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terça-feira, 4 de novembro de 2025

DAZN: F1 - Está Oscar Piastri a ceder à pressão?

DAZN - Bundesliga - R9 - Golos

DAZN: La Liga R10 - Golos

Zero: Ataque Rápido - S07E14 - Versões de «guerra» de FC Porto e Benfica cumprem

Chuveirinho #149

Segundo Poste - S05E14 - "Benfica e Sporting não dominaram assim o FC Porto"

Andebol Feminino: 35-15

Hóquei em Patins Feminino: 5-1

Tailors - Final Cut - S04E15 - Vítor Serpa

Uns tipos espertos


"1. Ainda que reduzida à sua expressão mais simples – quase me atreveria a dizer à sua expressão mais simplória ou mais simplista ou mais insignificante –, a desgraçada Taça da Liga continua a ser oportunidade para golpes e chico-espertices. Mas vamos por partes para não cansar. A Taça da Liga agora resolve-se num instantinho. Quatro jogos e estão apurados os seus quatro finalistas, que se reunirão num fim de semana prolongado pelo mês de janeiro, provavelmente em Leiria.

2. No tempo em que Pedro Proença era presidente da Liga, a final four tinha uns arremedos pretensiosos, uma mania das grandezas expressa no lema Campeões de Inverno, uma das coisas mais ridículas do nosso calendário, como estarão lembrados. Agora o presidente da Liga mudou, e não sabemos se vai continuar a chamar Campeões de Inverno aos vencedores da Taça da Liga ou se lhes vai chamar outra coisa qualquer.

3. Como benfiquista com noção prática da importância devida às coisas verdadeiramente importantes, aquilo dos “Campeões de Inverno” sempre me irritou mesmo quando, como na temporada passada, nos coube a nós, Benfica, ser contemplados com semelhante epíteto depois de vencermos os nossos rivais de Lisboa numa final decidida por pontapés de grande penalidade. Adiante. O Benfica voltará a estar na final four da Taça da Liga porque venceu o Tondela na noite de quarta-feira na Luz. E era só o que faltava o Benfica não vencer o Tondela em casa.

4. A Taça da Liga, com todos os seus complexos de inferioridade, vale um título oficial. Sem as Taças da Liga conquistadas desde o arranque da prova, o Benfica já teria sido ultrapassado em número de títulos oficiais pelos nossos rivais do Porto. Custa admitir, eu sei, mas é assim que as coisas se passam. 5.Por falar no nosso rival do Porto, terão dado conta, certamente, de que haveria um encontro entre o FC Porto e o Vitória SC lá para o meio desta semana – o encontro de apuramento para a final four da Taça da Liga –, mas que esse acontecimento foi adiado para dezembro, dizem os jornais. Porquê? Ora, porque o FC Porto quer apresentar-se fresquinho no domingo para o seu jogo com o SC Braga para o Campeonato, e o Vitória Sport Clube quer apresentar-se fresquíssimo para o seu jogo com o Benfica já neste sábado, e também para o Campeonato. Espertos.

6 .Não foi no dia 25 de outubro que os benfiquistas ficaram a conhecer o nome do presidente para o quadriénio 2025-2029 porque nenhum dos concorrentes reuniu mais de metade dos votos dos 86 297 votantes.

7. A 2.ª volta do ato eleitoral vai ser disputada entre Rui Costa e João Noronha Lopes no dia 8 de novembro. E viva o Benfica!"

Leonor Pinhão, in O Benfica

Afinal, há lugar para todos


"NUMA VIAGEM EM QUE AS PRIMEIRAS PERSPETIVAS ERAM NEGATIVAS, UMA CONJUGAÇÃO DE FATORES FELIZES MANTEVE A COMITIVA JUNTA

Há dias em que, por mais que tudo esteja meticulosamente planeado, surgem imprevistos que parecem querer sabotar o destino. Fica a sensação de que não estamos destinados a chegar ao que nos propusemos. Resta-nos, então, aquele frágil equilíbrio entre o desespero e a crença de que tudo voltará ao normal. Poderá ter sido esse o sentimento dos jogadores e dirigentes do Benfica que partiram para Londres.
Era 5 de outubro de 1964, antevéspera do confronto com o Chelsea. A equipa encontrava-se no aeroporto, rumo à capital inglesa, com escala prevista em Paris. Mas Lisboa acordara envolta num nevoeiro espesso, que atrasou a partida em duas horas, o suficiente para perderem a ligação em França. Para piorar, os voos seguintes estavam lotados.
No desporto de alta competição, o descanso é tão crucial quanto o treino. E, para os jogadores do Benfica, esta era uma ocasião especial: o primeiro confronto com o Chelsea, uma estreia absoluta entre os dois clubes. Era essencial deixar uma imagem forte, de competência, grandeza e de qualidade.
Durante o almoço, discutiram-se soluções. Dividir o grupo? Seguir de comboio? No final da refeição, as incertezas permaneciam, mas tiveram o condão de bem-dispor os integrantes da comitiva.
Surgiu a informação de que havia oito lugares disponíveis no voo seguinte. A sorte parecia começar a sorrir. “A caminho da sala de embarque, mais uma informação: podiam ir mais quatro. Destacaram- -se mais quatro do grupo e começaram a descer as escadas rolantes, e uma voz: podem ir mais dois. Faltavam apenas dois jogadores, e na pista apareceram lugares para eles. Entraram no Caravelle, a hospedeira começou a contar lugares, e apareceu mais um, e mais um, e mais um, e houve lugares para todos os dirigentes e acompanhantes.”
Num dia que começou com contratempos, os encarnados acabaram por seguir juntos rumo ao destino. Amanheceu cinzento, carregado de incertezas, mas terminou com a luz serena de uma missão cumprida.
Saiba mais sobre esta e outras aventuras do Benfica nas deslocações ao estrangeiro na área 12 – Honrar o País, do Museu Benfica – Cosme Damião"

António Pinto, in O Benfica

O Benfica já ganhou


"Ainda não houve um presidente eleito, as eleições estão no intervalo, mas há já um claro vencedor: o Sport Lisboa e Benfica. Vencedor pela impressionante participação que, confesso, até me comoveu. Vencedor pelo elevadíssimo civismo manifestado durante horas pelos mais de 85 mil sócios votantes (recorde mundial).
Vencedor pelo incansável trabalho de tantas e tantos benfiquistas espalhados pelas 108 secções de voto, alguns deles sem pregar olho madrugada fora. Vencedor pelo fair play com que todos os candidatos, sem excepção, se comportaram ao longo do processo e reagiram aos resultados.
Creio ter ficado também demonstrado, nesta primeira volta, que o Benfica real, o Benfica profundo, o Benfica genuíno e popular, o Benfica paixão de centenas de milhares de sócios, de vários milhões de adeptos, de todas as idades e de todos os estratos socioeconómicos, es - palhados pelo país e pelo mundo, nada tem que ver com aquilo que se lê nas redes sociais. E pouco tem que ver também – precisamos de coragem para o assumir – com o que se vem passando nas Assembleias Gerais, cujo modelo, como me parece óbvio, já não é representativo, e devia merecer, pelo menos, uma reflexão, até pela importância que se antecipa poder vir a ter num futuro próximo.
Que dia 8 de novembro possa ser mais uma ocasião para festejar o benfiquismo. E que ninguém falte à chamada, pois será nesse dia, e não antes ou depois, que será verdadeiramente escolhido o presidente do Benfica.
Até lá há jogos importantes a ganhar. Nesses momentos teremos de deixar as eleições na prateleira, tal como todos fizemos, durante 90 minutos, na partida frente ao Arouca. Também aí o Benfica deu uma lição. Também aí venceu de goleada: no relvado e nas bancadas.
Que orgulho em ser benfiquista! Viva o Glorioso! Viva o nosso querido Sport Lisboa e Benfica!"

A força do sonho


"Há coisas de que quanto mais gostamos, mais inatingíveis parecem. É o que acontece no futebol, onde parece impossível conhecer um ídolo de infância ou de toda uma vida, sabendo que não somos mais que um entre dezenas de milhares num estádio ou milhões de adeptos como no caso do Benfica.
Mas nada é impossível, e o Benfica está atento, sabendo da enorme responsabilidade que é corresponder a alguns sonhos em que pessoas, às vezes jovens e mesmo crianças, atravessam tempos de grande fragilidade e passam por situações pelas quais ninguém deveria nunca passar.
Esta é uma das principais ações do projeto Benfica Faz Bem, que a fundação desenvolve desde os seus primeiros dias com um envolvimento e uma entrega dos plantéis e das estruturas do futebol e das modalidades que honram a mística benfiquista em cada sorriso que levam aos que mais sofrem e que fazem da nossa humildade orgulho e sentido de dever cumprido.
Tal é o poder do futebol e a ligação emocional que a um tempo une e aproxima pessoas, abre sorrisos e galvaniza vontades para a luta e a superação que tantas vezes se revelam uma importante mais-valia para a recuperação que sempre se deseja e tantas vezes, felizmente, vemos conquistar."

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Goleada...

Benfica 5 - 0 Marítimo


Regresso das Seleções, com mais uma goleada... e com a notícia de mais uma lesão: Diana Silva!

Derrota...

Benfica 0 - 3 Sporting
19-25, 18-25, 24-26

Segunda derrota da época com o Sporting, e o Marcel continua a não encontrar as melhores soluções! Tudo se vai decidir no play-off, mas é melhor começar a acertar nas decisões...

Mau...

Farense 4 - 3 Benfica


Esta época os jogos com as equipas Algarvias aparentemente estão enguiçados! Coisas estranhos têm acontecido aos nossos miúdos nestes jogos, felizmente, só existem duas equipas do Algarve na II Liga!!!

A vantagem de 0-3 ao intervalo era lisonjeira, tivemos alguma sorte da forma como não sofremos algujns golos no 1.º tempo, e acabámos por ser bastante eficazes... Na 2.ª parte, tudo se inverteu, sofremos alguns golos, com alguma má fortuna... mas também deixámos de conseguir sair em contra-ataque!

O relvado não ajudou, mas defender a vantagem cedo demais também não ajudou, a falta de opções para refrescar o meio-campo também não ajudou (a não entrada do Tiago Freitas foi um erro, tal como a saída do Fonseca...)!

Grimaldo


"Grimaldo…dono de um pé esquerdo com olhos, foi durante anos dono e senhor da lateral esquerda do Sport Lisboa e Benfica.
Fazia todo o corredor, sendo que onde se sentia como peixe na água era quando se aproximava da área adversária, dos seus pés saíram grandes golos, quer de livre quer de bola corrida, assistências foram muitas, sempre ligado ao jogo era raro não dar tudo em campo.
Como é óbvio também teve os seus momentos maus, quem não os tem? Só mesmo a quem está sentado no sofá é que não, porque lá dentro a música é outra.
No entanto apesar da entrega e compromisso com a equipa, foi brindado com perseguição, ora porque tinha quebras de forma, ora porque supostamente fazia parte do grupo de trabalhadores do IKEA que, de acordo com os de sempre, se havia formado no balneário e que levavam as reformulações de comando técnico.
Como jogava COD, foi brindado com exposes, presenteado com ameaças à porta de casa, tudo em nome da exigência!
Infelizmente para nós, este não esperou pelo “fechar ciclos” e preferiu não renovar e ir à procura de um lugar onde fosse acarinhado por todos, saiu no pleno das suas capacidades deixando-nos órfãos na posição de um jogador de qualidade inegável.
Durante os seus 8 anos de águia ao peito, contribuiu de forma ativa para o aumento do espólio do nosso Cosme Damião, aqui fica o seu contributo;
4 Campeonatos
1 Taça de Portugal
3 Supertaças
1 Taça da Liga
Na véspera de nos defrontarmos, espero que tenhas um dia péssimo em campo, mas só nesse dia, para que depois continues a lutar com Cucurella e Carreras pelo lugar na seleção espanhola!"

Benfica: a responsabilidade é de todos


"No próximo sábado os sócios do Benfica irão decidir qual o caminho que o clube irá seguir. Num momento tão conturbado, a palavra que melhor descreve a importância destas eleições é... responsabilidade.

O contexto Benfica
O contexto que o Benfica atravessa não é fácil. A ausência regular de títulos no futebol torna tudo mais complicado. A questão é que os resultados dentro do relvado são apenas o reflexo da forma como toda a organização está a ser gerida. O descontrolo financeiro é evidente. A subida de custos e os elevados investimentos, quando não são acompanhados por uma ideia consistente e por um caminho bem definido, acabam por não trazer aquilo que se pretende, que são resultados desportivos. Ao não se ganhar, coloca-se tudo em causa e volta-se a trocar tudo na esperança de que o sucesso bata à porta.
A gestão no Benfica está a ser feita ao dia, a empurrar com a barriga para a frente e não com uma visão de médio/longo prazo. Esta forma de estar é arriscada e perigosa. As perguntas que todos os sócios deviam colocar são: se acontecer ao Benfica aquilo que aconteceu a FC Porto e Sporting, que já ficaram um ano fora da Liga dos Campeões, o que vai ter de ser feito? Se por acaso a receita (direta e indireta) da Liga dos Campeões faltar, como ficará o Benfica? Quantos jogadores terá o Benfica de vender para se equilibrar? Será que o Benfica tem receitas fixas que suportem os seus elevadíssimos custos fixos? Ou depende demasiado de receitas variáveis? Gostando-se ou não, os últimos quatro anos foram marcados por elevados investimentos, aumento generalizado e substancial de custos face aos rendimentos fixos, vendas astronómicas, aumento considerável da exposição ao crédito e ausência de rendimento desportivo.
A complementar tudo isto, surgem dois pontos muito relevantes. Nestes últimos quatro anos o Sporting conseguiu reerguer-se com muito menos capacidade financeira que o Benfica. Recuperou financeiramente e ganhou títulos de uma forma consistente. Já o FC Porto, nestes últimos quatro anos, passou por uma situação muito complicada em termos sociais e financeiros. Mesmo assim, neste período, o FC Porto ganhou um campeonato, três Taças de Portugal, uma Taça da Liga e duas Supertaças! Foi ainda neste período que os prémios da Liga dos Campeões aumentaram e que o formato da competição trouxe mais jogos, logo mais receita e espaço de valorização da marca e dos atletas. Ou seja, num período em que o Benfica estava claramente numa posição muito mais confortável em termos financeiros, na vertente desportiva este facto não teve o respetivo impacto.

Candidatos: 1x1
A campanha eleitoral deixou muito a desejar, sobretudo destes dois candidatos finalistas. Analisando os dois candidatos, mesmo numa situação de fragilidade, ninguém tem dúvidas que no 1x1 Rui Costa ganha de goleada. Noronha Lopes até pode ter um bom CV, mas não sabe comunicar. Enquanto Rui Costa cria empatia e tem carisma, Noronha gera dúvidas e não convence. Enquanto Rui Costa ganha na forma como comunica, apesar do conteúdo não ser fiável, Noronha não ganha nem na forma nem no conteúdo, com ideias baralhadas, com chavões repetidos insistentemente e sem ter a capacidade que os grandes gestores têm, que é saber apresentar as suas ideias de uma forma simples e percetível, ou seja, fazer com que todos percebam a sua mensagem.
Numa eleição há duas formas de conquistar os sócios: ou através de uma figura que passe a confiança necessária a quem vai votar, ou na ausência de alguém com carisma, essa confiança pode ser conquistada através da equipa que está por trás do candidato. Rui Costa enquadra-se na pessoa que gera empatia e que os sócios reconhecem. Noronha Lopes enquadra-se naquele que tem de ganhar pela sua equipa, porque a sua imagem não agrega e não cria entusiasmo. Então, o que deveria ter feito? Por um lado, já deveria ter percebido isto há muito tempo. Por outro, já deveria ter colocado pessoas como Bagão Félix, José Theotónio (da parte das finanças), Filipe Gomes (das modalidades) e Nuno Gomes (futebol) a falarem das respetivas áreas, de forma a que a confiança dos adeptos fosse sendo criada por quem o rodeia e não pelo próprio.

Rumo
A responsabilidade do rumo que o Benfica vai seguir é de todos. Apesar das duas alternativas deixarem muito a desejar, os sócios terão de escolher uma delas, pensando no que é melhor para o clube. Já os candidatos sabem que aquele que vencer tem uma enorme responsabilidade. A primeira missão será unir todos em torno de um objetivo comum. A começar pelo interior do clube, onde muitos funcionários estão desmotivados e descrentes. Para o Benfica vencer é preciso que, internamente, todos estejam conectados e a rumar para o mesmo caminho. O segundo ponto é o de conseguir que os sócios e adeptos se revejam no caminho que irá ser seguido, de forma a que o apoio vindo de fora seja mais um importante trunfo, que permita atingir os resultados pretendidos. Para isto será importante que volte a ser fomentada a cultura Benfica, que permita que valores como respeito, dedicação, esforço, transparência, credibilidade, união, profissionalismo e compromisso estejam sempre presentes e sejam reconhecidos externamente.
Por fim, todos, sócios e candidatos, têm a responsabilidade de fazer com que o próximo dia 8 de novembro seja mais um dia marcante para o Benfica e para o desporto nacional. Para que isto aconteça, será importante que o ato eleitoral decorra com total tranquilidade, sem dúvidas, sem suspeições e com respeito por todos, independentemente da opção de cada um dos sócios.

Abel Ferreira
Está há cinco anos no Palmeiras e já é o melhor treinador de sempre do clube brasileiro. Voltou a colocar o Palmeiras numa final da Taça dos Libertadores, quando tal parecia impossível!"

As costas largas de Mourinho no Benfica


"No dia 25 de outubro, mais de 85 mil benfiquistas votaram nas eleições do clube, com seis candidatos e uma incerteza grande sobre qual poderia ser a decisão, acreditando-se, porém, que seria difícil, como foi, que não houvesse segunda volta.
No dia 8 de novembro, o Benfica volta às urnas para decidir não apenas o futuro, mas sobretudo o presente, agora só com um de dois vencedores possíveis: Rui Costa ou João Noronha Lopes. A indefinição sobre o que poderá acontecer mantém-se. Não apenas em relação ao vencedor, mas também sobre se os sócios voltarão a comparecer com a mesma pujança, podendo até, como desejam os candidatos, que novamente possa ser batido o recorde mundial de votação em eleições de um clube. Seria espantoso.
Mas seja qual for a afluência e a decisão, o presidente e o rumo escolhidos, pela continuidade, com Rui Costa, ou aposta na mudança, com João Noronha Lopes, o que mais preocupará os benfiquistas será sobretudo o pós-eleições. Para esse período, parece existir, por agora, apenas uma âncora: José Mourinho.
O treinador, a competência e dimensão, são reconhecidos pelos dois candidatos e nem Rui Costa (não faria sentido o contrário, pois foi o atual líder da Direção quem o contratou), nem Noronha Lopes arriscam pensar o futebol desta época sem Mourinho.
O técnico entrou com o comboio colocado a andar por Bruno Lage, o anterior treinador, não tem o plantel que desejaria e nem o contexto, mas tem mostrado que o Benfica deve olhar para ele como treinador de projeto e não apenas de resposta imediata, contrariando até, em determinada medida, a carreira dele. O futebol de qualidade, ou bonito, ainda aparece a espaços, como na segunda parte da vitória em Guimarães, mas a equipa está mais organizada e Mourinho tem dado sinais de que está atento à formação das águias, ponto fundamental em qualquer projeto ou para qualquer que seja o próximo presidente do Benfica.
Depois, como todos reconhecerão, Mourinho é mais que um treinador. Tem-no sido. Em tom paternalista, por vezes talvez exagerado, tem baixado expetativas e retirado pressão ao plantel, cria condições para o crescimento, à espera da definição de tudo o resto. O Benfica não precisa de ser salvo, precisa de estabilidade desportiva para alavancar o sucesso empresarial.
Com Mourinho ao leme, as coisas podem correr bem ou mal, como com qualquer outro treinador, mas quem lidera e vai liderar o Benfica, assim como quem o apoia, tem de ter coragem para saber esperar. Mourinho tem o que é preciso para garantir que a banda não desafina, se depois haverá ópera, não dependerá apenas dele, mas de uma estrutura e presidente que garantam direção, independentemente dos problemas.
Perante as tempestades, não é preciso ser marinheiro para o saber, é fundamental remar para o mesmo lado, que os benfiquistas se unam e confiem. Para já, provavelmente, por vários meses, haverá costas largas de Mourinho. Veremos se suficientemente largas para o que sucederá depois de dia 8."

Querem jogo bonito com Mourinho? Esqueçam lá isso!


"A ideia de um dia verem uma equipa do 'Special One' a deslumbrar ou com nota artística é utópica. 'Mou' é um conquistador assente em pragmatismo e eficácia

Podemos esperar muitas coisas de José Mourinho, mas, ao fim de 25 anos a constatar o estilo e fio de jogo das diversas equipas orientadas pelo melhor técnico português de sempre, esperar que elas joguem um futebol bonito, luminoso, mágico, cheio de fogos de artifício ou com nota artística elevada é equivalente a ter fé no impossível, quase como acreditar que a Terra é plana, que as vacinas são um plano maléfico para controlar populações ou que as alterações climáticas são invenção de cientistas loucos. Só um negacionista de factos à vista de todos e de uma realidade que surge aos nossos olhos há um quarto de século, poderia esperar grandes mudanças na filosofia de jogo do atual treinador do Benfica.
Nunca, ou só muito raramente em toda a sua carreira, as equipas às ordens de Mourinho jogaram com a arte que muitos adeptos desejam, em particular aqueles que, sem um estilo que deslumbre, atiram constantemente ao ar: «Sim, até estamos a ganhar, mas não jogamos nada!»
Pois José Mourinho cedo percebeu que, como em qualquer outro desporto, o plano primordial tem de passar por encontrar o caminho para ganhar. Ou haverá adeptos do FC Porto muito preocupados com a falta de nota artística nas conquistas da Taça UEFA (hoje Liga Europa) em 2003 e da Liga dos Campeões em 2004? Ou os do Chelsea chocados com a sua equipa de régua e esquadro quando, em 2005, esta se sagrou campeã de Inglaterra após 50 anos? Ou os do Inter incomodados com o cinismo ultradefensivo quando a compensação foi o título europeu em 2010?
E é neste ponto que entra uma diferença importante para a gestão de expectativas dos adeptos, neste caso específico os do Benfica. Não é, nem nunca será, esplendoroso o futebol de Mourinho. Esqueçam lá isso. Já eficaz e bem jogado isso é outra história. E é precisamente o que pode esperar-se: uma equipa que, mais cedo ou mais tarde, vai jogar bem, de forma pragmática e, sobretudo, eficaz rumo à meta desejada. E é por isso que quando Mourinho diz que quer o 39 e o 40 é porque já acredita piamente nisso, não como um profeta, mas como alguém que sabe, realmente e melhor do que a maioria, o que está a fazer e a dizer.
Pragmatismo e eficácia, eis o que esperar do Benfica. É pouco? Os 26 títulos de Mourinho, conquistados por conta dessa filosofia, dizem que não, que não é pouco. E nas centenas de adversários que não os conquistaram quantos jogavam bonito? Muitos, garanto. Mas... não ficaram na história."