Últimas indefectivações

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Lixívia 34

Tabela Anti-Lixívia:
Benfica........... 88 (-5) = 93
Sporting........ 86 (+19) = 67
Corruptos.......73 (+11) = 62

A 'maratona' terminou, o Benfica ganhou... e a azia dos arruaceiros, só tornaram este título mais saboroso!!!
Na última jornada, tudo na mesma, nada mudou, o discurso manteve-se... mas o Benfica não tremeu.
Depois de uma novela macabra durante a semana, os Lagartos lá conseguiram nomear para os dois jogos decisivos, dois Lagartos! Com um dos parceiros oficiais do Sporting a apitar o jogo do Sporting: tudo normal!!! Tão normal, que o Huguinho repetiu (em parte!!!), o trabalhinho de 2013, onde na última jornada expulsou um jogador do Paços, por uma suposta falta (que não existiu), fora da área (ele marcou penalty) logo no início da partida, oferecendo o título aos Corruptos... afastando-o do Benfica; ontem, voltou a expulsar um jogador por uma falta fora da área que ele queria transformar em penalty (emendou a tempo por indicação do Fiscal-de-linha, voltou atrás, e marcou falta fora da área...), mas com a expulsão do defesa do Braga (inacreditável, já que o jogador do Sporting não está isolado, tem outro defesa do Braga ao lado...), oferecendo assim a vitória ao Sporting!!! Parece que todos os concorrentes directos do Benfica, na última jornada, só têm que 'pedir' o Huguinho, e a coisa resolve-se....!!!
Antes disso, houve um penalty sobre o Teo não assinalado, num daqueles lances da 'intensidade', mas como é a última jornada, dou de barato ao Babalu e à carneirada...

Na Luz, todos falam de uma Mão do Talisca, e de facto a bola bate no braço do Talisca, mas não existe qualquer intenção, é um lance título de Bola na Mão: um jogador do Nacional salta à frente do Baiano ( e desvia ligeiramente a trajectória da bola), o Talisca tenta cortar a bola de cabeça, tem os braços na posição natural, e a bola bate-lhe no braço... e já agora, a falta lateral na origem deste lance, no Estádio, pareceu-me não existir...
Nos dois primeiros golos do Benfica, os Nacionalistas pediram falta, mas em nenhum deles existiu qualquer infracção; corte limpo do Lindelof no 1.º golo...; corte limpo do Fejsa no 2.º golo, e ainda levou com um soco!!!
Mas é curioso que a intervalo o critério mudou... provavelmente alguém deu um 'toque' ao árbitro, chamando a atenção do lance do Talisca, dando a entender que seria penalty... e no 2.º tempo, houve uma clara perseguição os jogadores do Benfica, com o zénite, a acontecer quando o Jardel sofre uma falta, e o árbitro dá falta contra o Benfica e Amarelo para o nosso Central!!! Além do golo em fora-de-jogo do Nacional já nos descontos...!!!


A propaganda Lagarta vai transformar este Campeonato, em mais um título do Colinho do Benfica... mas como podem verificar, o Sporting foi de longe a equipa mais beneficiada, com erros grandes, com influência no resultado... Aliás o Sporting, quebrou mesmo o record, que pertencia ao Braga de 2010, com 19 pontos a mais...!!! 
O discurso do atrasado mental do Babalu, até compreendo, quando um Troll da Net, é eleito Presidente de um Clube como o Sporting, só se pode esperar merda... Da carneirada, que repete letra a letra o discurso do Presidente também não esperava mais... Das putas que sendo funcionários do Clube, vão para as televisões, jornais e rádios, repetir o discurso oficial, mesmo sabendo que aquilo é tudo treta, só tenho que deixar o meu pesar por tanta 'coluna' partida... Para os jornaleiros, que se vergam ao politicamente correcto diariamente, sendo coniventes, com o discurso de mentira, ignorância e ódio lançado pelo Babalu, só desejo que as imprensas de comunicação social continuem a despedir pessoal...!!!

Devíamos ter celebrado o título no Bessa, mas mesmo assim ganhámos... um Campeonato épico, com todos os movimentos fora do campo, mas também por muita coisa que se passou dentro do campo, principalmente nos jogos dos Lagartos... Temos que admitir, que nos nossos jogos apesar de tudo, comparando com épocas anteriores, já não somos tão roubados, como já fomos... principalmente nos anos dourados do Apito...

Anexos:
Benfica
1.ª-Estoril(c), V(4-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
2.ª-Arouca(f), D(1-0), Nuno Almeida, Prejudicados, (1-2), (-3 pontos)
3.ª-Moreirense(c), V(3-2), Jorge Ferreira, Prejudicados, (4-1), Sem influência no resultado
4.ª-Belenenses(c), V(6-0), Bruno Paixão, Nada a assinalar
5.ª-Corruptos(f), D(1-0), Soares Dias, Prejudicados, (-1 ponto)
6.ª-Paços de Ferreira(c), V(3-0), Rui Costa, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
8.ª-Sporting(c), D(0-3), Xistra, Prejudicados, (3-3), (-1 ponto)
7.ª-União(f), E(0-0), Cosme, Nada a assinalar
9.ª-Tondela(f), V(0-4), Veríssimo, Nada a assinalar
10.ª-Boavista(c), V(2-0), Esteves, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
11.ª-Braga(f), V(0-2), Hugo Miguel, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
12.ª-Académica(c), V(3-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado
13.ª-Setúbal(f), V(2-4), Manuel Mota, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
14.ª-Rio Ave(c), V(3-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-1), Sem influência no resultado
15.ª-Guimarães(f), V(0-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível de contabilizar
16.ª-Marítimo(c), V(6-0), Veríssimo, Nada a assinalar
17.ª-Nacional(f), V(1-4), Tiago Martins, Nada a assinalar
18.ª-Estoril(f), V(1-2), Vasco Santos, Prejudicados, (1-3), Sem influência no resultado
19.ª-Arouca(c), V(3-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
20.ª-Moreirense(f), V(1-4), Manuel Oliveira, Prejudicados, (1-5), Sem influência no resultado
21.ª-Belenenses(f), V(0-5), Nuno Almeida, Nada a assinalar
22.ª-Corruptos(c), D(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Jorge Ferreira, Prejudicados, (0-4), Sem influência no resultado
24.ª-União(c), V(2-0), Cosme, Nada a assinalar
25.ª-Sporting(f), V(0-1), Soares Dias, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-Tondela(c), V(4-1), Luís Ferreira, Nada a assinalar
27.ª-Boavista(f), V(0-1), Veríssimo, Nada a assinalar
28.ª-Braga(c), V(5-1), Nuno Almeida, Prejudicados, (6-1), Sem influência no resultado
29.ª-Académica(f), V(1-2), Capela, Nada a assinalar
30.ª-Setúbal(c), V(2-1), Rui Costa, Nada a assinalar
31.ª-Rio Ave(f), V(0-1), Soares Dias, Nada a assinalar
32.ª-Guimarães(c), V(1-0), Paixão, Prejudicados, (2-0), Sem influência no resultado
33.ª-Marítimo(f), V(0-2), Veríssimo, Prejudicados, (0-3), Sem influência no resultado
34.ª-Nacional(c), V(4-1), Nuno Almeida, Prejudicados, (4-0), Sem influência no resultado

Corruptos
1.ª-Guimarães(c), V(3-0), Veríssimo, Nada a assinalar
2.ª-Marítimo(f), E(1-1), Hugo Miguel, Nada a assinalar
3.ª-Estoril(c), V(2-0), Duarte Gomes, Prejudicados, (3-0), Sem influência no resultado
4.ª-Arouca(f), V(1-3), João Capela, Nada a assinalar
5.ª-Benfica(c), V(1-0), Soares Dias, Beneficiados, (+2 pontos)
6.ª-Moreirense(f), E(2-2), Vasco Santos, Nada a assinalar
7.ª-Belenenses(c), V(4-0), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
8.ª-Braga(c), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
9.ª-União(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Prejudicados, (1-4), Sem influência no resultado
10.ª-Setúbal(c), V(2-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
11.ª-Tondela(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
12.ª-Paços de Ferreira(c), V(2-1), Xistra, Beneficiados, (1-1), (+ 2 pontos)
13.ª-Nacional(f), V(1-2), Jorge Sousa, Beneficiados, (3-2), (+3 pontos)
14.ª-Académica(c), V(3-1), Bruno Esteves, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
15.ª-Sporting(f), D(2-0), Hugo Miguel, Prejudicados, Beneficiados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Rio Ave(c), E(1-1), Rui Costa, Nada a assinalar
17.ª-Boavista(f), V(0-5), Veríssimo, Beneficiados, (1-5), Sem influência no resultado
18.ª-Guimarães(f), D(1-0), Manuel Oliveira, Prejudicados, Sem influência no resultado
19.ª-Marítimo(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
20.ª-Estoril(f), V(1-3), Tiago Martins, Nada a assinalar
21.ª-Arouca(c), D(1-2), Rui Costa, Prejudicados, Beneficiados, (2-3), Impossível contabilizar
22.ª-Benfica(f), V(1-2), Soares Dias, Nada a assinalar
23.ª-Moreirense(c), V(3-2), Luís Ferreira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
24.ª-Belenenses(f), V(1-2), Capela, Nada a assinalar
25.ª-Braga(f), D(3-1), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, Impossível contabilizar
26.ª-União da Madeira(c), V(3-2), Manuel Oliveira, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
27.ª-Setúbal(f), V(0-1), Manuel Mota, Nada a assinalar
28.ª-Tondela(c), D(0-1), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, (1-2), Impossível contabilizar
29.ª-Paços de Ferreira(f), D(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Prejudicados, (1-1), (-1 ponto)
30.ª-Nacional(c), V(4-0), Luís Ferreira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
31.ª-Académica(f), V(1-2), Nuno Almeida, Nada a assinalar
32.ª-Sporting(c), D(1-3), Soares Dias, Prejudicados, (2-2), (-1 ponto)
33.ª-Rio Ave(f), V(1-3), Paixão, Prejudicados, Sem influência no resultado
34.ª-Boavista(c), V(4-0), Xistra, Nada a assinalar

Sporting
1.ª-Tondela(f), V(1-2), Xistra, Prejudicados, Beneficiados, (0-1), Sem influência no resultado
2.ª-Paços de Ferreira(c), E(1-1), Manuel Oliveira, Nada a assinalar
3.ª-Académica(f), V(1-3), Bruno Esteves, Prejudicados, Beneficiados, Sem influência no resultado
4.ª-Rio Ave(f), V(1-2), Hugo Miguel, Nada a assinalar
5.ª-Nacional(c), V(1-0), Veríssimo, Beneficiados, Impossível contabilizar
6.ª-Boavista(f), E(0-0), Soares Dias, Nada a assinalar
7.ª-Guimarães(c), V(5-1), Rui Costa (Hélder Malheiro), Nada a assinalar
8.ª-Benfica(f), V(0-3), Xistra, Beneficiados, (3-3), (+2 pontos)
9.ª-Estoril(c), V(1-0), Jorge Ferreira, Prejudicados, Beneficiados, (1-0), Sem influência no resultado
10.ª-Arouca(f), V(0-1), Cosme, Beneficiados, (2-1), (+3 pontos)
11.ª-Belenenses(c), V(1-0), Soares Dias, Nada a assinalar
12.ª-Marítimo(f), V(0-1), Rui Costa, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
13.ª-Moreirense(c), V(3-1), Paulo Baptista, Beneficiados, (1-1), (+2 pontos)
14.ª-União(f), D(1-0), Vasco Santos, Nada a assinalar
15.ª-Corruptos(c), V(2-0), Hugo Miguel, Beneficiados, Prejudicados, (2-1), Impossível contabilizar
16.ª-Setúbal(f), V(0-6), Jorge Ferreira, Nada a assinalar
17.ª-Braga(c), V(3-2), Sousa, Beneficiados, (1-2), (+3 pontos)
18.ª-Tondela(c), E(2-2), Luís Ferreira, Nada a assinalar
19.ª-Paços de Ferreira(f), V(1-3), Soares Dias, Nada a assinalar
20.ª-Académica(c), V(3-2), Cosme, Prejudicados, Beneficiados, (3-1), Sem influência no resultado
21.ª-Rio Ave(c), E(0-0), Xistra, Beneficiados, Sem influência no resultado
22.ª-Nacional(f), V(0-4), Paixão, Beneficiados, Sem influência no resultado
23.ª-Boavista(c), V(2-0), Rui Costa, Nada a assinalar
24.ª-Guimarães(f), E(0-0), Tiago Martins, Beneficiados, (1-0), (+1 ponto)
25.ª-Benfica(c), D(0-1), Soares Dias, Beneficiados, Prejudicados, Impossível contabilizar
26.ª-Estoril(f), V(1-2), Manuel Mota, Prejudicados, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
27.ª-Arouca(c), V(5-1), Manuel Oliveira, Prejudicados, (5-0), Sem influência no resultado
28.ª-Belenenses(f), V(2-5), Tiago Martins, Beneficiados, Prejudicados, (2-5), Sem influência no resultado
29.ª-Marítimo(c), V(3-1), Nuno Almeida, Beneficiados, (2-1), Sem influência no resultado
30.ª-Moreirense(f), V(0-1), Bruno Paixão, Beneficiados, (0-0), (+2 pontos)
31.ª-União da Madeira(c), V(2-0), Rui Costa, Nada a assinalar
32.ª-Corruptos(f), V(1-3), Soares Dias, Beneficiados, (2-2), (+2 pontos)
33.ª-Setúbal(c), V(5-0), Tiago Martins, Nada a assinalar
34.ª-Braga(f), V(0-4), Hugo Miguel, PrejudicadosBeneficiados, Impossível contabilizar

Jornadas anteriores:
1.ª jornada
2.ª jornada
3.ª jornada
4.ª jornada
5.ª jornada
6.ª jornada
7.ª jornada
8.ª jornada
9.ª jornada
10.ª jornada
11.ª jornada
12.ª jornada
13.ª jornada
14.ª jornada
15.ª jornada
16.ª jornada
17.ª jornada
18.ª jornada
19.ª jornada
20.ª jornada
21.ª jornada
22.ª jornada
23.ª jornada
24.ª jornada
25.ª jornada
26.ª jornada
27.ª jornada
28.ª jornada
29.ª jornada
30.ª jornada
31.ª jornada
32.ª jornada
33.ª jornada


Épocas anteriores:

Espírito dos fundadores vive em Vieira

"O Benfica foi fundado sem tentações elitistas e cresceu como clube do povo para o povo, de olhos postos nas conquistas desportivas

Acabou o campeonato mais frenético de há muitos anos a esta parte e há que elencar vencedores. Haverá tempo para abordar, de forma cuidada, os méritos e deméritos do Sporting, de Jorge Jesus e de Bruno de Carvalho. Porém, para já, honra aos vencedores e o Benfica de Rui Vitória garantiu um lugar na história, aprofundando a tese da actual hegemonia dos encarnados no desporto português. É que, ao tri no futebol, juntam-se os títulos no hóquei em patins e a presença em finais nas modalidades com maior impacto popular.

Vieira, antes dos outros
O Benfica pós-Vale e Azevedo, resgatado do inferno pela coragem de Manuel Vilarinho, é, tal como o conhecemos hoje, obra e feito de Luís Filipe Vieira. O caminho percorrido teve várias fases, algumas nuances, mas sempre um propósito definido: criar condições para que o Benfica recuperasse, de forma consistente, a liderança do desporto nacional. Paulatinamente, com muitos avanços e alguns recuos, passando por várias fases - de Camacho a Trapattoni, de Koeman a Fernando Santos, de Quique Flores e de Jorge Jesus a Rui Vitória - o Benfica aproximou-se do FC Porto, afastou-se do Sporting e acabou por ultrapassar os dragões, num processo sistemático a que Vieira nunca fugiu.
Há três anos, em entrevista a A BOLA, Luís Filipe Vieira afirmou que sonhava com um «Benfica made in Seixal.» Poucos terão levado a sério o presidente dos encarnados. Porém, nos anos que se seguiram o discurso foi o mesmo, a determinação foi cada vez maior e os resultados estão à vista de todos. Hoje, seria da mais ignóbil desfaçatez abordar o tri do Benfica sem relevar os méritos de Luís Filipe Vieira. Que viu mais longe que os demais...

O Clube dos «três mais»
O Benfica passa a integrar o prestigiado e elitista grupo de clubes que ostentam três ou mais campeonatos seguidos, conquistados nos países do primeiro mundo do futebol. Os encarnados juntaram-se, ontem, a Basileia (7), Olympiakos (6), Juventus e Celtic (5) e PSG e Bayern (4). Para pertencer a esta crème de la crème, cujos salões, entre os portugueses, apenas o FC Porto tem frequentado nos últimos anos (último tri do Benfica remontava a 1977 e o do Sporting reporta a 1953), é necessária uma cultura de vitória que está ao alcance de muito poucos.

FPF na primeira linha, Liga mais prudente...
«A Federação não publicitou a sua acção para não prejudicar qualquer investigação que fosse efetuada pelas autoridades...»
Comunicado Federação Portuguesa de Futebol
O escândalo de corrupção que está a agitar a Liga 2 mereceu, da parte da Liga de Clubes, um comentário prudente e politicamente correto. Ao invés, a FPF fez saber que foi parte no desenrolar dos acontecimentos, auxiliando a investigação policial. Não tenho quaisquer dúvidas da boa-fé de quem está na Liga. Mas a circunstância exige um comportamento mais musculado.

ÀS
Rui Vitória
Sabia-se que Rui Vitória era um bom treinador; poucos teriam, porém, a percepção que o técnico encarnado estaria tão apto a responder de forma cabal aos exigentes desafios com que se deparou ao longo da temporada. Quer do ponto de vista técnico, quer dos mind games a que foi sujeito. Por acção e por omissão. Sempre à altura.

ÀS
Jonas
Uma contratação que saiu de acordo com os melhores sonhos de quem a fez. Jonas, novo Bola de Prata, foi decisivo nos últimos títulos conquistados pelo Benfica, não só pelos golos que marcou mas também pelo contributo futebolístico que deu à equipa. E como joga bem... Em boa hora o Valência o descartou. Craque!

ÀS
Petit
É preciso recuar aos anos 90 do século passado e ao Rio Ave de Carlos Brito para encontrar uma recuperação comparável, por épica, à que o Tondela de Petit acabou de protagonizar na I Liga. Para uma gesta destas não há segredo: é acreditar e acreditar e acreditar. E se todos acreditarem, pode ser que o miagre aconteça...

Luz ao rubro
Principio de tarde frenético no pavilhão da Luz, com a final da Champions do hóquei em patins entre duas equipas portuguesas, o Benfica e a Oliveirense. Jogo intenso e emocionante, que acabou com o triunfo dos pupilos de Pedro Nunes, uma equipa para a eternidade. E para que não faltasse nada ao espectáculo, a Oliveirense jogou muitíssimo bem e deu uma réplica que a páginas tantas fez sonhar os seus seguidores com a Taça a ser levada para Oliveira de Azeméis. Porém, imperou a lei do mais forte: o Benfica é campeão europeu!

Barcelona tremeu mas não caiu: é Campeão
Um apagão de proporções quase bíblicas fez com que se abatessem dúvidas sobre o bicampeonato do Barcelona. Felizmente para os culés soou um toque a unir e as últimas jornadas da La Liga foram disputadas ao ritmo da MSN. Ou seja, o Barça atropelou e Luís Suarez ferrou, com todas as ganas, a Bota de Ouro."

José Manuel Delgado, in A Bola

Parabéns a muitos. Contraste... chocante

"Parabéns a Benfica e Sporting pela capacidade para nos proporcionarem empolgante sprint até à última passada. Ao ponto de ser batido o recorde de pontos do grande FC Porto de José Mourinho. Parabéns ao Benfica, tricampeão!, e ao maestro deste título, gritantemente Rui Vitória. O título mais difícil - o que Vitória ouviu e leu nos primeiros tempos da época!...-, por isso, de certeza, o mais saboroso para treinador, jogadores, adeptos e... presidente, que fez opção tão inesperada e arriscada! (saboreou êxito na exacta data em que, há 15 anos, assumiu objectivo de reerguer o Benfica do abismo em que caíra). Parabéns ao Benfica por ter sido a melhor equipa da temporada: campeão, entre os 8 melhores da Champions, finalista na Taça da Liga.
Parabéns a quem colocou SC Braga, Arouca e Rio Ave na próxima Liga Europa (P. Ferreira e Estoril deram renhida luta). SC Braga acrescenta muito bom percurso europeu e final da Taça de Portugal. 
Parabéns ao Tondela que esteve condenadíssimo a despromoção e, com ponta final espantosa/fabulosa!, continuará na I Liga. Só imensa alma de Petit e dos seus jogadores acreditou em tamanho milagre!!! 
Parabéns aos protagonistas do regresso de Chaves e Feirense à Liga de topo (Portimonense, mais uma vez, morreu na praia, igualado em pontos com o Feirense).
Parabéns ao Benfica pelo título europeu de hóquei em patins. E à Oliveirense pela renhida final. E a ambos, pela espectacular disputa que travam no basquetebol.
Chocante discrepância: aqueles que persistiram em não saber perder... Fica-lhes tão mal!"

Santos Neves, in A Bola

O título de uma grande equipa

"O Benfica é tricampeão e somou o 35.° título da sua história. Está, pois, de parabéns no final de um campeonato intenso, emocionante, dividido e polémico como há muito não se via. Glória aos vencedores, honra aos vencidos porque o Sporting também é merecedor, logo aqui nestas primeiras linhas, de um elogio público. Este campeonato saiu altamente valorizado por este despique entre aqueles que outrora foram baptizados de 'eternos rivais' e que, de facto, respeitaram a sua história e a sua grandeza.
Para os registos, fica o tri do Benfica, proeza que não era alcançada desde 1977. Para a memória, ficará sempre a questão sistematicamente levantada: quem foi melhor? A verdade é que não há campeões injustos e independentemente da qualidade do futebol praticado pelo Sporting, a verdade é que o título rumou à Luz. E essa vitória ninguém pode beliscar, sobretudo quando se olha para os números do Benfica e se constata que foram muitos os recordes que estabeleceu. Tudo aquilo que se possa valorizar na campanha do Sporting por tabela valoriza a conquista encarnada.
É a vitória de uma grande equipa. Não apenas dos jogadores - alguns, como Ederson, Lindelof, Renato Sanches, forjados na ausência de titulares; outros que tiveram um desempenho fantástico, como Jonas, Pizzi, Jardel - mas foi também a vitória de um staff alargado que se estende do corpo técnico à presidência, passando pela comunicação (que foi tão activa e importante numa época de 'guerra total') e por tantos outros departamentos que constituem a famosa 'estrutura' a qual, no fim do dia, também se deve sentir vitoriosa. Mas, se como se diz, ela não ganha campeonatos, então sobressai ainda mais o nome de um homem sério. Sereno e indiscutivelmente competente: Rui Vitória."

Da Luz a Alvalade

"Com mais dois pontos que o Sporting na hora de fazer as contas - o que significa que foi mais regular ao longo do campeonato - só podemos concluir que o Benfica é campeão nacional com toda a justiça. Pessoalmente, como é sabido, tanto se me dava, embora deva reconhecer que sinto alguma alegria por esta conquista encarnada, tendo em consideração um único ângulo de abordagem: o que respeita ao sofrimento de Rui Vitória.
Quando o Benfica estava a 7 pontos do Sporting e com a liga julgada perdida - não pelo treinador, mas por nós - ele teve de ler e ouvir tudo o que passou pelas iluminadas cabeças dos comentadores. Eu, por exemplo. escrevi que ele tinha uma aura de "loser". Era mentira, como se viu.
Depois, há uma qualidade que aprecio em Vitória: a sua simplicidade. Se a evolução como técnico está à vista de todos, de igual modo é patente que mantém a velha bonomia, agora que era fácil encher o peito de vento e abusar de postas de pescada. E num 'circo' futebolístico - carregado de pavões!
Parte do êxito benfiquista, há que sublinhá-lo, resultou do toque a reunir provocado pelo equívoco da comunicação do Sporting, pese os momentos em que teve motivos e razão. Mas os erros servem para que sejamos mais fortes no futuro e a realidade leonina deve ser vista tanto à luz da recuperação financeira como do regresso do emblema de Alvalade ao mapa dos grandes duelos futebolísticos, à dimensão do seu jogo, ao reequilíbrio do plantel - nesta altura, para mim o melhor - e à identificação entre presidente e treinador. Falhou agora o Sporting? Não é o fim: os perdedores de hoje são os vencedores de amanhã."

Alexandre Pais, in Record

Penitência

"Se perder esta Liga, o técnico que reclama conduzir "a melhor equipa" deverá olhar para os pecados próprios

quem jure que foi assim: "Míster, não lhe responda, que a gente trata do assunto no campo", disseram os jogadores do Benfica a Rui Vitória, ainda antes de 2015 terminar, na fase em que o bate-boca entre os técnicos das águias e do Sporting era ácido como nunca. Esta é uma história que gente conhecedora conta nos bastidores para explicar a ressurreição dos encarnados num campeonato que, a certa altura da primeira volta, estava francamente inclinado para os rivais de Alvalade. À superfície da discussão ao milímetro em que se transformou a principal prova futebolística temos os factos, e esses sugerem-nos que Jesus se deixou iludir pela vantagem pontual cavada para a sua antiga equipa no primeiro terço da Liga, sendo protagonista de excessos de linguagem que na trincheira contrária souberam converter em elemento regenerador. Tudo isso, sendo muito, é também insuficiente para justificar a cambalhota a que assistimos, convenhamos. Há que dizê-lo: Jesus deu ares de convencimento de que as faixas não lhe fugiriam - e que gozo lhe daria ser campeão contra o Benfica! Mas se perder este título, porque certezas só as teremos amanhã, o técnico que reclama conduzir "a melhor equipa" também deverá apontar o dedo a erros próprios na crueldade que lamenta, porque os houve, e aprender com eles. Por exemplo em casa, onde lhe competia ser devastador ou muito perto disso, faltou "andamento": o Sporting esbanjou nove pontos, seis contra segundos e terceiros planos (Paços de Ferreira, Rio Ave e Tondela) e três no cara a cara com o Benfica."

Flops, fails, mãos de manteiga e outros 6 factos notáveis da liga

"Houve momentos para esquecer e momentos para recordar - mas todos ficam para a história da incrível época 2015/16, que começou verde e acabou vermelha

1. PRÉMIO - #FAIL: BRYAN RUIZ
Quem joga com os amigos sabe bem o que isto é: estão a ver aquele momento em que a bola vem perfeita, perfeita para o golo que vai decidir tudo e depois o que acontece na realidade é um incrível pontapé na atmosfera e um fantástico bate-cu? Pois (não que isso alguma vez me tenha acontecido, claro). Não interpretem mal: se há uma palavra que define Bryan Ruiz, essa palavra é classe. O costa-riquenho é um dos melhores jogadores que já passaram pelo campeonato português (ao nível do brilhantismo de Pablo Aimar, Javier Saviola e Iker Casillas, por exemplo), mas até os melhores escorregam de vez em quando. Ou melhor, acertam com a canela onde não deviam. Se alguém dissesse a um adepto do Sporting que Ruiz iria falhar um golo contra o Benfica a um metro da linha de golo, é provável que esse adepto não acreditasse. Mas o azar de Ruiz foi o azar do Sporting, que, em retrospectiva, perdeu quase tudo naquele momento: o golo, o dérbi, a liderança e, por fim, o título.

2. PRÉMIO - EU TAMBÉM SOU CAMPEÃO (A SÉRIO): CLÉSIO BAÚQUE
Estávamos na 9.ª jornada quando o Benfica se viu à deriva, apesar das palavras de confiança do timoneiro do navio: "Ser criticado, para mim ou para qualquer treinador, faz parte. Estou tão focado que nada mais me perturba. Os grandes navegadores são conhecidos pelas tempestades que vão ultrapassando". O navegador e seus marinheiros tinham perdido com o Sporting e estavam já a 7 pontos do líder quando defrontaram o Tondela. E foi então que Rui Vitória tirou um (bom, dois, porque Renato Sanches também se estreou aqui) coelho da cartola: Clésio Baúque. O jovem moçambique de 21 anos da equipa B era, habitualmente, extremo ou avançado, mas Vitória decidiu adaptá-lo a lateral direito, perante a incredulidade geral. Não foi péssimo, mas também não foi lá grande coisa: Clésio acabou por sair com cãibras, dando lugar a... André Almeida (este sim, um lateral de grande importância no título). Foram os únicos minutos que somou na equipa principal - acabou por ser vendido aos gregos do Panetolikos. Mesmo assim, sagra-se campeão, tal como os "esquecidos" Djuricic (1 jogo), Ola John (2 jogos), Victor Andrade (3 jogos) e Cristante (2 jogos). O único que fica fora da lista é Taarabt (já vamos falar sobre o rapaz).

3. PRÉMIO - FLOP: ADEL TAARABT E PABLO OSVALDO
Quem? Pois. É quase isso. A marca que Taarabt deixa no Benfica vê-se pela fotografia que ilustra este prémio: é Taarabt, mas não é Taarabt com a camisola do Benfica, porque ele raramente a vestiu. Melhor dizendo, nunca vestiu a da equipa principal; jogou apenas pela equipa B, em sete ocasiões. Esteve com peso a mais, foi apanhado a sair à noite e nunca correspondeu à aposta que o Benfica fez nele no início da época, quando assinou por cinco épocas, ganhando €193 mil mensais, segundo o Football Leaks. O momento mais alto de Pablo Osvaldo no FC Porto foi a entrada na gala dos Dragões de Ouro. O fato, o laço, o chapéu, os óculos, a barba - estava tudo bem naquele sósia de Johnny Depp (a sério, veja). O problema era quando o argentino vestia o equipamento. Nunca convenceu mais do que Aboubakar - 1 golo em 12 jogos - e só adiou a entrada de André Silva na equipa. Acabou por sair (mais vale tarde do que nunca) para o Boca Juniors e por lá ainda está pior: decidiu um fumar um cigarro no balneário e foi afastado da equipa.

4. PRÉMIO - MÃOS DE MANTEIGA: IKER CASILLAS
Ponto prévio: não há dúvida que Casillas foi a maior contratação da época e que é, de longe, o jogador mais mediático da Liga portuguesa. Só que, como já dizia Mourinho no tempo do Real Madrid, este Casillas já não é bem o que era - e compromete demasiadas vezes. É verdade que fez um jogo para recordar na vitória do FC Porto na Luz, mas depois também teve vários jogos para esquecer: com o Dínamo de Kiev, com o Sporting de Braga, com o Vitória de Guimarães e com o Sporting. Ou seja, mais "frangos" do que defesas. 

5. PRÉMIO - NASCEU DEZ VEZES: RENATO SANCHES
"Substituto na formação? Tinham de nascer dez vezes." Foi assim que Jorge Jesus comentou, em 2014, a saída de Matic do Benfica. Não é que Jesus não gostasse de apostar em miúdos, mas a maioria deles era estrangeira e não formada no Seixal. Foi aí que Rui Vitória diferiu do antecessor: apostou em Guedes, Ederson, Lindelof, Clésio, Nuno Santos, Victor Andrade e... Renato Sanches. É certo que a passagem de Pizzi para falso extremo também ajudou, mas o 4-4-2 do Benfica só começou verdadeiramente a carburar quando o miúdo atrevido da Musgueira entrou na equipa. Sem medo e com uma disponibilidade física impressionante para um jovem de 18 anos, impulsionou o Benfica ofensivamente, ainda que tenha demonstrado várias carências a nível defensivo, especialmente no posicionamento. Ainda assim, foi a revelação do Benfica - e do campeonato. Daí partir agora para o Bayern de Munique, por €35 milhões.

6. PRÉMIO - ANTICLÍMAX: UNIÃO DA MADEIRA (E VITÓRIA DE SETÚBAL)
Na mesma semana, o recém-promovido União da Madeira fez o que ninguém esperava: empatou com o Benfica (0-0) e ganhou ao Sporting (1-0). Não há muitos clubes a poder dizer o mesmo, mas, ainda assim, os madeirenses acabaram por ser despromovidos (com a Académica). Isto para felicidade do Vitória de Setúbal, que se salvou na última jornada depois de uma segunda volta aterradora, em que só conseguiu uma vitória. As saídas de Suk e Semedo, em Janeiro, debilitaram um Vitória que esteve perto dos lugares europeus, na primeira volta, mas depois entrou em queda livre.

7. PRÉMIO - BENFIQUISTA DO ANO: JORGE JESUS
Uma das características mais encantadoras de Jesus é a sua bazófia. Que o homem é um excelente treinador ninguém tem dúvidas, mas o próprio acha genuinamente que não há ninguém melhor do que ele. E, por vezes, incha tanto que acaba por explodir. Sim, Jesus teve razões para se engrandecer perante Benfica e Rui Vitória - ganhou os primeiros três dérbis da época -, mas a bazófia foi tal que, às tantas, Jesus ajudou a levantar um rival que já parecia estar morto. É que juntar as tropas contra um inimigo comum é uma estratégia que funciona sempre bem (Mourinho que o diga) e Jesus acabou por se elevar a ele próprio como inimigo número um do Benfica, fazendo com que os adeptos benfiquistas se unissem à volta de Vitória. E o resto, como se diz, foi história.

8. PRÉMIO - MESTRE DA UNIÃO: RUI VITÓRIA
os treinadores de jogadores - como Jesus - e há os treinadores de homens - como Vitória. O treinador do Benfica conseguiu aguentar um início de época aterrador, apesar de ter sido frequentemente olhado de lado por quem estava cá fora, depois das argoladas no discurso: o caminho, os navegadores, o caminho, o Ferrari, o caminho, os iogurtes, a cebolada, o caminho, o bombom e o caminho. Patinou, mas nunca caiu, e teve o mérito de conseguir unir o balneário à sua volta e dar a volta a um campeonato que pareceu várias vezes perdido. Além disso, apostou nos jovens do Seixal, chegou aos quartos de final da Liga dos Campeões e ainda vai disputar a final da Taça da Liga. Melhor era impossível.

9. PRÉMIO - BATEU NO FUNDO: PINTO DA COSTA
Primeiro Lopetegui era tudo, tudo, tudo, depois Lopetegui era nada, nada, nada. Pinto da Costa apostou na permanência do treinador espanhol para regressar aos títulos (volta, Vítor Pereira, estás perdoado), mas tirou-lhe o tapete a meio da época e a emenda - José Peseiro - saiu-lhe ainda pior do que o soneto. O presidente teve de admitir que o clube "bateu no fundo" e pediu aos jogadores para mostrarem alguma dignidade conquistando o mínimo indispensável: a Taça de Portugal. É isto o FC Porto hoje em dia? Veremos. Para o ano há mais."

Até ao fim...

"Disse sempre que as nossas competições teriam emoção até ao último minuto, mesmo até ao fim. É assim na Liga Nos e foi também assim na segunda Liga.
Nesta competição a última jornada foi ensombrada pela operação Jogo Duplo, levada a cabo pela Polícia Judiciária. Portugal atravessa um período difícil e nestas circunstâncias a luta contra a corrupção deve ser reforçada para que a verdade desportiva se mantenha intacta. A credibilidade do jogo tem que ser uma preocupação de todos os que estão directa e indirectamente envolvidos no fenómeno desportivo. Que esta investigação sirva para uma limpeza no futebol, onde repetidamente se fala de apostas asiáticas, jogos combinados, de jogadores e dirigentes demasiado vulneráveis e com imensas dificuldades. Não podemos dar tréguas na luta contra a corrupção e o dia que era de festa para muitos foi manchado com estas notícias. 
A alegria foi imensa em Santa Maria da Feira, que vê o Feirense regressar ao convívio dos grandes, juntando-se ao Chaves. Os foguetes também estalaram em Tondela, onde já poucos acreditavam na manutenção, mas Petit e companhia mostraram raça e uma crença fabulosa. Uma palavra para Gilberto Coimbra que nunca deitou a toalha ao chão. Contraste na Ilha da Madeira, onde o Rio Ave festejou a conquista da Europa e o União viu a sua equipa descer para a segunda liga.
Escrevo estas linhas não sabendo quem vai fazer a festa. O que sei é que esta liga ninguém merece perder. Aconteça o que acontecer Sporting e Benfica realizaram um campeonato espectacular, mas só um pode chegar em primeiro. As emoções estão ao rubro e só espero que o respeito impere dentro e fora das quatro linhas. A festa é bonita, pá."

Hermínio Loureiro, in A Bola

Benfiquismo (CV)

O 'espelho' do Tricampeonato !!!

Vermelhão: Divinal...

Benfica 4 - 1 Nacional

Ederson (Lopes, 80'); Almeida, Lindelof, Jardel, Grimaldo; Fejsa (Samaris, 52'), Talisca, Pizzi, Gaitán; Jonas, Mitroglou (Jiménez, 72')

Muito mais do que um simples título... mais uma grande história de Benfiquismo para contar às futuras gerações, mais uma caminhada épica...! Este será um campeonato inesquecível!
O Tricampeonato 39 anos depois (o 'meu' primeiro Tricampeonato 'consciente')!!! Tudo isto, após um defeso traumático; depois de uma estratégia de comunicação anti-Benfica do mais nojento possível, durante toda a época; depois de um início de temporada com a equipa a jogar mal...; com muitas lesões; com muitos jovens a serem lançados às feras; com uma extraordinária união dentro do balneário e nas bancadas; com uma recta final do Campeonato recheada de 'malas' e 'malões'... com o Benfica a ser obrigado a batalhar por cada ponto, como a vida dependesse disso, e os adversários a efectuarem jogos 'amigáveis' semana após semana; com coação pública e asquerosa sobre todos os árbitros que eram nomeados para o Benfica...; por tudo isto, e muito mais, fez-se justiça... talvez a tivesse sido uma justiça Divina... não sei, mas este é um dos Campeonatos mais 'Justos' de sempre!
Venceu o Futebol, o vale-tudo foi derrotado em toda a linha... as matracas não se vão calar seguramente, mas dentro do campo, foram mais uma vez derrotados!
Como se costuma dizer: jogaram como nunca, perderam como sempre... ou mais correctamente: falaram como nunca, perderam como sempre... ou para ser mais exacto: falaram como nunca, e venceram moralmente como sempre!!!!!!
Os jogos dos 'títulos' raramente são bem jogados, a ansiedade, o nervosismo, prende as pernas e os neurónios... Mas hoje, tal como noutras ocasiões, mesmo sem o brilhantismo de outras jornadas, o Benfica nunca perdeu a 'cabeça', os jogadores foram sempre solidários, e não se esqueceram das suas funções... em todos os momentos do jogo. Exemplo: sempre que o Benfica sofre um Canto (ou algo similar...), todos os jogadores, sem hesitações, deslocam-se para as suas posições, em passo alargado de corrida, isto é feito automaticamente, sem pensarem duas vezes... é só um indicador, mas é um indicador forte, do espírito colectivo que existe...
Hoje, só mesmo após o 3-0, com muitos minutos em cima das pernas, é que alguns jogadores deixaram de fazer as recuperações defensivas... Acabou por ser um bom 'treino' para a nossa linha defensiva!!!
Existe sempre a tendência de procurar o momento chave do Campeonato, mas muito sinceramente, este ano, não houve um momento, houve vários momentos, que todos somados, acabaram no 35!
O minuto 70 na derrota com os Lagartos foi importante; como a vitória em Madrid já tinha dado confiança (afinal não éramos assim tão maus...); os insultos constantes ao Benfica, aos nossos dirigentes e aos nossos funcionários ajudaram; a equipa acabou por resolver os problemas nas transições defensivas (o jogo de Braga); a entrada do Renato, a colocação do Pizzi na direita e a entrada do Lisandro na equipa melhorou os nossos processos ofensivos, começamos a jogar com as linhas mais juntas, com o Renato a empurrar a equipa para a frente, a pressionar mais alto... e com o Pizzi a jogar entre linhas...; a reacção positiva à extremamente injusta derrota com os Corruptos foi fundamental; os bons resultados Europeus deram confiança...; e a vitória no Alvalixo, deu-nos o bilhete para a liderança... que nunca mais largámos!!! E mesmo depois de tudo isto, o título não estava ganho... foi necessário recorrer à todas as gotas de suor, para enfrentar e derrotar todos os obstáculos que fomos encontrando pela frente, com adversários super-hiper-motivados, com vitórias sofridas, nos últimos minutos, mas inteiramente justas...
Por tudo isto, e muito mais: obrigado Benfica! Obrigado aos jogadores, obrigado ao Rui Vitória (eu também fui um dos que duvidaram...), obrigado ao Presidente... Obrigados aos Benfiquistas que nunca desistiram de apoiar, mesmo quando os nervos nos bloqueavam... Finalmente o meu coração vai poder descansar, estes últimos 3 meses foram tremendos, creio que nunca tive níveis de ansiedade tão altos, durante tanto tempo!!! Na Sexta, temos uma Final para ganhar... mas o 35 já ninguém nos tira!!!
Depois vamos entrar no defeso. Este ano com Europeu, Jogos Olímpicos e Copa América... vai ser um defeso longo, e como é costume, o Benfica vai ser copiosamente 'derrotado' no defeso!!! Todos os nossos jogadores vão ser 'vendidos', não vamos comprar ninguém de jeito... os nossos adversários vão contratar os melhores jogadores do Mundo, os melhores treinadores do Mundo... em Agosto, o Benfica será candidato a lutar pelo 3.º lugar com o Braga... e o dia 31 de Agosto, último dias das transferências, será mais um susto...!!! Pronto, temos que nos conformar... O defeso, já está perdido... Temos que nos contentar, em tentar vencer o 36...!!!


domingo, 15 de maio de 2016

Campeões Europeus

Oliveirense 3 - 5 Benfica

Fim-de-semana brilhante de Benfiquismo...!!! Benfica Campeões Europeu de Hóquei em Patins, somente a 2.ª vez na nossa história, um dia depois, de conquistar o Bicampeonato Nacional!!!

Hoje só vi o 1.º tempo, depois meti-me a caminho da Catedral... E não foi uma 1.ª parte brilhante!!! O Benfica voltou a entrar bastante agressivo, a tentar dar velocidade ao jogo... mas defensivamente  demos sempre muito espaço... a Oliveirense a jogar num ritmo mais pausado, foi aproveitando os nossos erros: no 1.º golo da Oliveirense o Valter perdeu o Stick, deixando o adversário sem marcação; no 2.º golo da Oliveirense, creio que o Torra escorregou, e ficando no solo... no contra-ataque, o bola entra por por baixo do patim do Trabal...!!! Parecia que o início da tarde estava enguiçado!!!
Ainda vi o golo do empate, no início da 2.ª parte... e várias bolas aos postes... depois acompanhei na rádio (incrível como não existiu uma transmissão em directo na rádio deste jogo...), com informações esporádicas!

A Oliveirense com o marcador a tender para o Benfica, foi perdendo a 'cabeça' e o Benfica acabou por assegurar o Caneco!!!

Esta geração de jogadores do Benfica está a fazer história... este fim-de-semana repetimos a caminhada da anterior Liga Europeia em 2013: vitória sobre o Barça na Meia-final nos penalty's; e derrotámos o Tó Neves e os seus jogadores na Final... Déjà vu...!!!
Tal como ontem, na Meia-final com o Barça, os derrotados queixaram-se muito das arbitragens! Começo por assumir que o Hóquei em Patins tem árbitros muito maus... Tanto a nível das Selecções, como nas competições de Clubes, o caseirismo existe muitas vezes... Ontem com o Barça, houve erros? Sim... para os dois lados, sendo que nos últimos minutos, a 15.ª falta do Benfica não apareceu... e ainda houve uma reclamação de penalty do Barça que não foi atendida...
A culpa também é dos jogadores, já que esta modalidade latina, tem muitos especialistas em mergulhos para as piscina! Hoje, no 2.º golo do Benfica a falta devia ter sido marcada ao contrário... mas o guarda-redes da Oliveirense também podia ter feito mais... Mas na 1.ª parte, também houve muitos erros que nos prejudicaram... Ontem a Oliveirense qualificou-se para a Final com 3 penalty's, no último o árbitro mandou repetir o penalty, erradamente, prejudicando os Italianos, beneficiando a Oliveirense...!!!
Resumindo: os erros beneficiam e prejudicam todos...
Agora, existem pessoas que não tem capacidade psicológica para serem treinadores de Hóquei (ou outra qualquer modalidade), e o treinador da Oliveirense não tem estrutura ética e moral para ser treinador...
Não assistindo aos minutos finais da partida, com a amostra da 1.ª parte, e com o seu passado conhecido, não me espantaria nada, que o principal desequilibrador emocional dos jogadores da Oliveirense tivesse sido o seu próprio treinador... mas a culpa será sempre dos outros!!!

Numa época complicada, com as lesões do João Rodrigues e do Nicolia, com os problemas de adaptação do Torra no início... o Benfica está a caminho de ganhar um Campeonato sem derrotas, ser Campeões Europeu... e ainda ter hipóteses de voltar a vencer a Taça de Portugal!
Grandes... gigantes... Benfica!!!

Novo desaire...

Oliveirense 76 - 74 Benfica
(2-2)
20-19, 24-21, 8-18, 24-16

Vamos ter a negra na Luz!
Começo a pensar que se calhar o 'melhor' é não ir à Final!!!

Iniciados - 6.ª jornada - Fase Final

Benfica 2 - 2 Belenenses
Embaló(2)


'Finalmente' uma não vitória!!! No último jogo oficial da temporada, um empate... (no último minuto, com o Benfica a jogar com 10!!!).
Época espectacular...

Carta a Rui Vitória

"Percebemos todos que sente o trabalho em equipa. As vitórias do Rui Vitória são também o reflexo de uma moral colectiva

Escrever é uma responsabilidade e, também, por vezes uma necessidade. Uma necessidade de viver. E de expressar o que se sente e o que se pressente. Mas é, também, uma forma especial de agradecer a exuberância de vida. Da vida. Desta nossa vida. Escrevo-lhe, meu Caro, a vinte e quatro horas do arranque do último jogo da nossa Liga. Daqui a pouco estará em directo a antecipar, com o habitual respeito pelo adversário, o confronto com o Nacional da Madeira. Sabemos que é a final derradeira. Os noventa minutos decisivos. Li, neste dia, e com a atenção merecida, o seu interessante livro A arte da guerra para treinadores. E li-o de um fôlego e reconheço que «conhecendo-se a si próprio como ao inimigo, o comandante conduzirá a sua equipa até à glória, baseando-se na sabedoria, na coragem e no rigor». Três palavras que são três conceitos. E três formas de encarar a vida, e logo, o quotidiano. Percebi, desde que o escutei pela primeira vez há alguns anos, que o meu Caro combinava o saber com o rigor. A ciência com a vida. Que alguns afirmam com o seu exclusivo empirismo o que leva outros, sempre deslumbrados com a espuma das ondas, a considerar este empirismo como uma quase que universidade! Em letra pequena necessariamente!!! Mas o meu Caro também se afirmou, desde o primeiro instante, como um homem corajoso. Sendo ao mesmo tempo cortês. Mas assumindo a cortesia como virtude e não, como outros, uma atitude esforçada de consideração. Percebi como ensina, e me ensina, a minha querida irmã - e também fervorosa benfiquista - a Professora Isabel Roboredo Seara, que «a cortesia promove o encontro, o diálogo e, através de uma multiplicidade de formas, representa o primeiro sinal de respeito pelo outro, na sua singularidade e na sua alteridade, na sua dignidade» .E esta dignidade, esta sua dignidade, foi uma das grandes vitórias nesta época. De transição e que foi também de afirmação. Época difícil, é certo. Época complexa, é inequívoco. Época que exigia coragem, muita coragem, é indiscutível. Época que impunha muita energia, mesmo muita energia. Desde logo energia interior. Sabemos os dois, já que somos ambos do signo carneiro, que, por vezes, a nossa teimosia pode ser excessiva. Mas somos resistentes e persistentes. Não desistimos. Sabemos sofrer, mesmo na maledicência. Lutamos. No e pelo que acreditamos. E no e pelo que ambicionamos. E sei bem que o Professor Rui Vitória alia a competência do saber com a vivência do relvado. Dos diferentes relvados. Relvados e pelados. Sei, como refere naquele seu livro, que «aquele que não se conhece a si mesmo nem ao inimigo será derrotado em todas as batalhas». E sei que, ao contrário do que alguns pensavam e outros quase que antecipavam, está a um pequeno passo de conquistar a Liga portuguesa e de concretizar para o seu - e nosso - Benfica o tricampeonato. Sei bem que não há vencedores antecipados. Sei bem que o Nacional é uma equipa aguerrida e com um treinador inteligente e competente. Não estou minimamente eufórico. Antes: já estou com um nervoso miúdo. Mas nada me impede de lhe dizer, hoje e aqui, a minha admiração pelo trabalho que realizou. Imenso e intenso. Recordo bem que o Benfica se sagrou tricampeão nacional em 1977 e numa época em que o campeão e capitão Mário Wilson foi afastado e substituído por John Mortimore e que só ganhámos o primeiro jogo à quarta jornada, em 25 de Setembro de 1976, e com uma vitória sobre o então designado Académico de Coimbra. E quase um mês depois é chumbada em Assembleia geral extraordinária a proposta que concedia poderes à Direção para contratar estrangeiros! Tinha então o meu Caro seis anos! E relembro tudo isto para lhe dizer que agradeço a sua paciência e a sua perseverança. A sua prudência e a sua inteligência. A sua vontade e a sua sinceridade. A sua sensibilidade e a sua responsabilidade. A sua generosidade e a sua fidelidade. O abraço que recebeu do Presidente Luís Filipe Vieira - também resistente e persistente - logo a seguir ao final do jogo com o Marítimo foi a expressão de uma fidelidade que é, igualmente, uma sentida solidariedade. Vivida e partilhada. E, nesse instante, conjugou-se a liderança com a perseverança. A maturidade com a humildade. A oportunidade com o optimismo. E percebemos todos que sente o trabalho em equipa. As vitórias do Rui Vitória são, também, o reflexo de uma equipa técnica dedicada, dos jogadores e de uma moral colectiva, dos treinos adequados, das tácticas principais, das opções feitas, das estruturas de apoio e de suporte, do Presidente e da estrutura da SAD e, ainda e como síntese perfeita, dos milhares de adeptos anónimos que puxaram, e muito, pela equipa. Desde logo naquele minuto setenta. Mas, igualmente, em todos os outros segundos em que a alma benfiquista disse sempre presente!
Estamos, aqui, perante a consagração dos ramos da árvore de que nos fala Carlo Ancelotti e dos poderes de um «líder» que Jorge Valdano identifica num livro igualmente bem interessante. E onde entram o poder da paixão e o poder do balneário, o poder da simplicidade e o poder do estilo, o poder da esperança e o poder do talento. E, como síntese, diria com a cereja no topo, o respeito pelo outro, pelos outros. Que é um sinal de educação. Acredito meu Caro que hoje ao final da tarde voltará, como relata no seu livro em outra circunstância vitoriosa, a olhar para o Céu. E acredito que os seus Queridos Pais - como os meus permita-me! - estarão lá em cima a chorar de alegria. Como com o neto quase a nascer. Mas, acima de tudo, partilharemos a sua alegria. Justa e merecida. Que nos fará olhar e fará sentir. Já que nos fez olhar e fez sentir. Aceite um abraço apertado do,
Fernando Seara"

Fernando Seara, in A Bola

Justiça no crepúsculo

"Este fim de época tem sido fértil em episódios de suspeição quanto à lisura de alguns procedimentos adoptados nos campeonatos profissionais de futebol (sem esquecer a 2.ª Liga, naturalmente, com decisões até à última jornada envolvendo vários clubes...). Falou-se muito de 'malas', mas ficou por tratar a circunstância (manifesta e assumida) da 'apresentação de equipas inferiores' por alguns clubes em alguns jogos. Estranha-se que não haja notícia de processos desportivos para averiguar a existência do ilícito previsto no Regulamento Disciplinar da Liga. Digamos que o fim deste mandato da FPF está numa espécie de crepúsculo mas conviria não abusar na falta de luminosidade. É o que temos, pois ninguém se vai chamuscar agora no 'lado errado da noite'...
Determina o RD que "os clubes que, sem motivo justificado e em jogos oficiais, se apresentarem em campo com equipas notoriamente inferiores" serão punidos com multa. Porém, se a conduta acontecer nas últimas três jornadas, acresce a perda de 2 a 5 pontos. É manifesto que esta infracção está desenhada para ser de aplicação inverosímil: primeiro, não se fornece o critério para a 'inferioridade notória', excepto se utilizarmos a exemplificação de inferioridade que o RD dá para a Taça da Liga, isto é, a não utilização de um mínimo de 5 jogadores incluídos na ficha técnica em um dos dois jogos anteriores; segundo, não se indica (pelo menos com algumas ilustrações) os 'motivos' que podem ser justa causa para entrar em campo sem uma grande parte dos habituais titulares da equipa. O RD tem ainda o acrescento de aumentar para o dobro a multa sempre que o comportamento for acompanhado de "publicidade prévia", formulação que também não é isenta de dúvidas.
Assim sendo, cabe aos órgãos com poderes disciplinares instaurar os processos nomeadamente para os jogos destas três últimas jornadas -, deslindar os conceitos gerais e indeterminados previstos no RD e verificar se os factos apurados, para além das circunstâncias sem ilicitude (lesões, castigos, casos de 'força maior', etc, correspondem à infracção punível. O busílis será sempre o 'motivo justificativo'. Serve como tal a opção técnica de poupar jogadores para o jogo ou jogos seguintes? É legítimo invocar a 'rodagem' do plantel em final de época? É justificado dispensar um lote significativo de jogadores por causa da iminência de castigos? No limite, toda a argumentação pode ser 'justa causa'? Só o julgador desportivo o poderá decidir..."

Haverá cadeias para todos?

"Quinze detidos por suspeitas de corrupção e viciação de resultados são uma imparidade no universo que nos tem sido sugerido, através de fortíssimos indícios, pelos próprios actores e respectivos parceiros de jogo ao longo desta época futebolística, com incidência na ponta final das ligas. Só os crentes e incautos terão sido surpreendidos pela grande caçada da PJ em vários campos da bola, ontem, no termo da jornada. Quem vai tendo a maçada de ler esta coluna, mesmo a desgosto, deve ter percebido que algo se passava... 
E não, não é tudo produto das apostas, dos asiáticos ou da ganância de muitos agentes desportivos, incluindo jogadores. É também uma questão cultural, de impunidade latente ao longo dos anos, que hoje, pelo visto, pode ter sido anulada ou parcialmente destruída. O futebol português sempre foi palco sujo pisado por gente sem escrúpulos, de todas as origens, de todas as categorias profissionais. Só quinze detenções, por isso, reduzem o caldeirão a um mero aperitivo antes do grande repasto que todos esperamos ainda venha a ser servido pelas autoridades judiciais!...
Como tudo parecia tão simples e de lucro fácil: equipas com ordenados em atraso, profissionais esgotados em dívidas, objectivos importantes - em discussão, amizades e compadrios, favores aqui e ali, promessas de cofres repletos de papel moeda, enfim, de tudo isso se foi fazendo esta história de viciação e controlo de certos jogos, dos iniciados à mais alta-roda. Só faltava a polícia abrir os olhos...
Queira agora a Justiça e o futebol (que são todos os que dele gostam), e sobretudo as instâncias disciplinares da FPF - até aqui incompetentes - fazer o resto. Mas desconfio, porque sei com quem lido, que ainda alguém irá querer branquear tudo isto!..."

Paulo Montes, in A Bola

A corrupção no futebol português

"Há muito que havia indícios de corrupção no futebol português. Falava-se na questão das apostas asiáticas, falava-se em jogos combinados, falava-se em jogadores demasiado vulneráveis e que facilmente se deixariam tentar porque há muitos e muitos meses não recebiam o que estava estabelecido nos seus contratos e tinham filhos e família para sustentar.
Perante as notícias que correm pelos bastidores, as instâncias desportivas, e, em especial, as responsáveis pela organização do nosso futebol, supostamente profissional, assobiavam para o lado e proclamavam que não tinham meios suficientes para investigar e saber onde está a verdade. Sejamos claros: a verdade é que a corrupção no futebol não pode surpreender ninguém, num país onde os fumos de corrupção atingem tão obviamente a classe política e alguma elite empresarial sem que daí surjam resultados palpáveis e exemplares.
No entanto, apesar das diferenças, num estado de direito nunca poderemos considerar haver uma corrupção aceitável por ser de gente permissível e necessitada; e outra intolerável, por se tratar de gente socialmente privilegiada, do chamado colarinho branco. Corrupção é corrupção e deve ser condenada. Para mais, no caso concreto do futebol, porque atenta contra a verdade desportiva, porque danifica a credibilidade do espectáculo, porque ataca ilegal e irregularmente os legítimos interesses de terceiros. Questão que se levanta: até onde nos levará esta louvável investigação policial? Apenas ao que parece ser, ou a muito mais do que isso? E como se comportará, perante esta dolorosa realidade, a pálida justiça desportiva?"

Vítor Serpa, in A Bola

E o Braga não conta?

"Amanhã haverá campeão e o campeão será sempre de Lisboa, aconteça o que acontecer na Luz e na Pedreira, os palcos da decisão. Festeje quem festejar o título pelas ruas e praças do país - a noite de domingo será garantidamente ruidosa o que mais se deseja é que o transe ocorra sem desacatos civis como os que, no ano passado, ensombraram as comemorações do bi-segundo título consecutivo do Benfica. Cai, assim, o pano sobre um dos mais disputados campeonatos dos últimos tempos em termos de emoção e de futebol-jogado. Já no que diz respeito ao futebol-falado, a discussão foi absolutamente lamentável do princípio ao fim com as despesas praticamente todas a cargo do Sporting. Melhor dito, a cargo do presidente do Sporting que, ainda esta semana, de tanto porfiar conseguiu ter o árbitro representante da Marcon - a marca oficial de equipamentos do Sporting - apontado a Braga na ronda que é a do tudo ou nada.
O presidente do Sporting garantiu também ao país um "Nacional motivadíssimo" na Luz, o que, com toda a franqueza, não é notícia que mereça manchetes. Aliás, nem sequer é notícia porque não é novidade. Nesta meia dúzia de últimas jornadas não houve adversário do Benfica que não entrasse em campo "motivadíssimo". O choro compulsivo do jogador do Vitória de Setúbal que falhou o golo que parecia certo frente a Ederson nos instantes finais do jogo da Luz é do mesmo a prova mais eloquente.
E é outra vez disto que o Benfica deve esperar amanhã a partir das cinco da tarde. Até porque na Luz se sabe desde a primeira hora desta Liga, e por experiência própria, que não há campeões antecipados. Já o presidente do Sporting só esta semana, a da última jornada, deu de caras com o famoso axioma. "Não há campeões antecipados". admitiu Bruno de Carvalho nesta primavera que já vai adiantada depois de no inverno ter assegurado que o Sporting não mais iria sair do primeiro lugar e de ter sentenciado que "em maio" - justamente o mês corrente - "eu, o Jesus e a carneirada" iriam "ter muito que festejar". Amanhã é dia de encerrar as contas. Dia de somar pontos e títulos.
Amanhã tudo conta, menos, segundo parece, o Sporting de Braga, o que se compreende e aceita. Então o Braga não conta? Não. Com a ideia, muito legitimamente, posta na final do Jamor, o Braga é o adversário apetecível desta última jornada. São as circunstâncias, apenas isso.
Carrega, Benfica, a carregar desde 1904!"

A ética que viria da estética

"O jogo bonito, a estética, é das coisas menos importantes no futebol. Naturalmente que todos gostamos de ver grandes jogadas e grandes golos e grandes equipas e que todos reconhecemos o génio transformador de Cruyff, o talento lapidado de Messi ou qualquer outro assombro. Claro.
Recuso, no entanto, as ideias simples de que o «futebol é isto», como se diz, quando o Liverpool vence o Dortmund por 4-3 em jogo de loucos, como aconteceu há um mês. Ou, noutro sentido, a forma como se descredibiliza a ascensão do Atlético de Madrid a grande na Europa pelo recurso a um estilo menos primoroso, então já com o parecer, também básico, de que o «futebol não é isto».
Para cúmulo, até Messi, deus do futebol fantástico, disse há dias à ESPN que preferia o Atl. Madrid campeão europeu, justificando-se com a rivalidade com o Real Madrid. O altíssimo da estética a mandar a estética às urtigas.
Nenhum adepto troca uma vitória foleira por 1-0 num campo encharcado de dezembro, num estádio mal iluminado e com bancadas às moscas, contra um adversário, desgraçado, a suar as estopinhas para correr àquelas pedaladas, com um golo de penalty, talvez mal assinalado, no último minuto. Nenhum. A única justiça é a vitória. E aí o futebol, nas emoções, é maior do que a estética, sobretudo quando esta parece estar a converter-se num tipo de ética, mais moral, racional ou verdadeiro do que o resto. Veja-se o discurso do Sporting, que reclama direitos sobre uma liga na qual, em causa própria e sem juiz a deliberar, diz ter jogado melhor. E então?
A estética é o golo. A ética também. O resto, venha de onde vier, é apenas a rudimentar dialética do lindo remate ao lado."

Miguel Cardoso Pereira, in A Bola

Benfiquismo (CIV)

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