Últimas indefectivações

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Uma questão de realismo

"Querer encontrar um culpado para a derrota do Benfica com o Bayern é não querer perceber que ela é, só, o reflexo do futebol que temos

Rui Vitória tornou-se num alvo fácil. Seja porque adeptos e comentadores o consideram como grande culpado pelo Benfica ter perdido, na última época, a oportunidade de conquistar o tão sonhado penta - foi um dos responsáveis, sim, mas é discutível que tenha sido o principal e de certeza que não foi o único - ou porque, mesmo sendo bicampeão nos dois primeiros anos na Luz, nunca caiu no goto de uma boa franja dos benfiquistas, o treinador do Benfica está sempre no olho do furacão. Estando o Benfica na liderança do campeonato e tendo, num mês de enorme desgaste e, admita-se, com algum brilhantismo até, garantido a passagem à fase de grupos (e aos mais de 40 milhões de euros) da Liga dos Campeões, aproveitaram os sempre prontos críticos do treinador encarnado a derrota com o Bayern para voltarem ao ataque.
Que fique claro que Vitória não está - como não está nenhum treinador - imune às críticas. Pode-se, falando em concreto do jogo com os alemães, discutir se enfrentar o Bayern querendo jogar no campo todo é a estratégia correcta; ou questionar as substituições de Salvio e Pizzi quando se percebia serem eles dois os únicos capazes de criar alguns problema ao adversário; ou, até, o facto de ter mantido, teimoso, o 4x3x3 quando já perdia por 0-2 e o jogo pedia à águia maior poder ofensivo. Tudo isso é, sejamos claros, válido. Já menos compreensível é que se aponte o dedo ao treinador, aproveitando estes (ou apenas alguns destes argumentos), como responsável pela derrota - a primeira, convém frisar, do Benfica em 2018/2019. Como se não fosse natural os encarnados perderem, mesmo em casa, com o Bayern. Como se o gigante alemão fosse uma equipa qualquer. Não é. E todos sabemos que não é.
O Benfica perdeu  e perdeu bem. Basicamente porque o Bayern não é só melhor equipa, é muito melhor equipa. E em dez jogos contra o Benfica (ou contra qualquer outra equipa portuguesa) ganhará, no mínimo, nove. Seja essa equipa orientada por Jorge Jesus, José Mourinho, André Villas Boas ou Rui Vitória. Não é, percebe-se, um problema do treinador, é apenas o reflexo das enormes (e cada vez maiores..) diferenças entre o futebol português e os principais campeonatos do mundo. As coisas são como são e nem vale a pena procurar responsáveis para elas. Só temos, afinal, de ser realistas. E percebermos que a tendência não é melhorar. Pelo contrário...
(...)

Lapidar
«Quando cheguei a Portugal o meu sonho era jogar num grande. Nem nos melhores sonhos me imaginaria no Benfica»
Jardel, defesa central do Benfica
(...)"

Ricardo Quaresma, in A Bola

México, o berço do futebol contemporâneo

"A passagem pelo México de Bielsa, La Volpe, Lillo e Guardiola ajudaram a definir aquilo que é futebol hoje em dia.

A imagem repete-se um pouco por todo o Mundo por esta altura. De há mais de uma década a esta parte, diga-se. Guarda redes com a bola. Defesas centrais bem abertos a toda a largura no campo e médio defensivo a encaixar entre os dois, criando superioridade numérica em zonas de construção muito recuadas. Desde 2006, particularmente, que a “saída de bola a três” ou, crédito seja dado a quem de direito, “Saída Lavolpiana”, se tornou numa constante, tendo-se definido como uma das maiores revoluções tácticas, ou pormenores tácticos, a ocorrer nos anos mais recentes do futebol. 
Ricardo la Volpe nasceu na Argentina, mas foi no México que El Bigotón, actual treinador do bizarro Pyramids FC do Egipto, fez carreira. Foi ao comando da selecção mexicana, em particular no Campeonato do Mundo de 2006, que Ricardo la Volpe instituiu um pormenor tão simples na organização ofensiva mexicana que acabou por se tornar numa das maiores inovações tácticas que o futebol recente observou ao ponto de praticamente todas as equipas do Mundo a utilizaram. Pioneiro, La Volpe concluiu que para criar superioridades e desequilíbrios desde uma fase muito precoce do seu momento ofensivo precisaria reduzir a arbitrariedade e aleatoriedade que um pontapé longo do guarda redes ou defesas centrais sempre encerrava. Assim nasceu a “Saída Lavolpiana” que acabaria por ser referência muito particular do “tiki taka” de Pep Guardiola, sistema em que a revolução de La Volpe mais serviu e mais a justificou.
O futebol mexicano não é apenas apaixonante na sua espectacularidade, paixão e riqueza histórica. Ao longo das últimas duas, três décadas, tem sido palco de algumas revoluções que serviram de base importante para aquilo que é o futebol de hoje, ao ponto do México poder mesmo ser considerado o “berço do futebol contemporâneo”. Não o confundamos com o que comummente chamamos de futebol moderno. Esta é toda uma outra questão e é em muito influenciada por nomes como Ricardo La Volpe, mas também Marcelo Bielsa, sempre ele, Juanma Lillo e, claro, Pep Guardiola. Sem estes nomes terem passado pelo México nos últimos anos, talvez o futebol dos dias que correm fosse hoje muito diferente daquilo que é. O futebol mexicano vive hoje um momento de especial fulgor. Com um campeonato interno forte financeiramente, capacidade para atrair e manter jogadores relevantes, academias de formação cada vez mais profícuas (veja-se o que tem saído de Pachuca nos últimos anos), jogadores e talentos jovens capazes de se tornar figuras relevantes do futebol europeu e pelo menos dois técnicos promissores capazes de revolucionar a forma como o futebol é pensado e trabalhado no país como o são Rafa Puente Jr. ou Marcel Michel Leaño, apenas se estranha a pouca projecção internacional que a Liga MX conseguiu ainda recolher. Nem tudo é perfeito, claro. Entre a desorganização das altas instâncias e do futebol mexicano, a incompetência arbitral e as nuvens da corrupção que sempre pairaram sobre o futebol mexicano, muito há a fazer para que a Liga MX se torne uma referência do futebol como já podia muito bem ser e como todas as semanas justifica dentro de campo. Poucos campeonatos se vestem de tamanho carisma como este.
La Volpe, contribuiu para isso, como contribuiu Bielsa e, diga-se, muito contribuiu La Volpe do trabalho realizado por Bielsa em Guadalajara ao serviço do Atlas. Um clube que o icónico treinador argentino revolucionou por completo e que tal como no Newell’s, definiu um antes e um depois na história do clube, do próprio futebol mexicano e até do futebol mundial no geral. Se hoje as redes de observação e prospecção a nível nacional e até internacional são uma normalidade, no início dos anos 90 a história era outra, ainda para mais, em países como o México. O sucesso de Bielsa nesse pormenor, ora no Newell’s, ora no Atlas, definiu uma nova “trend” a nível internacional.
Bielsa chegou ao Atlas em 1992 e em apenas dois anos mudou a história do clube. Inicialmente como diretor desportivo e com a missão de reorganizar a formação do clube como, aliás, fizera no Newell’s, quando Bielsa dividiu o mapa argentino em 70 secções e visitou cada uma delas em busca de novos talentos para a equipa de Guadalajara sempre vista pelos rivais como uma “anedota” do futebol mexicano e em constante subaproveitamento, com um único título mexicano conquistado no início dos anos 50. Bielsa conduziu durante mais de cinco mil quilómetros para conseguir revolucionar o clube argentino e no México não seria diferente.
Convencer Bielsa não foi fácil. Durante um mês, o técnico argentino esteve por Guadalajara a assistir a encontros das equipas jovens do clube e só depois decidiu assinar em definitivo com o Atlas ao concluir que havia ali, de facto, potencial a ser explorado. E que correto estava. Já lá vamos. Fernando Acosta, presidente do Atlas responsável pela contratação de Bielsa, ainda hoje destaca a influência de Bielsa na montagem de uma rede de observação no clube que ainda perdura em 92 cidades mexicanas e que permitiu ao Atlas formar recentemente talentos como Antonio Briseño, hoje em Santa Maria da Feira, Arturo González, Daniel Álvarez, Bryan Garnica ou Martín Barragán, três dos melhores jovens talentos que surgiram no futebol mexicano recentemente, independentemente do rumo cujas carreiras acabaram por tomar.
Mas o trabalho de Bielsa permitiu algo muito mais grandioso do que o teste do tempo e Ricardo la Volpe foi um dos maiores beneficiários disso mesmo. “Eu desenhei uma estrutura que permitiu a observação de vinte mil jogadores anualmente”, assegurou Bielsa em entrevista em 1997. “O Atlas ficou presente em 2500 cidades mexicanas, organizou torneios e treinos de captação e escolheu quinze jogadores de cada uma delas”. O trabalho de Bielsa permitiu que o Atlas passasse a ter, segundo os maiores especialistas do futebol mexicano, com factos a comprovarem-no, a melhor escola de formação do país até ao início de 2010, altura em que o Pachuca lhe começou a ganhar o lugar. Uma rede de observação pouco vista no futebol Mundial e que definiu uma nova forma de trabalhar a formação até a nível internacional. Podia ser em qualquer outro lado no Mundo, mas foi em Jalisco, Guadalajara.
Com isto sorriu La Volpe. Se Bielsa revolucionou o futebol fora de campo, foi com o produto dessa revolução que La Volpe pôde criar a sua, dentro de campo, durante o Mundial de 2006 onde levou o México aos oitavos de final da competição caindo apenas aos pés da Argentina de El Bigotón. Seis dos onze jogadores que iniciaram o jogo pelo México nessa tarde foram identificados ou treinados por Bielsa durante os dois anos que o argentino passou no Jalisco: Oswaldo Sánchez, Rafa Márquez, Mario Méndez, Pável Pardo, Andrés Guardado, Jared Borgetti, enquanto José Castro se encontrou com Bielsa, mais tarde, ao serviço do América - onde o impacto do treinador argentino já não foi tão grande. Graças ao trabalho de Bielsa, nomes como Chuy Corona, Juan Pablo Rodríguez, Hugo Ayala, Juan Carlos Valenzuela, Néstor Vídrio, Edgar Pacheco, Gerardo Flores, Jorge Torres Nilo, Darvin Chávez ou Juan Carlos Medina, alguns dos nomes mais importantes dos últimos anos de futebol e selecção mexicana, foram também formados pela equipa de Guadalajara.
Não foi só fora de campo que Bielsa revolucionou o Atlas. Esta não é uma biografia de “El Loco”, mas fica ainda este apontamento: perante o trabalho realizado como director desportivo do clube, Bielsa assumiu o cargo de treinador na temporada 93/94 de forma relutante, mas com um conjunto jovem e inexperiente, com base quase total na academia do clube, Bielsa levou o Atlas ao segundo lugar na liga durante a fase regular e a um apuramento para o play-off da competição que fugia ao clube há doze anos e apesar da sua saída do emblema de Guadalajara, a herança deixada por Bielsa no clube permitiu que o Atlas chegasse a uma final inédita da competição dois anos após a saída de El Loco. Bielsa nunca acabou por colher todos os frutos que semeara por Guadalajara, mas uma coisa é certa: a revolução estava feita e não foi só no Atlas ou no México. Foi a nível internacional.
Se La Volpe beneficiou com o trabalho feito por Bielsa no Atlas e com isso deixou para sempre a sua marca no futebol através da sua criação, El Bigotón foi também uma das referências já assumidas por Pep Guardiola numa fase de definição da sua filosofia futebolística. A passagem de Guardiola pelo México, ao serviço do Dorados de Sinaloa, entre 2005 e 2006, coincidindo com o trabalho de La Volpe na selecção mexicana permitiu a Guardiola estudar de perto o trabalho realizado por La Volpe e aproveitar muito daquilo que o treinador argentino incutia na formação azteca. E, isso, não seria possível sem que outro nome entre na equação: Juanma Lillo.
O futebol podia até ter seguido o mesmo rumo que tomou até aos dias de hoje, porém, o mais certo, é que o jogo de hoje não fosse aquilo que é caso Juanma Lillo em 2005 não se tivesse tornado treinador do Dorados de Sinaloa. Sem Lillo em Sinaloa não existiria Guardiola em Sinaloa e tudo o que isso possibilitou. Já lhe contei essa história. Cinco meses de trabalho entre Lillo e Guardiola ajudaram a transformar, para sempre, a forma de jogar e ver o futebol a nível mundial. Foi no México que Guardiola se definiu enquanto treinador e estudou de perto um pormenor táctico que seria fulcral para a sua própria ideia de jogo e para a obsessão de iniciar o processo ofensivo em zonas bastante recuadas do terreno de jogo.
Juanma Lillo e Guardiola cruzaram-se em Sinaloa em 2006. Por fim, dois homens que se idolatravam mutuamente trabalhavam juntos. A promessa havia sido feita anos antes e só o basco poderia ter levado Guardiola até ao México. Lillo pode não ter muito para apresentar no seu currículo, mas detém algo que é inquantificável: o quanto mudou o futebol por intermédio de Guardiola. Afinal, Juanma Lillo, é colocado a par, por parte de Guardiola, de Cruyff no que à influência na visão de jogo e forma de jogar do catalão diz respeito.
A início de história remonta a 1996. Meses antes, talvez, que Guardiola sempre fora um homem atento. O FC Barcelona, então orientado por Bobby Robson, deslocou-se a Oviedo e no Carlos Tartiere, com golos de Luis Enrique e Stoichkov (dois cada) venceu o Real local. Treinava, o Oviedo, Juanma Lillo. "Acabámos por perder por 4-2, foi um grande jogo, tanto que regressámos ao relvado para ser aplaudidos pelo público. Era a minha segunda temporada na liga espanhola, a primeira havia sido com o Salamanca. Entramos no balneário e fui informado por um delegado do clube que Guardiola estava à porta e perguntava se podia falar comigo. Pep ainda não tinha ido sequer ao balneário, estava todo suado e ainda com as botas calçadas. Saí e, bom... Cumprimenta-me, não parou de falar, disse-me que a minha equipa o havia surpreendido na temporada passada quando o defrontámos e que hoje o Oviedo tinha jogado muito bem. Perguntou-me se podíamos começar a ter um contacto regular. Ali começou a nossa relação que rapidamente transcendeu o futebol. Chegámos a jantar em casa um do outro, com as famílias de ambos". Lillo contou a história vezes sem conta e foi ao El Grafico, em 2015, que a recordou.
Se era no Catar que Guardiola procurava terminar a carreira, a promessa feita anos antes entre Lillo e o catalão falou mais alto em 2006. Para Pep, havia ainda um capítulo por escrever: trabalhar, por pouco tempo que fosse, com Juanma Lillo. Contou, El Loco Abreu, que aos 41 anos ainda segue forte no futebol, na sua biografia, que no Dorados de Sinaloa, Pep absorveu tudo quanto pôde de Juanma Lillo, que idolatrava. Para os treinos, contou o uruguaio, Guardiola levava sempre um caderno preto onde apontava todos os passos e exercícios de Lillo. Foi do técnico basco, tal como de Cruyff anos antes, que Guardiola retirou ideias acerca da movimentação ofensiva e da construção de jogo a partir da defesa - tal como fizeram bem de perto com La Volpe como o próprio Guardiola admitiu anos mais tarde -, bem como, como controlar o adversário em zona defensiva.
Depois de ter definido uma nova forma de se ver e trabalhar o futebol, por Barcelona, elevando os blaugrana a uma das melhores equipas da história do futebol, Guardiola transportou agora a discussão para Inglaterra. Talvez tal nunca tivesse acontecido se Juanma Lillo nunca tivesse contratado Guardiola, mesmo que o técnico basco rejeite tal honra. Uma coisa é certa. É o próprio Guardiola quem o diz: Lillo foi o melhor treinador que alguma teve e dele absorveu muito do que impõe em jogo também durante a fase defensiva e de transição defensiva, sendo que ainda hoje Lillo é conselheiro de Guardiola e considera o catalão um filho, o irmão mais novo e um grande amigo. 
Muito é aquilo que faz do futebol mexicano um cenário especial. Da paixão dos adeptos, à iconografia e cultura mexicana, passando pela riquíssima história do futebol mexicano, os seus inúmeros clássicos e até o próprio estilo de futebol e filosofia futebolística que impera por terras aztecas. As constantes batalhas individuais, o pouco rigor tático, a mentalidade ofensiva, o tempo e espaço que há para decidir e definir que possibilitam golos de fora da área como em nenhuma outra liga sucede. Equipas estendidas à largura e comprimento do relvado. A mão de Deus. O Azteca. O golo do Século. A defesa de Banks a Pelé. Dois dos mundiais de futebol mais icónicos da história. Tudo influi numa das ligas mais espectaculares do Mundo e num dos futebóis mais apaixonantes do planeta.
Mas, muito mais do que isso, é a influência do México naquilo que é o jogo contemporâneo, um pouco por todo o Mundo, a grande herança deixada pelo país centro americano. Por tudo isto, o México é hoje o berço do futebol contemporâneo. Tal como os aztecas estiveram na génese e foram uma das grandes influências para o jogo que acabou por ser criado pelos britânicos centenas de anos mais tarde, foi no início dos anos 90 que o futebol contemporâneo começou a tomar forma. O México, mais uma vez, teve um papel central."

domingo, 23 de setembro de 2018

Sexismo, radicalismo e estupidez

"É a era das redes sociais e das virgens ofendidas. Há sempre alguém muito insultado, ou que se finge de insultado, pronto a disparar mensagens de ódio, considerando que tudo o que os outros dizem e fazem é sexismo. Calma, muita calma. A discriminação de género – assim como qualquer outro preconceito – é um assunto demasiado sério para ser banalizado em posts raivosos. Demasiado importante (e grave) para que alguns procurem apenas aproveitar-se do tema e alcançar uns quantos caracteres de fama.
Emre Can, da Juventus, foi a última vítima destes puritanos de teclado. No final do jogo com o Valencia, o alemão recorreu ao twitter para mostrar a sua indignação pela expulsão do colega Cristiano Ronaldo: "Isto é uma falta para cartão vermelho? Acabo de ouvir que foi um puxão de cabelo. Não somos mulheres, jogamos futebol." De seguida, parecia que o mundo lhe tinha caído em cima. Sim, Emre, o futebol não é apenas um jogo de homens. É de todos. E de todas. É de quem quiser jogá-lo. E as portuguesas, então, jogam bem que se fartam. Cada vez melhor. Mas retirar de contexto, para atacar de forma barata, é fácil. E o sexismo, ou qualquer outro tipo de preconceito, não se combate com radicalismo.
Ainda assim, a polémica estalou, cresceu e o jogador teve de pedir desculpa. É o mundo em que vivemos. Tudo ofende. A censura do social media. Fica a dica para muitas dessas pessoas: quando puderem, em vez de andarem no twitter a atacar tudo e todos, vão ao estádio ou liguem a televisão e vejam um bom jogo de futebol feminino. É uma forma mais interessante de promover a igualdade."

Benfiquismo (CMLVIII)

Juntos...

sábado, 22 de setembro de 2018

Sabe quem é? ... a polícia não o largou! - Cardozo

"O que o ditador e o 'Anjo da Morte' de Auschwitz têm a ver com a sua vida; Depois de ter sido herói, foi vilão...

1. O lugar onde nasceu tem nome incomum - o do advogado que lançou por lá a Reforma Agrária: Cidade Doctor Juan Eulogio Estigarribia. Antes fora Maracanã (e parecendo nada ter a ver com futebol - assim se chamava inspirada numa espécie de papagaios que lhe dominavam a selva...)

2. Nome incomum tem também o lugarejo onde cresceu, na propriedade onde os avós produziam tabaco e fabricavam carvão. Fora Colonia Jhovy - deixou de o ser por homenagem a guerrilheiro morto pelas tropas de Stroessener, ditador que dera asilo político a vários nazis e até ao brutal Dr. Josef Mengele, o Anjo da Morte de Auschwitz (e é, agora Vila Raúl Arsenio Oviedo).

3. Jogou pelo 24 de Junio, passou pelo Francisco Ocampo de Tacuary. De lá foi para o Atlético 3 de Febrero, clube que fizera de Gamarra estrela - e era de Cidade del Este, na fronteira com a Foz de Iguazú (e deixou de ser Puerto Presidente Stroessener - quando o ditador se exilou no Brasil, em 1989).

4. Em 2005 saltou do Atlético 3 de Febrero para Club Nacional. Os golos que desatou a marcar valeram-lhe o Prémio ABC Color para o Melhor Futebolista Nacional 2006. O Newell's Old Boys foi buscá-lo a Assunção por 1,2 milhões de dólares - e ele salvou-o de descer à segunda divisão.

5. Jogou pela selecção a Copa América - antes acordara-se-lhe transferência do Newell's Old Boys para o Benfica que por 80% do seu passe pagou 9156 milhões de euros, ganhando assim corrida ao Valência e ao Werder Bremen. (Mais caro, antes, só fora Simão, custara 13 milhões de euros)

6. Ao chegar à Luz antecipou o seu destino em frase a roçar o pretensioso: «Sirvam-me bem, que na área eu resolvo». Com Fernando Santos a treinador, estreou-se com o Copenhaga, na pré-eliminatória da  Champions - e só ao quinto jogo oficial, a 2 de Setembro de 2007, fez o primeiro golo pelo Benfica, na vitória por 3-0 no Funchal, contra o Nacional fez dois. (A primeira Bola de Prata que ganhou, ganhou-a em 2009-2010 - a outra ganhou-a em 2010-2011).

7. Esteve no Mundial 2010, saiu herói dos oitavos de final, no desempate por penalties com o Japão - e vilão saiu dos quartos de final ao falhar penalty contra a Espanha (o penalty que poderia ter evitado que tudo acabasse com o troféu de campeão nas mãos de Casillas). Por causa disso, ao chegar para férias à Cidade Doctor Juan Eulogio Estigarribia levantou-se rumor de que podia ser vítima de vingança, atentado ou sequestro - e a polícia montou-lhe vigilância 24 horas por dia.

8. Em 2009/2010 conseguiu o primeiro título de campeão no Benfica. Na Liga europa fez 10 golos, ficou-se pelos quartos de final, eliminado pelo Liverpool (e ao Liverpool ele fez três golos - na vitória por 2-1, na derrota por 1-4). Meses depois, andando assobiado na Luz, festejou golo ao Happoel Tel-Aviv com gesto que incendiou as bancadas: a mandar calar os adeptos (e acabou a pedir-lhes desculpas, depois).

9. A segunda final de Liga Europa que perdeu foi a de 2012/2013, perdeu-a para o Chelsea (um golo marcou). Já tinha vivido também a angústia do momento Kelvin e o V. Guimarães de Rui Vitória ganhou a Taça ao Benfica de Jorge Jesus - com ele de dedo em riste em escaramuça: a acusar, furioso, o treinador de culpado da derrota (empurrando-o, até). Foi proibido de entrar na Luz, multado em 65 mil euros, esteve para ser vendido - com as bancadas a suplicar por ele, pedido de desculpas abriu-lhe a equipa de novo, arrastou-a ao título de campeão, campeão 2013/2014, o seu segundo.

10. Tacuara lhe chamavam desde os primeiros tempos de futebol por ter o físico a dar para o escanzelado e tacuaras serem, no Paraguai, as varas de bambu - e o mais famoso hat-trick da sua história fê-lo em 33 minutos a Rui Patrício. O Trabzonspor deu 5 milhões por ele - partiu com 172 golos, melhor marcador estrangeiro da história do Benfica. Do Trabzonspor saltou para o Olympiakos, campeão grego o deixou arrastado por nova aventura - no Libertad. Não há muito, revelou-o: «É incrível o que consegui, muito mais do que sonhei. Só queria jogar numa primeira divisão me vissem como um rei...»."

António Simões, in A Bola

Empates-morais, sinais de respeito e outras coisas mais

"O Benfica atingiu uma marca impressionante. Foi a 8.ª derrota consecutiva da equipa de Rui Vitória na Liga dos Campeões. É obra. As 6 derrotas da tristíssima campanha de 2017/18 seguiram-se à goleada sofrida em Dortmund no jogo da 2.ª mão dos oitavos-de-final da edição de 2016/17 e, nesta quarta-feira, acontecendo o jogo com o Bayern Munique aconteceu a última derrota desta série intolerável tendo em conta os supostos pergaminhos europeus do clube e a prosápia geral da casa no que a esta matéria diz respeito.
São, no entanto, extraordinariamente pacientes os adeptos do Benfica. Por exemplo, o treinador mais criticado no fim do jogo com os campeões da Alemanha não foi Rui Vitória mas, sim, Niko Kovac. Não por ter tomado conta do jogo e da manobra dos donos da casa como e quando quis à boa maneira de um forasteiro prepotente mas, imagine-se, por não ter substituído Renato Sanches nos instantes finais do desafio de modo a permitir que o ex-benfiquista recebesse, pela segunda vez na mesma noite, a estrondosa ovação que lhe seria devida.
"Sacana de treinador, vê-se logo que é alemão, que falta de sentimento…", foram os protestos que campearam pelas bancadas da Luz mal o árbitro espanhol deu por encerrada a sessão. O facto de Kovac ser mais croata do que alemão nem sequer foi relevante perante a indignação da plateia. Sem grandes motivos para aplaudir os seus, a multidão da casa, tendo pago ingresso, queria aplaudir Renato considerando-o ainda um bocadinho como "seu" ou, enfim, considerando-o como a coisa mais parecida, entre todas as coisas que estiveram em campo, com um jogador do Benfica.
Houve muitas crianças que, no fim do jogo, regressaram a suas casas convencidas de que o resultado tinha sido um honroso 1-1 construído com um golo de Lewandowski para os alemães e com um golo de Renato Sanches para nós. E houve um considerável número de espectadores adultos que também regressaram a suas casas com idêntica opinião. São as liberdades interpretativas que, felizmente, se concedem ao público de todas as idades. Mas a verdade é que foi muito especial aquele momento em que o estádio ressoou numa formidável ovação a Renato Sanches não por ter marcado um golo ao Benfica mas por não o ter celebrado em sinal de respeito. E o respeito é sempre muito bonito de se ver. O respeito marca.
Aliás, não foi só o público que sentiu a particularidade daquele raro instante amoroso. Toda a equipa bávara sentiu o mesmo e não houve jogador que não o referisse no pós-match. O Benfica, de facto, não ficou a dever um empate-moral a Renato Sanches mas talvez lhe tenha ficado a dever a condescendência e a bondade da exibição do Bayern Munique depois dos 2-0. "Já chega", terão pensado os campeões da Alemanha em sinal de respeito pelos adeptos mais amáveis da Europa. E foi por isso que o resultado ficou por ali."

4.ª Supertaça


Benfica 4 - 3 Novasemente

Jogo emocionante, com mais um triunfo... com o respectivo troféu a caminho do Museu Cosme Damião!!! Apesar de algumas ausências - que ficaram na bancada - não vacilámos...
Como o Benfica recordou, são 1227 dias sem perder em Portugal, com 9 títulos consecutivos!!!

Líderes...

Benfica B 1 - 0 Varzim


Não foi o nosso melhor jogo, tentámos pressionar alto e o Florentino acabou por ficar muitas vezes sozinho, mas a vitória foi merecida... O Varzim reagiu bem ao golo sofrido, foi superior em alguns momentos do jogo, mas os putos aguentaram e até acabámos por ter as melhores oportunidades... algumas com nota artística elevada!!!

Florentino, Jota, Willock em grande...


Mais uma...

Benfica 40 - 18 Arsenal Devesa
(22-9)

Em jogo antecipado da 7.ª jornada, vitória fácil...

12 anos CFC

A UEFA e o VAR

"A ridícula expulsão de Cristiano Ronaldo em Valência,  as lágrimas derramadas pelo craque português perante tamanha (e consensual) injustiça, parece ter despertado a atenção do mundo para a necessidade de a UEFA avançar com a introdução do VAR na Liga dos Campeões. Bastou, afinal, um ano para que o videoárbitro convencesse os críticos - e eram muitos - de que a tecnologia, não terminando de vez com as discussões em torno de arbitragem, traz ao jogo muito mais benefícios do que malefícios.
Não o dizemos apenas pela expulsão de Ronaldo, mas a verdade é que já todos perebemos que a chegada do VAR à Champions é uma questão de tempo. Até o próprio Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, já terá percebido ser esse caminho inevitável, parecendo a sua renitência ser, neste momento, apenas uma desculpa para pensar na melhor forma (e talvez na mais barata) de fazê-lo. Porque, convenhamos, criar condições para o videoárbitro numa competição como a Liga dos Campeões não é exactamente o mesmo de fazê-lo para um campeonato local. Terá a UEFA de abrir os cordões à bolsa, sim, mas nem os principais clubes (quase todos eles já a lidar com a tecnologia a nível doméstico e por isso cientes da sua mais-valia) admitirão que uma competição que movimenta tantos milhões fique obsoleta - e menos transparente - por uma questão de trocos.

PS - O campeonato português voltou ontem após paragem de três semanas. A calendarização já foi, de resto, alvo de críticas por parte de alguns treinadores, que não entendem (como quase ninguém entende) tão demorado interregno ao fim de apenas quatro jornadas. Têm razão. Mas sendo a Liga dos clubes, basta convencerem os seus presidentes ao absurdo da situação. Parece fácil, não?"

Ricardo Quaresma, in A Bola

VAR, uma necessidade

"O vídeo-árbitro foi introduzido em Portugal, bem como noutras ligas e competições de todo o Mundo, há pouco mais de um ano e, no entanto, parece que já não sabemos viver sem ele. Nos últimos dias, tanto no nosso país como até na Liga dos Campeões (como, por exemplo, a expulsão de Cristiano Ronaldo), assistimos a várias situações que teriam sido resolvidas de outra forma se o juiz da partida tivesse tido auxílio das imagens. Uma prova evidente de que o VAR é um contributo positivo para o futebol.
Um pouco por todo o lado percebemos que os árbitros que lidam regularmente com o VAR, em especial os mais jovens, já absorveram de tal forma a ferramenta que ela faz parte do seu trabalho, como se fosse um apito ou uma bandeira de assistente. Um pouco como qualquer um de nós com os telemóveis: até há 20/25 anos todos vivíamos bem sem um, hoje em dia não sabemos o que fazer se nos esquecemos dele em casa...
Apesar das dificuldades logísticas, a UEFA terá também de introduzir o VAR nas suas provas, em especial a Liga dos Campeões. Não faz sentido que uma competição que gera tantos milhões possa ser beliscada por erros que já não acontecem na maior parte dos campeonatos. O VAR já não é o futuro, é o presente.
Antes de terminar, gostaria de agradecer à AF Leiria o Prémio de Excelência e Reconhecimento pela Dedicação ao Associativismo que me foi entregue esta semana. Uma distinção que me enche de emoção, sobretudo vinda da associação em que 'nasci' para o associativismo."

Manchester City, PSG e a impossibilidade de comprar a nobreza

"A nobreza não se compra. Eis um provérbio que desde criança me habituei a ouvir da boca da minha avó. Dizia-o sempre que queria referir-se a pessoas que se haviam tornado arrogantes com o excesso de dinheiro ou ansiosas por exibir a riqueza recente com gestos excessivos. A minha avó queria dizer que a verdadeira nobreza (a de espírito), mas também a que vem por tradição, não é um bem comercial que possa adquirir-se no mercado, nem há dinheiro que a conquiste. Essa adquire-se ao longo de muito tempo e deve ser reconhecida pelos outros sem necessidade de a ostentar.
Recordo este lema depois do final da primeira jornada da Liga dos Campeões. Entre os muitos resultados, destacam-se as derrotas do Manchester City e do Paris Saint Germain, ainda assim dois resultados a tomar em consideração de formas distintas, porque aconteceram contra adversários diferentes e em circunstâncias igualmente diversas. É aceitável a derrota dos franceses na deslocação a Liverpol, mas bem mais grave a dos ingleses, em casa, com o Lyon. Mas não é na avaliação dos dois resultados (além do mais amplamente remediáveis) que quero deter-me. Interessa-me mais o facto de as saídas de campo das duas equipas terem tido em comum um certo sentimento de fatalismo, que rapidamente se espalhou pelo ambiente geral dos clubes. Um fatalismo que aparece sempre e que arrisca transformar-se num vírus auto-imune: aparece sempre que é preciso demonstrar algo na Champions, a competição que por fim coloca um clube no Olimpo do futebol europeu e mundial, o último degrau a subir para se chegar ao estatuto de lenda. É nesse degrau que o Manchester City e o Paris Saint Germain continuam a tropeçar. E a ideia que fica é a de que os tropeções sucedam mais devido à ansiedade do que por demérito. Como se cada adversidade fosse um sinal do destino e não um problema que é preciso remediar.
Este estado de espírito afecta da mesma forma dois clubes com vários pontos em comum, a começar no facto de ambos terem proprietários árabes e de terem entrado apressadamente na elite do futebol europeu graças à sua exagerada potência económica. Tanto o Manchester City como o PSG demonstraram poder vencer – ou melhor, arrasar – os seus campeonatos nacionais, que por isso mesmo se tornou, aos seus olhos, uma prova quase de segundo nível. Sobretudo para os franceses, que na Ligue 1 só perdem se adormecerem, como lhes sucedeu há duas épocas. Agora toca ao Manchester City e ao PSG demonstrar que são grandes também no plano internacional. E para o conseguirem continuam a gastar verbas gigantescas no mercado de transferências, apesar dos travões postos pelo Fair Play financeiro decretado pela UEFA. Reforçam plantéis que, para competirem nos torneios domésticos, não necessitariam de retoques particulares, mas fazem-no para poderem escalar aquele último degrau. Mas continua a ser insuficiente e a frustração alarga-se como uma nódoa.
Era bom que se aconselhasse uma só coisa aos proprietários e aos adeptos destes clubes: relaxem. A Champions não se vence pensando obsessivamente nela. Afirmar-se numa prova de tão alto nível é uma coisa complicadíssima e pede algo mais do que a qualidade dos jogadores e a disponibilidade económica. Falta a mentalidade de nível superior, uma espécie de treino para competir e vencer no topo. Numa palavra: tradição. Que é algo que não se consegue de um ano para o outro nem está disponível no mercado. Adquire-se por etapas, passando até por algumas desilusões profundas. O Manchester City e o Paris Saint Germain não têm esta tradição de grandes clubes europeus. Os ingleses até são bastante recentes no estatuto de grande clube nacional: esforçarem-se para acelerar o percurso será apenas a base para mais frustrações.
Estes dois clubes deviam seguir o exemplo de um outro que entrou recentemente na elite europeia graças ao poder do dinheiro: o Chelsea. Em dada altura da sua história, também os “blues” arriscaram ficar esmagados pela ansiedade de ganhar a Champions. Mas depois venceram-na no ano mais improvável, quando nenhum dos seus adeptos em tal apostaria: em 2011-12, com um treinador de emergência no banco (Roberto Di Matteo, chamado a assumir o lugar de André Villas-Boas) e uma equipa que parecia desgastada. Muitas vezes, as grandes vitórias chegam quando se põe de parte a ânsia de as procurar a qualquer custo. E têm ainda mais sabor."

Benfiquismo (CMLVII)

Estilo...

Jogo Limpo... Seara, Guerra & Fanha... em quase Blackout !!!

Uma Semana do Melhor... Vermelho Minhoto!

Bayern é de outro campeonato

"Do jogo da Luz fica a atitude educada de um menino em contraste com um garoto que optou por ser um canalha

O Benfica jogou contra uma das melhores equipas do Mundo e provou não estar nesse mesmo nível. Não é preciso justificações que o Bayern é uma equipa fortíssima, que atropela por números pesados grandes parte dos seus adversários (FC Porto e Sporting ainda se lembram). Os bávaros, em condições normais, não estão ao alcance das equipas portuguesas. Mesmo dentro da europa dos ricos, este é um emblema dos mais ricos. Mesmos dentro da europa dos fortes, este é um dos emblemas mais fortes.
Mesmo que os mais jovens, na Youth League, vençam e deslumbrem (Jota é fantástico) nos mais velhos a realidade é outra. Reconhecer os méritos e capacidade do adversário, ser realista, seguir com ambição contra AEK e Ajax é a boa metodologia. O Benfica fez um jogo razoável, mas  Bayern é melhor, deixando a impressão que se quisesse poderia impor ritmos e níveis ainda mais elevados.
Do jogo da Luz fica o contraste entre dois jogadores do Bayern, a atitude educada de um menino que virá a ser um senhor, e de um garoto que optou por ser um canalha.
O apuramento deste grupo será Bayern e mais um. Ajax leva vantagem ao vencer os gregos de forma expressiva, mas o Benfica pode entrar na luta em Atenas com um bom resultado.
Ficaram bons apontamentos dos últimos dois jogos do Benfica, quer a vitória frente ao Rio Ave para a Taça da Liga, quer o jogo contra os alemães, mostrando um Gabriel muito interessante, bons detalhes a defender e atacar em todos os minutos que teve. Gabriel parece ser uma opção muito credível para a longa época que aí vem.
Nesta altura é necessário virar o chip para o Aves e o Chaves, os adversários que se seguem exigem máxima concentração. Num campeonato desequilibrado, onde se não vão perder muitos pontos, os candidatos ao título que se distraírem deixam com facilidade de o ser. Neste aspecto o discurso focado de Rui Vitória mestra ter bem presente esta realidade.
Domingo, o Benfica precisa de um estádio cheio de apoio, uma equipa cheia de alma, e uma vitória que nos permita manter a liderança do campeonato.
Félix Brych continua na alta roda do futebol de forma inexplicável. A arbitragem do Sevilha - Benfica foi uma lástima que decidiu uma final de forma batoteira, mas todo o seu percurso como árbitro está recheado de idênticos exemplos que tornam ininteligível o seu estatuto na arbitragem europeia. A expulsão de Ronaldo e a arbitragem que fez em Valência foram apenas mais um cromo para a sua colecção."

Sílvio Cervan, in A Bola

Jardel 2021

O actual capitão dentro do relvado, que ainda na quarta-feira foi um dos melhores em campo... demonstrando além das qualidades técnicas, enorme liderança e ainda fez respeitar o Manto Sagrado, à puta Colombiana
Renovação de contrato, mais do que justa...

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Nunca digas nunca

"Recordo-me de passar férias no México, em Cancún, e ao entrar num bar ser interpelado por um indivíduo que, ao ver-me com a camisola do Benfica vestida, me chamou de imediato. Palavra puxa palavra, vim a saber que o senhor, mexicano, tinha amigos em Portugal, no Norte, em Vila Verde, na freguesia de Vila de Prado. Descobri, assim, a 7500 Km de casa, um mexicano com quem eu tinha um amigo em comum. Interessante, mas nada de inédito.
Já tivemos, quase todos nós, conhecimento de episódios deste género, mas há alguém que nunca vivenciou algo idêntico: Diogo Faria, o co-autor daquele livro que aborda mil e uma suposições - onde lamentavelmente o café com leite e a fruta ficaram esquecidos -, escrito pelo funcionário do ano do FCP em 2017.
Durante esta semana, a comunicação social divulgou que Rui Pinto, hacker suspeito de ter pirateado o correio electrónico do Benfica, foi colega de curso de Diogo Faria na Faculdade de Letras da Universidade do Porto, e Diogo, que é também comentador do Porto Canal, apressou-se a negar qualquer proximidade entre ambos, assegurando a inexistência de amizades em comum.
Há quem vá encontrar pessoas com quem partilha amigos em comum do outro lado do mundo; Carlos da Maia e Maria Eduarda, protagonistas de Os Maias, aprenderam, inclusive, que é possível conhecer de repente alguém com quem até se partilha a mesma mãe; Diogo Faria afirma, com toda a certeza, que não partilha rigorosamente nenhuma relação de camaradagem com um sujeito com quem até já partilhou a mesma sala de aula.
Diogo e Rui não se veem há cinco ou seis anos, mas se as coincidências não forem coincidências, talvez se reencontrem e partilhem a mesma cela."

Pedro Soares, in O Benfica

Piratarias

"Pouco a pouco as máscaras vão caindo, e vamos sabendo onde e como começou o ataque sem precedentes visando o maior clube português.
Os piratas menores parecem já estar identificados, e em breve chegar-se-á ao pirata-chefe desta história de bandidos. Tudo começa a fazer sentido, desde Gaia até ao Altis.
De resto, continuam a encher a boca de mails, mas, repare-se, já poucos mencionam o seu teor. Sabem que tudo aquilo é inócuo. Roubaram-nos, e certamente tiveram muito trabalho para encontrar algo que pudesse ser utilizado como arma de arremesso e criar fogo-de-artifício. Com o ruído instalado, até já omitem o conteúdo. É que, truncado ou não, o que ali está é uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma.
Caro leitor, afirmou-o sem hesitar e com clareza: estou absolutamente seguro de que o Benfica é um clube sério, e que será absolvido de todos estes casos onde o quiseram envolver. E mais, tenho a certeza de que um dia, tal como os muitos benfiquistas que pensam como eu, terei orgulho em relembrar estas linhas.
A propósito, é preciso enaltecer a atitude inteligente e sensata da esmagadora maioria dos sócios e adeptos do Benfica perante esta ataque massivo. A união tem sido regra, o apoio igual ao de sempre e, salvo raras e negligenciáveis excepções, todos estão do lado certo. Também nisso temos mostrado a nossa grandeza. Não surpreende, mas deve ser assinalado.
Aos nossos dirigentes exige-se pois que deixem estes casos para os advogados, e se centrem a 100% naquilo que mais nos interessa: reconquistar o Campeonato, a Taça de Portugal, a Taça da Liga e fazer boa figura na Europa."

Luís Fialho, in O Benfica

36 campeões europeus

"No final do Benfica - Rio Ave olhei para o telefone e tinha uma SMS: 'Já não liga aos campeões da Europa!' Liguei, de imediato, ao José Rosa, que atendeu e só ouvia cânticos: 'SLB, SLB, SLB... Glorioso... SLB! Pedro, somos campeões da Europa... estamos a subir ao 1.º lugar no pódio!'
Lembrei-me do investimento que o presidente Luís Filipe Vieira tem feito na formação em todas as modalidades, desde Novembro de 2003. Este projecto júnior, através da nossa Academia Olímpica, é a base da renovação e da sustentabilidade da equipa sénior masculina e do Benfica Olímpico.
Fixe estes 23 nomes: Alexandre Figueiredo, Bayley Campbell, Delvis Santos, David Reis, Diogo Guerra, Duarte Gomes, Elberson Silva, Edgar Campré, Emanuel Sousa, Hugo Cruz, Isaac Nader, Ivo Cruz, João Coelho, João Geadas, Júlio Almeida, Leandro Ramos, Manuel Dias, Miguel Ribeiro, Paulo Soares, Rodolfo Garcia, Rodrigo Rosa, Simão Pereira e Yuben Munary.
Os nossos jovens talentos têm o privilégio de serem orientados por 8 treinadores de eleição. Tiago Madureira e Bruno Mangana dos saltos. Vítor Zabumba e Jayme Metto são os técnicos da velocidade e das barreiras. Acácio Paixão no meio-fundo. Elisa Costa e Carlos Tribuna orientam os lançamentos. Como team leader e coordenadora, a incansável e hipervencedora Ana Oliveira. Destaco o staff. Os delegados logísticos, Ana Morais e José Rosa. Peça fundamental nos êxitos tem sido o delegado técnico e grande campeão Rui Silva. Essencial, o trabalho da dupla-maravilha do Departamento Médico - Diogo Cunha (fisioterapeuta) e Jorge Silva (massagista).
Ou seja, 36 'águias' que levaram o nome do SL Benfica ao mais alto patamar do atletismo internacional e que nos fazem sonhar em relação ao título europeu sénior."

Pedro Guerra, in O Benfica

Sem comentários

"Depoimentos na 1.ª pessoa de dois jovens participantes no intercâmbio com Israel Breaking Barriers trough Football. Antigos alunos do projecto 'Para tiSe não Faltares!', há vários anos voluntários da Fundação e exemplo para os mais novos. Aqui vão, sem mais comentários, os seus testemunhos sobre esta experiência e sobre o trabalho da Fundação Benfica:

«Confesso que no início tinha um pouco de receio de viajar para um país com muita história de guerra e confusão. Mas, pelo contrário, aquilo que eu presenciei foi tudo menos isso! Foi uma experiência de amor, alegria, amizade, paz, conhecimento. As pessoas que conheci foram incríveis e tinham tanta energia quanto nós para oferecer. Receberam-nos em casa deles da melhor maneira que alguém podia receber, as amizades que fiz serão para sempre. Pessoalmente posso afirmar completamente que cresci como pessoa, e a minha maneira de pensar também mudou pela positiva, recomendo completamente a cada pessoa que tenha oportunidade de presenciar algo como esta semana, pois a realidade nem sempre é aquilo que a TV nos transmite. Se algum dia tivesse outra oportunidade como esta, abdicava de tudo para voltar a experienciar esta semana inesquecível! Obrigado à Fundação Benfica e à EFDN por toda esta experiência que fez de mim uma pessoa melhor!»
João Silva, 19 anos, Antigo aluno do Projecto 'Para ti Se não Faltares!', Paranhos, Ano Lectivo, 2012/13

«Inicialmente, se me perguntassem o que achava de viajar pelo mundo, diria experimentar comidas novas, conhecer novas culturas, ou simplesmente iria ficar estática a pensar em todos os riscos que poderiam existir. Actualmente, só penso qual será o meu próximo destino. Tudo o que eu vi, tudo o que experimentei, todas as pessoas incríveis que conheci fizeram com que o meu receio do perigo desaparecesse, todas elas provaram que nem sempre o que se fiz é verdade. Israel é uma fonte de conhecimento, de novas experiências e acima de tudo de amor. Se perguntar a alguém na rua o que acham de países com alguns conflitos como Israel, elas dir-me-ão que é uma terra de mortes, de bombas e de caos. Eu estou viva, a minha caixa de recordações está cheia, a minha vontade de voltar é enorme. Agradeço com todo o meu coração à Fundação Benfica pela oportunidade que me deu ao conhecer este país e por permitido ultrapassar algumas barreiras impeditivas. Relativamente ao projecto 'Para ti Se não Faltares!', eu já faço parte desta grande família desde os 10 anos, e as grandes lembranças e experiências que eu guardo na memória foram possíveis graças a ele... se eu hoje sou uma pessoa que luta pelos seus objectivos, que tem ânsia de aventura e que acha que todos têm algo de bom a oferecer, é devido a este projecto».
Ana Rego, 18 anos. Antiga aluna do Projecto 'Para ti Se não Faltares!', Paranhos, Ano lectivo 2010/11"

Jorge Miranda, in O Benfica

A mais importante resposta

"A enchente na Luz na noite de quarta-feira era, mesmo antes do jogo com o Bayern, mais do que a celebração da expectativa dos adeptos relativamente a um jogo de futebol. É certo que o próximo desafio juntava ao Benfica, a atravessar um início de época difícil, mas muito prometedor, aquela que será, talvez, nos dias que correm, a mais poderosa e mais eficaz equipa do mundo que, nesta temporada, com um conjunto de jogadores notáveis - em que a veterania e a experiência se aliam à juventude, à força física e a uma dinâmica colectiva extraordinária -, para levantar um sistema de jogo extremamente eficiente, inteligente e produtivo. Em vista portanto, os adeptos tinham a antecipada garantia de que se perspectivava uma 'grande noite europeia'. Das antigas. E foi mesmo o que aconteceu.
Nestas circunstâncias, a memória histórica do Benfica e dos Benfiquistas - ou seja, aquilo a que hoje, mediaticamente, se costuma designar como o nosso 'ADN colectivo' e que, dantes, definíamos como a nossa 'mística'... - acorda em nós aquela íntima e fortíssima convicção nas vitórias 'impossíveis' que na década de sessenta do século passado surpreenderam o mundo do futebol e fundamentaram a dimensão universal do Glorioso. Evidentemente que essa terá sido a razão fundamental para que uma enorme multidão viesse ver o grande jogo.
Em todo o caso, outros motivos determinaram a enchente do maior estádio do país. Um, de ordem meramente circunstancial (espera-se), tendo que ver com a forma atabalhoada e reveladora de um profissionalismo barato, como uma nova operadora de direitos televisivos 'entrou' no mercado português, revelando, afinal, tão pouco respeito pelo interesse dos seus putativos clientes espectadores de TV como a atitude que anteriormente já caracterizava os seus pacientes subscritores, tendo agora a merecida paga por parte da nova concorrente que, mediante uma oportuna blitz concorrencial, literalmente, lhe roubaria os direitos de transmissão e distribuição da Champions - um dos mais suculentos bifes do negócio... Este novo player, ao se lançar no mercado, revela-se mal preparado e incompetente para atender às volições e expectativas do público. Sem ter divulgado devidamente as condições de acesso ao seu sinal, nem ter negociado, a tempo e horas, com as três distribuidoras mais conhecidas - NOS, Altice e Vodafone, a nova operadora deixaria desesperados todos os incrédulos amantes do Benfica e do futebol, que, longe do estádio, ainda nem sequer tinham 'no ar' uma Rádio Benfica para ir seguindo as incidências da partida... A muitos Benfiquistas, só as centro e noventa Casas do Benfica lhes valeram para poder ver a partida na TV.
O outro motivo para a grande lotação de quarta-feira, no entanto, era bem mais profundo. Luís Filipe Vieira, na Tapadinha, dias antes, na histórica estreia oficial da equipa feminina sénior, dera o mote:
'Temos um património sem igual e uma estratégia que causa inveja a muita gente. Em vez de copiar, imitar e seguir os nossos passos, atacam-nos e entram por outros caminhos... Mas quanto mais atacam fora do campo, mais força vamos ter!'
Depois disso, nesta quarta-feira à noite, com a sua massiva presença, mais de sessenta mil Benfiquistas deram a primeira e mais importante reposta uniram-se para apoiar a sua equipa de elite, a jogar bem, muito bem, o melhor possível, perante a mais forte equipa do mundo... Uniram-se na sua fé inquebrantável, mas uniram-se, sobretudo, porque enquanto vêem os nossos jogadores a jogar olhos nos olhos diante dos outros, também não esquecem que, fora das quatro linhas e no portugalzinho do ministério público, da federação de vaidosos, da liga penteada com brilhantina e de árbitros do futebol de praia, o Benfica continua a ser miseravelmente perseguido e atacado."

José Nuno Martins, in O Benfica

O destino

"A diferença entre Benfica e Bayern, infelizmente para as águias, esteve também na diferença entre as exibições de Gedson e Renato

A diferença entre Benfica e Bayern na noite de quarta-feira, na Luz, pode muito bem ficar exemplificada também na diferença do jovem Gedson Fernandes, do lado dos portugueses, e do jovem Renato Sanches, do lado dos alemães. Infelizmente para o Benfica, o jovem Gedson afundou-se no jogo, felizmente para o Bayern o jovem Renato superou com distinção o maior teste emocional que até hoje teve de enfrentar.
Enorme o desafio lançado a Renato pelo treinador Niki Kovac, o treinador que apesar de croata nasceu na Alemanha há quase 47 anos, no então lado ocidental de Berlim, e que esta época sucedeu aos bávaros a essa grande figura germânica que é, sem qualquer dúvida, Jupp Heynckes. O novo treinador do Bayern já tinha prometido, assim que chegou a Munique, um olhar muito atento a Renato Sanches, que muitos (ou incluído) pareceram traçar como destino provável nunca mais regressar ao colosso alemão.
Niko Kovac prometeu, aliás, ver mesmo com muita atenção na pré-época o que considerou ser um jogador com muito de especial e raro, foram palavras de Kovac, entre os jogadores da Bundesliga. Logo na apresentação como novo treinador da equipa, no começo de Julho, Kovac foi claro ao afirmar querer contar com Renato, pondo completamente de lado a possibilidade de o clube voltar a emprestá-lo. Kovac teve convicção no que disse e acaba de mostrar porquê.
Renato não encheu apenas a Luz na quarta-feira, encheu também o coração de todos os seus fãs e esperam vê-lo triunfar e voltar a ter na Selecção Nacional a influência que teve no caminho do título europeu de Portugal, há dois anos, em França. Uma coisa é certa: o jovem Renato precisa, com todos, de se sentir confiante; e precisa, mais do que qualquer outro, de estar poderoso fisicamente. Ficou claro.
E ficou ainda mais claro que Renato precisa de acreditar nele próprio, precisa de ser determinado, precisa de não desviar o foco do que é a exigência do futebol profissional, precisa de trabalhar muito, e precisa, sobretudo, de ter vontade de ser realmente bom. Se conseguir tudo isso, vai seguramente ser bom. Tem tudo para ser bom. Só precisa de arrumar tudo no lugar certo.
O que Niko Kovac fez, em Lisboa, foi dar ao mesmo tempo a Renato Sanches uma tremenda injecção de confiança e um teste emocional absolutamente desafiante. O que Renato fez foi agradecer a confiança e mostrar que parece ter reencontrado de novo o caminho. Depois de se ver o que ele fez na casa que o viu crescer, sob pressão de mais de 60 mil adeptos e com o rigor, concentração, intensidade e serenidade com que jogou, só poderá o futebol lamentar se Renato Sanches não souber aproveitar as qualidades que a natureza lhe deu.
No jogo da Luz, infelizmente para o Benfica, em sentido contrário esteve o jovem Gedson, igualmente uma das maiores esperanças do futebol português actual, que acabou por se afundar no meio daquela superioridade e organização alemãs. Sim, a diferença entre as exibições de Gedson e de Renato reflectem, de algum modo, a diferença do futebol das duas equipas, ainda por cima acentuado, na minha opinião, pelas ineficazes decisões do treinador do Benfica na hora de mexer no onze, deixando (e desprotegendo) o jogador Gedson em campo quando parecia francamente mais aconselhável deixar Pizzi, o único maestro possível e apenas com a desvantagem da ligeireza física, e, por que não, até o próprio Salvio - retirado também à hora de jogo - quando ele era, à primeira e à segunda vista, o único jogador do Benfica em campo de verdadeira classe mundial, a perder, na verdade, no combate com o austríaco Alaba, seu adversário directo, mas sempre potencialmente mais capaz do que qualquer outro de conseguir aquele lance de desequilíbrio, decisivo em qualquer jogo, e ainda num jogo destes e frente a um adversário desta dimensão.
Assim não viu Rui Vitória, assim não conseguiu o Benfica repetir a graça do empate de há duas épocas (2-2) frente ao mesmo Bayern, na noite em que um miúdo chamado Renato Sanches também brilhou, mas a defender então o lado português da barricada. Parece o destino.
Ainda antes de ir ao Schalke - FC Porto, algumas referências mais ao que se passou quarta-feira na Luz: Odysseas Vlachodimos com a melhor exibição entre os jogadores do Benfica; o arrepiante (palavra bem escolhida na capa de A Bola de ontem) aplauso que todo o estádio tributou ao menino Renato, o muito infeliz gesto de James Rodriguez a entrar em confronto com a plateia, que é tudo o que não se espera de um jogador de categoria, e a elegância com que o treinador do Bayren quis saber junto de Rui Vitória o que significava a atitude de James, pedindo, de algum modo, desculpas ao Benfica.


na terça-feira, o que vi do outro confronto luso-germânico foi um jogo demasiado pobre para uma Liga dos Campeões e, com toda a franqueza, até parece impossível como o FC Porto não foi capaz de o ganhar. Salvou-se, apesar de tudo, o mal menor do empate, mas salvou-se sobretudo o regresso a estes palcos dessa espécie de imperador portista que é Danilo. Um jogador que também faz a diferença!
Em Alvalade, ontem à noite, três particulares vencedores num jogo difícil que o Sporting ganhou bem: José Peseiro (como decidiu), Montero (pela classe) e Raphinha (o melhor em campo) - é craque!

(...)"

João Bonzinho, in A Bola

Porque andamos longe do topo...

"Porque é que as equipas portuguesas não só não conseguem aproximar-se dos melhores conjuntos do futebol europeu, como estão cada vez mais distantes?
Porque a nossa Liga é pouco competitiva e tem quase nula visibilidade externa; ninguém leva a sério a indústria do futebol, destruindo-lhe a credibilidade; por isso a receitas televisivas são paupérrimas e a sponsorização é baixa; e a necessidade de venda dos melhores elementos impede o crescimento das equipas.
Anteontem, na Luz, o Bayern de Munique apresentou-se com os seguintes jogadores (entre parêntesis o número de épocas do clube): Neuer (7), Kimmich (3), Boateng (7), Hummels (3), Alaba (8), Javi Martinez (6), Renato Sanches (2), Robben (9), Lewandowski (5), Ribéry (11). Se, desde que Ribéry foi para Munique, o Benfica não tivesse tido necessidade de vender os seus melhores jogadores (privilégio de que o Bayern gozou...), poderia apresentar uma equipa, além da que Rui Vitória escalou, assim: Oblak, João Cancelo, David Luiz, Lindelof, Fábio Coentrão; Matic, Renato Sanches; Bernardo Silva, Gonçalo Guedes, Rodrigo, Gaitán. Ou outra ainda com Ederson, Ramires, Garay, Lisandro, Nélson Semedo; Javi Garcia, Witsel, Enzo Pérez, André Gomes, Mitroglou, Di Maria.
Faz mal, então, o Benfica, ao vender todos estes jogadores? Não tinha alternativa. E é essa a diferença para os maiores da Europa. Enquanto estes têm meios para ver apenas os jogadores na sua mais-valia desportiva, os nossos olham para os cifrões que podem vir a valer. E assim não se juntam qualidade+tempo, fórmula para a construção das grandes equipas."

José Manuel Delgado, in A Bola

O chicharro e a garoupa

"Os custos do futebol estão pela hora da morte. De repente, de supetão, entrou no mercado televisivo português um novo canal que tem o exclusivo da Liga dos Campeões. Assim de repente, contas por alto, quem quiser assistir a todos os jogos das principais equipas portuguesas tem de pagar, no mínimo, à volta de 80 euros por mês - quase 50 só para poder ver a bola e subscrever um pacote mínimo na plataforma de distribuição, que ronda os 30. São 600 euros por ano só para se ver futebol.
Em Inglaterra, em termos comparativos, paga-se por ano um valor a rondar os 1500 euros para se poder ver todo o futebol e mais algum. Pois, é verdade, é um balúrdio, mas portugueses e ingleses pagam, em termos de média financeira, o mesmo para assistirem ao beautiful game, pode-se é atgentar ao facto de que o salário mínimo em Inglaterra ronda, precisamente, os 1500 euros mensais e em Portugal anda perto, também, dos 600 euros por mês, e de que a qualidade de futebol inglês - julgo não existirem grandes dúvidas sobre a matéria - é substancialmente superior à cá do burgo. Portanto, é mais ou menos como ir à praça do peixe e comparar o chicharro ao preço da garoupa. Por muito que se goste de garoupa, se a garoupa é mais cara, por alguma razão é.
A Liga e a FPF, nos últimos anos, muito têm contribuído para (alguma) evolução do futebol nacional, mas entre tantas comissões, grupos de trabalho e de estudo, ninguém olhou para isto? E o Governo, nada? É que uma indústria só é sustentável com consumidores, e se estes tiverem de optar entre ver o futebol e mais umas refeições para a família, julgo eu, decidirão por esta última, seja de garoupa, de chicharro ou de petinga."

Hugo Forte, in A Bola

Diferenças competitivas

"Quando as nossas equipas jogam competições internacionais, e defrontam adversários das Ligas mais poderosas, observa-se, por norma, o inverso do que essas próprias equipas lusas sentem quando defrontam adversários mais modestos em Portugal. A intensidade do jogo, uma vantagem interna, deixa de o ser no confronto europeu. Isso deve obrigar-nos a pensar em soluções para aumentarmos a intensidade que cada equipa emprega ao jogo. Claro que ter na sua estrutura jogadores de maior capacidade é um elemento decisivo para vencer, mas se a isso juntarmos a intensidade das suas acções, defensivas e ofensivas, temos quase sempre encontrada a equipa vencedora. Óbvio que existe uma componente aleatória num jogo de futebol, mas se o nível entre os intervenientes for aumentado pelas razões expostas anteriormente, esses factores são minimizados. E é isso que dá interesse ao jogo, a incerteza no resultado final. Se a perdermos, perdemos muito mais do que um jogo de futebol.
Para que uma equipa de menor dimensão técnica, ou melhor, com jogadores de nível técnico inferior, possa vencer um opositor mais forte, não basta confiar nas questões de ordem aleatória. É preciso ter intensidade igual ou superior ao adversário, e fazer bem os trabalhos de casa. Isto é, ter preparado o jogo de forma a controlar os aspectos ofensivos do opositor, e vencer os pontos mais vulneráveis da sua estrutura defensiva. Nada acontece por acaso. Neste momento, parece-me claro que se trabalha bem em solo nacional, que temos qualidade humana, mas falta intensidade no jogo. É essa intensidade que nos poderá levar mais perto do topo. Temos que reflectir na forma de melhorar este aspecto para sermos mais competitivos. A discussão aberta, desde a calendarização às condições infra-estruturais, é um desafio para todos nós."

José Couceiro, in A Bola

O código secreto de Paulo Gonçalves !!!

"Um jornal online noticia que o arguido Paulo Gonçalves sugeriu ao presidente da Liga, na altura, Mário Figueiredo, dois nomes para desempenharem a função de delegados em determinado jogo do Benfica, a final da Taça da Liga de 2013-14.
Pela primeira vez, ao fim de triliões de emails, vejo chegar à frontpage da imprensa desportiva um caso concreto com eventual influência no decorrer de uma competição, ainda que sem correspondência a notícias de corrupção activa nem passiva. Ainda não é um árbitro comprado, ainda não existe denúncia de subornos aos indivíduos citados, mas dois delegados ao jogo já representam qualquer coisa de palpável a justificar um “inbestigue-se”.
Quando começo a ler a notícia parto do principio que a sugestão do ex-assessor jurídico do Benfica foi bem acolhida e que o escândalo ocorreu. Estou admirado por não ser manchete da publicação, situando-se no scroll abaixo da expulsão de Cristiano Ronaldo, das negociações do Sporting com Gelson e Patrício e até de um protesto de um jogador de uma equipa sub-23 às parvoíces de Cristina Ferreira.
No segundo parágrafo, ainda leio informação significativa, quase diria comprometedora, sobre a resposta do presidente da Liga, da altura, a dizer que tomou a “devida nota” do pedido.
Salto a publicidade, carrego no botão “continuar a ler” e chego ao terceiro parágrafo, onde há um “refira-se que” a lembrar que os delegados realmente de serviço nesse jogo foram outros dois e nenhum dos sugeridos pelo ex-assessor benfiquista no seu email criminoso. A sério?
Aqui ao lado, alguém me diz que Paulo Gonçalves comunicava por código e que os dois nomes que referiu não correspondiam aos próprios, mas sim aos que foram efectivamente nomeados pela Liga. 
No entanto, o jornal omite este pormenor e acaba por passar a ideia contrária, de que na realidade a Liga escarnecia das sugestões do Benfica e que o “tomei a devida nota” do então presidente era também uma frase em código, correspondente a “Arquivo Geral”, vulgo lixo."

Pinto da Costa autoriza o debate !!!

"Com a declaração de defesa intransigente da ética desportiva e de “liderança na luta contra as artimanhas do Benfica” por parte do presidente do FC Porto, foi dado o pontapé de saída para o julgamento político do caso dos emails. Deu-se o upgrade há muito esperado, com o grande líder a ocupar o espaço do idiota útil, o pastor a tomar o lugar do cão-de-fila. Pinto da Costa pressentiu o esgotamento da “fórmula Jota” e, sobretudo, ficou alarmado com o desaparecimento em combate do esforçado Bruno de Carvalho, cujo substituto não parece capaz de chafurdar tão bem neste chiqueiro. 
O sentido político a reter deste novo posicionamento é o recado que passa aos outros agentes do futebol, há meses e meses a assobiar para o lado, como se o assunto não lhes dissesse respeito.
Pinto da Costa abriu um debate a que não podem continuar a fugir a Federação, a Liga, todos os outros clubes profissionais, seus dirigentes e figuras de proa, até os patrocinadores e parceiros institucionais. Nem, claro, os directores dos órgãos de comunicação social que se colocaram no papel fácil de publicar ou não publicar, segundo critérios confusos com que apenas procuram andar à chuva sem se encharcarem, trocando o trabalho de campo sério e responsável por sessões contínuas de ruído para trogloditas.
Quando um jornal repete a primeira página de há meses, com o chamariz da prostituição, sem qualquer dado novo, é como se a lama tivesse secado e se transformasse em pó, muito mais fácil de limpar e sacudir para longe. É como se o assunto estivesse a esgotar-se e já só existisse na cabeça de editores desesperados com as perdas de vendas e dependentes do lado pavloviano das suas audiências.
Paralelamente à receita infalível da tia matrafona - futebol, corrupção e sexo -, há indivíduos citados na correspondência pirateada do Benfica há mais de um ano que nunca foram confrontados por jornalistas. E isto envergonha quem tenha sido educado numa cultura de contraditório e tenha lido jornais do século passado.
Cabe à imprensa ir ao encontro de todos aqueles agentes, a maioria silenciosa do futebol, que têm de posicionar-se, a bem da transparência da indústria e da verdade desportiva. Não por uma questão de justiça, a qual há-de fazer o seu trajecto autónomo, mas por necessidade de reconhecimento e esclarecimento de uma opinião pública por ora dividida, de forma doentia, como água e azeite
 Pinto da Costa falou, os outros estão agora “autorizados” a falar também."

A inversão do crime !!!

"Temos assistido em silêncio ao que se tem passado nos últimos dias. Não podemos deixar passar em claro alguma incoerência e falta de imparcialidade de alguns comentadores supostamente isentos. Um deles é José Manuel Freitas da CMTV que quer tornar um alegado hacker que roubou 10 anos de correspondência privada de uma instituição num verdadeiro herói nacional. Isto demonstra ao estado doentio que chegou esta troca de acusações entre clubes e adeptos. Ouvir tanta gente a elevar um alegado criminoso demonstra o estado a que se chegou.
Mas vamos a alguns pontos que merecem alguma atenção da nossa parte.
1 - Quando o alegado hacker roubou correspondência privada de 10 anos do Benfica, e no caso de ter sido pago para isso, como é que se desculpa esse ato com a justificação de que o conteúdo desculpa a acção? A ordem cronológica está virada ao contrário na cabeça de alguns famosos comentadores da nossa praça. Relembramos que o crime original foi cometido por quem roubou a correspondência privada de uma instituição, antes de a roubar com certeza não havia conhecimento por parte do autor do tipo de conteúdo que poderia ou não encontrar nessa correspondência privada. Portanto, é anedótico desculpar-se um crime quando todos sabemos que quem o terá cometido não conhecia à partida o seu conteúdo.
2 - Há comentadores que teimam em fazer dos emails um caso cheio de conteúdo clarividente. A verdade é que nenhum deles consegue dar um exemplo de um único email onde existam provas concretas da prática de atos ilícitos. Não vamos discutir o conteúdo dos emails outra vez, já fizemos publicações nesse sentido. Não podemos ainda assim deixar alguns comentadores deturparem e omitirem constantemente a verdade. Os emails não resultaram ainda em qualquer tipo de acusação, os emails não têm um conteúdo que indicie que o Benfica tenha corrompido ou subornado algum árbitro ou jogador. Os emails não têm comparação com o caso E-Toupeira. Esta é a verdade. Podemos discutir a ética do modus operandi de algumas pessoas caso a veracidade de um ou outro email seja comprovada, ainda assim tal como escrevemos em publicações mais antigas, este caso não deverá resultar em acusação ao Benfica no que toca a qualquer prática ilícita.
3 - O caso dos emails teve um desenvolvimento que teve pouco destaque na imprensa nacional. A ERC reprovou veemente o Porto Canal e os seus comentadores há uns meses.
No ponto 106 do seu comunicado pode ler-se o seguinte: "De facto, são deliberadamente omitidas frases inteiras e segmentos de frases cujo teor admitiria – como admite – uma interpretação diferente e mesmo diametralmente oposta à artificiosamente criada por Francisco José Marques. Além disso, e ao longo da emissão identificada, é particularmente enfatizada a afirmação «hoje quem nos prejudicar sabe que é punido» como putativa evidência incontestada do “poder” que o SL Benfica teria adquirido nos “centros de decisão” do futebol português e inclusive como meio de suporte à ideia de que os árbitros x, y e z (objecto de referência e identificação expressas num outro email igualmente “revelado”) seriam «punidos» no caso de «não cumprirem»." A própria ERC foi esclarecedora, mas para alguns continua a ser prioritário omitir a verdade.
4 - Francisco J Marques é arguido no caso dos emails, aliás, é o único arguido. A sua acusação foi tornada publica após quase meia dúzia de meses de ter sido feita. É um facto que Francisco J Marques no caso dos emails é o único acusado e isto também é bastante revelador da credibilidade do individuo em causa que ainda há 2 dias atrás através do seu twitter deu a entender que não estava acusado de nada.
5 - Finalmente, queremos deixar a justiça funcionar mas ao mesmo tempo queremos reprovar novamente a atitude de alguns comentadores que estrategicamente ou não tentam deturpar e omitir factos que não ajudam ao cabal esclarecimento de todos que em casa assistem a estes casos. Deixamos o link para o comunicado da ERC, comunicado esse que foi completamente abafado na altura que foi publicado e que é esclarecedor.

http://www.erc.pt/…/YToyO…/deliberacao-erc2018112-contjor-tv"

Alvorada... do Vicente