Últimas indefectivações
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026
O melhor do jogo com o Estrela
"COMO EU GOSTO DE VER OS MIÚDOS
A BRILHAREM NOS SÉNIORES
1. Já sei que vão comentar que temos que os ver mais, que não nos devemos precipitar nos juízos sobre eles, que um jogo ou um golo não são suficientes, que temos que ir com calma. Não quero saber disso para nada: quero dizer que gosto muito de ver o competente trabalho que é feito na formação mostrar-se na equipa principal - e ontem isso aconteceu com o Banjaqui, o Prioste - que grandes jogos tem feito na B, que ademais tem capitaneado - e o Anísio.
2. Quando os jogadores têm valor, a idade não interessa, o que interessa é saber enquadrá-los para progressivamente se irem afirmando e impondo na equipa principal. Mourinho, pela sua competência, pela sua experiência, pela sua liderança, é o treinador certo para o fazer. Acresce que adora o Benfica Campus, interage muito com os treinadores das várias categorias da formação, deixa-os assistir aos treinos - coisa impensável com Jesus e Lage -, fica lá sempre que tem a mulher fora do país, assiste a muitos jogos de todos os escalões, tem chamado muitos jovens a treinar com o plantel principal.
3. O Benfica tem que aproveitar desportivamente os diamantes que saem da sua fábrica de talentos, muitos, como bem sabemos, têm sido desperdiçados em casa para irem atingir o estrelato noutras paragens. Desejo muito que Banjaqui, Prioste, Anísio e tantos outros tenham oportunidades e vinguem de Manto Sagrado vestido.
4. Tenho um carinho especial por estes jovens sub-17, foram treinados pelo meu filho na formação de base do Benfica, vi-os jogar muito novos, são, digamos assim, "filhos" do meu filho. Ontem dei um salto enorme quando vi o Anísio cabecear para dentro da baliza o centro do Banjaqui, tinha acabado de dizer para os meus vizinhos de bancada: "Era fantástico se o Anísio marcasse um golo!" Foi ainda melhor: marcou assistido pelo Banjaqui!!!"
Benfica: (já era tempo do) elixir da inevitável juventude
"Num Benfica em transição silenciosa, a juventude já é solução. Entre concessões, escolhas inesperadas e a resposta do Seixal, Mourinho terá percebido que o futuro não se adia — joga-se
Leandro Barreiro já não é o 10. O onze apresenta agora dois extremos, pelo menos mais extremos do que os que aí andavam. Sudakov aparece finalmente pelo corredor interior, o que, na verdade, lhe permite andar um pouco por todo o lado. Há jovens na equipa inicial, outros a entrar mais tarde, finalmente sem receios. Não sei se é reflexo da perda de objetivos ou não por parte do Benfica, mas José Mourinho, aos poucos, vai encontrando o seu equilíbrio no desequilíbrio e isso é sempre de saudar. Afinal, como muitos diziam, «um outro futebol é possível» — que me desculpe o St. Pauli pela apropriação do lema — como bem sabe o técnico, que, não me canso de repetir, já foi feliz a jogar dessa forma. De uma maneira ou de outra, Mourinho tem ido ao encontro das críticas e fazendo concessões, mesmo que não as considere como tal. Um grande treinador também é isso. A capacidade de se adaptar aos jogadores sim, mas ainda mais à cultura do clube. Vamos ver se é para continuar. Ou se um mau resultado ou o elevar da exigência não o fará dar um ou dois passos atrás. Sinceramente, espero que não. No Benfica, não pode.
É claro que mesmo num 4-0 nem tudo está perfeito. O futebol não é só momento, é contexto. Os dois primeiros golos nascem de bolas paradas — valem o mesmo, sem dúvida — que, porém, surgiram em momentos de pouca fluidez do ataque. Com o resultado garantido, e sobretudo com muito mais espaço, a metade do campo do Estrela tornou-se fértil para a velocidade dos homens de encarnado, que plantaram então a goleada. No entanto, é um Benfica mais arrumado e, como tal, mais próximo da solidez e de um futebol mais coerente.
No meio disto tudo, a academia. Anísio e Prioste mostraram que o Benfica não precisa de ir a Itália ou aos Países Baixos contratar mais um avançado ou um médio. Ou laterais e centrais, quando há Banjaqui e ainda Neto e em Mauro Furtado um central de perfil moderno e se fala que Dahl ainda não está no ponto e Otamendi pode ou não continuar. Por sua vez, Gonçalo Moreira mostrou que tem rotação para ser aproveitado como médio ofensivo e mais continuarão a bater à porta. Nem todos se afirmarão, mas chegam todos com muito maior maturidade da que nós tínhamos com a idade deles. É altura de matar o preconceito.
Será que é Mourinho a dizer-nos para contarmos com ele para 2026/27, que está disposto a mudar? Com o génio dos mind games nunca se sabe. Se não for, que estabeleça o rumo. Rui Costa bem precisa."
Uma frase perfeita
"1. Luciano Spalletti é o treinador da Juventus e é um
nome de peso no futebol italiano e internacional.
Foi campeão na Rússia com o Zenit de São Petersburgo e foi campeão em Itália com o Nápoles. Não
é, propriamente, um “zé-ninguém” do futebol.
“Quando jogas contra equipas como o Benfica,
jogas contra um pedaço da História do futebol,
uma identidade”, disse Spalletti na conferência de
imprensa que antecedeu o jogo desta última quarta-feira. Uma frase perfeita.
2. O Benfica esteve longe de ser perfeito em Turim e
perdeu o jogo que era tão importante vencer para
poder receber o Real Madrid, na próxima quarta-
-feira, com os olhos postos na qualificação europeia, dependendo só de si.
3. Não foi, de facto, o Benfica que se exigia que fosse,
depois de sofrer o primeiro golo. A equipa, que
entrou bem na segunda parte, caiu emocionalmente com o golo de Thuram, aos 55 minutos, e
passou a perder bolas atrás de bolas, até ser
impossível dar a volta à situação.
4. Foi a sexta vez que o Benfica foi jogar a Turim
(e sempre com a Juventus) e foi a sexta vez que o
Benfica prestou homenagem à fabulosa equipa do
Torino – o Grande Torino, tal como ficou para a
História – fazendo deslocar uma comitiva à Basílica de Superga que fica muito próxima do local
onde se despenhou o avião que trazia a equipa italiana de regresso a casa numa tarde de muito
nevoeiro, em maio de 1949.
5. Trata-se de um dos episódios mais tristes do futebol europeu no século XX. O Torino tinha vindo a
Lisboa participar na festa de homenagem a Francisco Ferreira, jogador do Benfica entre 1938 e
1952, e todos os seus elementos pereceram no
acidente aéreo. Francisco Ferreira, um “capitão”
da equipa de futebol, 4 vezes campeão nacional,
6 vezes vencedor da Taça de Portugal, foi uma
figura maior que atravessou três décadas da História do Sport Lisboa e Benfica.
6. O próximo desafio do Benfica para o Campeonato
Nacional é já neste domingo, pelo final da tarde.
O adversário é o Estrela. A missão do Benfica,
neste arranque da segunda volta da prova, é chegar ao fim da competição em lugar de qualificação
para a próxima edição da Liga dos Campeões.
De preferência, em primeiro lugar, obviamente.
Falar no primeiro lugar quando se está a 10 pontos dessa posição, por mais insensato que possa
parecer, é a nossa obrigação.
7. Em nome do bom-senso, talvez seja mais recomendável falar do segundo lugar como meta, porque o Benfica está em terceiro lugar. O Benfica
está a 3 pontos do segundo lugar, quando faltam
16 jornadas e estão 48 pontos em discussão.
Vamos a isso, então. Uma coisa de cada vez."
Leonor Pinhão, in O Benfica
“O Eusébio agradecido”
"A 25 DE SETEMBRO DE 1973,
NA SUA FESTA DE HOMENAGEM,
EUSÉBIO OFERECEU
UMA TAÇA AO BENFICA.
Foi numa terça-feira que se realizou a
festa de homenagem ao “melhor futebolista português de todos os tempos”,
no Estádio da Luz. Do programa da
festa faziam parte um jogo de futebol entre
uma seleção de jogadores ultramarinos e a
equipa dos Magriços de 1966, que se iniciaria
às 19 horas, ao qual se seguia o elogio a Eusébio, feito por Justino Pinheiro Machado, e
a finalizar a festa, a partir das 21 horas, o
encontro principal entre uma seleção de jogadores mundiais e a equipa do Benfica.
Cerca de 40 mil pessoas assistiram
à homenagem no Estádio da Luz, às quais se
juntaram os milhares de espectadores que
assistiram à transmissão em direto, através
da Rádio Televisão Portuguesa.
O encontro entre os “Magriços 1966” e os
“Ultramarinos” foi um confronto de gerações
que prendeu a atenção do público. Possibilitou a oportunidade de ver em ação os ídolos
de outros tempos, a grande maioria dos quais
já estavam retirados dos relvados, mas que
demonstraram melhor técnica e uma maior
experiência em relação aos “ultramarinos”.
O jogo terminou empatado a dois golos.
Depois do encontro, ambas as equipas formaram alas e deu entrada em campo o homenageado, “vibrantemente ovacionado pela
assistência”. Foram vários os louvores lidos a
Eusébio, pelos representantes das mais
variadas instituições, seguindo-se a entrega
de várias ofertas, que Eusébio agradeceu em breves palavras. Deu depois
uma volta ao campo, “vivamente saudado pelo público, ao mesmo tempo
que ia pontapeando oito bolas autografadas, numa oferta para aqueles que
tiveram a felicidade de as apanhar”.
Neste momento tão especial na sua
carreira, Eusébio não esqueceu o Benfica e teve a oportunidade de “oferecer
ao clube uma artística jarra em prata
trabalhada”, na qual se pode ler “Ao
Sport Lisboa e Benfica, o Eusébio agradecido”.
Seguiu-se o jogo principal, entre
o Benfica e uma seleção mundial de
jogadores, no qual foi praticado um futebol de nível muito elevado, pois “todos se
esmeravam em fazer cada vez mais
e melhor”, porque, afinal, o homenageado era Eusébio! Tal como o jogo anterior,
o encontro terminou empatado a dois
golos. Os golos da seleção foram marcados por Keita e Seeler e os dois golos do
Benfica foram marcados por Nené.
Saiba mais sobre Eusébio na área 24
– O “Pantera Negra” e Outras Lendas, do
Museu Benfica – Cosme Damião."
Marisa Manana, in O Benfica
Benfiquismos
"Há dias foi notícia que um
adepto do Benfica tinha viajado
6 horas de carro para ver a
nossa equipa B em Newcastle.
No mesmo dia, um jovem percorreu sozinho 4 horas de comboio só para assistir ao jogo do
voleibol feminino em Lódz, na
Polónia.
São exemplos tocantes de benfiquismo, de paixão clubista, de
amor incondicional ao Clube.
De benfiquistas que vivem fora
de Portugal, para quem o Benfica é um importante elo de
referência e de união ao país.
Para quem ver uma camisola
vermelha com uma águia ao
peito é motivo para todos os
sacrifícios pessoais e profissionais. Para quem, ganhando
mais ou menos jogos, ganhando mais ou menos títulos, o
Benfica vale sempre a pena
Em sentido oposto temos hoje,
predominantemente nas infames redes sociais, artistas do
anonimato e do teclado, cujo
“clubismo” se exerce através
da crítica destrutiva, do insulto
e mesmo do ódio. Para esses –
uma espécie de neo-benfiquismo tóxico – está sempre tudo
mal. Se o Benfica ganha a Taça
da Liga, a competição não interessa e é vergonhoso festejá-
-la. Se perde a Taça da Liga, é
vergonhoso porque tinha obrigação de a ganhar. Se se apura
para a fase seguinte da Champions, relativiza-se o mérito
por não se tratar de um troféu.
Mas se conquista a Supertaça,
é coisa menor que não conta
para o balanço da época. As
modalidades só relevam quando fracassam. E isto tende para
infinitos.
Não começou com a campanha
para as eleições de outubro,
mas infelizmente também não
acabou aí. Não sei se é comum
a outros clubes, pouco me interessa. É certamente resultado
de um caldo cultural que se
estende a diferentes domínios
da sociedade – que caminha,
toda ela, para um precipício.
Neste contexto, é reconfortante
assinalarmos situações como
as mencionadas acima. Afinal,
como dizia o poeta, “há sempre
alguém que resiste”."
Luís Fialho, in O Benfica
Reintegrar é preciso!
"Há já muito tempo que a justiça
compreendeu ser mais útil e eficaz trabalhar com os reclusos
para promover a sua integração,
em vez de se limitar ao papel
punitivo e de se focar exclusivamente na pena e no castigo.
É que, mais cedo do que tarde, a
grande maioria dos reclusos
volta à sociedade e enfrenta os
mesmos problemas, mas agora,
na maior parte das vezes, agravados pelo cadastro.
Por isso, é importante que, durante o tempo em que se encontram no sistema prisional, os
reclusos possam melhorar as
suas capacidades e competências profissionais, modelar a sua
atitude e preparar o seu regresso
de modos mais assertivos e competitivos. Isto é extremamente
importante, uma vez que a dificuldade de um recluso em liberdade encontrar um trabalho não
precário é muito grande. Em primeiro lugar, porque normalmente não tem elevados níveis de
qualificação, nem hábitos de trabalho, tendo mesmo, algumas
vezes, défices comportamentais
e dificuldades de apresentação
geral. Isto faz com que, no mercado de trabalho, lhe seja extremamente difícil competir, mas
faz também com que a margem
para errar e para as falhas, que
sempre acontecem, seja, no seu
caso, muito diminuta, precisamente por causa da sua condição
de recluso, que tende a baixar os
níveis de confiança e tolerância.
Ficamos, por isso, gratos, pelo
nosso lado, mas certamente
também toda a sociedade portuguesa, pelo trabalho exemplar
que o Estabelecimento Prisional
de Sintra leva a cabo neste
domínio, através da variedade e
qualidade dos seus programas
de formação e reintegração
social dos reclusos."
Jorge Miranda, in O Benfica
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