Últimas indefectivações

sexta-feira, 25 de novembro de 2022

Sonhar com o título mundial


"João Paulo Correia, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, escreve sobre o Campeonato do Mundo no Qatar.

Além de presença habitual no maior torneio da modalidade, Portugal conquistou, aos olhos de muitos, lugar no conjunto dos favoritos ao título mundial. Os resultados consistentes dos últimos anos, um plantel repleto de qualidade e um dos melhores da história do futebol ao serviço da equipa. Tudo razões que apontam a nossa Seleção como uma das candidatas e, ao mesmo tempo, confere-nos o direito a sonhar com a conquista do Mundial.
O futebol português afirma-se ao mais alto nível. O trabalho de excelência das seleções, clubes, dirigentes, jogadores e treinadores tem somado títulos e reconhecimento ao longo das últimas décadas e nos pontos mais diversos e distintos do globo.
O Espanha’82 foi o primeiro Mundial a que assisti, pela televisão. No país vizinho, a “magia” de algumas seleções e o génio de Platini, Zico, Sócrates, Falcão, Boniek, Maradona e Rossi deliciaram espectadores, fizeram história e marcaram muitas gerações. O Mundial de 82 foi dos mais belos espetáculos da história do futebol.
Há 40 anos, Portugal não era uma presença habitual do maior torneio da modalidade. E é nesta comparação temporal que evidenciamos a evolução do futebol português. Uma evolução igualmente assinalada pela força da candidatura conjunta de Portugal, Espanha e Ucrânia à organização do Mundial2030.
Com o Mundial em marcha, seria desejável estarmos exclusivamente tomados pela pura expectativa dos resultados e pela prestação dos jogadores. Contudo, a escolha do Qatar para a organização do Mundial de 2022 reúne hoje largo protesto, concretamente porque atenta contra os valores mais intrínsecos ao desporto.
A decisão do Comité Executivo da FIFA foi tomada há 12 anos, a 2 de dezembro de 2010. Uma decisão marcada, como se sabe, por suspeitas e investigações que ainda não se encontram totalmente concluídas.
O debate da atualidade em torno deste Mundial está tomado pelo desrespeito por direitos e liberdades. O Qatar continua a não cumprir com os direitos humanos. E este protesto não pode ser silenciado pela euforia do Mundial.
A Seleção Nacional apurou-se com pleno mérito para a prova. A presença dos responsáveis políticos do país nos jogos da Seleção representará isso mesmo, o apoio à Seleção, que veste a nossa bandeira, e nunca representará qualquer apoio ou cumplicidade com o desrespeito pelos direitos humanos. Exatamente como em torneios desportivos internacionais anteriores."

Portugal no Mundial


"A altivez, a arrogância, a soberba das grandes potências tem sido posta em cheque pelo denodo, a perseverança, a crença arrebatada dos davides.

Hoje estreia-se Portugal. Nunca, em europeus ou mundiais, o nosso país dispôs de um leque de jogadores com tamanha qualidade. No papel, e só lá , por agora, tirando a França, alguns dirão o Brasil e a Alemanha, não parece que qualquer outra seleção tenha um espólio tão vasto no seu plantel. Jogadores nas melhores equipas do mundo, habituados a ganhar e a lutar por vencer competições, experientes, jovens, um rol interminável de futebolistas de craveira. Porém, vencer exige mais. Espírito de equipa, sentido de missão e coesão. Esse é o maior desafio da seleção. Preservar a unidade e o companheirismo num ambiente em que todos têm os seus objetivos pessoais e a urgência de o atingir. Liderar o grupo é tarefa árdua e, por isso, o que não vemos, o estágio, as horas livres, a amizade entre eles, são fundamentais. Jogar à bola sabemos que são bons, veremos no resto.
As surpresas não cessam. Seleções mais pobres, porém aguerridas, fazem das tripas-coração e lançam o mundo do pontapé na bola em polvorosa. Já caíram, com estrondo, a Alemanha e a Argentina, ainda por cima em partidas em que na primeira parte ficou parente a sua superioridade. Isso deve-nos servir de aviso: a altivez, a arrogância, a soberba das grandes potências tem sido posta em cheque pelo denodo, a perseverança, a crença arrebatada dos davides. O Gana é mais uma dessas seleções. Tem jogadores de grande envergadura e estão dispostos a sofrer. Os nomes não jogam à bola.

P. S. A minha aposta: 2-1, Bruno Fernandes e João Cancelo."

O cisma da bola


"É verdade, irónico, triste, mas factual: a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão" foi escrita em língua francesa e assinada em Versalhes em 1789. O documento resume o legado mais visível e intemporal dos valores que a revolução do Iluminismo ainda hoje projeta: o fruto embrionário da "Declaração Universal dos Direitos Humanos", aprovada pelas Nações Unidas em 1948.

Das Declarações ao Catar foi um ápice de vergonha. Ou falta dela.
A história deste Mundial já se sabe. Valeu de tudo. Suspeitas de votos comprados a algumas federações africanas, financiamento de estrelas de futebol para caucionarem a candidatura catari, e até o Governo da pátria do Iluminismo e dos Direitos Humanos está envolto numa nuvem de suspeição assombrosa, materializada na alegada compra inflacionada de um pacote de caças Dassault Rafale e no investimento salvador no PSG. Pelo meio, houve uns obstáculos, como a temperatura do verão no Catar ou a diferença horária. Coisa de pouca monta.
A FIFA tudo contornou e agora temos um Mundial pela hora de almoço e a acontecer a meio da época desportiva dos estados participantes.
E a FIFA tudo aceitou. Aceitou a imposição da Sharia num desporto que celebra a diversidade. E elogia uma organização responsável pela brutalidade com que trabalhadores, que puseram a festa de pé com o suor do seu trabalho, foram brindados. Mais violento, fecharam-se os olhos à morte de migrantes. E ainda pede que se batam palmas na festa.
Mas desta vez a sociedade civil não deixou passar. Criticou e questionou. Os políticos do mundo ocidental tiveram de se explicar. Vão ou não? Compactuam ou não? Por cá também. O presidente da República e o primeiro-ministro viram-se forçados a explicar a sua ida ao Catar.
Para futuro, talvez fosse interessante que a FIFA definisse critérios transparentes de elegibilidade para que um Estado possa organizar um Mundial de futebol, um desporto que deve refletir diversidade, competição justa, igualdade de oportunidades, enfim o coração do que reconhecemos como Direitos Humanos.
Isto talvez poupasse à Humanidade o risco de poder vir a assistir a uma candidatura da Coreia do Norte. E talvez servisse de escrutínio exemplar aos dirigentes da FIFA.
Ficávamos com o que amamos: uma bola, uma luta justa, onze contra onze, e o sonho de que tudo é possível."

Da Cop à Copa


"Na COP mais participada de sempre pelo lóbi do fóssil, também não espanta que tenham ficado para trás todas as ambições sobre a descarbonização e desfossilização da economia.

A decisão de realizar a COP 27 no Egito causou polémica. É saudável que assim seja quando um país não cumpre os patamares mínimos de democracia e respeito pelos direitos humanos. Abdel Fattah, ativista pela democracia preso e em greve de fome durante a COP tornou-se símbolo da repressão do regime egípcio, sobretudo quando, durante a COP, a sua irmã afirmou que a família não sabia sequer se o ativista estava vivo. Ajit Rajagopal foi detido pela polícia egípcia no começo do mês quando decidiu caminhar do Cairo até Sharm el-Sheikh empunhando um cartaz sobre justiça climática. O advogado do ativista, ao procurá-lo na polícia, também foi preso.
Quem usou de legítima boa vontade para argumentar que a realização de uma Conferência do Clima no Egito seria um empurrão para grandes mudanças, só pode ter ficado desiludido. Até se chegou a um acordo sobre a criação de um mecanismo de financiamento para compensar as nações vulneráveis por ‘perdas e danos’ causados pelo clima, como desastres climáticos ou até o desaparecimento de ilhas inteiras em países que não tiveram contributo histórico para a poluição. No entanto, a operacionalização desse fundo – incluindo a decisão sobre quem paga e quanto – ficou para depois. Na melhor das hipóteses, fará o mesmo caminho que a promessa de 100 mil milhões de dólares por ano para a transição e adaptação dos países mais vulneráveis. Na COP mais participada de sempre pelo lóbi do fóssil, também não espanta que tenham ficado para trás todas as ambições sobre a descarbonização e desfossilização da economia.
Perante a fragilidade do acordo alcançado, qualquer uma poderá usar de igual legitimidade para apontar o dedo à ONU por estar a ceder ao greenwashing de países autoritários e sem particular papel no combate às alterações climáticas. Enfim, esqueçamos isso, diria Marcelo. Só que quando o mundo se preparava para pôr este fracasso para trás das costas, o nervosismo pelo futebol levou os principais responsáveis políticos do país a participar noutra operação de maquilhagem. Desta feita, na legitimação de um regime onde os direitos humanos são uma miragem ainda mais enganadora do que a de um oásis para um morto de sede no deserto.
Porquê escolher o Catar em vez de, por exemplo, os Estados Unidos da América, onde se tinha pensado realizar o Campeonato do Mundo de Futebol de 2022? Em 2010, Nicolas Sarkozy (presidente francês), Hamad al-Thani (então príncipe herdeiro e atual emir do Qatar) e Michel Platini (que liderava a UEFA e era vice-presidente da FIFA) tomaram um pequeno almoço. Platini passou a defender o Catar, o Paris Saint-Germain embolsou 1.800 milhões de euros e passou a ser propriedade de um fundo de investimento detido pelo Estado catari, o “Qatar Sports Investment”. Em 2011, o fundo contratou o filho de Platini.
Para o regime autoritário do Catar era um pequeno preço a pagar por uma mega operação de propaganda. O verdadeiro custo do Mundial estaria por vir: dois milhões de trabalhadores estrangeiros recrutados para construir os sete estádios e a rede de metro sofreram em condições de verdadeira servilidade debaixo de um sol de 40º C. Segundo contas do “The Guardian”, pelo menos seis mil trabalhadores morreram, sangue e suor sobre o qual se ergueu a “festa do futebol”. Discriminação violenta de mulheres e comunidade LGBTI+, censura, perseguição, pena de morte, castigos físicos… “you name it”.
Diferente da COP, desta vez já não foi a esperança de mudança mas um “acidente” que levou à escolha de uma “petrotirania” para localizar um grande evento internacional. Apenas coincidência? Olhemos para o perfil do país que vai acolher a próxima COP, em novembro de 2023: são classificados como “não livres” no relatório anual Freedom in the World da Freedom House. Recebem muitos trabalhadores estrangeiros, em sua maioria de origem asiática, que são transformados em servos através de dívidas; a confiscação dos passaportes, embora seja ilegal, ocorre em grande escala; os operários trabalham muitas vezes sob calor intenso, com temperaturas que chegam a atingir entre 40 °C e 50º C. As temperaturas oficiais são censuradas durante os meses de verão. As mulheres sofrem de vilenta discriminação. Soa familiar?
Do Egito aos Emirados Árabes Unidos (Dubai), com escala no Qatar: não é difícil perceber o que move o mundo."

Fura Redes: Dia 3

Fura Redes: Dia 2

Terceiro Anel: Mundial - Grupo H

Terceiro Anel: Mundial - Grupo G

Joreca, o português que foi árbitro antes de ser o primeiro mister da seleção do Brasil


"Na longa lista de treinadores que já dirigiram a canarinha, há um único estrangeiro que desempenhou o cargo a sério: Jorge Gomes de Lima, um alfacinha que fez do Brasil a sua casa e levou o escrete a duas vitórias contra o Uruguai uns anos antes do Maracanaço

Quem aceitar pegar nas rédeas da canarinha arrisca-se a duas coisas: ser campeão do Mundo ou ser apelidado de burro porque não convocou este jogador ou perdeu aquele jogo contra uma equipa mais fraca. E comparadas com o Brasil, são quase todas, tanto para os brasileiros como para o mundo em geral.
Em 1944, quando o mundo ainda estava envolvido no banho de sangue da II Guerra Mundial, um treinador português já era um mister de sucesso no Brasil. Nesse ano, uma década antes de Jorge “o Mister” Jesus nascer na já popular cidade da Amadora, Jorge Gomes da Silva aceitava o convite para dirigir a seleção a meias com Flávio Costa, que ficaria no cargo até 1950. Joreca, como era conhecido, já tinha sido campeão paulista pelo São Paulo e sentou-se no banco do escrete em dois jogos contra o Uruguai, vencendo ambos, o primeiro por 6-1 e o segundo por 4-0.
Na altura, apesar de o Brasil ter grandes jogadores como Leônidas da Silva ou Ademir, os uruguaios já tinham sido campeões do mundo. Depois destas goleadas, em 1950, já só com Flávio Costa no banco, o Brasil sofreria um dos maiores desgostos da história coletiva do país com uma derrota na final com o Uruguai, no Rio de Janeiro, perante 200 mil pessoas que lotavam o acabado de estrear Estádio do Maracanã. Flávio “Burro” Costa saiu do cargo, o goleiro Barbosa carregaria a cruz da derrota até ao fim da vida e até a camisola branca com que o Brasil jogou a final foi banida durante décadas.
Joreca já não viu nada disto. O coração traiu-o um ano antes, matando-o relativamente novo (para os parâmetros da época), aos 45 anos.
Mas está na história do desporto e do futebol brasileiros e nem sequer, ou apenas, por ter sido o único estrangeiro a dirigir a seleção. Chegou ao Brasil ainda jovem, formou-se em Educação Física e iniciou-se na vida profissional como jornalista desportivo e depois relatador e comentador de jogos na rádio. A boa locução e preparação técnica fizeram dele uma figura conhecida.
Iniciou-se no futebol na já então muito pouco invejada função de árbitro e dirigiu o jogo de estreia de Leônidas “Diamante Negro” da Silva, o homem que os brasileiros gostam de creditar como o inventor da bicicleta, mas que confessou ter copiado o difícil gesto técnico do chileno Ramón Unzaga.
No ano seguinte, em 1943, foi contratado como treinador para salvar o São Paulo de um início de época devastador. Tinha largado o apito para treinar a seleção amadora de São Paulo e os bons resultados foram imediatos. Nesse mesmo ano, já pelo São Paulo, conquistaria o primeiro de três campeonatos paulistas. O primeiro, reza a lenda, terá sido ganho com o sistema de moeda ao ar e o “portuga” apostou que a moeda ficaria de pé, como o folclore tricolor diz que ficou.
Depois da experiência na seleção, ainda dirigiu o rival Corinthians. Não ganhou títulos, mas terá sido ele a ensinar o avançado Baltazar a cabecear as bolas tão bem que ganhou a alcunha (apelido, em português do Brasil) de cabecinha de ouro.
O físico compacto e a boa forma ainda o levaram a uma experiência cem por cento vitoriosa no boxe: dois combates, duas vitórias.
Continua, até agora, a ser o único estrangeiro a dirigir a seleção do Brasil num par de jogos minimamente competitivos, apesar de serem amigáveis. Depois dele, já em 1965, o argentino Filpo Nuñes dirigiria uma equipa brasileira só formada por jogadores do Palmeiras. Nada que se compare ao feito de Joreca, o primeiro Mister português a conquistar o Brasil."

quinta-feira, 24 de novembro de 2022

Danny Coster detestou a baía da Guanabara


"Cruyff foi ao Brasil, disputou dois jogos, era o sonho do Fluminense, mas a sua mulher não quis nem saber daquele lugar maldito

Foi em 1975. A equipa do Fluminense desatou a comprar jogadores de encher o olho a um centauro: contratou Rivelino ao Corinthians, juntou-lhe o guarda-redes Félix, Marco Antônio e Paulo César Caju, que tinham lugar marcado na seleção do Brasil, e já tinha no grupo Carlos Alberto Torres, Dirceu, Edinho, Cléber e Cafuringa. Ganhou títulos. Inevitavelmente foi tricampeão brasileiro. O povão cantava nas bancadas das Laranjeiras ou do Maracanã:
«Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor!»
O presidente de todo este circo mediático chamava-se Francisco Horta. Queria fazer do Flu a melhor equipa do mundo. Então, encasquinou, que iria comprar o melhor jogador do mundo. Nesse caso era holandês: Hendrik Johannes Cruijff, nascido em Amesterdão, no dia 25 de abril de 1947. A imprensa internacional simplificara-lhe o nome e passara a ser somente Johan Cruyff.
A ideia de Horta germinou em Paris depois do convite feito ao Fluminense para disputar um, na altura, famoso quadrangular internacional. As três outras equipas eram o Paris Saint-Germain, o Sporting e o Valência. Recuperando a frase: Horta roubou a ideia de Daniel Hechter, uma figura da alta-costura parisiense que assumira a presidência do PSG e que ambicionava, à sua maneira, também ter a melhor equipa do universo. Aliás, nisto de ter a melhor das melhores equipas parece ser uma febre instalada de grandeza que só não infeta o meu Recreio Desportivo de Águeda. Daniel não comprou Johan, que estava amarrado por contrato ao Barcelona, mas foi capaz de o convencer (bem como aos dirigentes catalães) a pô-lo a fazer dois jogos com a camisola do Paris-Saint-Germain nesse torneio, o primeiro dos quais frente ao Sporting. Hechter e Cruyff davam-se bem, às vezes passavam férias juntos no iate do primeiro, ao largo das Baleares. Johan não teve lata para lhe cobrar o que na realidade achava que valia para entrar em campo vestido à PSG e, vai daí, combinou com o amigo que faria umas surtidas às suas lojas para ir refazendo o guarda-roupa com camisas e uma fatiota de quando em vez. Se não foi um dos melhores negócios do mundo, andou lá perto. Cruyff não era assim tão vaidoso quanto isso...
Estava portanto Francisco Horta em Paris, refastelado a ver o Paris Saint-Germain bater o Sporting por 3-1, com Cruyff a não precisar de se esforçar muito para, gesticulando, pôr o resto da equipa a fazer o que ele mandava, enquanto esperava pelo segundo jogo - Valência-Fluminense, até lhe assomar à face um sorriso quando conseguiu ver a imagem nítida do holandês com a camisola tricolor. Transformou-se numa ideia fixa. O Fluminense perdeu com o Valência e ganhou ao Sporting, ficando em terceiro lugar (ganharia o torneio no ano seguinte) e Horta tratou de arranjar maneira de chegar à fala com o jogador e impingir-lhe um projeto com muito de mirífico. Johan tinha um drible maravilhoso, quando fazia passar a bola por detrás do calcanhar, mas na maior parte dos assuntos que preenchiam a sua vida era essencialmente prático. A conversa de Francisco não o convenceu. Pelo contrário. Deixou-o desconfiado. Mas Horta não perdeu muito tempo a meter a boca no trombone: «Fiquei realmente entusiasmado com o seu futebol. Vou lhe oferecer trinta mil dólares para que faça três partidas pelo Fluminense no ano que vem. E tenho quase certeza que a proposta será aceite, pois as datas serão escolhidas com muita antecedência, para que não haja perigo de ter algum compromisso pelo Barcelona». A ser, seria o primeiro passo. Para onde? Só Deus, se se desse ao trabalho de existir, saberia a resposta.
Um ano mais tarde, Johan Cruyff desembarcou no Rio de Janeiro acompanhado pela mulher, pelos sogros, e por mais dois casais amigos. Seria tudo por conta de Francisco Horta. Os três jogos que iria disputar - dois no Rio e um em São Paulo – tinham o apoio financeiro da Air France e da Rede Globo. Com todo os extras pagos, Cruyff iria receber algo como 600 mil cruzeiros. Horta insistia: «Para já, consegui trazê-lo até ao Brasil. Para o ano termina o contrato com o Barcelona e as perspetivas são melhores». Mas um problema grave destruiu o seu sonho. Chamou-se Danny Coster e era a cara-metade do jogador holandês. Tal como o antropólogo Claude Lévi-Strauss da canção de Caetano Veloso, detestou a baía da Guanabara. Além disso, também detestou o hotel, detestou as favelas, detestou o trânsito, adorou a caipirinha e teve uma crise de rins. Cruyff jogou no Morumbi por uma seleção d estrangeiros contra uma de brasileiros e marcou um golo (1-1). Depois jogou no Maracanã e perdeu. Apanhou um avião e nunca mais voltou. «Vai meu irmão...»"

24 de Novembro


2 pontos perdidos!

Benfica 3 - 3 Chrudim

Os adversários não são tão fracos, como o 'nome' transparece, mas tínhamos que ter ganho este jogo, mesmo sem o Diego e mesmo com aqueles golos sofridos após ressaltos 'parvos'!!!

Não sei se o Diego jogará amanhã, mas temos que vencer os Malteses (com 7 brasileiros...!!!). O empate no outro jogo (0-0), é um bom indicador das dificuldades que vamos encontrar... O empate do Kairat até nos 'beneficiou', mas para recolher o beneficio temos que vencer os dois jogos que faltam!!!

Bigodes: O melhor 11 - Engrácia!

Terça-feira gorda


"Grande vitória em Espanha na Liga dos Campeões de basquetebol, triunfo na EHF European League de andebol e regresso auspicioso do Campeonato de hóquei em patins num dia também marcado pelo anúncio da renovação do contrato do nadador Diogo Ribeiro.

1
A extraordinária exibição da nossa equipa de basquetebol em Espanha, na deslocação ao reduto do Manresa, da Liga ACB e finalista da Liga dos Campeões na época passada, resultou no excelente triunfo, por 82-92, que garante a continuidade na prova ainda com duas jornadas por disputar na fase de grupos (ocupa o segundo lugar em igualdade pontual com o líder, Manresa).
Foi, possivelmente, o melhor desempenho do Benfica num jogo europeu de basquetebol neste século, perfazendo assim o pleno de vitórias na condição de visitante na fase de grupos.
Norberto Alves realça que "lutamos jogo a jogo e temos de jogar nos limites". Na opinião do nosso treinador, "os jogadores fizeram um grande jogo. Defendemos muito bem, lutámos muito nos ressaltos e merecemos vencer".
Veja o resumo, aqui.

2
Na terceira jornada da fase de grupos da EHF European League, a nossa equipa de andebol recebeu e bateu o Fejér-BAL Veszprém, por 39-35.
Chema Rodríguez destacou o triunfo e os muitos golos marcados, sem deixar de salientar, pela negativa, o menor acerto defensivo: "É certo que marcámos muitos golos, mas temos de sofrer menos. Temos muitas partidas importantes daqui para a frente e temos de continuar a trabalhar e a jogar a 100%."
Saiba mais sobre a partida e veja o resumo, aqui.

3
No regresso do Campeonato de hóquei em patins, vencemos, por 1-3, na deslocação ao HC Braga. Veja o resumo no site oficial.

4
O Sport Lisboa e Benfica anunciou a renovação do contrato que liga o jovem nadador Diogo Ribeiro ao Clube. Bronze no Campeonato da Europa, campeão do mundo júnior em três especialidades, Diogo Ribeiro ambiciona muito mais: "A longo prazo, quero chegar aos Jogos, lutar por uma final e quem sabe por uma medalha também. O Benfica é um gigante mundial e proporciona condições espetaculares, o Clube tem tudo para uma preparação bem-sucedida."

5
Já há datas e horários para as próximas três jornadas do Campeonato. A deslocação a Braga é a 30 de dezembro (21h15), a receção ao Portimonense no dia 6 de janeiro (19h00) e o dérbi com o Sporting, na Luz, joga-se no dia 15 de janeiro, às 18h00. Também está agendada a visita ao Varzim para a Taça de Portugal (10 de janeiro, 20h45).

6
Relembramos que amanhã há Liga dos Campeões de futebol feminino no Benfica Campus. O jogo com o Rosengard tem início previsto às 20h00.
E hoje, no Cazaquistão, joga-se a primeira jornada da Ronda de Elite da Liga dos Campeões de futsal. FK Chrudim (hoje), Luxol St. Andrews (amanhã) e Kairat Almaty (sábado) são os adversários."

O Cantinho Benfiquista | World Cup 2022 Special | All Things Portugal

Águia: Diário...

Se ainda acham que o Otávio vai a Seleção só porque é "português", fica aqui o testemunho de "Filipão":

Benfica um a um: uma análise séria

A Verdade do Tadeia #698 - A França diz presente

Catarses 8️⃣ Arábia Saudita, o tubarão do deserto


"Não é por causa de um jogo que a ordem futebolística mundial vira do avesso, mas a vitória da Arábia Saudita sobre a Argentina será vista no futuro como um ponto de mudança, o marco para um a.C. e um d.C., o antes do Catar e o depois do Catar. A Arábia Saudita nunca será uma grande potência futebolística, mas deveremos passar a vê-la como uma fonte inesgotável de dinheiro a financiar a visão de conquistar politicamente o mundo (também) através do Desporto.
Está em marcha há sete anos a Saudi Vision 2030, que consiste em mudar o paradigma social dos sauditas, melhorando o seu estilo de vida, nomeadamente através do incremento do acesso ao desporto, com as melhores infraestruturas e os melhores profissionais, com três eixos de influência: divulgação, investimento e performance. Entrou neste pacote a contratação de treinadores, com um determinado currículo, mas de segundo plano, como Jorge Jesus ou Leonardo Jardim, que já levou o Al Hilal a campeão da Ásia em 2019 e 2021, de jogadores com idêntico perfil “periférico”, como Talisca, Marega ou Matheus Pereira, a aquisição de clubes europeus, grandes mas não muito, como o Newcastle, com potencial de crescimento, a construção pelas cidades das melhores estruturas desportivas e a colagem da imagem do nome do país a grandes eventos mundiais. A aposta no golfe, por exemplo, já está a dar cabo da ordem mundial da PGA e do European Tour, com o LIV Golf a conseguir contratar alguns dos melhores jogadores, como Dustin Johnson, Phil Mickelson ou Sérgio Garcia, provocando um cisma de consequências catastróficas para a modalidade, a troco de mais de mil milhões de euros só no primeiro ano (apenas 8 torneios). Idêntico processo está em curso através do “fuelling” da Aramco na Fórmula 1, cujo eixo de influência se vem movendo progressivamente da Europa, restritiva e falida, para um Médio Oriente financeiramente desregrado.
Eles não estão preocupados por não existirem jogadores de golfe ou pilotos sauditas, mas acreditam que a associação aos melhores acabará por dar frutos. Enquanto vão considerando como “seus” aqueles a quem pagam, a evolução dos atletas locais será a derradeira consequência da aposta nos melhores, num país de quase 40 milhões de pessoas, onde a prática desportiva era de apenas 7 por cento. A contratação de Cristiano Ronaldo pelo “Fundo de Investimentos”, a famosa máquina de “sportswashing” de Riade, a troco de mais de 100 milhões de euros por época, não pode portanto ser vista como inverosímil. Lionel Messi, o grande derrotado de ontem, recebe um balúrdio apenas como “embaixador do turismo” saudita.
Eles vão insistir durante o tempo que for necessário com os seus potes de ouro negro como fizeram com o golfe através da orientação de Greg Norman, o famoso “the Shark”, espécie de ícone deste tubarão do deserto comendo o mundo do desporto - a oferta a Tiger Woods, mesmo coxo e velho, já vai nos 750 milhões de dólares.
Estive uma vez durante duas semanas na capital saudita, no pós Guerra do Golfo, a cobrir uma das primeiras Taças das Confederações, com a Dinamarca dos manos Laudrup campeã europeia e, curiosamente, a Argentina de Passarella, campeã sul-americana. Quinze dias com todos os estrangeiros enclausurados num hotel de luxo francês e no estádio monumental do Rei Fahad, espécie de templo de mármore de Carrara no meio do deserto, vendo a CNN com cortes e lendo jornais europeus com três dias de atraso e censurados com graxa preta ou páginas rasgadas, a segregação das mulheres e o exacerbado culto religioso, numa cidade de arquitectura espectacular mas árida e sem vivalma. A Arábia Saudita ficou como o único país do mundo a que eu não gostaria de regressar, pois aquilo era a Idade Média transportada para um cenário futurista de Hollywood, completamente anacrónico, um atraso de vida quando comparada à ocidentalização dos minúsculos vizinhos, Kuwait, Barhein, Catar ou Emirados.
Mas agora ouço muita gente dizer que está a abrir-se ao Mundo, que tudo vem mudando e que até as mulheres têm ginásios para praticar desporto a recato dos mirones, podem conduzir um carro ou ver um espectáculo sem um tutor masculino. Se em Casablanca, a Meca do ocidente, já é possível um católico visitar a Grande Mesquita, construída pelos sauditas à beira do Atlântico, até o turismo de “infiéis” na cidade santa eu admito como possível, algures neste século, com a quebra dos rendimentos dos combustíveis fósseis obrigando os árabes a descobrir o petróleo da centralidade política.
O Rei decretou dia feriado pela vitória sobre a Argentina, a assinalar o nascimento da era do futebol a.C. É evidente que o mundo do desporto profissional, como o do golfe e o da Fórmula 1, nunca mais será o mesmo."

Já não existem equipas difíceis


"A Argentina, que desembarcou no Catar com as malas carregadas de expectativas - legítimas -, foi apenas a enésima vítima de um dos pecados nada originais do futebol: o de que um conjunto de grandes jogadores não faz necessariamente uma boa equipa.
Messi e (uma ou outra má) companhia pareciam ir passar a ferro a Arábia Saudita, mas antes disso viram-se atirados para a centrifugadora da combatividade e, mais do que isso, boa organização da equipa orientada por Hervé Renard. Verdadeira raposa - agora do deserto -, o francês, qual Rommel, dispôs as tropas de maneira a atascar a manobra argentina.
No fim de um jogo interminável, em minutos e emoção, as figuras foram batidas pela vontade do coletivo, num futebol onde é missão impossível guardar segredos de jogadores, táticas e jogadas de laboratório.
Não foi a primeira nem a última vez que um candidato perde e acaba por fazer uma boa prova, mas quando se pensa que está tudo inventado, o Mundial faz a sua magia..."

Terceiro Anel: Mundial - Dia 2

C11: Mundial #31 - 2018

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Terceiro Anel: Mundial - Grupo F

Terceiro Anel: Mundial - Grupo E

23 de Novembro


Épico!

Manresa 82 - 92 Benfica
17-27, 16-21, 27-21, 22-23

Vencemos em Espanha, contra uma equipa da ACB (está neste momento em 6.º), que até venceu recentemente uma equipa da Euroliga... e não foi uma daquelas vitórias por 'sorte' ou porque o adversário desvalorizou o Benfica! Vencemos por fomos muito melhores na 1.ª parte, e apesar da pressão da equipa da casa no 2.º tempo, aguentámos e na ponta final, até abrimos uma vantagem considerável...!!!
A última vitória em Espanha, contra uma equipa da ACB, foi em 1996, em Madrid, sobre o Real...!!!

Na Luz, o Manresa conseguiu uma percentagem de 3 pontos, muito acima do 'normal', mas se calhar o factor mais importante terá sido a intensidade e velocidade que impôs ao jogo! Hoje, nem eles conseguiram repetir a percentagem de 3 pontos, e nós conseguimos controlar mais eficientemente a velocidade do jogo...

Vamos lutar com o Manresa pelo 1.º lugar até à última jornada. Temos mais dois jogos em casa, para manter o nível... mas o Manreda tem a vantagem no confronto direto, temos que ficar à espera dum desaire dos Espanhóis...
O 1.º classificado tem um 'caminho' um pouco mais facilitado, para a próxima fase, enquanto o 2.º e o 3.º tem outro 'caminho'! Neste estamos qualificados, basta saber em que posição 1.º ou 2.º.


Melhor da noite: vitória!

Benfica 39 - 35 Veszprem
(21-17)

Não estamos a jogar bem... Vencemos, provavelmente contra a equipa mais acessível do grupo, mas sofremos demasiados golos...

Vitória em Braga...

Braga 1 - 3 Benfica

Regresso do Campeonato, com uma vitória, num pavilhão que o ano passado perdemos!!! Numa partida, que na 2.ª parte, ficou 0-0!!!

Falar Benfica #90

A Verdade do Tadeia #697 - A estreia da Argentina

A regra que o Irão estreou no Mundial e os tempos de compensação engordados pela firmeza dos árbitros

Desilusões e destaque: arranque do Mundial no Catar


"Começou ontem o Mundial no Catar. No arranque desta competição de futebol gostava de realçar dois pontos. Na verdade, uma semi-desilusão e um destaque.
Começo pelo último. O meu destaque vai para um jogador que aprecio como poucos e que é para mim o melhor de sempre na sua posição: estou a falar de Sérgio Busquets. Serão dos poucos jogos que verei neste Mundial. Que privilégio ter podido e poder acompanhar a sua carreira espanhola e no seu Barça. Da minha parte, só me resta ver todos os jogos deste craque com 34 anos de modo a aproveitar, a fazer render enquanto adepta num misto de alegria e tristeza.
A semi-desilusão? O presidente da FIFA Gianni Infantino. Não é uma surpresa total porque, infelizmente, já nos habituou à controvérsia. Mas, ainda assim, surpreendeu-me pela quantidade, pela cadência. Há muita matéria-prima por onde escolher. Mas, talvez ontem tenha batido no fundo com esta declaração para a qual o Mário Fernando me chamou à atenção: "Qualquer país pode ser anfitrião de um evento. Se a Coreia do Norte quiser receber alguma coisa... (...) Fui à Coreia do Norte há alguns anos perguntar se queriam organizar o Mundial feminino com a Coreia do Sul. Bem, obviamente que não fui bem sucedido, mas iria mais 100 vezes se isso ajudasse."
Caros ouvintes, Coreia do Norte com um regime totalitário a organizar um campeonato? Sinceramente, não tenho palavras para tamanha estupidez.
Mais grave, se tivermos em conta que, em 2023, só Gianni Infantino será candidato nas eleições da FIFA.
Que desalento."

Este Mundial não é para todos


"O poderio financeiro do petróleo e do gás natural sobrepôs-se aos valores do Desporto e somos convidados a dissimular as mais gritantes violações dos direitos humanos. Quando Alex Ferguson foi apresentado como treinador do Manchester United, em 1986, consta que escolheu o Município de Manchester para uma das suas primeiras reuniões, apresentando, na altura, um plano visionário e ambicioso para a cidade, através do desporto, onde os sucessos do clube serviriam de alavanca para o progresso e desenvolvimento do espaço urbano.
Nos anos oitenta do século passado, a cidade de Manchester era pouco interessante, desprovida de significativas infraestruturas internas e estava fora do mapa das escolhas turísticas. Para formar um campeão europeu, Ferguson necessitava do envolvimento municipal e dos cidadãos, de melhorias na face da cidade e da correspondente abertura social e cultural, logo seguida da valorização económica. Trinta e seis anos depois, a realidade fala por si.
Nas épocas desportivas de 2013/2014 e 2014/2015, o Estoril Praia participou na fase de grupos da Liga Europa, tendo gerado um impacto económico em Cascais, apenas no que respeita ao número de dormidas, restauração e comércio, de três milhões e meio de euros e de quatro milhões de euros, respetivamente, numa vila tradicionalmente orientada para o turismo e em contexto multicultural, por ser o concelho do país com o maior número de nacionalidades residentes.
Apesar de serem os mais vistos, os mundiais de futebol não são diferentes dos restantes eventos desportivos internacionais. Desde a sua primeira edição em 1930, no Uruguai, esta competição da FIFA, aberta a todas as federações por si reconhecidas, tem assegurado rotatividade pelos continentes e, em geral, retorno económico ao forte investimento prévio em instalações desportivas, estádios, estradas, aeroportos ou hotéis, sendo inquestionável o crescimento que permite, procurando também privilegiar a aproximação e a tolerância cultural entre os povos.
Neste Mundial que ocorre no emirado absolutista do Qatar, um dos países mais ricos do mundo, aconteceu tudo ao contrário. Desde a ausência de transparência na escolha, responsável pela saída de Joseph Blatter que agora considera errada essa opção, aos trabalhadores tornados escravos pela retenção dos seus passaportes durante a construção dos estádios, passando pelas 7.000 mortes de migrantes oriundos da Índia, Paquistão, Nepal, Bangladesh, Sri Lanka, Filipinas ou Quénia, até à imposição de regras sociais e culturais, proibindo a homossexualidade e a liberdade de expressão. O poderio financeiro do petróleo e do gás natural sobrepôs-se aos valores do Desporto e somos convidados a dissimular as mais gritantes violações dos direitos humanos. Por curiosidade, o único fator de desenvolvimento que devim aproveitar para corrigir.
Pouco importam as declarações de Bruno Fernandes, as posições públicas de seleções como Inglaterra, Dinamarca, Austrália e Estados Unidos, assim como as cartas abertas da Amnistia Internacional ou da Human Rights Watch. Este Mundial não é para todos, mas a indignação termina quando a bola começa a rolar. A partir daí, nada mais interessa e ninguém deixará de bater palmas nas tribunas."

Qatar: enfim, não esqueçamos os mortos


"Daniel Oliveira começa a cónica desta terça-feira na antena da TSF com palavras de Marcelo Rebelo de Sousa - "O Catar não respeita os direitos humanos. Toda a construção dos estádios e tal..., mas, enfim, esqueçamos isto. É criticável, mas concentremo-nos na equipa".
"Este momento de absoluta sinceridade do Presidente da República causou incómodo geral, mas Marcelo foi mais uma vez o mais fiel tradutor do Estado de espírito nacional", considera.
Na FIFA, "a corrupção" tornou-se "o critério mais relevante para grande parte das decisões" e o Mundial do Catar "representa a estrutura mafiosa que o organiza", condena. "Se o desporto é a simulação lúdica das nossas sociedades, o futebol como modalidade mais popular do mundo representa as de forma perfeita, tudo se compra e se vende."
Para Daniel Oliveira, do calor intenso que dificulta a prática de qualquer desporto ao ar livre, à inexistência de adeptos nas redondezas que levou à contratação de figurantes do Bangladesh e da Índia para torcer por cada seleção, "tudo neste mundial exibe a corrupção que levou à escolha" de um país cujo regime persegue homossexuais e limita os direitos das mulheres. "Uma ditadura."
Para que o Mundial se realizasse no Catar, milhares de pessoas morreram, lamenta o comentador. O país esconde os números reais, por isso nunca será possível saber quantos foram as mortes ao certo, mas "sabemos que são milhares, muito acima do que aconteceu em qualquer empreendimento do género em tempos recentes."
Muitos dos trabalhadores migrantes (que representam 95% da mão-de-obra do país e que "são e foram tratados como escravos"), sucumbiram devido a insuficiência respiratória, vítimas do calor, para construir os estádios e infraestruturas de apoio.
A Europa não é inocente nesta matéria, lembra Daniel Oliveira, "o Qatar não é o único país que trata quem lhe constrói a prosperidade como lixo", mas "rebenta a escala da ignomínia".
O jornalista defende que Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Augusto Santos Silva não se deviam deslocar ao país para assistir aos jogos da seleção nacional. "Ir ao Mundial não é manter relações diplomáticas com o Qatar, é legitimar os crimes necessários para que este Mundial acontecesse em nosso nome", condena. Fazê-lo "tem um significado político que viola os valores que dizemos defender".
E também "preferia que a minha seleção e as de todos os países democráticos se recusassem a ser cúmplices de um Mundial, que para além de resultar de um ato comprovado de corrupção e de acontecer numa ditadura foi na sua preparação um atentado aos direitos humanos."
"A única coisa que existe no futebol para além do dinheiro é a nossa paixão, que por vezes nos cega.""

Mundial da hipocrisia


"Um dia antes do início do Mundial de futebol no Catar, o presidente da FIFA, Gianni Infantino, fez uma convocatória surpresa aos jornalistas para defender a honra de quem organiza a prova depois de meses a fio sob críticas ao país organizador por ser antidemocrático e nada respeitador dos direitos humanos.

A atitude de Infantino só pode ser entendida como uma resposta da FIFA à pressão das autoridades do Catar para que viesse em sua defesa. O fio condutor do discurso do presidente da FIFA foi um ataque à hipocrisia dos países ocidentais que, ao mesmo tempo que participam no evento e o transmitem para os respetivos territórios, criticam o Catar por graves deficiências em direitos humanos e condições de trabalho. Na verdade, Gianni Infantino tem razão ao dizer que os mundiais conviveram várias vezes com regimes que violaram flagrantemente os direitos humanos, como foi o caso mais recente da Rússia, em 2018, ou da Argentina, em 1978, quando era uma ditadura militar.
Ou seja, nada de novo numa organização que, ela própria, teve de suspender os seus dois últimos presidentes por presumível corrupção (Joseph Blatter e João Havelange). Sim. Existe alguma hipocrisia na atitude dos países ocidentais sabendo de antemão que este Mundial foi decidido há 12 anos e nunca se viu alguma ação enérgica em mais de uma década. Guardaram tudo para agora. No fundo, pergunta-se se a crítica ao Catar é legítima numa altura em que os países ocidentais, como Portugal, já há muito entraram neste jogo e enviaram, para além das suas seleções, multidões de jornalistas e adeptos? Mais. Teriam os países ocidentais aceitado um boicote ao Mundial pelo não cumprimento dos direitos humanos quando o evento foi realizado em nações ainda piores?
A reação moralista atual é algo exagerada, mas é compreensível que as democracias mais avançadas façam críticas a um regime onde os homossexuais são altamente castigados e onde as principais vítimas de graves violações de direitos humanos são as mulheres, todas sob a guarda de homens. Daí a seleção inglesa ter feito um gesto ao ajoelhar-se antes do jogo com o Irão na defesa dos direitos humanos. Tudo certo."

Espero que o próximo Mundial seja na Coreia do Norte


"Cada turista português que faz férias em Marrocos ou na Tunísia e pede um copo de vinho num restaurante está a incentivar o próprio povo a ir contra o seu código religioso a troco de dinheiro.

Vamos ser sinceros uns com os outros. Quem de nós sabia localizar o Catar no mapa há 6 meses atrás?
A maioria dos europeus desconhecia a cultura, a geografia, a demografia e tantas outras coisas sobre o Catar. O Mundial veio mudar isso. De repente, todos nós nos preocupamos com os direitos humanos, com a proibição de álcool nos estádios e com as condições dos trabalhadores imigrantes neste país.
Dos 2.6 milhões de habitantes do Catar, apenas cerca de 315.000 são cidadãos do país (12%). O resto são imigrantes e expatriados. Um dado aparentemente chocante. Nos Emirados Árabes Unidos a percentagem é igual. Os imigrantes constituem 88% da população. No Kuwait 60% e no Bahrain aproximadamente 50%. O Catar equipara-se a outros países da região neste aspeto demográfico. Talvez devêssemos exercer a mesma pressão nos países vizinhos, mas como (ainda) não há Mundial de futebol ou Jogos Olímpicos nesses países, a comunidade internacional não tem peso nem influência para mudar seja o que for.
Lemos as notícias: “Catar proíbe venda de álcool nos estádios.” Vamos contextualizar: O consumo de álcool é ilegal no Catar, podendo levar a 6 meses na prisão. Esta proibição foi discretamente “posta de lado” durante a duração do Mundial. A proibição mantém-se dentro do recinto dos estádios. Ou seja, o Catar, efetivamente, está a ir contra a sua própria lei (e código religioso) ao vender álcool fora dos estádios. Logo, o título mais adequado seria: “Catar autoriza a venda de álcool no país. Um acontecimento inédito.”
Podemos dizer que o Mundial trouxe o álcool para o país. Os Cataris têm a sua religião, mas como sabemos, todos os princípios têm um preço. O capitalismo é uma força muito poderosa. Os países abrem-se aos estrangeiros e, inconscientemente, mudam a sua cultura. Cada turista português ou espanhol que faz férias em Marrocos ou na Tunísia e pede um copo de vinho num restaurante está a incentivar o próprio povo a ir contra o seu código religioso a troco de dinheiro. Nesse momento, os escolásticos têm que arranjar e desenrascar interpretações “alternativas” ao Corão para poderem vender o dito copo de vinho e fazer a economia do país prosperar. Os próprios empresários fazem pressão ao governo para tal. Quando um homossexual americano fã de futebol chega ao Qatar com os bolsos cheios de dólares, pronto para os gastar em cerveja, os imãs têm que rapidamente arranjar uma nova interpretação do Corão para acomodar essa pessoa no país. Ninguém escapa ao capitalismo. O dono do bar que obedece aos princípios religiosos à risca terá a caixa registadora vazia porque não pode vender a tão desejada cerveja fresquinha.
Por esse motivo, espero que o próximo Mundial seja na Coreia do Norte. A comunidade internacional terá mais ferramentas para fazer negociações. Os artistas farão arte a criticar o regime. As pessoas lerão mais e vão-se informar mais sobre o país. Tudo isto contribui para a mudança. Sem intercâmbio, tudo se manterá igual."

Catar 2022 e COP27: Os pontos nos ís e os traços nos tês


"Sejamos claros, o taco, o cacau, o dinheiro está todo no Golfo Pérsico e as economias ocidentais estão nas mãos, ou dos árabes ou dos chineses. Um dos sinais evidentes dessa realidade, do qual já ninguém se lembra, remonta a Fevereiro passado, quando a sonda "Amal" (Esperança) dos Emirados Árabes Unidos amartou em Marte, numa semana de tráfego intenso no planeta vermelho, já que 24 horas depois amartou também a "Tianwen" da China e uns dias depois a "Perseverança" americana. Esta corrida a Marte, bem como este pódio, definem a posição de força de cada um destes países na Terra, com base no fundo de maneio disponível para este tipo de investimento e bluff também. Não esquecer que foi o bluff americano sobre a "guerra das estrelas", que levou o bem-intencionado Gorbachev a reconhecer que não tinha um saco azul que fosse, para alinhar nesta competição e atirou a toalha ao chão assumindo aquilo que os russos por norma ainda hoje nunca assumem e que é o erro. O erro no sentido em que o modelo económico escolhido falhou, não vingara e foram claramente ultrapassados pelos americanos no plano do imaginário, do que ainda estava por construir.
A polémica, justificada aliás, em torno da questão dos direitos humanos no Mundial de Futebol que viu o pontapé de saída ser dado ontem (20 Nov.), espelha precisamente o cenário marciano. O poder do dinheiro comprou tudo e todos, especialmente aqueles que agora se fazem de distraídos e até indignados com a realização do evento. Estando o mal feito, já que o evento já começou, parece-me importante valorizar o outro lado desta moeda. Qual, afinal? O facto do assunto estar em cima da mesa e das lideranças destes "califadozinhos" não terem forma, desta vez, de poderem calar o indivíduo, os grupos de pressão, os patrocinadores. Nem a polícia poderá encostar a multidão à parede e começar a bater, como se viu ontem na confusão do acesso a uma das zonas de fans. "Mas os patrocinadores patrocinaram, que moral têm para levantarem a voz?", poderá dizer/pensar. É verdade, mas calma, "Roma e Pavia não foram feitas num dia". O imediatismo vigente é aliás o maior inimigo para a evolução e no "deserto islâmico" o ritmo é outro e é improdutivo ir contra o mesmo, porque pode faltar a água quando mais se precisa e "cair tudo por areia". Os resultados serão visíveis numa década ou duas e o debate e a pressão estão lançados. O Médio Oriente não estará desconectado de uma nova ordem mundial em esboço e quererá ocupar uma posição na mesma. Ora esse posicionamento começou ontem e os próximos dias ditarão que Catar será este a partir de 19 de Dezembro, o dia seguinte à entrega da taça.

COP27 e COP28, o "lado marciano" da questão!
O Mundial de Futebol começou ontem dia em que a COP27 terminou em Sharm-el-Sheikh no Egípto, quando a mesma deveria ter terminado na sexta-feira anterior, 18 de Novembro. Porquê? Porque após uma semana de debates, chegado o fim do evento, a organização ainda não tinha chegado a acordo para um comunicado final que apresentasse alguma evolução positiva que no mínimo teria que confirmar os objectivos do Acordo Climático de Paris de 2015 e que tem como objectivo mais claro e público, trabalhar-se no sentido de conter o aumento da temperatura no planeta abaixo dos 2º Celsius relativamente aos níveis pré-industriais e de continuar os esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5º Celsius para as próximas décadas. Graças à pressão europeia, daí estes dois dias extra, conseguiu-se também a criação de um Fundo de Respostas a Perdas e Danos, que beneficiará os países menos desenvolvidos, que por vezes são os mais poluidores, por via da deslocalização de indústrias ocidentais, que nestes "paraísos industriais" podem poluir na ausência de leis ambientais. Mas esta contradição, para mim é compreensível, a qual teve origem na Cimeira do Rio de 1999, altura em que se estabeleceram quotas de poluição para todos os países signatários, sem se olhar às diferentes capacidades industriais de cada um. Resultado, sobretudo os americanos, começaram a comprar as quotas dos países menos poluidores, para manterem o seu ritmo de produção! O que já é menos compreensível, é ter ficado agendada a COP28, para daqui a um ano, a realizar nos Emirados Árabes Unidos, um dos maiores produtores de combustíveis fósseis, os mesmos em discussão para a gestão do fim da respectiva exploração. Volto ao bloco anterior, para terminar como comecei, "Sejamos claros, o taco, o cacau, o dinheiro está todo no Golfo Pérsico e as economias ocidentais estão nas mãos, ou dos árabes ou dos chineses."
(...)"

terça-feira, 22 de novembro de 2022

3x4x3


22 de Novembro


E agora escolham


"1. O histórico Varzim será o adversário do Benfica nos oitavos de final da Taça de Portugal. A 5.º eliminatória da Taça joga-se entre os dias 10 e 12 de janeiro, e, até lá, a nossa equipa de futebol tem por disputar a primeira fase da Taça da Liga e duas jornadas do campeonato nacional que contemplam uma visita à casa do Sporting de Braga e a recepção ao Portimonense na Luz. Segue-se, então, a viagem até à Póvoa para a Taça de Portugal que antecede o dérbi eterno, à 16.ª jornada, na nossa casa. Tantas emoções no arranque de 2023.

2. O sorteio da Taça de Portugal já foi elaborado até às meias-finais. Assim se poupa nas bolas. Certo é que o Benfica, caso ultrapasse o Varzim e siga na prova até ao fim, só fará na Luz um dos jogos da meia-final, e isto, claro se não alterarem o regulamento até lá.

3. 'É extraordinário o que os jogadores têm feito. Foram estas as palavras do treinador do Benfica no fim do jogo com o Gil Vicente com que se encerrou a primeira fatia do campeonato nacional. É assim, por força do Mundial temos um campeonato às fatias. Vencendo o Gil Vicente, o Benfica chegou ao fim da fatia inicial com 12 vitórias e 1 empate em 13 jornadas e um animador avanço pontual sobre os seus perseguidores. Animador, apenas isso. É certo que é difícil não nos deixarmos contagiar pela qualidade e eficácia do futebol do Benfica, mas é do mais elementar bom senso manter a cabeça fria por mais altas que sejam as expectativas. E são.

4. Voltando a Roger Scmidt e ao elogio que prestou aos jogadores no fim do jogo do último domingo. Quem não gostou de ouvir o treinador alemão dizer o que disse? Um treinador que não se elogia a si próprio em circunstância alguma e que devolve todos os elogios que, justamente, vem recebendo para o trabalho dos seus jogadores. Assim deve ser tudo bem mais fácil.

5. Voltando aos momentos finais do Benfica - Gil Vicente. O árbitro apitou pela última vez, e o Estádio da Luz irrompeu em aplausos que foram devolvidos para as bancadas pelos jogadores e pela equipa técnica em largos minutos de comunhão. Parecendo um sonho, é a realidade.

6. João Mário, Gonçalo Ramos, António Silva, Bah, Otamendi e Enzo Fernández são os jogadores do Benfica que vão estar no Mundial. Todos lhes desejamos por igual as maiores felicidades. E que voltem bem e sãos e cheios de vontade 'para continuar a fazer uma história linda no nosso clube', como escreveu Enzo na emocionado mensagem que deixou aos adeptos benfiquistas.

7. No domingo começa o Mundial e começa o Benfica a jogar as suas pretensões na Taça da Liga. E agora escolham."

Leonor Pinhão, in O Benfica

Fábrica de sonhos: Benfica


"Não perca tempo a ler esta crónica. Comece já a ver o fantástico documentário “Fábrica de sonhos: Benfica” na PrimeVideo da Amazon. Creia no que lhe digo, é extraordinário, é imperdível, é Benfica!
Considero-me, porque já vi muitos, um consumidor exigente de documentários sobre futebol e basquetebol. Sei o que afirmo: o “Fábrica de sonhos: Benfica” não deve rigorosamente nada aos melhores, aliás, está claramente entre aqueles que mais prazer me deu assistir. Claro que o facto de estar relacionado com o Benfica ajuda e muito nesta percepção, mas é para benfiquistas que escrevo, confiem em mim.
Penso que todos temos noção de que o Benfica trabalha muito bem na formação de futebolistas, mas com este documentário percebemos melhor como o faz. Do scouting em tenríssima idade ao acompanhamento psicológico em fases tardias do processo formativo, está lá tudo, não só através dos testemunhos, mas também pela realidade como ela é, revelada em imagens nunca antes vistas. Acresce a excelência ao nível da realização, das filmagens e da narrativa, é realmente soberbo. E os muitos testemunhos acrescentam imenso valor, em nada prejudicados, porque a rejeita, pela costumeira salada de lugares-comuns que habitualmente ouvimos no mundo do desporto.
Agora pensa o leitor: com as expectativas tão altas, por certo desiludir-me-ei. Desengane-se! Eu próprio fui uma potencial vítima de excesso de expectativas criado por outrem e não me senti defraudado minimamente. Pelo contrário, gostei mais do que esperava. O primeiro episódio é bom, os três seguintes são fabulosos.
O “Fábrica de sonhos: Benfica” deve ser celebrado. Não só por ser muitíssimo interessante, revelador e muito bem feito, mas sobretudo por colocar o Benfica na linha da frente, também, no domínio da comunicação.
Há décadas que o futebol português é tratado, neste âmbito, como se fosse um saco de pancada; este documentário é a antítese desse lodaçal, surgindo na sequência de variadíssimos conteúdos disponibilizados na BTV e BPlay (e restantes meios) em tempos recentes e só possíveis por uma abertura de espírito até há poucos anos inimaginável. E com isso ganhamos nós, os adeptos, que somos apaixonados pelo Benfica e por desporto.
Entender a comunicação como uma ferramenta para estimular o gosto pelo clube e pelo desporto é, em Portugal, uma vitória. Ser capaz de implementá-la subordinada a essa ideia, um título. Quero mais, este é o caminho!"

João Tomaz, in O Benfica

Olha, vai começar o Mundial


"Vem aí o Mundial 2022 e, estando entusiasmado, se olhar com atenção para a minha barra de entusiasmo, percebo que não poderia estar menos entusiasmado. Ou seja, é um entusiasmo, involuntário, que ainda assim está muito longe do entusiasmo de todos os outros Mundiais a que me lembro de assistir. Em 2002, os professores interrompiam as aulas para vermos os jogos de Portugal. Em 2006, tínhamos o Figo numa ala e o Ronaldo na outra. Em 2010, os professores não interrompiam as aulas por causa de nenhum jogo na África do Sul, mas eu já tinha idade para me baldar e não perder nenhum. Em 2014, às 02h00 podíamos sentar-nos no sofá e assistir a um empolgante Japão-Costa do Marfim. em 2018, queríamos conquistar o mundo depois de termos conquistado a Europa. Agora, em 2022, temos um Mundial onde centenas de adeptos que circulam pelas ruas do Catar com a nossa bandeira têm tanto de portugueses como o Otávio.
Para além disso, esta competição vem interromper um calendário imaculado do Benfica em todas as provas. Se Portugal ganhar ao Gana, fica mais próximo de vencer o primeiro Mundial da história, mas se o Benfica sair em pé da Reboleira no jogo com o Estrela da Amadora, fica também mais próximo do recorde de jogos consecutivos sem perder no arranque de uma época. Na verdade, não consigo afirmar com total certeza qual destas duas conquistas me deixaria mais feliz. Mas desconfio.
Ainda assim, que remédio tenho ou senão vibrar sempre que a bola começar a rolar. Principalmente quando Portugal estiver em campo. Apesar de tudo, tenho a certeza de que os benfiquistas estarão unidos a torcer por um objectivo comum: que os nossos seis que partiram para o Catar regressem à Luz cheios de saúde."

Pedro Soares, in O Benfica