Últimas indefectivações

sábado, 8 de novembro de 2025

De Mourinho a Amorim: o paradoxo lusitano


"Exportamos treinadores, não ideias. Somos camaleões, não criamos obras de autor. Aquele que mais perto esteve de imortalizar a assinatura largou a estrada. A revolução ficou a meio

Os portugueses criaram metodologia própria. Chama-se periodização tática, tem como autor Vítor Frade e o seu conhecimento espalhou-se pelos alunos da atual FADEUP (Faculdade de Desporto da Universidade do Porto). Grosso modo — e estarei sempre a ser demasiado redutor, não é, professor? —, defende que o treino deve ser 100 por cento inspirado no jogo e, como tal, a bola estará sempre presente. Parte do princípio de que se a equipa estiver bem taticamente o resto chegará depois: os jogadores correrão não mais, porém melhor e estarão mais confortáveis nas ações. Haverá uma abordagem mais coletiva, logo mais consistente e forte.
Foi apresentada ao mundo por José Mourinho e Rui Faria, desde logo nas conquistas europeias do FC Porto e logo depois no Chelsea, que saciou meio século de jejum.Unida às ideias e ao magnetismo brutal, ao controlo absoluto da narrativa e à inteligência estratégica do Special One, tornou-se uma revolução. Mourinho atingiu rapidamente o Olimpo enquanto melhor treinador do momento e o mais brilhante de sempre do país.
A periodização tática — uma das várias metodologias que os treinadores nacionais utilizam — é apenas alicerce para a ideia. E aí voltamos à velha dicotomia: ser proativo ou reativo? Sê-lo sempre? Ou gerindo, consoante adversário ou momento? Há técnicos de equipas pequenas que querem ser sempre proactivos, mesmo que por vezes não tenham os jogadores certos. Outros, de equipas grandes, não se importam de baixar o bloco, mesmo contranatura, se acham que os aproxima do resultado que procuram.
Os treinadores que jogam como equipa grande mesmo treinando conjuntos de média ou baixa dimensão estão claramente a apontar para os outros voos, a afinar a ideia, a prepararem-se para o futuro. Um que, mesmo assim, é impossível de antecipar por completo, por culpa do contexto: a exigência fará disparar a pressão, um mau resultado roubará discernimento, os jogadores são melhores, mas mais exigentes. Mais difíceis. Distantes. Aqueles que jogam apenas para os pontos pensam no imediato, na sobrevivência e dificilmente subirão de patamar.
José Mourinho evoluiu (ou involuiu) de proativo para reativo, tal como o seu antecessor Bruno Lage, ainda que este possa só ter querido ser dominador por ter um fora de série nas mãos: João Félix. Não sei. Também não se pode dizer que Mou esteja com abordagem puramente defensiva no Benfica quando arrisca na pressão alta com referências individuais, mas sim que se senta no banco mais preocupado em anular o adversário do que em criar um fio de jogo que o aproxime da baliza. O tal ataque posicional. Nas suas palavras é clara a ideia, assim que diz que, por vezes, quando recuperam a bola, os seus jogadores passam para o lado, em vez de atacarem de imediato a baliza. Com alguns jogadores com dificuldades na resistência à pressão (aqui, contrapressão), é natural que a definição continue o problema que sempre foi.
Se a maior bandeira do que é ser um técnico português — e que tantas portas abriu, durante a sua fase revolucionária, para muitos compatriotas por todo o planeta — caminhou para esta dimensão, reforçada com o compromisso com a organização defensiva que há em nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo, Abel Ferreira e Sérgio Conceição, naturalmente o estereótipo muda. Ainda que Jorge Jesus, em exílio não reconhecido na Arábia Saudita, e os discípulos Ruben Amorim e Paulo Fonseca persigam outra dinâmica no ataque.
Pergunta-se a um treinador luso o que o treinador luso tem de especial, de diferenciador, e este falará, quase sempre, na capacidade de adaptação. O facto de conseguir trabalhar, com resposta positiva, em todos os contextos. Isto, obviamente, não é uma identidade, embora reflita a nossa sociedade. Adaptamo-nos a qualquer cultura e país, mesmo fora do futebol. É valência adquirida nas dificuldades, geração após geração. Só que sermos camaleões não ajuda quando o objetivo é encontrar o homem do leme certo para uma identidade de clube grande e uma filosofia marcante e apaixonante.
De um treinador neerlandês, espera-se pressão alta, mentalidade ofensiva e acentuada posse no 4x3x3 de quase sempre; de um espanhol virá quase sempre um 4x2x3x1 e a qualidade de passe na retenção da bola e no domínio do jogo através da mesma; um alemão procura a pressão agressiva, a reação feroz e um futebol vertical e ofensivo, despreocupadamente desequilibrado na hora de defender; e o italiano apresenta sempre a organização defensiva como prioridade e um ataque com poucas unidades, já que a revolução de Sacchi foi curta e a influência de De Zerbi ainda se enraíza. Os franceses foram perdendo influência e serão hoje mais gestores de egos como Deschamps e Zidane, as principais referências. Os britânicos perderam expressão, todavia, com o melhor campeonato à porta de casa e tantas influências de onde beber, talvez a recuperem nos próximos anos.
Em Portugal, recentemente, tivemos exemplo de como nos vemos a nós próprios. Quando se quis mudar de um selecionador defensivo e já ultrapassado, tendo também em conta a qualidade da matéria prima, para um com ideias mais frescas e maior atrevimento com bola, escassearam os nomes em português. Não temos profissionais com esse perfil. O escolhido, para o mal e para o bem, que já identificámos tantas vezes aqui, foi o espanhol Roberto Martínez. Não mais o reconhecimento de que já formamos jogadores para todas as posições, mas poucos treinadores que os consigam pôr a jogar o que sabem e o que queremos ver. A classe levou a mal, porém não o entendeu como um aviso.
Em cima da tábua do crónico desenrascanço, o portuga fica assim depois com o rótulo dessa identidade dos principais representantes, cabendo ao melhor posicionado de todos, Ruben Amorim, a responsabilidade não só de rejuvenescer um gigante moribundo, mas também de impedir que se estenda o preconceito a esta e a gerações futuras. Será que um dia criaremos um Guardiola ou um Klopp? Mourinho percorreu muito tempo esse caminho, porém, iludido pelo resultado, afastou-se demasiado da berma e não voltou."

Gastar milhões no mercado? Ponham antes os olhos na formação!


"José Neto, com três golos e duas assistências em apenas dois jogos no Mundial sub-17, é só um exemplo. É lateral-esquerdo e joga na cantera do Benfica...

Votos não dá, nem acalma adeptos ansiosos, mas... é preciso andar a dormir para não ver que há soluções nas academias, na cantera, para os problemas nos plantéis e que gastar milhões por reforços duvidosos só serve para atirar areia para os olhos de sócios e fãs. 
Em Portugal, há misto de sentimentos quanto à formação: todos queremos ver os meninos da casa a dar o salto para as equipas principais e não para o estrangeiro; mas há também em todos nós uma sensação de que, se calhar, ainda não estão preparados, que um nome sonante vindo lá de fora poderia trazer mudanças mais imediatas.
Os próprios treinadores desejam, naturalmente, experimentar os jovens do clube nos plantéis principais, mas é precisamente com esse olhar que neles apostam: experiências. E se corre mal? Aí, o melhor é ter uma garantia de nome estranho e que tenha custado 20 ou 30 milhões, certo? Pois eu digo: errado!
Quantos craques por esse mundo fora (e por cá também) se estrearam com 15, 16 ou 17 anos? Não lançou, ainda agora, o Arsenal um miúdo de 15 anos na Champions?
Vem isto a propósito dos valores em ebulição no Mundial sub-17 e no qual Portugal soma duas goleadas (6-1, com a Nova Caledónia; e 6-0, com Marrocos). Além do trabalho exímio do selecionador Bino Maçães que, com este grupo, conquistou o Europeu sub-17 a 1 de junho, há uma série de jovens talentos que, decerto, poderiam ser os desejados reforços de inverno.
Fica um exemplo: José Neto, lateral-esquerdo dos juniores e sub-23 do Benfica e que soma, no Mundial, três golos e duas assistências em dois jogos. Mas há muitos mais prodígios nesta jovem Seleção. É só abrir os olhos..."

Honrai agora


"Quem se candidata à presidência do Benfica enfrenta sempre uma grande dificuldade: criticar a direção e o presidente é entendido como "dizer mal do Benfica". Essa ideia é absurda, evidentemente. Criticar o Governo de Portugal não é "dizer mal de Portugal". É, aliás, um gesto bastante patriótico. É assim que se avança. Conformar-se com um Benfica que ganha muito menos do que devia é que é dizer mal do Benfica
Foi por volta de 1928. Um homem que costumava escrever sobretudo textos humorísticos confrontava-se com o problema de compor um poema – um trabalho muito diferente daqueles a que estava habituado. Felizmente, tratava-se de um homem extraordinário. Trinta e dois anos mais tarde, a 6 de Janeiro de 1960, o Diário de Lisboa daria a notícia da sua morte, lembrando que o homem tinha obtido "alguns dos mais estrondosos êxitos do teatro cómico", mas também tinha sido muito bem-sucedido na prática de vários desportos, tendo feito "parte da representação portuguesa nos Jogos Olímpicos de Antuérpia, em 1920, e de Paris, em 1924", na modalidade de tiro. O jornal referia ainda que o homem tinha sido "fundador do popular clube desportivo Sport Lisboa e Benfica", do qual tinha sido presidente em 1916 e em 1945. O homem chamava-se Félix Bermudes e, naquele dia de 1928, estava ocupado a conceber um hino para o clube que tinha ajudado a fundar. O refrão dessa canção, que é ainda hoje o hino oficial do Benfica, diz: "Avante, avante p'lo Benfica, / Que uma aura triunfante Glorifica! / E vós, ó rapazes, com fogo sagrado, / Honrai agora os ases / Que nos honraram o passado!"
Não é fácil saber o que se ama quando se ama um clube. É como o navio de Teseu: o clube que hoje conhecemos como Sport Lisboa e Benfica já mudou de nome, já mudou de emblema, já mudou de estádio, já mudou de presidente, já mudou de jogadores. Quando os sócios e adeptos de hoje (que também já não são os que enchiam o estádio há 80 anos) cantam "Eu amo o Benfica", referem-se exactamente a quê? É possível que se refiram a uma ideia – à ideia de Félix Bermudes, porque é ela que faz do Benfica o Benfica, é ela que liga o Benfica de hoje ao de 1904: a missão de honrar agora os ases que nos honraram o passado.
Nasci no dia 28 de Abril de 1974. Um ano depois, a 29 de Março de 1975, Eusébio fez o seu último jogo pelo Benfica. O que significa que o primeiro Benfica que conheci, o dos anos 80, tinha acabado de ficar órfão do melhor jogador de sempre. Nessa década, o Benfica foi campeão cinco vezes, e ganhou seis taças de Portugal. As camisolas de Eusébio, Coluna, José Augusto, Águas, Simões, Germano, Costa Pereira, Ângelo, Cavém, Mário João, Cruz, Torres, Jaime Graça, vestiam agora Chalana, Shéu, Nené, Bento, Alves, Carlos Manuel, Diamantino, Humberto Coelho, Veloso, Pietra, Bastos Lopes, Álvaro, Rui Águas, Valdo, Mozer, Ricardo Gomes – ases que honravam os ases que nos tinham honrado o passado.
Quem se candidata à presidência do Benfica enfrenta sempre uma grande dificuldade: criticar a direção e o presidente é entendido como "dizer mal do Benfica". Essa ideia é absurda, evidentemente. Criticar o Governo de Portugal não é "dizer mal de Portugal". É, aliás, um gesto bastante patriótico. É assim que se avança. Conformar-se com um Benfica que ganha muito menos do que devia é que é dizer mal do Benfica. É considerar que está bom assim, que não temos capacidade para mais.
João Noronha Lopes reuniu uma equipa de gente séria e competente. Propõe uma gestão racional, e não de navegação à vista, de dar o dito por não dito, em que um treinador volta a ser aposta cinco anos depois de se ter concluído que não servia. Quer um plano que estanque a permanente entrada e saída de jogadores, que faz com que todos os anos sejam um novo começo, uma nova estaca zero, um constante agora é que é. Pretende definir um rumo que evite a saída, no início da época, de um treinador que era sem dúvida nenhuma a aposta certa no fim da época anterior – e que sobretudo evite que isso aconteça dois anos seguidos.
Nos 25 anos que o século XXI já leva, o Benfica ganhou três taças de Portugal. Metade das que ganhou na década de 80. Nos últimos seis anos, o Benfica foi campeão uma vez. Insistir no mesmo modelo de gestão e esperar resultados diferentes não é muito sensato. E como, sinceramente, não me parece que os ases que nos honraram o passado se sintam especialmente honrados com este palmarés, no sábado vou votar em João Noronha Lopes."

As eleições do Benfica e outras eleições


"Os sócios do Benfica decidem amanhã quem pretendem que seja o próximo presidente do clube. Filtrados os candidatos numa primeira volta que constituiu o acto eleitoral mais participado da história do futebol mundial, a escolha poderá agora recair sobre o incumbente, Rui Costa, ou sobre o homem que o desafia e tenciona ser o 35.º líder das águias, João Noronha Lopes.
Para lá das promessas vãs que estas disputas costumam trazer à mistura, de uma certa frivolidade transversal aos vários concorrentes, de uma dose cavalar de amadorismo comunicacional provida pelos pretendentes ao trono e dos costumeiros ataques velados – as chamadas encomendas -, o que ficou da longa campanha e dos números saídos da primeira volta foi mais uma cabal demonstração de que o Benfica é não só o maior clube do país – ser o melhor é outra conversa para a qual a afluência às urnas ou as selfies de domingo contam pouco –, mas também o clube mais português de Portugal.
Esta inferência encerra em si mesma um misto de prazer e dor. Prazer, porque, favorecendo os meus intentos – sou portista, nunca o escondi -, não tenho dúvidas de que o clube mais português de Portugal parece conformado com a mediocridade dos quatro anos com Rui Costa ao leme. Prazer, porque, apesar da demarcação cínica e tardia de Luís Filipe Vieira, o líder das águias faz-me lembrar os vassalos de José Sócrates que nunca viram nada, nunca farejaram nada, nunca perceberam nada. Prazer, porque a narrativa sonsa da assunção de responsabilidades por apenas quatro títulos no futebol (o resto, permitam-me, é paisagem), entre os quais apenas um campeonato, não passa disso mesmo: areia para os olhos dos adeptos.
Prazer, porque, como é apanágio de quem se resigna, os associados sinalizaram preferir a previsibilidade do mais do mesmo ao risco de quem prometeu um caminho de ruptura. Prazer, porque, mantendo quem não foi capaz de fazer um juízo crítico aprofundado e coerente sobre o que fez e o que deixou por fazer, o Benfica estará mais longe de alcançar todo o seu potencial desportivo, financeiro e social, o que escancara as portas ao sucesso do meu FC Porto e, espero que em menor dose, também do Sporting.
Atenção: não se confunda nada do que atrás referi com simpatia ou qualquer espécie de apoio a João Noronha Lopes, que teve a faca (as elites mediáticas) e o queijo (o fracasso de Rui Costa) na mão e não conseguiu galvanizar gente suficiente. Ao longo destes meses, aliás, fez o trabalho perfeito para nunca aparecer aos olhos dos benfiquistas como uma alternativa sólida, audaz e com visão de futuro. Não obstante ser melhor que o adversário de amanhã, teve uma entrada de leão na campanha e, antevejo, terá uma saída de sendeiro das urnas.
Esta previsão comporta, ainda assim, uma inexorável dor. Dor, porque, tratando-se de uma das mais relevantes instituições do país e tendo havido mais de 85 mil pessoas a deslocar-se às urnas, as eleições do Benfica são, mais do que se possa imaginar, um espelho da parca exigência que tem marcado as últimas décadas em Portugal.
Dor, porque o encolher de ombros face a um mal que julgamos, placidamente, ser menor, tem-nos trazido sucessivos dissabores: má governação, lideranças imorais (quando não amorais), órgãos de soberania tomados por videirinhos e cliques partidárias, necessidade de chibatadas de entidades externas, serviços depauperados, sofreguidão fiscal, escassez de oportunidades, desligamento cívico, renúncia ou emigração dos nossos melhores, destruição da nossa auto-estima colectiva e desesperança generalizada. Romper com este estado de espírito, com este marasmo não é tarefa miúda – nem para miúdos, radicais ou vendedores de banha da cobra. Viremos a página. Venha Janeiro. Venham as presidenciais."

Visão: João Santos...

BolaTV: Humberto Coelho...

BF: A gestão dos avançados do Benfica está bem feita?

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

SportTV: Primeira Mão - Será esta a camisola mais bonita de sempre?

BolaTV: Mais Vale á Tarde que Nunca - Ricardo Vasconcelos, Bruno Carvalho e Tiago Neves

Zero: Canto - Bate a hora das decisões na Luz: das eleições às contas europeias do Benfica

Zero: Tema do Dia - Último debate: o que foi dito?

Observador: E o Campeão é... - O que pode dar Carlos Forbs à seleção?

Observador: Três Toques - Neemias Queta está melhor do que nunca

Águia: Debate...

DAZN: Europa - Sporting, FC Porto e SC Braga confortáveis, Benfica desesperado

Notas úteis para a eleição dos Órgãos Sociais do SL Benfica


"Notas úteis para a eleição dos Órgãos Sociais do Sport Lisboa e Benfica, a realizar no dia 8 de novembro (2.ª volta):
1. Início da votação às 8h30 e encerramento das filas de voto às 22h00 (hora de Portugal Continental);
2. ⁠Os canais prioritários devem ser utilizado e estão devidamente assinalados;
3. ⁠Caso a opção de voto não seja em branco ou nulo, deve identificar o seu sentido de voto com uma cruz e unicamente com uma cruz no quadrado respetivo;
4. ⁠Deve munir-se do seu cartão de sócio em suporte físico ou digital (via app) e do cartão do cidadão ou da app id.gov (ou documento de identificação válido no país de nacionalidade/residência), exibindo-os no posto de identificação – a confirmação do número de votos será feita através da leitura ótica do cartão de sócio;
5. O reforço de meios físicos nas secções de voto, nomeadamente nas que registaram maior afluência na 1.ª volta, permitirá que o tempo de espera não seja superior a 20/30 minutos em todas as secções."

Eleições 2025: 2.ª volta amanhã


"O assunto em destaque nesta edição da BNews é a realização da 2.ª volta das eleições do Sport Lisboa e Benfica, no dia 8 de novembro.

1. Último debate
Veja ou reveja o debate entre os dois candidatos a Presidente da Direção do Sport Lisboa e Benfica.

2. Como votar noticia destaque
Saiba como participar na 2.ª volta das eleições do Benfica e seja mais um a contribuir para superar o recorde mundial dos 86 297 votantes na 1.ª volta.

3. Nomeação
Otamendi nomeado para o Onze do Ano do The Best, integrando a lista de defesas selecionados para uma das categorias do prémio atribuído pela FIFA.

4. Chamadas internacionais
Otamendi, Prestianni e Barreiro estão convocados pelas seleções dos seus países.

5. Triunfos europeus
Em hóquei em patins no masculino, o Benfica ganhou, por 4-2, frente ao Hockey Bassano 1954 na 1.ª jornada da fase de grupos da WSE Champions League.
Em voleibol no feminino, as águias venceram, por 3-1, ante o OTP Banka Branik, por 3-1, em jogo da 1.ª mão da 3.ª ronda de qualificação para a CEV Women's Champions League.

6. Jogo do dia
Em andebol no feminino, o Benfica visita o ABC às 21h30.

7. Agenda para sábado
A equipa B recebe o Vizela às 18h00. Em futebol no feminino, o Benfica desloca-se ao reduto do Torreense (11h00). Os Sub-19 são anfitriões do Santa Clara às 11h00. A equipa masculina de futsal tem embate no pavilhão do Eléctrico (19h00). A equipa masculina de voleibol visita o SC Espinho (16h15).

8. Mundial Sub-17
Portugal derrotou Marrocos por 6-0 e contou com o contributo de sete jogadores do Benfica.

9. Convocatória
O Benfica é o clube mais representado entre os convocados para a Seleção Nacional de futsal, com seis atletas.

10. Protagonista
O triatleta Vasco Vilaça, que conquistou recentemente o bronze do Campeonato Mundial e foi 5.º nos JO de Paris 2024, partilha, em entrevista à BTV, a sua ambição pelo ouro olímpico."

De sol a sol não é fixe, malta


"O conceito de trabalho de sol a sol radicará na Idade Média, à custa dos servos da gleba. Foi imposto nos séculos de escravidão e aproveitado pelo neoglorificado Estado Novo para exaltar o povo honesto, trabalhador, insurreto e submisso, pago a dez reis de mel coado pelos senhores das terras.
Todos somos livres de trabalhar de sol a sol se isso nos fizer felizes, mas chegou o tempo de terminar com a glorificação de uma absoluta falácia. Trabalhar de sol a sol prejudica a sociedade em geral e não dá saúde. Já agora, nem sequer traz produtividade, antes pelo contrário.
Talvez seja altura de perguntar à geração nascida a partir de 1990 o que pensa sobre estes absurdos exemplos de abnegação.

De chorar por mais
Posso ser repetitivo, mas Abel Ferreira também: aí estão ele e o Palmeiras outra vez na final da Libertadores!

No ponto
Reforço orçamental na área do Desporto é uma boa notícia para 2026. Mas o dinheiro nunca será tudo...

Insosso
Um craque como foi Luís Figo não devia precisar de gastar tempo a responder a adeptos nas redes sociais.

Incomestível
E pronto — nem um terço de campeonato jogado e já o futebol português segue gloriosamente igual a si próprio."

BolaTV: Mais Vale à Tarde que Nunca - De Manhã com Marco Fortes

No campo «é fácil» despedir um treinador. E na lei?


"O futebol português vive uma rotatividade frenética nos bancos técnicos: na época passada, mais de metade dos clubes da Liga alteraram o comando técnico das suas equipas, a ilustrar bem a instabilidade estrutural que se instalou no setor. Neste cenário de crescente volatilidade e instabilidade, a figura do treinador tornou-se objeto de escrutínio constante.

O caminho para a desvinculação legal
Afastar um treinador do comando técnico de um clube não é um «divórcio instantâneo». Por detrás de um simples comunicado de intenção oficial desenrola-se uma complexa teia jurídica e regulamentar, no qual o vínculo, embora ferido, permanece juridicamente válido até à sua cessação formal.
A extinção deste laço profissional segue vias legalmente previstas: a revogação por acordo é a solução preferencial, através da qual o clube e treinador negoceiam um montante compensatório que permita uma desvinculação célere e sem necessidade de recurso às vias judiciais, desatando eficientemente este nó. Ou, frustrado o consenso, restará a via do despedimento promovido pelo clube, caminho juridicamente estreito, pautado por exigentes formalidades e quase sempre prenunciador de um litígio moroso.

O «garrote» regulamentar da Liga: um único treinador no banco
A transição entre técnicos enfrenta, porém, um obstáculo administrativo relevante. O Regulamento das Competições Organizadas pela Liga Portugal é perentório: o treinador principal e a respetiva equipa técnica só podem exercer funções se os respetivos contratos estiverem registados e validados junto da Liga Portugal e da Federação Portuguesa de Futebol.
Adicionalmente, exige-se o registo e a ratificação destes contratos pela Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), que participa como «ator invisível», garantindo, de forma cumulativa, a salvaguarda dos direitos do treinador cessante e a proteção dos novos treinadores, através da verificação da conformidade legal, formal e material dos contratos a registar.
Assim, enquanto o vínculo com a anterior equipa técnica não for formalmente cessado e retirado do registo, o clube não poderá inscrever novo treinador. Mais do que uma proibição de contratar, trata-se de uma condição de validade administrativa: a Liga reconhece apenas um treinador principal por equipa, impedindo a coexistência formal de dois técnicos no mesmo clube.
Este «garrote» funciona sempre a favor do treinador. O imediatismo do «fim de semana» e a necessidade de um novo rumo forçará o clube a - na falta de acordo - promover a cessação unilateral do vínculo e dessa forma garante que o treinador seja compensado em montante não inferior aos salários vincendos até ao final do contrato.

O treinador interino: entre solução e símbolo de urgência
O futebol não espera de todo pelos trâmites da burocracia. Quando a desvinculação ocorre sem que o clube tenha ainda assegurado a contratação de um novo treinador, o regulamento impõe a comunicação imediata dessa ocorrência à Liga, concedendo um prazo de quinze dias, contados a partir da data do primeiro jogo oficial em que se verifique a ausência da equipa técnica, para que o clube proceda à inscrição dos novos treinadores.
Durante esse período, o regulamento abre uma válvula de transição, ao prever a figura do treinador interino: um mecanismo de emergência que permite ao clube designar temporariamente um elemento da sua estrutura técnica para dirigir a equipa durante o interregno. Esta solução, visa assegurar a continuidade competitiva das equipas sem descurar o cumprimento das formalidades contratuais e regulamentares. Todavia, evidencia igualmente a pressão a que os clubes se encontram sujeitos: entre negociações de rescisão, comunicações à Liga e prazos exíguos, sobra pouco espaço para a serenidade.

Gestão desportiva vs. estabilidade contratual
O fenómeno da instabilidade técnica traduz, em última análise, a tensão entre a liberdade de gestão desportiva e o princípio da estabilidade contratual. As normas procuram compatibilizar ambos os desígnios, mas a pressão dos resultados raramente lhes concede tempo para coexistir. Entre o impulso da bancada e a letra do regulamento, é o Direito que, silenciosamente, dita o verdadeiro apito final."

DAZN: F1 - Antevisão - GP do Brasil

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

Vitória...

Benfica 4 - 2 Bassano

Estreia na Champions com uma vitória relativamente segura, que até merecia um marcador mais dilatado. Sofremos o 1.º golo num Power Play, e o 2.º nos segundos finais...

Mais um ano, mais um Sorteio complicado para o Benfica! O calendário não é fácil, este Bassano será o adversário mais acessível, mas somos sempre os principais favoritos...

Boa reação...

Benfica 3 - 1 Maribor
23-25, 25-18, 28-26, 25-18

Mais uma vez, começamos mal, mas fomos a tempo de garantir a vitória, sem permitir dois Set's às adversárias! A recta final do 3.º Set poderá ter sido decisiva na eliminatória! Estamos a dois Set's da fase de grupos da Champions, ou então o Set de Ouro, espero que desta vez, evitem a má exibição das Canárias!!!

Continuamos com alguns problemas na rotação, a Dixon está de fora, a Isadora não está a 100% e a Alice foi para a ficha de jogo, mas não estava em condições!

Terceiro Anel: Bar do Cosme #30 - Debate...

Visão: Debate

Debate

Fever Pitch: Domingo Desportivo - Um Ensaio sobre a Amizade e o Amor

Backstage | SL Benfica 5-0 Bayer 04 Leverkusen | UEFA Youth League

As eleições no Benfica: um clube ou um culto?


"Como é possível que Rui Costa, apesar da mediocridade desportiva, da prodigalidade financeira, do desgoverno estratégico, da incapacidade política, da opacidade administrativa e das limitações profissionais que a sua estrutura evidenciou nos últimos quatro anos, tenha liderado a primeira volta das eleições para a presidência do Sport Lisboa e Benfica e se perfile como o favorito, segundo a generalidade dos observadores, para a vitória final?
Há quem diga que esta curiosa situação se deve a fragilidades de João Noronha Lopes, o seu principal e subsistente adversário — vítima de uma operação de assassinato de carácter montada por sicários da comunicação, condicionado pela falta de agilidade retórica própria de um administrador de empresas e destituído do magnetismo pessoal que inspira a crença e o fervor das massas. Estas explicações são superficiais. Poucos acreditam sinceramente na tese risível de que o concorrente é a segunda vinda de Vale e Azevedo ao mundo benfiquista, mesmo que alguns o escrevam em letras garrafais nas paredes imundas das redes sociais.
A falta de agilidade retórica não impediu outros candidatos à presidência de grandes clubes de alcançarem o êxito eleitoral, porque o futebol pertence ao reino da ação, não do verbo. E o carisma nunca foi, na tradição de governo portuguesa, o que conduziu os líderes ao poder, antes um atributo que adquirem pelo seu exercício; o que atrai os portugueses é a autoridade.
Este último facto insinua uma hipótese alternativa. Vencer eleições contra o incumbente é muito difícil, sobretudo entre nós. Para se ter uma ideia, só dois primeiros-ministros em funções foram derrotados nas urnas em toda a nossa história democrática — um paraquedista e um desbaratador. Quem está no poder parte com grande vantagem, mesmo que não tenha obra de monta para alardear. Mas a pobreza da gestão de Rui Costa é de tal ordem — resultados insuficientes no futebol sénior, declínio visível em várias modalidades, finanças entregues aos humores da fortuna, comportamento letárgico nas instâncias desportivas e um estado de coisas pautado pela falta de consistência, transparência e competência — que o prémio eleitoral da incumbência não tem força explicativa suficiente.
Apesar dos 42% na primeira volta não terem sido um bom resultado, são um resultado demasiado lisonjeiro para o trajeto depressivo que o Benfica percorreu neste mandato. Estamos pior em praticamente todos os planos, do rendimento desportivo à sustentabilidade financeira, do que estávamos em 2020, quando João Noronha Lopes desafiou um Luís Filipe Vieira em perda visível de resultados e influência.
Parece-me improvável que outro incumbente resistisse a esta degeneração, tendo em conta a justa impaciência e exigência dos sócios de um clube com um passado glorioso e uma grandeza única.
Ao contrário do que pensam alguns, Rui Costa não resiste ao império dos factos por os benfiquistas terem renunciado ao espírito de conquista ou por terem mergulhado no derrotismo fatalista, embora seja inegável que, entre os que viveram o calvário dos anos 90, se tenha instalado o receio da mudança e a aversão ao risco. Resiste porque, no imaginário de muitos sócios, Rui Costa não é apenas uma pessoa, cujas qualidades e defeitos possam ser apreciados com objetividade por aqueles a quem compete fazê-lo periodicamente. É um mito — o mito universal do salvador prometido. Afastá-lo da presidência do clube não é apenas uma decisão soberana dos sócios sobre as qualidades relativas dos candidatos, mas o fim doloroso de uma ilusão profundamente radicada no universo benfiquista.
Por isso, a escolha que é dada aos sócios no próximo sábado não é, como seria expectável e saudável, apenas a escolha entre dois indivíduos que se candidatam a governar os destinos de uma grande instituição dotada de uma organização complexa — um incumbente com um currículo sofrível e um concorrente com um currículo promissor. Não é apenas a escolha entre uma aglomeração desconexa de indivíduos e uma equipa de profissionais de excelência. Não é apenas a escolha entre um programa estratégico e um panfleto anedótico. É uma escolha existencial entre a realidade e a mitologia.
A redução caricatural de Noronha Lopes — convertido pelos óculos de uma fantasia sórdida em gestor de uma cadeia de hambúrgueres, dono de uma churrasqueira falida, consultor de empresas falhadas e cabeça de um corpo parasitário —, apesar de absurda, é o mecanismo de defesa que mantém viva a chama da ilusão. Esta só funciona se não for consciente, pelo que conservá-la implica reprimir, se necessário através da aliança entre a irreflexão e o sarcasmo, todos os factos que a contradigam.
Não é fácil deixar o mito cair e aceitar a crueza da verdade. Muitos sócios desejam intensamente acreditar que, com uma segunda oportunidade, Rui Costa cumprirá a profecia do salvador — dando-lhes argumentos para esfregarem na cara dos adversários que o Benfica é diferente dos outros, não apenas porque é o maior, o que é inegável, mas porque transcende misteriosamente as leis da divisão do trabalho social e a cultura prosaica dos valores profissionais.
Infelizmente, o mito é o mito e a verdade é a verdade. Se quiserem regressar ao caminho das vitórias, do equilíbrio financeiro, da supremacia estratégica e da autoridade institucional, os sócios têm de se reconciliar com o facto de que Rui Costa, o maestro dos relvados e encarnação da mística, não é feito da matéria específica que faz bons presidentes. Se persistirem na ilusão, é provável que venham a pagar o mitologismo com a moeda da degenerescência. Se esse dia chegar, o Benfica deixará de ser um clube e passará a ser um culto. Isto se, entretanto, não tiver passado para as mãos oleosas de um aventureiro ou de um cleptocrata."

Portugueses poderiam ser como os sócios do Benfica


"Estaria o adepto do Benfica disponível para esperar mais de duas horas para votar nas presidenciais, legislativas, autárquicas ou europeias?

Os adeptos do Benfica, admito-o, impressionaram-me. A forma como se mobiliozaram para estas eleições são um bom exemplo no que à capacidade de intervenção e sentido de clube diz respeito. Os adeptos do Benfica não se limitaram a bater o recorde do mundo de votantes numas eleições de clube. Eles atropelaram o anterior, reduziram a cinzas o recorde de 57 mil nas eleições do Barcelona de 2010.
Nos últimos anos, os adeptos do Benfica têm dado provas de enorme participação democrática (com destaque para as eleições e novos estatutos) sem perder o sentido crítico. É muito provável que Rui Costa vença de novo, mas os sócios vão deixar bem claro que não é um cheque em branco, pode nem ser uma avaliação positiva de mandato, é antes a confiança de que Rui Costa tem tudo para fazer melhor. E eles vão continuar democraticamente vigilantes.
Ter ouvido um sócio, numa casa do Benfica, dizer que estava há duas horas à espera para votar, justificando que «o Benfica merece tudo» fez-me sorrir. E dei por mim a pensar: estaria o mesmo sócio disponível para esperar mais de duas horas para poder eleger o próximo Presidente da República, Parlamento ou presidente de câmara? E diria «Portugal merece tudo»?
Gostaria que os portugueses votassem com o mesmo entusiasmo dos sócios do Benfica, que até já querem bater novo recorde do Mundo; gostaria que os portugueses estivessem todos disponíveis para fazer tudo por Portugal; que percebessem tanto de finanças, saúde, educação ou segurança social como de 4x3x3, opções no onze ou estratégia de jogo... Que fossem tão exigentes com o Presidente da República e Primeiro Ministro como são com o presidente e treinador do clube. Dissessem presente nos grandes desafios de Portugal como estão nos grandes jogos dos clubes; que pensassem tão alto para o futuro do país como para o futuro do clube na Europa e no Mundo; até que soubessem identificar os populistas na política como os identificam e, mesmo errando logo correm com eles, no futebol.
Gostaria também que os portugueses olhassem para Portugal como os adeptos do Sporting olham para o clube. Com fidelidade, com apoio incondicional, com resistência aos longos anos de jejum de títulos que já viveram. Gostaria que todos os portugueses olhassem para o País como os adeptos do FC Porto olham para o clube. Com sentimento de pertença, de família, de bairrismo, aguerridos e de pelo na venta quando tem de medir forças com os mais poderosos.
Não, o futebol não é o ópio do povo. O futebol mostra-nos algumas das melhores características dos portugueses e deixa-nos a desejar que se aplicassem também à política. Está no topo do mundo em termos da qualidade dos nosso profissionais. Portugal merece. Porque nós queremos e somos exigentes.
Por vezes o que parece é que é a política o ópio do povo... Adormece-o. Por organização, é um bom modelo elegermos quem nos represente. Mas é também muito saudável não abrir mão da nossa voz, sermos conhecedores e exigentes. Porque o país é nosso. Não apenas de quem elegemos. Há Há tanto a aprender com o futebol."

Benfica e Mourinho: a mudança que nada mudou


"O Benfica continua longe de jogar bem e, diante do Leverkusen, para quem gosta de separar conceitos, nem o resultado se aproveitou. O registo é humilhante. Zero pontos em quatro jogos. Penúltimo lugar

A questão não é Barreiro ser 6, 8, 10 ou 9,5 —talvez aquilo a que mais se assemelhe seja um 8 de formação de bloco baixo, que pressiona e aproveita a dimensão física para acrescentar chegada à área contrária, um pouco como acontecia no Mainz — é mais o que a decisão de colocá-lo a 10 diz da identidade da equipa que representa e das ideias do seu treinador. Aí, pouco ou nada mudou. Poderia ser Bruno Lage. Todavia, é José Mourinho. Para já, as bancadas parecem aceitar com naturalidade (talvez demasiada, mas decorrente da estabilidade interna nos resultados e do grandioso estatuto do técnico) que o Benfica possa entrar com o atual nível de ambição na Liga dos Campeões e não só.
Podiam os encarnados ter, mesmo assim, vencido? Claro que sim. Criaram boas oportunidades, uma ou outra mais flagrante, bolas nos postes, ainda que, mesmo com o domínio consentido pelos alemães, não tenham sabido desmontar na maior parte do tempo, através do ataque posicional, uma defesa alemã que desde cedo deu sinais de fragilidade. Jogou bem o Benfica? Não, claro que não, mesmo que a leitura de Mourinho, seja ou não para dar moral aos seus jogadores e mantê-los ligados ao processo, vá nesse sentido. Mais uma vez, não soube atrair, criar superioridades numéricas e virar rapidamente o centro de jogo à procura do espaço, e assim abrir a linha de 5 dos farmacêuticos. Não irá lá só com treinos, faltam jogadores, porém passam as semanas e pouca evolução se vê.
Para quem gosta de falar de intensidade, essa também não mordeu os calcanhares dos germânicos. Fisicamente ou mentalmente. Para piorar, algumas figuras como Aursnes, Lukebakio e Pavlidis estiveram bem abaixo das expetativas, apesar de Ríos querer mostrar-se e Tomás Araújo ser o que toda a gente vê: o único indiscutível na defesa. Não chegou para coletivamente se jogar bem, quanto mais para jogar bonito. Se o segundo conceito dificilmente será do léxico de Mou, o primeiro foi obrigatório durante os anos iniciais da carreira do técnico português. É a esses a que se agarram os adeptos, até mesmo o próprio.
Não discuto as contas de Mourinho, mas o Benfica tem zero pontos em quatro jogos, três da sua responsabilidade. Só o Ajax, próximo rival, está pior. E muitos orçamentos inferiores estão bem acima na tabela. Lage foi despedido depois de cumprir objetivos, com medo do desmoronamento da época. Se entendo que não era grande solução, também não vejo grandes mudanças. Só há mais desculpas."

O que quer o Benfica?


"O principal argumento para João Noronha Lopes ser eleito presidente do Benfica seria a mediocridade do ciclo-Rui Costa.
Nos quatro anos do Príncipe de Florença no cadeirão da Luz, o clube viu o Sporting saído dos escombros de Alcochete - e reerguido por Ruben Amorim - a ganhar dois campeonatos e o FC Porto intervencionado pela UEFA a conquistar um.
As águias, financeiramente pujantes, a contratarem muito e a venderem ainda mais, não foram capazes de fazer mais do que os portistas e os leões.
Ora, se a este balanço insuficiente adicionarmos a gestão danosa nas apostas e nas demissões de treinadores, a sentença pareceria unânime e pacífica: o Maestro foi um craque de bola nos pés e é um desastre de fato, óculos e gravata.
Acontece que Noronha Lopes, contra todas as minhas previsões, teve a baliza aberta e, a não mais de dois metros, cometeu a proeza de rematar por cima.
Não sei se embalado naquela alquimia entre otimismo irritante e esporádica soberba, ou se apenas por natural incapacidade comunicativa, João Noronha Lopes não soube dar o golpe de misericórdia no momento certo.
Teve Rui Costa ali aos pés, caído, desnorteado, acossado pelas polémicas do Vieirismo e pela montanha de papelada assinada sem nada ver ou saber, e não soube desmontá-lo, decifrá-lo, encostá-lo à parede e revistá-lo de cima a baixo.
Noronha permitiu ao incumbente sair vivo, e a dar sinais de conhecimento e preparação, em todos os combates televisivos. Não por mérito de Rui Costa, mas por surpreendente incapacidade do próprio Noronha. 
E era fácil, era muito fácil. Diria que básico, até primário.
Não me refiro a projetos, essa palavra tão abstrata e estafada, mas apenas e só ao futebol profissional. Nenhum presidente é contestado por culpa das derrotas da equipa de natação ou por uma goleada sofrida no hóquei em patins, por mais belo e justo que seja enaltecer o ecletismo de uma instituição.
O que realmente conta, deixemo-nos de fazer de conta, são as ideias para o futebol profissional, para as infraestruturas e para as relações institucionais dentro do edifício do futebol nacional.
Aí, nesses três pilares, os spin doctors de Noronha não souberam afiar-lhe as palavras e os argumentos. A lâmina pareceu-me desajustada, descalibrada, incapaz de ferir.
Estas são as boas notícias que tenho para a candidatura de Rui Costa que, por uma diferença de cinco mil votantes e 210 mil votos (42,13% vs 30,26%), aparenta estar sossegada e segura a aguardar a vitória do próximo sábado. A vitória final.
Em certo sentido, pelos motivos supracitados, Rui Costa tem razões para isso. Mas a história não está fechada.
Se Noronha Lopes juntar ao seu bom programa, e à sua competente equipa, uma forma de falar mais convincente, mais humana, mais clara, não tomo como certo o triunfo de Rui Costa.
Vamos a mais ses.
Se Noronha corporiza parte da mudança exigida pelos simpatizantes de João Diogo Manteigas, certamente receberá uma boa parte desses 12.259 votantes (cerca de 203 mil votos).
Acredito que também os eleitores de Martim Mayer e Cristóvão Carvalho (cerca de 1600) optarão, na sua maioria, por Noronha Lopes.
Se a minha teoria política não andar longe da verdade, serão pois os saudosistas do vieirismo, e das suas más práticas, a decidir a eleição.
E aqui já não me atrevo a antecipar o que quer que seja.
Se (só mais um) em 2025, perante todos os escândalos, processos judiciais e estratagemas fiscais conhecidos, 11.816 benfiquistas acharam que ‘sim senhor, este Vieira é o homem certo’, então assumo a minha incapacidade de analisar estas almas.
A derrota do vieirismo, já agora, foi a melhor notícia saída da primeira volta. Para o Benfica e para o ar respirado no futebol português. Os esquemas mal-amanhados, as amizades perigosas e os sacos de notas para fins dúbios morreram nas urnas.
João Noronha Lopes tem a força máxima dos argumentos do seu lado para ser o próximo presidente do Benfica. Falta-lhe o lado teatral, a agilidade retórica, a comunicação afinada e ilustrada em frases simples e impactantes.
A liderança de Rui Costa tem sido um constante ato falhado. Noronha só não a capitalizará se voltar a desperdiçar um golo de baliza escancarada.
Parece-me difícil.

PS: a degenerescência do Benfica no plano internacional, amplamente exibida na mediocridade da equipa na Champions 25/26, é outro elemento a ser dissecado e capitalizado pela candidatura de Noronha Lopes. Sem mitos, aventuras ou utopias desgarradas, o Benfica tem de saber bem o que quer. Sábado fará essa escolha."

Boi de piranha


"O ser humano é sedento por uma boa história. Uma teoria bem construída, então, alimenta durante dias, semanas ou até mesmo meses e anos o nosso desejo desenfreado pelo desconhecido.
Os fatos, por si só, são quase sempre aborrecidos. Mesmo quando nos instigam e geram interesse, rapidamente caem no esquecimento ou perdem espaço para uma especulação qualquer. A conspiração aguça a mente.
Fábio Veríssimo acusou o FC Porto de, no intervalo do jogo contra o Sp. Braga, no Dragão, colocar imagens em loop de um lance arbitrado por ele minutos antes. Para piorar, (supostamente) não havia como desligar a televisão.
O clube azul e branco, por sua vez, não desmentiu. Primeiramente, emitiu um comunicado com extensos oitos parágrafos, sem nenhuma menção ao caso. Preferiu o contra-ataque: fez acusações contra o mesmo árbitro.
No dia seguinte, o próprio presidente portista André Villas-Boas teve a oportunidade de abordar a mais nova (e vergonhosa) polêmica no futebol português. Não só chutou para o lado, como ainda ofereceu uma deliciosa distração aos jornalistas.
«Há muito tempo que o Sporting tem o presidente do Benfica no bolso», disparou o portista, que, na semana anterior, já havia falado em «santas alianças na segunda circular que visam enfraquecer» os dragões.
No Brasil, há uma curiosa expressão popular para a estratégia montada por Villas-Boas: boi de piranha. Resumidamente, é o sacrifício de um indivíduo na tentativa de livrar outro indivíduo (ou organização) de alguma dificuldade.
A definição tem como origem os criadores de gado. Ao atravessar um rio infestado de piranhas, escolhem um boi velho ou doente para atrair os peixes carnívoros, enquanto os outros fazem a travessia sem perigo iminente.
Dito e feito. Neste momento, o que aconteceu (ou não) com Fábio Veríssimo praticamente passou para segundo plano, seja nas redes sociais ou, sobretudo, na Comunicação Social. O assunto do momento é o que acontece (ou não) na capital do país."

Observador: Decisão - Da Champions aos votos de Vieira. O que esperar do debate?

BF: 5 erros de Mourinho!

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - Benfica perde outra vez: derrota e consequências

Observador: E o Campeão é... - A calculadora do Benfica tem uma conta cada vez mais difícil

Observador: Três Toques - Chicharito Hernández multado por não comemorar Halloween

Zero: Saudade - S04E09 - Ronaldo...

Visão: Fernando Martins...

Pre-Bet Show #156 - Quem merece ir à Seleção?

Resultado injusto


"O Benfica foi derrotado, por 0-1, no encontro com o Bayer Leverkusen na Liga dos Campeões. Este é o tema em destaque na BNews.

1. Proibido desistir
José Mourinho elogia a equipa e recusa atirar a toalha ao chão: "Este jogo convence-me de que podemos ganhar os pontos que nos faltam. Tudo aquilo que preparámos, os jogadores fizeram muito bem, com uma entrega extraordinária. É uma derrota, não há volta a dar, mas é um jogo muito bem conseguido. Perdemos porque não fizemos golos." Futebol | "Este jogo convence-me de que podemos ganhar os pontos que nos faltam"

2. Faltaram os golos
Na opinião de Aursnes: "Tivemos bons momentos e podíamos ter vencido."
Tomás Araújo alinha pelo mesmo diapasão: "Não 'matámos' o jogo e acabámos por sofrer o golo."
Richard Ríos sublinha: "Fizemos as coisas boas que o treinador pediu."
E Barreiro vinca: "Criámos muitas ocasiões."

3. Chamadas internacionais
Já são conhecidas algumas das convocatórias que envolvem jogadores do Benfica para as próximas datas FIFA.

4. Goleada
Na UEFA Youth League, o Benfica ganhou por 5-0 frente ao Leverkusen. Gonçalo Moreira bisou e juntou-se a Diogo Gonçalves e José Gomes como melhor marcador de sempre do Benfica na competição (11 golos).

5. Seleções jovens
Jaden Umeh marcou pela Irlanda no Mundial Sub-17, e são 4 os atletas das equipas da Formação do Benfica que integram a mais recente convocatória da Seleção Nacional Sub-19.

6. Eleições 2025
Leia o comunicado procedimental divulgado pela Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica.

7. Outros resultados
O Benfica venceu, por 93-90, ante o Le Mans Sarthe Basket na fase de grupos da Basketball Champions League. Em futsal, triunfo, por 3-1, frente ao Caxinas. A equipa feminina de basquetebol perdeu, por 65-66, na receção ao MB Zaglebie Sosnowiec. Em andebol no feminino, vitória benfiquista, por 33-20, imposta à AA São Pedro do Sul.

8. Jogos do dia
Hoje há dois embates europeus na Luz. Às 17h30, a equipa feminina de voleibol do Benfica disputa a 1.ª mão da 3.ª ronda de qualificação da CEV Champions League com o OTP Banka Branik, da Eslovénia. Às 20h30 é a vez de a equipa masculina de hóquei em patins entrar no rinque para enfrentar o Hockey Bassano 1954 em partida referente à jornada inaugural da WSE Champions League.

9. Sorteios
Em futebol no feminino, o Benfica vai defrontar o Clube de Albergaria na 3.ª eliminatória da Taça de Portugal. Em basquetebol, as águias encontram-se com o SC Braga nos oitavos de final da Taça de Portugal."

MAG: comunicado procedimental


"Considerando a segunda volta das Eleições, a realizar no dia 8 de novembro, cabe informar que, pese embora o sucesso global da operação de dia 25/10, a Mesa detetou situações que devem ser corrigidas, implementando novos processos, nos termos seguintes:
1. Os acessos de prioritários serão melhorados em todas as secções, nomeadamente no Estádio da Luz, garantindo um especial cuidado no acesso aos pavilhões;
2. O fluxo de sócios nas secções fora do Estádio da Luz deve ser mais rápido e eficiente, diminuindo, globalmente, o tempo de voto. Para esse efeito, aumentámos significativamente os meios físicos alocados às secções, nestes termos:
A) Introduzimos melhorias em 44 secções de voto – além das duas de Lisboa;
B) Aumentámos 72 cabinas de voto, que correspondem a 144 pontos de votação;
C) Aumentámos 8 pontos de check-in; 3. Assim, teremos, no total das 108 secções, 576 cabinas de voto, 301 check-ins e 472 urnas;
4. Implementámos novos processos na identificação dos sócios, permitindo que, mantendo a confirmação efetiva da identidade, se reduza para metade o tempo de permanência nos postos de identificação;
5. ⁠Encontrámos 5 novas instalações, em substituição das anteriores, que permitem assegurar a melhoria global das condições de voto, a saber:
Amadora
Escola Roque Gameiro Av. Aviação Portuguesa, 2700-316 Amadora

Barcelona
Melia Sky Barcelona PereIV, 272-286, 08018 Barcelona

Chaves
Hotel Premium Chaves – Aquae Flaviae Praça Do Brasil, 5400-001 Chaves

Loures
Escola Dr. António Carvalho Figueiredo Rua 25 de Abril, 2670-482 Loures

New Bedford
Casa do Benfica 34 Beetle ST, MA02746-1957

Paris
Mercure Paris Gare de Lyon 2Pl. Louis Armand, 75012 Paris

6. Ao longo do dia de votação implementaremos um esquema de informação que permita aos sócios escolherem as secções com melhor fluxo.

Estas são, para os devidos efeitos procedimentais, as alterações logísticas a implementar desde já.
A Mesa manter-se-á em contacto com as candidaturas, a fim de promover uma ativa colaboração na melhoria das referidas condições, saudando a disponibilidade que manifestaram em atingirmos uma votação, de novo, recorde, ultrapassando o objetivo de participação de 100 000 sócios.
Dos sócios que constam do caderno eleitoral, 160 508 têm a situação regularizada, distribuídos da seguinte forma:
3 votos – 46 313
10 votos – 29 636
20 votos – 56 971
50 votos – 27 588"

Renascença: Jogo da Palavra - Vítor Serpa. "Apanhei o Platini a espiar o treino do Porto antes da final da Taça das Taças-84"

ESPN: Futebol no Mundo #506 - DESRESPEITO a Ancelotti, SUPER BAYERN e SUPREMACIA inglesa na Champions

TNT - Melhor Futebol do Mundo...

BolaTV: Lado B - S02E14 - Pedido de casamento do Leclerc

Zero: Fantasy - Jornada 11: Aposta no Benfica e vários calendários a refletir

A liderança que funciona


"Nos últimos dias recebi várias questões relacionadas com liderança. A liderança da própria pessoa, a do treinador da equipa, a que a minha chefia faz ou deveria fazer. De forma simples e concreta, a liderança que funciona é aquela que atinge os resultados definidos. Se for de forma sustentável e duradoura, melhor ainda. Se conseguir criar pilares que permitam à estrutura e às pessoas continuar a produzir e a funcionar sem a presença constante do líder, excelente. E se, além disso, ajudar a formar outros líderes, quase perfeito. Então, o que seria necessário para ser perfeita? Nada, porque essa liderança não existe.
Aponto quatro ou cinco elementos que devem ser considerados sempre que se analisa uma liderança: a pessoa (ou o líder em questão), o contexto, os liderados, e os objetivos pretendidos. Um quinto elemento poderá ser o ambiente em redor, distinto do contexto, pois este último diz mais respeito às dinâmicas internas, enquanto o ambiente se refere a fatores externos.
No desporto de alto rendimento, e provavelmente também no contexto corporativo, raramente assistimos a equipas que vencem sempre, mesmo ao longo de uma única época. As pessoas (líderes e liderados) mudam constantemente de estado de espírito, o contexto e o ambiente não são estáticos, e há sempre adversários que se preparam, interferem, estudam-nos e nos tentam superar.
Somos muito exigentes com os outros, com os líderes, os treinadores ou os atletas, sendo muitas vezes bem menos connosco próprios. A cultura da exigência e da responsabilização tende a funcionar apenas num sentido. E esse tipo de liderança está condenada a durar pouco. Sem uma cultura organizacional sólida, robusta e um propósito partilhado, nenhum líder resiste por muito tempo.
Já falei aqui sobre a importância vital dos resultados, sobre a necessidade de termos um Estiarte (como Guardiola tem) ao nosso lado, e sobre a importância de construirmos e alimentarmos uma cultura forte e coerente entre todos.
Por fim, o que não podemos permitir é aquilo a que chamo eficiência podre, quando os resultados de cada área são atingidos, ou quase, mas os resultados globais, os realmente importantes e que interessam, ficam por alcançar. Em que cada chefia fica satisfeita por ter cumprido a sua parte, mas o objetivo maior da organização é relegado para segundo plano, porque eu sou avaliado pela minha área. É o momento em que cada um olha apenas para a sua árvore, esquecendo-se da floresta."

Rabona: Is there ANY club stronger than Bayern Munich? (UCL This Week)

SportTV: ReporTV - O espírito de Resistência

Golos da Champions...

Uma aspirina que causou uma dor de cabeça gigante ao Benfica


"O Benfica cedeu a quarta derrota em outros tantos jogos na Liga dos Campeões esta temporada, ao perder com o Bayer Leverkusen por 1-0, num jogo em que desperdiçou várias oportunidades para fazer melhor. As esperanças na qualificação são cada vez mais ténues, num jogo que os encarnados deixaram que ficasse ligado à corrente do caos

Parece uma antítese, como tantas vezes o foi no tempo de Xabi Alonso. Uma equipa de farmacêuticos que causa dores de cabeça. Mas esta noite, na Luz, a derrota frente ao Bayer Leverkusen foi para lá de uma arreliante cefaleia: significa o mais que provável fim do Benfica na Liga dos Campeões. Mesmo que não matematicamente, pelo menos no que à lógica da competição diz respeito. 
Mas é diferente ter dores de cabeça com esse Bayer de Xabi, campeão alemão há dois anos, do que com um Bayer em reconstrução, como é este que chegou a Lisboa, uma equipa em busca de uma nova identidade, com caras novas à procura de confirmar a aposta (Ernest Poku, por exemplo), uma equipa aleatória em certos momentos, a namorar o caos em outros. O Benfica, ainda que com oportunidades para não terminar o quarto jogo na Champions com a quarta derrota, não conseguiu sair desse caos, dessa indefinição que alguns chamam de emoção, de “excelente jogo de futebol”, mas que não passou, quase sempre, de um duelo entre duas equipas cheias de dúvidas.
Dúvidas que José Mourinho terá tentado mitigar pedindo músculo a Leandro Barreiro, habituado às pendulares idas e vindas da Bundesliga, que surgiu como médio mais próximo de Pavlidis. Sudakov foi exilado para a esquerda. Não resultou, num jogo que cedo deu ares de barafunda, quando aos 11 minutos a uma arrancada de Poku, que Tomás Araújo travou com um corte de classe, o Benfica respondeu com uma arrancada análoga, com Ríos a encontrar Lukebakio, que picou a bola para o ferro.
Era uma espécie de final olímpica dos 100 metros em que a meta era uma baliza.
Mesmo com Grimaldo como espécie de estrela-guia, vindo da esquerda para criar vantagens a meio-campo, prevalecia o nervosismo no Bayer. O Benfica conseguia, com regularidade, cheirar a baliza alemã, mas faltou pragmatismo. Barreiro e Lukebakio estiveram perto de o conseguir na mesma jogada, aos 26’, e a bola voltou a ter um encontro de terceiro grau com a barra aos 33’, quando Otamendi saltou mais alto num canto.
O Bayer, na boa tradição sem filigranas de Kasper Hjulmand que apaixonou muito boa gente no Euro 2020, quando era selecionador da Dinamarca, tentava sempre a forma mais em linha reta possível para chegar à baliza: aos 35’, com dois toques no corredor central, colocou Poku isolado em frente a Trubin, mas faltou (e falta, em geral) acerto técnico ao neerlandês.
Ainda antes do final da 1.ª parte, já o Benfica-Bayer era um jogo partido, perigoso para o Benfica. Mais ainda quando o espaço que os alemães também ofereciam era desbaratado. Lukebakio, especialista sempre-na-mesma-jogada, terá sonhado aos 43’ ter um pé direito para deixar de ter a tentação de driblar em busca da sua canhota. Talvez o grande passe de Sudakov, desde o meio-campo, tivesse acabado em golo e não numa bola rematada contra um adversário - no futebol, o timing não é tudo, mas quase.
Pavlidis falhou a recarga nesse lance, o remate saiu prensado, e no início da 2.ª parte também não se deu bem com o timing, ou com a tomada de decisão, procurado contornar Mark Flekken quando se viu, por um acaso, em frente ao guardião do Bayer, que aproveitou a falta de repentismo do grego para lhe subtrair a bola.
Ao contrário de Mourinho, Hjulmand mexeu, atirou Patrik Schick lá para dentro, dos poucos resquícios do Bayer de Xabi que ainda moram em Leverkusen, e com ele os germânicos aumentaram os níveis de perigo esperado. E aos 64’, o checo marcou. Ou melhor, aproveitou um presente. O avançado viu Trubin negar-lhe um primeiro remate e, no alívio, Samuel Dahl lateralizou o corte, que foi direitinho para a cabeça de Schick. Um golo inglório, talvez injusto, mas num jogo descontrolado, o difícil é que a narrativa não fuja das mãos de quem o joga.
Ao golo adversário, Mourinho respondeu com a entrada de Prestianni, Dedic e Schjelderup, havia ainda quase meia-hora para jogar mas logo ali pareceu tarde. O Benfica estava numa espécie de pântano, como se as pernas de cada jogador pesassem o dobro, a frescura mental o triplo. Deixou de haver discernimento, o Benfica tornou-se uma equipa atrapalhada - case in point, aquela escorregadela de Lukebakio já nos minutos finais, quando estava em excelente posição para empatar. Seria cómico se não fosse, naquela altura, algo trágico.
Como na Champions nenhuma equipa é uma ilha e os clubes jogam entre si, dificilmente o Benfica sairá da armadilha em que se meteu. Matematicamente nada é impossível, claro está. Mas fora de portas - e às vezes dentro delas - o Benfica parece demasiado mergulhado nas suas incertezas para ir mais longe do que isto."