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sábado, 1 de agosto de 2026

Os candidatos entre consolidação, reestruturação, refundação e progressão


"Não aprecio clichés, em nada, pelo que no futebol também não. Fujo das ideias repetidas, seja a de que uma equipa que se constrói de trás para a frente, como se pensar o momento defensivo fosse mais relevante que construir o ofensivo; a de que um ala deve respeitar sempre os movimentos em overlap dos laterais, quando a melhor opção é, tantas vezes, não os respeitar; ou que um central rápido garante o controlo da profundidade defensiva de uma equipa, quando a eficácia nessa missão depende de muitos outros fatores e tem sempre uma dimensão coletiva. Nem no futebol nem em qualquer outro setor de atividade está tudo inventado, pelo que repetir fórmulas gastas é, por regra, um obstáculo à descoberta do novo e mesmo, não raras vezes, o caminho para o equívoco.
É por isso que me parece desajustada a ideia de que o campeão parta sempre à frente para uma nova temporada. Percebe-se naturalmente o raciocínio lógico de que a estabilidade sugere continuidade de rendimento alto, e alto terá de ser quando se trata de um campeão em título. Acontece que a realidade não o confirma, já que é mais comum haver mudança de campeão do que não haver. Por exemplo, na Liga portuguesa, nos últimos 40 anos, houve campeão diferente em 24 situações (61,5%) e repetições de títulos em 15 transições apenas (38,5%). Coisa diferente é, avaliando cada um dos candidatos, nas forças e fraquezas, considerarmos que o favorito é o último a ganhar. E é por isso que considero que o FC Porto parte à frente, por estar taticamente em consolidação, frente a um Sporting em reestruturação e um Benfica em refundação. A seguir corre o Braga, em mais uma temporada de progressão.
Os portistas precisam ainda, e claramente, de um lateral esquerdo melhor que os que têm e de um ponta de lança que garanta golos, pelo menos até ao regresso de Samu. Não digo que André Silva não possa dar conta do recado, mas não estou seguro disso. E creio que os dirigentes (e os adeptos) do FC Porto também não. Lateral esquerdo é uma daquelas posições em que a procura é hoje bem superior à oferta. Basta perceber que os três grandes buscam jogadores para essa posição, sendo que o Sporting apenas precisará de um suplente se for bem sucedido na luta para manter essa raridade chamada Maxi Araújo. O FC Porto também luta para manter a jóia Froholdt, mas, se o vender, não só regressará fatalmente ao mercado como já revestiu o meio campo com uma solução tão boa como económica: Hwang In-Beom.
Os grandes de Lisboa enfrentam a época com maior risco, com a diferença de o Sporting optou por mudanças maiores do que estava obrigado e o Benfica está obrigado a mudanças maiores que as já garantidas. Nos leões, era inevitável substituir Hjulmand e Morita, daí a prioridade (certa) dada à contratação de médios. Já as partidas de Pedro Gonçalves e, sobretudo, de Trincão, resultam da vontade dos jogadores, mas percebe-se que o clube não colocou grande obstáculo, apenas preço. E o mesmo, adivinha-se, pode ainda acontecer com Daniel Bragança. Ou seja, a equipa perde de uma vez 5 ou 6 titulares (some-se Diomande), o que obriga à tal reestruturação, metade forçada, metade desejada.
O Benfica está em refundação, desde logo da ideia de jogo, que Marco Silva contrasta mais com Mourinho e Lage do que estes dois entre eles. No que havia de mais estratégico nos antecessores, há muito mais de modelar em Marco. Ou seja, o novo Benfica terá um perfil mais identitário, de ADN reconhecível, do que camaleónico, com nuances sensíveis em cada jogo. E esta é uma mudança essencial, porque força alterações em cascata, da baliza ao ponta de lança, na intenção de construir com risco, criar com critério, definir de diferentes formas e pressionar com eficácia. Não é pouca ambição, mas o Benfica não tem outra escolha que não a de dar a Marco o que ele precisa e decerto reclama. Até porque desta vez, não tenho dúvidas, acertou mesmo na escolha do treinador.
Treinador de qualidade, e de convicções, tem também o Sporting de Braga, e vai ser interessante perceber como crescerá a equipa de Carlos Vicens, com um padrão de jogo maturado e reforços que prometem acrescentar: Travassos, Huseinbasic, Gabriel Silva ou Jonas Wind. Pode não dar para lutar pelo título, mas nem isso excluo, para início de conversa."

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