunicação social.
Eu, como qualquer benfiquista, adoraria contar com o contributo de um jogador da craveira de Cavani no nosso plantel, mas analisemos, por agora, a existência da possibilidade.
O mais relevante, nesse domínio apenas, é, porventura, ninguém considerar interdita a contratação, pelo Benfica, de um jogador situado num nível, futebolístico, económico e mediático, inusitado face ao que estamos habituados. O investimento seria elevadíssimo e sem grande potencial de retorno financeiro para além do que, embora não seja despiciendo, deriva do contributo desportivo que o jogador possa dar. Não deixa de ser sintomático que haja um consenso generalizado do sobre a seriedade da tentativa de uma contratação destas, tratando-se, na prática, do reconhecimento generalizado da capacidade de investimento que o Benfica soube criar na última década.
Entretanto chegaram Waldschimidt, Everton 'Cebolinha' e Vertonghen. Também estas contratações, às quais se poderão acrescentar as de Raul de Tomás, Vinícius, Weigl e Pedrinho ao longo da temporada passada, pelos montantes envolvidos, são muito reveladoras. Voltámos a ter, finalmente, capacidade de investimento claramente superior à dos nossos adversários internos e creio que nos fixámos, a nível europeu, no patamar abaixo daquele reservado aos chamados tubarões."

João Tomaz, in O Benfica

Falta de coerência

"Com o terminar da época passada, aumentaram as vozes críticas em relação à principal equipa de futebol masculino do SL Benfica. Foi questionada a qualidade dos jogadores da equipa técnica e dos dirigentes. Foi, de facto, uma má temporada do Glorioso. Durante as últimas semanas, no entanto, a mudança de treinador e a chegada de novos jogadores deu novo ânimo aos adeptos. E nem outra coisa seria de esperar, com a contratação de internacionais de renome da Alemanha, do Brasil, da Bélgica e, assim o espero, do Uruguai. Juntando a estes o regresso de outros jogadores de alto nível, portugueses e não só, que estavam emprestados, é claro que todos temos razões para estarmos empolgados. Todos? Não, nem todos.
O reforço do plantel para cimentar a hegemonia nacional e sonhar, tendo bases sustentadas, com o sucesso internacional já era uma bandeira dos críticos. E seria de esperar que, pelo menos agora, fosse dado algum descanso aos profissionais do SLB. Nem por isso. Dos críticos externos vem a estupefacção pelos nomes contratados, a desconfiança em relação aos negócios e o rótulo de alguns dos jogadores como velhos. Dos críticos internos chega o argumentos do populismo e da proximidade das eleições. Decidam-se.
Se todos queremos um clube dominador, hegemónico em Portugal e a dar cartas na Europa, temos que estar optimistas em relação ao futuro, apoiar os novos elementos e, mais do que tudo, respeitar quem já cá estava. Todos os jogadores deste plantel são titulares. Todos têm qualidade para isso. Tenham 18 ou 33 anos, sejam portugueses ou não. De todos eles, e de nós, apenas um: o Sport Lisboa e Benfica."

Ricardo Santos, in O Benfica

Procura-se: Cavani

"Afinal, onde raio anda o Cavani? Ibiza? Paris? Cantanhede? Ninguém sabe. Neste momento, o paradeiro do avançado uruguaio é quase tanto incerto como o de Madeleine McCann. A TVI actualiza a informação diariamente através de Rui Pedro Braz, no entanto é uma questão de tempo até trocarem o comentador desportivo pelo Gonçalo Amaral. Não conseguiu desvendar o mistério da menina inglesa, mas de se descobrir a localização do Cavani talvez consiga reintegrar a equipa da Polícia Judiciária.
Este tema já se arrasta desde 18 de Julho, dia em que foi noticiada pela primeira vez a possibilidade de Cavani assinar pelo Benfica. Desde então, ora vem para o Benfica, ora vai para a Roma que foi comprada por um investidor milionário. Ora, vem novamente para o Benfica, ora vai para o Real Madrid caso o Jovic seja transferido. Já foi dado como garantido que chegava em todos os dias da semana. Perdi a conta à quantidade de 'dias D' apontados. Meia cidade de Lisboa já tive hotéis com um quarto reservado à espera do Cavani. Já asseguraram que ia fazer o percurso Montevideu, Madrid, Paris, Lisboa. Já foi garantido que seria Luís Filipe Vieira a deslocar-se ao estrangeiro para resgatar o jogador. Desesperado por informações, comecei a seguir o Instagram da namorada, do melhor amigo, de um vizinho, de um primo em 4.º grau e de um picheleiro que uma vez foi a casa do avançado resolver um problema debaixo da banca da cozinha. Enfim, este enredo tem sido tão intenso que o meu desgaste emocional já me leva a ponderar se o Cavani será uma espécie de Pai Natal e nem sequer existe. Só acredito quando o vir com o manto sagrado vestido."

Pedro Soares, in O Benfica

O decacampeonato

"O sonho concretizou-se e o Sport Lisboa e Benfica sagrou-se decampeão nacional de Atletismo. A nossa magnífica equipa masculina realizou o maior feito da modalidade. Pela primeira vez na história, um clube soma 10 títulos consecutivos. Esta saga iniciou-se em 26 de Junho de 2011. Quer ao ar livre, quer na pista coberta, as nossas equipas masculinas revelaram uma supremacia e ambição dignas de registo. Foi uma obra de muitos com destaque para a dupla Luís Filipe Vieira / Ana Oliveira. Várias vezes, durante os anos desta década, ouvi palavras ambiciosas e muito determinadas da professora Ana Oliveira. A verdade é que a sua fórmula resultou em pleno e confesso que vibrei muito com o que assisti ao vivo. Quais os ingredientes? Trabalho, organização, método, persistência, dedicação, prospecção e formação e formação. Ana Oliveira, com a luz verde do presidente, montou várias equipas que lavaram o nome do clube bem alto. Claro que o sonho e ambição dos obreiros deste projecto não terminou no passado sábado. O grande objectivo é o título europeu. Impossível? O deca prova que não há impossíveis. Apesar de desfalcados de Paulo Conceição, Francisco Belo, Diogo Antunes, Ricardo dos Santos, Edward Zakayo, Rui Pinto, Raidel Acea, Mikael Jesus e Miguel Carvalho, a verdade é que Ana Oliveira escolhei o lote certo de atletas: António Vital e Silva, Diogo Ferreira, Sanuel Barata, Tsanko Arnaudov, João Vítor Oliveira, Frederico Curvelo, José Carlos Pinto, João Coelho, Lucínio F. Garrido, Emanuel de Sousa, Gerson Baldé, Delvis Santos, Marcos Chuva, Isaac Nader, Leandro Ramos, André Pereira, Pedro Isidro e a estrela mundial, Pedro Paulo Pichardo. Os 18 magníficos escreveram uma das páginas mais brilhantes do Atletismo. Com uma equipa técnica de excelência, composta por 13 treinadores dedicados, na qual se destaca o competentíssimo Pedro Rocha, e uma equipa de apoio de dez incansáveis membros, o SL Benfica quer manter a hegemonia interna e ambiciona grandes resultados internacionais."

Pedro Guerra, in O Benfica

Campeões comunitários

"Difíceis vão os dias em que se não pode jogar à bola. Os jovens dos bairros da cidade de Lisboa que o digam, com uma Champions interrompida a meio e uma vontade enorme de continuar, à mistura com uma pontinha de vaidade pelo reconhecimento alcançado junto da vizinhança. Não é para menos, porque estes mesmos jovens que hoje marcam pontos individuais e em equipa na Community Champions, eram muitas vezes olhados de lado, apontados e acusados de tudo, mesmo que, em tantos casos, injustamente. A verdade é que a sua imagem perante a comunidade não era, muitas vezes, a melhor e isso impedia que quisessem dar a essa mesma comunidade o melhor de si. Agora... Jogar à bola, isso, venha quem vier... Jogarem sempre, bem e muito. Algumas janelas até lhes conhecem repetidamente o remate, mas a pessoa por trás do estoiro foi sempre uma desconhecida de todos, ciosa de si e cultivadora da distância. O projecto Community Champions veio mudar muitas destas ideias feitas e afastamentos, na verdade é um projecto de aproximação e interacção social. É que os jovens não valem sem o reconhecimento da comunidade. Não basta jogar, marcar e vencer, pois isso pontua apenas uma parte do necessário para garantir o apuramento na fase final do Community Champions, a disputar na Holanda com outras tantas equipas de projectos semelhantes, enquadradas pelas fundações dos grandes clubes europeus. É muita ambição e, por isso, muita pressão. Embora informal, como em qualquer competição europeia, não há lugar a falhas, por isso é obrigatório pontuar o máximo. Não se pode deitar a perder a qualidade do futebol e as vitorias por mera negligência do trabalho comunitário. É que, na verdade, o trabalho de proximidade feito em prol da comunidade vale tantos pontos como a competição desportiva. E eles fazem-no, mudando os bairros da cidade de Lisboa, identificando problemas, implementando soluções, limpando zonas degradadas, ajardinando, animando espaços, dinamizando acções com crianças, visitando idosos, festejando culturas e diversidades. Tudo isto pensado e executado por jovens que antes se miravam de soslaio e hoje se gabam pelo trabalho que fazem no bairro. É o poder do Futebol social e mostrar para que pode servir uma simples bola, mesmo que por agora não possa rolar no campo, pelas razões que se sabem."

Jorge Miranda, in O Benfica

Cadeiras vazias

"1. Enquanto, esta semana, 'à máquina' la afinando os métodos, os modelos e as peças no Seixal, na miserabilista paisagem audiovisual das televisões e no chavascal das primeiras páginas, continuava imparável à rédea larga e à solta, o 'regabofe dos 90%'.
2. Por cada 100 minutos de conversa fiada nos écrans, ou por cada espaço de 10 páginas de inacreditáveis 'achismos' nas gazetas e pasquins, o Benfica voltava a manter-se olimpicamente como o indispensável saco de pancada que ainda lhe vai servindo a todos para esticarem os pescoços, antes de inapelavelmente acabarem por se afundar, na implacável lama os há de submergir, à falta de espectadores e de leitores.
3. Em cada 100 minutos, 90 são furiosamente desperdiçados com balelas e novelas acerca do Benfica. E em cada 10 páginas trafulhadas nos computadores do jornalismo 'desportivo' dos dias do presente, não mais do que uma é, aí então, piamente votada às místicas temáticas regionalísticas da associação do 'Calor da Noite'...
4. Já se sabe: ou os temas em torno do Benfica os vão sustentando, ainda que cada vez mais precariamente, como tema universal das delirantes elucubrações e derrames de disparates a que se dedicam em 90% (ou mais) dos tempos e dos espaços consagrados ao avacalhado asneirame sobre a chamada matéria 'desportiva', ou... mais cedo do que tarde, ainda vai tudo pelo cano - audimetrias, patrocínios e publicidade rasa; critérios editoriais para a chafurdice ou para os bombásticos rodapés e primeiras mãos; e, por extensão, empregos dos chefes e dos desgraçados índios' - sejam eles meninas de decotes fundos, ou cangalheiros mais ou menos cuspidores...
5. A esta furiosa agiotagem opinativa e pseudoinformativa que domina estúdios e redacções, também não se eximem alguns Benfiquistas.
6. E, quanto a eles, que me desculpem os que, porventura, dependam mesmo de tais varandas de exposição (ou seja lá do que for...), mas sou radical: nada! Não estão lá a fazer nada. A não ser que se disponham a continuar a jogar indefinidamente jogos sem regra, nem árbitro. E a encher os chouriços que os restantes precisam de vender.
7. Em todo o caso, que não me considerem completamente intolerante: ou bem sei que os (poucos) nossos que, naquelas palhaçadas, mesmo perante as maiores mentiras e infâmias, ainda conseguem resistir ao irreprimível impulso de deixar as cadeiras vazias, só ali se mantêm, certamente, por estrita boa fé, ingenuidade e Benfiquismo.
8. Só lamento que, provavelmente, nunca nenhum destes nossos resistentes alguma vez se tenha deparado com o sábio provérbio árabe: 'Se o que tens a dizer não for melhor ou mais belo do que o silêncio, mais vale que te cales...'"

José Nuno Martins, in O Benfica

Semanada...

"1. Anos de má gestão desportiva complicam contratações. Até agora a situação financeira estará dentro de controlo caso o clube não falhe o acesso à Champions League. Mas a partir do momento que Cavani assinar (e se assinar), os números começam a fazer mossa na saúde financeira do clube. E começam a fazer mossa porque é o resultado do acumular de anos de má gestão desportiva. Anos em que se renovaram contratos a jogadores duas vezes num espaço de 12 meses ou que se renovaram contratos a jogadores que ainda estavam no primeiro/segundo ano de contrato só porque foram Campeões. Agora, esses jogadores estão a receber salários de titular mas se calhar vão passar a maior parte do tempo na bancada ou no banco. E isso complica contratações porque não há espaço na folha salarial do Benfica para se contratar titulares, pagar-lhes como titulares, sem entrar numa situação financeiramente arriscada.
2. Como é que se paga a um Cavani. Se olharem para o plantel do Bayern Munique, reparam que a partir do 17º-18º jogador, eles só têm miúdos. E só têm miúdos porque na generalidade das equipas, a partir do 17º-18º jogador, os minutos não abundam. Assim, poupam nos salários dos jogadores que dão profundidade ao plantel e adquirem jogadores com grande margem de progessão e altamente motivados para treinar com os craques da equipa principal. Desta maneira, o Bayern é capaz de segurar as suas maiores pérolas, pagando-lhes salários avultados e evitando que um outro Gigante com maiores posses que o Bayern vá lá pescar os principais jogadores. Ao mesmo tempo, arrisca-se sempre a ter um reforço surpresa, como é o caso de Alphonso Davies que assumiu o lugar de lateral esquerdo na equipa. O Benfica tem uma grande formação. Melhor até que a do Bayern e por larga distância. Mas de alguma maneira, parece que prefere pagar a jogadores como Samaris, André Almeida, Gabriel, Chiquinho, Cervi, Zivkovic, etc, em vez de poupar nesses contratos e apostar em jogadores mais jovens, mais baratos e que para dar profundidade chegam e sobram. Depois, claro, é mais difícil pagar a um Cavani. 
3. Saídas Precisam-se. Os primeiros rumores de saídas começam a sair. Fala-se de Zlobin e Nuno Tavares para o Famalicão. A saída de Nuno Tavares implicaria mais investimento na posição de lateral esquerdo. Fala-se também que Samaris, Cervi e Dyego Sousa vão sair. Cervi para já é apontado a Espanha. E ainda se fala num possível empréstimo de Jota e David Tavares a uma equipa do Championship e de Tomás Tavares para Itália. Vão também aparecendo rumores de que Carlos Vinicius poderá ser vendido se o Benfica contratar um ponta de lança. Amanhã (Sábado) teremos o primeiro jogo de pré-época com o Estoril e será possível perceber melhor como está a situação de cada jogador. 
4. Youth League. A nossa equipa S19 está na Suíça a disputar a Final Eight da Youth League e para já as indicações são muito boas. Contra o Dinamo Zagreb - que ficou à frente do ManCity e Shakthar no seu grupo e eliminou Bayern e Dinamo Kiev até aqui - não entrámos muito bem, começámos por estar a perder 0-1, mas rapidamente a situação se enverteu. Acabámos por dominar o encontro. Seguem-se as meias-finais contra o Ajax e, se ganharmos, a final contra o vencedor do jogo Real Madrid - RedBull Salzburg. O Ajax aparece nesta prova com algumas baixas, visto que os melhores jogadores estão na pré-época com a equipa principal. Até chegar aqui, o Ajax ganhou um grupo com Lille, Chelsea e Valencia, e eliminou Atlético e Midtjylland. À primeira vista, com base nos jogos dos quartos-de-final, diria que Benfica e Salzburg têm as melhores equipas. Agora é comprová-lo em campo. Mas uma coisa é certa, este rapazes vão fazer uma desfeita a quem no Benfica achar que não se deve apostar na formação.
5. Relvado da Luz. O Relvado da Luz já aparenta ter alguns sinais de desgaste dos jogos da Champions League. Sou sempre a favor que o Benfica rentabilize as suas infraestruturas durante o período em que não há jogos, mas espero que desta vez se prepare melhor uma eventual substituição do relvado.
6. Sevilla. Caso o Benfica se qualifique para a Fase de Grupos da Champions League 20-21, vamos terminar no Pote 2 ou no Pote 3. Tudo depende de quem ganha a Liga Europa. O Sevilla tem melhor ranking UEFA do que nós. O Inter tem pior. Quem ganhar a Liga Europa entre eles salta de imediato para o Pote 1. Se o Sevilla perder, fica com a última vaga do Pote 2 e nós cairíamos para o Pote 3. Se o Inter perder fica com uma vaga do Pote 3, o Sevilla com a vaga do Pote 1 e nós ficaríamos com a última vaga do Pote 2 (caso nos apurarmos para a Fase de Grupos). Como tal, é do interesse do Benfica que o Sevilla ganhe a Liga Europa. Eu sei. Também não gosto.
7. Jordi Adroher. O fim da novela foi finalmente anunciado. Jordi Adroher saiu do Benfica e vai jogar para o Liceo Coruña. A novela, se não se recordam, foi a sucessão de avanços e recuos na vontade do Benfica continuar com o Jordi. O Jordi anda há dois anos a perder rendimento. A saída deveria ter sido natural. O Benfica demorou imenso tempo a avisar Jordi que não contava com ele, o que não lhe deu muito tempo para arranjar um clube que lhe pagasse o que ele recebia no Benfica. Vai para um clube com um projecto de Hóquei muito interessante. Desejo-lhe as maiores felicidades. Estou muito curioso para ver a nossa equipa de Hóquei deste ano. É das melhores equipas que tivemos nos últimos anos."

As notícias exageradas da morte do tiki-taka

"O criador foi o primeiro a tentar fugir da criatura de tentáculos amplos. Pep Guardiola, ele mesmo, disse um dia que não gostava do tiki-taka. Não era difícil perceber. Pep recusava a ideia de um jogar sonolento, feito de passes sem progressão, com que tantos quiseram encher o rótulo onomatopaico. O tiki-taka do Barcelona, que uma década atrás se tornou lendário, foi essencialmente o expoente vertiginoso do jogo de posição que os espanhóis difundiram mais que quaisquer outros, agarrado a uma nova metodologia de treino que ocupou todos os escalões do maior clube da Catalunha, graças sobretudo a Paco Seiru-lo, o homem mais importante na filosofia do Barça e que favoreceu a ligação directa entre Cruyff a Guardiola. Seiru-lo foi o guardião da filosofia inspirada no holandês e que fez valorizar a fabulosa geração de minions azuis-grenã, com Messi, Xavi e Iniesta a comandar. A ideia matriz colocou a bola como elemento principal do jogo e a inteligência (com consequente autonomia) como característica fundamental do jogador. Nasceu sobre isso não apenas essa geração de sonho como uma influência sobre o jogo como não se anota outra neste século.
Olhar para o que resta do Barcelona, parar a sombra triste que pairou diante do Bayern na Luz, e querer ver ali qualquer tiki-taka, só por muito boa ou muito má vontade, o que neste caso vai dar ao mesmo. O que se viu foi um meio campo trémulo com bola, dois homens de talento banal - Sergi Roberto e Vidal (mais este que o outro, é um facto) - colocados como pesudo-alas apenas para travar os rivais e um ataque obcecado com lançamentos que aproveitassem Suarez (ou Jordi Alba!!!) na profundidade. Sim, tentou construir curto, com risco, e falhou. Mas falhou sobretudo por falta de soluções para ligar jogo até zonas de criação. E construir curto está longe de ser sinónimo de jogo posicional de qualidade. É quando muito um tititi, não chega a tiki-taka.
Recuemos: o que definiu historicamente o melhor jogar catalão foi que os jogadores conseguissem ter a bola e ser protagonistas em qualquer jogo, e conseguissem igualmente pressionar alto e recuperar rápido após a perda. E que tivessem a paciência com bola de aguardar o momento certo para accionar a aceleração dos seus jogadores mais explosivos (de Henry e Eto´o a Pedro Rodriguez, Suarez e ao próprio Messi). E mais o que essas equipas do Barça faziam antes de todas e hoje tantas pretendem fazer: construir com risco, envolver nisso os guarda-redes, procurar centrais capazes de se assumir com bola, laterais que seja mais que corredores de fundo e não joguem apenas ao longo da linha, médios defensivos que também são ofensivos, alas que também sabem jogar por dentro e em espaços mais curtos, pontas de lança que se relacionem com o jogo e não só com o golo. Sugiro ao meu estimado leitor que releia este parágrafo que agora termina pensando na actual equipa do Bayern de Munique. Está lá tanta coisa, não está?
Não, não é só a influência que Guardiola deixou na Alemanha, é muito mais que isso naturalmente, que o jogo muda e o que Hansi Flick acrescentou ao jogar deste Bayern, para sermos justos, não tem comparação com o que se viu nos anos anteriores. Claro que o Bayern tem jogadores admiráveis do ponto de vista atlético, que garantem arrancadas arrebatadoras, mas a marca de água da equipa, e que a transforma mesmo em rolo compressor, está bem mais no cérebro que no músculo. Até nos incríveis aceleradores que são Gnabry ou Davies há uma qualidade de decisão que os distingue dos puros velocistas. E ao comando da orquestra, mesmo no coração do jogo, até está um minorca, minorca fabuloso, seguramente hoje um dos melhores médios do mundo. Thiago Alcântara é a prova nominal, e táctica, de como é possível encontrar em Munique verdadeiras heranças de Barcelona. E depois é a audácia de juntar Muller a Thiago quando se tem apenas três unidades no eixo central ofensivo, e mais a opção por Alaba a central. E ainda há Kimmich, que é o melhor lateral mas também um médio fantástico e com liberdade e intuição raras para surgir a finalizar. É de talento que se fala, de gente que pensa bem antes de executar de igual modo. Uma sugestão de exercício final: pegar no onze do Bayern e perceber, homem por homem, que há talento criativo em todos, talvez descontando Boateng mas incluindo Neuer. E ainda há Coutinho e Coman de fora, entre outros. E ver como a bola sai fácil, tantas vezes ao primeiro toque, de uns para outros. Se apurarem o ouvido talvez dê para ouvir o barulho desses toques. Será parecido com tiki-taka."