Últimas indefectivações

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Relato de um náufrago


"Depois de um ano miserável da arbitragem portuguesa, seguramente o pior das últimas décadas (encontrando paralelo só nos tenebrosos tempos do Apito Dourado), o presidente do CA decidiu – ou decidiram mandá-lo – falar ao país.
No meio da habitual conversa fiada, o que disse de substancial situa-se entre o burlesco e o indecoroso.
Que não há mais erros do que no passado. Qual passado? Os anos noventa? Então, pelo menos, não havia VAR. Agora, sr. Gonçalves, não há desculpa. Como esta coluna de opinião não é suficiente para elencar todos os “erros” escandalosos que ocorreram no último ano, com este CA, basta lembrarmos as imagens da final da Taça de Portugal para ficarmos elucidados. A arbitragem, esta arbitragem, subverteu o palmarés do futebol português como há décadas não se via. Repito: com VAR, o que agrava consideravelmente a sua avaliação global.
Problemas? Os árbitros inexperientes. Tais como, digo eu, Luís Godinho, que apitou a final do Jamor, Tiago Martins, que foi (ou devia ter sido) VAR dessa partida, João Pinheiro, que esperou 14 minutos para assinalar um penálti inexistente nos Açores, António Nobre, que, contrariando o seu VAR, viu um penálti cometido com a cabeça no Estádio da Luz. Enfim, só se estivermos a falar do fiscal-de- -linha que transformou um remate por cima da barra num pontapé de canto. Desse, confesso que não recordo o nome. Soluções? Deixar de comunicar. Espantoso! Pretendem “errar”, continuar a “errar” e não dar cavaco a ninguém. E, para concluir, nem sequer faltou prescrever a receita do dr. Varandas: punir violentamente quem tenha a ousadia que formular a mais leve crítica. Ou seja, há que comer e calar.
Espero que não tenhamos de comer este prato durante quatro penosos anos. Mas pode o senhor Gonçalves ter a certeza de que, a nós, não nos irá calar."

Luís Fialho, in O Benfica

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