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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Um coração que jogava


"PEDRO DA CONCEIÇÃO FOI UM ATLETA ECLÉTICO E UM FERVOROSO BENFIQUISTA, CUJO AMOR PELO CLUBE ESTAVA ACIMA DE TUDO.

No dia 10 de abril de 1960, o coração de Pedro José da Conceição não resistiu à comoção daquele jogo do Campeonato Nacional frente ao Sporting, que culminou na vitória dos encarnados por 4-3, permitindo-lhes aproximarem-se mais do título. “Doença arteriosclerótica”, um coração quebrado, assistido por José Pinho, ainda no Estádio, onde insistiu em permanecer a ver o jogo. O lisboeta de 50 anos foi depois encaminhado para casa, onde acabaria por falecer.
Foi um golpe duro no mundo dos benfiquistas. Pedro da Conceição vibrava com o Clube de forma ímpar. Era sempre dos primeiros a chegar às bancadas. Nascido em Santos, onde os pais viviam, haveria de trabalhar no Arsenal do Alfeite, seguindo os mesmos passos do pai, que fora marítimo de profissão. Mas foram outras as valências deste homem, de verdadeiro coração vermelho.
Entre os 17 e os 29 anos, representou o Benfica nas modalidades de futebol, natação, polo aquático, andebol (dois jogos, como guarda-redes) e a sua última representação pelo Benfica foi numa prova de corta-mato, em 1939. Mais tarde, haveria de integrar o Sport Lisboa e Saudade.
No polo aquático teve visibilidade, integrando equipas de 1.ª e 2.ª categorias. Alinhou na equipa que, em agosto de 1931, se debateu com o Natació de Barcelona, em digressão por Portugal. Disputando ainda jogos com a equipa do Algés e Dafundo e com uma seleção de Lisboa, os catalães venceram por grandes diferenças, num período em que o polo aquático português estava em fase praticamente larvar. O único golo do Benfica foi apontado por Pedro da Conceição.
No futebol, todos recordavam o guarda-redes “entusiasta, valente, que jogava com o coração”. Antes de assumir essa posição, atuou como médio, como na sua primeira exibição de águia ao peito, no dia de Natal de 1927, frente ao 31 de Janeiro FC (V 3-0), marcando um dos golos. A sua estreia na 1.ª categoria, no dia 10 de janeiro de 1932, fê-la com “contento”, protagonizando algumas defesas arrojadas, saindo ao encontro dos avançados do União de Lisboa (E 1-1) e tirando as bolas dos seus pés. O seu segundo jogo, contra o Sporting, esteve “absolutamente bem”, atuando como se pretende “do nosso melhor keeper”.
O rouxinol do Benfica, cuja “voz de barítono era a primeira a entoar uma canção”, esteve 81 jogos na qualidade de guarda-redes da equipa principal, entre as épocas de 1931/32 e 1935/36, e conquistou um Campeonato de Lisboa.
Recorde outros dedicados e valorosos jogadores da história do Benfica na área 22 – De Águia ao Peito, no Museu Benfica – Cosme Damião."

Pedro S. Amorim, in O Benfica

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