Últimas indefectivações

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Quando recomeça a Liga?

"A UEFA põe e dispõe. Em tudo. Ou quase tudo. Mas, agora é dos calendários que falo. São as datas do defeso do Verão, do defeso pós Pai Natal (e entre as duas, o permanente desassossego que lemos sobre este ou aquele jogador), das semanas de interrupção das competições nacionais, das horas de início de jogos, estranhas ou sujeitas a publicidade compulsiva, como, por exemplo, na Liga Europa, onde se começa 5 minutos depois da hora certa (20 horas).
Desta vez parou-se, para se disputarem partidas de apuramento para o Mundial da Rússia. A nós, depois de um jogo de preparação decisivo contra a poderosa equipa gibraltina, calham-nos dois desafios para igualar ou ultrapassar recordes e conhecer terras distantes. Os andorrenhos, coitados, acabaram com 9 atletas e nós acabámos a ver quantos golos falhávamos, para além dos 6 marcados. As Ilhas Féroe (ou Faroé), pertencestes ao reino da Dinamarca, com 50.000 habitantes lá tentaram, sem êxito, fazer das tripas (do atum e baleia que por lá abundam) coração de vikings de segunda categoria. Tudo muito excitante.
Em particular, os 3 grandes de Portugal fornecem jogadores em jeito de Nações Unidas em viagens de circum-navegação. Quanto ao meu clube, a única preocupação é saber se não vêm directamente para a enfermaria.
Como se não bastasse, vai haver, entrementes, uma não menos emocionante eliminatória da Taça de Portugal, já com os clubes da 1.ª divisão, mas só a jogar com equipas de escalões abaixo (ainda que sempre nos campos destes, o que, como nova regra, é de aplaudir).
Se a memória não me atraiçoa, depois parece que recomeça o campeonato."

Bagão Félix, in A Bola

Os Donos da Bola mataram a bola (ou porque odiamos as segundas-feiras)

"Aconteceu ontem à noite:
O comentador disse que tinha provas do que tinha dito na semana passada – e estava ali para apresentá-las, doesse a quem doesse, em nome da verdade, etcetera. “Não tenho medo”, garantiu ele à jornalista, que atravessou o corredor da TV onde trabalha para perguntar ao outro comentador o que achava ele daquilo tudo.
No caminho, a jornalista falou da “tensão no ar”, que era muita e quase tangível, ao ponto de a estação se ter visto obrigada a pôr os homens em salas opostas em nome da segurança - não fossem eles pegarem-se, subentenda-se.
“Estou aqui, calmo, à espera do que ele tem para me mostrar”, respondeu à repórter.
Um chama-se André Ventura, o outro é Paulo Andrade.
O primeiro tinha para mostrar ao país do futebol e dos portugueses, enfim, ao mundo em geral, que há uma claque que tem por hábito interferir nas AG de um certo e determinado clube. E o segundo iria perguntar ao primeiro porque raio falava ele dos outros clubes (e não do dele), e que isso enquadrava uma clara desobediência às recomendações do seu próprio presidente.
Rame-rame e lenga-lenga entrecortada com dotes de oratória e truques de argumentação, como o de responder com uma pergunta. O acusado passa a acusador.
O que interessava na CMTV fabricar um acontecimento, empolando o áudio do prestador de provas do Benfica e os argumentos do sócio que não fora à AG do Sporting porque um familiar seu fizera anos.
O canal deu tudo - e não desiludiu.
Mas não foi o único.
Noutro lado, à mesma hora, na TVi24, José de Pina tapou a cara com um tecido branco, porque Vieira tinha amordaçado os comentadores do Benfica – e todos sabemos que Pedro Guerra é um deles. Mas Pina, adepto do humor físico, também pôs um boneco do pinóquio à frente do portátil e, sempre que lhe cheirava a mentira, fez soar um alerta igual ao que se ouve quando o concorrente dá uma resposta errada nos concursos da TV. Chamou-lhe simplesmente “Alerta Pinóquio.”
E Pedro Guerra chegou a falar dos pais de Pina (que não o tinham educado para aquilo), do “mentiroso” Bruno de Carvalho, e do bom nome do Benfica. De Manuel Serrão, pouco, porque o que está a dar é o Pina e o Guerra.
Também à mesma hora, na SIC Notícias, discutiu-se o Facebook do Sporting, a candidatura de Vieira e a lealdade dos comentadores a Vieira, a comunicação dos clubes, e por aí fora. Um bocadinho mais sóbrio do que os outros, talvez pela natureza dos próprios intervenientes, mas com os mesmos conteúdos, como se não houvesse outros sobre que falar.
Mas havia.
Portugal tinha vencido as Ilhas Faroé por 6-0, André Silva marcara três, João Cancelo chegara ao terceiro em três jogos, Ronaldo abichara mais um recorde, Gelson partira dois pares de rins e até João Moutinho fizera um golo-de-fino-recorte-técnico, como diziam os antigos. E é a esses tempos antigos que podíamos voltar, a lugares saudáveis e higiénicos como o Domingo Desportivo, que nos ensinou a gostar de bola. Deixámos de gostar dela, salvo erro, quando apareceu o programa Os Donos da Bola.
Hoje, quando lhe perguntarem porque odeia as segundas-feiras, responda-lhes que não se aprende nada à segunda-feira."

Benfiquismo (CCXLVII)

O trio maravilha...!!!

PS: Sim, a Taça do 'meio', também é oficial:

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Grande líder ou talvez não

"O problema de BdC é ver aproximar-se o quadro eleitoral sem conquista desportiva relevante para apresentar ao fim de quatro anos de mandato.

O 'jogo falado' não é um factor de perturbação do jogo jogado. Pelo contrário, contribui para a valorização do espectáculo, através da análise, do comentário e do debate. Foi assim no passado, é assim no presente e será assim no futuro. As dúvidas que se têm levantado dirigem-se mais ao estilo do discurso e à linguagem utilizada, talvez resultado de inovadoras e agressivas estratégias de comunicação, admite-se que eficazes e com objectivos precisos, embora difíceis de avaliar para o cidadão comum. Além de, nesta conflitualidade clubista, pairar o perigo do mau recurso às redes sociais, transformando-as em vazadouro de insultos, ódios e invejas, uma prática condenável, mas respaldada no anonimato e em páginas ditas oficiais que ora deixam de o ser, ora aparecem, ora desaparecem.
O problema não reside, pois, no futebol, mas sim nas pessoas e nas atitudes que elas tomam, devendo acentuar-se que nenhuma mal virá ao mundo se não for ultrapassada a fronteira da razoabilidade e, sobretudo, de respeito pelo próximo como se impõe em sociedade civilizada.
Acredito ter sido em obediência a este princípio basilar que Luís Filipe Vieira não só apelou ao silêncio como pediu aos benfiquistas para falarem dos problemas do seu clube e se absterem de referâncias a outros emblemas, no caso particular o Sporting. Disse mais: «Servimos e vivemos o Benfica e não vivemos os outros. Respeitamos os outros, mas vivemos o nosso Benfica».
Em qualquer país do mundo moderno esta posição do presidente benfiquista, além de oportuna e até pedagógica, teria sido aplaudida, com o desejo de captar seguidores em outros clubes. No entanto, para mal dos nossos pecados, a reacção foi precisamente a oposta da que seria expectável, entre gente de bem: não a que grita, mas a que, embora com a liberdade de discordar, patrocina o consenso.

Em concreto, o presidente leonino não só não bateu palmas, nem tinha de bater, obviamente, como se aproveitou do apelo do homólogo benfiquista para emitir uma resposta que em nada ajuda ao desanuviamento do ambiente de tensão que se pretende eliminar. «Quando se tem uma liderança séria, se é respeitado e se trabalha com uma equipa leal e coesa não é preciso fazer apelos», disse.
Adivinhando-se que a situação não vai dar sinais de melhoria, por uma questão de personalidade do próprio líder leonino e, principalmente, por ver aproximar-se o quadro eleitoral sem nenhuma conquista desportiva relevante para apresentar ao fim de quatro anos de mandato, o mais prudente seria fazer o que pode Vieira: cada um trata de si, sem ligar ao que se passa em casa do vizinho. A sugestão é sensata e poderia funcionar como ponto de partida para um novo ciclo, de coabitação pacífica, mas o problema não se resolve quando as pessoas rejeitam o diálogo e preferem a confrontação permanente, a propósito de tudo e de nada. Aliás, ajudando as memórias mais débeis, deve recordar-se que o primeiro alvo do líder leonino foi o FC Porto e o seu presidente, ao qual chegou a referir-se de uma forma, julgo, por todos considerada reprovável. Insistiu e, não obtendo resposta, virou as baterias para o outro lado da Segunda Circular, pela razão simples de se localizar lá o elo mais forte e não a norte, como imaginou de início.

Para não subsistirem dúvidas, convém esclarecer que uma coisa é a história e a grandeza da instituição Sporting, outra, incomparavelmente diferente, a política seguida pelo seu líder, o qual terá feito promessas demasiadas sem possibilidade de as cumprir. Por outra lado, os adeptos dos grandes clubes, e não só, já aprenderem que a seguir a um colapso desportivo se inventam, geralmente, manobras de diversão para se desviar a atenção dos adeptos daquilo que não interessa a quem manda; ou será que ainda haverá alguém sem se dar conta que esta poeirada surgiu na sequência do inesperado empate em Guimarães, da forma como ocorreu, e da alteração que provocou na tabela, com o pujante Sporting, como tem sido rotulado, igual em pontos ao problemático FC Porto, a recuperar a sua identidade, e três abaixo do Benfica, que lidera, apesar da grave crise de leões que o tem prejudicado?

Mesmo sem Jonas, sem Jiménez, sem Mitrolgou e sem Rafa, que chegaram a estar incapacitados em simultâneo, desde o começo da temporada, mesmo em condições tão adversas, a verdade é que Rui Vitória não vacilou e Nuno Espírito Santo, cercado por críticas ao seu trabalho, regularmentarmente, está em segundo.
É aqui, e só aqui, que se localiza a dor de cabeça do líder leonino. Dor que não consegue controlar e para a qual só existe um remédio: ser o melhor no campo em vez de querer sê-lo fora dele. Para ser o melhor em campo se calhar tem de incomodar menos o treinador, porque considerar-se o culpado pelo resultado em Guimarães em nome de uma grande liderança pessoal, enfim, dá para sorrir... A não ser que, sendo um presidente de banco se dê o caso de não resistir à tentação de emitir palpites... Atrevimento que, garantidamente, Jorge Jesus não permitiria."

Fernando Guerra, in A Bola

Não insistam! O «Buda» não morre!

"Podem dizer que o Mário Wilson não voltará do mundo para onde partiu, mas a gente não acredita. À sua maneira foi eterno. Tranquilo, calmo, pacífico como um oceano.

Eu sei, eu sei. Dizem: morreu Mário Wilson. E a gente não acredita porque pensávamos que Mário Wilson era eterno, assim uma espécie de avô de nós todos, calmo, pacifico, tranquilo. O mundo a seus pés.
Chamaram-lhe, um doa, o Buda. Pela barriga, pela forma arrastada de falar, pela certeza de cada frase. Que frase» Mário Wilson falava sentenças, não frases. Era correcto e amigo, conselheiro e bondoso. Houve gente menor que lhe quis fazer guerras imundas e ele ficou lá no alto, sobre os insultos - uns vergonhosamente racistas, como os de José Maria Pedroto que fez sempre questão em ser seu inimigo, como se o «Velho Capitão» pudesse ter inimigos.
Um dia chegou ao Benfica, depois de ter sido treinador de uma equipa da Académica, formada por jogadores/estudantes, que tanto treinavam como andavam na incontornável farra coimbrã, e que mesmo assim foi segunda classificada do campeonato, e disse. «Aqui qualquer um se arrisca a ser campeão». Ele foi campeão. De Portugal uma só vez, maldita seja a ironia. Da vida, foi sempre campeão. Até na morte.
Todos terão uma palavra a dizer sobre Mário Wilson. Ele mexeu com toda a gente que vive do futebol e em redor do futebol nem que seja por uma frase, por um gesto, por algo que não sabemos ao certo explicar o que é mais fica cá dentro, bem no fundo, naquele lugar dos momentos eternos.
Falem de saudade, mas a saudade é pouco. O «Velho Capitão», com a sua alcunha que ressoa a livros de Robert Louis Stevenson, era único. Único na sua forma de estar, na sua forma de ser para quem o rodeava, pela forma de reagir às circunstâncias. O Benfica contou sempre com ele. Chamaram-lhe também o «Bombeiro». Estava pronto, disposto. A cada aflição de treinador que saía, Mário Wilson trazia a calma de uma serenidade intrínseca. Resolvia problemas, ouvia os outros, ia sendo ele mesmo na voragem dos dias que atropelam a simplicidade dos seres humanos.

Foi para cada um de nós cada um de si
Quando chegou a Lisboa vinha para o Sporting. Deram-lhe o lugar de Peyroteo, esse marcador faminto de golos que decidira afastar-se por falta de dinheiro, mas não era fácil tomar o lugar de uma lenda. Foi campeão, ponta-de-lança meio esquecido pelos anos que passaram entretanto, mas aquele não era, definitivamente, o seu lugar. Instalou-se em Coimbra. A Lusa Atenas era perfeita para o crescer das suas filosofias. Ganhou espaço, ganhou tempo, ganhou uma personalidade sem comparação. O «Velho Capitão» - foi assim que o conheceram. Entrava nos cafés, esses centros conimbricenses de teoria do jogo inventado pelos ingleses, e todos o respeitavam. Mário Wilson era Mário Wilson e ponto final.
A velhice trouxe-lhe uma aura que não é possível definir. Todos o víamos como um amigo, como um parente sábio, como alguém que, de uma forma ou de outra, fazia parte das nossas vidas. Dizem que ele morreu, neste dia 3 de Outubro de 2016, a poucos dias de cumprir 88 anos. Dizem, mas a gente não acredita. O «Buda» não morre! É inteiro na sua presença infinita. Tentaremos lembrá.lo e também não será possível. Cada um o lembrará à sua maneira. Por que ele foi para cada um de nós cada um de si."

Afonso de Melo, in O Benfica

Superstição com barbas

"A história dos pelos faciais que venceram o histórico rival e que se tornaram 'um óptimo talismã para os jogos decisivos'.

Foi ao balneário do Estádio da Luz que Roland Oliveira fotografou três jogadores do Sport Lisboa e Benfica no momento em que se barbeavam: Era domingo, dia 10 de Abril de 1960. O Benfica acabara de disputar a 24.ª jornada do Campeonato Nacional, frente ao Sporting. Cavém, Mário João e Neto foram os protagonistas e o momento, esse, não era o dum barbear qualquer.
Dias antes, intrigados pela 'barba (...) exageradamente crescida para um jogador da bola' que os três futebolistas apresentavam, os jornalistas questionaram: 'Doença de pele?', 'Não havia dinheiro para as lâminas'? Cavém explicou:
'É cá uma promessa. (,,,)
- E você Mário João?
- Desculpe mas não posso responder.
- Será uma questão de fé?
A sorrir retorquiu:
- Talvez...'.
Tudo começou em Viana do Castelo, após o jogo da 1.ª mão dos oitavos de final da Taça de Portugal, a 27 de Março. Foi aí que Cavém fez a barba pela última vez, dizendo que não voltaria 'a barbear-se antes de realizado o encontro com o Sporting'. Segundo explicou, 'tinha sonhado que se deixasse crescer a barba, ganhava o desafio. Os colegas imitaram-no, simplesmente'. Estava 'reunida a trindade benfiquista dos barbudos'!
Ontem, inicialmente, não gostou da ideia foi o treinador. Segundo Mário João, 'Béla Guttmann não gostava muito que os jogadores usassem barba. Mas quando lhe explicámos do que se tratava, aceitou. Era muito surpresticioso! A partir daí, passou a zelar por elas', E recorda ainda: 'A barba incomodava-me a dormir por isso, um dia, depois de um treino, decidi fazê-la. Béla Guttmann, ao ver-me de lâmina na mão, começou aos gritos e proibiu-me terminantemente'.
Eis que chegou o tão ansiado Benfica-Sporting. 'De automóveis, de autocarro, de eléctrico, de bicicleta, a pé...', quarenta mil pessoas rumaram ao Estádio da Luz para assistir ao dérbi. No final, a vitória foi 'encarnada' e 'abraçados (os três jogadores) exclamavam:
« -Já podemos fazer a barba!
- Deu sorte, viram?»'
A superstição de Cavém revelou-se auspiciosa e as suas barbas 'passaram a ser um óptimo talismã para os jogos decisivos'. De face barbada venceu o Barcelona e o Real Madrid e tornou-se bicampeão europeu.
Até 15 de Outubro, pode ver esta e outras fotografias na exposição Ronald Oliveira, na Rua do Jardim do Regedor, em Lisboa."

Mafalda Esturrenho, in O Benfica

Benfiquismo (CCXLVI)

Começa esta semana a caminhada para o Jamor...
Inauguração 1944

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

As contas do Benfica Clube

"Na (...) a estrutura do Sport Lisboa e Benfica (clube), vista pela perspectiva de consolidação do Clube, e não da SAD. Ora, isto não tem nada que saber! O Sport Lisboa e Benfica detém 50,01% da Benfica Multimédia, 98% da Benfica Seguros, 99,99% da Benfica SGPS, sendo que a Benfica SGPS possui 23,65% da Benfica SAD, o clube detém ainda 50% da Clínica Benfica, sendo os outros 50% detidos pela Benfica SAD. O clube possui também 100% da Benfica parque e 57,14 da Benfica Rugby.
Por sua vez, a Benfica SAD detém 100% da Benfica Estádio, 100% da Benfica TV, 1,27 da Benfica Seguros e 0,01% da Benfica Multimédia.
Portanto, está aqui tudo. No Sporting, como veremos a seu tempo, não está!
Mas continuemos com o Universo Benfica.
Na pág. 54 do relatório e contas 2015/16 aprovado por maioria no passado dia 20/09/2016, escreveu-se o seguinte:
«Os resultados da actividade isolada do Sport Lisboa e Benfica, isto é, excluindo os efeitos da incorporação dos resultados das participadas do Clube através do Método de Equivalência Patrimonial, registaram pelo sétimo ano consecutivo resultados positivos de 5,6 milhões de euros, sendo também de salientar o facto de os resultados da actividade operacional individual do Clube serem também positivos pelo décimo ano consecutivo».

Ou seja, o Benfica Clube individualmente - o que significa que existe um Benfica Clube consolidado - tanto faz que seja pelo método da incorporação de resultados das participadas, como por outro método qualquer, inclusive um que eu cá sei, que é tudo consolidação, teve lucros!
Toda esta lógica de bons resultados do grupo Benfica é também visível se virarmos a nossa análise para os rendimentos operacionais do Benfica Clube, exactamente como os reproduzimos na (...).

Existe uma fonte de receita fundamental - as quotizações dos sócios, e mais quatro fontes de receitas principais - merchandising, publicidade/patrocínios, inscrições e royalties.
Este artigo vai continuar com a análise do passivo, cujo valor é quase todo contabilístico, como se verá. Explicaremos essa situação de forma detalhada no próximo artigo.
Tomei agora conhecimento do falecimento de Mário Wilson. Como já escrevi em outros artigos, as únicas certezas que existem na vida são a morte e os impostos. A diferença é que a nossa mente e o nosso coração eternizam e guardam o que de melhor acontece na vida. Pessoas existem que ficarão para sempre guardadas num espaço especial, que morre connosco, mas que parece ficar para sempre no Universo. Talvez o facto de ter sido jogador e treinador dos estudantes de Coimbra, num momento em que tudo tinha nível, tenha tornado este homem numa lenda de Velho Capitão, pacato, brincalhão, mas responsável, sem ferir ninguém,
Descansa em paz, Mário Wilson."
(...)"

Pragal Colaço, in O Benfica

PS: Quem quiser conhecer a estrutura do Activo do Benfica (clube), leia este excelente artigo do Benfica Eagle, no NGB... mais um excelente artigo!

Verdadeiras contas consolidadas

" 2 tipos de consolidação de contas - a contabilística e a fiscal. Apenas é obrigatória a consolidação contabilística. A fiscal não é!
Existe obrigatoriedade de consolidação contabilística nos termos previstos no artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 158/2009, de 13 de Julho, que instituiu o Sistema de Normalização Contabilística (SNC), para todas as empresas-mãe que detenham e exerçam controlo sobre uma ou mais subsidiárias, independentemente da titularidade do capital, bastando que possam exercer, ou exerçam efectivamente influência dominante ou controlo ou que exerçam a gestão como se as duas constituíssem uma única entidade.
A consolidação fiscal é facultativa. Mas mesmo sendo facultativa, só pode ser requerida quando a sociedade:
2(*) - Existe um grupo de sociedades quando uma sociedade, dita dominante, detém, directa ou indirectamente, pelo menos, 75% do capital de outra ou outras sociedades ditas dominadas, desde que tal participação lhe confira mais de 50% dos direitos de voto.
3 - A opção pela aplicação do regime especial de tributação dos grupos de sociedades só pode ser formulada quando se verifiquem cumulativamente os seguintes requisitos:
a) As sociedades pertencentes ao grupo têm todas sede e direcção efectiva em território português e a totalidade dos seus rendimentos está sujeita ao regime geral de tributação em IRC, à taxa normal mais elevada.
b) A sociedade dominante detém a participação na sociedade dominada há mais de um ano, com referência à data em que se inicia a aplicação do regime.
c) A sociedade dominante não é considerada dominada de nenhuma outra sociedade residente em território português que reúna os requisitos para ser qualificada como dominante.
d) A sociedade dominante não tenha renunciado à aplicação do regime nos três anos anteriores, com referência à data em que se inicia a aplicação do regime.
Na consolidação contabilística fala-se em empresas e na consolidação fiscal fala-se em sociedades.
O Sport Lisboa e Benfica é um clube (juridicamente chama-se associação de direito provado com utilidade pública) e a Sport Lisboa e Benfica Futebol SAD é uma sociedade.
Por isso o menino Carlinhos não pode estar a referir-se à consolidação fiscal. Apenas à contabilística. Mas vejamos:
O Sport Lisboa e Benfica clube (associação) incorpora os resultados das suas participadas pelo método da equivalência patrimonial, ou seja, consolida.
Na pág. 11 do relatório e contas do clube (associação) de 2015/16, temos a estrutura do grupo (...).
Tal significa que o Benfica clube (associação) consolida com todas as entidades que estão aí mencionadas (Benfica SAD, Benfica Multimédia, Benfica Seguros, Benfica SGPS, Clínica Benfica, Benfica Parque, Benfica Rugby, Benfica Estádio e BTV), sendo certo que ouso dizer que tenho muita dificuldade sequer em considerar que as associações estejam obrigadas a consolidar contabilisticamente, mas já que o Benfica clube (associação), consolida, nem me vou pronunciar juridicamente sobre essa matéria.
Por sua vez a Sport Lisboa e Benfica SAD também consolida nas suas contas, de acordo com a seguinte estrutura do grupo (Benfica SAD: Benfica Estádio(100%), BTV (100%), Clínica Benfica (50%), Benfica Seguros (2%))
A Benfica Seguros faz parte da estrutura da Benfica SAD e obviamente do Benfica clube (associação), mas não consolida, nem tem de ser consolidada.
Daí que não se percebe onde é que se vai buscar que o Benfica não consolida?! Consolida a meu ver até demais, por opção sua.
Menino Carlinhos, vai ficar de castigo com orelhas de burro durante um dia virado para o quadro! Talvez o mesmo não se passe com deveria ser no lado contrário.
(Sporting Clube de Portugal: Sporting SAD, Sporting SGPS, SPGIS, Construz-Prom.Imo,SA, SCP-Soc.Const.Plan, SA, SOC.Prom,Imob-Lote Dourado, SA, SOC.Prom.Imob-Qtª Alvalade, SA, SOC.Prom.Imob-Qtª Raposeira, SA, Verdiblanc I,SA, Verdiblanc II,SA, Verdiblanc III,SA, Verdiblanc IV, SA, SPM,SA, Sporting Comunicação e Plataformas, Sporting Multimédia, Gisparques, ESLI, Sporting Seguros), retirado do acordo de pagamentos celebrado com os bancos, vê-se a seguinte estrutura do Sporting Clube de Portugal clube (associação).
Será que isto tudo é consolidado do Sporting clube?
É o que iremos ver.
Apenas duas últimas referências. Um para dizer que se tenta simplificar o que é complexo, mas crê-se ter-se dado uma pequena panorâmica. Em segundo, lembram-se da discussão sobre o passivo do Benfica que nos jornais diziam era 600.000.000€? Era exactamente porque somavam o passivo consolidado no Benfica clube e assim somavam-no duas vezes.
Mais um dia de castigo para o menino Carlinhos!
Até para a semana.

O que são contas
Primeiro dia de aulas na 1.ª classe. Um menino com um bibe amarelo, olhos esbugalhados de medo, com o dito entre as pernas, senta-se na carteira de madeira inclinada e quando a professora lhe pergunta o nome diz:
- Eu consolido mais o meu amigo do peito, mas aquele ali não consolida!
A professora estupefacta, pergunta-lhe:
- Como, menino Carlinhos?
- Senhora Doutora, eu consolido mais o meu amigo do peito, mas aquele ali não consolida. Toma! Toma!
- Menino Carlinhos, o que quer dizer com isso?
- Senhora Doutora, então, foi o que meu Papá me ensinou!"

Pragal Colaço, in O Benfica

Benfiquismo (CCXLV)

A caminho da 1.ª Taça dos Clubes Campeões Europeus...

domingo, 9 de outubro de 2016

Carta ao Toni

"E a tua vida é uma vida cheia. É e será. Por muitos e muitos anos. De luta e não de fuga. De entrega e de fidelidade. De doação e de paixão.

Meu caro e Bom Amigo,
Na próxima sexta feira comemoras setenta anos. Linda idade. Há trinta entraste nos enta. Como outros e outras. Que também aqui felicitamos. Escrevo-te na noite desta sexta-feira. A uma semana de um dia relevante da tua vida. Acabámos de golear Andorra, a Suíça de ganhar na Hungria - muito cuidado com a Suíça que apenas defrontamos de amanhã a um ano... - e Cristiano Ronaldo marcou quatro golos em Aveiro. O que importa registar e sublinhar. Como felicitar vivamente, também aqui, António Guterres pela sua designação para Secretário Geral das Nações Unidas. Acabei de te falar e dizias-me que quase estás no teu regressado à infância. Quase à lareira do teu passado. Estás nas tuas origens, no teu centro, no teu espaço originário. E tendo presente a muito justa homenagem, importa registar e sublinhar, que a nossa Federação de Futebol suscitou, antes do jogo frente a Andorra, ao saudoso Senhor Mário Wilson, recordei, a partir de horas de fraterno convívio com o Doutor João Rodrigues, a as estórias da tua contratação pelo Benfica e vieram-me em simultâneo à lembrança outras histórias que em múltiplos momentos tive o privilégio - sim o privilégio! - de te ouvir contar. Algumas no Lisboa à noite. Outras na Tasca do Manel. Outras no velho e outras já no novo Estádio da Luz. Entre outros locais e paragens. Neles, nesses relatos, estão figuras e factos, prazeres e dores, lugares e jogos, momentos e circunstâncias, golos e falhanços, disputas e leituras, prantos e lágrimas, convívios e até dívidas. E também, digo eu, enganos e desenganos. Mas nelas, nas histórias e nas estórias, sempre está o jovem estudante de Direito da Universidade de Coimbra de 1967. e também o finalista do INEF, o antecessor da actual Faculdade de Motricidade Humana. Mas sempre está também a jovem da Académica, uma equipa única, de uma fraternidade singular. Como igualmente o cidadão comprometido, socialmente empenhado. Como Vítor Manuel, com a sua energia única e a sua imensa memória, nos relembra e ensina em permanência. Recordo que o saudoso Senhor Meu Pai me dizia, e escrevia, maravilhas acerca dessa equipa e guardo religiosamente um exemplar dos Estatutos da ATAC - Associação dos Teóricos da Académica de Coimbra - que estabelecia nos seus bem elabirados artigos algumas preciosidades que bem úteis seriam, em luta terrível de audiências, neste tempo de convulsão nas análises e nos comentários contemporâneos. O artigo primeiro era eloquente: «Dizer sempre bem da AAC/OAF». O segundo, em curtas alíneas, bem sugestivo: «Nunca estar de acordo com o treinador e seus adjuntos e também os jornalistas desportivos». E o terceiro na sua alínea e) consagrava um principio de todos os tempos: «Dizer sempre mal dos árbitros que eram sempre»! Creci, ali em Viseu, para lá da Serra do Caramulo, nesta síntese entre a Académica e o Benfica. Entre a forte equipa dos estudantes e o grande Benfica europeu. E com o saudoso Senhor Meu Pai a liderar, com orgulho, o Viseu e Benfica. E relendo um guardado artigo de Eduardo Lourenço, como sempre a partir de Vence, confessando-se do Benfica mas proclamando que nessa época quando o Benfica vinha a Coimbra o meu dilema era ficar neutro. Os intelectuais e as suas confissões... desportivas! Ora a tua neutralidade, como a do nosso saudoso Velho Capitão, foi sempre, no limite, e como outras, uma neutralidade colaborante. Do Benfica e colaborando com a Académica. No sentir e no servir. E são estas imensas relíquias de afectos e também de saudosas lembranças em relação ao saudoso Senhor Mário Wilson que me fez reler Alain que nas suas Considerações sobre a Felicidade nos ensina que «quanto melhor se enche a vida, menos se tem medo de perdê-la». E a tua vida é uma vida cheia. É e será. Por muitos muitos anos. De luta e não de fuga. De entrega e de fidelidade. De doação e de paixão. De inocência e de necessidade. De personalidade e de oportunidade. Também digo oportunidades. De reputação e de reconhecimento. «Chamam-me Toni-do-Benfica e isso para mim não tem preço»! Não tem preço mesmo, acredita. E a tua rica história de vida é a história de quem de Mogofores a Lisboa, de Coimbra ao Egipto, de Portugal ao Irão profundo vive sem qualquer sombra assombro da morte. Da morte que esta semana nos levou, com o reconhecimento geral, o Senhor Mário Wilson, aquele que te considerava o seu filho branco. E ao escutar, bem comovido, na passada sexta feira, o seu querido filho Mário Wilson Júnior, o mais velho dos seis filhos do Velho Capitão, do querido Buda, recordei um poema singular de um dos maiores Poetas - sim em letra maiúscula! - portugueses vivos, Manuel Alegre, em honra do teu Pai moçambicano, que termina assim:
«... E então o impossível era possível
ele era o capitão
para mudar não só o jogo mas a vida»!
E é esta vida, com múltiplas venturas e muitas alegrias - és, recorda, o único treinador português a levar o Benfica à final de uma Taça dos Campeões Europeus! - que vamos saudar. Que queremos saudar! E o nosso saudoso Velho Capitão, já no Céu que decerto o acolheu e penteando e afagando a sua linda e sugestiva barbicha, não deixará de te cumprimentar, na próxima sexta feira, ali bem perto do final do jogo da Taça de Portugal que o vosso - e nosso - Benfica disputará com o 1.º de Dezembro, como o capitão democrático - sim tu foste eleito capitão do Benfica por voto dos jogadores e alcançaste uma vitória bem esmagadora (95%) - e dizer-te, numa palestra bem mais curta, para leres Séneca e o seu Da vida bem aventurada e, em particular, este pedaço delicioso: «Uma felicidade que nunca foi maculada há-de sucumbir ao mínimo golpe; mas quando chega o momento de defrontar dificuldades interessantes, a provação passada fortalece-nos, oferecemos o peito a todos os males e, ainda, que estrebuchemos, mesmo de joelhos continuamos a lutar». Sempre a lutar. É um dos teus lemas. Como bem nos recorda, a cada instante, o nosso comum Amigo, e como tu também ilustre patriarca, Joaquim Barbosa. Lutar e não fugir. E foi o que tu sempre fizeste, meu Bom Amigo. Sabendo sempre amar e também perdoar. Combinando sempre simplicidade com sinceridade. Com verdadeira autenticidade. Com verdadeira autenticidade. Mas sempre, sempre mesmo, com imensa e intensa vontade de viver. Na próxima sexta feira comemoras, com os que te são mais Queridos, setenta anos. Que vitória meu Caro e Bom Amigo! Que grande vitória! Que imensa alegria! Aceira já hoje um abraço bem apertado do...
...Fernando Seara."

Fernando Seara, in A Bola

Infelizmente, nada de novo por aqui...

Corruptos 84 - 70 Benfica
17-19, 27-16, 19-14, 21-21

Aparentemente nada mudou... Continuamos a denotar as mesmas debilidades. Já está demonstrado à exaustão que o problema não é dos jogadores, pois estes mudam (nos dois lados) e os problemas mantém-se...
Só um exemplo: o Benfica raramente consegue um lançamento sem oposição; os Corruptos raramente lançam com oposição!!!
Creio que este facto é explicação suficiente, para perceber como decorreu o jogo... O pior disto tudo, é que nada disto é novidade... Pois tem-se repetido em todos os duelos com os Corruptos, e aparentemente é para continuar...
A eliminatória com os Italianos na Champions deu-me alguma esperança, mas hoje, voltámos à 'terra'!!! Os jogos da Champions foram jogados com poucos cuidados tácticos, o conhecimento das equipas era mínimo... o facto do Carlos Morais ter marcado tão poucos pontos, é sinal disso mesmo!

Benfiquismo (CCXLIV)

Chão sagrado...

Bi-Supertaça !!!

Sporting 2 - 3 Benfica

Admito, estava com pouca confiança! O super-investimento Lagarto, e a ausência de praticamente 70% do plantel durante a pré-época (Selecções, lesões), deixou-me preocupado...
O jogo acabou por estar sempre 'controlado', marcámos primeiro, e soubemos controlar as emoções e os ritmos do jogo, sempre com consistência defensiva (a excepção foi mesmo o 1.º golo do Sporting)!
E mesmo quando o Sporting arriscou mais na parte final, fomos nós, a aproveitar para marcar mais um...!
É verdade que o plantel do Sporting é muito mais profundo do que o nosso, mas só jogam 5 de cada vez... sem lesões nos play-off's, vamos lutar até ao fim...
Recordo que esta semana o responsável pelas modalidades dos Lagartos admitiu um orçamento de 10 milhões de euros (para três modalidades de pavilhão, e atletismo...), enquanto o Benfica, gasta cerca de 5 milhões, (para cinco modalidades de pavilhão, e atletismo...)!!!! Inacreditável para um Clube falido que entrou em incumprimento com os credores...!!!

PS: Antes deste jogo, já o Benfica tinha conquistado a Supertaça feminina!!! E tal como nos masculinos, tivemos um jogo com muita tensão!!!
Ganhámos nos penalty's (2-1), após o empate 7-7 no prolongamento (5-5 no tempo regulamentar), mas a história ainda foi mais dramática do que parece!!!
O Benfica esteve a ganhar por 5-1, com o jogo controlado, e a falhar muitas oportunidades... mas quando a 7 minutos do fim, o Vermoim fez o 5-2, a equipa, estranhamente, ficou completamente desorientada!!! Mesmo assim, nesta parte final, falhámos 3 oportunidades inacreditavelmente... e a cada oportunidade desperdiçada, no contra-ataque, as adversárias (mais experientes), marcavam... E no último minuto só não perdemos porque e Betty esteve 'enorme' na baliza!!!
O prolongamento acabou ao contrário: com o Benfica a empatar perto do fim... e nos últimos segundos, foi a guarda-redes adversárias a evitar a vitória do Benfica, por duas vezes!!!
Nos penalty's estava confiante, tínhamos a melhor guarda-redes, e não trememos...!!!
Depois da vitória na Taça de Honra da AFL, frente ao Sporting, também nos penalty's (nesse jogo fomos nós a recuperar uma desvantagem impossível), nova vitória...
Temos de facto muito talento, a Sara Ferreira é de facto melhor que as 'outras', temos um 'monstro(a)' na baliza, e apesar da revolução no plantel, com poucas rotinas ainda, e também muita juventude... temos equipa para conquistar todos os objectivos!

100 de Vila Belmiro & Leo

Santos 1 - 1 Benfica


Foi um típico jogo amigável, deu essencialmente para dar ritmo ao Danilo, que será muito útil nos próximos jogos... além da estreia de vários miúdos da formação!
Marcámos de penalty, e foi pena o puto Zé, ter falhado o 2.º penalty... merecia ter marcado, jogou bem (mas curiosamente, na formação nunca gostei da maneira como ele marcou as penalidades)! Ainda por cima, logo a seguir, o Santos, marcou, numa infelicidade do Ederson...

Sendo que a minha maior preocupação para este jogo eram as lesões!!! Já agora não gostei da 'forma' como o Almeida saiu do campo... Espero que tenha sido só precaução!
Aliás as escorregadelas constantes dos nossos jogadores assustaram-me várias vezes!!!

Do ponto vista histórico, foi bonito o Benfica regressar à Vila Belmiro, no centenário de um dos campos míticos do futebol mundial...
Foi o confronto das duas equipas que marcaram a década de 60, uma na Europa e outra na América do Sul!!!! E que tantas vezes se encontraram nessa altura, em jogos oficiais, mas principalmente em jogos amigáveis!

sábado, 8 de outubro de 2016

Continental, mal encaminhada...!!!

Barcelos 5 - 4 Benfica
Rodrigues, Nicolia, Adroher

Para quem não sabe a Taça Continental no Hóquei em Patins, é como a Supertaça Europeia no Futebol.

Depois do último jogo a equipa ter parecido querer voltar às boas exibições, hoje, voltámos à 'pré-época': mau!!! O 5-4 no fim até não é muito mau, tendo em conta que esteve 5-2 a pouco minutos do final, mas ao Campeão Europeu exige-se mais...
Ainda temos a 2.ª mão na Luz, mas será muito complicado, ainda por cima quando sofremos golos em praticamente todas as 'bolas paradas' (Livres Directos e penalty's, hoje foram 4!!!), e não conseguimos marcar um sequer (hoje, falhámos 3 Livres Directos!!!).

Já agora, os golos fora, não 'contam' a dobrar em caso de empate!

Vantagem...

Benfica 31 - 26 Kaerjeng
(18-15)

Bom resultado... num jogo muito equilibrado, onde o Benfica conseguiu nos últimos minutos, conquistar uma vantagem muito interessante...
A Taça EHF, tem um nível superior à Challenge, esta equipa do Luxemburgo tem muitos estrangeiros, e são fisicamente fortes... e apesar dos 5 golos, a eliminatória não está ganha!

É só falazar, falazar

"Era desnecessário o comunicado do Benfica a explicar aos incautos que o presidente do clube ao dizer 'por favor, não falem dos outros clubes' não feriu nem os Estatutos do Clube nem a Constituição da República restringindo o direito à liberdade de expressão dos adeptos e aos associados com maior ou menos expressão pública, o que seria francamente intolerável. As próprias palavras de Luís Filipe Vieira seriam desnecessárias se a Natureza providenciasse a todos os da sua casa lucidez e modéstia em doses bastantes para que ninguém sucumba à doença infantil da microfonite aguda face à tenda que se vê montada do outro lado da rua.
Vieira sabe que, pelo segundo ano consecutivo, o Benfica está a ser levado ao colo por aquilo a quase convencionou chamar, por respeito à instituição, 'comunicação' do Sporting e que, por incrível que pareça, já conheceu melhores dias. Se, por exemplo, o 'kit' Eusébio fez o seu relativo furou na imprensa em Outubro de 2015, já esta 'denúncia' de Outubro 2016 sobre ameaças a árbitros não mereceu sequer chamada de primeira página nos três jornais desportivos em circulação. Imagine-se só o que será e o vai acontecer à denúncia de Outubro de 2017.
Basicamente será aquele estribilho que já cantava a Beatriz Costa, em 1936, numa revista do 'Parque Mayer:
- É só conversar, falazar, falazar...
Foi um sucesso imediato. O espectáculo esteve meses em cartaz e tinha o curioso título de 'Arre Burro!'
É portanto, do interesse de Vieira, porque é do interesse do Benfica, obstara que sejam os franco-atiradores benfiquistas e preencher o espaço noticioso sobre o actual momento do rival. Houvesse coragem e esses blocos informativos seriam ocupados pelas reflexões provenientes da 'massa crítica' do Sporting que começa agora a sair da clandestinidade fazendo até por merecer uns valentes apodos do presidente em exercício, o que também não nos diz respeito.
Com a eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU, confirma-se a velha denúncia de Pinto da Costa. O Benfica persiste em 'meter gente em lugares importantes'. Parabéns!
Na morte de Mário Wilson, disse Toni que com ele privou no futebol mais do que ninguém entre os ainda vivos: 'O teu filho branco curva-se perante a memória do seu segundo pai.' Poucas palavras, é certo, mas que nos dizem tanto sobre Mário Wilson e, obviamente, sobre o próprio Toni. E, perdoem-me o abuso, poucas palavras que nos dizem tanto sobre aquilo que queremos que nunca deixe de ser o Benfica."

O futebol e os terroristas da palavra

"A liberdade de expressão que a democracia consagra não legitima a ofensa nem o insulto. É que a democracia não é o sistema político do caos.

Invocar o 25 de Abril e a democracia, em nome da liberdade ao livre insulto e à ofensa, é uma infâmia para o 25 de Abril e uma manifestação da mais profunda e obscura ignorância sobre os valores fundamentais da liberdade.
A democracia não é o sistema político do caos, do direito à irresponsabilidade dos actos e da consagração do ataque ao direito dos cidadãos ao seu bom nome.
Nenhuma sociedade organização resistiria a esse caos e o futebol também não. Daí que seja necessário colocar um travão na crescente irresponsabilidade das afirmações e das ofensas que por aí se fazem de forma gratuita e livre, compensando os difamadores, os terroristas da palavra, os instigadores do ódio e da violência.
Por isso, é para mim indiscutível que o presidente do Benfica faz bem em definir uma política oficial de recusa em entrar nessa guerra destruidora do futebol e que só acontece por quase absoluta impunidade dos responsáveis.
Pode dizer-se que é uma manifestação hipócrita, uma vez que o mundo da comunicação tem muitos exemplos de benfiquistas, com ou sem responsabilidades nos órgãos do clube, que garantem o lado bélico dessa comunicação, mas é também óbvio que o controlo dessas situações deve ficar ao juízo dos órgãos certos: no mundo civil, os tribunais; no mundo desportivo, a justiça desportiva. Uns e outros devem exercer as suas funções com competência e rigor.
Sempre tem havido, em Portugal, a má tradição de desresponsabilizar os culpados, dizendo que, afinal, todos somos culpados, os dirigentes, os treinadores, os jornalistas, os roupeiros, o povo do futebol. Mas não é verdade. Há uns que são culpados e outros que são inocentes. Numa sociedade justa e livre torna-se necessário julgar e penalizar os culpados e ilibar de responsabilidade os inocentes.
Parece simples, mas, em Portugal não é assim tão simples e no futebol português é, ainda, mais complicado.
Por isso se tem assistido, nos últimos tempos, a uma constante subida do tom na escala de violência dos discursos. Alguns, a aparecem travestidos de uma falsa linguagem de coragem, assentam apenas numa manipulação oratória de raiz populista, ocos de conteúdo e de argumentos, que apenas tendem a acender de paixão, mas também de ódio, os corações dos adeptos menos racionais.
Os objectivos sãos os de sempre: desresponsabilização dos maus resultados desportivos, criação de um clima de medo e de perturbação que permitem o beneficio do infractor.
Não há, aliás, muito de original, nisto. A história do futebol português está cheia de episódios destes, em que a poeira e o ruído dos discursos inflamados e dos apelos mais ou menos declarados à cegueira dos homens, em nome do amor ao clube, determinaram tempos negros e que não podem, nem devem ser esquecidos.
Nesse aspecto, a história repete-se. Em farsa, dirão alguns que aligeiram a situação. Sim, mas em farsa que pode vir, em qualquer altura, degenerar em tragédia.
A acontecer, virão as carpideiras do costume condenar os excessos de todos e a irresponsabilidade crónica das pessoas do futebol. Lamentar os acontecimentos e rezar, pelas vítimas, três 'Pais Nossos e cinco Avé Marias'. Aliviarão, assim, as más consciências.
Prefiro alertar antes para a alta probabilidade de numa altura em que o campeonato estiver mais aceso de emoções e de paixões se possa instalar um clima de violência preparada e criada, ao longo dos meses, por esses terroristas da palavra.
Julgarão alguns que defendo um estado policial para o futebol. Não. Defendo, apenas e só, um estado de direito em Portugal.
(...)"

Vítor Serpa, in A Bola

Benfiquismo (CCXLIII)

O Rei e o King...!!!