Últimas indefectivações

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A Terra Prometida

"Esta foi a semana em que jogadores agridem em campo sem punição, outros acusam, outros refutam e contra-acusam; em paralelo, circulam os “vídeos”. Pergunta-se novamente: o que esperar da Comissão Disciplinar (CD) da Liga? Bastará confirmar o regresso ao passado da justiça desportiva, empenhada desde Junho de 2010 em obter a “acalmia” num “meio” difícil: quem atua, julga e, se for caso disso, condena nunca será bem quisto no futebol, habituado por longos anos a posições benignas e “a contento”. Como questionava um presidente no tempo de Hermínio Loureiro, “sensibilizado” com os castigos da CD: “então a Liga não é feita pelos clubes e para proteger os clubes?”; “afinal, quem manda aqui?” É esta a mentalidade dominante que, indiferente aos poderes públicos do Estado delegados nas federações e nas ligas e ao caráter técnico-jurídico da função, explica o suficiente.
Hoje parece evidente que se tomou um caminho “não jurídico” para evitar… instabilidade. O órgão disciplinar da Liga:

(1) deixou de promover por sua iniciativa os processos disciplinares para averiguar a prática de ilícitos, refugiando-se em terminologias do Regulamento Disciplinar (RD) e esquecendo a lei: diz o regime jurídico das federações e das ligas que cabe aos órgãos disciplinares desportivos “apreciar e punir, de acordo com a lei e os regulamentos, as infrações disciplinares em matéria desportiva”; não diz a lei que os processos se instauram quando o órgão disciplinar quer ou só quando lhe chega uma queixa (a prática do pretérito recuperado) ou a descrição nos relatórios do jogo…;

(2) suavizou as punições dos castigos “correntes” (agressão física, jogo violento, injúrias), sem reprimir e prevenir os mais graves (sirva de ilustração: duplo amarelo = cabeçada a adversário sem disputa de bola = 1 jogo!);

(3) esqueceu os “processos sumaríssimos”, mesmo com o RD a impor inequivocamente que a CD atue “oficiosamente” (por iniciativa própria);

(4) deixa arrastar e não julga em tempo útil os processos;

(5) não explica as decisões finais nem faz publicitar com rigor a sua “fundamentação” (muito menos se publicam os acórdãos mais significativos).
E para quê cumprir a lei e ser transparente e célere? Para quê instaurar mais de uma centena de processos por ano? Para quê esclarecer os critérios de atuação? Para quê julgar entre 1 a 2 meses? Para quê propor sumaríssimos e aplicar os princípios do RD? Para quê castigar diferenciadamente jogadores em razão da gravidade das condutas? Para quê fiscalizar permanentemente as declarações de dirigentes? Para quê explicar, por exemplo, a suspensão de 5 meses de um delegado do Estoril por factos ocorridos há mais de meio ano? Para quê tudo isto se só nos convém mexer quando a “coisa” mexe (muito) nos jornais (como no caso “Jesus-Luís Alberto”)? Para quê julgar todos por igual e não deixar impunes os que não são denunciados e não são alvo do “alarido” da imprensa?
Para quê trabalho, escrutínio e incómodo? Ao que parece, nos tempos que correm, não é por esse caminho e com esse “perfil” que se ganham eleições!"



Vacas Magras

"Parece ter vindo para ficar, e por mais que a tentemos esquecer, ela não nos larga. Falo da profunda crise económica e financeira em que o País, e pelo menos parte da Europa, estão mergulhados, e que ninguém sabe ao certo até onde nos vai levar.
Não cabe aqui dissecar as suas origens, encontrar os culpados, ou discutir as melhores formas de a combater. No âmbito deste espaço, interessa sobretudo perceber que efeitos directos ou indirectos pode ela trazer ao mundo do futebol, e particularmente ao nosso Clube. Interessa também saber o que podemos fazer para atravessar este período com o menor dano possível, sabendo-se que, aconteça o que acontecer, o mundo não irá acabar - e o futebol também não -, existindo, apesar de tudo, um futuro para além da densa escuridão deste tempo presente.
Enquadrando o panorama económico-financeiro dos principais clubes portugueses no actual contexto de crise, ressalta desde logo à vista um elevado nível de endividamento, em larga medida ainda resultante dos efeitos da construção dos estádios do Euro-2204. A recente diminuição das taxas de juro por parte do Banco Central Europeu pode ser uma boa notícia relativamente a esses Passivos. Contudo, a falta de liquidez no sistema bancário, e a consequente dificuldade na obtenção de crédito, vai provavelmente obrigar-nos a rever algumas práticas, desde logo quanto ao modelo de abordagem ao mercado de transferências que tem sido genericamente seguido ao longo dos últimos anos.

Busca de talentos
Sem crédito, não há investimento, pelo que é natural que se torne muito mais difícil e clubes como o Benfica desenvolver uma política de contratações alicerçada na busca de talentos sul-americanos para valorização e venda, como aquela que tem sido seguida, com sucesso, nos anos mais recentes. Para dar alguns exemplos, poderia mencionar nomes como Di Maria, Ramires (já vendidos com imponentes mais-valias financeiras e desportivas), Cardozo, Gaitán, Bruno César ou Garay (entre aqueles que constam do nosso plantel, e cuja cobiça dos mercados garante largo retorno no caso de eventual cedência). Neste conjunto aleatório de jogadores está somado um investimento de mais de 40 milhões de euros, habilmente tornado possível e concretizado pela sagacidade dos dirigentes benfiquistas, mas que nas actuais circunstâncias, e com as crescentes dificuldades de acesso ao crédito, dificilmente poderemos ver repetido. Esta será pois uma das mais prováveis consequências da crise financeira em clubes como o Benfica, a qual irá obrigar a recentrar a nossa política desportiva em parâmetros alternativos - nomeadamente num melhor aproveitamento dos jovens oriundos da formação (e já vamos vendo alguns casos, como Nelson Oliveira, Miguel Vítor, David Simão, Luís Martins, Ruben Pinto ou Roderick), e provavelmente também num regresso ao mercado nacional, e à aposta em jogadores afirmados em território doméstico, coisa que, embora de forma ainda tímida, também já se vai verificando (vejam-se por exemplo, as recentes apostas em Jardel, ex-Olhanense, Artur Moraes, ex-Sp.Braga, Mika, ex-U.Leiria, e André Almeida, ex-Belenenses).

Tempos difíceis
Para além de uma diminuição da capacidade de investimento, também as receitas de bilheteira irão, necessariamente, sofrer quebras acentuadas. Por muito que os benfiquistas amem o seu clube, teremos de estar preparados para, nos próximos tempos, ver mais cadeiras vazias no nosso estádio (...e nos restantes) do que aquilo a que estávamos habituados. A situação actual obriga muitos portugueses a prescindir das despesas não essenciais, e por muito que o Benfica, com as vitórias que todos esperamos, constitua uma preciosa vitamina emocional para ajudar a ultrapassar um quotidiano extremamente complicado, a verdade é que, para muitos de nós, a ida ao estádio terá de deixar de ser uma rotina para passar a ser uma excepção. É natural que as receitas de quotização apresentem igualmente alguma quebra, pois também nesse caso, a depauperada carteira de muitos benfiquistas não deixará, infelizmente, muitas opções.
Por fim, mas não menos importantes, há que ponderar uma inevitável diminuição dos patrocínios, resultante do contexto difícil que, de igual modo, enfrentam muitos dos nossos parceiros comerciais. O próximo ano será de forte recessão, sendo que a publicidade é naturalmente uma das primeiras rubricas a sentir-lhe os efeitos.
Por tudo isto, mais do que nunca, a nossa equipa de futebol tem uma acrescida responsabilidade nas suas costas. É a ela, em primeiro lugar, que cabe atenuar (com vitórias, títulos, entusiasmo, valorização competitiva e atracção do público) todo este elenco de dificuldades que o horizonte próximo vai inevitavelmente colocar no nosso caminho."

Luís Fialho, in O Benfica

70%

"From: Domingos Amaral
To: Alan

Caro Alan
O que mais me chocou nas tuas declarações não foi a denúncia do suposto insulto racista com que Javi García te terá brindado, no qual não acreditei. O que mais me chocou foi teres dito que “70 por cento dos adeptos do Benfica eram negros”. Isso sim, foi um choque. Ó Alan, importas-te de repetir? É que, sabendo que existem 6 milhões de benfiquistas, 70 por cento dá o espantoso número de 4 milhões e 200 mil negros! Leste bem. Ora, asseguro-te que não existem 4 milhões e 200 mil negros em Portugal. Serão talvez 600 mil, não mais, e obviamente não são todos do Benfica. Em que benfiquistas estarias tu a pensar? Nos que vivem no Canadá, nos Estados Unidos, no Luxemburgo, em França, na Alemanha? É impossível saber. Penetrar nas profundezas do teu cérebro é difícil, há muita missanga a empatar. Assim sendo, suspeito que, além de seres um ignorante no que toca a percentagens e talvez devesses voltar à escola para aprender a fazer contas de cabeça, o mais grave em ti é veres a realidade de uma forma sempre distorcida. Pobre Alan, a tua mente anda tão torcida quanto as tuas tranças! O ano passado, Javi tocou-te no peito e tu agarraste-te ao pescoço! Este ano, depois de uma noite bem dormida, inventas insultos e proclamas barbaridades sobre o Benfica. Antigamente, à arte que tu tão bem praticas chamava-se falsificação. É o que tu és, um falsificador. Mas, para teu azar, és um falsificador incompetente, e a esses ninguém respeita. Até a aldrabar convém sermos bons, e tu és apenas medíocre. Ou melhor, és 70 por cento medíocre. O resto, que são os pés, até são razoáveis."


Tomba-gigantes

"Há muito tempo que os baptizaram com o inspirado cognome de 'tomba-gigantes'. São em regra pequenas equipas não profissionais, sem historial nacional nem responsabilidades especiais, que se agigantam quando têm em presença um adversário de peso e conseguem obter resultados que contrariam as previsões e as estatísticas.

Se porventura existisse uma ciência exacta para explicar estes fenómenos, por certo apontaria como causa para tão inesperadas vitórias a força interior que permitiu a David derrotar Golias, deitando por terra não só o gigante mas sobretudo o seu favoritismo.

Nas eliminatórias da Taça, alguns destes 'tomba-gigantes' já mostraram bem do que são capazes e dos verdadeiros milagres que a força anímica é capaz de produzir.

Em regra, não se encontram em causa, nestas situações, 'cachets' de monta ou inusitadas promoções desportivas.

O que está verdadeiramente em jogo é o amor à camisola, o brio, a vontade de vencer e muitas vezes até o bairrismo ou o regionalismo que tornam mais forte e irradiante o amor a um emblema e a uma terra. Muitos destes vencedores de circunstância trabalham a semana inteira em ofícios que pouco tempo lhes deixam para os treinos que os tornam aptos para os jogos decisivos. Mas fazem das tripas coração e correm atrás daquilo que amam, daquilo que mais profundamente os realiza. E levam com eles entusiásticos grupos de apoiantes, claques calorosas que fazem de cada um destes jogos decisivos uma página única das suas vidas.

É como se todos vestissem o fato domingueiro para estarem à altura de um cerimonial que não se compadece com a informalidade do improviso. E é assim que nascem verdadeiros heróis locais cujos feitos passam, pelos canais da memória colectiva, de geração para geração. É bom que estes exemplos frutifiquem entre os profissionais experientes, pois em matéria de entrega e de dádiva plena convém sempre aprender alguma coisa com quem deixa falar mais alto o coração."


José Jorge Letria, in O Benfica

Futebol incolor

"O tema já foi levantado nestas páginas pelo Manuel Arons de Carvalho, mas parece-me oportuno trazê-lo aqui de novo.

Sabemos que os novos tempos são marcados por um mercantilismo radical, e que a imagem (de pessoas, de países, empresas ou clubes) é hoje explorada até à exaustão.

Entende-se pois que os equipamentos alternativos sejam uma forma de rentabilizar a imagem dos clubes, traduzida, em grande medida, nas suas camisolas. A utilização de cores, eu diria, criativas, é pois um mal, não só aceitável, como necessário. Já o exagero nessa utilização me parece mais difícil de compreender.

Um destes dias assisti pela televisão a um Marselha-Arsenal, da Champions, e confesso que até aos minutos finais senti dificuldades em interpretar o jogo, pois o Arsenal sendo vermelho, surgia vestido de azul, ao passo que o Marselha, sendo azul, equipava estranhamente de vermelho. Na mesma competição, também não percebi porque motivo o Benfica não equipou de vermelho nos jogos de Bucareste e de Basileia, pois não creio que a nossa cor tradicional perturbasse a necessária distinção entre as equipas em campo. Recentemente, até no Hóquei em Patins, e em pleno pavilhão da Luz, deparei com um Benfica vestido de amarelo(?), justamente na primeira partida que disputou esta época.

A paixão por um clube é algo difícil de racionalizar, e nessa medida os símbolos são o que resta de um desporto marcado por grande volatilidade de atletas e técnicos (outrora figuras geradoras de afectos e fidelidades, de que o nosso Eusébio terá sido o mais expressivo paradigma). Por este motivo, entendo que as camisolas, assim como os emblemas, são algo que não podemos tratar com ligeireza, sob pena de empurrar o objecto das nossas paixões para o espaço de uma mera abstracção.

Há ocasiões suficientes, creio, para que a necessidade de utilizar equipamentos alternativos se possa cruzar com a oportunidade de os mostrar ao público, rentabilizando-os. Ir para além disso, parece-me perigoso e contraproducente."


Luís Fialho, in O Benfica

domingo, 13 de novembro de 2011

O circo chegou à cidade

"É frequentemente apanhado pelas repetições televisivas a atirar-se para o chão, a ludribiar o juiz da partida e a simular agressões que o fazem contorcer-se na relva com esgares de sofrimento extremo. Exibe extensões de cabelo enfeitadas e já alinhou pelo FC Porto. Não deve ser confundido com a personagem de Espaço 1999, Alan Carter, piloto das «Águias», mas é de facto um jogador de Futebol com queda para a dramatização. Ainda na temporada passada deu uma amostra do seu talento ao garantir que Javi Garcia ia para o balneário mais cedo, depois de uma cena dramática capaz de o candidatar aos óscares de Hollywood.

Pois bem, é esta mesma figura que pretende ser levado a sério e vem agora queixar-se de insultos xenófobos no decorrer do último Sp. Braga/Sport Lisboa e Benfica. Aponta o dedo novamente a Javi Garcia para que, em duas épocas consecutivas, o possa catalogar como reincidente. A esperteza saloia do actor leva-o a denunciar um único mau da fita e faz originar um julgamento público. O veredicto é encontrado, apenas, com base nas questionáveis declarações de um futebolista que gosta de iludir os homens do apito, pasme-se. Diria que isto serve apenas para desviar as atenções do que realmente importa. É que neste momento já ninguém fala dos três apagões, intrigantes imponderáveis testemunhados na 'pedreira' quando se registava um empate a zero no encontro. As manobras de diversão, fazendo uso das declarações de Artur Moraes e das alegadas ofensas de Javi Garcia dão muito jeito para que se olvide a parte gaga das quebras de energia. Três apagões, três, num jogo contra o Benfica, oportunos em véspera de jogos das selecções, tendo o Benfica vários internacionais no plantel. O adiamento penalizar-nos-ia muito mais, eles sabiam-no. Onde está a verdade e a mentira de tudo isto? E o circo que se montou à volta vai ficar estacionado até quando?"


Ricardo Palacin, in O Benfica

Truques

"O técnico do Benfica, Jorge Jesus, fez votos para que o jogo em Braga decorresse 'dentro da normalidade', sem 'casos fora do jogo' e 'sem truques'. Mas, por muito que saiba do Mundo do Futebol e dos truques do Sistema, Jesus não teria provavelmente imaginado o truque das luzes, evento que obscureceu o futebol no Estádio Municipal de Braga. Talvez estivesse a prever o truque do penálti. Afinal, aquele árbitro é repetente em penalties inventados contra o Benfica e não aprendeu nada quando foi para o jarrão por causa de um penálti que só ele viu de Yebda sobre Lisandro, cuja conversão evitou ao FC Porto uma derrota em casa frente ao Benfica. Mas o truque das luzes não teria passado pela cabeça de ninguém.

E, no entanto, foi com jogos de luzes que o Estádio Municipal de Braga quebrou o ímpeto, o ritmo e a concentração do Benfica - equipa com jogadores mais tecnicistas que os «guerreiros» bracarenses - alterando a Verdade Desportiva, às escuras. Três longas interrupções, por inexplicadas quedas de iluminação, mergulharam o Futebol em mais um apagão do Sistema. Claro que vão surgir tentativas de explicação: que foi falha técnica, erro humano ou bruxedo. Mas, se fosse possível perguntar a Sherlock Holmes porque razão as luzes do Municipal de Braga se apagaram três vezes nos primeiros 45 minutos de jogo, ele interrogar-se-ia sobre quem tirou proveito dos factos. E a verdade é que com o que se passou em Braga aproveitaram a mentira desportiva organizada, o Sistema e os seus mentores, padrinhos e afilhados. E o único que perdeu com as trevas de Braga foi o Clube da Luz."


João Paulo Guerra, in O Benfica

Apagões e soluções

" 'Sempre que o Benfica se desloca a Braga acontecem coisas estranhas'. A declaração foi proferida por Artur, guarda-redes 'encarnado', transferido esta temporada justamente do clube nortenho. 'O mais engraçado é que, quando o Braga marcou, a luz não voltou a apagar-se', também adiantou Artur, sugerindo marosca na coisa.

Os três apagões no reduto bracarense, na primeira parte do embate, foram inadmissíveis. Houve ou não acção voluntária? Ainda que não houvesse, as suspeitas são legítimas. Claro que tão bizarro acontecimento não explica, na totalidade, o empate averbado pelos comandados de Jorge Jesus. Ainda assim, o técnico do Benfica, no rescaldo do despique, explicou bem quão condicionantes foram as três pausas no rendimento global e individual do colectivo benfiquista.

Que dizer da igualdade registada em Braga, poucas horas depois do FC Porto ter deixado dois pontos em Olhão? O resultado, não sendo o melhor, até serve as nossas aspirações. Bastará recordar que, nos últimos dois anos (inclusive na temporada do título de 2009/2010), o Benfica baqueou sempre no terreno arsenalista. Foi assim nos dois jogos a contar para a Liga nacional, foi assim na partida da meia-final da Liga Europa.

Na liderança repartida com o FC Porto, a recepção que se avizinha ao Sporting recrudesce de importância, tanto mais que o arqui-rival de Alvalade está apenas separado por um ponto. O triunfo no jogo, desfecho de todo questionável, poderá traduzir-se num importante elixir com vista ao futuro competitivo da turma vermelha na mais importante das provas domésticas. Depois do apagão de Braga, a solução é mesmo um luminoso triunfo perante o Sporting."


João Malheiro, in O Benfica

Muito mau...



Sporting 26 - 17 Benfica



Não vi o jogo, quando liguei para a RTP 2 o jogo estava empatado a 3, mas quando vi a cara dos árbitros, mudei de canal, não valia a pena, o Benfica ia perder... Provavelmente, hoje, as razões até foram outras, mas mesmo se os jogadores do Benfica estivessem a jogar bem (o que parece não ter sido o caso), o resultado final seria parecido. O mais extraordinário é que 1/3 dos jogos do Benfica são apitados por estes meninos!!!

Numa semana complicada, este foi o pior 'começo' possível, agora a vitória com o Águas Santas é obrigatória, com pena de a meio da 1ª fase, ficarmos fora da corrida... A equipa nas últimas jornadas até estava a jogar bem, a inconstância tem sido uma marca desta equipa, mas desta vez espero que o problema tenha sido a paragem do Campeonato (para os jogos particulares da Selecção), sendo que se exige uma reacção energética!!!

sábado, 12 de novembro de 2011

Com seriedade (e qualidade), ganha-se prestígio, simples...!!!



Galatasaray 0 - 2 Benfica



Com competência, sem desiludir, com entrega e eficiência... Que bonito ver a braçadeira de capitão no Saviola... continuo a gostar das indicações do Mora (protege muitíssimo bem a bola de costas para o defesa)... o David Simão teve inconstante... Não é dos jovens mais 'falados', mas o Cafú entrou muito bem no jogo (um jogador que tem feito a formação ora jogando a trinco, ora a ponta-de-lança!!!)... tenho muitas esperanças no Paulo Teles, gosto de ver jogadores a jogar de cabeça levantada... tenho pena que o Rúben Pinto continue a não ter oportunidades para jogar alguns minutos na sua posição natural... Missão cumprida.

Invencibilidade

Guimarães 60 - 93 Benfica


Com o adversário, mais uma vez, a apostar tudo nos triplos, respondemos com ainda mais triplos!!! Só houve equilíbrio no 1º período, jogo bastante agradável... Os 33 pontos de diferença até sabem a pouco, tal a diferença, só uns últimos minutos em descompressão explicam vantagem tão curta!!!

Isolados no comando...



Benfica 4 - 1 Braga

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Lamentável

"1. Lamentável. Como é que um estádio (e para mais moderno) de um dos principais clubes nacionais sofre uma avaria na electricidade que aparece e desaparece várias vezes? Culpa do clube? Culpa da autarquia? É, pelo menos, lamentávle, tanto mais que as condições atmosféricas estavam normais. O haverá algo mais?

2. Lamentável também. Enquanto o jogo estava interrompido, a claque bracarense repetiu até à exaustão os insultos ao Benfica que são habituais nas claques do FC Porto. Não apoiam o seu clube, insultam o adversário. Nada a que não estejamos já habituados. O triste é que em Braga se sigam os maus exemplos de um clube que é internacionalmente conhecido pelos piores motivos.

3. Lamentável igualmente. Mais uma vez o árbitro Pedro Proença marcou um penálti forçadíssimo (quase diria inexistente) contra o Benfica e não marcou um outro (sobre Luisão) que a transmissão televisiva mostrou claramente. Mais uma vez fomos fortemente prejudicados.

4. Lamentável ainda. A falta de comparência da formação espenhola do Liceo da Corunha à final da Taça Contimental do Hóquei em Patins, frente ao Benfica. Conquistámos o título mas sem o sabo que constituira uma vitória em campo. Um clube campeão europeu deveria ter mais respeito pela modalidade, a principal prejudicada com esta ausência.

5. Regressando ao Futebol. Um ponto apenas separa os três grandes, concluindo que está o primeiro terço do Campeonato. Mas o Benfica já foi ao Porto e a Braga (para além da sempre complicada Choupana). E, para além do FC Porto-Benfica e do SC Braga-Benfica, ainda faltam todos os restantes jogos entre os quatro primeiros dos últimos campeonatos... As perspectivas são optimistas mas a equipa terá que o confirmar em campo, onde não tem estado tão bem como na primeira fase do Campeonato e em alguns jogos europeus..."


Arons de Carvalho, in O Benfica

Pode ter sido o ponto do título

"O empate em Braga teria sido positivo, mais ainda depois do Porto ter empatado em Olhão, não tivesse sido obtido num jogo tão manhoso. Este Braga, embora organizado, não está tão forte como nas últimas épocas. Aos três minutos houve uma expulsão perdoada ao jogador do Braga, aos 13 penalty sobre Luisão não assinalado, no 30.º minuto de desconto da primeira parte existe penalty muito discutível que marca a atitude de um árbitro cujo critério mais conhecido é prejudicar o Benfica para mostrar isenção. Lamento porque tinha tudo para ser dos melhores árbitros da Europa.

Se não tem condições para arbitrar o Benfica, Pedro Proença pode pedir escusa dos jogos encarnados, é melhor que fazer uma carreira com erros grosseiros e sistemáticos em prejuízo do clube de que se diz adepto. Eu se fosse árbitro não teria capacidade de isenção para arbitrar o Benfica, reconheço, digo isto na profunda convicção que Pedro Proença é dos melhores árbitros portugueses e um homem sério.

Estiveram menos de 18 mil adeptos em Braga, a maior parte dos quais adeptos do clube minhoto, esta realidade é o corolário da derrota da estratégia seguida pelo clube da Cidade dos Arcebispos, sistematicamente satelizado nas suas atitudes e criando um clima de guerra e intimidação constantes nas deslocações do Benfica a Braga. A verdade e que se o Braga tem conseguido resultados desportivos, (o Benfica vinha de três derrotas em Braga) também é verdade que Braga passou a ser um sítio onde a generalidade dos benfiquistas não gostam nem querem ir, um lugar onde o futebol deixou de ser uma festa. Como diz Artur, em Braga «acontecem coisas», ora o túnel é armadilhado, ora os jogadores simulam faltas, ora não há luz, ora falta água quente, ora o speaker irrompe os jogos com provocações. É tudo por acaso, mas também por acaso há quem não acredite. Tenho pena porque gosto do Braga desde pequeno. Espero que este tenha sido o ponto do título."


Sílvio Cervan, in A Bola

O aeroplano

"Certamente todos vocês se recordam daquele filme enlouquecido de perfeito 'nonsense' que levou o nome de 'Airplane', em português 'O Aeroplano', realizado por Jim Abrahams e pelos irmãos Zucker. O 'American Film Institute' considerou-o o décimo filme mais engraçado de todos os tempos. Ora, se os senhores do 'American Film Institute' tivessem visto a versão recente da obra levada à cena há uns dias, sem Leslie Nilsen mas com D. Palhaço numa interpretação inesquecível, talvez o elegessem como o filme mais grotesco de todos os tempos. É verdade que a fita só foi vista pelos próprios actores e que as versões divergem quanto ao conteúdo. Há até quem diga que chegou a ter minutos de suprema pornografia, senão visual pelo menos vocabular, com insultos a esmo e, tal e qual como na versão original de 1980, peixe estragado a ser servido aos passageiros.

A sarrafusca foi de tal ordem que, de repente, o Madaleno começou a esvaziar como um balão. Lembram-se do filme? Lembram-se de Otto, o piloto automático insuflável? Pois eis que o passageiro do lugar 2A começa a largar ventosidades e nem por isso agradavelmente perfumadas. Pânico a bordo! Três pessoas acorrem em auxílio do arfante; as restantes continuam a ler jornais, a dormir ou a jogar às cartas, já enfastiadas de tanto flato por parte da atolambada figura. Entra então em cena a marafona que, tal como a Eleine do filme, trata de lhe soprar flebilmente no pipo que o pândego esconde no umbigo. Há quem vire a cara, enojado, à medida que a jovem flausina arfa no seu esforço de o devolver às medidas convencionais. É um espectáculo deprimente. O Madaleno ganha, finalmente, cor. Aquele tom amarelado de quem tem a bílis a percorrer toda a corrente sanguínea.

Quando desembarca já é chamborgas do costume, cheio de goela e bazófia. Mas todos nós sabemos que é apenas um bufão insuflável."


Afonso de Melo, in O Benfica

Coisas estranhas

"Antes do início do jogo, o treinador do nosso Benfica pediu apenas que, desta vez, em Braga, não ocorressem “coisas estranhas”.

Findo o jogo, constatámos que todo ele foi feito, mais uma vez, de coisas estranhas. Estranhamente faltou a luz por três vezes, durante a primeira parte do jogo. A EDP terá declinado responsabilidades, quem tem responsabilidades em organizar o jogo diz que é alheia a qualquer responsabilidade, o presidente da Liga de clubes demite-se de responsabilidades e de apurar responsáveis – nada de novo, vindo de quem vem – e o próprio Braga, num comunicado que poderia fazer parte do anedotário nacional, ainda acaba por ameaçar quem ousar questionar as suas hipotéticas responsabilidades no sucedido. Pela minha parte, quando as coisas são estranhas, questiono e não é com ameaças mais ou menos veladas que deixarei de as questionar. As coisas estranhas começam a acontecer com uma tal recorrência naquele estádio, aquando das visitas do nosso Benfica, que seria cegueira não as questionar.

Por falar em cegueira, pergunto-me o que terá levado o árbitro do jogo, o inefável Proença, a não querer ver uma grande penalidade sobre Luisão, uma agressão de Djamal a Gaitan, uma entrada violentíssima de Alan sobre Javi Garcia e a querer ver uma muito discutível grande penalidade do Emerson. Não incluo a exibição do senhor Proença no rol das coisas estranhas, pois a sua carreira habituou-nos a decisões deste teor, sempre extremamente criteriosas, que fazem dele um digno sucessor de árbitros da estirpe de Jorge Coroado ou Fortunato Azevedo.

Para finalizar, deixo ainda uma palavra a Alan e à sua indignação perante as palavras que, supostamente, Javi Garcia lhe teria dedicado. Alan habituou-nos a duas coisas: a enganar, através da simulação de agressões, a verdade desportiva; e a obedecer, de forma solícita, às orientações que lhe são dadas pelos seus superiores. Logo, não estranho as suas declarações, estranho o crédito que alguns lhe dão."


Pedro F. Ferreira, in O Benfica

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Foi um extraterrestre que apagou as luzes (ou Artur e as «coisas do outro mundo»)

"Para Artur explicar «coisas do outro mundo» que acontecem em Braga terá de provar que quem desligou a luz foi um alienígena ou um saco de ectoplasma vindo do Além


DE todas as coisas inacreditáveis que se passaram e se disseram em Braga desde que o Benfica foi lá jogar, a mais inacreditável de todas é, por sorte, logo a única que está documentada.

Sim, sim temos foto!

A coisa que seria mais improvável de ocorrer em nome do bom senso, da harmonia e do progresso da civilização, a coisa verdadeiramente mais chocante triunfando sobre as demais nos capítulos da intolerância e da estupidez, é a única coisa que disponibiliza a imagem em flagrante do abuso cometido.

Certamente, será alvo de um inquérito não da Liga dos Clubes, que organiza os jogos de bola, mas do Ministério da Educação que organiza o resto, ainda que menos importante.

Na terça-feira, o bom do Mossoró, que joga no Sporting de Braga, visitou a escola EB 2-2 de Celeirós, uma freguesia bracarense, e um aluno «foi aconselhado a não assistir à sessão de autógrafos, não fosse a sua presença ser confundida como uma provocação», como se podia ler ontem neste jornal. E não só ler.

Ver também porque A BOLA publicou uma fotografia - que aposto que não é forjada - de um rapazinho com uma camisola do Benfica encostado a uma parede a ouvir as explicações, depreende-se, de uma senhora mais velha que não se sabe quem é. Poderá ser uma professora, uma mãe, uma funcionária ou mesmo alguém que goste de aparecer em fotografias.

O rapaz tem um sorriso maravilhoso.

Não mostra o menor temor pelo acto de segregação de que está a ser alvo nas instalações de uma escola do Estado português.

Está a sorrir de frente para eles.


A Comissão de Disciplina da Liga decidiu multar esta semana o Sporting na quantia de 1700 euros por causa da pancadaria entre elementos de uma claque sua e as forças policiais no jogo de Alvalade com o Benfica, a contar para o campeonato de 2010/2011. O tal episódio de violência, amplamente documentado pelas câmaras, ocorreu a 21 de Fevereiro deste ano. Está quase a fazer um ano e a demora da decisão praticamente fez esquecer o despautério infelizmente comum nos nossos bonitos campos.

Assim sendo, ainda bem que a Liga não vai abrir nenhum inquérito às três falhas de luz que obrigaram a interromper o jogo por três vezes numa primeira parte que, por isso mesmo, teve 37 minutos de tempo de compensação.

Aparentemente, ouvindo o presidente da Liga e futuro presidente da Federação a falar, foram mais do que suficientes as explicações fornecidas em pleno camarote VIP do estádio Axa para que Luís Filipe Vieira e o próprio Fernando Gomes se considerassem esclarecidos sobre o invulgar episódio eléctrico.

No entanto, é bem possível que a Liga abra um inquérito às acusações trocadas publicamente entre Artur e Alan.

Artur, por exemplo, está tramado com a analogia que escolheu. Agora vai ter de provar aos juízes da Liga que em Braga, sempre que o Benfica lá vai, «acontecem coisas do outro mundo». Não vai ser fácil para Artur, neste mundo, justificar o que afirmou sobre a recorrência das manifestações anti-benfiquistas do além. Para se safar ao castigo terá de provar, para além de qualquer dúvida razoável, que quem fechou por três vezes a luz do estádio foi um extraterrestre ou um saco de ectoplasma ou um alienígena ou uma alma penada, enfim, qualquer coisa «do outro mundo».

Alan também se desgraçou um bocadinho com a analogia que escolheu em defesa da inocência dos cortes da luz. «Falha de electricidade é um erro técnico o que acontece. Quando o FC Porto foi à Luz ligaram o sistema de rega», disse.

Disse e esticou-se.

Porque não há ninguém que acredite que a ligação do sistema de rega (quando o tal jogo tinha acabado, o que já faz a diferença) na Luz «foi um erro técnico» que aconteceu, pois não?

Alan terá levado longe de mais o seu esforço na ânsia de grande profissional que quer defender o bom nome da sua entidade empregadora mas que, por excesso de voluntariedade e pouco tino, acaba por cometer um lapso de analogia que era absolutamente dispensável.


ALAN não fez uma exibição muito inspirada contra o Benfica e até parece que só acordou para o jogo 24 horas depois de Pedro Proença ter apitado para o fim da contenda. Acordou e acusou Javi Garcia de lhe ter chamado «preto», a ele que «preto eu, não, é negro».

A frase é confusa, admita-se.

Não é claro se Alan está a querer dizer que não é preto, que é negro. Ou se Alan está a querer simplesmente explicar-nos em que língua é que Javi o insultou, visto que em língua castelhana não existe «preto», só se usa o «negro».

Este vai ser um inquérito difícil para os juízes da Liga. Até porque todos sabemos que não há prova documental dos insultos visto que Alan acabou com o suspense afirmando que o jogador espanhol do Benfica «pôs a mão à frente da boca» quando falou. Para ninguém lhe poder ler os lábios, estão a perceber?

Lá mais para os Santos Populares teremos notícias destes inquéritos.


A selecção começa amanhã o seu mano-a-mano com a Bósnia Herzegovina. Hélder Postiga, que tem sido titular indiscutível na equipa de Paulo Bento, disse no início da semana que «atrapalha mais a chuva» do que as declarações de Bosingwa, o lateral-direito do Chelsea que o seleccionador preteriu em favor de João Pereira e de Sílvio.

Postiga saberá com certeza do que está a falar e bem pode ter razão. Quem lá está dentro é que sabe, como se costuma dizer. Mas a verdade é que se todas as equipas e selecções inevitavelmente se renovam, no caso da selecção portuguesa nos últimos largos tempos não houve renovação que não tivesse o seu quê de contencioso ou de purga, desde o cortejo de abandonos por vontade própria ao vigoroso índex dos malquistos por vontade alheia. Que amanhã não chova para vermos se isto acaba tudo em bem e ao som do Hino Nacional.


O seleccionador da Bósnia-Herzegovina diz que a selecção portuguesa defende mal. É verdade que sim, defendeu muito mal nos últimos jogos. Aliás foi por aí que engrossou o maior caudal de críticas à equipa de Paulo Bento.

Os adeptos portugueses foram logo os primeiros a apontar essa fraqueza e os comentários foram na generalidade produzidos com a maior sem-cerimónia para a qualidade e entrosamento dos nossos jogadores mais recuados.

Agora veio um senhor bósnio-herzegovino dizer exactamente a mesma coisa e o país sentiu-se ofendido. Somos assim. Para dizer mal de nós, estamos cá nós primeiro. Aos outros, exige-se respeito, muito respeitinho.


NAS próximas eleições para a Federação Portuguesa de Futebol o Sporting joga deliberadamente ao ataque em dois tabuleiros. E, portanto, sairá sempre vencedor o que tem as suas virtualidades.

Godinho Lopes reitera a cada momento o seu apoio a Fernando Gomes, de acordo com as notícias de todos os jornais. Luís Duque, de acordo com o Correio da Manhã, mantém-se inabalável na campanha por Carlos Marta ao ponto de «ameaçar mandar regressar a Alvalade já em Dezembro» os jogadores que o Sporting emprestou aos clubes da Associação de Futebol de Lisboa que assinaram a convocatória da assembleia-geral que visa destituir Marta, o actual presidente da AFL.

Estas eleições da FPF estão como o universo, em expansão. Não só vão decidir quem vai suceder a Madaíl na presidência do referido organismo de utilidade pública, como também vão decidir quem manda nos árbitros e nos delegados e, como se já não bastassem tantas decisões num acto só, vão também sufragar quem é que verdadeiramente manda no Sporting.

Atenção, portanto, ao dia 10 de Dezembro."


Leonor Pinhão, in A Bola

Mãos fortuitas

"Os penáltis são golos quase certos. Portanto, os árbitros não podem assinalá-los por dá cá aquela palha ou em lances duvidosos.

Um dia destes, num jogo decisivo – pois decidia o último classificado –, vi o árbitro punir uma mão casualíssima (que ditou o vencedor), ainda por cima 5 minutos depois da hora!

No domingo, em Braga, vi um avançado centrar, um jogador do Benfica virar as costas, a bola bater-lhe num braço encostado ao corpo e o árbitro assinalar penálti. O resultado estava em 0-0.

Hora e meia depois, em Alvalade, vi um jogador do Leiria estender a perna à bola, cortar, a bola raspar-lhe na mão e o árbitro marcar penálti.

Uma vez o árbitro Pedro Henriques explicou que uma bola que ressaltasse do pé do jogador para a mão nunca podia ser penálti – porque o penálti exigia intencionalidade e a distância entre o pé e a mão é demasiado curta para isso. Mas a toda a hora marcam-se faltas destas!

Ora isto, senhores árbitros, não pode acontecer! É um desrespeito para com os jogadores – que andam 90 minutos a correr e veem esse esforço tornar-se inglório por um erro vosso –, um desrespeito para com o público e um desrespeito para com a verdade.

Senhores árbitros: tal como os juízes no tribunal, os árbitros dentro do campo não podem ser executores cegos das leis. Têm de ter bom senso. Não devem transformar mãos fortuitas (e lances inofensivos) em golos quase certos! Só devem marcar penálti quando tiverem a certeza da gravidade da falta e de que houve intenção. Não falseiem os resultados. Isso não dignifica o futebol e não contribui para a verdade desportiva!"


José António Saraiva, in Record

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Caldeirada

"Um plano televisivo sem legendas mostrava-nos os presidentes do Braga, do Benfica e da Liga, firmes, hirtos e com caras de estarem sentados sobre uma almofada de punaises. No relvado, o espetáculo tinha parado por falta de corrente elétrica, enquanto nas bancadas da Pedreira energia era o que não faltava, fazendo ecoar por todo o país os sons da falta de civismo que grassa no reino.

Imaginar o que passava pelas mentes daqueles três Césares à varanda do Circus Maximus transporta-nos para o domínio do surreal, ao invés da premissa de dignificação de um espetáculo de qualidade, credibilidade e seriedade. O estádio de Souto Moura, oitava maravilha da arquitetura desportiva, entrava no anedotário das histórias mal contadas, por negligência do eletricista, com a sua caldeira topo de gama a oferecer aos visitantes o prazer de um duche frio em cima da banhada tática que lhes custara a liderança isolada do campeonato.

Os caprichos de um fusível ou de um termoacumulador não entravam no imaginário do “outro mundo” a que aludiu o guarda-redes Artur Moraes, sem menosprezar o seu conhecimento de causa, mas enfileiram agora na galeria das distrações a que um determinado sector recorre por sistema.

Porém, a falta de água quente que suscitou uma defesa da honra pela SAD minhota e um salomónico esclarecimento do chefe da Liga, testemunha da caldeira danificada, nada significa quando dois dos intervenientes no jogo acusam um adversário de insultos racistas. É uma situação extremamente grave que carece tomadas de posição firmes de cada um dos caudilhos da tribuna Axa, embora tenda a evoluir à revelia das instituições a caminho do poço sem fundo dos processos disciplinares hipócritas em que estes dirigentes normalmente expiam suas gafes e incongruências.

Liga e Federação vêm há anos encolhendo os ombros ao recrudescimento do fenómeno decorrente das manipulações em torno da famigerada Regionalização que foi colocando os genuínos em pé de guerra contra “mouros” e “espanhóis”, consoante as cores das camisolas. Os insultos contínuos, histriónicos e provocadores animaram a banda sonora daquele jogo até ao primeiro apagão, gritando seu ódio agudo para todo o país ouvir e se amedrontar.

Apesar da aposta declarada numa divisão dos portugueses em azuis e encarnados como forma de fortalecer as lideranças, ninguém, até ontem, associara tal antagonismo regionalista em sementes de racismo, perturbadores da sociedade. As hostes “organizadas” com o patrocínio dos clubes e SAD violam a lei antiviolência com assustadora frequência sem que, até hoje, esse mecanismo, dos mais avançados da Europa, tenha sido acionado por quem de direito, custando milhões ao erário público em operações de segurança pública.

Nenhum dos candidatos a presidente da Federação mostra preocupação com o perigo de explosão desta caldeira de intolerância que vem transformando as confortáveis bancadas das nossas pérolas de arquitetura desportiva em trincheiras para uma comandita alienada. A caldeirada que os desassossega é diferente, embora também vista de preto."


Ter razão?

"Tinha razão Jorge Jesus quando afirmou que o Fussball Club Basel 1983, mais conhecido por Basileia, era «como um relógio suíço». Vem de muito longe a fama dos ditos relógios da Confederação Helvética: são absolutamente certinhos. Não adiantam nem atrasam. Tal como o jogo da Luz, que acabou como começou: empatado. Não adiantou (não garantiu o apuramento), nem atrasou (não prejudicou a probabilidade de apuramento).

Tinha também razão Vítor Pereira quando, após o jogo no Porto contra o Athletic Football Club of Greeks of Nicósia, mais conhecido pelo acrónimo Apoel, disse que o empate não tinha sido contra «uma equipa qualquer» (é o 75.º clube do ranking da UEFA). Em Nicósia, capital de Chipre (e não do Chipre, como teimosamente se ouve amiúde e se escreve até em A BOLA), viu-se por que razão o treinador portista tinha razão. O APOEL não é uma equipa qualquer.

Tinha, por fim, razão Domingos Paciência quando antes do jogo nos Cárpatos romenos contra o FC Vaslui, fundado há 9 anos e ocupando o lugar 141.º da UEFA, afirmou que «será jogo difícil pois o Vaslui a jogar em casa á complicado e vai querer fazer um grande jogo». De facto, o Vaslui fez um «grande jogo» e o Sporting não alcançou a sua 11.ª vitória consecutiva perante o mais poderoso dos seus últimos onze adversários.

Num contexto assim tão adverso, Portugal fez 4 em 12 pontos na jornada europeia, graças ao Braga que derrotou o gigante Maribor (206.º do ranking).

Paulo Bento não quer ficar atrás: «temos 50% de hipóteses» disse sobre o jogo com a 32.ª selecção europeia: a Bósnia.

Basta de ladainhas de autodefesa perante equipas sofríveis ou mesmo liliputianas. Metam pressão sobre os adversários e não medo aos vossos jogadores."


Bagão Félix, in A Bola