Últimas indefectivações

domingo, 13 de junho de 2021

Fim de época...

Benfica 2 - 6 Sporting

As palavras do Joel no final reflectem o que se passou nestes 4 jogos da Final: o Sporting foi superior em dois e venceu os dois, o Benfica foi superior em dois e só venceu um... Quando em condições normais deveríamos ir para uma 'negra', vamos para férias!

Hoje, fizemos o nosso pior jogo da Final... principalmente, aqueles dois minutos, onde a ganhar por 1-0, cometemos erros consecutivos, que deram o 1-3 para o Sporting, com o Cecílio mais uma vez, em destaque nos brindes defensivos!

Não é fácil ser competitivo a este nível, quando defensivamente se dão consistentemente brindes, como nós continuamos a fazer...

Tudo isto, quando já temos que levar com o handicap habitual nos apitos: para serem assinaladas 5 faltas contra os Lagartos, têm que fazer cerca de 15... Hoje, por exemplo, quando já estava praticamente tudo decidido, a falta que o Henmi sofre no final, é para vermelho directo... por sorte, o Rafa ficou com o tornozelo no sítio! E nem sequer Amarelo levou... Até naquela falta que o Arthur sofre na 1.ª parte, que cai em cima de um adversário, na repetição, é visível o instinto do árbitro, em marcar falta contra o Benfica, mas arrependeu-se a tempo, e apontou o braço para o lado contrário!!!

O Joel está de facto muito desgastado, muito provavelmente vai sair, mas desenganem-se quem pensa que as coisas vão mudar radicalmente, porque enquanto o handicap arbitral continuar, será quase impossível o Benfica voltar a vencer o Campeonato... se o Ferrão fosse o Pivot do Benfica, seria um jogador banalíssimo, tal a forma como é permitido defender os Pivot's do Benfica...
Precisamos de um Fixo urgentemente... de resto, as alterações no plantel, são muito 'relativas'...!!!

PS1: Parabéns à nossa secção de Pólo Aquático feminino, pela conquista da Taça de Portugal e respectiva dobradinha!

PS2: No Atletismo, neste fim-de-semana, vencemos o Nacional de Pista ao Ar Livre em sub-23... No feminino, ficámos em 2.º lugar, 12 pontos das vencedoras.

Análise: Actualidade...

Comunicado


"A Direção do Sport Lisboa e Benfica e, em particular, o seu Presidente desmentem veementemente qualquer oposição à realização da Assembleia Geral Extraordinária solicitada por um grupo de sócios.
A Direção do Sport Lisboa e Benfica, no cumprimento estrito dos estatutos, dará todo o apoio aos órgãos sociais competentes para procederem à convocatória dessa mesma Assembleia Geral Extraordinária, em observância às diretrizes emanadas pela Direção-Geral da Saúde. E no mais breve prazo possível.
A Direção e o seu Presidente desejam as maiores felicidades ao Prof. Doutor Rui Pereira."

Uma Semana do Melhor...

Agenda...

sábado, 12 de junho de 2021

Rafa Silva | A eterna saída da eterna promessa


"Há um ano, o agente de Rafa Silva deixava no ar a perspetiva do extremo se mudar para a Liga Espanhola ou Inglesa, assumindo que o seu cliente gostava de chegar ao topo do futebol europeu. A verdade é que o jogador permaneceu no Sport Lisboa e Benfica e esteve em 46 partidas, apontando nove golos e somando dez assistências.
No entanto, um ano volvido volta a especular-se sobre a permanência ou saída do ex-SC Braga e CD Feirense. Jorge Jesus parece querer mantê-lo, vendo em Rafa um jogador de qualidade e experiente. Todavia, o peso que as contas encarnadas vão ter no mercado de verão 2021 podem implicar a venda dos ativos mais rentáveis.
Incluindo Rafa. Aos 28 anos, esta pode ser uma das últimas janelas de oportunidade para angariar um montante razoável com a transferência do extremo português. Num momento de necessária renovação desportiva e de obrigatório equilibrar das contas, a saída de Rafa poderá revelar-se uma necessidade.
Apesar de as suas qualidades intrínsecas lhe serem sobejamente reconhecidas, o extremo nunca chegou verdadeiramente a explodir e a alcançar o patamar prático que o seu potencial teórico fazia antever.
Exceção feita à temporada 18/19 (e, em certa medida, esta transata), em que de facto mostrou qualidade com consistência, as épocas de Rafa de águia ao peito foram sempre plenas de altos e baixos.
E, parecendo que não, Rafa Silva já leva cinco temporadas de SL Benfica. Ainda assim, continua a falar-se do jogador como se de um rapaz de 20 anos se tratasse. Ainda se espera o momento da explosão, o momento em que Rafa demonstra ser um desequilibrador com golo, em que o extremo mostra capacidade para ser um jogador regular.
Parece-me claro que, a chegar, esse momento não terá lugar com Rafa no SL Benfica. Naturalmente, o internacional português não deixa de ser um bom futebolista e será sempre vital saber substituí-lo.
Contudo, pesando o que Rafa já deu e o que pode dar ao SL Benfica, atentando no valor de mercado do jogador (23 milhões de euros, segundo o Transfermarkt), relembrando a vontade já demonstrada pelo mesmo de jogar no estrangeiro, tendo em conta a necessidade de fazer dinheiro por parte do clube e considerando que este pode ser o momento ideal para libertar Rafa, não me oporia à sua saída (se oposição ainda significa alguma coisa no regime vigente no SL Benfica)."

O Cantinho Benfiquista - Euro2020

O nariz que salvou a Itália


"Gino Bartalli, o italiano alegre do nariz triste, ganhou vida e recuperou a coroa do Tour. Em Itália já não havia lugar para a política...

Se havia algo saliente em Gino Bartalli era, sem dúvida, o nariz. Escreveram-se, em Itália, livros e livros sobre Gino: Una Bici Contro il Fascismo; L’Uomo d’Acciaio che Salvó l’Italia; Campione Toscano; Un ‘Santo’ in Bicicleta; Un Naso in Salita. Era mesmo aqui que eu queria chegar: à obra de Massimo Guglielmi. Em português podíamos chamar-lhe: Um Nariz Montanha Acima. Belo título por sinal.
Terceiro dos quatro filhos de um pequeno proprietário de terras de Ponte de Ema, não longe de Florença, Gino era, sem dúvidas, senhor do seu nariz. Embirrou desde miúdo com as enxadas e as ceifeiras. Tratou de avançar com o seu próprio negócio e passou a vender ráfia aos produtores de vinho que a usavam para forrar as garrafas de chianti. Em seguida arranjou um emprego numa fábrica de bicicletas e, a partir daí, nunca mais a vida deixou de correr-lhe sobre rodas. Começou a competir com 13 anos e fez-se profissional aos 21. Pelo meio casou-se com um rapariga chamada Adriana Bani. A boda foi consumada pelo cardeal Della Costa e recebeu bênção papal e tudo. Foi a forma de Pio XII lhe agradecer a bicicleta que Gino lhe enviara de presente.
Há um episódio na vida de Gino Bartali, O Nariz que Salvou a Itália, que todos contam, cada um à sua maneira. Gino estava numa esplanada sobre a praia, em Cannes, tomando notas para a etapa do dia seguinte da Volta à França. Decorria no dia 14 de julho de 1948. Um homem de gabardina esperara pacientemente em frente à praça de Montecitorio. Não era um homem sequer, apenas ainda um fedelho. Viajara entre Génova e Roma para assassinar Togliatti, o chefe do Partido Comunista Italiano. Disparou por quatro vezes. Três balas atingiram Togliatti, uma delas na cabeça. A quarta perdeu-se. Os jornais da tarde berravam em manchete: Togliatti colpito a morte in Piazza Montecitorio.
A Itália entrou em convulsão. Por toda a parte havia movimentos de revolta, cenas de pancadaria, os passeios sujos de sangue. O país precisava de Gino Bartalli, tal como precisara dele durante a II Grande Guerra para formar uma rede clandestina que permitiu a fuga de centenas de perseguidos pelo regime nazi-fascista.
O empregado do hotel surgiu na esplanada e dirigiu-se a Bartalli. Havia um telefonema urgente à sua espera, Gino sobressaltou-se. Pegou no auscultador e ouviu uma voz do outra lado: «Pronto, Gino, ciao, sono Alcide De Gasperi...». Ao sobressalto seguiu-se a incredulidade. O primeiro-ministro de Itália? A que propósito?
De Gasperi traçou o quadro negro dos confrontos que tinham tudo para degenerar numa guerra civil. Precisava de um momento de distração, Ou melhor: de um momento de união. Perguntou: «Gino, puoi vincere il Tour?» Gino tinha 34 anos, gastara muito as pernas em duras compitas nas montanhas de Espanhas, Itália e França. Não era à toa que lhe chamavam l’Intramontabile. Sabia que estava perante a tarefa impossível, a vinte minutos de distância do líder, Louis Bobet. Mas respondeu com o seu sotaque de ferro: «Eccellenza, il Tour non lo so, ma la tappa di domani la vinco».
A etapa do dia seguinte era uma etapa para soldados do pelotão: Cannes-Briançon-Aix-les-bains. O que se segue é uma das lendas da Volta a França: Bartalli voa na frente de todos os seus opositores, pedala furiosamente como se trouxesse toda a Itália nos pés, os franceses estão boquiabertos, já não o imaginavam capaz de algo tão violento. Gino ganha a etapa. E também a do dia seguinte. De repente, o Tour está de olhos postos em Ginettacio.
A Itália está também de olhos postos em Bartalli. A raiva acalma. Discutem-se nos cafés as etapas que aí vêm e esquece-se a política.
Paolo Conte escreve uma música sobre Gino. Toda a gente a aprende de cor:
«Oh, quanta strada nei miei sandali 
quanta ne avrà fatta Bartali 
quel naso triste come una salita
quegli occhi allegri da italiano in gita 
Io sto qui aspetto Bartali
scalpitando sui miei sandali
da quella curva spunterà
quel naso triste da italiano allegro».
O italiano alegre de nariz triste está no coração de todos os compatriotas. Em plena sessão do parlamento, o deputado Tonengo, do Partido Democrata-Cristão, inicia o seu discurso com a notícia de que Gino Bartalli acaba de vencer mais uma etapa da Volta a França, a etapa decisiva. As palmas estralejam. Nas aldeias da sua Toscânia natal, rebentam foguetes e surgem festas espontâneas pela madrugada. No dia 16 de julho, os jornais italianos só têm um assunto com o qual encher as primeiras páginas: Gino Bartali ha vinto al Tour De France. La guerra civile è scongiurata. Gino Bartali ha salvato la patria. Gino do nariz triste. Uma vitória no Tour dez anos após a primeira..."

“Baggio era o melhor, mas era um jogador de ninguém”: a história do poeta que nunca jogou um Europeu


"Il divin codino tem uma história curiosa na sua carreira: jogou três Campeonatos do Mundo, mas nunca esteve num Campeonato da Europa. Em 1996, dois anos depois daquele mágico Mundial, Arrigo Sacchi não o levou ao Europeu e fomos saber porquê

Uma vez perguntaram a Borges para que servia a poesia. E ele, sendo poeta e poetando, perguntou para que serviam os amanheceres, as carícias, o cheiro do café, enfim, tudo o que é maravilhoso e não quantificamos, nem coisificamos. Outra vez, em meados da década de 90, perguntaram a Óscar Tabárez, o então treinador do AC Milan, porque Roberto Baggio jogava tão pouco: “Não há espaço para poetas no futebol”. E se, baralhando esta história quase inútil, tivessem perguntado a Borges para que servia Baggio?…
Il divin codino tem, entre centenas, uma história curiosa na sua carreira: jogou três Campeonatos do Mundo, mas nunca esteve num Campeonato da Europa. Em 1988, ainda estava a começar a seduzir os que sonhavam acordados com Antognoni no Artemio Franchi, o campo da Fiorentina. Em 1992, a Itália não se qualificou para o torneio depois de ficar atrás da União Soviética, que seria substituída naquele belo, belo verão dinamarquês pela Comunidade de Estados Independentes.
Em 1996, Arrigo Sacchi, que quase foi campeão do mundo dois anos antes graças ao genial número 10, não o convocou. Em 2000, em trânsito do Inter para o Bologna, já entrara noutra fase da carreira, embora dois anos depois tenha ficado a ferver por Trapattoni não o ter levado ao Campeonato do Mundo na Coreia do Sul e Japão. Em 2004, na última época da carreira, com a camisola do Brescia, o telefone também não tocou, apesar da juvenil esperança, dele e dos homens que choram por homens como ele.
O futebolista que se converteu ao budismo, e cuja figura agora é protagonista na Netflix, talvez já tenha encontrado a paz interior para digerir tantas ausências num torneio especial para os europeus. Por aqui ainda saltita um pugilista no pensamento a fazer perguntas como socos: como é que é possível, após aquele Mundial nos Estados Unidos, somente dois anos depois, aquele homem de rabicho inolvidável, da profunda tristeza que rasgava a relva com os olhos após um desafinado penálti e depois de tantas e tantas jogadas divinas ter ficado de fora do Euro 96?
Volvidos uns bons anos, Arrigo Sacchi quebrou finalmente o silêncio. “Deixei o Baggio de fora no Europeu de 1996 por problemas físicos, não por ter má relação com ele”, disse o ex-selecionador em entrevista ao "Goal". Mesmo depois daquele imenso Campeonato do Mundo, os dois nunca se deram muito bem. “Ele tinha problemas no joelho. A única razão pela qual não o levaria era por questões médicas, não por outras razões”, insistiu o treinador.
Paolo Tomaselli, jornalista do “Corriere della Sera”, confirma à Tribuna Expresso a versão. “Acho que era verdade que Baggio não estava na sua melhor forma. Teve um problema nessa época com o joelho, como sempre. Penso que Sacchi decidiu não chamá-lo por não estar em condições. Para ser honesto, não me lembro do debate, acho que não houve um grande debate sobre isso. O Baggio era o nosso melhor jogador, mas era um jogador de ninguém. Isto é, não era apoiado por jornalistas do Milan ou por jornalistas da Juventus. Não sei se já viste o filme da Netflix sobre ele, ele é um jogador de seleção nacional, mas nessa ocasião não houve um grande debate nem grande escândalo pela decisão do Sacchi”.
Não houve debate, nem um motim, como aquele que os adeptos da Fiorentina montaram quando o clube viola vendeu o craque à Juventus, eterno rival emocional. Mas houve, em 1997, um motim pessoal… contra Sacchi, que depois do Europeu e já durante a época substituiu no banco do Milan Óscar Tabárez, o tal senhor que não apreciava poetas na cancha.
A seguir a ficar de fora contra o Bologna, admitiu que ia pedir a Silvio Berlusconi para sair, o Real Madrid piscava-lhe o olho na altura, Christian Panucci era o embaixador daquela causa. “Porque decidiu romper oficialmente com Sacchi?”, perguntou-lhe numa entrevista o jornalista do “El País”. “Porque já não posso mais. Já não aguento mais que me façam passar por tolo. Tenho 30 anos, já não sou um miúdo”, disse o internacional italiano, insatisfeito.
Nas perguntas seguintes foi desabafando sobre o facto de Sacchi não ter coragem para lhe dizer porque não jogava. “Se mereço jogar, creio que é justo que o treinador me deixe jogar. Se não, quererá dizer que há algo mais, algo que Sacchi não tem valor para me dizer. Eu sou um profissional sério, já é altura de todos saberem a verdade. Algumas vezes li que não jogava porque não estava em forma ou por não me encontrar bem. Isso é não é verdade. Estou em forma e encontro-me bem.”
Aquele penálti na final do Mundial contra o Brasil ainda estará atravessado?, perguntaram-lhe ainda. “Não sei se é um problema de simpatia ou de antipatia, já não tento encontrar explicações para este tema. Só sei que com 30 anos não posso continuar a jogar a vida a cada jogo. Para além disso, se a equipa perde deixam-me a mim de fora, como se eu tivesse a culpa da derrota. Que me expliquem porque Sacchi não me deixa jogar e ficarei tranquilo. Mas que não me voltem a fazer de tolo. Estou triste e amargurado, perdi a paciência. Já não podia calar-me.”
Em 1996, Baggio não foi o único grande futebolista a ficar de fora, pois também o nome de Giuseppe Signori não constava na lista da squadra azzura. Signori, avançado da Lazio, foi o melhor marcador da Serie A com 24 golos, tal como Igor Protti, do Bari. Atrás, com 22, estava Enrico Chiesa, que juntamente com Alessandro Del Piero colmataram as ausências dos jogadores históricos. O Euro 96 foi um desastre para a Itália, que não passou dos grupos depois de algumas opções muito questionadas do treinador. Afinal, como escreveu Miguel Pereira no livro “Sueños de la Euro”, a “polícia do karma” entrou em campo.
Em 1998, com Cesare Maldini, Baggio voltou a jogar um Campeonato do Mundo, embora com o número 18, uma heresia, já que Del Piero herdou a famosa maglia 10 de Demetrio Albertini. Baggio fez dois golos, à Áustria e ao Chile, este de penálti. Assim que o árbitro apitou para a grande penalidade, as mãos de Baggio descansaram nos joelhos, os olhos voltaram a ficar enfeitiçados pela relva. Estaria a pensar no penálti ao Brasil quatro anos antes? Chiesa aproximou-se, talvez para o animar, mas Dino Baggio levou-o dali para fora, aquele momento era para Roby, estava a arrumar o orgulho e a dor nas gavetas certas das entranhas.
Pouco depois, em novembro, nas páginas do “El País”, a pena de Santiago Segurola voltou a pegar na ideia da poesia. “Ninguém como ele sofreu as consequências da evolução no futebol rumo à estupidez. Há muito de poético e dramático na figura de Roberto Baggio, futebolista da velha escola. (...) O dramático em Baggio, e o que convida a amá-lo, é a sua posição residual, mas também a sua firmeza para resistir aos sucessivos golpes que os seus treinadores lhe deram, esses treinadores que vão com um esquema debaixo do braço e proclamam o seu entusiasmo pela pressão, marcação e rasgo. Baggio, o último da sua espécie, não participa em nenhuma dessas condições.”
Olhando à volta, quantos poetas conhecemos?

O Que Esperar Da Itália de Mancini?
O Campeonato da Europa começa esta sexta-feira, com um sedutor Itália-Turquia, um duelo que aconteceu pela primeira vez na caminhada para o Euro 64 e que os italianos venceram por 6-0, com quatro golos de Alberto Orlando e dois de Gianni Rivera, il bambino de oro.
A Itália de Roberto Mancini, que esteve no Euro 88 e marcou à Alemanha, acabou em primeiro lugar na fase de qualificação para o Euro 2020, com 10 vitórias em 10 jogos (37 golos marcados, quatro sofridos). O futebol já nada tem a ver com o velhinho e cansado catenaccio.
“A seleção italiana pode fazer um bom torneio. As expectativas estão talvez um bocadinho altas porque ganhámos tantos jogos seguidos, embora com equipas mais pequenas”, admite Paolo Tomaselli, jornalista do “Corriere della Sera”.
“Não sabemos exatamente como a equipa pode evoluir durante o torneio quando enfrentar equipas melhores. Mas temos uma boa mistura de jogadores e Mancini trouxe o espírito de clube, mentalidade de clube, até na forma como jogam. Estão a jogar um futebol muito bom, de ataque, com uma boa defesa, um guarda-redes forte, com Chiellini sempre atrás. No meio-campo há Jorginho, que ganhou a Liga dos Campeões. A maior dúvida é o número 9, talvez Immobile seja o homem, com Belotti no banco. Immobile já está nos trintas, esperamos muito dele, assim como de Insigne. Acho que o jogador mais importante vai ser Barella, um rapaz do Inter, muito, muito forte no meio.”
Já Tomás da Cunha, comentador da TSF e Eleven Sports, fala num “tremendo” potencial. “Esta Itália, não podendo ser considerada favorita número um ou número dois, tem apesar de tudo um potencial tremendo para ser uma espécie de surpresa. Digo surpresa porque falharam o apuramento para o Mundial de 2018, bateram no fundo. Mas, desde então, com a chegada de Mancini, a equipa transfigurou-se completamente.”
Tomás da Cunha recorda que a Itália não perde desde o jogo contra Portugal, em 2018, somando muitos jogos sem sofrer golos, o que revela uma importante confiança e solidez por parte dos italianos. “É uma equipa ofensiva, que parte do 4-3-3, com muito protagonismo para os médios. É aqui que a Itália pode dar o passo para se igualar com as principais seleções do torneio. Verrati e Jorginho são dois dos melhores organizadores do mundo. Depois há outros jogadores, como Barella, essencial no título do Inter de Milão, e Locatelli, uma das estrelas do Sassuolo e com potencial para chegar às principais equipas do futebol europeu. Esta Itália, no meio-campo, acaba por mandar nos jogos, daí que consiga ter tantas soluções com bola, para depois servir os homens da frente.”
A visão deste comentador vai na linha da de Paolo Tomaselli, colocando Immobile como principal candidato à posição de bomber, ou avançado. “Já Insigne, que chega com 29 anos, é uma das estrelas mais feitas desta seleção italiana. Do outro lado há dúvidas, entre Berardi e Chiesa, que foi uma das estrelas da Juventus, que fez uma temporada para esquecer. Há essa dúvida, mas, de facto, a Itália chega com jogadores em ascensão e muitos deles no ponto de rebuçado da carreira. Verratti e Jorginho, por exemplo, são bastante maduros. Barella tem 24 anos mas já está claramente entre os melhores médios do futebol europeu. Depois é difícil encontrar um extremo como Chiesa, tão enérgico, tão eletrizante, tão vertical, com capacidade de finalização. Insigne é um jogador algo subvalorizado, porque está há muitos anos no Nápoles e nem sempre luta por títulos.”
No fundo, resume Tomás da Cunha, “esta Itália, quer no onze quer no banco de suplentes, é muito bem treinada por Mancini e tem soluções”. Ou seja, “pode ser uma das seleções que melhor joga neste Europeu e ser também uma potencial seleção a chegar às fases adiantadas”.
A Itália está no Grupo A, juntamente com Turquia (esta sexta-feira, às 20h, TVI e SportTV), Suíça e País de Gales."

sexta-feira, 11 de junho de 2021

Neno, sempre entre nós!


"O Sport Lisboa e Benfica expressa o seu profundo pesar pelo falecimento do nosso antigo guarda-redes Neno, que tinha 59 anos. Os nossos pensamentos vão, nesta altura de saudade e vazio, para a sua família.
Para sempre ficarão na memória de todos os Benfiquistas as grandes exibições que Neno protagonizou com a camisola do Benfica. Para sempre ficará também o talento de um dos guarda-redes mais marcantes do futebol português.
De águia ao peito de 1985 a 1987 e também de 1990 a 1995, o antigo guardião sagrou-se Campeão Nacional três vezes (1986/87, 1990/91 e 1993/94). Envergando o Manto Sagrado, venceu ainda três Taças de Portugal (1985/86, 1986/87 e 1992/93) e fez parte do elenco que conquistou a Supertaça em 1985.
A todos os seus familiares e amigos, o Sport Lisboa e Benfica endereça, neste momento de grande consternação, as mais sentidas condolências por parte de toda a Família Benfiquista.
A memória de Neno estará sempre entre nós."

Saudades, Neno


"O dia amanheceu triste para a nação benfiquista com a notícia do falecimento, aos 59 anos de idade, do nosso antigo jogador, Neno. O Sport Lisboa e Benfica já manifestou o seu "profundo pesar" através de nota de condolências publicada no sítio oficial, onde também enaltece o percurso do guarda-redes de águia ao peito, que se notabilizou pelo contributo para a conquista de três Campeonatos Nacionais e três Taças de Portugal.
Entretanto, ontem foi dia de novo jogo da final do Campeonato Nacional de futsal, o terceiro, em que fizemos uma boa exibição e tivemos ascendente, sobre o adversário, em largos períodos do jogo, o qual ficou marcado pela indesejável polémica fruto de uma decisão de arbitragem errada com indiscutível influência no resultado.
O Sporting venceu a partida, realizada em Alvalade, por 2-1, encontrando-se agora em vantagem na fase derradeira da prova. Recordamos que esta é disputada "à melhor de 5", o que significa que são necessários três triunfos para garantir o título nacional. O Sporting lidera a final por 2-1, sendo que o próximo jogo está agendado para domingo, dia 13, às 17h30 na Luz.
Em comunicado oficial, o Sport Lisboa e Benfica deu conta da revolta sentida por um erro de arbitragem que fez pender a balança para o lado leonino quanto à definição do vencedor. Com o marcador a registar um empate a uma bola, o Sporting viu ser-lhe atribuído um golo num lance "em que a bola, manifestamente, não entra toda na baliza, como ditam as regras". As imagens são claras e contrariam a decisão errada tomada pelos árbitros: não houve golo.
Segue-se a quarta partida, cujo objetivo da nossa equipa é vencer e, assim, levar a decisão do Campeonato para a chamada "negra".
Além do futsal, entrarão ainda em ação, ao longo do fim de semana, as equipas femininas de andebol e hóquei em patins.
No andebol estão agendadas as duas últimas jornadas do Campeonato. Em função do recente regresso do Benfica ao escalão máximo, a época tem-se revelado acima das expectativas. À entrada da penúltima jornada, a nossa equipa continua com possibilidades de se sagrar campeã nacional, apesar de não ser favorita tendo em consideração a classificação atual (2.º) e os jogos em disputa. No sábado defrontaremos, na Luz, o Alpendorada (15h00), e, no domingo, no reduto adversário, o Colégio de Gaia às 18h00.
No hóquei, as heptacampeãs nacionais entraram a ganhar nos quartos de final do Campeonato e têm agora a oportunidade de selar o apuramento para a ronda seguinte, bastando um triunfo para consegui-lo (sábado, às 16h00, na Luz; caso necessário, domingo, às 19h00, na Luz).
De Todos Um, o Benfica!"

Não Golo !!!


"Assim se continuam a decidir Campeonatos em Portugal. 1 golo para cada lado, vitória do Sporting.
Há alguém que vá defender o Benfica hoje?"

Tóquio #16: Maria Caetano...

Gavotti, o bombardeiro que fez história no primeiro Itália – Turquia


"Ainda antes do futebol, um confronto entre a Itália e a Turquia ficou para a história da aviação de guerra.

A velha foto a preto e branco mostra um tipo magro de ar duro com uns olhos brilhantes e uma barba negra e cerrada. Tem pinta de “regista”, um médio centro com classe mas capaz de defender com eficácia. Pensando bem, há qualquer coisa de Pirlo neste Giulio Gavotti que apesar do nome bastante futebolístico nunca jogou à bola (pelo menos oficialmente) mas teve um papel fundamental num dos primeiros confrontos entre Itália e Turquia, os dois países que vão dar o primeiro pontapé na bola no Euro 2020.
O tenente aviador Gavotti tinha 29 anos quando foi enviado para a Líbia para combater na guerra Italo-turca que rebentou em 1911 depois de uma recém-unificada Itália ter declarado guerra ao já decadente império Otomano com o falso pretexto de proteger os italianos que viviam na Líbia dos extremistas muçulmanos.
Na verdade, das potências europeias, a Itália era das que tinha menos colónias e o verdadeiro objetivo era apenas cravar uma lança em África. O império Otomano não estava em condições de resistir e era o alvo perfeito. A guerra não duraria muito e precedeu o desastre coletivo que varreu a Europa entre 1914 e 1918 e que não pouparia nenhum destes dois contendores.
Mas em 1911, a força aérea era uma invenção recente (os irmãos Wright tinham feito o primeiro voo tripulado há apenas oito anos) e servia essencialmente para missões de reconhecimento. Mas Gavotti foi escolhido pelo comando italiano para protagonizar uma missão inédita: bombardear posições turcas pelo ar. “Fiquei muito contente por ter sido escolhido”, diria a Gavotti sénior numa das cartas que escreveu ao pai e que foram divulgadas pela BBC.
Um bombardeiro ou um caça eram um delírio totalmente impensável naquela época e segundo Gavotti relatou ao pai no dia da missão carregou o avião com quatro bombas de um quilo e meio cada uma. Duas guardou numa pasta de cabedal que levou no frágil monoplano e duas escondeu no blusão de aviador.
No dia da missão, a 1 de novembro de 1911, voou até ao oásis de Ain Zana e sobrevoou um acampamento de atónitos turcos e tribos líbias que se tinham juntado aos otomanos para resistir ao invasor europeu. Tirou a primeira bomba do casaco e lançou-a para o acampamento. “Tive o cuidado de evitar a asa e vi a explosão no solo. Acho que correu muito bem”. As outras duas bombas lançadas explodiram longe do alvo e Gavotti teve de fugir com a quarta bomba antes de a poder lançar.
A missão não terá provocado qualquer baixa entre o inimigo mas ficou para a história como o primeiro ataque a partir de um avião da história militar. Já tinha havido lançamentos de bombas de balões, mas foram proibidos pela Convenção de Haia, no final do século XIX.
Nas décadas seguintes, seguiram-se outros, mais famosos, como o que destruiu Hiroxima ou que inspirou Picasso para pintar a obra-prima Guernica.
A guerra terminaria em dezembro de 1912 com a vitória da Itália. Gavotti sobreviveu. Bem como um jovem general turco que organizou a resistência de guerrilha no terreno e quase deu a volta às forças mais poderosas de Itália. Chamava-se Mustafa Kemal e foi o fundador da República da Turquia. O piloto italiano sobreviveu igualmente à primeira guerra mundial e morreu de velho em 1939, em Roma.
Terá visto Itália a ganhar os mundiais de 34 e 38 mas já não viu o primeiro Itália - Turquia da história de futebol que terminou com a vitória dos transalpinos por 6-0. Um tal de Orlando meteu quatro bombas na baliza dos turcos. E também dessa vez só o orgulho ficou ferido."

A Grécia teve um Maradona e não o deixaram jogar no Euro 1980: "Nenhum grego chegou perto dele"


"Vasilis Hatzipanagis era como o bailarino russo Nureyev: "Dizíamos que ele dançava com a bola", (...) o milagre da seleção grega em 2004. Esta é a história de Βασίλης Χατζηπαναγής

Enquanto para uns o Olimpo é um rumor distante, outros levam-no dentro das botas ou no coração. Ou em ambos. Quando os pais de Vasilis Hatzipanagis fugiram da guerra civil grega, decidiram deixar para trás a querida terra e mudaram-se para a União Soviética, com o estatuto de refugiados. O filho, que seria o mago dos magos helénicos, nasceu em 1954 em Tashkent, atualmente no Uzbequistão. Cedo se percebeu que o rapazinho grego que nunca estivera na Grécia tinha um dom: encantava as bolas de futebol e derretia o cinismo dos homens.
Quando jogava com os amigos e deixava tudo virado do avesso, começou a despertar a atenção de alguns clubes. O pai, avesso ao poder, rejeitou a transferência do filho para o Dínamo Moscovo, por ser a equipa da polícia. Acabou por assinar pelo Pakhtakor Tashkent, um clube criado por trabalhadores de algodão. Assim talvez estivesse mais perto do povo, da poeira que tapa o chão, da verdade que cada um leva na alma. Mas a guerra civil, que sempre assombrou a sua vida, começou a revelar as suas dimensões problemáticas: para ser futebolista profissional teria de ser soviético. Hatzipanagis era grego. Essa questão seria resolvida e, já soviético, estreou-se na liga com 17 anos.
Em 1975, quando a Grécia já respirava outros ares e promessas que faziam justiça ao passado longínquo, decidiu regressar à terra dos pais e assinou pelo Iraklis, emTessalónica, que o recebeu com o estádio cheio, como se faz com as estrelas. Viajando até ao YouTube, porque em lado nenhum estão jogos completos deste génio com a camisola 10, o queixo quase muda de código postal. Melena selvagem, canhota que deve ter um palácio no Monte Olimpo, velocidade, coragem para encher as veias de cinco exércitos e dribles que parecem inventados por incorrigíveis que levam o amor debaixo da pele.
Noutro vídeo, um elemento da claque do Iraklis, jovem na altura, admitiu que não queria que os jogos acabassem, nunca. Parecia Diego Armando Maradona. E, sim, também é assim que é conhecido: o Maradona grego. Poderia haver melhor elogio?


“Ele era a versão grega de Diego Maradona”, confirma à Tribuna Expresso Vasilis Sambrakos, um jornalista grego que escreveu sobre o milagre da seleção grega em 2004. “Era muito bom com os dois pés, muito inteligente, capaz de driblar em espaços reduzidos, sempre a furar a defesa, era um jogador incrível. Veio da União Soviética, os pais eram gregos, mas ele nasceu lá.”
Hatzipanagis teve outro problema, mais uma nuvem dos tempos da guerra civil: não podia jogar pela seleção helénica porque participara em jogos com as seleções jovens da União Soviética. Por isso que falhou o Campeonato da Europa de 1980, em que a Grécia terminou na última posição do Grupo 1, com Alemanha (0-0), Checoslováquia (1-3) e Holanda (0-1) - os germânicos venceriam o torneio contra a belíssima Bélgica. Foi a primeira vez dos gregos em torneios importantes e só voltariam em 2004, espantando o mundo com uma vitória na final contra Portugal, em Lisboa.
“Foi triste para os gregos [Hatzipanagis não jogar pela seleção]. Ele era um jogador incrível. Podemos dizer que desde então nenhum grego chegou perto dele. Ele tinha muita qualidade, muita qualidade. Só jogou umas vezes pela seleção, mas foram um ou dois jogos. Creio que terminou a carreira em 1990, eu tinha 15, 16 anos, lembro-me dele”, conta Sambrakos, ao revelar que, na altura, o génio jogava e era como as estrelas de hoje, uma loucura. Os estádios enchiam para o povo o lamber com os olhos.
“Toda a gente gostava de o ver jogar. Acho que a alcunha dele era Nureyev, era um grande bailarino russo. Dizíamos que ele dançava com a bola.” A estreia de Hatzipanagis com a camisola nacional aconteceu a 6 de maio de 1976, numa vitória por 1-0 contra a Polónia. Depois disso, a FIFA fechou-lhe a porta da levitação internacional.
Por desinteresse, problemas burocráticos e principalmente pela natureza ditatorial do contrato que assinou com o Iraklis, nunca saiu daquele humilde clube para um gigante, e foi-se ficando por ali, deixando cada vez mais redonda a bolinha e corada a relva. Houve então rumores de que Estugarda, Lazio, Arsenal e Futebol Clube do Porto estiveram interessados no seu ofício. Na Grécia, onde jogou entre as temporadas 75/76 e 90/91, acabaria por conquistar apenas um terceiro lugar e uma Taça dos Balcãs.
Embora o povo grego seja divino no esquecimento, garante Sambrakos, o Maradona grego teve direito a uma desforra emocional. Em 2003, por ocasião dos 50 anos da UEFA, cada federação filiada escolheu o melhor futebolista, era a galeria de ‘Golden Players’ da UEFA, onde desfilavam nomes como Cruijff, Puskás, Bobby Moore, Di Stéfano, Masopust e Eusébio.
A federação grega escolheu Vasilis Hatzipanagis.
Mas melhor do que isso, quem sabe, aconteceu antes, em 1999, quando arrumou na lembrança a segunda internacionalização. Com 45 anos, o Nureyev dos palcos esverdeados foi convocado para um Grécia-Gana, em que jogou 20 minutos e fez o passe para o golo, uma película assim mesmo à D10S. E assim, com o Olimpo inteiro nas botas, se despediu do seu povo."

Da complexidade de uma carreira desportiva


"As notícias nos jornais, nos canais televisivos, nas rádios, só existem quando os atletas atingiram algum feito notável.
E esse feito advém de um de dois fatores: puro talento, ou muito trabalho e dedicação.
Costuma dizer-se que depois de se chegar ao topo o mais difícil é conseguirmos manter-nos lá. E é sobretudo nesta altura que outros fatores começam a interferir na vida desportiva dos atletas. Fatores para os quais não estão preparados, que podem conduzir ao desmoronar de carreiras promissoras, e a que muitas vezes se adicionam a frustração e a depressão, que podem atingir não só a vida desportiva, como o quotidiano dos atletas.
Trata-se de uma fase crítica, fulcral, na qual os atletas necessitam de acompanhamento, aconselhamento e sobretudo de companheirismo. E a especificidade do desporto requer, em minha opinião, que esse mesmo venha de alguém com um conhecimento endógeno, para poder resultar em pleno.
Torna-se por conseguinte fulcral que exista, e que os atletas saibam que existe, um local com pessoas com quem podem contar. Falo com conhecimento de causa. Sei quanta falta me fez ter alguém ao meu lado, que me soubesse alertar para o que inevitavelmente me esperava. Como saber precaver-me, como fazer escolhas, como saber distinguir à minha volta quem se queria aproveitar do meu sucesso, quem por motivos mesquinhos me queria obstinadamente prejudicar.
Poderia dar infindáveis exemplos de fragilidades de atletas de topo mundial, mas cinjo-me a dois da minha disciplina, Michael Phelps e Ian Thorpe, e a outro na ordem do dia, a tenista Naomi Osaka.
Tenho conhecimento de um projeto, fundamentado e sólido, que visa responder a estas necessidades. Frisei a situação de atletas de topo, mas esse projeto pretende abarcar vários estádios de competição, cada qual com seus enquadramentos específicos, as suas necessidades, desde as que se possam imaginar raras, até as mais comuns. Há que lutar contra as fragilidades, para tornar mais forte quem se destaca no desporto."

A Lista


"Ao princípio, parecia tratar-se de uma decisão ditada exclusivamente pelas regras da segurança sanitária: embora a final se disputasse entre duas equipas inglesas e fosse desejo de todos os respectivos adeptos que ela se realizasse em território britânico, os alegados riscos de contágio que um evento desta dimensão comportaria superavam, em muito, o orgulho nacional e a paixão dos seguidores das equipas em questão - por isso, o Governo, com Boris Johnson em destaque, declinou o convite com tanto de honroso quanto de armadilhado.
A talhe de foice, seja-me permitido anotar uma verificação de significativo alcance político e que a exótica figura do Primeiro-ministro favorece:
Boris Johnson quer para o seu país, como, de resto, o vêm confirmando sucessivos factos decorrentes do Brexit, um estatuto de desalinhamento político-comercial, como tão sugestivamente o sugerem os seus cabelos cuidadosamente mantidos em provocador desalinho.
Neste contexto de egolatria nacional, nada espanta a cada vez mais notória deriva proteccionista - e a final do Dragão veio confirmá-lo de forma brutal e chocante.
Desde logo, se os nossos entusiasmados adeptos (afinal, os hooligans continuam mais vivos do que se pensa) querem divertir-se a partir esplanadas, as da Ribeira, na cidade do Porto, servem na perfeição tão primária pulsão: uns bons copos de cerveja nas margens do Douro ( que curiosamente o antigo Primeiro-ministro John Major tanto aprecia e que, ao contrário do actual, cultiva um irrepreensível penteado) e uns bons pontapés naquela fieira de cadeiras que a boa gente do norte tão diligente e hospitaleiramente ali colocara. E foi o que se viu: vândalos aos magotes, espalhando caos e destruição ... mas que seja lá fora, que o território britânico é espaço de muito respeitinho.
Só que, aos olhos dos responsáveis da Ilha, não podia haver melhor escolha para palco da grande final: Portugal, sempre dócil e de brandos costumes, oferecia um pretexto perfeito para mais uma medida descaradamente proteccionista:
Que foram detectados três casos positivos de covid entre os adeptos regressados ao Reino Unido? Convocam-se todos os miríficos especialistas do Reino de Sua Majestade para, do alto da sua presunção, confirmarem a patriótica necessidade de retirar Portugal, de cujos encantos se diziam historicamente enamorados, da lista verde, colocando-o na outra, a lista negra, a dos destinos, na prática, vedados aos cidadãos britânicos: querem gastar dinheiro? Que o gastem cá dentro. E eis uma multidão de gente loura e louca em alvoroçada debandada, empurrada pelo aperto do prazo e deixando para trás os bares de Albufeira e os restaurantes de Almancil.
E, a ilustrar este golpe, este truque político do desvairado Johnson, está o estranho e inexplicável facto de destinos, quase completamente limpos no plano epidemiológico, como são os casos de Malta e Maiorca, constarem também da lista negra, cirurgicamente elaborada pelo governo de Londres.
Mas há uma secreta mas mal disfarçada razão para esta medida discriminatória: Portugal, Malta e Maiorca - os três territórios fazem parte da UE. E o egotismo político de Londres não permite que cidadãos seus contribuam objectivamente para a prosperidade de um espaço, do qual o Reino Unido saiu com raivoso estrondo.
E eis, amigos, como, uma vez mais, os políticos se aproveitam do fascínio do futebol para desígnios de projecção de poder.
E este foi um episódio mais do geofutebol."

Qual é o papel do desporto na sociedade?


"O sociólogo alemão Norbert Elias (1897-1990) realçou os laços estreitos entre o desporto e a sociedade, no qual ele se inscreve. Pela forma como é praticado, e o que está em jogo, do ponto de vista simbólico, político, económico e social, o desporto é um revelador dos valores e da organização da sociedade. Uma simples referência sobre as emoções provocadas pelo desporto dá-nos uma ideia da sua importância na sociedade. Neste sentido, ele é uma questão política e social, que determina as caraterísticas da política desportiva num determinado país.
Historicamente, os objetivos da política desportiva são muito variados e, por vezes, contraditórios. Rapidamente, o desporto foi visto como um vetor de políticas públicas mais abrangentes: a defesa militar, com a ideia de que o desporto deveria permitir a formação dos futuros soldados prontos a defender a nação, a educação, como a sensibilização dos valores de exemplaridade e de responsabilidade como estão espelhados na Carta Olímpica, ou de saúde pública, com a luta contra as doenças associadas ao sedentarismo. O desporto é visto como um bem público, que contribui para a educação dos cidadãos, para a saúde e para o exercício da solidariedade nacional. Esta visão está bem presente na Europa.
Ao permitir aliviar as tensões criadas pela vida em sociedade, e a agressividade que pode alimentar, o desporto concorre para a coesão social. Esta é a teoria de Norbert Elias, que faz um paralelo entre o processo de pacificação dos costumes e dos valores e o surgimento do desporto moderno. O desporto, e mais particularmente a competição desportiva, permite exteriorizar uma parte da frustração suscetível de ser gerada, levando a um autocontrole.
O desporto reveste também uma dimensão simbólica, acentuada pela mediatização crescente dos eventos desportivos e pela digitalização dos meios de comunicação social. Os atletas não são apenas competidores de alto nível. Eles são eleitos heróis nacionais, aclamados pelas multidões. São os modelos de ascensão social, os porta-estandartes de um grupo social e o ponto de convergência das opiniões positivas da sociedade. Pelas suas performances, os atletas de alto rendimento, participam na divulgação internacional do seu país.
A conceção multidimensional do desporto encorajou o surgimento de uma política pública fundada no interesse geral.
Qual foi a inovação desportiva que se operou nos finais do século XIX? E eu creio que alguma coisa de original se criou. É preciso que nos entendamos: existe uma multiplicidade de práticas desportivas: 1) o desporto para todos, que não obedece a uma calendarização ou a recordes; e 2) uma prática desportiva, que embora pareça semelhante, é muito diferente. É institucionalizada, competitiva, organizada, obedece a uma calendarização, financiamento, e a recordes. É essa que nós vemos na TV. É essa que solicita a nossa atenção e que nos atrai.
Num breve percurso histórico, constatamos que o desporto moderno se diferencia dos jogos antigos, dos jogos da Idade Média e dos jogos clássicos. Os jogos antigos estavam associados a um tempo cíclico, não progressista, a uma religiosidade (e a relação com Deus), privilegia-se a lealdade do combate, a técnica, e não eram democráticos. Só os homens podiam participar. Existe os Jogos Olímpicos, mas existem outros eventos. Estende-se no imaginário. Na Idade Média eram privilegiados os torneios, reservados à nobreza, com armas caras, e material preparado para o efeito. A seleção social imperava. Nos jogos clássicos, era o mesmo: não obedeciam a um regulamento específico e não havia um calendário. Ocorriam ligados a um evento particular (casamento, receção de alguém importante, etc.). As mulheres eram afastadas dessas práticas. O sistema de apostas também era arbitrário. Está ligado à decisão do momento e do instante.
No final do século XIX existe uma rutura social. O que é que se inventa? Passou a ser, teoricamente, democrático, isto é, todos podem participar. Como todos podem participar, criou-se a necessidade de uma organização. Institucionalizou-se! Internacionalizou-se! Criou-se uma cronologia. O espetáculo-desportivo passou a estar presente. É a obsessão de mostrar. Passámos a ser uma sociedade de emoções e do visível. Um outro aspeto que explica o sucesso do desporto é que coloca em destaque o ideal das sociedades contemporâneas. Todos partimos do mesmo nível de igualdade e é o mérito e o talento que ganham. Nesse sentido, é uma sociedade de concurso. O desporto permite orquestrar um discurso ao longo do tempo e permite tirar lições sobre o sucesso e o insucesso dos atletas, familiares, dirigentes, etc., seguindo-os como se fosse uma telenovela. Isso solidifica a cultura popular, os modos de sociabilidade variada (liderança, cooperação, oposição, etc.) e de comportamento. Cria um imaginário e participa no processo de memória.
Nesta inovação, destacamos também o corpo. Corpos que se inventam. Antes, privilegiava-se a força, o culturismo, os rostos acentuados, etc., que muitas vezes eram colocados nas capas de revistas. Hoje, existe uma diferenciação de qualidades. A sensibilidade é diferente. Existe uma poética do corpo e uma diferenciação de existir. Existem formas diferentes de ter prazer. O “corpo desportivo” é aquele que corresponde às normas de segurança, de musculatura e de grandeza. É um corpo de aparência, de pluralidade e de expressão. É a vulgata. O desporto é um lugar de diversificação da especialização.
Num estudo sobre as audiências da televisão em França, em 2010, tendo por base o número de objetos (um tema apresentado durante dois ou três minutos) tratados, o desporto surgia em primeiro lugar, em segundo a política, em terceiro a economia e, por último, a cultura. E se compararmos os grandes eventos desportivos e os eventos culturais, não é preciso fazer um desenho. Ele vai no sentido que adivinham. Isso mostra até que ponto o desporto assume um lugar especial nas sociedades contemporâneas. O desporto impõe-se a nós, o que leva a uma reflexão e a necessidade de compreender esta forte presença. A grande força desporto é que está em relação com os nossos ideais sociais. Qual é então o problema? O problema é a sua fragilidade: a democracia pode ter um curto-circuito, pode inventar a dopagem, pode inventar a corrupção, pode inventar a violência, etc. É isso que é preciso vigiar a todos os níveis. Cabe ao Estado, mas também ao cidadão."

Em defesa do Sport Lisboa e Benfica


"O Sport Lisboa e Benfica, enaltecendo a grande qualidade do jogo de futsal que opôs, esta noite, a nossa equipa ao Sporting Clube de Portugal, lamenta que o jogo tenha sido decido por um golo em que a bola, manifestamente, não entra toda na baliza, como ditam as regras.
O Sport Lisboa e Benfica foi mais uma vez prejudicado e exige respeito quer por parte da Federação Portuguesa de Futebol quer por parte da arbitragem.
A entrega de faixas de campeão não pode ficar refém de estados de alma de quem dirige a modalidade e tem por missão defender a verdade desportiva.
O Sport Lisboa e Benfica quer ainda realçar o carácter dos seus atletas que, mesmo perante as adversidades, foram enormes na defesa do seu emblema."

quinta-feira, 10 de junho de 2021

SL Benfica | Será preciso uma limpeza na Luz?


"A época de 2020/2021 vai ficar marcada na memória de todos os benfiquistas. Com um investimento que rondou os 100 milhões de euros (98,5 milhões, concretamente), os adeptos do SL Benfica esperavam que a equipa tivesse um desempenho formidável, digno dos maiores “colossos” da Europa. As expectativas estavam altas, mas o resultado final foi tudo menos positivo. Aliás, já não se via um SL Benfica com um rendimento tão baixo há alguns anos.
Com a onda negativa de resultados os adeptos começaram a apontar possíveis culpados. Para uns a culpa era do treinador, Jorge Jesus, para outros o problema vinha do topo – a direção de Luís Filipe Vieira. É certo que o clube estava numa fase péssima e foi Rui Costa quem deu a cara, dizendo que é em momentos como este que se vê quem tem capacidade para representar um clube com a dimensão do SL Benfica.
Apesar de ter vindo falar aos adeptos, as declarações proferidas pelo ex-jogador foram em vão. Quase nada se alterou e a equipa continuava a ter resultados muito aquém do esperado. Dentro de campo não se via um coletivo, mas sim um conjunto de bons jogadores.
E como se costuma dizer “jogadores com qualidade individual há muitos, mas equipas há poucas”. E as águias eram o exemplo perfeito dessa frase: com tantos jogadores de renome (Vertonghen, Darwin, Everton, entre outros), o cenário que se via dentro de campo parecia surreal. Estava praticamente cada um por si e não se via aquela ligação a que os adeptos estavam habituados.
Se dentro de campo o panorama não era nada favorável, era legítimo pensar que no balneário o ambiente também não era o melhor e, com a saída de Rúben Dias, essa suspeita aumentava cada vez mais. Até que começaram a surgir vídeos dos “pré” e “pós” jogos, que demonstravam a relação entre os jogadores e elementos da equipa técnica. Alegria e diversão não faltavam, mesmo tendo resultados menos bons.
Nas últimas jornadas o cenário veio alterar-se. A esperança de ver o SL Benfica que outrora conhecemos reacendeu-se. As exibições estavam a melhorar, bem como os desfechos dos jogos. Um exemplo disso foi o jogo contra o Sporting CP, sendo que os encarnados foram a única equipa a quebrar a invencibilidade dos leões.
O campeonato, a Taça da Liga, a Supertaça Cândido de Oliveira e a Liga Europa estavam perdidos. A única solução para pôr um ponto final na crise que o clube viveu esta época era vencer a Taça de Portugal. Era o último desafio, mas nem esse foi ultrapassado com sucesso. Estava de volta a revolta dos adeptos. Uns pediam a demissão do presidente e/ou treinador, outros exigiam uma medida de intervenção urgente – a “limpeza” do balneário. Nada se fez e essa revolta começou a ganhar cada vez mais dimensão, até que chegou o caso de Nuno Tavares.
Há uns dias atrás, surgiu um vídeo, nas redes sociais, que pode ser tido como um bom exemplo para o ambiente que se vive no balneário da equipa da Luz. O português estava com um amigo que mencionou o facto de Grimaldo ser titular ao invés de Nuno Tavares. O lateral esquerdo respondeu que se não vingar no SL Benfica, vingará noutro lado qualquer.
O vídeo tornou-se viral e começaram a surgir imensas críticas relativas à atitude do jogador. Passado umas horas, Nuno Tavares recorreu às redes sociais para se desculpar pela “atitude irrefletida” que teve. A acompanhar o texto estava uma foto do português com Grimaldo.
De notar que o espanhol reagiu à publicação dizendo “Tamo juntos, mano”. Apesar de ter pedido desculpas publicamente, esta atitude do português não só demonstrou um enorme desrespeito por um colega de equipa e de profissão, como também pelo clube. Ser falado por motivos como este é tudo menos positivo para um jogador.
Esta atitude deve ser tida em conta e deve ser o mote para pensar no que se deve fazer para a próxima época. A questão que se coloca agora é: “será que este exemplo pode ser visto como um caso isolado, ou será uma demonstração do mau ambiente que existe entre colegas de equipa?”. Seja qual for a resposta, é certo que é preciso fazer alguma coisa para que os adeptos encarnados voltem a ver um SL Benfica forte, unido e ganhador."