Últimas indefectivações

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Portugal dos pequeninos


"Um dos jogadores polacos da equipa de André Villas-Boas confessou, sem vergonha na cara, que não lhe é permitido usar emojis de corações vermelhos nas suas publicações nas redes sociais. E que não deve falar de Lisboa ou, sequer, visitar a capital portuguesa. Daria para rir, se não fosse profundamente triste. A lufada de ar fresco, que os especialistas preconizavam com a chegada do novo presidente do FC Porto ao poder, é, afinal, a continuidade de uma realidade provinciana. Depois de já ser público que chuteiras e peças de roupa vermelhas estavam vedadas a jogadores e funcionários do clube para sempre ligado ao Apito Dourado, vem agora esta confirmação da pequenez de mentes de quem gere um clube de impacto nacional que, na verdade, nunca deixou de ser o veículo de uma mentalidade tacanha e ultrapassada.
Com um quarto do século XXI já vivido, é lamentável este tipo de atitudes e de pensamentos que só fomentam ódio, violência, divisão e perseguição. Haver quem pense assim não me espanta – basta ver o estado a que chegámos enquanto sociedade ocidental. O que surpreende é a facilidade com que se admite este sentimento latente de inferioridade, sem receio de cair no ridículo, mas não só caindo, como mergulhando – com todo o gosto – neste comportamento acéfalo. Pouco mais de 300 quilómetros separam Lisboa da segunda maior cidade portuguesa (ou terceira, se contarmos com Paris e os seus portugueses e lusodescendentes), mas há – pelo menos – uns quantos anos-luz a separar a clarividência dos dirigentes portistas da realidade. Estas são as batalhas que lhes dão vida. Não é de hoje, vem do tempo de Lisboa a arder, do avião da Chapecoense, do estádio de Oeiras, dos enforcados nas pontes, das bolas de golfe no relvado, das agressões a Pizzi, dos balneários empestados, dos árbitros de férias no Brasil, do café com leite ou dos negócios ilícitos da guarda pretoriana. Mas está tudo bem, quem joga com o estádio interdito somos nós."

Ricardo Santos, in O Benfica

Sem comentários:

Enviar um comentário

A opinião de um glorioso indefectível é sempre muito bem vinda.
Junte a sua voz à nossa. Pelo Benfica! Sempre!