Últimas indefectivações

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Entretenimento non-stop


"1. O presidente do Conselho de Arbitragem da FPF falou a A Bola e disse que “temos dos melhores árbitros que existem a nível internacional”. A sério? É que, frequentemente, a nível nacional não é isso que parece.

2. Luciano Gonçalves lamentou ainda a impreparação do povo português para interpretar os áudios dos videoárbitros que vinham sendo divulgados em programas televisivos. “Vamos suspender os programas de arbitragem na TV. O nosso futebol não está preparado”, disse o presidente do Conselho de Arbitragem. Não estamos preparados, bem me parecia.

3. Somos, então, todos burros. E burros malévolos recusando-se a interpretar imparcialmente o sentido da troca de palavras entre árbitros e videoárbitros, os imparciais por excelência. “O nosso futebol não está preparado” para uma coisa destas? Que pena.

4. Com este veto presidencial à divulgação dos áudios do VAR por impreparação do país, não ficará a perder a tão celebrada verdade desportiva, mas, não duvidem nem um bocadinho, fica a perder a indústria do entretenimento non-stop.

5. Se a aplicação do veto aos programas de televisão com áudios do VAR for, como se teme, imediata, já nem vamos escutar a conversa entre o árbitro e o VAR do jogo Santa Clara-Sporting para a Taça de Portugal. E isto, sim, mete dó. Aqueles 12 ou 14 minutos que levaram a descortinar uma falta sobre o capitão do Sporting na área adversária – com recurso a zoom como novidade tecnológica – ficarão para sempre sem a respetiva banda sonora da conversa entre o árbitro e o videoárbitro instalado no vale do Jamor. Oh!

6. Por falar em vale do Jamor… O árbitro assistente da última final da Taça de Portugal que cometeu a proeza de, a meio metro de distância, não ver a agressão de Matheus Reis a Belotti – o que custou um troféu oficial ao Benfica – foi o mesmo árbitro assistente que, na terça-feira, em Leiria, ia cometendo a proeza de invalidar o golo legal – 1 metro e 6 centímetros de legalidade – com que o Vitória SC afastou o Sporting da final da Taça da Liga. O árbitro principal da final do Jamor também foi o mesmo árbitro da meia-final de Leiria. Já o VAR de serviço de Leiria não foi o mesmo VAR de serviço no Jamor. São dados…

7. O Benfica perdeu a sua meia-final da Taça da Liga frente ao SC Braga e perdeu o seu capitão para o jogo da próxima quarta-feira, para a Taça de Portugal, frente ao FC Porto no Estádio do Dragão. A derrota do Benfica em Leiria deve-se mais a erros próprios do que a erros alheios, e só isto dá muito que pensar."

Leonor Pinhão, in O Benfica

O desafio inspirador


"FRENTE AO VARZIM, TORRES CONCILIOU DUAS PAIXÕES: OS GOLOS E OS POMBOS.

A um treinador pede-se visão para antecipar problemas e engenho para os resolver. As épocas são longas, e só quem mantém a motivação em alta chega mais perto das conquistas.
Na temporada 1964/65, o Benfica vivia um momento brilhante, dominando dentro e fora de portas. Terminou a 1.ª volta do Campeonato Nacional isolado na liderança, com um ataque demolidor. A imprensa já o dava como tricampeão anunciado.
Nas jornadas seguintes, mesmo com alguns tropeços – 2 empates, 1 vitória e 1 derrota –, os encarnados rapidamente regressaram ao trilho do sucesso. Pelo meio, brindaram o Real Madrid com um inesquecível 5-1 no Estádio da Luz, na 1.ª mão dos quartos de final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Mas o futebol é rico em surpresas. Seguiram-se dois resultados amargos: derrota por 2-1 em Madrid e novo desaire frente ao FC Porto por 1-0. O jogo foi duro. Costa Pereira perdeu quatro dentes num lance em que saiu aos pés de Carlos Manuel, impedindo um remate. Ainda assim, manteve-se em campo para o resto do 1.º tempo e toda a 2.ª parte. Na etapa complementar, os benfiquistas revelaram cansaço, e os azuis e brancos aproveitaram para marcar o único golo do encontro.
A imprensa ficou surpresa com o desfecho: “Como é possível a derrota, às mãos dos jovens de Otto Glória, dum Benfica que eliminou do maior torneio um Real Madrid? Fadiga do jogo de quarta-feira?” O técnico do Benfica, Elek Schwartz, manteve a calma e elogiou o adversário: “O FC Porto atuou com muita energia, e não há dúvida de que tem futebol que justifica amplamente o lugar que ocupa na classificação e que por certo manterá, pois merece-o absolutamente.”
Internamente, porém, sabia que era urgente reagir logo na jornada seguinte, diante do Varzim. Sem poder contar com Eusébio, lançou um desafio ao segundo melhor marcador da competição, Torres: “Se marcasse três golos frente aos poveiros oferecia-lhe dois pombos e se marcasse dois tentos, a oferta ficaria reduzida a um.”
Apaixonado por columbofilia, aceitou de imediato. O Benfica entrou de rompante e dominou o encontro. Coluna inaugurou o marcador, e Torres apontou os três golos seguintes.
O Monstro Sagrado bisou e selou o triunfo em 5-0.
No final do jogo, Elek Schwartz estava satisfeito: “O Benfica venceu por 5-0, mas se Torres não tem estado infeliz, poderia ter obtido mais alguns golos. Mesmo assim, perdi dois pombos que lhe tinha prometido como prémio.” A uma vitória do título, os benfiquistas celebraram o tricampeonato na jornada seguinte, ao vencerem o V. Setúbal por 2-1. E Torres, com mais dois pombos, sagrou-se o segundo melhor marcador da prova, com 23 golos em 23 jogos.
Saiba mais sobre esta conquista na área 6 – Campeões Sempre, do Museu Benfica – Cosme Damião."

António Pinto, in O Benfica

Relato de um náufrago


"Depois de um ano miserável da arbitragem portuguesa, seguramente o pior das últimas décadas (encontrando paralelo só nos tenebrosos tempos do Apito Dourado), o presidente do CA decidiu – ou decidiram mandá-lo – falar ao país.
No meio da habitual conversa fiada, o que disse de substancial situa-se entre o burlesco e o indecoroso.
Que não há mais erros do que no passado. Qual passado? Os anos noventa? Então, pelo menos, não havia VAR. Agora, sr. Gonçalves, não há desculpa. Como esta coluna de opinião não é suficiente para elencar todos os “erros” escandalosos que ocorreram no último ano, com este CA, basta lembrarmos as imagens da final da Taça de Portugal para ficarmos elucidados. A arbitragem, esta arbitragem, subverteu o palmarés do futebol português como há décadas não se via. Repito: com VAR, o que agrava consideravelmente a sua avaliação global.
Problemas? Os árbitros inexperientes. Tais como, digo eu, Luís Godinho, que apitou a final do Jamor, Tiago Martins, que foi (ou devia ter sido) VAR dessa partida, João Pinheiro, que esperou 14 minutos para assinalar um penálti inexistente nos Açores, António Nobre, que, contrariando o seu VAR, viu um penálti cometido com a cabeça no Estádio da Luz. Enfim, só se estivermos a falar do fiscal-de- -linha que transformou um remate por cima da barra num pontapé de canto. Desse, confesso que não recordo o nome. Soluções? Deixar de comunicar. Espantoso! Pretendem “errar”, continuar a “errar” e não dar cavaco a ninguém. E, para concluir, nem sequer faltou prescrever a receita do dr. Varandas: punir violentamente quem tenha a ousadia que formular a mais leve crítica. Ou seja, há que comer e calar.
Espero que não tenhamos de comer este prato durante quatro penosos anos. Mas pode o senhor Gonçalves ter a certeza de que, a nós, não nos irá calar."

Luís Fialho, in O Benfica

De volta ao Regedor!


"Batiam as quatro nesta tarde soalheira de inverno quando se deu o ajuntamento frente à porta do Bristol e se descerrou a placa inaugural recoberta pela bandeira do nosso querido Benfica.
Aquela bandeira, de emblema finamente lavrado, águia triunfante e estrelas cintilantes, ocupava de novo e por direito próprio o lugar que lhe pertence no histórico edifício do Jardim do Regedor e na Baixa da cidade onde os lisboetas se habituaram a ver o emblema vermelho os - tentado na esquina das velhas paredes. Agora a placa lá fica, reluzente sobre pedra fresca, contrastando com os anos de degradação que o edifício sofreu e lembrando, aos que passam, que o Benfica se orgulha e está sempre à altura da sua memória e dos seus valores.
Ali foi durante muitos anos a secretaria e até a sede do Clube, e, portanto, foi ali que, por décadas, os benfiquistas se encontraram nos bons e nos maus momentos de uma história incrível onde a glória nacional e europeia elevou o Benfica, também pela sua dimensão, à escala universal e ao patamar dos maiores. E o Benfica merece essa posição em Portugal e no mundo porque sabe e sempre soube ser grande. Sabe e sempre soube ir além de si próprio, superar-se, inovar e nunca se deixar ofuscar pelo sucesso, mas olhar sempre para os mais fracos e atuar sempre solidariamente ao seu lado.
Neste dia, superou-se uma vez mais, e inovou, sendo o primeiro em Portugal a instituir uma Fundação e pioneiro a nível internacional ao criar um hotel histórico no centro de uma capital a reverter totalmente para a obra social da sua Fundação. No mundo que corre, parece incrível que se possa pensar nas pessoas depois do negócio e que se possa pensar nos mais fracos quando se compete entre os mais fortes e o lema é a excelência.
Mas não é de um qualquer que falamos, é do Benfica, por isso o sonho pode uma vez mais tornar-se realidade!
Viva o Benfica!"

Jorge Miranda, in A Bola

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Treino...

Existem Loucos que fazem falta...!!!

BI: Fórum - Mercado de Janeiro e Clássico da Taça de Portugal 🦅

Backstage | Chelsea FC 2-6 SL Benfica B | Premier League International Cup

As Taças que combatem a macrocefalia


"Desde que há Taça da Liga, FC Porto (8), Benfica (7) e Sporting (3) sagraram-se campeões nacionais. Mas, no mesmo período, nas duas Taças (Liga e Portugal) houve festa em Braga, Guimarães, Vila das Aves, Moreira de Cónegos, Coimbra e Setúbal ...

O Vitória Sport Clube, depois de um percurso brilhante, em que derrotou o FC Porto no Dragão e o Sporting e o SC Braga, em Leiria, todos de ‘virada’, tornou-se no chamado ‘campeão de inverno’, e levou a Taça da Liga, pela primeira vez, para a cidade-berço.
Valerá a pena refletir um pouco sobre esta competição, mal-amada desde a primeira hora, que em cada época só é valorizada por quem ergue o troféu. Para as comparações que se seguem, o triunfo vimaranense não é contabilizado, porque ainda não são conhecidos os vencedores da Liga e da Taça de Portugal na época em curso.
Desde 2007/08, época em que a Liga de Clubes, então presidida por Fernando Gomes, inaugurou a competição, conquistaram a Taça em disputa, até 2024/25, Benfica (9), Sporting (4), SC Braga (2), FC Porto, V. Setúbal e Moreirense e, fora dos três grandes, estiveram na final Paços de Ferreira, Gil Vicente, Rio Ave, Marítimo (2) e Estoril. Se compararmos com a Taça de Portugal, no mesmo período, os resultados não são muito diferentes. Entre 2008 e 2025, a prova-rainha do nosso futebol foi ganha por FC Porto (7), Sporting (4), Benfica (2), SC Braga (2) e Académica, Desportivo das Aves e Vitória Sport Clube. Quer isto dizer que, nas 18 edições em causa, os três grandes ficaram com a Taça da Liga em 14 ocasiões, e com a Taça de Portugal em 13; também é confirmado o estatuto de D’Artagnan do SC Braga, vencedor de duas edições em cada uma das Taças.
Tratando-se de duas competições com formatos diferentes, com a Taça da Liga a surgir com um modelo que teoricamente seria muitíssimo favorável aos três grandes, a verdade é que o que se apura na comparação não é substancialmente diferente.
Haverá ainda para dizer que, enquanto nas 18 épocas analisadas, V. Setúbal, SC Braga, Moreirense, Académica, Vitória Sport Clube e Desportivo das Aves, levantaram troféus nacionais nas Taças, no que à I Liga diz respeito, a divisão de títulos foi feita entre os suspeitos do costume: FC Porto (8), Benfica (7) e Sporting (3).
Numa altura em que estão em cima da mesa do futebol português dossiers relevantíssimos, nomeadamente os que dizem respeito à venda centralizada dos direitos televisivos e à reformulação dos quadros competitivos profissionais, será bom refletirmos na melhor forma de impedir que o fosso entre os três grandes – com o SC Braga isolado entre o pelotão da frente e o pelotão de trás - e os outros continue a alargar-se. São prova do desequilíbrio absurdo vigente os 21 pontos que, em 17 jornadas, separam o primeiro do quarto classificado da I Liga, ou, mesmo, os 11 pontos que distam entre o terceiro e o quarto. Aqui a questão é sempre a de se saber como revitalizar a classe média, afinal a que define, com o advento da Liga Conferência, boa parte do posicionamento português no ‘ranking’ da UEFA. Dando mais dinheiro aos mais ‘pobres’, através da centralização? Ainda não se conhece a fórmula de repartição nem o montante global... Criando um modelo de competição que mantenha interesse até ao fim e proporcione mais receitas de bilheteira e possa criar um produto vendável internacionalmente? A maioria dos clubes parece não estar para aí virada e os ‘grandes’ têm-se revelado surpreendentemente passivos... Temas que podem vir à baila no I Congresso do futebol, no fim de janeiro."

A pergunta sem resposta na AG do Benfica


"Sou de uma geração estranha: vivi metade da minha vida sem internet e telemóveis, metade com eles. Tive de me adaptar a essas novas tecnologias dia a dia. Sou, também, daquela primeira geração que já não sabe coser à máquina, mexer em eletricidade, fazer uma bainha ou desmanchar um carro, e telefona do smartphone ao pai, ao sogro, ou alguém que saiba. Coisas mais ou menos simples que nos tornam embrutecidos para muitas coisas, esquisitinhos a clicar em botões para tudo, a ver vídeos no YouTube sobre como colocar um aspirador a funcionar ou como descalcificar a máquina do café, especialistas em nada, no fundo.
Daí aquela sensação de liberdade que muitos sentiram naquele dia do apagão do ano passado, em que algumas horas sem energia obrigaram muitos ao regresso a algumas coisas simples, sem depender de tecnologia, como ligar o telemóvel à airfryer para fazer o jantar.
Acompanhei há dias a Assembleia Geral do Benfica para ser discutido o projeto para revitalizar a zona envolvente ao estádio da Luz, a construção do Benfica District. Em vez de apenas ir ao futebol, pretende-se que os adeptos passem lá o dia a viver, conviver, gastar. E em família. Escritórios, hotel, teatro, centro comercial, pavilhão maior, estádio maior, tudo em grande.
Depois de uma apresentação do arquiteto e de vários milhões de euros terem sido atirados de um lado para o outro, houve lugar a perguntas dos sócios, que depois seriam respondidas. E a primeira foi desconcertante. O sócio não quis saber se vai haver muitas ou mesmo muitas derrapagens, para que serve um centro comercial junto ao maior shopping da cidade, como se vai encher o pavilhão semana a semana, nem sequer quando é que a equipa de futebol vai ganhar muitos jogos e ser campeã, a pergunta sacramental nestas reuniões. Não.
Quis saber quando é que haveria uma sala de convívio para os sócios. Um pedido tão singelo, tão longe da megalomania, que até gerou silêncio no pavilhão. Um regresso relâmpago a um tempo mais simples, sem espetáculos de luzes led e DJ no estádio - outra das queixas de alguns sócios, por acaso. O que é certo é que a questão ficou sem resposta. E isso diz muito. Implica um tempo que não volta, sem que saibamos muito bem para onde seguimos."

A culpa é de Amorim e Gyokeres, pois claro!


"Inglaterra começa a desconfiar do mercado português após os 'flops' em que se transformaram o ex-treinador e o ex-avançado do Sporting bicampeão. Mas haverá mesmo uma inflação de valores?

Os exemplos apontados são Ruben Amorim e Viktor Gyokeres e, mais a jusante, Darwin Nuñez e, até, João Félix; e o objetivo é demonstrar que, hoje, de Portugal... nem bons ventos, nem bons casamentos. Nos últimos dias, entre publicações nas redes sociais e artigos de opinião na imprensa britânica, Inglaterra parece ter dado início a um processo de desconfiança relativamente ao mercado português, alegando uma inflação injustificada dos valores emergentes no nosso futebol, pelo qual a Premier League tanto se apaixonou nos primeiros anos do século XXI, por conta das chegadas de Cristiano Ronaldo, em 2003 ao Manchester United, e de José Mourinho, ao Chelsea, no ano seguinte.
Os dois maiores protagonistas da história do desporto-rei em Portugal e que se tornaram nos maiores conquistadores da história do nosso futebol, chegaram, viram e conquistaram Terras de Sua Majestade, abrindo, ao mesmo tempo, portas e janelas ao mercado luso e dando início a um fluxo que levou, diretamente, de cá para lá nomes como Bruno Fernandes, Nani, Rúben Dias, Ricardo Carvalho, Matheus Nunes, Enzo Fernández, Abel Xavier, Pedro Mendes ou Hugo Viana, além de treinadores, como Marco Silva.
Porém, após mais de duas décadas de encanto, a relação de amor parece estar a esfriar e há cada vezes mais vozes nos media britânicos a fomentar o divórcio entre a Premier League e a Liga Portugal. E os culpados, dizem essas vozes, estão bem identificados:
Ruben Amorim, que arrasava no Sporting, com um futebol diferente, excitante, moderno e que traria, finalmente, a mudança ao Manchester United, falhou brutalmente, como antes haviam falhado todos (Moyes, Giggs, Van Gaal, Mourinho, Solskjaer, Rangnick, Ten Hag e Van Nistelrooy) os que sucederam aos quase 30 anos de glória de Alex Ferguson; Viktor Gyokeres, goleador insaciável no emblema de Alvalade, contratado pelo Arsenal a troco de 65,7 milhões de euros, e que demora a justificar a aposta; Darwin Núñez, veloz e palpitante no Benfica e adquirido pelo Liverpool por 75 milhões de euros, mas que nunca conseguiu afirmar-se na Premier League.
Aos três é aplicado, na generalidade das opiniões publicadas em Inglaterra sobre o tema, o termo flop. E há ainda um quarto jogador mencionado como exemplo maior: João Félix, uma das maiores vendas da história (do Benfica para o Atlético Madrid por €126 milhões), e que passou, sem grande glória pelo Chelsea.
Dá que pensar, sim, mas, quando há craques a brilhar ao mais alto nível, como João Neves, Vitinha, Nuno Mendes ou Rafael Leão, estará o mal no mercado vendedor ou... nos compradores?"

Zero: Mercado - Benfica tenta convencer Atlético Madrid a emprestar Almada

BF: Lucca...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Cinco pontos decisivos para a renovação de Farioli

Observador: E o Campeão é... - Thiago Almada? "Visão de mercado do Benfica continua muito curta"

Observador: Três Toques - É emigrante e não sabe como votar? João Neves explica

SportTV: Primeira Mão - 🔥 Taça de Portugal com Clássico FC Porto x SL Benfica

Atividade do fim de semana


"O movimento benfiquista ao longo do fim de semana, que inclui o triunfo na Taça Federação de basquetebol no feminino, é o destaque nesta edição da BNews.

1. Troféu conquistado
O Benfica ganhou ao Quinta dos Lombos, por 86-85 após dois prolongamentos, na final da Taça Federação de basquetebol no feminino, vencendo a prova pela 3.ª vez. Na mensagem de felicitações, o presidente do Sport Lisboa e Benfica, Rui Costa, salienta que se trata de uma "conquista que expressa um enorme espírito de grupo".

2. Foco na Taça de Portugal
O grupo de trabalho às ordens de José Mourinho prepara o embate com o FC Porto agendado para a próxima 4.ª feira.

3. Vitória merecida
Em futebol no feminino, o Benfica derrotou o Rio Ave por 2-0.

4. Outros resultados – masculinos
Em basquetebol, o Benfica ganhou no reduto do Vasco da Gama por 70-118. Em futsal, vitória por 1-6 na visita ao Barbarense. Em hóquei em patins, sucesso no rinque do Sesimbra (2-11). Em voleibol, derrota com o Sporting (3-1) e vitória frente ao Castêlo da Maia (1-3).

5. Outros resultados – femininos
Vitórias no andebol (ABC por 34-23), futsal, (Casa do Povo de Freixo por 10-0), hóquei em patins (HC Palau por 4-1), polo aquático (Sporting por 6-38) e râguebi (RC Bairrada/RC Tondela por 19-25). No voleibol, desaire no reduto do FC Porto (3-0).

6. Resultados - Formação
Os Juniores ganharam por 0-1 em Tondela. Os Juvenis golearam a Académica por 0-5. E os Iniciados empataram sem golos na visita ao Sporting.

7. Ensinamentos dos mais velhos
Jogadores da Equipa B conviveram com os jovens atletas da Benfica Escola de Futebol Benfica Campus (Seixal) e da Benfica Escola Açores.

8. Empréstimo
Joana Silva vai evoluir no Valadares Gaia até final da temporada em curso.

9. Treinos de captação
210 crianças nascidas entre 2017 e 2020 mostraram-se no Benfica Campus.

10. Recorde no triplo salto
A atleta do Benfica Amélia Pinga estabeleceu o novo recorde nacional moçambicano do triplo salto.

11. Acervo mais rico
Rafael Mimoso, nadador do Benfica, fez uma doação de um objeto especial ao Museu Benfica – Cosme Damião.

12. Em destaque
Os principais conteúdos e temas que marcam a agenda do Sport Lisboa e Benfica nas diferentes plataformas do Clube.

13. Casas Benfica
A embaixada do benfiquismo em Reguengos de Monsaraz celebrou o 26.º aniversário. Em Castelo Branco e em Vila Nova de Gaia foi realizado o tradicional Jantar de Reis."

DAZN: Bundesliga - R16 - Golos...

Tailors - Final Cut - S05E03 - Bruno Andrade

Falsos Lentos - S06E19

Segundo Poste - S05E24

Chuveirinho #157

Vida de treinador...


"No futebol, a fronteira entre ser besta e ser bestial é tão ténue que mede-se muitas vezes em 90 minutos. Um resultado transforma relações, altera perceções e redefine competências. Um golo muda um discurso, uma derrota apaga um trabalho. É por isso que, neste mundo instável, se diz, com ironia, que a mala de um treinador nunca pode estar totalmente desfeita: tem de estar sempre pronta, tanto para entrar como para sair

Ainda a época 2025/26 vai a meio e já é um espelho fiel desta realidade. O treinador tornou-se a face mais visível de tudo: do sucesso, do insucesso e, muitas vezes, de problemas que não criou. O cargo de treinador é, hoje, um dos mais frágeis do futebol moderno. Vive-se do aqui e agora, do último jogo, da classificação atualizada, da sensação do momento ou da perceção momentânea. O tempo, esse, deixou de ser critério. Passou a ser um luxo.
Os números são claros. Com muitos campeonatos ainda longe do fim, já se registaram 110 mudanças de treinador nas principais ligas europeias, num estudo que analisou 18 dos 20 campeonatos de topo, excluindo Suécia e Noruega por diferenças de calendário. Não se trata de casos isolados, mas de um padrão estrutural.
A SuperLiga da Turquia, com 17 trocas de treinador, continua a liderar o ranking da instabilidade, seguida pela Grécia e pelo Chipre, com 10 mudanças cada, e pela Bélgica, com 9. Mesmo entre as cinco grandes ligas europeias, o cenário é revelador: a Premier League assume agora a liderança, com seis demissões, impulsionadas pelas saídas de Ruben Amorim do Manchester United e de Enzo Maresca do Chelsea. Curiosamente, ambos tinham recebido recentemente o prémio de melhor treinador do mês na competição — Amorim em novembro e Maresca em dezembro — e começaram 2026 já a perder o lugar, numa liga que se apresenta como exemplo de profissionalismo e estabilidade. Nem mesmo o campeonato mais rico do mundo escapa à lógica da urgência e da pressão imediata por resultados.
Este cenário não é novo, mas é cada vez mais extremo. Treinadores como Pep Guardiola, Carlo Ancelotti ou José Mourinho têm alertado, ao longo dos anos, para o mesmo problema: o treinador passou a ser o primeiro, e quase sempre o único, responsável visível pelos fracassos coletivos. Guardiola afirmou que «hoje um treinador precisa ganhar imediatamente, porque o tempo deixou de existir.» Ancelotti, mais pragmático, resume: «No futebol atual, a paciência é uma palavra decorativa».
Mas há um aspeto tantas vezes esquecido nesta discussão: a vida do treinador é vivida permanentemente sob observação. Em Inglaterra, usa-se uma expressão particularmente feliz para a descrever: Life inside the fishbowl — vida dentro do aquário. O treinador está sempre visível, exposto, observado de todos os ângulos. Cada gesto é analisado, cada substituição escrutinada, cada palavra dissecada. E o mais perturbador é que grande parte desse olhar é inquisidor e, não raras vezes, pouco informado. Comentadores ocasionais, ex-jogadores sem preparação, dirigentes de ocasião, redes sociais, programas de debate intermináveis. Todos opinam. Poucos contextualizam. Menos ainda entendem verdadeiramente os processos do jogo e o que é, realmente, o futebol.
Treinadores consagrados têm-no denunciado. José Mourinho falou várias vezes sobre a tribunalização do futebol moderno. Pep Guardiola referiu que hoje se analisa mais o resultado do que a ideia. Carlo Ancelotti sublinhou que o treinador passou a ser avaliado por quem nunca treinou, nunca liderou um balneário e nunca geriu um grupo sob pressão extrema.
Neste aquário, não há espaço para erro pedagógico nem para maturação de processos e ideias. Tudo é imediato, tudo é definitivo. Uma derrota gera teorias, duas geram desconfiança, três criam sentenças públicas. O treinador deixa de ser um construtor ou a solução para passar a ser um problema.
Por isso, já não existem histórias como a de Sir Alex Ferguson. O escocês esteve 27 anos no Manchester United, construiu uma cultura vencedora e deixou um legado que atravessou gerações. Importa recordar: nos primeiros anos em Old Trafford, Ferguson esteve muito perto de ser despedido devido à falta de resultados. Se fosse hoje, dificilmente teria sobrevivido. O futebol moderno teria eliminado, precocemente, um dos seus maiores mestres.
O presente oferece exemplos claros desta impaciência crónica. Escrevi aqui nesta rubrica sobre o injusto despedimento de Sérgio Conceição no Milan. O sucesso de Vítor Pereira no Wolves, com uma época 2024/25 marcada por vitórias e por ter salvo o clube da despromoção, parecia consolidar a sua posição. No entanto, poucos meses depois, foi despedido. O problema seria o treinador? Não me parece, de todo. Wilfried Nancy é um caso particularmente revelador: apenas 32 dias depois de suceder a Brendan Rodgers, deixou o cargo de treinador do Celtic. Um mês. Tempo insuficiente para mudar seja o que for, mas suficiente para ser descartado. No Liverpool, o treinador que foi campeão na época passada começa já a ouvir vozes que questionam a sua continuidade. Rui Borges, campeão pelo Sporting, já começou a ouvir essas vozes, e já se fala que a direção leonina estará a considerar um eventual substituto. Espero que não. O futebol raramente contextualiza; reage. O crédito desaparece à velocidade de uma story nas redes sociais. O passado recente não protege o presente imperfeito. O aplauso dura menos do que o eco da crítica.
O dado mais alarmante desta época, no entanto, está noutro número: 11 clubes europeus já se encontram no terceiro treinador da temporada. Em países, culturas e contextos diferentes, repete-se o mesmo padrão. Nottingham Forest, Celtic, Aves SAD, Panathinaikos, Antalyaspor, entre outros. Dois treinadores despedidos, um terceiro a entrar, muitas vezes com os mesmos problemas estruturais intactos. Mudam-se treinadores, mantêm-se problemas como é o caso do Manchester United. Falha o planeamento, falha o projeto, falha a liderança, falha a coerência mas o treinador paga primeiro. Tudo isto levanta uma pergunta essencial: estamos a trocar treinadores ou a esconder falhas mais profundas? Planeamento deficiente, decisões erradas no mercado, lideranças frágeis, expectativas desalinhadas. Mudar o treinador tornou-se o gesto mais rápido, mais visível e mais mediático. Dá a sensação de ação. Raramente resolve a raiz do problema.
Tudo isto expõe uma profissão vivida sob pressão constante, emocionalmente desgastante e estruturalmente frágil. O treinador já não gere apenas uma equipa: gere expectativas, discursos, ruídos e julgamentos. Vive dentro de um aquário onde todos olham, poucos compreendem e quase ninguém espera.
Vida de treinador é isto: viver num equilíbrio permanente entre a glória e a queda. Entre a assinatura da renovação e a da rescisão. Entre o aplauso fácil e a contestação imediata. Um exercício diário de resistência, lucidez, adaptação e sobrevivência num futebol que corre mais depressa do que a reflexão. Hoje, mais do que nunca, a pergunta já não é se o treinador vai ser questionado. É quando. É, também, quanto tempo falta para alguém, de fora do aquário, bater no vidro e exigir mudança. Porque, no futebol do agora, o tempo deixou de ser aliado, passou a ser inimigo."

Um novo tempo para o Boxe português


"O boxe nacional atravessa hoje uma fase de renovação que o projeta muito para além da sua função histórica de intervenção social. Modalidade fundadora dos Jogos Olímpicos, o boxe afirma-se em Portugal como uma referência sólida e inspiradora no panorama desportivo, com um percurso próprio e heterogéneo que se tem vindo a consolidar como um espaço de formação de prática regular e de afirmação competitiva.
A Federação Portuguesa de Boxe, fundada em 1914, tem desenvolvido um trabalho consistente de renovação da modalidade. Nos últimos dois anos, Portugal marcou presença em Campeonatos da Europa, Campeonatos do Mundo e no último apuramento olímpico, destacando a qualidade dos seus clubes, treinadores e atletas. Paralelamente, projetos inovadores e de investigação em parceria com a Universidade de Aveiro sobre o impacto da modalidade no atleta, a aposta no boxe feminino e o boxe adaptado, têm reforçado a inclusão, a diversidade e o impacto social da modalidade.
A admissão de Portugal, a 31 de dezembro de 2025, na World Boxing é mais um reconhecimento internacional do esforço ambicioso do boxe português, que continua a crescer em clubes, praticantes e notoriedade. O grande desafio para o próximo ano passa pelo reconhecimento público e pelo financiamento, essenciais para consolidar este projeto e garantir que o boxe português se afirma de forma sustentável, inclusiva e de excelência."

Alcaraz em Melbourne: O capítulo que pode mudar o ténis


"O Australian Open abre 2026 com a narrativa perfeita para marcas e audiências: Carlos Alcaraz entra em Melbourne à procura do único torneio que lhe falta para completar o Grand Slam e consolidar o estatuto de atleta-marca global.
Esta combinação de ambição histórica, timing e localização cria um produto de entretenimento de altíssima tração mediática e comercial: os Grand Slams são, por natureza, o formato premium do ténis, mas o Australian Open tem um diferencial estratégico: começa o ano e oferece o verão australiano como ambiente instagramável que amplifica conteúdos e ativações.
Para marcas e organizadores, o caso Alcaraz impõe uma pergunta direta: estamos a maximizar um atleta que pode 'fechar o ciclo' de títulos antes dos 23 anos e, com isso, arrastar novos públicos para o ténis? É aqui que o marketing tem de trabalhar em três frentes: narrativa, dados e experiência.
Na narrativa, Melbourne precisa de vender 'o último capítulo' com inteligência editorial, cruzando a jornada de Alcaraz com a memória recente do circuito; na camada de dados, o torneio deve medir em tempo real a correlação entre picos de audiência e momentos de tensão competitiva; na experiência, é crucial transformar a presença física no recinto em conteúdo partilhável que viva para lá da partida.
Carlos Alcaraz é um catalisador raro: soma finais consecutivas em Grand Slams e chega a Melbourne com a narrativa do 'único troféu que falta', um arco que, no passado, transformou Federer, Nadal e Djokovic em ativos comerciais com valor de longo prazo. Para os patrocinadores, esta é a hora de desenhar experiências dentro e fora do recinto: conteúdos exclusivos, ofertas dinâmicas em dia de jogo, merchandising limitado associado a momentos chave e, sobretudo, de ligar propósito e performance sem cair em slogans vazios.
O torneio tem a vantagem competitiva do território: Melbourne dispõe de uma infraestrutura de hospitalidade e mobilidade que facilita ativações e parcerias, enquanto a janela horária australiana, historicamente vista como barreira, pode ser aproveitada com conteúdos on-demand que mantêm o pico de consumo durante todo o dia nas geografias europeias e americanas.
A antecedência editorial também joga a favor: a imprensa especializada e guias de calendário colocam o Australian Open como 'primeiro grande' de 2026, com a expectativa adicional de observar efeitos da troca técnica no desempenho de Alcaraz e a resposta dos seus rivais diretos, como Jannik Sinner, vencedor em 2025, o que alimenta debates e aumenta o valor do pré-jogo.
Há ainda uma dimensão de cultura e tecnologia que o torneio deve abraçar: em 2026, o consumo de streaming caminha para modelos mais personalizáveis e orientados por dados, e os grandes eventos começam a integrar camadas interativas para reduzir a fricção na descoberta e aumentar a retenção; esta tendência é transversal e atinge também o desporto, tornando crítica a capacidade de oferecer múltiplos ângulos, estatísticas em tempo real e highlights automatizados em formatos curtos para redes sociais.
Em 2026, o Australian Open não é apenas o torneio que abre o calendário. É o palco onde o ténis decide se quer competir pela atenção com as ligas que ocupam o mês de janeiro ou se quer liderar o mês com uma história que só ele pode contar."

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

3.ª Taça da Federação

Quinta dos Lombos 86 - 87 Benfica
22-16, 13-28, 16-14, 20-13, 9-9, 5-6

Nesta Taça da Liga, versão basquetebol feminino, nova vitória, numa partida muito emotiva, onde foi preciso dois prolongamentos, para encontrar o vencedor! Nem sempre bem jogado, com muito ataque cárdico pelo meio... mas depois da derrota na Supertaça no início da temporada, contra este mesmo adversário, segunda vitória contra as nossas grandes rivais esta época, em poucas semanas!!!

Mais fortes...

Benfica 4 - 1 Palau

Grande vitória, contra as Campeãs Europeias, que estão mais fracas este ano, é um facto, mas mesmo assim, jogámos bem, e dominámos completamente a partida...

O 1.º lugar no grupo parece cada vez mais perto, se calhar este ano temos mesmo grandes possibilidades de conquistar o troféu máximo, se calhar valia a pena organizar a Final Four na Luz!

Vitória na Maia...

Castêlo da Maia 1 - 3 Benfica
22-25, 25-21, 23-25, 19-25

Eliminatória perigosa, mais decido ao calendário. Jogar em Alvalade no Sábado, e viajar até à Maia, num jogo da Taça, era potencial perigoso, ainda mais com o Nivaldo lesionado, impedindo alguma rotação...

E o jogo provou, as dificuldades... o adversário tem jovens, com valor, mas acabámos por fazer a nossa obrigação!

Vitória a Sul...

Sesimbra 2 - 11 Benfica

Viagem curta a Sesimbra, para a Taça de Portugal, com uma vitória tranquila...
Depois de dois jogos consecutivos com os Lagartos, estávamos a precisar de um jogo mais calmo!

Nos Oitavos da Taça, vamos defrontar os Corruptos (fora, como é costume...), mas o próximo jogo, no Sábado é na Luz, com o Barcelos, outra partida complicada...

BI: Megafone - Benfica 1996/97

Basquetebol Feminino: 57-74

Andebol Feminino: 34-23

Futsal Feminino: 10-0

Zero: Mercado - FC Porto atento a promessa grega que vale milhões

BF: Almada...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - “Há poucas coisas melhores do que um jogo entre o Vitória e o Braga”

Rola a Bola #52 - WE BACK!!! Estamos de volta feliz ano novo!

A Encruzilhada do Gigante


Caros consócios e adeptos benfiquistas, quero refletir convosco sobre o momento que o nosso clube atravessa.
O Benfica já ficou em sétimo lugar, já passou dois anos fora das competições europeias por não se ter classificado, viveu a bancarrota, salários em atraso e jogadores a rescindir por justa causa. Houve um tempo em que se apelou à caridade dos sócios através da “Operação Coração”. Quem é benfiquista há muitos anos sabe que o clube já atravessou momentos muito mais difíceis do que o atual.
O que verdadeiramente me preocupa hoje não é estarmos em terceiro lugar, mas a divisão crescente entre benfiquistas. No próprio estádio, o ambiente tornou-se pesado, intolerante ao erro, quase um castigo para quem veste a nossa camisola. Não é por acaso que muitos dos pontos perdidos têm sido em casa. O apoio transformou-se em pressão, e isso nunca ajudou equipa nenhuma a crescer.
Também é importante perceber o contexto em que muitos adeptos mais jovens vivem o futebol. Cresceram num tempo de redes sociais, em que tudo é imediato, as reacções inflamadas, reina a intolerância pela diferença e nos teclados descarregam as suas frustrações. A isso junta-se a influência dos simuladores de futebol nas consolas e dos jogos de gestão desportiva, onde tudo é controlável, os jogadores evoluem de forma quase perfeita, as contratações parecem resultar sempre e os títulos virtuais são fáceis de atingir. Essa realidade cria uma visão enviesada do futebol real, que é feito de erro, tempo, contexto, adaptação e falhas humanas.
Um benfiquista de verdade apoia o clube, as suas equipas e os seus atletas, sobretudo quando estão em baixo. Apoiar nas vitórias é fácil, mas o apoio é indispensável quando não se ganha. Os nossos rivais estão à frente no campeonato de futebol, mas também têm mérito. Reconhecer isso não diminui o Benfica, engrandece-nos.
Nos últimos 40 anos, o Benfica venceu apenas 12 campeonatos nacionais. Isso não é um acaso nem se explica apenas, como se lê, por Presidentes "trafulhas" ou "Bananas", ou treinadores "incompetentes" ou jogadores "medíocres" ao longo das últimas quatro décadas. É uma questão estrutural, profunda, que exige reflexão séria, estabilidade e união. Mas nenhuma estrutura se constrói com um clube em guerra consigo próprio.
Podemos olhar para outros grandes clubes históricos, como o Ajax ou o Anderlecht, que assentam a sua filosofia na formação e já tiveram glória na Europa. Também eles passam por ciclos de dificuldades. Devemos concluir que é o modelo assente na formação que está errado? Creio que não. Será que é necessário combiná-lo com estratégias mais robustas de gestão e investimento? Quantos grandes clubes vencedores na Europa funcionam hoje apenas com o modelo associativo clássico?
O futuro do Benfica poderá passar por incorporar investidores de referência na sua estrutura acionista, dando maior músculo financeiro e competitividade? Estaremos preparados para aceitar uma SAD em que a maioria do capital não pertença ao clube ou aos sócios, como acontece na esmagadora maioria dos principais clubes das cinco maiores ligas europeias?
O Benfica sempre foi maior quando foi um só. Unidos, seremos sempre mais fortes!
Et Pluribus Unum. De muitos, um!
Viva o Glorioso Sport Lisboa e Benfica!"

O Benfica precisa de revolta


"As primeiras partes dos jogos com o SC Braga — primeiro para o campeonato (2-2) e depois nas meias-finais da Taça da Liga (1-3) — voltaram a revelar um Benfica descaraterizado, em sentido contrário ao crescimento que parecia consolidado, depois de muito sofrimento.
Esse progresso tinha ficado visível em partidas como o empate com o Sporting (1-1) e a vitória frente ao Nápoles, na Liga dos Campeões (2-0), entre outros desafios internos e europeus onde, ainda assim, faltou alguma sorte.
Entre os adeptos, muitos apontam o dedo ao treinador José Mourinho, outros aos jogadores, e vários à Direção, pela forma como preparou a temporada e montou o plantel. A verdade é que a responsabilidade se distribui entre todos, cada um no seu domínio. As dificuldades atuais do Benfica, a distância para os principais rivais e a falta de mais argumentos demonstrada nas provas europeias confirmam que muita coisa falhou.
Tudo isso exige uma análise profunda para preparar uma nova época que, na Luz, seguramente nenhum benfiquista desejará parecida com esta. Ainda assim, creio que é nos jogadores do Benfica que deve recair agora o foco, sobretudo no importante e passional desafio da próxima quarta-feira, os quartos de final da Taça de Portugal frente ao FC Porto.
Tal como antes do empate com o Sporting, poucos acreditarão que o Benfica pode impor-se no Dragão, mas é precisamente nessa desconfiança que o plantel deve encontrar força para contrariar todas as previsões. Apesar das lesões de jogadores importantes, de outros que não se encontram em momento de plena forma e da suspensão do defesa-central e capitão Otamendi, o Benfica é Benfica.
Chegou a hora — talvez novamente — de colocar revolta e qualidade em campo, mostrando que há alma para competir, independentemente do contexto adverso. O dedo de José Mourinho terá sempre peso grande, tanto na estratégia como na ideia de jogo, mas serão os jogadores os primeiros responsáveis por lutar e reconquistar a confiança dos adeptos. Os mais jovens não podem ter medo de mostrar que merecem jogar e os mais experientes devem assumir a liderança dentro de campo.
A época 2025/26 pode não estar totalmente perdida para as águias, mas está longe de ser de sucesso, mesmo que o Benfica ainda lute pelos seus principais objetivos. Mais tarde se avaliarão as consequências e o que será preciso mudar, mas, no imediato, o essencial é que esta equipa entre em campo com alma, equilíbrio tático e crença diante do atual líder do campeonato.
O tratamento de choque de José Mourinho, após a derrota com o SC Braga (o treinador fez críticas duras depois do desafio), parece ter esse propósito: abanar, despertar e provocar uma boa revolta nos jogadores. Afinal, são eles que jogam, que fazem história e que os adeptos recordarão — pelos melhores ou piores motivos — como os que estiveram à altura do Benfica ou não."

Benfica: o inexplicável tornou-se a palavra certa


"As meias-finais da Taça da Liga confirmaram várias realidades: o Sporting continua a ter problemas na finalização, a evolução do Benfica revelou-se uma miragem, Luís Pinto está a fazer um grande trabalho no V. Guimarães e o SC Braga de Carlos Vicens tem sido superior nos jogos frente aos grandes.

Benfica: o 'modus operandi'
Escrevi no último artigo que o problema do Benfica é interno e tem a ver com a impreparação, falta de conhecimento do clube e sobretudo falta de visão de quem dirige a instituição. No plano desportivo, tudo se resolve com a criação de novas expectativas para a época seguinte. A estratégia passa por sucessivas vendas, seguidas de sucessivas compras de jogadores. Promove-se uma enorme rotatividade no plantel. Saem os melhores, mas passa-se a imagem de que vão entrar outros incríveis e que vão resolver todos os problemas do clube. Aumentam-se orçamentos e custos, criando uma pressão financeira crescente.
Com este padrão de gestão não se consegue criar uma identidade de grupo. Utiliza-se a máquina de propaganda para distrair os adeptos, criando uma nova adrenalina a cada início de época. Atira-se dinheiro para cima dos problemas, sabendo que esses investimentos terão de ser pagos e que a SAD do Benfica está cada vez mais endividada. Sem um rumo definido, tenta-se ir acertando aqui ou ali, com a esperança de que os adversários estejam a dormir. A frase que começa a ser mais utilizada no início das épocas é... este ano é que vai ser. E assim vão passando os anos sem que um rumo seja definido ou que quem dirige consiga aprender com os erros.

Falta de processo
O treinador é uma das peças mais importantes numa organização desportiva. É ele que comanda a equipa de futebol, o setor com maior impacto dentro de um clube. Os maiores ativos de um clube são geridos por ele. Comunica todas as semanas para os media, que passam as suas mensagens para os adeptos. A forma como a equipa se apresenta dentro do relvado e os resultados são da responsabilidade do treinador. Por este motivo, a escolha deve ser feita com base em critérios claros e convicções fortes. Assim, é fundamental analisar o contexto do clube e do seu meio envolvente. Só depois devem ser definidos critérios que permitam identificar o perfil de treinador.
Alguns desses pressupostos passam por perceber se o clube tem vindo a ganhar, se dispõe de um plantel experiente ou jovem, quais as caraterísticas dos jogadores, de que forma o futebol do treinador encaixa nos atletas disponíveis, qual o estilo de jogo pretendido e que tipo de comunicação e liderança se quer no balneário. Depois de definidos todos estes critérios devem-se tentar enquadrar as diferentes soluções e escolher aquela que mais se aproxima do pretendido. O mais importante é ter a convicção da escolha e saber apoiá-la nos momentos certos. No caso do Benfica nada disto foi feito. Conforme Rui Costa afirmou na campanha eleitoral, o Benfica contratou um treinador com o perfil ganhador. Quando este é o principal critério da escolha de um treinador, tudo cai por terra quando as vitórias não aparecem.

O que torna tudo inexplicável
José Mourinho afirmou que a primeira parte do Benfica frente ao SC Braga foi inexplicável. O treinador encarnado foi feliz na palavra utilizada. Se analisarmos a árvore (treinador) e a floresta (estrutura encarnada) percebemos que esta é a palavra que melhor define o Benfica no momento atual. Assim, torna-se inexplicável que Mourinho, no final do jogo, se descarte de responsabilidades e as transfira totalmente para os jogadores, afirmando que se preparou bem para a importância do jogo, mas sem saber se os atletas fizeram o mesmo.
É ainda inexplicável a ausência na evolução do futebol da equipa. É também inexplicável justificar-se com a falta de opções no banco, quando jogadores como Schjelderup, Ivanovic, Prestianni ou Sidny Cabral representam um investimento próximo dos 50 milhões de euros. Analisando a floresta, é inexplicável como o Benfica investiu 130 milhões de euros e tem um plantel pior do que o da temporada passada. É inexplicável como Rui Costa, presidente, afirmou que demorou quatro anos a preparar um plantel para o presente e o futuro e o seu treinador está constantemente a lamentar-se da ausência de opções de qualidade que lhe permitam ter uma maior rotatividade.
É inexplicável como se convoca uma Assembleia Geral para aprovar um conceito, e não um projeto, e como a votação foi realizada online, sem que fosse clara a existência de uma entidade independente que auditasse e validasse todo o processo de forma transparente. Por fim, o problema do Benfica não é perder jogos. É não saber exatamente o que quer ser.

A valorizar
Em cinco jogos fez onze pontos. Empatou com Liverpool e venceu o dérbi frente ao Chelsea em casa. Sem vários jogadores na CAN, lesionados e sem grandes reforços no verão, volta a fazer uma grande época no Fulham. Os resultados são incríveis. Está em nono com os mesmos pontos do Chelsea e a dois pontos do quinto lugar. A juntar a tudo isto tem um futebol dominador frente a qualquer equipa.

A desvalorizar
A chegada de Mourinho gerou uma enorme expectativa que não está a ser correspondida. Factualmente os resultados são negativos: está a 10 pontos do primeiro na Liga, está com missão muito complicada na Liga dos Campeões e foi eliminado na Taça da Liga. A qualidade de jogo também não evoluiu desde a sua chegada."

Ruben Amorim e a resistência que desafiou a cultura descartável do futebol moderno


"No turbilhão de decisões rápidas que hoje dominam o futebol de alto nível, poucas histórias representam tão bem a tensão entre autenticidade e descartabilidade como a de Ruben Amorim no Manchester United.
O despedimento de Ruben Amorim do Manchester United não é só mais um episódio na longa lista de separações rápidas entre clubes e treinadores. No futebol contemporâneo, o tempo deixou de ser um aliado e a convicção passou a ser vista como um risco, não como uma virtude. O antigo treinador do Sporting desafiou tudo isto.
Amorim chegou a um dos palcos mais exigentes do mundo com aquilo que sempre o definiu. Chegou com ideias claras, uma identidade assumida e a coragem de não abdicar do que acredita. Num futebol cada vez mais formatado, onde se pede aos treinadores que se adaptem ao ruído, à urgência e à pressão externa, o técnico português escolheu resistir. Resistir às soluções fáceis. Resistir à tentação de diluir a sua visão em nome de uma sobrevivência confortável.
Essa resistência tem um custo. Teve-o em Inglaterra, como tantas vezes teve noutras geografias e noutras carreiras. Mas é precisamente aí que reside o seu valor. Porque, num tempo em que os treinadores são tratados como peças substituíveis, Amorim lembrou que liderar não é apenas reagir aos resultados, mas sustentar um caminho, mesmo quando ele é incómodo.
O futebol moderno habituou-se a confundir paciência com fraqueza e coerência com teimosia. Exige-se impacto imediato. Neste cenário, a figura do treinador transformou-se num amortecedor de frustrações, alguém que se troca para dar a sensação de mudança, ainda que o problema raramente se resolva apenas com essa decisão.
Ruben Amorim recusou esse papel passivo. Assumiu responsabilidades, enfrentou o desgaste e manteve-se fiel a uma ideia de jogo e de liderança que não se constrói ao sabor de cada resultado. Essa postura, hoje rara, pode não garantir longevidade imediata, mas constrói algo mais duradouro. Constrói credibilidade.
O legado de Amorim não se mede apenas pelo que conseguiu ou deixou por alcançar. Mede-se pela mensagem que deixa a um futebol cada vez mais curto de memória e de coragem. A mensagem de que é possível chegar ao topo sem abdicar da identidade. De que o treinador não tem de ser um gestor do medo, mas um defensor de princípios.
Talvez o futuro do futebol precise exatamente de menos pressa em descartar e de mais capacidade de compreender processos. Menos obsessão pelo imediato e mais respeito pelo tempo que o jogo exige. Se assim for, a passagem de Amorim por Manchester não terá sido em vão. Terá sido um lembrete de que, mesmo quando o sistema empurra para a conformidade, há valor em resistir.
Ruben Amorim sai de cena, mas deixa uma marca clara. Num futebol que trata treinadores como descartáveis, resistir pode ser, afinal, o ato mais transformador de todos.
Nenhuma carreira se mede apenas pelos troféus erguidos, mas também pela forma como, perante adversidades, um treinador defende as suas convicções e influencia positivamente aqueles ao seu redor. Nisso, Ruben Amorim deixa um legado ímpar."

Glória aos vencedores


"A história faz-se de troféus, mas a forma como se os vence é que torna os heróis imortais. E esta conquista do Vitória parece saída de filme de Hollywood, daqueles que achamos inverosímeis

Glória aos vencedores. O dia 10 de janeiro de 2025 ficará para sempre na história do Vitória de Guimarães, como antes ficou o de 19 de outubro de 1988 (data da conquista da Supertaça, frente ao FC Porto) e o de 26 de maio de 2013 (primeira Taça de Portugal, contra o Benfica). Luís Pinto fica com o nome gravado a letras douradas no palmarés do clube, como Geninho e Rui Vitória, antes dele. E daqui a 50 anos ainda se contarão histórias das defesas de Charles e dos golos de Ndoye (o de ontem, mas também os dois contra o Sporting na meia-final).
A conquista pela primeira vez da Allianz Cup, mesmo num formato menos representativo, apenas com oito equipas, valeria sempre esse lugar na história. Mas a presença na memória coletiva dos vitorianos não se deve apenas ao triunfo na final. Queira-se ou não, quem se venceu, e como se venceu, tem tanta ou mais importância. E não me refiro apenas ao grande rival SC Braga. Para apreciar o feito do Vitória, vale olhar para um percurso feito de alma, de garra, de crença imutável, quando deixar de acreditar era o mais fácil.
O formato da competição feito para ajudar a uma final four com os quatro principais clubes portugueses — com a devida vénia à incrível massa adepta vitoriana, FC Porto, Sporting, Benfica e, muito atrás, SC Braga vão dominando atenções e resultados — obrigou a equipa de Guimarães a começar fora, contra o atual líder do campeonato. Quando jogaram, há mais de um mês (4 de dezembro), o FC Porto ainda não tinha perdido em competições internas. Depois disso, também não o fez. Começou a ganhar logo aos 8', com golo de Gabri Veiga. E acabou eliminado (1-3) com uma reviravolta fantástica, sinal do que estaria para vir.
Porque na quarta-feira e ontem o Vitória também entrou a perder e nunca baixou os braços. Contra o Sporting, na meia-final, aliás, ainda perdia aos 90'. Ontem, passou para a frente mais cedo, mas resistiu a penálti na compensação.
A história faz-se de troféus, mas a forma como se os vence é que torna os heróis imortais.
Mas glória, também, aos vencidos. Em Braga, ninguém vai lembrar, daqui a uns anos, o dia 10 de janeiro de 2025, mas talvez a amarga derrota na primeira final contra o maior rival seja uma nota de rodapé na afirmação dos guerreiros. Porque há sinais favoráveis — o domínio na primeira parte, por exemplo, a juntar à grande exibição no Dragão para a Liga, aos empates com Sporting e Benfica, à eliminação das águias nas meias-finais desta Taça da Liga. Os resultados, até agora, não acompanham o bom futebol que, a espaços, a equipa de Carlos Vicens joga. Se começarem a acompanhar, cuidado..."

CAN a entrar no seu território mais bonito


"Os quartos-de-final confirmaram aquilo que esta CAN vinha a anunciar. A Nigéria venceu a Argélia por 2–0, num jogo em que não precisou de dominar pela posse para controlar o jogo. A Nigéria terminou com mais remates enquadrados, maior produção de situações de transição e um xG (expectativa de golo) claramente superior. A diferença esteve na qualidade da chegada ao último terço e na forma como condicionou a estrutura defensiva argelina. O Victor Osimhen voltou a ser determinante, não apenas pelo golo, mas pela quantidade de faltas provocadas em zonas altas, obrigando a Argélia a baixar linhas e a defender em constante desequilíbrio.
No outro grande duelo, o Egito eliminou a Costa do Marfim por 3–2, num jogo onde os números ajudam a explicar o resultado. O Egito teve menos posse, menos volume ofensivo e menor xG global, mas foi claramente mais eficaz nos momentos decisivos. Duas bolas paradas transformadas em golo e a influência direta de Mohamed Salah nos momentos-chave acabaram por fazer a diferença. A Costa do Marfim produziu mais, mas falhou na gestão emocional do jogo quando esteve por cima.
Com estes resultados, as meias-finais colocam frente a frente quatro identidades muito bem definidas.
No Senegal-Egito, teremos intensidade contra controlo emocional. O Senegal apresenta uma das melhores taxas de duelos ganhos do torneio e um índice defensivo muito estável. O Egito, por sua vez, é das seleções com menos erros não forçados e maior eficácia em jogos a eliminar. Aqui, o jogo vai decidir-se na capacidade de gerir os momentos de maior pressão.
No Marrocos-Nigéria, o confronto é quase filosófico. Marrocos chega com uma organização defensiva sólida e poucos golos sofridos, muito sustentada pelo equilíbrio posicional e pela influência de Achraf Hakimi na gestão do ritmo do jogo. A Nigéria apresenta dos valores mais altos de eficácia por remate e uma das transições ofensivas mais letais da competição. Poucos toques, muita profundidade e decisão rápida.
Os dados confirmam aquilo que o campo mostra: nas meias-finais já não vence quem tem mais bola, mas quem decide melhor nos poucos momentos que o jogo oferece. O espaço reduz-se, o tempo encurta e a margem de erro desaparece.
Agora, o torneio entra no seu território mais cru e mais bonito. Dois jogos. Quatro seleções. E aqui, mais do que nunca, um detalhe estatístico equivale a uma decisão histórica."

Amorim no pós-Flick? Primeiro, soa a provocação; depois, começa a fazer sentido


"A ideia não nasce do improviso nem da fantasia. Nasce da observação. Ruben Amorim representa hoje um perfil cada vez mais raro no futebol de elite. É um treinador que sustenta convicções, que privilegia processos e que entende liderança como algo que se constrói no tempo. É por isso que pensar o seu nome associado a clubes de exigência estrutural elevada não é um exercício de imaginação, mas de coerência.
A saída de Amorim do Manchester United diz pouco sobre resultados e muito sobre o conflito entre dois mundos. O de um treinador que acredita em projetos e o de um futebol que vive obcecado com respostas imediatas. Num contexto em que a paciência é vista como risco, Amorim fez algo cada vez mais raro, que foi manter-se fiel a uma ideia.
Peter Schmeichel, figura incontornável da história recente do United, foi particularmente claro na sua leitura. Para o antigo guarda-redes, Amorim tentou construir algo estrutural: identidade, disciplina, continuidade. Exatamente aquilo que o clube afirma procurar há anos, mas que raramente aceita proteger quando surgem as primeiras dificuldades. Schmeichel foi mais longe ao apontar o problema à cultura que se enraíza cada vez mais no clube. Parece prevalecer no United uma cultura que muda constantemente de treinador sem nunca redefinir verdadeiramente o rumo.
A história não é nova. José Mourinho viveu algo semelhante em Old Trafford. Um treinador de personalidade forte, convicções claras e resistência à diluição do seu modelo. Também ele saiu antes de o clube enfrentar as causas profundas da sua instabilidade. Mudaram os nomes, manteve-se o padrão.
Num futebol que confunde coerência com teimosia e paciência com fraqueza, Amorim recusou adaptar-se à lógica do curto prazo. Não negociou princípios para ganhar tempo. Preferiu sustentar um caminho, mesmo sabendo que o tempo raramente favorece quem tenta construir algo duradouro.
Essa escolha tem custos imediatos, mas encerra um valor estratégico elevado. Liderar não é reagir ao ruído. Liderar é manter direção quando o contexto empurra para a desistência. Amorim não foi um gestor do medo; foi um defensor de uma visão. E isso, no futebol atual, torna-o um caso raro. Um treinador fora da norma.
É aqui que a provocação começa a ganhar densidade. No Barcelona, Hansi Flick representa uma tentativa clara de devolver ordem, competitividade e credibilidade a um projeto que vive há demasiado tempo entre a urgência do presente e o peso da identidade histórica. Mas o desafio do Barça não se resolve apenas com o nome no banco. É estrutural, cultural, identitário.
E é precisamente nesse ponto que o perfil de Amorim deixa de soar apenas a hipótese abstrata. Um treinador capaz de unir modelo de jogo, desenvolvimento de jogadores e liderança interna num contexto de pressão permanente. Não por rigidez, mas por clareza. E não por imposição, mas por convicção.
Não se trata de prever destinos nem de antecipar decisões. Trata-se de reconhecer padrões. Num futebol cada vez mais descartável, os clubes verdadeiramente grandes acabam, mais cedo ou mais tarde, por voltar a procurar quem resiste. E é nesse momento que aquilo que começou como provocação passa a ser lido como possibilidade, e apenas porque faz sentido.Parte superior do formulário"