"PEDRO DA CONCEIÇÃO FOI
UM ATLETA ECLÉTICO E UM
FERVOROSO BENFIQUISTA,
CUJO AMOR PELO CLUBE
ESTAVA ACIMA DE TUDO.
No dia 10 de abril de 1960, o coração
de Pedro José da Conceição não
resistiu à comoção daquele jogo
do Campeonato Nacional frente
ao Sporting, que culminou na vitória dos
encarnados por 4-3, permitindo-lhes
aproximarem-se mais do título. “Doença
arteriosclerótica”, um coração quebrado,
assistido por José Pinho, ainda no Estádio, onde insistiu em permanecer a ver o
jogo. O lisboeta de 50 anos foi depois
encaminhado para casa, onde acabaria
por falecer.
Foi um golpe duro no mundo dos benfiquistas. Pedro da Conceição vibrava
com o Clube de forma ímpar. Era sempre
dos primeiros a chegar às bancadas.
Nascido em Santos, onde os pais viviam,
haveria de trabalhar no Arsenal do
Alfeite, seguindo os mesmos passos do
pai, que fora marítimo de profissão. Mas
foram outras as valências deste homem,
de verdadeiro coração vermelho.
Entre os 17 e os 29 anos, representou
o Benfica nas modalidades de futebol,
natação, polo aquático, andebol (dois
jogos, como guarda-redes) e a sua última representação pelo Benfica foi
numa prova de corta-mato, em 1939.
Mais tarde, haveria de integrar o Sport Lisboa
e Saudade.
No polo aquático teve visibilidade, integrando equipas de 1.ª e 2.ª categorias. Alinhou na equipa que, em agosto de
1931, se debateu com o Natació de
Barcelona, em digressão por Portugal. Disputando ainda jogos com a
equipa do Algés e Dafundo e com
uma seleção de Lisboa, os catalães
venceram por grandes diferenças,
num período em que o polo aquático português estava em fase praticamente larvar. O único golo do
Benfica foi apontado por Pedro da
Conceição.
No futebol, todos recordavam o
guarda-redes “entusiasta, valente,
que jogava com o coração”. Antes de
assumir essa posição, atuou como
médio, como na sua primeira exibição de águia ao peito, no dia de Natal
de 1927, frente ao 31 de Janeiro FC
(V 3-0), marcando um dos golos.
A sua estreia na 1.ª categoria, no dia
10 de janeiro de 1932, fê-la com “contento”, protagonizando algumas defesas arrojadas, saindo ao encontro dos
avançados do União de Lisboa (E 1-1)
e tirando as bolas dos seus pés. O seu
segundo jogo, contra o Sporting, esteve “absolutamente bem”, atuando
como se pretende “do nosso melhor
keeper”.
O rouxinol do Benfica, cuja “voz de
barítono era a primeira a entoar uma
canção”, esteve 81 jogos na qualidade
de guarda-redes da equipa principal,
entre as épocas de 1931/32 e 1935/36, e
conquistou um Campeonato de Lisboa.
Recorde outros dedicados e valorosos jogadores da história do Benfica na
área 22 – De Águia ao Peito, no Museu Benfica – Cosme Damião."
Pedro S. Amorim, in O Benfica

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