Últimas indefectivações

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Desporto


"A Semana Europeia do Desporto está aí para nos recordar que o desporto é muito mais que competição, relevando em duas dimensões importantíssimas, o desporto para todos e o desporto ao longo da vida. Por isso, se quisermos verdadeiramente entender e aproveitar o desporto de uma forma integral, devemos fazê-lo para lá do jogo ou do espetáculo, tocando domínios tão importantes como a saúde, a educação, a inclusão e a aprendizagem ao longo da vida.
Na verdade, desde a mais tenra infância, quando a motricidade desperta e se desenvolve, até à velhice, quando a atividade física prolonga a autonomia e a dignidade, o desporto potencia e transforma vidas. Promove a igualdade de género, a integração dos diferentes, combate o isolamento e edifica o envelhecimento ativo, constrói pontes onde antes havia barreiras, e possibilidades onde parecia não haver opções.
Por tudo isto, investir no desporto é investir no futuro do país e da Europa. Menos doença, mais qualidade de vida, menos custos de saúde pública, mais energia produtiva e bem-estar coletivo. Mais produtividade, mais coesão social e maior longevidade. Por tudo isto, assumimos o desporto como instrumento de progresso social e humano.
Carrega, Benfica!"

Jorge Miranda, in A Bola

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Antevisão...

Missão...

Preparação...

Treino...

BI: Antevisão - Newcastle

Grau de dificuldade elevado

Visão: S07E08 - O grande dia - Eleições

Kanal: Tamos Juntos...

Basquetebol Feminino: 63-55

BF: Como o Benfica pode somar pontos na Champions, já em Newcastle!

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Zero: Tema do Dia - A justificação para o título mundial de Marrocos

Zero: Ataque Rápido - S07E12 - Benfica e FC Porto testados - exagero nas críticas a Borges?

Observador: Decisão - O “mito” das receções aos candidatos nas casas do Benfica

Observador: Decisão - Como pôr o Benfica a ganhar mais no futebol?

Observador: E o Campeão é... - Benfica, Sporting e FC Porto vão ter festa da Taça

Observador: Três Toques - Garnacho. À falta de jeito no campo, conquista com penteados

O Desporto português e a arte de pedir sem convencer!


"Mais uma vez escrevo sobre este tema.... O desporto português sofre de um problema de auto-respeito. Década após década, repete-se o mesmo ritual: dirigentes a pedir mais dinheiro, ministros a prometer o que podem e no fim, todos a queixarem-se de que o Estado dá migalhas. E dá mesmo. Mas há uma pergunta que ninguém quer enfrentar: o que é que o desporto faz para merecer mais do que migalhas?
A verdade é dura, mas necessária: o desporto nacional continua preso à lógica da mão estendida, não da mão que constrói. Pede-se mais, mas raramente se apresenta um plano. Pede-se orçamento, mas não se mostram resultados. Exige-se apoio, mas não se oferece visão.
Há dias li, no Público, um artigo assinado por um dirigente desportivo, mais um que retoma o discurso do costume: a “necessidade urgente de mais apoios”, sem uma linha sobre o que fazer com eles. Sem metas, sem visão, sem KPIs. É a velha escola da mão estendida: a crença de que o problema do desporto português é apenas a falta de dinheiro, e não a falta de estratégia. o autor segue a tradição inaugurada por quem, há décadas, criou verdadeira jurisprudência nesta matéria o antigo presidente do COP arrastando toda uma classe dirigente.
Mas o desporto português não precisa de palmadinhas nas costas. Precisa de respeito. E o respeito não se mendiga conquista-se.
De facto os números não mentem: nos últimos 25 anos, o número de praticantes duplicou, enquanto o financiamento real encolheu. O Estado pede mais com menos e muitos clubes e Associações estão hoje à beira do colapso. Algumas medidas óbvias que o referido dirigente preconiza continuam por tomar: redistribuir parte do imposto especial do jogo online (mais 13 milhões por ano), aplicar IVA a 6% nos bilhetes de espetáculos desportivos, equiparando-os aos da cultura. Mas, no fim, o que se propõe é apenas mais um SNS do desporto, uma máquina pública sem estratégia, feita para sobreviver, para triturar recursos e não para evoluir.
O poder político, por seu lado, continua a ver o desporto como um luxo simpático, um adereço social que só ganha importância quando alguém traz uma medalha. Entre Jogos Olímpicos, e Campeonatos do Mundo e depois regressa o silêncio. E nesse silêncio, repete-se a ladainha: “precisamos de mais meios”.
Mas o problema não está apenas em quem decide. Está, sobretudo, em quem pede. O desporto português ainda não aprendeu a falar a linguagem que convence quem tem a caneta do orçamento: planeamento, metas, retorno social e económico, sustentabilidade. Em vez de apresentar projetos com impacto, apresenta listas de necessidades. Em vez de indicadores de sucesso, apresenta queixas.
Nos países que levaram o desporto a sério — Reino Unido, Austrália, Noruega — o investimento público não cresceu por generosidade, mas por método. Planos plurianuais, metas mensuráveis, governação profissional, accountability. Resultado: medalhas, sim mas também sistemas desportivos sólidos, que geram valor económico, reduzem custos na saúde e reforçam o tecido social.
Em Portugal, o desporto continua a viver à boleia dos ciclos políticos. Confunde financiamento com favor e investimento com subsídio. E enquanto não se afirmar como causa estratégica nacional, com um plano a dez anos e resultados tangíveis, continuará a sobreviver de “migalhas com cerimónia”: palmadinhas, selfies ministeriais e promessas recicladas.
Chegou a hora de mudar o paradigma. Deixar de pedir e começar a convencer. Trocar a mão estendida por uma visão estendida sobre o futuro.
Em nota de rodapé e para os nossos Governantes, o verdadeiro investimento começa quando o desporto português deixa de ser um apelo emocional e passa a ser uma estratégia nacional."

Será agora que a máquina arranca, Ruben?


"Aleluia! Pela primeira vez desde que chegou a Manchester, o seu treinador ganha duas vezes seguidas para a Premier League. E logo em Anfield, casa do campeão inglês em título...

Será agora, Ruben? Será agora que, por fim, o Manchester United engrena e faz uma época ao nível de outros tempos? Ninguém sabe. A verdade, porém, é que o triunfo em casa do Liverpool (o 2-1 chegou pela cabeça de Maguire, o Coates dos red devils de Amorim), campeão de Inglaterra em título, teve muito de surpreendente e de heroico. Três pontos semelhantes a tantos outros que, em 2020/2021 — quando se sagrou campeão nacional pela primeira vez ao serviço do Sporting —, Ruben Amorim foi somando aqui e ali. Em Alvalade, por exemplo, houve jogos em que o fator Amorim apareceu: frente ao Farense (Sporar fez o 1-0 aos 90+1), contra o Benfica (Matheus Nunes marcou o 1-0 aos 90+2), diante do Santa Clara (Coates fez o 2-1 aos 90+3, depois de Costa ter empatado aos 84), frente ao B SAD (Coates reduziu para 1-2 aos 83 e Jovane Cabral fez o 2-2 final aos 90+5) e ainda na vitória sobre o Gil Vicente, em Barcelos (Coates marcou aos 83 e aos 90+1, invertendo o 0-1 para 2-1).
Ruben Amorim já vivera outros momentos altos nestes mais de 11 meses ao comando do Manchester United. Como, por exemplo, ao sétimo jogo pelos red devils, quando foi vencer a casa do rival City — então campeão inglês e futuro campeão europeu — com Bruno Fernandes e Diallo a virarem o resultado nos minutos finais (aos 88 e 90), transformando o 0-1 num 2-1 memorável. Porém, logo depois, seguiu-se uma série negra de quatro derrotas consecutivas: 3-4 com o Tottenham, 0-3 diante do Bournemouth, 0-2 frente ao Wolverhampton e 0-2 com o Newcastle. Já esta época, o United recebeu e venceu o Chelsea por 2-1, mas voltou a cair na jornada seguinte, perdendo com o Brentford por 1-3. Agora, finalmente, a equipa soma duas vitórias consecutivas na Premier League — algo que ainda não havia conseguido em 35 jornadas sob o comando de Amorim.
A pergunta faz mesmo sentido: será agora, Ruben? Será agora que, por fim, o Manchester United engrena e faz uma época ao nível de outros tempos? Até ao final de 2025, o United não terá de enfrentar Arsenal, City, Liverpool ou Chelsea. O jogo mais complicado, em teoria, será a receção ao Bournemouth, atualmente 4.º classificado da Premier League. O calendário restante inclui partidas em casa contra Brighton, Everton, West Ham, Bournemouth, Newcastle e Wolverhampton e deslocações a casa de Nottingham, Tottenham, Crystal Palace, Wolverhampton e Aston Villa. Onze jogos que, embora não possamos chamar de decisivos, serão fundamentais para definir a época 2025/2026 para Ruben Amorim, Bruno Fernandes e Diogo Dalot. Não se sabe se será mesmo agora, mas a verdade é só uma: Ruben Amorim merece, pela tenacidade e estoicismo demonstradas ao longo de 11 meses, ter um período com menos stress. Para já, vem aí o Brighton. Que já ganhou a City, Chelsea e Newcastle. Será mesmo agora, Ruben?"

O Coração do Benfica


"A campanha de João Diogo Manteigas começou a 13 de setembro de 2024. No dia 19 de outubro de 2025, apresentou o seu programa eleitoral. Mas nenhuma data, nenhum documento, nenhuma contagem de voltas pode medir aquilo que verdadeiramente aconteceu. Porque o que esta campanha trouxe ao Benfica não se mede em números. Mede-se em corações. Mede-se em paixão. Mede-se na alma viva do benfiquismo de base.
O Benfica de base ainda existe. Vive em cada adepto que acorda cedo e sonha alto. Vive em cada voluntário que percorre o país, que sacrifica horas de sono, que entrega o que tem de mais precioso: o seu tempo, o seu suor, o seu coração. Vive em cada gesto silencioso que ninguém nota, mas que sustenta o clube de geração em geração. Este Benfica não se compra. Não se vende. Não se submete. Este Benfica sente-se.
Enquanto voluntário desta campanha, senti o que é pertencer a algo maior do que nós. Senti a força de pessoas como eu: que largam compromissos, que caminham quilómetros, que enfrentam a exaustão, apenas por acreditar que o clube pode voltar a ser o gigante que foi. Que o clube pode voltar a ser temido, respeitado e admirado. Que o Benfica ainda pode erguer-se, mais forte, mais unido e mais dono de si. E mesmo que esta candidatura não alcance uma segunda volta, mesmo que não vença nas urnas, o que se alcançou é eterno: a certeza de que o benfiquismo de base está vivo. Que pulsa. Que inspira. Que transforma.
O programa de João Diogo Manteigas é mais do que um conjunto de propostas: é um manifesto de amor. Um grito que atravessa tempos e espaços, dizendo ao Benfica que ele pertence a todos, que cada sócio, cada adepto, cada voluntário é o seu alicerce. Que o clube precisa reconhecer quem o sustenta, quem o protege, quem o ama de forma incondicional. Que a mudança não é de uma só voz; é o coro de todos os que acreditam num Benfica mais democrático, mais inclusivo, mais dono de si, mais consciente do tesouro que possui.
O Benfica não se mede em vitórias nem em títulos. Medimos o Benfica pelo coração que pulsa em cada adepto,pelo suor que escorre na busca do impossível,pela coragem de acreditar quando todos os outros duvidam.
O Benfica de base ainda existe.
É vivo. É forte. É dono da sua alma. É feito de quem ama sem esperar nada em troca, de quem luta sem medo, de quem sonha com o clube gigante que sempre foi.
É a nossa paixão que o mantém vivo.
É a nossa dedicação que o faz crescer.
É a nossa voz coletiva que lembra ao clube quem realmente o sustenta, quem constrói o seu futuro, quem mantém acesa a chama do benfiquismo autêntico.
O Benfica de base não morre.
Florece em cada gesto, em cada ação, em cada sonho. É o sorriso de quem se levanta cedo para ajudar, o abraço entre irmãos que partilham a mesma fé, o grito silencioso de quem torce, luta e acredita. Enquanto houver quem o ame assim, o Benfica será sempre grande. Sempre nosso. Sempre eterno. Sempre indomável. Sempre imortal.
Esta campanha é a prova de que o Benfica, mesmo nos tempos mais desafiadores, não perdeu a sua essência. Que o benfiquismo de base, feito de pessoas comuns mas extraordinariamente apaixonadas, continua a existir, a resistir, a inspirar. Que o futuro do clube não se escreve apenas em títulos, mas em cada coração que bate pelo Benfica, em cada gesto que mantém viva a chama da sua alma. O que esta candidatura mostrou é simples, mas profundo: o Benfica só será gigante enquanto houver quem acredite nele de corpo e alma. Enquanto houver paixão, entrega, coragem e amor. Enquanto houver quem lute, caminhe, sonhe e construa pelo Benfica todos os dias. E enquanto houver isso, o Benfica será eterno. Porque o Benfica não é apenas um clube. O Benfica somos todos nós. O benfiquismo de base é isso mesmo: a essência do clube, fundada em valores de união, solidariedade, dedicação e amor incondicional. É o espírito que fez do Benfica uma instituição maior do que o futebol, que respeita as suas raízes, valoriza os sócios e adeptos e mantém o clube próximo das pessoas que o constroem todos os dias."

Atualidade do Benfica


"Esta edição da BNews aborda vários temas da atualidade benfiquista.

1. Preparação para o Newcastle
Veja as melhores imagens do treino realizado nesta manhã.

2. Prestianni em destaque
O jogador do Benfica sagrou-se vice-campeão do mundo Sub-20 e esteve em bom plano ao serviço da Argentina.

3. Taça de Portugal
O Atlético Clube de Portugal é o próximo adversário do Benfica, o qual atuará na condição de visitante.

4. Troféu conquistado
A equipa feminina de hóquei em patins venceu a Taça Professor João Campelo, ao ganhar a final, por 2-0, frente à Stuart Massamá.

5. Outros resultados
Em masculinos, o Benfica ganhou ao Imortal, por 98-57, em basquetebol. Venceu, por 0-3, na visita ao Valongo em hóquei em patins. E foi derrotado em râguebi pelo Direito por 21-25. Em femininos, vitórias em futebol (1-5 no Marítimo), futsal (1-6 no Águias de Santa Marta) e voleibol (3-1 ao PV Colégio Efanor). Em basquetebol, desaire, por 63-55, no pavilhão do Quinta dos Lombos.

6. Outros resultados (formação)
Os Sub-23 triunfaram, por 2-0, ante o Santa Clara, os Juniores empataram a um golo (1-1) no reduto do Santa clara, os Juvenis ganharam, por 0-2, ao Casa Pia, e os Iniciados empataram 1-1 com o Sporting.

7. Excelente desempenho
Vasco Vilaça conquista o bronze no Mundial de triatlo.

8. Comunicado
Leia o comunicado oficial da Mesa da Assembleia Geral do Sport Lisboa e Benfica.

9. Eleições 2025
Veja o debate entre todos os candidatos a presidente da Direção do Sport Lisboa e Benfica na BTV, em direto e em sinal aberto, na próxima quinta-feira às 21h00.

10. Casa Benfica Tavira
Conheça esta embaixada do benfiquismo através da lente da BTV."

Comunicado da MAG


"A MAG esclarece o seguinte:
1. É totalmente falso que existam cadernos eleitorais diversos ou que os mesmos não sejam consultáveis pelas candidaturas;
2. Como tem sido referido pela MAG, no Sport Lisboa e Benfica há um caderno central e único, onde constam, para efeitos de identificação eleitoral, o número de sócio, nome e número de votos a que cada sócio tem direito – o que é essencial para permitir que qualquer sócio possa votar numa das 108 secções à sua escolha;
3. ⁠Mais, a operação de descarregamento do voto é operada e monitorizada pela empresa contratada para assegurar, formal e materialmente, a integridade do processo;
4. ⁠Neste quadro, na passada semana realizou-se uma reunião com os mandatários das candidaturas, onde foram referidos, entre outros, dois aspetos essenciais:
A) as candidaturas foram convidadas a apresentarem um mandatário suplementar para, no dia das eleições, acompanharem a evolução eleitoral, no âmbito do caderno – e verificarem o estado de cada sócio com capacidade eleitoral ativa;
B) as candidaturas poderão, também, consultar o caderno, na secretaria geral, mediante solicitação, não sendo passível, naturalmente, a sua reprodução;
5. Torna-se necessário, ainda, relembrar o seguinte: o caderno eleitoral encontra-se fechado desde 25 de setembro, com os números que foram comunicados aos sócios – 255 117 sócios – com possibilidade de votarem, desde que a sua situação, no dia 25/10, seja regular, isto é, com, pelo menos, as quotas do mês de agosto de 2025 pagas."

Sábado, o Benfica vai a votos


"O poder encontra-se onde deve estar, nas mãos dos sócios, que – todos e não apenas alguns - são o Benfica. Decididas as eleições, ganhe quem ganhar, o maior perigo virá sempre de tendências autofágicas que coloquem o ego à frente da instituição, que minem a estabilidade e não sejam mais do que agentes do caos...

No próximo sábado realizam-se as eleições para os Órgãos Sociais do Benfica, em que pela primeira vez, só será eleito quem obtiver metade mais um dos votos, nem que para isso haja necessidade de uma segunda volta. Esta medida deriva dos novos estatutos, e parece-me justa e clarificadora, já que umas eleições com grande número de candidatos podiam levar a uma pulverização dos votos, que legitimasse na presidência quem representasse, por hipótese, a vontade de apenas 20 por cento dos eleitores. Esta foi uma das partes positivos da revisão estatutária, que deixou de lado, incompreensivelmente (e não me digam que foi por dificuldades técnicas, porque bastava copiar e adaptar o que é feito noutros grandes clubes ibéricos) a possibilidade da criação de uma Assembleia de Delegados, que substituísse a atual Assembleia Geral, mais próxima, na lógica, de 1904 do que 2025.
Do que foi visto na campanha eleitoral, há que dizer que houve tudo, ideias boas, ideias originais, ideias boas que não eram originais e ideias originais que não eram boas. Também houve quem se preocupasse em debater construtivamente, e quem se limitasse a lançar lama para a ventoinha, algo que não terá passado em claro aos sócios eleitores, que normalmente cheiram à légua uns e os outros, e sabiamente chegam a boas conclusões. Existe, porém, um lado fraco na força das eleições dos clubes, e o Benfica não é exceção, que tem a ver com a tendência em embarcar no canto da sereia, tornando-se vulnerável à demagogia. Na Luz, o exemplo de Vale e Azevedo, que derrotou nas urnas, claramente, o Professor Luís Tadeu, que apresentava um projeto sério e responsável, é prova disso mesmo.
Às eleições do próximo sábado vão concorrer dois candidatos que sempre venceram as eleições do Benfica a que se candidataram, Luís Filipe Vieira e Rui Costa; e há também a questão da vantagem que normalmente se associa ao incumbente, neste caso, Rui Costa: é preciso recuar a 2000, com Vale e Azevedo, e antes a 1987, com Fernando Martins, para encontrarmos exemplos de presidentes recandidatos que perderam eleições (para Manuel Vilarinho e João Santos, respetivamente). Pelo caminho, de Fernando Martins (que por sua vez tinha vencido o presidente incumbente, José Ferreira Queimado, em 1981) para cá, houve três líderes que não levaram os mandatos até ao fim, Jorge de Brito, Manuel Damásio e Luís Filipe Vieira.
Perante o crescimento do número de sócios, e atendendo ao mediatismo em torno deste ato eleitoral, é de esperar uma afluência às urnas que bata o recorde de um pouco mais de 40 mil votantes, verificado na confirmação de Rui Costa. Se assim for, estará dada mais uma prova de vitalidade global de um clube que tem mantido uma média de espetadores altíssima nos jogos caseiros, e que tem na juventude que se interessa pela vida da instituição a maior garantia do seu futuro.
Os dados estão lançados, e a disparidade entre a importância eleitoral dos sócios com mais anos de filiação, relativamente aos mais recentes, torna os resultados, em minha opinião, insondáveis. O que há para ser enfatizado neste momento é que o destino do Benfica está onde pertence, ou seja, mas mãos dos seus sócios porque, no fim do dia, eles é que são o Benfica. Todos e não só alguns. E será com aquilo que decidirem que o clube terá de viver, sendo saudável que, mal termine o processo eleitoral, as divisões se esfumem. Nada pior do que as tendências autofágicas, que colocam os egos acima das instituições."

O escrutínio de Rui Costa


"Campanha no Benfica entra na fase decisiva, com o atual presidente alvo de todos os outros candidatos. E o resultado em Newcastle pode desequilibrar os pratos da balança

Falta menos de uma semana para as eleições do Benfica e os seis candidatos multiplicam-se em intervenções públicas para captarem os indecisos — ou pelo menos para tentarem ganhar terreno para uma segunda volta que parece inevitável.
As promessas repetem-se, as acusações reforçam-se, os soundbytes reiteram-se, e fica cada vez mais difícil distinguir o trigo do joio.
Não o digo em tom de crítica, porque o leitor de A BOLA não ouve necessariamente a rádio Observador, ou o espetador da SIC não lê necessariamente o Diário de Notícias, e portanto qualquer órgão de comunicação social tem interesse em entrevistar os candidatos, e qualquer candidato tem interesse em ser entrevistado para chegar a mais gente. Mas para quem tente ler, ouvir, ver tudo, a campanha já é uma espécie de ruído de fundo de onde só sai, aqui e ali, uma frase forte — e a maior parte já foi dita, talvez com outra formulação, um dia, uma semana, um mês antes.
Claro que há sempre espaço para ideias novas. Mas a queixa de Rui Costa, recente, em entrevista a A BOLA, nota-se cada vez mais: os outros candidatos falam mais dele do que do futuro, ou pelo menos fazem-se ouvir melhor quando o fazem.
Aconteceu com Luís Filipe Vieira, na entrevista que A BOLA publica esta segunda-feira, e o ex-presidente será até quem tem mais noção do que pode e deve fazer se voltar a liderar os destinos do clube (também é verdade que considera ter sido atraiçoado por Rui Costa, e isso transparece quase sempre que fala em público...).
Mas não há como fugir a isso. As eleições de sábado vão ser um escrutínio ao último mandato do atual presidente, e é natural que assim seja. Rui Costa sente-se frustrado com isso, por não se discutir o futuro, mas é legítimo que discutir o futuro seja discutir o passado — o que se fez mal, o que se faria diferente... —, e que seja ele, o atual presidente, o alvo principal de todos os outros.
E se o escrutínio de sábado é um escrutínio ao reinado de Rui Costa, o futebol profissional (mesmo com as finanças e o aumento do passivo a entrarem em força na campanha) dominará sempre as atenções.
Se a contratação de Mourinho passou sem grande oposição pelos outros candidatos (mesmo que uns se vinculem mais que outros à sua continuidade), um eventual desaire em Newcastle, amanhã, deixando o Benfica com zero pontos em nove possíveis na Champions, pode desequilibrar definitivamente os pratos da balança."

Benfica: o passado, o presente e o futuro


"Tinha 19 anos, quando vivi o verão quente de 1993 com o último presidente à altura da história do Sport Lisboa e Benfica.
Atacado por um adversário direto, Jorge de Brito fez tudo o que estava ao seu alcance para estancar o golpe — e o que não conseguiu evitar de imediato, veio mais tarde a ser minimamente recompensado com a indemnização que o clube que nos tentou atingir teve de pagar ao Sport Lisboa e Benfica.
Em 1993, já era evidente que o Benfica não podia continuar a viver à custa de presidentes-mecenas e Jorge de Brito foi o último. Deixou o clube sem concluir o mandato quando entendeu que os sócios já não o queriam, convocou eleições antecipadas e saiu pela porta pequena, numa saída injusta para um Benfiquista que tanto deu ao clube. Ainda assim, deixou ao seu sucessor excelentes equipas de futebol, basquetebol e hóquei em patins.
Em maio de 1994, as equipas deixadas por Jorge de Brito foram campeãs, e nessa altura o Sport Lisboa e Benfica era detentor de metade dos campeonatos de futebol disputados até então, além de ser o clube mais vencedor de Portugal nas modalidades de basquetebol e hóquei em patins.

O presente
Infelizmente, constatamos que os últimos 31 anos foram um oásis em títulos e vida associativa. 
Deixámos adormecer o gigante, e esse gigante é a incomparável massa associativa do Sport Lisboa e Benfica.
Primeiro fomos liderados por quem parecia mais interessado em fazer parte do jet set; depois, pelo Alves dos Reis do Benfica; e mais tarde, a 27 de outubro de 2000, no exacto dia em que celebrava 26 anos, tive o presente mais envenenado da minha vida associativa com a vitória de Vilarinho sobre Vale e Azevedo, pois mal eu sabia que na verdade seria a eleição dum cavalo de Troia do vieirismo, que contaminou posteriormente o sangue e o fervor benfiquista.
Por fim, elegemos alguém que, tendo a obrigação de saber o que foi e deve ser o Sport Lisboa e Benfica, não esteve à altura do cargo: Rui Costa.

O retrato de 31 anos
Nestas três décadas, o Sport Lisboa e Benfica viu o FC Porto viver a melhor década desportiva da sua história, e o Sporting alcançar feitos que nem os nossos bisavós se recordam de ter visto.
Passámos de indiscutíveis no futebol, a disputar com os nossos rivais o pódio de quem tem mais conquistas.
Fomos ultrapassados como clube mais vencedor no hóquei em patins. No andebol gastamos milhões, mas as vitrinas do museu permanecem vazias. No futsal vencemos apenas quando os adversários estão em renovação. E só no basquetebol e voleibol demonstrámos que a nossa grandeza continua viva, construída com competência e uma vontade de vencer superior à dos adversários.

O futuro
O futuro do clube dependerá muito das eleições da próxima semana.
É legítima a candidatura de todos os associados que se apresentem ao ato eleitoral de 2025, mas sem beliscar o Benfiquismo de ninguém, votarei obviamente em João Diogo Manteigas para presidente, e respetivamente, em João Leite para a Mesa da Assembleia Geral, do movimento Servir o Benfica, e em Luís Coradinho da lista de João Diogo Manteigas para o Conselho Fiscal.
João Diogo Manteigas é um candidato jovem, na flor da idade dos 40s, como jovens eram outros presidentes na altura em que foram eleitos — Borges Coutinho, Adolfo Vieira de Brito, Fezas Vital, Félix Bermudes ou Maurício de Brito foram determinantes e determinados no crescimento do nosso clube noutras décadas.
O Sport Lisboa e Benfica precisa de uma mudança significativa — uma mudança que devolva os associados ao centro das decisões, e que entenda que, no Sport Lisboa e Benfica, não basta ter saúde e participar. O que importa é ter saúde para lutar, nos relvados, pavilhões, pistas e piscinas, e terminar em primeiro.
E para terminar em primeiro, é fundamental votar naquele que mais conhecimento tem do Benfica e de todo o edifício nacional e internacional do futebol e do desporto em geral, o que escolheu a equipa mais capacitada para colocar em prática um programa com 173 páginas que é um autêntico manual do que tem de ser feito para voltarmos a ser Benfica.
João Diogo Manteigas com a sua equipa fizeram este documento com o único objetivo de escrever todos os detalhes que possam facilitar a cada equipa masculina e feminina, de todos os escalões, aquilo que todos os Benfiquistas ambicionam, que é apenas e só terminar em primeiro.
A perfeição é uma utopia, mas trabalhar com afinco, competência e Benfiquismo para a alcançar foi o que fez do Benfica um clube incomparável e único em Portugal e no mundo.
E é isso que será uma certeza na eleição de João Diogo Manteigas como o 35.º presidente do Sport Lisboa e Benfica, sem medos nem receios do julgamento dos verdadeiros donos da mística: os sócios do Sport Lisboa e Benfica!
Viva o Sport Lisboa e Benfica!"

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segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Goleada na Madeira

Marítimo 1 - 5 Benfica
Diana S., Carissa, Neide, Zidoi(a.g.), Lara


Estreia na Taça da Liga desta época, com uma goleada, construída no 2.º tempo, contra uma equipa cínica, com um onze, muito alterado, com muita rotação...
Golão da Lara!!!

Taça Professor João Campelo

Benfica 2 - 0 Stuart Massamá

Mais um troféu, desta vez a Taça da Associação de Lisboa, e mais uma vez, a vitória acabou escassa, faltaram golos, para o nosso domínio...

Atlético


Após a vitória em Chaves e a vitória do Atlético sobre o Felgueiras, a próxima eliminatória da Taça de Portugal está definida!
Mais uma vez, como visitante, vamos jogar contra um vizinho de Lisboa... vamos esperar para perceber se o jogo será na Tadapinha, ou noutro local... Pelo menos não vamos ter que fazer uma viagem longa!

Futsal Feminino: 6-1

Voleibol Feminino: 3-1

Hóquei em Patins Feminino: 12-2

O Benfica Somos Nós - S05E18 - Chaves...

Falar Benfica: Conversas Gloriosas #27

Manteigas #12 - Associativismo e Estratégia

SportTV: Cristóvão Carvalho

Vermelho no Branco #14 - Rui Gomes da Silva...

Eleições no Benfica — mudança 'versus' continuidade


"O facto de se terem apresentado muitos candidatos é sempre um fator de vitalidade de uma instituição. Contudo, o conteúdo da campanha foi muito pobre e ficou marcado ora por críticas à atual direção, ora por acusações àqueles que se apresentam como reais alternativas. Esperava que o debate se tivesse focado nas ideias e projetos que cada um tinha para apresentar.
Tal não aconteceu, por vários motivos. O primeiro foi porque, mais uma vez, se trouxe para o desporto o que não é do desporto. Quando se contratam empresas de comunicação que têm um ADN de destruição, e não de construção, o resultado só pode ser este que temos vindo a assistir: ataques pessoais, tentativas de gerar medo e dúvidas sobre a capacidade daqueles que se apresentam como alternativas, a disseminação de lixo tóxico nas redes sociais e a constante desinformação dos adeptos.
O segundo motivo tem a ver com a dificuldade de comunicação demonstrada por vários candidatos. Esta eleição gera um grande interesse mediático. Isto faz com que as diferentes candidaturas tenham a oportunidade de dar várias entrevistas, de falar em podcasts e de realizar debates, o que os deixa mais expostos. Esta exposição deveria ter sido utilizada para promoverem as suas ideias, para criarem impacto ou para transmitirem confiança aos sócios encarnados. Ao invés, o que ficou na retina foram uns quantos chavões mecanizados e sem grande conteúdo que foram repetidos vezes sem conta.

Oportunidade 'vs.' ameaça
Nas eleições do próximo dia 25 de outubro estão em causa dois caminhos: o primeiro passa pela continuidade do passado, com uma gestão pouco transparente e com muitos vícios que é representada por Luís Filipe Vieira e Rui Costa; o segundo caminho passa por um corte com o passado que permita a criação de uma nova dinâmica interna que traga transparência e reforce valores.
Naturalmente que o objetivo dos dois caminhos será sempre trazer vitórias ao clube, o que varia é a forma como podem ser alcançadas. Assim, numa primeira linha de raciocínio, o que está em causa é perceber se os sócios pretendem ou não uma mudança. Todos sabemos que as mudanças causam incómodo porque nos obrigam a sair da zona de conforto. Quem lidera tem a perfeita noção disto e tenta jogar com este ponto a seu favor. E como é que isto tem sido feito nesta campanha? A resposta é simples e bem visível. Quem lidera identifica aqueles que são as principais alternativas, e a partir desse momento cria uma campanha de acusações que vão circulando e que vão gerando a dúvida na cabeça dos votantes e sobretudo daqueles que têm menor propensão à mudança.
Assim, temos visto acusações relativas à capacidade de gestão de Noronha Lopes, através da análise minuciosa das empresas da sua esfera pessoal. Mas se a avaliação da capacidade de um gestor tiver por base os resultados das empresas da esfera pessoal, o que podemos dizer, por exemplo, de Rui Costa ou Luís Filipe Vieira? Este último teve empresas que ficaram a dever milhões à banca. E as empresas de Rui Costa, alguém pesquisa os seus resultados?
O mesmo se pode dizer relativamente ao chavão que foi criado em torno de João Diogo Manteigas, passando a mensagem de que é o Bruno de Carvalho do Benfica! Neste caso específico, percebo que a preparação que Manteigas tem dos vários dossiês é uma enorme ameaça para quem lidera.
De uma forma muito simples, Noronha Lopes e Manteigas são encarados como as principais alternativas num caminho diferente. Como tal são as ameaças a abater e a estratégia de quem lidera, ou esteve no poder, passa por criar dúvidas e receios naqueles que votam.

Transparência como motor
A transparência deverá ser sempre um dos motores de uma organização saudável. Ao longo da campanha, Rui Costa tem referido que há quatro anos assumiu o clube numa fase muito difícil por todo o contexto que estava a atravessar. Neste caso, surgem-me duas perguntas muito simples: Quem são os principais responsáveis por validar e controlar a gestão que o clube/SAD está a seguir? Quem tem o dever de defender a instituição? A resposta é simples: administradores ou vice-presidentes!
O dever de fiscalização é algo bem presente nos cargos que mencionei. Ora se Rui Costa foi administrador e vice-presidente o que é que ele fez para evitar que o clube chegasse ao ponto em que estava quando o assumiu? Mais, o que é que Rui Costa, como presidente, fez para esclarecer o passado e partir para o futuro?
Fiz este enquadramento para aplaudir uma das primeiras medidas que Noronha Lopes apresentou para os seus primeiros dias, caso seja eleito presidente. A concretização de uma auditoria independente aos últimos anos de gestão do Benfica é fundamental para identificar irregularidades ou erros procedimentais de forma a que estes possam ser corrigidos internamente.
Ainda no campo da transparência, a lista de Noronha Lopes ganhou pontos. Nuno Gomes saiu da empresa de gerenciamento de jogadores (em agosto), ao contrário de Rui Costa, que, como está visível no relatório e contas da Benfica SAD, é gerente da 10 Sports — gestão de carreiras e organização de eventos! Já Noronha Lopes dissipou todos os rumores maldosos que foram criados em torno da sua capacidade financeira.
Em matemática 1+1=2. Neste caso, o que Nuno Gomes e Noronha fizeram foi somar transparência com credibilidade. O resultado é o reforço da confiança que podem ganhar nos sócios votantes.

A valorizar: Cabo Verde
Garantiu a presença histórica no Campeonato do Mundo de 2026.

A desvalorizar: José Pereira da Costa
É inadmissível que, a poucos dias das eleições do Benfica, as diferentes listas ainda não tenham acesso aos cadernos eleitorais."

Benfica no sangue e no coração


"Quando em 1969 deixei para trás o Porto, a cidade onde nasci, para aceitar o convite do Quarteto 1111 e me mudar para Lisboa, deixei também para trás o Pop Five, o meu primeiro grande grupo, que me abriu as portas do Quarteto, muita da minha família, os meus melhores amigos e amores, numa decisão muito difícil de tomar, mas que viria a mudar radicalmente a minha vida.
Tinha 18 anos, o sonho de fazer da música o meu futuro podendo viver dela profissionalmente e sabia que, naquela época, tentar fazê-lo a partir do Porto era muito improvável, senão impossível, já que tudo o que dizia respeito à indústria musical estava sediado em Lisboa.
A adaptação à vida na capital não foi fácil, acabei por optar por viver em Cascais para estar perto do mar e da sala de ensaios do Quarteto, na Parede, mas com a ajuda dos meus companheiros de grupo e dos amigos que fui fazendo, tudo se foi tornando cada vez mais simples e mais familiar. De Lisboa não conhecia praticamente nada, mas uma grande paixão tinha nascido para mim havia sete anos, quando vi o Benfica, em 1962, vencer a sua segunda Taça dos Campeões Europeus, batendo o Real Madrid por 5-3 num jogo que sei de cor até hoje e a partir desse dia, já que até então clube nenhum tinha conquistado o meu coração, passei a sentir-me benfiquista de corpo e alma. A minha grande e única ligação sentimental e emocional à cidade de Lisboa era o Sport Lisboa e Benfica e as minhas incursões à capital tinham como único objetivo assistir, no velho Estádio da Luz, às magníficas exibições e vitórias que o meu clube me proporcionava.
Era na altura presidente do Benfica um homem extraordinário, Duarte Borges Coutinho, que entre 1969 e 1977 levou nos seus mandatos o Benfica a conquistar sete títulos de campeão nacional e a vencer três Taças de Portugal, o que deu a todos os benfiquistas como eu alegria e orgulho enormes, tal a qualidade do futebol que a equipa praticava e a raça com que jogava, sob a sua presidência exemplar.
Acompanhei este Benfica aqui em Lisboa entre 69 e 72, depois em Londres, à distância, onde vivi os anos de 73 e 74, para regressar a Portugal no final desse ano e cumprir o serviço militar. Quando, já casado e com duas filhas, voltei a Cascais, inscrevi-me finalmente como sócio do Benfica em 1977, pude então pagar o meu lugar cativo e durante décadas não perdi um jogo em casa, a não ser por questões de trabalho ou força maior.
Quando penso nesse Benfica é impossível não recordar que todo o plantel era constituído por jogadores portugueses que foram durante muito tempo a base da Seleção Nacional e que só em 1979, numa célebre Assembleia Geral do clube que tanta polémica deu, se abriram as portas a jogadores estrangeiros, muitos dos quais vieram acrescentar muita qualidade à nossa equipa principal, mas sempre em minoria no plantel do Benfica.
Sabemos todos que com o tempo tudo muda e que o futebol, continuando a ser um desporto e um espetáculo magníficos, tem hoje uma componente de indústria fortíssima, envolvendo muitas vezes interesses que nada acrescentam à realidade desportiva. Foi essa a razão por que a espaços me afastei do futebol, mas sempre a vibrar e a sofrer com o Benfica.
Aqui chegados, e tendo que aceitar esta realidade, há momentos na vida em que surge a oportunidade de corrigir erros passados e se abre a hipótese de construir um futuro melhor, mais promissor, mais seguro. As próximas eleições no Sport Lisboa e Benfica são um desses momentos. Saibamos aproveitá-lo.
Conheci o Martim Borges Coutinho Mayer através de um amigo comum e, para além da sua herança familiar, impressionou-me a honestidade e o seu compromisso pessoal, bem expresso no facto de, sendo como é um empresário industrial de sucesso, ter abdicado a 100% da sua vida profissional desde há seis meses para pensar o futuro do Benfica e assumir uma candidatura à presidência do nosso clube que transmite uma confiança e uma solidez admiráveis. Nesse nosso encontro, fiquei a conhecer a sua candidatura livre e independente, sem qualquer nome ligado a qualquer antiga gestão do clube, percebi que o seu projeto não se limita a apontar propostas concretas mas que explica claramente como as materializar, fiquei a conhecer a sua proposta para reduzir os custos correntes em 20% e implementar o Projeto Benfica Global, que passando pela abertura de escritórios de representação em França, Suíça, Estados Unidos e Canadá, juntamente com o lançamento do Cartão Angola e Moçambique, irá gerar um aumento muito significativo de receitas, mas, para além de tudo isto e de muito mais a que por falta de espaço aqui os interessados poderão ter acesso no programa da sua candidatura, que aconselho a todos os benfiquistas, entusiasmou-me acima de tudo o seu projeto para o futebol do Benfica, que acaba por ser a pedra basilar do sucesso de qualquer clube.
A identidade do Benfica, no projeto de Martim Mayer, passa pela criação de um modelo de jogo, desde as camadas jovens à equipa principal, que deverá levar no futuro a que uma boa parte dos nossos jogadores titulares possa ser proveniente dessas camadas jovens sem necessariamente serem vendidos ao fim de uma época na equipa principal. Os milhões que são anualmente gastos na compra de alguns jogadores estrangeiros que, na sua maioria, pouco acrescentam à qualidade e identidade do futebol do Benfica, deverão ser canalizados prioritariamente para valorizar os nossos talentos, remunerando-os na medida do seu justo valor, de forma que possam cumprir algumas épocas vestindo a nossa camisola antes de, quando o mercado assim o ditar, serem negociados por valores muito superiores àqueles por que têm sido vendidos prematuramente.
O futebol é o coração do Sport Lisboa e Benfica e um dos grandes focos do programa da candidatura. Nos últimos 35 anos somámos apenas 10 títulos de campeão nacional e 5 Taças de Portugal. Considerando todas as provas nacionais disputadas, a taxa de insucesso foi de 80 por cento.
Em 15 anos gastaram-se mais de mil milhões em compras de jogadores e fizeram-se mil e setecentos milhões em vendas. Destas vendas, mais de 650 milhões referem-se a jogadores formados pelo Benfica. Se excluirmos o valor de vendas de jogadores da formação, o saldo é próximo de zero e só nos últimos três anos o Benfica comprou 29 jogadores e vendeu 45. Do grupo de 29 jogadores que iniciou a época passada, 15 já saíram e dos 10 que chegaram ao longo da época, metade já saiu também. Tudo isto são números que fiquei a conhecer quando li pela primeira vez os eixos programáticos da candidatura Benfica no Sangue e dizem bem do muito que há que mudar no futebol do clube.
Por isso e por consequência a proposta de criação do cargo de um Diretor Geral de Futebol já anunciado, com uma visão de 360 graus sobre toda a estrutura do futebol profissional, da formação e do scouting, trabalhando em paralelo com o treinador da equipa principal que é um comandante absolutamente necessário para o sucesso da nossa equipa principal.
Se a tudo isto juntarmos o projeto de ampliação do estádio para 83.000 lugares, que deverá ser entregue à CBRE, uma das empresas líderes mundiais no setor, e a criação de uma cidade desportiva para as modalidades, penso que deixo clara a razão do meu apoio à candidatura de Martim Mayer.
A importância destas eleições no nosso clube é enorme, muito pelo tema da centralização de direitos, que pode ser crítica para o futuro do clube, mas também devido à falta de sucesso desportivo nos últimos anos e à necessidade de se preparar o futuro do Benfica.
Votemos todos de forma livre e consciente pelo clube do nosso coração. Eu voto Martim Mayer. Viva o Benfica!"

Prioridade (mas pouco) no Benfica


"Aposta na formação. A ideia está presente nos programas de todos os candidatos a presidente do Benfica. Estará, aliás, provavelmente nos planos de todos os presidentes de todos os clubes, mas no caso português, e especificamente no do Benfica, pouco tem passado de uma vontade, de um desejo concretizado episodicamente, sem linha estrutural que lhe permita alcançar estatuto de projeto.

«Aposta na formação. A ideia está presente nos programas de todos os candidatos a presidente do Benfica.»

As declarações de José Mourinho depois da vitória frente ao Chaves, para a Taça de Portugal, são sintomáticas. Depois de ter proporcionado a estreia a titular do médio-ofensivo João Rego, e de ter promovido a estreia absoluta do extremo Ivan Lima, o treinador disse que tudo irá fazer para «tentar dar continuidade ao Ivan [Lima] e a todos no Campus que sonham com isto».
Efetivamente, é um sonho para os jovens que crescem no Seixal, mas para o Benfica tem de ser muito mais. Rego trabalha em contexto de plantel principal há mais de uma época e ainda nenhum treinador o fixou numa posição para que ele possa crescer de forma sustentada; Ivan Lima foi chamado porque não há extremos com as características dele no plantel. Aliás, quase não há extremos.

«Efetivamente, é um sonho para os jovens que crescem no Seixal, mas para o Benfica tem de ser muito mais.»

A responsabilidade não é de Mourinho, de Lage, ou de outros treinadores antes deles, mas de uma cultura de clube (e de adeptos ) sem paciência, que se deslumbra na procura de resultados imediatos em detrimento da consolidação de capacidade. Mesmo quando Lage foi campeão em 2018/19 com uma série de miúdos como João Félix, Florentino, Ferro, Rúben Dias, ou Gedson Fernandes, a expetativa esfumou-se logo a seguir com a venda de Félix, empréstimos de Gedson e Florentino, para encontrar espaço para apostas caras como o alemão Weigl.

«O sucesso das equipas jovens do Benfica, nos últimos anos, merece melhor aproveitamento; não faz sentido investir tanto e tanto tempo para pouco proveito.»

Claro que João Félix, Rúben Dias ou João Neves são craques que não surgem todos os anos, nem todas as décadas, mas isso não significa que a formação não tenha capacidade para alimentar a equipa principal com jogadores competitivos, muitas vezes nada inferiores às aquisições. O sucesso das equipas jovens do Benfica, nos últimos anos, merece melhor aproveitamento; não faz sentido investir tanto e tanto tempo para pouco proveito.
Ter Rego, João Veloso, Leandro Santos, Gonçalo Oliveira, Ivan Lima e outros no plantel só porque faltam soluções, à espera da próxima janela de mercado para dar e voltar a baralhar, é fogo de vista. O destino se encarregará de dar palco aos predestinados, mas os outros, os bons, competitivos, merecem ser apostas e não apenas soluções de recurso.

«O destino se encarregará de dar palco aos predestinados.»

Esta ideia, apesar de romântica, reconheço, cria equipas e clubes mais fortes, planteis mais unidos, e cria riqueza para que quando se contrata caro seja para investir em alguém que entregue um futebol realmente diferenciado. Para seguir este caminho é preciso coragem, sobretudo da massa associativa, para saber esperar. Este não pode ser, definitivamente, apenas um sonho de jovens. Deve ser prioridade do Benfica."

BF: Desafios para Mourinho...

5 Minutos: Diário...

Terceiro Anel: Diário...

Observador: E o Campeão é... - Sporting. "Uma equipa que defende mal não ganha campeonatos"

E se Félix aprender mesmo?


"Relativizar a geografia e focar no essencial: Cristiano Ronaldo continua a fazer bem a si próprio, mas também aos que o rodeiam

Um dos homens mais sábios com que me cruzei no futebol chama-se Jesualdo Ferreira e uma das suas frases de que guardo memória foi esta: «Um jogador que marque 20 ou 30 golos tem qualidade, jogue na Primeira Liga ou Distrital.» Serve isto para pôr em perspetiva o que Cristiano Ronaldo anda a fazer na Arábia Saudita, um campeonato que todos concordamos não ter o grau de dificuldade das principais ligas europeias, mas onde outros craques estão ou já estiveram e sem atingir os números do avançado português.
Nesta fase da sua carreira, discutir se é mais fácil ou mais difícil marcar golos no calor saudita é uma discussão pífia, quando o que está à vista de todos é uma ética de trabalho que parece apurar-se na medida exata da aproximação do fim do trajeto. Tão ou mais notável quanto a soma dos golos (e são muitos) é a inesgotável vontade de se superar e basta ver os seus jogos e conhecer um pouco da sua personalidade para perceber que CR7 defronta qualquer adversário saudita como se ainda estivesse no Bernabéu a marcar hat tricks em noite de Champions.
É esta atitude e força mental que permite a um dos melhores desportistas de todos os tempos continuar a espantar o mundo, aos 40 anos. Com golos fora da área como aconteceu ontem ou finalizações cirúrgicas, a dobrar, como se verificou na recente partida de Portugal frente à Hungria, o que fez dele o jogador da história com mais golos marcados em qualificações para Campeonatos do Mundo.
O mais notável disto tudo é que Cristiano Ronaldo parece estar em melhor forma e mais certeiro aos 40 anos do que aos 39, como se, outra vez, tivesse descoberto mais uma maneira de melhorar o desempenho, físico e mental. No caso dele já suspeito de tudo, porque é um jogador - e um homem - que busca a perfeição, lutando fundamentalmente contra si mesmo, e que usa esse combustível para elevar quem o acompanha.
Sorte de João Félix que pode beber de perto os ensinamentos de um atleta fora de série. Viver o dia a dia, no clube, é muito diferente dos estágios da Seleção, e seguramente que se ele assimilar metade da mentalidade do capitão da Seleção ainda estará a tempo de ganhar a relevância que muitos adivinhavam, mas já poucos acreditam."

Terceiro Anel: Hungria...

Terceiro Anel: DRS #26 - Live - GP EUA

Electronic Arts e a Arábia Saudita: quando o gaming se torna geopolítica


"A notícia caiu como uma bomba no mundo do gaming e dos esports: a Electronic Arts, uma das maiores e mais influentes publishers de videojogos do mundo, está a ser adquirida por um consórcio liderado pela Arábia Saudita num negócio avaliado em 55 mil milhões de dólares. O Public Investment Fund (PIF) saudita, em parceria com a Silver Lake e a Affinity Partners de Jared Kushner, está prestes a concretizar a maior aquisição privada da história, oferecendo um prémio de vinte e cinco por cento sobre o valor de mercado da EA e retirando a empresa da bolsa de valores.
Esta operação, prevista para estar concluída até 2027, representa muito mais do que uma simples transação financeira. Estamos perante uma mudança tectónica no panorama global do gaming e dos esports, com implicações que vão muito além dos videojogos e entram definitivamente no território da geopolítica e do poder económico global.

De Wall Street para Riade: uma transformação radical
A decisão da EA de sair da bolsa e passar para o controlo privado de um consórcio liderado pelos sauditas levanta questões fundamentais sobre o futuro da indústria. Andrew Wilson, o CEO da EA, permanecerá no cargo, mas a realidade é que as decisões estratégicas da empresa passarão a responder a um novo conjunto de prioridades e interesses que podem não estar alinhados com os valores e expectativas da comunidade global de jogadores.
A EA controla algumas das franchises mais importantes e lucrativas da indústria: EA Sports FC (anteriormente FIFA), The Sims, Battlefield, Apex Legends, entre muitas outras. Estas não são apenas marcas comerciais - são fenómenos culturais globais que influenciam milhões de pessoas diariamente. O controlo destas propriedades intelectuais por um fundo soberano representa uma concentração de poder sobre a cultura digital contemporânea que deve ser alvo de escrutínio rigoroso.

O padrão de centralização: uma preocupação antiga confirmada
Como temos vindo a alertar em artigos anteriores, a estratégia saudita de domínio do ecossistema dos esports e do gaming tem-se intensificado nos últimos anos. A aquisição dos principais Tournament Organizers através do ESL FACEIT Group, a criação da Esports World Cup com prémios recordes, os investimentos massivos em clubes e competições - tudo isto fazia parte de um padrão claro. Agora, com a aquisição da EA, esse padrão atinge uma nova dimensão.
A Arábia Saudita não está apenas a investir no ecossistema competitivo dos esports - está a adquirir o controlo sobre os próprios jogos que servem de base a essas competições. Esta integração vertical, do desenvolvimento dos jogos até às competições de topo mundial, cria um nível de controlo sem precedentes que deveria preocupar todos os que valorizam a diversidade, a independência e a transparência na indústria.

A sombra de Kushner: geopolítica e negócios de família
A presença da Affinity Partners de Jared Kushner neste consórcio adiciona uma camada particularmente preocupante a esta operação. Kushner, genro do ex-presidente Donald Trump e figura central na sua administração, recebeu dois mil milhões de dólares do Public Investment Fund saudita logo após o fim da presidência Trump. Esta ligação direta entre decisões políticas tomadas durante a administração Trump relativamente à Arábia Saudita e os subsequentes investimentos sauditas em empresas ligadas à família Trump levanta óbvias questões sobre conflitos de interesse.
Quando o poder político se entrelaça desta forma com negócios privados de tal magnitude, e quando esses negócios envolvem a aquisição de empresas que influenciam culturalmente milhões de pessoas globalmente, não estamos apenas perante uma questão de ética empresarial - estamos perante um problema de transparência democrática e de potencial instrumentalização da cultura popular para fins políticos.

Game-washing: o novo sport-washing
O conceito de "sport-washing" - usar investimentos desportivos para melhorar a imagem internacional de regimes com registos questionáveis em direitos humanos - está bem estabelecido. A Arábia Saudita tem sido acusada de usar esta estratégia através de investimentos no futebol, na Fórmula 1 e noutras modalidades. Agora, com a aquisição da EA e o domínio crescente sobre os esports, surge o "game-washing".
Os videojogos e os esports são ferramentas culturais poderosas que chegam a audiências jovens e globais. O controlo sobre estas plataformas permite não apenas projetar uma imagem positiva, mas também influenciar narrativas, moldar percepções e, potencialmente, exercer uma forma subtil de poder cultural. Quando uma nação com um historial controverso em liberdade de expressão e direitos humanos passa a controlar plataformas de entretenimento que alcançam centenas de milhões de pessoas, as implicações vão muito além do mero entretenimento.

Implicações práticas: transparência, empregos e conteúdo
Para além das questões geopolíticas, esta aquisição levanta preocupações práticas imediatas. A saída da bolsa significa menos transparência, menos obrigações de prestação de contas pública e menos escrutínio sobre decisões empresariais. A pressão para maximizar lucros a curto prazo pode diminuir, mas surge uma nova pressão: alinhar as operações com os objetivos estratégicos dos novos proprietários.
Há receios legítimos sobre potenciais cortes de emprego facilitados por inteligência artificial, sobre alterações nas políticas de diversidade e inclusão que têm caracterizado a EA nos últimos anos, e sobre possíveis mudanças nos conteúdos dos jogos para os tornar mais alinhados com valores conservadores ou para evitar temas sensíveis para os novos proprietários. Estas não são preocupações teóricas - são questões práticas que afetarão milhares de trabalhadores e milhões de jogadores.

A reação da comunidade: preocupação generalizada
As redes sociais, particularmente o X (antigo Twitter), têm estado a ferver com preocupações sobre esta aquisição. Os termos mais comuns nas discussões são reveladores: "dynasty vibes" (sentimento de dinastia), "power grabs" (aquisições de poder) e "who really owns gaming?" (quem é que realmente controla o gaming?). A comunidade de jogadores, tradicionalmente cética em relação a grandes corporações, está particularmente inquieta com esta concentração de poder.
Esta reação não é infundada. Quando uma indústria que se orgulha da sua natureza democrática e descentralizada - onde qualquer pessoa pode, em teoria, criar um jogo e encontrar uma audiência - se torna progressivamente controlada por um número reduzido de entidades com agendas políticas claras, há razões legítimas para preocupação.

O imperativo europeu: proteger a nossa indústria
Para a Europa e para Portugal, esta aquisição deve servir como um alerta final. Não podemos continuar a ser espectadores passivos enquanto o controlo sobre uma das indústrias culturais e económicas mais importantes do século XXI se concentra nas mãos de atores que não partilham necessariamente os nossos valores democráticos, de liberdade de expressão e de direitos humanos.
É urgente que a União Europeia desenvolva uma estratégia industrial para o setor do gaming e dos esports, protegendo e promovendo empresas europeias, investindo em talento e infraestruturas, e criando um ecossistema robusto que possa competir com estas megaoperações financiadas por fundos soberanos. Portugal, com o seu talento reconhecido em programação e design, pode e deve ter um papel protagonista nesta estratégia.

Conclusão: gaming como campo de batalha geopolítico
A aquisição da Electronic Arts pela Arábia Saudita marca o momento em que o gaming deixou definitivamente de ser apenas entretenimento para se tornar um campo de batalha geopolítico. As questões em jogo são sobre poder, influência e controlo cultural numa escala global.
A resposta não pode ser a ingenuidade ou a passividade. Temos de reconhecer esta realidade e agir em conformidade, garantindo que a Europa e Portugal desenvolvem capacidades próprias, protegem os seus valores e mantêm uma voz independente num ecossistema global cada vez mais concentrado. O futuro do gaming - e, por extensão, uma parte significativa da nossa cultura digital - está em jogo."