Últimas indefectivações

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Cadomblé do Vata

"1. Melhor o resultado do que a exibição, mas o que interessa é que ganhamos... e como o FCP só joga domingo, vamos passar o fim de semana altamente pressionados em 1º lugar com 4 pontos de vantagem.
2. Ganhamos com os golos a serem marcados pelos barbudos Mitro e Rafa... se os flavienses quiserem obter um bom resultado da próxima vez que vierem à Luz, aconselho que em vez de terem no banco o Ricardo Soares, apresentem o Wilkinson Sword.
3. Para além da nossa vitória, este jogo demonstrou também que Fábio Martins tem um dos pontapés mais potentes da 1ª Liga... umas vezes na bola, outras na canela do Samaris, mas sempre a chutar à bomba.
4. Fortíssimo o Desportivo de Chaves nos remates de longa distância... se continuam neste registo, no fim da temporada têm que mudar o nome para Desportivo de Isaías.
5. O golo do Rafa foi algo ambíguo e susceptível de diferentes interpretações... por exemplo, para os Benfiquistas foi "golo"... para o Olegário Benquerença terá sido uma "defesa in extremis"."

Vermelhão: só faltam mais 11 finais !!!

Benfica 3 - 1 Chaves


Tal como suspeitava, jogo muito complicado, contra a equipa 'sensação' do Campeonato. O Chaves além de defender colectivamente, tem jogadores de qualidade nas saídas para o contra-ataque... e mesmo perdendo alguns jogadores em Janeiro, principalmente no meio-campo, conseguiu compensar as 'saídas' com organização colectiva...
Num momento onde temos um calendário 'apertado', teria sido preferível um jogo mais 'calmo', mas acabámos por ter um dos jogos mais 'intensos' na Luz esta época, principalmente porque o adversário quis participar no jogo!!! Não fez anti-jogo e isso faz toda a diferença...
Também não defendeu 'alto', deixou o Benfica trocar a bola na 1.ª fase de constrição, recuou a linha do meio-campo, para junto da linha defensiva, mas sempre que recuperou a bola, mostrou organização, e qualidade...
Ao contrário do que já ouvi (na rádio) e li em alguns locais, apesar das dificuldades, o Benfica foi sempre superior... mesmo cometendo alguns erros:
- a aposta do Rafa na 1.ª parte, jogando no 'meio', foi um erro...
- o Zivkovic é neste momento, claramente, a melhor aposta para a Ala direita, não o lado esquerdo..
- o Samaris em vários momentos do jogo, não conseguiu 'fechar' as perdas de bola do Benfica, recuando em demasia para junto da nossa linha defensiva, e não pressionando... abrindo um buraco no meio...!
Curiosamente na primeira jogada do jogo, parecia que ia ser fácil entrar pelo 'meio' na defesa do Chaves... foi lance único! O Rafa não tem as rotinas da posição, a diferença para o Jonas é gigante... a recepção de bola, entre linhas, e a capacidade de decisão do Jonas é inagualável no actual do Benfica...
Este problema, obrigou o Benfica a 'rodar' a bola por 'fora', tornando o nosso jogo previsível... com o Salvio a decidir sempre mal, com a bola a não chegar ao Zivo, com o Eliseu a não subir... acabaram por ser as 'subidas' do Semedo, os únicos movimentos desequilibradores...
Mesmo assim, apesar de 2 ou 3 saídas perigosas do Chaves, o Benfica marcou... e até podia ter marcado mais...
Para mim, o momento do 'complicómetro' foi mesmo o falhanço do Mitro perto do intervalo, praticamente na única boa decisão do Salvio... Seria o 2-0 antes do descanso! No ataque seguinte, o Chaves empatou...!!!
O 2.º tempo foi completamente diferente, ainda antes da entrada do Jonas, notava-se um Benfica mais agressivo... mais rápido... E com a deslocação do Rafa para a esquerda, ganhámos velocidade no flanco... De longe os melhores minutos do Rafa no Benfica, após o 1.º jogo em Arouca!!! E não foi por ter marcado o golo...
Apesar do 2.º golo, a substituição do Jonas pelo Salvio, manteve-se... A mensagem era clara, queríamos o 3.º golo. E só devido à uma tremenda falta de eficácia, não marcámos... E desta vez, nem foi preciso o guarda-redes adversário 'engatar', os nossos remates saíam quase sempre ao lado...!!!
Com a diferença mínima o Chaves acreditou e o Benfica começou a temer o empate...! Apesar desta reacção de louvar do Chaves, o Ederson fez neste período uma única defesa complicada, num remate de muito longe...
Até que, depois de perdermos muitos ressaltos, finalmente uma bola 'sorriu' ao Benfica, e o Mitro 'fechou' o jogo com o 3.º golo!
O Ederson voltou a ser fundamental, com a tal defesa na parte final, mas também com duas saídas aos pés dos adversários... e com muita tranquilidade nas saídas pelo ar...!!!
Luisão e Lindelof estiveram bem... até porque os jogadores mais perigosos do Chaves são os Alas... e portanto 'longe' da sua área de acção...
O Semedo fez duas assistências, além de ter defendido bem... está num grande momento de forma, e vai fazer falta na Feira... O Eliseu 'protegeu-se', não subindo muito... mas com o Nelsinho no outro lado, é preciso ter um lateral esquerdo, comedido.
Não é fácil substituir o Fejsa, o Samaris entrou mal na partida, a passar a bola e a defender, mas com o tempo foi melhorando... Aquela entrada assassina que sofreu logo aos 5 minutos, também não ajudou! Uma das diferenças maiores entre o Samaris e o Fejsa é na reacção à perda bola, o Sérvio 'ataca' a bola, com tudo, e raramente é ultrapassado; o Samaris 'recua' demasiadas vezes para junto dos Centrais e quando tenta a pressão alta, perde muitas vezes os duelos...
O Pizzi normalmente só é elogiado quando marca golos...!!! Mas hoje, pareceu-me um dos melhores jogos do Pizzi dos últimos tempos!!! Principalmente devido aos passes médios e longos, algo que ele não costuma arriscar... e desta vez, acertou praticamente em todos!
O Salvio não está bem. Decisões erradas atrás de decisões erradas... O problema 'duplica' porque 'empurra' o Zivo para a esquerda!!! Foi notória a melhoria do jovem Sérvio no 2.º tempo...
Tivemos dois Rafas, o da 1.ª parte, nada adaptado à posição... no 2.º tempo, o Rafa que queremos, com velocidade, com a bola colada aos pés, embalado...
Que dizer de Mitrolgou, a passar claramente pela melhor fase da sua carreira no Benfica... E isso nota-se até nas movimentações sem bola... onde tem estado muito disponível!
Boa entrada do Jonas, dando imediatamente outro critério na construção de jogo ofensivo... Na parte final, foi demasiado fução... queria mesmo marcar um golo!
O Filipe Augusto entrou para dar força ao meio-campo, mas desta vez, entrou algo trapalhão... O Cervi devia ter entrado mais cedo, porque o Benfica precisava de ter mais bola no pé... e mesmo vertigem ofensiva!!!
No estádio, retardei o festejo no 1.º golo... estava longe, não me apercebi se houve ou não falta do Mitro. A caminho de casa, foi curioso ouvir na rádio, opiniões seguras, que depois justificavam-se com a frase: a repetição não é clara!!! Pronto fiquei logo se sobreaviso: chego a casam vejo o video... e de facto a repetição nada mostra!
Já sei que este lance vai ser usado, para branquear os milhares de outros lances que ocorreram nos jogos do Benfica e dos Corruptos... Mas as imagens não provam nada. nadinha... Só verá falta no lance, quem quiser que seja falta...
Não existe agarrão, os dois jogadores usam os braços para ganhar posição, e o defesa do Chaves, aparentemente desequilibra-se nos apoios (não existe rasteira nas pernas), mas vamos ter Circo!!!
Circo esse, que vai olhar de lado (ou passar por cima completamente...) para o lance do Fábio Martins sobre o Samaris: Vermelho directo aos 5 minutos da partida!!! Houve outros cartões perdoados, muitos ao Chaves, o Samaris e o Eliseu também podiam ter levado... mas curiosamente acabou por ser o Semedo a levar o 1.º amarelo da partida, num lance igual a muitos outros... Logo um jogador que estava à 'bica'!!!
No Canto, onde se vai dizer que foi anulado um golo ao Chaves, existe uma dupla falta: fora-de-jogo, e obstrução... é só escolher!!!
Rui Vitória vai ter uma decisão difícil para Terça-feira na Amoreira: o mais provável é dar descanso a vários jogadores; mas a 2.ª mão da Meia-final da Taça de Portugal, com o Estoril, também está 'encaixado' num momento difícil (jogo com os Corruptos), portanto seria 'agradável', 'matar', a eliminatória no primeiro jogo!!!
Mesmo assim acredito que Júlio César, Jardel, Almeida, Carrillo, Cervi, Jonas e Jiménez vão ser titulares...!!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Parece impossível ganhar este ano

"Desde treinador a jornalistas, foi unânime que o SC Braga fez contra o Benfica a sua melhor exibição da época. Nunca é fácil ganhar em Braga, mas este ano teríamos mesmo que o fazer para manter a chama do Campeonato acesa. Assim foi!
Nos últimos dois meses, os erros de arbitragem são em todos os campos, de todas as formas e no mesmo sentido. Braga não foi excepção, mas teremos mesmo que jogar e contar com essa realidade até ao fim. Parece ser quase impossível ganhar este ano.
Seguimos a agenda num difícil encontro com a equipa sensação do campeonato. Vai ser complicado o jogo contra o Chaves, logo à noite. O Chaves fecha bem e contra-ataca melhor. É mesmo das equipas que mais dificuldades pode criar ao estilo de jogo encarnado. Será mais uma etapa no nosso difícil percurso, faltam 12, e cinco das seis saídas são no grande Porto (Feira, Paços, Moreira, Vila do Conde e Bessa). Não há margem para lamentos.
O FC Porto não teve sorte no sorteio da Champions. A Juventus parece que não joga muito... e ganha sempre. Tem a vantagem de nunca quererem esmagar e golear, ao contrário de outros adversários mais predadores.
Alguns portistas queixaram-se da arbitragem. Acho injusto. Por um lado não podia ser nomeado o Luís Ferreira, por outro, foi este árbitro e as suas escandalosas actuações que deram a muitos dos adeptos azuis e brancos a única alegria dos últimos 40 meses. Sejamos justos, Nuno Espírito Santo pautou-se pelo equilíbrio. Chegados a este nível os emblemas nacionais chocam com uma barreira, onde também está a imensa qualidade adversária.
Terça-feira temos um problema que outros rivais não têm: uma meia-final da Taça de Portugal para resolver, contra o Estoril. Ainda bem que somos prejudicados por uma agenda tão cheia, é assim quando se é muito grande e se quer ganhar muita coisa."

Sílvio Cervan, in A Bola

Luís Dourado e apito Ferreira

"Os antigos gregos usavam mitos para explicar fenómenos da natureza e as origens do homem e do mundo, mas Homero, que tão bem o fez em Ilíada e Odisseia, não previu o futuro, ou não se teria esquecido de Mitrolgou, um semi-Deus cujos poderes o têm notabilizado na Ibéria.
Não é o caso do nativo e terrivelmente mundano Luís Ferreira, detentor de uma arma outrora poderosa, mas ainda útil amiúde - um apito dourado. Não anulou totalmente os poderes de Mitroglou, mas quase. No passado, o desavergonhado Luís Ferreira, então desconhecido, serviu os mestres de tal arma nos tribunais e, no presente, apesar da sua aparente propensão para o erro selectivo, tem tido direito a apitar diversas partidas de águias e dragões, sempre em prejuízo dos primeiros e benefício dos segundos (e não é o único). Diz-se dele que goza da protecção de um tal de Costa. Se é Paulo ou Pinto, não se sabe, mas sairá com boa avaliação ou bofetada de um super adepto.
E o que dizer de Saraiva do Facebook, papagaio do Talismã de Carvalho e descobridor dos 'exércitos mitológicos' nas fábulas de La Fontaine. Ou se trata de um mito e seria um aprendiz de Némesis, ou de uma fábula, e nada melhor que um caniche irritante e inconsequente para representá-lo. É que, aos leões, resta assegurar o terceiro lugar. Aos lagartos, interessará sobretudo lutar contra o tetra ou Bi 18. Por isso, em vez de nos agradecerem os pontos no ranking da UEFA e a nossa ajuda no firmamento da sua posição no futebol português, a terceira, pelo contrário atacam-nos despudoradamente. Sobre os escândalos portistas, incluindo frente ao Sporting, nem uma palavra. São, de facto, os idiotas míticos e úteis da fábula do dragão dourado."

João Tomaz, in O Benfica

Coacção

"A iniciativa do Sport Lisboa e Benfica - Futebol, SAD de solicitar, na semana passada, uma reunião com a Secção Profissional do Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol merece ser saudada por três motivos.
Em primeiro lugar, a transparência. A preocupação de o presidente Luís Filipe Vieira e seus pares tomarem o futebol português mais atractivo do ponto de vista desportivo e, sobretudo, mais integro a nível da transparência das suas competições é a melhor prova da importância que o Glorioso confere à credibilidade da Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Por muito que custe a reconhecer a algumas mentes mais perversas, a verdade é que nas últimas semanas se têm verificado situações de coacção e condicionamento sobre a arbitragem.
As ameaças feitas do árbitro Artur Soares Dias, em pleno Centro de Treinos da Maia, no dia 5 de Janeiro deste ano, por membros da claque do FC Porto e o pertardo disparado pelos mesmos adeptos para o guarda-redes Moreira, no Estoril-FC Porto, foram dois episódios gravíssimos. Todos esperamos que as entidades competentes investiguem acusem e punam os infractores. É intolerável que um árbitro, seja o primeiro ou último classificado, se sinta condicionado em campo a pensar que algo de mal lhe poderá acontecer ou aos seus familiares se tomar uma decisão que prejudique o clube dos adeptos ameaçadores.
Basta analisar os jogos do Tricampeão com Boavista, V. Setúbal, Nacional, Arouca e SC Braga para detectar erros clamorosos que nos causaram a perda irreparável de três pontos, uma expulsão injusta, três expulsões perdoadas aos nossos adversários, um golo mal invalidado e cinco penálties por assinalar a nosso favor.
Basta analisar os jogos do FC Porto com Paços de Ferreira, Rio Ave, V. Guimarães e Tondela para perceber que o nosso adversário devia ter menos cinco pontos.
Só não vê quem não quer."

Pedro Guerra, in O Benfica

Indignação!

"Apesar do triunfo alcançado em Braga, e da manutenção da liderança do Campeonato, confesso que, no domingo à noite, senti uma enorme preocupação.
Independentemente dos resultados, o que se passou nos estádios em que se lutava pelo título não pode ser branqueado. O Benfica ganhou, mas o golo de Mitroglou não apaga mais uma arbitragem desastrosa, e muito penalizadora para o nosso Clube – algo que, sobretudo de há uns meses para cá, se transformou num hábito.
Dois penáltis por marcar e um golo mal anulado, entre outros erros menores, são matéria mais do que suficiente para estabelecer um padrão: o campo estava inclinado, como esteve nos jogos com o Boavista, com o Moreirense e com o V.Setúbal. Paralelamente, o FC Porto, em vésperas de compromisso europeu, viu a sua equipa simpaticamente guiada até a uma confortável vitória, por uma arbitragem digna dos anos noventa. Como disse o treinador do Tondela, o que ali se viu foi surreal, e é assustador para quem esperava um Campeonato decidido apenas dentro das quatro linhas. 
Assusta mas, infelizmente, não surpreende. Quando, no início de Janeiro, os árbitros foram objecto de uma inusitada campanha de intimidação a duas vozes, temi desde logo os efeitos. Eles não se fizeram esperar. Aí os temos. Nas nomeações, e consequentemente nos jogos.
Este Campeonato é muito importante para nós, mas ainda mais importante para o nosso adversário directo. Os últimos quarenta anos ensinaram-nos muito. Alguns dos protagonistas mantêm-se e a falta de pudor também. As pressões metem medo e fazem mossa. Esperar algo diferente é como acreditar no Pai Natal."

Luís Fialho, in O Benfica

Poderoso Benfica

"Chegámos hoje à trimilésima octocentésima edição do semanário oficial do Sport Lisboa e Benfica.
Não se trata de um número de ordem normal na vida de um jornal desportivo.
Agora, à medida que os tempos se mudam, os meios transformam-se: as expectativas e as ofertas vão-se tornando cada vez mais efémeras, enquanto os públicos se volatilizam ao ritmo de novas solicitações e disponibilidades do mercado. E se  enquanto na sociedade dos cidadãos tudo depende, mais e mais depressa, da circunstância e do resultado, os efeitos do tempo na esfera desportiva são ainda mais severos: com verdade verdadeira e realisticamente provada, quantos jornais de clube já chegaram, efectivamente, ininterruptamente, à sua edição n.º 3800?
Em Portugal, nenhum! E, de que aqui haja conhecimento expresso, na Europa e no mundo, nenhum outro, também.
Temos como historicamente provado que, ao tempo do seu lançamento no inicio dos anos quarenta do século passada, o jornal O Benfica constituiria um dos primeiros dínamos próprios, não especificamente competitivos, a dar corpo real à lapidar consigna do Clube - E pluribus unum - Ser um, único, entre todos.
O nosso jornal foi criado há mais de sete décadas para gerar coesão informativa ao esparso universo dos adeptos Benfiquistas. Nasceu no momento próprio para acentuar as relações da instituição com os seus simpatizantes, mas também para estabelecer novas conexões entre os próprios adeptos do Benfica.
Através dos precisos registos das competições em que o Sport Lisboa e Benfica participava, O Benfica pontuava pari passu a crescente grandeza do Clube; e, mediante o noticiário informativo relacionado com as actividades conviviais e culturais do tempo, criadas no quotidiano comum daquelas centenas de atletas que progressivamente vinham acolher-se sob as asas da Águia, o semanário já estimulava o associativismo que mais tarde sedimentaria a coesão do único e poderoso Benfica português e internacional.
Hoje os tempos são outros, os atletas e as modalidades estão diferentes, os leitores e o jornal modificaram-se, como se alteram, e muito, os seus contextos. Mas, na essência, a ideia de Benfica permanece em todos os textos e todas as fotos em todas as páginas do jornal O Benfica: dar notícia e defender um Benfica vencedor que continue a ser sempre o primeiro e único, entre todos os outros."

José Nuno Martins, in O Benfica

Benfiquismo (CCCLXXXVIII)

Voar para a vitória...

Mitroglou decide, Bernardo Silva encanta

"Positivo:
5 pontos: Konstantinos Mitroglou
O avançado grego do Benfica não tem a classe de Jonas, a fantasia de Rafa, a explosão com bola de Gonçalo Guedes, entretanto vendido ao Paris Saint-Germain. Tem aquela pose curvada, como se carregasse um peso nos ombros, afaga a barbicha como se tivesse todo o tempo do mundo, por vezes parece jogador de finalização à boca da baliza mas em Braga demonstrou o contrário: assumiu o risco e entrou pelo buraco da agulha. Com apenas dois remates enquadrados com a baliza em dois jogos, Mitroglou garantiu igual número de vitórias importantíssimas para o Benfica, frente a Borussia Dortmund e Sp. Braga. Cinco golos em quatro jogos consecutivos a marcar, 45 em 76 aparições de águia ao peito. Números gordos para um avançado de eleição, a constante num sector que se tem debatido com as ausências de Jonas, a saída de Guedes, a inconstância de Rafa. Mitroglou, esse, tem estado sempre por lá.

4 pontos: Bernardo Silva
Por vezes não conseguimos acompanhar devidamente a evolução de Bernardo Silva com a camisola do AS Monaco. Elemento fundamental na manobra de Leonardo Jardim, leva já 127 jogos pelo clube do Principado, 26 golos, incontáveis assistências e ainda mais pormenores de classe refinada. Aos 22 anos, Bernardo não é uma promessa. É uma certeza. Podia ser encarado na reta final da formação como um criativo sem agressividade em campo, mas o jovem português tem demonstrado o contrário: assume o jogo, procura, cria e não se deslumbra. Pensa o jogo como individualidade mas sempre com o colectivo como prioridade. A exibição no reduto do Manchester City, em duelo épico na Liga dos Campeões (5-3), apenas surpreenderá quem não o conhece. Delicioso.

3 pontos: Miguel Leal
Tem desenvolvido um trabalho muito interessante no Boavista, nem sempre valorizado. Arrumou a equipa, projectou o seu preferencial equilíbrio, sem abdicar de uma noção de futebol positivo que completa bem a postura tradicionalmente intensa da equipa axadrezada. Com cinco pontos nos últimos três jogos, o Boavista chegou aos 29, está na 8.ª posição e lançado para uma época tranquila. Tudo sem excesso de protagonismo, como alguns colegas de classe, apenas com trabalho sério e discreto. Um bom treinador, a justificar o aplauso.

Negativo
2 pontos: Alex Telles
A Juventus já tinha assumido ascendente sobre o FC Porto mas a expulsão de Alex Telles comprometeu definitivamente as aspirações da formação portista nesta Liga dos Campeões. Não há desculpa para a falta de prudência do lateral. Tem 24 anos, jogou na Champions pelo Galatasaray, na Serie A pelo Inter de Milão, não pode ser acusado de inexperiência. Demonstrou uma inexplicável agressividade, pouco habitual no seu jogo, e a equipa pagou a factura. Pediu desculpa, o que lhe fica bem, e tem outro argumento de peso: um bom desempenho até ao momento, para além de entrega à causa, visível na forma como festeja triunfos com os adeptos. Foi, enfim, um dia mau.

1 ponto: Leicester
Um impronunciável Aiyawatt Srivaddhanaprabha procurou justificar uma das decisões mais chocantes de 2017: o despedimento de Claudio Ranieri, a 23 de Fevereiro, um mês e meio depois de o treinador italiano ter sido eleito o melhor do mundo na Gala The Best da FIFA. Há nove meses, levou o Leicester a um incrível – e irrepetível? – título na Premier League de Inglaterra. Está a um ponto da zona de descida, é certo, mas o que ganhará o clube com esta medida, nesta altura do campeonato? Ranieri tinha crédito e conhecimento de causa. Se o sucessor não evitar a despromoção, ninguém perdoará este gesto. Fica para a história do futebol mundial.
(...)"

Aquecimento... memorias !!!

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

SLB demorou a acreditar que Apito Dourado ia voltar

"A reacção só apareceu quando constatámos que nos tinham tirado cinco pontos em dois jogos e oferecido dois (ou quatro) a quem interessava.

Ter razão antes do tempo - diz-se em política - é igual a não ter razão... Mas não ter capacidade analítica para perceber e saber ler os dados que a realidade nos oferece ou, lendo-os a tendo a percepção deles, não extrair, daí, as devidas conclusões, é, também, um erro que pode custar muito caro.
Em política, claro. Todos os que por lá andam (ou que andaram ou que lá querem voltar) sabem bem do que falo! Mas, no futebol, também! Ou pior, porque no futebol, não há tempo nem espaço que fiquem vazios por mais do que uns décimos (ou milésimos) de segundo! Dentro do campo, por maioria de razão!
Mas, também, fora das quatro linhas, onde, tantas vezes, se conseguem as condições para que o trabalho no relvado não seja ensombrado por quem não quer que ganhemos e que usa tudo o que pode (e o que não pode, mesmo que seja proibido) para que nós não ganhemos!
Esta reedição do Apito Dourado, é, assim, o regresso de um filme que já conhecemos, anunciado por quem teve capacidade para o anunciar e não se coibiu de dizer ao que vinha!
Então uma invasão de centro de treinos de árbitros não exigiria uma repulsa institucional fortíssima precisamente de quem era o objecto principal (mesmo que indirectamente) dessa acção?
Pois exigia!
Mas não aconteceu!
Então o anúncio feito pelos líderes de uma claque inimiga (não confundir com adversários, porque não se trata disso) de que ou a arbitragem entrava por outro caminho ou então teriam que se haver com os meninos,... não merecia uma violenta posição de quem era o destinatário natural dessas movimentações?
Pois merecia!
Mas não se viu nem ouviu nada sobre isso!
Então as sucessivas nomeações de árbitros dali da zona, para os jogos da equipa em causa, porque mais fáceis de controlar, não impliciria uma voz forte de alguém para denunciar o que se estava a preparar?
Pois implicava!
Mas não apareceu!
E; já agora, mesmo não sendo do nosso campeonato, a famosa história do Clube Futebol Canelas (porque tme quem tem lá dentro e segue os métodos que segue,... a acreditar no que lemos) não mereceria uma palavra de ninguém (até porque, um dia destes, corremos o risco de os vermos a jogar contra nós, numa qualquer competição profissional, com tudo o que isso possa implicar)?
Pois mereceria!
Mas não surgiu!
Ou seja, a reacção só apareceu quando constatámos - como no ano passado - que nos tinham tirado 5 pontos em dois jogos e tinham oferecido 2 a quem interessava (ou 4, se contarmos com a embalagem e a inércia com que iam e que não os fez parar... no jogo contra o Tondela).
Mais vale tarde que nunca... dir-me-ão! Bem sei! Mas iremos a tempo? Muito a tempo, continuarão a dizer-me! Talvez! Mas - para memória futura - nada como reafirmar o que sempre defendi (como é publicamente conhecido): uma atitude preventiva em relação a estas matérias...

Vieira pensa a mesma coisa
Estou tanto ou mais à vontade em aqui o afirmar porque, do que conheço, e soube, por experiência própria, feita de 7 anos de convívio, é essa a posição do Presidente do Benfica.
O que me preocupa, não é, por isso, o que pensa, o que quer e o momento em que pensa e que Luís Filipe Vieira, sobre mais esta vergonha que se está a viver no futebol português. Não, não é! Porque quem teve a coragem de lutar como ele lutou - quase sozinho, ou mesmo sozinho - contra o monstro da corrupção e do Apito Dourado, tem créditos ilimitados sobre isso.
O que me preocupa é outra coisa. O que me preocupa são... os conselhos!
Sabemos, por experiência, que há sempre duas linhas que, no interior das organizações, se enfrentam de forma contínua e permanente. Quem não ouviu falar de pombas ou falcões, de entre as figuras principais de uma qualquer administração americana? Ou entre a linha negra e a linha vermelha dos partidos mais revolucionários? Ou de movimentos revisionistas nos partidos comunistas tradicionais? Para não falar dos traidores kautsquistas ou trotsquistas que combateram o marxismo-leninismo e que deram origem às III e IV internacionais? Ou dos sociais democratas, como traidores reformistas de uma qualquer revolução a todo o vapor? Ou para usar a prata da casa, numa invocação de uma citação de quem penso ter sido (no que estarei muito bem acompanhado) o maior estadista português, o Rei D. João II,... «há tempos de usar de coruja e tempos de voar como o falcão»!!!
Pois há!
Mas usar de coruja contra quem rouba de forma descarada só pode acabar mal!!!
Também nesta guerra sem quartel,... que é a de combater as ajudas a quem só quer que percamos!
No futebol - que faz parte da vida, da sociedade e que trata de... poder - também há sempre estas duas realidades...
Nada de mal nessa dicotomia... até porque o Benfica não foge à realidade, antes faz parte dela!
O que me preocupa, é poder ser essa a estratégia vencedora e seguida (como, me parece, o foi até aqui).
Podem crer que cá fora, entre os sócios, os adeptos os simpatizantes, não há - entre as águias - pombas que queiram esperar mais para só começarmos a reagir depois de termos perdido (de nos terem sonegado...) mais pontos.
Ou depois de os terem oferecido a outros.
E não podemos contar com a ajuda de ninguém para esta luta que terá de ser permanente e contínua até à conquista do 36!
Só com nós.
Que somos muitos, mas só poderemos contar connosco!
Os outros - convençam-se - não vão ter contemplações.
E se, em momentos específicos, poderemos ouvir as vozes escandalizadas de quem foi prejudicado, como o Tondela foi (e falar, ali, logo depois do jogo... é de uma coragem digna de enaltecer e sublinhar), só se  ouvirão vozes contra nós.
Porque uns e outros só querem que não ganhemos.
Ou, para voltar a desligar as coisas pelos nomes... o clube anti-Benfica do Porto e o clube anti-Benfica de Lisboa só querem que percamos, sendo indiferente, entre eles e para eles, quem possa ganhar!!!

Adulterar a verdade
Mas, voltando ao relvado,... que diferença abissal no comportamento das equipas de arbitragem... Na véspera de dois jogos europeus... a nós põem-nos a jogar 10 contra 11,... 50 minutos. A outros, inventam um penálti e põem-os a jogar 11 contra 10,... 50 minutos. Lembram-se dos tempos do Apito Dourado, onde ouvimos e vimos facilidades em jogos cá dentro para poderem estar descansadinhos para jogarem lá fora? Pois é, apesar de ainda nos atirarem à cara com essas vitórias na Europa para tentar disfarçar a forma como conseguiram as vitórias por cá,... como se umas e outras não fossem faces da mesma moeda.
Por isso - disse e repito - não compreendo que não se tenha carregado em cima da arbitragem do último domingo...
Porque fomos objectivamente prejudicados. Desta vez não teve relevância... mas só falaremos se Mitroglou ou outro qualquer não desatar um dos muitos nós que todos - no campo e cá fora - nos irão criar para que não consigamos o tetra/36?
Como também não percebi como se deixa sem referência - repetida e continuada - os ataques nos adeptos indefesos do Benfica... por pretensos adeptos do Braga quando as claques do Benfica ainda lá não tinham chegado.
Apesar de - e nisso andou muito bem o Benfica - se ter alertado as forças policiais para essa eventualidade...
As gentes de Braga, mesmo as mais fanáticas, nunca entrariam nessas agressões, tanto mais que, ao que se percebe, quem atacou os adeptos do Benfica não estará identificado e... não estava lá para ir ao jogo.
Como diz o outro, para bom entendedor... Ou... meia palavra basta... Nas agressões, como em tudo o resto!!!
Carrega Benfica!!!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Festival de golos falhados...

Fundão 4 - 2 Benfica


Quando se falham golos, como o Elisandro o Ré e o Chaguinha falharam, não se pode ganhar jogos... quando os postes também não colaboram, ainda pior... Mesmo assim, se a 6.ª falta do Fundão tivesse sido assinalada, num pontapé descarado sobre o Elisandro, o Benfica teria a oportunidade de fazer o 2-2...
Estes jogos com o Fundão já começam a parecer 'trauma', só tenho pena que o Fundão contra o Sporting tenha outra atitude completamente diferente... mas também é verdade se jogarem da mesma forma, ao intervalo já têm metade da equipa expulsa!!!
Aparentemente o vírus das lesões também já chegou ao Futsal: Bebé, Cristiano, Ângelo, Cecílio, Jefferson...

Escala de Richter

"O sismógrafo futebolístico, ao longo de uma temporada, é a expressão de sucessivos e antagónicos estados de alma e de tão definitivas como precárias sentenças mediáticas de ciência exacta.
Um bom exemplo é o que se diz e escreve sobre o Benfica, que já passou por todas as fases de escala de Richter. O favorito dos favoritos, um tipo de jogo sustentado, uma defesa inexpugnável, uma defesa inconsistente, um ataque com soluções para dar e vender, uma eficácia tremenda, uma equipa com duas faces, uma forma de jogar sem soluções, uma equipa segura, um conjunto de tremedeira, confiança a rodos, perda de identidade, equipa abalada, suplentes à altura, etc. Enfim, para todos os gostos.
Ainda que em tempos e de modos diferentes, Porto e Sporting são apreciados com o mesmo e telúrico ritmo bipolar. O Porto, o outro candidato ao título, já passou entre cinzento e luz (salvo seja), paciente e impaciente, previsível e surpreendente, sem banco e com banco para todas as variações, sem estofo de campeão e campeão à condição, etc.
Nós, adeptos, olhamos para estas variações vertiginosas, entre optimismo e pessimismo inconsequentes. São matéria-prima para todas as apaixonadas discussões. O curioso é o carácter provisoriamente definitivo de cada uma das variações, até que outra definitivamente provisória se instale a seguir. Basta um golinho, um erro do árbitro, um sopro de sorte ou uma boa na trave, para que estabilidade e instabilidade troquem de posição, a depressão vire euforia e esta retorne à decepção, e jogadores sofríveis se tornem imprescindíveis e vice-versa.
Bipolar, mas não tanto, por favor!"

Bagão Félix, in A Bola

O jogador malandro

"Luís Filipe Vieira não deverá demorar muito tempo para voltar a fazer uma ou duas vendas milionárias. Ederson e Nélson Semedo serão os próximos a sair (André Moreira e Pedro Pereira parecem ter o perfil para os substituírem no futuro) por valores que fazem com que a venda do passe de Bernardo Silva (€15,75 milhões ao Mónaco, em 2014) tenha sido uma borla. É certo que não se pode ter tudo (basta pensar, por exemplo, que Ivan Cavaleiro rendeu o mesmo valor e que Gonçalo Guedes custou ao PSG €30 milhões, o mesmo que o Manchester City pagou por Gabriel Jesus ao Palmeiras), mas isso serve apenas para dizer o quão valorizado está o esquerdino português, a fazer no Mónaco o que fez na Luz: percurso ascendente, de quase desconhecido chegado ao Principado a estrela cintilante do competitivo futebol europeu.
Ao contrário do que aconteceu em Wembley, quando marcou frente ao Tottenham (casa emprestada) para a fase de grupos da Champions, Bernardo Silva não marcou em Manchester, nesse louco jogo que terminou com 5-3 para o City, mas é com se o tivesse feito. Jogadores como ele não precisam tanto da estatística porque a alegria não se traduz em números. Faz parte de uma carta especial: apenas de interpretar a táctica, mantém o espírito libertino, faz o adepto sorrir pela forma como trata a bola e desmonta as linhas adversárias com elegância e a desfaçatez de jogador malandro.
Ainda estamos longe, Portugal nem sequer está qualificado, mas ao crescimento de Bernardo e esta nova forma de Cristiano Ronaldo (mais leve, mais artista, menos robótico, mais Cristiano que Ronaldo) podemos esperar um Mundial da Rússia não apenas uma Selecção forte e ambiciosa mas também a jogar muito à bola. Com a palavra ainda a caber a João Mário e André Silva. Haja esperança."

Fernando Urbano, in A Bola

Sexta-feira à noite !!!

Benfiquismo (CCCLXXXVII)

Vermelho e Branco !!!

Lanças... ameaças!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Goleada...

Benfica 15 - 3 Riba d'Ave


A grande nota de destaque, foi mesmo o facto do Benfica ter estado a perder por 0-1 !!!
Vitória normal, nas véspera da visita a Barcelos, um dos jogos mais complicados até ao final da época... A derrota desta noite do Barcelos em Oliveira de Azeméis. não quer dizer nada, para o desfecho do jogo de Domingo!

Vitória, numa má 2.ª parte...

Benfica 26 - 24 Fafe
(17-12)

Depois da extraordinária vitória no fim-de-semana, uma 2.ª parte muito fraca... mas deu para vencer!!! Esta gestão entre a Europa e os jogos do Campeonato são sempre complicadas, em todas as modalidades...

Jornada de nortada

"Continua o paupérrimo fadário do líder à condição. «Estamos na posição que queremos», disse Espírito Santo, depois do Tondela (será o 2.º lugar?). «Benfica sob pressão», clamam os jornais, como uma novidade para o clube que, jogando antes ou depois, tem a (boa) pressão de vencer. Diz outro, depois do jogo em Braga: «Benfica volta a ser líder» (mas tinha deixado de o ser?).
O Benfica superou, com dificuldade, o SC Braga, graças a um notável golo helénico. A insensatez da nomeação de Tiago Martins só é comparável à imprudência de autorização para que dois árbitros considerados mais apetrechados fossem arbitrar uns joguinhos secundários para as Arábias. Felizmente, as coisas correram bem ao árbitro, que deve agradecer a Mitrolgou ter passado para a badana do jogo um penalty não assinalado sobre Salvio.
O FC Porto estará grato a Luís Ferreira, que viu um penalty que ninguém vislumbrou e expulsou um jogador do Arouca que tinha acabado de receber uma chapada de um artista.
Soares é um jogador de qualidade e bastante fogoso. Mas, lá que é artista é. Usa e abusa dos braços, como ninguém, finge com mestria e aproveita a indigência arbitral. Vai longe, o rapaz.
O juiz que o premiou foi o mesmo dos golos ilegais no Benfica-Boavista. Por exemplo, não viu uma grosseiríssima falta que precedeu o 1.º golo dos axadrezados. Enfim, duas vistas diferentes: uma (boa) vista para os ilusionismos de Soares e uma vista (alegre) para uma clamorosa falta na Luz. Uma coerência hiperbólica e nada enviesada! Também vai longe, este jovem!"

Bagão Félix, in A Bola