Últimas indefectivações

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Não-perder é o que está a dar

"A Espanha jogou sem ponta de lança e a opção chocou. A verdade é que a Espanha não tem um Cristiano Ronaldo... Nós temos. Também não joga a ponta de lança

O Europeu começou com a Grécia a conseguir não-perder o jogo inaugural com a Polónia, co-anfitriã do torneio. Os treinadores, os jogadores e os adeptos, todos sem excepção, reconhecem a importância do chamado não-perder no primeiro jogo da fase de grupos.
No entanto, como é da praxe, a História regista as suas excepções ao preceito fundamental da tal entrada com o pé direito. No Europeu de 1988, a Holanda perdeu o seu primeiro jogo e viria a conquistar o título e no Mundial de 2012 a Espanha começou por perder com a Suíça e acabou a ganhar na final à Holanda.
Deixemos as excepções em paz e regressemos à regra, ou seja, à importância do não-perder no primeiro jogo de competições desta envergadura.
O nosso compatriota Fernando Santos é o treinador da Grécia e como é um profissional experiente sabe destas coisas todas. Por isso mesmo, apresentou a sua equipa no jogo inaugural com uma filosofia de retranca, sempre à espera do erro do adversário, à partida favorito porque jogava em casa.
Acabou por ser uma grande felicidade para os espectadores neutrais o facto o facto de a Polónia ter marcado aos 17 minutos, obrigando a Grécia a entrar a sério no jogo e a correr para salvar o resultado.
Obrigado a mexer na equipa, reduzida a 10 jogadores ainda antes do intervalo, foi feliz Fernando Santos ao lançar Salpingidis, que não é propriamente nenhuma vedeta do areópago mundial, mas que deu a volta ao jogo, marcou o golo do empate e ainda fez um segundo golo que o árbitro invalidaria por fora de jogo, deixando os polacos aliviados e felizes porque, também para eles, era crucial a tal coisa de não-perder o primeiro jogo.
Quanto ao árbitro, não haja dúvida de que foi um grande  malandro...

UMA das graças destes torneios entre selecções - e com a nossa Selecção também envolvida - é constatar que os nossos comentadores arrumam criteriosamente a sua estrutural isenção profissional e passam a gozar a liberdade de poderem ser adeptos à vontade.
Certamente porque Fernando Santos é português e também porque, devido à conjuntura política e económica actual, somos todos gregos, os nossos analistas puderam revelar os esplendores da sua não-imparcialidade e do seu desapego ao bom senso.
O árbitro do Polónia-Grécia até ficou com as orelhas a arder com a rapidez de julgamento e o desassombro nos qualificativos com que a sua actuação foi observada em Portugal. Malta que em jogos do campeonato português precisa de, no mínimo, meia dúzia de repetições em slow motion para conseguir dizer que, por exemplo, houve infração para grande penalidade em lances como o de Pablo Aimar na área da Académica, em Coimbra, ou o de Gaitán na área do Sporting, em Alvalade, quando chega o Europeu manda logo às malvas o temor devido nos árbitros como se, afinal, eles não fossem humanamente propensos ao erro.
«Calamitosamente» foi o advérbio de modo ouvido no decorrer da transmissão televisiva para qualificar o trabalho do árbitro espanhol Velasco Carballo. Pelo contrário, cá no burgo, não há arbitragens calamitosas nem desvarios de linguagem.

NÃO conseguimos não-perder o nosso jogo de estreia neste Europeu. Não tivemos a sorte da Grécia de Fernando Santos, que sofreu um golo aos 17 minutos de jogo e viu-se obrigado a acordar cedo e a abandonar aquele futebol anti-espectáculo do não-jogam-vocês-não-jogamos-nós-não-joga-ninguém, na fé de um 0-0 que nunca é mau presságio no arranque deste género de torneios.
Exactamente ao contrário da Grécia, sofremos um golo dos alemães a 17 minutos do fim e, acordando tarde, já não fomos a tempo de impedir a derrota que, de um modo geral, foi considerada bastante injusta entre nós.
E até do adversário soubemos merecer a comiseração. O próprio Ozil disse a Pepe, no final do jogo, que o empate seria o resultado mais certo para o que se passou em campo.
É um bocadinho parecido como quando a senhora Merkl diz que está satisfeita com o esforço e o sacrifício dos portugueses ou como quando o New York Times escreve que os portugueses são tão boa gente que até aceitam sem protestar os ditames da Banca internacional.
Estes cumprimentos estrangeiros no infortúnio sabem sempre bem e consolam a depauperada alma nacional.
Infelizmente para Paulo Bento não houve no banco de Portugal nenhum Salpingidis que entrasse em campo para, pelo menos, empatar o jogo. E o árbitro, que era francês, voltou a ser um malandro do pior como só são os árbitros estrangeiros.
Felizmente que a Liga portuguesa, numa decisão histórica, decidiu acabar de vez com as avaliações dos nossos árbitros nas provas nacionais. Avaliações para quê? Os nossos árbitros são os melhores do mundo, não precisam de ser avaliados.

QUEM precisa de ser avaliado é o realizador ucraniano que assinou a transmissão televisiva deste Alemanha-Portugal porque induziu, repetidamente, em erro milhões de telespectadores.
Á força de mostrar tantas vezes José Mourinho, bem sentado, a vibrar com as ocorrências na Arena de Lviv e ignorando a presença de Paulo Bento, sentado à flor da relva, no lugar do verdadeiro treinador, deve haver muita gente por esse mundo fora que está convencido de que o treinador do Real Madrid é, na verdade, o seleccionador de Portugal.

GRANDE jogo e grande espectáculo houve em New Jersey. O mano-a-mano Messi-Neymar terminou em glória para o argentino, que fez três golos, sendo que o último foi fabuloso e os outros dois também não foram nada maus.
Ou a Argentina tem um novo seleccionador, muito sagaz, que pôs a equipa a jogar à Barcelona, ou seja, em exercícios de geometria no espaço, ou Leonel Messi está mesmo a viver o momento mais fabuloso da sua não menos fabulosa carreira e, assim sendo, vai tudo à frente...
Depois de o verem marcar três golos ao Brasil é de duvidar que os argentinos continuem a embirrar com Messi, acusando-o de não produzir na selecção o que produz ao serviço do Barcelona.
E que bem jogou o nosso Garay, que não deu um palmo de terra ao Neymar. Nada de surpreendente. E muita falta fez Garay ao Benfica este ano quando se lesionou antes do jogo com o Zenit.

ESPANHÓIS e italianos ficaram todos contentes porque ambos conseguiram não-perder o seu jogo. A Itália, no entanto, já não é o que era. Onde é que já se viu uma squadra azurra a adiantar-se no marcador e, três minutos mais tarde, a consentir o empate?
A Espanha jogou sem ponta de lança e a opção de Del Bosque chocou o público e a crítica. A verdade é que a Espanha não tem nenhum Cristiano Ronaldo...
Nós temos. Mas também não joga a ponta de lança.

A Inglaterra também conseguiu não-perder com a França. Por seu lado, a Grécia já não conseguiu não-perder com a República Checa.

E agora um bocadinho de hóquei em patins: o FC Porto conseguiu não-perder com o Benfica na Luz mas o empate não era de todo o resultado pretendido. Agora o FC Porto quer repetir o jogo por erros do árbitro. Excelente ideia.
Penso que o Benfica, pelas mesmas razões, pode pedir ao senhor Fernando Gomes e ao senhor Tiago Carveiro, da Federação Portuguesa de Futebol, para mandarem repetir, pelos mesmos motivos, os jogos com a Académica, em Coimbra, e com o FC Porto, na Luz.
Até podem pedir por SMS.

ONTEM, não sei se viram, mas quase, quase que íamos não-ganhar à Dinamarca. Era obra."

Leonor Pinhão, in A Bola

PS: Esta noite, no Europeu, assistimos a mais uma deslumbrante exibição... dos Irlandeses!!! (resultado final: Espanha 4 - 0 Irlanda)!!!
A malta mais nova, pode não se recordar, mas eu lembro-me bem do Euro 88, em Itália no Mundial 90, na América no Mundial 94 e no Mundial na Ásia em 2002, além do famoso jogo na Luz - com muita chuva e com o majestoso golo, do nosso Maestro -, os adeptos Irlandeses são de facto os Melhores Adeptos do Mundo, e o resto é treta...!!!

Palavras leva-os o Euro

"A catadupa de jogos do Euro é, também, um teste à capacidade de resistência para escutar frases que constituem um quase dialecto de lugares-comuns, eufemismos, pleonasmos e paradoxos.
Não me refiro aqui ao modo como o capitão da nossa Selecção se dirigiu ao mais alto magistrado da Nação: «Em nome da Selecção entrego-lhe esta camisola e convidamos você para ir assistir a um jogo, tá?». Frase no mínimo inapropriada, mas que não admira quando por toda a parte e em programas e galas televisivas se ouve a feia expressão «com vocês» em vez de «convosco».
Antes registo aqui algumas deliciosas frases que venho ouvindo: «a bola morreu nas redes» (pergunto-me se depois de tão súbito fenecimento do esférico, ainda há jogo?), «o jogador x tem que interagir com os colegas» (ou interagir... sozinho?), «as duas selecções acabaram dividir os três pontos» (1,5 pontos para cada uma delas ou será que, em aritmética de empates, 1+1=3?), «o hino espanhol foi cantado em silêncio, isto é sem letra» (intrigante oximoro). Por fim, no fim do jogo com a Alemanha ouvi o presidente da FPF confessar que «se hoje houvesse um vencedor, seria a Selecção portuguesa» (será que empatámos?).

P.S. 1 - Intitulava A BOLA: «Toni conformado no Tractor». Confesso que fiquei surpreendido com esta serôdia vocação do grande benfiquista. Li a notícia: afinal Tractor é um clube iraniano de Tabriz. A agricultura é outra. Também não me havia lembrado que o jornal aplica o Acordo Ortográfico, pelo que o Tractor de Tabriz não é o trator de Avis.

P.S. 2 - Ainda a tempo de registar a vitória tão preciosa quanto sofrida contra a Dinamarca."

Bagão Félix, in A Bola

O polvo Paulo para o tacho, já!

"POZNAN - Confesso que, até há dois anos, não era muito de acreditar nas capacidades divinatórias dos animais. No entanto, durante o Mundial de 2010, o polvo Paul, alemão, fez-me ver a vida de outra forma. Fiquei, pois, naturalmente apreensivo quando um polvo, de nome Paulo - dizem que é primo do infalível Paul - residente num aquário do Porto, vaticinou a vitória da Alemanha sobre Portugal no Euro-2012. Passei da apreensão à resignação - «lá tenho de ouvir mais um polvo» - quando o oito pernas acertou no triunfo germânico. E foi com natural pânico que li que o Paulo tinha apostado as fichas todas no sucesso da Dinamarca, ontem, frente a Portugal. Começou o jogo, Pepe, 1-0, Postiga, 2-0, e dei comigo a rogar pragas ao polvo pelo susto que me tinha pregado. Reduziram os vikings, começaram a ameaçar o empate, o Cristiano falhou o 3-1 e a seguir sofremos o 2-2. «Ora queres ver que o polvo Paulo tinha razão?», cogitei com os meus botões, porque para Portugal empatar ou perder ia dar ao mesmo...
Surgiu então em cena Silvestre Varela, que agitou mais as águas que já estavam mexidas depois da entrada de Nélson Oliveira. E chegou o golo da vitória, um triunfo imprescindível, crucial, justo e, acima de tudo, desnecessariamente sofrido.
Numa esplanada de Poznan, apoiado apenas pelo Paulo Esteves, repórter fotográfico que me acompanha, e pela Joana Guimarães e a Mara Nunes, da BOLA TV (todos os outros, croatas, polacos, italianos e irlandeses estavam pela Dinamarca...), festejei. Durou pouco, porém, a celebração. Porque senti que o polvo tinha de pagar pela angústia que me tinha provocado. Fui à net e num ápice encontrei uma série de maneiras de fazer justiça:
»Polvo cozido com cebola»; «Polvo à lagareiro com batatas a murro»; «Filetes de Polvo»; «Arroz de Polvo malandrinho»; «Salada de Polvo»; Polvo à galega». Opções não faltam para dar ao Paulo aquilo que merece...

PS - Contra a Holanda, 90 minutos que valem a passagem aos quartos de final, não podemos dar as largas que demos aos dinamarqueses. Precisamos de controlar melhor o meio-campo. E Cristiano Ronaldo deve recuperar o instinto matador..."

José Manuel Delgado, in A Bola

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Euro e euros

"Ironicamente, o Euro disputa-se fora da zona do euro. Para a Alemanha bastou um eurogolo para nos derrotar com um certo sabor a injustiça. Depois deste desaire frente ao poderio teutónico (sempre ele), só temos uma hipótese de não sair do Euro. Forçar um plano de resgate, colocando em prática um programa de ajustamento e pondo os golos públicos em ordem, isto é com saldo superavitário. Não vai ser fácil e exige capacidade de sofrimento (ainda que não seja necessário cortar subsídios de Natal e de férias aos jogadores). Haverá também que respeitar as ordens da troika de árbitros. E temos que estar atentos aos bancos. Nossos, da Dinamarca e da Holanda. Verdade se diga que o PEC de há meses, com a Bósnia, apenas terá adiado o plano de resgate, que se pressentia depois da incapacidade de solver os compromissos com a Turquia e a Macedónia.
Claro que podemos contestar a influência excessiva das agências de rating que nos fizeram descer da 5.ª para a 10.ª posição, atrás da própria Dinamarca que está no Euro, mas não aderiu ao euro. Não que tenhamos descido de luxo para lixo, mas tal afectou-nos no mercado secundário. Os CDS (Crédito para a Derrota Seguinte) desvalorizaram-se e só espero que não haja necessidade de um qualquer haircut (de que, naturalmente, Pepe está isento).
O derradeiro jogo do grupo, com a Holanda, joga-se no Estádio Metalist. Cheira-me a moeda... Cuidado com o efeito dominó do vil metal sobre o crescimento da nossa selecção.

P.S. - Os 4 países do euro intervencionados (Portugal, Grécia, Irlanda e agora Espanha) não ganharam nenhum jogo da 1.ª jornada do Euro. Que coincidência..."

Bagão Félix, in A Bola

PS: Portugal acabou por vencer hoje a Dinamarca, mas como tenho pouca vontade em escrever sobre o tema, deixo só um desabafo:
Exibição vergonhosa de Cristiano Ronaldo, mais do que os golos falhados, a falta de solidariedade defensiva foi revoltante - obviamente que o treinador ao não 'tapar' aquele buraco à frente do Coentrão, também deve partilhar o ónus -, para quem não perde uma única oportunidade em público, para demonstrar uma total falta de humildade, devia rever o filme deste jogo, até à exaustão...!!!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Para sempre, António

"A imagem é eterna: António Leitão mostrava com orgulho a primeira medalha conquistada por um atleta benfiquista nos Jogos Olímpicos. Agora, 28 anos depois, dizemos-lhe adeus de forma sentida.


António Carlos Carvalho Leitão, espinhense nascido a 22 de Julho de 1960 tornou-se eterno na historia do Benfica e do atletismo português quando, 24 anos depois na longínqua Los Angeles (EUA), conquistou a primeira medalha olímpica. Foi bronze, mas podia ter sido prata ou ouro, tal o ritmo imposto pelo português à corrida. Um momento histórico e marcante, claro, para o desporto português e que coroou uma carreira de sonho de um atleta que primou pela humildade, mas também pelas marcas verdadeiramente acima do padrão a que o atletismo português estava habituado.

Carreira vitoriosa
Mas a história de António Leitão vai mais além dos inesquecíveis Jogos realizados na Califórnia. O autêntico 'sonho americano' do esguio Leitão (1,76m e 58 Kg) começou a tornar-se realidade bem mais cedo, quando, entre 1978 e 1982, se formou na equipa da sua cidade, o Sp. Espinho. Ali mostrou qualidade, tornou-se uma esperança, em especial quando conquistou o bronze no Europeu de Juniores, em 1979, na Polónia (Bydgoszcz).
Três anos depois garantiria o seu melhor tempo de sempre nos 5000 metros, com a marca de 13:07.70 alcançada em Rieti, Itália. Um recorde nacional que perdurou durante muito tempo. Já no Benfica, ganhou maior consistência, realizando um trajecto vitorioso entre 1983 e 1990. Ora nos 5000 metros em pista, ora no corta-mato, esteve sempre no topo. Em 1984 conquistou o bronze nos Mundiais de Corta-Mato que se realizaram em Nova Iorque. Era a antecâmara da já referida proeza olímpica.

Sempre ligado ao Benfica
Mas há mais António Leitão para lá das principais conquistas. Sagrou-se, sempre pelo Benfica, sete vezes campeão nacional de pista por equipas (1980, 1982, 1983, 1984, 1986, 1989 e 1990). Também pelos 'encarnados' foi pentacampeão europeu de estrada por equipas (1988, 1989, 1990, 1991 e 1992). No corta-mato ajudou o Benfica a vencer o título nacional em 1990.
Aos 31 anos abandonou o atletismo, mas manteve sempre a ligação ao Benfica. Apesar de viver em Espinho, acompanhava de perto o atletismo dos 'encarnados'. A doença prolongada de que padecia há vários anos não o ajudava na hora de se deslocar a Lisboa, mas ainda assim fazia o esforço de estar sempre presente em muitos dos locais onde o Benfica competia. Foi sempre figura próxima da formação, do atletismo enquanto desporto de massas, e claro, do Benfica. Nunca, em momento algum, mudou a conhecida postura, marca de humildade.
Faleceu em Março de 2012 e o clube encontrou uma forma simbólica de homenageá-lo. A partir de agora, a Corrida Benfica vai ter o seu nome.

Foi assim...
Primeira medalha à Benfica
Foi no dia 11 de Agosto de 1984 que, sob a tórrida Los Angeles, o português António Leitão garantiu a primeira medalha olímpica da história do Benfica. Na final dos 5000 metros, o atleta português andou sempre no trio da frente e só nos metros finais descolou dos dois primeiros classificados, ainda assim mantendo o bronze que tanto orgulhou o País."

Ricardo Soares, in Mística

Tacadas certeiras...


A nossa secção de Bilhares continua em grande forma, no primeiro fim de semana do mês, Sara Rocha em Las Vegas, sagrou-se Campeã do Mundo VNEA, em Bola 8 feminino, uma das principais competições mundiais de Pool amador...
Neste último fim-de-semana na Quinta do Lago, a nossa equipa de Snooker, composta por Nuno Santos, João Esteves da Silva, João Grilo, e Henrique Correia, sagraram-se Campeões Nacionais de Equipas...

segunda-feira, 11 de junho de 2012

O Poder do Jogo

"Os ingleses têm uma expressão interessante e reveladora do potencial do Futebol para a coesão social e para o combate à exclusão. Chamam a essa capacidade rara da instituição desportiva mais mobilizadora 'O Poder do jogo' (the Power os the Game).
O Futebol é, talvez, a única instituição verdadeiramente transversal e global. É jogado e adorado por todos em todas as latitudes, sendo verdadeiramente inclusivo relativamente aos principais tensores sociais como a cor da pele, a religião, a orientação sexual e mesmo o género. Tem obviamente desigualdades diversas que matizam esta afirmação, mas o seu potencial ainda está longe de ser aproveitado, seja na luta pelo desenvolvimento humano, seja na mobilização dos cidadãos para o combate à fome e à pobreza extrema, seja na aproximação dos povos e na construção da tolerância e da paz.
Poderá parecer estranho a quem pense nisto pela primeira vez, mas o Futebol tem, de facto, esta força estranha, esse poder de juntar e mobilizar para o bem comum, de abrir espaços para a construção de um futuro mais justo e solidário mesmo onde essa ideia não passa hoje de uma miragem distante. O movimento fundacional desportivo é uma realidade crescente na Europa e em Portugal, a Fundação Benfica orgulha-se de estar na vanguarda desse movimento no nosso país e de materializar, através da sua acção diária, a vontade do seu instituidor Sport Lisboa e Benfica que, desde a sua origem, soube ver e usar o poder do jogo e quer fazê-lo reverter para o País e para o Mundo. Não são acasos os resultados das centenas de alunos do projecto 'Para ti se não faltares', a atribuição de casas às vitimas da Madeira ou os jogos organizados com as Nações Unidas, primeiro em 2010 com o PNUD e este ano com o ACNUR a 18 de Julho próximo. É o Poder do Jogo a actuar e o Benfica a fazer a sua parte!"

Jorge Miranda, in O Benfica

Provocações

"Mesmo passado algum tempo, os ecos da Final do Campeonato de Basquetebol continuam a fazer-se sentir. Foi preciso haver tumultos para podermos ver, no Porto Canal, os jogadores do Benfica a festejar o título. Na transmissão directa, nem um simples abraço havia sido visto. É caso para dizer que mais vale tarde do que nunca.
Serviram-se então das imagens para tentar atribuir a culpa da violência generalizada ao treinador, Carlos Lisboa, só porque este, depois de mais de uma hora a suportar insultos, provocações e ameaças, comemorou de forma mais efusiva, e terá dito qualquer coisa como 'toma!', fazendo gestos que uma larga maioria dos presentes nas bancadas seguramente não viu.
Cabe aqui dizer que não podemos criticar treinadores que adoptam uma certa agressividade competitiva - que estimula os atletas e os leva ao sucesso, ainda que traduzida pontualmente num ou noutro comportamento mais excessivo -, e depois queixarmo-nos de não alcançarmos as vitórias que pretendermos. Basta olhar para José Mourinho, e lembrar muitas das suas atitudes (raramente consensuais, mas quase sempre eficazes), para entender o que quero dizer. No desporto profissional existe necessariamente antagonismo e conflito. Um grito de revolta, ou um gesto mais assertivo, têm por vezes o condão de espicaçar almas e aglutinar vontades. O respeito pelos adversários é indispensável, a violência é sempre indesculpável, mas não se incute uma mentalidade forte nos atletas servindo-lhes chá.

Pretextos
Lembremos também que o Benfica já havia conseguido mais dois títulos de Basquetebol em pavilhões do FC Porto, e em nenhum deles pôde receber a Taça de forma normal, não se sabendo que gestos ou palavras terá então feito e dito o técnico da altura. E nem quero imaginar o que teria acontecido se, há dois anos, aquando do último título de Futebol, os festejos dos comandados de Jorge Jesus tivessem acontecido em pleno Estádio do Dragão, num jogo que o Benfica acabou por perder, por 3-1. Teria morrido gente? Ter-se-ia iniciado uma guerra civil? Certamente não se ficariam por apagões de luz, nem ligações de rega. Então, os culpados seriam provavelmente uns anónimos agentes de segurança que, no túnel da Luz uns meses antes, teriam dito a Hulk e a Sapunaru qualquer coisa como 'embrulha!'. E se não dissessem, era a Águia Vitória que tinha voado demasiado perto das cabeças dos Super-Dragões, em clara atitude provocatória e carecer de duras represálias. Se tal não chegasse, encontrava-se rapidamente qualquer outro pretexto de idêntico quilate. É como violar uma rapariga só porque a descarada teve a suprema ousadia de nos brindar com um sorriso. Provocou! Estava a pedi-las! Nem sequer sorriu? Então quem a mandava usar aquele decote? Quem quer arranjar argumentos deste tipo, arranja-os para todas as conveniências.

Descubra as diferenças
É habitual meter-se tudo no mesmo saco, e dizer-se que, nestas situações, não há inocentes. Eu continuo a defender que há uma distinção clara: enquanto em Lisboa ocorrem casos muito mais individualizados e de certa forma anárquicos (e, já agora, normalmente punidos), no Porto existe uma espécie de milícia que parece actuar de forma metódica, organizada, orquestrada e impune. Além de que o tipo de ódio de uns e outros é substancialmente diferente (só não vê quem não quer), tendo, a norte, uma forte componente de sectarismo regionalista - que o alimenta e o agrava.
Independentemente do que possamos teorizar sobre isso, há outra verdade que me parece factual: o ódio e a violência foram trazidos para o Desporto português por Pinto da Costa, com o seu permanente e provocatório cinismo (eufemísticamente apelidada de 'ironia'). Acredito que esse ódio e essa violência irão desaparecer quando o actual presidente do FC Porto desaparecer, também ele, do Desporto.
Portanto, se alguém quiser encontrar um culpado dos incidentes do Dragão, e de todos os que ocorreram nas últimas décadas (emboscadas na A1, produtos tóxicos nos balneários, agressões a jornalistas, técnicos e autarcas, cânticos insultuosos, bolas de golfe, corrupção, intimidação de atletas, etc), é bastante fácil. Ele tem um rosto, e tem um nome. É o denominador comum a todos esses episódios. É a causa primeira e última de todos eles. É, ele sim, o provocador cimeiro deste País.

(...)

Maus fígados (negativo)
Decidamente, o dr. Eduardo Barroso devia dedicar-se em exclusivo à Medicina, aquilo em que efectivamente é bom. No campo desportivo, perde-se num facciosismo que roça o ridículo.
Para ele, não é Pinto da Costa, nem Paulo Pereira Cristovão, nem os incendiários da Luz que estão a mais no Desporto. É Carlos Lisboa, o melhor basquetebolista português de todos os tempos, e treinador meritoriamente Campeão Nacional. Critérios de quem, ao ver uma bola vê um fígado, e ao ver um cesto vê um rim.

(...)"

Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 10 de junho de 2012

Bi-Campeões Nacionais de Atletismo no sector Masculino


O ano passado fomos Campeões na última prova, com o Jorge Paula a erguer os braços... hoje passado um ano voltámos a ser Campeões com uma vantagem confortável, que até deu para os Juízes terem desclassificado o Rui Pinto nos 5000 metros!!! Tenho que esclarecer - já que os jornaleiros parecem ter amnésia selectiva!!! - que o Sporting teve algumas lesões, mas o Benfica também teve algumas ausências importantes e outros que participaram limitados...
Aqui ficam os resultados:

100 metros – 1.º Ricardo Monteiro, 10s53
110 metros barreiras – 1.º Rasul Dabó, 13s62
200 metros – 2.º Arnaldo Abrantes, 21s38
400 metros – 2.º Jorge Paula, 48s81
400 metros barreiras – 1.º Jorge Paula, 50s88
800 metros – 1.º Miguel Moreira, 1m52s45
1.500 metros – 1.º Miguel Moreira, 4m01s57
3.000 metros – 2.º Rui Pinto, 8m46s04
3.000 metros obstáculos – 1.º Alberto Paulo, 8m46s02
5.000 metros – Rui Pinto (desclassificado)
5.000 metros marcha – 2.º Pedro Isidro, 20m58s34
Salto em Altura – 1.º Paulo Gonçalves, 2m12
Lançamento do Martelo – 2.º António Vital e Silva, 65m69
Lançamento do Disco – 1.º Marco Fortes, 50m18
Triplo Salto – 1.º Marcos Caldeira, 16m84
Salto em Comprimento – 1.º Marcos Chuva, 7m69
Salto com Vara – 2.º Diogo Ferreira, 5m20
Lançamento do Peso – 1.º Marco Fortes, 19m47
Lançamento do Dardo – 1.º Tiago Aperta, 70m55
4x100 metros masculinos – 1.º, 40s25
4x400 metros masculinos – 1.º, 3m15s04

PS: No sector Feminino voltámos a ficar em 2º lugar, mas ficámos mais próximos do 1º em relação ao ano anterior. A equipa é ainda mais jovem que os 'Homens', temos que dar tempo ao tempo...

Super - Basket !!!


Hoje com a vitória dos Sub-16 o Benfica fez o pleno dos títulos nacionais de Basket !!! Seniores, sub-20, sub-18, e agora sub-16, extraordinário... Desconheço a estatística, mas isto não deve ter acontecido muitas vezes!!!
Toda a Secção, todos os seccionistas, todos os treinadores, todos os jogadores, estão de Parabéns... E um obrigado especial ao Goran Nogic...

Faltou eficácia...

Benfica 1 - 2 Sporting

Jogo menos intenso - já era de esperar, com 2 jogos em 2 dias -, com o Marcão a ter menos trabalho, mas com os Lagartos mais eficazes... principalmente na 1.ª parte falhámos demasiados golos, o erro de marcação do Ricardinho no 2º golo do Sporting foi fatal. E depois, mesmo a jogar 5 para 4, não conseguimos marcar... os passes para golo, 'sairam' sempre um bocadinho ao lado...
Mais uma arbitragem surreal - é impossível ser incompetência -, e só marcaram o penalty 'à segunda'!!! Temos que ser muito mais fortes...
Nada está decidido, mas é desejável vencer o terceiro jogo...

Mais uma 'medalha' para a Telma !!!


Telma Monteiro recebeu hoje das mãos do Presidente da República a distinção de Oficial da Ordem de Mérito Civil... Distinção justíssima... E daqui a uma ano, a Telma poderá estar a receber outra!!!

sábado, 9 de junho de 2012

Só falta um bocadinho...!!!


Benfica 5 - 5 Corruptos

O Benfica entrou bem, mas não conseguiu 'abrir' uma vantagem confortável no marcador, algo que eu considerava fundamental, porque sabia que na parte final, as bolas paradas seriam decisivas (e nos últimos jogos as coisas tinham corrido mal...). Na 2ª parte, em desvantagem por 3-5, admito que pensei que já não íamos lá, mas o público e os jogadores não desistiram... Empate, que sabe a Vitória, com o título nos nossos Stick's, em Almeirim, no próximo Sábado...
Não vi o jogo com a devida atenção para poder comentar as polémicas, mas ouvir e ver aqueles animais a protestarem, é algo que me dá um enorme gozo!!! Uma Associação que não passa de uma Organização Criminosa mascarada de Clube, numa modalidade onde se têm visto dos maiores 'roubos' da história do desporto Português (e a concorrência com outras modalidades é grande!!!), sempre com os mesmos beneficiados, e quando finalmente podem perder (provavelmente) um Campeonato ao fim de 10 anos, acabam a zurrar por todo o lado, com os jogadores a provocarem os adeptos da casa com obscenidades gráficas (felizmente sem resposta violenta...), é de bradar aos céus, mas bastante eloquente sobre a forma de estar daquela gentalha... Hoje, ficou provado, que para o Benfica ganhar, tem que ser muitíssimo melhor, porque se houvesse justiça, este título já estaria ganho à bastante tempo, com os Corruptos - sem receber ordenados, e a jogarem sobre 'protesto'!!! - a serem levados ao colo em muitas jornadas, como por exemplo em Viana do Castelo.

A secção de Hóquei do Benfica está prestes a fazer história, será importante para o Benfica, e ainda mais importante para o Hóquei Português... Os Tigres de Almeirim fizeram um Campeonato interessante, tem vários jogadores formados no Benfica, creio até que o Benfica tem jogadores emprestados em Almeirim, o jogo não será fácil, até porque a máquina de propaganda (e não só...) vai trabalhar muito esta semana, e vai colocar e equipa do Tigres sobre 'pressão', além disso a ansiedade entre os nossos jogadores também será muita... mas só falta mais um bocadinho!!!

Boas indicações... mas ainda faltam mais duas vitórias


Benfica 5 - 1 Sporting

Nada está ganho, temos que vencer mais dois jogos, mas as indicações de hoje foram as melhores... mesmo com a ausência do Ricardinho, o Benfica foi muito superior, com o Diece em grande destaque no momento do remate... Foi um jogo 'diferente' do habitual, aquele ódio doentio que normalmente emana de todos os poros dos Lagartos esteve escondido, não sei se é porque o treinador já tem o 'bilhete de ida'...!!!
Resumindo, um Benfica eficaz, sem forçar muito, sem o seu desequilibrador principal, contra mais uma arbitragem surreal, chegou e sobrou para os Lagartos... O Sporting jogou os últimos 10 minutos com o guarda-redes avançado, sem causar grande perigo, o Benfica defendeu bem, marcou um golo, e podia ter marcado mais...
Continuamos sem beneficiar de um livre de 10 metros!!! Nos primeiros 13 minutos da 1ª parte valeu tudo, literalmente tudo... o Cristiano tinha que ser expulso, ainda ficaram vários amarelos por mostrar aos jogadores Lagartos... também ficaram algumas faltas contra o Benfica, mas as faltas 'graves' não assinaladas foram todas contra o Sporting... As regras do jogo, não mudam consoante os minutos da partida, depois da polémica com o Ricardinho parece que as equipas de arbitragem para se 'protegerem', deixam 'passar' mais de metade das faltas... e depois nos últimos minutos de cada parte, já marcam as faltas!!! Hoje ainda conseguiram marcar um penalty 'fora da área', mas tiveram 'azar' porque do livre, o Benfica marcou o 4º...
Dito isto, amanhã o jogo começa 0-0, a atitude dos Lagartos será outra, a ausência do Alex não se vai notar... com a entrada do Ricardinho, é bom que a equipa não fique à espera que seja o Mágico a decidir... uma vitória amanhã é muitíssimo importante... Vamos a eles!!!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Coitadinhos

"Tenho pena dos 2500 rapazinhos de boas famílias que durante uma hora chamaram nomes às mães dos jogadores e treinador de basquetebol do Benfica. Foram provocados, pobrezinhos. Fizeram bem em atirar paralelipípedos e outras porcarias para dentro do rinque. Assim é que se faz! E que dizer do coitadinho do Schrek que sofreu a vergonha de um steward o mandar «lá para dentro»?
Encheu-lhe a cara de murros e com toda a razão! Infeliz também o motorista do Madaleno que atropelou um fotógrafo que estava a provocá-lo com a máquina! Ah! E aquele desgraçado que foi obrigado a entrar em campo para dar umas bofetadas em directo no repórter da TV que estava a dar-lhe cabo dos nervos? Desditosos jogadores que, por causa das provocações do árbitro Pratas, tiveram de correr atrás dele quase arriscando roturas musculares!
Malfadado motorista do presidente do Benfica: ia a passar debaixo de um viaduto, o que é como todos sabemos uma terrível provocação e, portanto, não podia esperar outra coisa senão levar com um saco de pedras no pára brisas! E o Aimar??? A gozar na janela do autocarro??? Esteve para ficar sem cabeça com aquele calhau de calçada, e não teria que se queixar! E o João Santos? Ainda se lembram? Um tipo sem educação que provocou tanto o guarda Abel que este até lhe disse - «Vou matar-te velho!» E o Erikson? Outro ordinário do pior! Não tiveram outro remédio senão encher-lhe o balneário de creolina e de bagaço para que eles e os jogadores se vestissem no corredor! BEM FEITO! Ninguém os mandou provocar os pobres moços, ainda por cima ganhando. De uma rasquice vergonhosa eram também os tipos do Barcelona que resolveram assanhar ganhando a Taça dos Campeões de Hóquei em patins nas Antas. Onde já se viu!!! Que gente reles!!! Levaram com pedras e sticadas pelo lombo abaixo para ver se não provocam mais os senhores da fruta. Certo: eles é que têm razão..."

Afonso de Melo, in O Benfica

Agora sim, uma notícia importante

"Aí está a notícia que tantos esperavam. Não serão assim tantos, admito. Talvez até seja praticamente só eu, mas dia 2 de Julho o Benfica regressa ao trabalho. Isto sim é uma notícia importante para ver os jogos das diversas selecções que têm jogadores do SLB. O critério que verdadeiramente me interessa é o ter os nossos jogadores o mais cedo possível, com férias gozadas, e sem lesões. Isso sim seria um título para conseguir no defeso.
Depois há simpatias por algumas cores em detrimento de outras, de alguns jogadores em detrimento de outros, mas o essencial é mesmo não ver jogadores do Benfica com problemas e regressar em força dia 2.
O SC Braga mudou de treinador, o que não constituiu notícia, naquele clube, nestes últimos anos, só a normalidade é que surpreende.
Aqui fica o meu veredicto antecipado. Peseiro é um excelente treinador, o SC Braga vai jogar bem melhor e mais bonito do que aquilo que fez, mas pode não conseguir o mesmo êxito desportivo. Dito isto, se fosse adepto do Braga estava muito satisfeito, pois considero José Peseiro um óptimo treinador e gosto do futebol que as suas equipas praticam.
Estando Benfica e FC Porto num patamar acima, vejo o SC Braga com alguma vantagem sobre o Sporting.
Amanhã começa o Europeu e não serei o pessimista de serviço, mas tenho uma expectativa muito baixa sobre a participação portuguesa. Tudo o que for não ser goleado pela Alemanha e Holanda será aceitável, e discutir o jogo com a Dinamarca é obrigatório. Acima disto é feito heróico.
Um amigo escrevia com graça esta semana que a vantagem de Portugal era ter cinco ou seis grandes jogadores e o problema da selecção era só ter cinco ou seis grandes jogadores. Nem mais! Amanhã veremos para que chega a mão de obra. Esperar muito pouco, tem a vantagem de ser muito fácil, achar que se conseguiu muito."

Sílvio Cervan, in A Bola

Eclectismo

"Já depois de se sagrar Campeão Nacional de Basquetebol em Seniores o Benfica ganhou os campeonatos nacionais de Sub-18 e Sub-20, numa afirmação de completa superioridade na modalidade. No Hóquei em Patins, o Benfica segurou a liderança em casa do terceiro classificado e vai agora para os dois últimos jogos do calendário, o primeiro dos quais na Luz, com o FCP. No Futsal, o Benfica ganhou o direito a jogar a Final do Campeonato e, como é costume, vencendo não só o adversário mas também arbitragens absolutamente incompetentes e parciais. O vermelho directo para Ricardinho, por comparação com os amarelos, ou nem isso, para faltas bem mais graves do adversário falam por si.
O Benfica é um Clube ecléctico que só não ganha mais jogos e mais títulos porque não o deixam, seja qual foi a modalidade e o escalão. Esperemos que o próximo jogo do nacional de Hóquei em Patins seja uma grande jornada da modalidade, com o pavilhão da Luz a transbordar de fervor benfiquista, e não constitua uma cópia da vergonha do encontro da primeira volta.
E se sinto que é necessário reafirmar resultados, classificações e calendários que os benfiquistas conhecerão é porque a informação sobre o Benfica é muito frequentemente deturpada. Por exemplo, o aranzel que se fez em redor da finalíssima do Campeonato de Basquetebol procurou escamotear dois aspectos essenciais: que o Benfica ganhou o Campeonato e que o ganhou em caso do adversário directo; e que os jogadores e equipa técnica tiveram que se refugiar no balneário para fugir a uma situação que, a esta hora, já devia ter dado um castigo pesado para a equipa da casa. E o resto é contra-informação, propaganda ou publicidade paga."

João Paulo Guerra, in O Benfica

PS: A Federação confirmou hoje: Ricardinho foi castigado com 2 jogos, assim não vai jogar o 1.º jogo da Final. Sinceramente já estava à espera, mas não deixa de ser vergonhoso, como é que um jogador é castigado com 3 jogos (sim, porque ele foi expulso aos 5 minutos...), por um empurrão ligeiro...

Que fim-de-semana!

"1. Com as bem saborosas vitórias do fim-de-semana no Futsal e no Hóquei em Patins, demos importantes passos rumo aos títulos. Amanhã e domingo serão dias decisivos... ou quase. Teremos embates bem difíceis face ao FC Porto (Hóquei em Patins) e Sporting (Futsal e, não esquecer!, Atletismo). Podemos sair já Campeões em duas delas e muito bem lançados no Futsal. Espero isso, claro..., mas espero também disputas correctas. E faço um apelo à massa associativa: continuem a dar o apoio que deram este fim-de-semana no Futsal (sem esquecer os admiráveis benfiquistas açorianos no Hóquei em Patins) e respondam com desportivismo às provocações que o nosso Basquetebol sofreu no Porto. Quero que ganhemos dentro e fora do campo!

2. Muito curioso. Scolari explicou (finalmente) a exclusão de Vítor Baía da Selecção e  antigo vice-presidente para as selecções, António Boronha, no seu blog, dá mais pormenores: que a contratação de Scolari foi feita em Madrid por Gilberto Madaíl, «acolitado pelo, na altura, 'boss' da Nike, Sandro Rossel e... imaginem (escreve ele), por Jorge Nuno Pinto da Costa!!!» E, depois, acrescenta: «foi este último, que na época se queria ver livre de Vítor Baía por conflitos com José Mourinho, que pediu então a 'Felipão' que este não convocasse o guarda-redes». Mais adiante, Boronha explica que, meses passados, não dando Nuno Espírito Santo garantias, houve que recuperar Vítor Baía mas, então, Scolari não o seleccionou. E escreve Boronha: «foi nessa altura que, à boa maneira portista, os altos comandos se indignaram com o seleccionador brasileiro por este, vejam só!, não ter convocado o melhor guarda-redes europeu!!!...». Afinal, nada que espante, mas, mais uma vez, revelador...

3. Não se apagaram os ecos do título benfiquista de Basquetebol e do triste espectáculo que rodeou o jogo no Dragão. Todos continuam a querer esquecer a forma como o Benfica foi recebido, o que teve que passar ao longo de todo o jogo e os seus jogadores levaram (e ia levando) em cima logo que o jogo terminou, algo que o Porto Canal bem escondeu. Claro que depois aparecem os sportinguistas armados em puritanos, esquecendo o incêndio que provocaram no nosso Estádio (e, que eu saiba, continuam por pagar...). Infelizmente, enquanto os cronistas do Sporting e do FC Porto fazem (mal ou bem) o papel de defesa do seu Clube, alguns dos nossos (agora foi Rui Rangel no 'Record' e Fernando Seara em 'A Bola') falam da... Selecção."

Arons de Carvalho, in O Benfica

É uma selecção portuguesa, com certeza

"Após a convocatória, correspondida, que Scolari fez a quase todos os portugueses e da renúncia de grande parte de Portugal à selecção desorientada por Queirós, é com alguma desconfiança que olho para a selecção que se vai orientando com Paulo Bento e com a qual também o treinador se vai orientando.
A actual orientação técnica da selecção é colocada em causa pelo treinador Manuel José, quando afirma que “Isto parece um circo à volta da selecção […] O país anda atrás de uma selecção que passa a vida em festas”. O experiente Manuel José está errado, pois o país não anda atrás da selecção. A não ser que se confunda o país com os jornalistas. Esses andam atrás, à frente e por tudo quanto é lado naquele grupo excursionista. Nos últimos dias, vimos os treinos da selecção e o autocarro da selecção. Vimos os jogadores a entrar no autocarro, a sair do dito, a dar autógrafos, a entrar no hotel, a almoçar, a ouvir discursos, a recusar autógrafos, a reentrar no hotel, a entrar no avião, a sair do avião, a empatar com a Macedónia, a perder com a Turquia, a arranjar desculpas, a louvar as folgas, a barafustar entre eles e a ignorar o treinador. Soubemos, ainda, que alguns experimentam novos penteados, outros comparam tatuagens, outros tantos ficam ofendidinhos com as assobiadelas e conta-se que um chegou a atirar gente ao Tejo. Vimos tudo isto, mas não os vimos ganhar.
Pode ser, assim espero, que as vitórias surjam em seguida, já contra a Alemanha. E que, com elas, surja um país atrás da selecção. Então sim, algumas vedetas terão tempo e oportunidade para fazer o que mais têm treinado: festejar, ignorando o país."

Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Pior do que a realidade só a realidade do reflexo (ou reflexões sobre quem é que imita quem)

"Se retiramos a parte da fruta à frase de Vieira sobre a história «marcada há 30 anos por fruta, compadrio e corrupção», fica a ideia de que ele falava, afinal, do País?

ISTO é como na arte. A discussão promete ser eterna e, ao contrário do que possa parecer, nada tem de filosófica. A questão apresenta-se assim: é o futebol que imita a vida ou é a vida que imita o futebol?
Tomemos, por exemplo, o caso nacional que é aquele que conhecemos porque nele vivemos todos os dias. É o futebol & afins um mero reflexo da sociedade portuguesa ou, pelo contrário, é a nossa sociedade que reflecte impiedosamente o tal futebol & afins?
Tenho uma opinião muito própria sobre o assunto. O futebol português não é o reflexo da realidade portuguesa. É a realidade do reflexo. E com todas as letras.
Surgiram-me estes pensamentos durante toda a última semana marcada, no que ao país diz respeito, por notícias revoltantes sobre economia, justiça, isenções fiscais e isenções criminais, contas públicas e privadas, jornais e jornalistas, capitais e capitalistas e por aí fora, numa espiral depressiva que é um abuso a que não se advinha termo.
Esta é a realidade.
Vamos agora ao futebol, ou seja, à realidade do reflexo.
No campo ideológico do futebol & afins, naturalmente, não são, estas coisas tristes do país que se discutem e que fazem vibrar de indignação (ou mesmo espumar) a maioria qualificada dos sociólogos do fenómeno desportivo português.
Nesse dito campo, onde o fair-play impera, estão ainda na ordem do dia por motivos imperiosos o rol das ocorrências verificados no pavilhão do FC Porto quando, há 15 dias, o Benfica foi lá conquistar o título nacional de basquetebol e também, na consequência dos ditos acontecimentos, o rol de palavras debitadas por Luís Filipe Vieira no decorrer da homenagem, já em Lisboa, aos campeões da bola-ao-cesto.
Disse o presidente do Benfica nessa ocasião, e disse-o pausadamente, que no campo do futebol & afins
(o basquetebol é, como compreendem, um afim) vigoram em Portugal «30 anos de história marcada por fruta, corrupção e compadrio».
Porque para que a frase de Luís Filipe Vieira seja assertiva no campo da vida social portuguesa basta retira-lhe a parte da «fruta». Ou, se quiserem, substitui-la por outros bens de primeira necessidade à escolha do freguês.
Inadvertidamente, o presidente do Benfica traçou um curioso e pitoresco retrato da sociedade portuguesa tal como se nos vem apresentando «há 30 anos de história marcada por corrupção e compadrio».
Viram que sem a fruta fica também que nem um brinquinho?
É por estas e por outras coisas que até gosto de ouvir dizer que o Benfica não é o clube deste «regime». Safa!

COMO o presidente do Benfica foi bruto como as casas com o presidente do FC Porto, e sem nunca o nomear, o FC Porto respondeu em comunicado optando por também nunca nomear o presidente do Benfica.
São escolas de comunicação com a mesma matriz e, quando a isso, nada a obstar.
O comunicado do FC Porto dirigia-se aos «burros» em geral e terminava com um apelo às instituições da nossa sociedade judicial. É sempre interessante quando, nestas coisas, a realidade do reflexo bate à porta do reflexo da realidade a pedir-lhe que intervenha e, de preferência, com a polícia atrás.
Foi o que o FC Porto fez solicitando, à guisa de remate, uma investigação da Procuradoria-Geral da República «ao ataque à honra e imparcialidade dos juízes e da polícia» levado a cabo pelo presidente do Benfica.
Muitos analistas e opinadores, como se compreende e amplamente justifica, têm vindo a fazer suas palavras finais do comunicado do FC Porto e, apesar de já se terem passado duas semanas sobre o pico dos acontecimentos, continuam a exigir com firmeza a intervenção da Justiça sobre a responsabilidade das palavras proferidas pelo presidente do Benfica.
Que me desculpem os benfiquistas mas não posso estar mais de acordo com o FC Porto neste pormenor.
Houve factos e acusações no passado que chegaram ao conhecimento público, é verdade que sim. E factos alguns deles bem mirabolantes. Mas por tecnicalidades do código civil e por erros processuais acabaram por se diluir em nada. Bom, em nada também não é bem assim.
E é isso que é insuportável para o fair-play e para a verdade desportiva.
Ficou no ar, e ficará por décadas, todo um chorrilho de suspeitas sobre uma inverosímil promiscuidade entre os «juízes», a «polícia» e os acusados, promiscuidade que o FC Porto condena ao exigir, como está no seu direito, uma reparação judicial «à honra e imparcialidade» das instituições beliscadas.
Continuo a dizer que não posso estar mais de acordo com o FC Porto. É urgente esclarecer estas coisas de uma vez por todas. «Mas será que alguns dirigentes deste país só gostam da polícia quando esta os avisa que têm de fugir do país para não serem presos?» - foi a frase de Luís Filipe Vieira que mexeu com memórias colectivas não muito longínquas e que mexeu, na justa medida, com a parte final da redacção do comunicado do FC Porto.
Que venha, pois, a Procuradoria-Geral da República pôr ordem nisto.
Mas despachem-se. Não percam tempo. Não se vá dar caso idêntico ao que recentemente suscitou um inquérito a pedido da Magistratura. De acordo com o Sol, corre já uma investigação «na secretária do Tribunal da Relação do Porto» que visa apurar responsabilidades e saber «o que se passou» para que «o processo principal do Apito Dourado ficasse um ano parado de forma anómala».
A consequência, ainda segundo o Sol, «é que os crimes de corrupção desportiva estão a prescrever e os onze arguidos condenados ficarão impunes».
É isso mesmo. Quem cala consente.

O Benfica que, aparentemente, ainda em litígio negocial com a Olivedesportos há meses e meses bem podia pôr os olhos no seu rival do Norte, o FC Porto, no que diz respeito às relações institucionais e comerciais com a referida empresa, e tirar em benefício próprio proveitos de valor inestimável.
Ainda a propósito do jogo do título do campeonato nacional de basquetebol, e de acordo com o que foi relatado na comunicação social, o FC Porto terá rompido bondosamente os acordos com a Olivedesportos e com a Federação Portuguesa de Basquetebol de modo a transmitir em exclusivo no seu órgão emissivo de televisão, o Porto Canal, o decisivo frente-a-frente com o Benfica.
Ou seja, a Sport TV, que tinha os direitos de transmissão assegurados, ficou a ver navios. Ou submarinos, como quiserem. Estamos em Portugal e o que não falta é mar.
Não estará já a tardar a reacção oficial da Olivedesportos sobre esta grande rasquice, incomensurável vergonha, este escândalo para as instituições? Joaquim Oliveira ainda nem se pronunciou publicamente sobre o assunto que, francamente, o deve estar a magoar.
Não me interpretam mal. A questão não é a eventual quebra de um contrato. A questão é exclusivamente de índole artística-operacional e da falta de confiança demonstrada pelo FC Porto na qualidade da transmissão do jogo pela Sport TV.
A falta de confiança na escolha dos ângulos das câmaras dispostas pelo pavilhão, a falta de confiança na capacidade do realizador em colocar no ar as imagens adequadas a cada situação, a falta de confiança no prestígio dos comentadores do jogo. Enfim, muita falta de confiança ao mesmo tempo.
Ninguém merece uma coisa destas. Nem a Sport TV.
Será que a Sport TV vai recorrer aos tribunais numa acção contra o FC Porto visando ser ressarcida de eventuais dolos? A Sport TV numa batalha jurídica com o FC Porto? Não pode ser.
Calma que o mundo não vai acabar!
Há coisas que, de facto, na NBA nunca aconteceriam.

CRISTIANO RONALDO foi a Belém despedir-se do presidente da República:
« -  Convidamos pa europeu, tá? - disse, assim mesmo, o capitão da Selecção a Cavaco Silva.»
Agora anda tudo a fazer pouco do Cristiano porque tratou o presidente da República por «você». Não percebo. A mim, parece-me tudo muito bem e genuíno. Mas isto sou eu que gosto da realidade. E da realidade do reflexo."

Leonor Pinhão, in A Bola