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sábado, 12 de setembro de 2026

Participações...


"Há qualquer coisa nas contas do Benfica e nas explicações do seu responsável financeiro que merece uma análise prudente e contraditada. O lucro anunciado esconde um cenário difícil.
Nuno Catarino diz que, pelas métricas tradicionais, a Benfica SAD valerá mais de mil milhões de euros ao mesmo tempo que admite que o Benfica possa comprar os 16% de José António dos Santos.
Até aqui, podemos discutir avaliações. O problema começa quando juntamos o resto dos números. A Benfica SAD fechou o exercício com um resultado líquido de cerca de 19 milhões de euros, menos 44% do que no ano anterior. E apesar da dívida liquida ter caído para cerca de 185 milhões, o passivo ultrapassou, pela primeira vez (PRIMEIRA), os 500 milhões.
Outro dado relevante: sem transações de atletas, a operação apresentou um resultado negativo de cerca de 15 milhões de euros. Os 214,4 milhões de rendimentos operacionais não chegaram para cobrir os 229,4 milhões de gastos.
E parte dessas receitas nem sequer é estruturalmente recorrente, já que o exercício inclui, por exemplo, 15 milhões de euros recebidos pela saída antecipada de José Mourinho. Tudo isto num momento em que o próprio CFO reconhece que a ausência da Champions deverá retirar cerca de 30 milhões de receitas ao próximo exercício.
É neste contexto que Nuno Catarino sugere a possibilidade de mobilizar dezenas de milhões de euros para comprar participações acionistas.
A questão, portanto, não é saber se o Benfica vale mil milhões. Espero que valha. A pergunta é outra: como é que uma sociedade que supostamente vale mil milhões, que continua deficitária antes das vendas de jogadores e chega simultaneamente aos 500 milhões de passivo, pondera afetar dezenas de milhões de euros à compra de ações?
Uma coisa é valor. Outra é liquidez. Outra é dívida. E outra, ainda, são prioridades.
A administração pode entender que a Benfica SAD está subavaliada e comprar ações, pode até fazer sentido do ponto de vista financeiro. Mas isso não significa que seja, neste momento, a melhor utilização do capital do Benfica.
Perante uma operação sem transações de atletas negativa em 15 milhões, a ausência da Champions, necessidades de investimento no plantel e nas infraestruturas e uma dívida líquida próxima dos 185 milhões, qual deve ser a prioridade?
Reduzir dívida? Reforçar a equipa? Investir no crescimento das receitas recorrentes? Melhorar infraestruturas? Ou recomprar ações? 
Há um ano, Nuno Catarino antecipava períodos de “excesso de liquidez” que poderiam permitir a aquisição de ações próprias. Um ano depois, o resultado caiu 44%, a exploração sem jogadores passou para terreno negativo e o próximo exercício será pressionado pela ausência da Champions.
É essa mudança de contexto que precisa de ser explicada. A verdadeira questão não é quanto vale o Benfica.
É onde deve colocar o próximo euro disponível."

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