Últimas indefectivações

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A urgência dos reforços – Outro Benfica no regresso de Nico Gaitán


"Com Rafa, Pizzi e Vinícius novamente nos espaços de criação, o Benfica não apenas voltou a ter as dificuldades do passado para ter assertividade no último terço como voltou a reunir vários jogadores de perda fácil (isto é, perdem a bola demasiadas vezes porque não são criteriosos / ágeis / bons tecnicamente). E não, não é por um ou dois bons momentos em 90 minutos, como foi o de Pizzi e Vinícius no(s) golo(s), que se justifica a presença numa equipa como o Benfica, que exige qualidade, boas decisões e boas execuções a tempo inteiro. Com Taarabt e Weigl, o que ganha na capacidade para circular e alimentar os homens da frente, perde em reactividade na perda da posse – E se as perdas se vão somando a um ritmo vertiginoso está fácil perceber que dificilmente o Benfica poderia ou poderá controlar o jogo ou ser bem sucedido.
O incremento da qualidade na coordenação defensiva das diferentes linhas é uma evidência, mas claramente insuficiente se sem bola não houver talento.

Organização Defensiva – Lado da bola Pressionante, Lado oposto marca espaço

Foram nove jogadores da temporada passada no mesmo onze, e tal serviu maioritariamente para perceber que Jesus tem razão em exigir reforços. A frente de ataque precisa ser totalmente refeita, e a Cebolinha faltará juntar Luca, Darwin e um outro elemento capaz de ser eficiente – Atenção ao potencial de Pedrinho – Também Chiquinho com colegas mais capazes de dar seguimento aos lances ao seu lado poderá fazer crescer o nível da equipa.
Florentino deverá estar de partida e só isso justifica não ser aposta, o que significará que o Benfica precisa desesperadamente de um médio centro – Taarabt não tem capacidade para mais de 20/25 minutos de qualidade, porque a exigência vai muito para além do trabalho com bola. E o marroquino para lá das dificuldades que tem em reocupar posicionamento defensivo, ainda soma disparates quando a fadiga se instala.
E foi de um disparate do marroquino que o jogo ficou condenado a não deixar aparecer Diogo Gonçalves, Chiquinho e Pedrinho.

Posicionamento em Ataque Organizado

Nem tudo foi paupérimo na Luz, porém. Os primeiro momentos de um Benfica pressionante – nunca será mais do que apenas a espaços com jogadores como Pizzi, Vinícius ou Taarabt no corredor central – foram bons e permitiram lances de perigo sobre a baliza bracarense, e sobretudo foi muito interessante a exibição bracarense, penalizada apenas pela falta de eficácia de Abel Ruiz.
Mas, o melhor na noite do Estádio da Luz foi o de sempre… Nico Gaitán demonstrou nos minutos que voltou a pisar a Luz ser incrivelmente superior a… praticamente todos os jogadores da frente que estavam do outro lado. Cebolinha poderá ser a excepção, mas não o provou hoje.
Tremenda a classe do argentino em todas as acções."

Benfica rejeita tentativa de instrumentalização pela defesa de Rui Pinto


"O Sport Lisboa e Benfica foi hoje novamente visado, desta vez publicamente, por Rui Pinto, que entendeu levantar suspeitas relacionadas com uma deslocação do Ministro dos Negócios Estrangeiros da Hungria ao Estádio da Luz, no verão de 2019, ao mesmo tempo que as autoridades portuguesas enviavam às autoridades húngaras um pedido para alargar o mandado de detenção europeu que lhe foi aplicado no âmbito do processo-crime cujo julgamento se iniciará no próximo dia 4.

O Sport Lisboa e Benfica, recorde-se, não ocupa qualquer posição processual no referido processo-crime onde foi emitido o mandado de detenção europeu. O Sport Lisboa e Benfica apenas sabe, pela comunicação social, que o Ministério Público imputa a Rui Pinto o cometimento de 90 crimes, não sendo o Sport Lisboa e Benfica ofendido ou lesado em nenhum desses crimes. Isto é, Rui Pinto começará, na próxima sexta-feira, a ser julgado pela alegada prática de 90 crimes, sem que nenhum desses crimes tenha sido cometido contra o Sport Lisboa e Benfica.
Basta este simples facto para se concluir que não há qualquer fundamento na insinuação hoje soprada por Rui Pinto.
Rui Pinto e os seus assessores jurídicos saberão o caminho e a campanha que escolhem para fazer a sua defesa, jurídica ou mediática, no âmbito do referido processo. O Sport Lisboa e Benfica não está disponível para lhes dar guarida nessa campanha, nem alimentará as necessidades de protagonismo ou de defesa de quem quer que seja. E isso vale para aquilo que hoje disse Rui Pinto, como vale para aquilo que o próprio ou outros em seu nome possam vir a dizer no futuro e com idênticos objectivos.
O Sport Lisboa e Benfica continuará, hoje como ontem, absolutamente focado na sua actividade desportiva e em honrar a sua história."

Benfica Podcast #376 - A new season

O Brinco da Baptista #51 - Está no ar...

Fever Pitch... UEFA!

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Vermelhão: Competitivo...

Benfica 2 - 1 Braga
Vinícius(2)

Odysseas; Gilberto(Ferreira, 64'), Almeida, Ferro, N. Tavares(Cervi, 75'); Weigl(Gabriel, 75'), Taarabt, Rafa(Pedrinho, 64'), Everton(Gonçalves, 64'); Pizzi(Chiquinho, 79'), Vinícius

Vitória em jogo complicado, onde até entrámos muito bem, mas no final da 1.ª parte, com a redução da capacidade de pressão alta, acabámos por permitir ao adversário subir no terreno... e sofremos um golo 'evitável' antes do intervalo...
No 2.º tempo o Braga mudou muitos jogadores, mas acabámos por chegar ao empate numa excelente iniciativa do Vinícius, que até aí estava a ser um dos piores (com as notícias da chegada de novos avançados, até parecia que o Vinigol estava a 'despedir-se'!!!)...
Pouco depois com a expulsão do Taarabt, a partida alterou-se... mas com o Benfica a ameaçar no 'contra'! Já nos descontos, novamente o Vinícus, a aproveitar um erro, voltou a marcar...

Muitos ausentes, defesa completamente remendada, devido a lesões e às convocatórias para as Selecções! Apesar disso, a 'famosa' linha defensiva do Jesus, esteve bem, perdi a conta aos ataques do Braga que terminaram em fora-de-jogo... mesmo com os fiscais a demorarem eternidades para levantar a bandeirola! O Everton esteve abaixo do esperado, e no lance do golo do Braga, tem que 'entrar' na bola com mais convicção, o Horta teve sorte no ressalto, mas o Everton tinha que fazer mais... O Rafa voltou a cometer muitos erros... Gilberto a cometer gafes defensivas... Nas situações de pressão alta, o buraco entre a linha defensiva e os dois médios é demasiado grande, os Alas tem que fazer melhor as coberturas... A falta de um 2.º avançado (o Pizzi não o é...) facilita o trabalho aos nossos adversários! O Digui voltou a entrar bem... Boas indicações do Pedrinho, nos primeiros minutos 'abertos' ao público!

Segundo jogo, segunda prenda do apito! Várias faltas marcadas ao contrário, uma delas deu o 1.º amarelo ao Taarabt!!!

João Mário, Incremento Físico, Tático e Técnico


"Poderá estar para breve o regresso a Portugal de um dos filhos mais acarinhados do leão. Porém, desta feita pela porta do seu rival Benfica, onde encontrará Jorge Jesus, o treinador que lhe deu vida.
Médio Centro (Interior) de origem, com Jorge Jesus foi praticamente sempre utilizado como ala no 4x4x2 do amadorense.
Mas como poderá encaixar João Mário no Benfica de Jorge Jesus?
No Benfica deverá ser também como ala que poderá ser aposta. Com uma capacidade de resistência invulgar, tem o fulgor que encanta Jesus para poder cumprir as exigentes tarefas defensivas e ofensivas que os seus extremos sempre são obrigados a realizar. À tremenda capacidade física, alia qualidade técnica, inteligência que lhe permite ser criterioso, e mais do que não perder bolas disparatadas para as transições ofensivas adversárias, ainda ser eficiente e eficaz nos seus gestos a combinar com os colegas, e ainda tem condições para impacto na zona de finalização – Assim sejam esses os espaços a pisar.
João Mário seria muito naturalmente um incremento de qualidade sobre todas as perspectivas do rendimento – físico, técnico e táctico – ao modelo do Benfica, que com o português e Cebolinha nas alas, aos quais se poderá juntar Luca mais por dentro se vê assim reforçado num sector que estava demasiado carente de qualidade.
Não é um desequilibrador nato, mas não perde um posicionamento, ou uma oportunidade para dar boa sequência aos lances em que intervém, sendo absolutamente completo pela igual competência que tem nos diferentes momentos – Ofensivo e Defensivo, algo que vem sendo carência nas últimas temporadas no Estádio da Luz."

Regresso em cheio


"A nossa equipa de futebol encontra-se em acelerada preparação para o regresso à competição após um defeso atípico, invulgarmente curto, devido aos acertos de calendarização inevitáveis, na temporada passada, motivados pela pandemia que grassa ainda e cujas consequências continuamos a ter de lidar. 
Durante os escassos dias de férias para o plantel do futebol, foi apresentado o novo técnico, Jorge Jesus, tratando-se de um regresso muito saudado daquele que é o treinador que conquistou mais títulos e troféus ao serviço do Benfica, além de ser o que mais jogos e vitórias tem, em competições oficiais, pelo Clube.
O palmarés de Jorge Jesus é sobejamente conhecido e todos nos recordamos do bom futebol apresentado pela nossa equipa ao longo das seis épocas em que representou o Benfica. Mas são também os reforços já apresentados, juntando-se a um conjunto de jogadores com títulos de águia ao peito, a suscitarem entusiasmo entre os Benfiquistas.
Everton, Gilberto, Helton Leite, Pedrinho, Vertonghen e Waldschmidt são as caras novas, além do regressado Diogo Gonçalves, num plantel que se pretende extremamente competitivo para lutar pelo triunfo em todas as competições nacionais e chegar o mais longe possível na Europa.
Desde o início dos trabalhos, a nossa equipa disputou quatro jogos-treino (misto da equipa B e Sub-23; Estoril, Bsad e Farense) e um jogo particular (Bournemouth), estando previstas mais duas partidas, ambas no Estádio da Luz com transmissão televisiva pela BTV, frente ao Braga (hoje às 19 horas) e Rennes (sábado às 19 horas), englobadas na preparação da importante eliminatória de apuramento para o play-off de acesso à Liga dos Campeões, a disputar com o PAOK, num único jogo em Salonica, Grécia, no próximo dia 15, às 19 horas.
Caso o Benfica elimine o PAOK, o play-off será disputado com o Krasnodar, da Rússia, nos dias 22 e 30 de Setembro. Entretanto, a estreia da Liga NOS será no fim de semana de 19 e 20 de Setembro, com uma deslocação ao reduto do Famalicão, seguindo-se as recepções a Moreirense (26 ou 27 de Setembro) e Farense (3 ou 4 de Outubro) nas jornadas seguintes.
Por definir está ainda se o regresso às competições significará, também, o tão desejado regresso de público às bancadas e, caso este ocorra, em que moldes acontecerá. A saúde pública será sempre a prioridade e fazemos votos para que estejam reunidas as condições para que possamos voltar a frequentar, o mais rápido possível, os estádios e pavilhões em que os nossos atletas defenderão as nossas cores e emblema.
De todos, um. O Benfica!"

Cadomblé do Vata (benfiquices!)


"1. O sorteio da Champions que colocou no nosso caminho o clube grego cujo presidente entrou em campo armado só foi há 2 dias e o SLB já trabalha fortemente na contratação de Rúben Semedo... onde estão os garotões que criticam a política desportiva do Glorioso?
2. Ainda bem recordados do filme que levou à perda de Cristian Rodriguez e da novela da (não) renovação de Maxi Pereira, os benfiquistas preparam-se para a segunda temporada da série "Eu quero um ponta de lança uruguaio para 20/21"... entendem agora porque é que a capital do Uruguai se chama Monte...video? 
3. Os argentinos Di Maria e Paredes deram positivo a Covid-19 depois de estarem de férias em Ibiza com Cavani... este é aquele momento que eu recordo com saudades, aqueles tempos em que o FCP nos roubava os alvos de mercado todos.
4. Aparentemente, tal como tinha feito com Waldschmidt, Luis Filipe Vieira mandou Rui Costa resolver o imbróglio da transferência de Darwin Nunez... o futebol europeu está tão dominado pela realeza do Médio Oriente, que para desbloquear contratações, o Benfica já só precisa enviar o Príncipe da Luz com uma mala cheia de dinheiro.
5. Segundo a imprensa, o SLB continua bastante interessado no madridista Mariano Diaz... sinceramente, tenho dificuldade em ficar entusiasmado com a vinda de um avançado de 27 anos, que só fez uma temporada a sério, tem a nacionalidade do De Tomás e o penteado ridículo do Beto."

Weigl – Equilíbrio Central


"O primeiro jogo televisionado do SL Benfica permitiu perceber o papel que Jorge Jesus guarda para o médio alemão Weigl.
Weigl é o homem dos equilíbrios defensivos no momento de Organização Defensiva, e Transição. Articula o seu posicionamento com o dos defesas, ficando responsável por ocupar a posição de central sempre que um central sai – Com bola no corredor lateral ou aproxima cobertura, ou ocupa posicionamento como defesa para responder a cruzamento, se o central já aproximou da bola.
A Weigl cabe analisar espaço defensivo e preencher qualquer posicionamento prioritário que esteja desguarnecido. Seja à frente da linha, seja integrando a linha. Não tendo uma cadência de passada ou resistência física que lhe permita ter o impacto defensivo que outros médios de nível mundial têm no modelo das suas equipas (Como Goretzka, por exemplo), Weigl compensa com inteligência para estar no local certo na hora exacta.
As “skills” em posse são desde sempre um forte trunfo do seu jogo, e com Jorge Jesus tenderá a aumentar competência sem bola, reunindo condições para ser um médio defensivo de grande impacto em todo o jogo do Benfica."

UEFA Youth League | As 5 revelações do SL Benfica


"A UEFA Youth League da época 2019/2020 ficou marcada por mais uma grande campanha das águias, ainda que, novamente, sem a tão desejada vitória numa final europeia, desta vez caindo perante o Real Madrid CF numa final honrosa e muito bem disputada, orgulhando o nome do SL Benfica e deixando, não só por causa do jogo da final mas por toda a campanha na prova, água na boca aos adeptos encarnados relativamente ao futuro de algumas destas jovens promessas.
Ainda que o plantel do SL Benfica vá sendo constantemente reforçado com jogadores de inegável qualidade, certo é que, com uma formação como a do Seixal, com bastantes provas de talentos ao longo dos últimos anos, é expectável perceber até que ponto Jorge Jesus poderá, já nesta temporada, aproveitar alguns dos jovens para trabalhos na equipa principal (treinos e jogos, provavelmente de menor dificuldade e responsabilidade).
Assim sendo, vamos conhecer mais ao detalhe os cinco jovens que, a meu ver, foram as grandes revelações do SL Benfica na UEFA Youth League que recentemente findou.

1. Gonçalo RamosDistinguido como melhor jogador e melhor marcador da prova (juntamente com Roberto Piccoli da Alalanta BC), Gonçalo Ramos foi a grande revelação do SL Benfica na Youth League 2019/2020, assim como o jogador mais preponderante na caminhada até à final, tendo inclusive bisado na partida decisiva, atingindo, deste modo, os oito golos na edição, aos quais somou mais três assistências.
É um jogador extremamente completo, podendo actuar em diversas posições (médio, segundo avançado ou ponta de lança), e oferecendo uma panóplia de recursos que o diferenciam dos demais elementos (passe, visão de jogo, ligação meio campo-ataque e faro de golo, com finalizações com ambos os pés ou a cabeça).
Num momento em que muito se fala da necessidade do SL Benfica em contratar avançados para as suas fileiras, Gonçalo Ramos provou, não só na Youth League mas também na primeira vez que foi chamado à equipa principal (bis nas Aves em poucos minutos) que deverá ser uma alternativa viável no plantel treinado por Jorge Jesus, uma vez que se encontra num nível diferenciado e a precisar de evolução para impedir a estagnação nestes escalões mais jovens.

2. Úmaro Embaló Também nas alas se encontra destaque nestes jovens, nomeadamente, o extremo Úmaro Embaló. Com sete jogos na UEFA Youth League, três golos e duas assistências, o jovem nascido na Guiné-Bissau, mas com nacionalidade portuguesa, evidenciou a tremenda capacidade de imprevisibilidade, drible, a enorme velocidade que foi uma das suas principais armas e, ainda, atributos como os cruzamentos (alguns deles teleguiados para os avançados) e finalização.
Com a tenra idade, é comum vê-lo também, em alguns momentos, demasiado agarrado à bola, tentando resolver sozinho, errando no momento da tomada de decisão ou na própria execução, coisas que, com o tempo e trabalho, serão facilmente trabalhadas e melhoradas, evoluindo para um patamar de excelência, pois potencial é algo que abunda no jovem extremo.

3. Tiago Dantas É considerado por muitos como o maior talento da formação encarnada, tendo já actuado na equipa principal (uns minutos frente ao Vitória FC num encontro da Taça da Liga) e também sendo chamado para treinar em alguns períodos.
Nesta edição da UEFA Youth League, foi um dos grandes pilares e destaques da equipa do SL Benfica, com participação em oito jogos, contabilizando quatro golos e duas assistências.
Ainda que muitos duvidem da afirmação do jovem de 19 anos devido à sua pouca estampa física, é no ponto de vista técnico, na sua inteligência e cultura tática que evidencia todo o seu futebol. Obviamente, num meio campo a dois fica mais exposto, mas num 4-3-3, tal como actuou preferencialmente a equipa do SL Benfica orientada por Luís Castro, conseguiu sobressair bastante, com passes de encher o olho, fintas curtas e simulações de corpo, a forma como protegia a bola e impedia o choque físico com os adversários e, claro, os golos que marcou e que, num médio, são sempre números assinaláveis. Pena enorme o pénalti desperdiçado na final, mas a certeza que o tornará mais forte mentalmente e capaz de muito rapidamente integrar a equipa principal do clube da Luz.

4. Ronaldo Camará Sem dúvida um dos maiores diamantes do Caixa Futebol Campus. Iniciou o seu trajeto na UEFA Youth League com uns impressionantes 16 anos, assumindo na fase de grupos e, posteriormente, na fase a eliminar, por várias vezes, um lugar no 11 inicial, demonstrando tudo o que o caracteriza: médio ofensivo com qualidade de passe, visão de jogo, transporte de bola, remate, muita chegada à área, velocidade, finta e inteligência na ocupação de espaços. Apesar de muitos o verem como uma espécie de box-to-box, necessita de evoluir bastante no processo defensivo para ficar um médio mais completo e com hipótese de ser integrado no plantel de Jorge Jesus. Apontou um golo e somou duas assistências na UEFA Youth League, números interessantes para um jogador tão jovem, mas com tanto para oferecer nos próximos anos.

5. MoratoContratado no início da época passada por uma quantia que, na altura, foi surpreendente para muitos (sete milhões de euros), já que nunca tinha realizado qualquer jogo oficial pelo São Paulo FC, o defesa central brasileiro passou grande parte da época a jogar nos escalões mais jovens das águias, com presenças na Segunda Liga e na Liga Revelação, contudo foi na UEFA Youth League que claramente demonstrou todo o seu potencial, qualidade e o porquê de o SL Benfica ter despendido uma quantia tão avultada na sua contratação. Ao longo da prova, foi totalista (10 jogos, actuando em todos eles os 90 minutos) e terminou sem qualquer cartão, o que também é um dado interessante.
Com 1.90m, Morato é fortíssimo no jogo aéreo, tem boa capacidade de posicionamento, joga com os apoios orientados, oferece outras valências clássicas num central, tais como desarme e marcação e, além disso, é um central moderno, ou seja, sabe jogar com bola, construindo com muita qualidade e critério desde trás, para depois sair em condução ou utilizar a sua boa capacidade de passe (curto e longo). O facto de ser canhoto também poderá ser algo que o valoriza no futebol atual, dada a menor quantidade de centrais que usam o pé esquerdo, podendo futuramente ser uma alternativa ao provável titular e recém contratação dos encarnados (Jan Vertonghen), experiente central que, na minha opinião, deverá ser um alicerce fundamental para o desenvolvimento e maturação do jovem brasileiro.

Para finalizar, gostaria ainda de deixar outros nomes que facilmente poderiam figurar nesta lista, pelo facto de terem realizado uma campanha de valor e exibições muito acima da média, sendo importante e interessante manter o acompanhamento e atenção no percurso destes jovens: Leo Kokubo, Pedro Álvaro, Filipe Cruz, Rafael Brito, Paulo Bernardo e Tiago Araújo."

Rui Pinto em banda desenhada


"No mesmo país em que o Tribunal Constitucional chumbou o acesso das secretas à listagem de comunicações de suspeitos de terrorismo, muita gente respeitável defende a intrusão em comunicações por um hacker "justiceiro" - desde que encontre "coisas interessantes". Deverá ser esse o critério?

"Se calhar é a única maneira de apanhar os maus." Foi o que uma amiga me disse numa conversa sobre Rui Pinto. "Se não há outra forma, se as polícias não chegam lá de outra maneira, e não chegam, como já se percebeu, então se calhar tem de haver Ruis Pintos."

Percebo o sentimento dela. Qualquer pessoa que tenha visto por exemplo o filme Laundromat, de Steven Soderbergh, baseado na ocorrência que ficou com o nome de Panama Papers, acompanha a personagem de Meryl Streep na perplexidade, desespero e raiva ante o emaranhado da circulação do dinheiro por empresas fantasma e offshores e a facilidade com que se iludem autoridades, credores e vítimas - como ela.
De facto, a primeira coisa que ocorre perguntar ante Laundromat não é como se soube de tudo aquilo mas como é possível que se permita um sistema assim. A quem, se não a criminosos, terá parecido boa e vantajosa ideia a criação das contas offshore - e por que raio, umas cinco décadas e muita evidência de lavagem de dinheiro, financiamento de terrorismo, da criminalidade em geral e de esquemas cada vez mais sofisticados de subversão dos sistemas políticos depois, os governos mundiais ainda não tomaram a decisão de acabar com tal coisa. É capaz de se chegar à conclusão de que para o chamado sistema capitalista o mais importante é que o dinheiro possa circular à vontade - e o resto que se dane. 
Mas o meu texto não é sobre a existência desta rede; é de Rui Pinto que quero falar - ou melhor, dos argumentos sobre Rui Pinto. E esses dividem-se em três campos.
Há o da defesa, explanado na contestação de 130 páginas enviada ao Tribunal Criminal Central de Lisboa, e na qual, para resumir, admite "ter acabado por praticar ilícitos penais para obter os dados que procurava", mas considera que, dados os resultados - a revelação de várias aparentes ilegalidades -, "a censura não deve ser muito forte". É a tese defendida, por exemplo, pela ex-eurodeputada socialista Ana Gomes, talvez a mais notória apologista da tese de que Rui Pinto é um whistleblower, ou denunciante, que tendo divulgado informação de inegável interesse público deve ser tratado como tal pela justiça.
Este argumento tem problemas. Desde logo porque aquilo que está definido numa directiva europeia sobre protecção de whistleblowers (e que ainda não entrou em vigor) é que estes são definidos como pessoas que tomem conhecimento, no âmbito do seu trabalho ou do contacto com organizações, de factos ocultos de interesse público e os revelem. É o caso clássico do americano Edward Snowden, que ao serviço de uma agência dos serviços secretos americanos se deu conta da existência de um esquema massificado de vigilância e intrusão em comunicações quer em solo americano quer no estrangeiro. Por outras palavras, os serviços secretos americanos "hackam" tudo e todos e Snowden expôs esse facto. Será aliás muito interessante caso Snowden, que está no rol de testemunhas apresentado por Rui Pinto, aceda a falar no julgamento ouvir o que tem a dizer sobre este caso: será que aprova que um indivíduo faça aquilo que se feito pelo Estado considera um crime?
Depois há o argumento da acusação: o hacker invadiu sistemas informáticos alheios, como vulgar larápio que arrombasse casas ou empresas, para ver se encontrava coisas interessantes das quais se pudesse apropriar e usar para benefício próprio - daí a acusação de extorsão, a mais grave no cardápio de 90 crimes por que responderá em tribunal a partir da próxima sexta-feira. No documento entregue pela defesa, Rui Pinto admite ter iniciado a tentativa de extorsão mas desistido de seguida, considerando que teria sido "ingénuo".
Existe por fim um terceiro tipo de argumentos - os que embora dando de barato o interesse público do que Rui Pinto encontrou e revelou e até a sua intenção meritória cotejam isso com as bases do Estado de direito. A ideia fundamental é simples: se a polícia e o Ministério Público pudessem, sem mandado judicial e portanto sem verificação dos fundamentos da necessidade da intrusão, entrar em todos os sistemas informáticos, ouvir todas as chamadas, ler todas as mensagens e mails e fazer buscas em todas as empresas e domicílios também iam encontrar muita coisa "interessante", solucionar muitos crimes e apanhar muito meliante insuspeito. Sucede que não podem fazê-lo porque há garantias constitucionais a impedi-lo - protecção contra a arbitrariedade, garantia de privacidade e de processo justo e adequado. Porque as pessoas só podem ver os seus direitos fundamentais, como o da privacidade, postos em causa se houver base suficiente para tal, e isso tem de ser decidido por um juiz, com base nas premissas da lei. Se assim não for, estamos no domínio dos "métodos proibidos de prova" - como explica o número 3 do artigo 126.º do Código de Processo Penal: "Ressalvados os casos previstos na lei [que são aqueles em que há autorização judicial], são nulas, não podendo ser utilizadas, as provas obtidas mediante intromissão na vida privada, no domicílio, na correspondência ou nas telecomunicações sem o consentimento do respectivo titular."
Talvez a maioria das pessoas não valorize estes princípios ou considere, como a minha amiga, que se pode abrir excepção quando os "apanhados" nunca o seriam por meios legais e legítimos - sem se dar conta de que uma vez aberto o precedente não há regresso. Talvez algumas contraponham que se os sistemas judiciais e fiscais de vários países estão a usar as informações obtidas ilegalmente por Rui Pinto e a construir processos com base nelas não é justo que ele seja condenado por tê-las disponibilizado - e sim, há aí um problema bicudo. Caso Rui Pinto seja condenado, não deverão cair pela base todos os casos que se baseiem nas suas revelações? E caso não seja, poderemos dizer que ainda temos um Estado de direito?
Tomemos como exemplo as Luanda Leaks, o enorme acervo de documentos relacionados com os negócios da empresária angolana Isabel dos Santos, filha do ex-presidente José Eduardo dos Santos, de cujo "vazamento" Rui Pinto assumiu ser autor. Se o não tivesse feito, poder-se-ia pensar, como sublinhou ao DN o advogado Rui Silva Leal, "que tinham sido reveladas por alguém dentro de alguma das organizações implicadas, um verdadeiro whistleblower tal como está descrito na legislação europeia." Mas, conclui, "a partir do momento em que Rui Pinto assume que lhe chegou através de intrusão informática, são fruto da árvore envenenada." Ou seja, prova proibida. Para sublinhar a importância das suas descobertas e da sua posição de "denunciante", o hacker jogou essa cartada, colocando assim a justiça numa situação impossível: ou fingir que não viu o que está nas Luanda Leaks, que é já do domínio público graças à divulgação jornalística e teve como se sabe inúmeras consequências judiciais (arresto de bens, etc.) quer em Angola quer em Portugal, ou agir com base nessa informação - que é o que está a acontecer - e portanto admitir que o seu revelador prestou um serviço ao "bem".
A perversidade da situação é adensada pelo facto de haver quem defenda que Rui Pinto deve ser "contratado pela Polícia Judiciária para fazer o que saber fazer" - não se percebendo muito bem o que será isso ao certo - e por vermos o próprio director da Polícia Judiciária, Luís Neves (também arrolado como testemunha de defesa), a fazer o elogio público do arguido numa entrevista ao DN: "É uma pessoa relativamente jovem e culta, com preocupações de defesa do colectivo, preocupado com questões de igualdade, justiça social, e isso é importante."
Vai ser mesmo muito interessante seguir este julgamento e ver que tese prevalece. Num país no qual o Tribunal Constitucional voltou a chumbar, há um ano, o acesso dos serviços secretos aos chamados metadados das comunicações - que não incluem sequer as próprias conversas ou mensagens -, vamos admitir que um qualquer rapaz com jeito para a informática e "preocupações de defesa do colectivo" entre onde lhe apetecer e tire o que lhe aprouver se algumas das coisas que encontrar permitirem entalar poderosos? E se assim for estamos dispostos a que esse princípio se aplique a toda a gente ou achamos que é assim uma coisa de banda desenhada, que só afecta os "maus"?"

A saga continua...


"1. A ligação do SL Benfica com a Hungria é sobejamente conhecida pelos motivos óbvios, Béla Guttmann e Miklós Fehér;
2. Esta relação é pública, com diversos eventos associados, e muito anterior ao aparecimento do funcionário do crime organizado;
3. O ministro dos negócios estrangeiros não tem qualquer interferência em extradicções, mas claro, isto não se trata de desconhecimento ou ignorância, apenas da intenção objectiva de confundir e criar ruído na opinião pública;
4. A oferta de bilhetes é apenas isso, oferta de bilhetes de cortesia. Quando se continua a bater "nesta tecla", diz muito da falta de factos que vão ao encontro daquilo que são as práticas do FC Porto e que talvez por isso, tentem - ainda que infundadas - associar a outros;
5. Rui Pinto, continua a sua senda de suspeição e insinuações em relação ao Sport Lisboa e Benfica, ficando bastante claro aquilo que o move;
6. Infelizmente, tudo isto, acontece agora sobre um manto de protecção e privilégios. Resta saber, a mando de quem e com que interesses."

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Fever Pitch - João & João... Espanha!

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Quando as águias atravessaram dois infernos


"Recorde-se uma das decisões mais vergonhosas da UEFA: em 1965, obrigou o Benfica a jogar a final da Taça dos Campeões Europeus em S. Siro, na casa do seu adversário, o Inter de Mrilão.

O Benfica teve, pela primeira vez na história das taças da Europa, de jogar uma final no campo do adversário.
'Il Comendattore': só de si, a expressão é sinistra.
'Il Comendatore': do latim, 'comendator', aquele que recomenda; eclesiástico ou cavaleiro de uma ordem militar a quem, antigamente, por serviços prestados, era concedido um benefício, como uma igreija, mosteiro, terras ou uma povoação.
Esclarecido, mas não descansado: continua a ser sinistro...
Em Itália, dizia-se à boca cheia: 'Moratti compra tudo... árbitros incluídos'.
Em Itália, afirmava-se na imprensa: 'Angelo Moratti não perde a possibilidade de mostrar quem manda no Inter. Foi ele que, dias antes da final contra o Benfica, explicou aos jornalistas como iria jogar a sua equipa: 'Bedin marcará Eusébio; Suarez e Corso vão controlar as movimentações de Coluna; Guarneri bloqueará Torres; Fachetti perseguirá Torres por toda a parte'.
Estas palavras foram publicadas na revista Supersport.
Um ponto por toda a parte, havia o incómodo, o desconforto: a UEFA, pela voz do presidente do Comite Organizador da Taça dos Campeões, José Crahay, anunciava, após as meias-finais, que a final se disputaria em S. Siro, a casa do Inter, campeão europeu em título. A decisão era inédita, inacreditável. Mas foi levada por diante. Em caso de empate, finalíssima em Bruxelas.
S. Siro encheu, claro! 180 milhões de liras de receita, recorde absoluto do grande estádio de Mião, qualquer coisa como 8.500 contos da época.
80000 pessoas estariam nas bancadas para assistir à segunda vitória da equipa de Moratti e Helenio Herrera na Taça dos Campeões da Europa.
'Lasciate ogni speranza, voi chi entrate', dizia Dante, no 'Inferno'.
S. Siro seria o inferno. Não havia esperança para o Benfica.
O Benfica contrariou o Inferno, no entanto.
Vítor Santos, em A Bola: 'Sobre a relva encharcada, há dez rapazes de camisola vermelha, empapada em suor, prontos para, de cabeça bem erguida, saudarem o vencedor da batalha desigual que tinham sido chamados a disputar. Falta um ao grupo. Esse, saíra meia hora antes, corpo varado pela dor. E aqueles dez homens, sujos, desgrenhados, encharcados até aos ossos, tinham alguma coisa de um pequeno exército que se cobrira de glória frente a um adversário poderoso, numericamente superior e armado até aos dentes, que, ainda por cima, fizera a guerra no seu próprio terreno e com a grata colaboração de dilectos e poderosos aliados. Alguns choram. Um tem mesmo qualquer coisa como uma convulsãro. As lágrimas rolam-lhe pela face e ele, meio cambaleante, tem de se amparar a braços amigos para não cair. Chama-se Torres e lutara como um bravo (...) Esse Benfica que a UEFA quis transformar num grupo de convictos cristãos da era moderna, a lançar Às feras famintas da grande arena de S. Siro, fora a grande sensação do jogo e dera uma 'lição de bola' ao estranho e 'irrealizado' Inter, edição H.H., com o seu futebol manhoso e sádico, marcado por aquilo que se chama em Itália de 'profundo realismo'.
Impressionante! Frente a um conjunto enrolado na sua casca, como o bicho-de-conta, o Benfica efectuara uma exibição estupenda de determinação e de autoconfiança, produzindo um futebol construtivo, profundamente atacante e sempre imbuído daquilo que se pode chamar o espírito imperecível do 'association'.

Dramático!
O Benfica foi, em S. Siro, personagem principal de um dos momentos mais dramáticos do futebol português. A três minutos do intervalo, um remate enrolado do brasileiro Jair, faz a bola fugir, em jeito de galinha assustada, por entre as mãos, por debaixo do corpo, pelo meio das pernas de Costa Pereira. Grande especialista do futebol de não perder, Herrera era o mestre dos mestres no futebol de guardar vantagens inesperadas. O Inter defendeu-se, recolheu-se, fechou-se. Todos os verbos que pudesse utilizar seriam reflexos: eram onze homens trancados sobre si próprios, auxiliados pelo lamaçal em que se transformou um relvado infame. E contra isso nada pôde a valentia lusitana.
Aos 12 minutos da segunda parte, Costa Pereira, herói de Berna, réu de Milão, não resiste a uma hérnia discal e a um traumatismo no pé direito. Não sendo ainda tempo de substituições, é Cavém quem se prepara para vestir a camisola de guarda-redes. Mas é Germano que toma, finalmente, o seu lugar, incapacitado, também ele, por um rotura muscular na coxa.
São dois infernos: o de S. Siro e das lesões.
Nenhum ser humano seria capaz de atravessar dois infernos assim.
Rodolfo Pagnini, jornalista do L'Unitá: 'Escrevemos estas linhas febris enquanto os jogadores do Inter correm em redor do rectângulo, transportando bem alto, sobre as cabeças, a Taça da Europa. No centro do terreno encharcado de chuva e de suor, distingue-se o vermelho das camisolas do Benfica. Eusébio, Germano, Coluna e os seus companheiros olham para a festa que os envolve, desconsolados, tristes. A alegria do Inter, é a sua tristeza. Uma tristeza, uma amargura, plenamente justificada. O público apercebe-se disso. E rompe num aplauso fragoroso e espontâneo. O Benfica perdeu, mas sai de campo com todas as honras. Pode levar consigo para Lisboa, as armas do nobre vencido. Como há dois anos, em Wembley, frente ao Milan, a sorte não foi sua aliada. Nesse encontro, perderam Coluna num momento em que o resultado se encontrava em 1-1. Ontem, como se não bastasse o golo de Jair, numa autêntica 'gaffe' de Costa Pereira, jogou os últimos trinta e três minutos sem o seu guarda-redes. Saído Costa Pereira, todos pensaram: o Inter tem a vitória na mão. E prepararam-se para saborear mais golos. Ao invés, a partida terminava, nesse momento, para a equipa de Milão. Porquê? Porque o Benfica, essa maravilhosa equipa, actualmente a mais forte da Europa, não quis render-se ao inelutável, o fez um apelo ao seu desmesurado orgulho, lançando-se para a frente, de cabeça erguida, indo buscar forças ao fundo do coração e da alma'.
Jaques Ferrari, um dos enviados-especiais do L'Équipe: 'Eram oitenta mil milaneses contra fez portugueses. E foi uma afronta ao futebol que o Benfica não saísse de S. Siro pelo menos com o empate, tão visível foi o medo dos italianos perante a equipa portuguesa. O Benfica fez ontem tudo quanto é humanamente possível fazer em futebol. Lutou contra a multidão, lutou contra o adversário, lutou contra a má-sorte. E foi sempre uma equipa de coragem, de decisão e lucidez, além de alardear uma superioridade técnica e um sentido de jogo que obrigou os próprios adeptos do Inter a ohs! de admiração'.!

Afonso de Melo, in O Benfica

Um jogo solidário e nostálgico


"Na homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp reinou a boa disposição entre antigas glórias do futebol português

O público acorreu numeroso ao Campo das Amoreiras, a 1 de Maio de 1936. A causa era nobre, pois as receitas revertiam para a construção dos mausoléus de Álvaro Gaspar (Benfica) e de Francisco Stromp (Sporting). O ambiente era de camaradagem e de solidariedade desportiva, mas também de saudade.
A atracção principal do programa era um desafio entre a 'Selecção de Portugal (1921)' - composta pelos elementos do 'grupo representativo de Portugal, que em 17 de Dezembro de 1921 disputou em Madrid o I Portugal - Espanha, jogo que serviu para o nosso baptismo internacional' - e o 'Resto', formado por jogadores da mesma época. Cosme Damião seria o árbitro, António Couto e Dionísio Hipólito os juízes de linha.
No momento em que entraram no rectângulo de jogo, os ases de outros tempos foram ovacionados e alinharam-se de frente para as bancadas. Os antigos internacionais estavam equipados com as cores da selecção nacional de então, 'camisola preta e calção branco', enquanto os seus opositores envergaram as cores do Benfica.
Do camarote central, o presidente do Comité Olímpico Português, José Pontes, pronunciou, emocionado, um discurso de forma inusitada, mas notável. O 'seu discurso era para ser transmitido pelos auto-falants do «camion» da Companhia dos Telefones, mas a corrente eléctrica não servia. Pôs-se de parte a ideia. O infatigável orador encontrou a solução, - heróica: «Falarei ao público do camarote; com silêncio absoluto a minha voz dominará o campo»'. E assim fez, até a voz ficar rouca. A seguir, a assistência fez um 'respeitoso e comovente silêncio', em homenagem a Álvaro Gaspar e Francisco Stromp.
Guilherme Pinto Basto deu o pontapé de saída, deixando-se ficar estático por uns momentos, como quem desejava também participar na partida. Apesar da passagem do tempo ter deixado as suas marcas nos jogadores, pois o aspecto geral de 'barrigudos... Quási todos os componentes apresentam anfractuosidade no ventre... Por cima disto, uma calva luzida...', pôde-se verificar que 'muitos dos «velhos» ainda seriam capazes de botar figura em confronto com alguns novos se os não atraiçoasse o fôlego'.
A 'multidão dispensa-lhes palmas - hoje de simpatia e amizade - antigamente de grande fervor clubista. «Penalty» contra os «internacionais», por infracção de Pinho. Cobra-o Jaime Gonçalves, o «terror dos guarda-rêdes», e bate Carlos Guimarães. A pontaria ainda não falhou...'. Vítor Gonçalves empatou o desafio, ao converter, também, um penálti. A equipa do 'Resto' voltou a ficar em vantagem, com um golo de Simões, mas Crespo, com um golpe de cabeça, obteve pela segunda vez o empate, fechando o marcador. Cosme Damião 'dirigiu admiravelmente' este 'original «match»' que decorreu sempre num ambiente de confortante e sadia alegria'.
Pode ver a camisola da selecção nacional de 1921 na área 15 -No Caminho do Tempo do Museu Benfica - Cosme Damião'."

Lídia Jorge, in O Benfica

De todos, um. O Benfica


"Estamos em vésperas do arranque da próxima época e, apesar dos tempos de incerteza que ainda vivemos, quero deixar uma palavra de confiança a todos os Benfiquistas.
Uma confiança alicerçada numa redobrada ambição que nos levou à contratação de uma nova equipa técnica de reconhecida qualidade, liderada pelo treinador com mais títulos na história do Sport Lisboa e Benfica e pela capacidade de ir ao mercado contratar jogadores internacionais de enorme prestígio.
É nestes momentos de crise que as entidades mais robustas e consistentes conseguem por norma fazer os seus melhores investimentos.
E é mesmo isso que temos feito. Aproveitar este momento de crise para, com base num nivelamento por baixo dos valores de mercado, ter acesso a talentos que noutras circunstâncias estariam fora de hipóteses para nós.
Mas ainda mais decisivo é o factor credibilidade. Como tenho dito, a credibilidade é um dos nossos principais títulos conquistados. E só a forte e reputada credibilidade que temos no mercado possibilita fazer este reforço do plantel com uma gestão eficaz e racional do seu esforço, diluído ao longo de vários anos.
Como fundamental tem sido também o reconhecimento unânime à qualidade do projecto e das infraestruturas que criámos – bem testemunhado nos depoimentos de todos os técnicos e jogadores que têm passado nesta casa – e que nos permite atrair algum do melhor talento, apesar de estarmos fora das consideradas cinco principais ligas europeias.
Vimos de uma década com resultados desportivos no futebol só superada pela década de sessenta, voltámos a ver o nosso Clube em duas finais europeias nos seniores e três nos juniores, em sequência de uma estratégia e rumo de aposta no centro de formação do Seixal que é tida como exemplo internacionalmente.
Tivemos a melhor década de sempre de vitórias nas modalidades.
Hoje, temos os alicerces necessários para redefinir algumas prioridades e procurar chegar mais longe e de forma mais ambiciosa a alguns objectivos.
Como sempre e desde a primeira hora, só esse tem sido o meu foco, trabalhar em prol do Benfica. E neste momento, mais do que nunca face aos tempos de incerteza que vivemos, defender o Clube e reforçar os seus pilares com os olhos postos num futuro ainda mais ganhador.
Mesmo sem ainda sabermos quando poderemos voltar a expressar a paixão da presença no Estádio da Luz, nos estádios e nos pavilhões, transportamos em nós a ambição, a crença e o sentimento de que "De todos, um. O Benfica".
Em cada um, aquela força única de sentir e de gritar "Benfica!".
É essa a força do Benfica e o compromisso de todos e cada um de nós!

Luís Filipe Vieira
Presidente do Sport Lisboa e Benfica"

Morato | Um olhar sobre a primeira época no velho continente


"Felipe Rodrigues da Silva, conhecido dentro das quatro linhas por Morato, chegou ao SL Benfica no verão de 2019, proveniente do São Paulo FC, a troco de seis milhões de euros por 85% do passe, com a particularidade de nunca se ter chegado a estrear com a camisola do plantel principal tricolor.
O central destacou-se na Copa de São Paulo de Futebol Júnior, onde, através de exibições de grande qualidade, que ajudaram os paulistas a conquistar a taça, tendo até marcado uma grande penalidade na final frente ao Vasco da Gama, o jovem despertou interesse de vários clubes europeus. As “águias” anteciparam-se e garantiram os seus serviços até 2024.
O balanço da primeira época do jovem brasileiro no velho continente é positivo. Morato somou um golo e uma assistência em 2419 minutos, distribuídos por 15 jogos na Liga Pro, dois jogos na Liga Revelação, um jogo na Allianz Cup e dez jogos na UEFA Youth League, onde foi totalista.
Foi nesta última competição onde Morato se superiorizou aos seus colegas do sector defensivo, tendo demonstrado uma enorme maturidade face aos restantes. Morato, devido à sua frieza e à sua capacidade para sair a jogar, era muitas vezes solicitado na primeira fase de construção do jogo das “águias”, notabilizando-se pela sua amplitude de recursos no que ao passe diz respeito. Noutras palavras, Morato tanto tem capacidade em jogar curto como em alongar com critério e qualidade, tornando-se numa incógnita para os adversários.
No entanto, o jovem de 19 anos ainda precisa de correr muitos quilómetros se quiser chegar ao plantel principal do Sport Lisboa e Benfica. Ficou visível no jogo da Allianz Cup, frente ao Vitória FC, que o jovem ainda não tem “estaleca” para tais andanças, tendo comprometido no lance que resultou no golo da vitória aos sadinos. Não obstante, Morato tem tudo para ser uma aposta sólida nos próximos anos. 
Com 1,90m, ágil, rápido, agressivo e com uma leitura de jogo acima da média, que lhe permite antecipar-se aos adversários na disputa pela bola, Morato poderá até já ser o quarto central na hierarquia de Jorge Jesus para a próxima temporada. O facto de ser canhoto, algo que Jorge Jesus aprecia em centrais que jogam no lado esquerdo da defesa, também pode contribuir para a sua inclusão no plantel principal.
Rodeado por defesas experientes de topo como Vertonghen, Rúben Dias e Jardel, o jovem brasileiro tem tudo para seguir as pisadas de David Luiz e Luisão e tornar-se numa das referências defensivas brasileiras a passar pela Luz."

Fever Pitch - João & Markus... Alemanha!

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Liga dos Campeões | SL Benfica reencontra PAOK na 3.ª pré-eliminatória

"Possivelmente o pior adversário nas circunstâncias menos apetecíveis: ao SL Benfica de Jorge Jesus calhou em sorte o PAOK de Abel Ferreira na Liga dos Campeões, num embate único a ser jogado no Toumba, casa dos gregos, a 15 ou 16 de Setembro.
Numa fase da competição em que dificilmente os encarnados não teriam condição de favoritos, esta era a única hipótese de equilíbrio na balança da competitividade. Os gregos já despacharam de forma contudente o Besiktas JK na ronda anterior (3-1, com 3-0 aos 29’ e oportunidade de fazer o 4-1 aos 41’ através de uma grande penalidade falhada) e olham para a visita de Jorge Jesus como nova oportunidade de mostrar qualidades que lhes permitam alcançar o que nunca conseguiram – a entrada na fase de grupos da Champions.
As águias negras apresentam-se em 2020-21 com as ideias do seu treinador completamente consolidadas e espera-se muito de uma equipa que não conseguiu destronar o Olympiakos FC do topo do futebol grego (segundo lugar na liga) mas que promete outras ambições para esta época.
No primeiro ano de Abel Ferreira os resultados europeus não foram animadores, houve queda nas primeiras rondas europeias (5-4 agregado com o Ajax na terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, 3-3f com o Slovan Bratislava no play-off da Liga Europa), mas nas provas nacionais só o conjunto de Pedro Martins foi mais forte (além do segundo lugar, Abel só caiu na taça precisamente contra ele, nas meias-finais).
Para este ano, as esperanças num final feliz foram redobradas dada a qualidade existente. A maioria das peças fulcrais do onze mantêm-se (por enquanto) no clube e houve adição de talento nacional vindo da cantera – Tziolis, homem de último terço, bisou frente ao Besiktas, e Michailidis, central moderno, são diamantes em bruto por lapidar – que ajudará a alavancar o nível de jogo da equipa para patamares de excelência no historial do clube.
Frente aos turcos, Abel deixou por terra o seu 4-4-2 e assumiu definitivamente o 3-4-3, como em algumas fases de SC Braga: Zivkovic continuou o titular da baliza, ele que foi o titular no campeonato em 19-20; à dupla titular, Varela (ex-Feirense) e Ingason, juntou-se precisamente Michailidis; nas alas, à direita Rodrigo (ex-Aves) e Giannoulis no lado contrário; no duplo-pivot de meio-campo, Schwab (ex-Rapid Viena e principal contratação desta época) acompanhou El Kaddouri (um dos líderes da equipa); na frente, o prodígio Tziolis jogou lado a lado com Akpom e Pelkas (ex-Vitória de Setúbal), relegando para o banco a figura do ano passado, Swiderski, que com 14 golos foi o principal artilheiro da equipa e a quem os rumores colocam na porta da saída… tendo como destino o FC Porto.
Limnios, extremo-direito titular do ano transacto e Anderson Esiti, nigeriano que já actuou em Portugal e contratado por três milhões de euros há um ano, saltaram do banco e fazem parte do lote dos mais utilizados.
Josip Misic, contratado ao Sporting em 2019, foi o MVP da época dos gregos (quatro prémios de Melhor do Mês), mas encontra-se lesionado, com perspectivas de retorno apenas em Outubro.
De relembrar que os últimos encontros entre Benfica e PAOK aconteceram há pouquíssimo tempo, em 2018-19, e que os encarnados eliminaram os gregos com um 1-4 no mesmo estádio do confronto que acontecerá daqui a duas semanas, depois de um empate a uma bola na Luz."

Breves notas (o Tour, o Vitória, Miguel Oliveira e Cavani)


"O Atleta Comum
“Eu sei que não sou o maior talento do desporto. Todos sonham ser o melhor do mundo, mas eu sempre fui realista. Prefiro ser um ajudante na minha equipa de sonho do que correr por mim próprio num nível inferior”, disse o ciclista Tim Declercq da equipa Quick-Step, a disputar o estranho Tour deste estranho 2020. Ao fim de uns anos, a não ser os fanáticos de uma modalidade, poucos conseguem identificar os actores secundários que, pela sua simples presença, ajudam a reforçar o brilho das grandes estrelas. Lembramos um Induráin, um Merckx ou mesmo os ídolos caídos em desgraça, como Pantani ou Armstrong, mas o tempo apaga os nomes dos seus ajudantes e, ainda mais, os “aguadeiros” de equipas menores. No entanto, sem eles não existiria o fascínio da serpente do pelotão a percorrer as estradas, não haveria estratégia colectiva, não teríamos as imagens marcantes dos acólitos a carregarem um chefe de fila montanha acima. Os corredores míticos são imortais, extra-terrestres de qualidades que superam o nosso entendimento. Os outros, os seus ajudantes quase anónimos, parecem-se connosco. Por isso, não os vemos. Por isso é que devíamos olhar para eles.

Vitória de Setúbal
Era uma questão de tempo. Tantas vezes o cântaro vai à fonte que um dia acaba no campeonato de Portugal. Durante muitos anos, o Vitória Futebol Clube conseguiu escapar ao destino de outros clubes históricos da Margem Sul como o Barreirense ou a CUF, mas andava sempre na corda bamba: salários em atraso, polémicas, desnorte directivo e dívidas, salvações in extremis. Apesar de algumas descidas e subidas, altos e baixos, o Vitória parecia insubmersível e, de vez em quando, lá alcançava um brilharete – a conquista da taça em 2005, a taça da liga em 2008 – como que a recordar a sua grandeza passada e a afirmar a sua pertença ao restrito grupo dos clubes triunfadores. Porém, os sinais de decrepitude eram inegáveis, bastando olhar para esse belíssimo Estádio do Bonfim e para a sua degradação e também para o laço cada vez menos apertado entre as gentes da cidade e o seu clube. Terá havido em muitas ocasiões má gestão, mas o declínio do Vitória é também o espelho de uma realidade que não se explica apenas por erros conjunturais. Num país em que se confunde desporto com futebol e em que se confunde futebol com os três grandes, é este o destino que aguarda os restantes clubes. Nenhum Schmeichel, nenhum Casillas, nenhum Cavani chega para disfarçar esta pobreza estrutural em que são todos náufragos embora alguns ainda não tenham consciência disso.

Vitória à portuguesa
Bem sei que nestes tempos de correcção histórica qualquer louvor à excepcionalidade portuguesa – a não ser que seja uma excepcionalidade negativa – é visto como uma manifestação de patrioteirismo arcaico e obsoleto, mas na vitória de Miguel Oliveira na Estíria – o que se aprende de geografia com o desporto – eu vi um triunfo à portuguesa, cheio de ratice, inteligência intuitiva e aproveitamento dos erros alheios. Enquanto os dois pilotos que iam na frente estavam entretidos na sua particular disputa, Oliveira esperou pelo momento certo, por uma, como agora se diz, “janela de oportunidade”, e, deixem-me cá pensar num termo adequado, papou-os, comeu-os de cebolada, comeu-lhes as papas na cabeça. O mérito é individual, sem dúvida, e não é por Miguel Oliveira ser muito bom que os portugueses são automaticamente “os melhores”. Mas é impossível ver aquela ultrapassagem, aquela “ratada”, e não sentir uma emoção epidérmica e, ao mesmo tempo, profunda, talvez atávica, mas nem por isso menos legítima, idêntica à que sentimos quando Fernanda Ribeiro triunfou em Atlanta ou quando Éder marcou o golo mais importante e mais improvável da história do futebol português em Paris. Foi uma coisa linda de se ver – quantas vezes podemos dizer isto de um desporto motorizado?

A novela Cavani
As reacções à novela Cavani, ao vem-não-vem, às narrativas paralelas de jactos para Paris e férias em Ibiza, qual filme de espionagem internacional, mostram que o talibanismo e a toxicidade vieram para ficar. Podem acabar com os programas de grunhos engravatados, com as exibições televisivas de testosterona e macho-alfismo sempre no limite da violência e muito para lá de qualquer contenção verbal e dever de urbanidade, que o mal já está entre nós. Gozar com os infalíveis papas da nossa fé? Achar ridícula, além de incoerente, para a realidade do nosso futebol a contratação milionária de um jogador? Logo descem das árvores e saltam das grutas os pitecantropos de todas as cores armados de fervor clubístico e iliteracia para carregar sobre os hereges. Cartilheiros? Os clubes não precisam de cartilheiros. Para quê pagar a alguém quando se tem ao dispor um exército de voluntários acéfalos?"

Academia do Sachal


"A Academia do Seixal tem sido um dos pilares onde passado, presente e futuro se cruzam para dar corpo a essa noção de sustentabilidade, de geração de talentos e de valorização dos activos.

Sachar - Cavar com o sacho; mondar com o sacho.

O Benfica tem uma centralidade na atenção e nos media sem comparação. O Benfica dá audiências, vende jornais e gera interesse. É por isso que se inventa tanto e que quase tudo é pretexto para engendrar uma razão para falar do clube. Os outros roem-se de inveja. Este potencial e posicionamento é o resultado de um trabalho de anos, de consolidação de um projecto de sustentabilidade do clube face à realidade nacional, às dinâmicas das modalidades e à sociedade portuguesa. cc. Alguns por conveniência das circunstâncias do momento pré-eleitoral no Sport Lisboa e Benfica têm insistido em estratégias de campanha entre o acantonar Luís Filipe Vieira no passado e abocanhar o trabalho realizado que permitiu a centralidade que agora gera tanto interesse e cobiça. Agora, depois de anos de concordância ou de ausência, está tudo mal, lançando-se num esforço desesperado de encontrar momentos de baú que certifiquem o amor ao Benfica nestes anos que passaram e até visionárias visões sobre o presente. “Cada cavadela, cada minhoca”, num impulso desesperado que transformaria a Academia do Seixal em Academia do Sachal, tal é a ambição em esgravatar, a bel-prazer dos adversários e dos media.
É dos livros que uma eleição tem em conta o desgastar de quem está no poder e a afirmação das propostas alternativas, mas o espectro que tem emergido é do bota-abaixo do “está tudo mal”, da boleia dos processos judiciais em aberto e do desespero em sustentar a agenda mediática com desafios, reptos e guinchos que visam a alteração das regras do jogo que existem e existiam. O tempo dedicado à afirmação das propostas alternativas é residual. A orientação é clara, “É preciso implodir o Vieira” para abrir caminho às alternativas, mesmo que isso signifique fustigar a instituição Sport Lisboa e Benfica, colocar tudo em causa e desqualificar o muito que foi conseguido ao longo dos anos, incluindo os do actual mandato.
As próximas eleições no Benfica são mesmo sobre o futuro. Sobre querer correr riscos com aventureiros que modelaram o seu posicionamento em função do seu lugar “na linha de sucessão” ou se ausentaram durante os anos de consolidação do projecto do clube, em qualquer dos casos com tiques de elitismo e de preconceito em relação às origens das pessoas. Sim, o Sport Lisboa e Benfica não é um alforge de criminalidade organizada de outras latitudes, mas também não tem de ser casa de acolhimento de turmas do croquete de outras longitudes. O Benfica tem de continuar a ser o que tem sido. Intemporalidade e diversidade, num caminho de consolidação do caminho percorrido, tão das Casas do Benfica como das elites ou das pseudoelites; tão do ecletismo das modalidades como do futebol; tão da memória como da preparação para os desafios do futuro.
O drama de alguns, é que o Benfica nunca esteve tão sólido e tão presente como agora.
Sólido nos pilares de gestão e de infraestruturas que permitem a geração de condições para os atletas poderem brilhar, envergando a camisola do clube.
Consolidado numa presença diversificada nas modalidades com crescentes preocupações com a participação do género feminino, apesar do actual contexto pandémico que limita e coloca entraves à formação e às modalidades ditas amadoras.
Presente no território nacional e no mundo através do papel fundamental das Casas do Benfica, da Fundação Benfica e das Escolas de Formação que dão expressão ao enorme potencial do projecto como instituição e como marca. No tempo actual querer questionar a afirmação de uma dimensão empresarial do clube, quase por contraste com a carolice de outros tempos, é ridículo. É tão ridículo que não tem em conta que foi Luis Filipe Vieira que resgatou para a órbita do património do clube, o Estádio e a BTV. 
Presente na afirmação de uma gestão que tem em conta o património histórico do clube, os desafios presentes e o futuro, procedendo aos ajustamentos necessários da estratégia como sempre aconteceu, com anuência e sem alarme. É assim em qualquer empresa, escritório de advogados ou instituição em que nem sempre tudo corre como previsto nos resultados, nos processos judiciais ou nas metas. É nesses momentos que os líderes, com a experiência e o conhecimento da realidade, avaliam a situação e ajustam a estratégia, os modelos de gestão e os impulsos de ação. É o que foi feito ao longo de anos e continua a ser feito. Lá porque há eleições e os deserdados desatam a dizer mal de tudo, mesmo daquilo em que participaram, os ausentes desesperam por afirmar uma presença que lhes confira notoriedade e proliferem interessados em relação a uma instituição que na suas palavras teve uma gestão insuficiente, não significa que se deixe de fazer o que sempre se fez. Avaliar, ajustar e concretizar para voltar a ter êxito.
O tempo não está para aventuras, nem para dar alento aos detratores do clube. O Benfica tem uma centralidade na sociedade portuguesa que deve ser continuada, com solidez, com diversidade e com sentido de futuro. Tudo que falta a quem quer fazer das eleições um bota-abaixo do trabalho realizado e, por essa via, da instituição Sport Lisboa e Benfica. As regras existem e são claras, é focarem-se na apresentação das alternativas em vez do bota-abaixo, dos lancinantes desafios e de truques. Fazer tudo diferente é abrir portas aos Vale e Azevedo desta vida. Fazer algumas coisas diferentes é melhor que seja feito por quem sabe. Outubro é sobre o futuro, sem regressos de outros passados que tanto custaram a ultrapassar.

Notas Finais
Pérolas a Porcos
A pequenez é uma reserva mental que impede e impedirá sempre quem ganha de ser grande. O actual contexto poderia suscitar algum ajustamento evolutivo, mas não. O Twitter do F.C.Porto após a final da Youth League em que participou o Sport Lisboa e Benfica é a prova de que podem dar pérolas a porcos, mas há quem nunca consiga sair do meio em que está confortável.
O Algodão Não Engana
A Liga Portugal, agora ainda mais em tons de azul, fez a sua gala e conferiu o Prémio Prestígio a Valentim Loureiro. É impressivo e está tudo dito sobre a cotação do prestígio na instituição.
Um Suponhamos
Suponhamos que o Benfica tinha uma mão cheia de jogadores que não renovavam, não comprava nem vendia, tinha um jogador que não treinava com a equipa há meses e não pagava as dívidas de transferências passadas. Caía o Carmo e a Trindade mediáticas, mas assim não passa quase nada."

Rescaldo...

Benfica After 90 - Rivals, Sporting...

A actividade física e desportiva... em nome da vida!... (1)


"Dada a necessidade imperiosa de nos dias hoje invocar esta temática, tendo em conta o quase desprezo com que os responsáveis pela gestão do desporto como elemento primordial para a saúde e bem estar da nossa população a isto nos condiciona, aproveitando o “defeso” das competições desportivas, irei defender em quatro ou cinco artigos o que importa, no sentido provocar um meia culpa pela atrevida iliteracia que se dissolve ao longo dos tempos, muito em especial quando não cheira a eleições, dessa tropa que se vai aconchegando nas cruzetas do poder.
Farei nestes primeiros artigos (1, 2 e 3) uma análise histórica e evolutiva da prática da actividade física e desportiva, obviamente de forma muito circunscrita ao resumo da mesma.
Fazendo uma viagem no tempo, as actividades físicas começaram por ser indispensáveis à vida do homem pré-histórico.
As largas caminhadas davam-lhe a resistência nas marchas; a necessidade de perseguir a caça ou de fugir ao inimigo, emprestavam-lhe velocidade nas corridas; a imposição de acertar no alvo, quase sempre móvel, dava-lhe destreza; as valas e precipícios exercitava-os nos saltos; o refúgio ou procura de frutos em altas árvores, ensinavam-lhes a trepar…
A vida simples mantida pelos recursos que a natureza lhe proporcionava, levava o homem primitivo a obedecer àquela lei da fisiologia. “o movimento continuado e repetido desenvolve os órgãos e aperfeiçoa as funções” – o carácter utilitário do exercício!...
A partir de 2000 anos a.C., pelas pinturas e desenhos encontrados, se podem reconstruir as actividades físicas que figuravam entre os costumes das várias povoações: exercícios gímnicos, arco e flecha, corrida, salto, os arremessos, a equitação, esgrima, a luta e boxe, a natação, o remo, corridas de carros, danças, traduzem a intensa exercitação na civilização egípcia.
Os Hebreus manejavam com destreza o arco e a flexa, arremessavam a lança, brandiam a espada usando gritos ensurdecedores antes de atacar, quer para elevar a moral, quer para atemorizar os adversários.
Entre os Persas e segundo Heródoto, ensinavam-se fundamentalmente três coisas às crianças: montar a cavalo, atirar o arco e dizer a verdade.
Na antiguidade clássica merece-nos importância especial a civilização Espartana, cujo objectivo era formar soldados corajosos, valentes que defendessem galhardamente a Pátria. Por isso, o exercício era exclusivamente destinado a fortalecer corpos robustos para a guerra, não esquecendo de seleccionar um conjunto de actividades tendentes a formar mães fortes, para gerar filhos fortes para o combate.
Por outro lado, a civilização Ateniense distinguia alguns princípios: o corpo deverá subordinar-se à alma racional (não devemos esquecer que a alma racional para Platão, é substância completa, espírito puro, anterior ao corpo, com o qual se une acidentalmente). A actividade física deverá proporcionar saúde, força e beleza, com nítidas preocupações higiénicas, estéticas e recreativas.
É importante referir (estamos agora em 460 a.C.), o método de Hipócrates, o médico mais notável da antiguidade. Contemporâneo de Platão e Aristóteles, criou um método e cura de doenças, que até podemos chamar de pré-científico, pois prescrevia a corrida como um meio curativo: “Esta far-se-ia sobre a ponta dos pés e com balanço alternado dos braços. Integrava ainda a dieta, banhos frios e a vapor como forma terapêutica e dietética”.
Na civilização Grega, com o uso de grandes jogos e festivais, as práticas físicas e desportivas foram um dos factores mais importantes para a unificação da Grécia. Dentro de todos os jogos, merece-nos referência os Olímpicos, realizados em Olímpia em honra de Zeus, dedicados à força e beleza física do homem. Realizavam-se de 4 em 4 anos, começando por durar 1 dia e mais tarde 5 dias, cujo vencedor recebia uma coroa de oliveira, sendo-lhe permitida a entrada pela porta secreta da cidade, erguendo-se-lhe uma estátua.
Conta-se o ano de 776 a.C. como sendo a data da primeira olimpíada e o ano 303 da era cristã a suspensão dos jogos pelo imperador romano Teodósio, como oposição ao exclusivo do corpo e dos deuses e como antítese do cristianismo.
Seguindo no tempo, entramos na civilização romana. Para as actividades físicas, efectua-se a construção de anfiteatros, onde as lutas de gladiadores e os combates com feras tinham lugar. O regresso dos legionários e a consagração pelos seus desempenhos, o abandono dos campos devastados, tomou Roma com uma elevada população esfomeada, que insistentemente pedia pão e circo.
Importa referir nesta época, Galeno, médico estudioso da obra de Hipócrates. Aplicou a educação do físico à medicina, criando a ginástica médica (129-199 d.C.). Dizia: “A cada indivíduo, segundo as suas características, deveria corresponder um conjunto de exercícios também específico”. Para ele era muito importante associar o termo saúde ao prazer do movimento!... Como vemos na distância do tempo o anunciar das causas de bem realizar o exercício que ainda hoje, infelizmente, tantos exemplos de flagrante ataque à saúde de quem ultrapassa a regra de ouro: em termos de exercício e actividade física fazer o que não deve ser feito ou fazê-lo de forma inapropriada são males do mesmo tamanho!...
(continua)"

Há mais Benfica na Luz


"Uma bem conseguida etapa inaugural, na primeira aparição pública do Benfica a fazer recordar marcas de Jorge Jesus de outros tempos:
a) Um Benfica ultra pressionante que não permitiu ao adversário jogar;
b) Coordenação da última linha já com trabalho de pormenor – Movimentos de encurtar, baixar – Posicionamentos em Largura e Profundidade;
c) Exploração do último terço em Ataque Posicional com muita presença ofensiva.
Alinhamento Defensivo Rigoroso
Notas soltas da partida:
- Taarabt a um nível bastante elevado ofensivamente, e muito disponível defensivamente – Está longe de ter a “rotação” que Jesus exige na posição, mas enquanto a fadiga não chega é claramente o homem mais capacitado do actual plantel para a posição;
- Pizzi embora nunca se venha a tornar um jogador competente defensivamente mostrou maior agressividade do que alguma vez o tenha feito nos últimos cinco anos – “Quando o futebol for como o Andebol joga sempre, quando for a atacar jogas, quando for para defender sais” Jorge Jesus. Já não é o jogador com bola de outrora, por demasiado ineficiente em zonas e gestos de criação, mas esteve bastante melhor na participação no carrossel encarnado no último terço;
- Tremenda a facilidade técnica de Cebolinha – Todas as suas acções técnicas parecem ser realizadas sem o mínimo esforço – Tudo natural, fluído, eficiente e eficaz – Vai ter um impacto gigante no último terço na Liga NOS;
- Luka e Chiquinho com pequenos pormenores na forma como executam – Recebem, Decidem – Entregam que permitiram perceber a fluência que podem dar ao jogo no último terço – Facilitam o jogo aos colegas, permitem que seja mais fácil instalar no meio campo ofensivo e com isso amarrar adversários atrás;
- Continua a faltar um ponta de lança com qualidade ao Benfica. Seferovic é esforçado e ajuda no plano defensivo, Vinícius finaliza bem. Em tudo o mais, não acrescentam e estão abaixo do nível da equipa; 
- Diogo Gonçalves a fazer recordar Toto Salvio – Forte fisicamente, potente, desequilibrador em condução e drible, e com chegada à zona de finalização – Tem condições para ser uma surpresa na temporada;
- Gilberto a denotar alguns problemas em perceber distâncias óptimas para adversário em situação de 1×1 defensivo – Deu demasiado espaço! Melhor na coordenação com a linha."

Vermelhão: Luz...

Benfica 2 - 1 Bournemouth


Estreia à 'porta aberta', somente com duas contratações no 11 inicial, mas com diferenças na forma como jogámos! A principal nota foi a pressão alta, muito alta, durante muitos minutos... Eu sei que esta pré-época é atípica, mas manter este ritmo durante tanto tempo surpreendeu-me... E como estamos perto do primeiro jogo oficial, que vale muito 'dinheiro', é importante demonstrar boa forma logo desde início!
Problemas nas transições defensivas, e no ataque organizado... Notou-se a intenção de jogar rápido e 'directo', quando ganhamos a bola, mas ainda faltam 'automatismos' principalmente com os novos jogadores... A opção do Pizzi no 'meio' como segundo avançado, só poderá ser útil em alguns (poucos) jogos! Boa entrada do Digui (Gonçalves)...
Dois grandes golos, o Adel a fazer aquilo que deve fazer mais vezes; o Everton a marcar um golo típico, que se tudo correr bem, irá ser 'normal'!!!

Destaque ainda para o senhor António Nobre: uma vergonha!

Faltam reforços: defesa central (o Jardel está sempre lesionado), defesa esquerdo, '8', 2 avançados... pelo menos estes!