Últimas indefectivações

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ganhar antes de jogar é que não

"Em Portugal só uma vez houve uma reviravolta na última jornada, mas Rui Vitória, homem de algumas manias mas poucas superstições, como gosta de dizer, também não é muito dado a tradições ou números, que ele próprio foi contrariando ao longo da época. Por saber que o futebol é fértil em surpresas, e nem sempre agradáveis, Vitória recusa falar no título. Já terá imaginado a festa, mas não o admite. Na gala dos 50 anos do CNID, na segunda-feira, tive a oportunidade de com ele trocar algumas palavras e vou cometer uma inconfidência que [espero] Vitória me perdoará, "Sente-se campeão?", perguntei. Resposta rápida: "Nem pensar". "Vanda, ninguém ganha nada antes de jogar". Fim de conversa. Pelo menos sobre o título."

Vanda Cipriano, in Record

À Benfica!

"Não fosse aquela noite azarada, de extrema ineficácia, ante um FC Porto débil (que perdure por muitos anos!), e já seríamos Tricampeões. O percurso Benfiquista desde o empate na Madeira, frente ao União, é impressionante, só ao alcance de uma enorme equipa que alia, à elevada capacidade técnica e táctica dos jogadores, a vontade inexcedível de alcançar a glória.
19 vitórias nas últimas 20 partidas do Campeonato, sem que qualquer das restantes competições tenha sido desprezada (final da Taça da Liga e quartos-de-final da Liga dos Campeões), é absolutamente notável.
Rui Vitória merece que lhe seja reconhecido o mérito extraordinário que tem neste feito. Foi recebido no Benfica com desconfiança por parte de muitos Benfiquistas, lançou jovens da Formação, aguentou alguns maus resultados no início da temporada, evitou ao máximo a desculpabilização com más arbitragens (e poderia tê-lo feito) e foi atacado de forma sabuja por adversários e uma certa comunicação social conivente. A tudo isto reagiu com muito trabalho e um discurso sereno, focado nos objectivos da equipa. O Marítimo-Benfica foi apenas mais um exemplo. Acresce que, com a expulsão do Renato Sanches ainda na primeira parte, manteve a forma de jogar da equipa e não prescindiu de procurar incessantemente a vitória. Conseguiu-a diante um bom adversário (e de outros pela calada) e uma péssima actuação do árbitro.
Agora falta derrotar o Nacional. Não será fácil certamente, mas confio que a nossa equipa será capaz de conquistar o ambicionado Tricampeonato. Independentemente do desfecho da última jornada, esta equipa técnica e este plantel "honram os ases que nos honraram o passado"!"

João Tomaz, in O Benfica

Só mais uma!

"Estamos a um jogo, a uma vitória, a uma final, de poder soltar o grito que há meses nos atravessa a garganta, e nos entope a alma.
Falta pouco. Muito pouco.
Mas esse pouco parece tudo, olhando àquilo que se tem passado nestas últimas semanas.
Como se não bastassem malas e maletas, no Funchal apareceram também apitos e cartões. Tiraram-nos um penálti. Tiraram-nos um jogador. Tudo tem servido para nos condicionar. tudo tem servido para nos perturbar, e tentar desviar da rota do "Tricampeonato". Fomos fortes. Muito fortes. Ultrapassámos todos os obstáculos. Os naturais e os outros. Ficámos mais perto da glória.
Agora faltam noventa minutos. Noventa longos e sofridos minutos, durante os quais teremos de estar preparados para as mais diversas condicionantes - à semelhança do que tem vindo a ser regra, designadamente desde que, ganhando em Alvalade, metemos um pauzinho numa engrenagem que alguns achavam já montada.
Resistiremos a tudo. Resistiremos a todos. Quem chegou aqui, não vai parar às portas do sonho. Seremos onze irmãos em campo, 65 mil nas bancadas, e milhões a torcer por fora. Mais do que um país, seremos um mundo. Um mundo a gritar 35!
Acredito num domingo lindo, que nos conduza aos céus. Acredito no trabalho sério, na humildade, na honestidade, na união, no fair-play, no civismo. Acredito que as metodologias do passado serão vigorosamente derrotadas em campo, pois é também contra elas, e em nome do desporto e da paixão que o alimenta, que este Benfica terá de jogar.
Também por isso, a justiça vai premiar-nos. Também por isso, vamos vencer! Força Benfica! É só mais uma!"

Luís Fialho, in O Benfica

Esperem por mim

"Na noite do jogo com o Marítimo estava no sul de Marrocos, no deserto do Erg Chebi, em trabalho. Sem luz, sem Internet e sem rede de telefone. Para poder ter um traço de sinal no telemóvel tinha que sair do acampamento, caminhar umas dezenas de metros, subir a uma determinada duna e esperar. Foi o que fiz várias vezes entre as 20h30 e as 22h30 do passado domingo para conseguir ligar para casa e saber o andamento do resultado.
De cada vez que andei aqueles metros rio escuro pensei naqueles que não acreditaram. Pensei em quem insultou a inteligência dos Benfiquistas e ia imaginando como estaria o ambiente nos Barreiros. A cada telefonema, sentimentos contraditórios, com a expulsão do Renato, com os remates perigosos e ao ferro. E depois o primeiro golo. Corri em direcção ao acampamento e partilhei a notícia com outros dois Benfiquistas. Fizemos a primeira festa. E depois a segunda. Até que o jogo terminou com o 35 cada vez mais perto.
No próximo domingo, à hora do jogo com o Nacional, estarei numa sala de espera do aeroporto de Casablanca.
Quando embarcar de regresso a Lisboa já saberei o resultado final. A vida, às vezes, mete-se no caminho e não nos deixa estar onde queremos, no momento em que queremos, mas não é por isso que os nossos desejos não se realizam. O SL Benfica não precisa da minha presença física para ser Campeão, precisou do meu apoio incondicional ao longo da época. E nesse aspecto, estou de consciência tranquila. Só vos peço uma coisa: atrasem os jogadores no estádio para eu ter tempo de chegar ao Marquês."

Ricardo Santos, in O Benfica

Operação Obrigações Benfica SAD 2016

"E se de repente lhe oferecessem a verdade
No pretérito dia 2 de Maio foi concretizada a operação de mercado da Sport Lisboa e Benfica SAD, que visava captar 50 milhões de euros no mercado, substituindo outras operações existentes, com o objectivo de consolidar dívida.
A Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD, já realizou cinco operações desta envergadura, sendo então esta a 6.ª, tendo angariado no total 165 milhões de euros sem contar com esta última, das quais já pagou 120 milhões, (...).
A procura mais uma vez superou todas as expectativas, (...).
Como se pode ver, a procura superou quase três vezes a oferta, mais concretamente 2,59X, ou seja, a Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD pretendia angariar no mercado 50 milhões, tendo existido procura no montante total de 129.557.675€.
As operações da Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD são as que tem mais sucesso no mercado, mesmo que seja oferecida a menor taxa de juro aos investidores, o que significa que é a SAD mais fiável de todas as existentes em Portugal.
Pelo que por último (...), vos reproduzimos a história detalhada de todas as emissões de obrigações da Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD, já pagas e ainda existentes. E por aqui fica esta semana o escriba.

Coragem, humildade e garra
Numa caminhada são necessários muitos passos para que se possa falar em caminhada. Na vida, são necessários muitos dias passarem para se poder falar que "foi uma Vida".
Numa relação são necessárias muitas cedências para se poder falar numa verdadeira relação. Para se poderem alcançar os objectivos deve-se ter muita paciência distribuída ao longo do tempo para os mesmos serem concretizados.
Em tudo é preciso existir uma estratégia e ao mesmo tempo uma poupança nos recursos que temos. Existem várias formas de abordar as coisas. Com frieza, com emoção, com sentimento, com dor, com prazer, com raiva, com dislexia, com paixão, enfim, um conjunto interminável de palavras e conceitos. Mas, coragem, humildade e garra, são talvez os conceitos e as palavras mais apropriadas que guardam o segredo dos vários passos da vida e do sucesso.
"Comprometa-se com as suas metas e encare os obstáculos como etapas para atingir o objectivo final." "A calúnia é pior do que as armas de guerra; estas ferem de perto; aquela, de muito longe".
E dizia Martin Luther King - "A inteligência e o carácter são os objectivos da verdadeira educação." E de burros e mal-educados está o mundo cheio!"

Pragal Colaço, in O Benfica

O exemplo

"Onde se fala de Jorge Mendes e do sensacional negócio de Renato Sanches e ainda de um misterioso lance na Madeira...

Sensacional a transferência de Renato Sanches para o Bayern de Munique. Por se tratar de um jovem de 18 anos e muito recente titular do Benfica, pelo dinheiro que envolve (35 milhões pagos a pronto e mais 25 praticamente garantidos e pagos em parcelas, e ainda a possibilidade, bem mais difícil e complexa, de mais 20 milhões) e pelo clube que é. Dificilmente Renato Sanches poderia encontrar melhor clube para crescer, melhorar, evoluir, aprender e desenvolver-se até poder chegar a ser um dos melhores médios do mundo, que pode, realmente, vir a ser, pelo potencial que tem, pelas características muito próprias que revela e pela condição física e atlética natural que possui.
O Benfica teve talento a projectar Renato Sanches; Renato Sanches teve talento a projectar-se no Benfica; Rui Vitória teve talento em apostar em Renato Sanches; o presidente do Benfica teve talento a renovar com Renato Sanches e a conseguir altíssima cláusula de rescisão (de 80 milhões de euros), e o Bayern teve talento a chegar primeiro à assinatura do contrato com o jogador, ganhando a corrida a muitos outros poderosos clubes europeus.
Mas é incontornável falarmos, mais uma vez, do papel do agente Jorge Mendes, não apenas pela capacidade negocial e facilidade com que cria os momentos de conversa com os dirigentes dos clubes, mas sobretudo pela influência junto dos grandes clubes da Europa que foi conquistando ao longo de anos.
Renato Sanches pode ter talento; o presidente do Benfica pode exigir 35 milhões; os responsáveis do Bayern podem até ter ficado seduzidos. Mas dificilmente se parte para uma negociação destas sem uma base de grande confiança.
E a confiança quem a dá é Jorge Mendes.
E é sobretudo nele que confiam muitos dos responsáveis dos principais clubes europeus.

Os dirigentes desenham o negócio, os treinadores avaliam o jogador. Mas há um momento em que é preciso acreditar para lá de tudo isso. E esse é o momento que Jorge Mendes controla.
Controla quando convence o Real Madrid a contratar Pepe ou Fábio Coentrão ou o Chelsea a contratar Tiago ou o Mónaco a contratar Ricardo Carvalho ou o Zenit a contratar Danny, todos por largos milhões de euros e apenas para citar exemplos de negócios que não eram assim tão evidentes. 
Jorge Mendes transformou o futebol português. E transformou também o Benfica porque Luís Filipe Vieira decidiu inteligentemente manter-se ligado ao empresário. Diga-se o que se disser, foi com Jorge Mendes que o Benfica potenciou a Academia do Seixal, porque foi Jorge Mendes que ajudou a levar para a Europa jovens como Ivan Cavaleiro, André Gomes, Bernardo Silva, João Cancelo e agora Renato Sanches, por valores que surpreenderam meio mundo e deixaram o outro meio de boca aberta.
Arrisco mesmo que nenhum clube do mundo terá conseguido em tão pouco tempo (menos de dois anos) facturar tanto dinheiro com transferências de jogadores da formação. Tudo muito graças a Jorge Mendes.
Não reconhecer isso é negar a evidência.

Jorge Mendes está na grande maioria das maiores operações europeias de sempre. Vamos por partes: em Inglaterra, esteve nas maiores vendas (Ronaldo por 96 milhões para o Real Madrid e Dí Maria por 70 milhões para o PSG) e nas maiores compras (Martial por 80 milhões e Dí Maria por 75 milhões para o Manchester United); em Espanha, o mesmo, na maior compra (Ronaldo para o Real) e na maior venda (Dí Maria por 75 para Manchester), já para não falar, por exemplo, na segunda maior compra, a de James Rodriguez pelo Real por 85 milhões; na Alemanha, passa a estar agora ligado certamente à maior compra (assim que o custo de Renato Sanches chegar aos 60 milhões) porque a maior até agora tinha sido a de Douglas Costa, por 40 milhões, também contratado pelo Bayern. Exemplos, apenas exemplos. De um grande exemplo!

Para formar opinião, confesso que tive de ver e rever algumas vezes a imagem. E só depois disso, de muito as ver e rever, posso dizer que me parece realmente ter sido cometida falta para grande penalidade. O pé esquerdo do jogador do Marítimo, Plessis, acerta na parte interior do pé direito de Renato Sanches, pé direito que está no ar, desequilibrando decisivamente o jovem médio encarnado. A imprudente (para não dizer disparatada) entrada de Plessis só por si quase merecia ser castigada com grande penalidade, porque se porventura o pé direito de Renato Sanches estivesse em apoio, o jogador do Benfica poderia ter-se lesionado com gravidade. Como muito imprudente foi, depois, aquele gesto de Renato Sanches que lhe valeu o segundo amarelo, e que em Inglaterra teria valido logo (e bem) vermelho directo!
Voltando ao misterioso lance do penalty, creio mesmo que o próprio Plessis sabe que cometeu falta e até espera que o árbitro assinale a grande penalidade. Creio ainda que o árbitro, Fábio Veríssimo, decide assinalar o penalty e só altera a decisão por indicação do seu auxiliar.
Creio ainda que seria muito difícil Renato Sanches cair como caiu se não tivesse sido tocado. E creio ainda que mesmo vendo a falta para penalty que eu julgo ver, tenho de admitir a opinião dos que defendem não ter existido qualquer falta.
Mais: há quem tenha a mesma opinião mas veja a falta de modo diferente. Eu vejo o toque do pé esquerdo de Plessis no pé direito de Renato Sanches e há quem veja o toque do pé esquerdo de Plessis na perna direita de Renato. É um lance para todos os gostos. É um daqueles lances em que o árbitro pode marcar penalty (e está certo) e pode não marcar (e está certo também).
E é um daqueles lances que ajuda a compreender, creio eu, a dificuldade de se aplicar determinadas regras tecnológicas ao futebol como desejam muitos dos que falam constantemente em novas tecnologias no jogo sem qualquer rigor, atirando simplesmente areia para os olhos dos outros.
Difícil não é falar-se em novas tecnologias no futebol; difícil é explicar claramente o que fazer, como fazer e em que circunstâncias fazer.
Sou dos que defendem (volto a repetir) a tecnologia na linha de baliza porque é absolutamente imperioso que um golo seja mesmo um golo. Mas um golo é um golo.
Um penalty é muito diferente!

É inacreditável como perante as mesmas imagens tantas pessoas deram opinião tão divergente sobre o lance na grande área do Marítimo que valeu a Renato Sanches o primeiro cartão amarelo no jogo do Benfica na Madeira, domingo passado. Vimos todos o que a televisão mostrou; vimos todos o lance repetido de vários ângulos; vimos o mesmo lance dez, vinte, trinta vezes, mas nem todos temos a mesma opinião.
Para uns foi penalty; para outros, nem pensar, tratou-se de clara simulação. do jovem do Benfica. Imaginem agora que o árbitro poderia tomar a decisão com base no tão falado vídeo-árbitro.

O jogo parou, o árbitro reuniu-se com os auxiliares, mais o árbitro do vídeo e ainda representantes das duas equipas, mais dois apanha-bolas, mais um delegado da Liga, mais o representante do povo, mais os chefes das claques, mais alguns comentadores televisivos que nunca se enganam e raramente têm dúvidas... e analisou o lance.
Viu, reviu, voltou a ver e voltou a rever, andou com a imagem para trás e para a frente, focou-se no lance mostrado pela câmara 1, depois a imagem captada pela câmara 2, mais a 3 e a 4, voltou à câmara 1 e reviu a imagem da câmara 2, e voltou ao princípio... e o pobre do árbitro não conseguiu mesmo assim ver qualquer falta, um dos auxiliares diz-lhe entretanto que lhe parece falta, o árbitro do vídeo também diz que não vê qualquer contacto, os representantes das equipas olham um para o outro, o do Benfica diz que sim, que é penalty, o do Marítimo diz obviamente que não, telefonam aos filhos, aos cunhados, aos amigos, o árbitro dá em maluco, os treinadores exasperam, os apanha-bolas encolhem os ombros, o representante do povo senta-se e puxa de um cigarro, e os tais comentadores que nunca se enganam e raramente têm dúvidas clamam pela decisão que quanto a eles não merece sequer discussão. «Marque-se penalty!» exigem uns. «Não se marque penalty!» pedem os outros. 
Enquanto isso, o público assobia e torna-se impaciente, o Renato Sanches pede a deus que o ouçam, o adversário jura ter jogado limpo e o árbitro, por fim, apita e grita: «Quem decide sou eu!» E o que decide então o árbitro?
Nada. Ficou cheio de dúvidas!"

João Bonzinho, in A Bola

Só pode ganhar um

"1- Com uma ponta final de campeonato excelente, em que não perderam qualquer ponto, Benfica e Sporting chegam à última jornada com a esperança de se sagrarem campeões. Há muitos anos que não se via uma luta tão renhida entre os rivais da Segunda Circular (muito por culpa do FC Porto), e por mais que se troquem argumentos sobre quem é que merece ganhar, a verdade é que o campeão terá a sua dose de justiça, tenha ele uma camisola vermelha ou verde.
É curioso verificar que, se os campeonatos fossem disputados pelo antigo sistema de dois pontos por vitória, nesta altura, águias e leões estariam com os mesmos pontos na classificação, o que significaria a liderança do Sporting, dada a vantagem no confronto directo. Mas a contabilidade é hoje diferente e coloca o Benfica na frente, beneficiando do facto de ter um maior número de vitórias ao longo da competição. O equilíbrio de forças entre os dois conjuntos é assim evidente.
A jogar perante o seu público com o Nacional, o Benfica parte em posição privilegiada para alcançar o seu terceiro título consecutivo. A equipa de Rui Vitória terá de lidar com a natural ansiedade de resolver as coisas o mais depressa possível, o que poderá jogar a seu favor (se o golo aparecer) ou contra (se a equipa não conseguir ganhar vantagem e começar a ficar intranquila). Pela amostra dos jogos anteriores na Luz para a Liga, este Benfica não teve acidentes de percurso com equipas teoricamente inferiores.
Quanto ao Sporting, o desafio será mais complicado, num estádio (e um adversário) sempre difícil. Porém, o actual momento de forma e a confiança transmitida dentro de campo dão favoritismo aos leões, perante um Braga que, apesar de competitivo, tem já a sua situação definida no campeonato e estará já a pensar em chegar à final da Taça de Portugal na melhor forma possível.
Embora recentemente se tenha contradito, por altura da visita do FC Porto a Alvalade, Jorge Jesus disse que os dragões estavam na liderança da 1.ª liga com "justiça", lembrando que é sempre assim quando se ocupa o primeiro lugar. Com mais ou menos sorte, melhores ou piores exibições, elevada dose de sacrifício ou demérito dos adversários, a travessia para chegar ao topo é longa e há virtude de quem lá chega. Não pode haver dois vencedores, mas o título assentará bem, pela história que teve este campeonato, a Benfica ou a Sporting.

2- Renato Sanches foi a peça-chave para voltar a fazer engrenar o motor encarnado. Uma descoberta preciosa em que Rui Vitória decidiu apostar, quando parecia não ter grandes soluções para aquela posição no miolo do terreno. Em muitos jogos, o jovem internacional português carregou com a equipa às costas, dotando-a de maior dinâmica nos processos defensivo e ofensivo. Só nos últimos pareceu estar mais apagado, pagando a fatura de uma época exaustiva onde já leva mais de 50 jogos. 
Cheguei a referir que era preciso dar tempo ao jogador para que este pudesse evoluir para um nível mais alto. Está na idade certa para cometer erros, aprender com eles e ir melhorando continuamente. Do ponto de vista desportivo, era importante que os clubes portugueses pudessem aguentar por mais tempo, os bons valores que vão produzindo. Contudo, há negócios irrecusáveis do ponto de vista financeiro e este parece ser um deles. Ainda com etapas por cumprir, no que respeita ao seu crescimento enquanto jogador, Renato terá nos alemães do Bayern uma boa escola para a sua afirmação."

De John le Carré ao 'derby' da Baía

"Os contornos de uma eventual nomeação do árbitro Hugo Miguel para o Benfica-Nacional podiam servir de enredo a um livro de John le Carré. Ter-se-á tratado do derradeiro episódio rocambolesco de uma época que ficará na memória pelo estado de guerra latente entre os rivais de Lisboa. É uma pena que algumas histórias de bastidores não possam conhecer a luz do dia, porque integram teias de cumplicidades que vão sendo urdidas à medida de vontades que mudam à velocidade da luz. Como em qualquer boa história de espionagem, não valerá a pena ir à procura de bons e maus, a que lado da cortina de ferro pertencem os protagonistas. O que é certo, no fim de muita diligência, ao longo de várias semanas, é que para o jogo mais equilibrado da jornada foi nomeado um árbitro internacional; e por isso Hugo Miguel estará na pedreira de Souto Moura a dirigir o SC Braga-Sporting.
Em Portugal, e é essa a constatação que gostava de trazer a este escrito, há uma presunção enraizada por parte dos dirigentes do futebol de que vale a pena pressionar, agitar e colocar em dúvida tudo e todos, por tudo e por nada, numa lógica por vezes, até, cabalística e esotérica. Porém, a maior parte das vezes estes filmes não passam de poeira cósmica, em contraste com aquilo que as equipas mostram dentro das quatro linhas. É nesse terreno sagrado que tudo se decide em função do que fazem os jogadores.
Se a Máfia mandasse no futebol, o Palermo era campeão de Itália todos os anos. E nunca foi. E se os jogos fossem ganhos na macumba, o derby da Baía, entre o Vitória e o Esporte Clube, acabava sempre empatado."

José Manuel Delgado, in A Bola

PS: Só alguém muito distraído não percebeu que a pseudo-notícia publicada pela Bola, falando de um suposto incomodo do Benfica pela potencial nomeação do Huguinho para o Benfica-Nacional, foi colocada pelo Babalu... que aliás já tinha a 'resposta' preparada!
E assim no jogo mais complicado da 'época' os Lagartos têm um parceiro oficial a apitar... e o Benfica leva com um ex-Juve Leo!
E até parece que tivemos 'sorte'!

As bestas

"Portugal acordou chocado para uma realidade que, pelos vistos, desconhecia: somos umas bestas nas redes sociais. Tudo porque na página oficial de facebook do Bayern, na notícia que dava conta da contratação de Renato Sanches ao Benfica, a troca de piropos e ofensas entre adeptos de Benfica e Sporting, uns em inglês, outros em português, foi um ver se te avias ao longo do dia.
Subitamente, descobrimos também, quais virgens ofendidas, que, afinal, em Portugal não se gosta de futebol. Do que gostamos mesmo é da clubite aguda elevada à máxima potência e de discutir sobre arbitragens e sobre malas e sobre a idade dos jogadores e sobre uma série de outras tretas. Uau... Eureka! Um dia bastou para descobrirmos a pólvora. Pelo menos foi o que pareceu a ver pelas dezenas de comentários condenatórios desta prática do falar mal (que julgamos tão portuguesa e que é, na verdade, universal) que rapidamente invadiram as mesmas redes sociais onde se passeiam os ofensores e os defensores da pátria. Da pátria benfiquísta e da pátria sportinguista, claro está. E então? A vergonha que alguns sentiram é por mostrarmos a nossa cara (a pior ou só a normal) numa página estrangeira? Enfim... Pois bem, a verdade é que não descobriram nada! Há anos que isto é assim. E assim continuará a ser, por mais boa vontade que haja da Liga de Clubes na defesa do «Futebol Com Talento» e outras coisas bonitas do género. Porque são assim os que dirigem os clubes, porque é assim a maioria dos que treinam as equipas e porque é assim a maioria dos que nelas jogam. Mas, mais importante, porque são assim os adeptos de uns e de outros.
Só não sabia disto quem anda desatento aos fenómenos facebookiano e twitteriano. Basta abrirem uma caixa de comentários de notícias muito mais importantes e determinantes para a nossa vida do que as da mera discussão sobre se o meu jogador é melhor e vale mais do que o teu para perceberem que o Bayern e o Renato são simplesmente... peaners."

João Pimpim, in A Bola

Benfiquismo (CII)

Este fim-de-semana o Benfica pode sagrar-se,
Tricampeão Nacional de Futebol, mas...
... também nos podemos sagrar Campeões Europeus de Hóquei em Patins...
... e esta equipa merece toda a nossa Força...!!!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Benfica... dá-me o 35!!!

"Da vitória na Madeira A nomeação de Hugo Miguel, representante da Macron, para apitar jogo decisivo do clube que a Macron patrocina.

A Madeira é um jardim...
Da Madeira, mais uma vitória! Quando eles - mas só eles - tinham a convicção de que perderíamos pontos.
Como se, antes dos jogos, existissem certezas sobre alguns resultados. Uma vez que tinham jogado e goleado no dia anterior - num jogo em que só houve um sentido - e tendo em conta que o nosso embate seria, teoricamente, mais difícil, acharam que seria desta que iríamos cair...
Como se enganaram!!!
Não só ganhamos bem, de forma categórica e indiscutível, como fizemos um resultado tranquilizador, que até poderia ter sido mais dilatado - ou não fossem os ferros... e já nem falo no resto.
Mais: jogamos com dez jogadores desde o minuto 37 (!), quando o resultado ainda estava a zero.
Por essa inferioridade numérica, uma vitória ainda mais difícil.
Com a expulsão, temeu-se que aquilo que já era difícil, mesmo antes de o ser, originasse um grande entrave na actuação da equipa pela inferioridade no combate a meio campo que inevitavelmente acarretou.
E mesmo quando os adeptos viviam um ambiente de grande expectativa, e até de alguma ansiedade foram os jogadores do Benfica que puxaram por eles, que os foram buscar, numa inversão do que acontece na maior parte dos jogos.
Depois, ... então sim, mais uma vez, os adeptos foram incansáveis e enormes no apoio à equipa. 
Também a Madeira foi (e é!) vermelha!!!
Mas curiosamente foram aqueles que chegaram até nós há relativamente pouco tempo, alguns deles sem terem conhecimento do que é ser do Benfica, que, numa demonstração de paixão e mística, desafiaram os adeptos e lhes mostraram o caminho da crença e da vitória. Para que no final possamos falar no caminho de glória.
Exemplar - por isso - a atitude dos nossos jogadores, que provaram, em campo, serem tão benfiquistas quanto nós, sócios e adeptos.
Do jogo no Caldeirão dos Barreiros, dois golos, com dez jogadores, com duas bolas no ferro e com algumas grandes defesas do guarda-redes do Marítimo.
Uma vitória da união e da grandiosidade da alma benfiquista, que espelha o que todos vamos sentindo.
Mas esta foi, também, uma vitória da mestria do treinador... novamente! Sendo inteligente ao tentar perceber as necessidades da equipa, ao intervalo, com dez jogadores.
Sem precipitações!
Mas intuindo o que seria necessário para ganhar, ... só com dez.
Uma vitória, ainda, com algum sofrimento e espírito de sacrifício.
Nos Barreiros (re)afirmou-se o líder. Para confirmar, na Luz, no próximo domingo.
Até porque, os campeões também se fazem dessas vitórias, ... de triunfos com alma e com grande capacidade de sacrifício.
E não apenas da tão badalada sorte, que, para alguns, é o único fator que justifica as nossas vitórias. Como se os campeões vivessem apenas disso...

Do Funchal... grande atitude
Numa atitude de grande nível e dignidade, o presidente do Nacional, Rui Alves, afirmou que, se oferecessem incentivos financeiros ao seu clube para tirar pontos ao Benfica, denunciaria imediatamente esse aliciamento, tendo ainda garantido que transmitiu essa intenção ao plantel.
No mesmo sentido, e também numa atitude igualmente exemplar, e a propósito do «jogo da mala», o presidente do Marítimo, Carlos Pereira, refutou, como seria expectável, as acusações que (estrategicamente) têm aparecido - e multiplicado - na comunicação social, a propósito dos tais alegados aliciamentos, em troca de descomplicações futebolísticas.
Grandes atitudes!
E sem fugirem ao assunto.
Até porque, quem não se sente não é filho de boa gente...
Fazendo da Madeira, até nisso, um exemplo de seriedade e de verdade desportiva.
Lamento, apenas, que outras equipas não tenham tido a mesma atitude.
De facto, não ouvi nem li outros dirigentes, outros treinadores, outros jogadores, de outras equipas a desmentirem essa situação.
No lugar deles, perante esse tipo de acusações, teria desmentido qualquer ligação a essa tentativa de deturpação da verdade desportiva! Porque continuo a achar e a fazer meu o princípio de que... quem cala consente.
E como não acho que o futebol por ser futebol - mude necessariamente os pressupostos...
Por isso me parece de bom tom que, quem for alvo deste tipo de notícias caluniosas, venha, em momento oportuno, a comunicar a realidade dos factos.
Como o fizeram, em diferentes momentos, mas quando colocados em causa, os presidentes Rui Alves e Carlos Pereira.
Chutando para canto, de vez, qualquer dúvida que pudesse existir. Que enorme sensatez!

O exemplo que vem do banco...
Mas voltemos ao futebol. Na Madeira - onde estive presente e onde festejei mais uma vitória neste campeonato - foi fascinante a maneira como Rui Vitória conseguiu ganhar o jogo, com menos um jogador. Sabia que aquele jogo era decisivo, por ser mais uma final... a penúltima. E ganhou o jogo pelo reposicionamento que fez, pelas alterações, mas sobretudo pela mensagem de força, de coragem e de incentivo. Um treinador que transborda de mística benfiquista.
Um treinador sem teimosias, que não eleva o timbre da sua voz, nem insulta, fazendo da paciência - e, inevitavelmente, do seu benfiquismo - uma das suas maiores armas.
Talvez a sua maior teimosia seja a de ultrapassar sempre as adversidades com que se depara. E como isso foi evidente nos Barreiros... Está sempre com a equipa, seja em que circunstância for.
Grande caráter!
Grande Homem!
Afinal, o «treinador que não é treinador» também sabe motivar um plantel e, sobretudo, ser líder. Merece todo o meu respeito!
E... merece ser campeão!

Já só falta uma final
Estamos, apenas, a 90 minutos da revalidação do título, da conquista do tão cantado e pedido 35. O título nacional... o tricampeonato! Mas ainda falta uma...
Antes da outra derradeira final, frente ao Marítimo, para a Taça CTT.
O jogo de domingo passado, o Marítimo-Benfica, era, até então, o embate da época.
Mas uma vez ultrapassado esse desafio, a próxima partida, frente ao Nacional, será, esse sim, o jogo mais importante do ano.
O jogo de uma época.
O jogo, diria, de uma vida!
Pelo menos, assim terá de ser encarado. Perante a família benfiquista, que há dias esgotou o estádio, com especial raça, querer, ambição e concentração, sem entrar em euforias desmedidas e precoces, farão, estou certo, o jogo da vida deles. E das nossas...
Aliando-se o benfiquismo que se viverá no relvado ao das bancadas - aquele que representa sempre todos os que queriam lá estar e não estão. Só dependemos de nós...
E vamos lutar até ao último minuto. Por nós!!!
Mas, a propósito do jogo do próximo domingo, há quem esteja muito preocupado com a nomeação da equipa de arbitragem, ainda que nada tenha a ver com os clubes envolvidos.
Li, algures, que o Benfica, alegadamente, teria feito pressão para que o árbitro Hugo Miguel não fosse nomeado para a Luz (sim, esse mesmo que - sabemos agora - foi nomeado para o jogo de Braga). E, apesar de não ser ele o escolhido para o jogo do título e de não ser verdade a existência dessa alegada pressão, não quero deixar de dizer o que penso sobre essa hipótese. Por isso, não posso deixar de relembrar que, de facto, tal nomeação iria contra quaisquer princípios de um Estado de Direito Democrático. Uma vez que se discute o título de campeão nacional entre o Benfica e o Sporting, e tendo o árbitro Hugo Miguel, como se sabe, ligações à Macron - a marca que equipa o Sporting -, sendo o seu representante em Portugal, parece-me que estamos perante uma evidente situação de conflito de interesses. Com efeito, essa ligação indirecta ao Sporting pode levantar suspeitas. Até porque, presume-se que no seu contrato exista um prémio se o Sporting for campeão (a não ser que o contrato tenha sido mal negociado). Cabe, por isso, ao Conselho de,Arbitragem, por um lado, não aceitar tais tipos de nomeações ou ao árbitro Hugo Miguel, por outro lado e em última instância, efectuar o devido pedido de escusa relativamente a esse tipo de jogos.
Mas, quem eu não consigo perceber, mesmo, é quem deu voz a mais esta guerra.
Por curiosa coincidência, o mesmo que, perante um alegado e não provado prejuízo, numa determinada competição internacional, acusou a Gazprom, patrocinadora do Zenit, de querer o CSKA, por ser russo, nessa prova.
Coincidências...
Ou melhor, ... justificações!
Por nós, e porque só nos preocupamos connosco, desde 1904, ... BENFICA... DÁ-ME O 35!"

Rui Gomes da Silva, in A Bola

Até à última gota de suor...

Silêncio e falta dele

"1. Nas meias-finais da Champions, o Bayern foi severamente prejudicado por uma infeliz arbitragem. Um penalty assinalado por falta existente mas claramente fora da grande-área (não convertido, porém) e um fora-de-jogo que esteve na origem do golo do At. Madrid que lhe proporcionou a final. Na anterior eliminatória, o Barça, quase no fim, viu uma penalidade ser-lhe escandalosa subtraída e que, se concretizada, levaria o duelo para prolongamento.
E o que vimos e ouvimos por parte dos prejudicados? Nada. Silêncio. Ninguém se desculpou com erros alheios, apesar da importância dos mesmos. Não houve debates estéreis e incendiários. Ninguém esmiuçou erros em cómoda versão tv.
Por cá, é o ruído total. Um exemplo, tão caricato quanto elucidativo: discutiu-se ad nauseam se Jimenez, no 2.º golo ao SC Braga (T. Liga), tinha um pé em off-side por centímetros. Mas que importaria este detalhe se não fosse o infeliz momento do guardião Mateus? Pois sobre este, tudo normal... Todos podem errar por quilómetros, excepto os árbitros que têm que ter um transferidor à mão. Uma tacanhez que começa a ser insuportável.

2. Mas mais insuportável ainda é a incapacidade de se respeitarem 60 segundos de silêncio pela morte de alguém. O silêncio, como singelo acto de respeito, é trocado por palmas e palminhas face à eternidade de se estar calado um minuto. Há dias, em Alvalade, alguns espectadores ultrapassaram todos os limites da javardice moral, assobiando no momento de evocação de um de nós, Paulo Paraty, agora falecido. Por ser árbitro. Onde chega a ignomínia e a incivilidade comportamentais!"

Bagão Félix, in A Bola

A caminhada... só mais um bocadinho!!!

Rumo...

Vitória teve mãos para o Ferrari...

"Presidente, treinador e jogadores do Sporting fazem discurso obrigatório, mantendo o lema lutar até ao fim. Porém, desde o último domingo, decerto deixou de ser declaração de fé... O mesmo se aplica aos adeptos sportinguistas: muitíssimo esvaído o sonho de espectacular reviravolta ao cair do pano. Convenhamos: impensável!
Absoluto respeito pelo Nacional. Mas só Benfica cometendo suicídio inédito na história do futebol português deitaria por terra a convicção de o título ter ficado decidido em casa do Marítimo. OK, há 61 anos, o Belenenses, na derradeira jornada e no seu campo, quando foguetes já rebentavam, ficou a 4 minutos de voltar a ser campeão!... Porém, naquele dia, o adversário era nada menos que o Sporting, senhor do poderio de ser tetracampeão... Contraponto: leão quiçá pouco interessado em entregar o título... ao Benfica. Mas há quem diga que um jogador do Belenenses picou demasiado o avançado Martins e este, irritando-se, toma... 2-2, no minuto 86 (título festejadíssimo... na Luz!) 
Nacional - 10.º classificado, a 47 pontos do líder... -, na Luz repleta por mais de 60 mil fervorosos benfiquistas, pode impor drástica mudança no destino deste título? Histórico seria! Impensável é!

«É preciso ter mãos para conduzir aquele Ferrari...» - violento ataque de Jorge Jesus a Rui Vitória, num categórico, mas tão desmedido!, anúncio da incapacidade do seu sucessor para não destruir o bicampeão por ele construído.
Seja qual for o desfecho do mano a mano que - inesperadamente, é verdade - veio a tornar-se empolgante, está mais que provado, carreira na Champions inclusive: Rui Vitória, até com o mérito extra de ter dado a volta a desastrosa pré-temporada, da qual não teve responsabilidade, foi brilhante piloto do Ferrari... que teve de restaurar com novíssimas e ditas imberbes peças: de Nelson Semedo e Gonçalo Guedes a Renato Sanches, Lindelof e Ederson. E que dizer da saída do miúdo Renato, ao cabo de apenas 6 meses, quanto a uma certa, e inopinada, afirmação de estar largamente pago um contrato com treinador?...
Outras verdades:
- Também os contratos de Jorge Jesus no Benfica foram mais que pagos com a evolução, e consequentes elevadas mais-valias financeiras, de jogadores como, por exemplo, Fábio Coentrão, Dí Maria, Matic, Oblak, Enzo Perez... Tal como, agora em Alvalade, decerto irá acontecer com o salto qualitativo (enorme!) nesta temporada dado por Slimani, João Mário, Rúben Semedo...
- Também Jorge Jesus mostrou - de novo mostrou - ter mãos para pilotar Ferrari. Neste caso, o novo bólide que, com a necessária ajuda de 11 aquisições, ele soube muito acelerar na tão saudável ambição sportinguista.
Saber reconhecer mérito de grande rival deve ser essencial para ver reconhecido o seu... (até mais elogiável em renhida competição). OK, Jorge Jesus?

Futebol português é híper especialista em curiosidades... mirabolantes! Então quando toca a árbitros... - exaustiva, e chocantemente contraditória, análise das suas actuações, tal como, por antecipação, de quem é nomeado para este e aquele jogo...
Eis a dos últimos dias... Gaspar Ramos, largos anos director do futebol benfiquista, avançou que o árbitro Hugo Miguel não poderia dirigir o Benfica-Nacional, visto ter «ter ligação indirecta ao Sporting, através da marca que veste os leões». Imediata resposta Bruno de Carvalho, contestando «pressão para a não nomeação de Hugo Miguel para o jogo do Benfica».
Em que ficamos? Hugo Miguel vai dirigir... SC Braga-Sporting. Conclusão: assim ou assado, árbitro sofre!"

Santos Neves, in A Bola

Renato Sanches - um belo negócio!

"A venda dos direitos de Renato Sanches (e não, como por aí, por vezes, se diz, a venda de Renato Sanches!) ao Bayern parece-me um extraordinário negócio para o Benfica. Se será ou não um bom negócio para o clube alemão, só o futuro dirá. É possível que seja. Renato é um jogador com grandes potencialidades e eu estou de acordo com o José Manuel Delgado, o primeiro a fazer uma comparação do jovem jogador com Mário Coluna, salvaguardando, naturalmente, as óbvias diferenças temporais, mas fixando a ideia essencial de um jogador que, por vezes, manda no jogo e nos ritmos desse jogo, pelo seu poder natural.
Alguns dirão que ninguém deve negociar os direitos de um futebolista tão jovem, porque pode dar-se o caso de estarmos perante uma estrela que vai além do talento tornando-se, mesmo, genial. Claro que existe esse risco, como existe o risco do Bayern não conseguir tirar todo o proveito - e tem de ser mesmo muito - do jogador.
A verdade é que o negócio está a ser falado no mundo inteiro e tornou-se particularmente importante porque aponta como uma primeira referência para outros negócios, para outras transferências, adivinhando-se, desde já, um mercado de verão agitado.
É natural que Luís Filipe Vieira esteja feliz. Junta à hipótese, muito provável, de conseguir o terceiro título consecutivo de campeão nacional, a certeza de que esta será, com elevado grau de certeza, uma temporada igualmente rica em receitas, consolidando uma imagem de clube exportador e com enorme grau de fiabilidade na qualidade de jogadores que forma na sua produtiva fábrica do Seixal."

Vítor Serpa, in A Bola

Rumo ao 35

"É a piada da semana na Luz: "rumo ao 35", por causa dos 35 títulos e dos 35 milhões por Renato Sanches. O título está a 90 minutos de jogo, os 35 milhões já cantam na Luz, a que há a descontar cerca de 3,5 milhões de comissões para agentes, incluindo o incontornável Jorge Mendes. Poderá ser ainda mais dinheiro no futuro, para um total provavelmente de 60 milhões (que dependem do número de jogos de Renato no Bayern, e não se paga tanto para ter quem não jogue) e improvavelmente de 80 milhões (porque crer na consagração como um dos três melhores da Europa e na vitória do Bayern nas competições internacionais já é fruta a mais).
Este fabuloso negócio do Benfica resulta de uma estratégia na formação. Só com investimento se consegue semear o que mais tarde se há de colher e esses louros Luís Filipe Vieira merece, até porque anunciou e construiu essa estratégia há anos. É tudo menos sorte. O Benfica destronou o Sporting como grande formador de jogadores vendidos por balúrdios, com resultados que aceleraram depois da saída de Jesus, muito menos disponível que Rui Vitória para lançar jovens.
O Benfica investe 3 milhões por ano na formação, onde tem 150 jogadores. A maioria nunca será negócio, mas poucas vendas bastam para transformar o investimento em forte lucro. E não há muitas novas fontes de receitas que os clubes portugueses possam disputar. É também por isso que esta venda de Renato Sanches é um extraordinário sucesso de Vieira e de Vitória, os dois V que no domingo querem gritar 'tri!'."

Arrastão 35

"Renato Sanches é prova do muito que se jogou fora das quatro linhas nesta Liga

Esperada, a notícia estourou ontem de manhã: às 11h03, num comunicado à CMVM, o Benfica oficializou a venda de Renato Sanches. O médio seguirá para o Bayern Munique por 35 milhões de euros, incluindo-se no acordo bónus capazes de elevar o encaixe até 80 milhões. A transferência foi conhecida a cinco dias de os encarnados poderem selar a conquista do seu 35.º título nacional, mas, no meio deste bolo, a carga simbólica situa-se acima daquilo que rápida leitura das aparências nos pode sugerir. O negócio configura nova prova objectiva de que neste campeonato se jogou, e muito, fora das quatro linhas. Falo de razões claras: há menos de um ano, Sanches era "o 8 do presidente". Assim foi apresentado por O JOGO aos seus leitores, por se tratar de uma aposta de Luís Filipe Vieira, que se baseou em relatórios técnicos internos (e não só) quando impôs o "unificador" de 18 anos a Rui Vitória. Para arrumar na cova o ciclo Jorge Jesus, era imperioso fazer vingar a política desportiva que se alimenta do melhor que a formação gera. Isso só se seria viável abrindo uma linha de sucesso, cenário que no fim de Novembro, após eliminação da Taça - e perdido o quarto clássico -, parecia improvável. Emergiu então o miúdo, a desesperada solução para colar o meio-campo. E resultou: "poderoso" - citando Rummenigge, o futuro patrão -, arrastou equipa e adeptos, promovendo reconciliações. Depois, quando falhou - como aconteceu, domingo, na Madeira ao ser expulso -, a mesma equipa valeu-lhe. Agora, ele é rosto dos "35" - o confirmado e o encomendado. Chegaria aqui tão depressa se o treinador fosse Jesus? Pois..."


PS: Não tive coragem de 'postar' a crónica do Lagartão Joel Neto no Jogo, mas se estiverem na disposição de ler um texto, que é um sério candidato a Aziado do Ano, cliquem aqui, é de partir o coco a rir!!!!!!!

Benfiquismo (CI)

Quando perder com o Benfica por 3-6, é um êxito inesquecível !!!