"Mais uma tanga do Correio da Manhã/CMTV. Jogador extremamente irregular e caro, e a sua ligação ao empresário Catió Baldé encerra de vez o rumor."
Últimas indefectivações
sexta-feira, 23 de agosto de 2024
Sven-Goran Erikson
"UMA LIÇÃO
E UMA INSPIRAÇÃO
Erikson revolucionou o futebol do Benfica e o próprio futebol português assim que aqui chegou no verão de 1982 para treinar o Glorioso, deixando muitas lições e inspirações para os treinadores vindouros, lições e inspirações essas que ainda hoje se mantêm atuais.
O incrível comportamento que tem tido enquanto cidadão vítima de doença terminal, que assumiu com coragem e frontalidade comoventes, deixa-nos lições e inspirações a todos nós, simples seres humanos.
Ontem tomámos conhecimento de uma mensagem que não posso deixar de aqui partilhar:
"Acho que todos temos medo do dia em que iremos morrer, mas a vida é também sobre a morte. Espero que se lembrem de mim como uma pessoa positiva que tentou sempre fazer o máximo. Não fiquem tristes, sorriam. Obrigado a toda a gente, treinadores, jogadores, adeptos. Foi fantástico. Cuidem de vocês e das vossas vidas. Vivam-nas... adeus."
Jamais o esquecerei, Mister, como uma pessoa positiva, mas, peço desculpa, não dá para sorrir perante uma mensagem que termina com "adeus".
Sorte nossa que o pudemos homenagear, à Benfica no passado mês de abril."
Raramente se enganam!!!
"João Félix assina pelo Chelsea.
“Para os parvalhões das redes sociais o Record raramente se engana”. - Bernardo Ribeiro
João Félix entra na parte do azar!? 😏"
Foco na Supertaça
"A atividade desportiva do Benfica no fim de semana é o destaque nesta edição da BNews, com ênfase na Supertaça de futebol no feminino e na receção ao Estrela da Amadora.
1. Troféu para conquistar
Benfica e Sporting disputam, amanhã, às 20h45, no estádio do Restelo, a Supertaça de futebol no feminino. As Inspiradoras buscam o quarto triunfo na competição, o terceiro consecutivo.
2. Somar três pontos
O Benfica recebe o Estrela da Amadora a contar para a 3.ª jornada da Liga Betclic. A partida é no sábado, às 20h30, no Estádio da Luz.
3. Outros jogos
A equipa B defronta o Vizela no Benfica Campus (domingo, 18h00); os Sub-19 visitam o Casa Pia (sábado, 17h00); os Sub-17 deslocam-se ao reduto do Sacavenense (domingo, 11h00); e os Sub-15 têm encontro forasteiro marcado com o Académica de Santarém (domingo, 16h00).
4. Foto oficial
Está realizada a sessão fotográfica oficial do plantel da equipa masculina de andebol do Benfica.
5. Torneio de pré-época
A equipa feminina de andebol do Benfica participa no Torneio de Santo Ovídio e está na final após vencer os três jogos do grupo A. No segundo jogo bateu o CDE Gil Eanes, por 22-26, e no terceiro, esta manhã, ganhou ao Leça, por 10-27. A final é hoje, às 17h30, com o CB Porriño, de Espanha.
6. Renovação de contrato
A futsalista Angélica Alves continua de águia ao peito.
7. Presença forte
Nas mais recentes convocatórias das seleções nacionais Sub-19 e Sub-17 femininas, o Benfica está representado por 15 jovens futebolistas."
O corpo, a alma e a calma
"Pedro Abrunhosa canta um refrão assim e que pode ser uma imagem do momento do Benfica. Depois de uma derrota, e uma exibição, preocupante, só uma boa exibição e uma vitória clara poderiam acalmar os ânimos. Do jogo, ficou a vitória clara e uma “meia boa exibição”, pois o Benfica continua a entrar nos jogos com uma irritante expectativa de que mais tarde ou mais cedo a vitória chegará. Assim, ao intervalo os assobios eram inevitáveis, mas acordaram a equipa que subiu a agressividade e velocidade, mas foi sendo traída pela ansiedade no último toque, passe ou remate. A equipa, e os adeptos, “jogam” sobre brasas à segunda jornada e é aqui que a calma é precisa para que a alma que os jogadores mostraram não traia o corpo na hora de definir. Escrevi na semana passada que mais do que os três pontos, o Benfica tinha perdido margem de manobra, mas nenhuma equipa, e esta é jovem, resiste a pressão máxima durante uma época inteira! Nós, os adeptos, podemos ajudar, manter a calma, porque, externamente, a pressão vai continuar seguramente. Não sei se o leitor reparou que há duas semanas a magna questão do comentário era o excesso de extremos do Benfica, que teria 10 jogadores para as três posições de apoio a Pavlidis. Nos últimos dias, bastaram a saída de Neres e a lesão de Di María para que os mesmos conseguissem, sem se rir de si próprios, dizer o oposto, que afinal o que é preciso é mesmo contratar mais extremos?! As audiências que só o maior clube português consegue dar assim o determinam e ao adepto só resta mesmo manter a calma..."
Vítor Roque e Portugal na periferia da Europa
"Surpresa com notícias de que o avançado brasileiro preferia o Bétis ao Sporting? Só para quem não conhecer a realidade do futebol
Os adeptos de futebol em Portugal, sobretudo os do Sporting, parecem ter ficado em choque com o facto de Vítor Roque ter alegadamente preferido o Bétis aos leões.
Em primeiro lugar, não é esse o principal motivo para o avançado brasileiro de 19 anos não vir para o Sporting. O clube de Alvalade fez uma proposta a título definitivo (20 milhões de euros mais bónus) que o Barcelona considerou baixa e não aceitou, até porque pagou o dobro há seis meses, ao Athletico Paranaense. O Bétis consegue o jogador por empréstimo sem opção de compra, deixando em aberto, no futuro, eventual regresso a Camp Nou ou uma transferência por valores que agradem mais ao Barça e para um clube que agrade mais ao jogador.
Mas mesmo que, em condições iguais, Vítor Roque preferisse o Bétis ao Sporting, isso seria assim tão surpreendente?
Não, claro que não. Em Portugal olha-se para FC Porto, Benfica e Sporting e vê-se clubes que podem competir com os maiores da Europa. Mas mais de metade da época é passada a jogar em estádios pequenos e num campeonato com pouca visibilidade.
Certo, o Sporting vai jogar na Liga dos Campeões e o Bétis não. Mas para um jogador de 19 anos que procura relançar a carreira depois de seis meses frustrantes em Barcelona, não será a montra da La Liga mais atraente que oito jogos na Champions (10, se o Sporting chegar ao play-off), nos quais, atendendo à concorrência de Gyokeres, corria o risco de nem ser titular?
Estamos ao lado de Espanha, mas é bom que entendam que, no futebol, eles estão no centro da Europa e nós na periferia. E com o tamanho do nosso mercado, do nosso País, dificilmente isso irá mudar."
Benefícios do desporto
"Nesta altura do ano muitos pais decidem sobre inscrever ou não os seus filhos em atividades desportivas. Muitos hesitam e, um dos maiores argumentos é o receio que os filhos possam não ter tempo suficiente para se dedicar à escola ou se desfoquem da mesma. Mas não poderiam estar mais errados. Independentemente da modalidade, as crianças e os jovens devem praticar atividade física e mais do que isso, devem competir. O desporto e a competição trazem benefícios únicos, sendo um meio de alcançar o bem-estar físico e emocional, além de desenvolver fortes capacidades de liderança, como comunicação e organização. Lutar para vencer exige cooperação, concentração, coordenação e criatividade, todos objetivos que valem a pena ser perseguidos por si só.
Apresento aqui as que com base na literatura considero ser as cinco mais-valias para a prática de desporto competitivo para crianças e jovens. Primeiramente, contribui para o desenvolvimento da resiliência e resistência à frustração, a competição ensina os jovens a lidar com desafios, fracassos e adversidades. Eles aprendem que a derrota faz parte do processo, mas que é possível superar. Essa mentalidade resiliente prepara-as para ultrapassarem outras adversidades ao longo da sua vida. Contribui inequivocamente para fortalecimento de competências de concentração e foco, durante a competição os jovens são expostos a diversos estímulos, sendo obrigados a aprender a selecioná-los e a focar-se nos essenciais. Desenvolve autoconfiança e autoestima, à medida que os jovens veem as suas competências progredirem e alcançam objetivos desportivos, desenvolvem uma maior confiança nas suas capacidades. Essa autoconfiança pode influenciar positivamente as suas interações sociais, desempenho escolar e disposição para enfrentar novos desafios. Promove a gestão emocional e a gestão de tempo, ensina os jovens a gerir emoções ao lidarem sucessivamente com a pressão, com o fracasso, mas também com o sucesso, enquanto desenvolvem simultaneamente disciplina e organização para equilibrar treinos, estudos e outras responsabilidades. E por fim, contribui para o desenvolvimento das competências de trabalho em equipa e comunicação, os jovens aprendem a trabalhar em grupo, a ouvir os outros e a expressar as suas ideias de forma clara, competências sociais essenciais para o sucesso em qualquer contexto.
O desporto e a competição não retiram o foco da componente académica, pelo contrário, permitem às crianças e jovens desenvolver competências essenciais ao sucesso académico, mas também ao sucesso na sua vida profissional e pessoal."
Eleições antecipadas no Benfica
"Aqui está um tema que reaparece sempre que o Benfica tem um insucesso desportivo ou é (re)publicada uma notícia polémica. Antes de abordar este assunto, um pequeno contexto histórico que nos vai ajudar a analisar este cenário.
benfiquistas aguardam para votar.
Tenho memória de 5 situações recentes em que foram convocadas eleições antes do final dos mandatos (certamente existirão mais na história centenária do clube):
- Jorge de Brito demite-se em Dezembro de 93 na sequência do Verão quente e das dificuldades financeiras do clube.
- Manuel Damásio cumpriu 2 mandatos no tempo de 1 devido à falta de resultados desportivos. Convocou eleições em 96, nas quais derrotou Vale e Azevedo, e depois novamente em 97 após demissão, mas aqui já não se recandidatou e Vale e Azevedo foi eleito vencendo Luís Tadeu por margem mínima.
- Vieira provocou a demissão em bloco dos órgão sociais em Junho de 2009 para encurtar o tempo de preparação a José Veiga que preparava uma candidatura em Outubro do mesmo ano.
- Tivemos eleições antecipadas em Outubro de 2021 na sequência da detenção e renúncia de Vieira.
O que aprendemos com todas estas situações?
Obviamente todas elas surgem de situações de instabilidade diretiva ou desportiva, mas os motivos podem ser diferentes. Pode ser uma medida estratégica para reafirmar a liderança e eliminar contestação (Vieira e Damásio). Acontecem também em situações em que a direção vigente se encontra altamente pressionada e sem condições para se manter em funções devido à pressão dos sócios (Jorge de Brito e Damásio) ou ainda por situações imprevistas e impensáveis como problemas com a justiça ou mesmo a morte (Vieira foi detido em 2021 e o Brigadeiro João Tamagnini Barbosa faleceu em funções em 1948).
Resumindo, temos então 3 cenários para a convocação de eleições antecipadas: estratégia, instabilidade diretiva/desportiva e situações de força maior.
A situação atual
É um facto que a direção de Rui Costa tem tido um mandato instável. De 2021 para cá o Benfica foi campeão em 22/23 e venceu a supertaça 23/24, francamente pouco para um clube deste calibre. Em termos diretivos a coisa também não tem sido fácil com várias saídas que deixaram marca, Luís Mendes à cabeça. A situação financeira do clube também dá sinais de alguma fragilidade, apesar das crónicas vendas dos nossos melhores atletas, e a pressão e insatisfação dos sócios tem subido de tom e sente-se em todos os jogos e assembleias, o que torna a situação cada vez mais difícil de gerir.
Então neste contexto o cenário de eleições antecipadas no Benfica seria positivo, certo?
Não necessariamente. Se me disserem que Rui Costa antecipa as eleições e não se recandidata… então sim, nesse caso teremos forçosamente uma mudança. Mas, sejamos francos, este é um cenário altamente improvável por tudo aquilo que temos visto.
É preciso entender que historicamente praticamente todos os Presidentes do Benfica desde 1964 venceram as eleições após um primeiro mandato, a única excepção foi Vale e Azevedo em 2000 que perdeu para Manuel Vilarinho após um período de 3 anos de caos absoluto. Todos os outros Presidentes que se recandidataram para um segundo mandato venceram, fosse qual fosse o contexto geral do clube. Rui Costa vai para um segundo mandato, existe contestação mas pouco organizada e o seu nome continua a ter um enorme peso junto dos benfiquistas… bem, já perceberam onde quero chegar.
lista de eleições no Benfica:
É fundamental que todos os que se opõem a esta direção tenham perfeita noção do caminho tremendamente difícil que espera qualquer adversário eleitoral do atual Presidente. Será necessário um grande trabalho de sensibilização para demonstrar que existe um caminho alternativo ao que temos percorrido nos últimos 21 anos, mas isso demora tempo. E esse tempo existe até Outubro de 2025, mas não se for encurtado significativamente. Por este motivo, é um enorme tiro no pé ver aqueles que clamam por mudança exigirem eleições antecipadas. Este cenário apenas beneficiaria a atual direção, que tem ao seu dispor uma máquina de propaganda muito eficaz, e iria reduzir dramaticamente o período de preparação e sensibilização que é necessário para que a tal mudança aconteça, tal como em 2009 com Vieira e José Veiga. Não que este fosse uma boa alternativa, mas entendem onde quero chegar. É olhar para o resultado prático.
Vamos então acalmar, respirar fundo, tocar a relva. Ninguém gosta de ver o Benfica neste ciclo negativo, mas é preciso continuar a debater o nosso clube de forma responsável e inteligente, apresentando factos e caminhos alternativos com cabeça e estratégia. Faixas insultuosas penduradas num viaduto não resolvem nada, lamento. Aliás, não só não resolvem como têm um efeito contrário ao pretendido no benfiquista comum, aquele que não se encontra numa trincheira e só quer ver a sua equipa ganhar. E estes também votam e são decisivos.
A mudança que tanto desejamos não se dá de hoje para amanhã, leva tempo e é preciso paciência. Saibamos lutar por aquilo que tanto desejamos de forma responsável. Até lá, mãos à obra, foco e militância benfiquista!"
Agarrados um ao outro 11 horas e 40 minutos como rochedos
"Martin Klein e Alfred Asikeinen protagonizaram uma luta greco-romana infinita
Tarvastu é uma cidade na Estónia que viu nascer Martin Klein, um dos melhores na luta greco-romana de todos os tempos. Ninguém percebeu muito bem por que é que, em 1912, nos Jogos Olímpicos de Estocolmo, Martin, que já tinha uma carreira firmada, resolveu renegar a pátria e surgir integrado na delegação da Rússia czarista. A verdade é que, com essa opção, acicatou muitos dos adversários que, pertencendo a países fronteiriços da Rússia encontraram em si próprios mais vontade ainda de lhe encostar as espáduas ao chão. Ora um deles foi precisamente Alfred Johan Asikainen, conhecido por Alpo, natural de Viipuri, uma cidade que não por acaso pertenceu à Finlândia e hoje faz parte do território russo, junto ao canal de Saimaa, no Golfo da Finlândia, a pouco mais de cem quilómetros de São Petersburgo. Ninguém em Viipuri gostava de russos e pelos vistos com razão, não tivessem eles tomado a cidade na primeira oportunidade que lhes surgiu. Mas, em 1912, as coisas ainda estavam apenas na corda bamba quando Klein e Asikeinen se defrontaram numa das meias-finais da modalidade que era a da sua paixão. Toda a gente que gostava de luta greco-romana se entusiasmou com o combate para homens de 75 kg. Estariam frente a frente dois candidatos à medalha de ouro e o confronto prometia. Prometia mesmo muito, mas cumpriu muitos mais do que alguém pudesse sequer ter imaginado.
Acrescente-se que o Império Russo tinha assumido desde 1809 a Finlândia como uma das suas províncias e só a forte simpatia do Comité Olímpico Internacional pela luta finlandesa pela independência pôde permitir que surgisse uma delegação à parte sob o título de Grão-Ducado da Finlândia. Os russos reclamaram como puderam mas viram as suas pretensões darem com os burrinhos na água, sobretudo porque os organizadores suecos também ficaram do lado dos seus vizinhos. E assim sendo, como que as partes se viraram ao contrário: Alpo defendeu as cores da Finlândia, fugindo do torniquete russo, e Martin largou as cores da Estónia para se apresentar sob a bandeira russa.
Foi numa tarde de calor abrasador, a mesma canícula que seria fatal para o português Francisco Lázaro na maratona, que Klein e Asikeinen começaram naquele esforço muitas vezes irritante de se agarrarem um ao outro procurando desequilibrar o opositor. Pareciam dois rochedos. Nem sequer abanaram durante os primeiros quinze minutos. Quinze minutos?!, perguntará o leitor e com toda a razão. Sim, ainda não havia um período de tempo a balizar os combates e estes prolongavam-se até que um dos lutadores imobilizasse o adversário. O público fixava os olhos naquela massa de músculos e tendões que pareciam ser um homem só embora nele batessem dois corações. E com isto decorreu uma hora sem que nenhum baixasse a guarda. A pouco e pouco, conforme os minutos passavam, o combate começava a tornar-se um problema. Asikeinen era visto como melhor lutador do que Klein – até porque fora campeão do mundo no ano anterior –, mas não conseguia demonstrar a tal propalada superioridade. Ao fim de duas horas e meia de suor os espetadores começaram a bocejar. Convenhamos que dois matulões num esfrega-esfrega contínuo não era assim tão interessante se nenhum deles fosse ao chão. Afinal era esse o objetivo da modalidade, ou não era? Numa teimosia bovina, resfolegavam ambos num esforço baldado. E foram resfolegando por aí fora até à exaustão. O combate entre Martin e Alfred ficou para a história dos Jogos Olímpicos conhecido como um jornalista britânico no local o classificou: «The Match That Wouldn’t End». Mas acabou. Ao fim de onze horas e quarenta minutos absolutamente terríveis e, aceitemos, enfastiantes. O bronze ficava para Asikeinen e Klein iria decidir contra o sueco Claes Johnson qual levaria para casa o ouro. Pois… Mas ninguém aguenta onze horas e quarenta minutos de combate sem sair deles um tanto amachucado. O rapaz nascido naEstónia, que somava à época 28 anos, viu-se e desejou-se para dormir nessa noite tal as dores que o exauriram por completo. A vitória sobre Alpo acabou por ser digna de Pirro, o rei do Epiro e da Macedónia, que depois da Batalha de Ásculo, travada em 279 a.C. contra os romanos, suspirou: «Outra vitória como esta e estamos acabados», tal fora a dimensão da destruição dos seus exércitos. Absolutamente de rastos, Martin Klein não compareceu na final e entregou a medalha de ouro de mão beijada ao seu adversário sueco. Já Asikeinen regressou a casa como um herói dando razão ao que Brecht escreveria uns anos depois: «Nem todos os que regressam a casa são vencedores mas não há vencedor que não regresse a casa»."
quinta-feira, 22 de agosto de 2024
🦅 Obrigado, Neres!
🦅 Obrigado, Neres!
— SL Benfica (@SLBenfica) August 21, 2024
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De guarda-redes para guarda-redes
"O destaque nesta edição da BNews é a conversa entre a glória José Henrique e Trubin, o jovem guarda-redes ucraniano que já trilha um caminho de sucesso na baliza encarnada.
1. Mística a dois
O mítico José Henrique e Trubin, que completou 50 jogos oficiais de águia ao peito, uma lenda do Benfica e um jovem internacional ucraniano conversam sobre o que significa ser jogador do Benfica, a grandeza do Clube e a responsabilidade de representar milhões de benfiquistas na defesa das balizas. Um conteúdo para ver nas plataformas de comunicação do Benfica.
2. Chamadas internacionais
Trubin, Otamendi e Pavlidis integram as mais recentes convocatórias das seleções nacionais dos seus países.
3. Inspiradoras em Santarém
Jogadoras do Benfica marcaram presença na Casa Benfica Santarém para uma sessão de autógrafos participada por muitos Benfiquistas.
4. Grande entrevista
O vice-presidente do Sport Lisboa e Benfica com o pelouro das Casas, Domingos Almeida Lima, faz o ponto de situação em relação às embaixadas do benfiquismo e reforça a relevância destas na enorme grandeza do Clube.
5. Jogos e resultados
Os Sub-23 do Benfica foram derrotados, por 1-0, pelo Sporting em Alcochete. Hoje, às 19h00, esta equipa do Benfica atua na Figueira da Foz, frente à Associação Naval 1893, num jogo solidário em memória das vítimas do naufrágio da embarcação "Virgem Dolorosa".
A equipa feminina de andebol benfiquista ganhou, por 18-27, à AA São Pedro do Sul na 1.ª jornada do Grupo A do Torneio de Santo Ovídio.
Confira a agenda das partidas oficiais até 25 de agosto.
6. Renovações e contratações
O tricampeão nacional de basquetebol José Barbosa renovou o contrato por mais um ano. O hoquista Pol Manrubia mantém-se de águia ao peito. O húngaro Kristóf Palasics é reforço para a baliza do andebol encarnado. A voleibolista Beatriz Paiva e a andebolista Madalena Pereira continuam a representar o Benfica. E a sueca Evelyn Ovner junta-se ao basquetebol benfiquista.
7. Presenças no Mundial
As seleções masculina e feminina portuguesas de hóquei em patins contam com cinco hoquistas do Benfica para o Mundial.
8. Pré-época do futsal feminino
São vários os jogos marcados com vista à preparação das heptacampeãs nacionais para a nova temporada.
9. Benfica 1 minuto
A atividade benfiquista dos últimos dias em 60 segundos."
Futebol feminino: não basta ter, é preciso cuidar
"Jogos da equipa masculina do Sporting 'caem' em cima da meia-final e da final da Supertaça feminina, na qual os leões marcam presença. É difícil o caminho da evolução, mas não tem retorno
A frase é batida, de tão óbvia. Aplica-se a amores, a plantas, a animais. Em relação a filhos é apenas uma redundância, já que ser-se mãe ou pai implica desde logo a obrigação (até legal) de cuidar.
O futebol feminino tem conhecido um crescimento exponencial em Portugal. Sabe-se, porém, que muito ainda o separa do universo masculino, a começar nos valores envolvidos e no interesse do público, que por sua vez gera viabilidade comercial e melhores oportunidades de aumentar volumes de negócios.
A utopia da igualdade talvez possa, à luz do que tem acontecido, começar a considerar-se uma aspiração, em jeito de meta de longo prazo. É para isso que têm trabalhado as instituições, cientes de que transformações destas — que implicam alterações de mentalidades — levam sempre muito tempo. Têm-no feito, as instituições, de um modo geral muito bem, mas há sempre dores de crescimento.
O que sucedeu com uma meia-final da Supertaça feminina e vai suceder na próxima sexta-feira com a final constitui um exemplo dois em um elucidativo da forma como muita coisa, antes das mais difíceis e estruturais, pode melhorar: o Racing Power-Sporting da meia-final, no último sábado, iniciou-se meia hora antes do Nacional-Sporting para a Liga masculina; na próxima sexta-feira, a final feminina entre Benfica e Sporting, no Restelo, começa às 20h45 e o Farense-Sporting da Liga masculina às 20h15.
Conciliar calendários constitui, sem dúvida, uma das tarefas mais exigentes para clubes, Federação e Liga ao longo de uma época. As datas da Supertaça feminina foram definitivamente estabelecidas e divulgadas a 17 de julho. A final e o jogo de 3.º/4.º lugares disputam-se numa sexta devido ao início da Liga BPI e posterior participação dos dois finalistas na Liga dos Campeões. Claro que não se sabia que os finalistas seriam Benfica e Sporting, mas havia (ou deveria ter havido) noção de que tal tinha sérias probabilidades de suceder. Os horários das quatro primeiras jornadas da Liga foram divulgados seis dias depois, a 23 de julho.
Em tese, neste caso, teria cabido ao Sporting a tentativa de acautelar a situação, que não permitirá, por exemplo, a presença dos seus mais altos representantes no Restelo e pode prejudicar a afluência de adeptos, porque o futebol masculino vai captar a atenção de larga maioria dos sportinguistas.
Devagar, e aprendendo com os lapsos, o futebol feminino português vai continuar a crescer. Só precisa que cuidem(os) dele."
Lamento muito, caro Félix
"A obsessão de João Félix em tomar más decisões está a destruir-lhe a carreira. Do famoso sim ao Atlético cholista em 2019, até esta aberração em forma de ok ao Chelsea, vão já cinco anos e rarefeitos coriscos de felicidade.
Lamento muito, caro João.
Não lembrava ao diabo. Rejeitado em Madrid, secundarizado por Roberto Martínez e excedente em Barcelona, o avançado – ou alguém por ele – achou ser a altura certa para voltar a Stamford Bridge e ao caótico mundo blue.
Félix tem 24 anos, deixou a infância há muito e terá já estatuto para bater o pé. O que deseja, o que não deseja, onde idealiza jogar, que ideia de jogo pretende alimentar.
Se não lhe contaram a história toda, e se o João está mal informado, dou uma pequena ajuda nas próximas linhas.
O Chelsea, o Chelsea do senhor Todd Boehly, é isto:
. de maio de 2022 até junho de 2024, o endinheirado norte-americano, que de futebol perceberá tanto como eu da milenar arte da apicultura, já despediu Thomas Tuchel, Graham Potter e Mauricio Pochettino – segue-se Enzo Maresca;
. nestes dois anos, desprovido de qualquer lógica e ainda menos bom senso, gastou 1.3 mil milhões em novos jogadores – um recorde intra e extra planetário;
. na Premier League, os londrinos vêm de um 12º e de um 6º lugares, com muitas aparições catastróficas pelo meio;
. à semelhança de um viciado em substâncias químicas, o Chelsea de Boehly sente ser boa estratégia alimentar o plantel com mais e mais jogadores – o pobre do allenatore Maresca tem 48 homens ao dispor e vem aí pelo menos mais um (João Félix, lamentavelmente).
Numa fase em que a carreira do português - cujo talento foi justamente incensado aos quatro cantos do planeta - atravessa uma fase no mínimo duvidosa, eis que uma inspirada luminária se lembra do Chelsea. Deste Chelsea. E o bom do João vai em frente.
Lamento muito, Félix.
Nas próximas semanas, o internacional português mergulhará num surrealismo digno de Gaudi, um universo paralelo de excentricidades, milhões deitados ao lixo com desdém, pouca ordem e nenhuma estabilidade. Uma atmosfera insalubre para qualquer profissional executar a sua atividade em bom espírito.
A escolha é de João Félix, mesmo que saída da cabeça de quem o aconselha.
PS1: o gigantismo do investimento de Boehly e da Clearlake roubaram ao Chelsea a aura de clube familiar, já levemente perdida e desorientada na era-Abramovich. Os dólares americanos procuram desesperadamente o sucesso, quando é a alma e a afeição dos adeptos que lhes faltam.
PS2: João Félix. Assumo-o: foi anos a fio o meu futebolista português favorito. Divertia-me a insolência, o aparente desinteresse pelo jogo, a suavidade no toque de bola. Não sei por onde este craque tem andado, mas sei que dificilmente o encontrarei em Londres.
PS3: Félix terá certamente bons momentos, fará alguns golos, mas não percebe que o acesso à elite é impossível através deste Chelsea? O que pode um futebolista bem intencionado fazer, quando ao seu redor não há ponta de coerência? Boa sorte, João. Se eu estiver enganado, cá estarei para um Campo Pelado em forma de mea culpa e carregado de elogios."
Alteração de regras da UEFA
"A UEFA alterou recentemente as Regras de Autorização que regem as Competições Internacionais de Clubes para permitir que a parte requerente eleja Dublin como sede da arbitragem, sendo essa escolha vinculativa para a UEFA. Antes desta alteração, a única sede possível de arbitragem em relação a uma audiência do CAS era Lausanne, Suíça.
Esta alteração não é indiferente às recentes decisões do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE) de 21 de dezembro de 2023, quer relativa à Superliga quer a relativa à Federação Internacional de Patinagem (ISU), que se debruçou, essencialmente sobre as regras desta Federação sobre a autorização prévia de competições de patinagem.
Mas também nesta decisão referida em último lugar existe outro segmento de grande relevância. O Tribunal europeu decidiu que a disposição obrigatória nas regras da ISU para que os recursos sejam apresentados exclusivamente no CAS, um órgão de arbitragem que está sujeito, em última instância, a recurso no Tribunal Federal Suíço, prejudicou a proteção dos direitos disponíveis pela legislação da UE e o cumprimento efetivo da legislação de concorrência da UE. Entendeu o TJUE por essa ocasião que apenas um tribunal com jurisdição no âmbito do direito da União Europeia pode verificar a conformidade de determinadas regras previstas nos regulamentos federativos com os artigos 101 e 102 do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE).
Ora, não sendo a Suíça membro da EU, o Tribunal Federal Suíço não tem jurisdição para decidir sobre as normas comunitárias nem para remeter tais questões de direito ao TJUE de acordo com o procedimento de reenvio prejudicial."
quarta-feira, 21 de agosto de 2024
Goddbye...
😢 "Take care of yourself, and take care of your life, and live it. Bye"
— Mirror Football (@MirrorFootball) August 20, 2024
🗣️ Sven-Goran Eriksson delivers final goodbye and admits how he wants people to remember himhttps://t.co/0sLgRXzo7n pic.twitter.com/7d7IT2JPIa
Derrota...
Sporting 1 - 0 Benfica
Jogo fraco das duas equipas, onde o empate seria o resultado mais justo, mas acabámos por sofrer um golo perto do fim...
Arbitragem mais uma vez inclinada, com um penalty a nosso favor a ser 'esquecido, expulsão perdoada aos Lagartos, e no final ainda foi o Peixoto a ser expulso! Pelo meio, ainda vimos o árbitro a 'crescer' para um dos nossos jogadores!!!
Campanha eleitoral...
Gato escondido com o rabo de fora… depois de vários anos como MVP do rival, agora quer continuar a inclinar o campo noutros palcos. A receita de sempre. pic.twitter.com/0U1tER2ZSF
— Mauro Xavier 🇵🇪 (@MauroXavier) August 20, 2024
Respeito e respeitinho
"1. Terminaram os Jogos Olímpicos de 2024, e foi esta a melhor participação de sempre de atletas portugueses nos Jogos. O projeto olímpico do Benfica contribuiu fortemente em número de atletas para a comitiva portuguesa que esteve em Paris. O projeto olímpico do Benfica é uma obra extraordinária dirigida há muitos anos por Ana Oliveira.
2. Um atleta do Benfica, Pedro Pablo Pichardo, conquistou a medalha de prata no concurso de triplo salto em Paris. Uma medalha de prata é e será sempre um motivo de orgulho para um atleta, para o clube que representa e para o país que, no caso de Pedro Pablo Pichardo, o adoptou.
3. Não ferindo o mérito do luso-cubano nem a dimensão do seu feito, não foram de todo aceitáveis as palavras que proferiu no fim da sua participação dirigidas a Ana Oliveira, a coordenadora do atletismo e do projeto olímpico do Benfica. Inaceitável. Haja respeito. E respeitinho, também.
4. Nenhum deles é atleta do nosso clube, mas não há como não felicitar, e com muito gosto, Patrícia Sampaio, Iúri Leitão e Rui Oliveira pelas magníficas proezas que cometeram nos Jogos de Paris.
5. A nossa equipa de futebol feminino esteve: muito bem na sua participação no Torneio do Algarve no último fim de semana. Esteve, aliás, tão bem, que até arrecadou o troféu. Começou por bater a equipa do Sevilha, e terminou a vencer o Sporting por uns claríssimos 3-1. O futebol feminino vai crescendo no nosso país muito por 'culpa' do Benfica e da qualidade das suas equipas. Não sendo esta uma grande notícia - toda a gente sabe que o Benfica é tetracampeão -, não deixa de ser uma notícia grande porque revela a superior dimensão da aposta do Benfica no futebol feminino. Talvez muita gente não tenha dado por isso, mas o Benfica é a equipa 10.º classificada no ranking da UEFA no que ao futebol feminino diz respeito. Respeitinho, portanto.
6. Já a nossa equipa de futebol masculino, chamemos-lhe assim, esteve muito mal no seu primeiro jogo oficial da temporada. Três meses depois de ter perdido em Famalicão nas jornadas derradeiras do último campeonato, entregando o título e um dos maiores rivais, o Benfica voltou a perder no mesmo palco contra a mesma equipa pelo mesmo resultado. É óbvio que nenhum campeonato se decide na 1.ª jornada nem para o bem, nem para o mal. Mas, perante a triste exibição produzida em Famalicão, é também óbvio que uma 'coisa' daquelas, tão desconchavada, não pode ser a matriz do Benfica de 2024/2025.
7. O campeonato tem 34 jornadas, e a próxima é já neste sábado. Cabe ao Benfica receber o Casa Pia na Luz. E cabe à equipa do Benfica vencer o Casa Pia no sábado na Luz. É futebol. É o Benfica. Respeito e respeitinho."
Leonor Pinhão, in O Benfica
Sócio, proprietário e atleta
"António de Faria Leal teve uma passagem modesta pelo clube, mas deixou igualmente a sua marca na história encarnada
No início dos anos 20 de século passado, o Benfica vivia entre campos. Estava na iminência de sair do Campo de Benfica e, em simultâneo, tratava da construção do seu novo campo de jogos, nas Amoreiras. Em 1923, deixou de disputar desafios de futebol da equipa principal na sua 'casa', passando a usar campos emprestados, e foi nesse ano que arrancou com uma importante campanha de angariação de fundos monetários para as obras do Campo das Amoreiras: os Títulos de Propriedade, aprovados em Assembleia Geral, na sessão de 4 de Fevereiro.
António de Faria Leal foi um dos sócios que adquiram um Título de Propriedade. Natural de Almeirim, nascido em 13 de Junho de 1909, era estudante quando foi admitido como sócio do Benfica, com 15 anos. Dois anos depois, tornou-se sócio titular ao adquirir o Título de Propriedade n-º 959, emitido em 26 de Junho de 1926. Esse documento integra a coleção de Luís Carlos de Faria Leal, antigo presidente do Clube, que era seu irmão, e foi doado ao Centro de Documentação e Informação do Sport Lisboa e Benfica. Com este Título, tinha direito a:
'1.º - 50% na redução na cotisação de Sócio;
2.º - Um lugar de bancada, permanente e gratuito, no campo de jogos desta agremiação;
3.º - Uma parte proporcional no património social, ou seja, uma parte do valor produzido pela venda dos bens móveis e imóveis no caso de dissolução do Sport Lisboa e Benfica, segundo o seu Estatuto'.
Em1928, António de Faria Leal foi atleta de polo aquático pelo Benfica, integrando a equipa da 3.ª categoria em quatro jogos, entre 1 de julho e 4 de agosto. Foi demitido de sócio em março de 1942, regressando ao Clube 30 anos depois, com 63 anos. Era oficial do exército e foi associado do Benfica até 1985.
Ao tornar-se sócio, sócio titular e atleta, António Faria Leal tornou-se parte da história do Benfica, à semelhança dos milhares de outros sócios que o procederam e seguiram, pois o associativismo é a pedra basilar do Clube. É um exemplo de um sócio que teve uma passagem mais modesta pelo Clube, mas cujo nome perdurou graças à preservação da documentação e si associada.
Saiba mais sobre o associativismo na área 16 - Outras Voos, do Museu Benfica - Cosme Damião."
Lídia Jorge, in O Benfica
Hienas e papagaios
"Depois de, na semana passada, ter aqui escrito sobre o início da nova época e o carrossel de emoções que teríamos pela frente, a 1.ª jornada do campeonato acertou-nos em cheio no baixo-ventre, sem apelo nem agravo.
Uma derrota frente ao FC Famalicão fez aumentar as dúvidas, surgindo críticas de vários quadrantes, além de delírio sobre uma 'possível' substituição de Roger Schmidt por Sérgio Conceição. Quando se pensava que seria difícil criar ainda mais barulho em torno do SL Benfica, a perda dos 3 pontos serviu como uma luva aos donos e donas de todas as certezas do mundo.
Adoraria conseguir, em frente a um teclado ou à mesa do café, encontrar as soluções milagrosas para tudo o que se passa com o futebol masculino do Glorioso, mas não tenho tais capacidades. Sou um simples adepto, tenho a minha opinião sobre esquemas táticos, entrega e alegria em campo ou estilo de jogo, mas daí até ser capaz de insultar, denegrir e atacar direção, equipa técnica e jogadores vai uma distância demasiado grande. Tão grande, que nem me dou ao trabalho de entrar em diálogo. Fossem terraplanistas ou chalupas antivacinas, e a receita seria a mesma - deixar falar, de preferência ao longe, porque a minha sanidade mental vale muito mais do que aceitar o extremismo e as certezas definitivas como argumentos válidos.
Tenho muito poucas as certezas, mas uma delas é o respeito que tenho por todos os atletas, treinadores e dirigentes que representam o Sport Lisboa e Benfica. Sejam eles quem forem, seja que direção for. É assim que me vou manter, goste-se ou não, nas páginas deste jornal, nos espaços de comentários da BTV ou nas mesas de café com os meus amigos. Sim, o clima está tenso, e não faltam hienas, de todas as cores, a rir e a afiar as garras. Algumas já não escondem o contentamento, mas, como se diz no mais puro vernáculo, pode ser que se tramem. Ou coisa parecida."
Ricardo Santos, in O Benfica
Rir por último é melhor
"Sol, verão, praia, piscina. Agosto tinha tudo para ser um mês de entretenimento e fazer a mesma desilusão que nos trouxe há um ano. Novamente a norte, onde nunca falta apoio ao Benfica, a entrada no campeonato foi em falso. Um golo cedo do Sorriso escondeu o nosso, e, uma semana depois, o meu ainda não voltou a aparecer. Já o procurei debaixo das tranças do Renato, dentro das chuteiras do Pavlidis, e em cima do talento do Di Maria, no entanto, não há meio de o descobrir. Estou a contar encontrá-lo sábado à noite, o que dava algum jeito, porque num mês de tantos casamentos é estranho felicitar os noivos como se estivesse a cumprimentá-los num funeral.
Sorrir depois de uma derrota do Benfica é uma sequência de acontecimentos incompatíveis, porém isto não significa falta de confiança. Podem estar 11 de muletas dentro de campo, se tiverem uma camisola vermelha vestida com uma águia em cima de um emblema onde diz E pluribus unum, eu tenho a máxima confiança na vitória.
Considerando que temos um plantel equilibrado, possivelmente o melhor da Liga, um treinador que já provou a sua competência no ano de estreia, um presidente que sabe na primeira pessoa como funciona um balneário e, mais importante de tudo, adeptos que sabem ser os melhores do mundo, qual é o motivo para estar pessimista? Por causa de uma derrota na 1.ª jornada? Em 2013 também começámos assim e, quatro anos depois, estávamos todos a festejar o tetra. Dizem que quem ri por último ri melhor. Eu prefiro esperar para poder rir, mas para isso convém poder voltar a sorrir já amanhã à noite."
Pedro Soares, in O Benfica
Um novo futebol
"Não me lembro, em muitos anos, de tamanha oportunidade para o futebol português poder dar passos no sentido de credibilização e da sustentabilidade. O FC Porto mudou, e o despedimento do seu sinistro diretor de comunicação era, a meu ver, o dado que faltava para asseverar esse corte com o passado. Não espero um FC Porto enfraquecido - pelo contrário, espero e desejo um FC Porto forte dentro das quatro linhas (e, naturalmente, um Benfica ainda mais forte para lhe ganhar), mas sério fora delas.
Hoje, os três principais clubes são liderados por gente respeitável, que obviamente quer vender, mas (acredito) dentro de um clima de paz, desportivismo e verdade. Rivais dentro do campo, têm, fora dele, a obrigação moral e histórica de assumir temas tão determinantes como a violência, a arbitragem ou a captação de receitas.
Neste último ponto, juntando porventura SC Braga e Vitória SC (os outros dois grandes clubes portugueses), há que partir para aquilo que considero essencial: uma drástico redução do número de equipas no escalão principal, sem a qual qualquer tipo de centralização de direitos televisivos será um logro.
Quem participa nas provas europeias, quem traz prestígio e dinheiro para o futebol português, quem enche estádios e vende audiências, quem tem verdadeiramente massa crítica, não pode ficar refém de um falso sentido de solidariedade para com entidades-fantasma, que retiram qualidade, retiram público, retiram dinheiro sabe-se lá para onde, e nem sequer servem para promover jovens jogadores.
Oito clubes e quatro voltas seria, quando a mim, o modelo de campeonato ideal. Mas tudo o que seja mais de doze equipas na primeira liga é excessivo para a dimensão geográfica e sociodesportiva do país.
Espero que a oportunidade não seja enjeitada. Força há. Haja também vontade."
Luís Fialho, in O Benfica
Uma aventura especial
"O nome desta iniciativa não parece remeter diretamente para o desporto.
Mas, na verdade, trata-se de um campo internacional onde jovens de vários países participam numa experiência imersiva de treino e competição de futebol adaptado. O convívio entre eles e contacto com outras culturas, línguas, sabores e paisagens fazem destes dias um tempo inesquecível, uma aventura verdadeiramente especial.
Todos os jovens gostam de sair pelo mundo e explorar novas experiências, mas nem todos têm acesso a isso porque a oportunidade muitas vezes não surge. E, se é assim para muitos, é ainda pior para os jovens portadores de deficiência, que, juntamente com as suas famílias, se debatem com dificuldades acrescidas para aceder à prática desportiva.
A verdade é que existem poucas opções para estes jovens praticarem o seu desporto favorito. Mesmo quando conseguem jogar futebol, ao longo de todo o ano, as oportunidades competitivas são poucas em Portugal, e as internacionais são ainda menos. Essa é a razão por que a Football Is More Foundation organiza os Special Adventure Camps. E é também por isso que junta a Fundação Benfica e outras fundações de clubes europeus em torno desta fantástica iniciativa.
Porque os jovens, todos os jovens, merecem o melhor!"
Jorge Miranda, in O Benfica
Boa malha!
"🗣️ João Malheiro em grande!
Os outros clubes podem tudo: passam 3 meses a contratar um jogador, vendem abaixo da cláusula, despacham promessas que o próprio treinador garantiu manter no plantel... E está sempre tudo bem, tudo muito profissional. Já no Benfica, é sempre tudo mal."
Tudo normal...
"O jogador "claramente" estava destinado a ficar, mas afinal sai antes de sequer ser titular. No Sporting, porém, nada se questiona — tudo é magnífico e exemplar. Uma gestão que parece estar acima de qualquer escrutínio ou análise dos grandes "especialistas" da nossa praça."
Mais um com a vida arruinada graças ao Benfica
"Andava por aí uma boa piada nas redes sociais, em vésperas do início da liga inglesa. É um vídeo de alguém a sorrir nervosamente enquanto contempla o horizonte, acompanhado de uma legenda que diz “eu a aproveitar os meus últimos dias até deixar que 11 indivíduos pagos a peso de ouro para pontapear uma bola arruinem a minha vida”. Há uma verdade universal nisto, aplicável aos adeptos de qualquer clube conhecido por pagar milhões aos seus atletas, uma verdade ainda mais reconhecível quando se passa muito tempo sem ganhar ou sem encontrar uma alegria de viver equivalente à grandeza do clube pelo qual se torce. E depois há o contexto de cada indivíduo. Enquanto Benfiquista, tendo já assistido à estreia em Famalicão, olhei para este meme e senti que já estava na fase seguinte, a da vida arruinada. Veio-me à cabeça um súbito flashback do otimismo moderado na véspera da derrota em Famalicão, enquanto percorria novamente os nomes do plantel sénior e pensava que talvez, com jeitinho e muitos golos do Pavlidis, isto vá ao sítio.
A semana que se seguiu foi de angústia e expectativa. Lembrei-me daquela célebre frase de José Mourinho quando, após uma derrota da sua equipa, avisou que o adversário da jornada seguinte iria pagar a conta. Lembrei-me disso e depois tentei reinterpretar a ausência de explicações de Roger Schmidt na flash interview. Talvez se tivesse tratado de um magnífico bluff, um problema a ser resolvido entre as quatro paredes do balneário, após a análise exaustiva dos erros da equipa e do treinador na primeira jornada, erros tão manifestamente óbvios que não restaria outra opção senão o mais elementar bom senso de os corrigir. E foi assim, munido de uma tímida esperança, que passei os dias seguintes, apostado em perceber se era verdade que o clube queria mesmo vender mais um extremo ou se o central em tempos capitão regressaria eventualmente da sua outra ocupação profissional na seleção argentina.
Chegou a véspera, tempo de antevisões e de renovação da esperança. Roger Schmidt não poupa nas palavras. A 24 horas de um jogo em que a equipa está obrigada a voltar às vitórias, aproveita a ocasião para mais uma masterclass de comunicação. Começando por explicar que também ele é adepto do Benfica, acrescenta que o clube conquistou dois títulos durante o seu período no clube, e que isso é mais do que antes. Ocorre-me que, para além de um tradutor inglês-português, talvez faça sentido incluir um sócio do clube, qualquer um, como intérprete das palavras de Roger Schmidt em cada conferência de imprensa, para explicar ao próprio a infelicidade recorrente das suas declarações a jornalistas. O alemão explica também que “é importante nos momentos difíceis ter paciência e convicção para acreditar na equipa, nos jogadores, nas pessoas que estão a fazer tudo, todos os dias, para manter adeptos felizes”. Pronto, Roger. Vamos ao jogo seguinte.
Nesse mesmo dia, à noite, cometo o erro de assistir à segunda parte da estreia do Paris Saint-Germain. Vejo João Neves instalar-se no meio-campo e no ataque do PSG como se aquilo fosse tudo dele, com duas assistências das que raramente vi no Benfica, e ocorre-me que talvez Roger Schmidt não tenha sabido tirar o melhor partido do jogador, ou, quem sabe, não tenha passado tempo suficiente com ele. Acontece também que nunca saberemos a resposta a esta pergunta, porque foi preciso vender já um dos melhores jogadores do plantel, e o mais promissor. Desligo a tv e faço os possíveis por afastar os pensamentos maus. Deixo o João Neves para trás e adormeço na esperança de um amanhã melhor.
Antes de ver o estádio cheio e a bola a rolar, o primeiro revés. Roger Schmidt escolhe o mesmo onze, um estranho voto de confiança depois de uma exibição tão preocupante. Será que Schmidt percebeu durante a semana como colocar este onze a render muito mais do que na jornada anterior? O jogo está quase a começar. O momento pedia esperança e otimismo, mas a cabeça e o coração não permitiam. Parecia pouco provável que estivesse ali a solução para os problemas criados pelos adversários do Benfica na Liga, e os primeiros 65 minutos do jogo acabaram por confirmar isso.
Perante um Casa Pia quase inexistente no ataque, a dupla Barreiro-Florentino tenta fazer chegar a bola mais à frente, mas os passes queimam, o desequilíbrio nas alas é inexistente, a bola não chega com qualidade à zona avançada, não há uma bola em condições de ser finalizada por Pavlidis, e o Benfica passa mais 1 hora a passar a bola para o lado e para trás, incapaz de criar situações de perigo na área adversária. É nestas alturas que somos relembrados do que aconteceu ao plantel do Benfica esta época. Perdeu Rafa, Neres e João Neves sem que um substituto à altura tivesse aparecido. Por outro lado, manteve o treinador e uma ideia de jogo que tem vindo a ser eficazmente desmembrada nas competições internas, razão pela qual o Benfica não se tem aguentado em provas de regularidade e acaba por sofrer da sua própria falta de confiança, organização e capacidade, nos restantes jogos a doer.
A equipa lá encontrou o caminho da baliza, mostrando até coisas mas só quando Roger Schmidt corrigiu os seus próprios erros, mostrando - sempre que a oportunidade lhe é dada - que o pior inimigo de Roger Schmidt é Roger Schmidt. A exibição acabou por trazer mais angústia do que satisfação, mais pessimismo do que ânimo, muitas dúvidas e apenas uma certeza: a de que dificilmente terei mais dias livres nos próximos largos meses, agora que 11 indivíduos pagos a peso de ouro para pontapear uma bola, e um treinador incapaz de garantir futuro ou esperança, decidiram arruinar-nos a vida. Os memes são assim. Têm piada pela verdade que contam.
À hora em que escrevo este texto, o Benfica tem um treinador sobre o qual recai a maior incerteza, uma equipa incapaz, até agora, de pôr em prática uma ideia de jogo à Benfica, continua a viver de uma crença absurda no regresso de um futebol que nem Roger Schmidt sabe muito bem explicar como aconteceu, e tem menos um extremo - Neres - capaz de desbloquear jogos como este último, bem suado. Por outro lado, parece ter ganho Tiago Gouveia, que estava vendido há uma semana mas afinal, diz a imprensa, vai ficar porque marcou dois golos e agora o presidente não poderia correr o risco de ver mais um miúdo da casa sair, não quando é um dos poucos que alimenta a esperança ingénua de que há uma solução no banco de suplentes para os problemas que o Benfica vive, como se os problemas fossem só de ataque posicional e não de um modelo organizacional e uma liderança em processo acelerado de descarrilamento.
É certo que o futebol inebria e gera níveis de tolerância improváveis em qualquer outra área das nossas vidas. Poderá até surpreender esta época. Aturamos de tudo, até a incompetência, se a vitória parecer mais próxima e a alegria parecer um pouco menos efémera. Mas, mal conduzido, o futebol também produz angústia, apatia e desânimo, o oposto, diria, da sua principal função. E quem convive hoje com Benfiquistas vê o quanto esse sentimento abunda e contamina os momentos, e são muitos, vividos deliberadamente em função do clube, mesmo que isso tantas vezes nos estrague o dia. A alegria e a esperança hão-de voltar, mas, lamento dizê-lo, nada me leva a crer que isso vá acontecer sem que antes as coisas piorem."
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