Últimas indefectivações

domingo, 7 de agosto de 2011

Grande Torino


"Em 1949, o Benfica recebeu e venceu o Torino por 4-3 num encontro ensombrado pela tragédia que se seguiu.

O dia 4 de Maio de 1949 ficou marcado por uma tragédia que ensombrou a história do futebol mundial e a que o Benfica ficou indelevelmente associado. No regresso a Itália, depois de participar no encontro da festa de homenagem ao jogador benfiquista Francisco Ferreira, a equipa do Torino desapareceu tragicamente num acidente aéreo, a dez quilómetros de Turim.

MELHOR QUE A SELECÇÃO
No dia 3 de Maio de 1949, o Estádio Nacional veste-se de encarnado para ver actuar o mais popular jogador português frente aos melhores da Europa. À chegada a Lisboa, o clube grená é o detentor do 'Scudetto' há quatro temporadas e a equipa europeia do momento. Verdadeira constelação de estrelas. Com 52 pontos e 4 de vantagem sobre o Milão, segundo classificado, o Torino caminha confiante para o penta, quando faltam apenas quatro jornadas para o termo da prova.
O desafio está marcado para as 18 horas, com bilhetes entre os 15 e os 80 escudos. Apesar de o jogo ser a uma terça-feira, o público acorre com entusiasmo às bilheteiras.
O encontro termina em festa. O Benfica sai vitorioso por 4-3, superiorizando-se à melhor equipa europeia. O resultado, apesar de, naturalmente , secundarizado pela hecatombe, é, na altura, reconhecido como prestigiante para o futebol nacional, constituindo, então, a segunda derrota do Torino contra clubes estrangeiros nos últimos nove anos.

ATÉ TURIM
Após o encontro, realiza-se no restaurante Alvalade, ao Campo Grande, um banquete, em que tomam parte os atletas e dirigentes dos dois clubes e ainda jornalistas de ambos os países e algumas individualidades.
Durante o evento o presidente do Benfica, Mário Madeira, efectua um discurso em que enaltece Francisco Ferreira, agradecendo a presença do Torino. Ao vice-presidente dos transalpinos Mário Madeira oferece, como recordação da visita, uma salva de prata. Rinauto Agnisetta agradece o acolhimento e demonstra interesse em receber em Itália, para um tira-teimas, a equipa encarnada, repto que acolhe de Mário Madeira aceitação imediata.
Ao presidente ao Benfica Agnisetta oferece uma reprodução em prata da Mole Antonelliana de Turin e distribui lembranças aos jogadores benfiquistas e à equipa de arbitragem.
Depois do encontro de confraternização, a comitiva 'granata' regressa ao Estoril, onde se encontrava alojada no Hotel do Parque desde da sua chegada a Lisboa.
O dia seguinte amanhece cinzento. Pelas 8 horas, o grupo ruma ao Aeroporto da Portela. Sobre a pista, aguarda já o trimotor Savoia, da Avio Linee Italiane. Na despedida, o capitão Benfiquista, Francisco Ferreira, abraça, um a um, os convidados, oferecendo-lhes latas de atum, que sabia apreciarem muito. O ambiente é de alegria e satisfação. A derrota, essa, está já amenizada com a promessa de o Benfica se deslocar em Junho a Itália para um match-return. Após os cumprimentos finais, o capitão Mazzola, já na escada do avião, volta-se para os anfitriões e profere, crente num futuro certo, estas curtas palavras: 'Adeus, até Turim!'.
Já em território Italiano, o avião enfrenta um temporal violento. O altímetro avaria-se, marcando dois mil metros de altitude quando o aparelho se encontra, afinal, a 600 metros do solo... Turim está apenas a escassos dez quilómetros quando o avião embate na torre da Basílica de Superga, erigida sobre uma colina. O aparelho incendia-se de imediato e despenha-se em chamas, ao que se segue uma explosão, provocando a morte a todos os 31 ocupantes.


ECOS DA TRAGÉDIA
A notícia espalha-se. Milhares de pessoas acorrem ao local para testemunhar o desastre. No dia seguinte, os jornais Italianos fazem circular edições especiais dando conta do drama que acaba de enlutar o país e de propagar no mundo uma verdadeira onda de choque. Uma procissão de gente presta homenagem aos malogrados no Palácio Madama e meio milhão de pessoas toma parte no funeral de 6 de Maio de 1949. Os corpos seguem, aos pares à Catedral de S. João, atravessando as ruas de Turim apinhadas de gente e de lenços brancos.
No meio do infortúnio, cinco figuras emergem por terem escapado a tão negro destino: o guarda-redes suplente Renato Gandolfi, que cedera o lugar a Dino Ballarin; Sauro Tomá, que fica em Turim por se encontrar lesionado, e Lugi Gandolfi, um jovem que acabara de ascender à primeira equipa, proveniente dos juniores. Para além destes, também o presidente, Ferruccio Novo, acometido de uma broncopneumonia, e o telecronista Nicoló Carosio não haviam seguido para Lisboa.
À capital portuguesa a notícia chega dura e fria, atingindo profundamente o Benfica e os portugueses em geral. Nos primeiros instantes, o sentimento de camaradagem e de gratidão que resultara da vinda dos Italianos a Lisboa leva todos, no clube,a desejar que se trate de um erro. Mas o pior confirma-se. Na sede, a bandeira é hasteada a meia-adriça e a porta semifechada. A direcção do clube, contando com a presença de Francisco Ferreira, reúne-se estraordinariamente e decreta um luto de oito dias, adiando, de pronto, as festas comemorativas do 45.º aniversário.
A imprensa Italiana dá eco das manifestações de pesar em Portugal, particularmente em Lisboa e na Embaixada de Itália, e reproduz fotografias de Francisco Ferreira em estado de prostração, o que muito impressiona os Italianos.
O presidente do Benfica recebe do encarregado de negócios de Itália, Luigi Sabetta, uma carta marcante, em que este expressa a sua incredulidade e pesar sobre o sucedido. No documento, Sabetta salienta o facto de o Torino ter deixado o seu testamento desportivo, de juventude e de camaradagem no jogo com o Benfica, cuja 'bela equipa' designa de depositária desse testamento.
Privado de prosseguir o campeonato com a 'squadra' magnífica, o Torino faz avançar, em seu lugar, a equipa de juniores. Numa resposta solidária e desportiva, os clubes que a equipa grená defronta nas quatro jornadas restantes apresentam também as suas formações do mesmo escalão. O Torino vence todas as partidas e consegue o título, com 60 pontos, 5 de vantagem sobre o Inter, segundo classificado.

No dia 19 de Junho de 1949, o Estádio Municipal de Turim deveria encontrar-se cheio de público para assistir à partida de desforra entre o 'touro' e a 'águia'. Mas nas bancadas de fria pedra o vazio apenas. Um penoso e descomunal silêncio. Do Grande Torino, somente o vulto incontornável da memória."

Luís Lapão, in Mística

Os Reis da noite !!!

Benfica 2 - 1 Arsenal


A máquina parece estar afinada, segunda parte muito boa, num jogo demasiado durinho para amigável. O jogo ficou marcado pela estratégia inversa dos treinadores, enquanto o Benfica deixou os supostos titulares (do Javi para a frente!!!) no banco, o Arsenal ao intervalo deu descanso a alguns dos seus titulares.

O Arsenal na primeira parte teve demasiado espaço para jogar, eu sei que nestes jogos o 'estudo' do adversário é relativo, mas foi a defender, com quase todos os titulares desse sector a jogar, que o Benfica denotou maiores dificuldades...





Agora, é preparar o jogo da próxima Sexta-feira em Barcelos, sabendo que os particulares das Selecções vão atrapalhar bastante toda a semana de trabalho. O Eduardo não é 'problema', o Cardozo neste momento parece não ser primeira opção, mas a convocatória do Witsel 'incomoda' bastante...!!!


sábado, 6 de agosto de 2011

Parabéns Capitão !!!

O Benfica-Arsenal da Eusébio Cup começou mesmo agora, mas hoje 6 de Agosto, é o aniversário do nosso grande e eterno Capitão, Mário Coluna, são 76 primaveras...!!!








Obrigação cumprida

Portugal 1 - 0 Nova Zelândia


De novo Mika a 'fechar' a baliza e o Nelson a procurar o golo, desta vez com uma assistência para o nosso 'ex', Mário Rui!!!

Uma 2ª parte muito pobrezinha, contra uma equipa muito inferior.

Parece que vamos jogar com o México nos Oitavos, outra equipa que tem jogado muito pouco, apesar de estar referenciada como repleta de 'estrelas', com as lesões a acumularem-se na equipa Portuguesa, o difícil, pode tornar-se impossível...!!!

Podem ver aqui o resumo.


adenda: Afinal, o nosso adversário não vai ser o México!!! Só esta noite se saberá qual a nossa 'parelha' para os Oitavos, sendo provavelmente a Coreia do Sul ou a Croácia...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Os milhões da treta...

"Imagine-se, por absurdo, obviamente, que um dos principais empresários portugueses comentava uma determinada operação de uma empresa cotada em Bolsa de um dos seus rivais, afirmando que esta tinha envolvido «milhões da treta». Sempre atenta ao Mundo, a Comissão de Mercados de Valores Mobiliários (CMVM), decidia, dentro dos direitos que detém, pedir explicações adicionais sobre a operação a esse empresário, ao arrepio, até, do que vinha sendo a sua prática corrente em casos semelhantes com outras entidades.

Perante este cenário, que colocava numa posição no mínimo ingrata perante a opinião pública, este fornecia à CMVM - que entretanto suspendera as acções da empresa visada - todas as informações requeridas sobre a tal operação. Verificados os dados, a CMVM concluía que nada de anormal se passara e levantava a suspensão sobre as acções. Porém, os danos provocados à imagem da empresa visada eram já irreversíveis. O que faria a CMVM num caso destes?

Como agiria a CMVM relativamente a quem levantara a infundada suspeição se os nomes em causa fossem os de Américo Amorim, Belmiro de Azevedo ou Soares dos Santos?

Os termos em que Pinto da Costa, no Porto Canal . no primeiro dia em que este operador passou a estar na órbita portista - se referiu à transferência de Roberto para o Saragoça, afirmando que se tratava de «milhões da treta» merecerá alguma acção da CMVM? Porque o que aconteceu foi que o presidente da SAD do FC Porto, empresa cotada em Bolsa, lançou forte suspeição, não sustentada, como se viu, sobre uma operação da SAD do Benfica, também cotada em Bolsa. A tudo isto, o que terá o regulador a dizer? A palavra à CMVM..."


José Manuel Delgado, in A Bola

O melhor arranque de sempre

"Caros Benfiquistas:
Cá estamos nós na melhor parte de um época futebolística: o arranque. Tudo parece possível! Os jogadores que ficaram vão render mais, os que foram embora não vão fazer falta e os novos podem ser grandes craques. E é assim todos os anos, por muitos Pringles, Rojas ou Jorge Soares que por cá passem. Claro que o nosso enorme e sofredor coração ficou partido com a partida do nosso querido Fabinho para Madrid - este não é, decisivamente, um bom momento para a esquerda em Portugal, Sócrates e Louça que o digam -, mas fica um pequeno consolo: os 'espanhardos' nunca conseguirão pronunciar correctamente o nome do oxigenado das Caxinas, irão ter de resignar-se com 'Coentrallo' ou algo assim, por isso 'Coentrão' só mesmo nós. Já para não falar dos 30 milhões . outro bom consolo.
O que mais parece preocupar quem acompanha a nossa pré-época é o número de jogadores que integra o plantel, que será o suficiente para fazer três equipas. Se calhar até nem seria mau o Benfica poder inscrever mais duas equipas na 1.ª Liga, ao menos aí poderia falar-se realmente de 'três grandes'. Mas não, não se preocupe a concorrência, não queremos tirar o lugar a nenhuma outra agremiação desportiva, por reduzida que seja a sua expressão em termos de adeptos. É fácil para nós percebermos a reacção que lhes causa ver tanta gente num plantel. É mais ou menos o mesmo que lhes acontece quando veem o número de pessoas que enche as bancadas em qualquer estádio em que o 'glorioso' jogue, em qualquer país que seja - faz-lhe confusão.
Também para as publicações desportivas esta altura da época é entusiasmante. Tanto que as coisas, para eles, parecem acontecer mais devagar. Entre o anúncio de interesse do clube num jogador e a efectivação do mesmo passam-se incontáveis etapas, como se tivéssemos regressado à altura dos Descobrimentos e os jogadores de futebol viajassem para Portugal numa caravela: 'Benfica interessado em jogador X'; Pai diz que Benfica era o sonho do filho', dia seguinte; dois dias depois, 'Ele vem aí'; mais uns dias, 'Jogador confessa: foi a melhor coisa que me aconteceu'; 'Ele está a vir', já no final da semana; 'Está quase a chegar', tanto tempo depois que já ninguém se lembrava; sendo que isto se pode arrastar durante toda a pré-época e mesmo nem se concretizar, não interessa, o jornal foi impresso e vendido, isso é o que interessa. E ninguém faça contas ao número de atletas que os desportivos inscrevem no Benfica. Nem o Strauss-Khan descalçava esta bota.
Resumindo, benfiquistas, vamos a isso! Vamos apoiar a nossa equipa desde o início, esperar que este ano seja de vitórias, que consigamos ganhar o maior número de provas possível. E se nada disto acontecer, que o nosso querido JJ nos dê outro tipo de alegrias. Por exemplo, cultivar uma grandessíssima bigodaça! Já imaginaram? O JJ com um bucetão do género Artur Jorge (pré-lobotomia), daqueles que puxam os pelos do nariz até ao queixo? Preferia isso a ganhar a Champions!
Abraço a todos!"

Francisco Menezes, in Mística

FC Porto desatento com Witsel

"O Benfica cumpriu frente aos turcos a sua obrigação, e com relativa facilidade passou um adversário que sendo inferior continha perigos.

O sorteio de hoje pode ditar a tarefa mais difícil. Evitar Rubin Kazan a todo o custo, dificuldades grandes com Udinese e Twente preferindo pois Zurique ou Odense que nos colocam «quase» na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Axel Witsel foi agradável novidade. Recebi até um SMS de um amigo que não percebia como é que o FC Porto perdeu este talento para o Benfica. Desatentos os portistas, para mais porque este não precisava de ficar 180 dias em vinha de alho antes de vir.

Mais um jogo em que Aimar mostrou que velhos são os comentadores que não vêem o que ele joga e corre.

Vi as derrotas de Sporting e FC Porto do último fim-de-semana. São diferentes. O Sporting mostrou o quanto ainda tem que melhorar para chegar à frente, vê-se que Domingos está menos eufórico que os adeptos porque é mais realista. Já o FC Porto perdeu mas mostrou muita qualidade, muita agressividade e irá começar a época oficial num nível forte e preocupante para os adversários.

O Benfica não poderá repetir um início de campeonato intermitente sob pena de já não haver tempo de lutar pelo êxito. Este ano tem que ser desde início à Benfica. Gerir a qualidade é mais fácil do que as fragilidades mas será importante estabilizar uma equipa com a ideia de Jorge Jesus assimilada.

Tenho visto com agrado Rodrigo no campeonato do mundo de sub-20, não tenho dúvidas que está ali muito talento e um enorme potencial, não queiramos fazer dele aquilo que ainda não é, porque com tempo estará ali um grande avançado.

Amanhã vale a pena ir ver Robin Van Persie e homenagear Eusébio, porque há coisas que quem gosta de futebol não pode deixar de fazer. O futebol é mais bonito porque houve um Eusébio e porque há um Van Persie."


Sílvio Cervan, in A Bola

FC Twente







Não vai ser fácil, mas temos equipa para eles. Estão num nível parecido com o PSV, portanto ao nosso alcance... Rápidos, altos, dão porrada, jogam directo, o Bryan Ruiz é o melhor jogador, mas o Janko, e o Landzaat também são bons. Ainda joga lá o Rosales, e o Mihaylov... Será também o reencontro com o Co Adriaanse, que substituiu o 'nosso' Preud'Homme!!!




Estamos a 180 minutos da Champions, prestigio e dinheiro... mas recordo que neste momento, o pior que nos pode acontecer é jogar a Liga Europa, que financeiramente é pior, dá menos 'pica', mas desportivamente é mais realista, há dois anos a embalagem Europeia que tivemos nos jogos da Liga Europa foi importante para o título, e a embalagem negativa dos resultados na Champions o ano passado, foi também importante na falta de crença da equipa e principalmente dos adeptos...


Dito isto, vamos à Champions!!!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A fruta da época, a época da fruta e a fruta da treta

"GUARDA-REDES que valem milhões são a fruta da época no futebol mundial. De Petr Cech e Manuel Neur, passando pelo lastimável Roberto Jimenez que, ao contrário dos seus colegas de Londres e Munique, não conseguiu justificar em campo os valores milionários da sua transferência para o Benfica.

E, montado que já está o circo em Saragoça, Roberto Jimenez dificilmente encontrará serenidade neste seu regresso a Espanha para poder reclamar para si a honra de ter sido um dos guarda-redes pioneiros daquele momento histórico do futebol em que os guarda-redes passaram a valer fortunas inimagináveis poucos anos atrás.

Não é novidade para ninguém, nem para os mais ingénuos, que o futebol, por mexer com muitos milhões, encerra em si zonas obscuras, marginalidades suspeitas e índices criminais que, por exemplo na Europa, já motivaram renhidas investidas e investigações das autoridades judiciais em países como a Turquia, no extremo oriental do continente, ou como a Itália, uma vasta península em forma de bota situada praticamente no meio do continente europeu.

Por uns motivos ou por outros, a verdade é que as suspeitas de ilícitos no futebol já varreram a Europa de uma ponta à outra e sabe-se lá o que é ainda ficou por varrer.

Ainda bem recentemente a FIFA alertou as Federações suas filiadas para uma nova ameaça potencial trafulhice que paira sobre o futebol em todo o mundo: o negócio das apostas, o mais moderno pasto para a manipulação de resultados.

É esta, segundo Joseph Blatter, a fruta da época em termos de criminalidade no futebol e sabendo-se que o mundo está sempre em movimento não é de admirar que cada tipo de crime tenha a sua época e que a cada fruta da época se suceda a época da fruta e por aí fora... chama-se a isto progresso.

A grande questão das duas transferências de Roberto Jimenez no espaço de um ano - do Atlético de Madrid para o Benfica e do Benfica para o Saragoça - nem são sequer os elevados valores envolvidos. A questão é o valor do próprio Roberto.

O presidente do Benfica, piedosamente, declarou depois de consumado o negócio com o Saragoça que «dentro de pouco tempo Roberto será uma referência mundial no seu posto». Vieira sabe bem que na sua fugaz passagem pela Luz, o infeliz Roberto foi uma treta na baliza dos ex-campeões nacionais. Azar nosso? Azar dele, Roberto?

Para tranquilidade de seis milhões de portugueses, ontem a CMVM levantou o embargo à negociação dsa acções do clube «por terem cessado os motivos que justificaram a suspensão». Ora aqui está uma excelente notícia, finalmente.

A CMVM, queremos acreditar é uma entidade acima de qualquer suspeita que lida com o futebol sem olhar a facciosismos clubistas.

A CMVM olha para números e para a fiabilidade de operações financeiras. E sabe, com certeza distinguir, a fruta da época da época fruta e da fruta da treta.




COM o devido respeito, mas o Benfica, não raras vezes, parece sofrer de um síndrome de compreensão lenta que muito o tem prejudicado de alto a baixo.

Aprecie-se o caso recentemente protagonizado por Maxi Pereira. Foi preciso que o uruguaio, ao serviço da sua equipa nacional, se sagrasse campeão sul-americano num domingo, em Buenos Aires, e comparecesse logo na quarta-feira seguinte em Lisboa, disponível para jogar o primeiro embate com o Trabzonspor, para que, de um modo geral mas efusivamente reflectido na imprensa que Maxi Pereira não só é um jogador de características excepcionais como, muito principalmente, é um profissional do mais alto quilate.

É a isto que se chama compreensão lenta. Maxi vai cumprir a sua quarta época na Luz e nunca nos falhou em momento algum. Mas só agora, num repente de sanidade mental, é que se descobriu a importância de Maxi na equipa e o valor inquestionável do seu brio profissional?

Bem sabemos que, em Portugal, as homenagens são sempre contra alguém. E, por isso mesmo, não é difícil entender que este coro de elogios a Maxi, pela sua disponibilidade e empenho, não é mais do que um remoque dirigido a Luisão que passou a Copa América a fazer gato-sapato das intenções do Benfica.

Estas homenagens a Maxi Pereira são, no entanto, altamente preocupantes porque vão ao ponto de produzir uma catadupa de notícias focando a iminente renovação do contrato do jogador livre, a partir de Janeiro, para assinar com quem muito bem entender.

Nestes casos, o histórico recente do Benfica faz-nos temer o pior. Sobretudo quando duram meses e meses as renovações iminentes e os respectivos espalhafatos na imprensa.

Seria lamentável que a proverbial compreensão lenta da casa encontrasse em Maxi Pereira mais pasto para engalanar o seu sombrio currículo de distracções.




CARLOS QUEIROZ é o actual seleccionador do Irão e comentou, na sua qualidade de patriota português, o sorteio de qualificação para o próximo Mundial, no Brasil. Disse o professor que «Portugal tem a obrigação de se qualificar». Bom, obrigação, obrigação, não terá. Mas tem, isso sim, o dever.

Um Campeonato no Mundo de futebol no Brasil sem Portugal seria motivo para mais uma tonelada de anedotas tropicais sobre a inabilidade lusa para jogar à bola. Em 1966, no Mundial de Inglaterra, quando Portugal e Brasil calharam no mesmo grupo, a imprensa brasileira encarou o facto com grande tranquilidade porque os portugueses jogavam «com a bola quadrada».

Quando Eusébio e companhia despacharam a equipa de Pelé da competição, do outro lado do Atlântico até se falou da «vingança da bola quadrada» como pobre justificação para o desaire dos campeões do mundo frente aos irmãos portugueses.

A reputação actual do futebol português é bem diferente para melhor do que era em 1966. As qualificações para os Mundiais e Europeus sucedem-se com naturalidade, o que não acontecia anteriormente.

Nos tempos correntes, o mais perto que estivemos da anedota e da malfadada bola quadrada foi no apuramento para o Mundial de 2010 em que a selecção de Carlos Queiroz se viu aflitinha e foi obrigada a disputar a vaga com a Bósnia-Herzegovina em dois jogos de grande tensão e sofrimento.

Mas lá conseguimos cumprir, à rasquinha, a nossa obrigação.




UM Benfica mais maduro do que seria de esperar, porque arrancou com novidades e juventude para a época oficial, saiu-se muito airosamente dos dois jogos com os turcos do Trabzonspor. Foi pena o empate porque a vitória seria mais do que merecida.

Nolito voltou a marcar. É um jogador que, felizmente, não precisou de tempo de adaptação para desatar a marcar golos assim que chegou. Caitán fez um jogo engraçado. Teve uma meia-dúzia de situações de golo e tentou sempre marcar com nota artística. Jesus não deve ter gostado de tanto desperdício. E os observadores do Manchester United, terão gostado?"


Leonor Pinhão, in A Bola

Futsal



Depois de uma frustrante época, espera-se uma forte reacção esta temporada. A Supertaça terá um importante papel em 'desbloquear' o aparente bloqueio mental, que afectou a equipa, na parte final da época, nos confrontos directos com os Lagartos... Durante a época anterior, a excessiva dependência do Joel na finalização acabou por ser prejudicial, com a contratação do Dentinho, e com um César sem lesões, parece que temos mais opções para concretizar... A saída do Costinha não foi compensada com a contratação de um jogador parecido, espero que não se vá sentir a ausência do nosso ex-capitão... Com a entrada do Marcão não vai ser fácil a gestão dos guarda-redes... A 'falada' mas não concretizada aquisição do miúdo do Freixieiro, na minha opinião seria bastante positiva...
O Campeonato, provavelmente vai ser o mais desequilibrado dos últimos anos, a diferença do Benfica e do Sporting, para os outros é cada vez maior, portanto vai ser uma longa época, que vai ser decidida em Junho, nos últimos jogos da época!!! Por mais irritante, intragável, mal-educado... que seja o treinador dos Lagartos, a verdade é que eles têm dinheiro, e estão bastante activos no mercado (só têm duas modalidades de Pavilhão: Futsal, Andebol), as épocas onde o Benfica ganhava por larga margem, acabaram. Os planteis dos dois clubes são equilibrados e os jogos vão ser decididos nos pormenores. Por tudo isso o apoio incondicional que esta equipa tem tido por parte dos adeptos desde da criação da secção, é ainda mais importante na época que agora começa...!!!
GR: Bebé, Vitor Hugo, Marcão
Defesas/Médios: Davi, Gonçalo, Diego Sol
Alas: Arnaldo (cap), Diece, Marinho, Bruno Coelho, Teka
Avançados: Joel, César, Dentinho, Anilton

Ser capitão

"Ser capitão de equipa já não é p que era. Tal qual a tradição. Adequou-se a um regime rotativista e fugaz. A ânsia monárquica de Dona Luísa de Gusmão de que mais vale ser rainha uma hora do que duquesa toda a vida, chegou ao futebol na versão masculina: mais vale ser capitão meia parte de um jogo do que um igual aos outros toda a carreira.

Há capitães para todos os gostos. Umas vezes, meramente etários, cronológicos ou quantitativos: ser o mais velho, o mais antigo no clube, o mais internacional (de onde?). Outras vezes em função do vedetismo, das camisolas vendidas ou de outro folclórico critério. Por fim, ligados a aspectos menos objectivos, mas mais apreciados: a experiência, a capacidade de liderança, a rectidão profissional, o amor à camisola (ainda há?).

O processo de escolha também é variável: designado pelo presidente, treinador ou director, eleito entre os pares, uma mistura de ambos, ou até por sorteio.

Com o fluxo constante de entradas e saídas, dificilmente há tempo para um capitão o ser de facto. A isto acrescem as substituições, que conduziram a uma curiosa hierarquia de capitães: o propriamente dito (que às vezes não joga), o vice-capitão e o vice-capitão do vice-capitão. Com a curiosidade de, às vezes, capitães e vices não se entenderem na mesma língua.

Ora ser capitão não deveria ser um título honorífico, curricular ou circunstancial. Até para não desvalorizar a função. A estabilidade de um capitão numa equipa é importante para a disciplina, a coesão, a prevenção de problemas e a construção de um espírito sólido de balneário. Para representar os jogadores dentro e fora do campo. Com a naturalidade de um líder. Com a autoridade de exemplo."


Bagão Félix, in A Bola

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Desperdício, saboroso!!!



Trabzonspor 1 - 1 Benfica



Podíamos e devíamos ter goleado esta noite, tantos foram os golos desperdiçados, mas mesmo assim estamos nos Play-off's da Champions...

Jesus demonstrou alguma flexibilidade táctica, o que se saúda e confirma a existência de mais opções no plantel deste ano...

Mais uma arbitragem desastrada... deve ser do vermelho... é só marrar!!!




Para o sorteio de Sexta aqui fica a lista ordenada por preferência pessoal, começando no meu preferido (eliminaram o Panathinaikos, é verdade, mas o treinador é o Juju!!!) :







Maxi Pereira e Cantinflas

"«Um profissional nota 10: dois pontos de esforço, três pontos de talento e cinco pontos de carácter», disse Roland Barthes, sobre a excelência e a ética do mérito.

Vem isto a propósito de Maxi Pereira. E do confronto da sua atitude profissional com colegas que só se acham com direitos acrescidos e deveres abreviados.

Gosto de jogadores como Maxi. Que nem são calculistas no esforço, nem interesseiros na dedicação. Que se revelam integralmente no trabalho e não no encantamento ilusório da social notoriedade. Que não se deixam abater por um qualquer erro inerente ao trabalho, mas que se sabem superar perante a diversidade. Que têm tanto de generoso como de solidário. Que não se consomem em lamurias ocasionais.

Recordo-me que Maxi Pereira chegou ao Benfica como figura secundária, ao lado de C. Rodriguez. Sem alardes, com dedicação, suor e luta, sem tiques de vedetismo e até sem boa imprensa, soube subir a montanha e ser hoje um jogador imprescindível. Pelo exemplo, pela fibra do carácter, pelo rigor do profissionalismo.

Maxi Pereira tem semelhanças físicas com o inesquecível Mário Moreno, mais conhecido por um humano, sensível e divertido Cantinflas. Lembro-me de uma das suas frases num dos filmes que protagonizou e que aqui transcrevo, substituindo o verbo que ele usou (amar) pelo verbo que poderia unir Cantinflas e Maxi Pereira (trabalhar): «Eu trabalho, tu trabalhas, ele trabalha, nós trabalhamos, vós trabalheis, eles trabalham. Oxalá isto não fosse uma conjugação, mas uma realidade!».

PS - Notável a operação Roberto que, com Coentrão, iguala a venda do BPN pelo Estado!"


Bagão Félix, in A Bola

A finta como vocação

"(José Augusto)
Bicampeão europeu pelo Benfica, é no entanto eternizado pela magia do seu jogo. Pé direito na bola, olhos sobre si e respeito nos corações de todos.



Diz quem viu ao vivo que não esquece. O 'Garrincha Português', como um jornalista francês um dia se atreveu a compará-lo, era algo mais na constelação de estrelas do grande Benfica dos anos 60. Leve como o vento, radiante como a Natureza, perfeito como um relógio suíço. José Augusto, rápido, tecnicista, imprevisível, inteligente, um jogador que nos dias de hoje teria uma cláusula de rescisão acima do sequer imaginável. Era pura arte e o Benfica teve-o na sua equipa de sonho dos anos 60.

Pura magia
Do Barreiro veio. Em Lisboa ficou. Até que um dia o mundo parou só para o ver jogar. Se na área José Águas reinava, se Coluna era a coluna vertebral, se Simões desnorteava com a canhota, se Eusébio era a 'pantera' quase acima do humanamente imaginável e se Germano era um monstro na defesa... José Augusto era a arte à flor da relva. Ali, à direita, estava o seu mundo feito de relva, pronto a ser pisado delicadamente pelo mestre da finta. Defesa que se atrevesse a olhá-lo nos olhos arriscava-se à humilhação, tal o talento com que Augusto tratava a redondinha. A par de Coluna e de Cruz, foi o único benfiquista a jogar cinco finais da Taça dos Campeões Europeus. E nem as derrotas em três delas mancham o trilho de uma aventura de sucesso. Não é para todos, não senhor. Mas José Augusto era puro talento, pura magia numa equipa de sonho. Ninguém os esquece, ninguém o esquece.

Números
E depois, claro, os números. Onze épocas no Benfica (ele que começou no Barreirense), 369 jogos, 174 golos, oito campeonatos nacionais, três Taças de Portugal e as tais duas Taças dos Campeões Europeus. Em 45 jogos vestiu a camisola das Quinas. Três vezes marcou no Mundial de 1066. O trajecto, todos o sabem, foi também aí radioso. Mais tarde veio a treinar o Benfica, em 1969/1979, e até conquistou uma Taça de Portugal. Mas o mais importante já estava feito. Sempre que a bola lhe chegava ao pé direito. Isso, sim, eterniza-o. Sorte de quem o viu a partir da bancada. Como era doce o seu talento à flor da relva. Diz quem viu... não esquece. E é impossível esquecer, não só pelo talento como também pelas imensas conquistas que viveu de águia ao peito, assim como pela forma de estar. Exemplo dentro e fora de campo, José Augusto foi um jogador de fino corte com a bola nos pés, mas também um digno representante do clube. E já depois de abandonar os relvados o continuou a ser. Ainda hoje é um fiel seguidor do Benfica, envolvendo-se na vida do clube e não deixando de apoiar o emblema sempre que os sucessores entram em campo. A simpatia, essa, está sempre presente. Mais do que o genial, foi e é um exemplo."

Ricardo Soares, in Mística

Vitória (finalmente!!!)







Com Mika a 'segurar' a vantagem (mais uma grande defesa), conseguida pelo nosso Nelson, a equipa nacional venceu um jogo oficial, algo muito raro para esta equipa, especialista em empates!!! Podem ver o resumo aqui.

Creio que com estes 3 pontos, Portugal garante matematicamente a passagem à próxima ronda, já que 4 dos melhores 3º lugares, dos 6 grupos, também se qualificam. Ainda por cima o último jogo da fase de grupos é com a equipa claramente mais fraca. Que por acaso até tem dois empates, jogando sempre muito 'fechadinhos' lá atrás...

Não vi o jogo todo, mas a equipa nacional continua sem me convencer, nos últimos minutos mesmo a jogar com um jogador a mais, nunca conseguimos controlar o jogo... Esta geração é certamente a mais qualificada fisicamente que algum vez representou Portugal neste escalão, mas falta criatividade ofensiva, jogamos praticamente com 3 trincos, e depois faltam jogadores que consigam desequilibrar, o Nelson joga muito isolado...

O Roberto foi vendido?

Roberto

O Roberto foi vendido. Também tenho as minhas teorias sobre as condições do negócio, mas prefiro não as discutir publicamente. Desejo, e tenho a certeza que o Roberto vai ter uma carreira com sucesso em Espanha.

O Roberto em Portugal foi alvo de uma campanha 'assassina', nunca antes vista: o preço que custou ao Benfica, o facto de ser guarda-redes do Benfica, o facto de ser estrangeiro especialmente Espanhol (sim, alguns ataques podem-se enquadram na categoria de: xenofobia!!!) e os erros no início da época, contribuíram para os constantes ataques pessoais, por parte dos nossos inimigos, dos jornaleiros avençados e por muitos benfiquistas... curiosamente a venda, ontem anunciada, não acabou com o 'gozo', ainda ontem na TVI24 uma jornaleira aziada vomitou graçolas sem graça nenhuma, com a colaboração dos convidados... Os expert's de algibeira 'redescobriram' uma época: onde Roberto terá dado 'frangos' em todos jogos, esquecendo convenientemente excelentes exibições, em vários jogos, inclusive durante a longa invencibilidade Benfiquista de Dezembro a Março, além dos jogos em Lyon, em Estugarda, em Paris...!!!

Até a CMVM veio pedir explicações... não deixa de ser curioso!!! Quando o clube condenado por Corrupção compra miúdos (que nem sequer são titulares das suas equipas) acima das suas cláusulas de rescisão (em alguns casos mais do que o dobro!!!), usando paraísos fiscais, quando aparecem notícias de pagamentos de prémios de assinatura aos jogadores e empresários, nessas situações para a CMVM, está tudo explicado...!!!

Andebol

Novo começo na secção de Andebol do Benfica. O Carmo, e o Grilo são dois excelentes reforços(estou curioso para observar a evolução do Kuybida), tornando o plantel mais equilibrado, e com pelo menos dois jogadores válidos para cada posição. Mas a principal mudança foi o treinador, o Jorge Rito em Braga, com orçamentos reduzidos, e com muita juventude da 'cantera' fez milagres, mas os desafios no Benfica são diferentes...

O problema desta equipa nas últimas épocas foi a inconsistência, alternando o muito bom, com o muito mau, este será o principal desafio para o início desta temporada... A doença do Rui Silva e a lesão do Zaikin também condicionaram (muito) a última época, também se espera uma época mais 'tranquila' neste campo...
Os objectivos passam por ganhar todas as competições Nacionais, na Europa, apesar do bom resultado do ano passado, este ano, na Taça das Taças, honestamente, as nossas hipóteses são mínimas... eliminar equipas Espanholas, Alemãs, ou mesmo Francesas é quase impossível!!!
GR: João Ferreirinho, Ricardo Candeias

PD: David Tavares, António Areia


Central: Carlos Carneiro, Nuno Roque

Pivot: Rui Silva, José Costa, João Pinto

LE: Zaikin, Nuno Grilo, João Lopes, Kuybida, Peneda

PE: Pedro Graça, João Pais



segunda-feira, 1 de agosto de 2011

domingo, 31 de julho de 2011

A grande surpresa do incrível Shrek

"Quando, num gesto infantilóide dos que lhe são frequentes, o ogre verde desatou a bater palminhas ao árbitro e viu, logo aí, o cartão vermelho, percebeu que aquele não era um dos que se lambuzam com jantares de marisco lá para os lados de Matosinhos com dirigentes castigados por tentativa de corrupção. Foi, para o incrível Shrek, uma grande surpresa. Uma enorme surpresa.

Afinal, fora-lhe ensinado que podia fazer tudo o que lhe desse na real gana. Destruir a pontapé túneis de acesso a relvados, fazer num bolo a cara de qualquer steward que cruzasse o seu caminho, assinar no fim de uma época o extraordinário recorde de 10 golos marcados de penálti mesmo que para aí nove deles não tenham passado de um gesto generoso da classe que continua a passear-se de cócoras sem um pingo de decência para amostra.

O pequenino cérebro do incrível Shrek (e toda a gente que viu o filme sabe que até o burro é mais esperto) não conseguiu absorver tamanho atrevimento por parte do senhor que lhe erguia, voluntariosamente, um cartão vermelho no topo do braço levantado aos céus. Há coisas que não fazem parte da sua vida, e não voltarão a fazer. De regresso ao país que o mar não quer, como dizia Ruy Belo, tudo volta a estar no seu lugar. Ou seja: de cócoras. O incrível Shrek não terá novas surpresas. Pode atirar-se para cima dos adversários que ficará seguro do penáltizinho maroto. Pode bater palminhas e agredir inocentes no exercício da sua profissão que não levará mais do que um ou dois jogos de castigo, criteriosamente escolhidos por D. Palhaço. Umas doses reforçadas de marisco de bocas borradas de bâton no quarto de hotel, um cafézinho lá pela meia noite num subúrbio sinistro da capital da província com envelopes à mistura, e eis o incrível Shrek outra vez à solta na sua Disneylândia de pacotilha. O Futebol em Portugal, às vezes, parece um desenho animado. Sem graça."


Afonso de Melo, in O Benfica

Objectivamente (TV)

"A nova época está aí e andam todos profundamente intrigados em ver como é que o Benfica se vai organizar e recuperar da forte desilusão que a última temporada futebolística lhe trouxe.

No entanto, ninguém destaca aquela que é a grande notícia da actualidade: a provável venda de direitos televisivos a um novo canal pela «módica» quantia de 40 milhões de euros por época para a transmissão de jogos do Sport Lisboa e Benfica!

Para um Clube que tantas críticas ouviu nos últimos tempos, não está nada mau um negócio destes que permitirá resolver o seu problema financeiro a curto prazo!

Cansado de muitas vezes ver desvalorizado o seu complexo trabalho de líder à frente do Benfica, Luís Filipe Vieira mantém o silêncio necessário à realização de importantes negócios para o Clube, mas nunca é demais realçar o trabalho excepcional do presidente naquilo que é essencial para o SL Benfica: Salvá-lo das agruras financeiras que a crise pode provocar e dar-lhe um futuro digno da grandeza que o envolve! Enquanto muitas vozes através da Imprensa fazem grandes roteiros de viagem para LVF à procura de jogadores para contratar, o presidente do Benfica estava a tratar do fundamental para o Clube: o seu futuro!

Mas sobre isso pouca gente fala. Estão apenas preocupados porque o Benfica deixou fugir um lateral direito para o rival FCP por 13 milhões de euros! Fosse o Benfica a pagar esse valor por um jovem defesa e teria sido anunciado a descoberta de mais um poço de petróleo na Rua dos Soeiros, mas como a contratação se consumou através do génio do Norte, foi mais uma extraordinária vitória no campeonato das contratações, como se isso fosse o mais importante neste momento.

Veremos, lá para Janeiro (que é quando chega o craque) se os 13 milhões investidos têm justificação ou se foi mais uma birra de menino mimado armado em rico na cadeira do sonho!"


João Diogo, in O Benfica

A importância dos milhões

"Escrevo este texto antes da importante jornada da liga dos campeões frente aos turcos. Para um orçamento ambicioso, e, fundamentalmente, para um orçamento que contemplou mais de uma dezena de jogadores que muito prometem, é imperioso que os milhões da liga milionária engrossem os cofres da luz. O esforço financeiro que o presidente Luís Filipe Vieira fez no actual plantel do Sport Lisboa e Benfica, dotando-o de jogadores de primeira linha, carece de receitas extraordinárias e nada melhor do que a qualificação para a fase de grupos da Liga dos Campeões para equilibrar as nossas finanças. É bom que todos quanto integram a nossa estrutura profissional de futebol estejam imbuídos de um espírito vencedor e, acima de tudo, que todos estejam dispostos a deixar a pele em campo.

Este desígnio estratégico do Sport Lisboa e Benfica não pode deixar de ser alcançado sob pena de podermos hipotecar muita coisa...

Estou confiante que vamos arrancar com o pé direito. Pelo que tenho visto estou certo que estamos muito mais fortes do que no ano transacto e nem mesmo o infeliz episódio Luisão me tira a confiança que irei, no futuro, ouvir mais vezes o hino dessa competição de excelência internacional que é a Liga dos Campeões. Agora é importante que todos juntos, sócios e adeptos, façamos chegar aos nossos atletas a certeza que podem contar com uma massa humana disposta a tudo fazer para os apoiar e incentivar a chegar longe.

Quem ouviu Jorge Jesus na conferência de imprensa, na véspera do jogo, só pode estar confiante. Temos um treinador que sabe bem o que quer, para onde vai e cujo principal objectivo está traçado há muito tempo - a reconquista do Campeonato Nacional. Jorge Jesus já assumiu, publicamente, que o actual plantel tem mais opções que o do ano passado. Resta a todos nós apoiar a equipa."


Luís Lemos, in O Benfica

Campeões Nacionais



Este fim-de-semana realizou-se os Campeonatos de Portugal (individuais) de Atletismo. Os atletas do Benfica, confirmando os bons resultados conseguidos durante a época, sagraram-se Campeões em diversas especialidades:

Marcos Chuva - Salto em Comprimento

Marco Fortes - Lançamento do Peso, Lançamento do Disco

Tiago Aperta - Lançamento do Dardo

Yazaldes Nascimento - 100m, 200m

Nelson Évora - Triplo Salto

Jorge Paula - 400m barreiras

Paulo Gonçalves - Salto em Altura

"Os Empatas" !!!





Portugal 0 - 0 Uruguai



Uma equipa que se qualificou com vários empates, que nos muitos jogos particulares que se seguiram, empatou, quase sempre, nada mais adequado que começar o Mundial com mais um empate!!! Só vi um curto resumo, mesmo assim deu para ver uma excelente defesa do Mika (aparentemente lendo o site do Benfica, ainda não é considerado jogador do Benfica!!!). O Roderick, o Luís Martins e o Nelson Oliveira também foram titulares...

Os nossos ex-jogadores Danilo e Sana foram titulares, enquanto o Mário Rui ficou no banco...

Podem ver aqui o resumo.


adenda: O nosso Rodrigo começou bem, com os dois primeiros golos da Espanha, na vitória por 4-1. Dois golos cheios de ganas...!!! Está aqui o resumo.

O Carole ficou no banco, na derrota da França com a Colômbia... Aquele penalty a favor da equipa da casa... concerteza que James não estranhou!!! (aqui)

Um dos nossos...

Já temos Águia! Teremos equipa?

"1. Estava com algum receio relativamente à estreia da nossa nova águia Vitória antes do jogo de apresentação frente ao Toulouse. Sempre era o seu primeiro voo num estádio com muita gente e bastante agitação, bem diferente dos seus treinos 'à porta fechada'. A Vitória foi dando as suas voltas e, apesar de ver o tratador muito calmo, cheguei a recear um falhanço, face à demora até ela se decidir a 'aterrar' no nosso emblema. Mas acabou por fazê-lo em grande estilo. 'Temos Águia, agora falta termos equipa', disse para os meus companheiros de bancada. Quarta-feira da semana passada, frente ao Toulouse, ainda não tivemos. Espero que frente aos turcos do Trabzonspor (estou a escrever antes), as coisas se tenham passado de forma diferente.


2. Voltámos a ter Águia, mas continuamos a não ter som. Quando o nosso antigo jogador e atleta, Guilherme Espírito Santo, deu o pontapé de saída do Benfica-Toulouse, os meus vizinhos de bancada perguntavam-se quem era aquele senhor. Um sócio muito antigo do Benfica? Tenho a honra de conhecer pessoalmente aquele que, foi dos melhores avançados do Futebol português e, ao mesmo tempo, multi-recordista nacional de saltos em altura, comprimento e triplo e, por isso, pude elucidá-los. Porque aquilo que o locutor diz não se consegue entender. Percebia-se nos primeiros tempos do novo estádio, deixou-se de perceber-se há anos. Até quando?


3. Dia 1: 'Luisão vira costas ao Benfica', titulava um jornal. Dia 2: 'braço de ferro'. Dia 3: chega Luisão, dizendo-se pronto a defrontar a equipa turca no apuramento para a Liga dos Campeões. Dia 4: Luisão treina no Seixal. Dia 5: idem. Dia 6: Luisão joga. Que jogador tenha pensado na posibilidade de se transferir para um campeonato que remunere melhor os jogadores, admito. Mas daí até ter virado costas e feito 'birrinha' ainda vai uma boa distância...


4. Alex Sandro, defesa suplente do veterano Léo, no Santos, custou ao FC Porto 9,5 milhões de euros. Danilo, defesa da selecção Sub-20 do Brasil, que só chegará em Janeiro, custou 13 milhões. Ainda bem que (diz-se) o Benfica perdeu a corrida."


Arons de Carvalho, in O Benfica



PS: No Piso 3 o sistema de som está em melhores condições (já esteve melhor) do que no Piso 0. Ouvi tudo o que foi dito sobre o nosso Espírito Santo. Inexplicavelmente o locutor apresentou a nossa Glória, somente como um antigo sócio do Benfica, aparentemente esqueceu-se do facto, de ser actualmente o mais velho jogador do Benfica ainda entre nós, além das extraordinárias marcas no Atletismo... Esquecimento? Ignorância? Estranho, muito estranho, para não dizer outra coisa...!!!

sábado, 30 de julho de 2011

Histórias

"Macacos de imitação - Só lhes falta inventar um animal que voe, mesmo que não exista, mas que voe, nem que seja em voo simulado, antes dos jogos no respectivo estádio. De resto, os macacos de imitação também vão ter um canal de televisão, para além de todos os outros canais, caneiros, canalículos, regos e irrigadores que fazem parte da claque. E também se apressaram a anunciar que vão construir um museu, quanto mais não seja para albergar a estátua de Agapito Dourado, perdurável dono da bola, grande patrão e maior assalariado da sociedade recreativa. Quanto ao canal, enquanto a imitação sai da fotocopiadora, o original ganha asas que prometem revolucionar as transmissões de Desporto em Portugal.

Mistério - Dentro do campo, e apesar do sistema siciliano, o Benfica bate qualquer adversário. Mas fora das quatro linhas, na contratação de jogadores - sobretudo das promessas que o Benfica descobre e que outros roubam - não há volta a dar-lhe. A questão é que o Benfica não tem poço de petróleo, uma mina de ouro ou um aluvião de diamantes debaixo do relvado da Luz, nem encara os jogadores com matéria de um leilão de gado. Outros não sei como fazem que, sem vender, compram que se fartam. Talvez um dia alguém consiga seguir a pista do dinheiro e desvendar o mistério.

Novela - À volta do internacional brasileiro Luisão foi construída uma novela nas últimas semanas. Dramas, mistério, traição? Qual dos ingredientes vende mais papel de embrulhar patranhas? Quando alguém falou com o atleta, ele desmentiu os 'muitos disparates que têm sido escritos'. Luisão tem contrato até 2013; a sair será quando e se o Benfica quiser. Moral da história: há gente com muitas histórias mas sem qualquer espécie de moral."


João Paulo Guerra, in O Benfica

A tempo e horas

"Em texto que aqui escrevi há algumas semanas atrás, referi a importância do Benfica fechar o plantel em tempo útil, lembrando épocas anteriores em que as indefinições entraram por Agosto dentro, com consequências negativas no desempenho colectivo da equipa ao longo dos primeiros meses de competição.

Não sei, no momento em que escrevo, o que se terá passado no jogo com o Trabzonspor. Esta eliminatória europeia surge numa fase precoce da época, e admito que fosse complicado fechar o plantel em meados de Julho, a tempo de a preparar convenientemente. Acredito que os jogadores já integrados no grupo (designadamente no fustigado sector defensivo) tenham sido suficientes para lograr um resultado que permita encarar a 2.ª mão com fundado optimismo. Pelo menos, é essa a minha expectativa.

Mas em termos de Campeonato - que se inicia a 14 de Agosto -, o Benfica 2011-2012, superando algumas dificuldades incontornáveis (como, por exemplo, a Copa América, que nos retirou três quartos da linha defesa presumivelmente titular), parece estar em condições de evitar as tais indefinições que tanto o penalizaram no passado recente. As contratações de Eduardo, Garay, Capdevila e Emerson, e a manutenção de Maxi Pereira e Luisão, resolvem o problema defensivo que tanta tinta fez correr nesta pré-temporada. No meio-campo, a única dificuldade será escolher entre tantas e tão valiosas opções. E embora a contratação de mais um ponta-de-lança alto e robusto (que constituísse alternativa a Cardozo) talvez não fosse má ideia, as opções de ataque que o plantel já apresenta dão o Jorge Jesus sólidas garantias de eficácia. Se não aparecer nenhuma oportunidade de negócio capaz de valorizar ainda mais o plantel, creio que, mais empréstimo, menos empréstimo, o mesmo se poderá considerar praticamente encerrado, ainda antes de atingirmos o final do mês de Julho. Se bem me lembro, foi precisamente isso que aqui pedi, recordando também que, na última década, sempre que tal sucedeu, o título não nos escapou."


Luís Fialho, in O Benfica

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Faça inversão de marcha

"«Aproveitem a vida e ajudem-se uns aos outros, apreciem cada momento, agradeçam», as palavras são do actor António Feio, falecido a 29 de Julho de 2010, faz hoje precisamente um ano. Se não vos tocou na altura, se não a viram, se por acaso nem se aperceberam da sua existência, posso garantir-vos que a mensagem do actor, a propósito do filme 'Contraluz», de Fernando Fragata, é por si só uma inspiração, tão poderosa que se torna difícil de qualificar. Arrebatadoramente urgente, diria eu. Falou para todos aqueles que teimam em não dar importância ao que lhes é oferecido, ao que lhes é colocado à frente, aos dispor. António Feio falava durante uns curtos 42 segundos, antes de se iniciar o trailer que tem Joaquim Almeida como protagonista. Em menos de um minuto, AF alertou para o que realmente importa, «aproveitem», »ajudem-se», «apreciam» e «agradeçam». Em menos de um minuto foi quase tudo expresso e tornado evidente. O que ficou de fora não é inspirador, verdade seja dita. Evoco hoje António Feio, um grande benfiquista, por considerar a homenagem justa, simples mas oportuna. Acima de qualquer outra razão, evoco o comentário em Contraluz como chamada de atenção aos sócios e adeptos, a todos quantos amam o Benfica e se emocionam com a grandeza deste Clube. Temos um bem precioso, aqui, à nossa frente, ao dispor, temo-lo erguido por nós e mantido com o nosso contributo. É um bem precioso, que nos presenteia, que nos enche de alegria e esperança, que nos faz vibrar e regressar dia após dia, semana após semana, ano após ano. Aproveitemo-lo. Se o leitor não entende isto está no caminho errado. Acorde, oiça o GPS: faça inversão de marcha, está na rota errada para o seu destino... faça inversão de marcha, está na rota errada para o seu destino."


Ricardo Palacin, in O Benfica


Mais dano que várias cruzadas

"Estes otomanos curiosos que festejam o minuto 61 como se de um título se tratasse são disciplinados e perigosos. Mas depois do minuto 61 apenas levaram para se lembrar aquele passe poético em que Aimar isola Nolito e um golo do outro mundo de Gaitán que causou mais dano a estes infiéis que várias cruzadas juntas.

O Benfica fez um óptimo resultado e parte como favorita para a segunda eliminatória, mas ao contrário daquilo que muitos adeptos defendiam, Jesus esteve bem ao tirar pressão ao jogo. Ao colocar a eliminatória com apostas de 50 por cento para cada lado, o treinador manteve a exigência e responsabilidade mas baixou a ansiedade e nervosismo que outra abordagem poderia trazer. Esteve bem, antes e durante o jogo, as substituições foram certeiras, algumas até as faria uns minutos antes na minha condição de 'treinador de bancada'. Um desabafo insolente de quem olhava o banco de suplentes deste jogo; ir ao banco buscar Maxi, Nolito e Witsel não é a mesma coisa que recorrer a Weldon, Filipe Menezes ou Kardec. Este plantel é muito melhor, tem muito mais soluções e com tempo e confiança a equipa também o será.

Na Luz pairava um receio infundado, neste momento o mais decisivo é conseguir pôr os jogadores em níveis físicos bons. O modelo de jogo que Jesus impõe funciona muito bem quando há essa disponibilidade e fica muito exposto quando a equipa está cansada. Para nosso bem, também os turcos estão em pré-época.

Mas se a diesel já jogamos de forma razoável e positiva, esperem para ver a equipa a carburar com gasolina 98 octanas.

Particular alegria por ver novamente Rúben Amorim a jogar com a nossa camisola, recuperá-lo é uma grande contratação.

Lição de profissionalismo aquela que Maxi Pereira nos deu, ganhou a Copa América, foi ver os filhos recém-nascidos e regressou para jogar.

Alguns jogadores são vedetas outros são heróis. Maxi é herói."


Sílvio Cervan, in A Bola

Considerações (o início...)

"Escrevo esta crónica sem saber o resultado do jogo da pré-eliminatória europeia e também sem saber qual o plantel que Jorge Jesus escolheu para a época que começou.

Espero que tudo tenha corrido pelo melhor, quer para o plantel definitivo, quer para a competição europeia.

Durante o Apito Dourado os árbitros resolveram os campeonatos que eles conquistaram. Tudo começou, de forma arcaica, em 1979. Manuel Vicente, árbitro da A.F.V. Real, arbitrou-nos nas Antas e a três jornadas do fim. o célebre árbitro era compadre de Pedroto. Estivemos a ganhar 1-0, até aos 83 minutos de jogo. Fomos empurrados para dentro da baliza por aquele senhor. Eram faltas atrás de faltas, livres atrás de livres, tinham-nos expulsado o Bento para não jogar aquele que seria o jogo do título. Tanto fomos empurrados que Ademir, de ressaca, fez um golo feliz. Após 19 anos de jejum iria começar aquilo que depois de tornaria habitual.

Mas mesmo com influência nos homens do Apito, eles vão-se refinando e começam a encontrar outras formas de ganhar o título. Escolhem os parceiros. Com esses parceiros escolhidos, os pontos são logo contabilizados nos jogos fora e em casa. E, com esses mesmos parceiros, nós somos obrigados a ganhar, para não perder-mos terreno. O que nem sempre acontece.

Já fiz as minhas contas para a próxima época. Eles entram em campo com um super avit de 42 pontos. Ou seja, 6 pontos a multiplicar por 7 equipas. Em casa e fora. Sei quais são as equipas, todas têm obrigação de saber.

Só nos resta uma solução. Ganhar jogo após jogo. Jesus sabe, como eu, onde está o perigo real. É nesses jogos que temos de dar o máximo. Aliás, em todos. Se assim for, seremos campeões."


José Alberto Pinheiro, in O Benfica

José Àguas "cantado" pela filha do "Pai Herói"

"Foi Helena Águas (a Lena d'Água das canções, voz única e inesquecível) que, utilizando o seu apelido de baptismo, decidiu escrever 'José Águas, o Meu Pai Herói' (Oficina do Livro), biografia de um dos maiores jogadores de sempre do Futebol português, mas também uma homenagem capaz de reavivar memórias exaltantes, e, por isso mesmo, um verdadeiro acto de amor.

Lendo este livro bem construído e bem escrito, ficamos a saber muito mais sobre o grande jogador do Benfica e da Selecção Nacional, sobre o pai e sobre o marido, sobre o homem que escrevia belas cartas de amor aos filhos e se tornou, tão merecidamente, o herói deles. Este é um livro que fala do Futebol como competição desportiva, quando ainda não possuía a dimensão mediática e global que hoje tem, mas também da vida de um homem que se tornou ídolo de multidões num País ainda a preto e branco.

Tem ainda este livro um especial elemento de atracção para o leitor, seja ele benfiquista ou de outro clube: um prefácio comovido e comovente de António Lobo Antunes, que nos faz sentir ainda mais benfiquistas, mesmo quando, como acontece no seu caso, o tempo relativiza a mágoa das derrotas e conduz ao despreocupado 'estou-me nas tintas'. Mas eu sei, também por experiência própria, que essa atitude é muito mais para evitar a decepção e a tristeza do que para arrefecer o que nos vai no coração. Um benfiquista é sempre benfiquista, e se ler esta biografia de José Águas, escrita pela sua filha, Helena, com a tinta forte de admiração e de um tocante amor, ainda sente mais essa camisola colada à pelo e ao coração.

'O Meu Pai Herói', que nasceu de um convite feito em boa hora pela editora, Maria João Lourenço, a Helena Águas - Lena d'Água, é uma biografia 'sui generis', que revela dotes narrativos desconhecidos da cantora e nos permite partilhar a glória vivida por esse pai herói que tantas alegrias deu aos benfiquistas e a Portugal. A Não perder."


José Jorge Letria, in O Benfica

Saber ser grato

"Ter a possibilidade de, como atleta, servir um dos poucos clubes míticos no Mundo deveria ser encarado como um privilégio. Os privilégios agradecem-se.

Recentemente, ao ler o livro que Helena Águas escreveu sobre o seu pai, o nosso José Águas, percebia-se o sentimento de permanente agradecimento que o grande José Águas tinha para com o Benfica, os seus colegas de equipa e os adeptos do clube. A todos, em vários momentos, José Águas agradecia. Além disso, agradecia o privilégio de poder ter servido o Benfica com tal dignidade que acabou por fazer parte do património simbólico de todos nós, benfiquistas.

A vida deu-me o privilégio de trocar ideias, conversar e debater o Benfica com muitos dos que foram (e são) faróis do benfiquismo e exemplos de gratidão para com o Benfica. Desde Nené a Rui Costa, passando por Pietra ou Toni, todos demonstram, nos pequenos gestos, nas expressões que utilizam e nas ideias que veiculam, uma gratidão ao Benfica apenas ao alcance dos que sabem ser humildes na grandeza. São-no naturalmente, sem gestos calculados, sem teatralizar o sentimento, ou seja, são-no genuinamente. Perceberam que, pela sua conduta, passaram a fazer parte da história simbólica do Benfica. E, também por isso, não desperdiçam o privilégio de ficar com as pessoas, os adeptos, os benfiquistas, na sua história.

Alcançar este patamar não se consegue a beijar o emblema, a envergar a braçadeira de capitão ou a fazer declarações de circunstância. Consegue-se com respeito pelo Benfica e gratidão honesta pela possibilidade de se tornar um símbolo para milhões de pessoas. Uns sabem perceber o tempo, o espaço e o modo. Esses são os que ficam. Outros nunca perceberão sequer o tema abordado neste texto. Esses são os que passam."

Pedro F. Ferreira, in A Bola

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Diário de praia em torno de Luisão

"Diálogos entre benfiquistas de férias, entre a praia e o sofá, com grande espírito crítico e capacidade de arrependimento face à pré-época e ao primeiro jogo oficial


Domingo, 24 de Julho

-ALGUÉM viu o jogo dos lagartos esta madrugada?

-Ganharam 2-1 à Juve com dois golos de Djaló.

-À Juve? À Juventude de Évora?

-Não, estão eufóricos porque ganharam à Juventus de Turim, a velha senhora...

-Oh pá, se ganharam a uma velha senhora, isso não tem valor nenhum.

-Estou aqui a ler que o Gaitán quer ser aumentado.

-Quer ser aumentado? Pendure-se numa porta a ver se cresce.

-Quer ser aumentado no salário, não quer ser aumentado em altura. E ele nem sequer é dos jogadores mais baixos do plantel.

-O Luisão já chegou?

-Acabou de aterrar.

-Onde?

-Em Lisboa.

-Ah, bom. E o que é que ele disse?

-Diz que chegou a altura de dar lugar aos mais novos.

-Quais novos?

-Sei lá. Diz também que lhe é indiferente ser ou não ser capitão do Benfica.

-Isso é grave. Eu tirava-lhe já a braçadeira.

-Eu vendia-o imediatamente. Não queremos jogadores contrariados.

-Eu acho bem mais chato termos adeptos contrariados do que jogadores contrariados.

-Então como é que resolvias o caso Luisão.

-Resolvia à campeão.

-À campeão? Mandavas um jagunço telefonar ao Luisão a ameaça-lo uns pontapés nas rótulas?

-Não, de maneira nenhuma. Resolver à campeão era obrigá-lo a cumprir o contrato até ao fim, jogando ou não jogando. Para exemplo percebem?

-Porque é que as nossas pré-temporadas são sempre tão psicologicamente extenuantes?

-Para os jogadores?

-Não. Para os adeptos. É que a bola ainda não começou a sério e já andamos a ser gozados pelos nossos adversários.

-Vocês são uns exagerados, psicologicamente extenuados estão os adeptos do River Plate que desceram de divisão e andam a ser gozados há um mês pelos adeptos do Boca Juniors.

-A Argentina é um grande país. Gosto de países em que os grandes e poderosos podem descer de divisão. Sou mil por cento a favor da verdade desportiva. Isto em Portugal era impossível de acontecer.

-Mas estás a pensar em descer de divisão?

-Eu não. Mas os outros...




Segunda-feira, 25 de Julho

-ISTO é incrível. Parece que vamos jogar contra o Trabzonspor sem um único jogador português.

-O problema não é esse.

-Então qual é o problema?

-O Barcelona, por exemplo, também joga sem um único jogador português e ninguém se queixa...

-Ah, pois, a questão da qualidade...

-E o que é que sabem do Luisão?

-Já está a treinar-se com os colegas, com um ar muito bem-disposto. Se calhar esta novela toda foi uma invenção da comunicação social para nos desestabilizar.

-Foi com certeza.

-Estou aqui a ler que o Carlos Martins está à procura de um novo clube.

-Mas porquê?

-Diz que tem o futuro indefinido e está lesionado.

-Gostava que o Benfica tratasse bem o Carlos Martins porque é um jogador que sempre respeitou a nossa instituição e que sempre que não foi titular nunca levantou problema nenhum.

-Sim. E deu o litro pela malta sempre que jogou.

-Então e novidades do Luisão?

-Está a treinar-se-

-Não foi convocado pelo Mano Menezes para o Alemanha-Brasil de 10 de Agosto em Estugarda.

-É para aprender a não faltar ao respeito ao Benfica.

-O Hulk também não foi convocado.

-É normal. Imagina que se lesiona ao serviço do Brasil. Com uma cláusula de rescisão tão elevada as companhias de seguros associadas ao escrete não se arriscam a segurar um diamante de tal quilate.

-O Mano Menezes deve ter bons padrinhos na CBF. Consegue não ser despedido depois da Copa América.

-O seleccionador argentino foi logo à vida...

-Sim, mas a Argentina é um país a sério no que diz respeito ao futebol. Lembrem-se que até um clube ultrapoderoso como o River Plate acabou por descer de divisão. Em Portugal isto nunca aconteceria...




Terça-feira, 26 de Julho

-NOVIDADES do Luisão?

-Já estive a ler A BOLA e diz que ele está a treinar-se com um sorriso e evidenciando um estado de espírito mais expansivo do que é habitual.

-Eu dava-lhe a expansão...

-Não sejas assim, é o nosso capitão.

-Apesar de lhe ser indiferente ser ou não ser capitão.

-Estou aqui a ler que o Nuno Gomes marcou o seu primeiro golo ao serviço do Sporting de Braga.

-Ainda vai à Selecção.

-A falta que ele ainda nos vai fazer...

-O quê? Passaste os últimos 10 anos a dizer que o homem não jogava nada e agora já nos faz falta?

-É uma questão afectiva.

-O Jorge Jesus diz que não somos favoritos no jogo com o Trabzonspor.

-Demonstra realismo e isso é sempre de louvar.

-Acho que é a primeira vez na nossa história que vamos jogar contra um clube que tem um presidente na prisão por trafulhices.

-É o que nós sempre sonhámos em jogar contra um clube com o presidente na prisão.

-Sim, mas não era contra o Trabzonspor.

-A Turquia é um país a sério!

-Como a Argentina!

-Não sabem o que se passou na Argentina?

-Não.

-Afinal o River Plate não desceu de divisão. A Federação argentina decidiu alargar o campeonato da 1.ª Divisão para 38 clubes de modo a salvar o River.

-A sério?

-Isso é duplamente incrível.

-Duplamente incrível?

-Sim. Em primeiro lugar porque os poderosos são poderosos em qualquer lugar e em segundo lugar porque se prova que o futebol argentino tem uma grande capacidade de renovação...

-Renovação?

-...Sim, ainda conseguem fazer um novo campeonato com 38 clubes e quase oitocentos atletas em acção apesar do Benfica ter comprado quase todos os jogadores que se destacaram na Argentina na época passada.

-Oh, cala-te!




Quarta-feira, 27 de Julho

-VIRAM este remate do Gaitán?

-Só por isto merece ser aumentado.

-Mas ainda há pouco estavas a mandá-lo pendurar-se numa porta.

-Cala-te.

-Acho incrível estarem a assobiar o Luisão.

-Mas ainda anteontem estavas a dizer...

-Vai entrar o Nolito.

-Olhem, golo do Nolito...

-O Witsel é jogador de futebol.

-Este Gaitán tem mesmo de ser aumentado, que bonito golo.

-Mas ainda anteontem...

-Calem-se!"


Leonor Pinhão, in A Bola

Capitão por exemplo

" «Luisão chegou e parecia que vinha a treinar com a equipa todos os dias. Fez um grande jogo e a trabalhar é um exemplo de profissionalismo.»


Jorge Jesus, treinador do Benfica, a seguir à vitória de ontem sobre o Trabzonspor




COM ou sem braçadeira, Luisão é líder. Da defesa, como ontem se viu, apesar de ter chegado há dias à Luz e de nunca ter jogado com Garay ou Emerson; e do balneário, de acordo com todos os relatos de jogadores, antigos e actuais que vão chegando.


Jesus diz que o central brasileiro é um exemplo de profissionalismo em campo. Talvez não o seja a falar, mas é difícil levar a mal um jogador que é sincero ao dar a entender que gostaria de sair mas que ao mesmo tempo garante que não está contrariado no seu clube. Nem pode estar, porque assinou contrato de livre e espontânea vontade. Ontem Luisão jogou como sempre. Não devia ser notícia , mas é, porque há muitos casos de jogadores que querem sair, amuam e quando jogam não rendem nem metade...


Não sei se Luisão vai ou não sair do Benfica; há quem diga que não faz sentido ficar com jogadores contrariados, outros defendem que os contratos são para cumprir. No caso do capitão das águias (se ficar será sempre capitão, mantendo ou não a braçadeira) é natural que o segundo argumento ganhe força. Afinal, já no passado Luisão manifestou vontade de sair, sempre ficou e o seu rendimento não baixou por causa disse.


De qualquer forma, andar em filmes destes todas as pré-épocas não ajuda. Desgasta. E admito que na Luz haja quem esteja a ficar farto de Luisão. Mas que o girafa fará falta, como ontem se viu, disso não tenho dúvidas."


Hugo Vasconcelos, in A Bola

Novo Jesus no novo Benfica

"Nada de jactâncias, frieza de análises. O melhor plantel, não o melhor onze. Mas como não favorito face ao Trabzonspor?!


JORGE JESUS diferente do que foi nos dois primeiros anos na Luz. Refiro-me ao discurso público. E diria radicalmente diferente. Agora, nada de jactâncias, nada de garantias de sucesso. Aprendeu dura lição: da euforia do título nacional para demasiado extenso rol de fiascos. Agora, não assegura conquista do próximo campeonato, muito menos repete que há-de ser campeão da Europa... Pelos vistos, teve eco um certo mea culpa de Luís Filipe Vieira, certeiro na crítica sobre grande falta de humildade - e nesse tremendo erro justamente se incluindo...

Desta feita, Jorge Jesus afasta-se de prematuros entusiasmos, exibe frieza nas análises. Exemplo: afirma ser este o melhor plantel que já teve, mas não a melhor equipa. Duplamente correcta análise.

Mão cheia de recentes aquisições parecem assegurar bom leque de alternativas que o Benfica há largos anos não possuía. Artur e Eduardo, face a Roberto e Júlio César; Garay perante Jardel, na segunda metade da época anterior; Emerson e Capdevila, este um senhor campeão europeu e mundial, concorrendo, em vez do miúdo Carole (quanto a mim, forte promessa, mas muito verde), à vaga de Coentrão; Matic muitíssimo acima de Airton, Witsel em galáxia inatingível por César Peixoto e Filipe Menezes; Enzo Pérez e Urreta no combate à saída de Salvio; Nolito e Bruno César onde havia apenas Gaitán - e, creio, mais cedo ou mais tarde, possibilitando a Gaitán saltar de extremo para função que muito mais lhe dimensionará grande potencial de alta qualidade; Rodrigo ou Mora, travando com Cardozo, Saviola e Jara a discussão de que Kardec e Weldon eram incapazes e que a Nuno Gomes não foi permitida. Esta abundância de boas soluções é importantíssima para enfrentar intenso desgaste em múltiplas frentes de luta. E sabe-se como o Benfica caiu a pique na ponta final da época anterior, exausto e com gritante vazio de alternativas aos lesionados Salvio e Gaitán.

Deste muito bom plantel - para ser excelente, falta-lhe, sobretudo, digo eu, firme rival de Maxi Pereira, pois o polivalente Rúben Amorim é muito mais médio do que defesa-direito e vem de problemática lesão; quiça também alternativa a Cardozo no estilo, atlético, mas desejavelmente mais rápido, de ponta-de-lança que Jorge Jesus prefere - sairá o melhor onze em três anos com Jesus ao leme? O treinador já disse não. E decerto não foi por mera cautela que o disse. Acontece que o melhor onze benfiquista desde há muito tinha Di Maria, Ramires, David Luíz e Fábio Coentrão... Exactamente esses que criaram mais-valias de uns 80 milhões de euros e são titulares do Chelsea ou do Real Madrid...

Jorge Jesus faz muito bem em mudar o seu discurso, trocando desmedidos entusiasmos por fria prudência. No entanto, escusa de exagerar... Afirmou que o Benfica não partiu favorito para eliminatória perante o Trabzonspor, inesperado vice-campeão turco que, mesmo tão-só na média/baixa roda europeia, era desconhecido. Como assim o Benfica, ainda por cima este Benfica com muito reforçado plantel, não assume claro favoritismo quando, sendo 17.º no ranking da UEFA, defronta o 137.º?!


PRIMEIRO round da eliminatória: o resultado não sonegou a lógica, o Benfica é, sim, favorito. Verdade que o 2-0 foi arrancado a ferros, durante demasiado tempo houve razões para a desconfiança de Jorge Jesus. Adversário bem organizado, valente, tendo boas ideias na contra-ofensiva; sobretudo, lenta, embora positiva, evolução do Benfica. Quatro aquisições já se destacam: Artur, Emerson, Garay e... Nolito, cujas características de furar, furar para a baliza iniciaram o triunfo. Mas foi a obra de arte de Gaitán a criar razoável tranquilidade para Istambul."


Santos Neves, in A Bola

Mais valia o quê?

"Não há dia no defeso do futebol em que não se fale de uma mais-valia. Contrata-se um jogador: é uma mais-valia. Muda-se um técnico: é uma mais valia. Aposta-se em jovens: é uma mais- valia. Investe-se na experiência dos mais velhos: é uma mais-valia. Tudo mais-valia. Sem mais cá, nem mais lá.

A mais-valia começou por ser a expressão marxista da diferença entre o valor dos bens produzidos e dos salários recebidos por quem os produz. Depois, passou para outros destinos, em particular o da gestão. E, por fim, chegou ao futebol, embora quase ao invés: tende ser a diferença entre os salários de quem joga ou treina e o valor dos resultados produzidos. Ou seja, começando por ser mais-valia acaba por se transformar, não raro, numa menos-valia.

O curioso é que quase sempre usamos a expressão mais-valia no singular quando formulamos um desejo ou falamos de uma expectativa. Por exemplo, aquele jogador vai ser uma mais-valia. Já no plural, as mais-valias significam uma situação que se verificou: ou no registo contabilístico ou no pagamento do imposto sobre as ditas...

A mais-valia futebolística anda de braço dado com outra curiosa expressão: reforço, às vezes quase pleonasticamente acrescentado de um adjectivo: reforço positivo. No entanto verificamos que enquanto o reforço vai para o banco, o Banco recebe o reforço. Ou uma mais-valia reforçada. Do mal, o menos, dirão uns. Quanto mais, menos, dirão outros.

A estória da mais-valia de um jogador acaba muitas vezes não com um final feliz, mas desconsolado. À entrada é tudo uma mais-valia. Depois a valia perde o hífen e deixa de ser mais, e mais valia não ter sido. Isto é, não ter entrado."

Bagão Félix, in A Bola

Bom resultado...



Benfica 2 - 0 Trabzonspor



Não foi uma exibição de outro mundo, mas foi uma exibição positiva, ainda com alguns erros é verdade, mas com excelentes indicações para o resto da época. Os Turcos são uma equipa chata, que sabe trocar a bola, pouco objectiva no ataque planeado, mas perigosos no contra-ataque. Com estas equipas muito fechadas, que dão porrada, com a complacência do árbitro, é preciso ter paciência, e o Benfica hoje teve paciência. Existem sempre aqueles Benfiquistas que assobiam, e exigem ataques à 'maluca', mas o mais importante, hoje, na minha opinião era não sofrer golos, e tirando algumas desconcentrações, poucas, o Artur teve pouco trabalho. Curiosamente após cada um dos golos do Benfica, permitimos, ingenuamente, duas oportunidades ao Trabzonspor. Além destes dois lances, só em contra-ataques após cantos (ou livres) favoráveis ao Benfica é que os Turcos 'aceleraram' (já com o Toulouse tínhamos permitido contra-ataques nestas situações, a rever...). A táctica super-defensiva dos Turcos, resultou durante muitos minutos, devido à falta de profundidade dos nossos laterais, Maxi a 100% será muito importante, para desbloquear estes 'muros'...

O Apitadeiro não trouxe nada de novo, dois penalty's claros, o segundo então foi escabroso!!! Vários Amarelos perdoados aos Turcos, inclusive 'segundos' Amarelos!!! Não são só os Tugas, a incompetência/corrupção é generalizada...!!!

Eliminatória bem encaminhada, mas ainda falta 90 minutos, o ano passado com o PSV a vantagem também era boa, e depois foi um susto!!! Os Turcos vão ter que abrir mais espaços em Istambul, mas exige-se muita concentração...




Artur com confiança, Emerson perfeito defensivamente, Garay com classe, Luisão Gigante a comprovar que jogador de futebol deve 'falar' é dentro do campo, regresso em grande do Amorim, pouco atrevido a atacar, mas bem a defender, Maxi recebeu merecidamente a maior ovação da noite, e nem o facto de as coisas não lhe terem corrido bem, o afecta perante os adeptos (justamente). Javi do 'costume', Aimar muito marcado, mas com um passe fenomenal no 1º golo, entrada muitíssima boa do Witsel equilibrando o meio-campo, Enzo ansioso e um autêntico saco de porrada, reafirmo o Nolito vai marcar muitos golos, Gaitán desconcertante, entre o muito mau, e o genial. Saviola em forma, com muita vontade, Cardozo esforçado, mas com poucas oportunidades, e com muitos passes de risco errados (não merece os assobios)...


quarta-feira, 27 de julho de 2011

O Benfica não sofreu golos!

"É hoje o primeiro dia de jogar a doer (curiosa expressão...) do Benfica. Contra uma equipa sempre difícil para pronunciar e complicada para bater, vinda da pequena cidade turca de Trabzon, na distante costa leste do Mar Negro.

No último jogo de preparação, contra o Toulouse, o Benfica teve de tudo: paella espanhola, tango argentino, rodízio gaúcho e um escasso cozido à portuguesa. No fim e apesar da sobremesa de um golo tardio por um descompensado Jardel, ficou-me a sensação de não estar ainda assegurada a dosagem certa dos condimentos.

Não obstante, de um aspecto gostei: o Benfica passou para uma nova fase na construção da defesa. Nos anteriores jogos, tal como disse um amigo meu «pior que uma má defesa, é não se ter defesa». Neste jogo, com um cheirinho de classe de Garay e uma promissora estreia do lateral Emerson, já houve lugar a uma certa ideia defensiva. Sei que falaram Luisão, Maxi Pereira e ainda o reforço (de fora) Capdevila e o reforço (de dentro) Ruben Amorim. Não coisa de somenos, entenda-se.

Um ponto tem-me custado a compreender: sabendo-se, há muito, que a probabilidade de Coentrão sair era quase de cem por cento, por que razão foi a sua posição a última a ser preenchida, não havendo por isso a necessária rotina para uma eliminatória em que podem estar em jogo milhões de euros?

Voltando ao jogo contra os franceses, registe-se, que ao fim de 143 dias e 24 jogos consecutivos (significativamente depois da inexplicável saída de David Luíz a meio de uma época), o Benfica não sofreu golos! Não é certamente um recorde do Guiness, mas creio que será na história do clube.

A não repetir, mas a contrariar. Espero que já hoje, neste primeiro jogo a sério em 2011/2012."


Bagão Félix, in A Bola