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— SL Benfica (@SLBenfica) November 2, 2025
Últimas indefectivações
terça-feira, 4 de novembro de 2025
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Critérios, outra vez. Até quando?
"📌 Ontem, em Alvalade, voltou a haver aplicação dos critérios que beneficiam o Sporting CP.
📌 Com o resultado empatado a zero, o corte em falta de Diomande sobre uma jogada de golo iminente do Alverca deveria ter resultado em expulsão.
📌 O árbitro António Nobre não assinalou correctamente e o VAR não interveio, apesar do protocolo assim o exigir.
📌 Esse árbitro foi o mesmo que na época passada, no jogo SL Benfica-Arouca, assinalou uma grande penalidade que teve grande impacto no campeonato e manteve o erro mesmo após chamada do VAR, a famosa rasteira com a cabeça!
📌 Essa decisão custou dois pontos ao Benfica e impediu-o de chegar à liderança, já que no dia seguinte o Sporting foi beneficiado com uma penalidade não assinalada a favor do Sta Clara.
📌 Nessa jornada, o Benfica deveria estar com quatro pontos de avanço sobre o Sporting, mas devido a erros de arbitragem terminaram empatados. E foi assim que se chegou ao jogo decisivo da Luz.
📌 De uma época para a outra, a tendência mantém-se: vários jogos mostram favorecimento evidente do Sporting na aplicação dos critérios. Até quando?
📌 Exige-se uma reforma profunda da arbitragem, para repor justiça e equidade no futebol português.
Do meu lado, várias medidas concretas estão apresentadas no livro “A Nossa Camisola”."
Um lince ibérico anulado por um centímetro
"Esta semana alguém escrevia no X que a inteligência artificial (IA) está a levar a que sejamos ou tenhamos um VAR constante na nossa própria vida.
Já não posso ver um vídeo com bebés e cães a confraternizar, pessoas a cair de barcos, ou qualquer outro insólito que em tempos servia para encher programas de televisão como o ‘Isto só Vídeo’ (os quarentões entenderão a referência) sem me questionar se será mesmo verdade. Onde foi parar essa inocência? E não conta perguntar a uma IA se aquilo é IA. Se temos de perguntar é porque já se foi longe de mais.
Na semana passada, ao ver o vídeo de um lince ibérico branco (o termo certo é leucístico, com algumas diferenças do albino), que alegadamente nunca tinha sido observado, primeiro fiquei maravilhada. Foi filmado em Jaen, no sul de Espanha. Depois, com o passar dos dias, pensei ‘não pode ser verdade’ - e quanto mais via o vídeo, o animal, de tão grande, já parecia mesmo uma pessoa com um fato, como aqueles vídeos de má qualidade que alegam ser o ‘Pé Grande’, ou alguém a fazer uma audição para o musical Cats. Por fim, o jornal El País apresentou uma terceira via: o lince – uma fêmea chamada Satureja -, embora verdadeiro, não é leucístico: o branco da penugem tem causas ambientais ou é stress, de acordo com programa de recuperação do lince ibérico na Andaluzia, que monitoriza os animais da região. Não há ainda explicação.
Quem também deve sofrer com stress e não acredita no que está a ver serão as pessoas que veem um golo anulado por um fora de jogo de um centímetro. Aconteceu ao Benfica, com golo de Sudakov, já aconteceu a outros clubes e vai continuar a ser assim quanto mais afinada for a tecnologia de fora de jogo usada pelo VAR, que chegou a Portugal em 2017.
Fazendo de advogada do diabo, quem é que beneficia de uma fora de jogo de 1 centímetro? Ou 5? Podemos defender, sem exceções, a tolerância zero, ou admitir, por exemplo, que 50 centímetros seria um número aceitável - mas aí, por outro lado, quem fosse apanhado com 51 centímetros ou 49 não continuaria a ter o mesmo sentimento? A alegria de festejar um golo, e sobretudo mantê-la, foi manietada aos adeptos em benefício, é certo, de mais verdade desportiva, mas qualquer dia nem com um inédito lince ibérico branco se pode vibrar."
De parvoíce em parvoíce até à parvoíce final
"Carlos Vicens é um jovem treinador talentoso e, se tudo correr bem, vai lá chegar. O SC Braga jogou muito bem no Dragão e, se retificar o pormenorzinho de rematar mais e melhor, pode vir a deslumbrar...
Quando eu tinha a idade dos meus mais novos camaradas escrevia mais parvoíces do que escrevo agora. É natural. Embora, por vezes, continue a escrever muitas e ainda mais buriladas parvoíces. Já escrevi, por exemplo, que o treinador do futuro era Domingos Paciência. Para já, apesar da final da Liga Europa de 2010/2011 e do 2.º lugar na Liga em 2009/2010, a minha aposta não resultou. Não era propriamente uma parvoíce, antes uma aposta no cavalo (salvo seja) errado. Também já escrevi (ou pelo menos pensei) que Sérgio Conceição, com aquela personalidade explosiva, nunca daria treinador de top. Ideia fortemente candidata a maior parvoíce de todos os tempos. Lembro-me muito bem de na final da Taça de Portugal de 2012/2013, ganha pelo V. Guimarães de Rui Vitória ao Benfica de Jorge Jesus, ter escrito qualquer coisa como isto. Depois do que Cardozo fez a Jesus em pleno relvado do Estádio Nacional, empurrando-o, discutindo com ele à vista de todos, só uma de duas coisas poderia acontecer: o treinador ou o avançado não estariam no plantel do Benfica de 2013/2014. E que aconteceu? O Benfica de Jesus foi campeão nacional e Óscar Cardozo marcou 11 golos na Liga. Parvoíce das parvoíces, claro está.
Quando eu tinha a idade dos meus mais novos camaradas, repito, escrevia mais parvoíces do que escrevo agora. E agora avanço com uma que, daqui a uns tempos, pode ser forte candidata a maior parvoíce do final do primeiro quarto do Século XXI. Mas, mesmo assim, arrisco: César Peixoto vai chegar a um grande clube português. Não sei se no Benfica, FC Porto, Sporting ou, no mínimo, no SC Braga. Há uns anos, quando o antigo esquerdino de FC Porto e Benfica estava a começar a carreira de treinador, torci o nariz à potencial expansão da carreira de César a níveis superiores. Não me recordo, sinceramente, em que assentava esta minha tese. Sei apenas que não sentia segurança para afirmar que, sim senhor, acho que César Peixoto vai dar grande treinador. E ainda não me sinto cem por cento seguro. Mas, entre ficar em cima do muro, tentando não cair para nenhum dos dois lados para não me comprometer, salto para o lado daqueles que acham que o homem vai dar grande treinador. Para já, claro, com 19 pontos nas primeiras nove jornadas da Liga (recebe hoje o Santa Clara), está na quarta posição e, vencendo, manterá os dois pontos de atraso para o Benfica de José Mourinho. Se chegar aos 22, o Gil de Peixoto será uma das maiores surpresas dos arranques de Liga das duas últimas décadas. Só o Leixões de José Mota (2008/2009) e o Famalicão de João Pedro Sousa (2019/2020) foram mais surpreendentes, ambos com 23 pontos nos primeiros 10 jogos da Liga.
Já tive a idade de alguns dos meus camaradas mais novos e talvez, com a idade deles, escrevesse mais parvoíces do que escrevo agora (mas eles são jovens talentosos e, se tudo correr bem, vão lá chegar). Quanto a mim, foram milhares e milhares de carateres (talvez milhões) e, assim, o mais provável é ter escrito mais parvoíces do que eles todos juntos. E espero ainda escrever mais algumas, embora de forma involuntária. Voluntariamente, escrevo agora algo que espero não se venha a tornar uma parvoíce daqui até maio: Carlos Vicens é um jovem talentoso e, se tudo correr bem, vai lá chegar. O SC Braga jogou muito bem no Estádio do Dragão e, se conseguir retificar o pormenorzinho de rematar mais e melhor, pode deslumbrar nas próximas 24 jornadas."
Os clubes com alma não têm dono
"A recente mobilização de 85 mil sócios nas eleições de um clube desportivo revela muito sobre a natureza profunda do desporto português e vale uma reflexão.
À boleia das eleições num clube de futebol, o país lembra-se de que o desporto, antes de ser negócio, é pertença. Quando 85 mil pessoas se deslocam para votar, não estão apenas a escolher um presidente de um clube, estão a reafirmar uma ideia de comunidade, uma identidade coletiva. Estão a dizer, com o cartão de sócio na mão, que o clube ainda lhes pertence.
Lembro que isso já tinha acontecido no Belenenses durante a última década em várias eleições e no epicentro da guerra associativa contra uma entidade externa, nas últimas eleições no FC Porto e no Sporting e em momentos diversos no Marítimo, no Vitória e noutros clubes de menor nomeada, um pouco por todo o país.
Estes casos evidenciam que os sócios querem ter voz, querem participar, querem que os clubes continuem a ser deles.
Afinal continua a haver um lugar onde a democracia ainda se cumpre com fervor cívico, emoção genuína e filas dignas de um referendo histórico, esse lugar é nas eleições naqueles clubes desportivos, com história, que continuam a manter na sua base associativa a sua força motriz.
Ironias da vida: talvez o associativismo desportivo seja, hoje, o último reduto funcional da democracia portuguesa.
Lembro que o desporto português nasceu em moldes associativos com clubes de bairro, coletividades, dirigentes voluntários e sócios com voz. Eram estruturas cívicas, não empresas. A paixão estava no centro, não o capital.
Clubes como o Belenenses, o Benfica, o FC Porto, o Sporting, o Marítimo ou o Vitória, que não por acaso continuam a ser os maiores clubes nacionais, não são meras marcas registadas, são comunidades com alma. Têm militância, têm cultura, têm história e são lugares onde o sentimento de pertença ainda vale mais do que o valor das ações. «
Mas, nas últimas décadas, fomos convencidos de que o futebol devia modernizar-se. E a modernidade, dizem, fala a linguagem do capital. Assim nasceu a Lei das SADs, que prometia transparência e sustentabilidade, mas acabou por transformar clubes em empresas e sócios em figurantes. A paixão foi remetida para o folclore das bancadas, enquanto as decisões passaram a ser tomadas em conselhos de administração, sempre em nome da profissionalização.
A partir daí, muitos clubes deixaram de ser nossos para passar a ser deles, dos investidores, dos acionistas e dos consultores financeiros que percebem de tudo, menos de bola (ou de alma). O resultado é, em muitos casos, um paradoxo: clubes com dezenas de milhares de associados, mas sociedades desportivas controladas por minorias de capital.
No meio de tudo isto percebe-se claramente que os clubes que ainda resistem no modelo associativo, onde os clubes ainda detêm a maioria do capital social das suas sociedades desportivas (Belenenses, Benfica, FC Porto, Sporting, Vitória, Marítimo e outros), mantêm viva uma ideia fundamental: a de que o desporto é um bem cultural, não apenas económico. É essa estrutura que garante militância, fidelidade e valores que não se compram nem se vendem. Quando um clube pertence aos sócios, o erro de gestão é punido nas urnas; quando pertence a um investidor, é apenas deduzido no IRC. E, como já referi, esses clubes que mantêm a matriz associativa, não há como dizê-lo de outra forma, continuam a ser os maiores do desporto em Portugal.
Por tudo isto, é altura de repensar a Lei das SADs.
Depois de quase 30 anos de Lei das SAD’s (1997), o panorama não é famoso e é evidente a devastação de um conjunto de associações desportivas/clubes de relevância nacional ou regional com o desaparecimento ou envio para a irrelevância de nomes que eram incontornáveis no futebol português.
Do outro lado, do lado dos clubes tomados por investidores, não se conhecem exemplos de capital (talvez com uma lupa se encontrem um ou dois exemplos) que tenham formado sociedades desportivas de raiz ou que tenham investido em sociedades desportivas originadas por clubes e gerado uma matéria crítica duradoura do ponto de vista desportivo, da formação dos jovens e da relação com a comunidade.
Por isso, ou continuamos este magnífico caminho ou recentramos a lei das sociedades desportivas em função da natureza do desporto português, em que o núcleo essencial é o movimento associativo, sem prejuízo do mesmo poder coexistir com iniciativas empresariais puras (sociedades desportivas de raiz) ou iniciativas empresariais mistas (participação em sociedades desportivas originadas por clubes, respeitando o clube e a sua missão comunitária).
Talvez esteja na hora de dar um passo em frente, ou melhor, de olhar para o exemplo certo: a Alemanha, onde o sistema 50+1 garante que os clubes mantêm, pelo menos, 50% do capital mais uma ação nas suas sociedades desportivas. Em termos simples: o poder de decisão continua do lado dos sócios. O resultado? Clubes sólidos, finanças equilibradas e estádios cheios. A cultura desportiva é preservada, sem que se abdique da competitividade.
Portugal precisa de discutir seriamente um modelo semelhante.
Este último fim de semana mostra, sem margem para dúvidas, que quando lhes é dada a palavra, os sócios respondem em massa. Essa energia democrática não deve ser desperdiçada. Num país onde a participação cívica rareia, o associativismo desportivo continua a ser uma das mais vibrantes formas de exercício de cidadania.
Talvez o futuro do desporto português dependa justamente de recuperar essa essência — de voltar a pôr o clube antes da empresa, o nós antes do eu e a paixão antes do lucro."º
Patrich Morais de Carvalho, in A Bola
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