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domingo, 2 de novembro de 2025

Observador: E o Campeão é... - Quando há Pote, o leão nunca passa fome

Terceiro Anel: React - Mourinho...

SportTV: Primeira Mão - 💥 Palmeiras vence a LDU rumo à final! Surpresas na formação dos 3 grandes

DAZN: Europa - Fejsa sobre Ruben Amorim, Mourinho, e a dificuldade de jogar no Benfica

Abel, o verdadeiro Jesus


"Jorge Jesus, Abel Ferreira e Artur Jorge são muito mais que três sobreviventes no cemitério de treinadores que é o Brasil. São três vencedores da Libertadores. Mas cada um com marca única...

Há um denominador comum: são portugueses. Talvez encontremos ainda outro: têm espírito de conquista, de aventura e de vitória. Dito isto, são bem diferentes, mas igualmente credores de loas e de homenagens, porque triunfaram num dos cenários futebolísticos mais complicados do planeta, para um treinador de futebol: o Brasil. o ao pé da boca, o Brasil, estando longo do estigma de “cemitério de treinadores”, e, porém, um desafio constante aos técnicos, cujas folhas de serviços, passados alguns anos, têm de ver linhas aumentadas, tantas e, por vezes, tão breves são as estadias em cada clubes, em cada projeto.
Se há algo que, pela positiva, deve distinguir um dirigente ligado ao futebol de alto rendimento, é o absoluto respeito pelo fator tempo. O quinhentista espanhol Pedro Calderon de la Barca já o escrevia: «O tempo é aquele que, embora mudamente surdo, sem dizer nada… diz tudo!». E o tempo, sendo porventura o fator mais determinante para o sucesso de um projeto técnico no comando de uma equipa de futebol, é talvez o menos respeitado e observado pelos dirigentes de topo.
Avancemos para os treinadores portugueses de verdadeiro sucesso em terra de Vera Cruz: no Flamengo, Jorge Jesus. Uma velha raposa do treino, com sucesso em Portugal, acarinhado por milhares e odiado por outros tantos, por via das vitórias, claro, mas também por uma postura muito sui generis, privilegiando o diálogo mais básico e, talvez, mais direto e eficaz com os seus grupos de trabalho, e uma concepção de futebol muito prático, direto, organicamente voltado para o objetivo final: ganhar.
Pois foi assim que Jesus se tornou Rei num dos mais difíceis cenários brasileiros, o do Flamengo, gigante nacional e de galões no estrangeiro. Ganhou tudo o que havia para ganhar, incluindo o épico triunfo na Libertadores, em Lima, com direito a algo que Jesus sempre soube cultivar muito e bem: o soundbite. Depois dele, seria difícil (talvez impossível…), alguém português levar de novo o nome do país às páginas de história da mais importante competição continental sul-americana para clubes.
Entenda-se o desabafo de Jesus como geracional. Porque dois outros nomes deram sequência ao fantástico legado deixado pelo antigo técnico de Benfica e Sporting no Mengão. Abel Ferreira havia chegado há pouco e começava uma maravilhosa história no Palmeiras, bem distinto, na sua génese e agregação ao clube, de Artur Jorge, que entretanto, qual meteoro, chegava, via e vencia no Botafogo.
Aliás, o homem de Braga que aterrou no Rio de Janeiro e depressa conquistou o Fogão foi o quem mais próximo esteve da emergência de vitoria dos clubes brasileiros e da vulcânica mas quase episódica carreira num emblema do país. A sua saída, aliás, nunca foi bem digerida por responsáveis e adeptos do Botafogo. A bem dizer, com razão: mal explicada, mal despedida, mal resolvida, a coberto dos milhões de petrodólares que, certamente enriquecendo a conta bancária ao ponto de não necessitar, sequer, de treinar mais um dia que fosse, mancharam incontornavelmente a imagem de absoluto sucesso que Artur Jorge havia construído, um ápice, no Rio de Janeiro.
Resta Abel. Mais um Ferreira, dos muitos milhares que, com o mesmo apelido, e ao longo de séculos, atravessaram o Atlântico para se agregarem a novos costumes, a outro ritmo de vida e a uma concepção muito própria de emigração. Emigrante de luxo, Abel, que havia tentado episodicamente o PAOK, enfrentava de peito feito o desafio de fazer regressar o Verdão aos caminhos do sucesso interno. Mas a verdadeira ambição pairava no ar e radicava na realização dos sonhos continentais, com a (re)conquista da Copa Libertadores.
O que o duriense foi conseguindo, ao longo de cinco anos de consulado técnico na Sociedade Esportiva Palmeiras, é notável e quase inigualável, ao ponto de, pela generalidade da crítica brasileira, ser já considerado o melhor treinador da história do clube. Aos 46 anos, tem elementos, na sua personalidade, que não são apenas distintivos. São altamente reconhecidos e valorizados.
A humildade, essa ideia tão abstrata quanto comprovável por reações simples e transversais, seja pela paciência enorme com a acirrada media brasileira, seja pelo contacto direto, aberto, frontal e sincero com os adeptos que o aguardam à saída do Centro Capitão Adalberto Mendes, a Academia do clube. O foco, sempre presente na comunicação interna e externa, no modo muito particular de defender o grupo mas, também, de o confrontar perante as derrotas e as dificuldades de cada momento, na certeza de que, com a clareza do processo comunicativo, seriam ganhos trunfos essenciais para o prosseguimento do projeto.
A crença, que, no caso prático de Abel, nada tem de estranho ou sobrenatural, antes radica no processo, na sua orientação, na estratégia e nos meios, sabendo muito bem que, desta maneira e em absoluto respeito pelos seus métodos, estaria (e estará!) cada vez mais próximo de continuar a atingir patamares competitivos de excelência e, consequentemente, de sucesso.
Tão diferentes no método, na digestão das vitórias e na relação com o sucesso.
Tão iguais na vontade e na capacidade de mostrar que, afinal, os treinadores portugueses no Brasil podem, sobretudo, calar a boca a muitos e abri-la de espanto a tantos outros…

Cartão amarelo
Tem apenas 17 anos e, em si, todos os sonhos do mundo. Madalena Costa, madeirense e patinadora de excelência, sagrou-se campeã do Mundo. Mas não de juniores. É campeã do Mundo de seniores, mostrando destreza, fidelidade à sua paixão de sempre e qualidades de topo, fazendo dela um exemplo de dedicação à modalidade. Se o Hóquei em Patins, durante muitos anos, foi a vertente maior da patinagem, Portugal tem agora um extraordinário motivo de orgulho nesta estudante da Madeira. Ela, sim, campeã do Mundo.

Cartão Vermelho
É verdade que o rapaz não tem culpa de ser filho de quem é. E até pode vir a ser um bom jogador de futebol. Mas o desnecessário interesse mediático em torno de Cristiano Júnior já aborrece. Foi convocado para os sub-15, e parece que não havia mais ninguém nessa seleção a jogar e a marcar golos. Agora, com os sub-16, a mesmo coisa. É mau para as Seleções Nacionais, e muito mau para um jovem que, a vir a ser um bom futebolista, terá de o justificar por si, e com o tempo que, agora, muitos teimam em não lhe conceder."

Mbappé, Ronaldo, Di Stéfano e Eusébio


"Esta sexta feira, Kylian Mbappé recebeu, no camarote de honra do Santiago Bernabéu, a sua primeira Bota de Ouro, acompanharam-no todos os seus colegas de equipa numa cerimónia com discursos do presidente Florentino Pérez, de Juan Ignacio Gallardo, diretor de MARCA e vice-presidente da ESM (European Sports Media), a entidade que institui o prémio, e palavras finais de agradecimento do próprio Mbappé. Tudo muito formal, pouco a ver com o ato sério e ao mesmo tempo descontraído e divertido que, há 14 anos, A BOLA organizou em Madrid para entregar a Cristiano Ronaldo, então jogador do Real, a segunda Bota de Ouro da sua carreira.
Foi algo histórico que na mesma mesa principal se tenham sentado Cristiano, Eusébio e Alfredo Di Stéfano numa das pontas estava Vitor Serpa, então diretor do nosso jornal, e na outra eu, para, modestamente, procurar conduzir a sessão, olhando para os três e procurando imaginar como teria sido o futebol com eles pertencendo à mesma geração e jogando na mesma equipa.
A nota alegre foi dada por Eusébio ao contar como na final europeia de Amesterdão viu realizado o seu sonho de ter a camisola do Di Stéfano. «Na equipa o único que falava espanhol era o Coluna e foi ele que, antes de o jogo começar, foi ter com ele para o tentar convencer. Quando terminou o desafio fui a correr ao seu encontro e, com toda a modéstia, pedi-lhe: 'D. Alfredo, por favor, gostava muito de ter a sua camisola, tirou-a, deu-ma, agradeci-lhe e escondia-a nas cuecas, sabia que, depois de termos ganho, ia haver invasão do campo com o perigo de, no meio da confusão, alguém me a roubar. Eu quase não sabia o que era a Taça dos Campeões Europeus, não lhe dava grande importância, o que eu de verdade queria era ter a camisola do Di Stéfano, esse era o meu grande troféu».
O público, que enchia a sala, delirou e aplaudiu a mais não poder a simples e despretensiosa forma como Eusébio contou a sua história que era a da grande admiração de um jovem pelo seu grande ídolo. Com o tempo ambos se tornaram bons amigos, admiravam-se um ao outro e suspeito que esse dia de novembro de 2011 foi o último em que estiveram juntos. A Eusébio não voltei a vê-lo antes de nos deixar pouco mais de dois anos depois, Di Stéfano durou seis meses mais, dias antes de partir, abriu-me as portas da sua casa para conceder para o nosso jornal a sua última entrevista, uma honra tão grande como triste, pois teria preferido mil vezes que os dois amigos ainda estivessem entre nós para continuarem a contar-nos as suas deliciosas histórias. Mas a vida, quando decide aplicar a sua lei, é implacável e não perdoa."

Um título vale mais que mil imagens


"O portuguesão, forma informal como a Liga Portugal é tratada na comunicação social do Brasil, é acompanhado de longe pela maioria dos brasileiros — pelo menos por aqueles que não pertencem à bolha dos jornalistas desportivos nem fazem parte daquela pequena tribo apaixonada por todo o futebol internacional.
Logo, nas ruas do Brasil nem sempre se sabe quem foi o campeão português, o vice, etc. Mas muita gente tomou conhecimento do extraordinário Benfica, 4-Barcelona, 5, de janeiro deste ano, ou dos 4-1 do Sporting ao Manchester City, de dois meses antes. Assim como o FC Porto supera os rivais no imaginário dos brasileiros por causa do título da Liga dos Campeões, em 2004, entre outros troféus internacionais conquistados já neste século.
Essa conquista, porém, é, sejamos realistas, uma miragem hoje para qualquer clube português ou outro que não pertença à elite de 12, 10, oito grandes, mesmo muito grandes, tubarões europeus, como Real Madrid, Bayern, PSG, Manchester City, restante armada inglesa e afins.
Daí entender-se o que Rui Borges, treinador do Sporting, defendeu recentemente: «A nossa Champions é o campeonato.» Na Liga Portugal, os leões são candidatos ao título; na Champions, além dos euros pelos pontos, lutam por um brilharete, por uma gracinha, em suma, lutam pela imagem internacional. E, nos clubes de futebol, um título vale mais do que mil imagens.
Pela mesma razão, aquela loucura que se viveu no Brasil, quase comparável à vivida numa Copa de seleções, durante o Mundial de Clubes dos EUA de junho passado, uma prova que esteve longe de ser unanimidade de crítica e de audiência noutros pontos do globo, tenderá a esbater-se.
Na primeira edição do Mundial, os quatro clubes brasileiros passaram todos à fase a eliminar, bateram alguns daqueles tubarões citados acima e sonharam, por isso, com o troféu. Antes de caírem na real: na hora em que aqueceu, o Flamengo perdeu para o Bayern e Fluminense e Palmeiras, que batera o Botafogo, sucumbiram ao campeão Chelsea.
Os próximos mundiais, de 2029, de 2033 e por aí adiante, assim como as intercontinentais, vão com certeza sublinhar o domínio dos gigantes europeus e provar aos clubes brasileiros que, assim como os portugueses na Champions, podem aspirar no máximo a brilharetes, gracinhas, em suma, a retocar a imagem. E ouvir os treinadores locais dizerem, tal como Rui Borges, que o Mundial deles é o Brasileirão. E a Libertadores."

BolaTV: Ticha Penicheiro...

Cómo ser Lamine Yamal

Cómo ser

sábado, 1 de novembro de 2025

Antevisão...

Missão: Guimarães

BI: Antevisão - Guimarães...

BF: Vencer para convencer...

Bem, Janice...

Tempo Livre...

Obrigado, VAR, mas assim… não, obrigado!


"Defensor da tecnologia a favor da verdade me confesso, mas... 1 cm fora de jogo?! Caramba!

O VAR veio mudar o futebol para melhor. Repito e amplifico: o VAR veio mudar o futebol para muito melhor!
Bastava ver o recente jogo do Sporting na Champions com o Marselha para, desde logo, sem hesitações, justificar a existência do VAR. Sem ele nesse encontro, as decisões humanas teriam sido um desastre, como foi um desastre aquela inesquecível e vil arbitragem de um já longínquo duelo entre leões e Schalke 04 na fase de grupos da mesma competição.
Sou um defensor do VAR enquanto instrumento defensor da verdade. E, em competição, onde tantos valores são exacerbados, do espírito de equipa à lealdade, há um valor que se sobrepõe a todos: a verdade do resultado, das decisões do juiz em campo, da justiça, portanto.
É, por isso, que o VAR tem de continuar, para sempre, ligado ao desporto-rei, como já vai acontecendo, há muito, noutras modalidades (desde logo, o photo-finish no atletismo ou no ciclismo, a par de uma série de tecnologias nas linhas de meta, como na natação, ou o olho de falcão no ténis). Garantem a verdade, são bem-vindas. Para sempre, repito.
Há, porém, em particular no caso do VAR, muitas arestas a limar. Uma delas passa pelo fora de jogo milimétrico, aquele de 1 cm, como o que anteontem impediu Sudakov de celebrar um golo. OK, dirão muitos: é verdade que queres, então aí tens. Pois, mas como a tecnologia (ainda) não funciona ao milímetro (momento exato da saída de bola, largura das linhas, etc.) então não me venham com verdades ao milímetro. Crie-se já uma margem de dúvida. De 10, 15 cms que seja... Mas crie-se!"

O futebol perdeu a alma — e nem o VAR a encontra


"Um fora de jogo de um centímetro já basta para detonar a emoção e estragar o espectáculo. Em que momento o jogo virou 'nonsense'? Quando foi que perdeu a alma?

Um fora de jogo de um centímetro — e tanto poderia ser de cinco ou dez, que me levaria ao mesmo. A mão na bola, ou melhor a bola na mão, à queima-roupa, que vale penálti. Um futebol que já não avalia a intenção, o desequilíbrio, a escorregadela, o ritmo, o contexto e todos os pisões são amarelos, exceto os que descarregam nas articulações e valem o vermelho direto.
A lei é a lei, as recomendações são mais do que recomendações e o bom senso já não é mais do que conceito inexistente para esse Big Brother seletivo, que avalia dois ou três momentos e fecha os olhos a outros mil, nem sempre menos importantes. É o tal do protocolo. O futebol ultramoderno que, por comparação, nos deixa sim extasiados com recordações em technicolor de um outro — cheio de imperfeições e magia — que vivemos e revivemos mais intensamente.
Percebo que para os mais novos seja menos relevante, porém ainda sou do tempo do aguaceiro de papelinhos sobre o relvado do Monumental e de Zico e Sócrates a afundarem-se no Sarriá, e tenho quase a certeza de que não haveria Golo do Século sem a Mão de Deus. Maradona não seria Maradona, e acredito que isso me teria tornado, pelo menos a mim — se não mesmo a todos nós —, uma pessoa pior.
No futebol de hoje nada é definitivo até lhe tirarem a prova dos 9, o quadrado perfeito, graças a uma raiz quadrada exata. Tornou-se um espetáculo de dúvida. O árbitro não apita, o auxiliar mantém em baixo a bandeira diante do comboio desgovernado que lhe passa à frente, espera-se pela imagem que os desresponsabilizará a todos. Os adeptos gritam golo a medo, temendo o anticlímax e o regresso ao passado. Os jogadores festejam o alívio depois de arrefecer, à espera de uma decisão que os confirme. Sobretudo por cá. Porque se tenta ver tudo e, por vezes, não se vê nada. E nem sempre se reúnem os elementos de prova corretos para que se tome a melhor de todas as decisões.
O golo passou, perdeu lugar de protagonista. Celebra-se hoje a decisão e não o remate. Ainda se torna mais importante o resultado neste mundo resultadista, porque a beleza, se houve, já não é relevante. A solenidade, com banda sonora de Champions para acentuar o momento, está no apontar para a marca ou no ligar do microfone colado com tape junto ao rosto, no play pressionado nas costas para a telegráfica sentença, decorada e simplificada ao máximo, desde aquele cada vez mais inócuo após revisão.
Há sempre alguém que, de tempos a tempos, atira em jeito de afinal quem é que tinha razão? que hoje ninguém pode negar que o VAR é absolutamente necessário. Eu, como sempre vivi bem sem ele, digo que depende das expetativas. Nunca achei que iria resolver todos os problemas do mundo ou sequer trazer a tão romantizada verdade desportiva, seja lá o que isso for, como muitos bradaram aos céus. Só que ninguém o quis estranhar para não dar parte fraca, convictos todos estavam de que o novo Santo Graal iria ser-lhes sem dúvida favorável — e assim o entranhámos ainda mais depressa. Aceitámos um jogo cada vez menos humano. Terá sido o nosso maior erro.
É um futebol higienizado.
A cada paragem, o jogo morre um pouco. E nós, com ele. O nosso está moribundo há muito, por culpa da incompetência de quem o lidera e de um Estado que, seja qual for a sua cor, nunca quis saber. Os pensadores deste país entendem que, apesar de mover mais gente do que tudo o resto, é algo menor. O tal ópio do povo. Serve apenas de bandeira para a fotografia junto dos vencedores, como tantos ditadores aproveitaram sem qualquer pudor ao virar de cada página da História. O novo Coliseu, os novos gladiadores. Quando este cair, Roma cairá. Só em Portugal se acha que uma parte de Lisboa permanecerá independentemente da outra, ou o Porto prevalecerá num país em ruínas.
É o jogo do contrassenso. A melhoria dos relvados acabou com os heróis da lama e muitos momentos épicos. À exceção de uns quantos espalhados pelo planeta, os novos estádios são palco para ópera e não para um 12.º jogador entrar em campo e decidir ou para fazer abanar as fundações de uma bancada, e por cá esse tem mais que fazer do que ir ao estádio. O excesso de oferta matou o interesse. Os nossos filhos veem a Premier League, o Barcelona e o Real Madrid, a Champions e nunca a Liga Europa. Alguns nem sabem o que é a Liga Conferência e poucos mais além destes querem saber.
O futebol moderno tornou-se uma sucessão de frames, montagem fria em que se perde a trama e com ela os heróis. Uma soma de segundos analisados em câmara lenta que já não contam uma história, apenas procuram culpados. O erro, que era humano e portanto belo, passou a ser tratado como grave falha do sistema, que coloca tudo em causa. E os jogos, antes cheios de suor e nervo, parecem agora experiências de laboratório: os corpos medidos, o tempo vigiado, a emoção editada.
Jogar certo tornou-se mais importante do que jogar bem porque não há bom senso. Que importância têm dez centímetros num fora de jogo, quando tantas e tantas vezes não garantem qualquer vantagem. Ou o que ganha o defesa quando o avançado foge da baliza e lhe atira a bola contra o braço, a curta distância, com o árbitro a alegar que não é natural uma posição que tem tudo de normal. Todos os que jogam o sabem. Mas não é certo! Regra é regra, repete-se. E jogar certo é o que importa. Mesmo que o improviso, o risco, a centelha façam mais pelo espetáculo do que estar tudo nos conformes. Desde que no limite do bom senso.
O futebol quis tornar-se ciência exata, em nome dos milhões que se movimentam, e esqueceu-se de que sempre enriqueceu a ser arte imprecisa. Talvez um dia, quando nos apercebermos de que a perfeição é inimiga da paixão, se volte a festejar antes da revisão. Que o grito volte a sair sem pedir autorização ao ecrã, sem a dúvida que o congela. Até lá, viveremos neste simulacro — nem por isso limpo de erros, mas desprovido de alma. O futebol, o verdadeiro, continua à espera de quem o devolva à terra. Com as mãos sujas de barro. Como sempre foi."

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Análise a oito pontos do debate Rui Costa vs Noronha Lopes