Últimas indefectivações

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Garra...

Benfica 3 - 3 Ajax


Jogo muito complicado - sem o Jota e sem o Umaro -, onde tentámos controlar a posse de bola desde início, para não dar posse e contra-ataque aos Holandeses... a coisa até começou bem com o 1-0, mas depois fomos perdendo consistência, e o Ajax foi ameaçando, até empatar praticamente na última jogada antes do intervalo...
Péssima entrada no 2.º tempo, com um 1-3 de rajada... O treinador mudou, a equipa reagiu, o Ronaldo e o Tiago Gouveia entraram muito bem... e com muita garra, chegámos ao empate... e estivemos quase a marcar o golo da vitória, mas a bola sai à malha lateral!

Estamos numa situação perigosa, uma derrota na Alemanha, ficamos a depender de terceiros (uma derrota do Bayern na última jornada em Amesterdão), como ficou demonstrado no Seixal temos equipa para bater o Bayern, mas...

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Lanças... Reacção...

Leonor & Zé Nuno... Sem Censura!

A catedral dos cónegos

"No último encontro, devo reconhecer que o treinador do Moreirense deu uma cabazada ao treinador do Benfica

1. Uma sexta-feira desoladora. O Benfica perdeu com o Moreirense, assim completando 8 pontos perdidos nos 12 possíveis das últimas quatro jornadas. Curiosamente, o jogo em tese mais difícil - contra o Porto - foi o único que o Benfica venceu. Será que a lógica do futebol é uma batata? Há quem diga que sim, mas se o dito tubérculo até pode contribuir para a imprevisibilidade e a surpresa no futebol, temos de analisar o sucedido em pontos mais próprios da razão do que da batata.
Em Chaves, o Benfica marcou cedo - ultimamente parece uma sina o Benfica sobraçar quando marca no início - mas deparou-se com um oponente que jogou melhor e de modo mais clarividente. Contra o Belenenses, SAD, já aqui disse a semana passada, quão infrutífero foi o domínio encarnado e quão dúctil foi o meio-campo e a defesa. Finalmente, na Luz contra o Moreirense - e por muito que deseje negar ganhou a melhor equipa. Nos últimos três jogos (Ajax, Belenenses, SAD e Moreirense) houve 60 remates e um mísero golo! Volto ao que disse na anterior crónica: a medida definitiva da competência e da capacidade mede-se pela eficácia e, inexplicavelmente, o Benfica tem sido de uma pobreza franciscana, cada vez mais tolhido psicologicamente.
Não creio que a época esteja hipotecada, mas começa a estar complicada. A média de mais de 50 mil adeptos que tê ido à Luz e uns bons milhares que sempre a acompanham nos jogos fora de casa merecem bem mais. Custa-me a perceber como jogadores exibem no espaço de poucas semanas um retrocesso na sua forma e no seu desempenho, sem que tal se possa explicar pelo número de jogos até agora.
No último encontro, devo reconhecer que o treinador do Moreirense deu uma cabazada ao do Benfica, apesar de ter começado o jogo praticamente a perder e de, em regra, essa circunstância ser uma forte machadada em qualquer estratégia que venha gizada, Ivo Vieira veio com a lição bem estudada, sobretudo atendendo a dois factores que, certamente, beneficiaram de uma anáise minuciosa dos últimos jogos encarnados: o primeiro, o enorme espaço entre linhas (às vezes, roçando a bagunça) que permite aos adversários trocar a bola e fazer jogadas de contra-ataque com relatica tranquilidade. Assim foram os golos do Belenenses, SAD e os do Moreirense. O primeiro da equipa minhota foi uma dádiva do Benfica que, a ganhar por 1-0, estava todo na frente com dois ou três defesas atrás separados por quase 50 metros. Idem aspas no segundo e também no terceiro onde ninguém pressionou o jogador que faz um remate do meio da rua. O segundo factor que, aliás, já atrás referi, foi o da ineficácia (o lance do Rafa depois de ultrapassar o guardião foi paradigmático), acompanhado de três circunstâncias que têm ensombrado o ataque: o desperdício de praticamente todos os livres e até dois dois penáltis assinalados, mas não convertidos, a cerimónia em chutar à baliza, muitas vezes até precedida de movimentos bem gizados e a falta assinalável de rematadores fora da área.
Para além de tudo isto e de uma defesa muito débil, de que se destacam os 9 golos sofridos contra Chaves, Belenenses, SAD, Moreirense e Guimarães, outro ponto deve merecer cuidado. Este último jogo foi o quarto em que o Benfica acaba a partida com 10 jogadores, depois de expulsões de... 4 defesas-centrais. E se a de Lema contra o FCP foi por demais injusta, as outras foram ou infantis (Rúben Dias Na Grécia e Conti em Chaves) ou inexplicáveis, como foi o caso do capitão Jardel perdendo a cabeça disparatadamente.
Um último ponto quero aqui analisar brevemente. O melhor jogador em campo no jogo da Luz foi Chiquinho, que o Benfica foi buscar à Académica no defeso para dar uns toques num joguito de preparação e que, logo de seguida, foi transferido para o Moreirense, ao que se diz para resgatar Alfa Semedo. Não sei se esta sua bela exibição na Luz foi uma excepção brilhante num jogador mediano. Até pode ser que sim, pois nunca o havia visto jogar. O que me custa a aceitar é este tipo de trocas e baldrocas que, em boa verdade, são habituais nos clubes grandes de Portugal. Compra-se, troca-se, vende-se, transfere-se tudo em ziguezague, não raro, errático e inconsequente. E quem ganha com isso? Não preciso sequer de dar a resposta. É óbvia. Ao invés, Castillo provou, neste jogo contra o Moreirense, porque não tem lugar no Benfica.

2. O jogo foi precedido por uma extensa entrevista do presidente do SLB na TVI. Ter-se-á tratado do melhor desempenho de Luís Filipe Vieira, respondendo às muitas questões levantadas com serenidade e firmeza de intenções, além de ter comunicado com mais clareza e assertividade. Para tal, diga-se de passagem, contribuiu o bom desempenho do entrevistador Sousa Martins que percorreu todas as áreas, desde as mais de fundo até epifenómenos de que o futebol e a curiosidade também muito se alimentaram. Não que eu esteja de acordo com tudo o que Vieira disse, mas tem o meu reconhecimento pela notável mudança que os seus mandatos à frente do clube têm proporcionado em todas as vertentes, desde a desportiva, à patrimonial e infraestrutural, financeira, organizativa, de marketing e à reabilitação da formação e das modalidades.
Pena foi que, uns dias depois, o presidente do meu clube se tenha entusiasmado em demasia e na justa celebração dos 15.ºs aniversários das suas funções e do novo Estádio da Luz se tenha deixado embalar por devaneios oníricos de probabilidade tendencialmente nula. Refiro-me ao sonho de voltar a ser campeão europeu com a grande maioria dos jogadores formados no Seixal. Eu cá também gosto de sonhar. Porém, quando acordo fico apenas com a nostalgia do feito sonhado dentro de mim, que é onde eu guardo o que só em sonho de pode repetir.
Curiosamente, na mesma semana, veio a público a tramóia dos tubarões, estimulada por certos poderes e estabelecidos, de criar, já em 2012, a SuperLiga europeia com 16 clubes, dos quais 11 nunca seriam despromovidos (!) sendo 5 ingleses, 2 espanhóis, 2 italianos, 1 francês, 1 alemão, a que se juntariam provavelmente mais 2 italianos, 1 espanhol, 1 alemão e 1 francês! Definida a institucionalizada a nova casta europeia dominada pelo dinheiro e outros meios de influência, ficará o resto para a Europa de segunda classe. Será que Luís Filipe Vieira estaria a pensar neste figurino mais secundário?

3. Volto ao pesadelo da sexta-feira, dia dos Finados antecedido pelo frenético Dia das Bruxas. Apenas para sublinhar dois pontos da transmissão televisiva, através da BTV. O primeiro referente ao profissionalismo e clarividência de que, mais uma vez e num momento delicado e difícil, Hélder Conduto deu prova. Assim prestou um excelente serviço ao jornalismo e ao canal do clube, sabendo separar o que certamente lhe ia na alma da exigência deontológica e da responsabilidade de isenção inerente à sua função. O mesmo não posso dizer do jornalista e do comentador do passado Porto -Feirense, que chegaram ao ridículo de num minuto terem mudado categoricamente de opinião no golo validado (em indiscutível fora-de-jogo) aos portistas pelo árbitro/VAR, certamente dilucidados por obra e graça dos santinhos.
Há todavia, um aspecto que crítico veementemente na transmissão do Benfica - Moreirense. Como não estive no Estádio, reparei que, no fim do jogo e perante a desilusão dos benfiquistas, a realização evitou (censurou) imagens das bancadas, onde - segundo li depois - a contestação era visível com, por exemplo, lencinhos brancos. Entre planos fechados e centrados no relvado e planos bem distantes onde nada se distinguia, assim foi o fim da transmissão em sintonia com a paupérrima exibição e péssimo resultado do Benfica. É caso para se dizer que «não havia necessidade» e para afirmar que a televisão do clube não é de A, B ou C, mas de todos os seus sócios. Seja, quando efusivamente se abraçam e batem palmas ou incentivam a equipa ou quando, desgostosa e ordeiramente, exprimem um estado de espírito de desânimo ou de alguma revolta.

P.S.1 - «Fuga ao pódio da vergonha» foi o título em A Bola no passado domingo, por «estar à vista» (se perder com o Ajax) o pior registo de derrotas consecutivas do Benfica. Vergonha é, segundo os dicionários, desonra, perda de dignidade, humilhação, opróbrio. Uma palavra por demais excessiva e deslocada, como se perder no futebol significasse o que não significa... A semântica ainda deve ser o que sempre foi!

P.S.2 - Saborosas as vitórias em basquetebol e hóquei contra o Porto. No clássico no rinque de patinagem, o Benfica também teve direito ao seu minuto 92 de felicidade. Neste caso, ao último segundo do jogo!"

Bagão Félix, in A Bola

A estatística que alarma o Benfica

"A estatística permite sempre fazer dançar os números em função da música que escolhemos, mas ninguém poderá dizer que a análise com sustentação numa base estatística seja desvirtuada de fundamento. Daí que seja interessante olhar, a partir da realidade dos números do campeão nacional de futebol, nas últimas dez épocas, para concluir como são escassas as probabilidades do Benfica conseguir dar a volta à crise e vir, ainda, a conquistar o título.
Vejamos: nas últimas dez épocas só houve dois campeões nacionais. Curiosamente, repartidos em número igual de títulos (cinco para o FC Porto e cinco para o Benfica). Apenas uma única vez, nesta última década, uma equipa conseguiu ser campeã com menos de 80% dos pontos disponíveis  o FC Porto, precisamente há dez anos, venceu apenas com cerca de 78% dos pontos possíveis. E nestes dez títulos de equitativa repartição, só por duas vezes (ambas com o Benfica) uma equipa foi campeã com mais de duas derrotas. Sendo que na época em que o Benfica foi campeão com 4 derrotas (2015/16) teve apenas um empate e na época em que sofreu 3 derrotas (2014/15) consentiu 4 empates.

Olhemos, então, para os números do Benfica à nona jornada. Se os valores não oscilarem substancialmente do padrão encontrado para esta última década, poderíamos dizer que para ser campeão esta época, o Benfica precisaria de uma recuperação milagrosa. Não deveria perder mais de dez pontos até ao fim da prova (já perdeu igual número de pontos nos primeiros nove jogos) ou seja, só poderia perder mais dois jogos e empatar outros dois nos 25 jogos que faltam. Não será fácil!"


Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (MII)

Benfica e Ajax !!!

Benfica FM - Horn !!!

Manuel Antunes ou o repensar dos Humanismos

"O Humanismo Clássico, fundamentado no humanismo grego e no humanismo latino, assim o define o Padre Manuel Antunes: “um movimento europeu dos séculos XV e XVI, com ramificações nos séculos seguintes e significa, animando esse movimento e dele emergindo, um ideal de razão e de vida abundante, de ordem e de proporcionamento ao cosmos, de limite e de lucidez, de disciplina mental e de gozo sensorial, de expansão e de comedimento, de aliança, no mesmo homem, da torre de marfim e da cidadania do mundo, da filosofia e da retórica e, não raro, da filosofia e da religião, ideal esse cultivado através das litterae humaniores, formadoras no homem da sua verdadeira humanitas (Indicadores de Civilização , Verbo, Lisboa, 1972, p. 3). O Padre Manuel Antunes (1915-1985), meu professor de História da Cultura Clássica e de milhares de estudantes, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, ao longo de um quarto de século, já que esta disciplina era transversal a todas as licenciaturas – o Padre Manuel Antunes foi sempre um “clerc”, em defesa da pessoa humana contra a anti-cultura das oligarquias do dinheiro, do racismo, da violência militarista e ditatorial, ou contra o sectarismo de certas ideologias que favorecem uma desenfreada ânsia de monocultura do saber científico, decorrente da globalização neoliberal. Aliás, o humanismo clássico já representou um “corte epistemológico” (e até político) em relação a uma linguagem trivial, semeada de lugares comuns e de muitas crendices que cheiravam ao mofo medieval. Em Portugal, Sá de Miranda, António Ferreira, André de Resende, Damião de Goes, o helenista Aires Barbosa, André de Gouveia (e quedo-me aqui, pois muitos mais nomes seria de realçar) o que foram eles, acima do mais, senão diligentes estudiosos e respeitados Mestres, que mereceram a estima e admiração de Erasmo e doutras figuras incontornáveis do pensamento e das letras dos séculos XV e XVI? Erasmo, aliás, exerceu, no século XVI, uma influência só comparável à de Voltaire, no século XVIII. E com semelhante mordacidade e coragem…
André de Resende (1500-1573) na sua célebre Oratio pro Rostris, declarou-se “Cristianus sum et ciceronianus”, para não deixar dúvidas a ninguém que o cristianismo não era inimigo da ciência, nem das belas letras. Joaquim de Carvalho não tem dúvidas do “humanismo cristão” de André de Resende, “tão visceralmente hostil à paganização do Homem como à divinização da natureza” (Estudos sobre a Cultura Portuguesa do século XVI, vol. II, p. 57). Mais próximo de nós, têm sido vários os humanismos. Manuel Antunes, em estreita aliança com a filosofia e a teologia (e a política) do seu tempo, deu especial realce ao humanismo cristão e ao humanismo marxista. “O Marxismo partiu da análise de certa zona da realidade (a miséria do proletariado originada do Liberalismo) sistematizou-se, apoderando-se da dialéctica de Hegel e, porque era fácil e trazia em si aquela parcela de verdade que correspondia às aspirações do homem, tornou-se a grande esperança de muitos milhões de seres humanos, uma autêntica mística que lhes levanta os corações como o vento levanta o mar” (Manuel Antunes, Do Espírito e do Tempo, Edições Ática, Lisboa, 1959, p. 25). Marx, apropriando-se da metodologia dialéctica, enquanto lei do processo histórico, levado por perspectivavas históricas que no seu tempo se ergueram (refiro-me ao socialismo, à economia de Ricardo, à evolução darwinista, ao positivismo comteano e ao materialismo filosófico mecanicista) rejeita o idealismo de Hegel, pois que não é o pensamento o produtor da realidade e faz da luta de classes o motor da História, rumo (pensavam Marx, Engels e Lenine) à ditadura do proletariado, a formas mais justas das relações sociais, isto é, sem classes, sem exploração, sem alienação. Só que as teses ortodoxas do marxismo, quando politicamente materializadas, resultaram em ditaduras esvaziadas de liberdade, igualdade, fraternidade. E dogmáticas, sem a possibilidade de discussões ou desvios. De facto, como já o disse noutras ocasiões, não há ditaduras boas e ditaduras más – há ditaduras e são todas más!
Para Manuel Antunes, Tomismo (a corrente teológica oficial da Igreja Católica) e Marxismos são duas “sínteses críticas e dialécticas, mas com uma diferença que, por ser de tanta importância, se deve acentuar desde já. De facto, mais que de diferença, trata-se de contrariedade. Construída por um santo, a síntese tomista é sobretudo tese, afirmação; afirmação de Deus e do mundo, do homem e de Cristo. Construída por um revolucionário, a síntese marxista é sobretudo antítese, negação; negação de Deus e de Cristo, negação deste mundo e deste homem, para que da destruição de ambos possam nascer o mundo futuro e o homem futuro”. E continua, linhas adiante: “Mas os contrários partem expressivamente de duas definições do Homem. Um espírito encarnado. Assim poderíamos definir o Homem, segundo a filosofia tomista (…). Que é o homem, segundo Marx? Um corpo consciente de si. Um composto físico-químico que um dia, por si, depois de transformações sucessivas, chegou ao pensamento. Por isso, segundo Marx, o homem é, antes de mais nada, parte, não pessoa. Parte de um todo homogéneo, materialmente homogéneo, cósmico e social. O homem é o mundo do homem, lemos na Contribuição à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel” (op. cit., p. 104). Enfim, tomismo e marxismo são dois humanismos, mas com sentidos diferentes: um, a caminho da Transcendência; o outro, através da ditadura do proletariado, movendo-se, em luta incessante, na Imanência; um, aceitando Deus como o alfa e omega da História, dando sentido ao sem sentido aparente da existência humana; o outro, lutando por um mundo de justiça social, mas sem a ponte entre este mundo e a eternidade (uma eternidade de comunhão com Deus, onde a morte foi superada e o ser humano inserido na própria esfera divina); um, sabendo-se pela fé filho de Deus; o outro, julgando-se matéria que em matéria se resolve e se completa.
Também Manuel Antunes teve em conta a sede de justiça social que anima e põe em marcha o marxismo, pois que, no cristianismo, quem rejeita o seu semelhante (o seu irmão) rejeita o próprio Cristo. Por isso, Manuel Antunes escreveu, no seu livro Repensar Portugal, em Abril de 1979: “Que espécie de sociedade desejamos? Que espécie de sociedade deseja o povo português? Uma sociedade em que estejam definitivamente para trás o liberalismo atomista e o colectivismo totalitarista. Uma sociedade que enterre de uma vez para sempre os monstros inumanos de um passado mais ou menos próximo, ou mais ou menos remoto. Uma sociedade em que não se maximize o lucro, nem se sacralize o poder. Uma sociedade em que o Estado, em vez de fim em si mesmo e de fim dos grupos que o compõem se encontre de verdade, ao serviço da comunidade das pessoas que o excedem em toda a linha” (p. 11). No cristianismo, como em Manuel Antunes, pensar o essencial começa no amor ao próximo (sem o sacramento do irmão ninguém poderá salvar-se) e portanto no ato de fé a que nos leva uma autocrítica da razão. Sem tombar na irracionalidade que, como onda imparável, está a invadir o mundo todo. Mas, assumindo o cultivo de virtudes morais e cívicas e, por isso, dando primazia à antropologia sobre a tecnociência, à paz sobre a violência, à utopia sobre qualquer fixismo dogmático, ao social sobre o individual, ao ser sobre o ter, à práxis sobre a retórica de todos os sofistas, à filosofia perennis dos grandes espíritos da humanidade sobre a falsa actualidade de certos modismos, de certas políticas e de certas infantilizações do sagrado. Vale a pena relembrar o verso de Píndaro: “Homem sê o que és, sê quem és”. Para tanto, diz-nos Manuel Antunes, importa considerar o humanismo como visão, o humanismo como acção, o humanismo como invenção. No humanismo como ação, como visão, como invenção, cabe perfeitamente o Desporto. Aliás, o Desporto, se quer transformar-se numa Grande Esperança, não pode ser outra coisa senão um humanismo. E portanto ciência e sabedoria, factos e valores. E que cultive o ter para o ser. E que eduque para o “homem integral”."

Vitória na 1.ª mão...

Benfica 3 - 0 Pafiakos
25-16, 25-20, 25-15


Vitória tranquila, contra um adversário mais complicado daquilo que eu estava à espera, mas perfeitamente ao nosso alcance... mas é preciso concentração no jogo em Chipre!

105x68... Formação, antevisão,,,

Alvorada... do Gonçalves

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Na véspera, em Amesterdão...

"Regressemos por momentos à Holanda. Dia 1 de Maio de 1962. O Benfica prepara-se para ganhar a sua segunda Taça dos Campeões. Ultimam-se pormenores. Béla Guttmann não receia o mau tempo que se anuncia. Os holandeses fazem comparações entre os jogadores encarnados e os do Real Madrid.

Foi na semana passada, o Benfica até Amesterdão jogar o primeiro de dois jogos consecutivos frente ao Ajax para a Liga dos Campeões. As coisas não correram bem, como sabemos, mas não vamos considerar a cidade ingrata, até porque tem um charme muito próprio, muito intenso, e merece mais visitas.
Recordemos uma delas, a mais importante da história do clube da águia imperial. Mas recordemo-la em imagens diferentes. Dia 1 de Maio de 1962: véspera da final da Taça dos Clubes Campeões Europeus, como então se dizia. De um lado e do outro as duas únicas equipas que haviam conquistado o troféu até aí: o Real Madrid, que somara cinco consecutivos, e o Benfica que, no ano anterior, batera o Barcelona, em Berna (3-2).
O L'Equipe, jornal francês que lançou a ideia da competição e organizou mesmo as primeiras edições, antes de a UEFA meter as mãos ao trabalho, titulava: 'Este pode vir a ser um dos melhores jogos de sempre!' E foi. Continua a ser.
Chovia. Ou, melhor, chuviscava.
Nada que pudesse em causa a integridade do relvado. Em Portugal, toda a gente escrevia Amesterdam: manias.
Béla Guttmann, o húngaro mágico, dirigira uma sessão de treino. Coisa ligeira, nada de exageros. Era um homem confiante. Uma personalidade única. Tinha uma noção muito viva de si próprio e isso influenciava todos ao seu redor. No final de apronto anunciou a equipa para o dia seguinte: Costa Pereira; Mário João e Ângelo; Cavém, Germano e Cruz; José Augusto, Eusébio, Águas, Coluna e Simões.
Eusébio e Simões iriam jogar a sua primeira final dos campeões.
E Eusébio era uma sensação!
Do lado espanhol, cautelas, muitas cautelas. O dirigente madrileno Emil Osterreicher veio justificar o medo. Sim, não tenhamos vergonha da palavra: o medo. Disse candidamente que não iria tornar público o onze dos merengues. Que havia dúvidas. Um ou outro jogador tocado. Depois se veria.
Com os medos do Real podia o Benfica bem. Aliás, como se viu.
Esclarecia-se na imprensa portuguesa: 'Sendo ambos os grupos mestres no jogo de conjunto, dispondo contudo de valores individuais brilhantes, a maioria dos críticos recusa prever o resultado, se bem que sejam de oito contra uma a possibilidade de empate. Se, porém, for necessário novo jogo após os prolongamentos da lei, esse jogo de desempate será disputado no próximo sábado no mesmo estádio'.

Silêncio no mercado negro
Estranhava-se que o movimento do mercado negro fosse escasso. Um director do Ajax comentou com certo chiste: 'Desta vez até os especuladores querem guardar os bilhetes para poderem ver o jogo ao vivo'. Curiosamente, a gerência do hotel no qual o Real Madrid se instalou, resolveu fazer um seguro. Preocupada com a hipótese de um empate por causa do qual ficaria obrigada a manter os quartos dos madrilenos por mais quatro noites, precavia-se em relação aos hóspedes que iria recusar.
Um vento forte começara a soprar durante a tarde.
Béla Guttmann estava-se nas tintas: 'O estado do tempo pouco me interessa. Jogamos bem em quaisquer condições'.
Ah! Isso é que era moral!
Germano estava constipado. Sinusite crónica. Humberto estava de prevenção. Afinal já tinha jogado a Taça Intercontinental, perdida para o Peñarol do Uruguai.
A UEFA anunciava medidas: próximo sorteio da primeira eliminatória da Taça dos Campeões teria lugar em Colónia em 6 de Junho. E deixava claro que, actuando o Benfica com o seu equipamento habitual, os jogadores do Real Madrid teriam de envergar calções escuros para evitar confusões. Os madrilenos optariam por jogar todos de azul.
O árbitro seria holandês: Leo Horn.
E o De Telegraaf, numa longa peça dedicada à fantástica final, elogiava a classe de Di Stéfano, Puskás, Del Sol e por aí fora, dedicando aos encarnados estas linhas: 'O Benfica de Lisboa é, sem dúvidas, a revelação internacional destes últimos dois anos. A comparação entre o Benfica e o Real apresenta as seguintes características: guarda-redes cheios de segurança (Costa Pereira e Araquistain); eixos de defesa sem falhas (Germano e Santamaria); avançados-centro de grande classe (Águas e Di Stéfano). As duas linhas avançadas possuem igualmente interiores-esquerdos de grande capacidade: Puskás, sempre postado como franco-atirador e quem não convém deixar movimentos livres; Colna, que opera mais atrasado, mas não tem rival em transformar um ataque em contra-ataque e encontrar-se na ponta final. Del Sol, o interior-direito do Real, é comparável em rendimento a Eusébio, que, talvez com mais brilho, ocupa o mesmo posto no Benfica'.
E concluía: 'O Real continua a ser a equipa que melhor concretiza as situações que cria ou que lhe são oferecidas. A sua velocidade é talvez inferior à do Benfica, mas a técnica e o profissionalismo são de primeiro plano. A isto os portugueses opõem ímpeto, velocidade, brio, juventude além de inegáveis qualidades técnicas. A questão que se põe para esta final pode ser a seguinte: conseguirá o Benfica com a sua rapidez abalar o Real e dominar os contras dos madrilenos?'
A resposta seria dada no dia seguinte, no Estádio Olímpico de Amesterdão: Benfica, 5 - Real Madrid, 3. Inesquecível!"

Afonso de Melo, in O Benfica

A despedida do guardião 'latino'

"José Bastos foi um dos mais dedicados jogadores do Clube, mesmo na hora da sua despedida

'Modesto, simples, dono de um feitio introspectivo e pouco dado a muitas conversas e exteriorizações', assim se caracteriza José Bastos, o guarda-redes vencedor do primeiro troféu internacional do Clube: a Taça Latina.
Após 11 épocas na equipa principal do Benfica - e mais três na formação -, José Bastos despediu-se das balizas benfiquistas a 1 de Setembro de 1960, com uma festa de homenagem organizada pelo Clube. Depois dos discursos e ofertas ao jogador, realizou-se um encontro entre o Benfica e o Bétis de Sevilha. Aos cinco minutos de jogo, o árbitro interrompeu a partida para que o atleta saísse de campo, quando se apagaram as luzes do Estádio, ficando apenas iluminada parte da bancada central, onde orfeão entoava o hino do Clube. 'Simultaneamente, junto à bancada dos sócios, iluminava-se uma baliza, cercada a fogo de artifício e dentro dela Bastos agradecia ao «seu» público que por entre vibrantes aclamações misturava os gritos de «Benfica! Benfica! Benfica!» e «Bastos! Bastos! Bastos'. Viva-se um dos momentos altos da carreira de José Bastos, que deixava o seu clube de sempre. De seguida, largaram-se centenas de balcões multicolores e acenaram-se milhares de lenços brancos em sinal de despedida, enquanto Bastos dava uma última volta ao relvado, 'ouvindo-se o público benfiquista gritar: «Obrigado Bastos!»'.
A saída de Bastos do Benfica fazia parte do acordo de contratação do defesa Germano, pelo que, na época seguinte, o guarda-redes alinharia pelo Atlético.
José Bastos sempre se assumiu benfiquista e, 'calmo, ponderado, sóbrio, de esmerada educação e incapaz de um gesto ou atitude menos correctos', aceitou sem relutância a sua progressiva substituição pelo novato Costa Pereira. 'Se o Costa Pereira me substituía era porque estava em melhores condições do que eu. Ele não tinha culpa disso e jamais deixei que os meus interesses pessoais se sobrepusessem aos do Clube. Sou benfiquista de corpo e alma e, acima de tudo, sempre coloquei a defesa do Benfica', afirmou Bastos.
José Bastos conquistou três Campeonatos Nacionais, cinco Taças de Portugal e uma Taça Latina. Saiba mais sobre este guarda-redes no Museu Benfica - Cosme Damião."

Marisa Manana, in O Benfica

Sabe quem é? A viver numa roulotte - Ted Smith

"Depois de ganhar a Taça Latina, mistério houve na sua ida para Inglaterra; Sem dinheiro para casa, drama em Monsanto

1. O Millwall FC em que ele jogava como defesa direito marcou a história como «Matador de Gigantes». Não, não foi só por eliminar o Manchester City da FA Cup de 1937 (antes fizera o mesmo ao Chelsea, Fulham e Derby County) - e por unha negra não chegou a Wembley, da final foi afastado pelo Sunderland - que a ganhou ao Preston North End (de Bill Shankly). Com o Millwall FC já à beira da I Divisão, estoirou a II Guerra - e ele teve de por lá andar, em combate.

2. Quando Salazar cedeu a base das Lajes aos Aliados para o ataque final aos nazis, o seu comandante era João Tamagnini Barbosa. Por lá se cruzou com ele (e outros futebolistas ingleses famosos) - e, quando se tornou presidente do Benfica, desafiou-o para sucessor de Lipo Herczka. Tinha 34 anos - e para dizer sim a Tamagnini deixou de jogar no Millwall FC.

3. Logo no seu primeiro ano, levou o Benfica à conquista da Taça - histórica porque em cinco jogos fez 36 golos: 7-1 ao Boavista, 13-1 ao Académico de Viseu (goleada maior só aconteceria 40 anos depois ao Riachense), 9-3 ao Marítimo, 5-0 ao V. Setúbal. Acanhada só a vitória na final: 2-1 ao Atlético. Arrasador, o campeonato de 1949-1950 em que esfarelou os Cinco Violinos do Sporting - e ainda mais eternidade ganhou na Taça Latina.

4. Ganhou-a ao Bordéus na finalíssima. Aos nove minutos, Kargu marcou golo. A escassos segundos dos 90, Arsénio empatou. Meia hora de prolongamento, sem golos - e novo prolongamento. Com noite a insinuar-se, a bola foi parar ao fundo da baliza. O cronómetro estava nos 134 minutos: Moreira rematou, Julinho trocou-lhe de raspão - e foi golo! Corona desmaiou em campo, de cansaço, de charola foi para os balneários. Despiram-no, descalçaram-no, puseram-no no duche, só lá despertou - e ao cabo de meia-hora ainda não falava. Jacinto, que jogara a última meia-hora com um pulso partido, sofria a dor - e a ele, o treinador da Taça Latina, apanharam-lhe, a fugir-lhe da fleuma britânica, o clamor: «Em 20 anos de futebol nunca vi coisa assim» - era o júbilo borbulhar pelas cabinas em seu redor (e, ainda mais, lá fora, pelo vale a espalhar-se...)

5. Foram os benfiquistas para digressão de mês e meio por Angola, Moçambique, Transvaal e Congo Belga, antes do arranque do campeonato da 1950/51. No Lobito encantou-se com José Águas, não descansou enquanto não lhe deram a garantia de o trazer de ponto com a demais equipa. Não, não revalidou o título de campeão, voltou a ganhar a Taça com 5-1 à Académica.

6. Com 1951 a correr para o fim (e a luta com o Sporting ao rubro) partiu para Inglaterra, sem dizer água vai. Cresceu rumor de que se devera a súbito surto de ciúmes - por ver a mulher, de uma «sensualidade desarmante», cortejada a todo o instante («até por um ou outro jogador mais atrevidote»). Por finais, de Fevereiro reapareceu, sorrateiro, jurando que a sua ausência de devera a problemas com o visto no passaporte - que fora só isso, não fora nada do que se insinuara na boataria da cidade. Perdoaram-lhe o desconcerto, pegou na equipa contra o Sporting - era o jogo do título, por 2-3 o perdeu. (A Taça, voltou o Benfica a ganhá-la: 5-4 ao Sporting).

7. Lançara o Benfica ao futuro transformado o tradicional 3x3x5 em 3x2x5 - e regressou à zona sul de Londres, abrindo hotel por lá: «No futebol, dediquei-me apenas a olheiro». Num assalto à sua casa ficou sem todas as medalhas que ganhara - e em Fevereiro de 1974, reportagem de Jorge Schnitzer em A Bola, mostrava-o em drama maior: a viver numa roulotte em Monsanto (com um poster do Benfica à porta) - a Portugal regressara dois anos antes, desafiado pelo Atlético (salvando-o da II Divisão).

8. Para colocarem Fernando Mendes no seu lugar, cortaram-lhe o ordenado e atiram-no para os juvenis: «O que Atlético pagava já não dava par alugar casa, apareceu a roulotte que a Mrs. Mascarenhas tinha em Monsanto para alugar, foi a solução que me restava» (revelou-a com um sinal de amargor).

9. Emocionado com a reportagem de Jorge Schnitzer, João Gago da Câmara, presidente da AF de Ponta Delgada - levou-o para lá «a fim de desenvolver o futebol jovem». Só deixou os Açores quando, atacado por uma «doença implacável» o trouxeram a hospital de Lisboa - onde morreu no dia 18 de Janeiro de 1989 (e enterrado foi no Cemitério dos Ingleses, à Estrela...)"

António Simões, in A Bola

Lixívia 9

Tabela Anti-Lixívia
Benfica..... 17 (-5) = 22
Corruptos.. 21 (+6) = 15
Sporting... 19 (+8) = 11

Vou ser curto porque já estou cansado deste lamaçal...
Repito aquilo que já escrevi no post da crónica do jogo do Benfica e na respectiva caixa de comentários: o facto do Benfica estar a jogar mal, não transforma os erros premeditados dos apitadeiros, em boas decisões! São duas coisas completamente distintas... Identificar os erros graves de arbitragem, deve-se fazer quando se perde ou quando se ganha, são planos completamente diferentes...

Foram dois os penalty's que ficaram por marcar a favor do Benfica. Com a existência do VAR, é perfeitamente indesculpável que se continue a não assinalar este tipo de faltas a favor do Benfica, repetidamente, quando noutros jogos, com outras equipas, são assinalados erradamente a favor dos nossos rivais na classificação... O zelo demonstrado na expulsões dos nossos jogadores, só acontece com o Benfica... Os apitadeiros, estão totalmente coagidos... tem carta branca para roubar, pois sabem que roubar o Benfica, deixa os jornaleiros felizes...
A arbitragem foi totalmente inquinada, principalmente na 2.ª parte, fez tudo para travar o ritmo do jogo, disse-o aos meus colegas de bancada, ainda antes da expulsões do Jardel... Inventou faltas e faltas a meio-campo, sempre contra o Benfica...
- O penalty do Rafa até pode ser discutível, mas a falta existe. Existe um toque com o joelho e depois com o corpo impede o Rafa de seguir atrás da bola... Não existe carga de ombro.
- No lace do Cervi, existe uma falta inicial sobre o Cervi que é agarrado. O Cervi cai, a bola toca nos braços do Cervi sem intenção, o Cervi levanta-se e é completamente 'placado' na mudança de direcção. Não assinalar nada e não pedir a intervenção do VAR neste lance, é a prova provada que existiu premeditação...

Os Corruptos nos Barreiros levaram mais uma vez com o Xistra!!! A quantidade de vezes que os Corruptos são apitados pelo Xistra na Madeira deve ser um daquelas recordes do Tugão difíceis de bater ou de compreender!!!
O penalty marcado a favor dos Corruptos com 0-0 é ridículo. As imagens demonstram claramente que é o avançado dos Corruptos que 'fecha a asa' e puxa o defesa para cima dele!!! Uma das formas mais manhosas de 'sacar' faltas aos defesas... Como é que é possível um VAR não intervir nestes lances!!!
Para azar ou sorte dos Corruptos, o Marega falhou o penalty...
Na expulsão do Danny, mais uma vez, deixou o jogador do Marítimo sofrer uma falta continuada, não marcou nada, e esperou pela reacção agressiva do jogador... Faz parte dos manuais!!!
Mesmo sem influência no resultado, à 9.ª jornada, os Corruptos foram beneficiados com erro grosseiro a seu favor, pela nona fez consecutiva!!! Consistência extraordinária...

A Lagartada, estava completamente enterrada em São Miguel, o 2-0 estava mais perto do que o 1-1... só que logo a seguir o Mota quis ter finalmente descanso nos seus talhos, e decidiu 'matar' o jogo!!!
Para mim não existe qualquer falta dos defesas do Santa Clara. Existe um cruzamento, os defesas estão à frente do Bas Dost, protegem a linha da bola, e é o avançado dos Lagartos que força a passagem, por onde não tinha espaço...
Se fosse um avançado do Benfica a fazer isto, a decisão seria fácil: falta do avançado!!! Como foi um Lagarto, penalty e na sequência expulsão por protestos de um jogador do Santa Clara...
Jogo virado de pernas para o ar com uma decisão absurda...

Anexo(I):
Benfica
1.ª-Guimarães(c), V(3-2), Pinheiro(Sousa), Nada a assinalar
2.ª-Boavista(f), V(0-2), Mota(Malheiro), Nada a assinalar
3.ª-Sporting(c), E(1-1), Godinho(Sousa), Prejudicados, (2-1), (-2 pontos)
4.ª-Nacional(f), V(0-4), Veríssimo(Xistra), Prejudicados, Beneficiados, (0-7), Sem influência no resultado
5.ª-Aves(c), V(2-0), Rui Costa(Paixão), Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
6.ª-Chaves(f), E(2-2), Capela(Esteves), Prejudicados, (1-3), (-2 pontos)
7.ª-Corruptos(c), V(1-0), Veríssimo(Sousa), Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Belenenses(f), D(2-0), Soares Dias (V. Ferreira), Prejudicados, (1-0), Impossível contabilizar
9.ª-Moreirense(c), D(1-3), Almeida(Esteves), Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)

Corruptos
1.ª-Chaves(c), V(5-0), Almeida(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
2.ª-Belenenses(f), V(2-3), Xistra(Capela), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Guimarães(c), D(2-3), Veríssimo(Paixão), Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Moreirense(c), V(3-0), Malheiro(Ferreira), Beneficiados, Impossível contabilizar
5.ª-Setúbal(f), V(0-2), Manuel Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Tondela(c), V(1-0), Godinho(Malheiro), Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
7.ª-Benfica(f), D(1-0), Veríssimo(Sousa), Beneficiados, (2-0), Sem influência no resultado
8.ª-Feirense(c), V(2-0), Rui Oliveira(Vasco Santos), Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
9.ª-Marítimo(f), V(0-2), Xistra(Sousa), Beneficiados, Sem influência no resultado

Sporting
1.ª-Moreirense(f), V(1-3), Martins(Miguel), Nada assinalar
2.ª-Setúbal(c), V(2-1), Manuel Oliveira(Ferreira), Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
3.ª-Benfica(f), E(1-1), Godinho(Sousa), Beneficiados, (2-1), (+1 ponto)
4.ª-Feirense(c), V(1-0), Rui Oliveira(Esteves), Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
5.ª-Braga(f), D(1-0), Soares Dias(Veríssimo), Beneficiados, Sem influência no resultado
6.ª-Marítimo(c), V(2-0), Almeida(Sousa), Beneficiados, (1-0), Impossível contabilizar
7.ª-Portimonense(f), D(4-2), Miguel(Ferreira), Nada a assinalar
8.ª-Boavista(c), V(3-0), Xistra(L. Ferreira), Beneficiados, Prejudicados, Sem influência no resultado
9.ª-Santa Clara(f), V(1-2), Mota(V. Ferreira), Beneficiados, (1-0), (+ 3 pontos)

Anexo(II):
Benfica:
Sousa: 0 + 3 = 3
Esteves: 0 + 2 = 2
Pinheiro: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Rui Costa: 1 + 0 = 1
Capela: 1 + 0 = 1
Veríssimo: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Malheiro: 0 + 1 = 1
Xistra: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
V. Ferreira: 0 + 1 = 1

Corruptos:
Vasco Santos: 0 + 3 = 3
Veríssimo: 2 + 0 = 2
Xistra: 2 + 0 = 2
Malheiro: 1 + 1 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
Almeida: 1 + 0 = 1
Manuel Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Capela: 0 + 1 = 1
Paixão: 0 + 1 = 1
L. Ferreira: 0 + 1 = 1

Sporting:
L. Ferreira: 0 + 3 = 3
Miguel: 1 + 1 = 2
Sousa: 0 + 2 = 2
Martins: 1 + 0 = 1
Oliveira: 1 + 0 = 1
Godinho: 1 + 0 = 1
Rui Oliveira: 1 + 0 = 1
Soares Dias: 1 + 0 = 1
Almeida: 1 + 0 = 1
Xistra: 1 + 0 = 1
Mota: 1 + 0 = 1
Esteves: 0 + 1 = 1
Veríssimo: 0 + 1 = 1
V. Ferreira: 0 + 1 = 1
Épocas anteriores:

Benfiquismo (MI)

Com a bênção da neve !!!

Chama Imensa... Actualidades

Félix 2023

Está feito, renovação feita, com revisão salarial e aumento da cláusula...

O João ainda tem muito para evoluir, por exemplo naquilo que faz quando a equipa não tem bola, mas o talento está lá todo! Acredito, sinceramente, que esta nova fornada de jovens a sair do Seixal, vai ficar mais algum tempo, do que as gerações anteriores... Mas para isto dar 'certo' tem que manter a fome de ser melhor todos os dias!!!

Neste momento está a ser utilizado como falso extremo esquerdo, mas quando ganhar mais algum 'peso' (músculo), vai jogar no meio, como 9, ou como 9,5...!!!




Benfica em tempo de todos os perigos

"Há muitos anos que o Terceiro Anel não se manifestava com tanta veemência contra uma equipa do Benfica (e contra o treinador...)

uma semana, neste mesmo espaço, escrevi o seguinte, a propósito da derrota do Benfica no Jamor, frente ao Belenenses: «Reduzir os problemas evidentes pelo Benfica à falta de eficácia, como fez Rui Vitória, não é mais do que uma tentativa de tapar o sol com a peneira». Na Luz, na última sexta-feira, ficaram à vista de todos as deficiências profundas desta equipa encarnada, plasmadas na forma penosa como se arrastou durante os 60 minutos de que dispôs para ensaiar a reviravolta no resultado. A desorganização do conjunto de Rui Vitória, sem coesão entre sectores, previsível e votado à vulgaridade, permitiu a um Moreirense cheio de confiança passear na Luz como se fosse um grande da Europa. Há muitos anos que o Terceiro Anel não se manifestava de forma tão veemente contra o desempenho de uma equipa do Benfica, e por tabela contra o responsável técnico, Rui Vitória. E embora nenhuma decisão directiva deva ser tomada com base em pressões exteriores, este dado é mais um a juntar a todos os que vão fundamentar uma decisão quanto ao futuro próximo do futebol encarnado. É verdade que o Benfica começou a época mais cedo que os outros e teve de jogar quatro finais, ainda a processão estava a sair do adro. Se calhar é por isso que alguns jogadores - André Almeida, Jardel, Fejsa, Pizzi, Salvio - estão em má forma. Mas par além das individualidades, torna-se evidente a falência da ideia de jogo de Rui Vitória, sem a dimensão e a modernidade que o Benfica reclama. Com uma defesa que não sobe no terreno, um meio-campo que dificilmente sai da pressão de qualquer adversário e um ataque sem presença na área e que permite que o adversário se organize sem oposição logo a partir do guarda-redes, o Benfica mais parece uma equipa de nível de nível médio da década de noventa do século passado, a anos-luz daquilo que são os mínimos exigíveis a quem anda na Liga dos Campeões. Dito tudo isto, que pode fazer Rui Vitória para inverter a queda rumo ao abismo? Na linha do que escrevi há uma semana, se o treinador do Benfica não interiorizar que a sua equipa está muito doente, nunca fará o diagnóstico certo que leve à cura. E essa passa por um golpe de asa que está por demonstrar que esteja ao alcance de Vitória. Entretanto, Luís Filipe Vieira deverá manter-se atento à evolução da crise. Muito atento, até. A começar pelo que pode acontecer frente ao Ajax...

(...)
Um desejo, um caminho e a realidade
«Tenho a firme convicção de que não sairei do Benfica sem ser campeão europeu»
Luís Filipe Vieira, presidente do Benfica
Nos tempos que correm, não é crível que qualquer equipa portuguesa possa ganhar a Liga dos Campeões. Mas é possível ter uma equipa de nível europeu, baseada na formação. Com uma liderança técnica de excelência e desde que os talentos não saiam, como até agora, depressa de mais; e as aquisições não sejam feitas, como agora, em quantidade e passem a ser feitas em qualidade.

A hora de João Mário
João Mário, campeão da Europa por Portugal, entrou pela porta grande no Inter Milão, que pagou ao Sporting 40 milhões pela sua transferência. Em Itália, os tempos nunca foram fáceis para o médio de ataque luso, que passou por um empréstimo ao West Han, e viu-se, a seguir, votado a um ostracismo prolongado por Luciano Spaletti, técnico nerazzurro. Porém, como não há mal que dure sempre, João Mário teve agora uma oportunidade que agarrou com as duas mãos. No último jogo em San Siro, a vitória do Inter sobre o Génova por 5-0 teve a assinatura do português, com um golo e três assistências. Mais um craque a entrar de novo nas contas de Fernando Santos (a que se junta Rapahel Guerreiro, que recuperou a titularidade na esquerda da defesa do Dortmund, André Gomes dono de um lugar no onze de Marco Silva e Gelson Martins, finalmente escolhido por Diego Simeone), que nunca viveu tanta abundância na Selecção Nacional.

Vinicius é o rosto da nova ilusão madrilista
À falta de poder elogiar Bale, o mais caro do plantel, Modric, vencedor do prémio da FIFA, ou Benzema, que não convence, a imprensa de Madrid decidiu puxar por Vinicius, que por mais talento que tenha não tem condições para carregar às costas o Real e todas as suas contradições. Tem tudo para não acabar bem."

José Manuel Delgado, in A Bola

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Dopagem no ciclismo: decisão do CAS

"O Tribunal Arbitral do Desporto de Lausanne (CAS) proferiu uma decisão abrangendo três recursos interpostos contra a decisão emitida pela American Arbitration Association (AAA) em 21 de Abril de 2014 no caso da Agência Anti Dopagem dos Estados Unidos da América (USADA) contra Johan Bruyneel, Pedro Celaya Lezama e José Manti Marti.
Este é, nas palavras do CAS, o «último capítulo da saga que teve como protagonista Lance Amostrong e as equipas da US Postal Services (USPS) e da Discovery Channel».
Como resultado dos processos contra si movidos, Lance Amostrong foi sancionado com um impedimento vitalício. De acordo com a USADA, os três envolvidos neste novo processo fizeram também parte do mesmo esquema de dopagem, encorajando o uso de substâncias proibidas para melhorar a performance da equipa e evitar a respectiva detecção.
Neste caso, a AAA impôs um período de inelegibilidade de 10 anos a Johan Bruyneel, ex-gerente/director desportivo de várias equipas profissionais de ciclismo, e de 8 anos a Pedro Celaya Lezama, médico da equipa, e a José Marti Marti, treinador da equipa. A WADA recorreu, igualmente, desta decisão, pedindo a imposição a todos de uma inelegibilidade vitalícia.
O CAS decidiu alterar a decisão da AAA, tornando os períodos de inelegibilidade de José Marti Marti por 15 anos. O CAS concluiu que as provas apresentam um quadro muito claro: entre 1997 e 2007, Bruyneel, Marti e Celaya articularam um esquema de dopagem elaborado e altamente bem sucedido, com Bruyneel  no centro do esquema e Marti e Celaya como participantes indispensáveis."

Marta Vieira da Cruz, in A Bola

Breve história da brevidade

"Em 1590, Giovanni Battista Castagna tornou-se o 229º Papa da Igreja Católica com o nome de Urbano VII. A 27 de Setembro, treze dias após a eleição, morreu de malária (ou, se quisermos ser mais danbrownistas que Dan Brown, vítima de uma terrível conspiração dos templários). O príncipe Luís António, duque de Angoulême, foi rei de França durante vinte minutos, entre a abdicação do seu pai, Carlos X, e a sua própria abdicação em favor do sobrinho, Henrique V. O nono presidente dos Estados Unidos, William Henry Harrison, tomou posse a 4 de Março de 1841. Adoeceu logo a seguir e, apesar dos esforços dos médicos que lhe ministraram ópio e aplicaram sanguessugas e óleo de rícino, morreu exactamente um mês depois, a 4 de Abril daquele ano, vítima de pneumonia. Em 1963, João Guimarães Rosa foi finalmente eleito para a Academia Brasileira das Letras, mas só aceitou tomar posse a 16 de Novembro de 1967. Três dias depois, sofreu um enfarte e morreu.
Há, na história da humanidade, muitos outros exemplos de reinados breves, de lideranças efémeras e de domínios momentâneos cuja única razão para os lembrarmos é a sua própria brevidade. No caso do futebol, mais precisamente no caso dos treinadores de futebol, isso gerou uma categoria à parte, a do treinador interino, uma das espécies mais curiosas do desporto. Após uma chicotada psicológica, e mesmo quando já têm em mente o sucessor, os dirigentes costumam deixar um hiato entre a saída de um treinador e o anúncio do novo ocupante do lugar. Para gerir o grupo, recorrem a um dos adjuntos ou a uma antiga glória do clube capaz de amortecer a insatisfação e impaciência dos sócios. Os jogos orientados pelos treinadores interinos são um limbo em que as derrotas não doem tanto e as vitórias satisfazem apenas o suficiente para gerar a suspeita, infundada na maior parte das vezes, de que talvez aquela fosse uma boa solução a longo prazo. Anunciado o novo treinador, o interino esfuma-se, desaparece numa nuvem de agradecimentos ao seu espírito de missão e regressa abnegadamente às funções anteriores ou vai treinar um obscuro clube cipriota.
Ao contrário de todos os outros treinadores, cujo futuro depende dos resultados, o treinador interino já sabe que, independentemente dos resultados, o seu destino é o despedimento. Bem, despedimento não é a “mot juste”. Chamemos-lhe remoção indolor do cargo. É que os reinados dos interinos, por definição breves, têm essas características: tudo neles é indolor, intangível, invisível e olvidável. É como se nunca tivessem acontecido. Ou quase. Eu, por exemplo, lembro-me bem do crime lesa-pátria que foi a passagem sumária de Fernando Chalana pelo banco do Benfica. Ver uma das maiores glórias do clube completamente exposta aos ataques dos adversário e sem a protecção da famosa “estrutura” foi um dos momentos mais negros da presidência de Luís Filipe Vieira.
Mesmo assim, os adeptos poupam o interino ao julgamento severo reservado a todos os treinadores. Para quê gastar munições com quem está ali a apagar um fogo? Por isso, o treinador interino goza de uma irresponsabilidade acompanhada da indulgência dos adeptos que lhe permite proceder às experiências tácticas mais extravagantes, emitir as declarações mais obtusas nas conferências de imprensa e lançar, ao arrepio da lógica e do bom senso, os jogadores mais improváveis. Ninguém lhe liga. Ou quase. Regressando a Fernando Chalana, reza a lenda que foi ele, na sua primeira experiência como interino em 2002, a inventar Miguel a lateral-direito.
No domingo, Tiago Fernandes, incumbido de fazer a ponte entre José Peseiro e, ao que tudo indica, Marcel Keizer, ou seja, encarregado de ligar o desastre ao desconhecido, também quis adaptar um jogador a novas funções e apostou em Lumor, um lateral-esquerdo a quem foi pedido que fizesse de lateral-esquerdo. Após o jogo, que terminou com uma vitória suada do Sporting e serviu para mostrar pela enésima vez que José Peseiro é capaz de ser o treinador mais azarado do mundo, o interino afirmou que a sua equipa podia ter ganhado por três ou quatro a um. Outro treinador veria as suas escolhas e as suas afirmações submetidas a um minucioso escrutínio. Já o interino beneficia da liberdade da sua irrelevância e do horizonte curto da sua permanência no lugar. Como um condenado à morte tem direito a escolher uma última refeição, o interino tem direito a banquetear-se com declarações delirantes e apostas originais.
Na verdade, Tiago Fernandes podia ter feito uma dupla de centrais com Viviano e Bas Dost, podia ter dito que o resultado mais justo seria uma vitória do Sporting por cinco a zero ou que o União da Madeira merecia ter marcado três golos. Um interino é quase inimputável e tem todo o direito a trocar o nome dos adversários, as posições dos jogadores e o sistema de jogo. Digamos que o interino é uma espécie de inconsciente dos treinadores que vivem reprimidos com medo do cutelo. Ora, para o interino, a única certeza da vida é o cutelo e essa certeza liberta-o da lei que subjuga os outros. Numa época em que muitos clubes querem encontrar o seu Ferguson, um treinador para a vida toda, seria melhor que alguns treinadores fossem possuídos pelo espírito livre, um tanto anárquico e irresponsável, do interino, como se a carreira acabasse amanhã, como se cada jogo fosse o último. É que, para os treinadores interinos, normalmente é."

Rui Vitória no quarto ano, José Peseiro nem quatro meses

"O Sporting despediu um treinador no dia 1 de Novembro. O Sporting estava a dois pontos do primeiro lugar no campeonato, o técnico tinha chegado há três meses apenas e não fora eliminado em qualquer das outras provas em que participa. E tinha chegado ao clube após um Verão em que os sócios tiveram de afastar o presidente anterior após uma série de episódios inauditos que incluíram uma cena inacreditável de agressão aos próprios jogadores. O plantel foi remendado à pressa e por uma comissão administrativa transitória. Muitos jogadores essenciais saíram e outros apenas agora, agora mesmo, nos dois últimos jogos, começavam a dar o contributo à equipa. O Sporting vinha do melhor jogo e da melhor exibição para o campeonato. O Sporting perdeu em casa um jogo menor, de uma prova não absolutamente relevante. O treinador foi despedido nessa noite.
Os sócios do Sporting, que tiveram de forçar a saída de Bruno de Carvalho, escolheram para liderar o clube o até então médico da equipa de futebol. Frederico Varandas, homem de voz serena e estilo tranquilo surgia apostado em devolver a estabilidade perdida. Ainda na campanha eleitoral, assumiu que a aposta no treinador José Peseiro estava certa e era para manter. A mesma estabilidade o recomendava. Enquanto os resultados foram positivos, muito positivos até no contexto, o Sporting parecia outro. Aos primeiros e adivinháveis desaires, voltaram os disparates, a começar por Sousa Cintra, o homem que o tinha contratado(!), que classificou Peseiro como “hesitante”. Logo Sousa Cintra, famoso pela certeza das convicções desde que despediu Bobby Robson num avião após um jogo europeu, pressionado por dois ou três grandes “conhecedores” do jogo. O Sporting que despede Peseiro desta forma é filho desse outro, o da instabilidade.
O cúmulo desta vez foi ser o próprio presidente do clube, Frederico Varandas, a fazer o pré-anúncio de despedimento, primeiro numa longa entrevista ao Expresso e depois numa conversa de podcast de um conhecido adepto. Discreto em tudo até então, Varandas mostrou que já tinha desistido de Peseiro e que a vitória confortável frente ao Boavista apenas adiara o destino traçado. Já não era apenas o desejo de ter “o melhor treinador”, era o aviso de que Peseiro poderia não ser solução para toda a época. É todo um compêndio de como não actuar, destratando Peseiro de uma forma que este não merecia. Independentemente do que se pensar dos seus méritos, tem um trajecto indiscutível de seriedade no futebol português e assumiu o Sporting numa aposta de grande risco (como agora se comprova). Imaginemos o que teria acontecido se Peseiro tinha ficado mais uns dias e ganho nos Açores, já que não foi decerto por mérito do sucessor episódico que os leões ganharam, em mais uma exibição descolorida. O Sporting estaria (como está) a 2 pontos dos primeiros e outros 2 à frente do Benfica. Não foi isso que aconteceu porque o Sporting despediu o treinador recém-chegado no dia 1 de Novembro, quando estava a dois pontos apenas do primeiro lugar no campeonato e não tinha sido eliminado em qualquer outra prova em que participa. Resta a Varandas provar que o holandês Keiser é a tal solução claramente melhor. Não vai ser fácil.
Grato à instabilidade de Alvalade pode estar mais uma vez o Benfica, agora que é quase unânime o que muito poucos viam há um par de meses e apenas dois ou três tentam explicar há alguns anos. Muitos dos que antes vitoriavam Rui Vitória, acenam-lhe agora com lenços brancos, mesmo que não saibam exactamente porquê. Será pelos resultados, claro, como se eles fossem a verdade única no futebol. Não são. Mesmo quando a águia saboreava títulos por inércia, eram vários os prenúncios de que este momento chegaria. Um rendimento coletivo em plano inclinado ia sendo disfarçado pela qualidade individual da equipa – este ano reforçada – aliada a uma habilidade para manter o grupo unido que Rui Vitória – reconheça-se isso – foi mostrando ter. Era pouco todavia para um clube com grandes ambições e talento disponível de fazer inveja aos maiores rivais. Aliás, os jogos com os grandes em Portugal (só 3 vitórias em 18 clássicos) e as cada vez mais sofríveis prestações europeias eram o teste do algodão. Quando o Benfica não tinha claramente melhores jogadores que o adversário de ocasião sofria bastante e perdia muitas vezes. Ao quarto ano no clube, Rui Vitória não apresenta um modelo de jogo eficaz e consolidado e não deixa perceber qual o critério de escolha de jogadores para cada jogo. O rodízio entre os jogadores de ataque, por exemplo, não apresenta um critério fácil de entender. No jogo frente ao Moreirense, o técnico encarnado lançou uma frente de ataque toda nova (João Félix titular depois de ter ficado na bancada no jogo anterior, Jonas em estreia na posição em que brilhou no ano passado mas onde não fora visto ainda esta época, Rafa derivado pela enésima vez para a direita). Sobraram para utilizar durante o jogo Salvio, Castillo e Cervi, além de não terem alinhado sequer Facundo Ferreyra, Zivkovic e o lesionado Seferovic. Quem tem soluções deste nível não pode, ao quarto ano com o mesmo técnico, render tão pouco ofensivamente, perder sem discussão com Belenenses e Moreirense e estar de novo perto de se despedir sem glória da Liga dos Campeões. Luís Filipe Vieira chegou a uma encruzilhada. A menos que ocorra uma hecatombe frente ao Ajax – o que, apesar do mau momento não é previsível – poderá ser a partida em Tondela a determinar o futuro de Rui Vitória no Benfica. Um triunfo irá segurar o treinador mas deixará o clube sujeito à instabilidade que já chegou à bancada. Qualquer outro resultado complicará muito o trabalho do treinador seguinte, que será então uma fatalidade."

O jornalismo tem de explicar-se, as fake news nunca o farão

"Caros leitores,
gostava de começar este texto com um compromisso: o trabalho de um jornalista, como o meu, é sempre questionável. Todos os leitores podem, e devem, querer saber como se chega à informação. Por isso, os textos de jornal são assinados. Este jornalista, seguindo um método, que tem regras, conta esta história. Se há dúvidas, esclareçamo-las.
Este jornalista tem passado as últimas semanas a trabalhar num tema: as fake news. Digo-o, assim, em inglês porque é mais simples. O tema é o da "desinformação". A informação que não o é. A mentira.
Comecei esta saga com um trabalho sobre uma montagem fotográfica de uma líder partidária portuguesa. Dizia essa montagem que ela (Catarina Martins, do BE) usava um relógio que custava 20,9 milhões de euros. Segui o método que uso sempre para escrever esta notícia. Verifiquei quem difundiu a imagem. Foi um site chamado Direita Política. Procurei saber quem faz esse site. Foram dias de pesquisa. É fácil encontrar um IP (a morada de um site na internet). Qualquer um o pode fazer no seu computador. O mais difícil é encontrar o registo desse IP (que neste caso era longínquo, no Canadá). E ainda mais difícil é fazer corresponder esse registo a uma pessoa concreta.
Por isso é que o método dos jornalistas importa (chama-se verificação dos factos). Neste caso, uma das fontes documentais que consultei indicava que o dono do site era um outro português, com o mesmo nome do verdadeiro dono. Pedi ajuda a pessoas que percebem mais de registos de internet do que eu. Chateei, insisti. E finalmente percebi que as fontes, mesmo as credíveis, podem errar. Por isso é importante sermos céticos. Podemos descobrir erros e não os publicar.
Sabem o que fiz? Telefonei a essa pessoa e disse-lhe: cuidado. Disse-lhe que uma entidade lhe atribui, erradamente, a autoria de um site de notícias falsas. Acho que assustei esse cidadão, que é dono de uma agência de comunicação, em Portugal.
Quando tive a certeza de quem era o autor do Direita Política, e consegui o seu telemóvel (acreditem, não é fácil...), telefonei-lhe. Antes de lhe poder fazer perguntas, tive de pesquisar, em bases de dados especializadas (do ministério da Justiça, de registos empresariais, etc), quem era aquela pessoa. Quando tinha isso tudo, e as importantes respostas que o autor do site em causa me deu, escrevi. Tive o cuidado de não julgar as acções. De as tentar explicar, à luz daquilo que me tinha dito o seu autor. Por uma razão, fácil de entender: mesmo as más acções têm uma justificação. O jornalismo depende - vive - dessa riqueza. O bem e o mal não são critério nosso - quem lê decide.
E o que decidiram alguns leitores? Que eu estava a escrever um texto persecutório. Que só por se chamar Direita Política é que o site tinha sido alvo do meu trabalho. Que não há redes que difundem mentiras políticas em Portugal. Ou, pelo contrário, que há agora como sempre houve.
Tentarei explicar: é verdade que a mentira e a política têm uma relação longa. Havia fake news na Grécia antiga, na Roma de César, e muito provavelmente em todos os sistemas políticos que conhecemos desde então. Mas a importância atual deste tema é bem mais recente. Começou em meados de 2016, durante a campanha presidencial americana, quando Craig Silverman, editor do siteBuzzfeed, reparou num estranho detalhe. Havia textos a circular nas redes sociais, construídos como se fossem notícias, com informações falsas. Do género: "Papa Francisco apoia Donald Trump" ou "Investigador do FBI que pesquisa caso de Hillary Clinton aparece morto em casa". Notícias falsas, replicadas como verdadeiras, e aceites por milhares de pessoas. O Buzzfeed investigou a autoria destas mentiras e chegou a uma estranha conclusão: elas tinham sido criadas todas numa pequena cidade da Macedónia, na Europa, chamada Veles. Depois, um complexo sistema informático tratava de as difundir no Facebook, seguindo o caminho ditado por um algoritmo criado para perceber quem seriam os alvos mais crédulos. A partir daí, foi uma praga: todas as eleições posteriores foram marcadas por esta distorção. A mentira propagou-se mais depressa que a verdade. 
Por isso, aqui no DN, numa reunião normal de ideias, surgiu a sugestão: por que não tentamos encontrar fake news portuguesas? Foi assim que chegámos às duas primeiras mentiras: a foto de um jantar em casa de José Sócrates, acompanhada de uma legenda que indicava a presença da actual PGR; o relógio caro de Catarina Martins.
A realidade é sempre complexa. Este caso prova-o. Escrevi a notícia, que incluía uma clarificação do autor do site. Não fora ele a manipular a imagem de Catarina Martins, apenas a difundiu. Na verdade, quem, de facto, manipulou a imagem tinha uma intenção oposta à do site que a difundiu, fê-lo para combater as fake news.
O autor da imagem é um anti-populista, anti-mentiras e boatos, de direita. Militante do PSD. Eleito numa lista do PSD e do CDS. Essa foi a história que escrevi na semana seguinte: o autor da manipulação tentou mostrar o risco que existe, nas redes sociais, de reagirmos apenas com base nas nossas convicções epidérmicas. Se odiamos alguém na política, tendemos a acreditar em tudo o que lemos sobre ela.
A resposta à outra crítica que foi lançada sobre os trabalhos do DN é essa: as fake news são mais utilizadas por sectores de extrema-direita (ou alt-right), não só em Portugal mas no mundo inteiro. Há trabalhos académicos que o demonstram, como este. É da Universidade de Oxford a conclusão: a difusão de mentiras políticas não é uniforme no espectro político. Há uma estratégia, há financiadores conhecidos, há países envolvidos (como a Rússia) na sua difusão. Foram usadas por apoiantes de Trump contra Clinton, de Bolsonaro contra os seus adversários, pela campanha do Brexit contra o "remain", por Le Pen contra Macron, pelo 5 Estrelas e pela Liga italiana, pelos partidos anti-emigrantes na Alemanha, na Áustria, na Suécia. Esta é a realidade. Só esta: há um setor político específico que usa esta estratégia - chama-se populismo nacionalista e quer derrotar tanto a esquerda como a direita que conhecemos.
Nada disso impede, é claro, que o DN investigue mentiras difundidas pela esquerda contra a direita. Quando qualquer leitor tiver conhecimento de uma, agradecemos que nos envie a informação. O meu mail é este: paulo.pena@dn.pt
 Qualquer notícia falsa que esteja nas redes sociais, seja de esquerda ou de direita ou de centro, que minta sobre Assunção Cristas, Rui Rio, António Costa, Jerónimo de Sousa ou Catarina Martins (ou qualquer outra pessoa, seja qual for a sua opinião) será tratada neste jornal, da mesma forma.
Assim chegamos ao texto desta semana, com uma mentira sobre o primeiro-ministro António Costa. Curiosidade: quem me alertou para esta fake news não foi ninguém próximo do PS, foi um eleito do PSD - preocupado com o tema.
Passei os dias seguintes a fazer o que devo: a seguir um método. Cheguei a um IP, encontrei um registo (em Odivelas), descobri as ligações desse registo a outros sites, procurei referências. Cheguei a um nome. Cheguei a um telemóvel.
Liguei. A primeira pergunta que fiz foi a óbvia: bom dia, é o autor do site Gazeta Política? A resposta foi afirmativa. Passámos dezenas de minutos a falar. A complexidade voltou a mostrar-se. O autor do site tinha sido dirigente de um partido, agora diz-se apartidário. Já apoiou o CDS e o PS. Escrevi isso tudo.
No twitter - rede que não frequento por desconsiderar as minhas opiniões - escreveu-se, de novo, que isto é apenas uma perseguição. Que não se percebe a insistência no tema. Este é um dos raros casos em que tenho uma opinião formada.
Este tema definirá, no futuro, a forma da nossa democracia. Leiam as caixas de comentários dos sites que citei. Vejam quantas mensagens anti-política lá estão, e de desconfiança nos media, e de ódio. Não há muito que um jornalista possa fazer quanto a isso. Descobrir de quem são os sites difusores de mentiras, quem os paga, por que o fazem, se têm ou não qualquer relação com Estados estrangeiros, é o meu modesto contributo para - pelo menos - mostrar aos leitores que devem ser cépticos. Que devem desconfiar do que dizem os jornais (e exigir explicações), mas devem sobretudo desconfiar do que circula, por atalhos, nas redes sociais, sem nenhum nome que assuma a autoria, ou sem um título que garanta a responsabilidade.
O que importa, no fim, é o que Hannah Arendt escreveu, há muitos anos, no seu Truth and Politics (Verdade e Política): A liberdade de opinião é uma farsa quando a informação factual não está garantida, e quando os factos, eles próprios, são controversos.
Desculpem-me o excesso, mas vou terminar com outra opinião: a melhor forma de combater a mentira é combater a simplificação."

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