"Há já muito tempo que a justiça
compreendeu ser mais útil e eficaz trabalhar com os reclusos
para promover a sua integração,
em vez de se limitar ao papel
punitivo e de se focar exclusivamente na pena e no castigo.
É que, mais cedo do que tarde, a
grande maioria dos reclusos
volta à sociedade e enfrenta os
mesmos problemas, mas agora,
na maior parte das vezes, agravados pelo cadastro.
Por isso, é importante que, durante o tempo em que se encontram no sistema prisional, os
reclusos possam melhorar as
suas capacidades e competências profissionais, modelar a sua
atitude e preparar o seu regresso
de modos mais assertivos e competitivos. Isto é extremamente
importante, uma vez que a dificuldade de um recluso em liberdade encontrar um trabalho não
precário é muito grande. Em primeiro lugar, porque normalmente não tem elevados níveis de
qualificação, nem hábitos de trabalho, tendo mesmo, algumas
vezes, défices comportamentais
e dificuldades de apresentação
geral. Isto faz com que, no mercado de trabalho, lhe seja extremamente difícil competir, mas
faz também com que a margem
para errar e para as falhas, que
sempre acontecem, seja, no seu
caso, muito diminuta, precisamente por causa da sua condição
de recluso, que tende a baixar os
níveis de confiança e tolerância.
Ficamos, por isso, gratos, pelo
nosso lado, mas certamente
também toda a sociedade portuguesa, pelo trabalho exemplar
que o Estabelecimento Prisional
de Sintra leva a cabo neste
domínio, através da variedade e
qualidade dos seus programas
de formação e reintegração
social dos reclusos."
Jorge Miranda, in O Benfica

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