Últimas indefectivações

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Rui Vitória: sublinhe-se o trabalho de excelência (apesar dos parêntesis)

"Recorde, enquanto o FC Porto consolida-se, Renato Sanches mantém expectativas e Inglaterra apaixona.

muito se escreveu sobre Rui Vitória, eu próprio em algumas ocasiões. No entanto, depois de bater um recorde do campeonato com 44 anos, é justo que sublinhe novamente o trabalho de excelência que está a realizar no Benfica.
Vale também colocar por aqui todos os parêntesis:
(É muito cedo!)
(As diferenças são muito curtas...)
(O futebol é feito de muitos momentos e obstáculos.)
É tudo verdade.
Acabe como acabar – e é realmente o que interessa! – a verdade é que o contexto da última temporada era extraordinariamente difícil e, com ou sem tiros nos pés dados do outro lado da Segunda Circular, o treinador soube levar a equipa a um título que chegou a parecer uma ténue miragem. Esta época, basta que se contem as lesões que já teve de ultrapassar dentro do grupo – e sobretudo em algumas das suas principais figuras – e olhar para a posição que ocupa na tabela, para praticamente deixar de ser necessário dizer muito mais.
Se olharmos para o seu percurso na Luz, encontramos momentos em que o discurso tornou-se demasiado pobre e repetitivo e algumas decisões parecem desprovidas de lógica ou contexto, mas teremos, agora que passou algum tempo, de encará-las como dores de crescimento próprias. Rui Vitória também precisou ele mesmo de estabilizar.
O técnico do Benfica é, já se sabia, um homem de consensos e tem sabido gerir com mestria as dificuldades que se lhe depararam à frente. Parece-me também que tem sabido gerir os vários momentos, cada jogo isolado do anterior e do seguinte. Não fossem os empates com Vitória de Setúbal e Besiktas, que tiveram características próprias, e o arranque seria nesta altura ainda mais impressionante.
Muitas vezes sem grande expressão artística, outras bem perto no limite, o Benfica é o actual líder da Liga, tendo também na Liga dos Campeões voltado a colocar-se em boa posição de apuramento num grupo que tem obrigação de ultrapassar.
A nível individual, a destacar Grimaldo, Fejsa e Pizzi, mas também o crescimento de Gonçalo Guedes, Nélson Semedo e Cervi nos últimos encontros. Ederson parece também ter ajudado na estabilidade defensiva, tal como a voz de comando de Luisão.
A faltar ainda Jardel, Rafa e Jonas às opções não parece fora de tom sugerir que os encarnados ainda têm margem de crescimento.

A norte, o FC Porto também se isolou no segundo lugar. Apesar da péssima primeira parte do jogo de Brugges, compensada com a recuperação depois, os dragões têm conseguido somar resultados que vão alimentando a expectativa de uma época melhor do que as anteriores.
Nuno Espírito Santo terá estabilizado já nos vários sectores, tirando uma ou outra alteração pontual, e sobretudo encontrado a dupla que mais serve a um novo estilo de transição mais rápida, um maior preenchimento de zonas centrais do terreno e um jogo por vezes mais directo. Jota é muito mais compatível com um André Silva em estado de graça – valeu a pena a aposta, certo? – do que Adrián López ou Depoitre.
Depois de mais uma jornada – Paços de Ferreira, na Luz, para os encarnados; Vitória Setúbal, no Bonfim, para os dragões –, e de poderem carimbar a continuidade nas provas europeias frente a Dínamo Kiev e Club Brugge, os dois rivais defrontar-se-ão no Dragão num clássico de importância considerável para o futuro do campeonato.
Volto aqui a Nuno Espírito Santo. Se acredito que a mensagem que tentou passar na sala de imprensa não tenha sido a apropriada para parte dos destinatários, neste caso os presentes no Dragão e mesmo para a maioria dos adeptos em casa, e até o conteúdo faça lembrar muito a psicologia de auto-ajuda que circula hoje em dia um pouco por todo o lado, é de enaltecer que tenha manifestado abertura para explicar as suas ideias, coisa rara nos tempos que correm. Temo que a reação viral de escárnio, por culpa de uma má escolha do tema, iniba ainda mais os técnicos de falarem tanto do que gostamos: de bola, pura e simplesmente.

Por sua vez, Renato Sanches somou um prémio de prestígio à ainda curta carreira. O Tuttosport nomeou-o Golden Boy, ou seja melhor sub-21 do ano, o que corresponde às expectativas de muitos analistas do futebol europeu e também do clube que o contratou, o Bayern. É verdade que o jovem médio não pegou de estaca num meio-campo tão recheado de talento e num futebol tão diferente do português, mas é compreensível. Na Luz havia a necessidade, em Munique pode esperar-se. Não será mau para o jovem internacional, que já tão importante tinha sido no Euro-2016 para o título português, ganhando tempo para corrigir algumas lacunas no seu jogo. Para já, as expectativas não baixaram.

Fantástica esta Premier League! Manchester City, Arsenal e Liverpool com vinte pontos, Chelsea e Tottenham com 19. As equipas de Guardiola e Pochettino a fraquejar. As de Wenger, Klopp e Conte a mostrarem argumentos. O United de Mourinho, a grande desilusão, já a seis pontos do topo. A competição está ao rubro, e a cada semana surgem vários jogos espectaculares. A tudo isto, somam-se as ideias que Guardiola, Klopp e Conte acrescentaram ao cada vez mais melhor campeonato do mundo. A grande distância."

Se é adepto incondicional de Mourinho e Jorge Jesus não leia este texto

"A queda do Special One e a procura de um novo Adrien em Alvalade.
José Mourinho é e será sempre um dos melhores treinadores de sempre. Fez evoluir o treino primeiro em Portugal e depois por onde passou, espremeu os jogadores até ao limite da sua qualidade, motivou-os até ao ponto em que cada um deles passou a acreditar que era o melhor do mundo, dominou por completo os mind games, influenciou antes e durante todos os jogos.
Levou o FC Porto a dominar a Europa, o Chelsea a um primeiro título ao fim de 50 anos, o Inter a uma Champions que lhe fugia há 45, conseguindo o primeiro treble de sempre em Itália, e o Real Madrid ao triunfo na liga espanhola perante o melhor Barça de sempre. O Special One foi um revolucionário e terá um capítulo com muitas páginas na história do jogo. Aconteça o que acontecer. 
Só que nem todas elas serão assim tão positivas. Os últimos anos, intervalados com um novo título pelo Chelsea, não têm sido brilhantes e são muitas as insinuações de que terá perdido o toque de Midas.
O que Mourinho tinha de inovador ainda há cinco ou seis anos hoje parece obsoleto. Será?
O futebol europeu evoluiu com novas ideias.
Pep Guardiola, apesar de ter o seu Barcelona como sua Némesis, e a goleada sofrida perante o Real Madrid ainda entalada na garganta, procura reinventar-se a cada encontro, acrescentando novas formas de sair da pressão e de criá-la após a perda, bem como de controlo das partidas em posse. 
Jurgen Klopp encheu o coração de um Liverpool já de si muito emotivo com ondas de pressão e contra-pressão a um ritmo metaleiro. Antonio Conte reinventou a arte de contra-atacar na squadra azzurra, e conseguiu fazer subir de patamar um Chelsea em crise de identidade, já com alguns triunfos importantes, embora intercalados com uma ou outra escorregadela. Arsène Wenger joga sim um campeonato à parte, sempre à espera de que todos ao mesmo tempo se distraiam e não apareça nenhum Leicester pelo caminho para poder festejar um troféu que lhe foge há demasiados anos. 
Olha-se para o rico Manchester United – quantos milhões foram gastos nestes últimos anos (muitos por outros que não Mourinho, claro, mas também pelo português)? – e é talvez o candidato menos entusiasmante e o que terá mais depressa perdido a sua quota parte de favoritismo neste arranque de temporada. É verdade que City, Chelsea e Liverpool já tiveram igualmente momentos menos bons, mas parecem mais perto da consolidação, se é que isso é possível num campeonato com tantos candidatos a chefe.
Se na segunda saída do Chelsea, José Mourinho ainda pôde queixar-se da forma de alguns jogadores, como Ivanovic e sobretudo Hazard, a verdade é que desta vez apanhou a renovação já a meio depois de ter sido quase toda implementada por Van Gaal e coube-lhe a si pensar mais nas peças de puzzle que faltavam para fazer a equipa retomar o sucesso.
Mou já o admitiu: não ganhando nada pelo Manchester United dificilmente irá manter o estatuto de Special One
Do melhor treinador do mundo espera-se que torne um grupo com uma boa matéria-prima na equipa mais forte em competição.
Se o arranque foi razoável, as derrotas no dérbi, depois em Feyenoord e em Watford fizeram disparar os alarmes.
A humilhação em Stamford Bridge, com erros infantis e muito pouco usuais em equipas trabalhadas pelo português, tornaram esses alarmes bem sonoros, e com luzes de emergência intermitentes.
Claro que seis ou cinco pontos podem ser recuperados em dois jogos, mas já são cinco e seis pontos para vários candidatos. É muito cedo, mas o português não tem muito tempo a perder e há muito ainda a acrescentar aos red devils.
Em Portugal, o Sporting salvou-se na última jogada de uma derrota frente a um dos últimos, o Tondela. A equipa de Petit, que continua a colocar problemas aos leões, foi atrevida em vários momentos do jogo e soube depois ser solidária levando um ponto para casa. Elias, o sucessor de Adrien, foi substituído ao intervalo. A equipa de Jesus tem apenas um triunfo nos últimos quatro encontros nas várias competições (por 1-0, em Famalicão) e confirmou a tendência: sempre que jogou depois de um encontro da Liga dos Campeões (Real Madrid, Legia e Dortmund) não venceu. 
Percebe-se a influência que Adrien tem nos leões, e sobretudo que aquele esquema ainda mais despovoado no miolo face à saída de João Mário precisa de um jogador que esteja sempre perto da bola a todo o instante. O médio agora lesionado consegue fazê-lo, Elias é outro tipo de jogador. Também há que sublinhar que Dost não é Slimani, é menos agressivo na abordagem defensiva do jogo, além de ser menos móvel nas movimentações ofensivas. Ou seja, é normal que uma equipa sem Adrien, João Mário e Slimani tenha bem menos controlo das partidas.
É aqui que encontro aquela que para mim é uma abordagem muito própria de Jorge Jesus, mas que por enquanto não tem funcionado. Em vez de o treinador ter de encontrar um novo Adrien, como disse após a partida com o Tondela, não faria mais sentido ser a equipa a ir à procura de Elias? Ou de outro qualquer. Não faz mais sentido mudar um pouco a maneira de jogar precisamente porque há um jogador tão influente de fora (e que somada a sua influência à dos que saíram poderá já ser influência a mais a colmatar) e tentar enquadrar melhor quem chega de novo, para benefício de toda a equipa? 
No que diz respeito ao pós-Europa, a verdade é que se olha para o Benfica, que até teve uma viagem longa, e as coisas têm funcionado. E mesmo o FC Porto, que falhou após Roma e Copenhaga, já resolve melhor essa mudança de chip. Jesus ainda não encontrou a solução.
A esta altura, não há nada que não a tenha, obviamente. É apenas o assinalar do momento. O leão está a expor algumas das suas fragilidades.
Uma palavra ainda para a agonia do europeu Arouca, novo lanterna-vermelha, que estará a pagar precisamente por um início de temporada precoce e o acumular de maus resultados, o último com a atenuante de ter sido no Dragão. No entanto, com um treinador competente como é Lito Vidigal e com um grupo que já mostrou qualidade, acredita-se que o caminho poderá estar perto de ser encontrado.
Uma última para a calendarização da época em Portugal. Já está tudo marcado há algum tempo, mas choca este calendário com duas paragens de duas semanas (Selecção e Taça de Portugal), separadas por duas jornadas. Ainda agora chegámos de uma e já iremos para outra depois do clássico de 6 de Novembro, no Dragão. Chama-se a isto anticlímax."

Bullying

"Cada triunfo do Benfica de Rui Vitória parece ser uma alfinetada no Sporting de Jorge Jesus
1 - Claro que o treinador do Benfica tem mais em que pensar, mas cada triunfo de Rui Vitória parece ser uma provocação a Jorge Jesus. Ou várias. O Sporting não ganha um jogo depois da Champions? O Benfica ganha todos. Os leões acusam fadiga no rescaldo das provas europeias? As águias assinam a melhor exibição depois de uma deslocação a Kiev. Jesus não arranja soluções para a ausência de Adrien? Rui Vitória ganha jogos há semanas sem Jonas e uma mão-cheia de outros lesionados. Já houve casos de bullying condenados em tribunal por muito menos.
(...)"

Benfiquismo (CCLX)

O adeus...

Vermelhão: perdulários... mas líderes !!!

Belenenses 0 - 2 Benfica
Mitroglou, Grimaldo


Provavelmente o jogo de maior domínio ofensivo da época, ao nível do massacre em Arouca... Com tantos golos falhados, arriscámos a 'desilusão', mas os golos acabaram por aparecer... Agora, se tivesse havido justiça, este jogo tinha acabado, no mínimo, com um 0-4 !!!
Apesar do cansaço da viagem a Kiev, a equipa não se ressentiu... Tantas vezes se levantam fantasmas, com o aproveitar, ou não, dos desaires dos rivais, mas o Benfica nesse aspecto, ultimamente, tem demonstrado enorme eficácia... Os jogadores estão com a cabeça no sítio certo, e estão conscientes daquilo que é preciso fazer, para fazer História...
Por falar em História: 16 vitórias consecutivas fora de casa!!! Recorde absoluto em Portugal!!! Este era um daqueles recordes do futebol a preto-e-branco que eu pensava não ser possível ser batido!!! O Futebol no pré-anos 80 era diferente, menos profissional... Estas 16 vitórias consecutivas são uma estatística impressionante... E já agora, a 17.ª poderá ser no Dragay!!!
Não é fácil destacar jogadores individualmente, fizemos um jogo muito colectivo, com todos os jogadores a cumprirem bem o seu papel... só o Salvio e o Cervi se ressentiram do esforço de Kiev (foram dos jogadores que mais correram na Ucrânia...), o Rui Vitória devia ter feito as substituições mais cedo... Após o 0-2, o Danilo devia ter entrado logo....!!!
Realço o crescimento do Guedes do Nelsinho e do Cervi: o Guedes sempre foi lutador mas está a melhorar na decisão...; o Nelsinho voltou ao Nelsinho da última época...; o Cervi inicialmente levava demasiado tempo a decidir, hoje, está mais rápido e já sabe os terrenos onde tem que andar...!!!
Uma nota sobre o Luisão: no início da época critiquei bastante o nosso Capitão, e defendi que dificilmente tinha capacidade para ser titular no Benfica...!!! A verdade, é que o Luisão começou perro, mas com o ritmo de jogo entretanto ganho, está de pedra e cal... voltou a ganhar mobilidade e alguma velocidade, e desde que voltou a titular o Benfica praticamente não tem sofrido golos, principalmente nas 'bolas paradas' onde estávamos a ser muito permissivos...
O momento mais 'negativo' da noite, foram mesmo as queixas no final da partida, primeiro do Lindelof e depois do Grimaldo!!! Quando o Boletim Clínico estava a ficar mais curto (Rafa e Jonas), a última coisa que desejamos, e ter novos casos clínicos...!!! Mas com tantas más notícias esta época, toda e qualquer queixa, é suficiente para ficarmos com o coração nas mãos...!!!

domingo, 23 de outubro de 2016

Muito agradável...

Benfica B 2 - 0 Penafiel


Excelente jogo de futebol. Jogo aberto, com velocidade e intensidade, nada normal para o Tugão!!!
O Penafiel também jogou bem... a meio do 2.º tempo, começou a aproveitar a velocidade nas costas da nossa defesa, mas acabaram por não marcar...
Quando parecia que o jogo ia acabar empatado, primeiro com uma excelente jogada colectiva, finalizada pelo Joãozinho...e depois com uma grande jogada individual do Buta, concretizámos e saíamos mais uma vez vencedores, num jogo com grau de dificuldade elevado...

O maior caparro dos adversários criou alguns problemas ao nosso meio-campo, por isso mesmo a entrada do Gilson foi importante... Mas estes sucessivos bons resultados da equipa B, deve-se muito às melhorias na nossa defesa... muito bem o Ruben e o Ferro...

O pior em campo foi claramente o apitadeiro!!!! Perdi a conta, às constantes faltas por trás, sobre o Saponjic não assinaladas... aliás perto do área do Penafiel era proibido apitar!!!!

Segunda parte demolidora...

Benfica 8 - 2 Rio Ave
(2-1)

Primeiro tempo com muito desperdício... e mesmo a 'fechar' sofremos um golo, onde a bola parece não ter entrado!!!
No segundo tempo, foi tudo ao contrário: ataque demolidor e eficácia correspondente...
Estivemos melhores nos momentos que jogámos sem 4:0, sem Pivot's, algo que como eu já tinha 'anunciado' vai ser fundamental, já que os nossos adversários, vão-se tentar adaptar à presença do Elisandro...!!!

Futebol para Budistas

"Recorrendo a muita da sua juventude, o Benfica portou-se como gente crescida na Ucrânia. Hoje é no Restelo. Os mais velhos da equipa que expliquem aos mais novos e aos acabados de chegar o empenho a que um clássico obriga. Entre eles há um - franco Cervi - que não vai demorar muito tempo por aqui. este minúsculo argentino, dono de um futebol maiúsculo, tem capacidade para se revelar o melhor comunicador da indústria, pelo muito que de maravilhoso nos comunica jogando. 

Cervi foi disputado pelo Benfica e pelo Sporting. Anunciado como certo em Alvalade, acabou por aterrar na Luz. São estas as querelas entre rivais que interessam ganhar e não as dos comunicados infantiloides nem, muito menos, as dos facílimos e por isso mesmo desprezíveis, diagnósticos de insanidade à vista desarmada.

A nossa ideia de que o futebol não era para budistas durou até haver redes sociais. Melhor: durou até esta semana, quando um budista confesso do Instagram mandou Cristiano Ronaldo "fazer o mesmo à mãe", comentando uma fotografia do jogador português pisando distraidamente o canteiro onde assenta uma estátua de Buda. Em portugal, o mais recente budista do futebol não é em si menos surpreendente.

Trata-se do presidente do FC Porto, o próprio. Instado a comentar a versão requentada do não-caso dos vouchers, Pinto da Costa surgiu em público para dizer que "isso são coisas que discutidas não trazem nada de bom ao futebol" e, ainda mais zen, rematou de trivela:" Eu não alinho a falar sobre que clube for em problemas dessa espécie," Ficaram os benfiquistas sem fôlego perante a benevolência do grande adversário. Já em Alvalade foi mais perturbador o que se seguiu. Perante o inconveniente altruísmo alheio, não é que se viraram os teclados para a pobre Alemanha e desataram a chamar nomes aos tipos do Borussia de dortmund? Por tudo isto era conveniente que o Benfica entrasse hoje no Restelo com o maior respeito pelo adversário e ganhasse o jogo com pacifismo. No nosso futebol não é budista quem quer. É budista quem pode."

Benfiquismo (CCLIX)

Belenenses - Benfica, 2015/16

sábado, 22 de outubro de 2016

7.ª Supertaça

Fonte do Bastardo 0 - 3 Benfica
18-25, 22-25, 17-25

Depois da derrota a semana passada na final do Torneio das Vindimas, pensei que o jogo hoje fosse mais 'apertado', mas o Benfica acabou por fazer uma exibição quase perfeita, com muito poucos erros 'não forçados'...
A Fonte tem uma equipa com muitas 'atletas', seguramente vai dar muito trabalho ao Benfica, lá mais para a frente, quando estiveram mais entrosados, ainda será mais complicado... mas o Benfica, neste momento, é claramente melhor equipa!

Foi bom rever o Vinhedo e o Honaré... mais discreto, mas gostei do Rapha...


PS1: As nossas meninas do Hóquei continuam a ganhar... é um vício!!! Na Anadia, vitória na Supertaça, por 4-1 contra a AA Coimbra (Rita Lopes(2), Rute Lopes, Macarena). É a quarta Supertaça consecutiva para as nossos Hoquistas...
PS2: Em 10 possíveis, ganhámos 7 Supertaças nas cinco modalidades de pavilhão, em masculinos e femininos... nada mau! Quando neste momento, temos adversários com orçamentos iguais ou maiores, em quase todas as modalidades...!!!

PS3: O Nélson Évora, resolveu ir ganhar mais dinheiro para outro lado! Para ser sincero, não gosto deste tipo de negócios, com atletas em fim de carreira, mesmo quando é o Benfica a ir buscá-los... Mas estão no seu direito...
Agora, continua a ficar espantado com a falta de inteligência que estas pessoas continuam a demonstrar... ser o Nélson do Benfica, teria um valor enorme e mesmo financeiramente no futuro a longo prazo, o Nélson poderia rentabilizar... mas assim, será impossível...

Remontada vermelha !!!

Benfica 6 - 4 Barcelos
(1-1)

Depois do jogo da semana passada, os mais incautos podiam pensar que o resultado se iria repetir, mas não foi isso que aconteceu...
Uma das grandes diferenças, foram as 'bolas paradas', hoje, falhámos todas... enquanto o Barcelos aproveitou algumas... o Adroher tem que marcar todas!!!

Quando chegámos ao 3-1, pensei que iríamos ter um jogo tranquilo até ao fim... mas, o Barcelos virou para 3-4. A remontada final, deveu-se ao 'acreditar' dos jogadores, mas o apoio vindo das bancadas foi fundamental... Os últimos 3 golos, foram obtidos, com uma 'banda sonora' ininterrupta de Benfiquismo...!!!

O Hóquei ao contrário de outras modalidades de pavilhão, não tem play-off nem 2.º fase, portanto a regularidade é fundamental... Espero que esta vitória sirva de aviso e de motivação para a maratona do Campeonato...

Afinados...

Benfica 87 - 69 Ovarense
22-11, 22-19, 26-23, 17-16

A Ovarense está mais fraca... e com o jogo Europeu a meio da semana, deu para fazer uma rotação 'maior'... mesmo assim, o jogo esteve sempre controlado.
Apesar dos poucos minutos, gostei novamente do Slutej... o puto tem futuro!

Esperado...

Benfica 29 - 18 Boa Hora
(17-11)

Vitória esperada, num jogo que até começou com algum equilibro, por nossa culpa, mas nos últimos minutos da 1.ª parte, abrimos um fosso (até podia ter sido maior...!!!), que foi aumentando até ao fim...
Destaque, novamente, para as contribuições dos mais novos... o Capdeville está evoluir imenso!

O futebol na televisão portuguesa

"Há programas em que se atiram palavras à cara uns dos outros como, antigamente, nos filmes cómicos, se atiravam com bolos de creme

«Eu nunca vejo, mas contaram-me». É assim que muitas vezes começa narrativa de um espectador dos reality shows futebolísticos que todos os dias passam nas televisões portugueses. Ou seja: há um certo pudor, principalmente a parte de quem tem um determinado estatuto social em dizer que vê o que se assemelha ser uma sessão pornográfica... de futebol.
Não há razões para tanta vergonha, apesar de em alguns desses programas haver, muitas vezes, quem perca o controlo sobre o que pensa e, sobretudo, sobre o que diz. São momentos intelectualmente penosos, sim, mas estão dentro da realidade televisiva que, na ansiosa procura de audiências, transforma qualquer momento e qualquer tema televisivo numa sessão de entretenimento.
É tudo uma questão de cultura do espectador, que é, afinal, o único responsável por aquilo que vê e quer ver. Não vem mal ao mundo não resistir à tentação de um programa de entretenimento desportivo onde cada actor desempenha um papel de rufia do seu clube, transforma o show televisivo num género de luta na lama e atira palavras à cara do parceiro como antigamente, nos filmes cómicos, se atiravam bolos de creme à cara uns dos outros. Virá mal ao mundo, sim, se o espectador pensar que não está no mundo da ficção e que aquilo é mesmo a realidade, que os actores são pessoas que estão a desempenhar cenas da vida real e que não são pagos, precisamente, para fazerem aquele papel.
Depois, há, ainda, a legitimação da diferença. Pela força (até nos loucos investimentos financeiros) de alguns canais, pelo conjunto de plataformas que abarcam e pelo carácter específico dos seus conteúdos. Um canal como o da Bola TV, que tem uma personalidade sólida e que está necessariamente ligada à força única e credível da marca BOLA não pode ser um canal que não respeite a inteligência dos seus fieis seguidores.
Pode perguntar-se, no que respeita aos canais que insistem, até com algum sucesso de audiências, onde está a sua responsabilidade na defesa e no desenvolvimento do futebol, mas a resposta é óbvia. Nem os canais de televisão, em especial os canais privados, têm qualquer obrigação de desenvolver o futebol ou o que quer que seja, nem os antigamente chamados orgãos de comunicação têm de ter, hoje em dia, demasiadas preocupações na formação de uma sociedade que a hipermodernidade, de que nos fala Gilles Lipovetsky, deformou.
Os tempos são outros e não os podemos olhar com os olhos do passado, sob risco de não compreendermos e apenas nos desgastarmos num emaranhado de lamentos.
É, aliás, esta nova realidade física e intelectual, que alguns filósofos contemporâneos apelidam de era do vazio, que permite e explica aquilo que, apenas há alguns anos, seria considerada uma inaceitável irresponsabilidade de alguns dirigentes desportivos que parecem ter perdido definitivamente as velhas noções de ética do cargo que ocupam, mas não seguidos como líderes religiosos.
A liberdade tornou-se, hoje em dia, tão ampla e tão dispersa que consagra, ao mesmo tempo, e com a mesma dignidade o direito à inteligência e à estupidez. Uma e outra podem ser reflectidas nas mais diversas plataformas formais e informais de comunicação, porque a chuva de informação é de tal forma impiedosa que em vez de trazer mais conhecimento traz mais confusão. Se quisermos encontrar um exemplo, podemos lembrar-nos do trânsito de uma grande cidade. Os automóveis, em princípio, traziam-nos maior facilidade e conforto na mobilidade, mas eles, hoje, são tantos, tantos, que podem, de facto, imobilizar-nos na confusão e no caos.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CCLVIII)

Genial...

À Benfica!

"Na Europa do futebol, o Benfica foi categórico na forma como venceu um Dínamo com muito valor e Kiev, o FC Porto venceu como se esperava um adversário bem mais fraco e segue rumo a um apuramento praticamente certo desde o dia do sorteio. Neste momento, mais difícil do que o comité Nobel encontrar o Bob Dylan é o Sporting seguir para os oitavos de final da Liga dos Campeões, se bem que se poderá queixar sempre das bolas madrastas de Nyon. O caminho do Benfica tem, no entanto, muitas dificuldades. Num grupo muito equilibrado, todos podem ser primeiros ou últimos. É verdade que foi péssimo a vitória dos turcos em Itália, mas dependemos de nós e não acredito que o Nápoles não se desforre em Istambul. Gostei de ganhar em Kiev mas também gostei de ver a vontade de ganhar em Kiev. Em períodos de maior e de menor qualidade, esteve sempre uma vontade e uma entrega que dão garantias se as mantivermos. Se na Taça de Portugal vencemos com serviços mínimos, já em Kiev vencemos com serviços médios. Esperamos estarem guardados para o Restelo os serviços máximos num jogo de todos os perigos.
Tem sido lenta a mancha das recuperações dos lesionados, mas foi bom voltar a ver Jiménez a jogar, e será desejável ver outros regressos muito em breve, até porque o desgaste deste jogo e a viagem podem fazer mossa. Num plantel com mais de 20 jogadores com tanta qualidade, teremos sempre de ouvir os almocreves das petas que proliferam pelas televisões, em análises sobre a qualidade dos que não jogaram. É óptimo que assim seja, revela azia pelo que fizeram de bem os que jogaram. Mas a dura verdade é que os nossos suplentes têm qualidade superior a muitos titulares de outras paragens. Teremos de prosseguir com a mesma serenidade e determinação com que chegamos aqui.
Ganhámos a Supertaça, lideramos o campeonato, seguimos em frente na Taça de Portugal e disputamos ponto a ponto um lugar nos oitavos da Champions num grupo forte. É à Benfica!"

Sílvio Cervan, in A Bola

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Marítimo

Recebemos o Marítimo na 4.ª eliminatória da Taça de Portugal. Provavelmente no dia 19 de Novembro, sábado...
Não fiquei totalmente satisfeito com o sorteio: jogamos na Luz, o que é bom, mas com um adversário complicado... isto após, de nova paragem das Selecções, e antes da viagem a Istambul, no decisivo Besiktas-Benfica para a Champions!
Será fundamental recuperar todos os lesionados por esta altura...

Aqui ficam todos os jogos:
Benfica e Castelo Branco vs Vitória FC
Benfica vs Marítimo
Real vs Olhanense
Oriental vs Leixões
Sporting vs Praiense
Vilafranquense vs Paços de Ferreira
Estoril-Praia vs Cova da Piedade
Aljustrelense vs Tondela
Varzim vs Covilhã
Boavista vs Vitória SC
Braga vs Santa Clara
Torreense vs Nacional
Feirense vs Académica
Chaves vs FC Porto
Vizela vs Penafiel
Sanjoanense vs Gil Vicente

Comentadores 'Benfiquistas'

"Tenho um amigo, indiscutivelmente Benfiquista, que em todo e qualquer assunto que possa suscitar algum tipo de dúvida sobre um eventual benefício ao Benfica, logo aponta o defende o ponto de vista contrário aos nossos interesses, mesmo nos casos em que a razão está claramente do nosso lado. Não só o faz como acusa os seus interlocutores de usarem lentes vermelhas, incapazes que demonstram ser, na sua opinião, de analisarem os assuntos com isenção. Não duvide caro leitor, é mesmo Benfiquista, daqueles que sofrem com o perigo de uma jogada de um adversário quando vencemos por 5-0. Acontece que, nessas discussões, tanto se empenha em demonstrar isenção que acaba por ser parcial contra o Benfica. Lembrei-me dele no fim-de-semana passado.
O paternalismo de Pedro Henriques dedicado, na SportTV, aos sarrafeiros do 1.º de Dezembro, foi lamentável. Perto do final da partida, lá se dignou a criticar o árbitro. Porém, não pela incrível actuação em que tudo permitiu aos rapazes de Sintra, mas por 'ser normal começar a mostrar amarelos quando se está cansado'. Só o Eliseu, que todos sabemos não ser um jogador que arrisque dribles em progressão, foi rasteirado quatro ou cinco vezes pelo n.º 11 adversário... na 1.ª parte...
Mais lastimáveis foram os comentários de Rui Pedro Bráz, na TVI, no jogo de futsal da nossa equipa no Pavilhão do Leões de Porto Salvo. Bruno Coelho foi acusado de 'estar sempre metido em confusões' quando se viu envolvido numa confusão com um adversário. Coitadito do 'leão', pensou que estava num ringue do UFC e decidiu agredir o Bruno Coelho à cotovelada. E a culpa, a julgar pelos comentários do oráculo das transferências, ainda foi do Bruno..."

João Tomaz, in O Benfica

Cheira bem, cheira a Lisboa

"A eclética semana de conquistas do SL Benfica apanhou-me na Austrália. Foi com nove horas de diferença horária que segui as vitórias europeias e nacionais do mais importante clube português.
A Supertaça Europeia de hóquei em patins é o prémio mais do que justo para uma geração de atletas e dirigentes que merece tudo o que de bom lhes tem acontecido. Foram postos em causa depois da derrota pesada contra os rivais da cidade do Porto. Responderem à campeão: com mais títulos.
No andebol, na Taça EHF, vi os relatos pela internet da imensa festa que os adeptos Benfiquistas no Luxemburgo fizeram com a vitória do clube e a passagem à próxima eliminatória da competição. Justíssimo, a dar esperanças para uma época ainda melhor que a anterior.
No futebol, para a Taça de Portugal, grande réplica do 1.º de Dezembro. O tricampeão nacional sofreu, mas Luisão resolveu. Mais uma grande resposta aos críticos do grande capitão. Foi uma semana de bofetadas de luva branca.
Depois da triste derrota contra o FC Porto na Supertaça, a equipa do SL Benfica foi ao pavilhão do rival do Norte e ganhou o jogo para o campeonato. Carlos Lisboa, o treinador que durante a semana foi contestado, respondeu da melhor forma. Ele e os jogadores, claro. Questionar o papel e o saber do melhor basquetebolista português de todos os tempos, um treinador titulado, com carisma e um fervor clubístico como o dele, deixa-me triste. Pôr no mesmo prato da balança os seus cargos como treinador principal da equipa de basquetebol e como director-geral para as modalidades é apenas maldade e despeito. Lisboa é Benfica. E o seu lugar no passado, no presente e no futuro do clube não pode ser posto em causa."

Ricardo Santos, in O Benfica

PS: Para não deixar dúvidas, como eu tenho deixado claro nas crónicas aos jogos, discordo com a opinião sobre o Carlos Lisboa como treinador do Benfica. O seu simbolismo, a sua carreira como jogador, e o seu Benfiquismo são indiscutíveis... mas ser o treinador ideal para o Benfica, é outra conversa...

Super-Benfica

"A pré-temporada não fora bem conseguida, com alguns resultados negativos. A Supertaça doméstica escapou, por via de uma primeira parte desastrada frente ao FC Porto. Mas no passado sábado, com um pavilhão bem composto, o Hóquei em Patins benfiquista regressou às suas jornadas de glória, goleando o Óquei de Barcelos por 9-2, e alcançando o 7.º título internacional em 7 épocas (8º, se lhes acrescentarmos o sector feminino). Desta vez, a Taça Continental, ou Supertaça Europeia, conforme lhe queiramos chamar.
As modalidades do Benfica, diga-se, estão bem e recomendam-se. É óbvio que não se pode ganhar sempre, e além da Supertaça portuguesa de Hóquei, também a de Basquetebol nos fugiu. Porém, conquistámos as de Futsal e de Andebol (além, naturalmente, do Futebol), faltando ainda decidir o Voleibol. E nos vários campeonatos nacionais levamos 12 vitórias em 13 partidas, registo ao qual podemos, e devemos, acrescentar a passagem à segunda ronda da prova europeia andebolista, e um triunfo histórico do Basquete em Itália.
Na ponta final da temporada passada fomos muito pouco felizes. Excepção feita ao Hóquei (título nacional e europeu) e ao Atletismo, morremos na praia nas restantes frentes da nossa grande força eclética. Estivemos nas finais dos play-offs de Futsal, Basquetebol, Andebol e Voleibol. Faltou sorte, sobretudo nestas duas últimas (nas quais, ainda assim, conquistámos as respectivas Taças de Portugal). Mas ninguém ouse dizer que não fomos competitivos.
A nova época traz outra vez um grande Benfica, em todos os domínios. Mais títulos vão seguramente aparecer. É o nosso destino."

Luís Fialho, in O Benfica

Compromisso - parte II


"Algumas linhas sobre as noites europeias da Champions, e a satisfação justificada de um Benfica que voltou a revelar espírito forte!


Este Benfica de Rui Vitória pode não jogar um futebol de encher o olho mas tem um forte compromisso com o jogo e com a vontade de ganhar. É talvez o sinal mais evidente de como equipa campeã nacional continua na linha do foi na última época. Este Benfica é muito forte no espírito, na solidariedade, no carácter. Os jogadores parecem morrer uns pelos outros e apontam sempre a uma elevada exigência competitiva, como se todos pudessem naturalmente falhar por incapacidade ou fraqueza mas ninguém pudesse falhar por desconcentração ou, pior ainda, por descontracção!
Em Kiev, o Benfica voltou a mostrar essa fortaleza de alma e foi, sobretudo, porque foi capaz de sofrer quando foi mesmo preciso sofrer e porque soube reconhecer que naquela parte final do jogo já dificilmente seria capaz de atacar - ou contra-atacar - com critério, precisão e eficácia e teria assim de permitir que o dono da casa assumisse a despesa do jogo.
Este Benfica é, pois, antes de mais, uma equipa mentalmente preparada para o desafio. Pode, na verdade, não jogar muito bem, pode na verdade nem sempre conseguir com que as coisas lhe saiam bem - como no desastre de Nápoles - mas é uma equipa mentalmente disponível para tudo o que tem e precisa de fazer em campo. Isso é inegável e é por esta altura, a meu ver, a sua grande imagem de marca.
Dá tudo o que tem e, se for mesmo indisponível, julgo que dará até o que não tem para sair do campo com a consciência de não poder fazer mais. Parece-me ser essa, sublinho, realmente a coroa destes campeões nacionais, apesar de tudo ainda bem longe de repetirem a Champions da última época.
Devemos, por outro lado, reconhecer que se trata de um campeão humilde, que arregaça as mangas, não anda de saltos altos e luta pela bola em todos os centímetros do campo. Quando joga menos parece que luta ainda mais.
Em Kiev, o Benfica foi feliz ao marcar cedo, soube construir depois vantagem superior, procurou controlar e foi conseguindo na maior parte do tempo, mas ainda acabou por passar um mau bocado quando por duas ou três vezes foi Ederson a evitar, com fantásticas intervenções na baliza, que o Dínamo de Kiev pudesse reentrar no jogo. Mas são estas vitórias, quando não se joga extraordinariamente bem, que dão maior confiança às equipas e melhor as preparam para os desafios mais difíceis. Quando se joga bem é sempre mais fácil entrar no caminho dos sucessos. Verdadeiramente difícil é quando se joga pior.
(...)"

João Bonzinho, in A Bola

A solução continua a ser Vieira

"A sucessão será tranquila, independentemente do número de pretendentes ao trono. O juiz Rangel foi adversário de Vieira há quatro anos e é agora um dos subscritores da sua candidatura.

quatro anos, por esta altura, o juiz Rangel anunciou a sua candidatura à presidência do Benfica e, nesse sentido, foi entrevistado em A Bola TV pelo jornalista José Manuel Freitas.
No entanto, em vez de aproveitar a oportunidade para uma explicação convincente a quem o via no ecrã e dar esclarecimentos sobre os princípios de um programa alternativo ao do outro candidato, preferiu criticar-me com base num texto que assinei e que o juiz classificou de abusiva intromissão no processo eleitoral. Considerou ele que emiti opinião tendenciosa e favorável a uma das partes. Para que não restassem dúvidas, ao mesmo tempo que se libertava da sua indignação,leu passagens do escrito e comentou-as em tom exaltado. Como costuma dizer-se, foi um momento brilhante em televisão que José Manuel Freitas não só não patrocinou como lhe colocou ponto final.
Que terei eu escrito que pudesse irritar o juiz? Nada de especial. Sem duvidar das suas boas intenções e de quantos o acompanhavam, permiti-me colocar reservas sobre o sucesso da candidatura, pela pressa com que havia sido desenhada, sugerindo então que talvez fosse mais sensato Rangel assumir uma oposição atenta, participativa e rigorosa, e perfila-se, desde aí, como rosto visível da sucessão a Vieira, o que não fez.
Há quatro anos escrevi em título que A solução Vieira, porque da grandiosa empreitada por ele erguida faltava-lhe concluir a chamada terceira fase e que tinha a ver com a recuperação da liderança no futebol. O défice de títulos constituía o ponto fraco do seu projecto e aquele que a lista de Rangel naturalmente iria explorar. Vivia-se ainda numa época em que o grande Jorge Jesus perdia mais do que ganhava. Estávamos em Outubro 2012, no dealbar de uma época dolorosa para o mundo benfiquista, principalmente para o seu presidente.

A solução continua a ser Vieira e, pelos vistos, quem comigo se irritou em 2012 deve ter chegado à conclusão que o caminho é este: apoiar a linha de continuidade e recusar a confluência de ruídos que qualquer tentativa de disputa pelo poder, hoje como há quatro anos, iria provocar. É evidente que ninguém defende uma presidência eterna, mas também ninguém quer ver repetidas catastróficas experiências esboçadas entre jantares de duvidoso fervor clubista e com soluções trôpegas riscadas em guardanapos de papel que descambaram em pesadelo, ao permitirem a entrada em cena de coveiros disfarçados de salvadores com asinhas de anjo...
O Benfica não precisa mais de candidatos surpresa, nem de vendedores de ilusões. Vieira vai sair um dia, é a lei da vida, e quando esse dia chegar não faço a menor ideia de quem lhe poderá suceder, mas julgo errar pouco se adiantar que a figura que os adeptos elegerem não representará mais um tiro no escuro, como sucedeu no passado. Será uma figura conhecida, escrutinada e idónea. Será uma sucessão tranquila, independentemente do número de pretendentes ao trono. Tanto assim que o juiz Rangel foi adversário de Vieira há quatro anos e é agora um dos subscritores da sua candidatura. Reflexo daquilo que pode considerar-se o trabalho invisível em que o presidente benfiquista muito se tem empenhado para superar divergências internas e colocar o acento tónico na aglutinação de sensibilidade em nome do objectivo comum que é o Benfica do futuro: mais forte, mais rico e mais vitorioso.
(...)"

Fernando Guerra, in A Bola

Benfiquismo (CCLVII)

Era uma vez...

Em tempo de eleições no Benfica, nada melhor que falar do... Benfica!

"A nova conquista da Europa é um sonho para concretizar. A tal possibilidade cada vez mais real. A tal oportunidade que não podemos voltar a perder...

Pedro Nunes
Tenho, desde novo, um enorme fascínio pelo hóquei em patins. De atleta no 2.º melhor clube português - o Académico Futebol Clube - ao Sport Lisboa e Benfica, onde joguei três épocas (quando vim para Lisboa, para a Faculdade de Direito) e onde acabei a carreira (faria lá algum sentido jogar noutro clube, depois de ter jogado no Glorioso?).
Modalidade que tem vindo a crescer, no Benfica, nos últimos anos.
Primeiro com Luís Sénica (1.º título de Campeão Europeu) e, nos últimos anos - quebrando a hegemonia do Porto - com Pedro Nunes.
Quando chegou ao Benfica em 2013, sabia qual era a sua missão.

Mas também sabia que o seu novo desafio, que tinha tanto de orgulho quanto de privilégio - como o é para todos os que servem o Benfica - era uma enorme responsabilidade!
Pedro Nunes percebeu isso, sendo, hoje, um dos responsáveis por sermos e nos assumirmos como um dos favoritos - senão o principal - à conquista de todos os troféus que estão em disputa, em cada época.

Outra não poderá ser a atitude, depois de uma grande época, com a brilhante conquista da Liga Europeia e do campeonato nacional (este pela segunda vez consecutiva),
Desde que cá chegou, além desses dois títulos mencionados e ganhos na temporada passada, conquistou, na época de 2013/14, uma Taça Continental, uma Taça Intercontinental e uma Taça de Portugal e, em 2014/15, mais um campeonato e uma Taça de Portugal.
Pedro Nunes sabe que, também esta época, o espera um conjunto de etapas difíceis, em que a manutenção da união em torno do plantel, com um forte espírito de equipa, e a ambição subjacente à condição de ser do Benfica, farão deste plantel de hóquei um permanentemente candidato a tudo vencer.
Sabe, também, como o próprio o disse, aquando da sua renovação, até 2018, que «(não) faz sentido continuar no Benfica sem pensar em ganhar tudo».
Como sabe, ainda, que a grandeza do Benfica impõe que exista a ambição de ganhar tudo o que há a ganhar.
E Pedro Nunes - que conheço há mais de 27 anos, quando o jornalismo o entretinha e o afastava (sem sucesso) da paixão pelo hóquei -, pelo seu carácter, pela sua personalidade, pela sua competência, pela sua serenidade, pela capacidade de liderança e pela humildade com que sempre encarou e lidou com o sucesso, merece voltar a ganhar tudo.

Rui Vitória
E por falar em grandes treinadores, de homens com carácter e que sabem o que é ser do Benfica - uma condição necessária e exigível - volto sempre a ... Rui Vitória.
O site do Football World Rankings, que nos dá a conhecer as classificações semanais de, entre outros, clubes e treinadores, consoante as suas prestações, coloca Rui Vitória em 19.º lugar (o 2.º melhor treinador português esta semana, só superado por Paulo Fonseca, no 10.º lugar). Ou seja... o melhor treinador português do nosso campeonato.
Outros estão em 3.º lugar do ranking português e em 33.º lugar na geral.
E há ainda quem não apareça nos primeiros 100 lugares. É o caso de Nuno Espírito Santo, que já elogiei publicamente, por diversas vezes, pelo carácter, pelo discurso e pela determinação. O treinador do Porto ficou em 192.º lugar dessa lista (pior só Pedro Emanuel, em 202.º), bem atrás do seu adversário da terça-feira passada, Michel Preud'homme, a quem ganhou, que ficou em 111.º.
Preud'homme, antes e durante as 5 épocas no Benfica (de 1994/95 a 1998/99), foi considerado o melhor guarda-redes do mundo. O que não significa que seja ou possa vir a ser um grande treinador.
Já Nuno Espírito Santo é, porventura, o jogador com maior número de jogos, no seu clube... vistos do banco. Por isso, dizem as más línguas, é o treinador do mundo com mais experiência de banco... como jogador. Dará para vir a ser um grande treinador? Seria o primeiro guarda-redes a consegui-lo.
Eu sei que há pessoas que, no futebol, conseguem (quase) tudo, mas este, pelas circunstâncias, seria... um verdadeiro milagre.
Ao nível do ranking das equipas, o Benfica ficou, esta semana, e 25.º lugar, sendo a equipa portuguesa mais bem cotada. O Porto ficou em 37.º, o Braga em 40.º e (não dizendo o nome,poupe-lhes trabalho ao nível dos comunicados)... em 46.º.
Ora, se o que parece é, o treinador que não era treinador, quando chegou ao Benfica, está - e continua! - à frente de todos os que por vá trabalham. Embora tenha estado sempre à frente, isso sim, no carácter, na elevação, mas, essencialmente, na humildade, na educação e na responsabilidade.
De facto, Rui Vitória fez do aproveitamento das potencialidades do Clube a sua maior arma. Com rigor e inteligência, para que o futuro continue a ser de grandes vitórias, tanto cá, como lá fora. Rui Vitória sabe com quem pode contar: com os seus jogadores e estes com ele. Dando a devida oportunidade a quem a merece, sem perseguir ninguém, nem fazendo de cada oportunidade concedida semelhante a uma esmola a um indigente.
Com isso, tem impedido a saída de alguns jogadores com potencial para estar na equipa principal de futebol. E só o repito para que nunca o esqueçamos (o princípio e quem o negava, por arrogância e soberba).

No topo da Europa
A Europa, outra vez. Com o Benfica a fazer parte da lista dos melhores clubes de sempre da UEFA Champions League, recentemente divulgada. Um lugar que é seu por direito e por inerência.
Perante a surpresa para alguns - felizmente poucos - estamos na lista dos dez melhores. Mais precisamente, em sétimo lugar, com 264 pontos. Estando, apenas, à nossa frente clubes como Real Madrid, Bayern de Munique, Barcelona, Manchester City, Inter de Milão e Juventus.
Para essa classificação, foram importantes os pontos alcançados com as conquistas na competição. É, de facto, motivo de grande orgulho pertencer aos melhores e, ao mesmo tempo, uma enorme responsabilidade pelo compromisso a assumir no futuro.
A nova conquista da Europa é um sonho para concretizar. A tal possibilidade cada vez mais real. A tal oportunidade que não podemos voltar a perder. Interiorizando que tal é possível, apesar das dificuldades. Acreditando, com a obrigação de ter em nós «todos os sonhos do mundo». Agora, e como sempre!

Se for sempre como em Kiev...
Ontem, ganhámos na Ucrânia. Não significa nada, nesse caminho de podermos vencer a 3.ª... mas haverá um dia que todos os resultados - numa época - serão iguais ao que conseguirmos com o Dínamo de Kiev.
E, aí, conjugados todos os sonhos do mundo, com uma confiança ilimitada naquilo que nos ensinaram ser o Benfica, venceremos a nossa aposta.
À Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Eleições no Benfica

"Terminou o período de apresentação de candidaturas aos órgãos sociais do SLB para as eleições do próximo quadriénio. Sem surpresas, Luís Filipe Vieira é o único candidato a presidente. Alguns mandatos volvidos, a quase unanimidade de apoio no seio do clube é prova insofismável do progressivo reconhecimento de que o seu trabalho reabilitou o Benfica como o maior e mais vitorioso clube nacional. Uma única lista não é, neste caso, expressão de uma letargia democrática ou de uma quase impositiva ausência de alternativa. É a constatação que vale a pena prosseguir, com solidez, o rumo traçado e aproveita a experiência e sabedoria que, com o decorrer do tempo e humildade, sempre se podem exponenciar.
Vive-se, pois, um tempo de unidade, de estabilidade e de serenidade no clube. Para isso muito contribuíram os êxitos no futebol e modalidades nos últimos anos, os investimentos em estruturas de nível superior e de corajosa inovação, a racionalização de métodos e a optimização de recursos, o profundo respeito pela história e passado do clube e a política de comunicação por via de um excelente canal televisivo dedicado.
Unidade, não quer dizer unicidade. Estabilidade não significa conformismo. Serenidade enfrentando, sem fantasia, os muitos desafios pela frente.
Importante será que estes valores tenham expressão pública na ida às urnas para dar força e autoridade democrática à equipa dirigente, evitando a forte abstenção que uma única lista sempre sugere.
Os benfiquistas devem olhar para o importante, porque o importante está dentro do clube e não em guerrilhas externas. Ah! E o voto continua a ser electrónico. Ainda bem!"

Bagão Félix, in A Bola

Benfica mentalmente forte

"Personalidade e estratégia bem firmes em toda a hora e meia. Aquilo que FC Porto (mesmo ganhando) e Sporting não tiveram.

Atenuando um pouco a vil tristeza das nossas equipas nas duas primeiras jornadas da Champions (6 jogos, apenas 1 vitória - a do Sporting sobre o fraquinho Légia Varsóvia, em Alvalade), FC Porto e Benfica conseguiram concluir a 1.ª volta estreando-se no triunfo, e ambos fora de casa, relançado-se na corrida à fase seguinte.
O Benfica, impondo-se em Kiev, afastou o Dínamo dessa corrida (também o Nápoles ali ganhara, 1-2, tendo os ucranianos empatado em casa do Besiktas). No frio de Kiev, viu-se Benfica coeso, corajoso, decidido a vencer. Penalty (evidente) aos 10 minutos mais o embalou nessa convicção. Curioso: também de penalty (claríssimo), o FC Porto chegara ao êxito em Brugges, nos derradeiros segundos. Não se trata de sorte; para criar situação de castigo máximo, é preciso, por regra, atacar bem, com perigo...
Dínamo Jiev pera doce não é. Para o ultrapassar, no seu terreno, foi mesmo necessário um Benfica com firme personalidade, mental e estrategicamente forte desde o início e assim se mantendo ao longo da hora e meia. Pormaior: sem André Horta, Danilo, Samaris, foi decisiva a capacidade de Pizzi para se readaptar às funções de n.º 8.
Importantíssimo triunfo. Ainda assim, contas mais complicadas pela inesperada vitória do Besiktas em Nápoles. O Benfica terá de ir à Turquia... no intervalo de receber Dínamo e Nápoles.  Precisa de somar mais 6 pontos. Para estar na corrida foi absolutamente crucial o êxito em Kiev.
(...)"

Santos Neves, in A Bola

Kiev: o que hoje é verdade...

"Ederson é o melhor na baliza; Pizzi é o melhor a 'oito'; e o talento de Grimaldo e Cervi...

Algumas verdades, importantes de Kiev, relativamente ao Benfica e que valem o que valem as verdades no futebol: não resistem, quase nunca, à espuma dos tempos...
- Éderson caminha para ser um dos melhores guarda-redes do mundo (e são 10, quiça 20, os que habitam nesse patamar de excelência). Ontem, em Kiev, viu-se, mais uma vez, como o jogo de pés do goleiro encarnado abre uma série de pistas a Rui Vitória, que pode criar soluções que colocam a bola a 80 metros das redes do Benfica. E, dizendo isto, não estou a dizer que Júlio César não vai ser útil aos encarnados. Sê-lo-á, no tempo e no modo adequados.
- Pizzi é o melhor oito do Benfica. Jorge Jesus há tinha tirado, na Luz, proveito dos méritos do transmontano como box to box e Rui Vitória estará a concluir, presumo, que Pizzi dá à equipa, no âmbito dos equilíbrios naquela zona fulcral do terreno - onde a construção e a destruição estão à distância de um suspiro - aquilo que ainda falta a André Horta, por mais potencial que se lhe identifique, e que ainda não consegue oferecer.
- Gonçalo Guedes continua a ser um excitante projecto jogador. Mas precisa de definir melhor para estar à altura das exigências de uma Liga dos Campeões. Quantas situações criou o Benfica, de igualdade ou superioridade numérica, na partida de Kiev, susceptíveis de matar o jogo? Muitas. Mas a requererem mais qualidade ou no último passe, ou no derradeiro toque.
-Esquerda baixa. O talento não se mede aos palmos. Cervi e Grimaldo deram cabo da organização ucraniana e mostraram talento e raça, na melhor tradição à Benfica. Chalaninhas!
- Rui Vitória tem tudo em aberto num grupo inesperadamente equilibrado. E o que parece é que o Benfica está a crescer.

PS - Manifestamente exagerada a fama de pé frio de Paulo Alves, jornalista de A BOLA, relativamente ao Benfica..."

José Manuel Delgado, in A Bola

A decisão capilar de Lindelöf e a homenagem que Guedes prestou a Isaías

"Ederson
Continua a intrigar os adeptos. Tem cara de lutador da UFC e um pé esquerdo capaz de enviar Connor McGregor para as urgências do São José, mas continua a insistir no futebol. Enquanto os colegas procuravam maioritariamente chegar à baliza adversária, Ederson foi evitando as investidas de um colectivo mal encarado de indivíduos de leste, como se as redes benfiquistas fossem o seu Palácio do Kebab. À hora em que escrevemos, o espaço aéreo ucraniano continuava encerrado na sequência de um pontapé de baliza seu.

Nélson Semedo
Não tendo ainda consultado as estatísticas do jogo, e não tencionando fazê-lo, ficaríamos ainda assim muito surpreendidos se Nelson Semedo não aparecesse num qualquer onze da semana. Vejam lá se não fazemos queixa à UEFA. Nélson Semedo iniciou a época com um futebol emocionalmente paralelo aos papéis de Forrest Whitaker, planou durante umas semanas na insipidez de um Will Smith, e começa finalmente a parecer-se com o Denzel Washington pretendido de um lateral-direito moderno, na medida em que interpreta sempre a mesma personagem - a de um futebolista ultra-confiante com fogo no cu - e quase nunca vai mal.

Lindelof
Aos 22 anos, Lindelöf prepara-se para tomar uma das decisões mais importantes da sua carreira. A vontade dos adeptos é clara: máquina zero. Agora só depende dele, mas já demos tempo suficiente àquele corte de cabelo. Pior: as mangas compridas a esconderem as tatuagens tornam-no quase tão intimidante como Cervi numa luta de rua. Felizmente, tinha dois sócios por perto - Luisão e Grimaldo -, caso contrário teria acabado com um sobrolho aberto.

Luisão
O pai da defesa benfiquista voltou a protagonizar um daqueles raros episódios na presente civilização, em que um cidadão brasileiro consegue ensinar a um sueco os mais básicos princípios organizacionais. O corte magistral aos 27 minutos mostrou-nos o segundo melhor dos Luisões (o melhor é o que fala inglês no Instagram), mas ele dirá que foi #deusnocomando ou qualquer coisa assim. Fica sempre a sensação de que para fazer boas exibições só precisa de evitar - durante 90 minutos - que o adversário se vire de frente para ele. Sempre que tal não é possível, é tendencialmente comido de cebolada.

Grimaldo
Ao intervalo aceitou renovar até 2028 e, não surpreendentemente, no final da partida prolongou o vínculo até 2036, tendo a cláusula de rescisão sido estabelecida em dois Gelson e meio. Dá mundos ao mundo do futebol benfiquista, a atacar - Cervi é o seu novo BFF - e a defender. Não passou pela flash interview, mas se lá fosse diria apenas: “Yarmoquem?”.

Fejsa
Longe, muito longe vão os tempos em que o Benfica parecia ter contratado um UMM para percorrer o seu meio-campo em busca de adversários e bolas de futebol. Tem nome de Skoda, mas é hoje um verdadeiro Touareg. Pareceu sempre em casa, mais frio que a temperatura do ar, fazendo os ucranianos pareceram que estavam a defrontá-lo num daqueles estádios na Bolívia a 3 mil metros de altitude. Melhor em campo, pois claro.

Pizzi
Fez um excelente passe para Guedes no lance que deu penálti e é capaz ter sentido ciúmes do bromance entre Cervi e Grimaldo. O espanhol nunca pareceu tão apaixonado por Pizzi como pelo pequeno argentino. Segundo as redes sociais, a sua carreira continua a estar dependente do próximo passe ou marcação de canto, mas todos sabemos que não vai a lado nenhum. E ainda bem.

Salvio
É oficial: o melhor Salvio está de volta. Marcou aos 8 minutos de penálti; não querendo viver acima das suas possibilidades, pediu calma aos colegas durante os festejos. É provável que se lesione, não sem antes melhorar ainda mais o seu rendimento e o valor do seu passe. Aproveitemos que a vida é curta.

Mitroglou
Quase evitava o segundo golo do Benfica; felizmente Cervi conseguiu marcar na recarga. Nunca pensou vir a sentir tantas saudades de um homem da sua idade. Volta Jonas.

Gonçalo Guedes
Guedes, Gonçalo Guedes. Licença para cavar penáltis. Foi mais um jogo com GG9 a contribuir objectivamente para a vitória, mas o miúdo não nos pareceu especialmente inspirado. Protagonizou uma bonita homenagem a Isaías, com 43 remates para a bancada e nenhum à baliza. Actualmente a deixar crescer a barba, que atravessa uma fase similar ao relvado de Alvalade na fase Bettencourt. 

Cervi
Um dos melhores em campo. Atacou, defendeu, rematou, cruzou, chateou, entusiasmou, incomodou, jogou, fez jogar. Um metro e 23 centímetros de pura irreverência, com muitos poucos tiques de argentino em primeira época na Europa e vários de sul-americano em vias de ser despachado por 40 milhões. Esperamos um dia destes poder dizer neste espaço que gostaríamos de poder dizer aos nossos netos que vimos Cervi jogar.

Jiménez
Antes da lesão, o passe de Jiménez estaria, realisticamente, avaliado em, quê, uns 8 milhões? Com jeitinho… uns 10, vá. O seu regresso aos relvados ainda não dá para contar grande história, mas o que quer que venha a acontecer, terá de ser - de acordo com o calciomercato, o presidente e pessoas na internet - pelo menos, seis vezes melhor.

Celis
Quando éramos mais novos fizemos uma visita a Campo Maior. A meio do caminho, a professora esqueceu-se de nós na estação de serviço. Imaginem fazer o mesmo ao Celis e bloquear o acesso às contas bancárias. São 4147 quilómetros entre Kiev e Lisboa. Quando ele regressar já o mercado reabriu.

Eliseu
Entrou em campo com um papel para entregar a Pizzi, dizendo "Onde é que se janta, maninho? Tou c'uma galga"."

Qualidade individual

"O Benfica impôs-se ao Dínamo de Kiev com os mesmos argumentos que lhe têm servido para ganhar internamente

Apesar de inesperada, a vitória do Besiktas em Nápoles, com Quaresma e Aboubakar no papel de protagonistas, acabou por confirmar o Grupo B como um dos mais abertos desta fase da Champions. Tal como ficaram as contas no final da primeira volta, é tão difícil identificar um favorito claro ao primeiro lugar como seria insensato ignorar o papel que o "outsider" Dínamo de Kiev pode desempenhar na definição dos primeiros lugares.
O próprio Rui Vitória fez questão de sublinhar que os ucranianos são mais consistentes e perigosos a jogar fora de casa, onde não sentem a responsabilidade de assumir a iniciativa e podem apostar livremente no contra-ataque, naquilo que pode ser entendido como um aviso: importante como foi, a vitória de ontem só poderá ser devidamente capitalizada se os encarnados forem capazes de lhe acrescentar outra, já a seguir, na Luz, enquanto Besiktas e Nápoles se desgastam mutuamente.
De resto, mesmo ontem, num jogo em que estiveram por baixo praticamente desde o primeiro ao último minuto, há pelo menos uma mão-cheia de grandes defesas de Ederson a provar que os ucranianos têm argumentos suficientes para fazer estragos. E que, tal como também tem sido evidente no campeonato, este Benfica vai mais formoso do que propriamente seguro, impondo-se muito mais graças à qualidade individual em zonas de decisão do que propriamente enquanto colectivo coeso e articulado. Não é defeito, sublinhe-se. Pelo menos não enquanto continuar a ganhar."


PS: Resolvi 'postar' essencialmente, porque concordo com a ideia que o Dínamo é mais perigoso nos jogos fora, do que nos jogos em casa... algo que o Rui Vitória chamou a atenção, mas foi pouco realçado!!!!
No resto da coluna, é sempre agradável verificar a azia provocada pelas vitórias do Benfica!!!