Últimas indefectivações

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Objectivamente (ilusionistas)

"O alarido que se passa no Porto!... O que é que deu naquela gente para tanto histerismo? Estão piores que as peixeiras do mercado do Bulhõõuêê!!! E tudo por causa de um empate no campo onde o Benfica foi roubado de forma vergonhosa pelo conhecido Olegário?!
Oh! Mas não vale a pena chorarem tanto por causa de um pontinho ou será que o medo é tanto que a meta de Janeiro não contava com este bónus?!
Falando mais a sério, tudo isto preocupa muito. Estas reacções do PC e do acólito Villas Boas são de um desespero atroz! Não contavam com este deslize. Estavam convencidos da sua invencibilidade e queriam ir por aí fora no andor - a que treparam na Figueira da Foz - para só pararem na final da Taça de Portugal porque foi esse o objectivo do 'milionésimo FêCêPê'! Arrasar tudo e todos. Ganhar de qualquer maneira à moda antiga! Objectivos traçados que eles desejam ver cumpridos mas que terão forte oposição por parte do campeão nacional.
No jogo frente ao Braga, o SLB demonstrou que está de regresso à dinâmica que lhe deu o título na época passada. Por isso a fé duplicou com o regresso às vitórias importantes!
Nunca nada nem ninguém consegue demover a fé benfiquista. Aquela que lhe construiu uma história bem recheada de títulos e de vitórias justas!
O Sport Lisboa e Benfica nunca precisará de reclamar favores dos Xistras, dos Olegários ou dos Soares Dias!
Aquilo que nos resta perante tamanha falta de lucidez é lutar com mais ardor ainda pelas vitórias e pelos pontos.
Mas devemos estar preparados para assistir a manifestações como a que vimos em Guimarães, porque é sinal de que os ilusionistas de vez em quanto são apanhados nas malhas da sua arrogância!"

João Diogo, in O Benfica

Uma questão de atitude

"O novo seleccionador nacional, Paulo Bento, exigiu aos jogadores seleccionados 'atitude'. É uma palavra oportuna e mobilizadora, embora queira dizer tudo e não queira dizer nada. Eu, porém, faço questão de a entender de uma forma afirmativa e motivadora. Quem toma uma atitude, vai muito mais longe do que o patamar da comtemplação e da resignação, dizendo não ao mero cruzar de braços como sinal de conformismo.
Reconheço com Paulo Bento essa interpretação da palavra 'atitude'. Ele quer os jogadores a darem tudo por tudo, a arriscarem tudo e a irem à luta com determinação e estoicismo. E já que estamos a comemorar o Centenário da República, que haja, da parte de quem tem honra de defender e representar as cores nacionais, brio bastante para estar à altura de quem, há 100 anos, marcou indelevelmente a História de Portugal.
Mas voltemos ao sentido e à força da palavra 'atitude'. Penso nos jogadores do Benfica e sinto que ela está presente na prestação semanal de praticamente todos os que entram em campo. Mas permito-me destacar dois, pela sua fibra, profissionalismo e combatividade, convicto de que, citando-os, não excluo ninguém mas exalto e que os melhores têm de melhor. Falo de Fábio Coentrão e Carlos Martins, ambos convocados para a Selecção Nacional. São dois excelentes exemplos de 'atitude' pela forma empenhada e generosa como estão em campo, não se furtando às situações de risco, não temendo os embates mais duros, nunca perdendo a baliza de vista e tendo a consciência clara de que o jogo só termina quando o árbitro dá o apito final. Aí estão dois excelentes exemplos de 'atitude'. Haverá que isso só acontece porque atravessam um óptimo momento de forma, Mas é muito mais do que isso. Há quem ponha o coração no relvado e quem ponha só o talento, os músculos e a técnica. Quem põe o coração chega mais facilmente ao coração de quem assiste, aplaude e torce pela vitória."

José Jorge Letria, in O Benfica

Todos na paz benfiquista

"Não se fala no Benfica ou pouco se fala? Consequência de uma série de resultados positivos. Positivos e justos. A equipa está de novo na senda vitoriosa, nem outra coisa seria de esperar. Agora, já não se questiona Roberto, já não se discute David Luiz, já não se debate Cardozo, já não se analisa Jorge Jesus. Agora, já não se discutem opções, métodos, conceitos.

Ainda assim, não é possível esquecer os erros, alguns de palmatória, das equipas de arbitragem que dirigiram os primeiros embates da equipa encarnada. Não fosse uma sucessão de disparates e o Benfica estaria, no mínimo, colado ao líder da competição. Houve quem se insurgisse contra o alarido que o clube fez? E não se ouviram altissonantes as angústias do treinador e de outros responsáveis portistas só porque empataram em Guimarães? Até deu para ver (?) um penálti que não foi, até deu para um número pouco usual na atualidade desportiva, esse do dito por não dito…

Entretanto, a Seleção Nacional fez o pleno. Dois bons jogos, duas importantes vitórias na fase de qualificação. Também com a contribuição de uma dupla benfiquista. Fábio Coentrão, opção reiterada, é tão indiscutível como a própria… Seleção. Já Carlos Martins provou a justeza da sua convocatória. Não deveria ter integrado o lote dos jogadores que se deslocaram, em junho, à África do Sul? Penso que ninguém tem dúvidas, a despeito das suas preferências cromáticas no universo da bola. Paulo Bento não duvidou e fez bem.

Mais Benfica na Seleção resulta em melhor Seleção. Também outros combinados nacionais continuam a beneficiar do concurso de futebolistas benfiquistas. O caso de David Luiz, na canarinha é paradigmático. Está ou não ali o melhor central do Mundo a breve trecho?"
Luís Seara Cardoso, in Record

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

O ridículo não mata e só custa 250 euros

"Que o ridículo é inofensivo e não mata ninguém já a gente sabe à muito. Assim não fora aquele mazombo que disse uma vez que ser portista em Lisboa era como ser palestiniano em Israel teria sido entalado nos portões do Castelo de São Jorge e todos nós sentiríamos desinfectados por não termos de suportar os fétidos vómitos da besta.
Aliás, se o ridículo matasse poupar-nos-ia àquela fraude jornalística em figura de anãozinho encaracolado e engravatado que agora se convenceu de que poderia ter sido o nº10 de qualquer equipa da I Liga e o grita aos sete ventos- Como se houvesse uma I Liga de campeonato de matraquilhos...
Não. O ridículo não mata. É mais que certo! Ou então já não teríamos de aguentar com estoicismo os concertos desafinados de apito de um certo tocador de concertina recentemente exilado nas arábias.
Nem as bacocas evocações de um respeito temerário pela bondade da Justiça, cuspidas na televisão por um merceeiro de segunda apanha, adorador de corruptos pronto a dar às vila Diogo de cada vez que é posta a nu a careca da sua nojenta hipocrisia.
Assim sendo, naquele teatro de marionetas em que se transformou a conferência de Imprensa do treinador do FC Porto após o jogo de Guimarães, o ridículo até pôde passar a grotesco na maior das impunidades. Bem... na maior das impunidades, não.
Quando o ridículo ultrapassa as fronteiras do ridículo merece castigo: 250 euros.
Castigo ridículo, pois claro!"
Afonso de Melo, in O Benfica

Escutas: venham elas!

"Ainda a divulgação das Escutas do 'Apito Dourado', que tanto 'ofenderam' Rui Moreira e outros defensores da 'legalidade'. Há, primeiro, que lembrar que a justiça desportiva condenou vários arguidos, a começar por Pinto da Costa. E que a justiça civil não os inocentou, afirmou apenas que não reuniu provas para os condenar, facto a que não é alheia a impossibilidade de utilização das escutas...
Toda a gente sabe que, ao longo de muitos anos (começou muito antes do 'Apito Dourado'), o FC Porto 'comprou' os árbitros. Há provas evidentes disso e sabe-se como fazia. Os principais responsáveis (a começar pelo presidente do clube) continuam no activo... e activos! A obrigação de todos aqueles que querem a verdade desportiva é continuar a lutar por ela por todos os meios ao seu alcance, não deixando de denunciar todas as 'falcatruas' que se fizeram. A divulgação das Escutas é uma das formas.
Venham elas... todas!
Ao colocar-se à margem das lutas entre Benfica e FC Porto, o presidente do Sporting confirmou a postura 'interesseira' do seu clube. Como terceira potência desportiva nacional, o Sporting tem responsabilidades. E, tal como o Benfica, foi amplamente prejudicado ao longo de todos estes anos, passando de 2º a 3º clube nacional. O Sporting não se pode colocar de lado, tentando passar pelo 'bonzinho' e 'honesto' e deixando que tudo continue na mesma... como se tem verificado neste campeonato, no qual o FC Porto continua, jornada após jornada (até em Guimarães!...), a ser beneficiado pelas arbitragens. Ao receber Pinto da Costa como se nada tivesse acontecido (e esquecendo até os insultos que este proferiu ao seu presidente...), ao ceder-lhe jogadores fundamentais (como João Moutinho e vamos ver se também Izmailov!), ao prestar-lhe contínua vassalagem, o Sporting é cúmplice de toda a falcatrua em que se transformou o futebol português e vai-se afundando cada vez mais. A postura de José Eduardo Bettencourt até faz lembrar (salvas as devidas proporções) a de países (e governantes) que se mantiveram neutros na II Guerra Mundial, face às atrocidades de Adolfo Hitler..."
Arons Carvalho, in O Benfica

Segurança

"Tem toda a razão o Benfica ao reclamar segurança nas suas deslocações e passagens em trânsito por todo o território nacional sem excepções. Esta é uma questão de Estado que transcende o futebol. É ao Estado que compete assegurar fundamentais, entre os quais a liberdade de circulação no País, sendo inadmissível a existência de bolsas subtraídas ao todo de liberdade que é Portugal. Não estamos num país terceiro-mundista, com zonas do território controladas por separatistas chechenos, fundamentalistas taliban, senhores da guerra somalis ou tigres Tamil.
Mas a impunidade tem sido excepção em sucessivas ocorrências nos domínios do futebol, controlado em Portugal pelo 'sistema' e respectivos capangas. A mais recente aconteceu na deslocação do Benfica a Guimarães: à saída do Porto, o autocarro do Benfica foi mais uma vez cobardemente apedrejado.
Aliás, a impunidade já há muito que deixou de ser uma excepção para passar a ser a regra, no que diz respeito a determinados talibãs do submundo do 'sistema'. Adeptos do Benfica que infringiram os direitos de outros foram, nos termos das leis, investigados pelas polícias, acusados pelo Ministério Público, levados a tribunal, julgados e alguns condenados.
Mas em matéria de futebol a Lei não tem sido igual para todos. E as denúncias de casos de vandalismo, depredação, assaltos, apedrejamentos, dentro e fora de recintos desportivos, sucedem-se sem consequências. Como se vivêssemos num Estado retalhado pelo separatismo. Ou numa espécie de Chicago em que a lei dos gangsters se sobrepõe ao poder de Estado.
No dia em que a Lei se aplicar a todos por igual e com todo o seu rigor, o 'sistema' perde um dos seus indispensáveis pilares."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Da potência e da Impotência

"O futebol ocupou uma posição tal na nossa sociedade que o faz ser mais temido do que o próprio Estado de onde emanam os governantes e as políticas a que nos sujeitam. Tome-se põe exemplo o caso ainda fresco do presidente da Associação Comercial do Porto que abandonou melodramaticamente, e em directo, um programa de televisão de debate sobre futebolistas porque se recusou, em nome dos bons princípios, a comentar escutas ordenadas por um juiz no âmbito de um processo de investigação criminal.
O processo em causa, com o folclórico e colorido nome de Apito Dourado, incidia sobre práticas desleais protagonizadas por um sem número de dirigentes, empresários e árbitros de futebol, sendo que o clube do presidente da Associação Comercial do Porto era, sem margem dúvida, aquele que protagonizava mais práticas desse quilate.
E Rui Moreira, que é o nome do presidente da Associação Comercial do Porto, sentiu-se de tal modo constrangido pela discussão do assunto, que se levantou da cadeira onde estava sentado e foi para casa ofendido.
Não deixa de ser curioso que, a 26 de Fevereiro deste mesmo ano de 2010, o mesmo Rui Moreira não se tenha sentido minimamente constrangido, em nome dos seus bons princípios, a responder a um inquérito do diário I que lançava a seguinte questão: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta. Mantém a confiança no primeiro-ministro?
Fiquem pois sabendo que o presidente da Associação Comercial do Porto não só não se recusou a responder como até deu uma opinião bastante assertiva e contundente: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior.»
Embrulha, Zé Sócrates!
Convém, por ser verdade, esclarecer que o presidente da Associação Comercial do Porto não foi o único a disponibilizar-se para comentar as escutas do processo Face Oculta. Foi apenas um de uma lista de 50 individualidades identificadas e com profissões e estatutos sociais tão importantes como os empresários, economistas, sociólogos, escritores, presidentes de associações cívicas, professores universitários, fiscalistas, banqueiros, historiadores, penalistas, médicos, cientistas, militares e, final e inevitavelmente, um psiquiatra que, por sinal, até teria muito a acrescentar à discussão se nos quisesse explicar as razões desta impotência de que padece tanta gente quando chamada a tratar do intratável.
Compreendem agora que não é disparate nenhum concluir que o futebol mete muito mais respeitinho aos seus transeuntes do que a política e os políticos aos seus cidadãos? Perante as belezas e os perigos dos vetustos monumentos da bola nacional e o respectivo cortejo de vénias e de salamaleques aos seus dons e aos seus doutores, qualquer primeiro-ministro não passa de um Zé.
Ah, valentes!


APROXIMA-SE o dia do FC Porto – Benfica, duas potências em conflito. O historial de desacatos, desordens e vandalismos que antecedem o jogo propriamente dito não deixa nenhum dos emblemas superiorizar-se moralmente ao outro.
Estamos nestes casos, sempre e tristemente, perante um caso de polícia sendo que a polícia, aparentemente, tem tanto medo destes delinquentes enfarpelados com as cores dos respectivos clubes, como certos intelectuais e empresários têm medo de comentar as escutas no Youtube, desde que as escutas digam respeito apenas ao emblema do seu coração.
Tendo frescos na memória os acontecimentos da última deslocação do Benfica ao Porto – em que o disparo de bolas de golfe para o relvado se acrescentou ao tradicional reportório de pedradas contra o autocarro da equipa -, Luís Filipe Vieira fez-se receber pelo ministro da Administração Interna e anunciou «uma grande surpresa» dando-se o caso do Vermelhão voltar a ser atacado.
A possibilidade de o Benfica dar meia volta e regressar a Lisboa foi imediatamente aventada e, depois, elogiada ou criticada conforme os afectos de cada um, o que é sempre o pior critério para avaliar situações deste género cívico e que nada têm a ver com a questão desportiva.
E lá voltamos nós à questão da impotência, agora do Estado, responsável pela segurança pública, quando o assunto mete o futebol e logo ao mais alto, ou ao mais baixo nível, como é precisamente o caso. Tal como num jogo de futebol a autoridade máxima é o árbitro, num país a autoridade máxima que vela pela ordem nas ruas, nas estradas e nas auto-estradas é a polícia.
Na noite de passada terça-feira, em Génova, deu-se um caso curioso e exemplar. Estava marcada a realização do jogo Itália – Sérvia, de qualificação para o Euro – 2012, mas o comportamento dos adeptos, nomeadamente os sérvios, foi de tal modo criminoso que o árbitro, um escocês chamado Craig Thomson, perante a incapacidade policial em dominar os vândalos, resolveu suspender o jogo aos 6 minutos por não estarem reunidas as condições de segurança indispensáveis a um espectáculo público.
Não é de crer que a UEFA á condenar o árbitro por ter tomado a resolução do bom senso. Se uma coisa destas acontecesse em Portugal, o árbitro Thomson estava tramado até ao fim dos seus dias...


COM Paulo Bento, a selecção nacional voltou à normalidade. E isto já é dizer muito.


O Sporting queixa-se de ser perseguido pela Comunicação Social que não dá tréguas às mais insignificantes ocorrências do universo de Alvalade. Não tem razão o Sporting porque não há clube em Portugal que se ponha mais a jeito para os comentários dos analistas e até dos humoristas que são sempre os que mais fazem doer.
José Eduardo Bettencourt esforçou-se na última semana a dar entrevistas à RTP e ao jornal oficial do clube e ainda foi a Castelo Branco discursar num núcleo de simpatizantes locais. À RTP repetiu que a equipa de futebol estava «a um clique de distância» do sucesso, o que veremos se vai ou não acontecer, e que, pelos menos, o Sporting «nunca tinha ficado uma vez em 6.º lugar», o que é verdade. Também é verdade que o Sporting nunca ficou 32 vezes em 1.º lugar...
Ao jornal oficial do clube, o presidente regozijou-se pelo facto de já não ver «pessoas a rirem-se com as derrotas no balneário», o que é estranho. E em Castelo Branco afirmou que não podia dizer o que queria «para não ser ridicularizado no exterior».
O que também é verdade. Uma grande verdade."

Leonor Pinhão, in A Bola

O cão e o dono

"Numa das várias, e inquietantes, obras-primas de Luís Buñuel (neste caso, “Viridiana”), há uma sequência em que um cão, mal-tratado pelo dono, insiste ainda assim em seguí-lo com a fidelidade que só a sua espécie consegue expressar.
Entre os humanos assistimos, no entanto, a exemplos que conseguem, por vezes, aproximar-se desse registo. A postura do Sporting perante o FC Porto lembra-me frequentemente aquelas imagens, sendo aqui bastante fácil de distinguir o dono cruel e o animal amestrado.
Voa Paulo Assunção, voa Adriano, e o Sporting zanga-se com o Nacional da Madeira. Escapa João Moutinho, e o Sporting atira-se ao comportamento do jogador. Foge Ruben Micael, e o Sporting queixa-se do empresário. Perde Villas-Boas, e o Sporting lamenta a sua pouca sorte. Ouvimos Pinto da Costa a ridicularizar José Eduardo Bettencourt (sem falar do roupeiro Paulinho), e vemos o presidente portista no camarote presidencial de Alvalade. O FC Porto ganha 17 campeonatos em 25 anos, recorrendo às fórmulas mais obscuras (expostas nos casos Apito Dourado, Calheiros, Guímaro, “quinhentinhos”, e por aí fora), e o Sporting escuda-se no silêncio, permitindo que a ira dos seus adeptos se volte para o…Benfica.

Se não estivermos a falar de cães, sobrará apenas uma hipótese para entender isto: o Sporting e os sportinguistas olham para o FC Porto, não como um rival, mas como um parceiro útil no combate ao odiado vizinho, e regozijam-se com as suas vitórias, vendo-as como uma forma eficaz de evitar triunfos do Benfica. Aliás, na noite da comemoração de um dos últimos títulos portistas, foram vistas bandeiras verde e brancas nalgumas ruas de Lisboa, que não pareciam propriamente festejar o 2º lugar.
Esta peculiar atitude tem custado muito caro ao clube de Alvalade, que caiu, em apenas duas décadas, de segundo maior emblema português para um periclitante terceiro lugar na hierarquia do desporto luso. Isso, tal como os pontapés ao cão de Buñuel, pouco parece preocupar as suas gentes.
Mais do que um fenómeno desportivo, estamos aqui perante um verdadeiro “case-study” na psicologia de massas portuguesa."

Luis Fialho, in Vedeta da Bola

(77,53)

"(77,53)! Por momentos, pensei que se tratava de uma citação religiosa, mas logo me lembrei que tais dígitos não se atingem na Bíblia, nem mesmo no Livro dos Números, cujos versículos acabam em (36,13) ou no Livro do Apocalipse, que terminam em (22,21).

Afinal, era bem mais prosaica aquela referência. Tratava-se da precisão de um cronometrista: 77 minutos e 53 segundos, o tempo exacto de uma delirante penalidade. Para o treinador do FC Porto: «Foi óbvia, eu vi-a e os meus jogadores garantiram-me também que foi demasiado nítida.» Sublinho eu: óbvia e demasiado nítida. Tanto que ninguém a conseguiu ver ou reclamar. Já sem qualquer nitidez, dado o espesso nevoeiro, foi o penalty (e 2.º amarelo) de Fucile. Mas aí nem olho de lince, nem cronómetro. Apenas Xistra.

O treinador disse que se indignara não com a expulsão de Fucile, mas por causa do putativo penalty. As imagens são, porém, elucidativas. Não há um gesto do treinador entre os tais 77m 53s e a agressão do jogador do FC Porto. Uma caricata fita de quem não soube encaixar um pequeno desaire! Bem sei que, no dia seguinte, teve a correcção de pedir desculpa, embora tivesse omitido tudo o resto. A evidência era tão avassaladora que não tinha outro caminho.
Umas semanas antes, Villas Boas respondera ao presidente do Benfica, dizendo que «era natural que o entretenimento semanal do campeonato fosse as arbitragens!». Como não se entreteve com o penalty com que derrotou a Naval, os dois penalties na mesma jogada de ataque do Rio Ave ou o braço na bola contra o Nacional, quis agora entreter-nos com a sua visão ao virar da curva dos primeiros pontos perdidos. Uma boa e jovem visão sem miopia, hipermetropia, estigmatismo, daltonismo, estrabismo, treçolho ou o mais danoso e contagioso olho vermelho. Só a contar é que se enganou: afinal os (77,53) são (00,00)..."
Bagão Felix, in A Bola

Inspiração

Realizado por Guilherme Cabral

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A caminho do Bi ...!!!





O Sorteio da Ronda de Elite da UEFA Futsal Cup, realizou-se hoje, ao Benfica calhou em sorte os seguintes adversários:

Grupo A
Time Lviv (ucrânia)

Os jogos vão-se realizar na Sérvia, entre 20 e 28 de Novembro, somente o vencedor do grupo se qualificará para a Final-Four.

Obviamente a equipa da casa será o nosso grande adversário, os Sérvios têm bons jogadores, um pouco lentos, mas fortes fisicamente, e bons tecnicamente. Os ambientes na Sérvia são sempre complicados. Recordo que o Ekonomac derrotou na primeira fase os Belgas do Charleroi, ex-campeões europeus!!! Em 2008 na Luz levaram 8-1, mas desta vez vão ter o factor casa. Muitos dos nossos jogadores conhecem bem a maioria dos jogadores adversários, devido principalmente às Selecções, onde já jogamos várias vezes contra eles, quase sempre com vantagem para o nosso lado, creio que só a Ucrânia já nos derrotou. Os Ucranianos terão uma palavra a dizer. Creio que a equipa de Zagreb deverá perder os jogos todos, aliás o ano passado defrontamos nesta fase outra equipa Croata que vencemos com alguma facilidade (apesar destas equipas jogarem com 5 autocarros à frente da baliza)!!!

Os restantes Grupos:

Grupo B
Viz-Sinara (rus)
Araz (aze)
Montesilvano (ita)
Ararat (chp)

Grupo C
Kairat Almaty (caz)
Tiblisi (geo)
Pniewy (pol)
Slov-Matic Bratislava (svq)

Grupo D
Murcia (esp)
Sporting
Chrundim (che)
Târgu Mures (rom)

Tendo em conta as possibilidades não nos podemos queixar do Sorteio. Devido às escolhas da UEFA para as sedes desta ronda, e como éramos cabeças de série, além do Ekonomoc só podíamos calhar no grupo do Sporting. E muito sinceramente prefiro evitar os Lagartos nesta fase, os jogos seriam em Odivelas, evitaria-se a uma viagem, mas...!!!
O grupo B é o mais forte, tem 3 equipas que podem passar os nossos conhecidos Viz-Sinara, o Araz (3º classificado o ano passado), e os campeões Italianos o Montesilvano. O favoritismo vai para os Russos porque jogam em casa...
O Grupo C é provavelmente o mais fraco, favoritismo claro para o Kairat...



No Grupo D os Lagartos vão quase de certeza ser derrotados pelo El Pozo Murcia. Cuidado com os Checos que podem fazer uma surpresa...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Dossier: Toda a verdade da mentira !


"O inicio da época de 2010/11 difere pouco do que se tem passado nos últimos anos. Talvez até tenha recrudescido. Ou não fosse esta temporada uma daquelas em que podemos ser bicampeões...


O início das temporadas de futebol para o 'Glorioso' são sempre problemáticas porque qualquer conquista do Maior Clube Português põe em causa a 'grande qualidade dos dirigentes portistas' que passam a ideia de serem os melhores na história do FC Porto e mesmo em toda a longa história do futebol português.


Jogar forte a vários níveis...

Desde 1982, afirmando-se com vigor acrescido depois de 1985, que o portismo manda e demanda nas estruturas do futebol português. Este polvo tentacular foi transformando o 'Futebol Association' num autêntico futebol de compadrio, intimidados, acomodados e dependentes, o 'Futeluso'. Esse polvo tentacular foi-se instalando, progressiva e eficazmente, em todas as estruturas futebolísticas portuguesas. Com tempo - são já muitas épocas - construiu um muro de relações e entendimentos que visa condicionar o 'Glorioso'.



I - O SISTEMA


Do nível funcional...

Primeiro foi a tomada de poder (servindo-se da bengala Boavista FC) na Associação de Futebol do Porto (AFP) para depois através de promoções sucessivas (e sustentadas) de clubes da AFP dos distritais até às divisões nacionais e da sustentação (para não serem despromovidos) dos seus clubes nas divisões nacionais (a antiga Série B da AFP era um 'quintal' da AFP) angariaram um numero de votos necessários para nas Assembleias Gerais da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) poderem escolher o órgão estatutariamente 'menos valioso', o Conselho de Arbitragem, deixando o mais importante - a presidência da Direcção da FPF - à AFL (Associação de Futebol de Lisboa), mas assegurando os dois outros órgãos para 'associações amigas' - Conselho de Justiça (segundo mais importante) para Braga e Conselho de Disciplina (terceiro mais importante) para Aveiro ou Funchal. Assegurada (e perpetuada) a manipulação institucional da FPF (um autêntico 'bordel' do 'Futeluso') e a necessidade dos políticos regionais irem ao 'beija-mão' de Pinto da Costa, logo avançaram para outra frente - a Comunicação Social - fazendo pressão com a criação do jornal 'O Jogo' no sentido dos restantes jornais desportivos - A Bola e Record - branquearem os desmandos do portismo, criando redacções norte com escribas avençados ao FCP. Chegou-se ao desmazelo de haver duas capas (tal como ainda acontece com 'O Jogo') uma na edição Lisboa e outra (favorável ao FCP) na edição Porto que até é vendida em... Leiria. Também as televisões, em particular a RTP (através da RTP-Noticias, que passou a monopolizar o desporto da TV estatal) e a SIC 'à força' através da violência exercida sistematicamente durante anos depois do 'Caso Paula' (Donos do Jogo) passaram a prestar vassalagem ao FC Porto. A TVI amançou desde logo evitando problemas. Actualmente com Júlio Magalhães funciona o 'portuguesmente' - 'Manda quem pode obedece quem deve'! O desporto da TVI é 'mais papista que o Papa'! Com a criação da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) chegou-se ao cúmulo (se bem que neste caso beneficiassem já do engajamento do Sporting CP através do 'Projecto Roquete') de localizar a Sede no Porto, para implementarem uma teia de funcionários ligados ao FC Porto e Boavista FC. Também os dirigentes 'têm a bênção' do papa Pinto.


...ao nível desportivo

Com a tomada de poder institucional (AFP, FPF, LPFP e media) organizou-se a dependência de muitos dos clubes das duas principais divisões (I Liga e II Liga/Liga de Honra) dos 'restos' do portismo - empréstimos de futebolistas (a custo zero) e rede de treinadores conotados com o FC Porto. E os árbitros? Bem, estas estranhas criaturas do 'Futeluso' há muito que são controlados pelo FC Porto, como de demonstrou em oito meses de Escutas validadas por um juiz no 'Processo Apito Dourado'. As pontuações, promoções e despromoções, entregas de 'géneros e bens', eram definidas pelo 'engenheiro máximo' através de Pinto de Sousa (presidente do Conselho de Arbitragem da FPF) e Valentim Loureiro (presidente da Direcção da LFPF). Tudo isto com um objectivo (ou melhor dois...) facilitar a conquista de campeonatos nacionais pelo FC Porto, permitindo a sua entrada sistemática na Liga dos Campeões (onde a carreira portista beneficia do facto de lhe aligeirarem o esforço nacional - vide Augusto Duarte em Aveiro para descansar jogadores do FC Porto para o jogo com o Desportivo da Corunha. E dificultar as conquistas do 'Glorioso', bem como obstacualizar (o mais possível) a nossa entrada na Liga dos Campeões. Tudo em nome da 'desconstrução'.

Supertaça disputada em 9-09-1992 - Estádio Municipal de Coimbra
Se tal, como nós, não tem memória curta e tem assistido de forma 'paciente' aos últimos 30 anos de 'Futeluso'... diga lá, sabe quem é o portista nº9, que corre desenfreadamente atrás de José Pratas? E ainda fala ele de antijogo!



II - A DESCONSTRUÇÃO


Início de épocas atribulado

O Benfica tem sempre dificuldades em conseguir bons resultados nas dez primeiras jornadas dos campeonatos nacionais. Não é por acaso que desde 1982/83, há 27 anos, que não consegue obter o pleno de vitórias nas primeiras cinco jornadas iniciais. Há sempre inúmeros obstáculos, colocados pelo 'funcionamento' e pelos árbitros, muitos deles mais manhosos que juízes! São muitas faltas não assinaladas a adversários que as cometem e muitas assinaladas aos nossos sem existirem. Grandes penalidades não marcadas e fora-de-jogos em barda inexistentes a penalizarem-nos. Já o contrário não é verdade! E cartões amarelos em catadupa aos futebolistas do 'Glorioso' enquanto os outros (os nossos adversários) passeiam a sua violência e arrogância pelos campos onde nós tentamos jogar. A dualidade de critérios de início de épocas reflecte-se nos (menos) golos marcados e nos (mais) golos sofridos, levando a que os pontos perdidos no início nos afastem, desde cedo, da luta pelo primeiro lugar, onde se coloca o FC Porto e os clubes seus vassalos - o chamado terceiro grande Sporting CP, bem como o quarto grande, que curiosamente é sempre o 'clube médio' apoiado mais directamente pelo FCP. Já foi o Boavista FC. Já foi o Vitória SC Guimarães (até ficou em 3ºlugar de acesso à pré-eliminatória da Liga dos Campeões). Agora é o SC Braga. Quando se fartarem deste, outros virão! E o SC Braga deixará de ser o 'Quarto Grande'!

Depois de desorganizarem as nossas equipas nas primeiras jornadas, largam-nos porque com a nossa fobia de auto-destruição logo os adeptos arranjam 'bodes expiatórios' na nossa equipa (e no Clube) para justificar os fracassos iniciais... É a vida! E passamos 2/3 da temporada a 'apagar fogos', ou seja, ficar em 3º, 4º ou 6º lugar!


E na época actual (2010/11)

Os espertos do costume na temporada actual elevaram a fasquia. Percebendo que o Benfica estava mais pujante que nunca - pelo menos desde 1994/95 - devido à limpeza da temporada de 1009/10, logo arquitectaram uma saída para nos tramar no início de 2010/11. Desorganizaram-nos nas primeiras jornadas da Liga Zon Sagres e esperar que a nossa habitual auto-flagelação passasse para as primeiras jornadas da Liga dos Campeões. Como? Fazendo um início de temporada abusivamente cedo. Porquê? Por que o Benfica não podia fazer uma pré-época com todos os futebolistas, pelo facto de ter muitos futebolistas no Mundial da África do Sul. O FC Porto trocava Fucile e Álavaro Pereira por Cardozo, Luisão, Maxi Pereira, Fábio Coentrão e Rubem Amorim. Ou seja, toda a defesa (menos David Luíz) e o melhor marcador da época. Incrivelmente a temporada em Portugal começou em 7 de Agosto, com mais três jornadas da Liga Zon Sagres neste mês de canículas, enquanto em Espanha e Itália (mesmo com campeonatos nacionais de 38 jornadas, mais oito que as nossas 30) só se iniciaram no último fim-de-semana de Agosto. São espertos, mas... lucraram bem com essa esperteza. Até porque a Imprensa portuguesa é de fugir!


Não nos deixam jogar...

Com as nossas equipas debilitadas (porque a defesa foi obrigada a entrar em competição prematuramente) que há um ano, mesmo assim os árbitros (Cosme Machado, Pedro Proença, Olegário Benquerença e João Capela) tiveram que penar para nos obrigarem a perder pontos! Foi necessário acumular erros grosseiros, evidenciando fortemente a habitual dualidade de critérios no início dos Nacionais para vergarem os nossos futebolistas. O certo é que já temos nove pontos perdidos (e estamos no 4ºlugar à 7ª jornada) e os futebolistas carregados de cartões amarelos que vão ser obrigados a sair em breve da equipa por acumulação dos mesmos!


...preparam-se para nos enfraquecer e com o FC Porto (10ª jornada)

Com vários futebolistas 'carregados de cartões amarelos' já estamos a ver o filme deste ano não é mais que uma reprise das épocas anteriores. Quando chegar o 'tempo adequado' haverá um árbitro que fará o favor (ao FC Porto) de os retirar de algum jogo que seja importante dando-lhe o 'adequado' cartão amarelo ou... vermelho... se for o caso disso.

Este 'Futeluso', exibido nos campos e estádios deste país e branqueado nos media lusos... já fede."


Alberto Miguéns, in O Benfica

Carta de Luís Filipe Vieira aos sócios

"Quando o Presidente do Clube escreve a todos os Sócios isso significa que considera o momento tão importante que justifica um contacto mais próximo com aqueles que, verdadeiramente, se interessam pela vida, pela imagem e pelo futuro do nosso Benfica.

A delicadeza da situação impõe que se fale com clareza, sem que a verdade das palavras possa ser interpretada como justificação para uma época que não começou como todos desejaríamos, ou desculpa para culpas próprias que possam ter influenciado resultados abaixo das expectativas de um bom começo de época, que eram inteiramente legítimas tendo em conta o valor dos nossos profissionais.

A vitória no campeonato da época passada, as excelentes exibições e a valia da equipa causaram preocupação a muita gente. Acreditávamos que começavam a ser criadas condições para o regresso a um clima de boas práticas, em que os resultados desportivos fossem o espelho do valor das equipas e do desempenho no terreno de jogo. Mas, o que se passou neste início de campeonato faz-nos temer - ao contrário - que o futebol português esteja, de novo, a ser armadilhado por jogadas de bastidores.

Lamentavelmente, já se registaram atropelos demasiado graves e abusos demasiado evidentes para que possam passar sem uma reacção enérgica. O Director Desportivo, o Treinador e eu próprio, denunciámos o embuste que está a atraiçoar a prática desportiva e voltaremos a fazê-lo tantas vezes quantas as necessárias para que a mentira não seja a regra do nosso futebol e para que os seus autores e aliados sejam desmascarados. Porque é de mentiras que estamos a falar!

O prestígio do Benfica é um valor demasiado sério para que alguém se atreva a brincar com o interesse da instituição. O nosso protesto foi o adequado às circunstâncias e o convite que fizemos aos nossos adeptos, para não comparecerem nos estádios dos nossos adversários, é a medida justa para que sejam todos, e não apenas o Benfica, a reagir para pôr fim a uma situação insustentável. Movem-nos razões de legítima defesa.

Compete aos Sócios e adeptos ajudar esta Direcção a lutar pela verdade e pela transparência no futebol português. Comparecer aos jogos fora significa pactuar com o actual estado do futebol português!

Os dirigentes, a equipa técnica e os atletas não vacilam na vontade de contribuir para que a verdade desportiva prevaleça. Estamos determinados a fazer tudo o que seja necessário para que o clube não seja mais prejudicado. Acima de tudo, exigimos respeito!

Os meus votos são os de que este assunto não me obrigue a voltar a contactar os Sócios do clube, mas não hesitarei em fazê-lo caso não se ponha um ponto final na sucessão de atropelos a que temos vindo a assistir."

domingo, 10 de outubro de 2010

Promete


O Leixões está mais forte do que a época passada, mas mesmo assim este não foi um teste difícil. Devido a um quadro competitivo ridículo, o campeonato 'a sério' só começa na 2ª fase, até lá temos que ganhar rotinas, e este jogo mostrou ainda algumas falhas entre o Renan e os rematadores, normais para esta altura da época...
Analisando o plantel a equipa parece ter um potencial idêntico ao da época passada. O Hugo Gaspar entrou para o lugar do Pedro d'Ornelas, o Flávio, e o Ching entraram para o lugar do Cundy, e do Tarr, o Rafa entrou para o lugar do Alf, o Fidalgo foi substituído pelo Sheneider, e conseguimos manter os centrais. Até Janeiro ainda deverá entrar alguém, neste momento tanto o Gaspar (oposto), e o Rafa (libero) não tem substitutos, o que poderá ser perigoso. O potencial do Gaspar é indesmentível, um dos melhores rematadores da história do Volei Português, mas pessoalmente acho que é um jogador irregular, é capaz de grandes jogos (como a final da Taça o ano passado contra o Benfica), como é capaz de jogos menos bons. Também não sei o que aconteceu ao João Magalhães, que o ano passado fez excelentes jogos a libero, e mesmo após o regresso do Alf foi muito importante quando foi preciso reforçar a defesa baixa. Aliás foi na defesa baixa que tivemos muitas dificuldades o ano passado...
A pré-época correu muitíssimo bem, com vitória atrás de vitória. Creio que o Sp. Espinho está mais fraco, têm muitos jogadores novos, vão melhorar de certeza, mas creio que o potencial é menor. O Vitória no 'papel' deverá ser o nosso grande adversário, 'pescou' em Espinho, e manteve os seus melhores jogadores. O Castelo será o 4º favorito, não creio que possam ganhar o campeonato, mas num dia bom podem ganhar jogos aos outros favoritos.
Uma palavra para o Prof. Jardim, já tinha saudades de ver o Professor a fazer quilómetros na linha lateral, e ainda a saltar tanto, ou mais, do que os seus jogadores!!!!!!!

Está tudo na mesma

"MAIS escutas sobre o processo Apito Dourado entram no circuito público por bênção de novas tecnologias de comunicação. Em rigor, a única novidade prende-se com os diálogos. No resto, tudo como antes, com os artistas habituais. Apenas os actores secundários se revezam, naquele papel de coitados, qual deles mais se curva no pedido de protecção no apelo aos bons desempenhos dos homens do apito. Dá a ideia de algum poder insondável, que ninguém com atribuições para tal é capaz de identificar, acusar e condenar: se uma pessoa de muitas e ricas influências, se uma organização secreta, se um sistema clandestino. Ou… se é tão-somente a fervilhante imaginação de um pequeno país, onde todos se conhecem e se invejam e em que as discussões no quintal do vizinho são o bálsamo que alivia as dores que atormentam a nossa própria casa.
Vivemos num estado de direito, como insistente e pedagogicamente ouço dizer a propósito de tudo e de nada, não vá o cidadão comum, pouco identificado com a complexidade das leis, pensar que este rectângulo na ponta ocidental da Europa se orienta ainda pelas regras do distante far west, em que no acto de julgar, apurados os factos, depois de pesadas circunstâncias agravantes e atenuantes, se absolvia o autor do disparo e se condenava a vítima pelo crime de intromissão abusiva na trajectória da bala.
Tornou-se uma inutilidade desperdiçar tempo com as escutas a partir da altura em que meia dúzia de tribunais a sério, como lhe chama Miguel Sousa Tavares, as ouviram, analisaram e decidiram: não valem nada. O problema é que quem se considera minimamente identificado com as questões do futebol português, e não tem a sua capacidade auditiva prejudicada, identifica facilmente os intervenientes e percebe, mesmo através de frases tolamente criptografadas, o alcance dos diálogos, não no acessório, mas no essencial: O esquema, o arranjo, o estratagema, a batota…
O assunto está resolvido, porque vivemos num Estado de Direito. As escutas devem ser destruídas e os desobedientes punidos. Pessoalmente, porém preferia viver num estado de verdade, de justiça, como gostaria que ela fosse, irrepreensivelmente justa e não resultado de aplicação cega, e também surda, de leis e mais leis, algumas cujas interpretações convidam a interminável espaço de discussão… e nenhuma consequência.
Desiluda-se quem pensar que, apesar do barulho provocado, o Apito Dourado vai contribuir para a purificação do ambiente futebolístico. As escutas agora apresentadas como novas apenas oferecem coisas velhas: as conversas e… os intérpretes, entre administradores, directores, amigos e afins, quase todos da área social do FC Porto.


NO DN de domingo reparei em uma notícia sobre um procurador adjunto suspenso por um ano, dado ter pretendido vender um bilhete para o concerto de Madonna por 450 euros quando o preço era de 60. Estamos a falar de um procurador adjunto, por isso sugere a prudência e devido recato. Espantoso é o facto de o magistrado apanhado ter pretendido inverter os papéis. Isto é, transferir o ónus de quem vendeu, para quem comprou, com o objectivo de desmascarar uma ilegalidade, o inspector da ASAE. A proposta de demissão de funções foi atenuada para um ano de suspensão, o que significa que o dito procurador, mais mês, menos mês, volta a andar por aí, em funções, legitimado pela lei, mas não pela moral. É como no futebol, continuam também por aí, ufanos e ilibados. Nada mudou.


COM a irritação que o caracteriza quando se cruza com o Benfica, Domingos Paciência anunciou que pretendia sair da Luz com cinco pontos de vantagem. Perdeu, mas não se convenceu. Disse ele que o pessoal de Jesus acabou o jogo encostado à sua área, amedrontado, por certo, e a queimar tempo. É a opinião dele. A minha diverge: pelo que vi na televisão, sugiro a Domingos a humildade que tem tido noutras situações e agradeça a quem quiser por não regressar a Braga com outra derrota pesada no bornal. Não lhe retiro o mérito, mas a sorte foi boa companheira. Uma coisa é deixar andar, jogar para o empate ou apostar no erro contrário (Braga); outra, substancialmente diferente, é assumir a iniciativa desde o primeiro minuto, jogar declaradamente para vencer, construir várias oportunidades de golo (Benfica)."
Fernando Guerra, in A Bola

"Titanic" no bidé


"No Trio d'Ataque de terça-feira, depois da saída de Rui Moreira (que fez lembrar a fuga do árbitro Paulo Baptista das Antas, quando Pinto da Costa lhe quis oferecer «jantar»), Rui Oliveira e Costa (ROC) disse que as escutas são uma forma de tortura. Disse também que não as discutia porque, cito, «não lavo a cara no bidé», o que faz dele um dos mais completos comentadores desportivos de país: não só perora sobre futebol como, ao mesmo tempo, fornece informações sobre os seus hábitos de higiene. Gosto disso e vou copiar o modelo.

Eu (que não uso canetas Bic para limpar a cera dos ouvidos) também acho que as escutas são uma tortura. Mas para quem as ouve. Perceber que aquelas conversas foram descaradamente ignoradas pelo tribunal é um suplício para mim, (que não palito os dentes com a chave).

Debruço-me apenas sobre alguns segundos destas novas escutas, quando António Araújo fala com um funcionário do FCP e pergunta quem serão os bandeirinhas de Paraty no Gil Vicente-Sporting. Como depois não se aflora mais esse assunto, fui averiguar. Encontrei esta noticia no DN de 7 de Setembro de 2006:
«O Sporting foi outra das equipas que terão sido prejudicadas pelas arbitragens, na época 2003/04(...). No processo Apito Dourado há uma referência ao jogo Gil Vicente-Sporting(a 22 de Fevereiro de 2004), em que se descrevem movimentações antes da partida.(...)
O jogo foi arbitrado por Paulo Paraty e a Policia Judiciária interceptou, dias antes da partida, contactos entre o empresário António Araújo, que mantém negócios com o FC Porto, e um dos auxiliares que fazia equipa com o árbitro do Porto, Devesa Neto. 'Eu depois de amanhã ligo-lhe, que eu precisava de, eu precisava de falar com o Paulo(...) que preciso de lhe dar uma palavrinha, está bem?', disse Araújo a Devesa Neto. Neste mesmo dia, Paraty fala com Devesa Neto ao telefone e, pela conversa, o outro árbitro assistente do jogo, Serafim Nogueira, «iria beneficiar o Gil Vicente e um terceiro clube, o FC Porto», segundo refere o Ministério Público de Gondomar no despacho de arquivamento.
'O Serafim vai vacinado, vai benzido(...) vai benzido pelo lado norte. Bruxo. Vai benzido por dois lados até (...) pelo Minho e pelo norte'. Foi esta troca de palavras entre os dois que levantou suspeitas. Até porque na mesma conversa, Devesa Neto disse: 'Ele também nunca pode fazer muito, o jogo dá na televisão, perceber?'
O jogo acabou empatado (1-1) e o MP afirma que, com este resultado, o Sporting perdeu dois pontos e atrasou-se na luta pelo titulo. No relatório da peritagem ao jogo, são elencados vários lances em que ficaram por punir faltas ao Gil Vicente que poderiam resultar na 'possibilidade do Sporting marcar golo'.»

Apesar do jogo ter dado na TV, o Serafim até fez muito: o Gil Vicente marca o golo num penalty inventado. Lembro que isto se passou na mesma época em que António Araújo, o torturado, ofereceu fruta a Jacinto Paixão a mando de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o mártir, combina a ida do árbitro Augusto Duarte a casa de Pinto da Costa; a mesma época em que António Araújo, o flagelado, diz ao presidente do Nacional que há que «trabalhar» o árbitro, ao que este responde «toca a andar». E parece que andou mesmo.


Portanto, nessa época, quando este empresário se conluia com o bandeirinha dum jogo em que o Sporting viria a ser prejudicado, há comentadores sportinguistas que acham que ele é que é a vítima. É uma espécie de síndroma de Estocolmo, se Estocolmo fosse na Avenida Fernão de Magalhães, no Porto.


ROC diz que as escutas são tortura. Tortura é escutar ROC, que é capaz de passar uma hora a discutir se o árbitro errou ou não, e dizer que não se pronuncia quando se descobre a razão pela qual o árbitro errou. Ainda por cima sabendo que, à conta da trafulhice dessa época de 2003/04, fomos afastados da classificação favorita de ROC, o 2ºlugar. E também da minha, o 1ºlugar. Mas isso sou eu, que não me assoo à fralda da camisa.


No editorial em que responde aos comunicados do Sporting, Alexandre Pais (AP) diz que «Record reage assim com superioridade moral e distância aos recentes comunicados». Normalmente, sabe-se que alguém se guinda a uma posição de superioridade moral pelo tom que usa, pela forma como diz as coisas. Mas em AP a superioridade moral é dupla: não só é intuída, como o próprio assegura que a possui. É uma superioridade moral moralmente superior. Com esta sobranceria redundante, AP elevou a santimónia a um novo patamar. É um moralista num escadote.


Não me surpreende. Em Setembro de 2006, (quando surgiram notícias como a do DN aqui citada), respondi a um inquérito do Record. À pergunta «o que gostaria de ler amanhã no Record?», respondi «uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção, que não seja primeiro dada nos jornais generalistas.» Passados uns dias AP escreveu: «José Diogo Quintela disse, nestas colunas, que gostaria de ler amanhã no Record 'uma noticia qualquer sobre escutas e corrupção que não seja primeira dada nos jornais generalistas'. Trata-se de um desejo difícil de concretizar, pois quando o futebol perder de todo a credibilidade - traído por aqueles a quem dá de comer - aos generalistas não faltarão outros temas para exibir barba rija. Mas, morto o futebol, o Record perderá a razão de existir. Que mexam no lixo que os tribunais largaram. Nós pertencemos a um circo que vive de emoções - de golos e de erros, títulos e de frustrações. E não temos vergonha disso


Assim fiz. Continuei a mexer no lixo do Apito Dourado, enquanto AP continuou a pertencer aos «circo que vive de emoções», não traindo quem lhe «dá de comer». Sem vergonha, como o próprio admite, Mas com estupenda superioridade moral, claro."


Zé Diogo Quintela (sportinguista), in A Bola

Rui e André

"Recentemente, até os mais renitentes adeptos do FC Porto começaram a ter razões para acreditar que o futebol português é um caso de polícia. Na segunda à noite, foi uma grande penalidade que não apareceu. Na terça à noite, foi um comentador que desapareceu. Do ponto de vista dos protagonistas, o descontrolo emocional adquiriu diferentes contornos: enquanto André Villas-Boas queria falar de uma coisa que não aconteceu (costuma-se dizer, e agora confirma-se, que os mais novos têm muita imaginação), Rui Moreira recusava-se a falar de uma coisa que aconteceu.

Em termos comparativos, o pungente pedido do técnico do FC Porto à TVI é mais maquiavélico. Procurar um penálti não assinalado contra o FC Porto é uma tarefa para a qual basta um estagiário. Já mandar um estagiário procurar um penálti não assinalado a favor do FC Porto não é uma tarefa, é uma praxe: é a caça ao gambozino dos tempos modernos.

Seja como for, Rui Moreira venceu André Villas-Boas no capítulo da ambivalência. Por um lado, é contra a prática pidesca das escutas; por outro, é a favor da prática pidesca de tentar condicionar os assuntos sobre os quais os outros querem falar. Mas desdramatizemos: sem Rui Moreira, “Trio D’Ataque” melhorou substancialmente. Se Rui Oliveira e Costa também tivesse abandonado o estúdio, aí então teria sido um programa genial. Mas compreendo que tenha que ficar alguém para defender o ponto de vista do FC Porto. E não só: Rui Oliveira e Costa representa também no programa um terceiro grupo, o dos portugueses sem qualquer tipo de escolaridade: quando, por exemplo, se dirige ao moderador para lhe dizer “explicitastes claramente” e “fostes exemplar”. Enfim, as coisas são o que são. Uma laranjeira não dá nêsperas."

sábado, 9 de outubro de 2010

A Onda !!!



Um jogo que a meio da segunda parte parecia complicar-se, mas tudo resolvido com muita qualidade.
Já há muito tempo que o Hóquei não tinha uma assistência tão grande e efusiva na Luz, num jogo com uma equipa 'sem nome' (mas com qualidade).
Nestes 3 primeiros jogos oficiais da época, jogámos provavelmente com os 3 melhores planteis Portugueses, a seguir ao Benfica. As 3 vitórias conseguidas são um excelente indicador, e que a ONDA de vitórias não se apague...!!!

Sempre a somar...


Resultado Mentiroso


Não gostei da exibição, principalmente na primeira parte. Ao contrário de outros jogos, desta vez tivemos sorte. Começamos mal, com muitas perdas de bola, permitindo muitos contra-ataques, só a enorme exibição do Bebé, e alguma ingenuidade dos jovens do Freixieiro, fez com que o Benfica não sofresse golos. E em sentido inverso, praticamente nos dois primeiros remates do Benfica marcámos golo. Tivemos ainda enormes dificuldades em fazer circulação de bola, só o cansaço dos homens de Matosinhos, e o avolumar do resultado, permitiu ao Benfica 'assentar' o seu jogo. Na segunda parte a equipa cresceu, e as coisas tornaram-se mais fáceis...
Chamo a atenção para a secção, na minha opinião existem jovens no Freixieiro com potencial para entrarem no futuro próximo na equipa do Benfica. O Marinho com um ano de Benfica começa a ser um jogador muito importante na rotação da equipa, é um bom exemplo de como se deve fazer a necessária renovação do plantel...
Fomos obrigados a suportar mais uma super incompetente arbitragem.

António Araújo e judeus do século XVII: vítimas diferentes, a mesma ignomínia


"“Obviamente, o João pode ser o João não podia ter sido nomeado para este jogo"
RUI MOREIRA
A Bola, 13 de Agosto de 2010


Embora quase ninguém tenha dado por isso, há cerca de dois meses foi cometido um crime nestas mesmas páginas. Não é segredo para ninguém que a divulgação do conteúdo das escutas é proibida. Ora, quando usou a expressão o João pode ser o João, Rui Moreira estava, como se sabe, a citar propositadamente uma escuta em que intervém o presidente do Benfica, publicitando o seu conteúdo. Trata-se de um comportamento completamente inaceitável e extremamente pidesco. E vice-versa. Pela minha parte, devo dizer que não participo em autos de fé, e não poso continuar a colaborar passivamente num jornal que se transforma num auto de fé. Não tenho, por isso, outra alternativa senão abandonar esta crónica durante dois parágrafos.
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Creio que a minha posição ficou clara, e espero que esta atitude simbólica contribua para moralizar o debate futebolístico e o próprio mundo em geral. Lamento ter chegado a este ponto, mas o caso é mais grave do que parece: Rui Moreira é reincidente neste tipo de conduta vergonhosa. No dia 26 de Fevereiro de 2010, o jornal i colocou a várias personalidades a seguinte pergunta: Depois dos episódios recentes relacionados com as escutas e o caso Face Oculta, mantém a confiança no primeiro-ministro? A resposta de Rui Moreira foi: «O primeiro-ministro tem que ser um factor de confiança perante o exterior e agora acho que passou a ser um factor de desconfiança perante o exterior». Sei que o leitor está tão chocado como eu. Rui Moreira não faz qualquer comparação entre a Santa Inquisição e as escutas (que todos os historiadores acham parecidíssimas), não condena os bandidos que as publicaram, nem se demarca da porcaria, da canalhice e da insídia. Não só conhece as escutas como as comenta, tendo mesmo o descaramento de tirar conclusões com base no seu conteúdo. Repugnante. Quando é que esta gente compreende que, nisto da escutas, tudo é indigno (menos o que lá é dito)?

Entretanto, parece que houve problemas no Trio d’Ataque, da RTPN. Não costumo assistir mas, ao que me disseram, um dos representantes do Porto no programa abandonou o estúdio – o que acabou por beneficiar o clube. Segundo ouvi dizer, a cadeira vazia revê, no resto do debate, uma postura mais sensata e digna do que o seu ocupante habitual costuma ter. Até nisto têm sorte, os portistas. Evidentemente satisfeitos com a nova representação, os responsáveis da SAD do Porto emitiram um comunicado no qual afirmam que o clube «não apoiará qualquer sócio ou adepto que venha a ser enquadrado como representante do clube, nem lhe prestará qualquer tipo de informação, pelo que todas as suas posições serão sempre pessoais». Na tentativa de manter a excelente cadeira como representante, o Porto decreta um blackout preventivo a um possível futuro comentador. Percebo a intenção, mas gostava que a RTPN arranjasse um substituto. Sem desprimor para os porta-vozes oficiais, seria refrescante ver um comentador do Porto cujas posições fossem, desta vez, sempre pessoais.

Os adeptos de futebol assistiram, na semana que passou, a um fenómeno meteorológico interessante. Todos conhecíamos o fogo-de-santelmo, uma luz provocada por descargas eléctricas na atmosfera, observada frequentemente pelos marinheiros. Parece mesmo fogo, mas não é. «Vi claramente visto o lume vivo», diz Camões n’Os Lusíadas. Esta semana, Portugal conheceu o penalty de Santelmo. Vi claramente visto o penalty nítido, teria dito o poeta, se tivesse escrito a epopeia do futebol português (e em hendecassílabos). De facto na segunda-feira, o penalty era claríssimo. «São muitos dos meus jogadores a dizerem que é demasiado claro», declarou Villas Boas. Apelou a que toda a gente metesse pressão na TVI para mostrar as imagens que, por capricho ou conspiração, se recusava a transmitir. «77:53!», bradava o director de comunicação, sem que se percebesse ao certo se estava a indicar um minuto do jogo ou um versículo da Bíblia que anunciava que o fim estava próximo para todos os que não vissem o penalty.
As imagens, por manifesta má vontade, é que teimavam em não mostrar nada. Passou um dia. Deve ter havido reuniões. Que fazer? Atacar a credibilidade das imagens? Se as escutas não podem ser aceites como meio de prova, era o que faltava que as imagens pudessem sê-lo. Não, está muto visto. Não havia alternativa: era mesmo preciso fazer um mea culpa. Afinal, 24 horas depois, as buscas terminaram e o penalty não apareceu. O que era claríssimo passou a inexistente. Pois bem, devo dizer que não concordo. Na minha opinião, André Villas Boas tinha razão na segunda-feira à noite. O lance que ocorre aos 77 minutos e 53 segundos do Guimarães – Porto é mesmo penalty. Trata-se de uma jogada em que nenhum jogador adversário comete qualquer infracção às leis do jogo. Normalmente, é o que basta para ser penalty a favor do Porto. Há jurisprudência neste sentido. As regras do futebol são uma coisa, a tradição é outra. Um jogo em que o árbitro se limita a perdoar um penalty ao Porto e a protelar a expulsão do Fucile durante vários minutos continua a ser um escândalo, e não há imagens que me convençam do contrário.

No final do jogo, nem todas as declarações foram absurdas. «Vou ficar atento para saber se este árbitro vai de férias», avisou Pinto da Costa. Ora até que enfim. Não foi precisamente por falta de atenção às férias dos árbitros que certas facturas da Cosmos que foram pagas por engano? Pode ser que alguma coisa esteja a mudar."


Ricardo Araújo Pereira, in A Bola

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

"Escutas", evidências do deboche


A diligência, mais do que acentuar as canalhices e a desonestidade viral de que nos últimos vinte anos sempre se fez, e continua a fazer, a reles reputação de 'sucesso' do 'polvo do Norte', só confirma, o 'estado de desgraça' em que se conforma hoje em dia, o próprio sistema judiciário português, baseado em teias de leis permissivas e em 'julgamentos' espúrios de juízes que menos o são, pelo menos, ao olhar do senso comum.

Como fomos assistindo ao longo dos últimos anos, primeiros incrédulos e, depois, cada vez mais revoltados, parece que, no que prende com o Desporto, então, nem aqueles e nem estes servem a Verdade ou a Justiça que deveriam constituir o seu único desígnio. Apenas parecem atender constantemente aos ditames de um perverso ditador de província que, a partir de uma rede manhosa política de paróquia, construiu impunemente essa formidável rede de tramas e conluios que está à vista, transversal aos mundos da pequena política, da noite violenta, da economia de pacotes e do desporto viciado.

Sabe-se hoje e é indesmentível que foi dessa 'arte baixa' que se foram combinando todas as falsas vitórias no futebol (em Portugal e no estrangeiro), como no hóquei e no básquete.

Essa atmosfera pútrida vai-lhes de jeito ao faro das fossas, ao paladar da boca e aos interesses dos bolsos. Gente de uma laia de vale-tudo, em que prostitutas se amancebam com árbitros, marginais e agentes se misturam com gestores, comissários de polícia se conluiem com advogados e - pouco se fala disso, por enquanto... - onde até médicos encartados a serviço poderão, quem sabe, até já ter aceite oportunas combinatas químicas com pretensos farmacêuticos em muitos dos jogos em que os vimos correr de olhos esgaseados...

Apesar das denúncias e das indignações, é só disso, de investimentos debaixo dos panos e com a condescendência escancarada de juízes, que se tem feito a longa desgraça do futebol português.

Todavia, esta nova série de 'escutas' esparramadas na Net - que bem espero não seja a derradeira! - só volta a confirmar o verdadeiro juízo que é o do senso comum. E perante a opinião pública independente, nem todos os truques da justiça juntos, nem todas as sentenças bacteriologicamente 'puras', jamais poderão lavar a imundície e o mau cheiro (fisiológico) colados às vitórias viciadas e aos campeonatos de deboche, sempre pagos de uma maneira ou de outra, com 'quinhentinhos' ou com 'fruta', pelo cônsul das Antas. Como certamente terá voltado a empreender, relativamente às quatro primeiras jornadas da presente Superliga.

Pior do que isso: ao continuar a ignorar as evidências das 'escutas', a justiça portuguesa revela-se tão porca, e tão nauseabunda como elas."


José Nuno Martins, in O Benfica

Muita areia

Perturbou-me imenso a audição das escutas telefónicas, recentemente difundidas pelo único meio verdadeiramente livre e democrático: a Internet. Este veículo não está dependente de erros primários, judiciais, facciosos, legislação caduca, ou de bilhetes para assistir a partidas da Liga dos Campeões.

Há muito que esperava que o meu estimado amigo Rui Moreira se levantasse definitivamente daquela cadeira. Não porque os esclarecidos desconheçam a verdade, antes porque escasseiam argumentos para defrontar o óbvio. Significativo e imoral é o conteúdo das escutas, e não o modo como foram obtidas. Essa hipócrita lei que protege os investigados, tem-nos arrastado nesta lama onde todos se afundam e apenas prevalecem os interesses particulares em detrimento do bem comum.

Richard Nixon manter-se-ia indefinidamente na Casa Branca se Bob Woodward e Carl Bernstein, repórteres do “Washington Post”, não trouxessem à estampa as gravações que demonstravam que o Presidente tinha conhecimento das operações ilegais de espionagem que o Partido Republicano montara contra o Partido Democrata. Temos que abandonar, de modo irrevogável, esta democracia do medo. Medo de falar porque parece mal. Medo da contradita porque algum grupo de interesses nos ensombra. Medo de dizer a Verdade, de expressar a opinião.

Contrariando a corrente, tenho aprendido imenso com alguns membros da igreja católica que, por ocasiões várias, se têm cruzado na minha vida. Recentemente, vi uma entrevista concedida à SIC Notícias pelo Frei Fernando Ventura e estarreci com a lucidez da análise. Os que não temerem a internet conseguem rever esta conversa com a Ana Lourenço, onde citando Luiz Vaz de Camões, este Padre dizia: “Um fraco Rei faz fraca a forte gente”. Há nos intensos quinze minutos de aterradora radiografia social um punhado de exemplares princípios de vida, de soluções claras, ”Lapalissadas”, com as quais concordamos mas que jamais usamos. Os que ousam contrariar este “laissez faire, laissez allez, laissez passer”, são apontados como desalinhados, loucos.

O ex-ciclista austríaco Bernard Kohl, apanhado nas malhas do doping em 2008 na Volta à França, onde foi terceiro assegurou que não é possível vencer o Tour sem a ajuda de estimulantes. E piorou o cenário apontando as falhas no sistema. Foi controlado 200 vezes e em 100 carregava no corpo substâncias proibidas sem ser detetado. Estas revelações embateram num muro imenso de silêncio.

Felizmente, alguns conseguem tirar a areia que nos impingem aos olhos. Bert van Marwijk, selecionador holandês, decidiu não convocar De Jong, depois de este ter lesionado, barbaramente, Ben Arfa, num jogo do campeonato inglês. Para este condutor de homens, era o prestígio da seleção das tulipas que estava em causa. Segundo este “alien” do futebol, “foi uma falta selvagem. O Nigel não tinha necessidade de fazer aquilo”. Talvez por conseguirem afastar tanta areal dos olhos, os holandeses aproveitam-na para conquistar espaço ao mar, e aos homens de bons propósitos e boa vontade.

Tal como referiu o Frade Fernando Ventura: “ Não perguntes ao teu país o que pode fazer por ti. Pergunta a ti próprio o que podes fazer pelo teu país”... Sem medo.

Jorge Gabriel (Sportinguista), in Record

Não se faz

"Percebe-se a indignação de André Villas-Boas. Não é justo começar a treinar o Porto e haver um qualquer momento na grande área adversária que possa levantar alguma dúvida e a esse momento não corresponder uma grande penalidade. Quando é convidado para dirigir uma equipa um treinador faz contas. Mede os prós e os contras. E ninguém pode negar que a entrega de tantos árbitros à causa portista é uma vantagem a não negligenciar. É, por assim dizer, um direito adquirido.

Claro que, como foi assinalado por várias pessoas, houve um penálti por marcar em favor do Guimarães. Mas que Diabo, isso já faz parte das regras do futebol português. Penalidade contra o Porto só em casos extremos. Está na lei. O que realmente valoriza um árbitro é a marcação de penalidades inexistentes contra as equipas que têm de passar pelas mãos do Porto. Isso sim, é que é ter brio profissional. Isso sim, distingue os melhores.

Percebe-se a revolta de Villas-Boas: não foi para aquilo que ele assinou um contrato no Dragão. Querem lá ver que agora o Porto tem de começar a época só com 11 jogadores em campo? E a tradição, onde fica? Será que se acabou a fruta? Será que Pinto da Costa já não serve de GPS para árbitros que inadvertidamente passam perto de sua casa? Podem, se faz favor, voltar à normalidade? Villas-Boas é jovem, mas merece tanto respeito como qualquer antigo treinador do Porto. Senhor Pinto da Costa, pode voltar a fazer o que melhor sabe? Ou, se está a perder qualidades, pelo menos avisar o seu treinador que quando se vai destacado no campeonato o árbitro está dispensado das suas tarefas. Um homem, quando chega onde Villas-Boas chegou, tem expectativas que não podem ser defraudadas. E ainda por cima é multado. E tem de pedir desculpas. Está tudo doido?"

Daniel Oliveira (Sportinguista), in Record

Dois Benficas e outras cegueiras

Di Maria e Ramires abandonaram a Luz, rebentou um jorro de críticas nos jornais. Roberto não entrou bem na competição, eclodiu uma golfada de censuras nos mesmos jornais. Maxi Pereira, David Luíz, Luisão e Cardozo começaram o ano menos bem que na temporada passada, alastrou-se um chorro de advertências nos mesmíssimos jornais. Do Benfica dizer mal, dizer pior, parece compensar. Provoca jorros, golfadas, chorros...
Fábio Coentrão, o mais regular jogador português da actualidade, prolongou o seu contrato, não rebentou, não eclodiu, não alastrou nenhum elogio ao Clube. Do Benfica, dizer bem, dizer o melhor, não parece compensar. Não provoca jorros, golfadas, chorros...
A situação é absurda. Os adeptos do nosso clube são tantos quantos os outros todos juntos. Parece? Não parece. As manchetes dos jornais alimentam-se do Benfica. As primeiras páginas dos jornais alimentam-se do Benfica. Parece? Parece mesmo. Parece e é.
Esta semana foram divulgadas, com as vozes correspondentes, novas Escutas do processo 'Apito Dourado'. As manchetes dos jornais alimentaram-se dessa matéria? As primeiras páginas dos jornais alimentaram-se dessa matéria? Não pareceu? Não pareceu mesmo. Não pareceu e não foi.
Importam dois Benficas, o mau e o menos bom. Importam duas abordagens às Escutas do 'Apito Dourado', a muda e surda, Pior ainda, a cega. O resto fica por conta dos olhos dos adeptos do Benfica."

João Malheiro, in O Benfica

Está lá? Toue?!

"-Esta lá?
-Então amiguinho, está perdido? É sempre em frente, sempre em frente!
-É o Moreira.
-Ó carago, bocê sabe o caminho. Mas bocê num estaba no programa, 'Trio ao Ataque'. O que é que aconteceu?
-Bim-me imbora do programa.
-Porquiê? Não conseguiu humilhar o Lampião, eh, eh?
-O gajo começou a fazer um auto de fé e a falar dum tal YouTube, e de Escutas mas esse árbitro eu não conheço, nuncó bi, nem sei de nenhuns bandeirinhas com apelido Escutas, só me lembro dos Calheiros.
-Carago e queria bocê ser Presidente do clube. O YouTube, um bigarista. O Escutas uns bandidos. Ouça, benha até aqui a casa que eu dou-lhe um conselho e uma lista actualizada dos árbitros que interessam.
-Mas, esses eu conheço, aliás a gente conhece, Agora YouTubes.
-Ó pá não se preocupe, o Lampião estaba-lhe a atazanar o juízo por causa de umas Escutas onde eu falo com o 'nosso' juíz, com o presidente do concelho de arbitragem, ameaço com a possibilidade de f... um árbitro mal comportado na Figueira, de não apitar durante um tempo, chamo paneleiro ao presidente da Assembleia da República, insulto uma data deles, mas tranquilo. Da outra vez isso não baleu, agora se bierem com mais merdas, até bamos dizer que aquelas bozes não são nossas.
Bocê debia ter ficado para probar que o penálti, a nosso favor que não foi, afinal foi e não foi marcado e que o que foi, que era contra nós, não foi marcado porque não era. Ó Moreira o costume. Mas pronto, banos fazer disso mais uma coisa a nosso favor. Entendeu?
-...anh, anh...
-Está lá!? Porra, não fala? E queria este gajo ser Presidente.
(toca outra vez o telefone)
-Está lá. Moreira? Ah Costa és tu. Tá tudo bem encaminhado, bais substituir o Pereira.
-O Bitor? Então o Bitor bai dar férias ao Gilberto.
-Olha Costa, já sabes é sempre em frente. Se tiberes dúbidas liga ao Duarte, que eu agora bou tratar de mudar de relemóvel."
António Melo, in O Benfica

Ver o SLB fora do País

"Carlos Martins chutou e a bola só parou no fundo das redes do Braga. Fez o 1-0 e o resultado final, o Sport Lisboa e Benfica regressou aos momentos que encantaram a massa associativa na temporada anterior. Numa noite chuvosa e fria, depois de uma inesperada tempestade, na Casa do Benfica no Sabugal jantou-se e assistiu-se ao jogo, vivendo pouco depois as emoções da subida até ao segundo lugar da primeira Liga. Dezenas de homens e mulheres reuniram-se à frente dos televisores, discutiram-se tácticas e debateram prognósticos. Tal como noutras Casas, de norte a sul de Portugal celebrou-se a história e a grandeza, o palmarés e a actualidade, festejou-se o privilégio de ser do SLB.
Mas, perdoem-me aqueles que não concordam, e não querendo fazer da Casa do Sabugal ou de outra em particular o termo de comparação, nada se assemelha ao amor benfiquista que é alimentado para lá das nossas fronteiras. Sem se poder ir ao Estádio da Luz, a horas desencontradas das de Lisboa, por vezes sem imagem nem som, demasiado longe do relvado e dos artistas. Só quem já esteve no estrangeiro a viver, durante vários meses ou anos, a milhares de quilómetros de distância, é que conhece a sensação de ver uma partida de futebol do Clube do coração. Perdoem-me aqueles que discordam, mas, por se tratar do Benfica, no estrangeiro contraria-se o ditado 'longe da vista, longe do coração'.
Entre os números 988 e 992 da Harow Road, em Londres, pulsa o Sport London e Benfica. É um núcleo do benfiquistas onde se brinda ao Clube e à portugalidade, evocando a Pátria e o nosso Estádio. Lá, em directo, tive a sorte de assistir ao SLB - Sporting. Durante duas horas, as pessoas que se encontravam no restaurante e no «SLBar», colaram-se a Benfica, de São Domingos ao Calhariz, ligaram-se ao vermelho das camisolas, à capital do País e às razões de Ser Português. Perpétuo, mais do que uma religião. Não é um partido político, está acima da ambição desmedida dos oportunistas."
Ricardo Palacin, in O Benfica

Pavilhões

"A vitória do Benfica na Supertaça de Hóquei em Patins, para além da imensa alegria que deu aos benfiquistas, foi um claro e positivo sinal do investimento que o 'Glorioso' fez nas modalidades para além do futebol profissional.
Foi um vitória justa e inequívoca num jogo disputado, por números que não deixam dúvidas sobre um adversário que, na última década, nem sempre por mérito desportivo, tem arrebanhado tudo na modalidade. O plantel de Hóquei em Patins do Benfica é de luxo. E na sequência da vitória na Supertaça, o Benfica entrou a ganhar no campeonato nacional, vencendo fora de portas, um adversário difícil.
E se no Hóquei o início da época corre sobre rodas, no Basquetebol. no Voleibol, e no Andebol as equipas do Benfica tomaram o assunto entre mãos na abertura da temporada. Os Bicampeões de Basquetebol reforçaram o plantel, e já deram provas da eficácia da equipa e, no Voleibol, os reforços são de alto gabarito, daqueles que decidem jogos. No Andebol, o Benfica segue nos lugares cimeiros, com uma impressionante capacidade ofensiva. No Futsal, os Campeões Europeus estão ainda mais fortes esta época. As modalidades de pavilhão, ao elevado nível de qualidade a que o Benfica as pratica, merecem a presença e o apoio dos benfiquistas nas bancadas. Com elevada emoção e competitividade, com um ambiente em geral mais cordato nas bancadas, disputados em horários que permitem a presença em família dos adeptos, as modalidades são susceptíveis de captar a atenção dos jovens para mundos diferentes de competição desportiva. O Benfica precisa dos benfiquistas nos pavilhões.
Das modalidades também se faz a glória do 'Glorioso'."

João Paulo Guerra, in O Benfica

Ecletismo reforçado

"O projecto olímpico do SLB insere-se na politica desportiva do clube, sendo apoiado há vários anos de forma global.
Não tendo nascido propriamente agora, pois o seu início decorre do ecletismo do clube, apenas nos últimos anos a actual direcção, empenhadamente entendeu conferir-lhe um estatuto próprio e reforçado, englobando também outras modalidades desportivas.
Podemos afirmar que desde 1948, ano em que os Jogos Olímpicos passaram a realizar-se ininterruptamente, vários foram os atletas do SLB que neles participaram, como consequência de um objectivo pretendido e conseguido.
Assim, os lendários Matos Fernandes, Tomás Paquete, Eduardo Albuquerque, Vilar Santos, passando por, entre outros, Fernando Silva e António Leitão no atletismo, Alexandre Yokochi na natação e, na actualidade, Nelson Évora no atletismo, Vanessa Fernandes e Bruno Pais no triatlo, Telma Monteiro no judo, de Londres a Pequim honraram bem alto p nome do Sport Lisboa e Benfica e de Portugal.
Não somos uma agremiação elitista. A nossa origem tem razões populares e o SLB, porque está implantado numa sociedade que lhe tributa a primazia, sempre teve um dever social para com essa sociedade, que se traduz em fomentar um desporto abrangente e indiferenciado na sua globalidade.
O nosso ADN é singular. Somos um clube multicultural onde, de forma integrada, cabem, indistintamente todos os credos, raças, ou politicas. Daí que o nosso projecto olímpico tenha de ser uma emanação dessa nossa idiossincrasia sustentado e escalonado.
Faz parte do clube, com toda a sua magia e mística."

Ana Oliveira, in Mística

Vencedores. Não por acaso (iniciados)

"Há um livro de um antigo dirigente de um grande clube europeu intitulado A Bola Não Entra por Acaso. Pois bem, nada do que este grupo fez durante a época anterior foi obra do acaso, mas sim o resultado de anos de trabalho de conjunto de jovens com muito talento, que soube crescer enquanto equipa. Trata-se de um grupo muito homogéneo, com grande talento e um enorme potencial que teremos de saber acompanhar, tentando que todo o trabalho que foi desenvolvido se reflicta e possa ser aproveitado, dentro de alguns anos, no futebol profissional do clube.
É notável o percurso que a equipa fez na fase final do campeonato, um feito inédito, que nos enche de orgulho, mas que aumenta a responsabilidade de todos em relação ao futuro.
Acima do desempenho individual dos jogadores, o que deve ser destacado é o valor do conjunto. a maneira como sempre se apresentaram como equipa. Foi assim que me habituei a vê-los e é assim que devem continuar. Mérito, estou certo, do seu treinador, Luís Araújo, que soube transmitir-lhe esse principio fundamental no qual assentam as grandes equipas.
O sucesso vale enquanto fruto do trabalho que é desenvolvido e todos devem estar conscientes de que o êxito deste ano só se repetirá se o nível de exigência se mantiver e se todos continuarem a trabalhar com o mesmo empenho e a mesma dedicação desta época. Que ninguém adormeça à sombra do que já foi conquistado, porque esse será o principio do fim do caminho. Estou seguro de que nada disto irá acontecer e de que vamos continuar a viver - no futuro - muitas alegrias.
Parabéns a todos, aos jogadores, à equipa técnica e aos responsáveis pelo futebol de formação, pelos momentos de magia que nos proporcionaram durante a última época. As expectativas são altas, e ainda bem!"

Rui Costa, in Mística

A verdade da mentira

"Em reacção à entrevista do Presidente do Sport Lisboa e Benfica, Luís Filipe Vieira, à Antena 1, o sr. Pinto de Sousa – arguido do processo Apito Dourado – reagiu em comunicado enviado para as redacções dos principais jornais diários.

Como o mesmo contém algumas incorrecções, outras falsidades e outros tantos lapsos de memória, o Sport Lisboa e Benfica vem esclarecer que:

a) O senhor Pinto de Sousa está ligado a um dos períodos mais negros do futebol português, em que o tráfico de influencias, a corrupção e o compadrio foram prática corrente aceite e promovida por alguns dos principais responsáveis do nosso futebol.

b) O facto da justiça ainda não ter condenado o sr. Pinto de Sousa não significa que ele seja inocente. As provas existem, a sua evidência é indesmentível e só um formalismo jurídico ainda não permitiu a sua condenação. É bom recordar que o processo não terminou, está pendente de recurso no tribunal da Relação.

c) O Presidente do Sport Lisboa e Benfica – ao contrário do que foi afirmado pelo senhor Pinto de Sousa – não almoçou com ele “diversas vezes”, jantou duas, a pedido de um amigo comum e – facto relevante – antes de serem conhecidos os contornos e o envolvimento do senhor Pinto de Sousa no Processo Apito Dourado.

d) A verdade nunca pode ser considerada uma manobra de diversão, e só pela cumplicidade de alguns agentes judiciais é que a justiça ignorou a evidência das provas, como bem recentemente ficou provado.

e) O Sport Lisboa e Benfica, efectivamente, nada tem a ver com as amizades do Senhor Pinto de Sousa, mas tem a ver com a transparência e a verdade no futebol português e o facto deste ter voltado a contactar árbitros no activo e a movimentar-se para colocar o senhor Paulo Costa como presidente do futuro Conselho de Arbitragem da FPF. Sinal preocupante de que há quem queira que as velhas práticas voltem a fazer parte do nosso quotidiano.

f) Já agora, e como a memória é curta, convém lembrar que foi o senhor Pinto de Sousa que quis impor – seguramente por indicação de alguém – o senhor Martins dos Santos para a final da Taça de Portugal da época 2003/2004.

h) O senhor Pinto de Sousa pode ainda não ter sido condenado pela justiça, mas não é por isso que voltou a fazer parte dos homens sérios deste país."

Comunicado do SL Benfica, in Site do Sport Lisboa e Benfica

Porque recordar é viver !!!



Via Vermelhovzky e Magalhães-SAD

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