Últimas indefectivações

sábado, 29 de agosto de 2020

Também gostaria de ter Messi


"Sei que não é possível ter Messi, mas sei também que são cada vez mais possíveis jogadores que para outros se tornaram impossíveis

Não concordo com algumas análises feitas por muitos adeptos do Benfica sobre o dossier Cavani. Registo de interesses: Cavani é, para mim, um jogador fabuloso, seria fantástico se tivesse sido possível vê-lo com a camisola do Benfica. Mas é tranquilizador saber que administração do Benfica tenta contratar um dos melhores jogadores do mundo, vai até ao seu limite financeiro para o conseguir, mesmo que no final tal não seja possível.
Fico satisfeito e tranquilo porque contratámos um internacional brasileiro, um internacional belga, um internacional alemão e falhámos um internacional uruguaio. Ficava deprimido se o Benfica festejasse a contratação do Carraça, não por ter falhado a do Cavani. Não tenho saudades de Escalona, tenho saudades de Pablo Aimar.
Esteve muito bem Rui Costa a esclarecer, com verdade, que o Benfica foi até ao limite do que podia para ter um jogador de categoria mundial. Não foi pelo Benfica que Cavani não joga de manto sagrado. Também gostava de Messi no Benfica e sei que não é possível, mas sei também que não são cada vez mais possíveis jogadores que para outros se tornaram impossíveis. Festejo isso. Espero que o Benfica mantenha o nível de exigência até agora demonstrado nas aquisições em falta. Não precisamos de muito, precisamos de muito bom.
Enquanto segue a animação do defeso, começaram os jogos-treino, por agora sem transmissão televisiva. Não vi como foram os 4-1 ao Estoril, nem os 4-0 ao Belenenses, nem ainda os 5-1 ao Farense. Fica a curiosidade de querer sintonizar a BTV para assistir aos próximos jogos com o Bournemouth, domingo, e com o SC Braga, quarta-feira.
Chegámos pela terceira vez a uma final da Youth League e, mesmo sem a vitória na final, pode esta geração ter a certeza do futuro. Alguns vão jogar na principal equipa do Benfica, outros vão ser vendidos e seguir carreiras em bons clubes, mas quase todos terão percursos de sucesso. O Benfica é, por agora, conjuntamente com o Red Bull Salzburgo, a melhor escola de formação de futebol do mundo.
Hoje há sorteio do campeonato em que iremos conquistar o 38 e segunda as bolas internacionais escolhem entre Rapid de Viena, AZ Alkmaar e PAOK para um início de época a valer quase 50 milhões.
Jorge Jesus já deixou indicações que este ano é «rumo a tudo»."

Sílvio Cervan, in A Bola

Cadomblé do Vata (biaites...)


"1. O TAD confirmou a descida administrativa do Vitória de Setúbal... ou como se diz em futebolês-português; o TAD confirmou o alargamento da I Liga no prazo máximo de 10 anos.
2. Ontem surgiu a noticia de que o Sporting CP está a tentar desviar Taremi do FC Porto... portanto, o Rio Ave já tem garantido que vai vender o iraniano, só não sabe quem lhe vai ficar a dever 5 milhões de euros. 
3. Apesar de Mariano Diaz não querer sair do Real Madrid, mesmo sabendo que não entra nas contas do Zidane, o SL Benfica continua muito interessado no dominicano... o avançado merengue é uma excelente alternativa a Zivkovic para a posição de "estou-me a cagar se jogo, quero é o meu todo certinho na conta ao fim do mês".
4. Em 2019 a Liga de Clubes distinguiu Joaquim Oliveira. Este ano o contemplado foi Valentim Loureiro... curiosamente, o prémio foi uma bola dourada, mas vá... coincidências...
5. Brincadeiras à parte, desde o primeiro dia desta página que tenho tentado passar uma mensagem de fair play, porque é assim que devemos estar no desporto... é por isso e porque nunca devemos guardar rancores de ninguém que desejo aqui publicamente, as maiores felicidades e sucessos ao Makaridze nos derbys contra Pinhalnovense, Amora e Olímpico do Montijo."

A novela Cavani


"Estava na altura de escrever sobre o Cavani não estava?
Eu ainda evitei durante alguns anos que foi o tempo que isto tem durado.
Mas antes de tudo parece-me importante dizer o seguinte.
A minha novela preferida foi a Tieta do Agreste.
Ai Betty Faria, Betty Faria.
O que eu faria naqueles tempos.
Enfim.
Como novela achei mais completa.
A Única Mulher da Rita Pereira e a Vingança com o Diogo Morgado também não eram más.
Mas esta do Benfica com o Cavani tem mais acção.
É suspense e ao mesmo tempo tem um argumento recheado com mentiras e traições.
Como uma boa novela deve ter.
Mas vamos lá por partes.
Primeiro uma dúvida que me assombra.
Qual a diferença da Novela Cavani.
Para a Novela Taremi?
Será por uma ser dobrada em uruguaio e a outra em iraniano?
Porque se fala tanto do avançado do PSG e das suas indecisões em aceitar.
E não se fala mais no avançado do Rio Ave e nas suas iguais indecisões.
São negócios díspares.
De acordo.
Mas se tivermos em conta a música do genérico “vai ser apresentado amanhã”.
Acho que andam muito equiparados.
Talvez um passe mais em horário nobre na Rede Globo.
E o outro às cinco da manhã na RTP2.
A dança até pode ser diferente.
Mas o baile parece-me o mesmo.
Cavani foi claramente um passo maior que a perna de Luís Filipe Vieira.
As eleições obrigavam a isso.
Mas era o único passo possível para meter o pé no coração dos benfiquistas.
Os valores parecem-me incomportáveis para o futebol português.
Se for o que o irmão e empresário pede.
Até para o futebol chinês.
E duvido bastante que uma estrela desta dimensão aceite jogar no campeonato português.
Assim como não acredito que algum dia jogue por cá um tal Peter Schmeichel.
Ou um super titulado Iker Casillas.
Já nem falando em Aimar ou Saviola.
Portanto acho que a nível de mediatismo ficamos apresentados.
Se é verdade que o uruguaio é de outro mundo.
Já cá tivemos outros de outras galáxias.
Sobre o negócio.
Parece-me simples.
O Benfica fez uma proposta.
E Cavani virá se não tiver uma superior.
E quando digo superior não me refiro apenas a dinheiro.
Que na minha opinião é algo que não será determinante na sua escolha.
Falo em campeonatos mais atractivos.
E em projectos onde a Liga dos Campeões não seja apenas um sonho.
Cavani não está a dormir.
Até agora ainda não teve nada deste género.
E sabe que o tempo está a esgotar-se.
O Benfica até contratar outro ponta de lança vai sempre esperar.
E este é o impasse. Cavani acha a hipótese Benfica a melhor.
Dentro de todas as que não teve.
Mas isso são todos os jogadores com o chamado “mercado dos tubarões”.
Que é muito raro nos nossos oceanos.
Normalmente pescamos petinga.
O Benfica quis pescar este tubarão com a mão e com uma linha de pesca.
E tem que o aguentar e cansar até o puxar para terra.
Até lá.
É rezar para não aparecer um navio com canas maiores."

Miguel Oliveira, o orgulho dos motards portugueses


"Ouvir o hino português cantado no mais reconhecido certame deste desporto e assistir à coroação no mais alto lugar do pódio de uma pessoa de caráter, com quem nós nos revemos e que tão bem exemplifica a nossa raça. A raça de um falcão que ataca no momento certo. Como dizia o meu professor Joaquim Bento “somos só dez milhões. A maioria não acredita nas suas potencialidades. Mas há sempre quem da lei da morte se liberta”.

O país rendeu-se definitivamente ao piloto português da prova rainha de motociclos, o MotoGP. E se alguns fieis seguidores já acompanhavam as incidências desta competição há largos anos em boa verdade a grande maioria são fãs que Miguel Oliveira conquistou agora com o seu sorriso simpático e a sua feroz competitividade. Portugal sempre se mostrou mais atento às provas de automóveis como a Formula 1 ou até aos ralis relegando os motociclos para segundo plano, embora exista por cá uma comunidade de motards muito interessante e activa, que neste momento estará com toda a certeza em êxtase com o aparecimento da nossa nova estrela.
É sobretudo desses que eu falo e nos quais não me incluo. Embora tenha tido uma mota CRM-50 quando era mais novo, da qual guardo muitas e boas recordações, assumo que nunca fui um aficionado, talvez por achar que o perigo que representam não compensa a liberdade que sentimos em cima delas. Ainda assim sei reconhecer o prazer de guiar uma, a sensação única de aventura e emoção. E sei também reconhecer que à exceção de uns quantos energúmenos temos vários clubes e associações motards que exemplificam todo o espírito de camaradagem, respeito e valores que a sociedade devia ter por adquirida.
Para estes a mota é muito mais que um motociclo, é um culto, uma tribo feita de sentimentos e causas onde o respeito, a irmandade, a solidariedade e a igualdade assumem importância central. São muitas vezes mal vistos pelas más praticas de alguns motoqueiros mas regra geral são pessoas animadas que estimulam a protecção e a segurança e que invariavelmente demonstram um amor e uma cumplicidade pela sua de uma forma única. É por isso que acho ser este um prémio justo e merecido para quem há tantos anos defende este desporto de duas rodas, o estima e o promove. O Miguel é por isso o justo reconhecimento para os verdadeiros motards portugueses e um embaixador singular que representará um crescimento brutal dos que seguem este desporto com paixão e emoção. Quantos de nós é que não vibraram com aquela ultrapassagem histórica de olhos embaciados e pele de galinha?
Mas o Miguel Oliveira representa muito mais do que isso. Representa a dignidade e a humildade na vitória, o respeito pelos outros e a inteligência que marca a diferença entre o “quase” e a verdadeira conquista. Isso é um duplo prazer. Ouvir o hino português cantado no mais reconhecido certame deste desporto e assistir à coroação no mais alto lugar do pódio de uma pessoa de carácter, com quem nós nos revemos e que tão bem exemplifica a nossa raça. A raça de um falcão que ataca no momento certo. Como dizia o meu professor Joaquim Bento “somos só dez milhões. A maioria não acredita nas suas potencialidades. Mas há sempre quem da lei da morte se liberta”. É por isso um justo prémio para uma sociedade em sofrimento neste tempo tão sombrio e em especial uma satisfação merecida para os motards portugueses que são dignos desse nome.
«Ele é fixe, polido, inteligente e bem educado. Há pessoas que pensam que um corredor de topo deve ser duro, nem sempre polido e não muito bem educado; por isso, olhavam para o Miguel e pensavam, “ok, ele nunca será um vencedor”», disse Hervé Poncharal, patrão da equipa Tech3 KTM."

João & Patrick... França!

O desporto e as empresas


"Hoje em dia, é banal verificar-se a aproximação entre a prática desportiva e as empresas. Mas nem sempre foi assim. Com a profissionalização desportiva, houve uma aproximação das organizações desportivas com as lógicas empresariais (Barbusse, 2009). Podemos situar este fenómeno, consoante os países, a partir da década de 1980. Ao caracterizarmos a instrumentalização do desporto por determinadas empresas, podemos constatar que ele serve, internamente, em quatro domínios que pertencem à função de recursos humanos: o recrutamento, a formação, a comunicação interna e o desenvolvimento social.
O desporto, enquanto “ferramenta” e modelo, é visto como uma forma de mobilização do pessoal e um meio de melhorar a sua performance económica. No entanto, um exame detalhado sobre a “oferta” permite verificar que a instrumentalização do desporto pelas empresas é muito frágil. Algumas empresas podem “oferecer” aos seus trabalhadores a prática regular de actividades físicas e desportivas ou podem colocar à disposição espaços para o efeito (no seio da empresa ou fora dela, recorrendo a parcerias com clubes ou ginásios). A prática desportiva permite manter o corpo em forma e de ser mais resistente ao esforço, logo para o trabalho.
Ele pode ser também “prescrito” numa perspectiva de gestão do stresse. Tanto no plano físico, como mental, o desporto é considerado como uma fonte de equilíbrio pessoal, traduzido na fórmula latina “mens sana in corpore sano” (mente sã num corpo são), atribuída ao poeta romano Juvenal. Para além das virtudes físicas e mentais, é preciso não esquecer que existem as virtudes simbólicas. Ao examinar o caso da Adidas, o sociólogo Julien Pierre (2006) revela que a oferta desportiva é interpretada pelos trabalhadores, em particular os dirigentes, como uma vantagem social que funciona segundo um processo de “dom coercitivo”.
O desporto na empresa permite, de facto, aumentar a coesão interna, com a criação de redes informais, de identificação comum, etc. Não existem em Portugal muitos estudos sobre a importância do desporto nas empresas."

Plantel Andebol 2020-21


"A equipa de Andebol retoma actividade hoje num jogo a contar para a qualificação da EHF European League, a nova prova da EHF que vai substituir a antiga EHF Cup. É altura de avaliar o que aconteceu no plantel e fazer algumas previsões para a época.

Guarda-Redes
Sergey Hernández (ex-Logroño), Gustavo Capdeville e Pedro Tonicher (equipa juniores)
Saídas: Borko Ristovski (Vardar) e Miguel Espinha (Huesca)
Foi um ano com muitas novidades para o Andebol. A começar na baliza, onde Borko Ristovski saiu ainda antes da época passada terminar e, já durante o verão, saiu Miguel Espinha, um guarda-redes que foi aposta por Carlos Resende na sua passagem pelo Benfica. Vamos continuar com Gustavo Capdeville como segundo guarda-redes. É um luxo termos um guarda-redes tão talentoso como Capdeville numa posição mais de rotação. É o futuro titular do Benfica e da selecção nacional. Além Capdeville, contratámos Sergey Hernández, um guarda-redes internacional pela seleção principal espanhola. Costuma ser o terceiro guarda-redes da seleção. É um excelente carimbo de qualidade. E por último, teremos Pedro Tonicher, um jovem de 17 anos, que irá ter aqui uma boa oportunidade para evoluir e que poderá aparecer em jogos de menor importância.

Central
Lazar Kukic (ex-Logroño) e Francisco Pereira
Saídas: Romé Hebo (1º Agosto) e Pedro Seabra (Águas Santas)
Esta é uma das posições onde houve maiores mudanças. Lazar Kukic será à partida o principal central da equipa. É um internacional sérvio, muito forte a atacar e que poderá ser interessante para defender caso o Benfica opte por uma defesa em 5x1. Parece-me uma boa aposta para combinar com Petar Djordjic, o nosso melhor marcador na época passada. Uma pena não ter mais uns centímetros. No geral é o que falta a esta equipa. Alguma altura e peso. Pois os nossos principais rivais têm muita altura e muito peso e numa modalidade como o Andebol isso faz diferença. A rodar com Kukic teremos Francisco Pereira. Um jovem de 21 anos da nossa formação. Vai ter funções acrescidas este ano. Vai ter mais tempo de jogo. Parece-me neste momento um jogador que defende melhor do que ataca. Vamos ver como evolui ao longo do ano. Saíram Romé Hebo, que raramente jogou, e Pedro Seabra, que é um jogador que tem o melhor problema de Lazar Kukic na minha opinião. Ataca muito bem, não defende tão bem. Ainda assim, é o jogador que melhores memórias me deixa destes três anos de Carlos Resende. Era uma aula de Andebol vê-lo jogar. Não ficaria surpreendido em ver Bélone a amealhar algum tempo de jogo como central.

Lateral Direito
Bélone Moreira, Kévynn Nyokas e Guilherme Tavares (equipa juniores)
É a única posição que não terá caras novas no plantel. A mim parece-me que é a posição que mais desespera por um reforço neste momento, porque nem Bélone, nem Nyokas conseguem ajudar o Benfica defensivamente. Guilherme Tavares será o terceiro elemento. À partida aparecerá em jogos de menor importância ou na eventualidade de alguma lesão. Tem 18 anos.

Lateral Esquerdo
Arnau García (ex-Toulouse), Petar Djordjic e Dilan Belalcázar (equipa juniores)
Saídas: Nuno Grilo (Águas Santas) e Carlos Molina (sem clube)
Nesta posição, vamos continuar a contar sobretudo com Petar Djordjic, que foi o melhor marcador da nossa equipa na maioria dos jogos da época passada. A rodar com o sérvio teremos Arnau García que é na verdade mais um especialista defensivo - a posição que Carlos Molina ocupou no ano passado - , no entanto também ataca e que poderá ficar com as sobras de Djordjic. Arnau vai ter muito tempo de jogo porque irá ser sempre a primeira opção para uma eventual substituição defesa-ataque com qualquer um dos nossos jogadores da primeira linha. Dilan Belalcázar é uma aposta do clube. É um colombiano que chegou para a nossa formação na época passada. Tem apenas 20 anos. À primeira vista, parece-me que terá algumas oportunidades para jogar visto que o espaço na equipa estará lá caso Arnau fique mais para jogar à defesa. Mas não conheço bem o que vale. Quanto a Nuno Grilo e a Carlos Molina não há muito a dizer. São dois jogadores que não corresponderam às expectativas.

Ponta Direita
Carlos Martins e Ola Rahmel (ex-Kiel)
Saídas: Davide Carvalho (ano sabático)
É a par da posição da guarda-redes a nossa melhor posição a nível de talento. Temos um ponta direita da seleção nacional e um ponta direita alemão que chega de uma das melhores equipas do mundo. Acho que aqui vamos ver algo que não é muito costume ver no Andebol. Rahmel é alto. Tem 1,90m. É mais alto do que quer Nyokas, quer Bélone. E como tal não seria de surpreender vermos Rahmel a defender a posição que normalmente é defendida por um lateral, enquanto Nyokas/Bélone defende a ponta. Davide Carvalho acaba por sair com Carlos Resende. É um jogador da formação. Não se encaixa no perfil que o Benfica neste momento parece estar à procura.

Ponta Esquerda
Mahamadou Keita (ex-Ivry) e João Pais
Saídas: Fábio Vidrago (retirou-se)
Keita é um francês que à primeira vista vai trazer algum espectáculo aos pavilhões da Luz. É muito atlético. Vai acumular grande parte do tempo de jogo. João Pais ficará com as sobras. É um dos nossos capitães. Para uma vaga na rotação, é um jogador útil. Aqui também poderá acontecer a situação do ponta defender como segundo (no lugar do lateral), visto que Keita é alto também e Djordjic não é espetacular a defender. Fábio Vidrago decidiu retirar-se da modalidade. Parece-me um pouco cedo. Tem apenas 31 anos. Mas de certeza que foi a melhor opção para ele e há que respeitar.

Pivot
Matic Suholeznik (ex-Dunkerque), Pedro Loureiro (emp. Belenenses) e Paulo Moreno
Saídas: René Toft Hansen (Bjerringbro) e Ricardo Pesqueira (ano sabático)
Chegamos finalmente à posição que mais mexidas teve e que se tem discutido mais. Matic Suholeznik é um esloveno de 2.00m e que aparece no site da EHF European League com 141kg. Um pouco pesado, mas nada impossível de recuperar. Os pivots facilmente têm 120-130kg. Parece-me um jogador muito interessante e que muito provavelmente vai perder algum peso ao longo da época, se é que já não perdeu. Perdendo peso passa a ser uma opção válida para o ataque, que era onde se destacava mais quando estava na Eslovénia, antes de rumar a França onde provavelmente por opção do Dunkerque ganhou mais peso. Paulo Moreno é um jogador que não é tão alto (1.93m) mas que tem ganho boa estampa física. Ataca bem e acho que é uma questão de oportunidade para mostrar que também poderá defender bem. Pedro Loureiro é um jovem de 21 anos que regressa de um empréstimo. Pelas fotos, parece que também perdeu algum peso. É alto (2.03m) e parece estar no peso ideal. Na formação nunca mostrou ser tecnicamente muito evoluído. Mas é um jogador que estou curioso para ver visto que Chema Rodriguez, o novo treinador do Benfica, com a selecção da Hungria, onde era treinador-adjunto, utilizava muita vez sistemas com dois pivots e como tal, Pedro Loureiro poderá ter algum tempo de jogo extra.

- Previsões para a época
Eu gosto do plantel. Acho que é um plantel estruturado com base naquilo que o Benfica se tem proposto (qualidade em simultâneo com uma aposta na formação). Se Dilan, Guilherme Tavares e Pedro Loureiro contarem de facto para as opções de Chema e mostrarem porque é que o clube apostou neles, creio que teremos uma boa época. Por outro lado, sinto que mais do que mais um pivot ou mais um central - que o clube precisa por uma questão de profundidade -, esta equipa precisa de um bom lateral direito com impacto nos dois lados do campo. Provavelmente o clube não conseguiu desfazer-se do contrato com Kevynn Nyokas, mas é neste momento um jogador que não se encaixa muito bem nesta equipa. Oxalá que ele recupere os níveis que teve no passado, mas não estou a contar muito com isso. É um plantel jovem (média de idades 26 anos) onde apenas quatro jogadores têm 30 ou mais anos (Nyokas 34 e Pais 32 são os mais velhos). O que parece-me que poderá ser uma vantagem para nós no decorrer da época.
A nível de previsões, continuamos a estar atrás do Porto. O Porto trocou o guarda-redes suplente, o principal pivot e dois laterais. Substituir Alexis Borges será sempre difícil e talvez estejam piores nessa posição. Mas para as laterais arranjaram Ivan Sliskovic, um internacional croata, e Diogo Silva, uma das maiores promessas do Andebol Mundial. Parecem-me muito mais fortes aqui. Além de terem já juntado Martim Costa, um jovem de 17 anos que no ano passado já era dos melhores marcadores da Liga. Continuam a ser os grandes favoritos ao título.
O Sporting trocou Carlos Carneiro por Nuno Roque, perdeu dois pontas estrangeiros e só foi buscar Darko Djukic (ponta internacional sérvio), perdeu Luís Frade para o Barcelona e arranjou um internacional ucraniano de 33 anos para o substituir e dos seis laterais que tinha, só ficaram dois, tendo contratado Jens Schongarth, um alemão gigante, e recuperado Salvador Salvador, um jovem muito talentoso. Parece-me que a equipa perdeu alguma qualidade. É uma equipa mais velha, com nove jogadores com 30 anos ou mais. Muito dependente de Carlos Ruesga. Mas que no entanto tem muita altura e muito peso na primeira linha. Parecem-me perfeitamente ao nosso alcance caso os nossos reforços confirmem as nossas expectativas. No entanto a diferença de alturas e de peso poderá pesar.
O nosso plantel foi construído para lutar por um segundo lugar. Acho que temos hipóteses. Mas não é certinho. Não consigo dizer já que somos favoritos ou não, sem ver os jogadores primeiro em acção. É uma equipa que quero muito ver jogar para ver se é desta que o ano zero resulta ou não. Além de que o projecto para já parece ser muito interessante."

Modalidades: Andebol...

Calendário...

Calendário da I Liga:
1.ª FC Famalicão-Benfica 18.ª
2.ª Benfica-Moreirense 19.ª
3.ª Benfica-Farense 20.ª
4.ª Rio Ave-Benfica 21.ª
5.ª Benfica-Belenenses 22.ª
6.ª Boavista-Benfica 23.ª
7.ª Benfica-SC Braga 24.ª
8.ª Marítimo-Benfica 25.ª
9.ª Benfica-Paços Ferreira 26.ª
10.ª Gil Vicente-Benfica 27.ª
11.ª Benfica-Portimonense 28.ª
12.ª Santa Clara-Benfica 29.ª
13.ª Benfica-Tondela 30.ª
14.ª FC Porto-Benfica 31.ª
15.ª Benfica-Nacional 32.ª
16.ª Sporting-Benfica 33.ª
17.ª Benfica-Vitória SC 34.ª

Calendário da II Liga:
1.ª Benfica B-Vilafranquense 18.ª
2.ª Casa Pia-Benfica B 19.ª
3.ª Benfica B- GD Chaves 20.ª
4.ª CD Mafra-Benfica B 21.ª
5.ª Benfica B-Estoril Praia 22.ª
6.ª Arouca-Benfica B 23.ª
7.ª Benfica B-AC Viseu 24.ª
8.ª Leixões-Benfica B 25.ª
9.ª Cova Piedade-Benfica B 26.ª
10.ª Benfica B-Varzim 27.ª
11.ª Feirense-Benfica B 28.ª
12.ª Benfica B-Vizela 29.ª
13.ª Penafiel-Benfica B 30.ª
14.ª Benfica B-Oliveirense 31.ª
15.ª SC Covilhã-Benfica B 32.ª
16.ª Benfica B-Académica 33.ª
17.ª FC Porto B-Benfica B 34.ª

Elogio à formação


"Diz-se que 'à terceira é de vez', assim como se evoca que 'não há duas sem três'. Estes dois aforismos contradizem-se, mas ao povo pouco ou nada interessa e credibilidade das suas máximas, nem tal afecta, que se saiba, o omnipresente PIB, o sacrossanto saldo da balança comercial ou as inúteis sondagens online de jornais. Mas hoje, enquanto escrevo esta crónica - falta agora meia hora para o início da final da UEFA Youth League - torna-se problemático encontrar conforto na sabedoria popular supostamente inerente à consagração de aforismos, especialmente de antitéticos.
É de ressalvar, no entanto, que a terceira final disputada em sete edições da UEFA Youth League, independentemente do seu desfecho, justifica o elogio ao projecto de formação que tem sido desenvolvido pelo Sport Lisboa e Benfica.
Embora considere que o 'resultadismo' e a 'campeonite' podem prejudicar o retorno que a formação deve dar, há que reconhecer que os títulos são uma consequência natural do trabalho bem feito. Não po acaso, desde que a aposta benfiquista na formação passou a dar retorno, também os títulos surgiram e a presença em finais da 'champions' dos juniores passou a ser quase normal.
Do meu ponto de vista, a formação serve unicamente para aumentar a competitividade do nosso plante profissional. Seja pelo contributo desportivo de atletas formados no Benfica Campus, seja porque, pela alienação de passe destes atletas, aumentamos a nossa capacidade de investimento, é-me indiferente. Só me importa que, no final de cada temporada, a nossa equipa sénior arrecade troféus. E é inegável que, nos últimos sete anos, a nossa formação tenha sido instrumental nos muitos títulos conquistados. Obrigado!"

João Tomás, in O Benfica

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Ainda não foi desta


"Custa, claro. Mas com certeza que não me custa mais a mim do que aos jogadores e equipa técnica que estiveram presentes na final da Liga Jovem da UEFA com o Real Madrid FC. Foi duro e inglório, sentir que se tinha mais equipa e acabar por perder o jogo decisivo. Temos tudo do nosso lado: qualidade, organização, matéria-prima, infraestruturas e teima em não chegar a vitória. Quem ainda tiver dúvidas que o Sport Lisboa e Benfica é a melhor academia de jovens talentos do momento, basta olhar para o historial e para os nomes que têm singrado, não só na equipa principal do SLB, mas noutras grandes equipas europeias. Não existam dúvidas: este é o caminho, formar homens e jogadores bem acima da média.
O jogo poderia ter caído para qualquer um dos lados. Infelizmente sorriram os espanhóis, depois de melhor terem aproveitado as oportunidades, um auto-golo e uma desatenção defensiva. A segunda parte mostrou que era possível, mas ainda não foi desta.
Não posso estar mais orgulhoso com o que é feito no Benfica Campus, só falta mesmo o ceptro para que os mais incautos fiquem clarificados. Em primeiro lugar, há que ir Às finais de forma consistente, não obras do acaso. Em segundo, há que ganhá-las, claro, e acredito que isso vai acontecer. E quanto aos sempre presentes profetas das desgraça que, a cada final europeia (e já são muitas), gostam de acenar com uma hipotética profecia do treinador húngaro, deixo-lhes uma mensagem: cada vez que levantam essa questão é porque estamos lá, na decisão. E isso não é para todos. Sem mezinhas, sem bruxos adivinhos, sem peregrinações a Fátima, sem trabalhinhos encomendados em encruzilhadas, só com trabalho. É assim que vamos, é esse o caminho a trilhar. Nos juniores, nos seniores, no futebol masculino e feminino, nas modalidades em todos os géneros. É acreditar, porque o melhor está mesmo para vir."

Ricardo Santos, in O Benfica

Mercado? Postas de pescada fresquinhas


"Estou cada vez mais enfeitiçado pelos jornais e comentadores. Quando chega o mercado todos têm novidades fresquinhas, qual peixinho grelhado pescado em Vila do Conde, para dar a conhecer aos adeptos diariamente. Postas de pescada, diz e bem o povo. Quando era puto deixava-me iludir. Acreditava que o Undertaker participava em combates onde o objectivo era trancar o adversário num caixão com a mesma firmeza que confiei naquela capa onde se lia em letras garrafais a confirmação de Robinho no Benfica. Kalou, Tomasson e Hleb assombraram a minha infância e de outros muitos inocentes. Entretanto cresci e percebi que a maioria das informações privilegiadas acerca de transferências fazem parte de um elaborado exercício criativo. Christopher Nolan é um ilustre director de cinema, porém teria sido um jornalista desportivo espectacular se tivesse optado pela área. O leitor já imaginou Nolan lado a lado com Rui Pedro Brás? Eram bem capazes de convencer uns quantos de que o Batman estava a viajar de Gotham para Lisboa onde tinha à espera um contrato de 3 anos e um novo Batmobile como prémio de assinatura. Agora estou desiludido porque voltei a caiar na armadilha. Em 30 dias investiguei mais sobre a vida de Edison Roberto Cavani Gomez, uruguaio de 33 anos que nasceu em 1987 no dia de São Valentim, do que qualquer trabalho de pesquisa na universidade. Tempo desperdiçado, mas pelo menos tenho a certeza absoluta que a partir de agora nunca mais me apanham. Entretanto vou ali explicar ao meu pai quem é este Mariano Díaz de quem se fala, dominicano com segunda nacionalidade espanhola que mede 1,80, e pesa 78Kg."

Pedro Soares, in O Benfica

Orgulho em Nyon


"Quem assistiu aos três jogos da nossa equipa de juniores na UEFA Youth League só pode ter sentido orgulho nos nossos bravos jogadores que deram tudo durante os 270 minutos. Frente ao Dínamo de Zagreb, ao Ajax e ao Real Madrid, os nossos 23 jovens deram uma lição de entrega, dedicação, persistência e estoicismo. Lutaram até à última gota de suor e só por manifesta infelicidade o troféu não veio para o Museu. É este forma de sentir a camisola que mexe com a nação benfiquista. Não sei quantos dos 38 jogadores utilizados por Luís Castro e Jorge Maciel nesta competição chegará à primeira equipa do SL Benfica. O que sei é que o forte investimento feito no futebol formação, quer a nível dos recursos humanos, quer na modernização das infra-estruturas, permitem-nos encarar o futuro a médio e longo prazo com confiança. Miguel Vítor, Roderick Miranda, Nélson Oliveira, André Gomes, Ivan Cavaleiro, Bernardo Silva, João Cancelo, Gonçalo Guedes, Victor Lindelof, Ederson Moraes, Nélson Semedo, Renato Sanches, André Horta, Yuri Ribeiro, José Gomes, Diogo Gonçalves, Rúben Dias, Ferro, Jota, Bruno Varela, Florentino Luís, Gedson Fernandes, Alfa Semedo, Pedro Pereira, Kalaica, Nuno Santos, João Félix e Nuno Tavares são jogadores formados na nossa Academia que ajudaram a conquistar títulos nas quatro competições internas. Se a este lote dourado acrescentarmos Manuel Fernandes, Ivan Zoblin, Tomás Tavares, David Tavares, João Carvalho, Hélder Costa, Luís Martins, David Simão, Danilo Pereira, Rochinha, Jorge Ribeiro e Mário Rui teremos 40 nomes que provam a qualidade do trabalho realizado."

Pedro Guerra, in O Benfica

Prémios em família


"Este ano os prémios são diferentes. Já se sabe, não há ajuntamentos e evitam-se torneios, colónias de férias residenciais e grandes convívios entre colegas. Os tempos não estão para isso, mas abrem-nos outras oportunidades e escancararam as portas da família, da sua importância e da solidariedade ente gerações. Avós e netos sentem falta de um abraço, da bênção de um afago na cabeça, mas respeitam-se e protegem-se mutuamente. Pais e filhos reclamam um tempo para si depois de um confinamento tantas vezes tonado mais difícil que o necessário por um espaço restrito e redutor da privacidade. Mas estão mais chegados do que alguma vez foram, comunicam e entendem-se como nunca, reajustaram limites, atravessaram medos em conjunto e celebraram sucessos e pequenas liberdades como se fossem as coisas mais importantes da vida. E foram, estão a sê-lo de facto. Mais fortes e mais importantes porque o fizeram em conjunto, unidos como família que são, prontos para tudo, incondicionalmente, em todas as situações. Esta foi, até agora, a grande lição de covid-19. Por isso, os alunos do projecto 'Para ti Se não faltares!' redobraram em responsabilidade, trabalho e resultados. Nota-se claramente que, por trás desses resultados, além da sua atitude, estão os esforços incontáveis dos professores para motivar, manter contacto e apoiar os alunos na aprendizagem. Mas, por trás desse sucesso, está também, invariavelmente, um estreitamente (nalguns casos pela primeira vez) da parceira educativa entre professores e famílias e um envolvimento muito maior e decisivo dos pais e encarregados de educação na aprendizagem destes crianças e jovens. Atenta, a Fundação Benfica, manteve os níveis de premiação e adoptou a natureza dos prémios às exigências da pandemia. Mas procurou fazê-lo com vantagem para as família,. transportando para o seu seio os benefícios imediatos do sucesso escolar dos alunos. A opção foram vouchers de experiências e estadias à ordem dos alunos que os conquistaram pelo seu esforço e com ajuda da família, que podem, assim, retribuir convidando os seus pais e irmãos a usufruir em família de momentos especiais que, em muitos casos, resultariam economicamente impossíveis face aos impactos sociais da pandemia. Este ano, os prémios valem ainda mais, dizem-nos muitos jovens, porque podem partilhar o seu sucesso com os que mais amam."

Jorge Miranda, in O Benfica

Novelas insondáveis


"1. Eu, por mim, não há maneira de me habituar a gabar, mesmo que fosse por dever de ofício, aqueles que, a jogar diante de adversários com notória menor capacidade e talento, lhes dão partes inteiras de avanço e, nos momentos decisivos, azar atrás de azar, acabam a perder ingloriamente os jogos das finais.
2. Bem decerto que nenhum Benfiquista pode deixar de abraçar os seus no momento de infortúnio. Isso é uma coisa. Outra, seria que a gente se deixasse envolver pelo desculposo manto de transigência doentia que, por exemplo, se tornou na cultura assumida em um dos nossos rivais.
3. Um tal sorumbático padrão da perda e do falhanço, que antigamente se chamavam as 'vitorias morais', é completamente insuportável no Benfica. E, claro, que não pode ir-se deixando tolerar indefinidamente, insinuante e perverso, nem como registo habitual dos jogos decisivos, nem, muito menos, como labéu dos jogos (apenas) importantes.
4. Para mim, não me consolam as lágrimas nem as pungentes tristezas afirmadas no final de um jogo (mal) perdido. Sobretudo, quando a derrota já soa a 'normalidade', evidentemente que não me satisfazem as desculpas da 'entrega' ou do azar, na elite ou na formação, da grande segunda parte, ou do orgulho que eu próprio sinto acerca de brilhantes projectos de jogadores que a seguir querem 'levantar a cabeça', ou de habilidosos seniores que também se vão abaixo nos momentos cruciais. Nunca gostei desses filmes.
5. Repito aqui que a cultura de exigência que o Benfica lhes oferece, a jogadores e treinadores, representa condições absolutamente inigualáveis de preparação, concentração, desempenho e até, de recuperação do esforço que - nos dois ou três escalões mais avançados - caracterizam a alta competição.
6. Em mais de doze décadas da história do Futebol em Portugal, nenhum outro clubes português (nem mesmo um Benfica anterior...), alguma vez pôde ousar proporcionar a jogadores e staffs, as mesmas condições de treino, de jogo e, enfim, de usufruto de vida pessoal e , que o Presidente Luís Filipe Vieira conseguiu montar para todos eles, no Benfica do Séx. XXI.
7. E é igualmente consabiada e reconhecida a justa cobiça que Benfica Campus alcançou internacionalmente junto das maiores sedes agremiativas do Futebol mundial.
8. Não há quem não admire por todo o mundo de Cristo e Maomé, tudo o que integra o nosso 'Seixal': a excepcional qualidade das infraestruturas transversais da Formação à Elite; as eficazes metodologias de acompanhamento do crescimento pessoal e do desempenho individual dos atletas; as extraordinárias condições de estudo e treinamento dos profissionais mais conceituados.
9. A cada ano que passa, no entanto, tudo traz acrescidas responsabilidades, em especial, à arquitectura competitiva dos jogos jogadores - pilar essencial para a sustentabilidade e o constante crescimento da incrível dimensão negocial do projecto que o Presidente idealizou e implantou para que o Benfica passasse a ganhar sempre.
10. Na alta competição ninguém continua a ganhar se se deixa vencer. E eu presumo que, no seu espírito visionário, Vieira se sinta triste e perplexo. Quem poderia imaginar que, naquele admirável cenário, se tenha insinuado uma tão estranha maleita a que, quanto antes, seja necessário cortar passo?
11. Vencer e perder é a vida de quem joga. Mas, de facto, dói ver que, precisamente nas ocasiões definitivas, vezes demais, de repente tanto talento individual, tanto amor próprio e tanta autoconfiança conjuntiva, afinal deslizem para insondáveis novelos de insegurança e azares de que se constroem as mais implacáveis derrotas."

José Nuno Martins, in O Benfica

As verdadeiras razões e responsáveis pela irrelevância do desporto em Portugal


"Muito se tem dito e escrito, sobre a falta do apoio do XXII governo constitucional ao desporto, cuja maior visibilidade decorreu com a COVID-19. Infelizmente todos percebemos, se é que dúvidas havia, que o desporto não é uma prioridade no campeonato das políticas sociais.
Este facto começou a evidenciar-se aquando do alarme social, devido à pandemia, e as várias declarações do estado de emergência por parte do governo (Decreto n.º 14-A/2020, a 18 Março de 2020, renovado a 02/04/2020 e a 17/04/2020), até ao anúncio público do adiamento dos jogos olímpicos/paralímpicos (30 Março de 2020); agravando-se com a resolução do Conselho de Ministros n.º 33-C/2020, de 30 de Abril, que aprovou uma estratégia gradual de levantamento de medidas de confinamento, e posteriores actualizações, e atingiu o auge com a desconsideração total a que o desporto foi vetado, traduzindo-se pelo abandono completo de um sector em crise profunda.
A gota de água que fez transbordar o copo foi a apresentação do Programa de Estabilização Económica e Social (PEES) pelo governo, no qual o Desporto não foi contemplado e a apresentação posterior da visão Estratégica para o Plano de Recuperação (VEPR), com os seus 10 eixos estratégicos e onde uma vez mais o desporto, a par das suas ramificações, não existe enquanto sector.
Estes factos levaram inclusive a uma iniciativa inédita do movimento associativo desportivo em Portugal (organizações cúpula e federações desportivas), que se reuniram e propuseram medidas, aprovadas unanimemente, sob a forma de uma moção apresentada ao Governo e órgãos de soberania para tentar minimizar o efeito da crise pandémica, evitando o colapso das organizações desportivas e estimulando a recuperação do sector, em plano de igualdade com os demais, nomeadamente os mais vulneráveis, ao impacto da crise.
Mas a irrelevância do desporto nacional, contrariamente ao que sucede com os restantes países europeus, devidamente concretizado no planeamento estratégico da união europeia, não é de hoje. A pandemia simplesmente a tornou visível.
Existem, na minha ótica, quatro ordens de razões justificativas: a irrelevância sociopolítica do desporto (imputável ao desporto) (1); a irrelevância do desporto para o estado, com base em paradigmas sociais maniqueístas e desajustados (2); a irrelevância dos interlocutores políticos (Ministério da Educação com Tutela do Desporto, Secretaria Estado da Juventude e Desporto e Instituto Português Desporto e Juventude) (3); e a irrelevância dos interlocutores do movimento associativo, quer de cúpula, quer das federações desportivas (4).
A irrelevância sociopolítica do desporto não é de agora, nem deste governo específico. É um problema de estado, transversal aos governos constitucionais, e da generalidade dos partidos políticos, dentro e fora do espectro da governação. Basta aliás fazer um exercício simples e consultar os programas políticos para a XXII legislatura (2019-2023), assim como o programa de governo para constatar isso mesmo. Esta análise já foi feita em artigo prévio e pode ser consultado em 
(https://www.abola.pt/Nnh/Noticias/Ver/812451).
A irrelevância do desporto para o sistema político-partidário, é agudizada pela anacrónica e reiterada inoperância e a descoordenação dos agentes desportivos em fazer passar a mensagem da importância do desporto em determinados sectores sociais.
Baseado nestas constatações podemos inferir que, além de outros, uma das principais razões desta secundarização do desporto, assim como de outras práticas sociais, inclusive a cultura, e pessoas (idosos) no nosso sistema político-partidário e governativo está na visão maniqueísta, enraizada numa tradição secular e arcaica, que os nossos políticos possuem da sociedade.
Isto está, aliás, bem patente quer no PEES, quer na VEPR, cuja visão desintegrada do assistencialismo aparece baseada na necessidade de ao estado caber a responsabilidade de prover a salvaguarda das condições materiais da existência humana, fazendo valer a máxima de que se vive para trabalhar e não se trabalha para viver. É de facto evidente a falta de integração nesta equação de outras variáveis determinantes nas sociedades actuais.
Quando a sobrevivência básica é dada como garantida, como acontece na generalidade dos países desenvolvidos, abrem-se outras prioridades, não menos importantes, no quadro axiológico dos valores: a luta contra a desagregação, a indiferença e a inautenticidade e onde a qualidade de vida, o bem-estar, o lazer e o ócio produtivo assumem importância vital.
O Exercício físico e a prática desportiva é, nesta concepção desumanizada da sociedade, considerado um ócio improdutivo e um lazer subversivo, num tempo político actual (que já perdura há muito), pelos adventores da economia de mercado (integrada facilmente no discurso e prática política), já que assumem as pausas no ritmo produtivo como momentos de desperdício e algo que pode comprometer a coesão económica nacional, mesmo que os indicadores da conta satélite do desporto demonstrem o inverso, e desta forma a coesão social e territorial.
É por isso que a jusante desta concepção da sociedade, há a necessidade de domesticar o tempo livre, o exercício e a prática desportiva através da fusão da doutrina da salvação da alma e da carne numa só missão: a religião do trabalho, invertendo na totalidade os princípios mais básicos e humanistas em termos civilizacionais; a economia rege não apenas a reprodução material das sociedades, mas também a própria condição do ser. O Homem deveria estar no centro do processo, e não o dinheiro.
Os prejuízos desta visão provocaram problemas que são mais evidentes quando a conjuntura a isso é propícia (como os que decorrem da pandemia), cujos fundamentos estruturais são os causadores primários dos problemas, pela falta de investimentos qualitativos e quantitativos na educação, na saúde e no desporto, com consequências na desvalorização de funções sociais relevantes e a desconsideração das desigualdades sociais, e de outros factores de exclusão (como a deficiência), historicamente construídas.
Esta visão é transversal, em termos sociais, a todas as funções e pessoas tidas como irrelevantes!
Ainda recentemente se veio a constatar que o Plano Nacional para a Saúde das Pessoas Idosas ainda não saiu do papel e, por isso, as três estratégias de intervenção plasmadas no documento — promover um envelhecimento activo, adequar os cuidados às necessidades das pessoas idosas, promover o desenvolvimento de ambientes capacitadores — também não. O plano é de 2006!
Depois acontece a tragédia com os lares como em Reguengos! Não é conjuntural! É estrutural! 
Esquecem-se que o lazer, o exercício e a prática desportiva (não na óptica profissional e/ou comercial, mas também) pode ser um veículo de educação/emancipação, podendo contribuir para soluções mais abrangentes em termos da vida social como um todo, abrindo espaços de liberdade, de pensamento e de criação, aprofundando a difícil arte da esperança elaborada num horizonte que não é simplesmente individual, mas ligando-nos ao nosso elemento primordial, a comunidade dos nós.
E é esta visão maniqueísta da sociedade que gera desqualificação, opressão e subserviência crónicas, plasmada aliás em dois aspectos centrais. Por um lado, na desqualificação assumida no enquadramento do desporto, enquanto área de actuação política, na organização e funcionamento dos sucessivos governos constitucionais, a bem dizer, limitando-se simplesmente a adoptar a estrutura compatível com o cumprimento das prioridades enunciadas nos programas eleitorais e de governo, isto é, um conjunto vazio de nada.
O facto indesmentível é que, desde sempre, o desporto nunca foi uma área autónoma nos sucessivos governos pós 25 de Abril. Todavia tem vindo a piorar a sua relevância ao sair da presidência do conselho de ministros, tendo sido arremetido para a tutela da educação, com uma miríade de problemas, onde a subordinação é caracterizadora da sua irrelevância, num sector que por natureza é transversal a toda a intervenção política (educação, saúde, turismo, economia, desenvolvimento regional, etc.).
Este facto releva também para a inexistência de verbas do orçamento de estado para o investimento, oprimindo o seu desenvolvimento. A dependência das receitas dos Jogos sociais, além de aleatória, não permite a discussão de opções político-estratégicas em sede parlamentar, como na discussão do orçamento de estado anual e eventuais suplementares e rectificativos.
Honra seja feita, apesar desta visão social, à cultura que, não obstante, consegue um reforço suplementar de financiamento para o sector de 70 milhões de euros (o dobro do que o Desporto tem em termos normais e regulares por ano) graças à coordenação de um sector cultural e à força política dos seus interlocutores.
E é este exactamente o segundo aspecto central: a irrelevância e subserviência que deve ser acometida, também, a todos os cargos de nomeação política e seus gabinetes, nomeadamente, ministro com tutela, secretário de estado do desporto, presidente do IPDJ, porque das duas uma: ou concordam com esta visão maniqueísta da sociedade e consequente irrelevância do desporto e, desta forma, não servem para “servir” o desporto, porque não representam a afirmação de um sector que lhes cabia assumir, defender e projectar ou; não concordam com a política mas aceitam ser coniventes, por outros interesses para além do de servir a causa pública, tornando-os desnecessários na sua função sociopolítica.
O mínimo que seria esperado era que tornassem público, ME com a tutela do desporto, o SEJD e o Presidente do IPDJ, qual é o seu pensamento estratégico, coordenado ou não, para o desporto e a forma de o concretizar. Pelo menos desta forma, por uma questão de prestação de contas, ficaríamos a saber se a irrelevância se deve à falta de estratégia política e/ou à falta de relevância dos políticos em sede enquadramento orgânico.
Por último, a irrelevância dos interlocutores do movimento associativo, especialmente das organizações cúpula e das federações desportivas.
A generalidade dos representantes das federações desportivas, nos quais me incluo, seja pelo síndrome da mão estendida, esperando que a benevolência, pela tolerância da inacção do governo no desporto (que acaba por ser uma espécie de filantropia que acaba por se destruir a si mesma) e fundamentalmente porque dependem do financiamento dos contratos programas de estado para as actividades das suas organizações, se traduza em mais umas migalhas ou, seja pela expectativa das boas aventuranças e palmadas nas costas das lideranças políticas, assumem uma posição de retracção, acrítica, quase sempre inorgânica e desorganizada que redunda numa surdez angustiante das suas vozes.
Como diria Montesquieu, os estereótipos são sempre alimentados pela ignorância. E a ignorância é a mãe da tradição. Para romper com este ciclo vicioso e viciado de estereótipos e visões arcaicas só resta uma coisa ao desporto Português, entregar as chaves do desporto e das organizações desportivas ao governo.
Pode ser que assim, do alto da sua magnificência e eloquência política, façam cumprir as funções sociais delegadas pela constituição, que o desporto, via clubes, associações e federações, prestam ao País. Talvez só aí percebam. Talvez."

Quem é, e como pode ajudar o Benfica, Carlos Fernández


"Esteve emprestado pelo Sevilha ao Granada na última temporada, é internacional jovem Espanhol, e tem vindo a actuar em mais de uma posição na frente de ataque. No Granada alternou o posicionamento como ponta de lança (homem mais adiantado da equipa) com o de Segundo Avançado (nas costas de um ponta de lança, por vezes sobre a meia esquerda, outras (maioritariamente) pela meia direita, porque se sente mais confortável para de pé esquerdo definir orientado para dentro.
Ainda que possua argumentos no jogo aéreo, e seja também capaz de desmarcar-se em ruptura nas costas das linhas defensivas adversárias, e de criar movimentos que permitem iludir o adversário directo para aparecer posteriormente a finalizar em antecipação Fernandez poderá estar a ser pensado como opção para zonas de criação com o intuito de jogar mais próximo de um nove de outra envergadura na grande área. Afinal, o seu perfil é diferente do da dupla de Uruguaios que foi associada ao Benfica. Muito menos capaz na zona de finalização.
Com Waldeschmidt trabalhado para jogar no corredor direito e Cebolinha no esquerdo, Fernandez poderá ser o homem que acompanha um ponta de lança. Mais do que ser ele o jogador mais adiantado, com Pizzi ou Rafa nas costas?"

Jorge Jesus | Coentrão como exemplo na roda das adaptações


"16 de Agosto, 2009. Estamos no primeiro fim-de-semana da Primeira Liga 2009/2010 e é a estreia oficial de Jorge Jesus ao comando das águias. O contexto ajuda, já que FC Porto e Sporting CP se tinham estreado com perda de pontos e, na Luz, o convidado é o CS Marítimo.
Estava tudo reunido para continuar a surfar na onda vermelha, criada por uma pré-temporada como há muito já não se via e com resultados empolgantes, como a vitória esclarecida no Torneio de Amesterdão.
Ninguém estaria à espera, portanto, que os insulares fossem os primeiros a inaugurar o marcador logo aos 23 minutos, num penalty exemplarmente marcado pelo brasileiro Alonso com recurso a paradinha anacrónica, daquelas que nos dias de hoje não contam e que, à altura, davam conversa. Rocambolesca a forma como Quim é enganado.
Os minutos foram passando e nada de remontada. A ansiedade crescia, as jogadas iam saíndo e o perigo era realidade assente nas imediações da área de Peçanha – mas o guarda-redes brasileiro estava em tarde inspirada, e nem as bombas de Cardozo passavam.
Jesus, que tinha começado com David Luiz à esquerda, vê-se desesperado por soluções vindas do banco. Mete Weldon para ajudar nas últimas definições e tira Sidnei, que até aí fazia companhia a Luisão no eixo defensivo. Para arrumar a casa, e como o jogo permitia esse tipo de ousadia, mandou Coentrão recuar para a posição antes ocupada por David. Não se portou mal o português nesse papel, ajudou (e muito!) à criação de jogadas e foi ele o assistente para o golo do empate já perto do fim. Soube a pouco.
Avançamos no tempo. 26 de Outubro. Outra vez visita insular, desta feita os que equipavam de alvinegro. Vinha aí o Nacional da Madeira de Manuel Machado, némesis de Jorge Jesus – os dois mantinham relação díficil, numa deliciosa dicotomia entre o aprumado bom falante e o gingão despreocupado com adornos triviais desse tipo – e a oportunidade era perfeita para marcar posições na rivalidade e alimentar egos.
Tracção à frente, pensou Jesus ao olhar para a tabela classificativa: o Benfica era primeiro e contava 24 golos marcados à sétima jornada. Shaffer, o titular até aí, estava lesionado e César Peixoto ressente-se de alguma coisa no aquecimento. Óptimo, deve ter pensado Jesus, quando se lembrou do jogo frente ao Marítimo e da possibilidade de jogar com Coentrão e Di Maria em simultâneo.
Aconteceu, e correu tão bem (6-1) que o português irreverente das Caxinas passou a ser a principal opção para aquele lado. Se é verdade que em jogos de maior gabarito era protegido no banco de suplentes (Braga, Liverpool, Dragão), na época seguinte Fábio assumiu-se como a principal figura encarnada, conclui época de enorme sucesso e reclama voos maiores que chegam pela mão de José Mourinho, rumo a Madrid. Ficaram 30 milhões de euros nos cofres, o valor da claúsula de rescisão. 
Coentrão é o maior exemplo do vasto leque de adaptações de Jorge Jesus, que brilhou nesse aspecto ao comando dos encarnados com outros dois nomes – Matic e Enzo – e que tentou replicar com outros – Melgarejo ou André Almeida – sem resultado qualitativo semelhante, embora tenham ajudado o clube em diversos momentos. Sabendo de antemão da grande tendência do técnico em procurar em casa o que precisa, há possibilidades várias para a próxima temporada que não podem ser vistas como más ideias, ainda que os tempos sejam outros e as condições disponibilizadas por Luis Filipe Vieira sejam diferentes para melhor, pelo menos na folga financeira com que são abordados os mercados de transferências.
Em 2014-15, foi Jesus quem pegou em Pizzi para suprir a ausência de Enzo Pérez, embarcado para Valência em Janeiro. Pegou no até aí extremo português e deslocou-o para zonas centrais – esse campeonato é terminado com ele á frente de Fejsa e no apoio a Jonas, com resultados incríveis no que à nota artística diz respeito.
A adaptação foi aceite pelo treinador seguinte, Rui Vitória, que tentou replicar as mesmas rotinas em diversas fases do seu reinado – em 2015-16, até chegar Renato Sanches em Dezembro, ou em 2016-17, com resultados satisfatórios a nível interno mas catastróficos a nível internacional. Viu-se em jogos dessa campanha de Champions, nomeadamente nos embates contra o Nápoles de Sarri e o Borussia de Tuchel que a fórmula Fejsa-Pizzi deixava o sérvio demasiado exposto, já que o português não tem a capacidade física que outros conseguem oferecer.
Daí talvez a opção de Rui Vitória pela transformação em 4-3-3 na época seguinte, fazendo acompanhar Pizzi de outro elemento na zona central para cobrir essas mesmas deficiências, equilibrando o onze e entregando outras liberdades aos alas. A opção foi certeira nesse sentido, a equipa recompôs-se e lutou com o FC Porto pelo campeonato até ao fatídico jogo de Herrera na Luz, mas não houve títulos para a validar.
Espera-se então que Jesus tenha essa mesma consciência: ele melhor que ninguém saberá dessa incapacidade defensiva do português e daí também os rumores de que Pizzi estará a ser pensado para zonas centrais sim, mas mais á frente no papel de 9,5 tão bem desenvolvido no sistema do técnico. Ele próprio o disse, no dia 8 do mês vigente, em entrevista à BTV, pode fazer essas duas posições [n.d.r.: actuar como extremo ou no corredor central], mas é um jogador de último passe. E os jogadores de último passe não jogam nas laterais: jogam nos corredores centrais. Vamos ver o que é melhor.»
No primeiro onze de 2020-21, Pizzi manteve-se à direita da linha média, por força da presença de Waldschmidt no apoio a Vinícius. O papel que lhe permitiu os melhores números da carreira não é uma impossibilidade, mas há fila para oportunidades nos corredores e os 31 anos de Luís Miguel já obrigam a outro tipo de gestão a nível físico.
O que sobressai à vista nos primeiros dois onzes de Jorge Jesus é a colocação de Franco Cervi á esquerda da linha defensiva, posição que encaixa nas características do argentino, a quem o espírito abnegado e disponibilidade física para os equilíbrios no flanco sempre colocaram na pole position para essa eventualidade.
Aconteceu esporadicamente e em situações de desespero, mas nunca como situação permanente muito por força da presença de Alex Grimaldo, com quem combina especialmente bem nas associações do último terço.
A perseverança e espírito de equipa do argentino obrigaram-no não raras vezes a um papel de equilíbrio táctico, situação que difere e muito das características com que chegou em 2016. Jorge Jesus poderá ver nele um protótipo de lateral aguerrido (tal e qual Coentrão), o que possibilitará oportunidades em barda na pré-época – fruto da lesão prolongada de Grimaldo – para se consolidar na lateral e ganhar novo fôlego nas escolhas da equipa, ele que já o ano passado esteve na porta da saída mas acabou por se manter.
Outra das situações mais expectáveis ao nível de nova abordagem nos terrenos pisados em campo será Diogo Gonçalves, ainda que a exemplar época no Famalicão obriguem a uma certa precaução. O extremo alentejano tem histórico de lateral direita – foi ocasionalmente utilizado aí por Rui Jorge nos sub-21 portugueses, num 4-4-2 losango – e as suas características poderão motivar a Jorge Jesus ensaios nesse sentido. A concorrência é forte, mas a renovação em Julho último poderá transmitir intenções de permanência no plantel: com que papel, saberemos mais à frente.
Quaisquer que sejam as opções do técnico português, só será possível discerni-las com o avançar do tempo e a continuidade de competição – a próxima semana é preenchida com embates frente ao Belenenses SAD (dia 25) e Farense (26), existindo jogo frente ao Braga de Carvalhal na 4.ª feira seguinte, dia 2 – e serão essas oportunidades competitivas que irão traduzir todas as ideias do staff técnico na procura dos melhores resultados."

Semanada...


"1. Youth League. Mais uma vez faltou-nos uma pontinha de sorte. Entrámos em campo com muitas baixas. A começar por Tomás Tavares e Nuno Tavares que estão na equipa principal, mas também sem Pedro Álvaro, por lesão, e Paulo Bernardo, por amarelos. Para juntar à festa, Úmaro saiu lesionado a meio do jogo. A primeira parte não foi muito boa do nosso lado. O Real Madrid defendeu com os 10 jogadores de campo e procurou sempre sair em contra-ataque. Chegaram ao intervalo a ganhar 2-0. Mas na minha opinião, injustamente. Nós não jogámos muito bem. Mas eles limitaram-se a aproveitar falhas nossas. A segunda parte foi totalmente diferente. Tivemos oportunidades mais do que suficientes para dar a volta ao jogo, mas não aconteceu. Isto é uma prova de formação. Mais do que os resultados, esta prova serve para desenvolver talento. Nós temos muito talento nas nossas fileiras. Na minha opinião, éramos a equipa mais talentosa da prova este ano. Fica o desafio para Estrutura do Benfica arranjar um plano para gerir este talento todo que há aqui.
2. Entradas Não São Urgentes. Na equipa principal, neste momento, não vejo nenhuma posição que precise urgentemente de um reforço. Há posições que podem ser melhoradas, principalmente nas vagas de rotação. Mas com a máxima urgência, não creio que exista algo. Daí o mercado ter acalmado um pouco desde que anunciámos três reforços de uma assentada. Neste momento o nosso onze titular é: Vlachodimos, Gilberto, Rúben, Vertonghen, Grimaldo, Weigl, Taarabt, Pizzi, Waldschmidt, Everton e Vinicius. O nosso onze alternativo é Svilar/Helton Leite, André Almeida/Tomás Tavares, Jardel, Ferro, Nuno Tavares/Cervi, Florentino, Gabriel, Pedrinho/Diogo Gonçalves, Chiquinho, Rafa/Jota e Seferovic/Dyego. Há ainda Samaris e David Tavares. O que nós neste momento precisamos é de saídas. A nível de entradas a situação mais complicada para já parece-me ser a posição de ponta de lança. Mas a verdade é que Seferovic parece que tem dado nas vistas na pré-época.
3. Ivan Zlobin Rumou ao Famalicão e Rescisão de Zivkovic. As primeiras duas saídas foram anunciadas. Uma já era expectável. Com a chegada de Hélton Leite era uma questão de tempo até Zlobin sair. Aliás, dado o tempo que Mile Svilar está a aguentar, vamos ver se não haverá mais uma novidade na baliza. Assumindo que ainda ficamos com 50% dos direitos económicos do Ivan Zlobin, acredito que ainda vamos ouvir falar do nome dele no clube. É um guarda-redes russo. Há sempre mercado para jogadores russos na Rússia. Parece-me que se for aposta no Famalicão irá resultar num encaixe financeiro interessante. A rescisão do Zivkovic é que surpreendeu mais. A rescisão já fazia sentido há um ano. Mas o jogador não quis. Não esperava que este ano quisesse. Para nós, aparentemente, vai resultar numa poupança de cerca de 3.5 milhões de euros em salários, o que num ano de investimento é sempre bom. Para Zivkovic, dependerá do nível da queda. Acho que o melhor que poderia fazer nesta altura era arranjar uma vaga numa equipa com um projecto sólido numa Liga Top4. Mas com a fama que ganhou, não sei quem estará interessado.
4. Possíveis Adversários no Caminho para Champions League. A Segunda Ronda da Qualificação para a Champions League terminou. Como tal, já sabemos quem poderão ser os nossos adversários. Há três possíveis: (1) PAOK que eliminou o Besiktas por 3-1 e que à primeira vista parece ser a equipa mais complicada das três; (2) AZ que eliminou o Viktoria Plzen por 2-1 após o prolongamento, que no papel parecia o clube mais difícil inicialmente, com as melhores individualidades (Stengs e Boadu) mas que não tem tido um bom regresso à competição e que como tal parece ser mais acessível do que o esperado; (3) Rapid Wien uma equipa austríaca que, como grande parte dos clubes austríacos nos últimos anos, tem um colectivo muito forte mas não tem grandes individualidades. Eliminaram o Lokomotiva Zagreb por 0-1. Num clube que contratou Everton, Waldschmidt, Vertonghen e que tem Weigl, Pizzi, Rafa, Vinicius e Rúben, não há aqui nenhum clube que nos possa fazer grande frente. Mas esta Ronda é a apenas a uma mão. E num jogo, tudo pode acontecer.
5. Vitória Setúbal Desce ao CNS. Há vários anos que vamos ouvindo falar da situação financeira que o Setúbal foi vivendo. Parece que foi desta vez que se concretizou. Por um lado, é justo, porque o Setúbal conseguiu a manutenção não pagando aos seus jogadores a horas, por outro lado, garantiram a manutenção em campo. Já houve descidas no passado por ordem judicial. Todas elas voltaram atrás e isso trouxe Gil Vicente e Boavista de volta à primeira. Esta aqui é um pouco diferente. Não estamos a falar de escândalos de corrupção, nem de utilização de jogadores não inscritos. Estamos a falar de um clube que não tem dinheiro para andar na Primeira Liga. Não creio que o Setúbal consiga regressar à Primeira Liga daqui a dois-três anos com uma ordem judicial. Como tal, prevejo um futuro muito negro aos sadinos. Talvez demore algumas décadas até regressarem à Primeira Liga.
6. Andebol Regressa Amanhã. O Andebol regressa à competição com a estreia a acontecer na qualificação para EHF European League este Sábado contra o HC Fivers, o atual Campeão Nacional da Áustria. À partida somos favoritos nesta eliminatória. Podem seguir a partida na BTV a partir das 15h00."
Coluna Vermelha, in Facebook

Sorteio da Liga Proença


"Tal como no ano passado, é altura de voltar a falar na fantochada que é o sorteio da Liga Portuguesa. Isto é apenas e só a apresentação do calendário. Nada mais.
Para quem não sabe, o calendário das provas da Liga surge num ecrã depois de serem sorteadas 6 bolas de 0 a 9. Ou seja, segundo a Liga existem 1.000.000 (1 milhão) de combinações de calendários possíveis. Nem mais uma, nem menos uma, 1 milhão certinho (!).
Por outras palavras, se calharem as bolas “000000” há uma grelha de jogos, se calhar “000001” há outras, e assim sucessivamente. No total, há 1 milhão de possibilidades (as 999999 mais a combinação “000000”).
Este 1 milhão de grelhas possíveis serve não só para a Liga NOS, mas também para a 2ª (!), onde há 3 anos, por exemplo, existiam mais 2 equipas que na Liga NOS.
Ou seja, o número de equipas varia, o número de jogos varia, o número de condicionantes varia, mas o número de combinações mantém-se.
A Liga NOS tem condicionantes como: Benfica e Sporting, #PortoaoColo e Boavista a jogarem em jornadas alternadas em casa, por exemplo. A 2ª Liga tem outras, por exemplo os encontros entre Benfica B e #PortoaoColo B será sempre na última jornada de cada volta.
Mas será as condicionantes que modificam o número de grelhas possíveis? Claro que não. É sempre 1 milhão.
Numa época onde se fala que os primeiros jogos serão à porta fechada, o calendário terá ainda mais influência e, como sempre, beneficiará os mesmo de sempre.
Podem consultar aqui as condicionantes deste ano e verifiquem que são diferentes entre as duas ligas e que são diferentes das da época passada, mas já sabem 1 milhão de combinações na mesma: 
https://www.ligaportugal.pt/pt/epocas/20192020/noticias/institucional/condicionantes-do-sorteio-de-liga-nos-e-ligapro/
Apesar de todas estas condicionantes, estas não são obrigatórias, existindo a ressalva de "Evitar, na medida do possível". Obviamente que já sabemos que caso uma equipa seja prejudicada, essa será a justificação da Liga " Evitar, na medida do possível" e apostamos que nunca será o PortoaoColo.
Fica a nossa aposta:
- Na 4ª jornada "calhará" Benfica vs FCP ou SCP;
- Na jornada de um FCP vs SCP, o Benfica vai defrontar Guimarães ou a Braga (é assim há 7 anos);
- Na 1ª volta jogamos com FCP e SCP em casa;
- Na segunda volta teremos 2 jogos seguidos fora de casa;
- Na penúltima e a última jornada jogaremos contra o FCP, SCP ou Braga."