Últimas indefectivações

segunda-feira, 29 de maio de 2017

(...) nomeia Pizzi como ministro da basculação antes de fazer uma ode ao seu argentino preferido

"Ederson
Meia dúzia de defesas seguras e uma saída algo distraída num canto que quase acabava em golo. Nem parece dele. Deve ter-se esquecido de fazer o check-in para Manchester. Quem nunca. Enfim. Fez uma época extraordinária e só o voltaremos a ver através da televisão ou das redes sociais, onde nos dedicará uma canção de forró quando o Benfica se sagrar pentacampeão nacional. Valha-nos isso.  
Nélson Semedo
Muito bem a simular o corte aos 29’, provocando o pânico na equipa técnica do Bayern Munique, que anda escaldada depois da contratação de Renato Sanches. Rapidamente sossegaria os seus futuros patrões, excepção feita a dois ou três lances em que foi comido de cebolada por Rafinha. Bom, o mais importante é que já recebemos comprovativo de transferência.

Luisão
Um dos poucos jogadores que não se despediu dos adeptos hoje tem 36 anos de idade. É este o estado em que se encontra o plantel do Benfica. Ainda a recuperar dos festejos do tetra, Luisão pareceu algo enferrujado perante a robustez física dos porteiros de discoteca que compõem a frente ofensiva do Vitória de Guimarães. Conseguiu ainda assim manter a calma e evitar um arraial de pancadaria digno de capa do Correio da Manhã. Só não evitou o segundo golo, num lance em que o capitão julgou ter ouvido Ederson dizer “deixa que é minha”. Na verdade, tudo não passou de uma partida pregada pelo vento. Por essa altura já Ederson seguia num Uber a caminho da Portela.

Lindelof
A análise individual de hoje parece um daqueles placards do aeroporto com a hora de embarque. Lindelof até podia ter jogado mal hoje que continuaríamos a pedir a sua permanência no plantel, mas o sacana quis fazer mais uma exibição segura, polvilhada aqui e ali com aquela típica insegurança sueca de quem já passou tempo suficiente no sul da Europa. Na mala levará muitos títulos, a receita da caldeirada de peixe do Barbas e demasiadas peças de roupa impróprias para o clima britânico. Ao seu lado, encostada à janela, irá Maja, estranhamente circunspecta. Lindelof perguntar-lhe-á por que suspira, quando deveria dizer: "Não chores, Maja. Um dia o destino voltará a juntar-nos, num qualquer empréstimo com opção de compra".

Grimaldo
Tarefa ingrata a de ocupar o lugar de Eliseu nesta fase da vida do clube. Ainda não pode aspirar ao museu como o seu colega de flanco, mas continua a fazer exibições de uma estranha sobriedade, demonstrando que nem todos os laterais modernos têm que ser uns estouvados que entram pelo relvado adentro com uma Vespa.

Fejsa
Não teve tempo para grandes proezas. Assim que Fejsa abandonou o relvado devido a lesão, o comentador da RTP explicou que ele e Samaris eram "jogadores diferentes", um eufemismo que chega a ser amoroso. Agora é esperar que a lesão não seja grave ou, caso haja clubes interessados, que ele regresse melhor do que nunca daqui a 6 meses.

Pizzi
Melhor em campo, mas de longe. É uma das pessoas mais esclarecidas em Portugal neste momento. Se Mário Centeno é o Ronaldo do Ecofin, Pizzi é o Ronaldo da transição defesa-ataque. Devia ser ministro da basculação. Hoje assistimos a mais uma demonstração cabal de que o Benfica tudo deve fazer para o manter no plantel. Sugiro que nos transformemos num principado livre de impostos. Seríamos o maior principado do mundo. Enfim. Não me tiram a garrafa da frente e ainda falta meia dúzia de jogadores. Lembrei-me de outra coisa. Há poucos dias vimos um conjunto de pessoas eleger Bas Dost como melhor jogador do campeonato. Seria uma discussão válida se todos começássemos por dizer o que é que bebemos antes de expressar as nossas opiniões. Eu estou a beber Monte da Peceguina tinto. E eles?

Salvio
É complicado. Lembram-se quando queríamos muito vender o Salvio e ele partiu um braço ou lá o que foi? Pois bem, a venda foi ao ar e nós ficámos com um argentino aparafusado, cheio de ilusión e a ocasional lesión. O tempo foi passando. Enchemos a barriguinha de títulos e habituámo-nos a ver Salvio no meio da festa, como se tivesse desistido de sonhar com mais. E agora a pergunta que nos faz pensar: quantos argentinos que passaram pelo clube nos últimos anos declararam amor eterno ao Benfica? O Gaitán não conta, está agora a arrumar as cadeiras do Vicente Calderon. Quantos desistiram das suas ambições internacionais por nós? O Bossio também não conta. Esse desistiu da carreira antes mesmo de chegar a Lisboa. Salvio continua a decidir jogos. Continua a fazer-nos acreditar, mesmo depois de 10 lances individuais que só ele julgava possíveis. E não parece interessado em ir a lado nenhum. Talvez seja altura de comprar aquele T3 em Telheiras, inscrever os miúdos no São João de Brito e deixar crescer a barriga. Uma barriguinha cheia de títulos. Mais que não seja porque o seu contrato de arrendamento termina em Julho e o senhorio está a pensar pôr a casa no Airbnb.

Cervi
Apetece-nos fazer que nem uma betinha com 20 mil followers no Instagram quando partilha uma foto no ginásio, e citar Rihanna: work, work, work, work, work. Pelo que temos visto nas notícias, o futebol simultaneamente perfumado e raivoso de Cervi ainda não surgiu nos radares dos grandes europeus. Podíamos fazer mais uma piada sobre a altura do nosso pequeno génio, mas seremos superiores a isso.

Jonas
Neste momento, o Quim Berto está na RTP a explicar o que se passou. É por isso uma boa altura para declararmos mais uma vez o nosso amor ao Benfica, um clube enorme que viveu connosco, nas palavras certeiras do Pedro Ribeiro, um autêntico Vietname. E que bom é ter sobrevivido a esses anos de ração de guerra para hoje besuntarmos os dedos em filet mignon. Ver Jonas em campo é, em muito, semelhante à sensação que tivemos quando vimos Pablito Aimar com a nossa camisola. A qualquer momento, em qualquer zona do terreno, arriscamo-nos a ver um tratado futebolístico. Por pouco não marcou num belíssimo lance com Grimaldo, mas deu a marcar com um remate mal defendido que colocou Jiménez na cara de Miguel Silva.

Jiménez
Agora que Jiménez se prepara para entrar na história do clube, deixamos apenas um conselho: lavem a máscara antes de a exibir no museu. É que tirar uma máscara de lucha libre das cuecas e colocá-la na cara é muito semelhante a despir as próprias cuecas e colocá-las na cara. Aconteceu-nos uma vez em Albufeira e prometemos não repetir a façanha, nem por amor ao Benfica. Já agora, imaginem que o homem não marcava e chegava ao balneário com uma máscara dentro dos calções, ainda por estrear. Felizmente os seus pés habilidosos evitaram essa situação altamente embaraçosa.

Samaris
Este gajo não estava suspenso? Que escândalo! Ainda por cima jogou bem. Aquela entrada ao Celis é de um descaramento sem igual. Então um jogador do Benfica que deveria estar suspenso por quatro jogos enfia uma fruta num jogador emprestado pelo seu clube, quase atirando o adversário para o estaleiro? Que bonita é esta vida repleta de contradições. Carrega Andreas!

Rafa
Mostrou sérias dificuldades em manter o penteado que tinha preparado para o jogo de hoje.

Felipe Augusto
Entrou para segurar Marega e companhia, mas quando deu por isso já Marega tinha tropeçado nos próprios pés e o árbitro apitado para o final.

Nota final: Adeptos do Vitória de Guimarães Gigantes. Mereciam mais uma taça. São um dos poucos clubes fora do círculo dos três grandes que enche o seu estádio. O futebol português precisa de mais clubes e adeptos assim. Quero muito o penta, o hexa e o hepta, mas se esse ciclo tiver de ser interrompido que seja por uma equipa como esta. Sairíamos todos a ganhar."

Rui Vitória e Benfica, um casamento quase perfeito

"Os casamentos entre os treinadores e os seus clubes não têm que gerar sempre vitórias. Até porque temos vários exemplos de bons casamentos e sinergias entre treinadores nos seus clubes que não geram títulos, mas sim estabilidade, vendas, estratégias e objectivos bem definidos e alcançados. Mas num clube como o Benfica, os objectivos e as estratégias necessitam de títulos e de vitórias regulares. É verdade que temos exemplos de que nem sempre as vitórias – mesmo nos três grandes em Portugal – significaram sinergias entre os clubes, ambiente e treinadores que resultassem numa paz saudável de trabalho.
Voltando a Rui Vitória, o treinador vindo de Guimarães ‘caiu’ no Benfica de modo bastante natural. Provavelmente existem sempre adeptos descontentes. Que consideram que para além de vencerem deveriam fazê-lo de outro modo. Mas de um modo geral, assim que Rui Vitória passou para a frente na Liga 2015/16, passou a estar melhor alinhado com a forma de estar do clube. Com algum grau de certeza, Rui Vitória afirmaria a esta minha frase que continua o mesmo, mas eu considero que existiu uma evolução e adaptação – natural em todas as profissões – que o levou a compatibilizar e tornar mais eficientes as suas intervenções. E hoje, o estado de espírito deste casamento aos olhos de fora, é que a estrutura e o treinador se potenciam um ao outro.
Será desnecessário discutir-se quem faz mais por quem, até porque os deveres e direitos de ambas as partes são diferentes. Hoje, o treinador português consegue responder aos desafios do clube do modo como o clube definiu previamente que deveriam ser correspondidos. Seja através de uma maior comunhão, seja através da formação, de estar mais preparado para a perda de jogadores nucleares, Rui Vitória responde a esses obstáculos como algo que, não sendo de todo bom, é o que tem de ser. Jorge Jesus sempre teve de aceitar a perda de jogadores. Teve de refazer plantéis após perdas de jogadores nucleares todas as épocas. Onde parece que este casamento é mais aprazível é na aceitação da formação como algo de orgulho e positivo, e na vontade das duas partes aceitarem o modo de ser do outro. E isso faz toda a diferença na estrutura + treinador.
Rui Vitória e Benfica sabem que não vão vencer sempre. Isso não existe! E é também isso que faz com que os clubes e os treinadores estejam sempre em alerta. Serem exigentes, não se deixarem acomodar. Mais do que o fim que é vencer, o meio como o atingem é provavelmente o foco do Benfica e outro qualquer clube em encontrar um treinador que se encaixe naquilo que é o modo de estar e ser dos respectivos clubes. E será assim quando Rui Vitória sair do Benfica."

Benfiquismo (CDLXXXIII)

Jamor e Helis !!!

Rescaldo da festa do Jamor !!!

Vermelhão: Festa molhada... com um final feliz!!!

Benfica 2 - 1 Guimarães


Posso estar enganado, mas acho que foi a primeira Final da Taça de Portugal, no Jamor, molhada!!! Apanhei muitas 'molhas' na antiga Catedral, mas muito sinceramente, hoje não estava à espera...!!! Ao intervalo, a única coisa que o pessoal à minha volta pedia, era: prolongamento, não!!! Mas depois de tanto sofrimento (nas bancadas), não trazer o 'Caneco' para casa, seria muito frustrante... Felizmente, o espírito inquebrável desta equipa, mais uma vez, não deixou mal... mesmo com aquele desperdício maquiavélico, que levou o jogou até ao último 'segundo'!!!
Como era expectável, a estratégia e atitude do Vitória, foi bastante diferente do jogo da Luz... E com o relvado pesado, o Benfica teve muitas dificuldades em ultrapassar os obstáculos.
A 1.ª parte, foi penosa... com o Vitória muito fechado, procurando os ataques rápidos com bolas para o Marega e o Hernâni... e um Benfica pouco 'activo' e pouco criativo... Com o adversário a ser quase sempre mais rápido sobre a bola... Os lances mais perigosos, foram quase sempre nas 'bolas paradas'!
Não sei se foram os cânticos, que os Tetracampeões foram brindados na ida para o balneário, mas de facto o Benfica, entrou a 'matar' no 2.º tempo... Dois golos, e até podiam ser mais!!! Velocidade, jogo entre-linhas... boas combinações, na direita e na esquerda e no meio...!!!
Com 2-0 senti a Taça na 'mão', o Vitória estava controlado... o Pizzi já andava a pressionar o guarda-redes... Na jogada que dá o Canto, que acaba com o golo do Vitória, já tinha avisado: o Filipe Augusto já devia ter entrado...!!! Terá sido um erro do Rui Vitória, e depois com 2-1, era mais perigoso retirar o Jonas...
O Ederson tinha acabado de receber assistência... ficou mal na fotografia... e relançou o jogo, desnecessariamente...!!!
Mesmo assim, com o Guimarães a acreditar no empate, o Ederson teve pouco trabalho... na parte final, a bola andou quase sempre perto da baliza do Vitória, com os jogadores do Benfica de forma muito sádica a falharem golos atrás de golos...!!! Só no último livre, inventando, pelo Huginho é que o 'coração' apertou, mas o Ederson resolveu!!!
O Salvio foi considerado o MVP... creio que o Toto e o Pizzi foram os nossos melhores jogadores, principalmente na 2.ª parte. Mas mais uma vez, foi o colectivo que ganhou... com mais um jogo de enorme sacrifício do Cervi!
29.º Taça de Portugal (sim, é o 29.º 'caneco'... não faz sentido 'separar' o Campeonato de Portugal da Taça de Portugal, são a mesma competição...), a mais molhada de sempre!!!
Nas últimas épocas, têm sido várias as Finais onde o 'grande' é derrotado, pela equipa teoricamente menos favorita! O 'segredo' deste Benfica, além do tal espírito de conquista... esteve na excelente condição física que o Benfica chegou a este final de temporada, ao contrário do que aconteceu por exemplo no ano da derrota para este Guimarães... e mesmo na vitória sobre o Rio Ave no Jamor, o Benfica estava fisicamente de rastos... ao contrário deste ano!!!
O facto do Jonas e o Jiménez terem feito somente 'meia-época' devido às lesões... o mesmo se pode dizer do Grimaldo e do Fejsa... e até o Cervi devido à rotação da Ala esquerda, não tem muitos jogos em cima... Tudo somado, um Benfica mais solto do que o costume no final da época... E hoje, contra este adversário, se a equipa tivesse debilitada, num relvado tão pesado, não teríamos vencido...
Ainda não revi o jogo na televisão, mas nos dois lances de 'bola na mão' dentro da área do Guimarães, parecem-me bem decididos... Na lesão do Fejsa, será sempre 'complicado' o VAR 'aconselhar' um Vermelho... Mas mais uma vez, ficou provado, que mesmo com um VAR, os critérios completamente diferentes vão continuar... perdi a conta aos Cantos mal assinalados, sempre para o mesmo lado... inclusive no golo do Vitória!
Já no recente Benfica-Estoril, Hugo Macron Miguel fez uma arbitragem no geral positiva, mas nos últimos minutos lá tentou empurrar o Benfica para trás... Hoje, não marca a falta sobre o Filipe Augusto, descarada... e logo a seguir marca a última falta do jogo, por muito menos, dando a oportunidade ao Guimarães de outra 'bola parada' para a nossa área!!! Devem ser 'tiques'!!!!
Uma nota sobre a organização: a Mata do Jamor, está cada vez mais pequena!!! E as complicações são cada vez mais... algumas completamente desnecessárias! Continuo sem perceber porque é que os Benfiquistas não ocupam o Topo Sul, onde está o maior Parque do Estádio!!! Além de continuarem a 'fechar' os acessos aos Parques, com lugares vagos lá dentro...!!!
E já agora, tivemos que ouvir o hino do Vitória... e o do Benfica?! Não passou porquê?!
Final de mais uma grande época, com o Triplete de títulos (Supertaça, Taça de Portugal, Campeonato Nacional) sendo a 11.ª Dobradinha (Campeonato, Taça). Pessoalmente, estou a precisar de umas férias... O Benfica não nos tem dado descanso, temos ganho, mas quase sempre com sofrimento até ao último segundo... Foi tentar saborear as férias... Não vai ser fácil, pois a silly season, promete ser muito atribulada!!!
Daqui a alguns dias, irei escrever um artigo sobre o planificação do plantel da próxima época, apesar desta onda de vitórias, temos que ter cuidado... neste momento existem muitas variáveis para calcular o que irá acontecer, mas existem alguns sinais preocupantes!!! Não podemos 'baixar' a guarda, na próxima época, só o Campeão tem lugar assegurado na Champions....

Iniciados - 8.ª jornada - Fase Final

Corruptos 1 - 6 Benfica

Soares; Matos (Rodrigues, 66'), Araújo, Brito, Montoia; Fanana, Ronaldo, Bernardo; Cruz (Araújo, 36'), Pereira; Silva (Cardoso, 70')

Bela manhã...
Faltam duas jornadas, na próxima jornada, um empate na recepção aos Lagartinhos, é suficiente para festejarmos a revalidação do título!!!

Juvenis - 6.ª jornada - Fase Final

Benfica 5 - 1 Oeiras


Regresso à normalidade... com o regresso de alguns jogadores... ainda faltam alguns!
Na próxima jornada vamos ao Olival... temos que ganhar.

Juniores - 13.ª jornada - Fase Final

Belenenses 2 - 1 Benfica

Azevedo; Cabral, Silva, Nuca, Mangas; Pereita, Mendes (Dias, 64'), Soares (Tavares, 46'): Vinícius (Kenedy, 51'), Zidane; Macierzynhsi

Regresso às derrotas... num jogo jogado, à mesma hora que a Final do Jamor!!!
A 'boa' notícia, é que só falta mais uma jornada!!!

domingo, 28 de maio de 2017

A taça da revolução

"Hoje, no Estádio Nacional, arranca um 'novo tempo' no futebol português: a introdução oficial do videoárbitro. É o primeiro passo.

1. Hoje, no bonito e emblemático Estádio Nacional, bem fronteiro à atractiva Cidade do Futebol, disputa-se mais uma final da Taça de Portugal. A única competição que junta todo o futebol. É a Taça de todos. Do futebol profissional e do não profissional. Do futebol dos milhões e do futebol dos cêntimos. Antes diríamos o futebol dos tostões! Arranca bem cedo em cada época esta competição com alguns clubes das diferentes competições associativas, sejam distritais sejam regionais. Daqui a dois meses já estarão a lutar pela edição da próxima época! E, por vezes, surgem os denominados tomba gigantes. Mas esta é a única competição oficial que leva, em razão do sortilégio do sorteio, os grandes nomes do futebol a comunidades e vilas, a cidades e até aldeias deste Portugal que, nesse dia, ganham verdadeira dimensão nacional. Ontem em Londres e em Madrid também se disputaram as finais da Taça de Inglaterra e de Espanha. Tal como em Berlim teve lugar a final da Taça da Alemanha. As capitais dos diferentes Estados deste cada vez mais caótico Mundo e desta Europa que, neste tempo, não pode mostrar medo, acolhem as diferentes finais. Por cá, e salvo em momentos bem excepcionais, é o Estádio Nacional, no Município de Oeiras, o palco da festa cimeira do nosso futebol. Cada vez melhor organizada e cada vez com melhor acolhimento. E homenageando, com justiça, heróis contemporâneos...

2. Já presenciei muitas finais neste Estádio Nacional. Convivi muito antes de algumas finais e não esqueço aqueles momentos de partilha do chouriço e do vinho, da febra bem assada e já da precoce sardinha, do pão saloio e do pão de ló bem caseiro que nenhuma autoridade alimentar consegue, e bem, proibir. É caso para se proclamar que, aqui, também é proibido proibir! Já que este ambiente é singular. Este é o ambiente daquela mata do Jamor, daquelas sombras que sentem ao longo deste domingo sabores únicos, convívios impossíveis, dádivas que não se esquecem, palavras que ecoam naquele vale e que chegam a múltiplos ouvidos e a serenas consciências. Já vivi finais com dores imensas e já vivi finais com prazeres intensos. Antes e depois do 25 de Abril. Já presenciei, ali, reconciliações julgadas impossíveis e já senti, também ali, por mais justa e completa que seja, poderá descrever. E há quatro anos assisti a uma final com os mesmos protagonistas de hoje. Vivi um Benfica - Vitória de Guimarães que terminou com a vitória do clube então treinador por Rui Vitória. Recordo bem os momentos imediatos ao apito final do árbitro. E não esqueço que Luís Filipe Vieira, logo a seguir, reiterou a confiança em Jorge Jesus. Que levou, recordemos, o Benfica à décima dobradinha da sua história no final da época seguinte. E como nos legou Paul Valéry « a história justifica tudo quando se quer. Ela não ensina rigorosamente nada, pois contém tudo e dá exemplos de tudo»! E a história da Taça de Portugal mostra-nos muitos resultados inesperados e muitas conquistas julgadas impossíveis. Logo múltiplos exemplos! Daí que digamos, com Edgar Allan Poe, «para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto»! Por mim tenho vontade de ser feliz com a conquista de mais uma dobradinha pelo Benfica. Mas não deixarei de cumprimentar o Vitória de Guimarães, os seus fiéis e dedicados adeptos, o seu competente Presidente, o meu Amigo Engenheiro Júlio Mendes. A quem presto, aqui, o meu profundo reconhecimento pela sua Amizade. Em momento bem complexo da minha vida pessoal!


3. Hoje mesmo, a partir do Estádio Nacional, arranca um novo tempo do futebol português. A introdução oficial do videoárbitro vai marcar esta final. É a Taça da Revolução! E vai ser o primeiro passo para aquele tempo novo. Que vamos viver, em cada jornada, a partir de Agosto próximo. Em que, em algumas situações, os olhos da equipa de arbitragem vão ser ajudados e complementados com os olhos da televisão e não vistos pelos árbitros ganham dimensão efectiva e passam a contar. Passam a existir lances não vistos nos relvados e vistos na casa do videoárbitro. Com as devidas consequências. Como poderia ter acontecido ontem, acredito, em Londres no momento do primeiro golo do Arsenal! Hoje, a partir do Jamor, é o primeiro passo. E como aqui já referi, e a partir de Gilbert Cesbron, «a verdadeira revolução acontece quando mudam os papéis e não apenas os autores»! E o que, a partir de hoje, e graças à ousadia e ao empenho da nossa Federação e da sua liderança, vai acontecer no futebol português. Que vai ser olhado, com toda a atenção, pelo conjunto do futebol europeu e mundial. E esta reputação, a partir desta revolução, é, também ela, um marco. Um marco de excelência e um marco de referência!


4. Acredito que vai circular muito dinheiro no futebol europeu nos próximos cem dias. Mesmo muito. Muitas centenas de milhões de euros. A intermediação internacional está cada vez mais pujante e mais exigente. E cada vez mais apetecida e apetecível. Mesmo que utilize muitas empresas com sede em Malta ou em outros legítimos paraísos fiscais... Desta semana registamos, com particular regozijo e verdadeiro orgulho, a milionária transferência de Bernardo Silva do vitorioso Mónaco para o atractivo Manchester City. Bernardo Silva nasceu no Benfica e na Academia do Seixal, cresceu muito com Leonardo Jardim e vai ser, acredito, uma das novas pérolas de Pep Guardiola. Acredito que na Premier League Bernardo Silva vai ser, a par de José Mourinho, um dos nossos embaixadores de excelência de Portugal e do nosso futebol. Como é, em todo o Mundo, Cristiano Ronaldo. Recordo bem o assumido benfiquismo de Bernardo Silva. Proclama-o com chama imensa e sem qualquer receio. E se «não se diz não a Guardiola» também não nos esquecemos que Bernardo Silva chegou a treinar no Benfica como... defesa esquerdo! Mas como escreveu Epicteto «sucesso é encontrar aquilo que se tenciona ser e depois fazer o que é necessário para isso»! Parabéns Bernardo Silva! Toda sorte do mundo!"

Fernando Seara, in A Bola

Grandíssimo Bernardo Silva

"Luta contra 184 milhões de euros; o desajustado 'fantasma' de Messi; as culpas de Jorge Jesus: os 12 milhões que o Benfica poderia ter recebido.

Pep Guardiola ganhou grandíssimo jogador: Bernardo Silva. O Manchester City tem Raheem Sterling, Kevin de Bruyne, David Silva e Leroy Sané, por exemplo, quarteto que custou 184 milhões de euros (!) aos poderosos ingleses, mas o jovem português tem qualidade suficiente para ultrapassar tão impressionante concorrência e singrar na duríssima Premier League. Será, provavelmente, uma das vedetas da próxima temporada. Não lhe peçam, porém, para ser Lionel Messi. Bernardo Silva tem pormenores parecidos com o argentino, sim senhor, sobretudo na forma como leva a bola colada ao pé, mas não lhe coloquem o Mundo em cima dos ombros: Messi é Messi. E ponto final. Deixem o agora citizen continuar a trilhar, sossegadamente, a sua trajectória no futebol europeu, como tem feito até agora. Cristiano Ronaldo vai nos 32 anos, ainda terá mais alguns de altíssimo nível, mas o futuro sucessor (nacional!) do capitão da selecção portuguesa parece poder sair da dupla Bernardo Silva - Gelson Martins.
Leonardo Jardim perdeu grandíssimo jogador: Bernardo Silva. O treinador campeão em França soube, nas três épocas em que trabalhou com o geniozinho do Seixal, elevá-lo à condição de imprescindível no Mónaco: só Germain jogou mais em 2016/17. E só Falcao, Mbappé, Germain, Lemar e Fabinho. marcaram mais golos. É impossível dissociar o rendimento de Bernardo do rendimento de Leonardo: Bernardo foi crescendo como jogador à medida que Leonardo foi crescendo como treinador. O Mónaco perde agora Bernardo e, possivelmente, perderá pepita de ouro ainda mais apetecível: Mbappé. Será tempo de reconstruir, de novo, o Mónaco. Não seria tempo, também, de Leonardo dar o sétimo salto da carreira, depois de Camacha, Chaves, Beira-Mar, SC Braga, Olympiakos, Sporting e Mónaco?
Jorge Jesus tem sido apontado como principal culpado de o Benfica não ter aproveitado o talento de grandíssimo jogador: Bernardo Silva. Vejamos: em 2012/13, os encarnados tinham Aimar, Salvio, Enzo Pérez, Gaitán e Rodrigo; em 2013/14, possuíam Salvio, Gaitán, André Gomes, Enzo Pérez, Rodrigo, Markovic, Djuricic e Sulejmani. Deveria Bernardo Silva ter jogado mais nestas duas temporadas? Provavelmente. Mas há quem cresça mais depressa e quem cresça mais devagar. E o Benfica tinha (e tem) pressa de ganhar. Assim, quando o Mónaco acenou em 15,750 milhões de euros pela venda do seu passe, o Benfica aceitou. Se tivesse assim tanta fé no jogador, teria incluído cláusula relativa a mais valia em futura venda: 30 por centro, por exemplo. E em vez de 1,5 milhões de euros, receberia qualquer coisa como 12 milhões de euros.
(...)"

Rogério Azevedo, in A Bola

PS: Já lá vão alguns anos, mas o jogador que 'ocupou' a vaga do Bernardo no plantel do Benfica, por opção do treinador na altura, foi o Bebé...!!!!

Benfiquismo (CDLXXXII)

Todos a empurrar no Jamor...!!!

sábado, 27 de maio de 2017

As Finais são para ganhar...

Oliveirense 60 - 69 Benfica
13-14, 15-26, 19-12, 13-17

Jogo completamente diferente do anterior... lançamos mais de 2, do que de 3, o que é normal, mas onde fizemos a diferença, foi na defesa, onde tivemos muito melhor!

Esperava mais dificuldades nestas Meias-finais... estamos na Final, os Corruptos, têm a vantagem da 'negra', mas temos tudo para recuperar o título, basta recordar a maioria dos jogos deste ano... A minha principal preocupação neste momento é o Hollis, que tem estado ofensivamente horrível nos últimos tempos!

Nas meias-finais...

Benfica 7 - 0 Burinhosa

Confirmação das melhorias... jogo sempre controlado.
Agora, nas Meias-finais, muito provavelmente com o Braga, temos que manter os níveis altíssimos...

Regresso à liderança...

Benfica 9 - 4 Sanjoanense

Vitória fácil... em mais um jogo, com uma arbitragem surreal!!!

Com o empate dos nossos adversários, o Benfica regressa à liderança... podemos inclusive perder por 4 no Dragay, e mesmo assim ficamos somente a depender de nós... pois na jornada seguinte, recebemos a Oliveirense na Luz... Mas uma vitória no próximo Sábado, pode dar-nos o campeonato na penúltima jornada... algo importante, já que o último jogo é fora, na casa dos traumatizados Lagartos!!!

PS1: Depois de garantir o regresso à divisão 'maior' do Nacional de Rugby (Divisão de Honra), o Benfica, hoje, sagrou-se Campeão da 'segunda' (I Divisão), vencendo por 19-17 o CR Évora.

PS2: Parabéns ao Rafael Gil, pela renovação do título Nacional absoluto de Águas Abertas 10Km...

PS3: Portugal lá conseguiu a qualificação para os Oitavos-de-final do Mundial de Sub-20... com um grande golo do Digui...!!! Vamos defrontar a equipa da casa, Coreia, na Terça-feira...
Mas independentemente do que acontecer, estamos a jogar muito mal... depois de um trajecto, tão longo, com grandes expectativas, estas 'duas gerações' chegam a este Mundial, muito mal lideradas: convocatória absurda...; 'onzes' ridículos; substituições mal feitas; e fio de jogo inexistente!!!
Esta Selecção é a 'soma' de duas gerações diferentes, em ambas o Benfica, desde dos sub-15, dominou as convocatórias e os 'onzes', chegando mesmo a ter 12 jogadores convocados em simultâneo para alguns jogos...!!! Curiosamente, chegámos a esta fase, com vários desses jogadores a serem 2.ªs opções... A utilização do Pêpê e do Gedson são absurdas...

Lições de Bernardo

"A paciência salta aos olhos, mas há muito mais a aprender e a reflectir com esta espécie de manual condensado

Apesar dos 22 anos e dos 1,73 metros (com que baila entre gigantes), Bernardo Silva é um amontoado de lições. Desde logo a que qualquer chinês conhecedor de provérbios mais gostaria: sim, a paciência tem sido uma das maiores virtudes deste outro "pequeno genial" e só não arrisco dizer ser a maior porque poderia ser desmentido no imediato pelo talento. O que leva a uma das questões há muito debatidas no futebol e de que este é um óptimo exemplo - a aposta generalizada em jogadores maiores, mais fortes e mais rápidos nos escalões de formação com o objectivo de obter resultados desagua no desperdício de qualidade técnica, inteligência e não raras vezes de capacidades físicas, já que muitos jovens crescem tardiamente e, depois, superam outros mais precoces. Bernardo Silva soube esperar, apesar de, como o próprio reconheceu recentemente, ter jogado menos do que gostaria nas camadas jovens do Benfica, onde era relegado para o banco por matulões. E soube aguardar pela oportunidade, também, quando, já na equipa principal, recebeu o mesmo tratamento.
No Mónaco, cresceu com a equipa e Leonardo Jardim deu-lhe asas, explodindo e provando que neste futebol de superatletas o tamanho não é tudo. A alcunha de "Mini Messi" será o lado folclórico para perceber por que razão Guardiola (a quem daria jeito outro...) o foi buscar, apostando num jogador diferente, capaz de usar a genética de número 10 e a inteligência para, mesmo que a partir de uma ala, romper as folhas quadriculadas em que tantos treinadores transformam o relvado.
Quando se lamenta a falta da "escola" do futebol de rua, Bernardo Silva tem um novo palco para mostrar que arte e músculo não são incompatíveis no mesmo "bairro"."

Benfiquismo (CDLXXXI)

1998

Uma Semana do Melhor... dá-lhe música!

Jogo Limpo... Clube, Família... Jamor !

Rui Vitória deve-nos uma

"Acabou o campeonato, o Benfica  é campeão, finalizou com o melhor ataque, com a melhor defesa, tem a melhor equipa e foi o único emblema a merecer o título. Há razões de sobra para festejar a para os adeptos estarem satisfeitos com o alcançado pelo clube, mas não me custa reconhecer que é a maior o desespero nos rivais do que a alegria nas hostes encarnadas. Este Benfica vencedor é uma espécie de eutanásia dos sonhos dos adversários. Quando aquele drone com a bandeira vermelha do 36 sobrevoou Moreira de Cónegos, ao minuto 36, houve até quem dissesse que era o aniversário do Casillas, mas depois se percebeu que jogava o José Sá e não havia bolo. Pior, na óptica portista, só mesmo se o José Sá sofresse um golo ao minuto 36. Não havia bolo, mas havia golo! O FC Porto despediu o Nuno Espírito Santo e logo houve quem revelasse em directo na TV que o Nuno era benfiquista, o que desconheço por completo. Mas ainda bem que ninguém revelou o clube de Fernando Santos, do Artur Jorge, do Jesualdo Ferreira, do Mourinho, do Paulo Fonseca ou do José Peseiro antes de assinarem pelo Porto, senão seria um imbróglio. Parte da comunicação social dá como certo Marco Silva no FC Porto, mesmo antes de assinar e de ser público. Deixo aqui o veredicto: grande escolha a realizada pelo líder e SAD dos azuis e brancos.
No Benfica teremos que ser ainda melhores para continuar a ganhar. Domingo, vamos decidir no Jamor se fizemos uma época muito boa ou excelente. O dilema é bom, mas eu prefiro uma época excelente. Quero ganhar a 26.ª Taça, no mesmo rumo de ambição, frente ao segundo melhor emblema da temporada portuguesa. Até porque Taças de Portugal temos 25 e campeonatos temos 36. Bem se pode dizer que este troféu é mais raro que o anterior no Museu Cosme Damião. Aqui que ninguém nos ouve, o Rui Vitória deve-nos uma, para justa alegria vimaranense."

Sílvio Cervan, in A Bola

A bola (também) é oval

"Por muitos e variados rótulos que os nossos adversários tendem colar às nossas conquistas, a realidade insiste em desmenti-los. E são eles próprios a reconhecê-lo: o FC Porto, a culminar um ano de acusações torpes dirigidas ao nosso clube, despediu o seu treinador. Afinal, nesta 'Liga Salazar', foi Nuno Espírito Santo quem caiu da cadeira. E nem falo do Sporting, cujo treinador recusou afirmar-se desiludido com a óptima (do meu ponto de vista) época realizada pela sua equipa porque, salvo ocasionalmente, já não conta para o Totobola desde que este era levado a sério. São os adversários que temos. Merecemos tanto ganhar como eles merecem perder. E enquanto eles permanecem num processo de autofagia, nós só temos de preservar a nossa ambição por mais conquistas.
Desde logo no próximo domingo, no Jamor. O Vitória de Guimarães, apesar da imagem débil deixada no Estádio da Luz no jogo da penúltima jornada do campeonato, é um adversário difícil cujo percurso ao longo da época justifica elogios. Só um Benfica à Benfica garantirá o triunfo na Taça. E aí, sim, 'rumo ao 37'.
Mas o fim-de-semana passado, além do término do campeonato que nos permitiu alcançar o tetra e atingir o dobro dos títulos dos outrora nossos rivais, trouxe-nos o regresso ao primeiro escalão do râguebi. Finalmente! Em Portugal, somos os mais antigos com prática ininterrupta da modalidade (desde 1924) e, apesar de anos à deriva, figuramos ainda no terceiro posto dos clubes que mais campeonatos nacionais conquistaram e lideramos o palmarés da Taça de Portugal. Disputar a divisão de honra e, quem sabe a médio prazo, lutar pelo título fará juz à nossa história gloriosa."

João Tomaz, in O Benfica

Mirones

"Olhas para o lado e vês a casa do vizinho. Cada vez com mais assoalhadas, acabamentos de primeira, energias renováveis, de capa de revista. Olhas para o jardim do vizinho, impecavelmente arranjado, flores coloridas, a piscina rodeada de belas mulheres e garbosos homens, de copo na mão a viver os melhores dias das suas vidas. Olhas para a família do vizinho e tudo faz sentido: união duradoura, crianças lindas e talentosas, não há discussões e as divergências resolvem-se cara a cara sem punhaladas nas costas.
Depois olhas para a tua casa, para o teu jardim, para a tua família. E continuas sem querer entender onde é que falhaste. Tens o banco à perna, uma infiltração das grandes, no tecto da cozinha, a arrecadação está cheia de ratos, a louça suja está amontoada na bancada porque despediste a empregada, mudas de namorada todos os meses, só vês os teus filhos de quinze em quinze dias e já faltaste dois Natais à peça de teatro da escola da tua mais nova. E qual continua a ser a tua preocupação? Seres grande como os grandes...
Está tudo errado, vizinho. Continua aí empoleirado, na vedação, escondido entre os arbustos como um mirone tarado a tentar ver o que fazemos e como fazemos. Continua a invejar-nos e a querer comprar uma televisão maior do que a nossa. Como se isso fosse fazer de ti uma pessoa melhor. Impossível. Queres um conselho? Trabalha mais, fala menos e não penses nos outros.
Boa pré-época."

Ricardo Santos, in O Benfica

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Janeiro de 2010

"A introdução do videoárbitro (VAR) no futebol português é uma boa notícia, e a sua utilização, já neste domingo, na final da Taça de Portugal, uma excelente oportunidade.
Manda a verdade dizer que o Sport Lisboa e Benfica, desde a primeira hora, em particular o Presidente Luís Filipe Vieira, defendeu as novas tecnologias. Há quem tente, de uma forma mentirosa e desesperada, passar a ideia de que o seu líder mudaram de opinião. Nada mais falso. Recordo-me bem do dia 5 de Janeiro de 2010, data em que Luís Filipe Vieira compareceu na Assembleia da República, em conjunto com o jornalista Rui Santos, onde entregaram ao presidente Jaime Gama, uma petição com mais de sete mil assinaturas a favor das novas tecnologias no futebol. Nessa altura, compareceram também várias personalidades, entre elas Hermínio Loureiro, então presidente da Liga e actual vice-presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Gilberto Madaíl, então presidente da FPF, e José Eduardo Bettencourt, líder sportinguista. O FC Porto primou pela ausência. Nesse dia, os portistas receberam o Leixões para a Taça da Liga e não se fizeram representar em tão simbólica cerimónia. Lembro-me bem de que Rui Santos desvalorizou a ausência portista. Apesar do jogo para a então Carlsberg Cup, que o Benfica conquistou, na final, no Estádio do Algarve, frente ao FC Porto, por uns claros 3-0, a verdade é que ninguém da SAD portista compareceu.
A nomeação de Hugo Miguel para apitar a final e a designação de Artur Soares Dias como VAR provam a sensatez e a competência do Conselho de Arbitragem. Para os melhores jogos... os melhores árbitros!"

Pedro Guerra, in O Benfica

A Festa da Taça

"A Taça de Portugal é a mais antiga competição de âmbito nacional do futebol luso. Sim, porque, ao contrário do que alguns lunáticos pretendem agora fazer crer, os Campeonatos de Portugal eram já Taças de Portugal com um nome parcialmente diferente. O formato era idêntico, o troféu também, e uma das provas sucedeu à outra. Assim, neste domingo vamos tentar conquistar a 29.ª Taça da nossa história.
Nos últimos anos não temos sido felizes na competição. Em vinte temporadas, apenas alcançamos dois triunfos. Pode dizer-se que, na Taça, não se tem visto muito do novo Benfica: o Benfica dos últimos 15 anos, ganhador em quase todas as frentes, hegemónico no futebol português. É pois hora de estender, à Taça, as vitórias do Campeonato. É hora de levar o Marquês até ao Jamor.
A tarefa não é fácil. Temos pela frente uma das melhores equipas portuguesas da actualidade, muito bem orientada, e com um vasto plantel, composto por excelentes jogadores. Sabemos que o Benfica é superior. Mas só no campo essa superioridade poderá valer alguma coisa.
A final da Taça é uma ocasião única no ano, e, porventura, no panorama do futebol europeu. Não conheço outra final com o enquadramento desta, num palco tão singular e tão belo. A prova merece alguns arranjos (porquê a meia-final a duas mãos?), mas o Jamor é-lhe imprescindível, e é o que a torna tão mágica. Quem vai lá não esquece o clima de festa, e de convívio, com tudo o que de melhor tem o futebol.
Começámos a época a erguer a Supertaça. Conseguimos alcançar o histórico Tetracampeonato. Vamos fechar com chave de ouro, e levantar a Taça de Portugal."

Luís Fialho, in O Benfica

Humanidade

"Todos os dias, somos assolados por ataques terroristas individualizados, em que um simples individuo deflagra explosivos com que se equipou, em vez de lutar por um ideal utilizando a argumentação.
Esta atitude provoca mortes em número elevado, e então o deflagrador fica todo contente porque conseguiu bater o ratio em 1/40. A vida tornou-se uma deflagração de carne humana, escondida num ratio matemático em que as sociedades europeias do entretenimento se envolveram.
Numa sociedade onde o entretenimento, em vez de 'entreter', se tornou num negócio e manipulação de ideias, então o destino só poderá ser mesmo o decesso!
Que isto sirva de lição para torpeadores que, no cimo da sua presidência, tornam este mundo mais agressivo e mortal, e que se calem de vez, mesmo que tenham de começar a fazê-lo no Mosteiro dos Jerónimos, esse berço da aventura portuguesa."

Pragal Colaço, in O Benfica

O Estádio Nacional

"Em 28 de Maio de 1926, surge um golpe militar comandado pelo General Gomes da Costa (em Braga) e Mendes Cabeçadas (em Lisboa), o qual derruba a I República e instaura um período de Ditadura Militar.
No entanto, esta Ditadura Militar não se mostrou apta a comandar o futuro, apesar de ter permitido 'a convergência e a consolidação de forças fundamentalmente tradicionalistas - a burguesia rural, a Igreja Católica - que se aglutinaram, politicamente, no ideário do «Estado Novo», o qual, a partir de 1933, seria consagrado em nova Constituição.
Em 9 de Julho de 1926, uma nova contra-revolução, chefiada pelo General Óscar Carmona, derrubou Gomes da Costa. O General Carmona assumiu a presidência da República Portuguesa até à data da sua morte, em 1951. Em 18 de Abril de 1928, o então Presidente Carmona nomeava novo governo, sob a presidência do Coronel José Vicente de Fritas. Duarte Pacheco (1899-1943) emerge como ministro das Obras Públicas, e a pasta das Finanças apenas no dia 27 de Abril iria ser preenchida, por António Oliveira Salazar.
Salazar, à imagem do que acontece hoje, exige para o seu cargo um controlo total sobre todas as finanças do Estado, nomeadamente sobre todas as despesas dos vários ministérios, com o objectivo de relançar a economia.
O êxito conseguido por Salazar como ministro das Finanças, em termos de reequilíbrio financeiro, e a sucessiva eliminação política dos seus principais adversários conduzem-no (em Julho de 1932) a presidente do Conselho de Ministros durante 36 anos (desde 1932 a 1968) como ditador 'contestado mas incontestável'.
O concurso para a obra do Estádio Nacional foi publicado em 1934, sendo que o Decreto n. 24933, de 10 de Janeiro de 1935, veio autorizar o Governo a promover a construção do Estádio de Lisboa (...).
A inauguração ocorreu somente em 10 de Junho de 1944, apesar da intenção do Regime na sua inauguração em 1940, aquando da Exposição do Mundo Português.
A construção de um estádio desportivo em Lisboa copia o que aconteceu noutros países com regimes fascistas, como em Roma com Mussolini, no caso do Fórum de Roma (Constantino Constantini - 1935) e em Berlim com Hitler, no caso do Estádio de Berlim (Werner March - 1936), do qual o Estádio Nacional foi uma quase réplica.
Respeitando o paradigma vigente de exaltação da nacionalidade por via da prática desportiva pela sua juventude, Salazar projectou essa ideologia cultural na construção de um estádio que não só servisse para a prática do desporto mas também para a propaganda fascista.
Em Janeiro de 1935, a reunião da Comissão permitiu seleccionar, para a 2.ª fase do concurso, as empresas Mecotra, a Sociedade Italo-Portuguesa de Construções e a SETH. A Sociedade Italo-Portuguesa de Construções foi depois excluída do concurso por razões desconhecidas. Desde modo ficaram apenas duas equipas seleccionadas para a 2.ª fase, que, segundo a tese de Andreia Galvão, eram a de Segurado e Varela, com a SETH, e a Mecotra, com Carlos Ramos. Apesar de terem sido seleccionadas estas duas propostas, a Comissão considerava que '(...) nenhum (dos projectos) estava em condições de responder inteira e satisfatoriamente a todas as imposições do programa'.
O novo estádio vai acabar por ser construído sob projecto de Konrad Wissener em colaboração com o engenheiro Caldeira Cabral, que na Alemanha está a tirar a especialidade de paisagista, sendo as obras entregues à Sociedade de Construções Hidráulicas, dirigidas pelo sr. eng. Belard da Fonseca.
Segundo o entendimento de Keil Amaral, Caldeira Cabral, vindo da Alemanha, 'tinha arranjado cunhas formidáveis e tinha sido recebido pelo Salazar, a quem leu o relatório e mostrou o projecto, e era apoiado na sua maneira de ver pelo Nobre Guedes'.
(...), a construção do estádio. O estádio (complexo) hoje é muito diferente, mas continua a ser o local de eleição do povo português futebolístico da Taça."

Pragal Colaço, in O Benfica

Como olhar o videoárbitro

"Podemos olhar para o videoárbitro, que tem estreia marcada no futebol português para domingo, na final da Taça de Portugal, de duas maneiras. Com esperança ou com cepticismo, embora perceba quem opte pelo outro caminho. É, aliás, natural que nesta fase existam dúvidas. Porque já houve bons exemplos, devidamente aproveitados por quem o defende, e também péssimos momentos, de imediato chamados à colação por quem nele só encontra defeitos. Faz parte desta fase. Convém não esquecer que a tecnologia vai ainda entrar na segunda época de testes, pelo que não está isenta de falhas. A Federação Portuguesa de Futebol, ao assumir-se como pioneira na sua utilização live na final na Taça e na próxima edição do campeonato, está ciente dos riscos que corre.
Posto isto, será o Jamor, como dizia Rui Vitória, o palco ideal para o videoárbitro entrar em campo com toda a força? Entendo a questão colocada pelo treinador do Benfica, mas entendo que sim - ou melhor, não vejo qualquer razão para que não o seja. Na carrinha onde terão todas as imagens disponíveis estarão Artur Soares Dias e Jorge Sousa, dois dos mais experientes árbitros portugueses, tanto no campo como a lidar com o videoárbitro. E no relvado estará um também experiente Hugo Miguel, que não é nenhum novato nos grandes palcos. Pode correr mal? Pode. Mas parece-me que tem tudo para correr bem. Era, aliás, importante que tudo se passasse sem problemas, para que alguns dos cépticos começassem a olhar para o futuro com menos desconfiança.
A História tem-nos mostrado que nunca a mudança é consensual. Mas é inevitável. Com ou sem percalços. Basta apenas que olhemos para eles assim: como algo necessário ao desenvolvimento."

Ricardo Quaresma, in A Bola

A tentação do abismo

"Quando se pensava que o Sporting estava a sarar feridas de desencontros recentes, caminhando em ordem unida na preparação da nova temporada, eis que surgiu um novo elemento, absolutamente autofágico: em declarações à agência Lusa, fonte do clube não teve dúvidas em afirmar que Bas Dost foi uma contratação da exclusiva responsabilidade do presidente Bruno de Carvalho, uma 'prenda' deste para Jorge Jesus, que indicou a contratação de Marcelo Melli, Douglas e André, entre outros. Ou seja, Bruno escolheu bem e Jesus escolheu mal, lendo-se nas entrelinhas quem foi responsável pela má construção do plantel de 2016/17.
Não interessará muito, neste momento, estabelecer se Bruno de Carvalho é um expert em futebol e se Jorge Jesus não passa de um curioso que vê muitas horas de TV, importante mesmo é perceber a motivação da fonte leonina citada pela Lusa que, de uma penada, colocou o presidente nos píncaros e apunhalou o treinador pelas costas. Uma coisa é certa: mergulhado neste tipo de intriga palaciana, o futuro do Sporting não será risonho. É que, perante uma situação destas, como é possível que se acredite na bondade das declarações que apontam para uma solidariedade forte entre presidente e treinador?
Jorge Jesus, sempre muito atento a todos os detalhes, não deixará de pedir responsabilidades a quem de direito, procurando identificar a fonte. Mas não terá dúvidas do óbvio, aquela declaração visou diminuir-lhe a margem de manobra e representou uma traição numa hora sensível da vida do Sporting. Parece incontornável a tentação do leão para o abismo..."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: O mais engraçado, é que a 'fonte' da notícia, é conhecida por todos, apesar dos jornaleiros não a assumirem!!! Foi o próprio Babalu, que em mais um famoso 'almoço', deitou tudo isto, e muito mais, para as primeiras páginas dos pasquins...!!!

Alvorada do Pragal...!!!

Benfiquismo (CDLXXX)

Força nas canetas...!!!

Conversa (completa)...

Aquecimento... Jamor

Metade para mim, metade para ti

"O dia em que preferiram dividir, literalmente, o troféu ao meio a desempatar o jogo.

No primeiro dia de Agosto de 1965, às dez horas em ponto, o Jardim Zoológico de Lisboa abriu os seus portões para mais um Festival do Benfica. Havia mais de dez anos que o clube da Luz, através das suas secções de cicloturismo e de motorismo, organizava um dia de confraternização clubista nas Laranjeiras. Nesse ano, à semelhança das edições anteriores, o Parque 'foi quase tomado de assalto por milhares de pessoas'.
Como era já tradição, o programa foi variado. Houve demonstrações de algumas modalidades desportivas, como atletismo e patinagem artística, música - 'com os jovens cançonetistas Anabela e José Manuel, acompanhados ao acordeão por Mil Tavares' - folclore e até palhaços. 'Milhares de pessoas, com largo predomínio de pequenada, (mantiveram-se) comprimidos ao redor do recinto de patinagem, suportando a quentura do sol ardente' e não arredaram 'pé até que se cumprisse o último número do festival'.
O desafio de hóquei em patins entre veteranos do Sport Lisboa e Benfica e do Hockey Clube de Sintra foi o apogeu da tarde. Era a possibilidade de ver novamente em acção grandes nomes da modalidade, há algum tempo afastados do rinque!
'Tanto benfiquistas como sintrenses, disfarçando a natural falta de preparação e o peso dos anos', deram um bom espectáculo. O jogo foi renhido. O Benfica terminou a primeira parte a vencer por 1-0 mas 'o Sintra empatou, aos 2 minutos do segundo tempo'. Seis minutos depois, os 'encarnados' ainda recuperaram a vantagem mas, passados poucos minutos, a equipa sintrense 'estabeleceu nova e definitiva igualdade'.
Curiosamente, o 2-2 no marcador não resultou no espectável desempate. Havendo apenas uma taça - a Taça Festival no Zoo - e dois clubes em pé de igualdade, surgiu a inusitada ideia: dividir a taça. E quando se diz dividir é, literalmente, dividir. A taça foi cortada ao meio, no sentido longitudinal, 'e entregue metade a cada um dos «capitães»'. Entre os presentes, o insólito acto 'originou farta hilaridade...'
A metade da Taça Festival no Zoo que coube aos 'encarnados' é um dos muitos objectivos que constituem o acervo do Sport Lisboa e Benfica que, não integrando a exposição permanente do Museu Benfica - Cosme Damião, se encontram em reserva no Departamento de Reserva, Conservação e Restauro."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Alvorada com o Zé Nuno...

O tetra é nosso, mas eles também são tetra

"O presidente dos 'outros' terá - porventura - achado que quem ganha com o Canelas ajuda qualquer equipa do mundo a ganhar

Um tetra de 14 milhões
O tetra é nosso! Já o tinha dito na semana passada. E nunca será de mais lembrá-lo, especialmente a quem - em conjunto, tipo Romeu e Julieta...  sem se saber bem ainda quem faz o papel de quem - tanto fez para que não o fôssemos.
Nosso, dos 14 milhões de adeptos, espalhados por todo o mundo.
Nosso, dos 32 jogadores!
Nosso, de Rui Vitória e de todos os que trabalharam com ele!
Nosso, do presidente e da sua equipa!
Nosso... do Benfica!!!

Os tetraperdedores
Mas, nesta hora de vitória, de alegria, de jubilo e de felicidade, não nos podemos nem devemos esquecer dos que tornaram essa vitória mais saborosa!
De quem, nos primeiros quatro anos à frente de uns (desde que tomou posse como presidente) e de quem, nos últimos quatro anos à frente de outros (o presidente «mais... ninguém sabe o quê», ... mas todos sabemos como) tudo fez para que não ganhássemos e... perdeu!!!
Quatro anos - um e outro... a ordem é arbitrária - em que inventaram condicionaram, insultaram, resmungaram, enganaram, pressionaram... para tentarem não deixar ganhar o Benfica!!!
Com a perfeição dessa junção de forças, de amigos para sempre na derrota, ter atingido o seu auge na época do nosso tetra!
Como poderemos exemplificar sem sermos exaustivos.
Eles tentaram inventar que nenhum dos penalties marcados a nossa favor existiu, mas que a favor deles ficaram por marcar dezenas de castigos máximos... e por isso não ganharam este campeonato!
Eles tentaram condicionar árbitros com ameaças aos próprios, às famílias, que teoricamente os tinham prejudicado (contra eles ninguém ganha com mérito)... por causa de quem não ganharam este campeonato!
Eles inventaram novas designações para o campeonato que disputavam a partir do momento em que se sentiram impotentes para, no campo, inverter o sentido das cosias... para, assim, poderem dizer que não ganharam por razões alheias!
E - ridículo dos ridículos - foram ao ponto de contestar a nomeação de uma delegada da Liga... porque ela era... - imagine-se o atrevimento - do Benfica!
Com saudades do tempo em que os observadores eram ex-dirigentes e os delegados era ex-funcionários da formação... deles!!!
Mas, para além disso, é preciso recordar-lhes - bem alto - que: ... na Liga está quem eles elegeram e não o candidato que o Benfica apoiou!
... na arbitragem já não está quem eles achavam ser a única razão para o Benfica ganhar!
... nos observadores já não manda quem eles achavam que tudo deixava passar para o Benfica poder vencer!

Só os burros falam de arbitragem
Então, porque perderam uns e outros? Por causa das arbitragens, pois claro, ... embora já ninguém se lembre da euforia sem limites de uns e dos elogios eufóricos de outros e essa mesma arbitragem e à sua qualidade... quando empatámos em casa, na segunda jornada, com o Vitória de Setúbal.
Lembram-se os mais atentos... mas aqui estamos para recordar aos da memória selectiva anti-Benfica!
Porque é bom que nos recordemos desses comunicados a congratularem-se pela melhoria visível da arbitragem portuguesa...
Ou pelas declarações de quem também no rescaldo desse mesmo empate, nosso, contra o Vitória, veio afirmar do alto de um pedestal, usado e decadente (que já não impressiona ninguém), que se iria ouvir muito falar de arbitragens... sempre que o Benfica não ganhasse!
Na verdade, o Benfica não ganhou algumas vezes.
Mas foi nas vezes que eles (uns e outros) não ganharam que mais se ouvir falar de arbitragens.
Ou - a acreditar no presidente dos outros - ouvimos as vozes de burro desses dirigentes... porque (lembram-se do que o homem dizia)... «Só os burros falam de arbitragem».
Os burros e os perdedores!
Ou - numa talvez feliz simbiose que não me atrevo a desmentir... os burros perdedores... ou os... perdedores burros!!!
E sendo a ordem dos factores arbitrária... no que aqui nos interessa - em ambos os casos - tetraperdedores!
Tetraperdedores!
Por isso o nosso tetra é também deles!
O presidente de uns perdeu-se na fanfarronice das mensagens (a que agora, infelizmente, pôs fim) convencido de que, depois de ter perdido o campeonato por 2 pontos (embora - já todos o sabemos - a jogar o melhor futebol), este ano seria um passeio!
Enganou-se!
Embora - para não se ter enganado - bastasse olhar para a segunda época do senhor em causa do outro lado da 2.ª Circular!
O presidente dos outros terá - porventura - achado que quem ganha com o Canelas ajuda qualquer equipa do mundo a ganhar!
Só que aqui não havia nem podia haver um Sport Clube Rio Tinto - a cujos dirigentes e atletas devemos um elogio público pela coragem e pela dignidade da atitude assumida (voltarei a isso um dia destes)!
E os outros clubes com quem o clube principal dos adeptos do Canelas, Futebol Clube... do Porto, tinha que jogar... não faltaram... e os dragões empataram!
Rima e foi verdade!
Empataram tanto que o culpado deixou de ser Salazar e passou a ser o Espírito Santo!
O que poderá consubstanciar um passo atrás nas relações entre o velho Papa (era assim, não era, que ele era designado???) e o Francisco lá do sítio (que de santo... não tem nada)!
Ou seja e em resumo: o nosso tetra também é o tetra deles!
Deles e de quem acredita - tenho muitos amigos que estão nesses grupos - que os homens, mesmo com a nova aliança - não são a solução... nem, sequer, parte do problema!
Eles são o problema!
Ainda bem que por lá continuam!
Porque se por cá continuarem a andar, o penta que não será nada fácil, ... fica um bocadinho mais perto!
Porque o ódio turva-lhes a lucidez!
Ou como li, um dia destes, num perfil do Facebook de alguém: «Os que nos odeiam são nossos admiradores secretos!
Que não entendem porque nos amam tanto!»
Viva o Benfica!

E agora... a Taça
Viva o Benfica... com uma esperança - muito grande - de poder vender a Taça de Portugal no domingo... por todas as razões e mais uma! Exactamente essa... que não repito porque todos sabem qual é!
Carrega Benfica... rumo à dobradinha!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Magia dos opostos

"O futebol não é mágico porque é contraditório, imprevisível, incongruente mesmo. Quantas vezes um golo marcado ou sofrido me fez virar a opinião, de tal modo que, nessas ocasiões, me vejo cruelmente confrontado com a racionalidade e (in)coerência.
É assim comigo e, é assim com muita gente. No jornalismo desportivo, é quase uma regra. O título, a crónica, são função do resultado e basta o tal golo nos instantes finais para muito mudar na comunicação, não direi 180 graus, mas, não raro, perto disso.
Um eloquente exemplo desta época foi a erradicação da ideia de Leonardo Jardim como bom treinador, mas muito cauteloso e defensivo. Esta temporada notável no Mónaco, o madeirense sensato e inteligente deu-nos a volta. Os monegascos foram uma máquina de fazer golos (107 no campeonato), só superados pelo habitual Barcelona (116). Em que ficamos? Treinador dos cautelosos 1-0 ou técnico de ataque?
No plano nacional, o Benfica campeão só foi derrotado pelo 6.º classificado (Marítimo) e pelo 11.º (Vitória de Setúbal), não perdendo nenhum jogo com as equipas até ao 5.º lugar (5 vitórias e 3 empates). Dos 20 pontos perdidos, 9 (45%) foram-no contra sadinos e boavisteiros. E dos 18 golos sofridos, quase um terço (5), foram-no contra os axadrezados. No ano passado, dizia-se o oposto quando se fazia o balanço do trabalho de Vitória: perdia jogos com os grandes que compensava com folha limpa com os mais pequenos. Em que ficamos?
Dois exemplos de como, às vezes, é mais prudente esperar para ver. Ainda que ver sem esperar também faça parte da magia do futebol. À condição (a tal em que o FC Porto foi líder uma série de vezes)."

Bagão Félix, in A Bola

Não há corações de plástico!

"Não foram apenas os golos, nem sequer apenas a qualidade dos golos ao Guimarães, na Luz. Foi a fibra. A crença. A vontade. Ninguém tiraria aquele título ao estender da mão dos jogadores encarnados. Foram buscá-lo ao fundo das almas e da sua própria atitude.

É um tempo feliz, este, encarnado vivo, em flor. Um tempo de apaziguamento também para aqueles que durante muitos anos tiveram de suportar campeonatos viciados por corrupções baratas, quase gratuitas, ofertas miseráveis, conluios macabros, gentalha de nível baixíssimo e coberto dos calores de tantas noites. Negras noites. Agora, que todos já vimos as entranhas do polvo, percebemos a raiva dos que perderam os privilégios que não lhes eram devidos. Percebemos as alianças espúrias, os abraços criminosos, os labirintos de organizações mafiosas cheias de tentáculos movendo-se, imundos e grossos, por entre o que restava de alguma honestidade. E, no entanto, tudo continua, ainda, aí. Não há lugar para julgamentos de consciências, mas é lê-las, escutá-las, decifrá-las.
Este campeonato, agora resolvido a favor do Benfica, sem grandes motivos para reservas, mostrou a face distorcida de determinados vermes que vivem agarrados à parra seca de uma videira que não tapa vergonhas. Faces distorcidas mas, no entanto, visíveis. Todos nós seríamos capazes de os apontar a dedo se vivêssemos ainda na obscuridade de um regime alicerçado na delação e no medo. O que nos difere é isso mesmo: não nos envolvermos no lamaçal odioso das insinuações canalhas nem numa forma bacoca e mazomba de olhar o mundo em redor. Já se disse 'Basta!'. Podemos continuar a repetir 'Basta!' em cada conversa, em cada texto escrito, em cada discurso lido e escutado. Mas, ao fazê-lo, recusávamos um futuro livre. 'Nem esquecimento nem perdão', bramava o Conde de Monte Cristo. Isso: não esqueçamos nem perdoemos. Mas sigamos um caminho novo, no qual possamos, como dizia a canção de Fernando Tordo e de Ary dos Santos, pegar o mundo pelos cornos da desgraça.

Uma questão de vontade!
Para muitos benfiquistas, sábado estava destinado a ter a tarde mais longa de todas as tardes. Começou bem cedo com a romaria à Luz, uma tarde de manhã, por assim dizer, prolongou-se pela madrugada, até ao dia seguinte. E foi, ao mesmo tempo, o mais curto de todos os jogos. Forte, rápida, talentosa, a equipa encarnada reduziu a escombros o castelo de Guimarães que se esperava na Luz. Num instante, esse confronto difícil, complicado, ansioso, resolveu-se. Um Benfica que não se viu muitas vezes neste campeonato que venceu com todo o mérito a despeito da contrariedade de alguns que procuraram apequenar o líder desde a mais tenra hora.
Não foram apenas os golos, nem sequer apenas a qualidade dos golos...
Foi a fibra. A crença. A vontade.
Ninguém tiraria aquele título ao estender da mão dos jogadores encarnados. Foram buscá-lo ao fundo das almas e da sua própria atitude. Eram eles e as suas circunstâncias. Ou, melhor, eles e o seu destino.
Era a hora de Dona Águia fazer contas com a pensão da vida.
Estão feitas! O quarto título consecutivo é uma realidade. Inédita! Agora, a pergunta tem cabimento - o que se segue? Até onde se prolonga a estrada da ambição?
A noite veio prolongando a tarde de todas as tardes. Pelas ruas, pelas praças, pelos becos e pelos bairros de Lisboa, um som de alegria. Uma alegria vermelha em flor.
Ninguém diga que não se justifica.
É mais valioso o mau perder que se alimenta em silêncio. Esse fel que se entranha mas não tem eco. Não pode ter eco. Não há mais espaço, como diria O'Neill, para um Portugal que seja só três sílabas. E de plástico, que era mais barato.
Não há corações de plástico. Nem memórias..."

Afonso de Melo, in O Benfica