Últimas indefectivações

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O empréstimo da sorte

"O Europeu está-nos a correr muito bem. Umas vezes com alguma qualidade, outras com sorte. Juntando as duas, tudo agora parece ao alcance da nossa selecção.
Para pouca fortuna, já tivemos uma dose forte: as meias-finais perdidas para a França em 1984 e 2000, a final na Luz contra a Grécia (ainda que aqui, outras razões se tenham imposto) e, de novo, uma meia-final com a Espanha, desta feita por penalties.
Neste Euro 2016, não nos podemos queixar muito. Calhou-nos uma fase de qualificação onde era quase impossível não passar, o sorteio da fase de grupos não poderia ter sido melhor e até a Islândia marcando no último minuto nos proporcionou não jogar com a Inglaterra, a que se seguiria a França e, depois, a Alemanha, Itália ou (a já eliminada) Espanha.
Contra a Croácia - sem facciosismo - fomos bafejados por alguma fortuna. Foi, aliás, um jogo chato. Mas no minuto 117, logo após a bola ter em batido no poste da nossa baliza, Renato proporciona ao tridente atacante o tão saboroso golo. Isto depois de F. Santos colocar Danilo para aguentarmos o empate e ir para os penalties...
Agora vamos ter pela frente a Polónia, que está perfeitamente ao nosso alcance e, a seguir, certamente a Bélgica. De qualquer modo, teremos que jogar mais do que fizemos nos anteriores jogos. Com a Croácia, jogámos modestamente, as equipas recearam-se em excesso, de tal modo que Rui Patrício não fez uma defesa em 120 minutos e o nosso primeiro remate à baliza foi no tal feliz minuto 117.
Mas atenção, a sorte não dá nada a ninguém. Só empresta. Por isso, joguemos como bem sabemos, sob pena de a termos que devolver com juros."

Bagão Félix, in A Bola

Teorias não ganham jogos

"A Polónia é o adversário que se segue e, sinceramente, estou à espera de um jogo muito parecido ao que foi com a Croácia. Teoricamente podia arriscar que somos os favoritos nesta eliminatória, mas já vimos o que aconteceu a algumas selecções poderosas nesta competição, que eram favoritas e já foram eliminadas. Isso só vem provar que as teorias não ganham jogos. Neste Europeu, as equipas que têm favoritismo têm tido grandes dificuldades frente às selecções teoricamente mais fracas. O exemplo mais claro disso é o feito da Islândia, que afastou a Inglaterra. Os duelos disputam-se sempre dentro das quatro linhas.
A Polónia é uma excelente equipa. Ainda está em prova por mérito próprio. Tem jogadores experientes que podem desequilibrar a qualquer momento. A Selecção Nacional tem de ter a atenção redobrada a essas peças, que podem fazer a diferença. E depois temos de jogar de acordo com os nossos princípios. Temos de ter a consciência que se trata de uma partida a eliminar. De certeza que teremos o apoio de milhões de portugueses. Se calhar os primeiros duelos na fase de grupos não foram os melhores, mas a vitória com a Croácia deu mais confiança.
O golo de Quaresma no prolongamento é um exemplo daquilo que esta Selecção é boa. Rápidas saídas para o contra-ataque, de forma a desmantelar as defesas contrárias. Penso que sentimos mais dificuldades quando as equipas decidem fechar-se e tentam resolver o jogo apenas num detalhe ou num lance de bola parada. Cada um joga com as armas que tem, mas creio que a Polónia quererá discutir o encontro e não adoptar uma postura demasiado defensiva.
Queria que Portugal se assumisse como favorito, até pelo discurso que temos vindo a adoptar. Fernando Santos é uma pessoa muito experiente e sabe que muitas vezes o importante é o resultado final e não uma exibição fantástica. Claro que queremos sempre juntar o útil ao agradável e poder jogar bem e ganhar, mas nem sempre é possível. Por vezes é preciso arregaçar as mangas e lutar com todas as nossas forças.

Positivo
O facto de a Selecção ter mais dias de descanso para o duelo com a Polónia do que teve com a Croácia, dá a importante possibilidade de recuperar quem estava em más condições físicas.
Negativo
Em jeito de brincadeira, o emparelhamento desta fase a eliminar da competição não nos deu a hipótese de termos a nossa 'vingança' frente à França antes de uma hipotética final."

Do pós-caso Gil ao insólito Europeu

"Clubes iniciam preparação para nova temporada, o que, para dirigentes, treinadores e... adeptos, inclui frenesi na formação do próximo plantel. Entretanto, solução pós-caso Gil Vicente mantém-se adiada. Quantos clubes na I e na II Ligas?; não desce um que foi despromovido?; sobe um não promovido?; haverá liguilla? É muitíssimo diferente construir orçamento, logo, plantel, para o primeiro escalão ou fazê-lo para o segundo... Enfim, pormenores de insignificante importância...

Portugal num Europeu muito ampliado para nele entrarem equipas fraquinhas que, num ápice, iam ser devoradas... E toma, Inglaterra borda fora, às mãos da estreante Islândia! Que já aplicara duas derrotas à Holanda (!!), afastando-a da fase final, empatara com Portugal e vencera Áustria. O tal pequeníssimo país do qual Gary Lineker disse ter mais vulcões do que futebolistas profissionais...
Vida difícil para outros gigantes... França precisou de golos ao cair do pano para vencer Roménia e Albânia (estreia), empatou com Suíça e só por 2-1 se impôs à também estreante República da Irlanda (que, no 3.º jogo do grupo, vencera Itália!). Espanha bicampeã caiu ao ter de enfrentar Itália porque, sem prescindir do melhor onze, perdera com Croácia que, de seguida, Portugal mandou para casa... Relembre-se: Rússia e Suécia de Ibrahimovic despediram-se tão-só com um empate; Alemanha ficou-se por 0-0 com Polónia que apenas um golo sofreu em 4 jogos e Portugal irá já ter pela frente.
Nem para Itália, Alemanha, Bélgica - quanto a mim os melhores até agora - está propriamente fácil. E falta um passo para Portugal entrar nas meias-finais..."

Santos Neves, in A Bola

Os portugueses e o Euro 2016 em sete verbos irregulares

"A gramática de uma relação bipolar

Verbo: seleccionar
Eu selecciono
Tu enganas-te
Ele é um nabo
Nós escolhemos
Vós estais a gozar com isto
Eles Pelamordedeus, o Éder!

Verbo: apoiar
Eu apoio
Tu assobias
Ele cala-se
Nós cantamos
Vós rezais
Eles abrunhosam

Verbo: debater
Eu debato
Tu desconversas
Ele é um troll
Nós trocamos ideias
Vós só dizeis asneiras
Eles Renato Sanches vs. Adrien

Verbo: defender
Eu defendo
Tu só defendes
Ele dá porrada
Nós jogamos com linhas compactas
Vós atentais contra a paciência do público
Eles são uma vergonha

Verbo: festejar
Eu festejo
Tu provocas
Ele abusa
Nós celebramos a nossa alegria
Vós tendes a mania
Eles armam-se em parvos

Verbo: ganhar
Eu ganho
Tu empatas
Ele gama
Nós somos os maiores
Vós tendes uma sorte incrível
Eles não metem medo a ninguém!

Verbo: perder
Eu bem dizia
Tu bem dizias
Ele bem dizia
Nós bem dizíamos
Vós bem dizíeis
Eles não jogam nada."

United Colors of Portugal

"De cada vez que Quaresma «parte a louça» em campo, um daqueles horríveis sapos em cerâmica estala na montra de um café ou de uma loja. Cada momento artístico dele é um pontapé (ou cabeçada) no âmago da intolerância.
Nessas alturas, imagino um preconceituoso militante encostado ao balcão do café a interromper um discurso que reza qualquer coisa como «Ciganos? É gente que não gosta de trabalhar» ou «Brasileiros? Era mandar tudo de volta para a terra deles» e vociferar para a televisão «Mete o Quaresma!» ou «Que jogão do Pepe!», antes de sentenciar: «Eu não disse? Golo! Grande Quaresma!» Tal como o imagino nos festejos a partir a figura do batráquio que só está lá para, por via da superstição, excluir uma etnia inteira da clientela. 
O futebol às vezes é mais do que um jogo e esta que, arrisco, é a mais representativa selecção portuguesa da história fará qualquer xenófobo engolir um sapo.
Neste Portugal do Euro 2016, que tem um traço ítalo-grego no seu jogo, há uma nação inteira que pode ver-se ao espelho. Loiros, morenos e mulatos. Veteranos e outros tão novos que podiam ser seus filhos. Todos juntos na mesma equipa.
Portugal é um miúdo da Musgueira a pegar no meio-campo como quem joga no bairro e dois centrais de sangue brasileiro nascidos um de cada lado do Atlântico. É um Carvalho de Amarante e outro com raízes em Angola, onde só crescem embondeiros, e é acrescentar ao contingente das ex-colónias talentos da Guiné e de Cabo Verde.
Portugal cumpre-se ao ver regressados à pátria emigrantes que trocaram França ou Alemanha pelo orgulho supremo de envergar a camisola do país dos seus pais, que tal como tantos milhares podem ter atravessado a fronteira a salto ou talvez viajado horas a fio no Sud Express até desembarcarem na parisiense Gare d’ Austerlitz, como cantava José Cid em «Domingo em Bidonville». Por falar em Cid, Portugal é ter nas fileiras um transmontano que sorri com todos os dentes (mesmo que só veja a baliza do banco de suplentes), mais um minhoto e um algarvio. E até um açoriano mulato (haverá menor minoria?) ou um madeirense que é de todo o mundo.
Na altura em que a xenofobia irrompe pelo discurso de vários líderes políticos da Europa é significativo que neste Euro Portugal uma quase perfeita selecção da sua diversidade, no mesmo solo gaulês que em 1998 viu a primeira selecção multicultural da história levar França ao topo do mundo do futebol.
Quando leio ou ouço teorias sobre «Portugal para os portugueses», sorrio. De puro-sangue lusitano só conheço os cavalos. Para lá do seu rectângulo, esta nação é verdadeiramente grande sobretudo pela miscigenação que inventou há séculos e pela diáspora que cultiva há décadas. Esse legado é a bandeira, sem pagodes, que esta selecção ajuda a empunhar. Essas são as mais autênticas cores de Portugal."


PS: Não esquecer São Tomé...

Ponto de partida...

Benfiquismo (CXLIX)

Esta devia ter sido nossa...

Benfica 1 - 2 Chelsea,
Final da Liga Europa, 2012/13

Ambição...

terça-feira, 28 de junho de 2016

História com muito poucas repetições

"A imagem 'low profile' de Rui Vitória fica ligada à conquista do tricampeonato. Muito poucas foram as vezes que o técnico respondeu ao arquirrival e às provocações que chegavam, com regularidade, de Alvalade. Hoje, é um técnico claramente mais forte e mais seguro, mas nem por isso mais confiante. Isso nunca deixou de o ser. Foi precisamente, a capacidade que teve de nunca perder a fé naquilo em que acredita, de nunca se ter desviado do caminho - o 'tal' que tanta brincadeira gerou - que ajudou o Benfica a chegar ao 'tri'. O mérito pertence-lhe, obviamente! Vitória soube quebrar regras e instituir as suas. Uma delas foi a de manter uma aposta até final, desde que acredite que essa é a melhor solução. Ganhou o respeito dos jogadores. Chega a 2016/17 em estado de glória, mas com responsabilidades acrescidas. É certo que o Benfica é, dos três grandes, aquele que menos pressionado entra em campo. No plano teórico. Foi tricampeão contra a generalidade das apostas, numa época de várias (e importantes) mudanças.
Mas agora, tal como há um ano, são os resultados que vão ditar se o élan à volta da equipa se mantém. E, aqui, a fasquia está bastante mais elevada. Rui Vitória conseguiu, com aquilo que muitos considerariam pouco, no meio de um turbilhão de emoções, com uma pré-época que muitos criticaram, construir uma equipa e com apostas improváveis em jovens do clube. O baixo investimento em reforços, a confirmar-se, não poderá ser uma atenuante. Deixou de o ser. O que os adeptos não lhe pediam a 15 de Junho de 2015 - que fosse campeão - exigem-lhe agora. A estabilidade é maior, a margem de erro - está em sentido inverso. E Vieira quer o 'tetra' da história."

Vanda Cipriano, in Record

Rui Vitória diz que Benfica regressou “com vontade de ganhar mais um título”



O treinador do Benfica garantiu esta terça-feira que a equipa tricampeã nacional de futebol regressou ao trabalho com “ambição” e uma “grande vontade de ganhar mais um título”.
“Queremos aquilo que nos tem norteado desde a época passada: uma ambição tremenda, um trabalho rigoroso e uma vontade grande de ganhar mais um título”, afirmou Rui Vitória, em declarações à BTV.
O técnico ‘encarnado’, que esta terça-feira no regresso ao trabalho contou com a presença de 23 jogadores, prevê dentro do campo “um campeonato bem disputado e competitivo, como tem acontecido nos últimos anos, com três ou quatro candidatos ao título”.
Fora do campo, Rui Vitória prometeu um Benfica “respeitador” em relação aos seus valores e aos adversários.
O técnico admitiu estar a encarar o regresso ao trabalho como uma continuidade da época anterior, na qual o Benfica conquistou o terceiro campeonato consecutivo e venceu a Taça da Liga.
“Parece que isto é uma continuidade do ano anterior, parece que saímos um pouco para descansar e que já cá estamos outra vez”, disse, acrescentando que sente que “os jogadores têm uma vontade muito grande de enfrentar o trabalho”.
Rui Vitória considerou que a pré-época “é sempre um momento importante para definir as bases de trabalho de uma equipa, porque é o momento em que uma equipa está de certa forma mais liberta para se conseguir passar a mensagem aos jogadores”.
O técnico lamentou “não ter todos os jogadores a trabalhar, porque alguns estiveram na Copa América e outros estão no Euro2016”, mas lembrou que isso faz parte desta altura do ano.
Numa análise ao desempenho de Renato Sanches no Euro2016, Rui Vitória considerou que o médio, formado no Benfica e que esta época vai representar o Bayern de Munique, “é um exemplo” a vários níveis.
“O Renato é dos nossos, vai ser um jogador de sucesso, tem tudo o que os grandes jogadores têm. É um exemplo da visão que se teve há um ano e um exemplo de trabalho para todos os jogadores”, disse
O plantel ‘encarnado’ vai treinar no Seixal nas próximas duas semanas, iniciando a 17 de julho um estágio em Burton, Inglaterra.
O primeiro compromisso oficial dos tricampeões nacionais será a Supertaça Cândido de Oliveira, a disputar a 7 de agosto, em Aveiro, frente ao Sporting de Braga.

In observador.pt

Polónia irá dar-nos a iniciativa

"Ao imaginar antecipadamente um Portugal-Croácia, pensaríamos sempre em duas equipas com um futebol ofensivo de qualidade e sem grandes cautelas. O que veio a acontecer no relvado, no entanto, foi precisamente o contrário. Duas selecções a respeitarem-se ao máximo no plano estratégico (também a autointitulada favorita Croácia o fez) e talvez tenhamos assistido, até ao momento, ao jogo do Campeonato da Europa com menos situações de finalização e oportunidades de golo.
A nossa equipa preparou este jogo reconhecendo o bom momento e a grande qualidade individual e colectiva da selecção croata. É diferente. em termos de confiança, passar em primeiro lugar no grupo em que está a Espanha ou fazê-lo com três empates, como nós o conseguimos. Não foi alterado nada aquilo que têm sido os nossos princípios e ideias. O seleccionador fez quatro alterações muito específicas no onze, entre elas a já esperada entrada de Raphael Guerreiro. Apostou nas maiores rotinas defensivas de Cédric (Perisic a isso obrigava), entrou José Fonte para fazer descansar Ricardo Carvalho, havendo aqui maior poderio físico para o duelo com Mandzukic, e ainda se estreou Adrien no onze (só depois do jogo se soube que João Moutinho não estava em condições de actuar), o que nos deu grande capacidade de pressão e condicionou bastante a construção de Modric.
No plano ofensivo não conseguimos ser a selecção que tínhamos sido durante a fase de grupos, a comandar grande parte do jogo e a criar situações de finalização em muito bom número. Mas também não vimos aquela selecção croata que atravessava um momento tão bom a conseguir fazê-lo. E isso aconteceu porque as organizações defensivas respeitaram os planos estratégicos e foram muito rigorosas.
A forma como conseguimos ultrapassar esta Croácia irá dar grande confiança aos nossos jogadores. Estou em crer que na 5.ª feira iremos ver a nossa selecção mais confiante, mais solta e isso ajudará, naturalmente, a que a qualidade do nosso jogo seja melhor, com outra dinâmica ofensiva, que possa permitir aos nossos jogadores mais decisivos e de maior talento aparecerem mais no jogo. Se isso vier a confirmar-se, de certeza que estaremos mais perto de vencer.
Nos quartos-de-final voltaremos a um registo em que por norma não nos sentimos muito confortáveis. A selecção da Polónia a dar-nos a iniciativa, num jogo onde iremos naturalmente ter maior controlo em posse, seremos uma equipa a jogar mais tempo em ataque posicional e onde, à partida, teremos algum favoritismo, apesar de isso, nos quartos-de-final de uma prova como esta, contar muito pouco.
Há algo de que o nosso seleccionador não abdica: grande rigor na preparação estratégica para cada jogo e só ele saberá o que será melhor em cada momento. Sendo assim: irá manter o que foi idealizado para o último jogo ou, pelo contrário, poderemos esperar mais algumas novidades para surpreender o nosso adversário? Daqui por dias teremos a resposta.

Positivo
Percebe-se que o espírito na nossa selecção está forte. Existe um compromisso comum e isso nestas competições tem grande importância. Sinal de confiança para o grupo: dos jogadores de campo, com excepção de Bruno Alves, já todos foram utilizados.

Negativo
A selecção de Espanha vai para casa mais cedo do que o previsto. Reconhecendo que a queda foi frente a uma Itália muito forte e competitiva, não deixa de ser surpreendente a selecção bicampeã europeia cair nos oitavos-de-final e de forma justa."

E quando o lance é cinzento

"Sob o ponto de vista da arbitragem, o último jogo de Portugal com a Croácia teve várias incidências, mas dessas destaco duas em particular, que servirão de mote ao assunto que hoje quero aqui abordar. A primeira refere-se a um pisão de José Fonte na perna de um adversário, quando o jogo já estava interrompido. Ficou a dúvida se esse contacto foi inevitável ou se o português atingiu o adversário de forma deliberada. A segunda refere-se a uma acção de Raphael Guerreiro que, já perto do final da partida, colocou as mãos nas costas de um atacante croata, na área portuguesa. O jogador aguentou o contacto e cruzou, embora em desequilíbrio. A dúvida é saber se esse toque foi suficiente para ser considerado infracção (e aí seria grande penalidade contra Portugal) ou se, por outro lado, podia ter sido considerado como um contacto no limite máximo da legalidade, visto que o adversário prosseguiu a jogada? As respostas a estas perguntas moram na opinião que cada um terá de cada lance, porque são de facto situações de análise muito difícil, susceptíveis de gerarem várias opiniões. São, aliás, a prova provada que a beleza do futebol passa por nem tudo ser expectável ou preto no branco e que o factor surpresa e imprevisibilidade só contribuem para alimentar a paixão que todos sentimos pelo desporto a que chamamos meritoriamente de rei.
É sobretudo devido a essa dificuldade de análise de várias incidências de jogo que muitas das decisões dos árbitros não são baseadas apenas no que vêem, mas sobretudo na sua intuição. E por intuição refiro-me a experiência acumulada, a vivências de jogo, àquilo a que chamamos feeling e que lhes permite lerem qualquer lance com mais maturidade, qualidade e grau de acerto.
Usar os sentidos como ferramenta de apoio à decisão é pois uma das formas mais inteligentes que um árbitro pode ter para avaliar, sobretudo quando o lance é assim: cinzento. Porquê? Porque por vezes ver não chega. É preciso deduzir. Sentir. Cheirar. Perceber através do que se conhece dos jogadores e do jogo. É fundamental saber ler a expressão de inocente ou culpado do eventual infractor, a cara de dor da alegada vítima, a forma como o jogador cai, a maneira como aceita ou contesta a decisão, o tipo de lesão que a jogada originou, a linguagem corporal envolvida, a atitude de cada um perante o árbitro e adversário. Até a forma como o público reage, como fala. Tudo conta, tudo ajuda.
E aí o árbitro mais sensato, mais forte emocionalmente, mais perspicaz e intuitivo, falhará menos. Porque, tal como jogar, arbitrar é uma arte para gente inteligente."

Duarte Gomes, in A Bola

Portugal não é a Grécia

"Cada seleccionador tem as suas manias. Nada a fazer quanto a isso, em razão da autoridade discricionária de um mister, sem paralelo noutra actividade. Põe e dispõe a seu bel-prazer, aceitando mal ou recusando simplesmente dar explicações quando confrontado sobre questões menos simpáticas. Não é nenhum reparo a Fernando Santos, atenção, apenas ligeiro preâmbulo para uma viagem breve ao passado recente da nossa Selecção, retirar do baú o que já foi usado e verificar que os anos passam mas há coisas que não mudam, nem ficam fora de moda.
No Euro-2004, Luiz Felipe Scolari, a partir de certa altura, resolveu preparar terreno à não inclusão de Maniche na convocatória final. Houve reacções, entre elas a minha. Por mais de uma vez me referi ao assunto, em defesa do jogador. Também por essa altura, o mesmo seleccionador alinhou no cerco que asfixiou Vítor Baía. No essencial, arranjou um novo titular (Ricardo) e, para calar as vozes discordantes, descobriu um jovem promissor chamado Bruno Vale, portista, como prova das suas boas intenções, embora depressa se tivesse livrado dele e, por arrasto, de Baía.
No entanto, Scolari viu-se num beco sem saída ao ver a sua teimosia fracassar ante a Grécia na primeira jornada do grupo, mas foi célere na mudança. Mestre em golpes de rins, fez de conta que nada se passara e logo no jogo seguinte recorreu ao meio-campo do FC Porto, campeão nacional e Europa, entrando Deco e saindo Rui Costa, o qual viria pouco depois a renunciar à Selecção, não pela despromoção a suplente, mas pela nebulosidade/pouco respeito que caracterizou o processo.

No Euro-2016, Fernando Santos não foi capaz de eliminar a linha de fronteira entre os meus e os outros, pese a ecumenicidade da sua política ao abrir portas da selecção aos presentes e aos ausentes. Correu bem, no sentido em que recuperou alguma gente que andava perdida e contribuiu para o apuramento de Portugal, mas ao envelhecer os quadros nas convocatórias deu à experiência conservadora primazia em relação à juventude rebelde. Aliás, o próprio Fernando Santos nunca escondeu que seria difícil dar esperança a candidatos a lugares que do seu ponto de vista se encontravam preenchidos. É convicção generalizada, por isso, que Adrien Silva, Renato Sanches e Rafa, por exemplo, só foram escolhidos por força das circunstâncias, leia-se impedimentos de Tiago, Bernardo Silva e Danny. Ao seleccionador assiste o direito de não ter gostado das mudanças que se viu obrigado a fazer, mas a saúde do futebol português ficou muito agradecida: tiraram-lhe anos de cima e deram-lhe genica, alegria e mais força de acreditar. Fernando Santos tem a nossa confiança, apesar de sabermos que a sua visão do futebol jogado é esta que se vê, pensada e cautelosa, sempre em velocidade de segurança e sem ultrapassagens que coloquem em risco a solidez da organização. Tudo bem, desde que utilize os melhores, ou, se preferir, retire os que se encontram condicionados.
A propósito: então, só soube à última hora que Moutinho não estava em condições? Estranho. Pensava eu que ele tinha saído da equipa por claro défice de rendimento na competição, provavelmente consequência de uma época apagada e de um quadro clínico que o tem incomodado nos últimos meses. Além de, mesmo na plenitude de recursos, me parecer desfocado no modelo privilegiado para o Europeu.

Sobre André Gomes, de futebol pastoso, sem alma, nem garra, que qualidades verá nele o seleccionador que mais ninguém consegue descortinar? É bom executante? Claro que sim, mas não chega. Tacticamente será mais evoluído que a concorrência? Talvez, admito tudo, mas, sem mais informações sobre o assunto, considero que a sua titularidade constitui o segundo mistério nesta equipa. O que é bom: existirem apenas duas situações susceptíveis de gerarem controvérsia. Sinal de que devemos aproveitar a favorável conjugação de factores: confiança do seleccionador, enorme vontade de Cristiano Ronaldo e de todos os jogadores, inclusão de pessoal jovem com pressa de mostrar serviço e infindo entusiasmo do povo.
Não sei se vai dar para chegar a Paris, mas sei que não há desculpa para mais equívocos. Devem ser valorizados os que garantem disponibilidade física e mental para jogar nos limites, e julgo que isso não tem acontecido. Sem querer intrometer-me onde não sou chamado, penso que, neste momento, a Selecção precisa mais do músculo de Adrien Silva do que do tricô de João Moutinho. Fernando Santos é quem decide, mas, por favor, não nos ponha a jogar à grega. Já faltou mais, mas se o fizer será o mesmo que manchar a imagem do futebolista português. No resto, proceda como quiser, devendo ter a noção de que a esta hora já estaria fatiado pela lâmina afiada da crítica feroz caso não tivesse sido feliz com a Croácia... 

Nota 1 - Prudência com a Polónia depois de amanhã em Marselha. São fortes como os islandeses, mas jogam mais. Ganhámos em 2002 (Mundial da Coreia), mas desde aí a situação alterou-se: derrota e empate com Scolari (apuramento Euro-2008) e empate com Paulo Bento (particular).

Nota 2 - Messi falhou penalty na final da Copa América e despediu-se da selecção argentina. Imagine-se o massacre que seria se fosse Ronaldo. Vergonhosa a campanha contra o capitão português desde que começou o Europeu, mas a FPF continua muda..."

Fernando Guerra, in A Bola

Os 'encarnados' na «Cidade Verde»

"Saint-Étienne, onde jogou Portugal frente à Islândia, é cidade que o Benfica conhece. Em Novembro de 1967, jogou aqui para a Taça dos Campeões Europeus e perdeu por 0-1. Apurou-se.

Saint-Étienne - Estou de volta a Saint-Étienne, desta vez para o Inglaterra-Eslováquia. Foi nesta cidade do Leste da França, na região de Auverne-Rhône-Alpes, a pouco mais de 50 Km de distância de Lyon e no eixo da rodovia para transportes pesados que leva a Toulouse e, em seguida,a Bayonne e à fronteira basca com Espanha, que Portugal deu o seu pontapé de saída na XV edição do Campeonato da Europa, conhecido anteriormente por Taça da Europa das Nações, sétima presença lusitana numa fase final da competição. Chamam-lhe a «Cidade Verde».
Comecemos por Geoffroy Guichard, fundador das lojas Casino, um dos pólos comerciais de Saint-Étienne e proprietário da propriedade que levava o nome de Estevaliére, precisamente onde se ergueu, a prtir de 1931, o Estádio Geoffrey Guichard, como está bem de ver, local onde actua desde sempre a Association Sportive Saint-Étienne, clube represententativo «du coin lá bas».
Com capacidade para 42.000 espectadores, construído à boa maneira inglesa, com quatro bancadas e aberto nos cantos, veste-se geralmente de verde, a cor dos armazéns Casino, do seu clube e de toda a gente que ao longo de décadas trabalhou para a família Guichard.
No dia 30 de Novembro de 1967, o Benfica defrontou o Saint-Étienne nos oitavos-de-final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, 2-0 na primeira «mão», em Lisboa, dava conforto para a viagem de resposta, mas os «stephanois» - nome porque são conhecidos os habitantes locais, em razão de um dos primeiros nome da cidade, Sant Stephan, fundada por refugiados húngaros no ano de 930 - não estiveram pelos ajustes e infernizaram a vida aos 'encarnados'.
O «Caldeirão» encheu. É com orgulho que o estádio de Geoffrey Guichard tem a alcunha de «Chaudron»! Era qui que eu queria chegar.


Golos aos nove minutos!
Logo aos nove minutos, Bereta fez o 1-0 e levou os verdes ao rubro.
Uma falha de Humberto Coelho comprometia José Henrique e o Benfica ficava encostado às cordas. Aí soube seu Mohamad Ali contra Foreman, em Kinchasa, 1974: aguentando golpe atrás de golpe até aos desfalecimento físico e psicológico do adversário.
Mekloufi, Carnus, Bereta, Patrick Revelli e Jacquet eram as grandes figuras do Saint-Étienne. Bereta chegou a ser campeão de França usando a camisola dos fundadores do clube, os empregados da cadeia de armazéns Casino.
«Allez les verts!», gritava-se nas bancadas.
De nada serviu. O Benfica aguenta o resultado até ao fim e sai com a eliminatória resolvida. Os golos de Eusébio e José Augusto, no Estádio da Luz, mantiveram vivo o campeão de Portugal.
Mas, num assomo final de sincero incómodo, Roland Thiéry, comentador televisivo, fechou assim o seu trabalho: «A equipa que ganhou duas vezes a Taça dos Campeões morreu e está bem morta. Nada mais resta do que uma formação envelhecida que se defende praticando anti-jogo».
Bem pôde pregar no deserto. Para os benfiquistas pouco importava. Tinham ultrapassado a eliminatória com mais ou menos facilidade. Continuavam a ser grandes dos grandes na Taça dos Campeões."

Afonso de Melo, in O Benfica

O primeiro passo...

Na 'casa' recentemente remodelada (como se pode ver na foto...), começou, hoje, oficialmente a época 2016/17. A época do 36! A época onde queremos escrever pela primeira vez (!!!) nos livros de história, o Tetra Vermelho!!!

Estive alguns dias afastado do blog (foi o meu defeso!!!), e ao contrário de anos anteriores, os últimos dias de Junho até trouxeram novidades, algumas já confirmadas (Cervi, Kalaika...), outros ainda por confirmar (Celis, Zivkovic, Benitez... Nagy, Pjaca...).

Hoje, os jogadores apresentaram-se. Ainda com muitos ausentes, devido aos compromissos com as Selecções... Sendo assim, as surpresas/destaques, foram os muitos jovens da Formação que vão começar no plantel principal. Sendo provável o regresso de alguns à equipa B, sendo que a maioria deverá acabar emprestada!
Recordo que ainda temos jogadores que podiam/deviam estar 'aqui', mas estão a 'caminho' do Europeu de sub-19 (Joãozinho, Digui, Dias...).

Aliás é no 'capitulo' dos emprestados, que está uma das minhas preocupações! Eu sei que os empréstimos normalmente são decididos mais lá para o fim da janela de transferências, até lá haverá muito bluff entre as partes interessadas, mas o Benfica tem muitos jogadores para colocar... É necessário reduzir a massa salarial, e reduzir os 'emprestados', é essencial para o equilíbrio do nosso plantel...
Hoje, por exemplo 'faltaram' à apresentação: Ola John, Nélson Oliveira, Djuricic, Taarabt, Rojas, Vítor Andrade, Amorim, Hélder Costa, Diego Lopes, Ponk, Scholl, Varela, Frisenbichler, Mukhtar, Haramiz, Murillo, Derley, Romário, Lolo, Fariña, Candeias, Bebé, Nuno Santos, Cardoso, Guzzo, Rebocho...

Os 23 de hoje (a contar com o atraso do Jardel...):
Júlio César, Paulo Lopes, Ederson, André Almeida, Nélson Semedo, Luisão, Jardel, Lisandro, Kalaica, Lystcov, Grimaldo, Marçal, Dawidowicz, Gilson, André Horta, João Teixeira, Pizzi, Salvio, Cervi, Gonçalo Guedes, Rui Fonte, Saponjic e Luka Jovic.

Talisca (30/6), Mitroglou (4/7), Samaris (8/7), Fejsa (4/7), Carcela (8/7), Lindelof (15/7), Jonas (15/7), Jiménez (15/7) e Eliseu (depende...) estão autorizados a apresentarem-se mais tarde. O Carrillo deverá apresentar-se no dia 1 de Julho.

Entre os muitos jovens que hoje se apresentaram, julgo que o Kalaica, o Dawidowicz, o Horta, o Fonte e o Jovic têm possibilidades (uma mistura entre os meus desejos pessoais e a lógica!!!) de ficar no plantel... Lystcov, Marçal, Gilson, Teixeira, Saponjic devem ser emprestados! Salvio, Jardel, Carrillo, Lisandro, Guedes têm mercado, e podem ser vendidos... Sendo que a decisão mais 'complicada', parece-me ser a questão dos Centrais: neste momento temos 5 Centrais no plantel... e em termos de rendimento desportivo dentro do relvado, o 'dispensável' é o Capitão!!! Estes 'problemas' são comuns, em todos os clubes, mas nunca são fáceis de resolver...

Benfiquismo (CXLVIII)

Em digressão pelo Oriente...!!!

"Os Lugares da Memória"

" 'Trophy rooms', 'halls of fame' e o reconhecimento de valor cultural ao património desportivo.

A valorização do património desportivo enquanto património cultural remonta, na maioria dos países, ao final do século XIX. O valor cultural dos testemunhos, materiais e imateriais, da prática desportiva começou por ser reconhecido pelos próprios clubes desportivos. Inicialmente, os clubes utilizavam os objectos mais importantes do seu acervo - os troféus - para ornamentar o gabinete da direcção, onde podiam ser vistos, em exclusivo, pelas figuras de topo do clube - e seus convidados de honra. Gradualmente, os clubes de maior relevância passaram a reunir esses objectos num espaço próprio, geralmente designado trophy room. Considerados autênticos relicários, estes espaços começaram por estar acessíveis apenas a sócios mas, a pouco e pouco foram abrindo as portas a todos os adeptos e turistas interessados. Actualmente, maioria dos clubes mais relevantes do panorama desportivo internacional possui o seu próprio museu, autênticos halls of fame sobre a sua história e as suas vitórias.
No Sport Lisboa e Benfica, o percurso não foi diferente. Depois de anos com as 'taças e objectos de arte (...) expostos no gabinete da Direcção', o Benfica criou a sua primeira Sala das Taças. Em 1927, quando o Clube procurou um novo imóvel para instalar a sua secretaria, fê-lo com o intuito de possuir um espaço onde pudesse expor o seu acervo, que contava já com 65 taças. 'trezes bronzes, quatro «plaquetes», 14 galahrdetes e uma quantidade avultada de medalhas e objectos de arte'. Assim, na secretaria da Rua Capelo (1927-1931), considerada para imprensa 'a melhor e mais completa de todas que existem no nosso país, em clubes desportivos', o Benfica instalou a sua primeira Sala das Taças 'decorada rigorosamente em estilo português, pelo proficiente mestre da scenografia, sr. Luiz Salvador' (pai de Eugénio Salvador). Durante os 86 anos que se seguiram, o Clube organizou outras Salas das Taças e exposições até que, em 2013, inaugurou o Museu Benfica - Cosme Damião.
Até 15 de Outubro, no n.º 9 da Rua Jardim do Regedor, em Lisboa, estará patente ao público a exposição Os Lugares da Memória: Salas de Troféus do Sport Lisboa e Benfica - Do Relicário ao Museu, onde se evoca o percurso das exposições do acervo do Clube, em espaços próprios, ao longo do tempo."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Ex-assessor de Sócrates na comunicação do Benfica



Luís Bernardo, ex-consultor do Sporting, sucede a João Gabriel. Luís Bernardo é o novo diretor de comunicação do Benfica, sucedendo no cargo a João Gabriel. Bernardo foi jornalista e antigo assessor de António Guterres e José Sócrates quando este era primeiro-ministro. Luís Bernardo é dono da empresa de comunicação WL Partners, empresa especializada em relações com a comunicação social e gestão de crises, e que ajudou na reestruturação da comunicação do Sporting, tendo sido consultor de Bruno de Carvalho.


In cmjornal.xl.pt



PS: Será que ele esteve "infiltrado" no Sporting ou será que vem para se infiltrar? Também teve relações com o Sócrates... Mau maria...
Luís Bernardo é o novo diretor de comunicação do Benfica, sucedendo no cargo a João Gabriel. Bernardo foi jornalista e antigo assessor de António Guterres e José Sócrates quando este era primeiro-ministro. Luís Bernardo é dono da empresa de comunicação WL Partners, empresa especializada em relações com a comunicação social e gestão de crises, e que ajudou na reestruturação da comunicação do Sporting, tendo sido consultor de Bruno de Carvalho.

Ler mais em: http://www.cmjornal.xl.pt/desporto/futebol/detalhe/benfica_tem_um_novo_diretor_de_comunicacao.html
Luís Bernardo, ex-consultor do Sporting, sucede a João Gabriel.

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Luís Bernardo, ex-consultor do Sporting, sucede a João Gabriel.

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Luís Bernardo, ex-consultor do Sporting, sucede a João Gabriel.

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Isto não é para atrevidos

"Em três jogos disputados Nani leva dois golos marcados. É um valente este Nani. Não receia que a expressão da sua individualidade perturbe os ditames diplomáticos da Selecção onde todos os outros delegam em Cristiano Ronaldo as responsabilidades da decisão. É um abuso que penaliza o 'capitão' da equipa. Cristiano Ronaldo marca livres, lança microfones, aponta penáltis e à força de tanto cobrar é natural que falhe mais do que os omissos colegas.
O nosso meio-campo tipo é, certamente, um dos mais lentos do Mundo - João Moutinho, William Carvalho e André Gomes, belos jogadores, dão para tudo menos para correrias -, mas não é propriamente canhestro no capítulo do remate. Pois não se tem visto nada disso e é pena. Só Nani escapa ao constrangimento de jogar ao lado de Cristiano Ronaldo e à modéstia que afecta os demais quando é imperioso assumir iniciativas, provocar o confronto directo ou rematar à baliza.
Jogadores atrevidos como Rafa e Renato Sanches não parecem vir a ter hipótese nesta Selecção. Rafa jogou uns poucos minutos contra a Áustria e ainda foi a tempo de assinar umas incursões em velocidade que confundiram mais os colegas do que os adversários. Renato Sanches jogou uns quantos minutos contra a Islândia e toda a segunda parte contra a Hungria para logo se tornar evidente que as suas características desestabilizam as delongas da equipa. Por isso não lhe confiam a bola não vá o rapaz desatar a correr. Esta noite jogam-se os oitavos-de-final do Europeu. Portugal terá pela frente a Croácia estranhamente considerada adversário acessível. Mas será que já viram jogar a Croácia?"

Aquém das expectativas, mas razoável


"Num clube como o Benfica, cuja ambição pelas vitórias é permanente e insaciável e a glória inigualável, é essencial equilibrar o desejo por conquistas e o respeito pelos adversários. Para se representar o Benfica é necessário saber lidar com a pressão, que existe em enormíssima dimensão, sem receio de almejar tudo ganhar, mas cientes de que não competimos sozinhos.
Mais que declarações estéreis de força, que só acrescentam peso à nossa camisola e motivam os concorrentes, o Benfica deverá sempre perceber as suas limitações e os seus erros, reconhecer o mérito dos adversários e propor-se a trabalhar com vista à prossecução dos seus objectivos.
Nesta linha, apesar da frustração no que respeita às principais modalidades de pavilhão, creio que, enquadrada historicamente, 2015/16, apesar de não poder ser considerada uma boa época, esteve muito longe de ser má. Marcámos presença em todas as decisões, à excepção da Taça da Liga de futsal, e vencemos 8 títulos e troféus nacionais em 17 possíveis (acresce a presença nas meias-finais de quatro competições europeias, incluindo o triunfo da Liga Europeia de hóquei em patins pela segunda vez na nossa história). É certo que apenas fomos campeões nacionais numa destas modalidades, mas a competitividade das nossas equipas foi, indiscutivelmente, elevada.
Em muitas épocas do nosso historial, o desempenho obtido em 2015/16 seria considerado bom. A questão é que, devido às duas temporadas anteriores figurarem nas três melhores de sempre, as expectativas eram elevadíssimas. O grande desafio para 2016/17? Trabalhar para repetir 2014/15 (12 títulos e troféus, incluindo 4 CN) e, assim, dificultar 2017/18!"


João Tomaz, in O Benfica

Heróis

"Perder custa. Perder com rivais, custa a dobrar. Sobretudo havendo troféus em disputa. O nosso Hóquei registou uma amarga derrota no domingo passado, em Ponte de Lima, diante do FC Porto, não conseguindo juntar o Tri na Taça, ao Bicampeonato e à Liga Europeia.
Não pude assistir ao jogo, pelo que não me seria lícito comentar a arbitragem. Seja como for, há que lembrar a fabulosa temporada da nossa equipa, a qual terá chegado a esta final-four em inteligível clima de descompressão, depois das glórias nacionais e internacionais recentemente alcançadas, e das semanas que entretanto se passaram. Estamos a falar daquela que é, presumivelmente, a melhor equipa de sempre do Hóquei em Patins encarnado. E aos saudosistas de outros tempos respondo desde já com um facto irrefutável: fomos duas vezes campeões europeus (2013 e 2016), e só desta vez juntámos o título doméstico à conquista internacional.
Aliás, estes triunfos vêm na senda de várias temporadas de grande fulgor. Nos últimos seis anos, somámos três Campeonatos Nacionais, três Taças de Portugal, duas Supertaças, duas Ligas Europeias, uma Taça Cers, duas Taças Continentais e uma Taça Intercontinental. Um palmarés impressionante, ao nível do Clube que, ininterruptamente, pratica a modalidade há mais tempo no mundo.
Houve Cruzeiro e Perdigão, houve Ramalhete e Livramento, houve Paulo Almeida e Rui Lopes, houve ainda Panchito. Um dia também falaremos de Trabal, Valter Neves, Diogo Rafael, João Rodrigues, Adroher ou Nicolia, como grandes figuras de uma época dourada. Que estamos a viver, e esperamos ver prolongada por mais uns anos."

Luís Fialho, in O Benfica

Benfiquismo (CXLVII)

Alegria... mesmo imprevista !