Últimas indefectivações
terça-feira, 7 de julho de 2026
Operação ‘Apito Desafinado’
"Se a temporada se iniciar com a liderança da arbitragem sob investigação e procurando fazer de conta que o clima de suspeição que a visa não está desde já inculcado nas mentes de adeptos, dirigentes, jogadores e treinadores, o Carnaval não durará três dias, mas 34 jornadas. Que cada um saiba assumir responsabilidades…
É impensável começar a época de 2026/27 do futebol profissional sob o signo da suspeição. Se tal suceder, aberta que foi a caixa de Pandora, a anarquia instalar-se-á e a credibilidade das instituições ficará minada pelo ‘bicho’ da suspeição.
Precisa-se, pois, de ações céleres, quer de quem investiga, quer de quem está em xeque. Iniciar a temporada com este clima irrespirável será a suprema irresponsabilidade. Luciano Gonçalves, eleito presidente do Conselho de Arbitragem depois de uma disputa nas urnas com Jorge Sousa, possui legitimidade própria para o exercício de funções. Porém, após as várias posições vindas a público e a entrada em cena do Ministério Público, é fácil constatar que se encontra numa posição demasiado fragilizada para proceder a nomeações e gerir o setor.
Esta situação não pode passar ao lado da Liga Portugal, que tem o dever de garantir a integridade das competições que tutela, nem sequer dos clubes, que não podem estar sujeitos a movimentarem-se num terreno armadilhado, onde todos desconfiam de todos.
E há, também, a questão dos árbitros, pouco interessados, decerto, em darem a cara dentro das quatro linhas enquanto tudo não estiver em pratos limpos. Porque serão eles, ao primeiro deslize, a subirem ao pelourinho para serem escarnecidos pelos adeptos e vilipendiados pelos clubes.
Já não estranhamos quando, lá para março, começam as queixas dos que querem ser campeões e dos que não querem descer de escalão. Todavia, viver uma situação-limite como esta antes de a competição se iniciar é inédito e não pode ser tolerado, sob pena de o Carnaval, em vez de ter três dias, durar 34 jornadas.
Creio que interessará a todos que as dúvidas sejam dissipadas e, a partir do que se concluir, tomar decisões. A única coisa que não pode suceder, se não quisermos ser alvo da chacota interna e externa, é atirar os árbitros às feras e os clubes à incerteza. Todos os anos são mobilizadas centenas de milhões de euros no futebol nacional e o mínimo que se exige é que os investimentos dos diversos emblemas não fiquem à mercê de situações dúbias. Estou mais do que certo de que, se nada for feito e a decisão passar por vivermos no faz-de-conta, assobiando para o lado, o que demasiadas vezes corre mal irá correr pior.
Vivemos um momento de tal forma delicado que até pode vir a transformar-se numa força regeneradora, assim todos saibam assumir as suas responsabilidades.
No caso vertente, apesar de a Justiça estar a fazer o seu caminho, apurando factos, são os clubes, através da Liga, que estão obrigados a tomar uma posição firme, sob pena de se verem metidos num ninho de cucos.Haverá, pergunto, quem discorde que é impraticável iniciar uma época com a liderança da arbitragem debaixo do fogo certeiro de quem conhece o setor como as próprias mãos, que sempre manteve limpas?
Falta pouco mais de um mês para o ‘kick-off’ da Liga e, até lá, deverá haver uma solução sólida e definitiva. A política de empurrar as coisas com a barriga, que nunca é boa, neste caso, falando-se da arbitragem, será ainda pior.
Tratando-se de um órgão com legitimidade eleitoral e escasseando tempo para que os sócios da FPF possam intervir, deverão ser os clubes a exigir o mínimo dos mínimos, que é a normalidade. Se não o fizerem, se a época começar em regime de ‘bagunça’ na arbitragem, sujeitam-se a ser apanhados numa bola de neve que nunca poderão controlar.
CARTAS
ÁS
Diogo Costa
Antes do início do Mundial, num programa de A BOLA TV, coloquei o guarda-redes do FC Porto como a minha aposta de destaque para a competição. Quatro jogos volvidos acredito ter acertado na ‘mouche’. Estamos perante um dos melhores do Mundo na posição mais ingrata do futebol.
ÁS
Duarte Gomes
O antigo diretor-técnico da arbitragem disse, internamente, tudo o que tinha de ser dito, e, por pudor, foi mais sucinto no comunicado que produziu. Ter, em lugares importantes, homens livres, é meio caminho andado para que quem persiste em andar no arame sem rede se estatele.
DUQUE
Pierluigi Collina
Se é absurdo colocar, num Campeonato do Mundo, árbitros sem qualificação para tal, quando se nomeia para um Paraguai-França de mata-mata o incipiente Andrey Tsapenko, do Uzbequistão, atinge-se o nível da irresponsabilidade. Felizmente os ‘bleus’ não foram atrás das provocações…
CAPA
A maior homenagem aos Tubarões Azuis
A capa do Correio da Baía, do Brasil, mostra bem a consideração do mundo do futebol pelo que Cabo Verde fez no Mundial da América do Norte. Porque o gosto dos caboverdianos pelo jogo tem muito a ver connosco, também porque me sinto grato pelo apoio genuíno que sempre deram à Seleção Nacional, renovo os votos de que a FPF possa ajudar (mais) no desenvolvimento de infraestruras naquele país.
FOTOLEGENDA
DIOGO E ANDRÉ
Há uns meses, no contexto da biografia que escrevi do ‘Forever 20’ dos ‘reds’, foi-me dito pelo Liverpool que pensavam inaugurar o memorial dedicado a Diogo Jota, que não esquecia o irmão, André, por altura do primeiro aniversário do acidente que vitimou ambos em Cernadilla, Espanha. Assim foi. A imortalização, em pedra e bronze, que incorpora camisolas, flores e cachecóis deixados a 3 de julho de 2025 pelos ‘scousers’, está à vista de todos, paredes-meias com Anfield. Confesso que sabia que o Liverpool era um clube grande. Ao longo dos últimos meses aprendi que também é um grande clube."
Só para não haver duvidas
Só para não haver duvidas.
— Polvo das Antas - Em Defesa do SL Benfica (@moluscodasantas) July 6, 2026
Réu: Sport Lisboa e Benfica.
Acho que esta imagem substitui bem um desenho, para aqueles que ainda não perceberam o que se está a passar. pic.twitter.com/EaHb2NYbfA
Porta-voz?!
"Muito bem, Frederico Varandas a sair em defesa de quem lhe deu um Bi Campeonato + 1 apuramento para a Champions de mãos beijadas."
Porque é que um jogo da Seleção mexe tanto com a economia
"Quando Portugal entra em campo, como ontem contra a Espanha, milhões de portugueses fazem exatamente a mesma coisa: param para ver futebol.
Parece uma afirmação simples. Mas por detrás desse hábito aparentemente banal existe um dos fenómenos económicos mais interessantes do país. O estudo que desenvolvemos no IPAM sobre o impacto económico do Mundial 2026 mostra precisamente isso: um jogo da Seleção não gera apenas emoções, gera também consumo, negócios e atividade económica.
O futebol tem uma característica que poucas atividades conseguem replicar. Consegue mobilizar milhões de pessoas ao mesmo tempo. Quando Portugal joga num Mundial, o impacto sente-se muito antes do apito inicial. Nos dias anteriores, os canais de televisão reforçam a programação, os jornais aumentam a cobertura, as marcas lançam campanhas e as redes sociais enchem-se de previsões, comentários e debates.
Mas é no próprio dia do jogo que a economia acelera. E muito.
Os cafés e restaurantes registam um aumento significativo de clientes. As esplanadas enchem-se. Muitas famílias e grupos de amigos escolhem reunir-se para acompanhar os jogos. O consumo de cerveja, refrigerantes, snacks e refeições aumenta. Supermercados como Continente, Pingo Doce, Lidl ou Auchan sentem esse efeito nas vendas dos dias de jogo. Marcas como Super Bock, Sagres, Coca-Cola ou Sumol beneficiam diretamente desta concentração de consumo.
O fenómeno também se faz sentir dentro de casa. Há quem organize almoços, jantares ou churrascos para acompanhar a Seleção. Outros aproveitam para renovar equipamentos, trocar de televisão ou melhorar a experiência de visualização. São pequenas decisões individuais que, multiplicadas por milhões de pessoas, geram um efeito económico muito relevante.
O estudo mostra que o impacto económico mínimo do Mundial 2026 em Portugal será de cerca de 378 milhões de euros, podendo atingir 945 milhões de euros no cenário mais favorável. E uma parte importante deste valor está diretamente relacionada com o desempenho da Seleção. Quanto mais Portugal avança na competição, mais tempo dura o consumo associado ao evento.
Mas há uma diferença importante em relação aos Mundiais do passado.
Hoje o jogo não se vê apenas na televisão. Vê-se também no telemóvel. Comenta-se no X, discute-se no WhatsApp, partilha-se no Instagram e no TikTok, acompanha-se através do Record, do Maisfutebol, do zerozero ou da RTP Play. O adepto moderno vê o jogo e participa ao mesmo tempo.
Não surpreende, por isso, que cerca de 23% do impacto económico identificado no estudo já resulte de plataformas digitais, redes sociais e criação de conteúdos. Quase um quarto do valor gerado pelo Mundial nasce hoje fora dos estádios e até fora dos ecrãs tradicionais.
Talvez seja essa a maior conclusão do estudo. Um jogo da Seleção já não vale apenas pelos 90 minutos que decorrem dentro das quatro linhas. Vale pelas conversas que gera, pelas compras que provoca, pelos conteúdos que produz e pelo tempo que ocupa na vida dos portugueses.
Quando Portugal joga, não é apenas a bola que entra em movimento. É uma parte significativa da economia que acelera ao mesmo ritmo.
E isso ajuda a perceber porque é que o futebol continua a ser muito mais do que um jogo. É um dos maiores fenómenos de consumo coletivo que existe em Portugal."
Que venha a Espanha
"A Seleção fez com a Croácia, na primeira parte, a melhor exibição neste Mundial. Foi uma equipa equilibrada e sempre com um notável espírito de união e conquista. O jogo exterior melhorou pela forma como foi explorada a profundidade por Rafael Leão e Pedro Neto. Nuno Mendes subiu de produção e o jogo a três nas laterais foi importa
nte para criar situações difíceis de controlar pela defesa croata.
nte para criar situações difíceis de controlar pela defesa croata.
A saída a três na primeira fase de construção (Rúben Dias, Vitinha e Veiga) deu maior segurança e Vitinha assumiu papel decisivo nas decisões da posse. A equipa sempre junta e com as linhas muito próximas tornou possível, no ataque posicional, a presença de mais unidades na área de finalização.
A posse de bola teve mais critério com menos passes perdidos, e a última linha de três muito subida equilibrou a equipa e foi capaz de controlar os momentos de perda da bola sem dar muitos chances à Croácia, pela pressão de mais jogadores em espaço ofensivo mais reduzido.
Na segunda parte entrámos mal, tudo o que foi possível fazer antes muito bem (equipa junta com linhas subidas e com mais fácil recuperação da bola numa posse orientada para a baliza) deu lugar a uma outra equipa mais dispersa e sem capacidade de controlar os espaços defensivos que foram aproveitados pelos croatas para chegarem ao golo e virarem o jogo do avesso.
O golo do empate não trouxe grandes alterações e as substituições não equilibraram a equipa. Em desespero, Roberto Martínez quis ganhar o jogo mas esteve muito próximo de o perder. A saída de Ronaldo e a entrada de Rúben Neves melhorou um pouco.
Sem Ronaldo, foi Gonçalo Ramos quem aproveitou os espaços e o golo brilhante que marcou foi prémio para um jogador pouco aproveitado no clube e na Seleção.
Uma palavra também para Diogo Costa, decisivo nos jogos com Colômbia e Croácia. O seu fantástico trabalho garantiu dois resultados favoráveis: o empate na fase de grupos e a vitória que nos deu os oitavos de final.
Que venha a Espanha... vai dar Portugal!"
Portugal, dia 5
"Tenho dito, e reafirmo, que Portugal pertence a um lote de oito seleções que podem sonhar com o título mundial. A Espanha, também. Um vai ficar pelo caminho, dando ‘falta de comparência’ aos ‘last eight’, que seria o seu ‘habitat natural’.
Será campeão do Mundo, dentro do grupo dos tais mais fortes, aquele que tiver o melhor alinhamento astral, seja nos duelos, seja, até, em eventuais desempates por penáltis. Recordo que ao longo da história Brasil (1994), Itália (2006) e Argentina (2022) venceram as respetivas finais dessa forma, e que Alemanha (1990), França (1998) e Argentina (2022) atingiram as finais depois de terem superado eliminatórias da marca dos onze metros. Também Portugal e Espanha têm um histórico nos desempates por penáltis: perdemos na meia-final do Euro/12 e ganhámos na final da Liga das Nações/25. Neste século, aliás, os confrontos entre portugueses e espanhóis têm sido marcados pelo equilíbrio, mas, desta feita, as exibições de ‘nuestros hermanos’ têm sido mais convincentes, o que revela um bom momento de forma e, também, a necessidade de nos preocuparmos com alguns dos pontos mais fortes da equipa de De La Fuente, nomeadamente a dinâmica do meio-campo. Se, nesse setor, não formos muito equilibrados, disciplinados e competentes, veremos reduzidas drasticamente as nossas possibilidades de chegarmos aos quartos-de-final.
É meu ‘feeling’, sem qualquer ‘inside information’, que tanto Roberto Martinez quanto a FPF já perceberam que o final da participação portuguesa no Mundial é o tempo certo para não prolongarem uma relação que já rendeu uma Liga das Nações. O técnico espanhol, que foi feliz nas substituições operadas na partida com a Croácia, quererá, mais do que ninguém, sair, como se diz na gíria, ‘por cima’.
Uma coisa, questões técnico-táticas à parte, parece-me certa: a motivação do selecionador e dos jogadores face ao confronto com a Espanha, está na quota máxima, o que é um ótimo sinal. O resto, é futebol, um vai rir, o outro, chorar…
PS - Alemanha, Países Baixos, e agora… Brasil. Há grandes a ir para casa cedo demais. Schjelderup a assistir e Haaland a faturar, desfizeram o ‘escrete’. À hora que escrevo não sei se a Inglaterra passou ou não. E logo, Portugal ou Espanha, um fica pelo caminho.
* Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilver e New Jersey Americans) e Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 joga-se onde o ‘King’ espalhou o que lhe restava de magia…"
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