Últimas indefectivações

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Esqueçam lá isso da cristianização de Marrocos


"Não faltavam indícios de que isto podia acontecer. O filme de Hollywood passado em Marrocos mais popular de sempre - Casablanca - acaba com um voo para Portugal. Respeitando a história, Marrocos continua na senda de destituir reis portugueses. Eles defenderam o seu bastião, nós perdemos outro S. Sebastião. Depois de eliminarem Portugal e Espanha, não era injusto que renomeássemos a península para Al-Andalus.
Vingando conquistas antigas, a área de Marrocos esteve mais congestionada durante 90 minutos do que a Avenida de Ceuta em hora de ponta. Eles é que têm o deserto, mas nós é que apanhámos seca. No fundo, fomos incompetentes como turistas. Toda a gente sabe que, quando se visita o meio-campo de Marrocos, é preciso saber regatear. Espaço, sobretudo. Mas nós fomos anjinhos e acabámos a pagar o preço de uma passagem para Lisboa por um bilhete de autocarro.
Alguns de nós ficaram estupefactos, outros estavam cientes de que podíamos perder com o país que nos fornece estupefacientes. Fernando Santos, que só fuma cigarros, não estava à espera que os charros de pólen marroquino adormecessem a equipa portuguesa. Perguntámos a Marrocos o que é que eles achavam de nos facilitarem o caminho para o título e eles responderam "haxixe muito mal".
Não sei quantos maços Fernando tinha levado para o Catar, mas hoje era preciso mais tabaco. Desta vez, não houve um Lucky Strike, que é como quem diz um charuto do Éder, para nos safar à última. É sem surpresa que este Mundial acaba a bater mal a Cristiano Ronaldo: no início, deu uma entrevista sem filtro; no fim, ficou com os olhos vermelhos.
Fernando Santos será o grande culpado desta eliminação? Penso que não. Condenar Santos pelos seus insucessos faz tanto sentido como congratulá-lo pelas suas vitórias. É que, em 2016, as coisas alinharam-se para que vencêssemos. Hoje, alinharam-se para que perdêssemos. No jogo contra Marrocos, calhou-nos o mesmo equipamento, o mesmo árbitro e o mesmo canal a transmitir (SIC) a derrota com a Correia. Estava escrito nas estrelas. Desvalorize-se tudo o que tenha a ver com a polémica Ronaldo: o que regeu o insípido percurso de Fernando Santos à frente da seleção nunca foi o astro, mas os astros.
Se queremos responsabilizar alguém de forma objetiva pela pífia campanha portuguesa neste Mundial, eu diria para despedirmos a Sorte. Há seis anos, a sorte levou Fernando Santos a um portal que nos transportou para a glória. Em 2022, o selecionador só conseguiu mesmo entrar no Portal das Finanças. E esse, já sabemos, nunca traz boas notícias."

segunda-feira, 12 de dezembro de 2022

Extremamente desagradável - Georgina atira-se a Santos

Extremamente Desagradável - César Aveiro dos Santos Mourão

O Hércules que não sabia a idade


"James Figg considerou-se a si próprio o primeiro campeão do mundo de boxe. Postumamente deram-lhe razão

Há uma série de teorias sobre o momento exato em que nasceu James Figg. Nem sequer vale a pena entrarmos nos pormenores de dia e de mês. É escusado. Nem escreveria mais uma linha. Deixemos as coisas como estão, ou seja, como surgem nas suas biografias: antes de 1700. Como bateu as botas e foi parar à Quinta das Tabuletas no dia 8 de dezembro de 1734, cumpriram-se na última quinta-feira 288 anos, não terá vivido muito mais do que 35 ou 36 anos, se tivermos em conta que a tal oficial data de before 1700 não vai parar lá para as calendas. Pelo que contam dele muitos que o conheceram pessoalmente e deixaram testemunhos escritos sobre a sua personalidade e sobre a sua idiossincrasia parece que só estava feliz a arranjar chatices, fosse com quem fosse. Acrescente-se que estes testemunhos não são propriamente da infância de James e sim já da sua fase de jovem adulto quando largou a terriola onde nasceu, Thame, no Oxfordshire, conhecida pelo seu mercado e por ter sido um lugar onde se instalaram, durante várias décadas, um grupo de monges de Cister. Como se percebe pelo nome, Thame fica nas margens do Thames, que nós em Portugal batizámos de Tamisa, algo que me recorda as extraordinárias crónicas do meu mestre Carlos Pinhão durante o Mundial de 1966, Londres sem Tamisa, uma blague a esses ministros plenipotenciários do humor que foram Gervásio Lobato (Lisboa em Camisa) e Armando Ferreira (Lisboa sem Camisa).
Figg teve sempre camisas, estava longe de ser pobretanas, mas gostava de subir para os ringues sem ela, de peito feito, logo ele que tinha uma daquelas peitaças de apavorar hipopótamos. Claro que, após deixar Thame, o seu destino só poderia ser um, Londres, essa cloaca onde iam desaguar todos os deserdados do Império. Limitou-se a descer o rio em direção à foz e pôs-se lá num instante. Mais uma vez não conseguimos saber com que idade é que James surgiu na capital mas há registos de que em 1719 já tinha posto a funcionar uma sala de espetáculos preparada para receber qualquer coisa como mil pessoas. Os espetáculos não eram variados por aí além. Resumiam-se basicamente a combates de luta livre ou de troca de socos a mãos nuas. Boxe? Sim, o boxe desse tempo. Percebeu-se logo que Figg não era nenhum pascácio, embora tivesse vindo de uma terra de saloios vendedores de couves e de batatas. Num abrir e piscar de olhos começou a boiar em dinheiro. E não teve dúvidas do que queria fazer com ele.
Avancemos até 1725. Quase tenho vontade de escrever que James Figg andaria pelos seus 25 anos, mas não vou correr esse risco. Vendo bem, que se lixe. A idade não é fundamental para o episódio em causa, mas há que supor que tinha uma idade consistente com o dia a dia de alguém que se predispunha a andar à porrada sempre que fosse necessário, E no caso até era. Um belo dia acordou com uma ideia encasquinada na cabeça e não houve quem o impedisse de atrair uma multidão muito razoável para aquele que terá sido, segundo os historiadores, o primeiro campeonato de boxe da História da Humanidade. É de estalo!, diria o bom do Alencar, do divino Eça. E foi mesmo! A sala enchia-se de gente excitadíssima para ver dois fulanos a tentarem rebentar com as fuças um do outro, delirava com o sangue que espichava dos narizes e dos sobrolhos dos combatentes, delirava quando um deles caía de borco para não se levantar mais, urrava de alegria incontida e de raiva aliviada perante o vencedor e, frequentemente, carregava-o em ombros até ao pub mais próximo onde todos escorropicham pints de cerveja até ao sol nascer e a maioria nem sequer se lembrar do caminho de regresso a casa.
Figg era um tipo britanicamente orgulhoso, mesmo que corra o risco de entrar aqui numa aliteração. Não lhe bastava ser o responsável pelo primeiro autêntico ringue de boxe que alguma vez surgiu na Grande Ilha que Fica para lá da Mancha. Afinal, Deus, na sua infinita generosidade, dera-lhe aquele físico para quê? Narcísico odiava tudo o que não era espelho, como cantaria o Caetano Veloso. Tirava a camisa como quem despe uma real capa de seda persa, untava os bíceps e os peitorais com óleo de baleia azul, estalava os nós dos dedos, e subia àquela espécie de altar no qual a multidão o deveria adorar como se fosse a reencarnação de Hércules, o filho bastardo de Zeus parido por Alcmena, filha do rei de Argos. Em seguida odiava todos os que tinham o atrevimento de combaterem contra ele e esmurrava-os sem dó nem piedade até os deixar esparramados no ringue como um feixe de carne e ossos que tivessem passado por uma trituradora. Assumiu-se como o primeiro campeão do mundo de boxe e postumamente reconheceram-lhe o título.
Afirmou que tinha vencido mais de 200 adversários. Mas vá lá acreditar-se num mamífero que nem sabe ao certo quando nasceu…"

12 de Dezembro


Vitória na Taça...

Benfica 97 - 93 Corruptos
28-22, 17-28, 23-21, 29-22

Mesmo com o adversário provavelmente a fazer o melhor jogo da época, com muitos Triplos, e com o Benfica a cometer alguns erros e com o banco (excepto do Makram) a contribuir com 0 (!!!), vencemos e estamos nos Quartos-de-final da Taça de Portugal...

O Broussard, está de facto em grande forma, mas hoje o MVP foi o Douglas, em todas as acções do jogo! Eu sei que sem o Zirbes ficamos vulneráveis no jogo interior, caso o Carter faça demasiadas faltas prematuramente, o que obrigaria a uma utilização diferente do Makram, mas o Ellisor teria sido muito mais útil hoje, do que o Alemão...

Vermelhão: Perder para ganhar ritmo, após paragem!

Benfica 0 - 1 Sevilha


Algum dia teria que acontecer, portanto perder num particular, pela primeira vez na época, acaba por ser um mal menor! Após 10 dias de férias, ainda sem os Mundialistas (incluindo o Bah...), com alguns jogadores a regressar de lesões, num relvado que com os minutos ficou intratável... contra um adversário muito competitivo que parecia estar a disputar um jogo a sério... assistimos a uma partida, com uma intensidade muito acima do 'normal' nos amigáveis!!!

Acabámos por sofrer um golo, no início da 2.ª parte, num momento do jogo, onde o Sevilha sem substituições ao intervalo (ao contrário do Benfica, que trocou todos os jogadores), estava por cima do jogo, num lance onde falhámos demasiados desarmes (e perdemos demasiados ressaltos)... Mas onde o guarda-redes do adversário acabou por ser provavelmente o MVP da partida, num jogo que nos 90 minutos, acabou por ser equilibrado, com ambas as equipas a terem momentos de superioridade...

A nota potencialmente negativa, foi para a substituição 'forçada' do Neres! Espero que tenha sido só por precaução...!!! Quem aproveitou foi o Neves que no 'seu' Algarve, jogou pela equipa principal, e com excelente atitude... talvez, os meninos que não querem renovar (Neto, Ndour, Moreira e Semedo) devessem por os olhos no João!

Incrível como nem nos particulares, os apitadores do Tugão são capazes de serem isentos!!!

O Rui Costa estava na bancada, e creio que ficou mais uma vez provado que a equipa precisa de retoques, significativos: Médio-centro (uma 4.ª alternativa) e um Ala... Acredito que nenhum dos habituais titulares irá sair, mas temos que 'investir' nas entradas!

Vitória em Ponte de Sor...

Eléctrico 2 - 4 Benfica

Mais uma vitória, fora de casa, contra o 4.º classificado, na última jornada da 1.ª volta, confirmando a liderança, apesar da época atribulada, com muitas lesões, e uma qualidade de jogo que tem deixado muito a desejar em vários jogos...

Mais uma goleada...

Benfica 5 - 0 Valadares


Mais uma vitória, com alguma gestão do plantel...

Goleada...

Benfica 50 - 24 Borac
(26-11)

Depois da vitória na Bósnia, goleada na Luz e qualificação fácil, mesmo com muita rotação, com muitos jogos em poucos dias!
Terça-feira temos o sorteio dos Oitavos-de-final...

Catarses 2️⃣8️⃣ Vão-se os troféus, ficam os pés


"“El-Rei, onde está o Rei?”
Toda a gente perguntava pelo mais “Desejado”, ao ver aquele pelotão desbaratado a desembarcar da nave dos sonhos, sem outros despojos de guerra que não fossem a tristeza no rosto, as feridas no orgulho e uma dor aguda na alma.
“O Rei ficou para trás, perdemo-nos uns dos outros na confusão da batalha…” - arriscou um dos nobres sobreviventes, hesitante entre a assunção do desastre e palavras de honra pela determinação e pundonor com que se tinham batido frente a um adversário em esmagadora superioridade numérica e estratégica.
“Eram mais de 40 mil, um barulho ensurdecedor, não conseguíamos pensar. Pedimos desculpa aos portugueses…”
“Mas está vivo? Sobreviveu como vós? Ficou para trás porque os capitães são os últimos a abandonar?”
“Sim, de certeza, um Rei ainda tão jovem e fogoso não se deixa abater, deixa tudo no campo, não vira a cara à luta e nunca desiste dos seus sonhos”.
“Terá ficado “Adormecido”?”
“Talvez. Ou “Encoberto”… Mas jamais viraria as costas aos companheiros e ao país”.
“E vocês, fidalgos, cabos-de-guerra, não conseguiram protegê-lo na batalha?
Deixaram-no perder-se no meio dos inimigos?”
“Vocês não percebem nada de táticas de guerra, as coisas não correram como pensávamos. Eles eram fortíssimos”.
“Sim, não percebemos nada de guerras, mas… Mas fomos derrotados com o salvador da pátria no campo de batalha? Como foi isso possível?”
“Ele só queria ganhar, bater o recorde de conquistas do “King”, chegar à glória, fazer-nos campeões, mas também não se entendeu muito bem com os generais. Talvez não tenhamos remado todos para o mesmo lado”.
“Que vergonha! E agora? Sabem quando regressa? Ele mandou alguma mensagem para o povo?”
“Na hora, não disse nada. Após a derrota, só verteu lágrimas e desapareceu no horizonte”.
“O que vamos fazer sem ele?”
“Vamos esperar que regresse, que o tempo seja bom conselheiro. Ele há-de voltar, numa destas manhãs enevoadas…”
“Assim o desejamos. Que cada um tire as suas conclusões. Que volte el-Rei! Viva el-Rei!”
“Venham, meus filhos, nosso grande orgulho, a mãe-pátria já vai consolar-vos. Foram-se os troféus, ficaram os pés, o vosso e nosso ganha-pão. Amanhã é outro dia, não ouçam os velhos do Restelo” - gritavam mães, irmãs, namoradas, esposas, todas unidas e solidárias no sofrimento dos seus heróis de porcelana.
“Viva!”, gritaram, num assomo de orgulho e alívio.
E lá foram, estropiados mas reconfortados, ao encontro das mulheres e das crianças, a cambalear de sorriso amarelo e salamaleques envergonhados, os que restavam do exército garboso que se propusera conquistar o mundo mas embateu na fortaleza berbere, reforçada de voluntários de outras paragens, árabes, africanos, otomanos, franceses, belgas e holandeses - suspeitam até de argentinos -, com uma infantaria desproporcional de energia inesgotável que abafou os canhões raiados da nossa soberba.
À passagem da comitiva, os arautos da desgraça, os hipócritas, os invejosos, os ingratos, os vira-casacas, iam subindo o tom de voz, a acidez dos comentários, a verrina da crítica, censurando a ambição cega e a falácia da conquista temerária, movida pela ganância de fama, glória e troféus, para si mesmos e em nome da populaça.
— "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça
Desta vaidade, a quem chamamos Fama!”
Cabisbaixos, mas determinados e ávidos, sempre empurrados pela cupidez sem limite, os fidalgos que ainda restavam da expedição esfrangalhada iriam prometer mais tarde às Cortes políticas, ao clero federativo e ao povo insano, depois de merecido descanso e reflexão, novas investidas, novas conquistas, novos Mundiais ao mundo - a essência psicológica dos Lusíadas, cantada pelo Poeta, no canto IV:
— "A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?”"

Rabona: Predictions Meias...

domingo, 11 de dezembro de 2022

Águia: Marrocos...

Terceiro Anel: Dia 16

11 de Dezembro


Vitória...

Benfica 3 - 0 Castêlo Maia
25-11, 25-14, 25-18

Início da 2.ª fase, com uma vitória tranquila...

Taça vitoriosa...


Taipense 1 - 8 Benfica

Obrigação cumprida, na festa da Taça...

Empate...

Benfica 27 - 27 Sporting
(12-13)

Não vi o jogo, mas o resultado sabe a pouco... Ficamos a depender de nós para sermos Campeões, mas não existe margem de erro...

A posição da Lagartada, no não adiamento do jogo, não surpreende ninguém: Cashball para sempre!!!

Aviso...


"Bem Rui Costa a fazer da vertente desportiva uma prioridade “Temos um objetivo único que é fazer uma época ganhadora. Em janeiro não sairá nenhum jogador, a menos que seja pela cláusula”."

Rabona #16: Morroco... France...

Catarses 2️⃣7️⃣ A grande tenda marroquina


"As tendas dos nómadas do deserto são obras de arte e engenho que suportam os ventos e as temperaturas extremas, tanto o frio como o calor. São escancaradas pelas abas para deixar circular o ar, mas absolutamente bem escoradas e firmes, para manterem o centro à sombra, fresca e tranquila - e os inimigos à vista. Assim é o sistema de jogo de Marrocos, um enorme “bivouac”, à boa maneira dos séquitos dos berberes que viajam sempre com a casa às costas, em protecção da sua área, aberto pelos lados às brisas inofensivas do ataque português, mas mantendo sempre a zona central e a baliza vedadas aos raios de luz e calor das estrelas adversárias.
Só um vendaval ofensivo poderia abanar e derrubar o enorme acampamento marroquino, mas parece que as únicas tempestades causadas pelas nortadas portuguesas no deserto do Catar foram de “fogo amigo” e de areia e poeira sopradas para os olhos dos adeptos pela ventoinha de informação e contra-informação da FPF.
Assim se resume a carreira de Marrocos no Mundial, derrotando em sequência algumas das maiores potências, Bélgica, Espanha e Portugal, e resistindo à Croácia, com apenas seis golos marcados, mas, sobretudo, somente um golo sofrido - um auto-golo até, portanto com 100% de eficácia defensiva perante cinco adversários em 600 minutos de jogo.
Porque o ataque ganha jogos, mas a defesa ganha campeonatos - dizem os americanos. No caso de Portugal, foi um erro defensivo, uma “barraca” na realidade, que nos levou mais um campeonato de esperanças e sonhos.
Sim, Marrocos tem uma equipa muito organizada, forte, combativa, com um guarda-redes que faz a diferença e avançados buliçosos, mas sem qualquer jogador de classe mundial como têm os outros semi-finalistas e os favoritos já mandados para casa. É, aconteça o que acontecer a seguir, um campeão pelo trabalho e pela determinação.
O futebol, que começou a ser jogado no século XIX em 2x2x6, tornou-se no mais adorado desporto pela luta eterna dos treinadores ambiciosos contra os arquitectos da defesa e do anti-golo. Em décadas sucessivas, foram inventados o defesa-central, o stopper, o WM, o ”Método” e o “Sistema” de Pozzo, a “retranca” suíça, o “libero”, o “catenaccio”, o terceiro central - e houve sempre “antídotos” de ataque, que passaram pela criatividade, liberdade de acção e genialidade dos melhores jogadores. Amarrar os atacantes a sistemas defensivos é um crime de lesa-futebol. Há tempos, apareceu no léxico futebolês o verbo “desmontar”, lançado pelo treinador Vítor Pereira como comentador televisivo fugaz. “Desmontar” as defesas tornou-se então a ‘password’ dos “experts” para toda e qualquer situação de dificuldade perante equipas bem montadas na defesa.
Ora, “desmontar” é o enigma que Fernando Santos nunca conseguiu resolver na maioria dos jogos mais complexos dos seus anos na FEMACOSA federativa, sobretudo nas fases adiantadas das grandes competições, com o bambúrrio do Euro-2016 a servir como a excepção.
Bola trocada atrás e pontapés longos a procurar espaços inexistentes nas costas da defensiva marroquina, sem ritmo, sem dinâmica, sem criar superioridade nas zonas nevrálgicas, assim jogou Portugal cerca de uma hora até à introdução desesperada e sem nexo de mais e ainda mais corpos para a frente ofensiva.
Se foram os jogadores que decidiram ou obrigaram a estes equívocos estratégicos, em contra-ciclo com as boas ideias mostradas na partida anterior, é porque o treinador não tem “criatividade nem imaginação”, precisamente os defeitos que aponta à equipa.
Porque, efetivamente, dispôs e desperdiçou o maior naipe de jogadores de classe mundial de sempre, melhor que o dos campeões europeus, e termina - assim espero - o longo consulado sem nos deixar um legado que possa constituir base de trabalho, seja para quem quer que venha a seguir. Portugal tem jogadores excepcionais, que merecem um seleccionador tão bom e seguro de si, que só aceite um contrato de trabalho a termo, que lhe garanta independência e superioridade moral."

Catarses 2️⃣6️⃣ Muito mais que Futebol


"Morreu Grant Wahl.
Um ataque cardíaco fulminante em plena bancada de imprensa do estádio onde acabara de assistir ao Argentina-Holanda do Mundial do Catar. Com 48 anos. É dramático sim, raro, brutal, injusto. Nunca será apenas futebol, nunca será apenas vida ou morte, o Futebol é muito mais que isso - recorrendo novamente à explicação esotérica de Bill Shankly.
Conheci Grant Wahl no Mundial de França de 1998, quando ambos acompanhávamos o estágio da seleção dos Estados Unidos no meio de um vinhedo do Beaujolais e estivemos em vários jogos, nomeadamente o histórico Amerika-Irão, em Lyon. Reencontrei-o no ano seguinte em Los Angeles na cobertura de um importantíssimo Congresso da FIFA e na final do Mundial de Futebol Feminino, ganho pelos Estados Unidos no Rosebowl de Pasadena, já no encalço dos podres da camarilha de Joseph Blatter.
Nesses anos antes da internet, eu, apaixonado pela essência do desporto norte-americano, era assinante da Sports Illustrated onde Grant começava a publicar reportagens completas e rigorosas. Soube agora que fez a capa da maior e melhor revista mundial de desporto por mais de 50 vezes, inclusive com o tema Cristiano Ronaldo, um recorde difícil de bater por jornalistas comuns. Foi muito influente na expansão do futebol nos EUA, autor do livro “The Beckham Experiment”, com crónicas nos jornais nacionais e aparições regulares na CNN.
Não voltámos a ver-nos porque já não fui ao Mundial da Coreia de 2002, por ser considerado pelos meus editores um tipo demasiado problemático para continuar a andar perto da seleção nacional, que se queria tranquila e vitoriosa, desviando-me em boa hora para o mundo Olímpico, onde ele também trabalhou, sobretudo acompanhando a selecção feminina dos EUA. De certo, estivemos ao mesmo tempo, sem nos cruzarmos, no ‘Ninho de Pássaro’ a ver a final dos Jogos de 2008, com Messi, Riquelme e Di Maria, porque a Argentina era especial para ele.
Continuei a acompanhar-lhe a carreira nas redes sociais para não perder as intervenções mais significativas. A coragem e frontalidade com que enfrentou o poder corrupto da FIFA, que chegou a mudar os estatutos eleitorais para evitar que Grant Wahl voltasse a candidatar-se à presidência, como fez em 2011, pondo em alvoroço o status quo, até ser obrigado a desistir pelo cansaço e falta de apoios do sistema federativo.
Era um homem de causas, casado com uma célebre virologista que aconselhou o futuro presidente Biden sobre a crise do Covid-19, e no começo do Mundial chegou a ser detido pela polícia dos costumes do Catar, por aparecer vestido com uma t-shirt arco-íris. O irmão acha que foi assassinado, alvo de conspiração do regime totalitário de Infantino e seus sequazes. À distância parece-me rebuscado, mas merece que algum discípulo pegue no assunto.
Grant Wahl era agora um freelancer, com espaço na tv americana mais ligada ao “soccer”, a Fox, e escrevia para o ‘New York Times’, o Real Madrid do jornalismo, depois de ter sido despedido pelos novos proprietários mercantis da SI por recusar o corte salarial nos anos da pandemia. De qualquer modo, também a revista se tornara pequena demais para ele.
Morreu a ver a sua Argentina, o país de adopção que escolheu para o seu trabalho de curso de estudar o futebol num país estrangeiro e onde pudesse desenvolver o seu espanhol, tendo passado um verão na Bombonera, a mítica casa do Boca Juniors e de Diego Maradona.
“Esse amor de verão de um estudante de 20 anos, apaixonar-me por um estádio”, descreveu mais tarde. “Adorei estar nas bancadas, cantando e correndo como louco, como surfista sobre a onda da multidão de adeptos ao encontro da vedação por trás da baliza, sempre que o Boca marca um golo”.
Os seus últimos tweet foram “o que é que acaba de acontecer?” e “mais um incrivelmente desenhado golo de bola parada da Holanda”, como comentário de conhecedor e amante de futebol à brilhante invenção de Louis van Gaal que empatou a dramática partida com a Argentina, aos 90+11 minutos.
Grant Wahl, verdadeiro homem do futebol, morreu como Cândido de Oliveira, fundador de A Bola e mestre dos treinadores e dos jornalistas, quando cobria o Mundial da Suécia, no ano em que nasci, e desrespeitou as ordens médicas para descansar no hotel e não ir aos estádios ver Pelé - o que contribuiu para agravar irreversivelmente uma infecção pulmonar.
Há uns dias, Wahl sentiu-se mal, por causa de uma constipação mal curada na noite do Holanda-Estados Unidos, e os médicos no centro de imprensa diagnosticaram-lhe possível bronquite, medicaram-no com antibióticos, mas confessou não se sentir bem: “Ainda, ‘no bueno’”.
Rest in Peace."

Terceiro Anel: Dia 15

Estadia curta!


"Aqui está um rapaz que sabe gerir as suas finanças. Consegue viajar para o Qatar; hospedar-se num luxuoso hotel - sabendo de antemão que são dos mais caros do mundo - e ainda comprar bilhete para ver Portugal. E tudo isto com um salário de 500 euros mensais.
Um exemplo para todos!"

Tecnologia e Fora de Jogo


"A crença de que a exactidão da máquina é superior à humana não deve persuadir-nos a aceitar decisões milimétricas, nas quais a margem de erro é por vezes superior ao valor que se pretende estimar.

O sistema KINEXON, em grande destaque no Mundial FIFA, teve a sua estreia em Munique, no dia 22 de Outubro de 2017, num jogo de uma divisão secundária do futebol alemão. As instâncias internacionais do futebol têm sido cautelosas na introdução de ferramentas de apoio à arbitragem. Os primeiros passos foram dados com a tecnologia da linha de golo (2012), a que se seguiu o VAR (2016). Mas é com a introdução do KINEXON e o seu sistema semi-automático de fora de jogo, que se dá o “salto quântico”.
Tal como é anunciado, o sistema KINEXON usa num dispositivo, colocado no centro da bola, que contém um sensor inercial (IMU) e um sensor de banda ultra larga (UWB). Este envia informação (a 500 Hz) para um conjunto de 26 antenas (LPS – sistema de posicionamento local), colocadas em posições determinadas à volta do estádio. Adicionalmente, dispõe de 12 câmaras “olho de falcão” (a 50 fps) que seguem a bola, bem como 29 pontos do corpo dos jogadores. O sensor UWB em conjunto com o LPS permitem determinar, por triangulação, a posição da bola, ajudando a decidir se a bola saiu ou não de campo, e se passou ou não a linha de baliza. O sensor inercial (IMU) mede outros parâmetros, como a aceleração e a velocidade angular. Para a questão do fora de jogo, embora o sensor UWB determine com maior precisão (500 Hz) o instante em que há o contacto com a bola, a posição dos jogadores envolvidos continua a ser feita através das imagens das câmaras (50 Hz). E, portanto, no instante determinado pelo UWB, pode ou não haver o fotograma correspondente.
O sistema tem ainda outra inovação. Antes, tanto o alerta de offside, como a marcação das “tradicionais” linhas estavam dependentes de intervenção humana. Agora, o processo é automatizado: um programa de inteligência artificial emite o alerta e, para dissipar as possíveis dúvidas dos adeptos, é gerada a imagem sintética 3D dos jogadores envolvidos, na posição que levou à decisão.
Não pretendo fixar-me em demasia sobre os aspectos técnicos das soluções concretas, porque os seus detalhes ou não são inteiramente revelados, ou a complexidade do processo é tal que não permite senão uma análise experimental. Um estudo deste tipo, publicado em 2021, foi efectuado no Fraunhofer Institute for Integrated Circuits. Embora o sistema KINEXON testado não seja exactamente o do Mundial, são reportados erros para a posição do jogador e da bola de 8 ± 1 cm e 15 ± 3 cm, respectivamente.
Um dos requisitos para analisar o offside é estabelecer o instante em que o jogador que faz o passe entra em contacto com a bola. No arranjo mais simples, em que se recorre a uma única câmara, a maior ou menor precisão na determinação desse instante depende do número de fotogramas por segundo (fps). Como as câmaras do Mundial funcionam a 50 fps, isso traduz-se num intervalo de tempo de 20 ms entre fotogramas sucessivos.
O instante do fora de jogo estará algures entre o último fotograma antes do contacto e o primeiro em que há contacto. Sendo a duração da interacção com a bola da ordem dos 10 ms, não é de excluir a situação em que nenhum dos fotogramas mostra o contacto. Nesta eventualidade, deveremos considerar os fotogramas imediatamente antes e imediatamente após o contacto.
O segundo requisito é saber onde está o jogador que recebe o passe, no instante em que este é feito. A situação de dúvida acontece no caso em que o referido jogador num dos fotogramas está para além, e no outro aquém do penúltimo defesa contrário. Resultando, portanto, numa análise inconclusiva, a menos que se façam interpolações.
Isto será assim, sempre que seja possível determinar inequivocamente os dois fotogramas referidos, e que neles seja clara a posição relativa dos jogadores envolvidos.
Dir-me-ão, esta análise é muito simplista. Existem várias câmaras e até já temos sensores na bola e nos jogadores. É assim possível medir velocidades, acelerações e estimar trajectórias. Todos estes dados podem então ser tratados por um algoritmo de inteligência artificial e os seus resultados convertidos em imagens sintéticas, fabricadas por potentes métodos de representação gráfica. Verdade.
A primeira observação é que, numa boa transmissão televisiva, resulta muitas vezes possível para o espectador, no momento mesmo em que vê as imagens, aferir do fora de jogo. E, quando tal deixa dúvidas, muitos outros casos podem ser humanamente decididos observando os dois fotogramas pertinentes. Restam as situações em que as melhores imagens disponíveis não têm um ângulo favorável, e aquelas em que o offside é, digamos, milimétrico.
A segunda observação é que quaisquer medições, e cálculos feitos a partir delas, têm um erro associado. Mais, esses erros propagam-se de forma intrincada (que só pode tratada estatisticamente) ao calcularmos novas grandezas em função de parâmetros obtidos anteriormente. Quanto maior for a complexidade do processo, mais difícil será estimar os erros associados aos valores finais das grandezas que procuramos obter.
Esta dificuldade explicará, eventualmente, a razão pela qual, mesmo no sistema que recorre apenas às imagens das câmaras, não seja apresentada qualquer estimativa do erro para a distância entre as duas linhas, traçadas relativamente ao corpo dos dois jogadores em apreço. Por outras palavras, não se fornece um valor para a precisão do processo. É o milímetro, o centímetro, o decímetro?… Não sabemos. Contudo, se a precisão for hipoteticamente de 10 cm, é óbvio que não se deve assinalar um fora de jogo por 3 cm.
Seja o seguinte exemplo. Por simplicidade, tomo o defesa parado. Se a velocidade do avançado (na direcção longitudinal do campo) for 5 m/s, em 20 ms (o tempo entre dois fotogramas de câmaras a 50 Hz) ele percorrerá 10 cm. Se no primeiro fotograma o avançado está em jogo por 7 cm, no segundo estará offside por 3 cm. Como não sabemos exactamente o instante em que o passe foi feito, convencionemos que foi a meio dos dois frames, i.e. passados 10 ms. Ora, sendo esse o caso, o avançado passaria a estar em jogo por 2 cm, e não offside por 3 cm.
Para além dos detalhes, creio ser importante um ponto de vista crítico, mais abrangente, sobre os métodos tecnológicos de apoio à decisão. Lewis Mumford analisou bem, em The Myth of the Machine, a tendência perigosa e potencialmente perniciosa que consiste em considerar a tecnologia como exacta, eficaz e infalível e, por oposição, o que é humano como defeituoso, falível e substituível. Este condicionamento leva-nos a menorizar a dimensão subjectiva – os nossos sentidos, experiência e inteligência – em favor de uma putativa objectividade da máquina. No presente contexto, isto traduz-se no entendimento da imagem sintética do fora de jogo como a verdadeira representação da realidade, a pontos de dispensarmos as imagens televisivas em replay, ou os dois fotogramas pertinentes. Embora, note-se, os nossos sentidos peçam ainda uma imagem, em vez de um simples sim ou não. Caminhamos, talvez, para elevar os sistemas tecnológicos à função de decisores (decision maker), em vez de simples auxiliares da decisão (decision aid), e a tornar assim irrelevantes todas as questões relacionadas com a sua precisão e margem de erro. Esta perfeita exactidão, anulando toda a margem de dúvida, terá mesmo influência na natureza do jogo.
No offside, a recomendação das instâncias de arbitragem era para, em caso de dúvida, o árbitro (humano) deixar prosseguir a jogada, dando a vantagem à equipa atacante. Na primeira versão VAR o jogo passou a ser interrompido, dando tempo à marcação (humana) das linhas, e retomado após a decisão. Agora, com o sistema semi-automático, a máquina emite um alerta para o VAR, que poderá confirmar a decisão. Mas, na verdade, com imagens 3D de precisão infinita, o sistema só não é totalmente automático, porque obriga o vídeo-árbitro a carregar num botão! Em ambas as versões tecnológicas, tudo o que se jogou, desde o incidente, até à interrupção, é deitado fora como se fosse riscado da acta.
No ténis, onde a tecnologia do Hawk-Eye (olho de falcão) é usada desde 2006, a perfeita exactidão é levada ao extremo, sem que já ninguém se interrogue. Tal só é possível porque a decisão sobre se a bola é dentro ou fora é tomada, não sobre o mundo físico, mas sobre o mundo virtual gerado pelo algoritmo: um mundo que ignora os erros das medidas directas e das calculadas, e onde a realidade é representada através de linhas de largura exacta e bolas perfeitamente delineadas e sem espessura. Não há sequer memória de o sistema alguma vez ter chegado a uma análise inconclusiva. Mais, a questão do erro está tão fora das preocupações, que são assinaladas bolas dentro (ou fora) por 1 mm (por exemplo, Federer-Nadal, final de Wimbledon, 2007), quando erro médio anunciado pela própria empresa (Hawk-Eye Innovations Ltd) é de 3.6 mm!
O objectivo de corrigir erros grosseiros do árbitro – por dificuldade de visão, distracção, ou mesmo motivos menos honestos – é desejável e louvável. Mas a crença (correcta na maioria das circunstâncias) de que a exactidão da máquina é superior à humana, não deve persuadir-nos a aceitar decisões milimétricas, nas quais a margem de erro é por vezes superior ao valor que se pretende estimar."

Fora da Área...


sábado, 10 de dezembro de 2022

10 de Dezembro


Fim de semana de emoções fortes


"Esta edição da News Benfica é dedicada à agenda desportiva do fim de semana e aos jogos realizados ontem. Dérbi no andebol, clássico no basquetebol e o particular com o Sevilha em futebol são os maiores atrativos.

1
A nossa equipa de futebol regressa aos jogos, no Algarve, frente ao Sevilha (domingo às 17h00), um particular com vista à preparação para a retoma das competições. O próximo desafio em competições oficiais está agendado para dia 17 (visita ao Moreirense para a Taça da Liga). Neste encontro com o Sevilha, Roger Schmidt ainda não conta com os seis mundialistas, dos quais cinco, ao serviço de Portugal e Argentina, ainda estão em prova.

2
Amanhã há dérbi com o Sporting, na Luz, em andebol. O capitão de equipa, Paulo Moreno, fez a antevisão e apelou à presença dos Benfiquistas: "É na nossa casa e queremos ganhar com um grande ambiente. Que nos venham apoiar e empurrem para a vitória. Se os adeptos criarem um ambiente como nós, Benfiquistas, sabemos fazer, de certeza que vamos estar mais próximos da vitória."

3
O sorteio da Taça de Portugal de basquetebol ditou um clássico para os oitavos de final e é no domingo, às 17h00, na Luz, que Benfica e FC Porto voltam a medir forças nesta temporada. Recordamos que, na partida anterior, para o Campeonato, vencemos 105-112 após prolongamento, pelo que se perspetiva um jogo equilibrado e em que o apoio dos Benfiquistas é fundamental para chegarmos ao triunfo. Não falte!

4
Ontem houve vários jogos. Em hóquei em patins visitámos o Riba d'Ave e vencemos por 3-6; no futsal recebemos o Ferreira do Zêzere e ganhámos por 5-4. Em ambas mantivemos a liderança dos respetivos Campeonatos. A equipa feminina de basquetebol sofreu a primeira derrota da temporada. Foi na Bélgica, frente ao Belfius Namur Capitale, por 72-56, mas o apuramento para os 16 avos de final da FIBA EuroCup Women já estava garantido. Em voleibol, nos homens batemos o Viana por 3-0 e nas mulheres superiorizámo-nos ao Clube K (3-2).

5
Além dos acima referidos, há mais jogos para apoiarmos o nosso Benfica neste fim de semana. Destacamos aqueles em que somos visitados.
A equipa feminina de futebol recebe o Valadares Gaia no Benfica Campus, domingo às 16h00. E são várias as partidas na Luz. No voleibol tem início a 2.ª fase do Campeonato, em que na primeira jornada defrontamos o Castêlo Da Maia (sábado, às 18h00). No andebol feminino há duplo confronto: sábado com o Colégio de Gaia (19h30) e domingo com o ZRK Borac (15h30). No básquete feminino recebemos o CP Natação, domingo às 11h00. 
Para saber os locais e horários de todos os jogos, clique aqui.

6
A Fundação Benfica e a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa celebraram um protocolo de colaboração que pressupõe a continuidade da parceria estabelecida em múltiplos projetos sociais. Saiba mais no artigo publicado no Site Oficial.

7
Para ver e rever na BTV. Estreou ontem o novo programa "A Carrinha do Bento". A glória Carlos Manuel, acompanhado pelo jornalista João Martins, percorrem o País numa viagem pela mística e história do Glorioso. Veja o teaser, aqui."

Benfica lamenta intransigência do Sporting


"O Sport Lisboa e Benfica lamenta que o Sporting se tenha mostrado, hoje, mais uma vez, irredutível quanto a uma mudança de horário do dérbi de andebol marcado para amanhã, às 15h00, no Pavilhão n.º 2 do Estádio da Luz.
Apesar de todas as tentativas realizadas desde o início da semana, o Sporting mostrou-se repetidamente intransigente quanto a qualquer alteração, apesar de, à mesma hora, a seleção portuguesa disputar o acesso às meias-finais do Campeonato do Mundo de futebol.
O Sport Lisboa e Benfica entende que esta sobreposição em nada defende a modalidade, num dérbi que se espera emocionante. E se o objetivo do Sporting era encontrar um pavilhão vazio, será certamente surpreendido pela massiva presença dos adeptos do nosso Clube, a quem deixamos o apelo para uma adesão e um apoio emocionantes, como sempre acontece."

Catarses 2️⃣5️⃣ Sebastião e os Reis de Marrocos


"Acreditar que D. Sebastião podia assomar ao alto da Serra dos Candeeiros, impante e Vitorioso no seu garanhão branco, era um dos devaneios da minha infância, inspirado pelos cânones negacionistas do regime, naquelas manhãs de geada, neblina e poças de água, a caminho da escola primária. 
Muitos anos depois, o futebol e a profissão possibilitaram-me trabalhar intensivamente em Marrocos durante mais de um ano. Uma oportunidade única de conhecer a História, pelo lado do inimigo. Foi há 20 anos, mas lembro-me exactamente onde estava e com quem, os meus amigos Youssef e M’ahmed, ao serão em Agadir, quando tomei consciência da narrativa absurda que nos foi ensinada sobre esse episódio trágico e marcante para Portugal e para o Mundo. Eles chamavam-lhe a “Batalha dos Três Reis” e demoraram algum tempo a perceber o que queria dizer o meu “Alcácer Quibir” que, na verdade, era o original Ksar el-Kebir, que devíamos ter traduzido literalmente por “Grande Castelo”, ali perto do Wadi al-Makhazin, um vale à prova de invasores, onde tudo se passou - para que o trauma da derrota não fosse tão grande e perene.
E que, embora armados com artilharia pesada, os portugueses aliados às tropas mouras do Sultão caído em desgraça, Abdallah Al-Mutawakil, não chegavam a metade dos mais de 50.000 soldados do terceiro Rei, o Sultão Abd al-Malik. Foi pela voz dos amigos marroquinos que finalmente matei o Sebastião da minha genética cultural, por solidariedade alheia, ao tomar consciência que também os dois Reis muçulmanos desavindos tinham morrido na carnificina desse 4 de Agosto de 1578, da qual ninguém saiu ileso.
Mais de 400 anos depois, incluindo banhos e passeios prazenteiros nas praias onde Sebastião e as suas tropas em fuga se afogaram dramaticamente, conheci um país extraordinário.
Do azul da costa mediterrânea de Tânger ao branco dos picos nevados do Atlas, passando pelas tinturarias de Fez, pelo ocre de Marraquexe ou pelos cenários épicos de Ouarzazate, a porta do Sahara, do nascer do sol ao som dos minaretes a chamar para o primeiro “Salah” e do frenesim das manhãs no meio do trânsito dos burros de carga nas medinas sobrelotadas das cidades imperiais, à sensualidade das dançarinas do ventre nas noites dos riades, e absorvendo, sempre que pude, a inspiração contemplativa do silêncio do palmeiral de La Mamounia, o palácio que preserva intacta a suite de Churchill com a mesma abertura multicultural com que se lê um jornal europeu e se come ‘croissants’ pela manhã em Casablanca.
Adoro Marrocos e sei que os marroquinos adoram Portugal e os portugueses - não entendo como não existe uma ponte política, social e económica, sem barreiras nem portagens, entre as duas margens deste rio salgado que nos separa. Adoro futebol e aprendi que nenhum povo gosta mais de futebol do que o marroquino, pelo que também fui derrotado junto com as “tropas” do Rei Mohammed VI na batalha de Zurique em que o conluio da FIFA atribuiu o Mundial de 2010 à África do Sul.
Hoje voltamos a encontrar-nos num mar de areia, árido e truculento, precisando de deixar em casa a arrogância sobranceira dos eternos Sebastiões que habitam em nós.
Como diz o fidalgo da FEMACOSA, a selecção de Marrocos é fortíssima, determinada e organizada como o exército de Al-Malik, que atacava pelos flancos com uma cavalaria de puros-sangues, os Hakimi e os Ziyech pela direita, os Mazzraoui e os Boufal pela esquerda, para ganhar o domínio do centro da batalha. E com a firmeza dos Bono, a combatividade dos Amrabat e a inclemência dos En-Nesyri desbaratava a admirada táctica do quadrado, espécie de tiki-taka dos torneios ibéricos, engendrada por Mister Álvares Pereira, 200 anos antes. “O Desejado" cavalgou ao encontro de uma morte inglória, treslouco pelo cristianismo assanhado e miragens de glória a clamar “Sebastião, Sebastião, Sebastião”. Não nos inebriemos se, às tantas, ouvirmos a multidão de árabes e berberes no estádio do Catar também chamar o capitão-mor das tropas lusas, “Cristiano, Cristiano, Cristiano”.
Será apenas um enganador salamaleque colectivo, o canto das sereias do deserto. Fazem-no com a sabedoria negocial com que nos impingem marroquinaria nos “souks” da praça Jemaa el-Fna, dos encantadores de serpentes, pelo triplo do valor real. Ou com a desfaçatez com que em 1986 endrominaram o ingénuo Bom Gigante, José Torres, atormentado pelas patetices de Saltillo, tal como o selecionador tem andado assoberbado pelas tolices de Doha.
Se de Alcácer Quibir saiu um novo Sultão, Aḥmad al-Manṣūr (Aḥmad, o Vitorioso), que se cumpra o destino, meio messiânico, meio sebastiânico, de sair da batalha de Al-Thumama, contra todo o mundo árabe reunido em apoio de Marrocos, um novo Rei, Amado Portugal, o Vitorioso.
Oxalá!"

Catarses 2️⃣4️⃣ Oração pelo Cristio-ronaldismo


"Ricardo Reis, o clássico “criativo” de influência brasileira e um dos craques principais do vasto plantel à disposição do seleccionador Fernando Pessoa, atacou o pecado da soberba na ode “Quero ignorado, e calmo”, uma oração à humilde gratidão, muito atual e reflexiva:
“Aos que a riqueza toca, o ouro irrita a pele.
Aos que a fama bafeja, embacia-se a vida.”
“Aos que a felicidade, é sol, virá a noite.
Mas ao que nada espera, tudo que vem é grato.”
A gratidão (e a falta dela) provocou nos últimos dias um autêntico cisma na vasta legião de seguidores desta nova igreja do Cristio-ronaldismo que vinha medrando há anos em franjas da sociedade portuguesa, primeiro como família, em seguida como claque devota, depois como seita incondicional e, finalmente, como religião de fanáticos exaltados e absolutamente intolerantes aos espíritos críticos. Não é a primeira vez que esta conexão espiritual com o futebol se desenvolve em formato religioso. Com Pelé e os campeonatos do mundo nasceu o conceito “Deus é brasileiro”, embora perdendo de goleada para a eficácia do candomblé com seus orixás e pais de santo.
E, mais tarde, a Igreja Maradoniana, fundada em 1998 na cidade argentina de Rosário, com todos os seus preceitos em 10 Mandamentos e obediência ao divinal tetragrama D10S (Dios), que confunde o D de Diego com o seu número, e que conta os anos como a.D. e d.D, antes e depois do nascimento d’Ele:
“Diego nosso, que estás no céu, santificado seja o teu pé esquerdo…”
Por cá, é frequente ouvir que a marca CR7 é maior que Portugal, pela força dos seus triliões de seguidores, e arrisco-me a afirmar que terá mais fiéis do que muitas religiões milenares, arrastando multidões de crentes que nunca tinham sentido necessidade de empunhar a palavra e sair à liça em defesa do seu profeta.
Idolatrava-se este novo cruzado por ser pacífico e magnânimo, tomando conta do mundo pela graça do seu toque de bola e pelos golos milagrosos que fazia à vista de todos, segundo os três mandamentos dos deuses do Olimpo, “mais rápido, mais alto, mais forte”.
Mas agora, nada se diz que não descambe em discussão inclemente e agressiva contra os cépticos, os ingratos, os injustos, os hipócritas, os invejosos, os mal-agradecidos, os traidores, os jagunços, os arrombados, os babacas, “essa gentalha”, para citar alguns dos epítetos com que vi e ouvi serem catalogados os que ousaram manifestar-se a favor das mudanças do seleccionador e contra o vedetismo exacerbado de um extraordinário jogador de futebol em evidente ‘off side’.
O cisma separa os indefectíveis, para quem é inadmissível questionar a infalibilidade dogmática da divindade, dos hereges protestantes que deixaram de reconhecer a autoridade técnica, táctica e física do líder espiritual, pelo menos no âmbito da selecção.
Esta vigilante e estulta “polícia da ronalidade” começa o enunciado das suas contra-ordenações por “não percebo de futebol, mas…”, convicta de que os que se colocaram do lado do “Nós” são perigosas ameaças para “Ele”.
Os blasfemos foram ameaçados de excomunhão, pelos sacerdotes e pelas vestais saídas a terreiro em desagravo do “supremo monstro sagrado esculachado pela mula (Fernando Santos)”, como eloquentemente definiu um “pastor” brasileiro do ramo universal deste reino, numa corrente de libertação no YouTube, enquanto bramava contra os golos de Gonçalo Ramos.
”Preferia Ronaldo a titular do que a vitória contra a Suíça”, afirmou urbi et orbi, na mesma linha num púlpito aberto a cabotinos, outro desses diáconos sem remédio, mortificando-se com o cilício televisivo - o cinto de arame que tritura o corpo e não o silício orgânico que combate o envelhecimento -, como penitência alheia pela longa lista de pecados e omissões averbados nos últimos tempos ao deus-homem nos terreiros do Catar.
Caríssimos irmãos, oremos, então, pelas palavras do poeta para que a compreensão acenda a luz nessas vidas embaciadas pela fama e assoberbadas pela riqueza. Oremos pelo verbo do evangelista do Português para que a humildade ilumine e gratifique estes tempos de trevas.
“Quero ignorado, e calmo (Cristiano)
Por ignorado, e próprio (Ronaldo)
Por calmo, (o Futebol) encher meus dias
De não querer mais (os Golos) dele(s)”
Que me perdoe, o Supremo Ricardo Reis, autor de “Segue o teu destino”, por esta derradeira infâmia satânica contra a ode e a língua, religiosamente a pátria de todos “Nós”:
“Os deuses são deuses
Porque não se pensam”"

Saviola não esquece o Benfica

Alberto Mota, in Facebook

Rabona #15 - Croácia... Argentina...

Terceiro Anel: 11 ideal...

Terceiro Anel: Dia 14

Visão: Bola Pá #4 - Suíça...

A Verdade do Tadeia #704 - Pepe, Portugal e os quartos

ESPN FC: I don't believe a word from what Ronaldo said!

Um transtorno de 90 minutos


"Há muito que digo, por graça, que os adeptos da seleção – sobretudo os que afirmam que nem gostam propriamente de futebol, apenas destes momentos de fervor patriótico – são como condutores de domingo. Surgem de tempos a tempos, sem dominar bem a tarefa e ignorando até algumas regras básicas, mas são muitos, pelo que rapidamente provocam engarrafamentos desnecessários, com protestos mal informados como consequência.
Claro que têm todo o direito a participar da festa e até é nestes momentos que se ganham mais uns quantos adeptos definitivos, mas a maioria circulante provoca sempre ruído, muito dele inútil.
Acompanho Europeus e Mundiais há décadas e já me habituei ao trânsito. Vai em crescendo, a partir das manifestações iniciais de dúvida: se este caminho é melhor que aquele, se quem nos guia é fulano ou sicrano. Sempre em busca da solução fácil, do fator x que tudo explica e autoriza. E passa-se depressa da crítica gratuita à mitificação do herói. E vice-versa.
Em Portugal, então, é numa vertigem que se avança do «não jogamos nada» ao «vamos ser campeões do mundo». Voltou a acontecer na última semana. O treinador é à vez bestial e besta, como sempre, e glorificam-se ou atacam-se jogadores em função da tonalidade clubística que carregam desde a formação. Nem a pátria em chuteiras nos livra disso.
Os que cá andam por sistema, como eu, gostam de ter razão, que as exibições e resultados lhes confirmem os vaticínios. Mas é bem menos por isso que me agrada que esteja a correr bem desta vez, do que por se provar que afinal é possível ver Portugal jogar como equipa grande, colocando em campo, ao mesmo tempo, os maiores talentos que tem. É o gozo que dá. E há muito que ver Portugal jogar não dava tanto, na incomparável qualidade de Bernardo Silva, na capacidade de Bruno Fernandes para resolver qualquer jogo, na afirmação exuberante do génio de João Félix, na confirmação de Otávio como craque completo.
E tantos mais, que a partir do banco podem acrescentar na zona criativa, do meio-campo para a frente, onde verdadeiramente se determina se uma equipa é apenas boa ou tem qualidade extra. Claro que se perder com Marrocos, ou no jogo a seguir, ou até na final como nunca jogámos, lá se dirá que faltou quem defendesse naquele meio-campo, ausente de jogadores mais rápidos ou robustos. Fernando Santos será então acusado, desta vez, de excesso de ousadia. Não deixa de ser irónico.
Escreveu há um par de dias Juan Manuel Lillo, ex-assistente de Guardiola e um dos que melhor refletem sobre futebol, já a propósito deste Mundial: «às vezes penso que os 90 minutos são quase um transtorno para algumas pessoas, que só querem mesmo ou elogiar os vencedores ou dizer o piorio (talk shit, no original) de quem perde.»
Se Portugal acabar a celebrar - só aconteceu uma vez! – seremos todos parte daquele povo fantástico, conquistador e raro. Caso contrário, os culpados serão os de sempre, com o treinador à cabeça, sobretudo por não ter colocado Ronaldo mais tempo. E até o futebol, ele próprio, será de novo verberado por ter importância a mais num país como o nosso. Será quando acordaremos de novo para a realidade, ainda de guerra e inflação, como numa qualquer segunda-feira em que voltam a andar na estrada os do costume, obrigados ao percurso atribulado para o trabalho ou levar os filhos à escola em hora de ponta.
Os domingueiros da bola, com posts mais ou menos populistas, hão de voltar numa próxima oportunidade. Porque, até lá, cada sequência de 90 minutos é uma canseira para eles."

Não é futebol, é política e da boa!


"É sempre da boa, o que me recorda episódio do Brasil da ditadura militar, durante o Mundial de 1970. Era importante para o regime que o Escrete, com Pelé à cabeça, conquistasse o Tricampeonato. Para a oposição comunista, na clandestinidade, era importante que o México 70 corresse muito mal aos canarinhos. Conta um desses clandestinos, que assistiu ao jogo da final num apartamento de São Paulo, queria que perdessem e quando o Brasil marcou foi para a janela, deu três tiros para o ar e gritou em lágrimas "puta que pariu, como é bom ser brasileiro!"
O Portugal-Marrocos de amanhã, descascado à margem das mialgias e dos 4x3x3 mais os alas, em tudo espelha a importância política do futebol para ambos os regimes. Ou porque será que o Presidente Marcelo se mantém em campanha sem hipótese de um terceiro mandato? E tudo e tudo e tudo, que todos/as estamos sintonizados/as domingo à noite com o que vale a pena ver da encenação, primeiro com os comentários de Marques Mendes e depois com o ritmo e a poesia de RAP, Ricardo Araújo Pereira. Ou seja, já só vemos o compacto da semana, o melhorzinho, apresentado pelos maiorzinhos!
Os Leões do Atlas, a Selecção Marroquina de Futebol, também tem peso semelhante, duplo, talvez triplo até em Marrocos. Porquê?
Porque as vitórias desta equipa, todas elas e nós temos o exemplo do México 86, aliás uma referência na memória colectiva de todos/as súbditos/as esses 3-1 de Guadalajara! Dizia, porque as vitórias desta equipa, todas elas, são fruto de um trabalho colectivo maroco-marocain! Quero dizer, os resultados de uma equipa são sempre fruto do colectivo, mas no caso marroquino escala para múltiplas dimensões. Há a dimensão da perspectiva da equipa mais pobre face aos milionários galácticos que vão defrontar, cuja referência bíblica David e Golias tem lastro no Islão. Ganhar, começando com prolegómenos de base na força divina, "Morra Sansão e todos os que aqui estão!" Um primeiro sintoma de Comunidade inabalável, até porque está tudo a passar na TV.
Depois há a perspectiva da bipolaridade, com amazighs a evidenciarem a berberidade de Marrocos com base na berberidade da Selecção e os árabes a fazerem o mesmo, mas no seu sentido, evidenciando o facto de nunca nenhuma equipa árabe ter chegado tão longe num Mundial. Os amazighs levantam a bandeira de África e de ser a única equipa em representação do continente nesta fase final da competição. Outra responsabilidade, afinal os leões estão todos em África! Todos ganham, porque é tão bom ser-se brasileiro como tão bom ser-se marroquino!
O ponto alto das comemorações da noite de terça-feira, foi O Unificador superlativo, o Monarca quando saiu à rua para comemorar com o seu povo. As redes sociais invadem-se de pequenos vídeos de diferentes ângulos desse momento e passasse a comemorar logo a próxima vitória, que já não se aguenta com tanta alegria!
"Futebol é fogo que arde sem se ver, é ferida que dói e não se sente, é um contentamento descontente, é dor que desatina sem doer!"
O "desatino desta dor" na vitória face à Espanha, é o agridoce da vingança do ex-colonizado sobre o principal parceiro comercial. Já o jogo com Portugal terá no cenário uma batalha naval entre bons piratas, velhos amigos, que verão comemoração na Baia de Salé, onda uma Aisha Qandisha está sempre à espreita!"

Ronaldo não pode sair pela porta pequena. Só depende dele


"Ronaldo não precisava de jogar os 90 minutos de todos os jogos, não precisava de “exigir” que todos jogassem para si, até para bater mais recordes. Apenas precisava de mostrar uma disponibilidade total para a equipa, estando dentro ou fora do campo.

O que se está a passar com Cristiano Ronaldo é lamentável e o jogador deve estar a ser muito mal aconselhado, pois só isso justifica que tenha escolhido um caminho que tem a porta da saída no abismo. O homem que deve ser dos mais conhecidos do mundo, que foi considerado o melhor jogador do planeta por cinco vezes, que ganhou títulos atrás de títulos, marcou golos de todas as maneiras e feitios, sujeita-se a sair pela porta pequena, quando este Mundial podia ser o da consagração da sua brilhante carreira - Cristiano ficará na montra ao lado de Pelé, Maradona, Messi, Di Stefano ou Eusébio, embora o craque madeirense tenha muito mais títulos e campeonatos mundiais do que o Pantera Negra.
Ronaldo não precisava de jogar os 90 minutos de todos os jogos, não precisava de “exigir” que todos jogassem para si, até para bater mais recordes. Apenas precisava de mostrar uma disponibilidade total para a equipa, estando dentro ou fora do campo. Os comentários de familiares, que não são da sua responsabilidade, como é óbvio, revelam bem o que pensa Ronaldo: ainda se acha o melhor do mundo e quer ser tratado como tal. Acontece que a seleção portuguesa tem jogadores geniais que estão no auge da sua carreira, ao contrário do capitão, que vê o fim aproximar-se, nem que seja na Arábia Saudita. Por mais dura que seja a realidade, Mbappé, por exemplo, está a quilómetros de Ronaldo como este estava a quilómetros dos jogadores que vinham atrás de si, excetuando Messi, quando estava no auge.
O jornal espanhol a A Marca dava ontem conta que chegou a hora de Bruno Fernandes e Bernardo Silva ditarem as suas leis e não querem mais sujeitar-se às obsessões de Ronaldo. A forma como estes dois festejaram os golos de Gonçalo Ramos foi reveladora do que pensam que é o melhor para a seleção - Bruno Fernandes até fez a brincadeira de “roubar” o prémio de melhor jogador ao avançado centro. E como a equipa subiu com Ronaldo no banco...
Já Ronaldo abandonou o campo sozinho, não festejou efusivamente todos os golos e tem no rosto toda a amargura do final de carreira - e até pode jogar mais dois ou três anos e fazer brilharetes. Mas o único jogador sem clube que está no Mundial pode e deve perceber que o passado brilhante não pode ser manchado com birrinhas e ordinarices. Que aproveite o que falta do Mundial para conseguir levantar a única taça que lhe falta: a de campeão do mundo. Isso sim, será uma bela despedida e uma justa homenagem a tudo o que fez em campo."