Últimas indefectivações

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Nota de rodapé no Sporting-Benfica


"Bons sinais no futebol português sempre atrasados, como os parabéns de Rui Borges

O primeiro dérbi de Lisboa e primeiro jogo oficial de 2025/26 terminou com vitória do Benfica, por 1-0, na Supertaça Cândido de Oliveira. O duelo, além do troféu, era especialmente importante para a equipa dos encarnados depois da forma como terminou a época passada, derrotado na final da Taça de Portugal e perda do campeonato nas últimas jornadas, ambos os títulos ganhos precisamente pelo rival Sporting.
Era, também por isso, um jogo que o Benfica desejava muito vencer para transmitir uma mensagem de força aos adeptos e adversários, a imagem de que tudo pode, efetivamente, ser diferente na nova época. Quando o treinador das águias, Bruno Lage, disse no Mundial de Clubes dos EUA que a mentalidade teria de mudar, que a equipa precisava de ser mais agressiva e que, dentro e fora do campo, ninguém iria pisar e ficar a rir ou cantar, a mensagem levou-nos imediatamente para o lance do defesa dos leões Matheus Reis a pisar a cabeça do benfiquista Belotti na final da Taça de 2024/25.
Por tudo isto, no relvado do Estádio Algarve, palco da Supertaça, jogou-se mais que futebol, tendo todos a consciência do momento ainda precoce na preparação das equipas. O desafio foi, também, um primeiro tomar de pulso ao momento da rivalidade entre Benfica e Sporting. E percebeu-se que continua acesa e promete episódios ao longo da temporada, não diferindo, neste aspeto, do que se passa há muito.
Os momentos finais do jogo ficaram marcados por alguma tensão entre jogadores, com lances quentes, vários cartões, mostrados não apenas aos artistas principais, mas também a elementos das equipas técnicas de uma e outra equipas, que estavam sentados no banco de suplentes. Mas o sinal mais forte de que não podemos esperar milagres foi a forma como o treinador do Sporting se comportou. Rui Borges, quando o árbitro apitou para o final do jogo, não deu os parabéns a Bruno Lage pela conquista do troféu. Pode argumentar que os dois se desencontraram, que ele foi na direção do centro do relvado e Lage noutro sentido, mas tinha ficado bem a Borges procurar em primeiro lugar, com sentido desportivo, cumprimentar o rival, colega de profissão e, não esquecer, parceiro na venda de um produto que se pretende saudável e rentável. Ou não?
O treinador do Sporting poderia ter emendado a mão e endereçar parabéns nas conferências, mas não o fez e optou por, horas mais tarde, dar os parabéns numa mensagem privada que enviou a Bruno Lage. O que se passou não é mais que nota de rodapé na história da 47.ª edição da Supertaça, mas, tal como sucedeu com a mensagem tardia de Rui Borges, mais uma vez ficamos com a sensação de que o bom senso e as boas práticas no futebol português chegam sempre com atraso, quando chegam. E os grandes, seja qual for a cor, têm nas mãos o poder de mudar esta realidade."

Entrevista: Maria Sofia Silva...

Zero: Mercado - AVB saca goleador da cartola

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - "É pena que em 2025 ainda se fale em Luís Filipe Vieira"

Throne: Portugal’s Most Pointless Football Competition (And How to Fix It)

A DESCIDA ADMINISTRATIVA DO VITÓRIA FC E OS BASTIDORES DO FUTEBOL PORTUGUÊS


"(Sporting, B Sad, Boavista, Vitória)

Em 2020, o Vitória Futebol Clube terminou a Primeira Liga em 16.º lugar, posição suficiente para garantir a manutenção. No entanto, poucos dias depois, foi despromovido administrativamente pela Liga Portugal, alegadamente por incumprimento dos critérios financeiros obrigatórios. A decisão permitiu ao Portimonense, que tinha sido despromovido em campo (17.º), manter-se na Primeira Liga.
Este relatório expõe, com base em fontes públicas e documentadas, um padrão de decisões questionáveis, alegados favorecimentos e situações que justificam um escrutínio independente.

1. A BASE DA DESCIDA DO VITÓRIA FC
O clube foi excluído do licenciamento por alegado incumprimento de três requisitos: dívidas a clubes, a trabalhadores e situação fiscal não regularizada.
“Fonte SIC Notícias”

2. O BENEFÍCIO AO PORTIMONENSE
O Portimonense, 17.º classificado, manteve-se na I Liga na sequência da exclusão do Vitória FC.
“Fonte SIC Notícias”

3. ALEGADA INTERFERÊNCIA DO FC PORTO
Fontes internas do meio desportivo referem que Pinto da Costa poderá ter exercido influência sobre a manutenção do Portimonense, clube frequentemente associado a relações próximas com o FC Porto.
“Fonte ZAP”

4. TRATAMENTO DESIGUAL FACE A OUTROS CLUBES
Boavista: segundo notícias da Renascença, apresentou certidões com irregularidades e mantinha dívidas, sem sofrer exclusão. “Fonte Renascença” B-SAD: terá pago salários sem declarar à Segurança Social, e o seu ROC recusou certificar ausência de dívidas, conforme noticiado. “Fonte Público” Sporting CP: segundo o jornal Record, terá conseguido a inscrição na Liga sem apresentar o relatório obrigatório do ROC, exigido pelos regulamentos.
“Fonte Record”

5. O PAPEL DE PEDRO PROENÇA
Pedro Proença, então presidente da Liga e atualmente presidente da FPF, homologou processos de inscrição com alegadas irregularidades documentadas e liderou o processo de exclusão do Vitória FC, sem aplicar, segundo críticos, o mesmo rigor a outros casos semelhantes.
“Fonte SAPO Desporto”

6. O PERCURSO DE RUI PEDRO SOARES
Ligado às decisões da B-SAD na altura em que foram detetadas práticas fiscalmente duvidosas (segundo reportagens), Rui Pedro Soares foi contratado em 2025 pela FPF para colaborar com o Canal 11 como consultor.
“Fonte CM Jornal”

APELO AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Perante os factos, fontes e registos aqui referidos, todos de acesso público, considera-se que existe matéria relevante para que o Ministério Público avalie a eventual existência de favorecimentos indevidos, omissões seletivas, abuso de poder ou outras práticas lesivas do interesse público, por parte de dirigentes desportivos ou federativos.
Não se exige perseguição, mas sim transparência e igualdade na aplicação das regras a todos os clubes, sem exceções.
Se o futebol português quer recuperar a credibilidade, é essencial que as autoridades judiciais e administrativas analisem detalhadamente este processo, incluindo as decisões de licenciamento, os critérios aplicados e as eventuais ligações contratuais entre dirigentes, clubes e entidades federativas.

CONCLUSÃO
O Vitória FC foi alvo de uma sanção desportiva de grande severidade. Outros clubes, com alegadas irregularidades de idêntica ou maior gravidade, não sofreram consequências equivalentes. A decisão beneficiou diretamente um clube associado a redes de influência conhecidas.
O silêncio institucional sobre este processo, perante os factos que vieram a público, não deve continuar.
Este caso precisa de ser conhecido, debatido e, se necessário, formalmente analisado.
Partilhem, porque tudo isto é público, só ninguém quer ver"

domingo, 3 de agosto de 2025

Bastidores: Supertaça...

Mais um treino...

Kanal: Tamos Juntos...

Visão: É assim que o Benfica vai jogar?

Tem muitos defeitos... mas neste assunto!

Entrevista: Veronika Djokic

Zero: Entrevista: Tiago Dantas...

Sporting-Benfica: o aleatório que alimenta o dérbi


"Os últimos cinco dérbis foram, além de mal jogados, bastante equilibrados. Em todos os confrontos a vitória poderia ter caído para o outro lado e continuado a ser natural. É o futebol que (hoje) temos

A nova época começou mais ou menos como a anterior acabou. Com aqueles ses que nada significam para quem se alimenta de factos, porém sublinham quão ténue é, tantas vezes, a fronteira entre o sucesso e a desilusão.
O Benfica venceu a Taça da Liga nos penáltis e, não sendo a tal lotaria com que se deixou de adjetivar esse desempates, cada desfecho continua a apresentar-se como um thriller. Talvez por isso, a sorte, mais à frente, tenha sentido que tinha compensar os leões. Uma bola, atirada por Pavlidis, esbarrou no poste e retirou as águias o contexto de autossuficiência em Braga e, como se não bastasse, no Jamor, estas viram a Taça escapar-se-lhe entre os dedos, já nos descontos, na impotência perante o arranque de Gyokeres. O Sporting conquistou esses dois troféus, mas paira no ar uma sensação de aleatório que não é de hoje.
Numa partida mal jogada — e se os principais candidatos jogam assim, que amostra fornecerão os outros para os poucos mercados que possam ter interesse no nosso campeonato —, o Benfica conquistou a Supertaça, depois de o Sporting ter sido campeão e festejado no Jamor, no entanto, se os papéis se invertessem acabaria, de uma maneira ou de outra, por também fazer sentido.
Mais ou menos proativos, com mais ou menos oportunidades criadas, Benfica e Sporting estão próximos um do outro. E, enquanto o mercado continuar assim, FC Porto e SC Braga podem reaproximar-se, quando há meses havia um abismo entre todos. A saída de Gyokeres não ajuda os leões e, com mais um ou dois criativos que se possam juntar ao atual maior candidato a melhor jogador da Liga, Pavlidis, e uma abordagem mais abrangente no ataque, não há porque os encarnados não possam crescer.
Já os leões parecem mais presos a si próprios. É que o Sporting não foi assim tão melhor, como diz Rui Borges, ainda que tenha chegado com facilidade ao último terço devido à qualidade individual e espaços concedidos entre setores. Mas bloqueou aí e o rival não.
Lage não apagou também as dúvidas que pairam sobre a abordagem enquanto técnico de equipa grande. Se é que para alguém faz sentido lançar um trinco para junto do avançado só para pressionar mais à frente, comprometendo a progressão em apoio. No que diz respeito a Borges, as conquistas apenas adiaram as nuvens negras. E parece ter de repensar o esquema: tirar espaço de manobra aos melhores não contrariará a lógica?"

'Entourage' de Ronaldo estende 'tábua de salvação' a João Félix


"A história de João Félix dava um filme. Comecemos por aqui, que a memória não pode ser curta, nem subitamente apagada por uns quantos milhões de euros.
Primeiro ponto: em função da tenra idade, do valor efetivo demonstrado em campo e do valor envolvido, a transferência do jovem viseense, à altura, para o Atlético de Madrid consumou-se por valores pornográficos. 126 milhões de euros foi um evidente abuso, possibilitado pelo mercado e pela capacidade empresarial de gerar valor potencial num futebolista que nunca havia saído do seu ecossistema de formação.
Excelente negócio para o Benfica, extraordinário para o jogador, a família e os empresários, mau — como, de resto, não se demorou muito a comprovar — para os colchoneros. Ainda por cima servidos por um treinador que exige compromisso absoluto em cada segundo de treino e, também, quando à paisana…
A carreira do promissor médio ofensivo passou, entretanto, e após a constatação, na capital espanhola, do quão exorbitado havia sido o valor pago, por grandes clubes. É inegável o trajeto teórico de grande valia, para escrever no curriculum vitae: Barcelona, Chelsea, AC Milan, com um denominador comum nas três grandes cidades europeias entretanto frequentadas por Félix: inícios promissores, muito sangue na guelra, mas, perante concorrência, novos sistemas de jogo e treinadores com diferentes ideias, um abrandamento súbito do número de presenças na titularidade, na própria utilização global e um gradual afastamento das principais opções técnicas.
Convenhamos que, em três emblemas da dimensão de catalães, londrinos e milaneses, começa a criar-se um padrão pouco gentil para o futebolista português. Ademais, Félix (embora recorrentemente chamado aos trabalhos da equipa nacional portuguesa), nunca se conseguiu afirmar em pleno no combinado luso, deixando no ar, de modo cada vez mais evidente, a interrogação sobre o mérito da respetiva convocação.
Aqui chegados, olhamos o movimento súbito (ou não…) para o periférico e duvidoso campeonato da Arábia Saudita.
Criadas dificuldades naturais pelo Chelsea nas negociações com o Benfica — os londrinos, naturalmente, pretendiam ser efetivamente ressarcidos do investimento já feito no jogador — há uma tábua de salvação da carreira do beirão. É lançada por Cristiano Ronaldo e pela sua entourage do Al Nassr, incluindo o recém-contratado Jorge Jesus, também ele resgatado ao desemprego dourado depois de ter visto a seleção brasileira por um canudo, ao bom estilo quem tudo quer, tudo perde. Para Jesus, nem Mundial de Clubes, nem escrete canarinho, ficando-se por qualquer coisa de que o treinador da Amadora parece gostar particularmente: um salto de cerca entre rivais, com o óbvio mediatismo daí adveniente (ainda que, convenhamos, passar do Al Hilal para o Al Nassr não seja a mesma coisa — é muito menos, ainda que, no dinheiro, possa ser muito mais… — do que trocar o Benfica pelo Sporting.
Porque estamos a falar da Arábia Saudita. Podem dizer o que quiserem, os dirigentes, jogadores e treinadores portugueses contratados pelo país do Golfo Pérsico, mas a Arábia Saudita e o seu campeonato são do terceiro Mundo do planeta Futebol, para lá das componentes sociais, políticas e humanas muito duvidosas, ao longo da história e dos comportamentos sauditas.
Fala o dinheiro em todos os momentos, quando nos referimos à liga saudita ou, por exemplo, à mais que duvidosa atribuição da organização do Mundial de 2034 à Arábia Saudita. Sim, o tal a que Cristiano Ronaldo se referiu como podendo ser «o melhor da história», no mesmo dia em que o seu país era anunciado como anfitrião do Mundial-2030…
E foi, claro, o dinheiro que falou mais alto na mudança de planos de João Félix para o Al Nassr, esse poderosíssimo conjunto, longe, até, de títulos domésticos há tanto tempo. Mas — e aqui está o turning point de todo este tema… — o jogador português pode ter dado o mais inteligente passo da sua vida. E não apenas da vida desportiva.
Vejamos: muda-se para o Golfo amparado por Cristiano Ronaldo e por Jorge Jesus.
Tem Jorge Mendes a olhar-lhe pela vida.
Vai ganhar, no limite, 35 milhões de euros líquidos por duas temporadas.
Entre uma e outra, ganha minutos de utilização, sem as responsabilidades e a pressão de uma liga a sério e efetivamente desafiante, podendo garantir um lugar na equipa portuguesa eventualmente apurada para o Mundial-2026. Se o tem conseguido com o sub-rendimento no Chelsea e no AC Milan, é previsível que o generoso Roberto Martínez o premeie, como faz com Cristiano, Rúben Neves, João Cancelo…
Fica livre do prazenteiro jugo árabe aos 27 anos, idade em que pode regressar ao futebol europeu, escolher um clube de topo (se, efetivamente, conseguir comprovar o seu inegável talento em potência), e relançar o seu nome, numa idade em que ainda poderá almejar a quase uma década sob holofotes de verdade.
É um jackpot para Félix, cujo pai escusava de vir a terreiro defender a felicidade de estar na Arábia Saudita.
Às vezes, prestamos melhor serviço aos nossos entes queridos calados do que dizendo coisas que só podem ser encaradas como brincadeira.
Félix foi, assim, resgatado. Tomará duche em petrodólares e talvez daqui a dois anos volte a ser uma boa aposta para jogar futebol a sério.

Cartão branco
Começa a ser recorrente, e ainda bem: João Pinheiro, depois da nomeação, pela FIFA, para a fase final do Mundial de sub-20, no Chile, é designado pela UEFA para apitar a Supertaça Europeia, entre Paris Saint-Germain e Tottenham. Em Portugal, continua meio mundo a bater na arbitragem e a projetá-la para o primeiro plano das preocupações. A partir de Badajoz e de Tuy, os juízes portugueses são do melhor, do mais valorizado e aproveitado. Neste retângulo há, de facto, uma opinião pública muito engraçada…

Cartão amarelo
A CAF (Confederação Africana de Futebol), continua a patrocinar adiamentos inqualificáveis aos seus principais torneios: o CAN-2024 feminino terminou a semana passada, em Marrocos; o CHAN-2024 está a começar, na Tanzânia, no Uganda e no Quénia; o CAN-2025 joga-se entre dezembro deste ano e janeiro de 2026. A credibilidade do futebol africano terá de começar a escrever-se de cima”, com o exemplo de estabilidade que os países potencialmente organizadores de competições internacionais devem dar. Assim, parece uma brincadeira de crianças…"

Morrer com a ideia… ou viver com inteligência?


"Darwin, no âmbito da teoria da evolução, ensinou-nos que sobrevive quem melhor se adapta ao ambiente, e não necessariamente o mais forte ou o mais inteligente. Uma ideia nascida na ciência, mas que podia ser o lema perfeito do futebol moderno.

Num tempo em que se idolatra o modelo de jogo quase como um dogma intocável, a sobrevivência e o sucesso no futebol não dependem da rigidez das ideias, mas da capacidade de ajustá-las à realidade. Um estilo de jogo deve ser adaptado à cultura do clube e também aos jogadores. E é neste princípio que assenta a crítica aos treinadores que preferem morrer com a sua ideia a viver com inteligência.
Por muito que o futebol moderno se tenha sofisticado, há verdades que resistem ao tempo - e há vozes, como a de José Mourinho, que continuam a desconcertar pela frontalidade com que as expõem. Numa recente entrevista, Mourinho lançou uma provocação que é também, acima de tudo, uma lição: Amigo, se morreste com a tua ideia, és estúpido! Não devias ter morrido.
A frase pode soar dura - porque é. Mas quem quiser ouvir para além do som das palavras vai encontrar nela uma defesa apaixonada da inteligência prática, da adaptabilidade e da liderança consciente e eficaz. Mourinho não está a atacar a integridade das ideias. Está a defender a inteligência do contexto. E essa, no futebol e na vida, vale ouro.
Vivemos tempos em que a estética parece ter ganho terreno ao pragmatismo. Em que treinadores jovens se agarram a modelos idealizados - muitas vezes copiados de gurus internacionais - e se recusam a abdicar do seu conceito de jogo, mesmo quando tudo à sua volta grita que não vai resultar. E quando o fracasso chega, ainda afirmam com orgulho: Morri com a minha ideia.
Pois bem. Morreste. E de quê serviu?
No futebol, a convicção é uma qualidade, mas a teimosia é um defeito. Um treinador não é apenas um estratega. É um motivador, um influencer de comportamentos, um gestor de recursos, um descodificador de pessoas e ambientes. Ter um ideal de jogo é fundamental. Claro que é. Não digo o contrário. Um ideal funciona como uma bússola: dá orientação e direção. Mas não é um GPS infalível. A estrada muda. O trânsito complica. A viatura às vezes é outra. E quem não souber reajustar a rota arrisca-se a nunca chegar ao destino.
A história do futebol está repleta de ideias bonitas e equipas que jogavam muito à bola… mas que perdiam. Os grandes treinadores — e Mourinho é um dos maiores de sempre — não venceram e ficaram famosos por jogarem sempre da mesma forma. Ficaram com o nome gravado a ouro na história do futebol porque souberam liderar pessoas antes de treinar atletas. Souberam guiá-las ao sucesso, extrair o melhor de cada uma e vencer em palcos e contextos diferentes. Já assumi publicamente que gosto genuinamente de Mourinho. Já fui criticado por isso, mas nunca virei as costas aos meus — e ele é um dos meus. Quem é meu, sabe-o.
Conhecemo-nos há 20 anos e, por isso, não consigo separar o que ele representa para mim da gratidão e do respeito que lhe devo. Mas uma coisa é pessoal, outra é factual: ninguém, com seriedade, pode colocar em causa aquilo que Mourinho conquistou. José Mourinho venceu em Portugal, Inglaterra, Itália e Espanha. É, até hoje, o único treinador a conquistar todos os troféus europeus de clubes. E fê-lo não por impor um modelo único ou uma filosofia inflexível, mas por saber ler o jogo fora das quatro linhas: adaptar-se ao contexto de cada clube, às exigências de cada campeonato e às características do grupo de jogadores que tinha à disposição. O seu sucesso nasceu da capacidade de interpretar o ambiente, gerir pessoas e ajustar ideias para transformar equipas em campeãs. É por isso que acredito que, na Turquia, também deixará a sua marca de vitória — se o clube lhe der as condições para tal. Mas essa é outra discussão, e não o tema central deste artigo.
Além de JM, recordo Guardiola que venceu em Barcelona, Munique e reinventou-se no City. Klopp adaptou-se ao Liverpool. Ancelotti e Luís Enrique são outros dois exemplos máximos da inteligência tática ao mais alto nível. Nenhum génio sobreviveu a longo prazo por teimosia.
É por isso que Mourinho diz: Eu também tenho o meu ideal e construí o meu ideal quando o podia construir. Quando? Quando teve os jogadores certos. O contexto adequado. O tempo necessário. A estrutura que permitia emergir o tal ideal. O ideal, por mais puro que seja, não pode viver isolado da realidade própria de cada clube. Se não há um central rápido, não é possível jogar com a linha subida. Se os avançados não pressionam, não servem de exemplo ao modelo do Guardiola. Se os médios não sabem construir, não há saída de bola apoiada que resista. Se os laterais não têm profundidade, jogar em 3-4-3 com alas projetados é suicídio. Se não há um ponta-de-lança capaz de segurar a bola no jogo direto, os lançamentos longos só vão entregar a bola ao adversário. Se o guarda-redes não tem jogo de pés, tentar começar cada ataque pelo chão é pedir para sofrer golos evitáveis.
Um treinador com ideias fixas que se recusa a adaptar-se ao que tem à disposição está a falhar numa das suas principais obrigações: servir a equipa. Servir os jogadores. Servir o clube. Servir os adeptos. Não é ele que joga. São onze, com qualidades, limitações e estados emocionais. Um treinador-líder eficaz não é o que força os jogadores a se adequarem à sua ideia. É o que molda a sua ideia base à medida dos seus jogadores e os faz acreditar nessa mesma ideia.
A nova geração de treinadores é mais estudada do que nunca. Mas também é, algumas vezes, mais vaidosa. Há quem confunda identidade com rigidez. Há quem ache que ceder ao contexto é trair os seus princípios. Quando, na verdade, é o contrário: é honrá-los. Adaptar-se não é desistir. É resistir. É encontrar o caminho possível para continuar a lutar pelos mesmos fins.
Mourinho, ao chamar «estúpido» a quem morre com a sua ideia, está a provocar? Sim. Mas está também a ensinar. Está a dizer: pensa. Ajusta. Sobrevive. Aprende. Cresce. Porque liderar é, também, ler os sinais, tomar decisões difíceis quando o contexto exige, e nunca perder o foco do essencial: a equipa.
Morrer com a ideia pode parecer nobre. Dá bons títulos para publicações e stories nas redes sociais. Dá entrevistas poéticas. Mas viver com inteligência dá vitórias. Dá equipas competitivas. Dá carreiras longas.
E, no fim, é isso que separa os idealistas dos líderes. Os teimosos dos estrategas. Os que morrem com ideias dos que constroem ideias para vencer. Goste-se ou não, José Mourinho construiu sempre ideias com um propósito claro: ganhar. E a sua carreira é o reflexo dessa excelência prática — feita de inteligência adaptativa, liderança contextual e uma impressionante coleção de vitórias e títulos nos principais campeonatos e em todas as competições europeias. Não venceu porque teve sempre a melhor equipa. Venceu porque soube ser um líder eficaz e soube retirar o melhor dos jogadores que tinha à sua disposição."

Tony: Brahim Diaz no radar do Benfica

Zero: Mercado - Brahim Díaz e Paulo Dybala, os mais recentes alvos do Benfica

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Luís Filipe Vieira é a "antiga namorada" já em modo campanha

PortuguessesSoccer: Domestic Season Begins! Transfer Market Heats Up, Interview with Record Portugal Executive Editor

Zero: Ponto Final - O 11 de Jorge Gonçalves...

BolaTV: Entrevista - Duarte Gomes...

O Tio Patinhas de Liverpool


"Lembram -se da expressão «show me the money!» que Cuba Gooding Jr repetiu N vezes durante o filme Jerry Maguire?
O que na época podia ser uma «Américanice», tornou-se - e sem qualquer dúvida essencial - durante o que chamavam o Defeso um espaço longo preenchido pela Volta e alguns Veraniegos como o famoso Ramon Carranza disputado em Cádiz.
A Oitava inicia a época 25/26 a falar de dinheiro, muito dinheiro mesmo.
Quantias que nos deixam sentados, tal como o eterno Chalana fez com o autor desta vossa rubrica num dia de praia em Vila do Conde. E tal como Pogacar no Tour, a camisola amarela das transferências pertence ao Liverpool.
Se a quantia de 270 milhões de libras com a mudança de Florian Wirtz para Anfield for associada à possível transferência de Alexander Isak, o banco ao estilo Tio Patinhas poderá ultrapassar os 400 milhões!
E o que faz a PSR [Profit and Sustainability Rules] da Premier League?
As contas são complicadas. Embora seja importante ter nos dias de hoje literacia financeira, as 58 milhões de libras de prejuízo do triénio 2021/ 2024 poderiam deixar os reds em maus lençóis. Mas não.
O facto é que para as contas finais contam os gastos na renovação de Anfield Road, os gastos com a Academia e ainda a equipa feminina e a acção social do clube.
Isto significa que mesmo com as aquisições de Wirtz ou Isak - e os descontos acima citados - o Liverpool esteja em magnífica saúde financeira.
Como dizia Cuba Gooding Jr, o Liverpool pode mostrar a «pasta» sem quaisquer problemas.
O Futebol continua a ser «bola na rede» mas uns euritos ou libras a mais não fazem mal a ninguém…"

Mundial enriquece Brasileirão


"Os clubes brasileiros levaram o Mundial de Clubes muito mais a sério do que os clubes portugueses porque têm mais fome de competição com os maiores gigantes do futebol europeu, com quem Benfica e FC Porto, no caso, se encontram ano após ano, sem novidade, nas competições do Velho Continente.
E, por outro lado, porque, por causa desse relativo desconhecimento, sabiam que a prova norte-americana serviria de montra para exporem os principais talentos locais.
Os maiores negócios de águias e dragões neste mercado, Álvaro Carreras e Francisco Conceição, foram concluídos independentemente da prestação do lateral espanhol e do extremo português no Mundial. O mesmo Mundial, pelo contrário, foi essencial para o equilíbrio orçamentário de Flamengo, Fluminense, Botafogo e Palmeiras em 2025 e até nos anos vindouros.
Comecemos pelo verdão que negociou o dinâmico e habilidoso médio colombiano Richards Ríos precisamente para o Benfica por 27 milhões de euros, fora objetivos. Foi a quinta maior venda do clube, só superada pelas das jóias teens Estevão, para o Chelsea, Endrick, para o Real Madrid, e Vítor Reis e Gabriel Jesus, para o Manchester City. Ríos não era um jogador incógnito, mas o à vontade demonstrado nos EUA tornou-o uma certeza.
O Fla, mesmo investindo incríveis 43 milhões de euros neste verão (no Brasil é inverno, na verdade), arrecadou quase 45 milhões pós-Mundial com as transferências dos internacionais brasileiros Gerson (Zenit) e Wesley (Roma), também dois jogadores já no radar europeu, mas que se emanciparam de vez internacionalmente na nova prova da FIFA.
Por sua vez, o Flu negociou por 20 milhões para o Wolverhampton, de Vítor Pereira, um dos melhores jogadores do subcontinente sul-americano desde há umas três épocas, Jhon Arias, quase um mistério ainda na Europa.
O fogão, entretanto, somou 38 milhões com a negociação de três atletas nucleares que se destacaram nos relvados norte-americanos: o atacante Igor Jesus e o defesa Jair foram, por 20 e 12 milhões respetivamente, para o Nottingham Forest, de Nuno Espírito Santo. E Gregore, por seis, para o Al Rayyan, do Catar.
Com os quatro cavaleiros brasileiros do Mundial enriquecidos, enriquecerão também os rivais, em quem eles necessariamente investirão a seguir à procura de substitutos.
Num momento em que dos Estados Unidos só chegam notícias preocupantes e ameaçadoras para todos os setores da economia do Brasil — Donald Trump decidiu-se por um tarifaço de 50 % ao país por razões políticas e ideológicas —, o Mundial de Clubes americano surge como oásis para as finanças dos clubes. Por isso, no Brasil já só se pergunta quando será o próximo."

Gostava de ver os 'palhaços' felizes


"Cada vez mais o tema da saúde mental está em cima da mesa e na boca dos atletas. Sobretudo na dor da derrota, tantas vezes solitária onde a resiliência devia merecer uma vénia. Pelo esforço tantas vezes não recompensado, conforme Tiago 'Saca' Pires alertou esta semana

Adorava que Kika Veselko, Yolanda Hopkins, Teresa Bonvalot, Frederico Morais, Afonso Antunes e todos os outros portugueses que sonham entrar no circuito mundial de surf tivessem sucesso.
Gosto de surf. Sempre gostei. Acho que a ideia romântica de correr mundo, com o ar mais descontraído, mesmo que isso não corresponda à realidade, sempre me encantou. Gosto de ficar na areia a ver a luta, quase sempre honesta, com a natureza e como lidam com os caprichos do mar. Esta semana, Tiago Pires, que aprendi a admirar pelo que fez pelo surf nacional, colocou o dedo numa das feridas quando disse que era preciso pagar «aos palhaços do circo», alertando para uma vida passada longe de casa durante meses a fio e bastante mais mal paga quando comparada com o futebol, claro.
No surf, como no motogp, como no ténis, há uma solidão na viagem, na vitória, na derrota, que se dilui nas modalidades coletivas e até mesmo em algumas individuais. Mesmo quando Fernando Pimenta vai sozinho no K1, quando a judoca Patricia Sampaio pisa o tatami ou Diogo Ribeiro entra na piscina, há, por norma, uma seleção que está por perto, alguém que sofre das mesmas dores, a quem lançar um olhar a pedir conforto quando tudo corre mal, ou um sorriso de felicidade se a marca caiu ou a medalha está a caminho.
Observo, semana após semana, como Nuno Borges celebra as vitórias, engole as derrotas e não desiste de voltar na semana seguinte. Sim, eu sei que é profissional, que é a vida que escolheu, que faz parte, etc. Mas não deixo de pensar que não ganham milhões. Nem ele, que é o melhor, nem Jaime Faria ou Henrique Rocha, que correm mundo com a trouxa às costas atrás da vitória que lhes vai mudar o destino.
Vejo Miguel Oliveira, por exemplo, que tem um colega de equipa que é neste momento o seu maior adversário. Quando as luzes se apagam e os motores se desligam volta sozinho para casa.
Não quero ser mal interpretada pelos protagonistas das modalidades coletivas. Gosto da adrenalina, gosto dos golos, dos cestos espetaculares, dos remates inacreditáveis, gosto da disputa. Não gosto de lágrimas, lido mal com a tristeza. Ao longo dos anos que levo de jornalismo, deixei de gostar de clubes. Gosto das pessoas, independentemente da cor que vestem quando estão a jogar. E, às vezes, acabo de ver um jogo a torcer para que empatem. Para ninguém ficar triste Sporting empatou na Polónia e festejou top 8 europeu.
Ainda assim, nas modalidades coletivas há sempre alguém que sofre com os sofredores, os outros companheiros de desaire, e a dor partilhada tem uma cara diferente.
Não gosto de perder, pelo contrário, mas a idade traz destas coisas e aprendemos a reconhecer quando os adversários são ou estão mais fortes.
Fala-se cada vez mais em saúde mental dos atletas. Às vezes, receio até que se comece a banalizar o tema, mas é preciso uma determinação inabalável para todas as semanas levar com um pano encharcado na cara e continuar a levantar-se."

BolaTV: Hoje Jogo Eu... - Miguel Nunes...

sábado, 2 de agosto de 2025

Matic ❤

Getting started 🔥

O Benfica Somos Nós - S05E02 - Supertaça...

Terceiro Anel: Bola ao Centro #143 - Conquistámos a 10.ª e o regresso ao trono!

Entrevista: Luís Filipe Vieira...

Rui Pedro... Traz


"No seu último mercado de transferências no Benfica, o diretor-desportivo tem sido decisivo na ponta final dos negócios. Segue-se, muito provavelmente, a Juventus na carreira de Braz

Nunca foi figura consensual no universo benfiquista e convenhamos que dificilmente seria, sobretudo depois de quase uma década como protagonista de diferentes formatos televisivos, em particular na TVI e na TVI24 (hoje CNN Portugal), com opiniões muitas vezes polémicas, daquelas impossíveis de a todos agradar.
Porém, e apesar de muitos adeptos torcerem o nariz ao seu trabalho, há um facto indesmentível e que se tornou claro naquele que será o seu último mercado como diretor desportivo das águias: quando foi chamado a viajar para fechar negócio, Rui Pedro Braz cumpriu; aconteceu já este verão quando foi a São Paulo para trazer Richard Ríos e, de novo, quando foi à Bélgica para trazer Ivanovic, o primeiro a troco de 27 milhões de euros e o segundo por 22,8, valores que colocam a dupla no top 5 dos mais caros de sempre da história encarnada.
Em resumo, o Benfica quer, Rui Pedro Braz traz. E foi precisamente esta última frase que, muito mais a sério do que a brincar, me trouxe até à elaboração desta crónica. O «Braz traz» — podia perfeitamente ser o slogan do dirigente no cartão de visita, pelo menos à vista dos últimos tempos. E foi, ao ouvir-me pensar em voz alta, que um camarada de redação foi um pouco mais além: «Rui Pedro... Traz!» E trouxe. Resta saber se trará mais algum reforço para a Luz. Ou se os próximos já serão na... Juventus, gigante italiano com o qual o ainda dirigente benfiquista estará muito próximo de chegar a acordo para assumir em Turim iguais funções a partir do final de 2025.
Faço, neste instante, uma declaração de interesses, que talvez pudesse ter feito logo no início do texto: nunca lidei, nem pessoal, nem profissionalmente, com Rui Pedro Braz; ainda assim, pelo peso mediático que tem há quase 15 anos, é natural que tenha formado a minha opinião sobre a personagem; e admito que não morro de simpatia pela mesma e sempre lhe encontrei alguns tiques irritantes; mas, pelo trabalho público, pela dedicação e profissionalismo de que me falam aqueles que o rodeiam, é uma figura que respeito e em relação à qual reconheço qualidades. O Benfica decidiu virar a página e ir por outro caminho. O dele será, muito provavelmente, na Juventus de Francisco Conceição e João Mário."

Benfica: o estádio das eleições


"Escrevo esta crónica com a consciência de que, em parte, poderá envelhecer mal. Faço-o antes de se disputar a Supertaça, sem saber o que o jogo trará. Quem lê estas linhas já conhece o desfecho. Mas já lá iremos.
Nos últimos tempos, o universo benfiquista tem sido atravessado por um tema dominante: as eleições de outubro. Era inevitável que assim fosse. E continuará a ser assim até ao último dia. A vida do Benfica não se resume a noventa minutos de jogo. Vive da paixão, das decisões, dos caminhos que se escolhem. E não há momentos mais sérios, mais íntimos, mais nossos, do que uma eleição.
É por isso que, até ao dia em que os sócios forem chamados às urnas, darei neste espaço atenção reforçada a esse processo. Porque votar no Benfica não é apenas um direito. É um gesto de pertença. Um sinal de compromisso. As eleições não são apenas nomes ou promessas. São escolhas com alma. Escolhas que dizem muito sobre o futuro, mas também sobre aquilo que queremos continuar a ser enquanto clube.
Quero, desde já, deixar clara a minha posição sobre um dos temas que mais ruído costuma causar: quem deve ou não deve ser candidato. A resposta, para mim, é simples. Todos os que querem e podem sê-lo, têm esse direito. Não me cabe, enquanto sócio, julgar quem entra na corrida. O meu papel, e o de todos nós, começa depois. Começa na escuta, na análise, na comparação e, por fim, na escolha. Porque os sócios não afastam. Os sócios escolhem. E fazem-no com o coração cheio, com a cabeça no lugar e com a esperança de sempre. Ver o Benfica ganhar.
Os últimos dias foram vividos intensamente. O aparecimento de novos candidatos a candidatos e o anúncio da renovação do estádio e da sua zona envolvente dominaram o comentariado futebolístico diário. Comentariado esse onde o Benfica é o centro de tudo, uma espécie de Rei Sol à volta do qual o futebol nacional gira. É o preço a pagar pela sua grandeza. E também a consequência natural de ser o clube mais seguido, discutido e amado do país.
Antes de regressar aos acontecimentos mais recentes, deixo apenas uma nota. Penso que todos os putativos candidatos a destronar Rui Costa começam com um erro. O erro de dizer que tudo foi mal feito durante o seu mandato e que os resultados desportivos são prova disso. Sei bem que, em tempo de campanha eleitoral, existe uma tendência natural para o exagero. É compreensível. Mas não me parece uma análise justa. Nem me parece favorável a quem se apresenta como alternativa. Uma candidatura é tanto mais credível quanto mais certeiro for o diagnóstico que faz do passado. Só com uma leitura séria e ponderada dos últimos quatro anos se pode demonstrar solidez nos projetos que se propõem para o futuro.
De forma muito resumida, até porque acredito que voltarei em futuras crónicas a uma análise mais detalhada sobre o mandato de Rui Costa, importa dizer que tudo começou da pior forma. Com instabilidade, com apreensão, com incerteza. O mandato arranca, como todos nos recordamos, com a detenção de Luís Filipe Vieira. Prossegue com a, até hoje, não esclarecida novela entre Jorge Jesus e o Flamengo. Tudo ingredientes mais do que suficientes para que qualquer clube demorasse a reencontrar o seu equilíbrio.
Ainda assim, no ano seguinte, o Benfica foi campeão. Perdeu os dois últimos campeonatos. E em ambos, bastaria que o nosso rival não tivesse contratado um ponta de lança tão decisivo, e provavelmente teríamos vencido. Digo provavelmente quando falo dos dois. Se me referisse apenas ao último, diria seguramente.
Na Europa, temos conseguido honrar o nosso passado e, ao mesmo tempo, amealhar recursos importantes para continuar a construir o nosso futuro. Essa é uma frente onde o Benfica tem estado à altura da sua história.
Com isto considero eu que não houve falhas? Que não deve haver mudanças?
Não, claro que não. Houve falhas, certamente. E, seguramente, há espaço para mudanças. Como, aliás, deve haver sempre. Mesmo quando vencemos consecutivamente. A única questão é se construímos essas mudanças a partir de uma base correta ou apenas de uma base que nos parece mais favorável do ponto de vista eleitoral.
Se no ano passado, em vez de Gyokeres, o Sporting tivesse tido outro avançado que, em vez dos 39 golos marcados pelo sueco, tivesse feito, por exemplo, 20 golos no campeonato, e já seriam bons números para um ponta de lança em Portugal, e o Benfica tivesse sido campeão, estaria tudo bem no Benfica? Tudo poderia e deveria continuar igual? Não. Penso igualmente que não. Mas reparem. Bastava mudar um elemento, e não seria dentro do Benfica, para que a análise que alguns fazem hoje sobre o trabalho realizado mudasse por completo. E isso, por si só, já devia fazer pensar.
Talvez por isso, nos últimos dias, o nome de Sérgio Conceição tenha criado apenas distração, enquanto o projeto Benfica District gerou tração. Talvez por isso, muitos digam que o que irá decidir as eleições serão os resultados do Benfica até ao dia do voto. Tivessem sido os últimos anos marcados por erros históricos, e não seriam três meses que os apagariam.
O Benfica District captou a atenção de sócios e adeptos. É um projeto que convoca o Benfica para o futuro, deixando espaço, pela simples razão de ainda ser apenas um projeto, para sofrer alterações ou até mesmo para ser abandonado. Essa será uma decisão da próxima direção do clube. Penso que se trata de um tema marcante, e que nem o dizer mal apenas por dizer, nem projetos feitos no micro-ondas, serão a melhor forma de os candidatos responderem a este remate de Rui Costa. Em futuras crónicas irei analisar com mais detalhe as candidaturas que já vamos conhecendo. Algumas que, com alguma surpresa, vejo crescer de forma consistente. Outras que, apesar das promessas iniciais, sinto irem perdendo tração à medida que o tempo passa.
Mas talvez, como disse no início, esta crónica envelheça mal. Talvez, para meu profundo desgosto, o Benfica não tenha vencido a Supertaça. E, nesse caso, veremos nos próximos dias cada candidatura tentar ganhar espaço com nomes de treinadores. Vamos aguardar. E continuar a analisar."

A dolorosa vida depois de Viktor Gyokeres


"Época 2025/26 arranca a vermelho, mas esta Supertaça não vai deixar saudades. Vazio de ideias em Sporting e Benfica e todo um novo mundo para o leão conhecer sem o homem da máscara

As expectativas eram altas, mas os adeptos que foram ao Estádio Algarve ou ligaram a televisão para seguirem o terceiro dérbi decisivo, depois da penúltima jornada da Liga e final da Taça de Portugal da época passada, saíram defraudados, tamanha foi a incapacidade mostrada pelas duas equipas para proporcionar um jogo minimamente agradável.
Depois do falhanço nos dois dérbis frente ao Sporting na reta final de 2024/25 e de os folhetins Thiago Almada e João Félix terem saído pela culatra, era fundamental, para Bruno Lage, que a equipa deixasse outra imagem e mostrasse que este é, de facto, um novo Benfica. Mas não foi o que aconteceu, já que, depois de uma boa primeira parte frente ao Fenerbahçe (Eusébio Cup), Bruno Lage deixou cair o elemento diferenciador desses 45 minutos — João Veloso — para, com Leandro Barreiro, deixar a equipa presa e com enorme dificuldade em encontrar os caminhos para a baliza.
É evidente que esta é ainda uma águia incompleta e que precisa de uma grande injeção de qualidade para o último terço, já que perdeu Di María, um dos poucos fantasistas e capazes de ver para lá do óbvio, e não entrou ninguém. Falta-lhe rasgo e Pavlidis foi um oásis, decidindo o jogo num lance em que Rui Silva deu uma ajuda. Terá respirado fundo e de alívio Bruno Lage assim que Fábio Veríssimo fez soar o último apito, mas o Benfica terá de ter outro andamento se não quiser ter surpresas no caminho para a fase de liga da Champions.
No leão, Rui Borges quer arrumar de vez com a versão Ruben Amorim e por isso está a trazer de volta o 4x2x3x1 que já tinha tentado implementar quando agarrou na equipa, no final do ano passado. Depois da dobradinha, é legítimo que o queira fazer, mas alterar de forma tão drástica as rotinas que este plantel já conhecia de trás para a frente ao mesmo tempo que a equipa se viu privada de um dos melhores jogadores da sua história — representando somente 97 golos em 102 jogos — poderá ser um passo demasiado grande para se dar neste momento. Será duro o caminho depois de Gyokeres, o portento que decidia quando a equipa não aparecia até porque Harder, ontem, mostrou-se muito trapalhão.

P.S. André Villas-Boas terá certamente sorrido ao saber da condenação de Fernando Madureira na Operação Pretoriano. Teve coragem para o enfrentar e finalmente houve coragem para colocar atrás das grades uma pessoa nociva para o futebol português, que precisa de paz."

João Félix: há algo de errado que não está certo


"Deveríamos fazer um minuto de silêncio pela carreira que estamos a ver desaparecer. João Félix já não parece ter volta depois de tantas promessas por concretizar. Como é que permitimos isto?

Algo de errado não está certo. É assim que gostamos de o dizer entre nós desde que nos conhecemos — uma verdade lapaliciana que faz mais sentido quanto menos sentido o mundo parece fazer. E é assim que penso em João Félix. Deu errado, mas isso não pode estar certo. Ou será que está?
É cada vez mais difícil escrever sobre o João. A cada palavra afastamo-nos de um destino que deveria ter sido grandioso, o mesmo que ele próprio teima em renegar a cada decisão. Escrevi-o há poucas semanas e repito: João Félix jogaria sempre na minha equipa. Só que a probabilidade de ele a escolhesse seria nula.
Não sou de criticar decisões. Nem todas são fáceis e se tomamos uma difícil então temos de saber viver com ela. Sempre que era para virar à direita, seguiu pela esquerda. Quando era para acelerar em frente inverteu a marcha. De cada que se pensava que não podia ser pior, o bom do Murphy temeu pela Lei que, por infelicidade, terá inventado. Dizemo-lo nós e devemos mesmo ter razão.
Não consigo imaginar que alguém que vê o que poucos vislumbram sequer em campo cegue por completo fora dele. Ou então, decidiram e confiou, suportando o engano, quando se apercebeu, no canto mais escuro da sala. Se resolveram por ele, se assinou em cruz, percebo porque falhou. Para vingar, é preciso saber dizer não. Ou um nim que seja.
O que mais me irrita são todos os sem-noção que festejam cada travessia no deserto. Aqueles de vistas curtas que nunca encontraram o talento atrás da camisola que odeiam e, mesmo que não a use há muito tempo, não conseguem esquecer. Quantas vezes repetiram que nunca o acharam nada de especial, que foram só seis meses, que não convence desde a Luz, que lhe falta atitude, que precisa de imitar Ronaldo ou um treinador que o ponha na linha? Simeone, o tal que não é culpado, falhou, Conceição falhou. Será que JJ vai acertar? Se tudo na vida fosse tão fácil…
O futebol corre-lhe rápido nas veias, mais do que a qualquer outro. Cada jogo que faz parece saído de uma pelada com amigos.
Muitos olham agora para Cholo e dão-lhe razão. Mas, sem Félix, o Atleti nunca foi espetacular e poucas vezes foi realmente ganhador. Investiu muitos mais milhões e continuou a desperdiçar talento. Pode não ser culpado pelo português, porém os que o sublinham deveriam assistir a vários jogos por dia dos colchoneros, ao estilo Laranja Mecânica, de fórceps nos olhos, a segurá-los bem abertos para não escaparem da agonia. Do horror.
Muitos falharam, mas o primeiro a fazê-lo foi o Atlético, que pagou por um novo Ronaldo ou novo Messi, não percebendo que aquele que lhe ia chegar às mãos não era um líder. Muito menos um saído de um desses moldes. Falharam todos os que não perceberam que tinham falhado. O Chelsea, o Barcelona, o Milan, o próprio João.
Era irreverência, confiança, mas não aglutinador. Essa personalidade nunca a teve. Ser líder não é só levar a equipa às costas. É suportar o peso das derrotas, encarar o mundo com fome de vitória, com raiva se necessário. Félix vive numa realidade paralela. Uma em que só ele consegue entrar.
Hoje, no entanto, o Atlético, que talvez tenha sido a única vez em que realmente não teve escolha, porque não poderia estragar o negócio ao Benfica, já tem de ser passado. Tal como todos os outros.
O Chelsea era uma casa em ruínas, sem treinador a sério, sem plano, sem rumo. Foi expulso na estreia por ser agressivo demais, quem diria? Marcou alguns golos, assinou uma ou outra assistência, mas deixou sobretudo pormenores. Promessas. Talvez a maior oportunidade desperdiçada tenha sido o Barcelona, porém também nessa altura Xavi andava confuso. Nunca se percebeu bem o que queria. E acabou arrastado pela corrente. Seguiu-se um Milan em estado de sítio, com Sérgio Conceição a não deixa pedra sobre pedra por todo o San Siro. Tem desculpas se quiser, mas já ninguém as quer já ouvir.
A carreira de Félix, como a imaginámos, acabou. Podemos negá-lo, empurrar a ideia com a barriga para a frente, lembrar que ainda tem tempo. Todas as decisões levaram-no até aqui. O seu deserto pode ser literal ou figurado: pode durar dois anos, quatro ou ser eterno. Contudo, mesmo que regresse, será sempre outro. O de 2019 fez-nos sonhar. O de 2025 obriga-nos a lamentar: ‘Porquê, meu Deus, porquê?' Há algo de errado que não está certo. Há talento e escolhas que não se entendem. E há carreiras que, quando se torcem cedo demais, ficam marcadas para sempre.
Félix escolheu a Arábia. O Al-Nassr do Ronaldo-exemplo e do Jesus-mentor. Até pode haver ali algum plano, mas não é isso que está em causa. É o contexto, o momento, o sinal que se dá ao mundo. Aos 25 anos, quando ainda devia querer conquistar a Europa e o resto do planeta, Félix escolhe o exílio dourado. Pode ganhar títulos, pode marcar golos, mas os poucos que o quiserem ver desde a Europa vão olhar com um dedo esticado e um eu avisei na ponta da língua. Será sempre uma outra versão, que não ao escapou ao paradoxo: para ser competitivo, terá de se rodear de menor competitividade. E o problema é que isso parece servir-lhe.
Talvez o problema seja nosso. Talvez tenhamos visto nele um líder quando era apenas um jovem esteta sonhador. Talvez tenhamos feito dele bandeira de uma geração que não quis representar. Alguém que simplesmente se queria divertir sempre que o mandavam entrar em campo. Alguém a quem esqueceram de retirar o rótulo.
Um outro sonhador diria: talvez ainda volte. Talvez o deserto lhe mostre a sede de ser mais, de ser tudo aquilo que deveria ser. Não acredito. Ele próprio já terá desistido e é apenas uma promessa à deriva. Um talento perdido nas próprias escolhas. Um malabarista a fazer truques no deserto, distraindo-nos dos pregadores. Um prodígio que se esqueceu do caminho de volta.
E uma história que, por mais que custe dizê-lo, parece estar a fechar-se. Sem clímax. Sem final feliz. E não se livrará de uma pergunta que o acompanhará para sempre: como é que algo certo deu tão errado?"

SportTV: Primeira Mão - Quando os Jogadores Escolhem NÚMEROS MALUCOS! 🤯

SportTV: Mercados - Reforço Leonino em Lisboa e Palhinha de regresso a Inglaterra...

Zero: Mercado - Live - Supertaça obriga a idas ao mercado?

Zero: Mercado - Último mês promete!

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Benfica rei no Algarve: o raio-x à noite de Loulé

Zero: Ataque Rápido - S07E01 - Benfica bate Sporting e a época arranca

Observador: E o Campeão é... - Supertaça. Benfica venceu sem convencer

Observador: Três Toques - Quem são os portugueses mais valiosos do mercado do futebol?

É nossa!


"O Benfica conquistou a 10.ª Supertaça Cândido de Oliveira do seu palmarés ao ganhar, por 0-1, frente ao Sporting. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Vitória justa
Na opinião do treinador do Benfica, Bruno Lage, os encarnados foram "justos vencedores". "Fomos melhores. Determinante [foi] a vontade dos jogadores em se prepararem em 15 dias para jogar este jogo. Foi esse o segredo. E, claro, o apoio fantástico dos nossos adeptos", frisou.

2. Reações dos jogadores
Pavlidis, autor do golo solitário da partida e considerado o Homem do Jogo, afirmou: "Estamos de volta e cheios de energia". Barrenechea salientou que foi "muito bonito começar assim com uma vitória". Barreiro considerou que "o primeiro título da época é muito importante". E António Silva referiu "um objetivo da época que já foi cumprido".

3. Ângulo diferente
Veja, de outro ângulo, o golo do Benfica frente ao Sporting.

4. Reforço
Ivanovic, jovem avançado internacional croata proveniente do Union Saint-Gilloise, já está às ordens de Bruno Lage. "Quero ganhar títulos com o Benfica", vincou.

5. Plantel mais completo
Pany Varela, ala internacional português, junta-se ao futsal benfiquista.

6. Acervo mais rico
O Museu Benfica – Cosme Damião recebeu mais 29 troféus de 9 modalidades diferentes.

7. Futebol inclusivo
A Fundação Benfica está presente na Genuine Cup Houston 2025, nos Estados Unidos da América.

8. Casa Benfica Reguengos de Monsaraz
A BTV dá a conhecer esta embaixada do benfiquismo."

AA9: Liverpool BREAK Transfer Record For Isak | Joao Felix To Al Nassr…

BolaTV: Reportagem - Malo Cricket...

Tailors - Final Cut - S04E01 - Rafa Mujica

Central: Ele quase acabou com o Benfica: Quem foi Nuno Themudo?

Central: O Verão Quente de 1993: Escândalo na Luz!

Central: A História de António Simões: O Mais Jovem a Vencer a Champions

Golo...

𝟭𝟵𝟬𝟰, 𝟭𝟵𝟬𝟰!!!!

Eu amo o Benfica 🥰

Bullying...!!!

Vinte e Um - Como eu vi - Supertaça...

Quezada: Supertaça...

Esteves: Supertaça...

Terceiro Anel: Supertaça...

1904! 1904! 1904!


"Sporting 0 - 1 Benfica

Calor tórrido em Faro-Loulé. Hoje já é a doer. Carrega Benfica!!!
Defendi que o Benfica não pusesse aqui os pés, mas, como veio, cá estou para apoiar. Não dá para virar as costas à equipa. Jamais.
Barreiro no lugar do João Veloso, aposta de Lage para dar mais experiência ao meio campo.

VAMOS LÁ AO JOGO (desde as bancada poente, piso inferior)
06 vêm cá baixo e já marcam? VAR anulou. Querem ver que o VAR vai funcionar hoje?
14 o Enzo a parar jogadas com faltas, e vão três, acho bem, mas se leva amarelo fica limitado.
17 um granda brinde do Gonçalo Inácio para nada, não se pode desperdiçar oportunidades destas...
20 o Ríos tem que jogar mais do que fez nestes primeiros 20 minutos.
24 shôr Veríssimo, agora não é amarelo? Para o Dedic há pouco foi.
29 este Diomande acha que pode fazer o que quer, e normalmente pode. Agora levou amarelo e ficou escandalizado.
35 jogo fraco de parte a parte. Alguma defesa do Trubin ou do Rui Silva? Fogachos de um lado e do outro. E foi tudo. 42 este bandeirinha é o do Jamor? Barreiro abalroado nas barbas dele e não viu nada?
45+1 não gostei do que vi, este jogo de grau de dificuldade elevado veio cedo demais, todos sabemos, mas o nosso jogo tem ainda muita falta de criatividade e objetividade. Zero remates enquadrados, deles também zero, 45 minutos deitados fora. Devem-me 20 dos 40 euros que paguei.
46 tudo igual, precisamos de imprevisibilidade. Prestianni? Schjelderup?
50 PA-VLI-DIIIIIIIIS!!! O Mauro aqui ao meu lado tinha acabado de dizer que era jogo para quem marcasse primeiro. Será? Vamos!!!
59 ui que o Rui Silva tirou um golo cantado ao Pavlidis, o grego a mostrar o (muito) que vale.
65 ó Barrenechea, é assim mesmo, é com tudo, sempre, e como o nosso meio campo precisava deste espírito de combate.
70 eles metem três novos lá para dentro, talvez não fosse mau fazermos o mesmo, temos pouco mais de duas semanas de preparação...
78 António no chão. Eles mandam vir? Não se lembram do que fizeram toda a segunda parte na Luz?
80 amarelo para o Hjulmand? Ena!!!
82 fdx, ca ganda corte do António! Valeu por um golo. 88 eles fazem falta e querem penálti! Estão tão mal habituados...
89 bem entendi agora a entrada do Barreiro no onze... que belo jogo, que entrega!
90 mais 6!
90+3 Trubin do nada no chão... para a equipa meter ar?
90+5 os jogadores do clube que se diz diferente não devolvem a bola, parabéns para o fair play do doutor Varandas
90+8 já está, crl! Benfiiiicaaaaaaa!!!
Resultado importantíssimo para lançar a equipa para a eliminatória com o Nice. Para além do troféu, claro está!"

No meio de tantas caras novas, foi o “velho” Pavlidis a dar a Supertaça ao Benfica


"O Benfica bateu o Sporting por 1-0 no Estádio Algarve, num encontro em que Bruno Lage apostou em vários reforços para o onze titular. Mas no final seria Vangelis Pavlidis a marcar e a empurrar a equipas nos momentos mais difíceis e quando os encarnados carregaram

Ponham Enzo, Richard, Amar, mas a música continua a ser tocada por Vangelis. Num Benfica já com várias caras novas na equipa titular, foi Pavlidis, como tantas vezes na época passada, o fator diferenciador, com os encarnados a conquistarem o primeiro título da época 2025/26, com vitória por 1-0 frente ao Sporting. O grego marcou no início da 2.ª parte, mas mais que isso continua a ser a força motriz, o garante de vontade, a energia e muitas vezes o que resta de criatividade na equipa de Bruno Lage, a expiar alguns dos fantasmas que tinha às costas desde o final da temporada passada - mas ainda com muitas dúvidas no processo ofensivo.
Talvez há muito que uma Supertaça não servia ingredientes tão propensos à indefinição. O Benfica ainda há dias jogava do outro lado do Atlântico um Mundial de Clubes que reduziu a preparação para a nova época a duas míseras semanas. Na ponta oposta, o Sporting de Rui Borges teve tempo de sobra para labutar, mas é uma equipa órfã do seu jogador mais preponderante em décadas, ainda com dúvidas sobre o sistema e vinda de um par de jogos de pré-época pouco galvanizadores. Previa-se, pois, um jogo nervoso nas emoções, morno no futebol.
Mas a qualidade, longe de ser suprema, não foi tão tíbia assim. A incerteza tem o seu quê de fascinante quando se começa não do zero, mas alguns passos atrás e as duas equipas ainda procuram a sua melhor face. Nesse sentido, terá surpreendido mais o Sporting na 1.ª parte, num 4-2-3-1 pouco fixo e Geny a recuar no momento defensivo. Depois de uma pré-temporada enfadonha, um par de saídas ofensivas bem gizadas, já com traços de entendimento interessante entre os jogadores, deram para assustar o Benfica e soltar algum entusiasmo.
O golo anulado a Pote, aos 7’, terá sido mesmo um dos momentos de maior brilhantismo do Sporting da era Rui Borges: Maxi a ganhar a Dedic e Aursnes no lado direito da defensiva do Benfica e a encontrar Hjulmand no meio, com o capitão a dar na profundidade a Harder, a pender para a esquerda. O cruzamento do dinamarquês foi perfeitinho para a finalização fácil de Pote, mas o grandalhão, a tentar a tarefa impossível de fazer esquecer outro alto e loiro, estava ligeiramente adiantado.
Seria um excelente amuse-bouche se o Sporting tivesse, nos restantes 80 e muitos minutos de jogo, conseguido repetir tão belo croqui. Não aconteceu, mas até ao intervalo o Benfica teve sempre muitas dificuldades em acertar a pressão e o jogo simples a primeiro toque do Sporting, com Pote em destaque a ligar setores, talvez pudesse ter sido mais feliz se lá à frente estivesse outro nórdico.
O golo do Benfica, logo no início da 2.ª parte, colocou gelo nos ímpetos do leão. Depois de uma 1.ª parte desastrada, Richard Ríos, uma das caras novas a saltar já para o onze, com Amar Dedic e Enzo Barrenechea, rodopiou a meio-campo, fazendo depois a bola galgar metros até aos pés de Pavlidis. O grego lançou Dahl e o cruzamento do sueco seria aliviado para zona perigosa por Maxi. A reação dos jogadores do Sporting foi tartaruguesca e, quem mais, estava lá Pavlidis para aproveitar o corte, rematando rasteiro para o golo - a bola ainda tocou num companheiro, mas as mãos de Rui Silva foram demasiado amanteigadas para um remate defensável.
No meio de tanta novidade, era Pavlidis que embalava a resposta do Benfica a uma 1.ª parte pouco acertada, helenicamente líder de uma equipa que resiste a encontrar rotinas.
Por falar em resposta, não foi boa a do Sporting ao golo. Pavildis quase marcava novamente, aos 59’, com Rui Silva a redimir-se do erro cometido minutos antes. Só quase 10 minutos depois Rui Borges alteraria peças, lançando o reforço Luis Suárez, Debast e Kochorashvili, mudanças que voltariam a trazer algum alento ao Sporting. Ou, pelo menos, outras soluções. A qualidade na saída de Debast, a capacidade de encontrar linhas de passe do belga, foi já bastante bem recebida por Suárez, que mostrou também já alguns pormenores interessantes e boa comunicação com os recém-companheiros.
Aos 75’, um remate de Trincão testou Trubin, numa fase de mais pressão do Sporting, que dois minutos depois viu Pote acariciar uma bola que merecia outra energia depois de uma excelente combinação entre Hjulmand e Trincão. Pote, ao 82’, ligou bem com Suárez no corredor central, mas o colombiano seria desarmado no momento certo. E quanto a futebol talvez estejamos falados, porque a partir daí o jogo tornou-se quezilento, queixoso, desinteressante, com a mão leve de Fábio Veríssimo para cartões a ajudar pouco a um show desde já pouco exuberante.
O primeiro dérbi do ano poderá ser uma radiografia interessante do que vem por aí. Sporting e Benfica são duas equipas ainda carregadas de dúvidas, com umas quantas incógnitas, gente por chegar e caras novas ainda à procura do melhor encaixe. Há muito por onde evoluir, e isso são as boas notícias. As más é que é possível que durante algum tempo o campeonato seja equilibrado, mas nivelado por baixo. Há vida nova na I Liga, todas as equipas grandes tiveram uma ou outra alteração estrutural. Quem for mais rápido a adaptar-se neste jogo de sobrevivência, com tão pouco tempo de adaptação, poderá sair em vantagem."