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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Benfiquismos


"Há dias foi notícia que um adepto do Benfica tinha viajado 6 horas de carro para ver a nossa equipa B em Newcastle. No mesmo dia, um jovem percorreu sozinho 4 horas de comboio só para assistir ao jogo do voleibol feminino em Lódz, na Polónia.
São exemplos tocantes de benfiquismo, de paixão clubista, de amor incondicional ao Clube. De benfiquistas que vivem fora de Portugal, para quem o Benfica é um importante elo de referência e de união ao país. Para quem ver uma camisola vermelha com uma águia ao peito é motivo para todos os sacrifícios pessoais e profissionais. Para quem, ganhando mais ou menos jogos, ganhando mais ou menos títulos, o Benfica vale sempre a pena
Em sentido oposto temos hoje, predominantemente nas infames redes sociais, artistas do anonimato e do teclado, cujo “clubismo” se exerce através da crítica destrutiva, do insulto e mesmo do ódio. Para esses – uma espécie de neo-benfiquismo tóxico – está sempre tudo mal. Se o Benfica ganha a Taça da Liga, a competição não interessa e é vergonhoso festejá- -la. Se perde a Taça da Liga, é vergonhoso porque tinha obrigação de a ganhar. Se se apura para a fase seguinte da Champions, relativiza-se o mérito por não se tratar de um troféu. Mas se conquista a Supertaça, é coisa menor que não conta para o balanço da época. As modalidades só relevam quando fracassam. E isto tende para infinitos.
Não começou com a campanha para as eleições de outubro, mas infelizmente também não acabou aí. Não sei se é comum a outros clubes, pouco me interessa. É certamente resultado de um caldo cultural que se estende a diferentes domínios da sociedade – que caminha, toda ela, para um precipício.
Neste contexto, é reconfortante assinalarmos situações como as mencionadas acima. Afinal, como dizia o poeta, “há sempre alguém que resiste”."

Luís Fialho, in O Benfica

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