Últimas indefectivações

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Champions 2024/25


Bayern - Benfica
Benfica - Barcelona
Juventus - Benfica
Benfica - Atlético Madrid
Estrela  Vermelha - Benfica
Benfica - Feyenoord
Monaco - Benfica
Benfica - Bolonha

Como de costume, Sorteio complicado! Nem com o novo formato as 'bolinhas' ajudam!!! Também é verdade que a forma da equipa, transmite pouca confiança, mas...

Adversários oriundos da Alemanha, Espanha e Itália, historicamente complicadíssimos... o  Bayern então nem é necessário recordar os anteriores confrontos... só o Estrela Vermelha (fora mais complicado), e depois o Feyenoord e Monaco tem uma origem mais 'acessível', mas mesmo assim, estas duas são duas equipas perigosas... Fazer os 9 pontos supostamente necessários, não vai ser fácil...
Pessoalmente, os jogos em casa vão ser fundamentais, mesmo contra os Espanhóis Barça e Atlético temos que ganhar, pelo menos um!!!

A ordem dos jogar irá ser divulgada no Sábado, e também será importante, até porque acredito que as decisões serão adiadas para as últimas duas jornadas!

Quezada: Sorteio...

EuroFut: Sorteio...

Bechler: Sorteio...

Rabona: Sorteio...

Zero: Sorteio...

BTV: Sorteio...

DAZN: Sorteio...

5 minutos: Sorteio...

Diferenças?!

Farto...


"Leio nas redes sociais que estamos a fazer o pior defeso da história do futebol mundial…e no entanto o que aconteceu até ao momento…
Perdemos 1 mal amado (Rafa)em final de contrato;
Um jovem por milhões de euros sendo das maiores transferências do defeso (Neves);
Neres e….
Apontaram lacunas na esquerda…
Temos Beste e Carreras;
Apontavam lacunas na direita…
Temos Bah e Kaboré…
Faltavam alternativas no meio campo…
Temos Florentino, Barreiro, Renato Sanches, Kokcu e Aursnes (sim até é ali que ele se notabilizou)…além do outro mal amado João Mário…
Tínhamos falta de matador…
Trouxemos o Pavlidis e o Amdouni…e ainda por cá temos Marcos Leonardo e Cabral…até prova em contrato…
Na defesa apesar dos jornais e experts do X tentarem colocar os nossos jogadores todos os dias em todo o lado ainda continuam por lá António Silva, Tomás Araújo, Otamendi e Morato…
Aí Jesus que saíram o desequilibradores das alas…
Mas o gajo com mais assistências ficou por cá Di Maria a que se somam Rollheiser, Scheldrerup, Prestianni, Gouveia…e ainda acredito que veremos João Rego a emergir…
Reduzimos massa salarial, média de idades…
O que é que foi mal feito aqui afinal????
Compreendo que não se contrataram atletas por 50% do passe, nem se andou 3 meses numa novela por um ponta de lança grego…mas…há que olhar para as coisas como eles são e parar de dar ouvidos aos soundbytes que visam apenas desunir.
O que temos é uma falta de percepção da qualidade do plantel porque infelizmente o treinador não está a conseguir encontrar uma fórmula mágica para o potenciar…mas mesmo assim e novamente de acordo com os experts das redes sociais e tudólogos da televisão, aparentemente a equipa vence jogos graças à qualidade individual dos seus jogadores…mas pelos vistos essa qualidade individual só serve para justificar uma parte…na parte das contratações isso não acontece…
Farto destas guerras políticas em que transformaram o clube!!"

Os pesos e as medidas!!!


"Passamos uma época inteira a falar da necessidade de o SL Benfica contratar um lateral direito. Foi tema para horas de programas.
▶️ O que diz a SIC Notícias sobre o assunto:
"Benfica tinha Aursnes e Tomás Araújo para a posição lateral direito, era necessário contratarem Kabore?"
Passamos uma época inteira a dizer que temos que reter os melhores valores e não andar a vender os principais jogadores. Foi tema para horas de programas.
▶️ O que diz a CMTV sobre o assunto:
"Benfica se recusar vender Marcos Leonardo o jogador vai ficar afetado psicologicamente porque são muitos milhões."
Coerência precisa-se!! Os últimos dias deu bem para entender que existe uma campanha orquestrada para tentar criar um caos entre os adeptos. Só não vê quem não quer... Ou não quer ver!!"

Kaboré no lugar do coxo


"Fredrik Aursnes é mais do que competente, e por aí pareceu ter sido lateral-direito demasiado tempo no Benfica. Tiago Gouveia esforçou-se e passou por lá nesta pré-época. Bah não é coxo nenhum e é o dono do lugar.

O lugar do coxo. Era assim, há uns anos, que chamávamos ao lateral-direito lá de onde eu venho. Era o segundo pior lugar para se jogar: abaixo de coxo, só à baliza.
A ideia por detrás da sentença era a de que qualquer um podia jogar ali, na lateral-direita. Na esquerda já era preciso ter alguma especialidade. Ser esquerdino, por exemplo, ou conseguir com o pé direito jogar no lado canhoto. Mas fazer a posição de defesa-direito era quase tão fácil que qualquer um que soubesse receber e chutar a bola na frente estava qualificado. Não era preciso grande habilidade, era preciso ser apenas competente. Ou meramente esforçado.
Fredrik Aursnes é mais do que competente, e por aí pareceu ter sido lateral-direito demasiado tempo no Benfica. Tiago Gouveia esforçou-se e passou por lá nesta pré-época. Bah não é coxo nenhum e é o dono do lugar. O futebol evoluiu de tal maneira que os laterais são parte tão importante no jogo que Pep Guardiola, um tipo que pode escolher quem quer, gastou milhões com eles.
Pode parecer solução de recurso, pode parecer um negócio fora da estratégia ideal ou até de tapar alguém da formação, mas o balanço de mercado só se faz no fim da época. Ainda assim, a chegada de Issa Kaboré parece ter já sentença pelo tribunal público/mediático.
O jogador emprestado pelo Manchester City por uma época está agora condenado. Quer dizer, não é bem ele, mas o leitor percebe o que digo. Se não tiver rendimento em campo, o scouting do Benfica falhou. Se tiver, o negócio foi mau por não ter cláusula de compra. Mesmo que haja objetivos desportivos para se alcançar e isso, por vezes, tenha de levar a soluções temporárias e às soluções possíveis [John Anthony Brooks foi um destes casos], perante clubes com maior poder económico e com os quais se tem de competir.
Se El Ouahdi fizer uma temporada estrondosa no Genk, passará a ser considerada de gritante a incapacidade negocial do Benfica, mesmo que os belgas tenham o poder de dizer não: o marroquino tem contrato e o clube fez quase €50 milhões em três vendas.
Ou seja, perante tanto risco, para o bem ou para o mal, talvez fosse melhor, sendo assim, o Benfica nem contratar ninguém. E continuar com um João Victor ou um Alcides qualquer, porque, como se dizia lá de onde eu venho, no lugar do coxo qualquer um joga.
O Benfica tem de ganhar títulos e é por isso que não vejo mal num empréstimo «à antiga». Outras soluções, modelo para o negócio, poderiam ser melhores? Sim, mas por vezes tem de se usar o que nos dão para se vencer. O mal menor, portanto. O meu treinador nas camadas jovens, por exemplo, metia-me sempre a lateral-direito…"

Benfica parece que já mudou de treinador…


"Ainda não percebi a política desportiva dos encarnados. Mas Schmidt continua a ter plantel de luxo à disposição. Sou eu que estou a delirar ou suplentes do último jogo, com outro treinador ou noutra conjuntura, como preferirem, davam para lutar pelo título?!

O fecho do mercado aproxima-se e os clubes cá do burgo procuram os últimos reforços, o que já é natural, pois todos sabemos que é uma realidade bem portuguesa deixar as coisas para o fim. Mas não é preciso abusar! Tenho-me esforçado para tentar perceber a política desportiva do Benfica e, confesso, ainda não consegui.
O eixo aeroporto-Seixal continua congestionado. Nas últimas horas chegou o suíço Amdouni, o burquinês Issa Kaboré está a caminho e falta ainda um guarda-redes. O avançado foi o eleito para, ao que parece, fazer o lugar de Rafa, que há mais de seis meses já tinha anunciado o adeus à Luz, enquanto o lateral-direito chega com um ano de atraso! Sim, desde que Gilberto regressou ao Brasil as águias procuravam um substituto para Bah…
Quanto ao guarda-redes, continuo na dúvida se os encarnados pretendem um concorrente ou um suplente para Trubin. Sim, ao contrário de outras posições, na baliza só há um titular. Se assim não for é porque o treinador não está satisfeito com nenhum e precisa de dois…
Isto enquanto Marcos Leonardo não vê garantida a continuidade, Samuel Soares não sabe se sai ou fica e João Mário está com um pé fora do clube. Surreal como num dia Schmidt elogia a qualidade e influência do médio e no seguinte justifica a ausência do jogador com um pedido deste para analisar propostas! Afinal, conta ou não com o internacional português? As características de João Mário são por todos conhecidas. O médio não engana ninguém e o clube sabia bem o que estava a comprar quando o foi buscar depois de ter sido campeão pelo Sporting. O futebol dele é aquele, goste-se ou não. Não lhe peçam é para mudar aos 31 anos.
Agora, só faltava mesmo António Silva, se souber que não vai ser titular, voar para qualquer outro destino enquanto a equipa ruma a Moreira de Cónegos!
Demasiadas dúvidas para um candidato ao título e ainda mais difícil de compreender num clube com as contas estabilizadas e que acaba de encaixar mais de 90 milhões de euros em vendas.
Sinceramente, parece que o Benfica já mudou de treinador. Se Rui Costa tivesse despedido Roger Schmidt até que percebia tantas alterações, mas assim é difícil encontrar uma ponta de lógica no planeamento da temporada.
O alemão, contudo, continua a ter um plantel de luxo à disposição. Vi o jogo com o Estrela da Amadora e o que mais me surpreendeu foi o banco dos encarnados. Não as reações de Schmidt perante o Tribunal da Luz, que isso é outra conversa, mas sim a qualidade que tinha à disposição entre os que estavam sentados.
O treinador fez as escolhas que entendeu, naturalmente com toda a legitimidade, embora eu não concorde com várias, e de fora deixou só estes senhores: Samuel Soares, Tiago Gouveia, António Silva, Morato, Di María, Renato Sanches, Rollheiser, Marcos Leonardo e Arthur Cabral! Junte-se-lhes o lesionado Beste e o excomungado João Mário e dá para fazer um onze, posição por posição.
Sou eu que estou a delirar ou esta equipa, com outro treinador ou noutra conjuntura, como preferirem, dava para lutar pelo título?!"

Sinais apenas, mas sinais!


"Os mais críticos dirão que do jogo resultou os três pontos e pouco mais para o Benfica, os mais otimistas, como Schmidt, falarão em “boa exibição,” mas creio que, mais uma vez, no meio estará a virtude. O Benfica fez uma primeira meia hora interessante e um jogo seguro, com dois jogadores que há meses pareciam “perdidos” a serem fundamentais: Kokçu e Carreras. Com influência no jogo ofensivo, jogando à esquerda e à direita, defendendo e pressionando, o turco mostrou querer mesmo “falar dentro de campo” e fez as “pazes” com o “Terceiro Anel”. Também Álvaro Carreras, que não me tinha impressionado na época passada, parece diferente, a defender bem, sempre com os olhos no ataque e a mostrar que o problema do lateral esquerdo parece resolvido e que Beste vai ter que “correr” para recuperar um lugar que parecia seu. Também António Silva, quem diria (?), terá de mostrar serviço, pois Tomás Araújo continua a mostrar segurança a defender e qualidade a atacar, Renato ganhou ritmo (tal como Di María) e o Benfica manteve mais uma vez o zero na sua baliza, num jogo em que o adversário não criou uma oportunidade de golo. Alguns sinais positivos, portanto. Apenas positivos? Não! Para além das inoportunas lesões de Aursnes e Tiago Gouveia, a equipa continua a demonstrar uma ansiedade que lhe tolhe o último passe, uma hesitação a rematar que exaspera qualquer adepto e dificuldades em criar jogo atacante visível. Não é do duplo pivot defensivo, como nos diz Schmidt? Talvez, mas lá que é preciso criar mais é, e é isso mesmo que precisamos na sexta-feira com o Moreirense numa jornada de “clássico…”.

PS - Desapareceu um dos meus ídolos, herói, modelo de sempre! RIP Mister Eriksson e muito obrigado por tudo!"

Zero: Mercado - Nehuén, Conrad Harder, António Silva

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Ronaldo e mais quem? Cinco questões sobre as escolhas de Martínez

Tailors - Final Cut - S03E17 - Miguel Arrobas

Gostava de morrer como Eriksson


"Os últimos meses de vida de Sven-Goran Eriksson foram de uma dignidade notável. Quando chegar a minha hora, gostaria também de responder: «estou pronto». Com um flute de champanhe na mão.

Se José Saramago ainda estivesse entre nós haveria de ter escrito: «Eriksson vive». Isto porque, na visão no Nobel da Literatura, «morrer não é o contrário de viver.» E explica: «Morrer é o contrário de nascer, o contrário de viver é esquecer». Por isso, há mortos que continuam a viver e há vivos que estão esquecidos. E se o também genial escritor moçambicano Mia Couto partilhar desta visão de Saramago, talvez escrevesse, na sua forma genial de fundir palavras para criar novas palavras, que «Eriksson desnasceu…»
Os últimos oito meses de vida de Eriksson, desde o dia em que anunciou ao mundo que iria morrer com cancro no pâncreas até ao último suspiro, foram de uma dignidade absolutamente notável e incomum. Um homem que ao encarar a morte decidiu olhar a vida nos olhos com absoluta serenidade. Que encarou o destino sem abrir mão de dizer a última palavra. De todos se foi despedindo, em homenagens sentidas e emocionantes, a todos foi dando exemplos de que a dignidade emana das nossas decisões e não das circunstâncias.
Quando às vezes falamos entre nós sobre a morte, todos pedimos que seja rápida, indolor, de preferência sem darmos por isso, num sono que livre do sofrimento. Talvez muito marcado pelo dia em que, sem qualquer aviso, perdi o meu pai, quando ele tinha apenas 48 anos, preferia para mim ser avisado com antecedência. Se o meu pai tivesse sido avisado, teria tempo para lhe dizer o que não cheguei a dizer. E ao desejar isso para mim, nem percebo que o verdadeiro problema não está na existência ou não de um aviso da morte, mas no assumir que se preciso de tempo para me preparar para a morte é porque não tenho estado a viver em plenitude e continuo a adiar dizer e viver o que é urgente ser dito e ser vivido. A vida plena é ser surpreendido pela morte e poder dizer «estou pronto». 
Há pessoas cuja vida se pode resumir numa lápide: data de nascimento e data de morte. São, voltando a Saramago, as esquecidas desde o dia em que nasceram. Eriksson teve uma vida tão preenchida que pôde exclamar, horas antes do último suspiro: «Vivi». E não existe maior consolo do que esse, garantia de que apenas desnascemos. Mas continuamos a viver.
Eriksson disse que gostava de ser lembrado como «um homem bom». Por isso, quando procuramos elencar as nossas prioridades, quando tentamos até encontrar-nos, um bom ponto de partida é responder à mesma pergunta: como gostaríamos de ser lembrados após a nossa morte? Refletirmos sobre a resposta que daríamos ajuda-nos a saber quem somos, onde estamos, para onde devemos ir e quais as nossas verdadeiras prioridades.
Para explicar o que penso de Eriksson recuo ao final da época de 2007/08. O sueco comandou a equipa do Man. City numa digressão pela Ásia. O ambiente estava pesado e, depois de um final de época atribulado, todos perceberam que Eriksson iria ser despedido após o regresso a Inglaterra. Nessa digressão, Eriksson apareceu no hall do hotel irrepreensivelmente vestido de robe e chinelos. Transportava uma bandeja com uma garrafa de champanhe e um flute. Quando o jogador alemão Dietmar Hamann lhe perguntou o que tinha para celebrar alguém que iria ser despedido, Eriksson respondeu com um sorriso e um piscar de olhos: «A vida, kaizer… A vida…»

P.S. - Este artigo foi escrito em casa, com um flute de champanhe a meu lado. Um brinde."

André Villas-Boas, minas e armadilhas


"O presidente do FC Porto tem optado por ser politicamente correto, quando confrontado com a areia que lhe tentam atirar para a engrenagem...

Imagine-se que há um ano, ou há dois, ou há três, ou há quatro, ou há cinco, ou há 10, ou há 15, ou há 20, ou há 25, ou há 30, ou há 35, ou há 40, ou há 41, ou há 42, alguém que tivesse feito parte da estrutura do FC Porto, ocupando lugar de responsabilidade, viesse a público, a pouco tempo de um clássico, tentar fragilizar a posição do atual treinador, tecer, ao mesmo tempo, loas ao anterior responsável técnico, e ainda criticar, implícita ou explicitamente, decisões da administração em exercício, sem deixar de zurzir comportamentos de elementos que transitaram da estrutura anterior para a vigente. O que seria dito, pela nomenclatura e pelos ‘apparatchiks’, de quem tivesse esse comportamento? Anti-portista? Traidor? Ressabiado? E que tratamento receberia, de imediato? No mínimo, seria proscrito, e deixaria de ser aconselhável frequentar as Antas ou o Dragão. Pois bem, aquilo que tem acontecido no universo portista nos últimos dias, após quatro vitórias, três para a Liga e uma outra, épica, na Supertaça, frente ao campeão nacional, e quando os dragões preparam a visita a Alvalade, entra no rol das improbabilidades que o deixaram de ser.
Perante este quadro, ninguém terá dúvidas de que a administração de André Villas-Boas está a adotar um política de «olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço», ou seja, tem sido absolutamente intransigente quanto ao rumo que decidiu seguir, mesmo que isso implique fazer tábua rasa do passado recente, ao mesmo tempo que vai adotando um discurso de veludo, pleno de uma unidade de matriz politicamente correta, que serve, sobretudo, para desativar as minas e armadilhas que lhe vão sendo postas no caminho, não respondendo, pela desvalorização, às provocações que existem, e não partem, sublinhe-se, de outros emblemas
Ninguém terá dúvidas de que o jogo de Alvalade, contra um Sporting que tem crescido muito, e se sente como um leão ferido no orgulho pela ‘remontada’ de Aveiro, é de extrema dificuldade para o FC Porto, obrigado a uma tremenda ginástica para se manter competitivo apesar da pesada herança recebida da gestão anterior. Trata-se, até, apesar de estarmos apenas na quarta jornada, de um dos momentos, do ponto de vista psicológico, que podem a vir revelar-se importantes para o decorrer da época, daí que seja no mínimo curioso que este ‘timing’ crítico tenha sido escolhido para tentar deitar alguma areia numa engrenagem que, graças a uma organização exemplar, tem funcionado bem. É caso para se dizer que, com amigos destes, quem precisa de inimigos?"

A contratação mais cara de sempre do futebol português


"Samu Omorodion é um achado, mas não é tão barato quanto possa parecer

«Chega ao FC Porto um dos grandes jovens talentos do futebol mundial , estamos muito confiantes no que ele vai trazer a nível desportivo«
André Villas-Boas, presidente do FC Porto, sobre a contratação de Samu Omorodion

O FC Porto surpreendeu com a contratação de Samu Omorodion, mais ainda porque conseguiu manter o negócio em segredo até ao anúncio da aquisição, na sexta-feira, 23 de agosto. Mas também por se tratar de um jogador que esteve com um pé no Chelsea este verão, depois do Atlético de Madrid aceitar proposta na ordem dos 40 milhões de euros, segundo noticiou a generalidade da imprensa internacional. O FC Porto conseguiu o campeão olímpico pela Espanha por 15.
Como? Em primeiro lugar, é preciso ter noção de que esses 40 milhões eram inflacionados. O negócio com o Chelsea envolvia a ida, pelo mesmo valor, de Gallagher para Madrid (como veio a acontecer depois, mas por troca com João Félix, embora neste caso com o português mais caro). E interessava aos clubes, por motivos contabilísticos, inflacionar o valor das vendas, mesmo que com isso inflacionassem também o valor das compras.
Depois, o FC Porto ficou com apenas 50 por cento dos direitos económicos do avançado por esses 15 milhões. Para comprar mais 30 por cento tem de gastar mais 10 milhões. Não tem opção sobre os restantes 20, mas isso atira o valor do jogador no negócio para os 32,3 milhões de euros, o que corresponderia à contratação mais cara de sempre do futebol português.
O recordista é Kokçu, por quem o Benfica pagou 25 milhões de euros pela totalidade dos direitos (embora o Feyenoord tenha reservado percentagem de mais-valia em futura transferência e mais 5 milhões em eventuais bónus). Por Enzo Fernández, as águias acabaram por pagar, no total, 44,25 milhões de euros ao River Plate, mas isso foi resultado da transferência milionária do argentino para o Chelsea (121 milhões), consequência da valorização em seis meses na Luz. Porque quando chegou a Portugal, foi por 18 milhões por 75 por cento do passe, o que poria a avaliação do médio em 24 milhões.
Omorodion vale então, à chegada ao Dragão, mais de 32 milhões de euros. É uma excelente compra do FC Porto, mas percebe-se porque os outros grandes portugueses se viraram para outros avançados. É que Omorodion terá de pedalar muito para que venha a ser uma excelente venda. Para o FC Porto lucrar 10 milhões, terá de ser vendido por 50..."

Discrepâncias entre futebol masculino e feminino


"Quem nestas linhas me lê regularmente, quem me conhece e acompanha nas redes sociais, ou quem já teve a oportunidade de cruzar-se comigo, sabe que sou acérrima defensora de uma igualdade de direitos, deveres e privilégios entre futebol masculino e feminino. Sabe que tenho acentuado a necessidade de profissionalizar a Liga feminina de futebol em Portugal, de forma que as jogadoras sintam que vale a pena apostar e jogar futebol em Portugal.
Infelizmente, não tem sido nada disso o que tem acontecido. Para grande pena minha. Alguns episódios das últimas semanas demonstram exatamente isso.
A começar pela divulgação das verbas relativas aos prémios atribuídos aos clubes participantes na Taça de Portugal. Anunciou a FPF, com alguma pompa, que «aumentou o valor a atribuir aos clubes que participam na Taça de Portugal Feminina”» sublinhando que esse aumento atinge os 30 por cento em relação à temporada passada. A título de exemplo, pela presença na final o vencedor receberá 80 mil euros, o vencido 40 mil (na época passada 50 mil para o vencedor, 30 mil para o vencido). Tudo certo, não fosse o pormenor da discrepância: O próximo vencedor da Taça de Portugal masculina irá arrecadar 325 mil euros pela presença na final, o vencido 175 mil euros. A diferença é substancial entre os dois géneros.
Outro exemplo que obriga a reflexão: A Joana Martins, jogadora do Sporting e da Seleção Nacional, fraturou a clavícula num amigável com o Sevilha, no dia 8 de agosto. Foi sinalizada a necessidade de uma intervenção cirúrgica… que apenas se realizou no dia 20 de agosto, 12 dias depois. Porque, alegadamente, o cirurgião especialista escolhido para a intervenção não estava disponível mais cedo. Impensável tal episódio acontecer no futebol profissional masculino.
E ainda a rábula dos horários dos jogos das meias-finais e final da Supertaça Feminina – neste caso envolvendo a equipa do Sporting – sobrepostos com os horários da equipa masculina dos leões. Não foram revelados números oficiais, mas as bancadas do Restelo estavam muito despidas, tendo sido, seguramente, a final que nos últimos anos recebeu menos público. O que contrasta com as audiências da TV, em canal aberto e em prime time a Supertaça foi o segundo programa mais visto da última sexta-feira. O que demonstra que há interesse e há potencial. Mas é preciso melhor promoção e não é com exemplos destes que lá vamos.
Nem tudo é negativo: Parabéns ao FC Porto e à sua equipa feminina que no domingo vão fazer um jogo de apresentação aos adeptos… em pleno Estádio do Dragão."

A geometria euclidiana do filho favorito de Deus


"Ernesto Lazzatti nasceu mestre: era um tratado e, ao mesmo tempo, uma doença contagiosa.

Ingeniero White, Buenos Aires. Aceitemos sem custo que só na América Latina uma terra pode ter um nome como este. Fica a dez quilómetros de Bahía Blanca, é um porto que foi ganhando a sua importância, sede de um clube de futebol chamado El Club Atlético Puerto Comercial, que usa camisolas aos quadradinhos verdes e amarelos, coisa para fazer qualquer um gastar as glândulas lacrimais ao vê-las andar para um lado e para o outro de um retângulo de relva como o do estádio que recebe os grandes rivais citadinos do Pacífico, do Liniers, do Olimpo, do Leandro Nicéforo Alem, do Argentino ou do Porteños Sud. Ah! Que clubes espantosos! Não há um que não fervilhe de histórias inconcebíveis. Mas só o Atlético gerou Ernesto Lazzatti, El Pibe de Oro, o extraordinário Lazzati.
Ernesto enchia o campo com o seu jogo feito de inteligência da cabeça aos pés. E era um fedelho. Aos 16 anos muito melhor que a maior parte dos homens que jogavam com ele ou contra ele. Por isso não tardou a seguir para oBoca Juniors. Estreou-se com a camisola azul e amarela, inspirada na bandeira de um navio sueco que acabara de aportar em Riachuelo no dia em que o clube foi fundado, a 8 de abril de 1934, contra o Club Atlético Chacarita Juniors de Villa Maipú. Olhos esbugalharam-se de espanto pela naturalidade com que Lazzati tomava conta do seu posto. Príncipe-menino do meio-campo, apaixonou-se por Caminito e pelo Barrio de La Boca, ficou 14 anos no clube e formou, com Carlos Adolfo Sosa, o Lucho, e com Natalio Agustín Pescia, El Leoncito, um trio fascinante. Os hinchas enchiam a Bombonera para procurar entender a geometria euclidiana dos seus movimentos sempre certos, elegantes com postulados, inventores de jogadas que terminavam em golos inevitáveis. Sim, Ernesto era um tratado e ao mesmo tempo uma doença contagiosa. A seu lado não havia quem pudesse jogar mal. Transmitia a serenidade da arte com repentes de génio. Elipses e hipérboles sobre a relva. E, a toda a altura das bancadas praticamente verticais, os diálogos dos adeptos multiplicavam-se à mistura com exclamações. Ninguém discutia El Pibe de Oro nem o seu método. Procuravam, sobretudo compreendê-lo. E, no entanto, parecia tão fácil, tão simples como o rolar da bola em efeitos de bilhar. Mas quantas vezes é a simplicidade complicada de discernir? Quantas vezes as equações simples baralham os senhores da matemática? Quantas vezes questionamos para com os atilhos dos nossos sapatos por que hão de ser ínvios os caminhos desse ser imponderável que criou o céu e a terra por sua auto-recriação sem pedir a opinião a ninguém? Diziam os mais velhos: «Ernesto eres el hijo querido de Dios!». Fosse, portanto, feita a sua vontade. Até ao dia em que…
1947: Ernesto Lazzatti era um jogador livre. Terminara o seu último contrato com o Boca Juniors e os diretores do clube decidiram que já cumprira a carreira para a qual fora fadado. Choveram convites. Tinha apenas 32 anos e estava consciente de que ainda poderia ter muito para dar. Mas o coração tem razões que a razão desconhece, como disse uma vez o mestre Blaise Pascal, num aforismo que o universo aprendeu a saber de cor. Falou de coração aberto para os jornais: «Me voy a hacer vida de turista, porque contra Boca no puedo enfrentarme». Havia pungência no seu lamento. Chamaram-no para jogar noBrasil e noPeru. Não foi. A sua vida de turista, como ele dizia, era passada entre as ruas de Las Barracas, da Avenida Vélez Sársfield a Zabaleta, das vielas paralelas àFerrovia General Manuel Belgrano, espreitando as águas sujas do Río Matanza, em Vuelta de Rocha, sussurrando a letra do tango de Gardel: «Mi Buenos Aires querido/Cuándo yo te vuelva a ver/No habrá más penas ni olvido/El farolito de la calle en que nací/Fue el centinela de mis promesas de amor/Bajo su quieta lucecita yo la vi/A mi pebeta luminosa como un Sol». O sol de Ernesto parecia ter-se apagado quando o seu amigo Severino Varela, o uruguaio a quem chamavam La Boina Fantasma, o convenceu a jogar noDanubio Fútbol Club, da Curva de Maroñas em Montevidéu. Voltou a ser enorme. Logo no primeiro dia, quando impulsionados pelo regresso de Lazzatti aos relvados, os seus companheiros o seguiram numa avassaladora vitória sobre o Peñarol.
Ernesto não esquecia o Boca Juniors. E a porta da Bombonera abriu-se-lhe de novo para que fosse treinador de uma equipa campeã que contava com Pancho Lombardo, Eliseo Mouriño, Pescia, Navarro, Baiocco, Borello, Rosello e Marcarián. Todos eram pura vontade e pouca arte. Coração que se entende mas não se explica. E na baliza havia Julio Elías Musimessi, El Arquero Cantor, também autor de tangos: «Dale Boca, viva Boca, el cuadrito de mi amor». Lazzatti, esse, sorria."

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Sorteio...

BI: Modalidades #160 - Semanada...

Visão: Kaboré...

Bigodes: Amdouni + Kaboré

5 minutos: Kaboré...

Zero: Mercado - Amdouni, Kaboré, André Franco

DAZN: Kaboré...

Fácil!


"Foi "desviado" daquela super máquina de gestão desportiva!?
Não acredito!!! O Record do Bernardo Machado Ribeiro vem já aí desmentir... 😯"

Clube-Satélite !!!

Super-fontanários!

Não falham!

Pelo menos são consistentes!

Gestão...

Decidam-se...!!!

Sim ou Não!

5 minutos: Diário...

Zero: Tema do Dia - Quem é Amdouni, o próximo reforço do Benfica?

Terceiro Anel: Diário...

El Mítico #99 - ¡Te queremos, Sven!

Terceiro Anel: Sven...

Treinos espiados com drones: a decisão da FIFA


"No final do mês de julho, ainda na pendência dos Jogos Olímpicos de Paris, o Comité Disciplinar da FIFA tomou uma importante decisão após acusações de que a treinadora da Seleção Olímpica de Futebol Feminino do Canadá – e a sua equipa técnica – espiaram com drones uma equipa adversária, durante o torneio, de modo a obter vantagens competitivas.
O Comité entendeu que, após recolha de prova, a conduta adotada é suscetível de se enquadrar numa violação do artigo 13 do Regulamento Disciplinar - Comportamento ofensivo e violações dos princípios do fair play – e numa violação do artigo 6.1 do Regulamento da Competição.
A Federação de Futebol do Canadá – em concreto, a equipa participante – foi, assim, sancionada com dedução automática de seis pontos da classificação no Grupo a que pertencia bem como sujeita a uma multa de CHF 200.000, e a equipa técnica foi suspensa de participar em qualquer atividade relacionada com futebol pelo período de um ano.
Em concreto, a Federação foi considerada responsável por não respeitar os regulamentos aplicáveis ​​da FIFA designadamente por não garantir que os seus dirigentes acatassem a proibição de fazer voar drones sobre quaisquer locais de treino e cada um dos técnicos foi considerado responsável por comportamento ofensivo e violação dos princípios de jogo limpo em conexão com o uso de drones.
A decisão foi alvo de recurso junto do Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne Ad Hoc instituído para apoio durante o período dos Jogos Olímpicos. Porém, tal recurso não obteve sucesso, tendo a decisão da FIFA sido mantida pelos árbitros do CAS na sua plenitude."

O Olimpismo e o seu valor


"O Código de Ética Olímpica é claro ao definir os seus princípios fundamentais e é evidente, e mesmo essencial, respeitar sempre integralmente esses valores. Ele afirma o princípio da universalidade e a neutralidade política do Movimento Olímpico, rejeitando qualquer tipo de descriminação, por qualquer razão ou motivo, seja raça, língua, política, opinião, nacionalidade, ordem social…Assim sendo, torna-se evidente que não pode ser por erros políticos ou outros que se possam excluir de participar nos Jogos Olímpicos os atletas de um qualquer país. Estão em causa competidores e não adversários ou inimigos.
No olimpismo o importante não é vencer mas sim ter dado sempre o seu melhor. O olimpismo tem por lema palavras bem significativas, como Excelência, Respeito e Amizade. Mas certamente não se esgota aí, pois obviamente não prescinde do Rigor, da Verdade e da Justiça. Se discriminar é tratar de modo diferente quem é igual, será igualmente discriminar tratar de modo igual quem é diferente. E por isso o desporto é útil à Sociedade como um conceito e ideal de vida e não como um meio de vida (o que aliás, legitimamente, os profissionais procuram).
Passaram os Jogos Olímpicos de Paris e aproximam-se agora os Jogos Paralímpicos. Em Paris foi infeliz a apresentação da Mesa de Baco (bem diferente das imagens deste na Rede) e bem sugestiva de comparar com a Ceia de Cristo com os Apóstolos. E a explicação da Organização foi certamente fraca e insuficiente.
Será que os Jogos Olímpicos irão terminar como na antiga Grécia perante a corrupção e a traição aos Valores e Princípios da Ética Olímpica, pela pressão constante de querer obter benefícios e vantagens financeiras? Se é legítimo compensar os atletas pelos encargos assumidos directamente com a sua preparação, consideramos muito grave e totalmente inaceitável, a proposta da Federação Internacional de Atletismo de providenciar prémios pecuniários aos medalhados Olímpicos. Com a concordância do COI?
Considerando que o Profissionalismo no Desporto é incompatível com o texto da Carta Olímpica, será certamente oportuno que o Comité Olímpico Internacional esclareça, sem ambiguidades, as fronteiras entre desporto amador e profissional, reservando os Jogos Olímpicos para os primeiros, e sendo excluídos aqueles que, embora legitimamente, transformam os seus êxitos atléticos no seu novo modo de vida. Isto faz-nos recordar o finlandês Paavo Nurmi, que após ter vencido os 5000 metros em 1924, por ter recebido alguma escassa remuneração no desporto, foi impedido de voltar a participar nos Jogos Olímpicos seguintes…! De facto o Olimpismo está a mudar… mas não para melhor!
Todos nos lembramos que a Trégua Olímpica e as suas regras de Paz Universal, com livre circulação e ausência de quaisquer conflitos, se iniciava uma semana antes e terminava uma semana depois do final das competições. Assim como não aceitar que as regras e limitações definidas e impostas pela denominada Trégua Olímpica devem ter lugar desde a saída do País de origem e que se irá representar, e não apenas ao sair a porta da denominada Aldeia Olímpica, como parece ter sido a inesperada e surpreendente decisão do Comité Olímpico Internacional.
E finalmente o erro mais grave, indigno e totalmente inaceitável , quando, no Boxe, o COI aceitou bastar a apresentação de uma declaração de sexo, havendo assim um Campeão (XY) falsamente se apresentando como mulher. Será que a Comissão Científica do COI desconhece a evolução e acção dos valores hormonais, nomeadamente da testosterona, nos sexos feminino e masculino? Podemos admitir que neste caso um Ser Humano do sexo masculino (XY), com malformação genital grave, tenha sido erradamente diagnosticado à nascença e educado com o sexo errado. Mas, além da carta cromossômica, o estudo hormonal, fácil e claramente mostraria isso (e ainda hoje o pode comprovar…). Isto já para não falar já num exame médico da área genital…)
É indesmentível que a Comunicação Social cada vez mais se impõe em relação às modalidades desportivas aceites para construir os Jogos Olímpicos, com nítida preferência para as modalidades mais espectaculares. Também não se pode esquecer que, até aos Jogos Olímpicos de Barcelona era difícil, por razões económicas, arranjar candidatos à organização dos Jogos, situação hoje já largamente ultrapassada devido à Comunicação Social. E é uma realidade incontornável a maravilha mediática que representam hoje em dia, sobretudo as sessões inaugurais dos Jogos Olímpicos…
No entanto também é pena que tenha sido pela última vez, em 1932 (Los Angeles), que a Arte, a Música, a Poesia, a Literatura, etc, tenham deixado de ter lugar de honra nos Jogos Olímpicos…"

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Mão cheia...


Benfica 5 - 0 Portimonense


Foram 5 e podiam ter sido muito mais!!! Partida de sentido único, com várias boas exibições...

O Cantinho Benfiquista #181 - A Revolving Door

Benfica Podcast #533 - 3 Points

Zero: Mercado - Amdouni, Fábio Vieira, Conceição

Fever Pitch - Domingo Desportivo - Sven-Göran Eriksson Mostrou-nos o Benfica…

Sven Goran Benfica


"Quase tudo parece ter sido escrito sobre Sven Goran Eriksson, e ainda bem. Felizmente, não deixaram uma extraordinária história para depois da morte do protagonista. Os elogios fúnebres a pessoas que fomos esquecendo, mesmo sabendo que eram importantes, ganham sempre uma aura de arrependimento por não se ter dito tudo o que queríamos ou não termos estado lá tantas vezes quanto devíamos. Eriksson foi tão marcante na sua passagem pelo Benfica e pelo nosso futebol que ficou sempre entre nós, muito depois de ter liderado a equipa técnica num dos grandes períodos da história do clube e de ter encantado milhões de adeptos. E é assim que permanecerá. Não é caso para menos. Ocorria-me hoje, horas após a morte confirmada de alguém há muito em paz com o seu destino, que existirão diferentes formas de explicar a totalidade do Benfica a alguém. Podemos falar de Cosme Damião e dos 24 magníficos que decidiram criar algo muito maior do que eles, de Eusébio, de Mário Coluna, José Augusto, Torres, Águas e tantos outros, de Chalana, de Carlos Manuel, e de tantos outros que juntos encheriam esta página. Podíamos falar dos adeptos que são aquilo que sustenta a grandeza da instituição, ou de mais ídolos que têm o seu nome inscrito na história do clube, mas nenhuma explicação será fiel à realidade sem explicar que Eriksson foi e continuará a ser um dos alicerces que faz do Benfica um gigante do futebol.
Nasci em 1981 e só me apercebi da existência de Eriksson na sua segunda passagem pelo clube. Lembro-me de já viver obcecado por futebol, de memorizar todos os jogadores, todos os marcadores de golos e os minutos a que cada golo tinha sido marcado. Lembro-me de sonhar relatar jogos na rádio quando chegasse a adulto, a única profissão que me lembro de alguma vez ter desejado. Lembro-me da primeira vez no estádio e das muitas que se seguiram, dias inteiros que eram uma realidade alternativa. Lembro-me de ver o Domingo Desportivo como se de um momento sagrado se tratasse, e quase sempre irrepetível. Os golos chegavam pelo correio, numa experiência que seria insuportável aos olhos dos adeptos mais jovens de hoje, a quem o sismo chegou numa notificação da Google antes mesmo de terem sentido a terra tremer. Comprar jornais às escondidas dos meus pais, com o dinheiro das gomas, tornara-se um hábito. Aprendera a ler cedo e estava convencido de que o mundo inteiro estava contido nas páginas dos desportivos (há dias em que ainda penso assim). Eu e o leitor sabemos que há recordações muito mais grandiosas do que era então o Benfica e de quem era Eriksson, vindas de quem estava sempre na Luz enquanto tudo isto acontecia. São as pessoas que mais gosto de ouvir. Cada um viveu a história de acordo com a sua circunstância, umas vezes partilhada, outras vezes meio tola e singular. A minha circunstância era a de um miúdo cheio de sonhos, um miúdo ao qual vou tentando regressar desde então. De todas estas recordações, há uma que me marca até hoje, e que relembro sempre, mesmo quando ninguem me pergunta, como o momento em que percebi a grandeza do Benfica. Eram 16:45 do dia 23 de maio de 1990 quando a minha professora da terceira classe, que não era benfiquista, decidiu que as aulas terminariam mais cedo. Passáramos o dia no recreio a ensaiar o modo exato como o jogo aconteceria, eu mais por palavras do que por gestos técnicos com a bola. Os meus relatos, inspirados naquelas tardes da Antena 1 a saltitar de estádio em estádio, terminavam sempre da mesma forma: uma jogada construída de forma ardilosa e dramática, eu a adiar o prazer para dar um efeito realista ao relato e não parecer que íamos ganhar só porque sim, a bola disputada no meio campo, com direito a sucessivas reações à perda, até ao momento apoteótico em que punha à prova as minhas reais aptidões para um dia vir a relatar jogos na rádio. Tinha que ser capaz de prolongar a palavra golo, ênfase no primeiro o, até ficar sem ar. Aí chegado, inspirava se suficiente para gritar bem alto: do Benfica!
As aulas terminaram mais cedo porque naquele dia o Benfica jogava uma final da Taça dos Campeões Europeus. Se fosse hoje, a professora teria as redes sociais à perna e seria obrigada a escolher outro ofício. Felizmente isto não aconteceu em 2024 (a parte de sairmos mais cedo, irmos a uma final da Champions pode ser já amanhã), e por isso lhe posso dever hoje estas palavras de gratidão, à minha professora e a Sven Goran Eriksson, o treinador que, anos mais tarde, vim a perceber tratar-se de uma pessoa invulgarmente carismática, um homem com uma vida cheia de histórias para contar e pouco arrependimento para dispensar, mas que naquela altura me parecia só um tipo diferente.
O tempo explicou melhor o porquê dessa sensação. O reconhecimento daquilo que foi a sua passagem pelo Benfica e pelo futebol português revela a marca singular de alguém que tornou um clube gigante, ainda maior à sua passagem. Mostra um homem que se engrandeceu por causa do Benfica, mas que nunca se esqueceu do Benfica, essa coisa linda que lhe aconteceu e lhe abriu as portas do resto do mundo. Sinto tristeza e angústia quando penso na morte de uma pessoa que esteve sempre aqui, de pedra e cal, intrinsecamente ligada a um acontecimento tão importante na minha vida. Penso nisso e naquilo que as perdas sucessivas dos heróis do meu clube significam. Ainda sou uma criança “feita para grandes férias”, como escreveu Ruy Belo, uma criança sempre a desejar o dia em que sai mais cedo das aulas porque nesse dia joga o Benfica. Mas agora tenho as minhas próprias crianças, uma forma mais empedernida de ver as coisas, e a realidade concreta teima em intrometer-se na agenda. Já não pede licença nem negoceia férias. Nos últimos anos fui a mais funerais do que a casamentos. Sempre que alguém vai a enterrar, penso no mesmo que muitos de nós. Sou convencido novamente da urgência de vivermos o máximo que podemos enquanto podemos. Saio do cemitério simultaneamente comovido e comprometido em fazer uma espécie de justiça a quem nos deixou primeiro. Foi isso que o próprio Eriksson nos transmitiu numa das suas últimas mensagens, em que pede que saibamos viver com alegria. Se tomarmos a sua vida como inspiração, isso significa deixar as tristezas para trás, como na história contada por Dietmar Hamann, internacional alemão treinado por Eriksson no Manchester City. Uma manhã, numa viagem do City à Tailândia para alguns jogos promocionais, Eriksson chegou à beira de Hamann com uma garrafa de champanhe e dois copos. O jogador perguntou ao treinador o que estavam a celebrar e Eriksson esclareceu: «a vida, meu caro.» Mais uma vez, o Benfica perde uma das suas maiores referências num tempo em que, por força da nossa finitude e do trajeto do clube, as referências se tornam cada vez mais escassas. Cada dia que passa é mais um dia em que a instituição Sport Lisboa e Benfica vive mais à conta da grandeza dos que vieram do que daqueles que hoje cá estão hão-de vir.
Mas, para lá dos dias tristes em que, de certa forma, nos despedimos de quem somos, fica a ânsia de apontar aos novos começos. Que saibamos contrariar a sentença inevitável e consigamos honrar com alegria os pergaminhos do Benfica e aproveitar a vida e a paixão que este clube pode dar a tanta gente. Começando pelo pequeno Francisco, um miúdo a quem a vida pregou a mais dolorosa das partidas, e a quem a Fundação Benfica em boa hora deu a mão para lhe arrancar o mais difícil, um sorriso. Que o clube lhe dê mais alegrias e o relembre, apesar da dor, que é uma criança feita para grandes férias.
Quanto a Sven Goran Eriksson, não tenho dúvidas de que sorriria perante uma última homenagem. Não sei quanto custa nem me interessa, mas seria bonito que, no próximo jogo em casa, todos os lugares no estádio tivessem um chapéu da Macieira à espera de cada um de nós. Se alguém perguntar o que estamos a celebrar, responderemos a quem estiver ao nosso lado: a vida, meu caro."

Pipa em modo colorido!

Mundial de Clubes...

Segunda Bola...


3x4x3


Partiu um dos maiores


"Sven-Göran Eriksson, antigo treinador do Benfica, faleceu aos 76 anos. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Percurso extraordinário
Conheça o notável contributo de Eriksson para a grandeza do Sport Lisboa e Benfica em cinco temporadas de uma carreira marcada pelo sucesso e pela admiração de diferentes gerações de adeptos.

2. Figura incontornável da história do Benfica
O Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, salienta que "será sempre um orgulho enorme termos tido na nossa casa um homem tão importante e tão bom como Sven-Göran Eriksson".

3. Testemunhos sentidos
Foram várias as figuras do Benfica a lembrar o homem e o treinador nesta hora de consternação e já de saudade.

4. Homenagem em vida
Recorde a homenagem prestada a Eriksson em abril passado.

5. Bilhetes esgotados
Já não há ingressos para o Moreirense-Benfica da próxima 6.ª feira (20h15).

6. Informação clínica
São 5 os jogadores do Benfica constantes na informação clínica divulgada.

7. Prémio Futebol Feminino
O Benfica arrecadou o "Prémio Futebol Feminino" do Liga Portugal Awards. O Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, salienta o percurso na temporada passada e projeta o futuro: "Fizemos história no ano passado, com a conquista dos quatro títulos nacionais e a chegada aos quartos de final da UEFA Women's Champions League. É um projeto para continuar, de forma sustentada, esperando que possamos contribuir para o crescimento da modalidade em Portugal."

8. Excelente prestação
No Campeonato do Mundo de canoagem de velocidade, houve várias medalhas para canoístas do Benfica, incluindo o ouro em K1 200 metros e K2 500 metros mistos.

9. Jogos e resultados
A equipa B ganhou ao Vizela, por 1-0; os Sub-17 venceram, por 0-2, no reduto do Sacavenense; os Sub-15 triunfaram, por 0-3, na visita ao Académica de Santarém. No andebol, o Benfica foi derrotado na final da Supertaça disputada com o Sporting.
Hoje há partida dos Sub-23 no Benfica Campus, frente ao Portimonense (18h00). Amanhã, os Sub-19 recebem o Lusitânia, no Seixal, às 11h00.

10. Jogos de preparação
A equipa masculina de basquetebol do Benfica triunfou, em Espanha, ante o Unicaja Malaga, vencedor da Basketball Champions League e 3.º classificado do campeonato espanhol na época passada. O resultado foi 76-80.
A equipa feminina de andebol, também em Espanha, foi derrotada, por 30-25, pelo Beti Onak Tudela.

11. Casa Benfica Batalha
Esta embaixada do benfiquismo celebrou o 12.º aniversário."

Falar Benfica #173

No Princípio Era a Bola - Eriksson, a maior revolução no treino e no jogo do futebol português (e que no Benfica acabou com as corridas na mata)

5 minutos: Diário...

Jogo Pelo Jogo - S03E02 - Polémica Abel Ferreira, Ronaldo Youtuber

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Famalicão: as razões do sucesso

A Verdade do Tadeia #2025/03 - Jogos de sentido único

Arbitragem: sobre a aplicação da vantagem


"Os adeptos em geral não terão noção, mas para um árbitro a aplicação da vantagem é um dos momentos mais gratificantes na direção de um jogo de futebol.
Acompanhem o meu raciocínio, vestindo a pele daquele por instantes: vocês estão dentro das quatro linhas, a acompanhar em corrida constante todas as incidências do jogo. Bola pelo ar, cruzamento, lance dividido, contra ataque, remate perigoso, salto de jogadores à bola, tudo. De repente, percebem que há uma infração. Um atleta carrega outro de forma ilegal. Não têm dúvidas, a falta é clara. A primeira tentação, que obedece a um instinto imediato de tentar preservar aa verdade desportiva, é apitar! Apitar logo! É preciso fazer justiça e conceder à equipa do jogador que sofreu a carga um pontapé-livre.
Mas o que a lei recomenda é que se faça um compasso de espera. Recomenda que contenham esse impulso para perceberem se a não interrupção da partida pode ou não ser mais favorável à equipa lesada. Vão por mim, não é fácil. É aí que entra muitas vezes o fator experiência (quanto mais lances sucedem, mais se aprimora essa capacidade) e, claro, a importância do treino. Como disse em tempos um famoso golfista «quanto mais treino, mais sorte tenho».
Há no entanto alguns fatores a ter em conta para que essa premissa, a da aplicação da vantagem, seja colocada em prática. A primeira e eventualmente mais relevante é nunca confundi-la com mera posse de bola. A ideia subjacente à não paragem do jogo é que a equipa ganhe mais com isso do que com o recomeço decorrente da interrupção.
Se a bola continua na posse da mesma equipa, indo para o lado ou para trás, se vários adversários rodeiam o colega que depois fica com posse, se eventual jogada prometedora se perdeu porque o jogo não parou... não há benefício.
O importante é que o árbitro (e todos cá fora) façam a seguinte pergunta: quem sofreu a falta ganha mais com o assinalar de um pontapé-livre e respetiva paragem de jogo ou com a continuação da jogada?
Pontos importantes a considerar: se a bola segue para a frente, para mais perto da baliza adversária e para um colega do jogador carregado, que se encontra em ótimas condições para prosseguir o lance... a vantagem é bem aplicada. Mas se a bola recua por exemplo até à zona defensiva, onde estão atacantes adversários a pressionar tudo e todos, a infração é para assinalar.
Outras considerações relevantes: se a infração for demasiado dura ou susceptível de criar reações e animosidade, a decisão mais sensata é interromper o jogo, mesmo que sacrificando uma boa vantagem. Porquê? Porque a continuidade nessas condições pode promover confusões ou até agressões. De novo, pede-se sensatez e nteligência na condução de jogo.
O mesmo se aplica quando se percebe que a partida está a ferver, com demasiada intensidade e propensão para entradas perigosas. Dar demasiadas vantagens aí pode ser interpretado como "um convite à violência", que é a última coisa que um árbitro de qualidade deve avalizar.
Por fim, a questão das infrações perto das áreas adversárias. Se a falta for em zona prometedora, capaz de gerar um pontapé-livre direto perigoso, a não interrupção do jogo só se justifica se a vantagem for quase para golo. Isto porque hoje em dia as equipas têm executante de luxo (nas bolas paradas), que treinam até à exaustão esse tipo de lances. Por fim, nos pontapés de penálti não deve haver vantagem, a menos que a bola esteja quase a entrar/ou mesmo a entrar na baliza de quem infringiu. O que o árbitro pode e deve fazer é retardar o apito, esperar um pouco, para ver se de facto a bola vai ou não para golo.
Como veem, esta ação de jogo tem mais que se lhe diga do que parece.
De cada vez que estiverem a ver um jogo ao vivo ou em casa, tentem fazer este exercício mental. Pensem se determinado lance devia valer vantagem ou paragem de jogo. Verão que é interessante ver a coisa nessa ótica."