"FRENTE AO VARZIM,
TORRES CONCILIOU
DUAS PAIXÕES: OS GOLOS
E OS POMBOS.
A um treinador pede-se
visão para antecipar problemas e engenho para
os resolver. As épocas
são longas, e só quem mantém a
motivação em alta chega mais
perto das conquistas.
Na temporada 1964/65, o Benfica vivia um momento brilhante,
dominando dentro e fora de portas. Terminou a 1.ª volta do Campeonato Nacional isolado na
liderança, com um ataque demolidor. A imprensa já o dava como
tricampeão anunciado.
Nas jornadas seguintes,
mesmo com alguns tropeços
– 2 empates, 1 vitória e 1 derrota
–, os encarnados rapidamente
regressaram ao trilho do sucesso. Pelo meio, brindaram o Real
Madrid com um inesquecível 5-1
no Estádio da Luz, na 1.ª mão dos
quartos de final da Taça dos Clubes Campeões Europeus.
Mas o futebol é rico em surpresas. Seguiram-se dois resultados amargos: derrota por 2-1
em Madrid e novo desaire frente
ao FC Porto por 1-0. O jogo foi
duro. Costa Pereira perdeu quatro
dentes num lance em que saiu
aos pés de Carlos Manuel, impedindo um remate. Ainda assim,
manteve-se em campo para o
resto do 1.º tempo e toda a 2.ª
parte. Na etapa complementar,
os benfiquistas revelaram cansaço, e os azuis e brancos aproveitaram para marcar o único
golo do encontro.
A imprensa ficou surpresa
com o desfecho: “Como é possível
a derrota, às mãos dos jovens de
Otto Glória, dum Benfica que eliminou do maior torneio um Real
Madrid? Fadiga do jogo de quarta-feira?” O técnico do Benfica,
Elek Schwartz, manteve a calma
e elogiou o adversário: “O FC
Porto atuou com muita energia, e
não há dúvida de que tem futebol
que justifica amplamente o lugar
que ocupa na classificação e que
por certo manterá, pois merece-o
absolutamente.”
Internamente, porém, sabia
que era urgente reagir logo na
jornada seguinte, diante do Varzim. Sem poder contar
com Eusébio, lançou
um desafio ao segundo melhor marcador da
competição, Torres: “Se
marcasse três golos
frente aos poveiros oferecia-lhe dois pombos e
se marcasse dois tentos,
a oferta ficaria reduzida
a um.”
Apaixonado por columbofilia, aceitou de
imediato. O Benfica
entrou de rompante e
dominou o encontro.
Coluna inaugurou o marcador, e Torres apontou
os três golos seguintes.
O Monstro Sagrado bisou
e selou o triunfo em 5-0.
No final do jogo, Elek
Schwartz estava satisfeito: “O Benfica venceu por
5-0, mas se Torres não tem
estado infeliz, poderia ter
obtido mais alguns golos.
Mesmo assim, perdi dois
pombos que lhe tinha prometido como prémio.” A uma
vitória do título, os benfiquistas
celebraram o tricampeonato na
jornada seguinte, ao vencerem o
V. Setúbal por 2-1. E Torres, com
mais dois pombos, sagrou-se o
segundo melhor marcador da
prova, com 23 golos em 23 jogos.
Saiba mais sobre esta conquista na área 6 – Campeões
Sempre, do Museu Benfica –
Cosme Damião."
António Pinto, in O Benfica

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